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O mundo pode ser melhor - Árvore da vida

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MARCO ANTÔNIO LAGE

O MUNDO

PODE SER

MELHOR

A EXPERIÊNCIA DA FIAT CHRYSLER

prefácio de

Domenico De Masi


M ARCO ANTÔNIO L AGE

O MUNDO

PODE SER

MELHOR

A EXPERIÊNCIA DA FIAT CHRYSLER


Copyright © 2015 Marco Antônio Lage Copyright © 2015 Autêntica Editora Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. apuração e texto base

revisão

Bernardino Furtado

Renata Silveira

edição e revisão de conteúdo

projeto gráfico e diagramação

Diogo Droschi

Conceito Comunicação José Eduardo Gonçalves Sílvia Rubião

diagramação

Waldênia Alvarenga

coordenação de conteúdo

imagem de capa

Ana Luiza Veloso Luciana Costa

Studio Cerri colaboração

fotografias do miolo

Alessandro Cerri Ana Cristina Mazeo André Barreto Caroline Melo Ellen Dias Fernando Elias Guilherme Guerra Jacopo Sabatiello Luiz Guilherme Gomes Martionei Gomes Roberto Baraldi

Studio Cerri MPerez (página 103) fotografias coloridas

Andreas Heiniger editora responsável

Rejane Dias tradução do prefácio

Fernando Scheibe

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lage, Marco Antônio O mundo pode ser melhor – Árvore da Vida: a experiência da Fiat Chrysler / Marco Antônio Lage. -- 1. ed. -- Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2015. ISBN 978-85-8217-785-3 1. Cidadania 2. Comunidades - Desenvolvimento 3. Desenvolvimento social 4. Empresas - Responsabilidade social 5. Fiat Chrysler Automobiles 6. Jardim Teresópolis (MG) - Desenvolvimento social 7. Participação social 8. Programa Social Árvore da Vida I. Título. 15-08616

CDD-305.07

Índices para catálogo sistemático: 1. Programa de inclusão social : Sociologia 305.07

Belo Horizonte Rua Carlos Turner, 420 Silveira . 31140-520 Belo Horizonte . MG Tel.: (55 31) 3465-4500

Televendas: 0800 283 13 22 www.grupoautentica.com.br

Rio de Janeiro Rua Debret, 23, sala 401 Centro . 20030-080 Rio de Janeiro . RJ Tel.: (55 21) 3179 1975

São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468


Dedico este livro à minha avó, Lia Lage, que no lombo de um cavalo alazão distribuía aos camponeses da região o que sua fazenda produzia, indo de casa em casa alimentar o próximo. Para meu irmão economista, foi ela quem inventou a cesta básica. Para mim, ela ensinou a enxergar o outro.


Acredito que a gente só pode dar aquilo que tem. Se temos, é porque recebemos. Se olho para o mundo com AMOR, é porque minha família nele me envolve. Harcy, Eunice, Raquell, Bernardo, Breno, José Gabriel e João Francisco; meus amores incondicionais que fazem com que eu tenha muita força para ainda querer plantar várias Árvores da Vida. Obrigado.


Agradecimentos Ao Comitê Diretivo da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), pelo apoio permanente à estratégia de atuação de responsabilidade social, acreditando na integração com a comunidade como forma genuína e perene de participação no desenvolvimento local. A cada um dos profissionais que se envolveu e se dedicou ao Árvore da Vida, especialmente aos que compuseram e compõem a equipe de Relacionamento com a Comunidade e aos demais colegas da FCA, da Fundação AVSI e da CDM. À comunidade do Jardim Teresópolis, que se abriu para o Árvore da Vida e o incorporou como um dos caminhos para a melhoria contínua da qualidade de vida em seu território, especialmente os beneficiários do Programa. A todos os personagens deste livro, que emprestaram suas histórias para dar vida à narrativa. Aos representantes do poder público e dos conselhos ligados à criança e ao adolescente, que colocaram à disposição do Árvore da Vida as ferramentas disponíveis para apoiar o crescimento do programa. Aos voluntários que se envolveram, doando seu tempo, sua experiência e seu talento para a realização deste projeto. A todos os parceiros da Rede Fiat de Cidadania: empresas, instituições, imprensa, universidades e órgãos de fomento, frutos do entendimento de que bons resultados dependem de cooperação e colaboração.


Desde que deu seus primeiros passos, há 10 anos, o Árvore da Vida cresceu e vem envolvendo cada vez mais pessoas, sempre ampliando seu raio de ação. Os objetivos pelos quais foi criado são os mesmos que o guiam hoje: contribuir concretamente para a construção de um modelo de desenvolvimento que seja econômico, mas também social e cultural, no qual se destaque a importância da educação e da participação ativa de todos. Os resultados encorajadores obtidos nessa década nos estimulam a prosseguir com convicção e orgulho nessa direção. Essa é uma árvore que deu bons frutos. A experiência que acumulamos nesses anos de trabalho merece ser valorizada não apenas no Brasil, mas também em todas as comunidades em que estamos presentes. John Elkann Presidente do Conselho de Administração da Fiat Chrysler Automobiles

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O que realizamos aqui no Brasil é uma referência para as nossas iniciativas sociais em todo o mundo. Iniciativas como essa empoderam as pessoas em primeiro lugar. Elas fazem a diferença e criam mudanças de longo prazo nas nossas comunidades. A dinâmica capitalista da busca pelo lucro acima da responsabilidade moral não apenas nos priva da nossa humanidade como também ameaça nossa perenidade. Como líderes, é responsabilidade nossa fomentar, individual e coletivamente, a esperança de um futuro melhor e lutar para que ele se torne realidade. É isso que o programa Árvore da Vida significa para a FCA. Sérgio Marchionne CEO Mundial da Fiat Chrysler Automobiles

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A base e razão das empresas são as pessoas. Não se pode dissociar a atividade de empreender do objetivo de desenvolver pessoas e a própria sociedade. Esta visão se fortalece cada vez mais como valor da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em todo o mundo e orienta a ética dos nossos negócios. Todo o esforço que a empresa faz para se modernizar, ser mais competitiva, desenvolver novos produtos e serviços, atender e superar expectativas dos consumidores, leva em consideração que estamos inseridos em um ambiente social que precisa se desenvolver de modo equilibrado, pois somente assim poderemos almejar ser sustentáveis. O Árvore da Vida surge desse esforço coletivo de preparar, plantar e colher. O encontro de caminhos entre FCA, setor público, terceiro setor, comunidade e outros parceiros essenciais atesta que a união de competências e boa vontade consegue transformar vidas e a própria realidade. São exemplos que ficam, que ajudam o desenvolvimento de um lugar, que deixam um legado para as futuras gerações e frutos a colher. Stefan Ketter Presidente da FCA para a América Latina

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PREFÁCIO Domenico De Masi

GENEROSIDADE SOCIAL

Assim como ao abrir a caixa de um relógio pode-se ver, uma a uma, as engrenagens em funcionamento, assim também, lendo este relato dos 10 anos de existência do Árvore da Vida, podese voltar a percorrer, com emoção e admiração, o nascimento e a evolução de um precioso modelo de desenvolvimento local. A América Latina é rica em episódios muito tocantes de generosidade social. Em Joinville, Santa Catarina, graças a um insight genial do ex-governador Luiz Henrique Silveira, 800 jovens da favela foram beneficiados com bolsas de estudo para frequentar uma escola de dança clássica – que conta com a colaboração da mítica Academia de Balé Bolshoi, de Moscou – em tempo integral, realizando assim a miraculosa transformação de meninos de rua em príncipes da beleza. Em Salvador, o Projeto Axé, criado em 1990 por iniciativa de Cesare De Florio La Rocca, tem o objetivo de recuperar crianças e adolescentes de rua excluídos da vida social, afetiva e institucional, partindo da ideia de que “a arte torna visíveis crianças e jovens invisíveis para a sociedade”. Com seu método baseado na pedagogia do desejo, focado no acolhimento e na

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inclusão, o projeto já recuperou e reinseriu no mundo familiar, escolar e social mais de 18.000 jovens, com uma taxa de sucesso de cerca de 85%. Atualmente, ele trabalha com aproximadamente 1.000 jovens através de percursos de recuperação que incluem a aprendizagem de disciplinas artísticas (música, dança, artes visuais, moda), o apoio à frequência escolar e o retorno à família. Ainda em Salvador, Carlinhos Brown, líder do grupo Timbalada e um dos criadores do samba-reggae, transformou estética, social e economicamente a favela do Candeal – onde cresceu – através da música e da educação musical dos jovens, tirando-os assim das drogas e da violência. Em Foz do Iguaçu, o prefeito Paulo Mac Donald construiu, em cada favela da cidade, uma escola para alunos de 2 a 15 anos. Nelas, todos os dias, 30.000 crianças e jovens recebem acolhida, alimentação e instrução completa, seguindo um método inspirado no conceito de ócio criativo e que mistura estudo, trabalho e lazer. VOCAÇÃO BRASILEIRA

A experiência descrita neste livro de Marco Antônio Lage faz parte da vocação natural brasileira, em que lutam entre si dois tipos contrastantes de pulsões. De um lado, pulsões negativas – como o contágio consumista e a tentação de ceder às solicitações estéreis do mercado externo, que apelam para os piores aspectos da brasilidade: o excesso cromático e sonoro, certa sensualidade desregulada, o exotismo provincial e a dissipação do patrimônio natural; a que podem se somar a falta de autoestima, a xenofilia exacerbada, o escasso senso da “coisa pública”, o recurso à astúcia como substituta da inteligência, a não confiabilidade, a violência. De outro, pulsões positivas – como o senso da hospitalidade e da amizade, a cordialidade, a sociabilidade, a generosidade, o bom humor, a alegria, o otimismo, a espontaneidade, a criatividade, a

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persistência de valores básicos como o ritmo, a sensualidade sem complexos, a festividade, a exaltação das cores e dos sabores, a interculturalidade, a capacidade de copiar e de inventar. O brasileiro é informal e sabe trabalhar em grupo, é fluido em seus processos de decisão, não tem preconceitos ideológicos, aprende fazendo, tende a conjugar o trabalho com a diversão, é prestativo, atencioso, afável, afetuoso. A sua religião e sua fé, como a sua vida, são pautadas pelos conceitos de tolerância e curiosidade. A mistura de fatores tão diversos, que em outros contextos se tornaria destrutiva, tem resultados benéficos no Brasil. A paciência, a capacidade de se mover entre diferentes códigos de comportamento e de reinterpretar as regras, as normas e as linguagens são atitudes frequentes, assim como a tendência a considerar fluidos os limites entre o sacro e o profano, o formal e o informal, o público e o privado, a emoção e a regra. O “jeitinho brasileiro” é exatamente isto: um modo de harmonizar os contrastes, de driblar os obstáculos, de usar com certa desenvoltura inclusive expedientes que vão além das regras. Como já dizia Gilberto Freyre: “A mentalidade brasileira não se escandaliza com o jogo dos contrastes, confrontos, paradoxos, misturas e antinomias. O Brasil vive o sincretismo, a conjugação dos opostos, o casamento daquilo que é inconciliável à primeira vista”. O conceito de “brasilidade” remete imediatamente ao encontro e as relações interpessoais. As relações englobam os indivíduos. O individualismo assume uma acepção negativa. “Viver” significa ter relações sociais. “Saudade” significa a lamentável interrupção dessas relações. No plano social, a função unificadora é desempenhada pelo sincretismo cultural, pelas grandes festas civis e religiosas incorporadas no modo de viver popular, pela música, pelo papel da mulher na vida social, pela sensualidade sem culpa (“Não existe

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pecado do lado de baixo do Equador”, canta Chico Buarque). Já num nível mais intelectual, o que desempenha essa mesma função unificadora é a acentuada capacidade de reciclagem cultural através de uma permanente atividade de assimilação, adaptação, releitura, antropofagia. A EXPERIÊNCIA DO JARDIM TERESÓPOLIS

O Brasil é aberto ao novo e às mudanças; mesmo nos piores momentos, enfrenta a realidade com sentimento positivo. Mas também aqui, como em todo o Ocidente, uma luta feroz entre tradição e inovação está em curso. Sendo jovem, o país tende a se renovar misturando, contudo, o novo com o velho, propiciando um modo original de evoluir, adaptando, aceitando, modificando, tornando mais problemático e complexo – mas também mais rico – seu modelo de vida em estado nascente. O Árvore da Vida oferece um testemunho vivo de tudo isso. Nos anos 1970, uma grande fábrica da Fiat se instalou em Betim (MG). Do outro lado da BR-381, onde a grande montadora imperava com sua imponente modernidade tecnológica e global, atraída justamente por essa presença forte e misteriosa, foi se formando uma comunidade de 33.000 moradores, o Jardim Teresópolis, “os filhos feios da Fiat”, como diz um deles. Ali, em 2004, graças à visão, ao empenho e à coragem de Marco Antônio Lage, nasceu o projeto Árvore da Vida que, como o próprio nome indica, propôs-se a “plantar as sementes da transformação, fazê-las germinar, crescer e gerar frutos”. O projeto apostou no fortalecimento da comunidade, na educação e na geração de trabalho e de renda, envolvendo os jovens e os profissionalizando, colaborando com as famílias e com as escolas, combatendo o analfabetismo, incentivando o empreendedorismo, o esporte e a cultura, interagindo com as instituições locais.

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“Um projeto ambicioso”, diria o general De Gaulle, mas executado de modo impecável por Marco Antônio Lage e seus numerosos colaboradores nessa magnífica aventura. Para constatá-lo, basta contemplarmos retrospectivamente as diversas etapas concluídas nesses 10 anos e os surpreendentes resultados atingidos. Um começo afortunado, com um Brasil que via seu PIB crescer 5% ao ano, com o governo Lula comprometido com o bem-estar social, com a Fiat de Betim transformada na segunda maior montadora de automóveis do mundo, atrás apenas da Hyundai da Coreia do Sul. Porém, fiel a suas contradições, o mesmo Brasil via crescer o desemprego, a violência e a desigualdade entre ricos e pobres. Contradições que a BR-381 representava e sintetizava num grau inquietante: bem na frente da segunda maior fábrica de automóveis do mundo – “um gigante a vomitar milhares de carros todos os dias” –, apodrecia um pedaço de periferia onde a miséria, a falta de serviços, o analfabetismo, o tráfico de drogas, a inexistência de uma praça, de um parque, de um espaço de socialização e a ausência do Estado provocavam pelo menos 40 homicídios por ano, a maior parte de jovens na faixa dos 20 anos. E foi daí que nasceu em Marco Antônio, um dirigente da Fiat, a necessidade de entrar em contato com essa população desesperada, escutá-la, compreendê-la e estudá-la, para conhecer suas exigências, aumentar sua autoestima, conferir dignidade às famílias, orientar e educar os jovens, acompanhá-los no trabalho, dar um conteúdo para o tempo livre e uma organização à coletividade. AS ETAPAS DA INTERVENÇÃO

É comovente percorrer as etapas através das quais Marco Antônio e sua equipe, junto aos moradores do Jardim Teresópolis,

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atingiram, com paciência, humildade, competência e visão, todos os objetivos a que tinham se proposto. Lendo este livro encontramos o clima, a intensidade e a felicidade das grandes pesquisas sociológicas – de Middletown, o célebre estudo de Robert e Helen Lynd, a Sociedade de esquina, de William Foote Whyte. Com a diferença de que, neste caso, o escopo e o resultado não se limitam a compreender uma comunidade por meio de uma pesquisa explicativa, mas conseguem modificar profundamente sua realidade social graças a uma pesquisa-intervenção. Os começos são cautelosos e respeitosos: são feitos os primeiros contatos com os líderes informais, buscam-se experiências análogas, professores e filantropos que já realizaram empreendimentos do mesmo tipo para trocar experiências. A esta fase externa à empresa corresponde uma fase interna para convencer a direção da importância e necessidade desse empenho social no Jardim Teresópolis, até fazê-la aceitar sua responsabilidade e seus riscos. Assim começa o trabalho de alfabetização dos moradores. Em seguida, valoriza-se o capital social, organizando-se as primeiras reuniões com os moradores e deslocando o foco das discussões das carências para as potencialidades de cada um. Encontra-se, então, o nome Árvore da Vida, que exclui intencionalmente a palavra Fiat. Mais tarde ele ganha visibilidade com duas edições do Muros do Jardim Teresópolis, projeto em que jovens grafitavam muros de diversas ruas da comunidade. São organizadas viagens com os jovens para diversas cidades, a fim de levá-los a conhecer outros mundos e ver o mar. Posteriormente surge o Cine Jardim, projeto em que são organizadas projeções cinematográficas de 21 filmes brasileiros numa sala de 600 lugares. Em 2008, nasce o Centro de Apoio à Família para enfrentar os problemas de drogas, alcoolismo e violência contra a mulher por meio de reuniões de grupo, cursos e conferências sobre a saúde familiar. Então são organizados um coral e um grupo de percussionistas. Tudo isso

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para fazer os jovens compreenderem que a escolha pelo trabalho duro e pelo ganho modesto em detrimento do lucrativo tráfico de drogas traz como recompensa um aumento de confiança, generosidade, coragem, tolerância, lealdade, paciência e honestidade. E, sobretudo, de autoestima. Daí a formação humana e profissional, e não apenas a preparação dos jovens para o trabalho, seja na Fiat e em suas concessionárias, seja em outras fábricas da região, seja em pequenas empresas criadas pelos moradores com a assistência de especialistas, seja na Cooperárvore, onde, com a ajuda de designers profissionais, materiais descartados pela Fiat são reaproveitados e transformados em objetos esteticamente originais e atraentes. Nasce, assim, a ideia de criar uma organização formal dos empreendedores, e daí surge a Associação Comercial do Jardim Teresópolis (ASCOTE). Finalmente, todas as iniciativas nascidas no seio do Árvore da Vida percebem a necessidade de criar uma rede entre si e fundam oficialmente a Rede de Desenvolvimento Social do Jardim Teresópolis, que publica guias das instituições, propõe à prefeitura soluções para o tráfico, mantém as reuniões mensais do Fórum de Instituições da Rede para decidir quais as prioridades sociais a serem atendidas e organiza as Semanas do Bem para difundir o conceito de bem comum e realizar marchas pela paz. É intenso, também, o empenho do Árvore da Vida no estímulo à educação artística. O coral e os diversos eventos organizados são um resultado muito eloquente disso. Trata-se de ações voltadas não para indivíduos, solistas, mas para a cooperação coletiva em que cada um completa o outro de maneira disciplinada para alcançar a harmonia. O EXEMPLO VENEZUELANO

Este último conceito aproxima o Árvore da Vida de outro exemplo de empenho social brasileiro: a esplêndida Orquestra

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