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Diante da manta do soldado

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Foto: Franck Ferville

Prêmio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa Prêmio Máxima de Literatura Prêmio de Ficção do PEN Clube Prêmio Jean Monnet de Literatura Europeia

Lídia Jorge nasceu em 1946, em Bo-

liqueime, no Algarve, Portugal. Em 1970, partiu para a África (Angola e Moçambique), onde viveu os mais conturbados anos da Guerra Colonial. No regresso a Lisboa, dedicou-se à escrita e, em 1980, publicou o seu primeiro romance, O dia dos prodígios, prodígios, um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pósrevolução. Desde então, sua vasta obra composta por romances, contos e ensaios acumulou reconhecimentos, prêmios e está amplamente traduzida. Em 2025, foi condecorada pelo governo francês com a insígnia de Commandeur des Arts et des Lettres, Lettres, uma das mais altas distinções culturais da França. Lídia Jorge é uma das principais vozes da literatura contemporânea portuguesa.

“Talvez o tivessem mantido ali como uma oferta, uma sugestão ou um desafio, para que ela corresse um risco, ou todos o corressem em simultâneo, para que houvesse uma omissão, um desaparecimento, uma mudança fulgurante e inesperada. Tinham deixado o revólver de Walter Dias sob o seu corpo, para que todos corressem o perigo, o desejo incontido da tragédia que existe no seio de cada família.” “Diante da manta do soldado reúne o melhor da escrita de Lídia Jorge, aliás, quase o melhor da cultura portuguesa, sempre determinada a preservar o passado, talvez com nostalgia, mas também a conquistar o futuro [...]. A prosa lírica de Lídia Jorge, ao mesmo tempo suave e brutal, aqui atinge uma beleza invulgar. Este é certamente um dos melhores romances portugueses contemporâneos.” – El País Leia também:

ISBN 978-65-5928-579-2

9 786559 285792

Lídia Jorge Diante da manta do soldado

Prêmio Dom Dinis da Fundação da Casa Mateus

Da mesma autora de Misericórdia

Lídia Jorge

Diante da manta do soldado

Numa antiga casa portuguesa, onde o tempo parece ter se entranhado nas paredes e nos silêncios, uma mulher revisita o passado em busca das peças que compõem sua história. À medida que recordações se impõem – vívidas, difusas, contraditórias –, ela narra aquilo que não pôde ser dito: a herança de uma infância envolta em ausências, duplicidades e segredos familiares. Francisco Dias, patriarca de Valmares, é o guardião de um mundo rural em desintegração. Enquanto os filhos partem em busca de destinos próprios, ele permanece – comprando ruínas, sonhando lavouras, apostando numa ideia de família que resista à erosão do tempo. No centro dessa tessitura está Walter Dias – trotamundos, artista de pássaros, homem de muitas margens e poucos retornos. Sua figura fascinante e fragmentada permeia o romance como um fantasma de possibilidades não vividas. Ao tentar dar forma à memória desse pai, a narradora enfrenta não apenas o silêncio dos outros, mas a clandestinidade de sua própria identidade. Publicado originalmente em Portugal como O vale da paixão, paixão, este romance consagra Lídia Jorge como uma das grandes narradoras do nosso idioma. Sua atmosfera de interditos familiares e tensões subterrâneas faz ressoar, a seu modo, a Crônica da casa assassinada, assassinada, de Lúcio Cardoso. Estamos diante de uma obra de rara potência literária sobre o exílio dentro da própria casa – e o gesto de narrar como forma de pertencimento e resistência.


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