3º TRIMESTRE 2021
PESTE SUÍNA AFRICANA, AQUI NÃO!
Guilherme Zaha Takeda e Ronaldo Carneiro Teixeira
p. 22
Uma visão técnica e inovadora da suinocultura nacional.
suinobrasil.porcino.info /suínobrasil
04
Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
14
Uso de enzimas na nutrição de suínos Amanda Dione Silva & Tarciso Tizziani
Mirtha Elizabet Suarez Duarte Ricardo Pereira Laub Prof. Roberto Guedes
Zootecnista, MsC. DsC Produção e Nutrição de Monogátricos
Escola de Veterinária da UFMG
22 10
Bem estar animal no transporte e abatedouro Dr. Antonio Velarde Chefe do programa de bem-estar animal do Institute of Agrifood Research and Technology (IRTA)
Peste Suína Africana, Aqui Não! 1
Guilherme Zaha Takeda & Ronaldo Carneiro Teixeira
2 1
Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário e Chefe da Divisão de Sanidade dos Suídeos/CAT/CGSA/DSA/DAS 2 Coordenador Geral de Planejamento e Avaliação Zoossanitária do Departamento de Saúde Animal
suinobrasil.porcino.info 1 suínoBrasil 3º trimestre 2021
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Suinocultura 5.0: O futuro já chegou
49
Luciano Roppa
Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber? 1
Cátia L. A. Fernandes, Marlon G. Barros Filho 3 Jeferson Clementino
Médico Veterinário
2
1
Mestre em Nutrição e Produção de Suínos, Doutorando em Nutrição e Produção de Suínos , 3 Graduando em Zootecnia; 2
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O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura Jaqueline Caye Julia Buffon 3 Rafael Cellupi 4 Ricardo Leidens 1
2
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1Kemia Tratamento de Efluentes, Setor de
1
Laya Kannan Augusto Hauber Gameiro 3 Cesar Augusto Pospissil Garbossa
pesquisa e desenvolvimento 2Kemia Tratamento de Efluentes, Setor de engenharia e projetos 3Kemia Tratamento de Efluentes, Sócio-diretor 4Kemia Tratamento de Efluentes, Sócio-diretor
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Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso 2
1
Zootecnista, Mestre em Ciências, Doutoranda do Laboratório de Pesquisa em Suínos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo 2 Engenheiro Agrônomo, Contador e Administrador, Doutor em Economia Aplicada, Professor Associado no Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo 3 Médico Veterinário, Doutor em Ciências, Professor Doutor no Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo
DEOXYNIVALENOL – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos? Cândida Azevedo Zootecnista, MsC. Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens
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GLÄSSER, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial M.V.Z Mauricio Alberto Vera Lizarazo
2 suínoBrasil 3º trimestre 2021
PESTE SUÍNA AFRICANA, AQUI NÃO!
J
á se passavam quase 40 anos sem notificações da Peste Suína Africana nas Américas. Portanto, as recentes notificações na República Dominicana e Haiti (América Central) representa um alto risco para toda a América Latina. As notificações deixaram a suinocultura brasileira em alerta, dado o aumento da produção e das exportações do país nos últimos anos. E para esclarecer os planos de ação implementados desde a notificação de PSA na República Dominicana e as principais características da doença, esta edição traz como capa a entrevista com o Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário e Chefe da Divisão de Sanidade dos Suídeos/CAT/ CGSA/DSA/DAS, Guilherme Zaha Takeda e o Coordenador Geral de Planejamento e Avaliação Zoossanitária do Departamento de Saúde Animal, Ronaldo Carneiro Teixeira. E acompanhando o dinamismo da cadeia suinícola a terceira edição da SuínoBrasil conta com temas atuais nas áreas de Patologia, Bem-estar, Nutrição, Meio ambiente, Saúde Intestinal e Gestão de Mercado. E em mais uma edição, contamos com a colaboração de grandes profissionais do setor. Um deles é o Professor Roberto Guedes, que em co-autoria com os pesquisadores Mirtha Elizabet Suarez Duarte e Ricardo Pereira Laub, apresentam de forma dinâmica as manifestações clínicas da enteropatia proliferativa suína (EPS) ou ileíte. E o Médico Veterinário Mauricio Alberto Vera Lizarazo, explora uma das principais doenças no período de transição da suinocultura comercial, a doença de Glässer. Em tempos de grãos caros, gerir a propriedade suinícola é um desafio para os produtores e as ferramentas para uma boa gestão são apresentadas pela Doutoranda Laya Kannan e os Professores Dr. Augusto Hauber Gameiro e Dr. César Augusto Pospissil Garbossa. Além disso, os Doutores em Zootecnia Amanda Dione Silva e Tarciso Tizziani abordaram uma das estratégias utilizadas para otimizar a utilização dos alimentos, visto que mais de 70% dos custos de produção “O uso de enzimas na nutrição de suínos”.
Outro tema bastante discutido no setor é a contaminação dos grãos por micotoxinas, isto porque o Brasil possui excelentes condições climáticas para o desenvolvimento da produção de grãos e também das micotoxinas. E um dos contaminantes de cereais mais prevalentes, a Deoxynivalenol é abordado pela Coordenadora e Redatora da SuínoBrasil, Cândida Azevedo. Entenda qual o impacto da DON sobre a saúde intestinal de suínos. A suinocultura moderna busca maximizar o desempenho das matrizes suínas, visando o aumento da produção de carne em qualidade e quantidade. E para o sucesso do sistema de produção é necessário atentar-se às principais fases do sistema de produção: a gestação e a lactação. Os integrantes do NESUI e NUFSUI, Cátia L. A. Fernandes, Marlon G. Barros Filho e Jeferson Clementino apresentam os cuidados nutricionais com as matrizes suínas no artigo “Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes - o que devemos saber?” E você já ouviu falar em suinocultura 5.0? E se engana quem acredita que a Suinoultura 5.0 é “coisa” do futuro e quem nos mostra que o futuro já chegou é o Médico Veterinário, Luciano Roppa. E o avanço na suinocultura é acompanhado pelo aumento de águas residuárias oriundas desses processos. E, visto a necessidade de adequação dos parâmetros físico-químicos para que o efluente da suinocultura tenha um destino ambientalmente correto, uma das possíveis alternativas é apresentada pela equipe vencedora do INOVAPORK 2019, o uso da eletrofloculação. Tudo isso sem esquecer do bem-estar animal, do nascimento até o momento do abate, e o Chefe Chefe do programa de bem-estar animal do Institute of Agrifood Research and Technology (IRTA), Dr. Antonio Velarde, apresenta as boas práticas no transporte e abatedouro! Convido a você leitor para explorar o que há de mais atual na suinocultura brasileira.
Boa leitura!
EDITOR AGRINEWS LLC
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DIREÇÃO TÉCNICA César Augusto Pospissil Garbossa
COORDENAÇÃO TÉCNICA E REDAÇÃO Cândida P. F. Azevedo
COLABORADORES Guilherme Zaha Takeda Ronaldo Carneiro Teixeira Roberto Guedes Mirtha Elizabet Suarez Duarte Ricardo Pereira Laub Laya Kannan Augusto Hauber Gameiro César Augusto Pospissil Garbossa
Luciano Roppa Amanda Dione Silva Tarciso Tizziani Cátia L. A. Fernandes Marlon G. Barros Filho Jeferson Clementino Jaqueline Caye Julia Buffon Rafael Cellupi Ricardo Leidens Antonio Velarde
ADMINISTRAÇÃO Inés Navarro Tel: +17866697313 suinobrasil@grupoagrinews.com www.suinobrasil.porcino.info
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3 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021
ILEÍTE POR LAWSONIA INTRACELLULARIS: PATOGENIA, SINAIS CLÍNICOS E FORMAS DE APRESENTAÇÃO DA DOENÇA patologia
Mirtha Elizabet Suarez Duarte, Ricardo Pereira Laub, Prof. Roberto Guedes Escola de Veterinária da UFMG
A enteropatia proliferativa suína (EPS) ou ileíte, é uma doença infectocontagiosa que acomete a espécie suína. As lesões características da Ileíte foram primeiramente descritas no ano de 1931, porém a etiologia dessa doença ficou desconhecida até o ano de 1974, quando conseguiram visualizar o agente etiológico por imunofluorescência e microscopia eletrônica e a partir de então, foi possível realizar o isolamento do agente e preencher o postulado de Koch, reproduzindo experimentalmente a doença na espécie alvo. No mesmo ano, foi realizada a classificação do agente etiológico da enterite proliferativa.
Foi descrito que a bactéria pertencia a classe Proteobacteria. Posteriormente, foi possível determinar que o agente pertencia a família das desulfovibrionaceas, sendo denominada Lawsonia intracellularis.
4 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
Além da espécie suína, existe uma crescente importância dos equinos na ocorrência dessa enfermidade.
A EPS é endêmica em granjas e sistemas de produção de suínos em todos os países produtores, é responsável por grandes perdas econômicas, e sua ocorrência está frequentemente associada à presença de lesões macroscópicas sugestivas.
A transmissão é oro-fecal, a eliminação da bactéria nas fezes inicia-se a partir da primeira semana após infecção e dura por até 12 semanas, de forma intermitente e coincide com o aparecimento dos sinais clínicos. Animais que se recuperaram naturalmente da doença, deixam de eliminar quantidade detectável do agente nas fezes sendo incapazes de transmitir a doença para animais não infectados.
patologia
Apesar de existirem relatos do acometimento dessa enfermidade em várias espécies de animais, a espécie suína possui maior importância, devido ao maior impacto que a doença causa sobre o sistema de produção.
Semana 1 INFECÇÃO
Outras espécies de animais domésticos e silvestres infectados por L. intracellularis foram relatados, sendo que algumas tem potencial importância epidemiológica, como os roedores. Gabardo et al (2017) demonstraram que camundongos expostos às fezes frescas de suínos infectados por L. intracellularis podem se infectar e eliminar o agente nas fezes, e que suínos expostos a fezes de camundongos positivos para L. intracellularis se infectam e apresentam a forma subclínica da doença. Esse trabalho indicou que camundongos são capazes de se infectar, eliminar o agente nas fezes e serem, portanto, hospedeiros e fontes de infeção para suínos susceptíveis.
Eliminação de bactérias nas fezes
Aparecimento de sinais clínicos
Surtos de EPS ocorrem em rebanhos sem infecção prévia, o que sugere que outras fontes de infecção possam estar associadas. Da mesma forma que os roedores, outros animais como pássaros, insetos e suídeos selvagens podem representar papel importante na transmissão dessa enfermidade para suínos domésticos, devido à sua proximidade com as granjas.
5 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
PATOGENIA A transmissão da doença ocorre através da ingestão de matéria fecal contaminada com L. intracellularis e pesquisas de inoculação experimental em leitões desmamados com o agente etiológico da EPS, mostraram numerosas bactérias intracelulares visualizadas no citoplasma de enterócitos e nas fezes, cerca de 1 a 3 semanas após a inoculação.
patologia
O pico de infecção e ocorrência de lesões foi cerca de 3 semanas após o desafio.
Quanto a persistência da infeção, na maioria dos animais, a lesão proliferativa e a eliminação do agente nas fezes persistem por aproximadamente 4 semanas. Entretanto a excreção pode persistir por até 12 semanas após a inoculação. Relatos de transmissão indireta da L. intracellularis não são bem conhecidos, mas a disseminação do agente em pequenas distâncias, por exemplo entre baias de uma mesma sala, já foi documentada, o que sugere o papel de fômites na disseminação da bactéria para animais susceptíveis, como baias e equipamentos sujos com fezes contaminadas podem manter um ciclo contínuo de infecção em animais recentemente alojados.
Acerca da progressão de lesões de EPS, foram realizados estudos em hamsters e suínos, porém apenas um número limitado desses estudos explorou os eventos iniciais envolvidos na infecção por L. intracellularis. Sua presença consistente nas células das criptas intestinais observadas durante o estágio ativo da infecção revelou tropismo deste organismo por enterócitos em divisão ou imaturos.
Além disso, a divisão rápida de células em cultura promove o crescimento das bactérias melhor do que células diferenciada. Recentemente, foi demonstrado que macrófagos são permissivos a infecção por L. intracellularis, mas sua importância na disseminação intestinal do agente ainda não foi definida.
6 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
SINAIS CLÍNICOS O papel da apoptose em infecções por L. intracellularis tem sido especulado ao longo dos anos. Inicialmente, pensou-se que a redução temporária da apoptose fosse um importante mecanismo envolvido na proliferação celular. Contudo, a inibição da apoptose de enterócitos não está envolvida na progressão das lesões causadas pela infecção por L. intracellularis e na patogênese da enteropatia proliferativa suína.
A infecção por L. intracellularis pode se manifestar de três formas diferentes. A adenomatose intestinal crônica, geralmente observada em animais entre 6 e 20 semanas de idade. Os sinais clínicos dessa forma são a diarreia pastosa de coloração amarelada a acinzentada, variação de peso entre os animais, e redução no ganho de peso diário e conversão alimentar.
Esses achados indicam que a bactéria é capaz de afetar a diferenciação de enterócitos infectados e, posteriormente, causaria aumento do número de células imaturas nas criptas, solutos não absorvidos no lúmen, mais o excesso de eletrólitos retém água no lúmen, portanto, a diarreia mal absortiva parece ser o principal processo envolvido na fisiopatologia da diarreia por EP.
patologia
Outros achados importantes como a redução significativa da absorção intestinal de glicose e eletrólitos foi demostrada através da inoculação experimental de hamsters.
A segunda forma de manifestação clínica da doença é a forma aguda, geralmente observada em animais adultos jovens, ou matrizes e machos com origem de granjas de alto padrão sanitário que são introduzidos em novos sítios de produção. Nesses casos, em geral, os animais são encontrados mortos sem sinal clínico prévio, ou então podem desenvolver um quadro de diarreia sanguinolenta com óbito dentro de 2 a 5 dias após o início dos sinais clínicos.
7 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
FORMAS DE APRESENTAÇÃO DA DOENÇA As alterações anatomopatológicas observadas na forma crônica da doença incluem edema de mesentério na região de inserção com as alças intestinais, aspecto cerebroide da serosa, espessamento da parede intestinal com evidenciação das pregas da mucosa intestinal. A região mais afetada em geral é o íleo, porém podem ser observados lesões em todas as porções dos intestinos delgado e grosso. Nos animais com lesões mais acentuadas, pode ser observado fibrina e necrose na superfície da mucosa. Lesões brandas podem ser isoladas ou então nem serem observadas na macroscopia.
patologia
A última forma de apresentação observada é a subclínica ou endêmica da doença, onde é observado desuniformidade dos lotes, baixo ganho de peso diário e piora na conversão alimentar na ausência de um quadro clínico diarreico evidente. Essa forma da doença é responsável por aumentar de forma significativa os custos de produção. A redução no GPD pode variar de 17 a 84% e a redução da conversão alimentar em mais de 50%.
Na forma aguda, a principal lesão observada na macroscopia é hiperemia e espessamento da mucosa intestinal associado a presença de sangue no lúmen intestinal. Lesões inespecíficas como edema de mesentério e efusão peritoneal também podem ser encontradas. Após o surgimento dos sinais clínicos, pode ocorrer o aparecimento de coágulos sanguíneos e uma membrana de fibrina recobrindo o epitélio intestinal lesionado.
8 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
A visualização do agente na porção apical dos enterócitos, ou no interior de macrófagos da lâmina própria e submucosa, pode ser feita através da técnica de imuno-histoquímica, hibridização ‘in situ’ fluorescente (FISH), ou pela coloração especial de Warthin-Starry.
CONSIDERAÇÕES FINAIS A enteropatia proliferativa suína é uma enfermidade altamente prevalente, cujos impactos devem ser avaliados em cada rebanho. As manifestações clínicas nem sempre são evidentes, mas o custo da doença somente pode ser avaliado com a adoção de medidas específicas contra a doença.
Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
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9 Suíno Brasil 3º trimestre | Ileíte por Lawsonia intracellularis: patogenia, sinais clínicos e formas de apresentação da doença
patologia
Na microscopia, em função da proliferação das células imaturas da cripta intestinal, é observado marcante diminuição de células caliciformes, ocorre também acúmulo acentuado de material proteináceo no interstício e interior dos vasos linfáticos da lâmina própria. Pode ser observado hemorragia e algum infiltrado inflamatório. Nas criptas intestinais é observado presença de epitélio hiperplásico e pouco diferenciado.
BEM-ESTAR ANIMAL NO TRANSPORTE E
ABATEDOURO
bem-estar animal
Dr. Antonio Velarde Chefe do programa de bem-estar animal do Institute of Agrifood Research and Technology (IRTA)
Durante o transporte e a permanência no abatedouro, os suínos são submetidos em um período relativamente curto a um grande número de agentes estressores, que incluem:
Interação com pessoal desconhecido e manejo diferente
Falta de água e alimento
Processo de carga e descarga Mistura de lotes de animais
Movimentação do veículo
10 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Bem-estar animal no transporte e abatedouro
Mudanças de temperatura e umidade relativa
A resposta ao estresse durante o transporte e, portanto, seu bem-estar, é acentuada em animais feridos ou doentes. Por este motivo, é necessário realizar uma inspeção dos animais antes do carregamento para determinar se eles são aptos para o transporte.
Embora cada um desses fatores separadamente tenha pouco ou nenhum efeito negativo sobre seu bem-estar, a combinação de vários deles tem efeitos aditivos, aumentando a resposta do animal ao estresse.
Animais muito fracos ou feridos, aqueles que não são capazes de se moverem adequadamente e aqueles que nasceram recentemente ou estão com mais de 90% de gestação não devem ser transportados.
TRANSPORTE
bem-estar animal
O transporte de suínos começa com sua inspeção e preparação.
Jejum Os suínos são uma das espécies mais sensíveis ao estresse do transporte e é aconselhável submeter ao jejum por um período mínimo de 5 horas antes do início do transporte para garantir que o estômago esteja vazio e assim reduzir o risco de mortalidade por tonturas ou vômitos. No entanto, o jejum muito longo pode causar fome e cansaço, além de aumentar a agressividade. Após 16 horas de jejum em suínos, os animais passam a mobilizar as reservas de gordura e proteína como principal fonte de energia. Portanto, jejuns totais até o abate mais longos do que esses períodos não são recomendados.
Todos os animais devem ter água disponível até o momento do carregamento.
Carga e descarga Carga e descarga de animais são os momentos mais estressantes no transporte. Durante este processo, os animais são transportados das instalações para o caminhão. O estresse é tanto físico, uma vez que o animal deve se esforçar excessivamente durante seu movimento, quanto psicológico, uma vez que são transferidos para um ambiente desconhecido por pessoas que também lhe são desconhecidas.
11 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Bem-estar animal no transporte e abatedouro
Em condições de densidade elevada os animais são susceptíveis a fadiga adicional durante a viagem, pois não têm espaço para se deitarem adequadamente. Além disso, aumenta a frequência de brigas e aumenta a temperatura do interior do veículo, o que pode causar estresse térmico.
Na medida do possível, deve-se ter cuidado para que os animais não sejam manuseados de maneira indelicada e o uso de bastões e bastões elétricos é proibido.
Viagens muito longas representam um risco maior para o bem-estar dos animais, pois aumentam o cansaço, a fome e a sede.
bem-estar animal
Durante o carregamento, muitos animais que não tiveram contato anteriormente. Ao misturar animais de grupos diferentes, os animais tendem a estabelecer uma nova hierarquia social por meio de interações agressivas.
A viagem termina quando os animais são descarregados do caminhão, por isso deve ser feito sem demora assim que eles chegarem ao abatedouro.
O piso dos caminhões deve ser antiderrapante e construído de forma a evitar a produção de ferimentos aos animais. É importante que o design permita uma boa limpeza. O veículo deve oferecer proteção eficaz contra os intempéries climáticos. Além disso, os caminhões devem ser dotados de sistema de ventilação que permita a renovação do ar em todos os compartimentos e mantenha temperatura e umidade relativa adequadas. Se o veículo não tiver ventilação automática, no verão a temperatura tende a subir durante as paradas. Por este motivo recomenda-se que os transportes que decorram durante o verão sejam efetuados sem paragens e nos períodos mais frescos do dia.
A densidade da carga durante o transporte deve permitir que os animais tenham espaço suficiente para ficar em uma posição natural e poderem se deitar ao mesmo tempo.
ABATEDOURO Ao chegar ao abatedouro, os animais são descarregados e normalmente conduzidos para baias para aguardar o momento do abate. A principal função da espera é ajudar os animais a se recuperarem do estresse do transporte. No entanto, as baias são um ambiente novo e desconhecido para o animal, ao qual ele precisará se adaptar. É importante que as baias tenham água disponível durante o período de espera e que o espaço seja suficiente para o descanso. Também é aconselhável dar banho nos animais se a temperatura ambiente for alta. Outros problemas de bem-estar, como a fome, não podem ser mitigados, por isso é recomendado que os suínos fiquem nas baias de espera o menor tempo possível e, se o transporte não tiver sido estressante, eles são conduzidos diretamente do descarregamento para o abate.
12 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Bem-estar animal no transporte e abatedouro
Insensibilização Para evitar a dor e o estresse causados pelo processo de sangramento, os animais são previamente insensibilizados. Existem dois métodos principais de insensibilização em suínos: Insensibilização elétrica Insensibilização por exposição à Dióxido de Carbono (CO2) em altas concentrações
No sistema de insensibilização por CO2, os suínos são colocados em gaiolas e baixados para um poço onde há uma concentração de CO2 de 80-90%.
A corrente elétrica é determinada pela relação entre voltagem, intensidade e resistência.
INSENSIBILIZAÇÃO POR CO2
INSENSIBILIZAÇÃO ELÉTRICA
A insensibilização causada pela eletronarcose é considerada uma consequência da indução de uma crise epiléptica.
Se a aplicação da corrente for limitada à cabeça, um estado de insensibilidade reversível é induzido e a consciência pode reaparecer antes que o processo de sangramento esteja completo se o sangramento for retardado. O sistema cabeça-corpo, que consiste na aplicação de um terceiro eletrodo na zona de projeção do coração causando fibrilação ventricular, parada cardíaca e morte do animal, é um sistema de insensibilização irreversível. CATEGORIA
PESO (KG)
AMPERAGEM (A)
Leitões
< 4,5
não recomendado método elétrico
Leitões
> 4,5
0,5
240
de 4,5 a 100
1,3
240
> 100
1,3 a 2
240
1,3 a 2
240
Matrizes e reprodutores Fonte: OIE (2016)
VOLTAGEM (V)
Este sistema não requer contenção de animais e permite a insensibilização em grupos, reduzindo o estresse antes do abate. O CO2 causa perda da consciência devido a uma depressão da função neuronal. No entanto, o CO2 é um gás ácido e sua inalação causa irritação da mucosa. Além disso, o dióxido de carbono é um poderoso estimulador respiratório que causa hiperventilação e uma sensação de asfixia antes da perda de consciência.
Bem-estar animal no transporte e abatedouro
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TABELA 1. Parâmetros elétricos por categoria para insensibilização em suínos.
13 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Bem-estar animal no transporte e abatedouro
bem-estar animal
A insensibilização elétrica corresponde à passagem de uma corrente elétrica pelo cérebro de intensidade suficientemente alta para causar uma despolarização do sistema nervoso central e uma interrupção da atividade elétrica normal.
USO DE ENZIMAS NA NUTRIÇÃO DE SUÍNOS
nutrição
Amanda Dione Silva1, Tarciso Tizziani1 1 Zootecnista, MsC. e DsC Produção e Nutrição de Monogátricos
Enzimas são proteínas catalisadoras que atuam acelerando diferentes reações no organismo dos animais. No tocante à nutrição, as enzimas endógenas possuem como objetivo principal promover a transformação das macromoléculas dos componentes alimentares em frações menores e solúveis, facilitando a sua absorção.
14 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
No trato gastrointestinal, as
O aparato enzimático do suíno muda
enzimas são liberadas na forma de
no decorrer de sua vida produtiva e,
zimogêneos e então são ativadas.
com o avançar da idade, as enzimas
Inicialmente, a nível estomacal, o
endógenas passam a ter maior ou
pepsinogênio sofre ação do ácido
menor importância de acordo com o
clorídrico, tornando ativa a pepsina.
substrato encontrado na dieta. A lactase, por exemplo, é a principal enzima responsável pela digestão da lactose presente no leite. Sua liberação é reduzida com a mudança da alimentação dos leitões, através da introdução de alimentos sólidos na dieta.
Nesse sentido, entende-se o desmame como um momento impactante, já que
nutrição
A pepsina é responsável por ativar as enzimas logo após a secreção pancreática na porção inicial do intestino delgado.
industrialmente ocorre de maneira precoce, antes do leitão atingir sua maturidade digestiva. Outro fator agravante é a introdução de alimentos de origem vegetal. Neste momento, recomenda-se a utilização de dietas altamente digestíveis para leitões, com ingredientes de alto valor biológico e/ou fazer uso de enzimas exógenas.
15 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
Para todo nutricionista de suínos, na
A utilização de aditivos alimentares para
formulação de rações é importante
os vários estágios de desenvolvimento
otimizar a utilização dos alimentos,
dos suínos trouxe avanços significativos
visto que mais de 70% dos custos de
na qualidade das rações, proporcionando
produção são destinados à alimentação.
melhora no desempenho animal e,
Para isso, é fundamental o conhecimento da exigência
consequentemente, rentabilidade do sistema de produção.
nutricional dos animais de acordo
Dentre esses aditivos destacam-se as
com cada categoria e seu nível de
enzimas exógenas, que são utilizadas
produção, além do valor nutricional
visando principalmente facilitar a
dos ingredientes utilizados, para
digestão dos componentes das
que dessa forma sejam elaboradas
dietas dos animais, aumentando
dietas adequadas a custos mínimos,
o aproveitamento de nutrientes
resultando em maior eficiência
específicos (amido, proteína e
produtiva.
lipídeos). Além disso, a adição de enzimas
nutrição
exógenas em dietas de suínos está associada a redução de fatores antinutricionais dos alimentos e ao auxílio na digestão de componentes não-digeridos.
As dietas devem ser adequadas a um custo mínimo
Naturalmente o uso de fitases na hidrólise de fitatos e carboidrases na quebra de carboidratos (Polissacarídeos não amiláceosPNAs e fibras), mas também enzimas capazes de inativar micotoxinas e fatores alergênicos da soja (glicinina e β-conglicinina), por exemplo. A aplicação de enzimas com esse fim vem aumentando continuamente com o intuito principal de reduzir o impacto negativo sobre a saúde dos animais.
16 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
Outra abordagem que merece enfoque quanto ao uso de enzimas em rações para suínos diz respeito a redução de excreção de nutrientes para o meio ambiente. Melhorar a taxa de utilização de
Sabe-se ainda que o crescimento e a
nutrientes importantes como
eficiência alimentar são influenciados
fósforo e nitrogênio reduz a
pela saúde intestinal, pelo sistema
eliminação desses nutrientes via
imune e a microbiota intestinal. O uso
fezes e urina.
de enzimas melhora a digestibilidade dos alimentos e reduz a presença de
Esse viés sustentável tem importante
substrato que poderia ser utilizado por
destaque por prevenir a contaminação
patógenos entéricos.
do solo e água quando os dejetos são destinados de modo inadequado.
A quebra de oligossacarídeos por carboidrases, por exemplo, tem um impacto na modulação da
Aliado aos fatores anteriormente no custo final da ração com
nutrição
microbiota.
citados, destaca-se o impacto
Essas funções exercem grande
a suplementação de enzimas
importância na manutenção da
através da melhor utilização dos
função de barreira intestinal.
nutrientes no trato gastrointestinal do suíno e, consequentemente, a
O desenvolvimento morfológico e a
menor inclusão de determinados
manutenção da integridade intestinal
ingredientes fundamentais ao
também são efeitos positivos do uso
desenvolvimento animal.
de enzimas em rações.
+ O uso de enzimas melhora a digestibilidade dos ingredientes
reduz a presença de substrato que poderia ser usado por patógenos entéricos
17 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
A maioria dos ingredientes tradicionalmente usados na ração de suínos
ENZIMA
PRINCIPAL SUBSTRATO
INGREDIENTES
Amilase
Amido
Todos os cereais
B-glucanase
PNAs
Trigo, triticale, cevada, centeio
Lipase
Lipídeos
Lipídeos
Fitase
Fitato
Todos ingredientes vegetais
Protease
Proteínas
Ingredientes derivados de plantas
Xilanase
PNAs
Trigo, triticale, cevada e centeio
apresenta pelo menos um componente que pode não ser totalmente digerido pelo animal, reduzindo a eficiência alimentar. Muitos deles também podem desencadear uma resposta inflamatória no organismo, processo que é ainda mais preocupante em suínos jovens, nos quais o sistema imunológico é fisiologicamente imaturo.
nutrição
Uma resposta inflamatória desencadeada pela dieta redireciona a energia que seria usada no crescimento animal para outros processos.
Adicionar enzimas exógenas que correspondam ao perfil dos compostos mal digeridos é uma
Adaptado de Mavromichalis, 2006.
impacto desses efeitos deletérios,
Tabela 1. Descrição das principais enzimas disponíveis para dietas em suínos
além de tornar possível a utilização
As enzimas são altamente específicas, ou
estratégia excelente para reduzir o
de diferentes ingredientes nas rações animais.
seja, para cada uma delas há um substrato principal, estando sua função diretamente relacionada a este substrato (Tabela 1). Essa especificidade está associada a estrutura da enzima, a qual apresenta um sítio ativo para acoplamento formando o complexo enzimasubstrato, que posteriormente será convertido à enzima e produto. Dessa forma, o conhecimento adequado do substrato de atuação das enzimas é fundamental para a suplementação enzimática.
18 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
A estrutura molecular das enzimas é
Para a formulação de dietas com a
relativamente frágil, podendo esta ser
aplicação de enzimas exógenas é
desnaturada por condições inadequadas
importante considerar a matriz nutricional,
de temperatura e acidez, além de ter suas
que constitui a quantidade de nutrientes
funções prejudicadas pela presença de
que será disponibilizada ao animal a partir
outros ingredientes na mistura.
da adição de determinada dose de enzima. A matriz nutricional disponibilizada pelo fornecedor é dependente da atividade
Portanto, as enzimas exógenas
da enzima, quantidade e tipo de
para serem adicionadas às dietas de
substrato e forma de incorporação da
suínos devem ser estáveis durante
enzima à dieta (Dourado et al., 2014).
o armazenamento e compatíveis com os minerais, vitaminas e outros componentes das rações e premixes que serão fornecidos na granja. Além disso, é desejável que as
Atenção deve ser dada ainda quando se utilizam diferentes enzimas simultaneamente, considerando a matriz nutricional de ambas. nutrição
enzimas sejam termoestáveis durante o processamento, resistentes a determinadas variações de pH e à atividade
Em relação a incorporação das enzimas,
proteolítica no trato digestivo
existem diferentes abordagens utilizadas
do animal.
na formulação de rações:
1 De acordo com a Instrução Normativa
nutricionais; e
2004) as enzimas exógenas são uma vez que influenciam positivamente o desempenho dos animais.
“on top” da enzima exógena em uma dieta padrão sem o ajuste dos níveis
nº 13 de 2004 do MAPA (MAPA, consideradas aditivos zootécnicos,
Uma abordagem consiste na adição
2
a outra envolve a formulação da dieta com a redução dos nutrientes presentes após a inclusão da enzima exógena conforme a recomendação
Essas moléculas são produzidas
da sua matriz.
naturalmente por microrganismos tais como bactérias, fungos e leveduras. O processo de indução industrial e a seleção do microrganismo determina qual a enzima a ser produzida.
19 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
ENZIMAS UTILIZADAS NA NUTRIÇÃO DE SUÍNOS FITASE A fitase é a enzima exógena mais utilizada na dieta de monogástricos. Consiste em uma fosfatase que catalisa reações que levam a remoção do grupamento fosfato do ácido fítico ou do seu sal fitato (Dersjant-Li et al. 2015).
P Pela utilização da fitase é possível Ca
aumentar a digestibilidade do fósforo e cálcio, bem como de outros minerais, além de disponibilizar aminoácidos complexados ao ácido fítico.
A incorporação de fitase às dietas ainda nutrição
reduz o impacto negativo da excreção do
O fósforo é um elemento essencial em diversos processos biológicos dos suínos, devendo, portanto, ser fornecido na dieta em quantidades adequadas ao desenvolvimento animal. A maioria dos ingredientes vegetais da dieta são ricos em fósforo, porém boa parte dele encontra-se estocado nas sementes na forma de fitato, e, portanto, indisponível ao animal.
fósforo inorgânico no meio ambiente.
PROTEASE
XILANASE
O uso de proteases tem como principal
As xilanases são carboidrases que
objetivo aumentar a digestibilidade
degradam as frações de arabinoxilanos
proteica dos alimentos utilizados em
presentes em diferentes concentrações
suínos e, consequentemente, aumentar a
nos ingredientes utilizados, contribuindo,
liberação aminoacídica.
portanto, no incremento energético.
A adição de proteases exógenas está relacionada ainda a inativação de fatores antinutricionais, tais como inibidores de tripsina, lectinas e fatores alergênicos presentes nos ingredientes vegetais. Frente ao elevado custo das fontes proteicas na dieta de suínos, a busca por soluções que otimizem o uso da proteína das rações torna-se uma alternativa viável, além de influenciar na menor excreção de nitrogênio pelos animais.
20 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
Os chamados cereais de inverno possuem uma alta concentração de arabinoxilanos (centeio 9,5%; cevada 8,4%; trigo 7,0%) contra pouco mais de 4% no milho (Torres-Pitarch et al., 2017). Contudo, o advento de novos ingredientes, como o DDGS, derivado da fermentação do milho para produção de etanol, a concentração desses componentes aumenta, tornando mais atrativo o uso das carboidrases como as xilanases (Petry e Patience, 2020).
As mananases são responsáveis pela degradação dos galactomananos e β- mananos em oligossacarídeos, que estão presentes em reservas de polissacarídeos das plantas. Em dietas de suínos o farelo de soja é a principal fonte desses compostos, causando efeitos negativos na digestibilidade dos nutrientes e aumento da viscosidade intestinal.
CONCLUSÃO Para os nutricionistas um dos grandes desafios é o entendimento qualitativo das matérias-primas. Primeiramente é importante conhecer nutricionalmente os alimentos
nutrição
MANANASE
utilizados nas formulações, tendo em vista que a aplicação de enzimas é dependente da presença de substrato específico. A valorização da matriz nutricional de uma enzima deve ser feita com
COMPLEXOS ENZIMÁTICOS A associação de duas ou mais enzimas é
precisão, caso contrário, os resultados podem não ser os esperados, com impacto no desempenho dos animais.
chamada de complexos enzimáticos. A suplementação dietética com combinações multi-enzimas é uma realidade na produção de suínos. Seu uso tem resultados consistentes no aumento da digestibilidade e eficiência alimentar, principalmente pelo efeito sinérgico e aditivo entre as enzimas.
Vale ressaltar que o uso comercial de uma enzima está relacionado à pureza ou atividade enzimática (avaliadas e determinadas em condições conhecidas) e estimativa do custo-benefício, considerando os fatores anteriormente citados.
Conhecer a função específica de cada enzima e os substratos presentes na dieta é o ponto chave para formulações com melhor custo de oportunidade.
Uso de enzimas na nutrição de suínos
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21 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Uso de enzimas na nutrição de suínos
Entrevista...
entrevista
PESTE SUÍNA AFRICANA, AQUI NÃO!
Em julho, o primeiro caso da Peste Suína Africana (PSA), em mais de 40 anos, foi registrado no continente Americano, em animais da República Dominicana. E em setembro, foi notificado casos de PSA no Haiti. As notificações deixaram a suinocultura brasileira em alerta, dado aumento da produção e das exportações do país nos últimos anos. Vale lembrar que no Brasil, o último foco da doença foi registrado em 1981 e o país foi declarado livre da Peste Suína Africana em 5 de dezembro de 1984.
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, desde as primeiras ocorrências globais da enfermidade, na Ásia, a ABPA tem liderado junto às agroindústrias do setor a instituição de planos de prevenção de contingência para blindar o setor produtor e exportador de carne suína do Brasil.
22 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
“Embora os cuidados estejam intensificados sobre esta doença, nada mudou e seguimos nas mesmas condições de antes, livres da enfermidade. Nosso objetivo é preservar o rebanho e, indo além, o papel econômico e social do setor produtivo como gerador de empregos, divisas e segurança alimentar para o país. Não estamos poupando esforços para preservar o nosso status sanitário. E sempre é bom lembrar que a doença não tem impacto sobre a saúde humana”, defende.
Quais são as características do VPSA que garantem a sua sobrevivência/ entrevista
prevalência no ambiente? Qual o período de incubação do vírus? A Peste Suína Africana (PSA) é uma doença altamente contagiosa e letal, causada por um vírus composto por DNA fita dupla,
E para esclarecer os planos de ação implementados desde a notificação de PSA na República Dominicana e as principais características da doença, a SuínoBrasil entrevistou o Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário e Chefe da Divisão de Sanidade dos Suídeos/CAT/ CGSA/DSA/DAS, Guilherme Zaha Takeda e o Coordenador Geral de Planejamento e Avaliação Zoossanitária do Departamento de Saúde Animal, Ronaldo Carneiro Teixeira.
pertencente à família Asfarviridae.
A doença afeta exclusivamente suínos domésticos e porcos selvagens e não acomete o homem.
O período de incubação geralmente é de 4 a 19 dias e a severidade da doença está relacionada a diferentes fatores como: dose infectante, virulência da cepa viral, via de infecção e imunidade do hospedeiro.
23 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Quais são as formas de transmissão
Quais são as principais diagnoses
(Direta e Indireta) do vírus da PSA?
clínicas da doença (hiperagudo, agudo, subagudo, crônico)?
O vírus da PSA pode ser transmitido pelas vias direta (principalmente por contato oronasal entre os animais, aerossóis, secreções, excreções, sangue e sêmen) ou
entrevista
indireta (água, alimentos, fômites, trânsito de pessoas, equipamentos, materiais, veículos, vestuários, produtos e alimentos de origem animal).
O fornecimento ou o acesso à restos de alimentos contaminados com o vírus da PSA aos suínos domésticos ou porcos selvagens, sem tratamento térmico, é a forma mais comum de introdução da doença em países ou zonas livres.
Recentemente, estudos têm indicado o papel de vetores como ratos, moscas e mosquitos que podem carrear o vírus, serem ingeridos pelos suínos ou picar os suínos, transmitindo a doença. Nos ciclos epidemiológicos denominados de “silvestre” e “do carrapato” os carrapatos do gênero Ornithodoros spp possuem importância para a transmissão viral e perpetuação do agente.
24 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Forma hiperaguda: mortalidade súbita, podendo não haver a manifestação de sinais clínicos, febre alta (40,5 a 42°C) e extremidades cianóticas, com evolução rápida e mortalidade que pode chegar a 100% dos animais afetados.
Formas aguda e subaguda: febre (40,5 a 42°C), anorexia, letargia, animais amontoados, conjuntivite, vômito, diarreia inicialmente mucoide, evoluindo para diarreia sanguinolenta, extremidades cianóticas, lesões hemorrágicas na pele, dispneia, abortos, paresia de membros posteriores, ataxia, convulsão e a morte pode ocorrer de 7 a 10 dias após o início dos sinais clínicos. As taxas de mortalidade podem variar de 30 a 100%.
Forma crônica: perda de peso, febre (40,5 a 42°C), necrose ou úlceras na pele, artrite, pericardite e sinais clínicos respiratórios. A evolução dos sinais clínicos é lenta, de 2 a 15 meses, e as taxas de mortalidade são baixas.
Os sintomas da PSA podem ser confundidos com quais outras
Em caso de suspeita de ocorrência da PSA, quais medidas devem ser tomadas?
doenças? Caso a PSA ingresse no Brasil, a doença será devastadora para a suinocultura com grande Os sintomas da PSA podem ser confundidos
impacto negativo para as exportações
com a peste suína clássica (PSC), doença
de produtos de carne suína, bem como
de Aujeszky (DA), síndrome reprodutiva e
para o emprego e renda de muitas famílias
respiratória dos suínos (PRRS), circovirose,
brasileiras.
salmonelose, pasteurelose, parvovirose, diarreia viral bovina (BVD), leptospirose, erisipela, infecções por Streptococcus suis, Glaesserella parasuis e intoxicação por cumarínicos.
A redução da produção de carne, decorrente da mortalidade dos animais, poderá ocasionar o desabastecimento no mercado interno e o aumento do preço de prateleira. Além disso, ocasionará gastos
ser realizado em laboratórios oficiais do
públicos e privados para a contenção entrevista
O diagnóstico laboratorial para PSA deve
e a erradicação da doença.
Mapa, no caso da PSA pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Pedro Leopoldo (LFDA-MG).
As amostras de um caso provável de PSA deve ser colhida e remetida ao LFDA-MG por um médico veterinário do serviço veterinário oficial.
25 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Desta forma, a notificação de suspeita de PSA deve ser realizada imediatamente, por qualquer cidadão, ao serviço veterinário oficial (SVO) do estado.Deve-se notificar por qualquer meio de comunicação (presencial, telefone, e-mail ou pelo sistema informatizado e-SISBRAVET), para evitar a disseminação da doença.
entrevista
Acesse o link e-SISBRAVET para notificação:
A presença de “javaporco” ou asselvajados pode ser vista como um risco para o controle sanitário do rebanho nacional? Quais medidas são tomadas para monitoramento das varas de javaporcos? Sim, atualmente a PSA não ocorre nas populações de porcos selvagens
Para o monitoramento destas populações contamos, principalmente,
no Brasil e para evitar a introdução
com os manejadores de fauna, que são
desta grave doença nestas populações
treinados pelo serviço veterinário oficial
devemos evitar a deposição de lixo ou
sobre a doença e assim integrados ao
restos de alimentos no ambiente que podem ser facilmente acessados por porcos selvagens.
26 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
monitoramento da PSA.
No dia 30 de julho o MAPA divulgou o Plano Integrado de Vigilância de Doença dos Suínos que visa fortalecer a capacidade de detecção precoce de casos de Peste Suína Clássica (PSC), Peste Suína Africana (PSA) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), bem como demonstrar a ausência das doenças em suínos domésticos. O plano revisa a Norma Interna 05/2009 e a Norma Interna 03/2014.
Até o momento, quais ações foram reformuladas para manter o país livre da PSA?
Os componentes de vigilância ativa de PSC, PSA e PRRS, na atual zona livre de PSC, também têm grande relevância para demonstrar a ausência das doenças,
O Plano integrado de vigilância para
visando a certificação para comércio de
PSC, PSA e PRRS visa fortalecer a
suínos e seus produtos do Brasil aos mais
vigilância e a resposta às emergências
diversos mercados. entrevista
para estas doenças, além de otimizar o uso de recursos empenhados, com o propósito principal de proteger a suinocultura e a economia nacional da ocorrência das doenças mencionadas e de seus impactos econômicos e sociais, além de garantir a certificação para acesso a mercados.
Para isso, foram reformulados os componentes do sistema de vigilância que atualmente são: vigilância sorológica baseada em risco inspeções em estabelecimentos de criação investigações de casos suspeitos
A rápida detecção de uma eventual introdução dessas doenças é essencial para o sucesso das ações de resposta a emergências, o controle e erradicação do foco, com objetivo de recuperação rápida da condição sanitária. Para isso, estamos atualizando os conhecimentos dos produtores, tratadores e técnicos do setor público e privado sobre as doenças, bem como fortalecendo a interação destes atores para assegurar uma detecção rápida e precisa de doenças.
inspeção em abatedouros
A execução do Plano integrado de vigilância de forma continuada e com níveis adequados de sensibilidade também permite identificar o surgimento ou mudanças de fatores de risco e a adotar medidas de gestão que promovam a mitigação, além do direcionamento eficiente de recursos para áreas e setores estratégicos.
27 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Com a proibição à entrada de produtos de origem suína em bagagens de viajantes de todos os países que ingressarem no Brasil, quantas barreiras e quantos fiscais foram mobilizados para garantir a segurança do rebanho nacional? Qual a principal origem das apreensões?
Os Auditores Fiscais Federais Agropecuários têm reforçado a fiscalização em bagagens de passageiros com intuito de detectar alimentos que não podem adentrar no país.
O Mapa também lançou uma Campanha Nacional de conscientização para ajudar nas ações de prevenção da PSA, em conjunto com a Associação Brasileira das Empresas de Genética Suína (ABEGS),
entrevista
Desde o alerta para o reforço da vigilância agropecuária internacional, já foram realizadas fiscalizações em cerca de 400 voos. Ao todo, foram inspecionadas cerca de 14.000 malas com apreensão de 200 quilos de produtos de origem suína.
Todos os serviços veterinários estaduais foram alertados, e nos Estados com fronteira seca, onde poderiam ingressar imigrantes de áreas de risco, os trabalhos para fiscalização de bagagens, conscientização, prevenção e detecção precoce e resposta rápida estão sendo reforçadas.
28 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) “Peste Suína Africana, aqui não!”.
entrevista
A campanha tem como objetivo reforçar a conscientização de viajantes e suinocultores para fortalecer a prevenção da doença e, assim, manter a condição sanitária do Brasil como país livre de PSA.
O Mapa está acompanhando e monitorando a
O MAPA também enviou um técnico para
ocorrência dos focos de Peste Suína Africana
participar da missão da FAO e da OIE, IICA e
(PSA) na República Dominicana e no Haiti.
OIRSA para apoiar a avaliação e definição de
Temos trabalhado com os organismos
estratégias para enfrentamento da PSA na
regionais e internacionais para controlar
República Dominicana.
o vírus da PSA na própria República Dominicana e Haiti e para fortalecer os trabalhos para prevenção e detecção precoce e resposta rápida, nos Países da região.
Além disso, a Ministra Tereza Cristina participa das reuniões do Conselho de ministros da Agricultura da América do Sul
Estamos participando de frequentes reuniões do Comitê Veterinário Permanente do Mercosul, do GF-TADs (Marco Global para o Controle Progressivo de Doenças Transfronteiriças de Animais), grupo coordenado pela FAO e pela
(CAS) e da Junta Interamericana de Agricultura, onde foram tratadas as definições sobre medidas de apoio à República Dominicana
OIE e também de reuniões da OIE Regional das Américas.
29 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
O Mapa tem trabalhado com as Superintendências Federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e serviços veterinários estaduais treinando os Médicos Veterinários em simulados para atuação coordenada, no caso de uma ocorrência, não só da PSA, mas para febre aftosa, Peste Suína Clássica, Influenza Aviária, Doença de New Castle ou qualquer outra doença emergencial.
Quanto às exportações, se houver um foco de PSA, o Brasil vai trabalhar para conter o foco na menor área possível utilizando o conceito entrevista
da OIE, de zona de contenção, com o objetivo de erradicar o foco o mais rápido e na menor área possível, para não deixar a doença se disseminar e dessa forma, recuperando as exportações o mais rápido possível.
O Brasil, por meio do Mapa, dos serviços veterinários estaduais e do setor privado, está adotando as providências necessárias que a situação requer, para manter o país livre de Peste Suína Africana (PSA). Desde 2019 vem desenvolvendo um Plano de Ação para Prevenção da PSA, que inclui diversas medidas para evitar o ingresso da PSA, evitar a exposição dos suínos ao vírus, caso ele ingresse no país, detectar precocemente e responder de forma rápida e eficiente, caso a doença ocorra. Peste Suína Africana, aqui não!
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30 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Peste Suína Africana, aqui não!
Uma visão técnica e inovadora da suinocultura nacional.
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SUINOCULTURA 5.0: 0 FUTURO JÁ CHEGOU ! Por Luciano Roppa, Lroppa@uol.com.br
O recente aparecimento de tecnologias digitais inteligentes, tem auxiliado os criadores a monitorar com precisão as
Tecnologia
necessidades de cada animal, evitando problemas com a saúde,bem-estar e de manejo, melhorando a eficiência de sua produção. Atualmente existe um contexto favorável para o desenvolvimento da Suinocultura 5.0, pois vários fatores têm exigido um monitoramento preciso do sistema produtivo. Entre estes fatores, podemos destacar: A concentração da produção (estruturas maiores e muito eficientes) O maior risco de enfermidades, A automatização de processos (dificuldade de mão de obra) A necessidade de proporcionar o bem-estar animal A Suinocultura 5.0 surgiu da necessidade de monitorar, com precisão, todas as etapas da produção de suínos. É também chamada de “Suinocultura de Precisão”!
As exigências dos consumidores para alimentos com certificações de qualidade, rastreabilidade e produzidos com Sustentabilidade
32 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
Como definição, a “Suinocultura 5.0” é a gestão de uma granja por meio de tecnologias digitais autônomas de decisão, com velocidade e conexão 5G.
SENSORES ELETRÔNICOS DE DETECÇÃO E MONITORAMENTO Os Sensores permitem o registro
Ela é possível de ser adotada graças à
contínuo dos movimentos dos animais
implantação recente de novas tecnologias
e das variações do meio ambiente.
inteligentes, tais como:
São relativamente baratos e podem ser fixados em diferentes áreas do corpo,
Inteligência Artificial
como o pescoço e orelhas, ou fixados nas instalações.
Blockchain
Realidade virtual Velocidade 5g
Nos animais são usados: Para identificação (idade, raça, partos, etc), Para mostrar a localização, a temperatura corporal, o peso,
Deep learning
problemas de saúde, claudicações, etc.
Aprimoramento dos sistemas eletrônicos e digitais (iot, sensores) Os dados coletados por estas tecnologias, permitem uma análise mais precisa dos problemas e uma tomada de decisões mais
Um exemplo conhecido, são os “Brincos” ou "chips" que permitem a identificação do animal nas máquinas de alimentação eletrônica.
rápidas e eficientes. Com certeza, nossa geração irá presenciar nesta década a maior transformação digital da história da suinocultura. Para isso, várias tecnologias inteligentes já estão disponíveis e vamos aqui mencionar algumas delas. Bem-vindos à esta nova época, onde teremos uma convergência entre o físico, o biológico e o digital.
Foto 1: Brinco que permite a identificação do animal
33 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
Tecnologia
Big data
Nas instalações são usados para medir
O som é uma biorresposta importante
temperatura ambiental, umidade,
que pode fornecer informações sobre o
concentração de CO², amônia, luminosidade,
estado dos animais, de acordo com sua
fluxo de ar, consumo de água, de ração ...).
frequência. Ele é captado por microfones inteligentes que reconhecem estados de estresse, felicidade ou doenças. Em suínos são usados para: Identificar sons de tosse causados por infecção pulmonar Para medir objetivamente qualquer desvio do padrão respiratório normal
Foto 2: Medidor de temperatura das instalações ou animal (Termografia) Além disso, são usados para prevenir a morte
Tecnologia
de leitões por esmagamentos nas gaiolas de maternidade. Através da inteligência artificial (reconhecimento de voz, visão computacional e
Alerta o criador (no seu smartphone ou computador) quando o número de tosses indica que os animais precisam de tratamento, permitindo uma atuação precoce sobre o problema.
rastreamento comportamental), localizam onde o leitão está sendo esmagado e alertam a porca para se levantar, através do uso de um sinal vibratório. Todas estas informações coletadas, são transmitidas instantaneamente para o computador, lap top ou smartphone, e permitem uma ação imediata para a solução do problema.
SISTEMAS DE RASTREAMENTO BASEADOS EM VÍDEO DIGITAL Os sistemas baseados em vídeo digital utilizam câmeras colocadas nas instalações, que registram continuamente a presença e os movimentos dos suínos. As câmeras são usadas para: Contar os animais
MICROFONES
Medir a temperatura corporal Estimar o peso corporal Medir o conforto térmico com base nos padrões de comportamento de repouso Ver a distribuição dos suínos dentro da baia Identificar animais doentes e
Foto 3: Microfones inteligentes reconhecem estados de estresse, felicidade ou doenças
34 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
comportamentos agressivos (brigas, mordidas de cauda)
Hoje já é possível medir o peso dos suínos com seu smartphone. Um software baseado em inteligência artificial usa a câmera 3D para determinar o peso dos suínos, sem contato com o animal (pesagem com base na análise de imagens).
As câmeras, através de uma tecnologia chamada de Termografia, conseguem também medir as variações de temperatura corporal, que podem estar associadas a patologias, reações vacinais ou alterações fisiológicas (cio). Com isso fica mais fácil identificar um animal doente ou uma fêmea no cio. Medem também a temperatura do ambiente, ajudando a evitar condições de estresse térmico ou de falta de calor no escamoteador. Todas estas informações são enviadas imediatamente ao seu computador
Já são utilizados para entrega de sêmen e outros produtos nas propriedades. Comparados com os sistemas tradicionais
Além disso, câmeras permitem o
Tecnologia
Foto 4: Reconhecimento instantâneo do peso através da imagem
DRONES
ou smartphone.
de entrega, contribuem para a redução
“Reconhecimento Facial” dos suínos. Ao
das emissões de carbono e diminuição
localizar o animal reconhecem sua identidade
do tempo de entrega.
e transmitem imediatamente para seu smartphone os dados de raça, data de
As principais vantagens tem sido a
nascimento, peso, sexo, composição genética,
segurança sanitária e a biosseguridade,
número de partos e qualquer outra informação
por evitar o trânsito de pessoas.
que você acrescentar ao programa.
Os drones são usados também para contar e localizar animais em criações extensivas e para monitorar condição das
ROBÔS
pastagens e terrenos. Já são utilizados para tarefas como: Distribuição de rações
Foto 5: Reconhecimento facial
Lavagem das instalações ou dos caminhões. Ajudam a reduzir tarefas fisicamente pesadas, rotineiras e melhorar as condições de trabalho. Por substituir parcialmente o Homem, ajudam a diminuir os problemas de falta de mão de obra nas propriedades.
35 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
REALIDADE AUMENTADA E A ASSISTÊNCIA TÉCNICA VIRTUAL
DESAFIOS PARA A ADOÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS
Hoje já é possível ver o que ocorre
enfrentados. Pesquisa realizada pela EMBRAPA
em uma granja, sem estar presente
em 2020, mostrou que os principais entraves
na propriedade. Tanto o criador como
para a adoção destas tecnologias são:
o técnico que assiste a propriedade, podem ter a visão do local e o acesso às informações por monitoramento remoto. Isso é possível graças à tecnologia dos óculos inteligentes, onde um funcionário transmite a imagem que está vendo com seus óculos, para os óculos do criador (ou técnico).
Essa tecnologia diminuirá as visitas Tecnologia
presenciais nas granjas, sendo fundamental para os protocolos de biossegurança.
Certamente existem desafios a serem
As dificuldades de conexão da internet (48% dos entrevistados) Valor do investimento com a compra destes equipamentos (67%) Desconhecimento das tecnologias (41%) Falta de capacitação (35%)
Apesar destes problemas, 84% dos produtores entrevistados disseram utilizar atualmente algum tipo de tecnologia (gestão, compra e venda, GPS, clima, etc). Com o tempo, os problemas de conexão
VANTAGENS DO USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS
irão diminuir (com a chegada gradativa do 5G) e o valor dos equipamentos cairá com o maior uso das tecnologias.
O uso destas tecnologias digitais tem grande potencial para apoiar os processos de decisão com informações precisas, tornar mais eficientes os processos produtivos, contribuir para a melhora da qualidade dos produtos, criar oportunidades de emprego tecnificado no meio rural, manter as novas gerações no campo e garantir a
Portanto, o grande desafio desta revolução na suinocultura, não será a tecnologia, pois boa parte dela já está disponível. O desafio será de propagar o conhecimento e de ter as pessoas treinadas para usar corretamente estas tecnologias.
rastreabilidade dos nossos produtos. O uso de tecnologias digitais é um
Finalizado, gostaria de dizer que a
caminho sem volta no mundo rural.
evolução não pede licença para chegar ...
Elas vão contribuir não apenas com o
Ela simplesmente acontece! Entender
aumento da produtividade, mas também
o futuro, e como se adaptar ao novo, é
com uma suinocultura mais eficiente e
indispensável à nossa sobrevivência.
sustentável.
36 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
Sugiro que para evitar surpresas, o leitor sente com sua Equipe e Consultores e encontrem a resposta para as seguintes perguntas: Como irá mudar o meu negócio nos próximos 5 anos? O que devo fazer para me adaptar a estas mudanças e continuar a ser eficiente na minha atividade?
TECNOLOGIAS CONVERGENTES QUE LEVAM À SUINOCULTURA 5.0: Internet das coisas (IoT): Rede de objetos físicos, (veículos, sensores, equipamentos eletrônicos) capaz de detectar, reunir e compartilhar dados, para que possam ser processados e
Respondidas as perguntas,
usados para cumprir um objetivo
trace suas estratégias. Te desejo muito sucesso nas decisões que
Velocidade 5G: É a rede que será
definirão o futuro do teu negócio!
utilizada pelos dispositivos móveis
Atenciosamente,
(IoT) para se conectar à Internet,
Luciano Roppa
para o transporte de dados, com alta Tecnologia
velocidade, a partir de qualquer lugar. Blockchain: faz o registro coletivo de transações, de forma permanente, rastreável e à prova de violação. Garante a segurança do processo. Edge Analytics (análise na ponta) e Deep Learning (aprendizado profundo): A análise dos dados coletados, e a consequente resposta, será feita no próprio sensor que os coletou, sem necessidade de envio para uma central de processamento, ou nuvem. Realidade Aumentada: traz as coisas até você. Mesmo à distância é possível visitar uma granja, orientar uma cirurgia, etc. Inteligência Artificial: área que estuda como tornar os computadores mais parecidos com os humanos (autônomos e capazes de tomar decisões diante de Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
contextos desconhecidos).
DESCÁRGALO EN PDF
37 Suíno Brasil 3º trimestre | Suinocultura 5.0: o futuro já chegou!
USO DE ELETROFLOCULAÇÃO PARA O TRATAMENTO DE EFLUENTE DE SUINOCULTURA O
Jaqueline Caye1,2, Julia Buffon1,3, Ricardo Leidens1,4, Rafael Celuppi1,4 1 Kemia Tratamento de Efluentes, 2 Setor de pesquisa e desenvolvimento, 3 Setor de engenharia e projetos, 4 Sócio-diretor
meio ambiente
INTRODUÇÃO Atualmente o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial tanto na produção quanto na exportação de carne suína (CRIVILIM, 2021). Porém, atrelado ao aumento da produção e exportação de carne suína, está o aumento de águas residuárias oriundas desses processos (MORES, 2013). E, visto a necessidade de adequação dos parâmetros físico-químicos para que o efluente da suinocultura tenha um destino ambientalmente correto, uma das possíveis alternativas para o tratamento dos efluentes é o uso da eletrofloculação (CRIVILIM, 2021). Desta forma, o objetivo deste artigo é apresentar como o tratamento através do uso da eletrofloculação age sobre alguns contaminantes encontrados no efluente de suinocultura, principalmente na questão de remoção de nutrientes, como o fósforo, e apresentar casos reais de tratamento em que foi utilizada esta técnica.
38 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
EFLUENTE DE SUINOCULTURA É possível associar a poluição ambiental proveniente dos dejetos suínos ao elevado índice de contaminantes que compõe esse resíduo, influenciando na degradação do ar, do solo e em especial a contaminação dos recursos hídricos (CRIVILIM, 2021).
Em média, a caracterização desse efluente apresenta a seguinte carga poluente:
Esses contaminantes potencializam o
20.000 mg/L de Sólidos Totais,
desenvolvimento da eutrofização em águas superficiais, afetando tanto a
30.000 mg/L de Demanda
vida aquática quanto a saúde humana
Química de Oxigênio (DQO),
(LOURINHO; BRITO, 2021; MORES,
2.500 mg/L de Nitrogênio total e
2013).
600 mg/L de fósforo total O efluente de suinocultura é composto
meio ambiente
(MORES, 2013).
pelos seguintes elementos: esterco, Esses valores estão muito acima dos
urina,
definidos pela resolução CONAMA n° 430
água não utilizada em bebedouros e após a higienização dos locais de confinamento,
para o lançamento de efluentes em corpos hídricos. Desta forma, faz-se necessário a implantação de técnicas de tratamento de
restos de alimentação ou ração.
Estando presente:
(2011) que estabelece as condicionantes
efluentes para a remoção desses poluentes.
magnésio,
matéria orgânica,
manganês,
nitrogênio,
ferro,
fósforo,
zinco,
potássio,
cobre e outros elementos proveniente
cálcio,
das dietas dos animais (CRIVILIM, 2021; LARIDI et al., 2005).
sódio,
39 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
ELETROFLOCULAÇÃO
O TRATAMENTO DE EFLUENTE DE SUINOCULTURA ATRAVÉS DA UTILIZAÇÃO DE ELETROFLOCULAÇÃO
A eletrofloculação é uma técnica de tratamento de efluentes que consiste em
Geralmente, águas residuais de alta
levar até o efluente uma corrente elétrica
resistência, incluindo águas residuais
ajustada no painel de comando, fazendo
de suínos, requerem o uso de métodos
com que se crie um ambiente onde
biológicos para serem estabilizadas,
ocorra várias reações, sendo a principal
sejam aeróbicos ou anaeróbicos (digestão
a liberação de moléculas do eletrodo,
anaeróbia, lagoas).
normalmente de ferro ou alumínio, que irão fazer com que forme flocos que irão flotar ou sedimentar, dependendo da característica do efluente a ser tratado (KEMIA, 2021).
No entanto, o tratamento exaustivo de águas residuais por meio dessa tecnologia consome muito tempo porque são necessários altos tempos
meio ambiente
de retenção e grandes instalações de Esta técnica é um tratamento eficiente e
estabilização; além disso, a eficiência
que possui um baixo custo operacional,
da digestão pode ser reduzida no
visto que apresenta como vantagens:
tratamento de resíduos complexos
equipamento simples e compacto, fácil operação,
ricos em compostos lentamente biodegradáveis ou não biodegradáveis. Nesse sentido, o campo da
menor tempo de retenção,
eletroquímica oferece uma
redução ou ausência de adição de
tratamento de águas residuárias
produtos químicos,
altamente poluentes.
abordagem interessante para o
sedimentação rápida dos flocos eletrogerados, que normalmente são mais estáveis, e menor produção de lodo (CRIVILIM, 2021; MORES, 2013). Nos últimos anos o processo de
Em particular, as técnicas eletroquímicas são naturalmente adequadas para superar as limitações dos tratamentos biológicos (LOURINHO; BRITO, 2021).
eletrofloculação vem sendo estudado e aplicado em vários tratamentos, entre eles: tratamento de água contaminada com metais pesados, tratamento de efluentes de indústrias têxtil, de alimentos, de papeis e refinarias, entre outros (CRIVILIM, 2021).
40 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
Um estudo feito por CHEN et al. (2021), realizado através de testes em batelada de eletrofloculação foram investigados sob diferentes parâmetros estruturais (material anódico, distância intereletrodo) e parâmetros operacionais (densidade de corrente, velocidade de agitação, pH inicial e tempo de reação).
ZHANG, LIN e HU (2017), avaliaram a remoção de fósforo utilizando a técnica de eletrofloculação em efluente líquido de suinocultura. Neste trabalho, tempos de tratamento de 220 min foram relatados para remover 78,2% e 83,2% do fósforo total.
Em um outro estudo, nesta área, que foi realizado por HAN et al. (2015), avaliou-se a eficiência de remoção de turbidez quando utilizada a técnica de eletrofloculação em efluentes líquidos de suínos.
meio ambiente
Um desempenho satisfatório foi alcançado sob eletrocoagulação: recuperação do sobrenadante de 60%, sólidos suspensos, fósforo total, demanda química de oxigênio (DQO) e eficiências de remoção de demanda bioquímica de oxigênio (DBO) de 98,5%, 99,5%, 50,6% e 10%, respectivamente.
Verificou-se que a densidade de corrente teve o efeito mais significativo na remoção de turbidez e consumo de energia elétrica do processo de eletrofloculação, e a combinação ideal para uma remoção de alta turbidez (65,6%) com baixo consumo de energia elétrica (0,73 WhL-1) foi densidade de corrente de 35,7 A m-1, tempo de reação de 24 min e A / V de 20,7 m2m-3.
41 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
Já no estudo realizado por RAHMAN e BORHAN (2014), avaliou-se a eficiência de remoção de poluentes como demanda química de oxigênio (DQO), carbono orgânico total (COT) e fósforo total, dos dejetos suínos utilizando a técnica de eletrofloculação, utilizando um sistema em batelada com volume de 500mL. Verificou-se que para os mesmos tempos de tratamento (1200 s) com densidade de corrente mais alta (21 mA cm-2), eletrodos híbridos (ferro-alumínio) removeram cerca de 100% de DQO, que são cerca de 1,9 e 1,3 vezes maior do que os eletrodos de alumínio e ferro, respectivamente. Já os eletrodos de ferro apresentaram eficiência de remoção de 85% para o carbono orgânico total (COT), a 21 mA cm-2 densidade de corrente e tempo de tratamento de 1200 s.
meio ambiente
E, todos os três eletrodos alcançaram eficiências de remoção de TP > 90% no tratamento de esterco líquido de suíno em condições idênticas (21 mA cm-2, CEE 14,7 a 15,9 kWh m-2, 1200 s).
CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que além de reduzir a toxicidade, a carga de poluentes e remover metais pesados, o processo de eletrofloculação destaca-se pela capacidade de aumentar a biodegradabilidade do efluente. O tratamento eletrolítico, isoladamente ou em combinação com outros processos, deve, portanto, atrair mais atenção no futuro, à medida que o setor agroindustrial caminha para um modelo econômico circular. Referências bibliográficas Sob consulta dos autores. O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
BAIXAR EM PDF
MORES (2016), avaliou o desempenho da eletrofloculação em sistema batelada no tratamento de efluente digestivo de suinocultura. Os níveis de eficiência de remoção (%) para a melhor condição operacional (2 cm, 5 V) após 30 min foram: 97%, 98%, 77% e 10% para cor, turbidez, carbono orgânico total (COT) e nitrogênio total (NT), respectivamente.
Em outro estudo realizado por LARIDI et al. (2005), verificou a eficiência de remoção de poluentes em efluente provindos da suinocultura, usando a técnica de eletrofloculação. Em seu estudo, conseguiu uma eficiência de remoção de DQO que variaram de 65 a 68%, enquanto a remoção de DBO atingiu 87%.
42 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | O uso de eletrofloculação para o tratamento de efluente de suinocultura
DEOXYNIVALENOL – QUAL É O SEU IMPACTO SOBRE A SAÚDE INTESTINAL DE SUÍNOS?
saúde intestinal
Cândida P. F. Azevedo Zootecnista, MsC. Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens
» INTRODUÇÃO As micotoxinas são substâncias tóxicas
onde geralmente encontram um
resultantes do metabolismo secundário
substrato altamente nutritivo para o
de cepas de fungos e vem ao longo dos
seu desenvolvimento e, desta forma,
anos trazendo inúmeras perdas para o
alteram direta e indiretamente a
setor agropecuário. Estes metabólitos
qualidade dos cereais, influenciando
são compostos orgânicos de baixo peso
negativamente algumas propriedades
molecular e que causam depleção do
dos grãos (Castro, 2015).
sistema imune. O crescimento e a proliferação dos fungos ocorrem preferencialmente em cereais como o milho, trigo, sorgo,
Fatores ambientais (umidade e temperatura), níveis iniciais de contaminação, período de armazenamento e a integridade física e sanitária dos grãos são fatores críticos para o desenvolvimento fúngico e produção de micotoxinas.
cevada, amendoim e arroz,
43 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
As principais micotoxinas podem ser divididas em três grupos: Para um melhor entendimento e compreensão desses metabólitos, a
as aflatoxinas, produzidas por fungos do gênero Aspergillus;
atividade micotoxigência nos grãos deve ser analisada no contexto do ecossistema fúngico, onde as espécies do gênero Fusarium são agentes patogênicos comuns para as plantas em crescimento e produzem micotoxinas antes ou imediatamente após a colheita, e os gêneros Aspergillus e Penicillium são mais comumente observados como contaminantes durante a secagem dos cereais e são reconhecidos pela produção saúde intestinal
de toxinas de armazenamento.
as ocratoxinas, produzidas pelo Aspergillus ochraceus e diversas espécies do gênero Penicillium;
as fusariotoxinas, que possuem como principais representantes os tricotecenos (deoxynivalenol – DON, diacetoxyscirpenol – DAS, toxina T2 e hidrotoxina T-2 – HT2), zearalenona (ZEA) e as fumonisinas, produzidas por diversas espécies do gênero Fusarium (PINTO & VAAMONDE, 1996).
O Brasil possui excelentes condições climáticas para o desenvolvimento da produção de grãos e também
A DON é um dos contaminantes de
das micotoxinas, mas como a área territorial é extensa e o clima diferente de uma região para a outra, os fungos uma região podem não ser os mesmos país (Fireman, 2016)
problemas de saúde pública devido ao seu alto potencial toxigênico.
micotoxigênicos predominantes em que prevalecem em outras partes do
cereais mais prevalentes com grandes
Descoberta no início dos anos 1970, a DON é sintetizada durante o crescimento de Fusarium graminearum em cereais como trigo, cevada e milho (Yoshizawa e Morooka 1973).
Uma vez ingerida, a DON tem como alvo principal as células epiteliais do trato gastrointestinal, cujo funcionamento adequado, como primeira linha de defesa, é de suma importância para a saúde do hospedeiro. Tendo em vista o impacto da DON na saúde do hospedeiro e, consequentemente, nos custos de produção da cadeia, convido você leitor para uma breve abordagem dos efeitos da DON na saúde intestinal de suínos.
44 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
» DEOXYNIVLENOL As micotoxinas do grupo tricoteceno correspondem a um grupo de metabólitos fúngicos estruturalmente semelhantes que são capazes de produzir diversos efeitos tóxicos no organismo animal.
A proliferação do Fusarium no trigo, produz “trigo irregular”, caracterizado pela estrutura macia e enrugada e, muitas vezes, com coloração rosácea.
A deoxynivalenol (DON, vomitoxina), um tricoteceno, é prevalente em todo o mundo em culturas destinadas a produção de alimentos e rações. A DON como uma micotoxina pertencente ao gênero Fusarium é tóxica para humanos e muitas espécies animais, sendo os suínos saúde intestinal
os mais sensíveis e as aves as mais tolerantes a esta toxina.
No milho, o Fusarium é comumente Vale ressaltar que, a DON é um composto de alta estabilidade, tanto durante o armazenamento como no processamento/cozimento de alimentos, e não se degrada em condições de elevadas temperaturas (Scott, 1991).
visível como um mofo avermelhado na ponta da espiga (Vesonder et al., 1978). A gravidade da contaminação por Fusarium em produtos agrícolas varia anualmente e as condições ambientais que favorecem a produção de DON no campo são baixa temperatura e umidade elevada (Côté et al., 1984; Vesonder et al., 1978).
O composto ativo da DON foi caracterizado como um tricoteceno e recebeu o nome de “vomitoxina” devido ao efeito emético observado em suínos. A DON é produzida a partir de cepas de Fusarium graminearum (Miller et al., 1983) ou F. culmorum (Greenhalgh et al., 1986).
45 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
A ingestão de DON normalmente resulta em uma variedade de sintomas tóxicos em humanos e animais, como irritação ou necrose da mucosa intestinal, diarreia, vômitos e redução da ingestão de alimentos, baixo ganho de peso corporal e alteração das funções imunológicas (Pestka, 2007). Dependendo da taxa e da duração da exposição, a intoxicação por DON pode tornar o organismo imunossupressor ou pode servir como um imunoestimulante, resultando em um aumento da suscetibilidade à infecção ou estimulação da inflamação local no epitélio intestinal (Maresca e Fantini, 2010).
» LESÕES INTESTINAIS Além disso, outro efeito da DON no trato
com micotoxinas induz danos
gastrointestinal é a alteração da função
histológicos no tecido intestinal.
de barreira intestinal.
saúde intestinal
O consumo de alimentos contaminados
Em um estudo com suínos alimentados com uma dieta naturalmente contaminada com DON foram observadas lesões epiteliais (atrofia multifocal, fusão de vilosidade, necrose apical de vilosidades, vacuolação de enterócitos e edema de lâmina própria) no intestino (Eriksen & Pettersson, 2004; Bracarense et al., 2012).
Vários estudos investigaram o efeito da DON na resistência elétrica transepitelial (TEER), um bom indicador da integridade da função de barreira. DON diminui TEER em células epiteliais intestinais de suínos de forma dependente da dose e do tempo (Pinton & Oswald, 2014; Ghareeb et al., 2015; Pierron et al., 2016). Em explantes jejunais de leitões, a passagem paracelular, avaliada nas câmaras
Lesões na parede epitelial do jejuno, incluindo vilosidades reduzidas e
Using, foi significativamente aumentada na presença de 20 a 50 μM de DON.
coalescidas, lise de enterócitos e
A nível molecular, a DON afeta a
edema, também foram observadas
permeabilidade do epitélio intestinal
em um modelo ex vivo de tecidos
através da modulação dos complexos
intestinais após exposição a DON
das tight junctions (Grenier &
(Kolf-Clauw et al., 2009; Pinton &
Applegate, 2013; Ghareeb et al., 2015).
Oswald, 2014).
A ativação de proteínas quinases ativadas por mitógenos (MAPKs) por DON afeta a expressão e localização celular de proteínas que formam ou estão associadas às tight junctions, como claudinas e ZO-1, o que resulta em aumento da permeabilidade paracelular intestinal (Pinton & Oswald, 2014).
46 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
A perda da integridade das tight
Em um modelo de explante jejunal de
junctions e o aumento da permeabilidade
suíno, DON demonstrou desencadear a
paracelular resultante podem levar ao
imunidade inata e adaptativa (Cano et
aumento da translocação bacteriana
al., 2013).
através do intestino e ao aumento da suscetibilidade às infecções entéricas. Esse aumento na passagem bacteriana através das células epiteliais intestinais tem implicações importantes para a saúde do suíno em termos de inflamação e infecção entérica
A exposição intestinal à DON induziu uma resposta pró-inflamatória com um aumento significativo da expressão de TNF-α, e interleucinas (IL) IL-1α, IL-1β e IL-8. Além disso, a DON regulou positivamente a expressão de genes envolvidos na diferenciação de células Th17 (STAT3, IL-17A, IL-6, IL-1b) a partir da via de
de aumentar a passagem de
células T reguladoras (FoxP3, RALDH1). saúde intestinal
Diante do exposto, DON é capaz macromoléculas e bactérias nas células epiteliais intestinais (Pierron et al., 2016).
DON também induziu genes relacionados ao subconjunto Além disso, a DON afeta a resposta imune sistêmica e/ou local (Maresca, 2010; Pestka, 2010) a partir da modulação da imunidade intestinal diretamente (através da ativação das vias de sinalização) e indiretamente (através do cruzamento de antígenos bacterianos luminal, que foi observado
de células Th17 patogênicas, tais como IL-23A, IL-22 e IL-21 e genes não relacionados às células Th17 reguladoras tais como TGF-β e IL-10 (Cano et al., 2013). Da mesma forma, DON potencializou a regulação positiva de IL-1β, IL-8, MCP1 e IL-6 induzida por S. Typhimurium em alças intestinais de suíno (Vandenbroucke et al., 2011).
juntamente com a translocação bacteriana após a alteração da camada de muco e abertura das tight junctions) (Maresca et al., 2008).
47 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
Da mesma forma, as
Por fim, o efeito da DON na
administrações de DON por via
neuroquímica do cérebro tem sido
intravenosa (10 μg/kg) e via oral
estudado em diferentes espécies
(30 μg/kg) aumentaram a concentração
por vários autores por muitos anos
ácido 5-hidroxiindol-3-acético no líquido
(Prelusky et al., 1992; Prelusky et al.,
cefalorraquidiano, sugerindo um
1993; Prelusky & Trenholm 1993; Swamy
aumento da atividade serotoninérgica
et al., 2002; Swamy et al., 2004; Girish
do SNC (Prelusky, 1993).
et al., 2008; Lam et al., 2010).
Foi hipotetizado que alterações na neuroquímica do cérebro podem ser um dos possíveis mecanismos subjacentes à recusa, emese e anorexia induzidas por micotoxinas da espécie Fusarium. Após a administração aguda de DON (0,25 mg / kg por via intravenosa) em suínos, modificações dos níveis de amina cerebral também foram detectadas saúde intestinal
durante as 24 horas pós-intoxicação (Prelusky et al., 1992). Mais precisamente, foi relatado que a administração de DON aumenta a concentração de norepinefrina e diminui as concentrações de dopamina no hipotálamo, no córtex frontal e no cerebelo, enquanto o conteúdo de serotonina, que inicialmente aumenta no hipotálamo (1 h pós-tratamento), diminui no hipotálamo e no córtex 8 h.
» CONCLUSÃO São inquestionáveis os enormes
monitorar os insumos agrícolas
prejuízos de ordem econômica,
e seus subprodutos com análises
sanitária e comercial que as
laboratoriais,
micotoxinas causam para a produção animal. Desta forma, faz-se necessário
além do uso de aditivos na alimentação animal para evitar sua
o conhecimento e o entendimento
absorção no trato gastrointestinal
do metabolismo e mecanismo
dos animais, sendo este último o
de ação das micotoxinas no
método mais utilizado.
organismo, bem como quais os principais métodos de prevenção desses
Referências bibliográficas Sob consulta da autora.
metabólitos estão relacionados
Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
para evitar a sua proliferação,
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48 suínoBrasil 3º trimestre 2021 | Deoxynivalenol – Qual é o seu impacto sobre a saúde intestinal de suínos?
FIBRA DIETÉTICA NA NUTRIÇÃO DE PORCAS GESTANTES E LACTANTES, O QUE DEVEMOS SABER
nutrição
Cátia L. A. Fernandes – Mestre em Nutrição e Produção de Suínos; Marlon G. Barros Filho – Doutorando em Nutrição e Produção de Suínos; Jeferson Clementino – Graduando em Zootecnia.
A suinocultura moderna busca maximizar o desempenho das matrizes suínas, visando o aumento da produção de carne em qualidade e quantidade. E para o sucesso do sistema de produção é necessário atentar-se às principais fases do sistema de produção: a gestação e a lactação. Essas duas fases são de grande importância, uma vez que o desempenho na fase de gestação e lactação das matrizes suínas reflete no desempenho das fases subsequentes. Portanto, os cuidados nutricionais das matrizes suínas não devem se limitar apenas na gestação, mas sim ao longo da vida produtiva, respeitando a exigência nutricional de cada fase (SOLÀ-ORIOL e GASA, 2017).
49 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
O progresso da nutrição das matrizes suínas deve-se principalmente pela necessidade de adequar os programas nutricionais ao potencial genético, e ao nível de produção das fêmeas disponíveis atualmente no mercado (GAILLARD et al., 2019).
Essas fêmeas são mais precoces, mais produtivas e mais exigentes nutricionalmente
nutrição
Além disso, possuem menor reserva corporal de gordura, o que por consequência apresentam maior perda da condição corporal, resultando na redução da produtividade e em falhas reprodutivas (KIM et al., 2015b) O uso de fibras como estratégia nutricional tem sido constantemente estudado, com o intuito de otimizar os índices zootécnicos e econômicos na produção animal. A fibra pode ser denominada como um conjunto de carboidratos estruturais que compõem a parede celular das plantas. Destacam-se os polissacarídeos não amiláceos (PNAs), pectinas, celulose, hemiceluloses, β-glucanos, frutanos e os compostos fenólicos como a lignina, por exemplo. É considerada como a parte do alimento não digerido por enzimas produzidas pelo trato digestório de animais não-ruminantes, porém hidrolisada no intestino grosso por meio da fermentação microbiana (SAKOMURA, 2014).
50 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
Os não-ruminantes em geral, são limitados a digestão das fibras devido à ausência de celulases no trato digestório (MOLIST et al., 2009).
Estes produtos da fermentação microbiana estão relacionados com a saúde e vias metabólicas do organismo (WILLIAMS et al., 2017).
FIBRAS NA ALIMENTAÇÃO DE MATRIZES SUÍNAS Na alimentação de matrizes suínas, as fibras têm desempenhado um papel crucial para a saúde e para a reprodução do plantel. No terço inicial da gestação, fase em que ocorre a implantação embrionária e estabilização da gestação, a inclusão de fibra pode auxiliar no fornecimento de energia, contribuindo para a sobrevivência dos embriões.
No terço médio da gestação, as matrizes suínas se recuperam dos desgastes do parto anterior ou de severas perdas corporais, por meio do controle alimentar. Além disso, nesta fase também ocorre a miogênese, processo fisiológico este essencial para o desempenho dos leitões ao longo das subsequentes fases do sistema de produção.
nutrição
No entanto, a fibra tem importância no processo físico da digestão, influenciando na formação e condução do bolo alimentar e na modulação da microbiota intestinal (TIAN et al., 2020). Além disso, a fermentação microbiana da fibra tem como produto final os gases hidrogênio, metano e dióxido de carbono, e a produção de ácidos orgânicos como ácidos graxos de cadeia curta e ácido lático (LI et al., 2020a; TIAN et al., 2020).
Neste caso, os benefícios da adição de fibra dietética na dieta de gestação, estão atrelados aos ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), produtos da fermentação da microbiota intestinal (SAHASRABUDHE et al., 2018) que regulam a síntese de fatores pró-inflamatórios (LUU, MONNING, e VISEKRUNA, 2020) e que podem ser transferidos para a prole, pelo qual promovem a maturação do sistema imunológico NAKAJIMA et al., (2017).
Além disso, dietas com alto teor de fibra podem reduzir os níveis de esteroides como o estrogênio e a progesterona durante o desenvolvimento folicular, contribuindo para a maior qualidade dos ovócitos, sobrevivência de um número maior de embriões e na redução do número de leitões com crescimento intrauterino retardado (CIUR) (FERGUSON et al., 2007)
51 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
De acordo com Berchieri-ronchi et al. (2011), observaram que no terço médio e no terço final de gestação, os parâmetros citocinas pró- inflamatórias como fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), interleucina-6 (IL-6), bem como espécies reativas de oxigênio (ROS), aumentaram seus níveis no sangue em fêmeas gestantes. Nesse sentido, a redução de respostas inflamatórias durante o meio e final do período gestacional e no cenário lactacional são importantes para o desempenho da fêmea suína e sua leitegada (MOR et al., 2017).
No terço final da gestação, principalmente no período próximo ao parto, ocorrem alterações metabólicas e fisiológicas severas que demandam elevado aporte nutricional (OLIVIERO et al., 2010). Outro evento ocorrido no periparto é o acelerado desenvolvimento da glândula mamária. No momento que antecede o parto há um aumento no peso da glândula mamária até os 112 dias de gestação, frente à necessidade da produção de colostro (Ji et al. (2006).
nutrição
Em estudo recente, Liu et al., (2021) observaram que porcas alimentadas com fibra durante o meio e final da gestação e a fase de lactação, apresentaram redução da inflamação intestinal e sistêmica.
FIBRAS COMO ALIMENTOS FUNCIONAIS Como substrato energético, os AGVs produzidos a partir da fermentação da fibra dietética pela ação microbiana garantem um aporte de até 30% de energia (BERGMAN et al., 1990). Esses metabólitos podem ser consumidos pela microbiota intestinal ou destinados ao metabolismo basal e produção de leite.
Os quadros de constipação têm sido comumente relatados no terço final da gestação das matrizes suínas. Este desconforto é resultante da redução no consumo de água e o aumento da absorção hídrica do organismo no momento próximo ao parto (JANG et al., 2015; SONG et al., 2015).
52 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
Com efeitos positivos, a inclusão de fibra na dieta pré-parto pode aliviar o desconforto causado pela constipação nos dias próximos ao parto (JIANG et al., 2017).
METABOLISMO DAS FIBRAS DIETÉTICAS Dentre as alterações metabólicas que ocorrem no periparto, a resistência à insulina pode trazer prejuízos não só para as fêmeas, mas também para os leitões.
IMPORTÂNCIA DA INSULINA Receptor de insulina
Célula
Insulina
Glicose
A inclusão de fibras como alimentos funcionais melhora a digestibilidade dos nutrientes presentes na dieta e auxilia na otimização da motilidade intestinal, minimizando os quadros de constipação.
A resistência à insulina tem como resultado a menor mobilização de glicose no sangue durante o parto, consequentemente menor aporte de nutrientes para os fetos e para as funções uterinas (LI et al., 2020). Este distúrbio metabólico também contribui para a ocorrência de partos mais prolongados, resultando no aumento de leitões natimortos (OLIVIERO et al., 2013).
Além disso, as fibras funcionais têm ação eubiótica ou estimbiótica, capazes de modular a microbiota intestinal em prol da saúde das matrizes suínas e de suas respectivas leitegadas (SHANG et al., 2021).
53 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
nutrição
Canal de glicose
No parto, a inclusão de fibra na dieta pode contribuir para o aumento da absorção de nutrientes e de energia do trato gastrointestinal através da fermentação microbiana (JHA e BERROCOSO, 2016). A fermentação da fibra produz energia disponível para absorção no trato gastrointestinal, regulando os níveis glicêmicos no sangue durante o parto, quando este processo fisiológico exige uma considerável demanda energética (FEYERA et al., 2018).
nutrição
A fibra também pode proporcionar o estado de saciedade para as fêmeas, reduzindo movimentos nas gaiolas considerados como estereotipias (ROBERT et al., 1997). A redução da movimentação das porcas durante a lactação contribui para o aumento na taxa de sobrevivência dos leitões, refletindo nos índices pré-desmames como a porcentagem de leitões desmamados e a queda na taxa de mortalidade (OELKE et al., 2018).
FIBRA E MICROBIOTA INTESTINAL A relação entre a fibra e a microbiota intestinal está intimamente relacionada com as propriedades físico-químicas intrínsecas das fibras e de acordo com a sua solubilidade (CAPUANO, 2017; DEEHAN et al., 2017).
Inúmeros oligossacarídeos conferem característica eubiótica, entre eles encontram-se os galactooligossacarídeos (GOS), frutoligossacarídeos (FOS) e inulina, todos agindo de forma específica no colón (VANDENPLAS et al.,2011).
54 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
Além dessas bactérias, existem gêneros que são capazes de sintetizar ácidos graxos voláteis (AGVs) que servem de substrato energético, para o hospedeiro e para outras bactérias presentes no intestino grosso, como por exemplo o gênero Clostridium. Essa produção de AGVs pode ser mediada através do consumo de fibras específicas, com características eubióticas (TOKACH et al., 2019).
As bactérias que foram beneficiadas com a inclusão da fibra, ao produzir os AGVs, estes caem na corrente sanguínea onde terão ação local, no fígado e em tecidos periféricos (KOH et al., 2016). Esses metabólitos têm relação com a sinalização de diferentes atividades fisiológicas, como as respostas imunológicas, ao estimular a expressão de fatores pró e anti-inflamatórios (GUO et al., 2020).
O estímulo à proliferação de bactérias benéficas através do consumo de fibras funcionais tem grande importância não só para a saúde da fêmea, mas também reflete no desenvolvimento da microbiota intestinal dos leitões (ZHOU et al., 2017). A transferência desses microrganismos pode ocorrer através do contato dos leitões com as fezes maternas ou via leite (ACHARD et al., 2019).
nutrição
As bactérias benéficas, principalmente Bifidobacterium e Lactobacillus são estimuladas pelos FOS e inulina, favorecendo a redução de bactérias patogênicas.
Como exemplo, a família Christensenellaceae e concentrações elevadas de AGVs durante a lactação podem ser considerados padrões metabólicos importantes para promover a maturação do sistema imunológico dos leitões (LIU et al., 2019). Além disso, A família Christensenellaceae foi encontrada positivamente correlacionada com o elevado gasto energético, de acordo com o status metabólico de fêmeas suínas durante a lactação (LIU et al., 2015).
55 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
CONCLUSÃO
nutrição
1
2
3
A inclusão de fibras na dieta pode ser empregada como estratégia nutricional que melhora o status metabólico e a saúde intestinal das matrizes suínas, principalmente nas fases de gestação e lactação. Além disso, aliado a uma boa condição corporal e à ambiência, a inclusão de fibra na dieta pode promover a maximização do desempenho das matrizes suínas e de suas respectivas leitegadas. Entretanto, é necessário conhecer as propriedades físico-químicas da fibra a ser utilizada e seus efeitos na saúde dos animais, principalmente quais seus impactos na microbiota intestinal das matrizes suínas.
Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
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56 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Fibra dietética na nutrição de porcas gestantes e lactantes, o que devemos saber?
GESTÃO COMO
FATOR-CHAVE PARA UMA
SUINOCULTURA DE SUCESSO custos produção
Por Laya Kannan Silva Alves , Augusto Hauber Gameiro e Cesar Augusto Pospissil Garbossa
P
roduzir mais, com qualidade, em menor tempo e com maior lucratividade, ou seja, de forma
mais eficiente, são as principais metas e os principais desafios da suinocultura brasileira nos últimos anos
57 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
As incertezas do mercado exigem do suinocultor um planejamento assertivo, com metas bem estabelecidas e objetivos concretos.
É necessário ter foco para se obter bons resultados, tanto em relação à eficiência técnica, quando em relação à eficiência econômica, e o segredo para
custos produção
o sucesso da atividade está na gestão.
A suinocultura é extremamente complexa e dinâmica, o que requer do produtor uma visão apurada da gestão do seu negócio. Neste sentido, é cada vez mais importante assumir o papel de empresário rural e abandonar a posição tradicional de fazendeiro.
58 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
A gestão agropecuária busca da utilização dos recursos disponíveis e é caracterizada por um conjunto de ações que envolvem o planejamento,
Diversos fatores – externos e internos – podem afetar a viabilidade técnica e econômica da suinocultura.
execução e controle das atividades
Os fatores internos são menos complexos
porteira adentro.
de se contornar e geralmente podem ser
Planejamento - devem ser estabelecidos os objetivos e as ações a serem tomadas para alcançá-los. Execução - está relacionada à implementação das ações planejadas, por meio da alocação dos recursos
controlados por meio de procedimentos gerenciais, ligados aos recursos humanos, planejamento da produção e aos recursos financeiros. Já os fatores externos não podem ser controlados pelo gestor, como por exemplo políticas agrícolas, cenário econômico, clima, dentre outros. No entanto, em ambos os casos, estes fatores
disponíveis.
devem ser conhecidos, para que seja possível
Controle - função de assegurar que os objetivos
tomar decisões ajustadas à realidade da granja.
planejados sejam atingidos, por meio do monitoramento e da execução de ações corretivas caso necessário.
Com um mercado marcado pela dependência de commodities e volatilidade no preço de venda, a indústria suinícola se mostra desafiadora e exige dos suinocultores um controle mais acurado da atividade, bem como o uso estratégico dos fatores de produção para que bons resultados apareçam.
Neste sentido, a condição básica para sucesso da atividade suinícola é que o gestor possua uma visão sistêmica da atividade, compreendendo sua estrutura, funcionamento e os fatores de produção.
59 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
custos produção
alcançar objetivos e metas, por meio
Com o aumento da competitividade, a globalização e os desafios enfrentados dia após dia, as margens de lucro da suinocultura têm se mostrado cada vez mais estreitas. Dessa forma, o suinocultor deve se profissionalizar, não apenas no que tange a melhorias em processos produtivos, como também em relação à adoção de ações gerenciais e administrativas nas granjas. E este é um dos
Dessa forma, ressalta-se a importância do conhecimento, gestão e controle dos custos de produção para a maximização dos resultados e embasamento à tomada de decisão estratégica.
motivos pelos quais, periodicamente, devese realizar avaliação do desempenho técnico e econômico da atividade, bem como da análise dos custos
custos produção
de produção.
A informação e maior controle de dados, no seu aspecto quantitativo e qualitativo, é um dos grandes problemas da cadeia produtiva suinícola e deve ser posta como prioridade. O gerenciamento deve ser baseado em informação e, para isso, o produtor deve se organizar e planejar suas ações, definindo a quantidade de capital e a qualidade de seus investimentos, buscando maximizar a produtividade a custos mínimos. No entanto, manter a produtividade a custos de produção que não comprometam a viabilidade econômica da criação se mostra um grande desafio e, para contorná-lo, é necessário aplicar métodos eficientes de gestão da
A suinocultura da atualidade
criação, o que muitas vezes
requer escolhas mais racionais
não é um cenário comum
no que diz respeito à utilização
em nossa realidade.
eficiente dos fatores de produção, uma vez que as escolhas adotadas na execução da atividade impactam o custo total, que por sua vez, irá impactar diretamente os resultados econômicos. Sendo assim, a gestão agropecuária tornou-se uma necessidade para a identificação dos principais pontos de estrangulamento no sistema produtivo, com o objetivo de levantar informações capazes de propor intervenções que
Um dos grandes gargalos da suinocultura brasileira é que muitas vezes as granjas possuem controles internos deficientes e são gerenciadas de maneira empírica.
aumentem a eficiência produtiva e econômica da atividade.
60 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
Dessa forma, não são capazes de obter a informação que deveria guiar o processo de tomada de decisão: o custo do suíno a ser produzido. Na prática, a falta de conhecimento da real situação da atividade leva à tomada de decisões condicionadas e até mesmo inadequadas às condições reais da granja, podendo ocasionar grandes perdas econômicas relacionadas a um
Para ressaltar a importância da gestão e controle dos custos na atividade suinícola, chama-se atenção ao item que representa maior porcentagem de custo em qualquer atividade pecuária: a alimentação do plantel.
gerenciamento ineficiente.
Adequar as tecnologias de produção
os principais componentes das dietas. Tais
disponíveis na suinocultura às técnicas
itens são commodities e os preços pagos por
de gestão se mostra indispensável para o
eles não podem ser plenamente controlados
sucesso na atividade. A gestão adequada
pelo suinocultor. Ademais, além de comprar
de aspectos zootécnicos como:
commodities para alimentar o plantel, o
custos produção
Na suinocultura, o milho e o farelo de soja são
suinocultor também vende uma commodity ao nutrição,
fim do ciclo produtivo, dessa forma, o sucesso
manejos reprodutivos,
em boa parte pelo trinômio:
ou insucesso do lote a ser comercializado se dá
sanidade,
preço do milho, preço do farelo de soja e
práticas que promovam
valor pago pelo suíno.
o bem-estar, dentre outros, permite aos gestores o conhecimento do seu custo e permite definir os investimentos na aplicação de tecnologias, visando produtividade e rentabilidade.
Por conseguinte, se o suinocultor não consegue controlar o preço da base alimentar do seu plantel, que equivale a 65% a 85% dos custos de produção, como também não controla o preço de
Neste contexto, a inserção da análise de
comercialização do seu produto, faz-se necessário
custos se mostra imprescindível para a
então gerenciar todos os outros gastos com a
expansão da competitividade da atividade,
produção de suínos objetivando a minimização dos
visto que o conhecimento e a gestão dos
custos, bem como a possibilidade de investimento
custos de produção auxiliam na tomada de
em novas tecnologias a fim de garantir a melhor
decisão racional porteira adentro.
eficiência econômica.
61 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
Conhecer os coeficientes técnicos, os custos e a situação real da sua granja é imprescindível, mas a gestão vai além disso. A análise desses dados é a etapa mais importante da inteligência competitiva, porque é neste momento em que o gestor é capaz de transformar seus dados em conhecimento. O conhecimento é o capital que mais gera competitividade e vantagem no mercado.
Trabalhar com inteligência competitiva e gestão do conhecimento é focar em
custos produção
planejamento estratégico, enxergar
e
entender o movimento do mercado e traçar ações porteira adentro que garantam melhores resultados. O processo decisório é uma parte muito importante do trabalho de um gestor. São as decisões tomadas a partir das informações geradas por meio dos dados que definem os rumos da granja e de todos
É crucial utilizar os dados para gerar
envolvidos no processo produtivo.
informação e utilizar a informação para
O planejamento estratégico está relacionado ao detalhamento do plano de negócios a longo prazo. Trata-se de traçar o cenário-visão desejado para a atividade levando em consideração as características da suinocultura e as transformações do ambiente no qual a atividade está inserida. Por se tratar de uma atividade extremamente influenciada pelo mercado, a suinocultura requer do gestor atenção especial ao elaborar o planejamento.
simular cenários e estabelecer gatilhos decisórios para a escolha de caminhos alternativos. Dessa forma, é possível desenvolver estratégias que se mostrem altamente responsivas não apenas às ameaças, como também as oportunidades do mercado. Quando falamos sobre empreendimentos com fins lucrativos, é necessário navegar seu próprio barco e não o deixar à deriva, para que a maré (mercado) tome as decisões por você.
A modelagem econômica e financeira que considera as variações mercadológicas e o impacto dessas nos resultados da granja são fundamentais na definição do plano a longo prazo.
Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
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62 SuínoBrasil 3º trimestre 2021 | Gestão como fator-chave para uma suinocultura de sucesso
GLÄSSER, UNA DOENÇA DE ALTO IMPACTO NA SUINOCULTURA MUNDIAL
patología
M.V.Z Mauricio Alberto Vera Lizarazo
A
doença de Glässer tem se caracterizado por ser um processo infeccioso do tipo septicêmico, capaz de causar polisserosite (inflamação fibrinosa do peritônio, pleura, pericárdio, meninges e articulações), que desencadeia claudicação, pleurisia, pneumonia, perda de sangue e até a morte dos suínos.
Embora os efeitos tanto de suas formas agudas quanto crônicas sejam devastadores, a doença de Glässer era tradicionalmente considerada uma patologia suína de menor importância, devido à sua apresentação esporádica, geralmente associada a situações de estresse e / ou mistura de animais portadores com suínos livres de infecção. Entretanto, nos últimos anos tem-se observado um claro aumento em sua incidência, principalmente na fase de transição, que se constitui uma das patologias de maior impacto econômico para o produtor.
63 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
Esta situação é motivada pela adoção de novos sistemas de manejo, os sistemas de produção de elevado status sanitário e o aparecimento de novos agentes infecciosos com efeitos sobre a capacidade imunitária dos suínos. Tal fato resultou em imunidade inadequada ao nível do rebanho, o que, por sua vez, implica uma transferência deficiente da imunidade materna, de modo que os leitões tenderão a entrar em contato com a bactéria assim que os anticorpos colostrais tiverem desaparecido e, consequentemente, desenvolvimento da doença. As perdas atribuíveis a esta infecção são derivadas do:
patología
aumento das taxas de mortalidade em suínos afetados, comprometimento dos parâmetros produtivos (taxa de crescimento mais lenta e maior conversão alimentar); e aumento dos custos de produção em decorrência das despesas incorridas com sua prevenção, tratamento e controle.
Qual é o agente causador desta doença? Esta patologia é causada por um pequeno cocobacilo gram-negativo de 1 a 7 mm de comprimento e 0,2 a 2 mm de largura, pertencente à família Pasteurellaceae, imóvel, aeróbio e anaeróbio facultativo. Além disso, é dependente do fator V de coagulação sanguínea (nicotinamida adenina dinucleotídeo) para seu crescimento, por isso deve ser cultivado em ágares que incorporam sangue aquecido, mais conhecido como “ágar chocolate”.
Esta bactéria foi isolada pela primeira vez em um quadro de serosite fibrinosa em suínos em 1910 por K. Glässer. Inicialmente era conhecido como Haemophilus influenzae suis por se assemelhar à gripe humana. Posteriormente foi denominado Haemophilus suis, para finalmente ser taxonomicamente classificado em 1969 como Haemophilus parasuis. E é até o ano de 2020 a bactéria que ficou conhecida como Haemophilus parasuis, mudou de nome novamente em homenagem a quem a descobriu, hoje se chama Glaesserella parasuis.
Alguns estudos conseguiram determinar que as perdas econômicas diretas devido à doença de Glässer são estimadas entre US $ 9,05 e US $ 24,93 por suino, dependendo da gravidade dos quadros clínicos observados.
64 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
maioria das cepas de G. parasuis ali isoladas não são patogênicas, embora não esteja excluído que cepas virulentas possam existir neste local. Até o momento, foram descritos 15 sorotipos com diferentes graus de virulência, embora deve-se destacar que uma porcentagem variável (15-25%) das cepas isoladas de G. parasuis não são classificáveis em nenhum dos sorotipos conhecidos. Foi demonstrado que um determinado grupo de suínos pode ser infectado por mais de um sorotipo, fenômeno que pode ocorrer até de forma individual.
As cepas particularmente causadoras da doença e morte súbita de suínos pertencem aos sorotipos 1, 5, 10, 12, 13, 14, enquanto os sorotipos 6, 7, 9 e 11 são considerados não virulentos e as cepas pertencentes aos sorotipos 2, 3 , 4, 8 e 15 mostram virulência intermediária que também desencadeia polisserosite e morte em alguns casos.
Após a realização de vários estudos epidemiológicos baseados na sorotipagem, verificou-se que esta bactéria é onipresente e afeta todos os países com produção de suínos. A morbidade e a mortalidade podem variar entre 5-10% e até 70% em propriedades menores, da mesma forma, a frequência dos diferentes sorotipos de G. parasuis varia de um país para outro, embora tenham alguns pontos em comum.
patología
Além disso, Glaesserella parasuis caracterizase por suas exigentes condições de crescimento e sua instabilidade, infectando suínos desde muito cedo, mesmo antes de uma semana de vida, sendo um habitante normal de sua cavidade nasal e trato respiratório, a ponto de se considerar que a
Sorotipo
Cepa de referência
País de origem
Localização
1
nº4
Japão
Nariz de suínos saudáveis
2
SW 140
Japão
Nariz de suínos saudáveis
3
SW 114
Japão
Nariz de suínos saudáveis
4
SW 124
Japão
Nariz de suínos saudáveis
5
Nagasaki
Japão
Septicemia/Meninges
6
131
Suíça
Nariz de suínos saudáveis
7
174
Suíça
Nariz de suínos saudáveis
8
C5
Suécia
Desconhecidos
9
D 74
Suécia
Desconhecidos
10
H 555
Alemanha
Nariz de suínos saudáveis
11
H 465
Alemanha
Pneumonia
12
H 425
Alemanha
Polisserosite
13
84-17975
EUA
Pulmão
14
84-22113
EUA
Articulação
15
84-15995
EUA
Pulmão
Cepas de referência dos 15 sorotipos de Glaeserella parasuis(Kielstein y Rapp-Gabrielson, 1992)
65 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
Vale ressaltar que os sorotipos 4 e 5 são os mais comuns a nível mundial, uma vez que esses dados coincidem com os publicados por países como Canadá, Estados Unidos, México, Brasil, Argentina, União Europeia, Japão, China e Taiwan.
Práticas inadequadas de manejo que alteram o equilíbrio entre a proteção de anticorpos e a carga bacteriana levam ao desenvolvimento de sinais clínicos. Sem suporte suficiente do sistema imunológico, G. parasuis pode invadir células endoteliais nos pulmões e atingir os principais órgãos após breve septicemia.
Que fatores contribuem para esta doença e sua gravidade? Entre as causas que podem predispor e afetar o rebanho estão:
patología
Como essa doença é transmitida?
O tipo de cepa.
Os leitões são infectados ainda muito jovens, pois entram em contato com as bactérias ao fazerem “ninhos” (fonte calor) e amamentação. Estudos evidenciam que remover os leitões antes que eles possam mamar os mantém protegidos contra Glaesserella parasuis. Portadores saudáveis podem eliminar a bactéria no nariz escorrendo por até 6 meses.. Colostro
Nascimento
A bactéria coloniza o trato respiratório do leitão durante o contato com a mãe
Através do colostro o leitão recebe a imunidade materna
Na maioria das granjas, onde essa bactéria é endêmica, as porcas produzem forte imunidade materna que normalmente persiste em sua leitegada por 3 a 5 semanas. Os casos clínicos são mais prevalentes em suínos com 4 a 8 semanas de idade, em alguns casos em animais gordos e muito raramente em porcas adultas, a menos que não tenham tido contato prévio. Às vezes, podem estar presentes em leitões lactentes, principalmente em novas granjas onde todas as porcas são primíparas.
Deficiência na transferência da imunidade materna e o nível subsequente de imunidade. Manejo inadequado no processo de desmame, posterior unificação do lote e demais circunstâncias geradoras de estresse. Genética. Má gestão das densidades populacionais. Manejo inadequado da ventilação. Presença de patógenos secundários, especialmente vPRRS, PCV2, vírus da influenza suína e pneumonia enzoótica suína. Fatores Ambientais. Mistura de lotes de diferentes origens. Falhas nos protocolos de limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos.
66 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
Diagnóstico A Reação em Cadeia da Polimerase - PCR em tecidos como cérebro, pulmões, líquido pericárdico ou swab articular é o teste padrão, por ser muito sensível.
Como a apresentação clínica pode ser indistinguível da infecção por Streptococcus suis, exames laboratoriais são necessários, além dos achados de necropsia. A Glaesserella parasuis pode ser isolada por cultura em ágar chocolate, mas por se tratar de uma bactéria frágil, pode morrer facilmente durante o transporte da granja para o laboratório, portanto recomenda-se esfregar a área fibrinosa durante a necropsia, resultando na maior probabilidade de sucesso se o meio Amies for usado para transporte.
O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras doenças que causam sinais do Sistema Nervoso Central, tais como: toxicidade por sal, E. coli F18 e Streptococcus suis, e quanto à polisserosite e claudicação, deve incluir Mycoplasma hyorhinis, Streptococcus suis e Erysipelothrix rhusiopathiae.
Sinais de envolvimento do sistema nervoso central, como posição de decúbito lateral, pedalada e tremor
Febre alta (41,5ºC)
patología
Sinais respiratórios: dispneia, tosse, respiração abdominal
SINAIS 4A8 SEMANAS DE IDADE
Inflamação das articulações (inchadas)
LESÕES Polisserosite fibrinosa Imagem de necropsia Material fibrinoso aderido à superfície do intestino e do fígado
DETECÇÃO de H. parasuis nas lesões Amostra de esfregaço de lesões em meio Amies, refrigerado.
Isolamento
Sorotipagem Antibiograma Virulência
PCR
Figura 2. O diagnóstico da doença de Glässer começa com a observação dos sinais clínicos na granja e se completa com a detecção de Glaesserella parasuis nas lesões características da polisserosite fibrinosa.
67 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
Como pode ser tratada, prevenida e controlada? O tratamento com antibióticos em animais infectados é bem-sucedido, desde que seja administrado por via parenteral, uma vez que é improvável que os suínos afetados se levantem para comer e beber.. A Glaesserella parasuis é sensível a uma ampla variedade de antibióticos, porém, resistências múltiplas foram relatadas, portanto, antibiogramas devem ser realizados. As vacinas estão disponíveis e são eficazes, desde que as cepas certas sejam escolhidas.
patología
Antes da vacinação, as cepas comumente encontradas no rebanho devem ser isoladas e sorotipadas para desenvolver uma vacina autógena. Da mesma forma, ao se considerar um possível programa de vacinação contra a doença de Glässer, deve-se ter em mente que a imunidade materna é eficaz contra o desafio de Glaesserella parasuis e que dura cerca de 3 a 5 semanas. Portanto, nos primeiros casos de doença de Glässer (leitões com menos de 6 semanas de idade), a vacinação de suas mães é recomendada para garantir a transferência de um nível adequado de anticorpos para os leitões através do colostro.
Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
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68 SuínoBrasil 3º Trimestre 2021 | Glässer, uma doença de alto impacto na suinocultura mundial
Uma visão técnica e inovadora da suinocultura nacional. /suínobrasil
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