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Onde deságua o desengano

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ONDE DESÁGUA O DESENGANO PATRÍCIA ESPÍRITO SANTO

PATRÍCIA ESPÍRITO SANTO

ONDE

DESÁGUA

O

DESENGANO

Copyright © 2026 Patrícia Espírito Santo

Copyright desta edição © 2026 Autêntica Editora

Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora Ltda. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

diretora editorial

Rejane Dias

editora responsável

Cecília Martins

revisão

Deborah Dietrich

projeto gráfico de capa

Diogo Droschi

fotografias

Dante Furlan

diagramação

Waldênia Alvarenga

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Santo, Patrícia Espírito

Onde deságua o desengano / Patrícia Espírito Santo. -- 1. ed. -Belo Horizonte, MG : Autêntica Editora, 2026.

ISBN 978-65-5928-701-7

1. Água - Aspectos sociais 2. Desigualdade social 3. Espiritualidade 4. Fome - Aspectos sociais 5. Madagascar (Ilha) - Condições sociais 6. Pobreza 7. Relatos I. Título.

26-345571.0

CDD-305.568

Índices para catálogo sistemático: 1. Madagascar (Ilha) : África : Pobreza, desigualdade : Sociologia 305.568

Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Belo Horizonte

Rua Carlos Turner, 420 Silveira . 31140-520

Belo Horizonte . MG

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SAC: atendimentoleitor@grupoautentica.com.br

Aos que têm sede e fome por toda a vida.

Jamil Chade

1. Se chove, comemos. Se não, passamos fome ............ 21 2.

Prefácio

A construção da humanidade

Nos dicionários pelo mundo e em diferentes idiomas, “humanidade” é apresentada como o coletivo de todos os seres humanos vivos. Mas, ao longo de anos percorrendo campos de refugiados e alguns dos locais mais inóspitos do planeta, me questiono se essa é realmente a melhor definição.

Prefiro pensar que a construção da humanidade é, no fundo, a construção de seus direitos. Os avanços, de fato, são importantes. Se em 1900, 80% da população mundial vivia na pobreza, a taxa era de apenas 10% em 2025. Se em 1900, 70% da população mundial era analfabeta, hoje a taxa é de menos de 20%. Se em 1900 a média de vida no planeta era de apenas 32 anos, hoje ela supera a marca de 70 anos.

Vacinas e inovações científicas tiveram um papel profundo nessa transformação. Mas no centro desses avanços está a ideia dos direitos e sua consolidação. A revolução no conceito de humanidade ocorreu quando milhões de pessoas tiveram direito a ter direitos.

A realidade, porém, é que essa construção é incompleta e, hoje, abalada por movimentos políticos que desumanizam o outro.

Ainda temos milhões de famintos, 16 mil crianças morrem por dia por doenças que poderiam ser evitadas ou tratadas, milhares de pessoas são detidas por ousar pensar e 1 bilhão de adultos ainda não sabe ler. Temos 27 milhões de pessoas em regimes de escravidão, duas vezes mais que no século XVIII.

Patrícia Espírito Santo nos leva para onde essa construção é ainda um desafio. Em Madagascar, onde não existe ilusão, nem quanto à vida, muito menos quanto à morte, é a reexistência permanente que dá o tom. Ela nos relata a angústia de um oncologista sem recursos para salvar seus pacientes, de mães que viam seus filhos sem forças sequer para chorar e como crianças são obrigadas a se tornar adultos precocemente para sobreviver.

Num livro sensível, emocionante e profundo, a escritoraviajante nos coloca um espelho sobre a realidade de um local que ainda busca instrumentos para a construção de seus direitos. E a imagem que ela mostra nos exige uma profunda reflexão.

A humanidade, em muitos sentidos, é também algo maior do que apenas a coleção de humanos. Concordo com o filósofo australiano Toby Ord quando ele diz “não é o humano que é notável, mas a humanidade. A capacidade de cada humano de cooperar com as dezenas de outras pessoas em seu grupo era única entre os grandes animais. Isso nos permitiu formar algo maior do que nós mesmos”.

A construção dos direitos é talvez uma das maiores obras dessa cooperação. Eu existo ao garantir que ela exista.

Patrícia Espírito Santo nos mostra que passa pelas latitudes de Madagascar, que povoa nosso imaginário coletivo, a própria construção da humanidade.

Se chove, comemos. Se não, passamos fome

O imaginário social e a maioria dos turistas que visita Madagascar, quarta maior ilha do mundo localizada no Oceano Índico, veem ali apenas um paraíso ecológico, de natureza exuberante, onde vive um povo exótico. Local próprio para vários tipos de aventura, devido à riqueza não encontrada em outros cantos do planeta, é famoso por seus enormes baobás e animais eternizados por uma animação da DreamWorks Animation. Poucos são os que se interessam em saber o que de fato há ali, por trás das cortinas, sendo que muitos sequer sabem que a ilha faz parte do continente africano. Muito mais que surf, safáris onde se pode ver lêmures, crocodilos e camaleões, lá existem seres humanos de uma cultura ancestral que vem sendo corroída por todo tipo de exploração e principalmente pela escassez de recursos materiais que a maior parte do resto do mundo desperdiça. A começar pela água potável, água de beber, de cozinhar, de tomar banho, de higienizar, de irrigar lavoura. Água essencial para produção de alimento, alimento que mantém a vida, a saúde, que alimenta os sonhos e torna possível o futuro de qualquer comunidade. Madagascar vai muito além de suas praias e parques nacionais e de sua capital, Antananarivo,

porta de entrada dos turistas que, em sua maioria, seguem para o norte e vão se alojar nos resorts e oásis inviáveis para a maior parte de sua população nativa.

Em 2023, quando lá pisei pela primeira vez e passei a conviver de perto com seu povo, entendi o significado da palavra desengano. Desenganado é o estado que descreve uma pessoa que não está sob o efeito de uma ilusão. Muito comumente assim classificamos aqueles que se encontram à beira da morte, como se o quadro de saúde em equilíbrio e de vitalidade camuflasse a realidade e somente o fim iminente tivesse a capacidade de conduzir o ser humano ao mundo como ele é. Na hora em que ela, implacável, se aproxima, nada mais é capaz de enganar. Ledo engano!

A realidade nua e crua de uma vida de carência definitivamente não cede espaço à ilusão. “Pessoas são como plantas ao vento, curvam-se para se erguer novamente”, diz um provérbio local. Muitos dos que povoam outros cantos do mundo dificilmente o fazem com tanta sabedoria e resignação quanto o malgaxe. Ali não existe ilusão, nem quanto à vida, muito menos quanto à morte.

Ao me dirigir para o sul da ilha, me deparei com uma realidade que anos depois ainda tento absorver. Cresci ouvindo ser possível viver sem muita coisa. Só não pode faltar água, acreditava. Na região de Ambovombe, nona maior cidade do país, o pouco que se consegue de água é retirado em algum rio distante, colhido manualmente de um poço artesiano ou apanhado em uma poça formada pela chuva, que a cada ano se torna mais esparsa e rara e quando chega pode ser arrasadora. Até mesmo a água do mar é, por vezes, o que se tem para molhar a garganta.

Terrosa, barrenta, salobra, mas, ainda assim, fonte de vida. Pouca água leva a pouca comida disponível. Alimentação deficitária leva a atrasos irreversíveis para muitas famílias que se esforçam em atender os desejos de seus ancestrais que, antes delas, prepararam aquele território na esperança de que ali se encontrasse o necessário para viver.

A maior parte da população – 60% – vive em aldeias na zona rural e se mantém graças à agricultura de subsistência. “Se chover, a gente planta. Se não chover, a gente não come; passa fome.” Batata-doce,

mandioca e milho são a base da alimentação no sul da ilha que pode ser complementada por um pouco de arroz, lavoura que se desenvolve do centro ao norte e é o prato mais tradicional do país. A palavra “comer” em malgaxe é mihinam-bary e significa “comer arroz”.

Porém, esse não é o caso do extremo sul do país, na região de Antandroy, onde o ambiente é demasiadamente seco para o cultivo. O que faz com que arroz no prato seja apenas para quem tem dinheiro de sobra para comprar. Proteína animal só mesmo para quem tem muito, mas muito dinheiro. E são poucos. Não comem e ponto-final. Tapear o estômago com pequenas frutas de cactos, encontradas na beira das estradas principalmente no período seco, é a solução mais frequente. Porém, comer mais de cinco unidades por dia causa diarreia e, como consequência, mais desidratação.

Quando entramos nas aldeias espalhadas pelas savanas, encontramos um número enorme de crianças sofrendo com desnutrição severa.1 Apáticas, nos colos de suas mães também desnutridas, chamam a atenção pelos cabelos amarelados, a estrutura óssea aparente por debaixo da pele fosca acometida pela sarna, e a cabeça de tamanho desproporcional ao resto do corpo. Com a boca sugando o peito seco da mãe, ali se mantêm agarradas, pois o que lhes alimenta é o cordão que as une independente da tentativa, tanto do homem quanto da natureza, de rompê-lo.

Ao tomarem conhecimento de que médicos estavam indo até ali, elas surgiram por todos os lados. Habituadas a esperar, foram se sentando na terra, separadas em grupos com suas famílias, aguardavam serem chamadas para um atendimento médico que, obviamente, não seria possível para todas. Muitas viverão uma vida inteira sem serem examinadas uma única vez por um profissional com formação acadêmica em alguma área da saúde.

Somos poucos para olhar um grupo tão grande. Estimamos que entre adultos e crianças, que eram maioria, havia quase três mil

1 Estima-se que, até 2030, 60% das pessoas subnutridas no mundo estarão no continente africano, onde 17,6% da população enfrentará fome crônica. Para saber mais, acesse: openknowledge.fao.org.

pessoas. E médicos eram apenas sete. Foram feitas diversas triagens para separar quem seria consultado. “Aqui estão os em pior situação”, mas ainda não seria possível atender a todos. Nova triagem, dessa vez “os piores entre os piores” e assim sucessivamente. De nossa parte, muito silêncio, porque nessas horas é difícil encontrar o que falar e não há tempo a perder. Impossível voltarmos no dia seguinte e tão cedo um novo grupo iria. Cada minuto é precioso, até porque precisamos retornar à nossa base antes que escureça. A estrada de terra esburacada, sem sinalização ou iluminação, pode ser traiçoeira. Se nos perdêssemos, seria grande o risco de nos tornarmos alvo daqueles que veem no assalto uma forma de sobrevivência.

Naquele dia, fiquei encarregada de coordenar a equipe responsável por pesar e medir as crianças. Depois de esboçar um sorriso seco e amarelo e tentar diminuir o choque de muitas delas que estavam vendo um vazaha2 pela primeira vez, precisávamos despi-las, acomodá-las na balança e, na sequência, no estadiômetro. Quando se trata de desnutrição, cada grama e centímetro são muito importantes para calcular e acertar o tratamento de maneira mais eficaz.

Muitas blusinhas se desintegraram em minhas mãos, a maioria das crianças não tinha roupas íntimas, sendo que várias já haviam passado da primeira infância. Não foram raras as vezes em que encontramos dificuldade para remover as roupas porque cobriam aqueles corpos há tanto tempo que se transformaram em segunda pele. Outras crianças usavam peças enormes para seu tamanho. Fraldas, quando havia, se resumiam a trapos de panos velhos forrados com um saco plástico. Isso faz da tarefa de cobrir seus corpos de volta um desafio, além de nos convidar à dura reflexão sobre a falta e o excesso, as desigualdades e o que leva muitos de nós a preferir ignorar o mundo fora de nossos limites habituais e confortáveis. Por duas vezes, os médicos pediram que algumas crianças fossem pesadas novamente. Era difícil acreditar que um menino de nove meses de idade tivesse apenas quatro quilos e 650 gramas e outro de 11 anos não passasse dos 12 quilos. Sabíamos que algumas

2 Termo usado para designar o estrangeiro, principalmente o branco.

delas não estariam vivas em pouco tempo. Durante toda a noite anterior, nossa pequena padaria a lenha concentrou esforços para produzir centenas de pães, símbolo do alimento do corpo e da alma tão apreciado por nossa cultura. Cada mão, educadamente estendida, recebia o seu até que as bacias ficaram vazias, como permaneceram os estômagos de uma quantidade enorme de pessoas que esperaram em vão. Raros são os que têm coragem de nos pedir alguma coisa. Eles apenas esperam. Onde deságua o desengano, a multiplicação dos pães não acontece. No lugar do milagre, choro engolido. A seco. Vi por perto salas de aula completamente vazias, construídas há anos no meio do nada por organismos internacionais que, sem planejamento a longo prazo de acompanhamento e manutenção, acreditaram que apenas um acordo com o governo seria suficiente para fazer toda a complexa estrutura escolar funcionar. Mas as salas estão resistindo a todo e qualquer tipo de invasão, em um lugar onde é raro ter um chão e um teto confortáveis para se abrigar. Isso comprova o respeito que o nativo tem em relação às escolas e o reconhecimento de que são locais capazes de transformar a sociedade. São respeitadas como túmulos sagrados erguidos para satisfazer o gosto dos ancestrais até que chegue o dia de revelarem suas reais intenções.

No compasso de espera, não há desespero, não há escândalo, ninguém faz chilique, nem se rebela ou protesta, muito menos dá fim à própria vida. “O que se pode fazer?”, me devolvem a pergunta que sustento em minha mente à procura de entender a cultura deles. “Você pode escolher se distanciar para ignorar o que te incomoda ou fazer pequenas concessões e enriquecer-se com novas formas de experimentar o mesmo mundo”, é outro provérbio malgaxe que ouvi.

Em um primeiro momento, somos levados a acreditar que, naquele ambiente de extrema miséria e abandono, mais pessoas recorrem ao suicídio se comparadas às que vivem em locais com melhor qualidade de vida. Porém, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, em 2019, a taxa de mortalidade por suicídio em Madagascar foi de 5,96 por 100 mil habitantes, inferior ao Brasil

(6,71 por 100 mil), Estados Unidos (15,11 por 100 mil), França (15,05 por 100 mil), só para citar alguns exemplos de que, nesse caso, podemos estar fazendo avaliações equivocadas.3

Precisamos nos distanciar dos parâmetros que aprendemos a partir da perspectiva na qual fomos criados e crescemos. Digo isso por mim. Do contrário, nunca vou compreender e, o pior, vou julgar improcedente, incoerente e selvagem a resiliência malgaxe, a começar por sua cultura que tem como pilar o culto aos ancestrais. Estes estão no centro da vida e da morte; é para eles que os rituais são feitos, está nas mãos deles o destino de tudo e de todos, a saúde e a doença, a alegria e a tristeza, a sorte e o azar, as uniões e o tamanho das famílias. Estão acima do julgamento de deus.

Ao mesmo tempo reverenciados e temidos, os ancestrais protegem cada indivíduo e aldeia, assim como podem amaldiçoar seus descendentes, caso não cumpram o que se espera deles. Os mortos um dia também foram cidadãos de carne e osso, sabem das coisas da terra e agora também conhecem tanto as do céu quanto as do inferno. E é nesse meio que são travadas as disputas, tendo deus e o demônio como protagonistas que ocupam o mesmo lugar na hierarquia, têm o mesmo nível de poder e de presença. Cada cidadão se aproxima do que melhor lhe convém e lhe é mais apropriado em cada momento.

Madagascar, na língua malgaxe ou malagaxe, é Madagasikara, termo derivado do proto-malaio que significa “fim da terra”. Refere-se à longa distância percorrida por mar pelos primeiros colonizadores malaios que chegaram à ilha, seguidos por outros povos asiáticos e africanos. Está localizada na costa sudeste africana, em uma região conhecida como África Oriental, e ocupa uma área de 587.041 quilômetros quadrados.

A ilha, separada do restante do continente pelo canal de Moçambique, se desprendeu do continente africano há 135 milhões de anos, o que explica o fato de serem endêmicas entre 80% e 90%

3 Para saber mais, acesse: https://data.who.int/countries.

das espécies de suas plantas e de seus animais. Das oito espécies da árvore símbolo do país – o baobá – existentes no mundo, sete são encontradas lá. Apresenta um clima que varia entre o árido e o tropical, com relevo formado predominantemente de planaltos e planícies, sendo o sul caracterizado como uma região de aridez extrema, um semideserto. No passado, sua vegetação nativa era de florestas, a maioria hoje transformada em savanas que dão espaço a áreas agrícolas e pastoris.

Os portugueses foram os primeiros europeus a registrar publicamente sua chegada lá, em 1500, mas a ilha tornou-se alvo da ambição francesa durante o século XIX, que a transformou em protetorado em 1882 e depois em colônia, a partir de 1896. A independência veio em 1960, após rebeliões dos nativos, numa época em que outras nações africanas também buscavam conquistar autonomia. O sistema político é o semipresidencialismo e a economia considerada subdesenvolvida, baseada nos setores primário e terciário e marcada por uma profunda desigualdade de distribuição de renda.

Entre 2023 e 2025, quando lá estive por três temporadas, sua população era estimada em pouco mais de 31 milhões de habitantes, sendo quase metade menor de idade. Mas esse número não chega perto da precisão, pois é difícil fazer estatística ou censo em um local onde a regra é nascer e morrer sem registro civil, onde para sobreviver não basta ter terra disponível nem disposição para trabalhar.

Na região sul, a estação das chuvas se resume a dois meses ao ano e elas chegam a ser torrenciais, como quem procura compensar a falta com o excesso. O período compreendido entre janeiro e março é o mais chuvoso, quando o nativo se ocupa com o plantio das lavouras, colhidas entre abril e junho. É quando se tem o que comer e, no caso de colheita farta, o que estocar para os meses seguintes. Outubro dá início ao período seco, marcado pela escassez e pela fome, que atingem seu ápice entre dezembro e janeiro. As crianças em situação de maior vulnerabilidade vivem um constante ciclo de desnutrição. No momento em que começam a

ganhar força, se veem novamente diante da falta de comida e água. Quase nunca conseguem alcançar o peso ideal e acabam tendo seu desenvolvimento psicomotor comprometido.

Como sobrevivem com tão pouco? Como vivem em um lugar tão seco, sem acesso à alimentação e à água potável? Essas foram as perguntas que me motivaram a escrever este livro. Eu precisava de respostas e ainda preciso.

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