Uma novela da série Era uma vez um coração partido
Era uma outra vez
H
á muito tempo, quando o Magnífico Norte era apenas o Norte, e as fadas ainda viviam no coração das florestas, acreditava-se que o vento era o espírito de uma rainha das fadas que se recusou a deixar o plano mortal depois de morrer. Alguns dizem que essa rainha das fadas ficou por amor, incapaz de se despedir de seu consorte mortal. Outros afirmam que uma maldição a manteve presa no Norte. Mas aqueles que estavam lá, aqueles que ainda se lembram da Era das Fadas, dizem que a rainha sempre foi muito mais apaixonada por humanos do que as outras fadas, e que fazia um sentido estranho, quase inquietante, que, em vez de seguir em frente, ela simplesmente assumisse outra forma. Que ela se transformasse em vento. Antes, o vento soprava em apenas uma direção, de leste a oeste, movendo-se como o sol. E na maior parte do tempo ele ainda se move assim. Mas cuidado se sentir o vento mudar: uma transformação está a caminho. Há muito tempo, todas as famílias conheciam os sinais e os ditados: . 1 .
Se o vento sopra de norte a sul, a mudança será favorável. Um vento do norte traz muitas coisas boas. Mas ai de nós se ele soprar de oeste para leste. Um vento contrário traz más notícias, injustiças, retrocessos, uma reviravolta no que deveria ser. E se você o sentir girar e rodopiar, levantando folhas, flores e poeira, fazendo um grande alvoroço, então qualquer coisa pode acontecer. Um vento espiralado traz o que quiser… magia, loucura ou a destruição do que foi. Essas superstições eram entalhadas ao redor de janelas ou bordadas em cortinas. Mas, com o tempo, todas as histórias de fadas desapareceram, como sempre acontece com as histórias, e a verdade sobre o vento se transformou de mito em superstição e, por fim, em crenças esquecidas pelo tempo. Mas o fato de algo estar esquecido não significa que seja mentira.
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1 Evangeline
E
vangeline desceu a escada da Grota na ponta dos pés, sussurrando: “Por favor, não ranjam”. Deu outro passo cuidadoso, os pés mal tocando o chão. Era bastante difícil se aproximar sorrateiramente de Jacks. Como um Arcano, ele tinha sentidos sobrenaturais, e a cicatriz em forma de coração no pulso de Evangeline o mantinha sempre ciente de onde ela estava. Mas, nas raras ocasiões em que ela era muito silenciosa e ele por acaso estava absorto em pensamentos ou concentrado, ela conseguia pegá-lo de surpresa. Em geral era apenas por um segundo, talvez dois, mas ela adorava aqueles momentos roubados em que ele pensava estar sozinho e era apenas Jacks. Seu Jacks. O Jacks que reescreveu a história para ela, que roubou seu coração, salvou sua vida e transformou seu mundo em um conto de fadas. Ela gostava de pensar que ele parecia um pouco mais humano do que quando se conheceram. Não que fosse lhe dizer isso. Se dissesse a ele que tinha a impressão de que ele estava mais gentil, Jacks consideraria um insulto. Embora, . 3 .
mesmo em seus momentos mais gentis, ainda houvesse uma qualidade desumana nele. Era na fluidez de seus movimentos, na maneira como seus olhos de um azul incomum podiam mudar de cor repentinamente. Naquela manhã em particular, ela o encontrou sentado dentro da taverna da Grota. Ele estava tão absurdamente bonito e despreocupado como sempre, vestindo uma camisa de linho levemente amassada e uma calça marrom-escura com as barras desfiadas. Evangeline parou na porta com uma pontada de algo que poderia ser nostalgia, se fosse possível se sentir assim por algo que ainda não havia passado. A taverna era um de seus lugares favoritos. Ela a considerava o coração da Grota, com muita madeira e velas e uma parede de janelas com vista para o lago. À noite, o lago parecia estar cheio de estrelas em vez de água e, durante o dia, refletia as nuvens e a luz quente e suave do sol. A comida aparecia pontualmente sempre que o relógio no corredor batia uma badalada para uma refeição ou bebida. Coisas como “raviólis de carne”, “caldeirada de peixe”, “cozido misterioso”, “chá com torradas”, “mingau”, “cerveja preta”, “cerveja”, “hidromel”, “vinho”, “sidra”, “torta de mel”, “pavê de amora” e “bolo floresta negra”. Às vezes, o relógio exibia mais itens do que horas no dia; em outras ocasiões, menos, como se o relógio de alguma forma tomasse tempo emprestado do futuro e depois o devolvesse. Evangeline não entendia muito bem como o relógio funcionava, mas sabia que o adorava. . 4 .
Naquela manhã, a taverna cheirava a chá com especiarias e canela e torradas quentes e fresquinhas cobertas com morangos adoçados. Era assim: mesmo quando a Grota preparava chá e torradas, nunca era apenas chá e torradas. Nada era uma coisa qualquer na Grota. Tudo tinha um extra, era um pouco mais intenso ou um pouco diferente. Seria fácil dizer que aquele foi o lugar onde Evangeline e Jacks se apaixonaram, mas isso não seria totalmente verdade. Jacks levara Evangeline à Grota pela primeira vez em uma noite fria e estrelada, quando ela estava coberta de sangue. Ele a carregara com a firmeza de um soldado que a teria segurado nos braços para sempre, se fosse necessário. Tudo naquela noite tinha sido uma tortura para Evangeline, mas Jacks estava com ela, firme como uma bússola apontando para o norte. Ele a havia levado a um lugar para o qual nunca, intencionalmente, havia levado outra garota. Mas não tinha sido ali que ela se apaixonara por ele. A Grota tinha sido o lugar onde Evangeline havia parado de se apaixonar e se sentira simplesmente apaixonada. Sem oscilações. Seus sentimentos iam permanecer. Alguns amores, uma vez encontrados, jamais se perdem. É uma dádiva incrível ter um amor desses. Um sentimento tão profundo e inabalável que nem o tempo nem qualquer ato da natureza ou do homem podem destruí-lo. O amor permanece, mesmo quando a pessoa se vai. E é isso que torna essa dádiva tão bela e tão traiçoeira. Um amor assim não se perde, mas, às vezes, perde-se as pessoas. . 5 .
Para a sorte de Evangeline Raposa, o grande amor de sua vida não era uma pessoa. Jacks era um Arcano. Ela não precisava se preocupar com a morte dele. Ele jamais envelheceria. Ela, sim. Evangeline se esforçava para não pensar nisso. Em silêncio, ela o observou por mais um tempo, querendo saborear mais um pedacinho daquele momento perfeito antes de seguir para o próximo e se preocupar com tudo o que precisava fazer antes do pôr do sol daquela noite. Jacks estava sentado num banco junto ao balcão, ignorando seu delicioso café da manhã e lendo algo que parecia uma carta, enquanto um dragãozinho bebê – que ele também ignorava – aquecia sua caneca de chá com as faíscas que soltava. Não que Jacks estivesse prestando atenção à caneca de chá também. Ele lia atentamente, os olhos azuis brilhantes como o oceano e afiados como uma foice sem nenhuma suavidade. Evangeline olhou para a boca de Jacks, procurando por um indício de sorriso ou de irritação, mas os lábios estavam perfeitamente cerrados. Evangeline não saberia dizer que tipo de notícia ele havia recebido. Ela se perguntou de quem era a carta. Talvez de Caos? Ele era o amigo mais próximo e antigo de Jacks, mas por causa de toda a situação dos vampiros, Jacks não gostava que ele ficasse perto de Evangeline. Cartas faziam sentido como forma de comunicação, mas Evangeline não conseguia imaginar Caos escrevendo uma. Ele parecia muito . 6 .
mais propenso a sair das sombras e oferecer uma mensagem enigmática, o que já tinha feito com ela algumas vezes. Curiosa para saber de quem a mensagem poderia ser, Evangeline ficou observando Jacks encarar a carta até perceber que já havia perdido muito tempo, que havia se demorado demais naquele momento, e por fim o cumprimentou: – Bom dia, meu amor! Jacks ergueu os olhos da carta, um sorriso se formando em seus lábios. Era um sorrisinho, apenas um leve movimento em sua boca, mas se alargou enquanto ele a observava. Seus olhos azuis percorreram o vestido azul-claro e violeta, deslizando devagar até a altura do quadril e o avental bem amarrado à cintura, e se iluminaram quando chegaram ao seu rosto. – Preparada para o seu grande dia amanhã? – perguntou ele, jogando a carta de lado como se não fosse nada. A folha caiu em cima do filhotinho que esquentava o chá de Jacks e… puf! Em um instante, o bilhete estava em chamas. – Ah, não! Bruce! – exclamou Evangeline, chamando o dragãozinho. Você não pode ter um dragão de estimação, Jacks dizia quase todos os dias. Ela tinha quase certeza de que ele só dizia isso porque não gostava de nenhum dos nomes que ela havia escolhido para os dragões. E embora ela tivesse escolhido vários nomes um tanto ridículos, como Princesa Fofucha, para provocá-lo, ela também havia dado a alguns dragões nomes bastante respeitáveis, como Bruce, que era particularmente apegado a Jacks. . 7 .
Jacks não retribuía o sentimento. Ele olhou feio para o dragãozinho azul e violeta enquanto Evangeline atravessava a taverna correndo. Ela pegou uma caneca cheia de chá e despejou o conteúdo sobre a carta em chamas. Mas era tarde demais. Só restaram pedaços carbonizados. – Ai, Jacks! Me desculpe. Espero que não seja nada importante. Ele acenou com a mão, despreocupado. – Era só um amontoado de palavras. Nada importante. E antes que ela o questionasse ou dissesse alguma coisa, ele enfiou os dedos nas alças do avental dela, puxando-a para mais perto, e encaixou os joelhos dela entre as pernas. E então ele a estava beijando, dizendo olá, bom dia e algumas outras coisas que só podiam ser ditas com lábios e mãos. E Evangeline retribuía o beijo, sentindo-se muito tentada a cancelar os planos do dia seguinte. Ela já tinha tudo o que precisava para viver feliz para sempre. Comida, luz do sol, boas noites de sono – tudo isso poderia ser substituído por lábios e corações batendo muito próximos. – Posso ajudar em mais alguma coisa? – murmurou ele, afastando-se. Quero mais beijos, por favor e obrigada, era o que ela queria dizer. Mas a Grota tinha outros planos. O armário alto no fim do balcão começou a tremer. No início, era apenas um tremor leve. O móvel, que era tão largo quanto duas estantes juntas, era incrivelmente antigo. . 8 .
Havia pequenas bolhas no vidro, arranhões na madeira e prateleiras cheias de tortas. Torta de canela e torta de cravo, torta de pêssego e torta de creme, torta de frutas vermelhas e torta de biscoito amanteigado, torta de açúcar e torta de creme, torta de maçã caramelizada e torta de banana com chocolate duplo e crosta de chocolate. De acordo com o Guia do Estalajadeiro Feliz para Todas as Coisas Maravilhosas, torta nunca é demais. E parecia que a Grota achava que Evangeline não tinha o suficiente. As prateleiras de baixo do armário estavam vazias, e as portas de vidro em frente a essas prateleiras se abriram em seguida, como se quisessem dizer a Evangeline que ainda havia muito trabalho a fazer. Não havia tempo para beijos, cupcakes ou qualquer outra coisa que ela e Jacks estivessem fazendo. E o armário até que estava certo. Durante meses, Evangeline vinha se preparando para a Grande Reabertura da Grota e o primeiro festival anual, o Grotafest. E, finalmente, o dia estava chegando. – LaLa vai chegar hoje a tarde – disse Evangeline. Cerca de uma semana antes, ela e LaLa tinham combinado de ir às compras para resolver uma coisinha ou outra de última hora. Mas Evangeline tinha meio que se arrependido, pensando se não deveriam ter planejado isso para o dia anterior, ou para a véspera dele, ou para qualquer outro dia que não aquele. – Antes que ela chegue, preciso preparar mais umas duas dúzias de tortas. Depois, tenho que terminar de pendurar . 9 .
as bandeirinhas lá fora. E, se sobrar tempo, pensei em dar uma nova demão de tinta no relógio. – O relógio não precisa de uma nova camada de tinta – garantiu Jacks. – Mas, se você quiser, eu pinto. – Ele se inclinou para outro beijo. Os armários de vidro tremeram novamente e o relógio no corredor soou “Sidra” sem necessidade, como se o estivesse avisando para não se empolgar. Mais tarde, porém, Evangeline se perguntaria se a Grota a estava alertando sobre outra coisa…
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2 Evangeline
E
vangeline não sabia dizer há quanto tempo ela e Jacks moravam na Grota. Após a batalha na Árvore das Almas, Evangeline e Jacks não sabiam ao certo para onde ir. Eles sempre falavam que o mundo inteiro era deles e imaginavam todos os lugares maravilhosos que visitariam. Mas, ao mesmo tempo, seus passos os levaram até lá. À Grota: Estalagem para Viajantes e Aventureiros. A porta arredondada da Grota já estava aberta para eles quando chegaram. Tordos- de-ovos-azuis e pintassilgos amarelo-narciso entravam e saíam voando, piando e cantando, fazendo Evangeline sentir como se pudesse demorar um pouco até que ela e Jacks viajassem para lugares distantes. Uma vez que a pedra do contentamento havia desaparecido, a Grota não era mais imune a todas as maldições e (em geral) tratava o tempo da mesma forma que o restante do mundo. Mas o relógio ainda exercia uma magia peculiar, as torneiras ainda jorravam água perfumada e as velas e lareiras . 11 .
ainda se acendiam sozinhas, fazendo da Grota o lugar mais aconchegante e acolhedor em que Evangeline já estivera. Uma parte dela se perguntava se qualquer lugar na companhia de Jacks seria como um lar. Mas ela amava particularmente aquela casa. Depois de pegar a pedra do contentamento no relógio, Evangeline temeu que o encantamento da Grota fosse desaparecer para sempre, mas parte dele havia retornado. – Na verdade, a magia da pedra nunca foi necessária para tudo – murmurara Jacks certa manhã. – Este velho lugar só estava dependente dela. A Grota bufou ao ouvir o comentário. Ou fez o que Eva imaginou ser o equivalente a um bufo, abrindo e fechando as janelas com um estrondo alto e sincronizado: bam! – Acho que ela não gostou do que você disse – sussurrou. Jacks apenas deu de ombros. – Você se acostuma com os humores dela. Naquele dia, o humor da Grota era pura impaciência. O relógio no corredor se movia muito mais rápido do que o normal. Embora o tempo se comportasse como no restante do mundo, ainda havia ocasiões em que agia mais como um gato, esticando-se devagar ou avançando com uma rapidez surpreendente. Naquela tarde, o tempo estava voando. Parecia que a cada poucos minutos, o relógio tocava e um novo prato ou bebida chegava: . 12 .
Puf! Cozido misterioso. Puf! Pavê de amora. Puf! Chocolate quente. O relógio agia como se os convidados ansiosos já tivessem chegado. E Evangeline realmente esperava que muitos aparecessem. Nervosa, ela olhou pela janela para a sua placa: BEM-VINDOS À GROTA! VOLTEM PARA A GRANDE REABERTURA E PARA O PRIMEIRO FESTIVAL ANUAL FELIZ GROTAFEST! A data da grande reabertura oficial (que finalmente seria amanhã!) tinha sido anexada recentemente. Toda vez que Evangeline olhava para a placa, ela esperava ver um grupo de transeuntes tão ansiosos pela inauguração que já estivessem formando uma fila na rua. Era ridículo, ela sabia. Mas Evangeline muitas vezes acreditava no ridículo. E queria que tudo fosse perfeito, ou, se não perfeito, tão próximo da perfeição que os hóspedes e visitantes imaginassem que fosse. Ela queria ver a estalagem cheia de pessoas sorridentes compartilhando comida e histórias. Queria ver crianças correndo entre as pernas dos adultos e perseguindo filhotes de dragão enquanto bardos contam histórias perto da lareira. E, . 13 .
no fim da noite, quando todos já tivessem ido para a cama, ela queria sentar-se com um pedaço de torta, segurar as mãos de Jacks e conversar sobre todas as maravilhas do dia. Não poderia haver envenenamentos, príncipes malignos ou vampiros sedentos de sangue, maldições, memórias roubadas nem cartazes de “procura-se” com as fotos dela ou de Jacks. Não havia espaço para coisas daquele tipo em um “felizes para sempre”. Evangeline pegou a torta de cereja, frutas vermelhas e amêndoas do balcão antes que algum um dos dragões próximos começasse a mordiscá-la. Ela a colocou no armário de tortas. Agora havia seis dúzias. – Deve bastar – sussurrou ela. Mas, no entanto, por algum motivo, ainda não parecia suficiente. Ela precisava de mais tortas trançadas? Mais crostas de açúcar cristal? Talvez preparar alguns bolos? O que ela tinha esquecido? Do que precisava? E se essa coisa que não estava lá nem fosse uma sobremesa? Por muito tempo, Evangeline se guiara pelas histórias que a mãe lhe contara. Aqueles contos de fadas sempre terminavam com promessas de felicidade eterna. Mas eles nunca diziam o que vinha depois do “felizes para sempre”. E sua doce mãe nunca lhe dissera o que fazer depois de se apaixonar. Talvez fosse essa a parte que faltava. Talvez Evangeline só quisesse mais um conselho de sua mãe ou de seu pai, dizendo-lhe o que deveria fazer. . 14 .
Com cuidado, ela enxugou as mãos no aventalzinho de renda antes de abrir o que mais se aproximava de obtê-los. GUIA DO ESTALAJADEIRO FELIZ PARA TODAS AS COISAS MARAVILHOSAS Prefácio: Inspirando-se em tradições antigas Capítulo 1. Tortas nunca são demais Capítulo 2. Um pouco de magia pode fazer muita diferença – e às vezes pode dar errado Capítulo 3. Realizando sonhos! Capítulo 4. A concorrência Capítulo 5. Uma lista do que fazer e do que não fazer Capítulo 6. Convidando velhos amigos Capítulo 7. Lidando com complicações Capítulo 8. Equívocos Capítulo 9. Escolhas infelizes Capítulo 10. Quando tudo dá errado Capítulo 11. Adaptando-se à sua nova vida – Não sei dizer se você fez tortas suficientes – disse Jacks, arrastando as palavras. Ela se virou para encará-lo e viu que ele tinha terminado a pintura e estava encostado no batente da porta arqueada da taverna, examinando devagar o armário cheio de tortas. Evangeline o olhou com uma falsa careta de censura. Jacks estava apenas brincando, mas a parte dela que continuava consultando obsessivamente o Guia do Estalajadeiro . 15 .
Feliz para Todas as Coisas Maravilhosas se perguntava se talvez ele estivesse certo. O livro dizia que tortas nunca são demais. – Acho que eu poderia fazer uma torta de chocolate com abóbora. Ou outra torta xadrez… – Era brincadeira – interrompeu Jacks com gentileza, enquanto se afastava do batente da porta e se aproximava. – Você tem tortas suficientes para todo o Vilarejo do Arvoredo da Alegria. – Ele se adiantou e afastou as mãos dela do guia. – Mas e se ninguém vier? – Ela disparou. – As pessoas virão. – O canto da boca perfeita de Jacks se curvou em um sorriso cheio de confiança. Evangeline estreitou os olhos. Quando Jacks e Evangeline se mudaram para a Grota, ela estava tão feliz que não percebia as pessoas cochichando sempre que ia à cidade mais próxima, o Vilarejo do Arvoredo da Alegria. Quando por fim se deu conta do que as pessoas diziam, achou que, com o tempo, os comentários iam parar. Evangeline não podia culpar os moradores pelos mexericos sobre ela. Sim, ela era a mesma Evangeline com quem o Príncipe Apollo se casara depois de Sarau Sem Fim, o que desencadeou uma série de eventos escandalosos que terminaram com o desaparecimento do Príncipe Apollo e a ascensão de um novo rei ao trono.
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AC E S S E O
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