FERNANDO SANTORO é doutor em Filosofia pela UFRJ
com pós-doutorado pela Université Paris-Sorbonne (Paris IV). Professor titular e diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e ex-diretor de programa no Collège International de Philosophie, foi professor visitante na École normale supérieure de Paris e na Oxford Brookes University. É pesquisador colaborador do Centre Léon Robin da Université Paris-Sorbonne e coordenador do Laboratório OUSIA de Estudos em Filosofia Clássica da UFRJ. É autor de vários livros, entre os quais: Arqueologia dos prazeres (Objetiva, 2007) e Filósofos épicos I: fragmentos Xenófanes e Parmênides (Hexis, 2011).
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Dicionário dos intraduzíveis
quisadora emérita com a medalha de ouro do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), nasceu em 1947, em Boulogne-Billancourt, no subúrbio de Paris. Foi aluna de Michel Deguy e de Jean Beaufret no Lycée Condorcet e de Ferdinand Alquié na Sorbonne, onde defendeu, em 1968, sob orientação deste, sua dissertação de mestrado. Em 1969, encontrou Heidegger e René Char no terceiro Seminário de Thor, de cuja organização participou. Nessa época, participou também da tradução de algumas obras de Hannah Arendt. Realizou seu doutorado sob a orientação de Pierre Aubenque, Jean Bollack e Heinz Wismann. A tese, defendida em 1974, deu origem a seu primeiro livro, Se Parmênides, Parmênides, que só viria a ser publicado em 1980. Considerada a mais importante estudiosa da sofística grega na atualidade, construiu, a partir desse estudo, um pensamento filosófico voltado para a diversidade das filosofias em línguas. Vários de seus livros já foram traduzidos no Brasil, entre eles Ensaios sofísticos (Siciliano, 1990), O efeito sofístico (Editora 34, 2005), Se Parmênides (Autêntica, 2015) e Jacques, o Sofista (Autêntica, 2017).
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VOLUME DOIS | Direito, ética e política
BARBARA CASSIN, membro da Academia Francesa e pes-
intraduzível”, escreve Barbara Cassin, “não é o que não é ou não pode ser traduzido, mas antes o que se não cessa de (não) traduzir.” O intraduzível é precisamente aquilo que se traduz de muitas maneiras distintas, revelando em cada tradução a diferença entre as línguas e operando, assim, uma transformação no próprio conceito filosófico. Focalizando menos as similaridades do que as diferenças, observando a heterogeneidade e a equivocação e trabalhando com a pluralidade de lógicas e culturas, culturas, o Dicionário dos intraduzíveis pretende ser uma obra de espírito antropofágico. Em sua versão brasileira, que precisou ingerir a original e pôde fortalecer-se com ela, certas questões filosóficas foram abertas por uma nova sensibilidade periférica. Sobretudo a crítica ao universalismo ocidental, suas formas clássicas, sua política cultural imperial. Os desdobramentos do projeto em curso ganham novos desafios na sua diaspórica trajetória. O mapeamento transnacional e transcontinental de novos verbetes, mais do que revelar o estado múltiplo e transiente das discussões filosóficas internacionais, quase que delineia também um retrato geopolítico da atualidade. Um dos rebentos filosóficos que se abre à tarefa dos historiadores da filosofia é perceber a experiência da tradução em filosofia como um motor que percorre caminhos e deixa marcados os itinerários das ideias.
LUISA BUARQUE é doutora em Filosofia pela UFRJ e professo-
ra associada de Filosofia Antiga no Departamento de Filosofia da PUC-Rio. Foi professora visitante na Södertörn University, na Suécia, e na Universidade NOVA de Lisboa. É pesquisadora colaboradora do Centre Léon Robin da Université ParisSorbonne (Paris IV) e integrante do Laboratório OUSIA de Estudos em Filosofia Clássica da UFRJ. É autora de As armas cômicas: os interlocutores de Platão no Crátilo (Hexis, 2011).
www.autenticaeditora.com.br
ISBN 978-65-5928-163-3
9 786559 281633
Dicionário dos intraduzíveis Um vocabulário das filosofias VOLUME DOIS
Direito, ética e política ORGANIZA
ÇÃO
Barbara Cassin Fernando Santoro Luisa Buarque
DICIONÁRIO DOS INTRADUZÍVEIS: um vocabulário das filosofias é um instrumento indispensável não apenas para
tradutores e especialistas em autores e temas específicos, mas para todos os estudiosos interessados nas questões de filosofia, de linguagem e de humanidades em geral. Traduzido e adaptado do Vocabulaire Européen des Philosophies (VEP) [Vocabulário europeu das filosofias], publicado sob a direção de Barbara Cassin em 2004, trata-se de uma obra que também pode ser lida como um grande ensaio sobre diversas filosofias, tal como podem ser feitas em línguas e através delas, explorando as transferências de ideias lá onde as palavras e expressões mostram sua diversidade não como um obstáculo, mas como um dispositivo criativo para o pensamento. Ele é muito diferente de um dicionário de conceitos filosóficos, ainda que se sirva de definições e busque explicações conceituais para os termos que aborda. Ele se interessa justamente por onde falha a universalidade do conceito, e este não pode ser simplesmente vertido em outra língua por um único termo equivalente. Nesses lugares, o Dicionário busca explicitar os pontos de variação e incompletude, sobretudo onde os termos e as expressões podem gerar equívocos de uma língua a outra e em que efetivamente geraram ao longo das transmissões e tradições de obras filosóficas. Os dicionários dos intraduzíveis, traduções e adaptações do original francês, foram efetivamente para além das nações e das línguas europeias: atualmente o VEP já foi traduzido e adaptado para ucraniano, romeno, inglês, árabe, russo, espanhol e português. Prepara-se uma edição em italiano e o terceiro volume em português, além de estudos para a sua tradução em chinês, japonês e hebraico. Diversas línguas que eram ausentes da edição original foram incorporadas, ampliando o conteúdo e o número de verbetes em cada nova edição. Este segundo volume do Dicionário brasileiro, debruça-se sobre os campos da ética, da política e do direito. As entradas ligadas a tais áreas foram selecionadas e traduzidas do original francês e, em alguns casos, das versões estadunidense e marroquina. Além disso, foram produzidos especialmente para este volume verbetes, quadros e comentários críticos originais. O resultado poderá ser apreciado por todas as pessoas interessadas em tradução, mas também nas questões de língua em geral, bem como nas filosofias do direito, da ética e da política – ou simplesmente nas filosofias e no seu amor pelo saber das palavras.