José Alberto de Camargo | Naiara Magalhães
Do que estamos falando quando falamos de
ANSIEDADE, DEPRESSÃO e outros problemas emocionais
3ª edição, revista e ampliada
Copyright © 2020 José Alberto de Camargo e Naiara Magalhães Publicado anteriormente no Brasil pela Editora Gutenberg com o título Não é coisa da sua cabeça. Todos os direitos reservados pela Editora Vestígio. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. editor responsável
capa
Arnaud Vin
Diogo Droschi
editor assistente
diagramação
Eduardo Soares
Waldênia Alvarenga
apoio de reportagem (glossário)
Sílvia Amélia de Araújo preparação e revisão de texto
Camila Reis Lilian de Oliveira Mariana Faria
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Camargo, José Alberto de Do que estamos falando quando falamos de ansiedade, depressão e outros problemas emocionais / José Alberto de Camargo, Naiara Magalhães. -- 3. ed. -- rev. amp. -- São Paulo : Vestígio, 2020. ISBN 978-85-54126-71-1 1. Ansiedade 2. Comportamento (Psicologia) 3. Cuidados médicos 4. Depressão - Tratamento 5. Doenças mentais 6. Psiquiatria I. Magalhães, Naiara. II. Título. 20-33008
CDD-616.89
Índices para catálogo sistemático: 1. Transtornos emocionais : Doenças mentais : Psiquiatria 616.89 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964
A VESTÍGIO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA São Paulo Av. Paulista, 2.073 . Conjunto Nacional Horsa I . 23º andar . Conj. 2310-2312 Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.editoravestigio.com.br
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Sumário
Prefácio à nova edição
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Apresentação 13
Para começo de conversa
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Um mapa dos transtornos mentais
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Depressão: quando se está à deriva, numa vida que perdeu a graça
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Ansiedade exagerada: e se o melhor da festa não for esperar por ela?
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TOC: muito além de manias e superstições
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O problema do álcool e das outras drogas
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Transtorno bipolar: a vida a bordo de uma montanha-russa emocional 148 Esquizofrenia: o mundo pelas lentes de um caleidoscópio
175
Doença de Alzheimer: quando, ao fim da vida, não se pode mais contar a própria história
203
Como a família pode ajudar no tratamento 224 Melhor prevenir que remediar
238
Glossário 282 Referências 297
Lista de consultores e revisores de conteúdo
312
Agradecimentos 317
Prefácio à nova edição Euripedes Constantino Miguel*
NO PREFÁCIO à primeira edição deste livro, em 2012, escrevi sobre a satisfação de contribuir para um trabalho que toca em um ponto crucial quando o assunto é saúde mental: a informação. Somente uma sociedade com acesso à informação de qualidade sobre saúde emocional e psíquica pode fazer ceder as barreiras do estigma que levam à exclusão das pessoas que sofrem de alguma doença desse tipo. A informação é a chave para que possamos, de fato, oferecer cuidados de saúde mental para toda a população, fazendo chegar os recursos que já temos e também os avanços que vêm sendo produzidos com as pesquisas recentes. Por isso, reafirmo: é muito importante um livro como este, feito com profundidade, embasamento científico e uma linguagem acessível. Sob novo título, Do que estamos falando quando falamos de ansiedade, depressão e outros problemas emocionais chega num momento de crise, em que pode ser especialmente útil. A pandemia mundial do novo coronavírus, que atingiu o Brasil no final de fevereiro, vem demandando cuidados diários de saúde física e mental de toda a população. Até a primeira semana de maio, quando este prefácio foi escrito, pelo menos 150 mil pessoas já haviam sido acometidas pelo vírus e cerca de 10 mil mortes foram oficialmente registradas no país. Por sua dimensão e seus efeitos, a situação pode ser comparada à de um grande desastre natural. Angústia, ansiedade, sensação de sobrecarga, humor instável, irritabilidade, aumento no consumo de bebidas alcoólicas, comportamento violento, confusão mental e dificuldade de tomar decisões são reações comuns em situações de catástrofe. No caso da pandemia, são respostas ao alto nível *
Médico psiquiatra, professor titular e chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
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de estresse gerado pelo medo do contágio, pelo distanciamento social, pelas mudanças na organização da rotina profissional e doméstica, assim como pela preocupação com a saúde de familiares e amigos, pelas dificuldades financeiras e pela incerteza geral quanto ao futuro, além de outros fatores. Essas reações, embora comuns, inspiram cuidados para que não se transformem em quadros de sofrimento mental mais complicados. Por isso, temos orientado a população a tomar algumas medidas preventivas. Para aqueles que estão cumprindo o distanciamento social em casa, é importante buscar manter uma rotina. Ter horários mais ou menos fixos para acordar, dormir, fazer as refeições, trabalhar, cuidar da casa e de si ajuda a manter uma certa organização mental. Compartilhar as tarefas domésticas (inclusive com aqueles considerados mais vulneráveis psicologicamente) também é recomendável – faz bem a qualquer um de nós se sentir útil, especialmente num momento como esse. Além disso, é interessante reservar um momento específico do dia para ver as notícias – manter-se informado é importante, mas o excesso de informação, sobretudo em tom mais dramático, pode contribuir para o mal-estar psicológico. Temos também orientado a escolha de uma fonte de informação de qualidade para consultar sempre que for necessário. Abrir conteúdos divulgados nas redes sociais o dia todo, durante o trabalho, no momento das refeições ou perto da hora de dormir, por exemplo, não ajuda a saúde mental. No capítulo “Melhor prevenir que remediar”, você pode conhecer um pouco mais sobre os efeitos negativos do excesso de estímulos. Reservar um tempo para praticar técnicas de meditação e relaxamento é outra ótima estratégia para manter a mente equilibrada. Há hoje vários aplicativos gratuitos que ensinam e guiam essas práticas. Esse é, aliás, um bom hábito a ser cultivado na vida, especialmente para quem vive sob o estresse das grandes cidades, conforme também se discute nesse capítulo. Nessa parte do livro, pode-se aprender ainda como adotar 8
medidas que contribuem para termos um bom sono, outro fator de proteção para a saúde da mente. Se você precisa sair de casa para trabalhar diariamente, mesmo em períodos de distanciamento social adotado, recomendamos que aproveite o percurso para ouvir músicas de seu agrado, como estratégia de relaxamento. É necessário lembrar que distanciamento social não significa isolamento. É muito importante, especialmente para as pessoas que estão em confinamento sozinhas, manter contato pelo telefone e pela internet com amigos e familiares para não agravar o sentimento de solidão e os sintomas depressivos. No quarto capítulo deste livro, há uma explicação interessante sobre como o processo de evolução humana favoreceu o senso de cooperação entre as pessoas, o que ajuda a explicar por que o afrouxamento de vínculos sociais está associado ao sentimento de insegurança e também a sintomas de ansiedade. Ter bons vínculos familiares, comunitários, profissionais ou religiosos funciona como fator de proteção contra o suicídio, inclusive. Para além das medidas de prevenção em saúde mental, que podem ajudar nos quadros mais simples como os citados acima, pode ser preciso procurar assistência para quadros de transtorno mental que se agravam ou são desencadeados durante a pandemia. Episódios de ansiedade e depressão, problemas com álcool e outras drogas (seja por aumento do consumo, seja por abstinência) e surtos psicóticos tendem a crescer nesse período. Os cuidados de higiene necessários para evitar o contágio também podem ser um prato cheio para agravar sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Crises de pânico, que dão sensação de falta de ar, também têm levado muitas pessoas ao pronto-atendimento de hospitais, com medo de estarem infectadas pelo novo vírus, expondo-as ao risco de uma real infecção. Por isso, estar bem-informado e orientado é tão importante. Este livro apresenta informações muito úteis sobre os sintomas, os fatores de risco e os tratamentos disponíveis para cada um 9
desses transtornos. Relatos de quem já vivenciou esses quadros também podem ajudar as pessoas a distinguir se estão passando por uma reação normal de adaptação às circunstâncias ou se, de fato, precisam ser atendidas por um profissional de saúde. Um capítulo inteiro se dedica a orientar como familiares de pessoas com transtornos mentais graves podem agir no sentido de ter uma convivência mais harmoniosa em casa, o que pode ser bastante útil para as famílias que estão em isolamento social com pessoas portadoras de esquizofrenia ou idosos com demência, por exemplo. Não deixe de buscar auxílio. Mesmo a distância, por telefone ou por chamada de vídeo, um profissional pode escutá-lo e orientá-lo – novas regulações governamentais agora permitem a teleconsulta. Os transtornos mentais estão ligados a pelo menos 90% dos casos de suicídio – especialmente depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, abuso e dependência de álcool, transtornos ansiosos e de personalidade borderline. Os homens respondem pela maior parte dos suicídios, embora as mulheres façam a maior parte das tentativas. Pessoas que já tentaram suicídio anteriormente também são consideradas mais vulneráveis. Os idosos são outro grupo especialmente suscetível e sua saúde mental merece especial atenção nesse momento. Em geral, pessoas de faixa etária mais avançada têm maior dificuldade de distinguir fake news, e o excesso de informações contraditórias podem deixá-las muito ansiosas. Os profissionais da saúde que estão na linha de frente ao combate à pandemia também são considerados um grupo com maior risco de sofrimento psíquico. Além de terem de lidar com as situações estressantes que todos estão vivendo, precisam dar conta da sobrecarga de trabalho, do maior risco de infecção e do aumento do contato com o sofrimento e a morte. A preocupação em infectar os familiares também tem levado muitos a deixarem suas casas temporariamente, aumentando o impacto em seu bem-estar psicológico. Estudos já têm mostrado que a maioria dos profissionais de saúde têm apresentado sintomas de ansiedade, humor deprimido, distúrbios do sono e estresse emocional, sendo que 50% 10
deles preencheriam critérios para um transtorno mental. Dados preliminares sugerem que as enfermeiras seriam as mais afetadas, especialmente aquelas com mais tempo em serviço, com história prévia de transtornos mentais e com pessoas infectadas na família. Por isso, os profissionais do Departamento de Psiquiatria, junto de profissionais da psicologia, da terapia ocupacional, da humanização e de outras áreas da Faculdade de Medicina USP e Complexo do Hospital das Clínicas, estão, nesse momento, atuando na retaguarda de aproximadamente 20 mil profissionais de saúde de nosso Hospital das Clínicas, oferecendo-lhes suporte psicológico e tratamento psiquiátrico, além de realizar orientações e assistência à população.* Diante de tudo que estamos vivendo – e do que ainda iremos viver – vamos todos precisar desenvolver ou aprimorar o que se chama de resiliência, um conceito tomado emprestado da física e que indica a capacidade de uma pessoa passar por situações estressantes sem acumular sequelas emocionais – e, talvez, até sair fortalecida desse processo. Especialistas projetam um cenário de pandemia que deve se manifestar em ondas, e suas cicatrizes devem ser sentidas ainda por um bom tempo. Segundo a norte-americana Laurie Garrett, pesquisadora na Escola de Saúde Pública de Harvard e vencedora do Prêmio Pulitzer de Jornalismo, que previu o impacto do HIV e também o surgimento e a propagação de patógenos mais contagiosos globalmente, devemos ter ainda 36 meses de crise pela frente. Tudo isso afetará a maneira de as pessoas refletirem sobre todo tipo de coisas – reavaliar a importância das viagens, o uso dos transportes de massa, a necessidade de encontros pessoais de negócios e a escolha de ir estudar em outros estados e países, por exemplo. “Essa é a história se desenrolando bem na nossa frente. Acaso ‘voltamos ao normal’ depois do 11 de Setembro? Profissionais de saúde e a população em geral podem encontrar vídeos com material educativo para a promoção de saúde mental no site: <https://bit. ly/2MqTml4>.
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Não. Criamos um normal totalmente novo”, disse Laurie, em entrevista recente. Segundo a jornalista e pesquisadora, no lugar dos detectores de metais instalados nos edifícios, como foi feito após o 11 de Setembro, nos Estados Unidos, a pandemia do novo coronavírus irá trazer uma mudança sísmica em relação às nossas expectativas, ao que suportamos e à maneira como nos adaptamos. Podemos tentar utilizar já agora experiências que trazem lições importantes. Um estudo realizado em Hong Kong durante a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que atingiu a Ásia em 2003, exigindo a tomada de medidas drásticas como as que adotamos agora (limitação do trânsito de pessoas, interrupção de aulas nas escolas e paralisação do comércio), mostrou que as estratégias de adaptação mais bem sucedidas incluíam a aceitação da realidade e a tomada de medidas para contornar os efeitos estressores, além de ver o cenário de uma maneira mais positiva e tentar crescer a partir da situação. De fato, precisaremos todos desenvolver ou aprimorar nossa habilidade de sermos, ao mesmo tempo, firmes e flexíveis, “assim como uma vara de salto em altura, que enverga até o limite sem quebrar e ainda é capaz de acumular energia suficiente para impulsionar uma pessoa para o alto, seis metros além do chão”, para usar uma analogia trazida pelos autores. Contemos uns com os outros. São Paulo, maio de 2020 Referências BRUNI, Frank. Ela previu o coronavírus; o que ela tem a dizer sobre o pós-pandemia? Terra, São Paulo, 7 maio 2020. Disponível em: <https:// bit.ly/3gSU9sT>. Acesso em: 10 maio 2020. WONG, Tai W. et al. The Psychological Impact of Severe Acute Respiratory Syndrome Outbreak on Healthcare Workers in Emergency Departments and How They Cope. European Journal Emergency Medicine, v. 12, n. 1, p. 13-18, fev. 2005.
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Apresentação
QUANDO LANÇAMOS Não é coisa da sua cabeça, em 2012, falar
de depressão, síndrome do pânico ou bipolaridade era um grande tabu. Não que seja fácil hoje expor nossas fragilidades psíquicas e emocionais na mesa de jantar, mas o assunto vem ganhando cada vez mais espaço nas conversas sociais. A ponto de acreditarmos que, agora, é possível ter um título e uma capa que vão direto ao ponto. Do que estamos falando quando falamos de ansiedade, depressão e outros problemas emocionais traz o conteúdo original, elaborado com o cuidado de quem pesquisou o tema por quase um ano e entrevistou cerca de trinta dos maiores especialistas em saúde mental do Brasil, com informações atualizadas. Apresentamos estatísticas de estudos mais recentes, revimos previsões sobre tratamentos e outros temas que haviam sido feitas quase uma década atrás e modernizamos alguns conceitos e explicações. Ajustes no texto foram realizados em benefício da clareza. O teor dos depoimentos apresentados, ao longo dos capítulos, permanece o mesmo. Em termos de estatísticas, podemos dizer que a depressão continua sendo um dos problemas que mais impacta a saúde das populações, ocupando o terceiro lugar entre as doenças que mais tiram anos de vida saudável das pessoas, em todo o mundo. Os transtornos da mente, em geral, são hoje responsáveis por 1 de cada 5 anos vividos com incapacidades. Os estudos mostram que, em geral, a prevalência dos transtornos mentais é relativamente estável, ao longo do tempo. Mas algumas variações aqui e ali podem indicar tendências de mudanças. Os especialistas em epidemiologia, que se dedicam à 13
produção e análise desses dados, vêm constatando, por exemplo, que a depressão está surgindo mais cedo nas novas gerações. Uma possível explicação para essa tendência seria o estilo de vida contemporâneo, marcado pela exposição excessiva a estímulos visuais e sonoros, por meio da tecnologia e do ambiente das grandes cidades, que perturbam a qualidade do sono, desequilibram os hormônios e alteram o metabolismo dos neurônios. Alimentação com muitos componentes artificiais, sedentarismo, falta de exposição à luz solar e consumo excessivo de álcool também podem ter influência. Em relação à estrutura do livro, foram feitas duas alterações principais. O tema do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) saiu do capítulo dedicado aos transtornos de ansiedade e ganhou um capítulo à parte. Isso, porque, em 2013, a mais recente edição da classificação americana de transtornos mentais (DSM-5), adotada internacionalmente, reviu esse diagnóstico, por considerar que ele envolve, além da ansiedade, um quadro mais complexo de sintomas. Optamos também por excluir o capítulo que fazia uma análise sobre a cobertura de atendimento à saúde mental no SUS, uma vez que essas informações requerem atualização constante, ficando datadas com maior facilidade. Dados menos suscetíveis a mudanças, apresentados nesse capítulo, foram incorporados a outras partes do livro. No segundo capítulo, que se dedica a traçar um mapa dos transtornos mentais, indicando os grupos em que esse tipo de problema é mais frequente, dois tópicos foram adicionados. Um deles trata das minorias étnico-raciais, incluindo a questão da saúde mental entre os negros e também entre os refugiados e migrantes recentes que vêm se avolumando em algumas cidades brasileiras. O outro tópico se refere às populações que vivem em situação de vulnerabilidade social, incluindo habitantes de áreas periféricas, moradores de rua e população prisional. 14
As mudanças na classificação internacional dos transtornos mentais trouxeram também outras novidades, algumas delas incorporadas nesta nova edição. Os problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, por exemplo, foram reunidos sob um guarda-chuva único, chamado “transtorno por uso de substâncias”. Além de incluir os antigos diagnósticos de “abuso” e “dependência”, a categoria agora inclui também o comportamento chamado de binge drinking (em bom português, “tomar um porre”), que preocupa muito os especialistas, pois tem grande impacto nos índices de acidentes e violências. E a tensão pré-menstrual (TPM) grave, que atinge cerca de 5% das mulheres, foi oficializada como um tipo de quadro depressivo breve. É o chamado “transtorno disfórico pré-menstrual”. Nesta nova edição, tivemos também a alegria de contar os desdobramentos de pesquisas brasileiras que estavam em estágio inicial, quando o livro foi publicado pela primeira vez. Uma delas, realizada pelo Departamento de Psiquiatria da USP, em conjunto com pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que técnicas da meditação Kundalini Yoga podem ser usadas como tratamento de primeira linha para o TOC. Os efeitos da meditação se mostraram compatíveis com a eficácia de remédios ou terapia. Uma bela notícia para o tratamento de um problema ainda difícil de controlar. Outro estudo, batizado de “Primeiros Laços”, testou a eficácia de se oferecer visitas domiciliares de enfermeiras a adolescentes grávidas de baixa renda, desde a gestação até os dois anos de vida dos bebês. Coordenado pelo Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para a Infância e Adolescência (INPD), na cidade de São Paulo, o estudo tem por objetivo verificar os efeitos dessa intervenção no desenvolvimento infantil e também na relação entre mães e filhos. A metodologia criada, implementada e avaliada por pesquisadores brasileiros, sob a inspiração de programas 15
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