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Noiva Mecânica - Crônicas ligeiras sobre rodas

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N A M D L E BORIS F e rodas r b o s s a ligeir

Noiva ica n â c e m Crônicas

e s de Ilustraçõ

ale Mario V


Copyright © 2014 Boris Feldman Copyright © 2014 Editora Gutenberg

Todos os direitos reservados pela Editora Gutenberg. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. Todos os esforços foram empreendidos no sentido de encontrar os detentores dos direitos autorais das imagens de capa deste livro. Pedimos desculpas por eventuais omissões involuntárias e nos comprometemos a inserir os devidos créditos e corrigir possíveis falhas em edições subsequentes. GERENTE EDITORIAL

REVISÃO

Alessandra J. Gelman Ruiz EDITOR ASSISTENTE

Cecília Martins Lúcia Assumpção

Denis Araki

CAPA

ASSISTENTES EDITORIAIS

Diogo Droschi

Felipe Castilho Carol Christo

DIAGRAMAÇÃO

Jairo Alvarenga Fonseca

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil

Feldman, Boris Noiva mecânica: crônicas ligeiras sobre rodas / Boris Feldman ; ilustrações Mario Vale. -- 1. ed. -- Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2014. ISBN 978-85-8235-130-7 1. Crônicas brasileiras I. Título. 14-01147

CDD-869.93

Índices para catálogo sistemático: 1. Crônicas : Literatura brasileira 869.93

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SUMÁRIO

Introdução

7

O piloto e o pescador

9

Doença sem cura

11

Ponto de equilíbrio

14

O Buickão é que era bão?

16

O ferro da vovó

19

Evolução & revolução

21

Mentira que vira verdade

24

E você? Lê o manual?

27

Elixires & giguilês

29

Pit bull na cabine

31

Trapizongas

34

Carros & causos

36

Vai de minduim?

39

Palpiteiro de plantão

42

A bufa da vaca

45

Furou o copinho?

47

Acidente? Só com o vizinho!

49

Nem o ar, que é grátis...

51

Até pinico e caçarola

55

Desinformações

57

Automóvel: herói ou vilão?

60

Brasília x Ferrari

62

Turbo: você ainda vai ter um...

65

Rei na barriga

68


O motorista sumiu

70

O milagre e o santo

72

Mr. Obama que o diga...

74

“Ele não é uma gracinha?”

76

Com um pé atrás...

79

Somos todos assassinos

81

Dez anos de flex: comemorar o quê? 83 Tapando o sol com a peneira

86

O dilema do cara na esquina

89

Robin Hood às avessas

91

Necessidade ou persuasão?

93

O carro do seu bisneto

96

Na base da canetada

98

O país da piada pronta

100

Manias & maníacos

102

Por que tão caro?

105

Mutatis mutandis...

107

Um dia a casa cai...

109

Indústria da multa

111

Só com bola de cristal

114

Culpa da Dilma...

116

Quebra-macho

118

Madame no cupê

120

Crônica de uma morte anunciada 123 Ditadura do PP

125


Introdução

Noiva Mecânica foi o primeiro livro publicado por Marshall McLuhan (Mechanical Bride, não traduzido para o português), em 1951. Ele era canadense, professor universitário, teórico da comunicação e conhecido pela autoria de expressões como “Aldeia Global” e “O meio é a mensagem”. Destacou o amor e a paixão do homem pelo automóvel, sua importância na transformação da sociedade e seu simbolismo como objeto sexual. Recebido com restrições quando inventado, no final do século XIX, o automóvel logo virou objeto de culto e símbolo de status. Transformou o mundo, flexibilizou a sociedade, expandiu os centros urbanos e libertou o homem de sua limitação de espaço. A sensualidade das curvas de sua carroceria, seu suave rolar no asfalto, o couro macio de seus bancos, a madeira nobre do painel, os carpetes de toque agradável, o reflexo de suas luzes. McLuhan estava certo: quantos homens são mais apaixonados pelo glamour dessas máquinas do que por suas mulheres? Automóvel é cantado em prosa e verso, símbolo de velocidade e herói de corridas. E, da associação entre a paixão pelo automóvel e o amor pelo antigo, ainda surgiu o colecionador e o “antigomobilismo”. A modernidade cinética se curvou, mas uma vez, à tecnologia e ao 7


brilho do passado. O automóvel é símbolo legítimo de cada momento econômico e social vivido pelo mundo. McLuhan só errou ao vaticinar que o carro não tinha futuro e que, “na era da eletricidade, a própria roda é obsoleta”. Sessenta anos depois, não se veem indícios de sua decadência, por mais preocupante que seja a degradação que provoca nas grandes metrópoles. O que se percebe, hoje em dia, é o esforço em reposicionar o automóvel nos centros urbanos, com o estímulo aos transportes públicos para o deslocamento individual do dia a dia. A paixão que o brasileiro devota ao automóvel é que o faz levar ao altar a “Noiva Mecânica”. Este livro é uma coletânea de crônicas publicadas semanalmente, nos últimos anos, em diversos jornais. Rendo minhas homenagens a dois grandes jornalistas, meus editores e autêntica “escola” na minha carreira profissional: Guy de Almeida e Wander Pirolli, o primeiro pela seriedade, o segundo pela irreverência. Aliás, foi de Pirolli a ideia de dar o título de “Noiva Mecânica” a uma seção sobre automóveis que assinei na década de 80.

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O piloto e o pescador

Uma velha senhora dirigindo seu automóvel até o supermercado não imagina que o conforto de não pisar mais no pedal da embreagem vem de um sistema desenvolvido inicialmente na Ferrari de Michael Schumacher. Sempre se soube que aperfeiçoamentos projetados para as pistas acabam chegando aos nossos automóveis. Materiais mais leves e resistentes, freios mais eficientes, novos sistemas de caixas automáticas, carrocerias mais aerodinâmicas e novos compostos de borracha para pneus são algumas das novidades que migraram das pistas para as ruas. Aumentaram desempenho, resistência e segurança, além de reduzir consumo e emissões. O carro da velha senhora, por exemplo, usa o câmbio automatizado desenvolvido na Fórmula 1 e já presente em vários modelos. Ele é mais leve e mais barato que o automático convencional. E ainda tem a vantagem de reduzir, em vez de aumentar, o consumo de combustível. É verdade que ainda dá uns soluços de vez em quando, mas vai, a longo prazo, substituir o câmbio automático tradicional. Mas tem a parte menos óbvia da aplicação dessa tecnologia, a que extrapola o setor automobilístico. Um pescador jogando a isca no rio Araguaia tem também mais conforto e desempenho graças a uma ideia gerada nas pistas. 9


É isso mesmo: o princípio de redução de borracha nos pneus da Fórmula 1 (sulcos na banda de rodagem) foi também utilizado no desenvolvimento de uma linha de pesca em que o perfil redondo foi substituído por outro irregular, lembrando uma estrela. Assim, há uma redução de atrito quando ela está enrolada no molinete, o que facilita e acelera o seu arremesso. Um material desenvolvido pela indústria aeronáutica e aperfeiçoado pela engenharia da Fórmula 1 é a fibra de carbono. É cara, porém muito mais leve e resistente que os metais (aço e alumínio) usados hoje na estrutura e na carroceria dos automóveis. Ela está sendo usada em superautomóveis esportivos, nos quais o desempenho fala mais alto que o custo final ao consumidor. Mas também em outras dezenas de aplicações: a fábrica de bancos Recaro, por exemplo, desenvolveu poltronas para a classe econômica de aviões com uma redução de 2,5 centímetros na espessura. Pode parecer desprezível, mas talvez seja o suficiente para evitar que o passageiro esbarre o joelho no encosto da frente. É um material que já extrapolou as indústrias automobilística e aeronáutica, pois suas características permitem uma ousadia jamais imaginada no passado. Estilistas hoje podem dar asas à imaginação e inovar no design de móveis e outros produtos com uma estrutura superdelicada graças à incomparável resistência e leveza da fibra de carbono.

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