MACHADO DE ASSIS
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
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editora responsável
Sonia Junqueira revisão
Cecília Martins Júlia Sousa ilustração de capa
Helena Cintra capa
Diogo Droschi diagramação
Waldênia Alvarenga
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Assis, Machado de, 1839-1908 Memórias póstumas de Brás Cubas / Machado de Assis. -- 1. ed. -Belo Horizonte : Autêntica, 2021. -- (Clássicos Autêntica / coordenação Sonia Junqueira). ISBN 978-65-86040-92-0 1. Romance brasileiro I. Título. II. Série. 20-39210
CDD-B869.3
Índices para catálogo sistemático: 1. Romances : Literatura brasileira B869.3 Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427
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SUMÁRIO
Apresentação: Um striptease da alma Luiz Ruffato.....................................................................11 Nota do editor................................................................17 Dedicatória.....................................................................19 Prólogo da quarta edição.................................................21 Ao leitor..........................................................................23
I Óbito do autor................................................25 II O emplasto......................................................27 III Genealogia.......................................................28 IV A ideia fixa.......................................................30 V Em que aparece a orelha de uma senhora.........31 VI Chimène, qui l’eût dit? Rodrigue, qui l’eût cru?...32 VII O delírio..........................................................35 VIII Razão contra Sandice.......................................41 XIX Transição.........................................................42 X Naquele dia.....................................................42 XI O menino é pai do homem..............................44 XII Um episódio de 1814......................................47 XIII Um salto..........................................................52 XIV O primeiro beijo..............................................54 XV Marcela............................................................56 XVI Uma reflexão imoral........................................59 XVII Do trapézio e outras coisas...............................60
XVIII Visão do corredor........................................63 XIX A bordo......................................................64 XX Bacharelo-me..............................................68 XXI O almocreve...............................................69 XXII Volta ao Rio................................................70 XXIII Triste, mas curto.........................................72 XXIV Curto, mas alegre........................................73 XXV Na Tijuca...................................................74 XXVI O autor hesita.............................................76 XXVII Virgília?......................................................79 XXVIII Contanto que..............................................80 XXIX A visita........................................................81 XXX A flor da moita............................................82 XXXI A borboleta preta........................................84 XXXII Coxa de nascença........................................85 XXXIII Bem-aventurados os que não descem..........87 XXXIV A uma alma sensível....................................88 XXXV O caminho de Damasco..............................89 XXXVI A propósito de botas...................................90 XXXVII Enfim! ........................................................91 XXXVIII A quarta edição...........................................92 XXXIX O vizinho....................................................94 XL Na sege.......................................................95 XLI A alucinação................................................96 XLII Que escapou a Aristóteles............................97 XLIII Marquesa, porque eu serei marquês.............98 XLIV Um Cubas!.................................................99 XLV Notas.........................................................100 XLVI A herança..................................................101 XLVII O recluso..................................................103 XLVIII Um primo de Virgília...............................104 XLIX A ponta do nariz.......................................105 L Virgília casada...........................................106 LI É minha!...................................................107 LII O embrulho misterioso.............................109 LIII . . . . . . .....................................................111
LIV A pêndula.................................................112 LV O velho diálogo de Adão e Eva.................113 LVI O momento oportuno..............................114 LVII Destino.....................................................115 LVIII Confidência..............................................116 LIX Um encontro............................................117 LX O abraço...................................................120 LXI Um projeto...............................................121 LXII O travesseiro.............................................122 LXIII Fujamos!...................................................123 LXIV A transação...............................................124 LXV Olheiros e escutas......................................128 LXVI As pernas..................................................130 LXVII A casinha..................................................130 LXVIII O vergalho................................................132 LXIX Um grão de sandice..................................133 LXX D. Plácida.................................................133 LXXI O senão do livro.......................................134 LXXII O bibliômano...........................................135 LXXIII O luncheon................................................136 LXXIV História de D. Plácida...............................137 LXXV Comigo.....................................................139 LXXVI O estrume.................................................140 LXXVII Entrevista..................................................140 LXXVIII A presidência............................................142 LXXIX Compromisso...........................................143 LXXX De secretário.............................................144 LXXXI A reconciliação..........................................145 LXXXII Questão de botânica..................................147 LXXXIII 13..............................................................149 LXXXIV O conflito.................................................151 LXXXV O cimo da montanha................................152 LXXXVI O mistério................................................153 LXXXVII Geologia...................................................154 LXXXVIII O enfermo................................................155 LXXXIX In extremis.................................................157
LC O velho colóquio de Adão e Caim............159 LCI Uma carta extraordinária...........................160 LCII Um homem extraordinário.......................162 LCIII O jantar....................................................163 LCIV A causa secreta..........................................164 LCV Flores de antanho......................................165 LCVI A carta anônima........................................165 LCVII Entre a boca e a testa.................................167 LCVIII Suprimido.................................................167 LCVIX Na plateia.................................................169 C O caso provável.........................................170 CI A revolução dálmata..................................171 CII De repouso...............................................172 CIII Distração..................................................172 CIV Era ele!......................................................175 CV Equivalência das janelas............................176 CVI Jogo perigoso............................................176 CVII Bilhete ......................................................177 CVIII Que se não entende...................................178 CIX O filósofo..................................................178 CX 31.............................................................180 CXI O muro.....................................................181 CXII A opinião..................................................182 CXIII A solda......................................................183 CXIV Fim de um diálogo....................................183 CXV O almoço..................................................184 CXVI Filosofia das folhas velhas..........................185 CXVII O Humanitismo.......................................186 CXVIII A terceira força..........................................190 CXIX Parêntesis..................................................190 CXX Compelle intrare........................................191 CXXI Morro abaixo............................................191 CXXII Uma intenção mui fina.............................193 CXXIII O verdadeiro Cotrim................................194 CXXIV Vá de intermédio......................................196 CXXV Epitáfio.....................................................196
CXXVI Desconsolação...........................................197 CXXVII Formalidade..............................................198 CXXVIII Na Câmara...............................................199 CXXIX Sem remorsos............................................200 CXXX Para intercalar no capítulo CXXIX............200 CXXXI De uma calúnia.........................................201 CXXXII Que não é sério.........................................202 CXXXIII O princípio de Helvetius...........................202 CXXXIV Cinquenta anos.........................................203 CXXXV Oblivion....................................................204 CXXXVI Inutilidade................................................205 CXXXVII A barretina................................................205 CXXXVIII A um crítico..............................................207 CXXXIX De como não fui ministro d’Estado..........208 CXL Que explica o anterior...............................208 CXLI Os cães......................................................209 CXLII O pedido secreto.......................................211 CXLIII Não vou....................................................212 CXLIV Utilidade relativa.......................................213 CXLV Simples repetição......................................213 CXLVI O programa..............................................214 CXLVII O desatino................................................215 CXLVIII O problema insolúvel................................216 CXLIX Teoria do benefício...................................217 CL Rotação e translação..................................219 CLI Filosofia dos epitáfios................................220 CLII A moeda de Vespasiano.............................220 CLIII O alienista.................................................221 CLIV Os navios do Pireu....................................222 CLV Reflexão cordial.........................................223 CLVI Orgulho da servilidade..............................223 CLVII Fase brilhante............................................224 CLVIII Dois encontros..........................................225 CLIX A semidemência........................................226 CLX Das negativas............................................227
APRESENTAÇÃO
UM STRIPTEASE DA ALMA Luiz Ruffato
Publicado originalmente em 1881, Memórias póstumas de Brás Cubas marca não só uma guinada na trajetória de Machado de Assis, até então apenas autor de boas histórias ao gosto da época, como também o eleva ao patamar de um dos nomes mais expressivos da literatura mundial. E isso se deve ao perfeito equilíbrio conseguido entre o assunto – uma espécie de striptease da alma humana – e a forma como ele é abordado – as sarcásticas reminiscências de um defunto, alinhavadas em capítulos curtos e tecnicamente ousados. Nascido em 1839, no Rio de Janeiro, o ex-tipógrafo Machado de Assis vinha pacientemente, desde os 21 anos, construindo uma carreira que buscava combinar o exercício do jornalismo diário com a burocracia do serviço público – nas horas vagas, dedicava-se à literatura. Até 1881, havia publicado quatro volumes de poesias, quatro romances, duas coletâneas de contos e algumas peças de teatro, livros bastante apreciados pelos poucos leitores da época. Em abril de 1878, Machado de Assis lança o romance Iaiá Garcia, mais uma romântica narrativa de intrigas, amores frustrados, casamentos por conveniência. Em outubro, com a saúde bastante debilitada, pela primeira vez em toda a vida ele é obrigado a interromper sua intensa atividade. Assim, afasta-se do trabalho como chefe 11
de seção da Secretaria de Agricultura, suspende suas colaborações para a imprensa e, em fins de dezembro, instala-se com a mulher, Carolina, em Nova Friburgo (RJ), para se tratar. Recuperado, em março de 1879 retoma suas ocupações e em dezembro publica na Revista Brasileira um ensaio intitulado “A nova geração”, no qual faz uma interessante observação, que talvez, como autocrítica, antecipasse sua nova visão estética. Ele afirma, entre outras coisas, que “um homem pode ter as mais elevadas ideias, as comoções mais fortes, e realçá-las por uma imaginação viva; dará com isso uma excelente página de prosa, se souber escrevê-la; um trecho de grande e maviosa poesia, se for poeta. O que é indispensável é que possua a forma em que se exprimir”. Então, ao longo de 1880, surpreendendo público e crítica, Machado de Assis divulga Memórias póstumas de Brás Cubas seriadamente na Revista Brasileira, em quatro números trimestrais, lançado em livro, quase sem modificações, em 1881 pela Typographia Nacional. Se, no tempo, apenas três anos separam esse romance do anterior, na execução um abismo interpõe-se entre eles, desvelando um autor quase irreconhecível. Não se percebe propriamente mudança nos entrechos das narrativas posteriores a Iaiá Garcia, que continuam investigando a movimentação de personagens da alta sociedade brasileira estabelecida na capital do Império na segunda metade do século XIX, mas sim na forma como se dá essa apreensão. Tornado ainda mais taciturno, após a crise de saúde de 1879, Machado de Assis radicaliza a opinião sobre seus semelhantes – em essência, cínicos e egoístas – e já não teme confrontá-los. O olhar indulgente com que observava seus personagens se extingue – implacável, ele agora expõe, comenta, julga. Não existe mais o narrador convencional que conta uma história linear – o enredo desenvolve-se labiríntico, fragmentário, errático. Moderno e inovador, seus romances e contos assumem caráter digressivo e intertextual. Sua vocação, como diz Lúcia Miguel-Pereira, a primeira biógrafa, realiza-se plenamente como tormento e delícia: “Tormento de não poder crer nas criaturas, de lhes perceber todos os cálculos, todas as espertezas, mas delícia, delícia suprema de apreciar o jogo dos sentimentos, de ver 12
como nascem e morrem as paixões, de ser o espectador que aprecia a um tempo a plateia e os bastidores”. Machado de Assis se modificara, porque, como revelou ao amigo Mário de Alencar, naquela altura da vida perdera todas as ilusões sobre os homens. A experiência da morte, certa estabilidade financeira e o prestígio social alcançados aguçam a capacidade de análise e ele desvencilha-se de vez do tom conciliatório com que escrevia seus livros. Até então, havia, a separar o Bem e o Mal, uma nítida linha que, embora ocasionalmente ultrapassada, servia como régua moral para condenar ou inocentar os personagens. Assim, por mais bem executadas que fossem, as tramas não alcançavam profundidade, e os heróis e heroínas, vilões e vilãs sobrenadavam na platitude de desfechos previsíveis. A partir de Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis desce aos infernos do ser humano e ergue uma obra desencantada, na qual complexos personagens transitam com extrema fluidez entre os dois polos morais, sem se fixar em nenhum deles. Narrado em primeira pessoa, Memórias póstumas de Brás Cubas é um livro, nas irônicas palavras do protagonista, “que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado”. Descendente de um fabricante de toneis que enriqueceu e legou à família dinheiro e prestígio, Brás Cubas morre solteiro aos 64 anos, de pneumonia, dono de considerável fortuna. Desfeito o véu da dissimulação, pode prestar contas de seus atos, do nascimento ao fim, sem receio da avaliação de seus pares. “Na vida”, diz Brás Cubas, “o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade!” Individualista e interesseiro, dono de um humor cáustico com o qual tece comentários impiedosos sobre episódios de sua autobiografia, Brás Cubas é conscientemente um parasita social, fruto de um meio 13
doméstico em que prevaleciam “vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho”. Um sujeito que, confessa, subsistiu sem sentido: não se tornou celebridade, não foi ministro, não conheceu o casamento e principalmente não teve que comprar o pão com o suor de seu rosto. Para descrever com justeza os mecanismos da engrenagem social que agora melhor compreendia, Machado de Assis operou uma radical mudança na forma de sua escrita. Memórias póstumas de Brás Cubas é um livro experimental, no qual o autor, emulando Laurence Sterne, romancista irlandês do século xviii, elabora novas possibilidades narrativas, que funcionam primorosamente a serviço da execução da história. Assim, o leitor se depara com preciosidades, como um quase poema concreto (capítulo xxvi), um diálogo montado somente com interrogações, exclamações e reticências (capítulo lv), outro apenas com reticências (capítulo cxxxix), pois “há coisas que melhor se dizem calando” – e ainda cartas, bilhetes, apólogos, epitáfios, aforismos e contos, contos magistrais como “O almocreve” (capítulo xxi), “O embrulho misterioso” (capítulo lii) e, principalmente, “O delírio” (capítulo vii), digno de figurar nas melhores antologias fantásticas. Oportuno acrescentar, ainda, que Memórias póstumas de Brás Cubas, escrito com “a pena da galhofa e a tinta da melancolia”, desdobra-se em outros textos do autor. Aqui surge Quincas Borba, com sua original filosofia, o Humanitismo (“Ao vencedor, as batatas!”), protagonista do romance homônimo, publicado em 1892; aqui também, especulo, Machado de Assis nota que há “um grão de sandice” em cada um de nós (título do capítulo lxix), tema desenvolvido em “O Alienista”, novela recolhida no volume Papéis avulsos, de 1882; e aqui também, penso, há no capítulo lxvii, “A casinha”, a sugestão para o conto “A cartomante”, enfeixado na coletânea Várias histórias, de 1896. Enfim, debochado, cético, inclemente, Memórias póstumas de Brás Cubas é o testemunho da visão desenganada do autor em relação à Humanidade. Mas, e aqui está, para mim, o verdadeiro rasgo de genialidade de Machado de Assis: se para a frente seus narradores assumem a ironia como instrumento para revelar falhas, próprias e alheias, ainda assim eles nunca se mostram cínicos, quer dizer, eles nunca se colocam 14
acima de seus semelhantes, pois sabem que provimos todos do mesmo barro. Embora talvez a acidez de Brás Cubas carregue muito de seu criador – “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”, é a conclusão destas memórias –, num ponto eles divergem. Ao contrário de Brás Cubas, que acreditava que, “privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião”, sua autobiografia não conquistaria nem cinco leitores, a obra de Machado de Assis, com a passagem dos anos, mais se consolida como um dos grandes monumentos da literatura de todos os tempos.
LUIZ RUFFATO é autor de Eles eram muitos cavalos, Inferno provisório e O verão tardio, entre outros. Seus livros receberam prêmios nacionais (APCA, Jabuti, Machado de Assis) e internacionais (Casa de las Americas, Hermann Hesse) e estão publicados em treze países. 15
NOTA DO EDITOR
Esta edição que ora lançamos integra uma nova coleção, mais ampla, chamada Clássicos Autêntica, e é bastante diferente da edição escolar que publicamos em 1999 e, posteriormente, uma segunda edição, em 2012. Essa edição mais antiga – mantida em nosso catálogo – conta com textos introdutórios, centenas de notas e glossário. Ela é voltada para o estudo em sala de aula, mais especificamente para estudantes do 2º grau e candidatos de exames vestibulares e do ENEM, para os quais Memórias póstumas de Brás Cubas é amplamente indicado. Tanto para a nossa primeira edição quanto para esta que o leitor tem em mãos, utilizamos o texto aprovado pela Comissão Machado de Assis – criada pelo governo federal e formada por dezenove especialistas – e estabelecido pelos seguintes membros: Antônio Houaiss, Antônio José Chediak, Celso Ferreira da Cunha e J. Galante de Sousa. Esses filólogos cotejaram sete edições da obra, e sua edição crítica foi publicada pelo Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, em 1960. Para esta nova edição, dirigida ao público em geral, jovens e adultos de qualquer idade, cotejamos o texto também com edições mais recentes, publicadas por editoras conceituadas como Aguilar e Companhia das Letras, e decidimos não apenas pela atualização ortográfica (conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, em vigor desde 10 de janeiro de 2009), como também pela grafia mais moderna e usual (mesmo que os dicionários registrem das duas formas) de termos como: cousa/coisa, afouto/afoito, dous/dois. 17
Apesar de algumas editoras argumentarem que mantiveram esses arcaísmos para preservar certa atmosfera do tempo de Machado, optamos por retirá-los desta edição, já que, a nosso ver, poderiam incomodar o leitor, causar à leitura um desconforto dispensável – e nosso objetivo é justamente mostrar que Machado de Assis continua a ser um autor para o nosso tempo, para qualquer tempo. Nesta edição, respeitamos a pontuação original, bem como outras escolhas formais, como o uso de travessões, mesmo quando entram em conflito com o que determina a gramática normativa atual.
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