Jacuba é gambiarra A jacuba is a gambiarra Sabrina Sedlmayer
EDIÇÃO BILÍNGUE
Sabrina Sedlmayer
Jacuba é gambiarra A jacuba is a gambiarra
v e r sã o pa r a o i n g lê s :
Rodrigo Seabra
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to Ricardo Malafaia Because there is in us, as much as we accomplish To be ourselves alone with no nostalgia, A longing for company — The friend whom, as he talks, we love. (Så-Carneiro, Fernando Pessoa)
para Ricardo Malafaia Porque há em nós, por mais que consigamos Ser nós mesmos a sós sem nostalgia, Um desejo de termos companhia — O amigo como esse que a falar amamos. (Sá-Carneiro, Fernando Pessoa)
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THANKS
To these four groups that help me collect my thoughts: Núcleo de Pesquisa SAL – Sobre Alimentos e Literaturas Léxico Brasil-Europa (UFMG/UNIBO) [Grupo de] Pesquisas para uma redefinição do literário NWB: Núcleo Walter Benjamin
AG R A DE CI M E N TO S
Aos quatro agrupamentos que me ajudam a enfeixar o pensamento: Núcleo de Pesquisa SAL – Sobre Alimentos e Literaturas Léxico Brasil-Europa (UFMG/UNIBO) [Grupo de] Pesquisas para uma redefinição do literário NWB: Núcleo Walter Benjamin
In everyday Brazilian Portuguese, the word jacuba can be used either as a reference to a sort of recipe that changes according to regional culture and the circumstances or to name, derogatively, a simple dish, one that involves little technical difficulty and a certain amount of improvisation, and that is made when one is faced with a scarcity of ingredients and proper conditions for preparation. The character Riobaldo, in the book Grande sertão: veredas (published in English as The devil to pay in the backlands), brings up this mushy food in several moments of his journey: “[That day,] my fast had been broken only by a drink of jacuba.” As we soon come to realize, this is not a complete meal, only something used when the situation demands so, to postpone satiety, a sort of imitation that fools hunger. In that same language, the word gambiarra, amongst other important meanings, is used to name a main power line that branches out to feed light bulbs. An engineer or a technician would use the expression “quadro de gambiarras” to name the provisional distribution board in a worksite. Theater glossaries describe gambiarra as the stick (known as a batten in English) situated above the proscenium or even above the audience, a few feet above the stage, that holds the light spots, either white or colored, that are used to light then scene frontally. Using this meaning, Euclides da Cunha uses the word figuratively in Os sertões (published in English as Rebellion in the backlands): “In their eyes, the scene before them – real, concrete, inescapable – was a stupendous bit of fiction which was being acted out on that rude stage to the sinister glow of leaping flames [of a gambiarra]” (originally in Cunha, 1993, p. 554). In everyday use, the word refers to improvised solutions to problems, usually of a precarious and provisional nature, the way an English-speaker would use the word “makeshift.” In terms of etymology, the word jacuba was registered by Luiz Caldas Tibiriçá in his Dicionário tupi-português – com esboço de gramática de tupi antigo with the meaning of a drink prepared with water, flour and sugar. It is also used as such in Os sertões: 12
No uso popular do português brasileiro, o termo “ jacuba” pode tanto se referir a uma receita que se altera de acordo com a cultura regional e a contingência como também designar, de modo pejorativo, um prato simples, de pouca elaboração técnica e certa dose de improviso, diante da escassez de ingredientes e das condições usuais de preparo. Riobaldo, em Grande sertão: veredas, evoca tal alimento em vários momentos da sua travessia: “Naquele dia eu estava de jejum quebrado só com uma jacuba”. Como logo se percebe, não se trata de refeição completa, mas de algo utilizado emergencialmente para adiar a saciedade, espécie de arremedo para enganar a fome. Nessa mesma língua, a palavra “gambiarra” denomina, entre outros importantes sentidos, uma linha mestra de eletricidade com diferentes ramificações que alimentam lâmpadas. Um engenheiro ou técnico denomina de “quadro de gambiarras” a organização elétrica dos fornecimentos de energia dentro de uma obra qualquer. Os glossários de Teatro descrevem o termo como a vara situada acima do arco do proscênio, ou no teto da plateia, a alguns metros de distância do palco, com refletores paralelos, de luz branca ou colorida, usados para a iluminação frontal da cena. Nessa acepção do termo, Euclides da Cunha faz uso figurado em Os sertões: “A cena – real, concreta, iniludível – aparecialhes aos olhos como se fora uma ficção estupenda, naquele palco revolto, no resplendor sinistro de uma gambiarra de incêndio” (Cunha, 1993, p. 554). No cotidiano, o termo se refere a soluções improvisadas de problemas, em geral precárias e provisórias. No campo etimológico, a palavra “ jacuba” está registrada por Luiz Caldas Tibiriçá, no Dicionário tupi-português – com esboço de gramática de tupi antigo, significando bebida preparada com água, farinha e açúcar. Nesse sentido é empregada também em Os sertões: 13
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