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Telas da docência

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Telas da docência: professores, professoras e cinema Célia Maria Fernandes Nunes Inês Assunção de Castro Teixeira Margareth Diniz Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo Milene de Cássia Silveira Gusmão Valeska Fortes de Oliveira [organizadoras]


Organizadoras Célia Maria Fernandes Nunes Inês Assunção de Castro Teixeira Margareth Diniz Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo Milene de Cássia Silveira Gusmão Valeska Fortes de Oliveira

Telas da docência: professores, professoras e cinema


Copyright © 2017 As organizadoras Copyright © 2017 Autêntica Editora Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. coordenadores da coleção cinema, cultura e educação

editora responsável

Inês Assunção de Castro Teixeira

Rejane Dias

José de Sousa Miguel Lopes

editora assistente

Cecília Martins conselho editorial da coleção

revisão

cinema, cultura e educação

Lúcia Assumpção

Afrânio Mendes Catani (USP); Alfredo Veiga-Neto (UFRGS); Célia Linhares (Universidade Federal Fluminense – UFF); Inês Assunção de Castro Teixeira (UFMG); Inés Dussel (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais/Argentina); Jorge Larrosa Bondía (Universidade de Barcelona/ Espanha); José de Sousa Miguel Lopes (UEMG); Milton José de Almeida (UNICAMP).

capa

Alberto Bittencourt (sobre foto de Shutterstock/The Mogli) diagramação

Larissa Carvalho Mazzoni

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Telas da docência : professores, professoras e cinema / organizadoras Inês Assunção de Castro Teixeira ... [et al.].-- 1. ed. -- Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2017. -- (Coleção cinema, cultura e educação) Outras organizadoras: Margareth Diniz, Célia Maria Fernandes Nunes, Maria Jaqueline de Grammont, Milene de Cássia Silveira Gusmão, Valeska Fortes de Oliveira Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-513-0094-7 1. Cinema na educação 2. Linguagem audiovisual 3. Pedagogia 4. Prática de ensino 5. Professores -Formação I. Teixeira, Inês Assunção de Castro. II. Diniz, Margareth. III. Grammont, Maria Jaqueline de. IV. Gusmão, Milene de Cássia Silveira. V. Nunes, Célia Maria Fernandes. VI. Oliveira, Valeska Fortes de. VII. Série. 17-04932

CDD-371.33523

Índices para catálogo sistemático: 1. Cinema e educação 371.33523

Belo Horizonte Rua Carlos Turner, 420 Silveira . 31140-520 Belo Horizonte . MG Tel.: (55 31) 3465 4500

www.grupoautentica.com.br

Rio de Janeiro Rua Debret, 23, sala 401 Centro . 20030-080 Rio de Janeiro . RJ Tel.: (55 21) 3179 1975

São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468


Prefácio

Rosália Duarte

Tem sido muito discutida, nos eventos científicos da área de educação, a necessidade de criarmos formas mais profícuas e bemsucedidas de aproximação entre o mundo acadêmico, a pesquisa e a escola e, em especial, entre pesquisadores/as e professores/as da educação básica. Argumenta-se frequentemente nesses debates, que existe um fosso entre o que fazemos no mundo acadêmico e o que os professores/as fazem, cotidianamente, em suas práticas pedagógicas, e reafirma-se a importância e a urgência de construirmos pontes sólidas, definitivas e de mão dupla entre universidade e escola. Foi o que a equipe de pesquisadores/as, professores/as, estudantes e cineastas do projeto Enredos da vida, Telas da Docência: os/as Professores/as e o Cinema fez sob os auspícios criativos, desconcertantes e desbravadores de Inês Teixeira. Para além de todas as expectativas que envolviam o desenvolvimento de um projeto tão grande, com um significativo número de participantes, de diferentes cidades e instituições, diferentes contextos, perspectivas e modos de ver e fazer pesquisa em formação, os resultados apresentados neste livro indicam possibilidades sólidas de interlocução entre cultura acadêmica, cultura escolar, de construção coletiva e colaborativa de novos conhecimentos e de práticas sociais. Cabe a nós, leitores/as, identificar e perceber do que foram feitas, neste projeto, as pontes entre os diferentes lugares de fala e de práticas, e entre os diferentes saberes e perspectivas de atuação, para que possamos, a nosso modo e no nosso tempo, reproduzir (reconstruir) 13


essa experiência com o mesmo sucesso em outros contextos e com outros propósitos e temas de pesquisa. Minha leitura dos textos apresentados neste livro me leva a crer que essas pontes foram feitas de compartilhamento de conhecimentos e de experiências, de respeito aos saberes de cada um, de reconhecimento mútuo e, principalmente, de memória. Como no curta-metragem de Ana Luiza de Azevedo em que Dona Cristina perdeu a memória (13 min, 2002), os enredos da vida de um afetaram a experiência do outro, e a memória ofereceu a base que tornou possível o diálogo entre mundos diferentes. O curta a que me refiro gira em torno das conversas entre Antônio, um menino de 8 anos, e sua vizinha de 80 anos, conversas que ocorrem sempre na cerca (fronteira) que separa o quintal da casa dele do jardim da casa de repouso onde ela vive. Antônio está tentando construir uma pontezinha sobre um pequeno buraco no chão, sobre a qual pretende passar com seu triciclo, mas sua ponte frágil invariavelmente se quebra. As conversas diárias entre os dois são sobre acontecimentos da vida de Dona Cristina, que, como está perdendo a memória, conta-os cada vez de uma forma diferente, mudando nomes e locais, mas mantendo os mesmos personagens – pai, filho, marido, irmãos. Ao final do curta, Dona Cristina dá a Antônio uma ponte sólida, feita com tábuas da cerca – abrindo nesta um enorme buraco – e pede que o menino se torne o guardião dos poucos objetos de memória com os quais ela reconstrói o passado: uma concha, um pregador de cabelo, um batom, um aviãozinho. A fronteira entre memória e esquecimento, criança e idoso, passado e presente dá lugar a uma ponte, feita de memória e reconhecimento mútuo. Memória e reconhecimento constituem, a meu ver, a matéria-prima de que é feita a ponte que, no projeto que dá origem a esse livro, aproxima cinema e educação, universidade e escola, teoria e prática, pesquisadores/as e professores/as da educação básica. A maior parte dos dados e dos textos aqui contidos diz respeito às relações dos/as professores/as com o cinema, em especial, às lembranças e experiências com o cinema; aos processos de construção de identidades pessoais e profissionais com o cinema. Biografias, autobiografias, rememorações, encontros, narrativas, bordados, visualizações de filmes, debates, entrevistas, videogravações e conversas foram alguns dos instrumentos 14


com os quais a equipe de pesquisadores/as amealhou relatos pessoais, histórias de vida, percepções sobre a prática docente, imaginários, saberes e produziu reflexões teóricas sobre as contribuições do cinema para a vida dos/as professores/as, para sua formação e para o ensinar/ aprender. O livro inova no conteúdo e na forma. Reafirma, de forma coerente e articulada, o pressuposto de que não há saberes maiores e menores nem hierarquia de posições em contextos de pesquisa; derruba a fronteira entre linguagem escrita e linguagem audiovisual, imposta pela cultura acadêmica: textos escritos e materiais audiovisuais, produzidos na pesquisa, compõem o relatório final com o mesmo estatuto epistemológico. É bom de ler, bom de ver e bom de aprender! Agradeço à Inês, à Milene e aos demais membros da equipe o privilégio de ter sido convidada para acompanhar as proezas e peripécias que envolveram a realização dessa pesquisa!

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Apresentação

Porque “um mais um é sempre mais que dois”,1 aqui estamos. Porque educação é ofício de muitos/as, dedicados/as ao cuidado e à beleza da reinvenção da vida que aporta em nossas crianças, adolescentes e jovens, novas gerações que acolhemos na escola, juntos aprendemos. Porque o cinema é arte coletiva, é partilha do sensível,2 é pelejar por uma vida melhor e mais bela para as coletividades humanas, juntos filmamos, criamos, registramos. Porque o cinema é reinventar olhares e mundos em invenções coletivas, sem descuidar das ideias, das afeições e dos fazeres particulares, o cinema inspira e transpira neste livro. É seu ar e seu lugar. Porque educação e cinema fazem nascer de novo, fazem nascer o novo, eles renascem nessas telas da docência. Porque pensamos que nossos encontros com a educação, com o livro e o cinema são uma maneira de desfrutar a vida, aqui está este trabalho. Um esforço vindo de pesquisa, de estudos, de conversas, de reflexões, de criações, de projetos. De afetos, sobretudo. Mas, quem somos? De onde viemos? Somos professores/as, somos estudantes, somos pesquisadores/as, somos alguns/umas cineastas. Somos professores/as de escolas de educação básica e de universidades brasileiras de várias regiões do país.3 Viemos de grupos de ensino, 1

Versos da canção “O sal da terra”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

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A expressão “partilha do sensível” é uma formulação de Jacques Rancière, presente em suas discussões sobre as relações entre estética e política na sociedade contemporânea.

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Especificando, criamos e participamos de vários grupos de ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, quais sejam: o Grupo de Pesquisa: Cinema e Audiovisual: memória e processos de formação cultural (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB); o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Imaginário Social (GEPEIS) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS); o Grupo de Pesquisas de Linguagem, Interação

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pesquisa e extensão. Somos, também, parte da Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual (Rede Kino). Nos últimos anos, os/as autores/as do livro e do DVD nos encontramos ainda mais, através dos trabalhos neles contidos. Realizamos juntos, entre 2011 e 2014, através de recursos de Edital Universal do CNPq, a pesquisa Enredos da Vida, Telas da Docência: os/as Professores/as e o Cinema, na qual contamos com a generosa consultoria da Prof.ª Dr.ª Rosália Duarte, da PUC-RIO, a quem agrademos mais uma vez. Seja pelas sugestões sobre o trabalho, seja pelo prefácio do livro. Contudo, à exceção do prefácio que ela assina, tudo o que aqui está registrado é de inteira responsabilidade dos/as autores/as. O livro está organizado em três partes, seguidas de um DVD. A Primeira Parte, intitulada “Os/professores/as e o cinema”, contém três artigos sobre professores/as, sendo que os dois primeiros se referem às suas relações com o cinema. O terceiro artigo, com o mesmo propósito de trazer ao livro a pesquisa dos enredos e das telas da docência, é uma parte do projeto de História de Vida da professora Maria Teresa de Freitas, recém-aposentada na Universidade Federal de Juiz de Fora e integrante da Pós-Graduação da Universidade Federal de São João del-Rei. O artigo, que inicia essa Primeira Parte, “Cenas da docência: o cinema entre professores/as da educação básica”, assinado por Ana Lúcia, Geovana, Haydenée, Inês, Jaqueline e Marília, foi realizado a partir dos questionários aplicados na pesquisa de origem deste livro. Trata-se de uma parte do estudo exploratório desenvolvido ao longo da pesquisa Enredos da Vida, Telas da Docência: os/as Professores/as e o Cinema, que dá origem, também, ao capítulo que segue. Sem qualquer propósito amostral ou de generalização, o artigo trabalhado apresenta e tece reflexões iniciais sobre as práticas e os consumos culturais de professores/as da educação básica em relação ao cinema. Mais especificamente, procuram-se conhecer as formas pelas quais o cinema se faz mais presente ou menos nos tempos cotidianos daqueles/as professores/as, destacando, entre outros aspectos, onde, como, qual a frequência e os tipos de filmes que costumam assistir. e Conhecimento (LIC) da Universidade Federal de Juiz de Fora; o Grupo de Pesquisa sobre Condição e Formação Docente (PRODOC) da Universidade Federal de Minas Gerais; o Programa Caleidoscópio: Projeto Luz, Câmera, Educação da Universidade Federal de Ouro Preto e o Mutum: Educação, Docência e Cinema da Universidade Federal de Minas Gerais.

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O segundo artigo, “Outras telas: o cinema em espaços de professores/as da educação básica”, assinado por Álida, Ana Lúcia, Maria Jaqueline e Marília, tem origem, como outros artigos desta coletânea, na pesquisa Enredos da Vida, Telas da Docência: os/as Professores/as e o Cinema. Nesse trabalho, as autoras discutem algumas dimensões do cinema na vida dos/as professores/as da educação básica, no que concerne às suas atividades pedagógicas, focalizando a frequência, os filmes escolhidos e como trabalham com cinema na sala de aula. O terceiro artigo, “O cinema na universidade: pelas mãos dos/as professores/as”, uma coautoria de Célia, Auxiliadora e Margareth, é, também, um recorte de estudo exploratório realizado com professores universitários cujo objetivo foi conhecer, caracterizar e analisar como ocorrem as relações e as práticas de professores/as universitários/as com o cinema. A partir de um breve perfil do grupo pesquisado, as autoras apresentam dados e reflexões sobre as formas como o cinema faz parte ou não das vivências profissionais daqueles/as colegas. Ou seja, pretende-se conhecer um pouco mais sobre o uso do cinema em sua prática pedagógica em sala de aula. Assinado por Maria Leopoldina (Dina), Cristiano e Inês, o capítulo “Além das montanhas, Maria Teresa Freitas: professora” celebra e homenageia a professora Maria Teresa Freitas, muito reconhecida nos territórios da educação, a quem o cinema apaixona, assim como os estudos de Vygotsky e Bakhtin. O artigo apresenta algumas cenas, enredos e roteiros da bela história dessa colega e companheira para “Além das montanhas”, expressão que ela ofereceu aos/às entrevistadores/as para dizer de seu desejo e necessidade de voar. Essa ideia intitula o artigo e o documentário presentes no livro, cuja origem é uma pesquisa de História Oral realizada com Maria Teresa. Segundo Maria Leopoldina (Dina), Cristiano e Inês, entrevistar Maria Teresa foi uma experiência única. Ali estavam “olhos nos olhos”: os lindíssimos luminosos olhos azuis de Teresa, os olhos dos/as entrevistadores/as e os olhos da câmera, que os fizeram olhar mais fundo, escutar, sentir e amar um belo exemplo de mulher cidadã. De mulher professora, a quem celebramos, a quem homenageamos e a quem entrevistadores/as e organizadoras do livro agradecem pelo privilégio e generosidade em lhes confiar seus enredos e história e permitir a publicação – em artigo e documentário – de parte da entrevista nestas telas da docência. 19


A Segunda Parte do livro, “Experienciar o cinema: na escola, na docência”, contém cinco artigos, vindos da Bahia, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, reunindo um variado espectro de experiências, de projetos e de reflexões sobre educação e cinema, trabalhos realizados com professores/as da educação básica, direta ou indiretamente integrados ao projeto do Edital Universal do CNPq, acima mencionado. Nesses trabalhos chegam às páginas, às telas do livro, não somente os/ as docentes, seus fazeres, seus saberes, seus afetos, como também o fecundo enlace da educação com o cinema, do cinema com a docência. E, ainda, a necessária aproximação da universidade com a educação básica, que as escritas sobre os projetos registram. Essa parte inicia com o capítulo intitulado “Cinema, memória e práticas de socialização: algumas anotações acerca do que se aprende com o cinema”, de autoria de Milene, Raquel e Cristina. Nele, encontraremos uma discussão que remete aos papéis do conhecimento e da linguagem nas vivências e experiências humanas, tratando, principalmente, dos processos de formação que constituem acervos e modos de atuação de formadores/as e/ou de especialistas culturais que se dedicam à transmissão de conhecimentos mediante fruição cinematográfica e audiovisual. O artigo que segue, de Macelle Khouri e Rogério Luiz, intitulado “Enredos da vida, telas da docência: ensaio audiovisual pelos caminhos do cinema-educação”, é uma reflexão sobre o documentário Enredos da vida, telas da docência, uma criação desses dois autores, curta contido no DVD que acompanha o livro. Nesse ensaio, eles buscam refletir sobre a relação entre o/a professor/a e o cinema, a partir de uma breve discussão sobre o documentário no cinema e sobre o vídeo-documentário que realizaram a partir de um projeto do programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo (UESB) realizado com professores/as de educação básica da região de Vitória da Conquista (BA). Entre outros propósitos e ideias contidos no artigo, autor e autora salientam que procuram compreender “como se dá esse encontro [dos/as professores/as com o cinema] e quais práticas se reverberam a partir dele”. O artigo que segue, “Em tempos de formação: exercícios autobiográficos e coletivos na atividade docente”, uma coautoria de Caroline, Indiara, Vanessa e Valeska, apresenta uma experiência formativa desenvolvida com os/as professores/as do município da cidade de Santa Maria (RS), numa experimentação (auto)biográfica com as vivências no 20


cinema e na escola. O cinema na vida do/a professor/a e o cinema nas práticas escolares foram temas (re)visitados nos encontros e na aplicação de um instrumento de pesquisa. Foram trazidos resultados da pesquisa em rede, onde se teve acesso aos imaginários dos/as professores/as sobre suas práticas culturais e a sétima arte na sua vida e docência. Passando ao próximo capítulo da Segunda Parte, assinado por Ana Iara, Camila, Cândice, Claudia e Valeska, intitula-se “O sentido da arte do cinema: a formação do/a professor/a e o imaginário como projeto além-fronteiras na educação”. Segundo as autoras, o artigo baseia-se no projeto de pesquisa Cartografando Experiências Formativas com Cinema: Até Onde a Sétima Arte Pode Chegar?, desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Imaginário Social (GEPEIS) da Universidade Federal de Santa Maria. O texto busca construir relações e vivências com os/as professores/as através do cinema, no que se refere às suas histórias pessoais e profissionais, e às formas pelas quais este nelas se faz presente, a fim de compreender as visões, saberes e fazeres profissionais por intermédio do cinema. Assim, interroga-se a forma como o cinema se faz presente e as razões de sua ausência no trabalho docente no dia a dia da escola. Completando os artigos da Segunda Parte do livro, assinado por Álida, Josaniel e Marília temos o artigo, “A escola e o cinema abraçam as Arpilleras”. Trata-se da apresentação e da reflexão sobre uma fecunda experiência de encontro entre o cinema e o bordado, realizada em um projeto de extensão denominado Além dos Muros da Escola: Cinema na Cidade para Crianças, Jovens, Adultos, Idosos e seus Professores. Em oficinas com estudantes e professores de escolas públicas de Belo Horizonte e adjacências, exibições de filmes foram seguidas de atividades de criação, reflexão, conversação e trocas, nas quais os sujeitos bordaram suas experiências com os filmes através da confecção de Arpilleras – uma tradicional técnica chilena de bordado. Nesse artigo, os autores debruçaram-se, especialmente, sobre uma importante questão: o que o uso de linguagens ditas não convencionais pode sinalizar no processo de formação continuada de docentes que trabalham com crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos? Destaca-se que o encontro entre cinema e bordado abriu possibilidades de (re)invenção de experiências narrativas na formação continuada de professores/as. Bordar as cenas cinematográficas permitiu aos docentes, em especial, 21


pensar sobre a importância do trabalho coletivo, questionar suas representações acerca dos sujeitos com os quais trabalham e potencializar sua educação do olhar, entre outros aspectos. A Terceira Parte do livro, “DVD: Documentários – Criações fílmicas de professores/as”, contém algumas palavras para situar e apresentar os documentários do DVD que o acompanham, realizado ao longo do projeto que deu origem ao livro. Os cinco curtas são uma realização dos grupos de pesquisa, ensino e extensão já mencionados e estão direta ou indiretamente integrados ao referido projeto de pesquisa do Edital Universal do CNPq. O primeiro deles, Enredos da vida, telas da docência: os professores e o cinema, é uma criação de Macelle Khouri e Rogério Luiz, professora pesquisadora e professor pesquisador do Curso de Cinema e do Janela Indiscreta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus de Vitória da Conquista. O segundo documentário, Além das montanhas, é uma criação de Cristiano Rodrigues. Trata-se de uma parte da História de Vida da professora Maria Teresa Freitas, uma realização do Grupo de Pesquisas Linguagem, Interação e Conhecimento (LIC), da Universidade Federal de Juiz de Fora. O terceiro curta, Cinegrafando, é um trabalho do GEPEIS/UFSM e integra o projeto de formação continuada realizado por esse grupo em parceria com a SMED/Prefeitura Municipal de Santa Maria e com o Sindicato dos Professores de Santa Maria (SINPROSM), no Rio Grande do Sul. Neste mesmo DVD, está outro curta, que também integra o trabalho do GEPEIS, intitulado A estação do medo, realizado por estudantes de escolas públicas, escolhido pelas professoras do projeto de formação para apresentação nas escolas. Finalizando as criações fílmicas de professores/as, pesquisadoras e estudantes, está o vídeo-documentário O cinema abraça as Arpilleras... pelas mãos da escola. Esse trabalho, além de ser um desdobramento e realização do projeto Enredos da Vida, Telas da Docência: os/as Professores/as e o Cinema acima mencionado, é uma realização do Grupo Mutum: Educação, Docência e Cinema da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/ UFMG), sendo o roteiro e a edição de Mariana Fonseca Machado. Concluindo o livro, encontra-se o Posfácio, intitulado “Isso que me olha”, sugestão e dádiva dos/as amigos/as do Janela Indiscreta – um Programa de Extensão da UESB (Campus de Vitória da Conquista) e grupo de referência nos territórios da educação e cinema no Brasil. 22


Com a publicação desse belo texto, queremos não apenas socializá-lo com os/as leitores, mas celebrar, relembrar e homenagear seu autor, Valter Aparecido Rodrigues, amigo muito querido dos colegas do Janela Indiscreta. Para encerrar, cabe uma explicação: quando estávamos concluindo a montagem do livro e DVD, fomos impactadas pelo desastre socioambiental de responsabilidade das mineradoras Samarco, Vale (do Rio Doce) e BHP, do dia 5 de novembro de 2015, no distrito de Mariana, onde se localiza uma parte da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Diante de tão grave e cruel acontecimento, não poderíamos entregar o livro à editora sem denunciarmos o fato, de um lado, e exigirmos punição imediata, integral e irrestrita, de outro. Seria impossível não solidarizarmos com os atingidos direta e indiretamente por esse crime: das crianças aos/às trabalhadores/as; dos rios às terras; dos animais e plantas às matas, seres de vida, criminosamente mortos, arrasados hoje e décadas mais e mais. Daí o in memoriam e a dedicatória que abrem a publicação. Terminando, AGORA É A SUA VEZ! Venha nos interrogar, nos completar, nos expandir. Queremos ser você conosco: em nossas diferenças, proximidades e distâncias, limites e possibilidades, nossos inacabamentos. Entre indignações e esperanças. Aqui e ali, sempre. Virtual e presencialmente ou de que modo seja, que nos faça mais fortes e leves. Mais bonitos, vagando entre educação e cinema! Que todos/as desfrutemos das palavras, das imagens, das ideias, das possibilidades aqui contidas. Aqui anunciadas. Sobretudo nestes tempos em que temos o desafio de levar o cinema brasileiro às escolas de educação básica, implementando a Lei n.º 13.006/2014, esperamos haver contribuído nesta tarefa com esta publicação. Nós vamos precisar de todo mundo. Um mais um... Um grande abraço. As organizadoras (Inês, Célia, Jaqueline, Margareth, Milene e Valeska) Belo Horizonte, Juiz de Fora, Mariana, São João del-Rei (Minas Gerais)/ Vitória da Conquista (Bahia)/Santa Maria (Rio Grande do Sul) Novembro de 2015

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