JUDITH BUTLER (Cleveland, 1956) é
doutora em Filosofia pela Universidade Yale e professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Berkeley. É autora de diversos livros, entre os quais estão publicados pela Autêntica: Relatar a si mesmo: crítica da violência ética (2015), A vida psíquica do poder: teorias da sujeição (2017), Vida precária: os poderes do luto e da violência (2019), Os sentidos do sujeito (2021) e Que mundo é esse? Uma fenomenologia pandêmica (2022). Tem presença marcante em debates sobre direitos humanos e identidade de gênero, e ganhou vários prêmios na área, entre eles o Adorno Prize, de Frankfurt (2012), por suas contribuições para os estudos de gênero, a filosofia política e a filosofia moral.
FILOMARGENS
Sujeitos do desejo: reflexões hegelia-
JUDITH BUTLER Sujeitos do desejo
“Meu interesse no legado hegeliano não foi exatamente superado pela publicação deste livro. Em certo sentido, todo o meu trabalho pode ser remetido à órbita de determinadas questões hegelianas: O que é a relação entre desejo e reconhecimento? De que maneira a constituição do sujeito forma uma relação radical e constitutiva com a alteridade? Este livro não é nem uma narrativa exaustiva do hegelianismo francês nem um trabalho de história intelectual. Trata-se de um questionamento crítico acerca da relação repetidamente figurada entre desejo e reconhecimento. O sujeito emergente da obra de Hegel se encontra constantemente fora de si, e suas periódicas expropriações não conduzem a um encontro com uma versão prévia de si mesmo. O sujeito desejante segue uma narrativa de desejo, engano e derrota, amparado por momentos pontuais de reconhecimento, fontes para uma redenção meramente fugaz. Esse sujeito não padece daquilo que ele mesmo deseja – é, pelo contrário, a ação que perpetuamente o desloca.” Judith Butler
nas na França do século XX, da filósofa
JUDITH
BUTLER
Sujeitos do desejo
Judith Butler, tem muito a contribuir para a compreensão do pensamento da autora, marcado pelo entrelaçamento da filosofia alemã com a filosofia francesa. Neste livro, conhecemos os pressupostos filosóficos da sua formação inicial, o que nos ajuda a compreender seus diferentes movimentos ao longo das quatro décadas seguintes. Desde então, seu
Tradução Beatriz Zampieri, Carla Rodrigues, Gabriel Lisboa Ponciano e Nathan Teixeira
arco teórico mescla conceitos como reconhecimento e alteridade, a fim de sustentar uma filosofia ético-política voltada para discutir como a exigência de que os gêneros sejam coerentes e inteligíveis participa dos sistemas de reconhecimento e do enquadramento que distribui as vidas entre dentro/ fora da heteronormatividade e de seus pressupostos restritivos. A centralidade da leitura de Hegel na França, marca desta obra inicial, indicava uma atitude presente em todo o percurso de Butler: um pensamento em diálogo com diferentes autores e autoras, de áreas diversas, da filosofia à antropologia, passando pela psicanálise, em uma trajetória em que a teoria crítica de gênero vai sendo trançada à teo-
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