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Diálogos sem fronteira

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Sandra Pereira Tosta Gilmar Rocha Organizadores

Diálogos sem fronteira História, etnografia e educação em culturas ibero-americanas


Copyright © 2014 Os organizadores Copyright © 2014 Autêntica Editora Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

EDITORA RESPONSÁVEL

Rejane Dias EDITORA ASSISTENTE

Cecília Martins REVISÃO DOS TEXTOS EM PORTUGUÊS

Aline Sobreira REVISÃO DOS TEXTOS EM ESPANHOL

Fabiana Amorim CAPA

Alberto Bittencourt (sobre imagem de Flashworks/IstockPhoto) DIAGRAMAÇÃO

Christiane Morais

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Diálogos sem fronteira : história, etnografia e educação em culturas ibero-americanas / organizadores Sandra Pereira Tosta, Gilmar Rocha. -- 1. ed. -- Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2014. Bibliografia. ISBN 978-85-8217-485-2 1. Antropologia educacional 2. Cultura 3. Educação multicultural 4. Etnografia educacional 5. Países Ibero-americanos - Cultura I. Tosta, Sandra Pereira. II. Rocha, Gilmar. 14-09888

CDD-306.43

Índices para catálogo sistemático: 1. Antropologia educacional 306.43

GRUPO AUTÊNTICA Belo Horizonte Rua Aimorés, 981, 8º andar . Funcionários 30140-071 . Belo Horizonte . MG Tel.: (55 31) 3214-5700 Televendas: 0800 283 13 22 www.grupoautentica.com.br

São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I . 23º andar, Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 . São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034-4468


Sumário

7 Apresentação Sandra Pereira Tosta Gilmar Rocha PARTE I – ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO – CONSTRUINDO INTERFACES 13 La investigación educativa etnográfica en el DIE: una tradición en evolución Gabriela Naranjo Flores 31 Antropologia da educação, teoria e metodologia: o contexto português Ricardo Vieira PARTE II – ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO EM PERSPECTIVA COMPARADA 51 El campo de la antropología y la educación en la Argentina: problemáticas y contextos María Rosa Neufeld 73 Etnografia para a América Latina: um outro olhar sobre a escola no Brasil Sandra Pereira Tosta PARTE III – QUANDO O CAMPO É A EDUCAÇÃO 105 Cultura popular e educação na América Latina: um olhar muitos anos depois Carlos Rodrigues Brandão 131 “Discutindo a relação”: antropologia e educação a partir de uma experiência de ensino, pesquisa e orientação Tania Dauster


149 A reeducação do antropólogo: a pedagogia da antropologia Marco Antônio Gonçalves PARTE IV – O COTIDIANO COMO MÉTODO 167 A caminho da escola: reflexões sobre o cotidiano como método Gilmar Rocha 189 Cotidiano e cotidiano escolar: chaves para pesquisas sobre jovens e escola Carla Linhares Maia 205 Um (possível) campo de pesquisa: aprender a cultura Ana Maria Gomes 221 Aportes finais de um debate em aberto Neusa M. M. de Gusmão 229 Os autores


Apresentação Sandra Pereira Tosta Gilmar Rocha

Os anos 1980 podem ser vistos como um marco histórico no processo de aproximação da antropologia com a educação, muito embora as raízes dessa relação possam ser localizadas em período mais distante. É suficiente lembrar o caso exemplar de Margaret Mead (1901-1978), que a partir dos anos 1920 realiza vários estudos etnográficos junto a diversas sociedades tradicionais, tendo a educação como objeto privilegiado de suas investigações antropológicas. Outra possibilidade, visando ampliar e aprofundar o escopo dessa relação, é o entendimento de que a educação consiste em um fenômeno histórico e cultural mais amplo e complexo que aquele reservado ao espaço da escola. A verdade é que um vasto e diversificado leque de situações e experiências – que envolvem desde os processos de transmissão cultural e de formação da pessoa nas chamadas sociedades primitivas, tal como apresentado nos estudos clássicos da antropologia, até estudos contemporâneos em torno dos museus e/ou das manifestações culturais populares sobre educação patrimonial – entra no campo de visão dos cientistas sociais. É dentro desse quadro de possibilidades que se situa a experiência do Departamento de Investigaciones Educacionales (DIE), do Centro de Investigaciones y Estúdios Avanzados (Cinvestav), do Instituto Politécnico Nacional do México. Criado nos idos de 1970, o DIE reuniu um importante grupo de pesquisadores interessados em discutir, avaliar e elaborar projetos para a educação naquele país. Não demorou muito para que a proposta teórico-metodológica do DIE e, principalmente, os nomes de Elsie Rockwell e Justa Ezpeleta ganhassem projeção em outros países da América. No Brasil, as ideias do DIE exerceram um efeito particular no campo da educação, em especial, nos trabalhos de pós-graduação dessa área. 7


Contudo, muitas vezes a sedução político-ideológica do DIE, com seu discurso marcado pela tradição marxista, acabou ofuscando o processo de reflexividade epistemológica que esse mesmo discurso demandava aos pesquisadores da educação. Mas nem por isso a apropriação das ideias e práticas do DIE nas análises dos educadores deixaram de apontar a importância, por exemplo, da relação da escola com seu entorno, do papel da família e de outras instituições na cultura escolar, mirando sempre o cotidiano escolar como possibilidade de contribuir com as mudanças sociais. Essa foi a motivação para que a equipe do Grupo de Estudos em Educação e Culturas (EDUC),1 do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), iniciasse, ainda em 2005, uma investigação sobre Os usos da etnografia na pesquisa educacional, que, entre os anos 2008 e 2012, foi desdobrada no projeto Etnografia para a América Latina: um outro olhar sobre a escola no Brasil e na Argentina, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIP) da PUC Minas. O objetivo: investigar o alcance das ideias do DIE no Brasil e na Argentina, na produção da pesquisa em educação no primeiro, e no segundo, a pesquisa em antropologia da educação. Um dos resultados dessa investigação é a publicação deste livro, que contém os textos, alguns deles reelaborados a posteriori, apresentados durante o workshop Diálogos Ibero-Americanos sobre a Etnografia na Educação, realizado nos dias 22 e 23 de setembro de 2011, nas dependências da PUC Minas. O encontro contou com a participação de pesquisadores do México, da Argentina e do Brasil. O Prof. Dr. Ricardo Vieira, nosso convidado de Portugal, não pode comparecer, mas nem por isso deixou de estar presente através de videoconferência realizada na ocasião. Aproveitamos, neste momento, para agradecer a todos os participantes do workshop, que tanto contribuíram para o sucesso do evento naquele momento e, posteriormente, enviando-nos seus textos para esta publicação. Em especial, agradecemos ainda à professora Neusa Gusmão, que, mesmo não tendo participado desse encontro, aceitou, generosamente, o convite de comentar os textos reunidos nesta coletânea. 1

A equipe do EDUC conta com pesquisadores da PUC Minas e de outras instituições e com estudantes de graduação do Instituto de Ciências Humanas, como bolsistas de iniciação científica, sem os quais as pesquisas e o workshop não seriam realizados. A todos eles, nosso afeto e sincero reconhecimento pelo trabalho partilhado.

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Entre outras razões, a importância desse evento reside no fato de ter possibilitado o encontro de gerações, reunindo pesquisadores pioneiros na interface da antropologia com a educação, dentre os quais destacamos María Rosa Neufeld, da Argentina, e Tania Dauster, do Brasil, além de Carlos Rodrigues Brandão, o mestre de toda uma geração de pesquisadores, a quem prestamos nossa homenagem, pelo que representa para antropólogos, educadores, sociólogos e muitos outros pesquisadores da cultura no Brasil e na América Latina. Não menos importantes foram as participações de Gabriela Naranjo Flores, pesquisadora do DIE, no México, e dos professores Marco Antônio Gonçalves, do Rio de Janeiro, e Carla Linhares Maia e Ana Maria Gomes, de Minas Gerais. Uma vez mais, a todos, nossos sinceros agradecimentos. Antes de encerrarmos esta breve apresentação, gostaríamos de destacar dois pontos que nos parecem convergentes no conjunto de textos em foco. O primeiro diz respeito à importância da etnografia no curso das investigações da antropologia com a educação. Mais que somente um instrumento metodológico, a etnografia tem possibilitado um profundo e significativo processo de reflexão epistemológica na produção do conhecimento antropológico referente à educação. O segundo se refere ao papel da história na compreensão tanto das relações da antropologia com a educação quanto da dimensão política na constituição dessa relação. No caso da América Latina, não se pode perder de vista que a constituição da antropologia e da educação está inscrita em períodos históricos muito datados. Nesse sentido, a história não deve ser vista somente como pano de fundo na apresentação do processo de interação entre a antropologia e a história na América Latina, mas também como elemento fundamental na composição da etnografia educacional desenvolvida a partir de então. Como nos lembra Mariza Peirano em A favor da etnografia, a história alimenta a etnografia, e o resultado, entre outros, é permitir o próprio desenvolvimento teórico-metodológico e disciplinar da antropologia, em nosso caso, visando a sua aproximação com o campo da educação. Desejamos que este livro seja um estímulo para muitos estudiosos e pesquisadores que buscam estreitar os laços e as relações, muitas vezes tensas, entre a antropologia e a educação. Esperamos ainda, com essa iniciativa, contribuir para diminuir a distância intra e intercontinental que separa, por vezes, as culturas ibero-americanas.

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