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Fazendo meu filme 10 anos – Os bastidores da história da Fani (Inclui Pôsteres)

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TUDO SOB RE A SÉRIE DA UTORA B A EST-SELLER

PAULA PIMENTA

OS BASTIDORES DA HISTÓRIA DA FANI


Copyright © 2018 Paula Pimenta Copyright © 2018 Editora Gutenberg Todos os direitos reservados à Editora Gutenberg. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. Todas as marcas e logotipos representados nesta obra são propriedade exclusiva de seus respectivos detentores.

editoras responsáveis

Rejane Dias Silvia Tocci Masini edição geral

Andresa Vidal Vilchenski Carol Christo projeto gráfico e diagramação

Diogo Droschi revisão

Cecília Martins Júlia Sousa Samira Vilela

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Pimenta, Paula Fazendo meu filme 10 anos : os bastidores da história da Fani / Paula Pimenta. – 1. ed. – Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2018.

ISBN: 978-85-8235-508-4

1. Ficção brasileira 2. Literatura juvenil I. Título.

18-18000 CDD-869.3 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura brasileira 869.3 IOLANDA RODRIGUES BIODE - BIBLIOTECÁRIA - CRB-8/10014

A GUTENBERG É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA

São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2310 -2312. Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.editoragutenberg.com.br

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Aos meus primeiros leitores, aqueles que leram Fazendo meu filme na 1ª edição. Obrigada por me acompanharem desde o comecinho! E a todos vocês que vieram depois e que fazem de mim a escritora mais feliz do mundo!


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Agradecimentos

NORMALMENTE,

nos meus livros, agradeço às pessoas que foram importantes de alguma forma para a produção daquela história. Mas, neste volume especial, tenho que fazer mais que isso. Preciso dizer obrigada a todos que vieram comigo durante esses 10 anos! E foi muita gente... Em primeiro lugar, meus pais. Sem eles eu não seria quem sou. Foram eles que me mostraram que os meus sonhos não precisavam de limites. Que eu podia realizar cada um deles, que não precisava ter medo de voltar atrás e tentar de novo quantas vezes precisasse. Sem o apoio deles, eu não teria mudado tanto de profissão até realmente me encontrar na escrita. Sem a torcida deles, eu não teria entendido que, mesmo que o mundo pareça estar contra a gente, sempre tem alguém que está ali do lado, segurando a nossa mão e dizendo que vai dar tudo certo. Obrigada por sempre terem segurado a minha mão e continuarem segurando até hoje! Vocês são os melhores pais do mundo (e sim, mamãe, você não tem nada a ver com a mãe da Fani!). Meu irmão. Que é tão importante na minha vida, que até virou personagem das histórias, com sua banda No Voice! Que criou a música “Linda”, que é tão marcante para a Fani e o Leo. Que está sempre ao meu lado, me protegendo, me acompanhando nas viagens e enchendo a minha vida de trilha sonora! Kiko. Que mudou a minha vida inteira depois que apareceu. Que me ensinou a ser menos impulsiva (ou a pelo menos controlar um pouco a impulsividade), que continua me surpreendendo dia após dia com sua bondade e que provou que os finais felizes dos meus livros também existem na vida real... Te amo mais a cada página da nossa história! Elisa e Aninha, por toda a disponibilidade para lerem capítulo por capítulo dos meus livros à medida que são escritos e por me deixarem estudar a expressão facial de vocês enquanto fazem isso!

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A toda minha família. Sou muito sortuda por ter familiares tão próximos, que também são meus amigos. Obrigada pelo apoio e pelos aplausos desde os meus primeiros poeminhas aos seis anos de idade! Renata, pela parceria no primeiro livro, por ser a melhor revisora com esses olhos biônicos que enxergam até o que ninguém vê, e especialmente pela amizade eterna! Dani, Fafá e todos os meus amigos de adolescência. Por transformarem o que muitos dizem ser uma fase chata na melhor da minha existência! Se eu tivesse uma máquina do tempo, gostaria de voltar exatamente para o ensino médio... para dizer a vocês o quanto a nossa vida era incrível, capaz de inspirar uma série inteira de livros! Angela Botelho. Por ter me “obrigado” a mostrar meu livro para uma editora, em vez de publicá-lo de forma independente. Sem você, nada disso teria acontecido. Vou te agradecer pra sempre! Pessoal do Grupo Autêntica. Nem tenho como agradecer pelo carinho com os meus livros desde o início, por satisfazerem meus caprichos perfeccionistas, por estarem sempre ao meu lado. Acho que precisaria de um livro inteiro para agradecer a cada um de vocês! E, por último, não poderia esquecer os meus leitores, meus companheiros de caminhada! Tudo isso sempre foi por vocês! Obrigada pelo carinho, pelos sorrisos, pelas lágrimas, pelas cartinhas e pelos presentes, pelas broncas (quando demoro a publicar a continuação de uma história) e pela amizade que eu acabei construindo com vários de vocês! Sem isso, os últimos 10 anos não teriam o menor sentido... E que venham os próximos! Paula Pimenta

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A SÉRIE


Vamos comemorar!

A cronologia da série

O Grupo Autêntica se orgulha de ser a casa da série brasileira de livros juvenis mais amada da última década: Fazendo meu Filme, lançada em 2008 pelo selo Gutenberg. Os livros dessa escritora mineira, de Belo Horizonte, já venderam mais de 1,3 milhão de exemplares, além de terem sido traduzidos e publicados em Portugal, na Espanha e na América Latina. Mas o número que mais nos emociona é o da quantidade de jovens leitores que passaram a amar a literatura depois que tiveram contato com o universo criado por Paula Pimenta em torno de Fani, Leo e seus amigos. Filas com mais de 500 jovens desejosos de conhecer a autora de sua história favorita se repetem até hoje em todos os lugares por onde Paula Pimenta passa, tanto que a imprensa a considerou um dos 100 brasileiros mais influentes de 2012. Em 2018, a série Fazendo meu Filme completa 10 anos – a primeira sessão de autógrafos do primeiro volume aconteceu em 23 de setembro de 2008 –, e, para comemorar, nada mais justo e encantador do que reunir histórias e curiosidades sobre esses livros que continuam conquistando o carinho e a admiração de milhares de leitores pelo Brasil e pelo mundo. Com a Fani, aprendemos que nenhum filme é melhor do que a própria vida, mas que a vida também não tem graça nenhuma sem a ficção para recriá-la todos os dias. Agradecemos a Paula Pimenta e a sua família pela confiança que sempre depositaram na nossa equipe; agradecemos pelo afeto, pela amizade, pela alegria e por todas as coisas boas que essa parceria tem nos trazido. Agradecemos, sobretudo, pela dedicação da Paula a esse trabalho cuidadoso com a escrita, de construção incessante, e pela disponibilidade para com seus leitores e leitoras. Nós, do Grupo Autêntica, crescemos junto com a Paula e com a turma da Fani, e nos tornamos uma grande família. Rejane Dias Editora

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2008 Fazendo meu filme 1

2009 Fazendo meu filme 2

2010 Fazendo meu filme 3

2012 Fazendo meu filme 4

2013

2014

2015

2016

2018

Diário da Fani

Fazendo meu filme Volume único Edição comemorativa de 5 anos

Fazendo meu filme em quadrinhos Volume 1

Fazendo meu filme em quadrinhos Volume 2

Fazendo meu filme em quadrinhos Volume 3

Fazendo meu filme 10 anos

Shooting My Life’s Script Versão em inglês


Ainda não conhece Fazendo meu filme? Leia os primeiros capítulos!

1 Cher: Não quero trair minha geração, mas não entendo a moda dos garotos de hoje. Parece que caíram da cama, puseram calças largonas e cobriram o cabelo sujo com um boné ao contrário. E se julgam irresistíveis? Eu não acho. (As patricinhas de Beverly Hills)

Começou a chover de novo. Pelo menos isso. Enquanto o tempo estiver ruim, eu não preciso sair. Não sei quem sancionou essa lei de que meninas de 16 anos são obrigadas a sair todos os dias do final de semana. Se eu estou a fim de ficar em casa, com meus DVDs, meus livros ou simplesmente fazendo nada, a minha família já pergunta se eu estou doente. Pior do que isso. Passam-se cinco minutos e as minhas amigas começam a aparecer ou telefonar, como se o fato de eu ter dito que queria ficar em casa tivesse sido uma espécie de brincadeira. Eu me pergunto: sair para quê? Para ver sempre as mesmas caras? Para brincar de espelho, já que todas as pessoas se vestem absolutamente iguais, como se fosse uma espécie de uniforme social? Engraçado é que essas mesmas pessoas fazem abaixo-assinado na escola para que possamos ir com roupas informais... Se eu fosse a diretora, concordaria. Pelo menos as meninas não depredariam mais o uniforme, cortando as mangas para ficarem com as “asinhas de fora” (essa foi a

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minha mãe que falou, tive que concordar com ela!), e os meninos parariam de levar suspensão por aparecerem na aula de chinelo. Oh, oh. Tenho que atender ao telefone. Minha mãe está berrando daquele jeito dela que separa e prolonga sílaba por sílaba do meu nome: “Eeees-teeefââââââ-niaaaaa...”. Argh. Como se não bastasse esse nome esquisito que me colocaram, ainda tenho que ouvi-lo gritado! Quantas vezes tenho que repetir? Meu nome é FANI! F-A-N-I. E eu finjo que não é comigo quando me chamam de Estefânia. Eu só vou atender dessa vez para que o resto do mundo que ainda não ouviu o berro da minha mãe não descubra que por trás da Fani existe um nome estranho desses...

2 Fada Madrinha: Mas, como nos sonhos, receio que não possa durar muito. Dançará até meia-noite. Cinderela: Meia-noite? Oh, obrigada! Fada Madrinha: Oh, não, preste atenção, meu bem : ao soar das doze, a magia cessará e tudo o que era antes voltará. (Cinderela)

Obrigada, horário de verão! Normalmente eu não gosto do marco inicial desse horário, já que somos obrigados a adiantar o relógio e com isso ganhamos um dia de apenas vinte e três horas. Mas, desta vez, eu achei pouco e bom. Mais cedo, no telefone, era obviamente a Natália. Eu gosto muito da Natália, a gente é amiga desde criança e tal, mas, sinceramente, de uns tempos pra cá, parece que estamos andando em direções opostas. Claro que, como sempre, ela estava completamente ensandecida de vontade de sair, especialmente por causa do fim de semana prolongado, já que o nosso colégio emendou o feriado de 12 de outubro. Não entendo como ela consegue... A gente foi quarta ao aniversário da Júlia, na quinta ao cinema assistir a O jardineiro fiel (dou três estrelinhas), na sexta fomos ao ensaio da banda do irmão do Rodrigo e, ontem, todas as pessoas de Belo Horizonte que não viajaram (ou seja: a Natália, o Rodrigo e a Priscila)

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vieram para cá ver DVD. Caramba! Será que ela não sente falta de ficar em casa fazendo nada, não? Tá, eu não sou antissocial, nem tenho nenhum desses desvios comportamentais de que a Veja vive falando, mas tem hora que sair cansa, né? Enche o saco essa coisa toda de ter que colocar roupa (tomando o cuidado de não repetir a mesma por, pelo menos, três semanas), maquiagem, pedir dinheiro para o pai, ouvir sermão sobre os perigos existentes no mundo atual, encontrar as mesmas pessoas que eu vejo todos os dias, ter que ficar fazendo carinha boa para não ter que aturar a todo minuto alguém vindo perguntar o motivo da minha braveza... Ufa. Prefiro sinceramente ficar no meu quarto, meu castelinho encantado, com meus livros, DVDs, computador... E foi isso que eu tentei explicar pela centésima vez para a Natália quando ela tentou me convencer a sair de novo essa noite. O Sr. Gil é daqueles pais chatos, liga para o meu pai a cada saída dela para perguntar se eu fui também. Será que ele está achando que nós somos gêmeas siamesas? Que uma só pode ir aonde a outra for? Deixa eu te contar uma coisa, Sr. Gil, não é assim, não, viu? O tempo da escravidão já passou, se você quiser me contratar para ser dama de companhia da sua filha, pode ir abrindo a carteira. Cinquenta reais por hora, porque só assim pra dar conta do pique da Natália! Só que eu acho que, se eu dependesse disso pra ganhar dinheiro, podia desistir. A própria Natália tem argumentos bem mais fortes. Em primeiro lugar, a voz fininha dela... À primeira vista todo mundo acha delicadinha, mas, depois de uns dez minutos, dá vontade de apertar o “stop”, já que é tão aguda, que a impressão que passa é que vai furar o nosso ouvido! Como se não bastasse, a Natália é filha única. Isso significa que nunca teve um irmão que se recusasse a emprestar qualquer coisa para ela, e com isso ela não desenvolveu a capacidade de aceitar um não. Como esperado, ela veio com toda a ladainha à qual eu já estou mais do que acostumada: “Amanhã é feriado, a gente pode dormir até tarde...”, ela disse com a tal vozinha que, a cada segundo, afina mais. Eu lembrei a ela que o meu irmão, com certeza, iria aparecer bem cedinho na minha casa junto com os meus três sobrinhos e que a diversão preferida deles é brincar de acordar a Tia Fani. Aí ela disse: “Mas ontem você já ficou na sua casa, todos nós ficamos aí com você vendo DVD, ficar todo dia dentro de casa envelhece...”. Eu nem tive tempo de responder, e ela continuou: “Se você não for, eu vou ter que mentir para o meu pai, você vai ter que pedir para o seu pai mentir também, e você não vai querer incentivar toda essa mentirada, vai?”. Como se o meu pai fosse mesmo mentir por causa dela. Quando eu neguei e rebati cada um dos argumentos, ela começou a chantagem: “Tudo bem, tá?

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Aposto que, se eu pedisse para a Júlia, ela iria comigo... Mas eu não quero ir com ela, eu prefiro ir com você...”. Eu disse a ela que a Júlia tinha viajado para a casa dos avós no interior e que era por esse motivo que ela preferia ir comigo... Aí ela apelou: “Fani! Eu estou tendo uma premonição! Tenho certeza de que o amor da sua vida vai estar lá e você vai perder a chance de conhecê-lo! Depois vai passar a vida inteira solteirona e solitária, só porque não quis sair comigo esta única noite!”. Eu lembrei a ela que “esta única noite” foi a mesma coisa que ela falou nas últimas 78 vezes que tentou me convencer a sair, que essa era a 79ª vez que ela dizia que esta noite ia ser única e que, se o amor da minha vida estivesse em um bar desses, com certeza ele não seria o amor da minha vida. O verdadeiro amor da minha vida naquele momento deveria estar em casa, lendo, ou quem sabe aproveitando a véspera do feriado para fazer alguma pesquisa importante na internet ou nas enciclopédias que ele deve ter... Quando ela sacou que eu estava falando realmente sério e que não estava a fim de sair, ela resolveu barganhar. “Eu pago o táxi sozinha”, ela disse com uma voz desesperada. “E pago também a sua entrada e consumação no bar.” Falei que eu não estava à venda e pronto. Foi aí que ela deu a cartada final. Caiu no choro e, chorando, me implorou, daquele jeito que ela deve ensaiar na frente do espelho: “Pooor faaaavooooooor... Eu não pediria se eu não quisesse ir muuuuuitoooo........ O Mateus vai estar lá e vai acabar ficando com aquela horrorosa da Manuela se eu não estiver lá para impedir...... buuuuu........”. Esse “buuu” é bem o toque final. Acho que ela leu muitas revistinhas da Mônica quando era pequena, mas, pra não dar na cara, ela não fala “buá”, para no “bu”, prolonga o “u” e mistura tudo no choro. Depois disso, eu cansei e resolvi ir logo, senão ela ia ficar naquele chororô a noite inteira, e, se o Mateus ficasse mesmo com a Manuela, ela ia me jogar isso na cara pelo resto da vida! Troquei rapidinho de roupa, prendi o cabelo e fui pra casa dela, que é na rua logo abaixo da minha. Chegando lá, a menina estava com o guarda-roupa inteiro jogado em cima da cama, sem conseguir escolher o que vestir. Sugeri umas três blusinhas, ela pôs defeito nas três. Aí eu disse que, se ela não se arrumasse em meio minuto, eu iria embora e ela podia até chorar sangue que eu não voltaria atrás. Ela tratou de vestir qualquer coisa, ficou mais um tempão no banheiro se embelezando e, finalmente, pegou a bolsa. O pai dela passou pela gente no corredor e avisou que queria que ela estivesse em casa pontualmente à uma hora da manhã, independente do fato de amanhã ser feriado.

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Finalmente, conseguimos sair e chegamos ao ponto de táxi. Essa história de táxi, a minha mãe não gosta muito. Ela prefere levar e buscar. Mas só que leva e busca reclamando! Então, quando ela não está em casa, eu acabo pegando um táxi mesmo. O ponto é aqui do lado, os motoristas todos já me conhecem e, além disso, eu sempre anoto a placa e mando como mensagem para o celular do meu pai. Quando a gente chegou ao tal bar, já eram umas dez e meia da noite. Entramos, avistamos um pessoal conhecido, compramos um refri, a Natália me fez dar umas quinhentas voltas para acharmos o Mateus, até que finalmente o encontramos. Ele estava bem em frente às caixas de som, ou seja, o barulho estava de ensurdecer. Eu comecei a reclamar, e a Natália resolveu ir lá falar com ele, depois de um tempão ensaiando. Eu fiquei surpresa. O Mateus até que foi bem simpático, se é que dá pra ser simpático tendo que gritar para ser ouvido. Conversou uns assuntos lá e, de repente, lembrou que hoje começaria o horário de verão. “Ih, é agora!”, ele falou, mexendo no relógio. “Meia-noite, já está na hora de adiantar uma hora!” A Natália olhou para mim com uma cara de susto tão grande, que eu até achei que uma formiga lava-pés estivesse subindo pela coxa dela! Só que aí ela virou para o Mateus, disse que a gente ia dar uma volta e largou o menino lá, sozinho no meio da pista, que ficou olhando pra gente meio sem entender a pressa. Nem eu estava entendendo... Até que a Natália, já na porta, me lembrou da imposição do pai de estar em casa à uma da manhã! Com o horário de verão, meia-noite já é à uma hora! Como eu disse, obrigada, horário de verão! Prometo que nunca mais reclamo da sua existência! Já a Natália deve estar chorando até agora... No momento em que a gente estava saindo do bar, cruzamos com a Manuela, que estava chegando naquele minuto! É, acho que em vez dela desperdiçar a lábia comigo, deveria desenvolver uma tática para amansar o pai. A Cinderela já saiu de moda há muito tempo...

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