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Entrevista com a Autora

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Queria principalmente escrever, mas depois que vi a produção de A Décima Segunda Noite, da Royal Shakespeare Company, quis entrar para o grupo.

Não sei se houve um momento específico. Sou filha única, por isso passava muito tempo falando comigo mesma e criando histórias. Então, quando estava na escola, escrever tornou-se uma espécie de mecanismo de sobrevivência. As coisas eram difíceis na escola e também em casa, mas escrever me deu a chance de inventar mundos que eram maiores e melhores do que aquele onde eu vivia.

Tenho certeza de que as piores estão enterradas tão fundo que eu vou precisar de anos de terapia para recuperar. Mas posso contar de uma vez em que cantei uma música que eu mesma escrevi em um show de talentos. Chamava-se “Amor Internacional”. Isso é tudo de que você precisa saber.

Minhas lembranças mais felizes envolvem meu avô. Minha mãe estava na escola, então foi basicamente ele quem me criou. Ele às vezes era bem rabugento, mas sempre fazia coisas incríveis e surpreendentes. Um dia cheguei em casa da escola, e ele tinha feito pernas de pau com restos de compensado. Passamos a tarde pintando-as de branco e azul, e no dia seguinte ele me ensinou a andar nelas.

1) Meu avô. 2) Mr. T.

Eu gostava de História da Arte, História, qualquer coisa com histórias.


Mas eu vou ser sincera: eu gostava da escola até lá pelos meus 12 anos. Depois disso, todo dia era uma luta.

Domingos à noite. Era a pior coisa, porque tinha todo o dever de casa para colocar em dia, e eu ficava apreensiva por outra semana estar começando.

Eu adorava desenhar e ler. Gostava bastante de teatro. Cantava em um coral e em uma banda, e fiz artes marciais por um tempo. Meus passatempos atuais são praticamente os mesmos, exceto pelo tae kwon do.

Meu primeiro emprego foi como vendedora em uma papelaria no shopping, que já fechou. Salário mínimo, mas eu tinha descontos em lindos papéis e diários. O pior trabalho? Difícil escolher. Eu trabalhei como “garota da cerveja” durante um verão em Nova York. Eu tinha que carregar para todo lado uma caixa cheia de cerveja e material de divulgação. Levava para delicatessens e bares e tentava convencê-los a vender a marca. Todo dia fazia por volta de 37 graus, a cerveja era horrível, então ninguém queria, e eu estava totalmente sem dinheiro.

The Fox Sister, de Christina Strain e Jayd Aït-Kaci.

Na noite em que descobrimos que a Holt publicaria meu livro, alguns dos meus amigos mais próximos (incluindo meus leitores beta) me chamaram para fazer coquetéis de champanhe. Dançamos como loucos


ouvindo Rihanna e Florence + the Machine. E eu me dei de presente um perfume caro.

Quando estou rascunhando, tem uns dois cafés onde gosto de trabalhar. Os barulhos me deixam animada. Meus amigos e eu nos encontramos para fazer o que chamamos de “monitoramento amigo”. Fazemos todos ficarem off-line e até escondemos os celulares. Quando é hora de transformar o rascunho em livro, vou para o “abrigo”. Não saio de casa por meses. Tendo a escrever na cama ou na antiga poltrona de couro do meu avô.

A ideia para a Pequena Ciência surgiu anos atrás, depois de um debate acalorado sobre o filme Minority Report. Mas a história de Sombra e Ossos começou mesmo numa noite na casa de um amigo – eu estava no final de um corredor escuro, certa de que alguma coisa cheia de dentes esperava por mim no breu. Quando voltei para a cama, fiquei acordada pensando: e se a escuridão fosse um lugar? E se os monstros que imaginamos lá fossem reais e tivéssemos que lutar contra eles em seu próprio território? Na fantasia, a escuridão tipicamente atua como uma metáfora. Eu queria torná-la algo literal, físico. Essa ideia se transformou na Dobra das Sombras.

Acho que está na natureza da pesquisa encontrar muitas coisas que acabam não entrando no livro. Eu gosto de tudo o que me remete ao cotidiano: comidas servidas em uma festa específica, brincadeiras de criança, pequenas superstições, como deixar vodca atrás do fogão para fantasmas.


Quando escrevi o primeiro esboço, eu já tinha definido o sistema de magia e tinha uma noção básica de como funcionaria a questão do poder – político e mágico – desse mundo. Na hora de criar a ambientação, sabia que queria sair daquela de fantasia clássica de Europa Medieval, mas ainda queria uma base cultural para que o mundo fosse consistente e tangível. Eu também sabia que queria que o advento da guerra moderna tivesse um papel no livro. Estava olhando a seção de viagem de um sebo quando encontrei um atlas da Rússia Imperial e pensei: “É claro!”. Encaixava naturalmente no mundo que eu estava criando – as vastas discrepâncias em riqueza entre as classes, a falha na industrialização, o exército formado em grande parte por alistamento obrigatório. Mas para mim a Rússia sempre foi o ponto de partida, e não o destino final. Eu acho que se podem perceber diferenças tanto em grandes escolhas, como a geografia e a história do mundo, quanto em pequenas, como sobrenomes não estritamente definidos por gênero, a construção de plurais, ou o uso de kvas para indicar espíritos fortes.

Eu tenho um pouco em comum com todos os meus personagens. Mas se algum deles ficasse parecido demais comigo, eu acabaria dando férias e pôneis a eles.

O momento na clareira gelada, no final.

Provavelmente uma Sangradora. Sou assim, sedenta de sangue. E fico ótima de vermelho.


“Grisha” é o diminutivo em russo de Gregório. Significa “vigilante” e é derivado dos grigori bíblicos. (Muitos dos fãs do sobrenatural reconhecerão a referência das histórias de anjos caídos.) Grisha também evoca, visual e espiritualmente, a palavra “geisha”, e minha intenção era de que isso reforçasse a noção de beleza e mistério que ronda a elite mágica de Ravka.

Adorei ver as escolhas de elenco de alguns fãs, mas qualquer um que eu escolhesse provavelmente seria velho demais para o papel. É difícil, porque quem quer que seja o escolhido precisa ser jovem e, ao mesmo tempo, ter uma presença que faça você acreditar que ele é capaz de comandar exércitos e conquistar mundos.

Bem, não acho que seja muito spoiler dizer que o Darkling estará de volta. O que posso dizer? É difícil se livrar de um vilão. Mas ele mudou, e Alina também. Ela teve o primeiro gostinho de como o poder irá afetá-la, e ela terá que lidar com as repercussões das decisões que tomou no final de Sombra e Ossos. Também vou introduzir meu personagem favorito da série. E vou levar os leitores para além das fronteiras de Ravka.

As séries de TV Parks and Recreation e Kids in the Hall (ouça “Time to Hate the Swiss” [é hora de odiar os suíços]). Aqueles clips de “Bad Lip Reading”, Anna Banks.


Escrevo. Também gosto de colocar minha jaqueta Northface e sair para andar. Dias chuvosos são raros em Los Angeles.

Estar com meus amigos em uma mesa. Passar tempo com os caras da minha banda.

Depende do dia. Sou muito volúvel. Mas não resisto a cantar junto quando ouço a versão ao vivo de “Gold Dust Woman”. Eu faria fácil um juramento de lealdade a Stevie Nicks.

Batman, com Arya Stark logo atrás.

Eu adorava A Swiftly Tilting Planet e um livro chamado Catwitch, que não está mais em circulação. (Eu ainda tenho meu exemplar.) Howl’s Moving Castle, de Diana Wynne Jones, é minha querida leitura aconchegante. Eu adorava Stephen King, especialmente It e Eyes of the Dragon. Atualmente tenho muitos favoritos, mas os que sempre vêm à mente são Carter Beats the Devil, de Glen David Gold, e a série As Crônicas de Gelo e Fogo, do George R. R. Martin.

Em nenhuma ordem específica: Strictly Ballroom [Venda dançar comigo], The Untouchables [Os intocáveis], Romancing the Stone [Tudo por uma esmeralda], Battlestar Galactica (a nova), Buffy, a Caça-Vampiros e A Room with a View [Uma janela para o amor].

Joss Whedon. Ou alguém feito de bolo.


Eu já estive em Veneza, mas gostaria de voltar para a Biennale e o Carnaval. Na verdade, adoraria morar em Veneza.

Para o futuro! Não sei quanto tempo no futuro. Provavelmente exageraria e acabaria em algum vazio cósmico. Mas fico ansiosa para saber o que vai acontecer. Prometeram para mim macacões de malha, carros flutuantes e comida em pelotas.

Ler poesia. Um professor me disse uma vez: “Eu não leio poesia para ter assunto em festas. Eu leio porque só nela ainda existe linguagem elevada”.

Não existem fadas madrinhas.

Já aconteceu sim. Eu tento trabalhar em uma parte diferente da história, ou mudar da primeira para a terceira pessoa, ou sair para passear. Gosto bastante de falar comigo mesma. Se consigo articular o problema na cena, então meu cérebro pode começar a dividi-lo em pedaços. Além disso, já li depoimentos muito engraçados mas muito cruéis sobre bloqueio criativo de alguns autores importantes que adoro. Eles doeram um pouco. Tendo a achar que alguém que nunca teve medo da página ou nunca passou por um período difícil ou é incrivelmente sortudo ou está mentindo. Não tenha vergonha de sentir dificuldade. O truque é


evitar que um dia improdutivo de escrita vire uma semana improdutiva, ou algo ainda pior.

Quando se trata dos meus livros favoritos, queria viver no mundo que o autor criou muito depois de ter virado a última página. Eu adoraria se um leitor se sentisse assim em relação ao meu trabalho. Em termos de algum tipo de mensagem, acho que vale a pena nos perguntarmos o quanto de nós estamos dispostos a sacrificar para pertencer a algo ou alguém. Para mim, essa é a questão central de Sombra e Ossos.

Seria horrível. Sério, eu sou um monstro quando não escrevo. Mas se você está falando de outra carreira, acho que voltaria a ser revisora. Não sei. Já tive muitos empregos ruins. Eu realmente gosto desse e gostaria de mantê-lo.

Acho que as pessoas já sabem demais sobre mim. Eu sempre quis ser misteriosa, mas gosto demais de falar sobre mim mesma.

Honestamente? Na maioria dos dias são longas horas de pé, pouco dinheiro e não muito respeito. Mas aí tem os momentos incríveis em que você pode colaborar com pessoas legais e fazer algo estranho e surpreendente. E isso mantém você motivado. Tem as coisas grátis também.

Sono. Mas sério: a base do Face Atelier é bem impressionante.


Sou fácil de entreter.

Sou muito supersticiosa e sempre fui, mas também sou bem específica em relação às minhas superstições. Adoro gatos pretos, não tenho problema com o número 13 e passo por baixo de escadas. Mas jogo sal sobre meu ombro, nunca faço brinde com água e odeio o número 4.

Espero que ainda esteja no meu futuro e envolva um aqueduto.

Gostaria de poder entrar em um cômodo cheio de pessoas desconhecidas e me sentir à vontade.

Existia um game show na televisão chamado Win Ben Stein’s Money [Ganhe o dinheiro de Ben Stein]. Eu participei do programa. Eu não ganhei o dinheiro dele.


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