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Vocabulário Bourdieu

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Afrânio Mendes Catani Maria Alice Nogueira Ana Paula Hey e Cristina Carta Cardoso de Medeiros (Orgs.)

Vocabulário

BOURDIEU


Copyright © 2017 Os Organizadores Copyright © 2017 Autêntica Editora Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. Todos os esforços foram feitos no sentido de encontrar os detentores dos direitos autorais das obras que constam deste livro. Pedimos desculpas por eventuais omissões involuntárias e nos comprometemos a inserir os devidos créditos e corrigir possíveis falhas em edições subsequentes.

EDITORA RESPONSÁVEL

DIAGRAMAÇÃO

Rejane Dias

Larissa Carvalho Mazzoni Waldênia Alvarenga

EDITORA ASSISTENTE

Cecília Martins

CONFECÇÃO DOS ÍNDICES

Os organizadores Carla Neves Renata Silveira

REVISÃO

Lúcia Assumpção CAPA

Alberto Bittencourt (sobre imagem de fotógrafo desconhecido)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro) Vocabulário Bourdieu / Afrânio Mendes Catani ... [et al.]. (Orgs.). -- 1. ed. -Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2017. Outros organizadores: Maria Alice Nogueira, Ana Paula Hey, Cristina Carta Cardoso de Medeiros. ISBN 978-85-513-0229-3 1. Bourdieu, Pierre, 1930-2002 - Glossários, vocabulários, etc. 2. Bourdieu, Pierre, 1930-2002 - Linguagem 3. Sociologia I. Catani, Afrânio Mendes. II. Nogueira, Maria Alice. III. Hey, Ana Paula. IV. Medeiros, Cristina Carta Cardoso de. 17-05006

CDD-301

Índice para catálogo sistemático: 1. Vocabulário de Bourdieu : Sociologia 301

Belo Horizonte Rua Carlos Turner, 420 Silveira . 31140-520 Belo Horizonte . MG Tel.: (55 31) 3465-4500

www.grupoautentica.com.br

Rio de Janeiro Rua Debret, 23, sala 401 Centro . 20030-080 Rio de Janeiro . RJ Tel.: (55 21) 3179 1975

São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468


VERBETES

A Ação Actes de la Recherche en Sciences Sociales Agente Algérie 60: structures économiques et structures temporelles Amor fati Amor pela arte (O): os museus de arte na Europa e seu público (L’amour de l’art: les musées d'art européens et leur public) Análise de correspondências múltiplas Antropologia reflexiva Arbitrário cultural Argélia Art moyen (Un): essai sur les usages sociaux de la photographie Ascetismo Ativismo Autonomia e homologia dos campos

23 25 26 28 28 28 31 33 36 38 42 42 42 45

B Bachelard, Gaston Bal des célibataires (Le): crise de la société paysanne en Béarn Béarn Bens simbólicos (economia dos) Boa vontade cultural Bourdieu editor Burguesia

49 51 52 55 58 61 63

C Cabília Campo Campo artístico Campo científico Campo cultural Campo da alta costura Campo do poder Campo econômico Campo esportivo Campo filosófico

64 64 66 68 71 73 75 77 79 81

Campo intelectual Campo jurídico Campo literário Campo político Campo religioso Campo universitário Canguilhem, Georges Capital Capital cultural Capital econômico Capital simbólico Capital social Categorias de pensamento Causalidade do provável Ciência Classe social Classificação (lutas de) Coisas ditas (Choses dites) Collège de France Conatus Condição de classe Conhecimento praxiológico Construtivismo Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal (Contre-feux: propos pour servir à la résistance contre l’invasion néo-libérale) Contrafogos 2: por um movimento social europeu (Contre-feux 2: pour un mouvement social européen) Corpo Crença Cultura Cultura popular

83 86 88 90 93 95 98 101 103 107 109 113 117 118 118 118 123 123 124 125 126 126 128 130 131 132 134 135 137

D Denegação Déracinement (Le): la crise de l’agriculture traditionnelle en Algérie Desencantamento do mundo (O): estruturas econômicas e estruturas temporais Destino Determinismo

140 141 141 142 143 7


Diploma Disposição Distinção Distinção (A): crítica social do julgamento (La distinction: critique sociale du jugement) Dom (ideologia do) Dominação Dominação masculina (A) (La domination masculine) Doxa Durkheim, Émile

E École Normale Supérieure Economia das trocas linguísticas (A): o que falar quer dizer (Ce que parler veut dire: l’économie des échanges linguistiques) Economia das trocas simbólicas (A) Educação Elias, Norbert Elites Emprego Epistemologia Esboço de auto-análise (Esquisse pour une auto-analyse) Escola Escritos de Educação Espaço social Esprit de corps Esquisse d’une théorie de la pratique, précédé de Trois études d’ethnologie kabyle Esquisses algériennes Estado Estilo de escrita de Bourdieu Estilos de vida Estratégia/Estratégias de reprodução Estrutura (social e mental) Estruturalismo Ethos

145 146 146 148 151 151 155 157 159 162 162 164 165 165 167 169 169 173 176 176 177 179 181 184 184 186 187 189 191 192 194

F Família Fenomenologia Filosofia Fotografia Foucault, Michel

195 197 199 201 201

G Goffman, Erving Gosto Grandes Écoles Grupos dominantes 8

205 208 210 212

H Habitus Heidegger, Martin Herança cultural Herdeiros (Os): os estudantes e a cultura (Les héritiers: les étudiants et la culture) Hexis corporal História Homo academicus Honra (Sentido da) Hysteresis

213 217 217 219 222 222 225 228 228

I Ideologia Illusio Ilusão biográfica Inconsciente Incorporação Inculcação Indivíduo – sociedade Intelectuais Interesse Interventions, 1961-2001: sciences sociales et action politique Investimento

230 231 233 233 234 234 234 236 239 239 240

J Jogo (Sentido do) Jornalismo Juventude

L Legitimidade/legitimação Lévi-Strauss, Claude Lições da aula (Leçon sur la leçon) Linguagem Linguístico (Capital; Mercado) Livre-troca: diálogos entre ciência e arte (Libre-échange)

241 243 243 245 246 249 250 250 255

M Manet. Une révolution symbolique Marx, Karl Mauss, Marcel Meditações pascalianas (Méditations pascaliennes) Mercado linguístico Mercado simbólico Merleau-Ponty, Maurice Metodologia Mídia

257 259 262 265 267 267 267 268 268


Miséria do mundo (A) (La misère du monde) Mobilidade social Mundialização/Internacionalização Mundo social

271 271 272 274

Reprodução (A): elementos para uma teoria do sistema de ensino (La reproduction: éléments pour une théorie du système d’enseignement) 316 Rito (de instituição) 318

275

S

N Neoliberalismo Noblesse d’État (La): Grandes Écoles et esprit de corps Nobreza Nomos

277 281 281

O Ontologia política de Martin Heidegger (A) (L’Ontologie politique de Martin Heidegger) 282 283 Opinião pública/sondagem

P Passeron, Jean-Claude Patronato Pedagogia racional Pensamento relacional Pequena burguesia Picturing Algeria Pierre Bourdieu. Sociologia Poder simbólico Poder simbólico (O) Política Posição de classe Prática (Teoria da) Profissão de sociólogo (A): preliminares epistemológicas (Le métier de sociologue: préalables épistémologiques) Projeto Propos sur le champ politique

286 288 288 288 290 290 292 292 295 296 296 296 298 301 301

Q Questões de sociologia (Questions de sociologie)

321 323 324 327 329 330 332 332 335 335 341 342 345 345 346 348

T Taxionomia Televisão Tempo Teoria Trabalho Trajetória Trocas simbólicas

349 349 350 352 352 354 356

U 302

R Razões práticas: sobre a teoria da ação (Raisons pratiques: sur la théorie de l’action) Reconversão de capitais Reflexividade Regra Regras da Arte (As): gênese e estrutura do campo literário (Les règles de l’art: genèse et structure du champ littéraire) Réponses: pour une anthropologie réflexive Reprodução

Sartre, Jean-Paul Science de la science et réflexivité. Cours du Collège de France (2000-2001) Senso prático (O) (Le sens pratique) Sistema de ensino Sobre a televisão (Sur la télévision, suivi de L'emprise du journalisme) Sobre o Estado. Cursos no Collège de France (Sur L’État. Cours au Collège de France) Sociedade Socioanálise Sociodiceia Sociologia Sociologia da sociologia Sociologia e reflexividade Sociologie de l’Algérie Sociologie est un sport de combat (La) Structures sociales de l’économie (Les) Sujeito

303 304 305 308 309 311 313

Usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico (Os) (Les usages sociaux de la science: pour une sociologie clinique du champ scientifique) 357

V Veredicto escolar Violência simbólica Visão e divisão, Princípios de

359 359 361

W Weber, Max Wittgenstein, Ludwig

365 367

9


AUTORES

Afrânio Mendes Catani UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Ana Maria de Oliveira Galvão UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Ana Maria Fonseca de Almeida UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – BRASIL

Ana Paula Hey UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Ana Paula Simioni UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Ana Teresa Martínez UNIVERSIDAD NACIONAL DE SANTIAGO DEL ESTERO – ARGENTINA

Andréa Aguiar UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Angela Xavier de Brito UNIVERSITÉ RENÉ DESCARTES – PARIS V – FRANÇA

Anne-Catherine Wagner UNIVERSITÉ PARIS 1 – PANTHÉON – SORBONNE – FRANÇA

Antônio Augusto Gomes Batista CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, CULTURA E AÇÃO COMUNITÁRIA – BRASIL

Bernard Lahire ÉCOLE NORMALE SUPÉRIEURE DE LYON – FRANÇA

Brasilio Sallum Junior UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Carlos Benedito Martins UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – BRASIL

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Christophe Charle UNIVERSITÉ PARIS 1 – PANTHÉON – SORBONNE – FRANÇA

Clarice Ehlers Peixoto UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – BRASIL

Cláudio Marques Martins Nogueira UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Cristina Carta Cardoso de Medeiros UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – BRASIL

Denis Baranger UNIVERSIDAD NACIONAL DE MISIONES – ARGENTINA

Edison Ricardo Bertoncelo UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Elisa Klüger UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Enio Passiani UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – BRASIL

Enrique Martín Criado UNIVERSIDAD PABLO DE OLAVIDE – ESPANHA

Ernesto Seidl UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – ­ BRASIL

Fernando Antonio Pinheiro Filho UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

François de Singly UNIVERSITÉ RENÉ DESCARTES – PARIS V – FRANÇA

François Denord ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Frédéric Lebaron ÉCOLE NORMALE SUPÉRIEURE PARIS – SACLAY – FRANÇA

Geraldo Romanelli UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Gérard Mauger ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Gilson Ricardo de Medeiros Pereira UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – BRASIL

Gisèle Sapiro ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Igor Gastal Grill UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – BRASIL 12


José Carlos Garcia Durand UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

José Luis Moreno Pestaña UNIVERSIDAD DE CÁDIZ – ESPANHA

José Sérgio Leite Lopes UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – BRASIL

Julien Duval ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Juliana Ferreira de Melo UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Kátia Maria Penido Bueno UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Letícia Bicalho Canêdo UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – BRASIL

Loïc Wacquant UNIVERSITY OF CALIFORNIA – ESTADOS UNIDOS

Louis Pinto ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Magda Becker Soares UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Marcos César Alvarez UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Maria Alice Nogueira UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Maria Amália de Almeida Cunha UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Maria Andréa Loyola UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – BRASIL

Maria Arminda do Nascimento Arruda UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Maria da Graça Jacintho Setton UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Maria José Braga Viana UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Marilia Pontes Sposito UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Michel Daccache ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA 13


Monique de Saint Martin ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Pascal Ragouet UNIVERSITÉ DE BORDEAUX – FRANÇA

Pascale Casanova DUKE UNIVERSITY – ESTADOS UNIDOS

Patrick Champagne INSTITUT NATIONAL DE LA RECHERCHE AGRONOMIQUE – FRANÇA

Paula Montero UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Remi Lenoir ÉCOLE DES HAUTES ÉTUDES EN SCIENCES SOCIALES – FRANÇA

Roberto Grün UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS – BRASIL

Sergio Miceli UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Sylvia Gemignani Garcia UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL

Tânia de Freitas Resende UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – BRASIL

Vincent Bontems LABORATOIRE DES RECHERCHES SUR LES SCIENCES DE LA MATIÈRE – FRANÇA

Wanderley Marchi Júnior UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – BRASIL

Yves Winkin CONSERVATOIRE NATIONAL DES ARTS ET MÉTIERS – FRANÇA

Zaia Brandão PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO – BRASIL

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ABRINDO A CAIXA DE FERRAMENTAS

A elaboração de um vocabulário dedicado a Pierre Bourdieu (1930-2002) não é tarefa das mais fáceis, sobretudo quando consideramos o quanto antibourdieusiano é apresentar noções, constructos, definições descolados daquilo que caracteriza de modo preciso e original seu trabalho científico, qual seja, fornecer instrumentos de construção da análise sociológica que não se constituam em meros conceitos descritivos, mas que envolvam uma epistemologia prática. Bourdieu foi um dos grandes pensadores de nosso tempo, tendo dado, já em fins dos anos 1950, uma contribuição essencial para afirmar a sociologia como disciplina científica na Europa. Dotado de rigorosa acuidade intelectual, proveniente da formação filosófica desenvolvida nos setores mais consagrados da academia francesa, propiciou uma visão analítica refinada de objetos complexos e diversos que compõem o mundo social em que vivemos. Alçado à posição de cientista imprescindível a quem se envolve com a ciência social contemporânea, tornou-se autor de uso frequente em campos disciplinares os mais variados, como sociologia, antropologia, educação, história, economia e psicologia. Sua obra abrangeu desde sensível etnologia do mundo tradicional dos cabilas, na Argélia, envolveu a crise da reprodução das sociedades tradicionais francesas, desvendou as funções sociais do sistema de ensino de seu país, descreveu práticas culturais distintivas alinhadas à constituição e classificação das classes sociais, explorou as peculiaridades de seu próprio universo intelectual, desvelou os confrontos no interior de distintos campos de produção simbólica, expôs formas dissimuladas de dominação e de exercício consentido do poder, além de refletir e polemizar sobre problemas sociais emergentes com seu enérgico ativismo político. A construção de todo um aparato conceitual estabelecido ao longo e a partir de incursões em terrenos empíricos bastante diversificados resultou na elaboração de potentes noções operacionais que permitem, por sua vez, perscrutar os mais variados domínios do mundo social. Nesse sentido, apresentamos ao leitor a possibilidade de interagir com a grande multiplicidade de elementos constitutivos da teoria de Bourdieu, exibidos de modo singular pelos autores dos diferentes verbetes, mas que, em seu conjunto, ensejam uma visão global da contribuição de suas análises sociológicas. Com isso afirmamos que nossa motivação foi a de apresentar uma sistematização, dotada de valor pedagógico, daquilo que constitui o pensamento e a prática científica de sua sociologia, centrada no tripé teoria-história-empiria, como auxílio à leitura e compreensão de seus textos e direcionado a um público amplo. 15


A seleção dos verbetes que integram este Vocabulário Bourdieu reflete um esforço para se aproximar dos aspectos nodais de seu pensamento e da contribuição ao campo das ciências humanas e sociais. Tal escolha desconsiderou as modulações presentes em sua obra, ou seja, os verbetes tanto podem refletir conceitos maduros de sua escrita analítica como conviver com noções apenas esboçadas; podem se referir ao âmbito nacional ou a uma pequena região geográfica; permitir generalizações ou se cingir ao contexto de uma investigação específica. Aqueles que manusearem este Vocabulário serão, portanto, convidados a interagir com um corpus teórico concebido no processo mesmo de construção dos problemas científicos, com condicionantes ligados às disposições para fazer ciência, às instituições que lhe dão sustentação, ao habitus de cada disciplina e ao sistema de posições e tomadas de posição no interior do campo científico, nacional e internacional. A importância de se publicar uma obra dessa natureza no Brasil prende-se ao fato de que os trabalhos de Bourdieu suscitam, desde os anos 1960 e de modo contínuo, grande interesse no meio acadêmico local. Com momentos marcados por uma apropriação mais intensa do autor nos domínios específicos da sociologia e da antropologia, expandindo-se por polêmicas no campo educacional, até ser tomado como referência de base em áreas mais amplas, o número constante de pesquisas inspiradas nas ferramentas epistêmicas e empíricas que ele desenvolveu evidenciam sua apropriação vasta e amalgamada ao nosso espaço científico. Nessa direção deve-se ressaltar, ainda, o convite à releitura do conjunto da obra que produziu, impulsionado pela organização de livros inéditos publicados após seu desaparecimento, à proliferação de pesquisas realizadas aqui e em vários países, deslocando empiricamente a abordagem científica que concebeu. Por todas essas razões, decidimos oferecer ao leitor a oportunidade de acessar teoricamente um universo conceitual e metodológico considerado denso em complexidade e em suas formas de expressão. O próprio Bourdieu empreendeu algumas inciativas nessa direção, ao organizar antologias com artigos de cunho teórico, além de fartas transcrições de palestras, entrevistas, conferências e seminários, tais como Questions de sociologie (1980), Choses dites (1987), Réponses: pour une anthropologie réfléxive (1992), Raisons pratiques – sur la théorie de l’action (1994). Poderíamos sintetizar nosso objetivo com a organização deste Vocabulário com as próprias palavras de Bourdieu em uma passagem do prefácio à edição brasileira de Razões práticas, datada de outubro de 1995: “se posso fazer um voto, é o de que meus leitores, especialmente os mais jovens, que começam a se envolver em pesquisas, não leiam este livro como um simples instrumento de reflexão, um simples suporte de especulação teórica e da discussão abstrata, mas como uma espécie de manual de ginástica intelectual, um guia prático que é preciso aplicar a uma prática, isto é, a uma pesquisa prazenteira, liberta de proibições e de divisões e desejosa de trazer a todos esta compreensão rigorosa do mundo que, estou convencido, é um dos instrumentos de liberação mais poderosos com que contamos”. Os desafios que enfrentamos em trabalho de tal envergadura foram diversos, desde a seleção dos verbetes e a extensão adequada a ser conferida a cada um deles, até a identificação dos especialistas encarregados de redigi-los. Quanto a este ponto, o Vocabulário congrega autores situados em distintas posições nos espaços da reflexão acadêmica, mas que possuem em comum uma agenda intelectual convergente em termos de pressupostos teóricos, procedimentos analíticos, metodologias de pesquisa. 16


Expressamos desde já nosso agradecimento aos 65 colaboradores, provenientes de várias instituições brasileiras e de diferentes países como França, Espanha, Argentina e Estados Unidos, muitos deles parceiros de trajetória ou ex-alunos do próprio Bourdieu e representantes de distintos campos disciplinares. Eles foram responsáveis pela elaboração dos 164 verbetes, distribuídos em três categorias: os relativos às noções centrais e correlatas, os dedicados aos livros publicados pelo pensador francês e os que se referem a um seleto grupo de interlocutores com os quais ele dialogou ao longo do processo de constituição de seu pensamento. Os verbetes foram editados com a finalidade de uniformizar as referências feitas pelos autores aos escritos de Bourdieu, indicando-os a partir de siglas compostas pelas primeiras letras dos títulos dos livros, grafadas em maiúsculas. Acrescentou-se uma letra minúscula, “p”, para versões da obra em português, ou “i”, para traduções em língua inglesa. A listagem completa da bibliografia do autor encontra-se no índice de seus livros publicados na França e no Brasil. O Vocabulário conta ainda com uma “Cronologia de Pierre Bourdieu”, que detalha sua biobibliografia. Gostaríamos, por fim, de agradecer duplamente à Autêntica Editora: pela oportunidade aberta a obras desta natureza, que permitem expor em amplitude e com total liberdade o conjunto dos trabalhos de Bourdieu e, também, por respeitar o tempo demandado à finalização deste empreendimento coletivo. Afrânio Mendes Catani Maria Alice Nogueira Ana Paula Hey Cristina Carta Cardoso de Medeiros São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, maio de 2017.

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Sigla

Glossário de obras e textos de Pierre Bourdieu

ARSS A60 AAp AA AM BC BCi CE PVD CD CDp CF1p CF1 CF2p CF2 Rp DR DMEE LDp LD LDi DMp DM PVDp ETS EAAp ETPp EE ETP EAA EA LEE LHp LH

Actes de la Recherche en Sciences Sociales Algérie 60: structures économiques et structures temporelles Amor pela arte (O): os museus de arte na Europa e seu público Amour de l’art (L’): les musées d’art européens et leur public Art moyen (Un): essai sur les usages sociaux de la photographie Bal des célibataires (Le): crise de la société paysanne en Béarn Ball of Bachelors (The) Campo econômico (O): a dimensão simbólica da dominação Ce que parler veut dire: l’économie des échanges linguistiques Choses dites Coisas ditas Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal Contre-feux: propos pour servir à la résistance contre l’invasion neo-libérale Contrafogos 2: por um movimento social europeu Contre-feux 2: pour un mouvement social européan Convite à sociologia reflexiva (Um) Déracinement (Le): la crise de l’agriculture traditionelle en Algérie Desencantamento do mundo (O): estruturas econômicas e estruturas temporais Distinção (A): crítica social do julgamento Distinction (La): critique sociale du jugement Distinction: a Social Critique of the Judgment of Taste Dominação masculina (A) Domination masculine (La) Economia das trocas linguísticas (A): o que falar quer dizer Economia das trocas simbólicas (A) Esboço de auto-análise Esboço de uma teoria da prática, precedido de três estudos de etnologia Cabila Escritos de Educação Esquisse d’une théorie de la pratique, précédé de Trois études d’ethnologie kabyle Esquisse pour une auto-analyse Esquisses algériennes Étudiants et leurs études (Les) Herdeiros (Os): os estudantes e a cultura Héritiers: les étudiants et la culture (Les) 19


HA HAp IA INT

Homo academicus Homo academicus Images de l’Algérie: une affinité élective Interventions, 1961-2001: sciences sociales et action politique

Ri LPS LL L1 LE

Invitation to Reflexive Sociology (An) Langage et pouvoir symbolique Leçon sur la leçon Liber 1 Libre-échange

LLp LEp SPi SM MPp MP MS MM MMp NE OPp OP MPi IAi PBS OPS PC PID MSp PCP QS QSp RP RPp RA RAp R

Lições da aula Livre-troca: diálogos entre ciência e arte Logic of Practice (The) Manet. Une révolution symbolique Meditações pascalianas Méditations pascaliennes Métier de sociologue (Le): préalables épistémologiques Misére du monde (La) Miséria do mundo (A) Noblesse d’État (La): Grandes Écoles et esprit de corps Ontologia política de Martin Heidegger (A) Ontologie politique de Martin Heidegger (L’) Pascalian meditations Picturing Algeria Pierre Bourdieu. Sociologia Poder simbólico (O) Produção da crença (A): contribuição para uma economia dos bens simbólicos Production de l’idéologie dominante (La) Profissão de sociólogo (A): preliminares epistemológicas Propos sur le champ politique Questions de sociologie Questões de sociologia Raisons pratiques: sur la théorie de l’action Razões práticas: sobre a teoria da ação Régles de l’art (Les): genèse et structure du champ littéraire Regras da arte (As): gênese e estrutura do campo literário Réponses: pour une anthropologie réflexive

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LRp LR SSR SP SPp SMS STp SEp SSEi SA SSE ST SE TTA USS USSp

Reprodução (A): elementos para uma teoria do sistema de ensino Reproduction (La): éléments pour une théorie du système d’enseignement Science de la science et réflexivité Sens pratique (Le) Senso prático (O) Si le monde social m’est supportable, c’est parce que je peux m’indigner Sobre a televisão Sobre o Estado. Cursos no Collège de France (1989-92) Social Structures of the Economy (The) Sociologie de l’Algérie Structures sociales de l’économie (Les) Sur la télévision, suivi de L’emprise du journalisme Sur L’État. Cours au Collège de France (1989-1992) Travail et travailleurs en Algérie Usages sociaux de la science (Les): pour une sociologie clinique du champ scientifique Usos sociais da ciência (Os): por uma sociologia clínica do campo científico

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CRONOLOGIA DE PIERRE BOURDIEU

1930 (primeiro de agosto) – Pierre Bourdieu nasce em Denguin, pequeno vilarejo da província do Béarn, região rural do sudoeste da França, situada nos Pirineus e próxima da Espanha, onde a língua nativa era o occitânico. Seu pai, Albert Bourdieu, originário de uma família de camponeses, havia se tornado, ao redor dos 30 anos, modesto funcionário público dos correios, tendo exercido, ao longo da vida, o ofício de carteiro na região do Béarn. Sua mãe, Noémie Bourdieu, também proveniente do meio rural, pertencia a uma família de agricultores com nível social um pouco mais elevado. 1941-1947 – Frequenta o Liceu de Pau (capital do Béarn), onde cursa a primeira parte do ensino secundário e se distingue nos estudos. 1948-1951 – Recebe uma bolsa de estudos para cursar o ensino médio e, a conselho de um de seus professores do Liceu de Pau, ingressa no Liceu Louis-le-Grand, em Paris, reputado por constituir o melhor curso preparatório para o ingresso na École Normale Supérieure de Paris e por reunir os melhores alunos do país. 1951-1954 – Ingressa na célebre Escola Normal Superior (ENS) da rue d’Ulm, em Paris, então o mais importante centro de recrutamento e formação da elite intelectual francesa. Diploma-se, nessa escola, em filosofia, aos 25 anos. Na mesma época, realiza estudos de graduação também em filosofia na Faculdade de Letras de Paris (Sorbonne), onde defendeu a tese intitulada Estruturas temporais da vida afetiva. 1954 – Obtém – juntamente com Jacques Derrida e Emmanuel Le Roy Ladurie – aprovação no concurso de Agrégation (concurso público de admissão ao cargo de professor de liceu ou de faculdade). 1954-1955 – Passa a lecionar filosofia no Liceu de Moulins, pequena cidade situada na região central da França. 1955-1958 – É convocado e presta o serviço militar na Argélia, então colônia francesa no norte da África, em plena guerra (1954-1962) por sua independência da França. 1958-1960 – Leciona na Faculdade de Letras de Argel (capital da Argélia), como Professor Assistente. Durante esse período desenvolve um extenso trabalho de campo, que redundou 393


numa etnologia da sociedade cabila (população camponesa habitante das regiões montanhosas do norte da Argélia). 1960 – Em função do agravamento do conflito colonial e diante das posições liberais que assume face à guerra de independência, Bourdieu é obrigado a voltar para a França, tornando-se Professor Assistente na Faculdade de Letras de Paris (Sorbonne). 1962 (2 de novembro) – Casa-se com Marie-Claire Brizard, socióloga e filha de um médico. Dessa união nasceram três filhos, Jérôme, Emmanuel e Laurent. 1961-1964 – É nomeado professor e orientador pedagógico da Faculdade de Letras de Lille (cidade localizada no norte da França). Na Universidade de Lille, ministra, pela primeira vez, cursos sobre os “pais fundadores” da sociologia (Durkheim, Weber, Marx), mas também sobre a antropologia britânica e a sociologia norte-americana. Paralelamente, prossegue o trabalho de análise dos dados de campo coletados durante o período argelino e em suas constantes viagens de férias à Argélia. 1964 – Passa a lecionar na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS) de Paris, credenciando-se também como orientador de teses e estudos científicos. Ao assumir esse posto, aos 34 anos, tornou-se um dos mais jovens professores dessa instituição. 1964 – É indicado por Raymond Aron para sucedê-lo na direção do Centro de Sociologia Europeia. 1964 – Torna-se diretor da coleção Le Sens Commun para a editora parisiense Minuit. Por mais de duas décadas, Bourdieu dirigiu essa coleção, na qual publicou obras clássicas (de Durkheim, Mauss, Halbwachs, Cassirer, Bakhtin, entre outros), bem como traduziu e divulgou, na França, grandes autores contemporâneos (entre eles, Goffman, Bernstein, Labov, Goody, Hoggart). 1964 – Nessa mesma coleção, publica, em coautoria com Jean-Claude Passeron, o livro Les héritiers, sua primeira grande obra no campo da educação. 1967 – Funda o Centro de Sociologia da Educação e da Cultura (CSEC) na EHESS. Neste centro, Bourdieu congregou e dirigiu, por mais de trinta anos, uma grande equipe de pesquisadores dedicados à compreensão das relações que se estabelecem entre o universo da cultura e o campo do poder e das classes sociais. 1970 – Publica, mais uma vez em coautoria com Jean-Claude Passeron, aquele que se tornaria seu mais conhecido livro no terreno da educação: La reproduction (no Brasil: A reprodução). Na década de 1970, dá início a intensas atividades acadêmicas no exterior como convidado de instituições importantes, como as universidades de Chicago, Harvard, Princeton (EUA); Instituto Max Planck (Alemanha); Universidade de Todai (Japão), entre outras. 1975 – Com o apoio de Fernand Braudel, então diretor da Maison des Sciences de l’Homme, cria o periódico Actes de la Recherche en Sciences Sociales (ARSS), que dirigirá até os momentos finais de sua vida. Esse periódico tornou-se uma das mais importantes publicações em ciências sociais no mundo. 394

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1979 – Publica, pela Editora Minuit, o livro La distinction, considerado por muitos como sua obra magna e que lhe valerá a consagração internacional. Trata-se de uma análise dos gostos e julgamentos éticos e estéticos das diferentes classes sociais. 1981 (13 de dezembro) – Em protesto contra a repressão que se abatia sobre a Polônia, Bourdieu lança – juntamente com Michel Foucault – um manifesto em favor do movimento Solidariedade. 1981 – É eleito Professor Titular da cátedra de Sociologia do Collège de France. 1982 (23 de abril) – Profere, no Collège de France, a provocadora aula inaugural Leçon sur la leçon (no Brasil: Lições da aula). 1984 – Publica, pela Editora Minuit, o livro Homo academicus, obra sobre o universo das disposições e práticas dos professores universitários. 1989 – Publica, pela Editora Minuit, La noblesse d’État, seu último grande livro sobre o sistema escolar. 1989 – Funda a Liber, “revista internacional de livros”, editada em diversos países europeus e em nove línguas, que dirigirá por dez anos. Seu objetivo era a difusão internacional de trabalhos originais e inovadores no campo das ciências humanas e da literatura. 1989 – Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Livre de Berlim. 1989-1990 – Preside uma comissão nacional de reflexão e estudos sobre os “conteúdos do ensino”, nomeada pelo então presidente da república, François Mitterrand. 1990 – A partir da década de 1990, Bourdieu assume um papel combativo nos movimentos sociais antiglobalização e de apoio aos desempregados, aos trabalhadores do campo, aos imigrantes ilegais na França, aos intelectuais perseguidos em diversas partes do mundo. 1993 – É lançada a primeira edição da coletânea, organizada por Bourdieu, A miséria do mundo (no Brasil: A miséria do mundo), que, apesar de suas mil páginas, teve um enorme sucesso de vendas, tendo sido adaptada para o vídeo e para o teatro. 1993 – Recebe a Medalha de Ouro do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), um dos mais importantes símbolos de reconhecimento conferidos pela comunidade científica na França. 1993 – Funda o Comitê Internacional de Apoio aos Intelectuais Argelinos (CISIA). 1995 (dezembro) – lança um “apelo dos intelectuais em favor dos grevistas” contra o plano governamental neoliberal que ameaçava as políticas públicas do bem-estar social e da seguridade na França. 1996 – Funda a editora Liber-Raisons d’agir, com uma política editorial que deveria associar a independência do trabalho científico com a militância e o compromisso cívicos. 1996 – Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Johann Wolfgang Goethe de Frankfurt e da Universidade de Atenas. Recebe o Prêmio Erving Goffman da Universidade de Berkeley, na Califórnia. CRONOLOGIA DE P IERRE BOURDIEU 3 9 5


1997 – Criação da coleção Liber nas Éditions du Seuil. Obtenção do Prêmio Ernst Bloch da cidade de Ludwigshafen. 1998 (janeiro) – Intervenções públicas em favor do movimento dos desempregados. 1999 – Doutor honoris causa da Universidade de Joensuu. 2000 – Apoio ao Manifesto pelos estados gerais do movimento social europeu (1º de maio) e aos movimentos de luta contra a mundialização neoliberal, reunidos em Nice (dezembro). 2001 (28 de março) – Dá sua última aula no Collège de France. 2001 (abril) – Apoio aos movimentos de luta contra a mundialização neoliberal, reunidos em Québec. Eleito Fellow Correspondent da Academia Britânica. 2002 (23 de janeiro) – Pierre Bourdieu morre, em Paris, aos 71 anos de idade, vítima de um câncer.

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