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No silêncio das imagens - Arte e ilustração na obra de Nelson Cruz

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No silêncio das imagens

Mirella Spinelli
Nelson Cruz

No silêncio das imagens

Nelson Cruz Arte e ilustração na obra de

Copyright © 2026 Mirella Spinelli

Copyright desta edição © 2026 Autêntica Editora

Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora Ltda. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

editora responsável

Rejane Dias

revisão

Julia Sousa

capa

Diogo Droschi

(Sobre ilustração de Nelson Cruz)

diagramação

Guilherme Fagundes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Spinelli, Mirella

No silêncio das imagens : arte e ilustração na obra de Nelson Cruz / Mirella Spinelli. -- 1. ed. -- Belo Horizonte, MG : Autêntica Editora, 2026.

Bibliografia.

ISBN 978-65-5928-663-8

1. Crítica de arte 2. Cruz, Nelson, 1957- 3. Ilustração de livros - História e crítica 4. Ilustradores I. Título.

25-319540.0

Índices para catálogo sistemático:

1. Ilustrações : Crítica de arte 741

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

CDD-741

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À minha família e amigos, que sonharam comigo.

Você muda de história, muda de abordagem, mas há uma essência que você não muda que é o seu desenho enquanto arte.

Nelson Cruz

Agradecimentos

Sou grata ao Professor Doutor José Márcio de Barros, que primeiro abriu caminhos para esta reflexão e me apresentou novos horizontes. À Professora Doutora Rachel Vianna, pela firmeza e pela generosidade com que apontou minhas inconsistências e me conduziu a novas buscas. À Professora Doutora

Angélica Oliveira Adverse, por sua coragem e determinação em permanecer ao meu lado. Guardo por ela admiração e gratidão eternas por sua generosidade, atenção, delicadeza, profissionalismo exemplar e amizade.

Agradeço também às Professoras Doutoras Andréa de Paula Xavier Vilela, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Celina Figueiredo Lage, da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), pela leitura atenta e pelas contribuições valiosas a este livro.

Minha gratidão se estende a todo o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Artes da UEMG, cuja dedicação ao ensino transformou cada encontro em uma descoberta. Aos colegas, agradeço pela convivência que fortaleceu amizades e tornou mais leves os momentos difíceis. Aos funcionários do programa, pelo acolhimento constante, pela presteza e pelos sorrisos de todos os dias.

Por fim, agradeço a todos os familiares e amigos, pela paciência e pelo apoio.

Estudo de mulher camponesa plantando beterraba: reinterpretar um desenho

A criação de Adão: gesto da criação, criação por citação

com Nelson Cruz

Introdução

Desde o ano 2000, acompanho o desenvolvimento do trabalho do ilustrador Nelson Cruz, pois, como ele, também tenho me dedicado profissionalmente ao campo da ilustração, e somos contemporâneos. Porém, a trajetória de Nelson Cruz ocorreu de maneira peculiar, passando pelo abandono do ensino formal, aos 12 anos. Diferentemente, segui o percurso acadêmico, cursando Desenho na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e desenvolvendo a presente pesquisa sobre ilustração no Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola Guignard na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

Nelson Cruz estabeleceu os primeiros contatos com as artes visuais por meio de reproduções de pinturas nos livros. A aproximação com a ilustração iniciou-se com a sua atuação como ilustrador para jornais em Belo Horizonte. Posteriormente, o seu contato com as artes intensificou-se com o trabalho desenvolvido para a produção editorial infantojuvenil.

A mudança da prática do desenho, inserida no contexto do trabalho desenvolvido no jornal Diário da Tarde, exigiu de Nelson Cruz aproximar-se das narrativas visuais. Como ilustrador de livros infantojuvenis, foi-lhe necessário utilizar vários outros recursos, tais como a presença de diversos elementos na cena representada e a criação de ilustrações sequenciais para as

várias páginas. Se, por um lado, na criação de ilustrações para o jornal, o artista deveria buscar a síntese dos elementos gráficos para a comunicação quase imediata, por outro lado, na ilustração de livros, a composição se tornaria mais elaborada, ampliando o tempo de compreensão do discurso visual pelo leitor.

A produção de estudos críticos sobre o trabalho de ilustradores brasileiros pode ser considerada ainda um pouco tímida. Percebi que analisar as possíveis inter-relações entre a arte e a ilustração como elementos constitutivos da poética visual na obra de Nelson Cruz poderia ser um interessante tema para pesquisa. O diálogo com artistas consagrados pela História da Arte europeia pode ser considerado como uma das características da obra de Nelson Cruz, que apresenta, assim, novas possibilidades para a ampliação da leitura do livro ilustrado.

O livro Os trabalhos da mão (2017), com texto de Alfredo Bosi e desenhos de Nelson Cruz, foi o escolhido para o estudo de algumas possíveis inter-relações entre arte e ilustração. A obra foi totalmente ilustrada a partir de referências de artistas pertinentes à História da Arte europeia. Foram selecionadas quatro ilustrações, que se distribuem ao longo da publicação, para análise ao final. Outras imagens, do mesmo livro, são inseridas em todos os capítulos como forma ilustrativa para a argumentação. A escolha foi feita levando-se em conta a variedade das temáticas apresentadas pelas obras originais dos artistas selecionados pelo ilustrador para a criação das imagens.

A análise das imagens busca a interlocução entre as obras e os aspectos teóricos apontados por autores como Walter Benjamin, Georges Didi-Huberman, Antoine Compagnon e Aby Warburg. Cada um deles apresenta possibilidades de análise das imagens presentes no livro, de modo a contribuírem para a abertura da percepção de novos sentidos tanto pelo leitor quanto por seus criadores, ou seja, os ilustradores. Pretendi tornar visível parte daquilo que nem sempre é visível e que se encontra no processo criativo para a elaboração de

uma ilustração – de maneira geral – e para a poética de Nelson Cruz – em particular.

Em Benjamin, as conexões passam pela multiplicidade e reprodutibilidade das imagens, principalmente a partir da invenção da imprensa e a consequente popularização do livro, em particular do ilustrado. Nesse tipo de publicação, são encontradas imagens, denominadas ilustrações, que serão multiplicadas de acordo com o número de exemplares impressos. A ilustração original mantém-se como propriedade do ilustrador e é conservada por ele, mantendo seu caráter de unicidade da obra. A reprodutibilidade técnica permite que o ilustrador venda apenas o direito de reprodução e multiplicação de sua obra, inserida em um produto específico, no caso, o livro.

Em Didi-Huberman, busquei entender as conexões que permitem ao leitor um posicionamento diante das imagens criadas a partir da interpretação do texto pelo ilustrador Nelson Cruz.

Segundo Antoine Compagnon (1996), o processo de citação é buscado como fonte criativa, para analisar como a ilustração pode desdobrar-se em recurso narrativo.

Para finalizar o trabalho, a ideia do Atlas Mnémosyne é apresentada como um procedimento metodológico para pensar a fabulação temporal das imagens no texto. Assim, são retomados alguns extratos da obra de Aby Warburg para auxiliar a análise dos recortes visuais propostos pelos desenhos de Nelson Cruz.

Ilustração: uma poética

narrativa a partir do trabalho de Nelson Cruz

A partir do momento que se dedicou à criação de ilustrações, Nelson Cruz especificamente para os livros ilustrados infantojuvenis, orientou-se por narrativas visuais que unificavam estudos de composição, elemen tos da História da Arte e um profundo domínio de técnicas para alcançar a excelência dos cânones da arte. Em 2000, foi publicado Chica e João (2000), com ilustrações e texto de Nelson Cruz. O livro chamou minha atenção por sua estrutura composicional e pelo uso recorrente de vários elementos que apresentavam referências ao trabalho de outros artistas consagrados pela História da Arte europeia. Em Chica e João, Nelson Cruz, mesclando ficção e História, conta o romance entre Chica da Silva e o contratador de diamantes da Coroa Portuguesa, João Fernandes.

Logo na primeira ilustração, que ocupa toda a página lateral direita, há referências composicionais que remetiam à pintura do artista flamengo Jan Van Eyck, As bodas do casal Arnolfini, de 1434 (Figura 1). É possível identificar afinidades e contrastes ao se analisar comparativamente as duas imagens: tanto na ilustração de Nelson Cruz quanto na pintura de Jan Van Eyck, os personagens ocupam o primeiro plano; o ambiente é uma estrutura retangular, representado

em profundidade como se fosse um palco onde se desenrola uma cena. A luz ilumina lateralmente o ambiente. Um candelabro, visto de lado, ocupa o centro da composição, na parte superior. Nos dois trabalhos, os artistas não usaram o recurso da perspectiva: seria de se esperar a representação da visão do observador de baixo para cima, porém o candelabro é visto quase frontalmente, como se estivesse na altura dos olhos do espectador.

Nelson Cruz parece ter optado por elementos simples que deveriam fazer parte do cotidiano de uma casa mineira durante o século XVIII e desta forma aproxima a representação do universo do leitor brasileiro (Figura 2). Na lateral direita da composição da ilustração, há uma grande arca de madeira e, sobre ela, pequenos objetos, tais como um oratório, um candelabro com uma vela e um baú. Ao lado da arca, no chão, há uma escarradeira. Ao fundo, uma cadeira de madeira e um móvel, possivelmente um armário, dividido em quatro partes e sem adornos.

Na parede lateral, atrás da arca, outro elemento chama atenção: um grande mapa. Seria um mapa da região de Diamantina? O artista não nos dá mais referência nesse momento. O mapa pode nos remeter às obras de outro artista, Johannes Vermeer, pintor dos Países Baixos, do século XVII. Muitas das obras de Vermeer caracterizam-se por representar cenas rotineiras e domésticas de uma casa tipicamente holandesa, com seus objetos simples. Possivelmente o mapa, na ilustração, seja o mesmo que se encontra ao final do livro, encerrando a narrativa do romance entre Chica e João. Esse mapa, que representa o distrito diamantino, pode oferecer ao leitor um referencial geográfico e histórico do período em que o romance é contato, situando geograficamente a história. Citações de obras de outros artistas como estas podem ser localizadas em várias ilustrações do mesmo livro e em muitos outros trabalhos do ilustrador Nelson Cruz.

Minha formação como artista na Escola de Belas Artes da UFMG e minha atuação profissional no campo da ilustração certamente permitiram que um olhar curioso e investigativo fosse lançado sobre a obra de Nelson Cruz, ao deparar-me com tais evidentes referenciais. Como recurso criativo na poética de um artista, a citação tem sido usada por muitos. Porém, eu percebi que pode acrescentar interessantes possibilidades de leitura quando a imagem a ser produzida vem a ser uma ilustração. Geralmente associada a um texto, a ilustração usa recursos e técnicas pertinentes às artes visuais ao longo dos tempos. Ela pode ser entendida como qualquer imagem que acompanhe um texto, não importando as técnicas usadas para sua elaboração, que variam desde as tradicionais, realizadas, por exemplo, com a aplicação de lápis ou nanquim, até as digitais. Assim, a ilustração pode ser uma imagem em desenho, uma gravura, uma pintura, uma fotografia e até mesmo um gráfico que possa trazer informações complementares ao texto.

O exame da poética do artista Nelson Cruz sob o olhar de outra pessoa que, além de pesquisadora, é, igualmente, ilustradora possibilita-me analisar criticamente alguns elementos compositivos sutis que estão inseridos na ilustração. Além disso, chama-me a atenção os dispositivos técnicos relacionados à citação e à estrutura narrativa da imagem ilustrativa. Guiada por tais indicações, acredito que o trabalho de Nelson Cruz pode nos trazer contribuições para a abertura de sugestivos caminhos criativos para o campo da ilustração e para outros ilustradores.

No texto de introdução ao livro Pelos Jardins Boboli, de Rui de Oliveira (2008, p.14), a escritora Ana Maria Machado afirma: “a produção de nossos ilustradores não tem sido objeto de estudos críticos de forma análoga ou equivalente ao que tem acontecido com o trabalho dos escritores. E isso está fazendo falta”. Nessa linha de pensamento, chego à conclusão que as análises sobre o campo da ilustração têm sido um pouco

negligenciadas no campo da arte. Ao iniciar o Estado da Arte, percebi que grande parte das pesquisas relacionadas à ilustração são advindas de outras áreas, como Literatura, Semiótica, Comunicação e Design.

A ilustração, quando analisada por seus aspectos técnicos, tem suas origens nas artes visuais. Ela se apropria de vários elementos pertencentes a diferentes linguagens artísticas, como o desenho, a pintura ou a gravura, entre outras, para a sua estruturação. Além de usar as mesmas técnicas, o trabalho de Nelson Cruz é visivelmente influenciado por diversos artistas através do tempo.

Ao observar os aspectos técnicos ou semânticos das ilustrações de Nelson Cruz, percebe-se que algumas referências das artes visuais são o alicerce da sua obra. Ele se apropria de várias linguagens e recursos expressivos utilizados por artistas, como o uso da linha fluida e das sombras simplificadas para a marcação do desenho inicial, que muito se aproxima do desenho de Honoré Daumier. Outra aproximação com o trabalho de Daumier seriam as expressões faciais caricaturescas, que visam reforçar as emoções das figuras representadas.

De Rembrandt, pode-se reconhecer o uso da sombra como um elemento expressivo na obra e não apenas como fenômeno físico. Assim como Rembrandt, algumas vezes ele abandona a representação física e realista do jogo estabelecido entre um objeto, a representação da luz e da sombra, e adota a luz focal. Nessas representações, a cena tem um ponto focal em segundo plano. Na pintura de Rembrandt (Figura 3.4), Paisagem com uma ponte de pedra, de 1638, o feixe de luz que ilumina parte das árvores ao passar por densas nuvens acentua a dramaticidade da pintura ao tornar a tempestade que se aproxima muito mais ameaçadora.

Na ilustração de Nelson Cruz (Figura 3.5), a cena em primeiro plano, em que dois escravos acorrentados pelo pescoço

são puxados por outro elemento armado, ocorre completamente na sombra. Três figuras femininas os observam: uma delas olha tudo através da janela, a outra se movimenta em uma esquina e a terceira, situada pouco acima do centro geométrico da página, a tudo observa através de outra janela. Um homem aponta através de uma janela mais alta, à direita da composição. Entretanto, o ponto focal concentra-se na representação de uma mulher, ricamente vestida e provavelmente pertencente à classe dominante, que anda pela rua seguida por uma criança negra que leva um grande caixote sobre a cabeça.

Estaria o ilustrador desejando ressaltar a indiferença da mulher diante da grotesca cena que se desenrola a poucos metros de distância à sua frente? O contraste entre a luz e a sombra, que acentua a marcação das diversas linhas diagonais na composição, parece indicar que sim.

As fontes para as citações na obra de Nelson Cruz não se limitam a artistas do passado. Em O livro do acaso (2014) (Figura 4), o ilustrador buscou a imagem para a citação no cinema (Figura 5). Ele representou o personagem central de sua narrativa repetindo a muito conhecida pose do ator Gene Kelly no filme Cantando na chuva (1952), de Stanley Donen. Essas proposições iniciais me orientaram a construir um atlas de imagens para investigar, por comparação, o processo de citação utilizado como recurso narrativo no trabalho de Nelson Cruz como ilustrador. É a partir desse aspecto que se dá o movimento de deslocamento dessas imagens da História da Arte através do tempo, para, enfim, serem utilizadas como os principais referenciais em sua obra.

Algumas indagações surgiram nesse momento: por que a ilustração quase não se faz presente nos livros dedicados à História da Arte? Por que a ilustração ainda não é reconhecida como um campo particular de estudos? Apesar das afinidades, é difícil encontrar um livro sobre História da Arte que contenha algum capítulo específico sobre o desenvolvimento

da ilustração, como os dedicados à arquitetura, à gravura ou à escultura. São poucos os pesquisadores que se debruçam sobre o tema, como o historiador da arte austríaco, Ernst Gombrich. Ele desenvolveu estudos e reflexões sobre a caricatura, que vem a ser um gênero de ilustração, e sua expressão como linguagem artística. Curiosamente, ao longo do tempo, sempre existiram artistas que trabalharam, em algum momento, como ilustradores e também o inverso: ilustradores que desenvolveram trabalhos dentro do campo das artes visuais.

A trajetória de Nelson Cruz é bastante emblemática nesse aspecto. Ainda jovem, interessou-se pelas artes visuais e nutriu o desejo de tornar-se pintor. Já adulto, começou a desenvolver seu trabalho como caricaturista e ilustrador para um grande jornal de Belo Horizonte. A produção de ilustrações para livros infantojuvenis deu-se posteriormente.

Apesar de ser um campo que pode estabelecer conexões tanto com as artes visuais como com o design, a ilustração tem elementos que permitem seu reconhecimento como uma linguagem distinta dessas áreas. Ela pode abranger um campo vastíssimo, tanto de atuação quanto de pesquisa. A imensa amplitude deve-se às suas variadas funções junto ao texto, por apresentar inúmeras características específicas constitutivas e por estabelecer diversos gêneros.

Entre os gêneros, pode-se citar o cartum, que se caracteriza pela ligeireza de traços e por ser um comentário (ou crítica) visual contextualizado sobre o cotidiano ou situações sociais de uma época; e a caricatura, cujos primeiros desenhos reconhecidos como tal foram os produzidos pelos irmãos Agostino e Annibale Carracci, que na segunda metade do século XVI trabalhavam como pintores e gravadores, na Itália. Há ainda a ilustração infantil, por si só outro campo vastíssimo, por estar diretamente conectada às fases do desenvolvimento da criança, o que determina as escolhas estilísticas e os modos de criar representações pelo ilustrador.

Também pode-se citar a ilustração para a produção de livros didáticos, pois é de grande importância por se tornar, muitas vezes, um tipo de mediador pedagógico. O livro didático é uma das principais fontes utilizadas pelos estudantes brasileiros para estabelecer contato com a arte, especialmente para aqueles que não possuem acesso a museus ou galerias de arte presentes nos grandes centros.

A ilustração editorial para jornais e revistas vem acompanhando as transformações que esses veículos de imprensa sofreram durante o século XX, mais recentemente, com a popularização da internet. No jornal impresso, à medida que os textos se tornaram mais enxutos e concisos, a ilustração foi perdendo espaço, sendo substituída por fotografias coloridas. No princípio do século XX, iniciou-se o desenvolvimento de ilustrações específicas para a produção do segmento de narrativas sequenciais, conhecidas como histórias em quadrinhos. Dentro desse segmento, também podem ser identificadas várias outras ramificações, com a ampliação e a diversificação do público e dos assuntos abordados, que vão desde o infantil até as graphic novels, cujas temáticas e redação aproximam-se da literatura. Maus (1980-1991), de Art Spiegelman, foi a primeira graphic novel a receber um prêmio literário, o Prêmio Pulitzer, em 1992. O Prêmio, criado em 1917, é administrado pela Universidade de Columbia, Nova Iorque, e destina-se à premiação de trabalhos de excelência nas áreas de jornalismo, literatura e composição musical. Em sua narrativa, Art Spiegelman relata suas conversas com o pai, o judeu polonês Vladek, e o conflituoso relacionamento entre os dois, principalmente após o suicídio de sua mãe, Anja. O casal sobreviveu aos sofrimentos do campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial.

As ilustrações científica e botânica seriam campos de conhecimento um pouco mais organizados institucionalmente falando, pois existem cursos específicos para ambas as áreas,

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