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Independence day

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Alex Irvine

Alex Irvine

IBSN 978-85-8286-307-7 www.editoranemo.com.br

foto: Divulgação

9 788582 863077

o livro

oficial

do filme

O R E S S U R G I M E N T O

O

Independence Day, Independence Day Resurgence TM & © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. All rights reserved.

R E S S U R G I M E N T O


TM & © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. Todos os direitos reservados. Esta tradução de Independence Day: Resurgence, publicada originalmente em 2016, foi viabilizada mediante acordo com a Titan Publishing Group Ltd. Copyright da tradução © 2016 Editora Nemo Título original: Independence Day: Resurgence Todos os direitos reservados pela Editora Nemo. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

gerente editorial

capa

Arnaud Vin

Diogo Droschi (sobre imagem oficial do filme)

editores assistentes

diagramação

Carol Christo Eduardo Soares

Guilherme Fagundes Carol Oliveira

assistente editorial

Jim Anotsu revisão

Renata Silveira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil

Irvine, Alex Independence Day : o ressurgimento / Alex Irvine ; tradução de Antonio Carlos Vilela. – 1. ed. – São Paulo : Nemo, 2016. Título original: Independence Day: Resurgence ISBN 978-85-8286-307-7 1. 1. Ficção científica norte-americana I. Título. 16-03190 CDD-813 Índices para catálogo sistemático: 1. 1. Ficção científica : Literatura norte-americana 813

A NEMO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.grupoautentica.com.br

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Prólogo

1º de julho de 2016 Valeri Fedorov cresceu com os olhos nas estrelas. Quando garoto, estudava a história da exploração espacial enquanto seus amigos jogavam hóquei e futebol. Quando jovem, estudou engenharia e ingressou na Força Aérea Russa, ganhando distinção como piloto enquanto estudava à noite, preparando-se para se candidatar a cosmonauta. Seu herói era Yuri Gagarin, e quando sentiu a pressão do lançamento pela primeira vez, em 2011, Valeri teve o sentimento de que realizava os sonhos de Gagarin, bem como os seus. Cinco anos depois, lá estava ele em Reia, uma das luas de Saturno, o mais longe da terra que a humanidade já havia chegado... Mas em vez de voar, ele caminhava com dificuldade pela superfície hostil do satélite em direção a uma subestação elétrica, tentando entender por que a energia falhava no centro de comando. Enquanto prosseguia, Valeri examinava a paisagem, à procura de quaisquer sinais do que pudesse ter causado a falha. Não havia impacto recente de meteoros. A base havia sido construída na borda de uma cratera gigantesca, e as paredes da cratera não mostravam sinais de deslizamentos. A princípio suspeitou de danos causados no equipamento por algum micrometeorito, mas a menos que fosse de fato muito pequeno, o impacto teria sido registrado nos sismógrafos da base. Assim, teve que abandonar essa teoria e inspecionar o equipamento para ver o que este poderia dizer. Geradores blindados forneciam energia emergencial, mas não era suficiente para manter todas as luzes acesas e, com toda certeza, não seria o 5


bastante para manter a estação aquecida. Então, Valeri e sua equipe, outros doze cosmonautas também com sonhos prejudicados e corpos feridos, saíram para a superfície de quase vácuo de Reia, onde congelavam seus traseiros enquanto tentavam restaurar a iluminação. Diversos picos de tensão de origem desconhecida haviam acontecido ao longo dos últimos poucos dias, talvez relacionados ao campo eletromagnético de Saturno, ou talvez a uma onda passageira de partículas solares. Valeri não sabia. Não era obrigação dele saber. Não era um cientista, mas piloto e engenheiro, um cosmonauta ciente de que a maior parte da exploração espacial não tinha nada de glamorosa. Era trabalho duro, manuseando ferramentas e consertando máquinas sob condições extremas de vácuo e frio. Apesar de tudo, Valeri adorava seu trabalho. Tinha uma namorada na Terra e planejava algum dia estabelecer um lar com ela, mas no momento estava construindo o sonho espacial da humanidade... e mantendo a Terra segura, para que não se repetisse o que tinha acontecido em 1996. Valeri, na época, era apenas um garoto que ainda passava seus dias jogando hóquei e pescando, e suas noites olhando para as estrelas. Os alienígenas destruíram Moscou, Kiev e São Petersburgo, mas ainda não haviam chegado a Petropavlovsk quando a nave mãe foi destruída. Por causa disso Valeri sobreviveu para ir ao espaço e xingar aquelas máquinas desgraçadas de Reia. Os surtos de energia estavam infernizando sua vida e atrasando o desenvolvimento da Defesa Espacial da Terra (DET) que deveriam estar construindo. “Como estão as férias aí fora?”, disse pelo rádio um dos técnicos dentro da base. “Cale a boca”, Valeri retrucou. Não tinha muita paciência com pessoas que ficavam sentadas onde havia ar e temperaturas amenas e reclamavam do ritmo do trabalho na superfície do satélite. Pelo menos Valeri e sua equipe não enfrentavam as mesmas dificuldades que a equipe de construção da base. Os guindastes e as máquinas de solda possuíam suas próprias células de combustível, então os operadores não tinham folgas decorrentes de interrupções de energia. Fagulhas de solda pipocavam naquele instante enquanto um membro da equipe segurava no lugar uma viga de aço de dez metros de comprimento, estendendo a estrutura da base para seu formato final. Os armamentos ainda estavam a caminho, vindos da Terra. Quando a base estivesse completa, a Defesa Espacial da Terra chegaria a Saturno. 6


Torres de canhões desenvolvidas a partir de tecnologia alienígena circundariam a base, tornando Saturno o ponto mais avançado da arquitetura de defesa. Outras bases estavam em construção em Marte e em uma das luas de Júpiter. Valeri não conseguia se lembrar qual. Júpiter possuía luas demais. A gravidade de Reia era mínima, o que facilitava a movimentação, depois que se aprendia como pular e controlar as aterrissagens sem perder o equilíbrio. Valeri aprendeu isso durante sua primeira missão fora da Terra, na Lua. A gravidade de Reia era tão fraca que se tornava quase possível arremessar uma pedra além do horizonte. Ele teve que adotar um tipo de caminhada em câmera lenta, sem tentar pular, porque cada passo normal lançava o corpo em um arco lento que podia cobrir dezenas de metros. Chegaram à subestação e abriram um painel elétrico. Valeri viu diversos riscos pretos e soube de imediato o que havia de errado. “Encontrei o problema”, informou. “Os picos de tensão queimaram a maioria dos fusíveis.” As subestações deviam ser protegidas, mas aparentemente a proteção não era tão boa quanto os trinta centímetros de chumbo que blindavam os geradores de emergência. “Restabeleça o aquecimento antes que a gente morra de frio”, o técnico respondeu. “Isso aqui está pior que a Sibéria.” A Sibéria era legal no verão, pensou Valeri. Ele tinha ido pescar lá algumas vezes, antes de ingressar no corpo de cosmonautas. Talvez, quando voltasse para a Terra, fizesse outra viagem até lá. Os lagos, as florestas sem fim... um contraste marcante com a paisagem que admirava no momento. Valeri teria que tirar o painel inteiro para substituir os fusíveis. Onde havia colocado a chave? Estava em sua mão havia menos de um minuto. Ah. Ali, no chão. Devo ter deixado cair, pensou. Mas quando a pegou, Valeri notou um fenômeno estranho. Minúsculas partículas de gelo flutuaram, vindas da superfície, e se elevaram. Como uma nevasca de trás para a frente em câmera lenta. Não era incomum que pequenas vibrações provocassem nevascas como aquela. Um veículo passando ou um lançamento agitavam a superfície em um raio de vários quilômetros – mas não havia nada disso acontecendo naquele momento. Com uma sensação estranha, Valeri se virou lentamente para verificar. A única coisa avistada foi a equipe de soldagem colocando outra viga em posição. Aquilo não podia causar o fenômeno, e com certeza não podia causar o que sentia – era como se a gravidade começasse a desaparecer ao redor dele. 7


Valeri sentiu uma pontada de medo com a ideia de flutuar para longe de Reia. Já havia feito caminhadas no espaço antes, mas não estava com o equipamento apropriado naquele momento, e... Pare com isso, disse para si mesmo. Não há nada de errado com a gravidade. O que poderia afetá-la, afinal? Então olhou para cima e viu uma massa brilhante e pulsátil no espaço entre Reia e Saturno. Aquela perturbação era... difícil de descrever. Circular, ou talvez esférica. Os limites entre ela e o espaço eram difíceis de determinar, porque ela ondulava e pulsava, como uma corrente de convecção na água, mas colorida. O que poderia causar algo assim? Valeri era um engenheiro treinado e tinha aprendido um bocado de física e astronomia durante seus anos no espaço. Nada do que tinha aprendido o havia preparado para aquela visão. “Comando, vocês estão vendo isso?”, ele transmitiu. Não houve resposta. Valeri virou-se para a base e viu as luzes internas oscilando. Outro surto de energia? Seria por causa da ondulação no espaço? Valeri nunca tinha visto algo assim. A energia originária da ondulação precisaria ser muito intensa para afetar o fornecimento de eletricidade, que era bem protegido. Um pensamento lhe ocorreu. Se a eletricidade estava sendo afetada, o que aquela misteriosa energia poderia estar fazendo com seu corpo através da proteção mínima de seu traje espacial? Valeri decidiu que os reparos na subestação podiam esperar. Olhou em volta e viu que os outros membros da equipe haviam chegado à mesma conclusão. Largaram as ferramentas e começaram a voltar para a relativa segurança da base. Os guindastes e tratores de construção foram desligados conforme seus controladores interrompiam as operações. À volta deles flutuavam partículas finas de gelo, que se elevavam lenta e inacreditavelmente. Valeri começou a se mover, andando com cuidado, porque continuava vendo as partículas de gelo subindo ao seu redor, e teve um medo repentino e irracional de que, caso se movesse rápido demais, poderia sair flutuando como aquelas partículas. *** O Comandante Piotr Belyaev pisou no centro de comando quando as luzes oscilaram outra vez. A área ainda estava em construção. Era hermética e aquecida – pelo menos em teoria –, mas os sistemas de computador ainda 8


não haviam sido completamente instalados, e a mobília era mínima. A temperatura, imaginou, devia estar em torno de -20 °C. Ele vestia casaco e meias adicionais dentro de suas botas fornecidas pela DET. “O que é agora?”, perguntou ao entrar. Os problemas de energia atrasavam a construção, o que por sua vez atrasava os preparativos para a instalação das torres dos canhões que vinham da Terra. Belyaev ouviria o diabo se as estruturas para instalar os canhões não estivessem prontas quando chegassem. “Olhe”, o técnico mais próximo falou. Apontou para a grande janela no centro de comando. Belyaev se aproximou para verificar qual era o novo problema. A janela estava parcialmente coberta de gelo, mas uma parte permanecia transparente o bastante para que o comandante visse a perturbação que ocorria entre Reia e os anéis de Saturno. Daquele ponto de vista os anéis pareciam uma estrada que se curvava ao redor do imenso arco do corpo planetário. A perturbação obscurecia parte dos anéis, fazendo com que parecessem deformados e tremeluzentes nas bordas do fenômeno, como a superfície distante de uma estrada em um dia quente na Terra. Era como se o próprio espaço estivesse ondulando, e cores surgiam ao redor do fenômeno – que, pela estimativa de Belyaev, tinha cerca de um quilômetro de diâmetro. Aquilo crescia rapidamente e parecia assumir uma forma mais definida, embora ele não pudesse ter certeza. Nunca tinha visto algo assim, e seu cérebro parecia relutante em interpretar as imagens que seus olhos transmitiam. Uma coisa era certa, contudo. Havia energias imensas ali, emitidas na direção de Reia e das luas menores ao lado. Os monitores no centro de comando detectavam quantidades notáveis de radiação em todo o espectro eletromagnético. Belyaev supôs que, se os monitores de neutrino e plasma estivessem funcionando, também registrariam níveis substanciais. “Informe”, ordenou. Os protocolos da Defesa Espacial da Terra ditavam que todos os eventos incomuns deviam ser relatados ao quartel-general do Exército dos Estados Unidos. Todas as nações do mundo contribuíam para a DET, mas os Estados Unidos haviam assumido a liderança na integração da tecnologia alienígena, portanto eram os líderes de fato da DET. De certa forma isso incomodava as outras nações, mas também facilitava o trabalho delas. Quando algo estranho acontece, pensou o Comandante Belyaev, deixe que os americanos resolvam. Se queriam tanto o problema, então que ficassem com ele. 9


“Nós tentamos”, um técnico ao lado respondeu. “Nossas comunicações de longo alcance estão fora do ar.” Impossível, Belyaev pensou. Estavam na face de Saturno voltada para a Terra, naquele ponto da órbita de Reia. Só havia espaço vazio entre a base e a rede de satélites na órbita da Terra, com algumas rochas espalhadas no caminho. Como as comunicações poderiam estar fora do ar? De vez em quando uma tempestade solar ou uma perturbação intensa no Cinturão de Van Allen interrompia as comunicações, mas essas perturbações não duravam mais que algumas horas e nunca afetavam todas as frequências. A DET havia criado um grande número de redundâncias em seus sistemas de comunicação interplanetária. “Não pode ser”, ele disse. “Tente a banda EHF.” “A interferência é muito grande”, o técnico respondeu. Reparou que o Comandante Belyaev não acreditou nele. “Escute.” O técnico acionou um interruptor e jogou os sons da comunicação de longo alcance no sistema de alto-falantes do centro de comando. Tudo que conseguiram ouvir foi estática. Contudo, não era estática comum – o tipo que vinha da radiação do espaço profundo. Aquilo parecia padronizado, pulsando e flutuando no mesmo ritmo da perturbação visual. Alguma coisa no ritmo daquele ruído produziu uma inquietação profunda em Belyaev – uma sensação na boca do estômago que seus ancestrais deviam ter quando testemunhavam um eclipse. Ele e toda equipe da Base Reia corriam perigo. Disso ele tinha certeza. Se lhe perguntassem, ele não saberia explicar como sabia disso nem qual era o perigo, mas todos os seus instintos de sobrevivência estavam em alerta máximo. Objetos pequenos começaram a se mexer e flutuar, elevando-se das mesas onde estavam. A ondulação no espaço interferia na gravidade? Alguma coisa tinha que estar afetando o tecido fundamental do espaçotempo. Como isso era possível? Essa pergunta deveria ser feita aos cientistas. Belyaev era um soldado. Tudo com que se importava, naquele momento, era com o fato de que ele e sua equipe estavam a mais de um bilhão de quilômetros de casa, isolados atrás de uma cortina de estática e de uma perturbação que se desenvolvia acima dos anéis de Saturno.

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