Foto: Igor de Melo
Cami di Malta nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1992. É pós-graduada em Escrita Criativa pela Universidade de Fortaleza (Unifor), onde começou a escrever este Cor de Defunto, seu primeiro romance. Depois de viver em cinco países, hoje divide residência entre Brasil, Malta e Indonésia, atuando como escritora e tradutora.
“Coisa rara esta obra literária. Cor de Defunto prega na nossa cara. E vai fundo em tudo que é alma-gambiarra.” Marcelino Freire
“Uma voz original, ágil e de honestidade desconcertante nos conta a vida de uma mulher e os desamparos do seu mundo. Relembra o passado recente, refaz seus passos, ri de tudo que é possível. E, de vez em quando, nos deixa de joelhos diante de tanta dor – para nos fazer rir de novo no parágrafo seguinte. Ela trabalha em uma funerária, discreta e sóbria. Observa com profundidade todas as nuances da morte enquanto mastiga balas de iogurte. Na sua voz há uma cadela de seis dedos, um luto profundo, cadáveres, uma cantora cega, maquiagem após a morte, um espírito chamado Sérgio, centopeias e a cor amarela derramada por tudo. Na sua estreia literária, Cami di Malta nos conta uma história brasileira, contemporânea e assume seu lugar na constelação das melhores jovens autoras de seu tempo.” Socorro Acioli ISBN 978-65-5928-669-0
9 786559 286690
Cor de Defunto
Marcelino Freire
Narrado por uma voz única, de humor afiado, este romance faz do cotidiano um espaço de invenção. Aqui, vida e morte se iluminam em aproximações inesperadas, entre o riso e o espanto, no compasso de quem segue adiante.
Cami di Malta
bem-humoradamente me derrubando e me levando. Até o fim. Eu na companhia dos meus (nossos) fantasmas. Coisa rara esta obra literária. Cor de Defunto prega na nossa cara. E vai fundo em tudo que é alma-gambiarra. “Mainha nunca foi o que devia ser e transformou nossa casa em sucata, todas nós inventando outras funcionalidades de si pra coexistir.” O que fazer? A boa literatura não dá a receita. Espera a vida (tadinha) minimamente responder.
Cami di Malta
Cor de Defunto
“Quando Mainha morreu, eu fiz um pudim.” Porra! A primeira frase deste livro é matadora. E segue matando. A receita é deixar ir. A leitura das boas histórias é mesmo assim. Dá-se aos poucos. Uma esquina, outra. Cada página um corpo. Escrever e ler são exercícios corporais. De concentração e respiração. Cami di Malta tem voz e oxigênio. A autora, em sua estreia, afiada e ágil nos saltos mortais de pensamento, usa o que eu chamo de “técnica de sobrevivência”. Escrever é sobreviver ao livro. E ler também. Em ambos os casos a gente ressuscita melhor lá do outro lado. Depois de feita a viagem. E que viagem! Acompanhamos, solitários e solidários, a história de uma filha e da morte da mãe da filha. E de outras mortes que a protagonista testemunha na funerária em que trabalha. Mas também dentro de casa: tanta coisa em nossa memória insepulta. Uma dor mal curada. Um pai pulha. Restos de sardinha na pia. Nas unhas esmalte craquelado. Fedores fedidos para todos os lados. Ave nossa! Li (e ri) a todo tempo apavorado. Reconheci fogos-fátuos queimando em outros quintais. Ouvi gemidos familiares. Rezas. Incelências. Oralidades. Em um ritmo que foi, repito,