vol. 20 núm. 4 (2025)
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BALANÇO PRELIMINAR DA SUINOCULTURA BRASILEIRA EM 2025 Iuri Pinheiro Machado Consultor de Mercados ABCS
EM 2026, O MAIOR RISCO DA SUINOCULTURA ESTÁ DENTRO DA PORTEIRA
N
Na suinocultura, 2026 começa com uma mudança importante de cenário, em que os fatores externos seguem relevantes, mas o maior risco passou a ser o que decidimos fazer com o plantel, com a capacidade industrial e com a nossa estratégia de oferta. Quando o custo de ração deixa de ser um terremoto diário e o comércio internacional segue em curva positiva, a variável crítica volta a ser a disciplina da cadeia produtiva.
O erro, agora, seria usar essa trégua para voltar ao velho padrão de expansão automática, retendo matrizes porque “o mercado está bom”, liberando investimentos em novas granjas sem um plano claro de escoamento, ou aumentando abate apenas porque o momento de câmbio e preço externo parece favorável. A história recente mostra que bastam alguns trimestres de oferta descoordenada para transformar lucro em prejuízo.
A ABPA estima que as exportações de carne suína do Brasil possam chegar a cerca de 1,45 milhão de toneladas em 2025, ante 1,353 milhão em 2024, novo recorde histórico. Ao mesmo tempo, projeções recentes indicam consumo interno na faixa de 19 quilos por habitante ao ano, mantendo o mercado doméstico como um pilar importante de sustentação.
O que eu proponho, como visão de futuro para o setor, é encarar 2026 como o ano da governança de volume. Isso significa mapear, cadeia a cadeia, a real capacidade de absorção do mercado interno e externo; ajustar o tamanho do plantel de matrizes a esse desenho; usar contratos e instrumentos de mercado para reduzir a volatilidade; e, principalmente, colocar o tema “disciplina de oferta” no centro da estratégia das empresas e das lideranças setoriais.
Em outras palavras, temos mercado, dentro e fora do país. A pergunta é se vamos respeitar os limites dessa demanda. Nos custos, seguimos desafiados, mas em um patamar mais racional do que há poucos anos. Levantamentos com base no ICPSuíno mostram que a ração concentra por volta de 70% a 72% do custo total em sistemas de ciclo completo. Essa dependência de milho e soja continuará nos acompanhando, mas a combinação de boa oferta global de grãos e ajustes internos já vem permitindo algum alívio, com meses de queda ou estabilidade nos índices de custo.
Se fizermos isso, a suinocultura brasileira tem tudo para consolidar um ciclo de previsibilidade e geração de valor. Se não fizermos, não será o “mercado” que nos punirá, mas nós mesmos, mais uma vez, desperdiçando um bom momento.
EDITOR AGRINEWS PUBLICIDADE Luiz Carlos de Sousa Júnior +55 15 99121-2081 comercial.suinobrasil@agrinewsgroup.com
DIREÇÃO TÉCNICA José Antônio Ribas Jr.
COORDENAÇÃO TÉCNICA E REDAÇÃO Cândida P. F. Azevedo suinobrasil@grupoagrinews.com
ANALISTA TÉCNICO Henrique Cancian
COLABORADORES Cândida Azevedo Matheus Saliba Monteiro Priscila Beck Bruno Bracco Donatelli Muro Jessica Carolina Reis Barbosa Rafaella Fernandes Roberto Maurício Carvalho Carnevale Guedes Roberta Yukari Hoshino Kallita L. S. Cardoso Cesar Augusto Pospissil Garbossa Mariana G. Lacerda Leonardo França da Silva Allan P. Schinckel Cristiano Márcio Alves Amoracyr J. C. Nuñez de Souza Vivian V. Almeida Filipe Bittencourt Machado Iuri Pinheiro Machado de Souza Luiz Felipe Caron Victor Crespo de Oliveira Erich Herzogenrath Cavaca Jéssica Mansur S. Crusoé Inácio
ADMINISTRAÇÃO Priscila Beck +55 (15) 9 9682-2274 Avenida: Adalgisa Colombo, 135. Jacarépaguá. Rio de Janeiro – RJ. Cep.: 22775-026 nutrisocial@grupoagrinews.com www.porcinews.com
José Antonio Ribas Jr. Diretor Técnico suínoBrasil
Preço da assinatura anual: Brasil 30 $ Internacional 90 $ Periodicidade: trimestral ISSN 2965-4238
A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagens: Freepik e Dreamstime.
1 SuínoBrasil 4º Trimestre 2025
04
Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
18
Cândida Azevedo
Coordenadora Técnica suínoBrasil
08
Diretora de Comunicação agriNews Brasil
14
José Paulo Hiroji Sato¹, Viviana Molnár-Nagy², Gefferson Almeida Silva³ e Jovan Sabadin³
¹Dr. Bata Brazil, Chapecó, Brasil; ²Dr. Bata Ltd., Ócsa, Hungria; ³Vetanco do Brasil, Chapecó, Brasil.
Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos Priscila Beck
24
Escola de Veterinária da UFMG
Priscila Beck
porcinews.com
Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos Jessica Carolina Reis Barbosa Roberto Maurício Carvalho Guedes
Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha Diretora de Comunicação agriNews Brasil
Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
28
Programa nutricional para leitões recém-desmamados: redução proteica com suplementação de aminoácidos Kallita L. S. Cardoso¹, Mariana G. Lacerda², Allan P. Schinckel³, Amoracyr J. C. Nuñez4, Vivian V. Almeida4
¹Graduanda em Medicina Veterinária, Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG ²Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG ³Professor Emérito, Purdue University – EUA 4Professor(a) Adjunto(a), Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG
2 suínoBrasil 3º Trimestre 2025
34
Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
58
Eco Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna
Gerência Técnica Biochem Latam
62 40
Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal Erich Herzogenrath Cavaca Inácio¹, Matheus Saliba Monteiro¹, Bruno Bracco Donatelli Muro¹, Rafaella Fernandes Carnevale¹, Roberta Yukari Hoshino¹, Cesar Augusto Pospissil Garbossa¹
Iuri Pinheiro Machado Consultor de Mercados ABCS
¹Departamento de Nutrição e Produção Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade de São Paulo, Pirassununga – BR
68
72
50
Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento Renato Philomeno
Nutricionista de Suínos na Agroceres Multimix
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DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões Leonardo França da Silva¹; Cristiano Márcio Alves de Souza²; Filipe Bittencourt Machado de Souza³; Victor Crespo de Oliveira4; Jéssica Mansur S. Crusoé5 ¹Doutor em Engenharia Agrícola UFV Professor UNB; ²Doutor em Engenharia Agrícola UFV; ³Doutor em Produção Vegetal UFLA Professor UNB; 4Doutor Engenharia Agrícola UNESP; 5Doutora em Zootecnia UFV; Professora UFMG
Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria Luiz Felipe Caron
Professor Dr. Uiversidade Federal do Paraná (UFPR)
3 suínoBrasil 3º Trimestre 2025
Papo de granja
QUANDO A TOSSE CUSTA CARO: POR QUE MANTER A GRANJA LIVRE DE MYCOPLASMA FAZ DIFERENÇA? Papo de granja
Cândida P. F. Azevedo Coordenadora Técnica suínoBrasil
Produtor: Bom dia! Tenho ouvido falar bastante sobre Mycoplasma hyopneumoniae e sua importância para a sanidade dos suínos. Por que essa bactéria preocupa tanto?
O problema maior é que ela compromete o desempenho dos animais — principalmente ganho de peso e conversão alimentar — além de
Técnico: Bom dia! Essa preocupação é
abrir caminho para infecções secundárias.
totalmente válida. O Mycoplasma hyopneumoniae é o agente causador da pneumonia enzoótica suína,
Produtor: E como exatamente essa
uma doença respiratória crônica que, apesar
bactéria atua dentro do animal?
de não ter alta taxa de mortalidade, provoca Técnico: O Mycoplasma hyopneumoniae adere
impactos econômicos expressivos.
às células epiteliais do trato respiratório e causa um processo inflamatório persistente. Essa lesão reduz a eficiência do sistema mucociliar, que é responsável por eliminar partículas e agentes
Membrana lipoproteica
Proteína solúvel
Ribossomo
infecciosos. Com essa defesa comprometida, outras
DNA RNA solúvel
bactérias e vírus respiratórios encontram um ambiente favorável para se instalar, agravando o quadro clínico.
4 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
Produtor: Então o maior risco são essas infecções secundárias?
Produtor: Mas a mortalidade não é muito alta, certo? Então o impacto ainda
Técnico: Exatamente. O Mycoplasma sozinho já prejudica bastante, mas a combinação com outros agentes — como Pasteurella multocida, Actinobacillus pleuropneumoniae, influenza suína, entre outros — aumenta muito a gravidade da doença.
assim é grande? Técnico: Sim, mesmo com mortalidade baixa, o impacto econômico é significativo. Estudos mostram que o Mycoplasma hyopneumoniae pode reduzir o ganho de peso em até 16% e aumentar a conversão alimentar em até 10%, dependendo do
chamado “complexo respiratório suíno”, que eleva custos e reduz produtividade.
nível de desafio. Isso representa mais dias de alojamento, mais ração por animal e menor eficiência geral da granja. Quando somamos isso ao uso de
Papo de granja
É uma porta de entrada para o
antimicrobianos para controle de infecções secundárias, o prejuízo financeiro é bem maior. Produtor: E no dia a dia da granja, como essa infecção se manifesta? Técnico: Normalmente, você vê tosse seca, principalmente quando os animais
Produtor: Entendi. E como essa bactéria chega à granja?
se movimentam ou durante o manejo. Essa tosse pode persistir por semanas. Além
Técnico: O principal risco é a introdução por
disso, há queda no desempenho:
meio de animais infectados, especialmente matrizes de reposição.
Menor ganho médio diário, Pior conversão alimentar e, consequentemente, Aumento no tempo necessário para
A transmissão ocorre principalmente por contato direto entre suínos, especialmente de matrizes para leitões durante o período de maternidade.
chegar ao peso de abate.
Animais infectados também apresentam maior variabilidade de lotes e aumento na taxa de refugos.
A disseminação aérea pode ocorrer em curtas distâncias entre granjas próximas. Além disso, falhas de biosseguridade favorecem a manutenção e circulação do agente dentro das instalações.
5 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
Produtor: Isso significa que uma vez dentro da granja, ela é difícil de eliminar? Técnico: Sim. Por ser uma bactéria que se instala profundamente no trato respiratório e causa infecção crônica, a eliminação é difícil. A circulação dentro da granja pode se perpetuar por meses ou anos, especialmente se houver falhas nos protocolos de manejo, fluxo contínuo e mistura frequente de leitos. Por isso, um programa de controle efetivo é essencial.
Produtor: E qual o risco para leitões recém-nascidos?
Produtor: E o que seria esse programa?
Papo de granja
Vacinação resolve? Técnico: A vacinação é uma ferramenta muito importante, mas não é suficiente
Técnico: O risco é considerável. Leitões podem ser infectados pelas matrizes ainda na maternidade. Animais infectados precocemente tendem a apresentar
sozinha. Ela ajuda a reduzir os sinais
quadros mais severos no crescimento e
clínicos e as lesões pulmonares, mas não impede
terminação.
totalmente a infecção. O controle efetivo exige uma combinação de estratégias:
Além disso, leitões já infectados carregam a bactéria por longos períodos, se tornando
Biosseguridade rígida, principalmente no recebimento de animais.
fontes de transmissão entre lotes. Produtor: Se eu quiser manter minha
Isolamento e quarentena adequados para reposição.
granja livre dessa bactéria, por onde começo?
Fluxo “tudo dentro, tudo fora” para evitar mistura de idades.
Técnico: O primeiro passo é não introduzir o agente. Isso significa adquirir reprodutores
Ambiência adequada, reduzindo poeira e garantindo ventilação. Redução da densidade animal, quando possível.
de fornecedores com certificação sanitária e histórico de status negativo para Mycoplasma hyopneumoniae. Depois, é essencial manter um programa rígido de quarentena, com tempo suficiente
Controle de agentes secundários por meio de vacinação e medicação estratégica.
para detecção de infecções, quando presente.
6 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
A partir daí, adota-se um conjunto de ações: Produtor: Então manter a granja livre é realmente um ganho em produtividade?
Treinamento de equipe para reforçar práticas de biosseguridade
Técnico: Sem dúvida. Granjas negativas para Mycoplasma hyopneumoniae apresentam
Controle de veículos e equipamentos, evitando entrada de materiais contaminados
melhores índices zootécnicos, menores custos com medicamentos e maior uniformidade de lotes. Além disso, o status negativo facilita o
Limpeza e desinfecção eficiente de instalações
cumprimento de protocolos sanitários exigidos por frigoríficos e programas de bem-estar animal.
Produtor: E se a granja já for positiva? Ainda dá para melhorar o status sanitário?
Papo de granja
Monitoramento constante, usando sorologia, PCR ou avaliação de lesões pulmonares no abate Produtor: Acho que agora entendi a importância. É mais do que evitar tosse — é proteger a rentabilidade da produção.
Técnico: Com certeza. Existem programas de estabilização e até erradicação, dependendo do nível de desafio e da estrutura da granja. Entre as estratégias mais utilizadas estão:
Técnico: Exatamente. Manter a granja livre dessa bactéria é uma estratégia de longo prazo que impacta diretamente o desempenho, o bem-estar dos animais e a sustentabilidade econômica da atividade.
Medicação estratégica das matrizes, reduzindo transmissão para leitões Sincronização do status imunológico do plantel reprodutivo
Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
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Vacinação em massa do rebanho
Programas de “herd closure”, em que a entrada de animais é temporariamente suspensa Esses programas exigem planejamento detalhado e acompanhamento técnico constante.
7 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Quando a tosse custa caro: por que manter a granja livre de Mycoplasma faz diferença?
Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos Priscila Beck Diretora de Comunicação agriNews Brasil
D
e 3 a 5 de setembro, no Vale
ABCS
dos Vinhedos (RS), o SNDS 2025 celebrou os 70 anos
da ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos) com uma agenda que uniu estratégia setorial, mercado e comunicação.
8 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
No palco as lideranças mostraram que a década que elevou o consumo em 45% (para quase 20 kg per capita) preparou terreno, mas o próximo salto depende de:
No balanço que apresentou no evento, Marcelo Lopes demonstrou que, nos últimos 10 anos, o consumo de carne suína
Previsibilidade para atender o foodservice,
cresceu 45%, alcançando quase 20 kg per capita.
Segundo ele, se trata do resultado de
Adoção prática de IA (Inteligência Artificial) e
Uma nova gramática de confiança com a sociedade.
trabalho de campo e de campanhas de visibilidade no ponto de venda.
No pré-SNDS, Marcos Jank enquadrou o cenário internacional, destacando
tratada como um ponto de inflexão. Em seu discurso, o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, destacou que a entidade combinou técnica, defesa institucional e marketing para sustentar a expansão, com iniciativas como a
aspectos como fragmentação
ABCS
A marca histórica dos 70 anos foi
geopolítica, “friendshoring” (priorização de parceiros aliados para produção/ fornecimento confiável) e comércio cada vez mais administrado.
Semana Nacional da Carne Suína, que segundo ele, se tornou um ativo que, hoje, molda percepção e puxa demanda no varejo.
Segundo ele, são temas que criam incertezas e exigem sistemas mais resilientes, diversificação de mercados e capacidade de reagir rápido a estímulos de preço.
Para a suinocultura, Jank destacou a importância de abrir portas na Ásia e na Europa com mais valor agregado e logística afinada, sem descuidar da base doméstica.
9 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
Na tecnologia, a palestra “Conveniência é o Nome do Negócio: IA e Tecnologia Redefinindo o Agro”, de Arthur Igreja, tirou a IA do discurso abstrato e a colocou no chão das decisões.
O ponto central foi que preço importa, porém, previsibilidade de preço e padrão logístico pesam ainda mais para as grandes redes, que ditam tendências e operam com políticas próprias de abastecimento, bem-estar animal e desmatamento zero.
Igreja lembrou que ondas de desemprego se explicam por choques econômicos e guerras, não pela tecnologia, e apontou que já vivemos a “Era dos Agentes”, em
ABCS
que sistemas executam tarefas complexas sozinhos, liberando tempo gerencial e
Confiança antes da planilha: valores pesam de três a cinco vezes mais que dados
encurtando ciclos decisórios.
A palestra de Charlie Arnot O recado de Igreja para o produtor e a indústria foi o de que a IA deve ser tratada como um braço operacional, porém, com discernimento para filtrar “alucinações” e manter o foco em ganhos de eficiência.
trouxe uma mudança de rota para a comunicação do setor. Com base em três anos de pesquisa envolvendo 6 mil consumidores, Arnot mostrou que a conexão de valores compartilhados é de três a cinco vezes mais determinante para construir
No eixo mercado, o painel de foodservice reuniu Romeu Bellon (compras e supply chain em redes nacionais e multinacionais) e Daniel
confiança do que fatos e ciência apresentados de forma isolada.
Boer (especialista global em proteína animal e agronegócio sustentável).
10 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
A mesa convergiu em três frentes: Em um ambiente de “microculturas”, no qual a autoridade é distribuída, alguém “como eu”, afirmou, pode ser tão confiável quanto um cientista, o que desloca o mapa
Reduzir o ruído entre granja, fábrica e gôndola com linguagem comum e metas compartilhadas;
de influenciadores e exige autenticidade, transparência de progresso (em vez de prometer perfeição) e práticas à mostra.
Tornar previsibilidade e padrão logístico compromissos explícitos nos contratos de fornecimento; e
A implicação prática para a suinocultura, segundo ele, é começar a conversa pelo “porquê” (quem somos e por que fazemos), ancorar com indicadores compreensíveis e manter presença contínua, porque confiança se constrói com
Sustentar uma comunicação contínua que comece por valores, mas se prove com práticas verificáveis em loja e em canais digitais.
Como transformar confiança em demanda recorrente
ABCS
regularidade, e não com ações pontuais.
Na síntese de palco, ficou o consenso de que confiabilidade de entrega o ano
O SNDS também promoveu um painel
todo e narrativa alinhada são condições
de debates que conectou indústria,
para que a suinocultura ganhe espaço
cooperativismo e varejo. Participaram José
estável no foodservice e no varejo de
Antonio Ribas Junior (Seara), Elias Zydek
alta rotação.
(Frimesa), Fábio Casanova (Swift), David Buarque (Carrefour) e Luiz Baruzzi (Amigão/ Plurix), com Marcelo Lopes na mediação.
11 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
Estação Quarentenária Além dos painéis técnicos e de mercado, a programação registrou um bloco institucional dedicado à história e à agenda sanitária. Na celebração dos 70 anos, a organização exibiu vídeo institucional alusivo às ações de defesa, com destaque para a estação quarentenária e para a cooperação do setor com o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), reforçando o caráter preventivo que sustenta reputação e acesso a mercados. O que tudo isso coloca na agenda
ABCS
dos próximos meses?
Consolidar o ganho de consumo com presença mais forte no canal de maior valor, o foodservice, com contratos e comunicação que ofereçam previsibilidade e com processos industriais e logísticos orientados pelo cliente.
Sete décadas depois, o diagnóstico do SNDS é de que o setor chegou até aqui combinando técnica, representação e marketing. Para ir além, precisa acoplar previsibilidade para o foodservice, produtividade inteligente via IA e uma comunicação que comece pelo que move as pessoas. É assim que a história construída pela ABCS vira plataforma para a próxima curva de crescimento. Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
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Transformar IA em eficiência concreta - do planejamento de abate ao atendimento - com governança de dados e métricas claras de ROI.
Alinhar a narrativa setorial, começando por valores, provando progresso com números legíveis e tornando visível a rotina que dá lastro a esse discurso.
12 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Consumo de carne suína avança 45% e se aproxima de 20 kg per capita. SNDS aponta próximos passos
DO REGISTRO ÀS QUARENTENAS: CINCO DECISÕES QUE MOLDARAM A SUINOCULTURA GAÚCHA
Entrevista
Priscila Beck Diretora de Comunicação agriNews Brasil
referência por acaso. Em
A
O efeito combinado foi a passagem de
entrevista à suínoBrasil, o ex-
um sistema fragmentado para outro,
presidente da ABCS José Adão Braun
com governança mais clara, genética
organiza a memória do setor como uma
padronizada e controles sanitários robustos.
suinocultura gaúcha não virou
sequência de decisões encadeadas cada uma empurrando a seguinte.
“Foi um aprendizado contínuo; quando uma engrenagem entrou, a próxima ficou inevitável”, resume.
14 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
Registro genealógico: fim da adivinhação
“Quando a casa está em ordem, a pauta chega com outra legitimidade”, diz Braun.
Segundo Braun, a virada começou no papel, com o registro genealógico. granjas passaram a documentar origem e desempenho. O registro deu base objetiva à seleção, reduziu heterogeneidade e melhorou previsibilidade de lote.
“Sem registro não há conversa séria sobre genética”, afirma Braun.
Segundo ele, a arrumação interna elevou a capacidade de influir nas negociações e de responder a crises.
Capilaridade e foco no território A criação da entidade estadual
Entrevista
Em vez de apostar no “bom de olho”,
separou papéis: a nacional manteve a coordenação de cúpula; a gaúcha assumiu o chão do estado, conhecendo
O ganho imediato foi a redução de ruído
mapa de granjas, demandas locais e
na ponta: decisões técnicas passaram a
urgências sanitárias.
apoiar-se em dado e histórico, não em percepção.
Profissionalização de dentro para fora Com o registro, veio a necessidade de organização. Sede própria, equipe técnica e processos transformaram a
O desenho deu capilaridade, encurtou resposta e organizou pressão em agendas de preço, abastecimento e infraestrutura.
“O que é do RS fica com quem pisa no RS”, sintetiza.
Associação em instituição com agenda. Padronizar rotinas e atendimento ao produtor qualificou o diálogo com frigoríficos e poder público, segundo nos conta o ex-presidente.
15 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
O objetivo é simples e estratégico:
Escala e novo equilíbrio de forças
reduzir o risco de introdução de patógenos e preservar a reputação sanitária que sustenta mercados e
Na sequência, a integração reposicionou a
crédito.
cadeia. Frigoríficos e grupos de genética internalizaram parte das decisões técnicas e financeiras, oferecendo previsibilidade de alojamento e abate em troca de desempenho e padronização. “Praticamente acabou o produtor independente de reprodutores”,
O que falta fazer A linha do tempo aponta para uma agenda de continuidade:
observa Braun.
Entrevista
Reforço de capacitação da mão de obra, A conversa no campo mudou: autonomia cedeu lugar à gestão de eficiência - conversão, mortalidade,
Uso consistente de dados de lote para negociação com integradoras,
ambiência e bem-estar passaram a definir metas, bônus e renovação de contrato.
Sanidade como passaporte O susto de um surto inicialmente tratado como peste suína africana - depois descartado - deixou lição permanente.
Quarentenários, rastreabilidade e protocolos de importação subiram a régua.
Atualização constante de biossegurança.
O protagonismo do produtor migrou do “dono do reprodutor” para o gestor de eficiência. Quem dominar essa linguagem técnica tende a ganhar poder de barganha dentro do sistema.
Estação Quarentenária de Cananéia (EQC): parceria público-privada que sustenta a biossegurança da genética suína
“Antes não precisava tanta quarentena; hoje, o controle é muito grande”, diz Braun.
16 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
A EQC, do MAPA, é o único ponto autorizado para quarentena de suínos vivos importados para reprodução no Brasil, sob supervisão do Serviço Veterinário Oficial e normas alinhadas à OMSA.
Registro: da memória ao desempenho Para José Adão Braun, ouvido pela suínoBrasil, o registro genealógico tirou a seleção de suínos do “bom de olho” e levou previsibilidade ao lote. Ao documentar
A unidade de suínos passou a operar nesse formato a partir de 2014 e, desde 2015, entrou em rota de modernização e ampliação por meio de uma parceria público-privada entre MAPA, ABEGS e ABCS.
origem e desempenho, as granjas reduziram heterogeneidade e ganharam base para decisões que vão da genética ao manejo. “Sem registro não há conversa séria sobre genética”, diz. A partir dali, outras engrenagens ficaram inevitáveis
Entrevista
- estrutura, integração e, mais tarde, as O protocolo de intenções firmado em
quarentenas que blindam o rebanho.
2015 viabilizou reformas e ampliações; um novo acordo de cooperação em 2020 sustentou a etapa seguinte, com entregas inauguradas em 2021,
Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
aumentando a capacidade e reduzindo
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filas para a renovação genética das granjas.
O isolamento geográfico de Cananéia e o controle rigoroso de acesso, exames e rastreabilidade sustentam o papel da EQC como “filtro sanitário” da genética suína importada no país.
17 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Do registro às quarentenas: cinco decisões que moldaram a suinocultura gaúcha
ADITIVO IMPROVER® COMO ALTERNATIVA NATURAL A ANTIMICROBIANOS MELHORADORES DE DESEMPENHO EM LEITÕES DESMAMADOS
Aditivo
José Paulo Hiroji Sato¹, Viviana Molnár-Nagy², Gefferson Almeida Silva³ e Jovan Sabadin³ ¹Dr. Bata Brazil, Chapecó, Brasil; ²Dr. Bata Ltd., Ócsa, Hungria; ³Vetanco do Brasil, Chapecó, Brasil. *Autor para correspondência: sato@drbatabrazil.com.br
Introdução O desmame é um dos períodos mais críticos no ciclo de produção de suínos, caracterizado por mudanças nutricionais, ambientais e sociais que aumentam o risco de desequilíbrios da microbiota intestinal e, consequentemente, da incidência de doenças entéricas e influência na performance dos animais
(Fairbrother & Nadeu, 2019). O uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho foi amplamente difundido nas últimas décadas, com impacto positivo na produção de suínos.
No entanto, a crescente preocupação mundial com a resistência antimicrobiana e os riscos associados à saúde pública levou diversos países e organizações internacionais a restringir ou até mesmo proibir o uso desses princípios ativos na produção animal
(WHO, 2019; WOAH, 2024).
18 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
Essas restrições resultaram em uma eliminação progressiva do uso preventivo de antibióticos,
Material e métodos
estimulando a adoção de alternativas
O estudo foi conduzido em uma
sustentáveis para manter a saúde
instalação experimental durante
intestinal e o desempenho dos suínos.
40 dias, com 54 leitões machos desmamados aos 28 dias de idade e peso médio inicial de 6,8 ± 1,2 kg.
Entre os principais aditivos substitutivos destacam-se ácidos orgânicos, probióticos, prebióticos e fitobióticos.
Os fitobióticos, compostos naturais derivados de plantas, têm se
Os animais foram distribuídos aleatoriamente em três grupos, cada um com seis repetições de três animais:
01
Controle negativo (sem aditivos);
02
Colistina (10 mg/kg/animal);
03
Aditivo fitobiótico-prebiótico Improver® (0,5 kg/t de ração)
Aditivo
consolidado como alternativas promissoras e multifuncionais, com efeitos antimicrobianos, antioxidantes e imunomoduladores (Pandey et al., 2023).
Neste contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho de leitões desmamados suplementados com o aditivo fitobiótico-prebiótico Improver®, composto por: Tomilho Óleo de sálvia
As baias foram equipadas com piso plástico, aquecimento elétrico, comedouros lineares (15 cm/animal) e bebedouros automáticos (1 L/min). Foram monitorados: Peso
Semente de alfarroba Alcachofra de Jerusalém e Chicória,
Consumo médio diário de ração (CMDR) Ganho de peso diário (GPD) e Conversão alimentar (CA).
comparando seus efeitos ao uso da colistina.
19 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey. Os dados não paramétricos foram analisados pelo teste do qui-
O consumo de ração não apresentou
quadrado. O nível de significância
diferença estatística entre os grupos
considerado foi de 5% (P<0,05),
(P=0,59), mantendo-se em torno de
e valores entre 0,05 e 0,10 foram
0,60 kg nos tratamentos com aditivos e
considerados tendência. Todas as
ligeiramente superior no grupo controle
análises foram realizadas com o
(0,64 kg).
software estatístico R (versão 3.5.0).
O GPD foi significativamente maior nos
Aditivo
Resultados
grupos colistina e aditivo Improver® (0,37 kg/dia) em relação ao grupo
Na tabela 1, são apresentados os resultados de
controle (0,35 kg/dia), com tendência
desempenho zootécnico.
estatística (P=0,06).
Ao final do período experimental, observou-se que os animais tratados com colistina ou com o aditivo Improver®
Isso demonstra o efeito positivo dos
apresentaram peso final superior (21,6 kg) em
aditivos sobre a taxa de crescimento
comparação ao grupo controle (20,9 kg).
dos leitões.
Tabela 1. Desempenho de leitões desmamados submetidos a diferentes tratamentos.
Parâmetro
Controle negativo
Colistina
Improver®
Valor P
Peso, kg
20,9
21,6
21,6
Consumo ração, kg/dia
0,64
0,60
0,60
0,59
GPD, kg/dia
0,35b
0,37a
0,37a
0,06
CA
1,82a
1,62b
1,62b
0,05
a,b letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (p < 0,05). GPD: Ganho de peso diário; CA: Conversão alimentar; Colistina (10 mg/kg/ animal); Fitobiótico-prebiótico (0,5kg/ton).
20 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
A CA também foi favorecida pelos tratamentos com colistina e com o aditivo Improver®, ambos com valor de 1,62, em contraste com 1,82 no grupo controle.
A diferença foi estatisticamente significativa
Essa sinergia favorece a saúde intestinal,
(P=0,05), indicando maior eficiência na utilização
aumenta a digestibilidade e melhora a
da ração pelos animais que receberam aditivos.
eficiência alimentar. Além do aspecto zootécnico, há benefícios estratégicos, como:
Discussão Os resultados demonstram que o aditivo fitobiótico-prebiótico promoveu
Redução de custos com ração, devido à melhora da CA;
desempenho equivalente ao da colistina, melhorando o ganho de peso diário. Esses achados são particularmente relevantes no cenário atual da suinocultura, em que as restrições ao uso de antimicrobianos pressionam a adoção de soluções eficazes e seguras.
Atendimento às exigências de consumidores e mercados internacionais, cada vez mais preocupados com o uso de antimicrobianos;
Aditivo
reduzindo a conversão alimentar e
Integração em programas de biosseguridade e produção sustentável, reforçando a imagem da cadeia produtiva perante à sociedade.
A combinação de fitobióticos e prebióticos apresenta múltiplos mecanismos de ação:
Tomilho e óleo de sálvia: ricos em compostos fenólicos e óleos essenciais (como timol e cineol), com efeito antimicrobiano e modulador da microbiota.
Alfarroba: fonte de taninos com efeito antimicrobiano e propriedades de redução da adesão bacteriana.
Alcachofra de Jerusalém e chicória: fontes de inulina e frutooligossacarídeos (FOS), que atuam como prebióticos estimulando Lactobacillus e Bifidobacterium.
21 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
Conclusões O aditivo fitobiótico-prebiótico Improver® apresentou eficiência zootécnica equivalente à colistina, com ganhos em peso e conversão alimentar, confirmando-se como uma alternativa natural, sustentável e economicamente viável. Esses resultados sustentam o uso de fitobióticos e prebióticos como pilares da nova geração de aditivos na suinocultura, alinhados às exigências de sustentabilidade, segurança
Aditivo
alimentar e competitividade.
Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
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Referências bibliográficas. Sob consulta aos autores.
22 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Aditivo Improver® como alternativa natural a antimicrobianos melhoradores de desempenho em leitões desmamados
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IMPACTOS DE DIARREIA NEONATAL NA PRODUÇÃO DE SUÍNOS
Saúde intestinal
Jessica Carolina Reis Barbosa Roberto Maurício Carvalho Guedes Escola de Veterinária da UFMG
A
diarreia neonatal representa um dos
A causa de diarreia neonatal é
principais problemas sanitários da
multifatorial, envolvendo a interação
suinocultura, afetando diretamente o
entres:
desempenho zootécnico e o aumento de custos de produção, causando assim perdas econômicas.
Fatores ambientais
Alguns estudos têm associam a ocorrência da
Falhas no manejo sanitário e
diarreia neonatal ao:
Presença de patógenos que encontram condições favoráveis à sua proliferação.
Aumento da taxa de mortalidade
Redução da eficiência alimentar,
Atraso no desenvolvimento dos leitões e Maior predisposição à diarreia pós-desmame (Dewey et al., 1995, Calderaro et al., 2001, Lippke et al., 2011, Monteagudo et al., 2022).
A gravidade do caso clínico (morbidade e mortalidade) varia nas granjas conforme a virulência do agente, sua resistência aos tratamentos, a imunidade do hospedeiro e os fatores de riscos, como estresse, variações de temperatura do ambiente, limpeza e desinfecção inadequada das instalações (ausência ou redução do descanso das instalações - vazio sanitário), além da dificuldade do acesso ao colostro e ao leite materno (Dewey et al., 1995, Calderaro et al., 2001, Lippke et al., 2011).
24 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
Diversos agentes entéricos podem estar envolvidos na sua etiologia, incluindo
Os sinais clínicos envolvem diarreia liquida
bactérias, vírus e protozoários. Os
amarelada, desidratação e região perineal úmida
principais patógenos relacionados com
e avermelhada.
diarreia em suínos são:
O pH das fezes diarreicas é alcalino
Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC)
(acima de 8,0), por se tratar de uma diarreia secretória.
Clostridium perfringens tipo A ou C Clostridioides difficile
Sua ocorrência pode ser reduzida com
Rotavírus A, B, C e H
programas de vacinação de matrizes,
Sapovirus e
específicos da granja, e colostragem
utilizando sorotipos circulantes
Cystoisospora suis (Dewey et al., 1995, Calderaro et al.,
2001, Lippke et al., 2011, Monteagudo et al., 2022).
eficazes, além de bom manejo sanitário das instalações (boa higienização – lavagem e desinfecção), seguidos do
sérios prejuízos econômicos, este artigo
Saúde intestinal
descanso das instalações por pelo Considerando-se que as diarreias causam
menos 36 horas (Duan et al., 2011, Barros et
al., 2023).
tem como objetivo discutir os principais agentes envolvidos, os impactos
Clostridioides difficile é um bacilo
produtivos dessas enfermidades, bem como estratégias de prevenção e controle.
Gram-positivo que produz esporos relevante, cuja patogenicidade decorre da produção das toxinas A e B, responsáveis por colite fibrinonecrótica e edema de mesocólon.
A compreensão desses fatores é fundamental para otimizar o manejo sanitário e manter a sustentabilidade econômica do sistema de produção. Colibacilose é uma doença entérica frequente em leitões, causada por ETEC,
Seu aparecimento pode estar associado a alterações na microbiota intestinal provocadas pelo uso antimicrobianos preventivos no primeiro dia de vida (Arruda et al., 2013).
cocobacilo Gram-negativo, que acomete principalmente leitões na primeira semana de vida.
A mortalidade associada a esse agente é baixa, mas animais afetados tem menor ganho de peso e, consequentemente, menor peso ao desmame.
Causa uma alta incidência de
Clostridium perfringens tipos C e A
infecção e mortalidade em
acomete nos primeiros dias de vida,
neonatos, principalmente nas
podendo o tipo A afetar até na segunda
primeiras 24 de vida.
semana de vida.
25 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
No caso da diarreia por C. perfringens tipo C, apresenta-se inicialmente liquida amarelada mais pode conter vestígios de sangue. À medida que
Os leitões afetados manifestam diarreia liquida amarela ou esbranquiçada, acompanhada de desidratação e prostração, evoluindo em alguns casos para a morte A (Molinari et al., 2016, Miyabe et al., 2020).
a infecção evolui, as fezes tornamse avermelhadas em decorrência do
Outro agente viral de relevância
sangramento intestinal intenso.
associado à diarreia neonatal é o Sapovírus (SaV), pertencente à família Caliciviridae. Esse agente tem se
Saúde intestinal
A vacinação de porcas gestantes com toxoide de C. perfringens tipo C é a principal forma de prevenção da doença, considerando que o agente é ubíquo e os esporos extremamente resistentes (Chan et al., 2013). A maior dificuldade nos casos de diarreia por C. perfringens tipo A é a certeza no diagnóstico, já que o agente é altamente prevalente na microbiota intestinal de leitões, e não existe marcador ou teste diagnóstico que consiga distinguir cepas patogênicas de não patogênicas (Cruz Jr et al. 2013).
Entre os vírus, no Brasil, Rotavírus é o agente a causar diarreia neonatal. Os grupos A, B e C são amplamente reconhecidos como importantes patógenos entéricos (Molinari et al., 2016, Miyabe et al., 2020), mas o tipo H já foi demonstrado e caracterizado como patogênicos no Brasil (Molinari et al, 2014).
destacado como causa emergente de diarreia neonatal em suínos frequente em rebanhos nos EUA.
No Brasil, o vírus já foi identificado em animais assintomáticos (Nagai et al., 2020, Hochheim et al., 2021), bem como associados a diarreia (Campos et al, 2025).
Para o diagnóstico desse agente faz-se necessário a detecção de lesões histológicas semelhantes as causadas por Rotavírus, na ausência desse último, e grande quantidade de Sapovírus no qPCR (Aljets et al, 2025).
A coccidiose é uma doença intestinal comum em leitões, causadas por protozoários que incluem os gêneros Cystoisospora e Eimeria sp. Os casos
O grupo C, em particular, tem se tornado mais prevalente em surtos recentes e não está contemplado nas vacinas comerciais utilizadas no Brasil, o que pode contribuir para sua disseminação (Monteagudo et al., 2022).
associados a esse último são raros.
A mortalidade associada à coccidiose é baixa, e as maiores perdas econômicas estão relacionadas a redução no ganho de peso dos leitões infectados (Mundt et al., 2006, Joachim et al., 2018).
Além disso, o tipo C também tem sido
Porém, o sistema de produção e o status
associado a surtos de diarreia em leitões
sanitário/higiênico nas granjas podem ter
de creche. Apresenta alta morbidade
um impacto diferente na prevalência de
e mortalidade variável, acometendo
infecção por coccidiose em leitões.
principalmente leitões na primeira semana de vida.
26 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
Os impactos produtivos e econômicos
Cystoisospora é o principal coccidio a acometer principalmente leitões de 5 a 15 dias de vida, que vão apresentar diarreia liquida a pastosa amarelada a acinzentada (Mundt et al., 2006, Joachim et al., 2018).
devido a ocorrência de diarreia na fase neonatal são significativos, resultando em redução do ganho corporal e piora de conversão alimentar.
Os anticoccidianos a base de Toltrazuril são efetivos contra C. suis, devido a
Isso ocorre porque os leitões afetados
sua capacidade de matar os diferentes
não mamam adequadamente, além
estágios de coccidia, entretanto, seu
de apresentarem desidratação em
uso isolado não é capaz de controlar
decorrência a diarreia e lesão na mucosa
o problema, sendo fundamental
intestinal.
a redução da pressão de infecção
Consequentemente, observa-se
ambiental.
aumento da mortalidade e da taxa de refugagem na granja, além da perda de uniformidade do lote, e prolongamento
Dessa forma, é extremamente importante
do tempo necessário para o abate.
seguido do descanso das instalações por pelo menos 36 horas, para a prevenção/ controle mais efetivos.
A utilização de cal-hidratada, bem
Saúde intestinal
a limpeza e desinfecção do ambiente,
Esses fatores geram impactos diretos e também consequências indiretas, que afetam a rentabilidade da granja (Dewey et al., 1995, Calderaro et al., 2001, Lippke et al., 2011, Arruda et al., 2013, Monteagudo et al., 2022).
diluída, ajuda na dissecação e diminuição da sobrevida do oocisto no ambiente.
As doenças entéricas continuam sendo um dos principais entraves para a eficiência produtiva na suinocultura. O controle
Bons programas de controle de coccidiose e diarreias neonatais envolvem limpeza completa para remoção de toda matéria orgânica, secagem do ambiente antes do uso de desinfectantes e descanso das instalações (Joachim et al., 2018).
de diarreia em neonatos exige uma abordagem proativa e integrada. Portanto, entender as diferentes causas, implementar medidas preventivas e tratamentos eficazes reduzem os desafios sanitários, além de garantir a saúde e produtividade
Pensando em programas de controle
dos rebanhos.
integrados, principalmente para agentes bacterianos e virais, a vacinação de matrizes gestantes com biológicos contendo as estirpes circulantes na granja e a adequada colostragem são fundamentais.
Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
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Referências bibliográficas: Sob consulta aos autores.
27 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impactos de diarreia neonatal na produção de suínos
PROGRAMA NUTRICIONAL PARA LEITÕES RECÉM-DESMAMADOS: REDUÇÃO PROTEICA COM SUPLEMENTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS
Nutrição
Kallita L. S. Cardoso1, Mariana G. Lacerda2, Allan P. Schinckel3, Amoracyr J. C. Nuñez4, Vivian V. Almeida4 1 Graduanda em Medicina Veterinária, Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG 2 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG 3 Professor Emérito, Purdue University – EUA 4 Professor(a) Adjunto(a), Escola de Veterinária e Zootecnia – UFG
Como consequência, no período pósdesmame, os leitões são altamente suscetíveis
INTRODUÇÃO Os múltiplos fatores estressores por
a distúrbios entéricos, como a diarreia, que resultam em morbidade e mortalidade significativas nos sistemas comerciais de produção de suínos.
ocasião do desmame resultam em baixo consumo de ração, além de ocasionar alterações estruturais e funcionais no trato gastrointestinal de leitões recémdesmamados.
Um dos desafios da suinocultura é a busca por estratégias nutricionais que otimizem o crescimento animal e, ao mesmo tempo, garantam a saúde intestinal, sendo seguras para o consumo humano, sustentáveis e aceitas pelos consumidores.
28 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
Na tentativa de superar os desafios do
programas nutricionais que utilizam dietas com baixo nível proteico, associadas à suplementação com aminoácidos cristalinos, para leitões recém-desmamados.
FISIOLOGIA DIGESTIVA DO LEITÃO RECÉM-DESMAMADO O desmame representa uma das fases mais críticas e desafiadoras do ciclo produtivo dos suínos, caracterizando-se por mudanças abruptas
Leitões com até quatro semanas de vida possuem sistema digestório relativamente imaturo devido, em partes, à incapacidade de alcançar pH gástrico apropriado e uniforme, bem como às reduzidas quantidades de enzimas secretadas ao longo do trato gastrointestinal (Figura 1).
Desmame
Amilase
Lipase Proteases Maltase
Lactase
na dieta, no ambiente, na hierarquia social e na morfofisiologia dos leitões.
A resposta a esse conjunto de fatores estressores, somada à imaturidade do
0
1
2
3 4 5 Idade em semanas
6
7
Nutrição
interesse da comunidade científica em
Atividade enzimática
período pós-desmame, há crescente
Figura 1. Atividade das enzimas lactase, protease, amilase, lipase e maltase em função da idade dos leitões. Fonte: Bonagurio, 2024.
sistema digestório do leitão, acarreta expressiva redução no consumo de ração, condição comumente referida como atraso do crescimento pósdesmame.
No período pós-desmame, a baixa secreção de ácido clorídrico pelas células parietais do estômago do leitão limita a ativação do pepsinogênio em pepsina e, com isso, a digestão de proteínas fica
A substituição do leite materno, alimento
comprometida.
líquido e altamente digestível, por uma dieta sólida de menor digestibilidade, contribui ainda mais para a diminuição da ingestão de ração pelo leitão.
A digestão incompleta do alimento, bem como o quimo pouco acidificado, não estimula o duodeno a liberar hormônios, como a secretina, em quantidades adequadas,
Durante esse período de transição, são observadas alterações na morfologia intestinal, como atrofia das vilosidades e hiperplasia das criptas, que
o que compromete a liberação de bicarbonato e a ação enzimática. Como consequência dessas limitações, o desempenho dos leitões é afetado negativamente nesse período inicial.
comprometem a digestão e a absorção de nutrientes.
29 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
IMPLICAÇÕES DAS DIETAS COM ALTA PROTEÍNA PARA LEITÕES RECÉMDESMAMADOS Diversas tabelas e manuais estão disponíveis como ferramenta de apoio para que as dietas
Devido ao baixo teor de lisina do milho, é comum a inclusão de grande quantidade de farelo de soja em dietas à base de milho e farelo de soja, a fim de suprir as necessidades desse aminoácido dos suínos, o que aumenta os níveis de PB das rações.
sejam formuladas de modo a atender às exigências nutricionais, sem que haja excesso no fornecimento de nutrientes para os animais.
Contudo, a alta ingestão proteica gera desafios consideráveis para a
As tabelas publicadas pelo National
saúde intestinal, com reflexo direto
Research Council em 2012, assim como
no desempenho dos leitões recém-
as Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos
desmamados.
publicadas em 2024, estabelecem recomendações similares quanto ao nível de proteína bruta (PB) para leitões
Nutrição
desmamados.
O trato gastrointestinal imaturo dos leitões apresenta capacidade reduzida de digerir proteínas, resultando em grandes quantidades de proteínas não digeridas no
Portanto, num programa nutricional
intestino grosso.
para a fase de creche, a PB das dietas para leitões entre 6 e 18 kg de peso
No cólon, o aumento do pH cria um
corporal é geralmente alta, variando
ambiente mais neutro, que favorece a
entre 21 e 23%.
proliferação de bactérias patogênicas que fermentam proteínas, como Clostridium e Bacteroides.
No período pós-desmame, as dietas são formuladas para atender à alta demanda de aminoácidos essenciais, particularmente a lisina, ao mesmo tempo em que compensam a baixa ingestão de ração dos leitões.
Como produtos da fermentação proteolítica, destacam-se os ácidos graxos de cadeia ramificada, como os ácidos isobutírico, valérico e isovalérico, fenóis voláteis, amônia e aminas biogênicas.
A produção desses metabólitos pode levar à disbiose intestinal, pois a interrupção da homeostase intestinal causa inflamação e aumenta a permeabilidade do intestino, resultando em diarreia.
30 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
O uso de dietas com baixo teor proteico, associadas à suplementação com
Bactérias patogênicas
aminoácidos cristalinos, pode diminuir
o Muc
a proteólise intestinal e a incidência
tos róci o) EnteEpitéli (
de diarreia pós-desmame, bem como dietético, minimizando o impacto
gu
san
T e GALlinfód o d i Tec
ambiental. Células dendríticas Células B Células T
Citocinas pró-inflamatórias
Intestino saudável
Disbiose
Macrófago
No entanto, o principal entrave à utilização de dietas com redução proteica nos sistemas de produção de suínos, mesmo quando balanceadas
Além disso, o acúmulo de proteínas não digeridas
para os aminoácidos essenciais, são os
no intestino ocasiona desequilíbrio osmótico, o
efeitos adversos sobre o desempenho
que atrai água para o interior do lúmen intestinal e
zootécnico.
contribui para a ocorrência de diarreia. Esse distúrbio, que acomete leitões principalmente nas primeiras duas
A disponibilidade comercial de oito aminoácidos
semanas pós-desmame, está associado
essenciais em suas formas cristalinas, incluindo:
à proliferação de uma ou mais cepas de Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC), particularmente as fímbrias F4
Treonina
Lisina
(K88+) e F18+.
Metionina
DIETAS COM REDUÇÃO PROTEICA E SUPLEMENTAÇÃO AMINOACÍDICA
Valina
Triptofano
Isoleucina
Dentre a ampla variedade de estratégias
Lisina
disponíveis na indústria com o potencial de modular a saúde intestinal de leitões
Histidina
recém-desmamados, a formulação de
Arginina
dietas com níveis mais baixos de PB, mas com níveis ideais de aminoácidos essenciais, tem tido grande enfoque na nutrição de suínos.
permite a formulação de dietas com teor reduzido de PB.
31 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
Nutrição
o Vas
melhorar a utilização do nitrogênio
íneo
Suplementar as dietas de baixo teor proteico com todos os aminoácidos essenciais não é o bastante para Apesar disso, alguns estudos relataram redução no desempenho de leitões quando o nível proteico da dieta foi
maximizar o desempenho animal e a eficiência de utilização da proteína em leitões no período pós-desmame.
reduzido em mais de quatro unidades percentuais em relação à exigência do animal, mesmo com o balanceamento
Para isso, também é essencial garantir uma
adequado dos aminoácidos
ótima relação entre aminoácidos essenciais
essenciais.
e não essenciais. Nesse sentido, deve-se assegurar que a proteína total fornecida
Nutrição
aos suínos supra todas as necessidades, Os efeitos negativos sobre o desempenho podem
inclusive de aminoácidos não essenciais.
ser atribuídos a diversos fatores: Devido ao menor incremento calórico proveniente da redução proteica, a adoção
Dietas com redução acentuada de PB podem causar deficiência de nitrogênio para a síntese endógena de aminoácidos não essenciais;
A deficiência de nitrogênio pode aumentar a desaminação de aminoácidos essenciais para a síntese de outros compostos nitrogenados; e
dessa estratégia nutricional também pode aumentar o conteúdo de energia líquida da dieta, causando deposição excessiva de gordura.
Desse modo, dietas com baixo teor proteico suplementadas com aminoácidos cristalinos devem ser formuladas com base em energia líquida, em substituição ao modelo
Dietas com baixo teor de PB, ou seja, com menor inclusão de farelo de soja, tendem a ser deficientes em compostos bioativos, como os peptídeos e as isoflavonas, que possuem propriedades antimicrobianas, antioxidantes e imunomoduladoras, importantes para a manutenção da saúde e do crescimento dos suínos.
de energia metabolizável, de modo a evitar o aumento não intencional da energia da dieta.
32 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
A determinação do limite para a redução do teor de PB da dieta sem que haja redução no desempenho zootécnico é essencial para o sucesso dessa estratégia na suinocultura.
De acordo com um recente estudo de metanálise, o nível mínimo de PB estimado para dietas de leitões em fase de creche é de 18,3%, desde que os níveis ideais dos aminoácidos essenciais sejam mantidos conforme as recomendações do NRC (2012). Alguns estudos relataram que o teor mínimo de PB é dependente padronizada (Lis DIE) da dieta, de modo que a relação Lis DIE:PB tem sido utilizada para estimar o nível máximo de redução da PB dietética. Como regra geral, a relação Lis DIE:PB de 6,9% deve ser mantida para permitir nitrogênio suficiente para a síntese de aminoácidos não essenciais. Entretanto, em estudo mais recente, a relação Lis DIE:PB de 6,6% foi proposta para programas nutricionais de suínos em fase de creche.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nutrição
do nível de lisina digestível ileal
Ao considerar os diversos desafios do período pós-desmame, sobretudo os relacionados à imaturidade do trato gastrointestinal, a formulação de dietas com menor teor de PB, associadas à suplementação balanceada de aminoácidos essenciais cristalinos, é uma estratégia nutricional promissora para maximizar o desempenho zootécnico dos leitões e minimizar os impactos ambientais. Para tanto, é indispensável que essas dietas garantam adequada relação entre aminoácidos essenciais e não essenciais, e que sejam formuladas com base em energia líquida. Programa nutricional para leitões recémdesmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
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33 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Programa nutricional para leitões recém-desmamados: Redução proteica com suplementação de aminoácidos
PIGLET PROTECTOR
SOLUÇÃO INOVADORA PARA VITALIDADE E DESEMPENHO DE LEITÕES RECÉM-NASCIDOS
Aditivo
Gerência Técnica Biochem Latam
N
os últimos tempos, a suinocultura passou por importantes avanços, dentre
eles, está o melhoramento genético dos animais, o que trouxe um incremento na prolificidade das matrizes.
Porém, este progresso veio acompanhado de alguns desafios: o aumento de leitões nascidos com baixo peso e, consequentemente, ingestão inadequada de colostro entre os leitões da leitegada.
34 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
A baixa colostragem faz com que os leitões fiquem mais vulneráveis, piorando a taxa de mortalidade e o desempenho na maternidade.
O colostro da porca é rico em imunoglobulinas, fatores de crescimento e nutrientes. É a única forma dos leitões receberem imunidade passiva da mãe, já que a placenta da matriz suína não permite a passagem desses anticorpos durante a gestação.
Nesse sentido, os primeiros dias de vida dos leitões são os mais críticos. Sendo nessa fase que ocorre a maior parte das mortes na maternidade, principalmente entre leitões de baixa viabilidade.
A absorção das imunoglobulinas do colostro é extremamente eficiente nas primeiras seis horas de vida, mas
colostro reduzido, o que afeta:
A absorção de nutrientes
A imunização O desenvolvimento do trato gastrointestinal dos animais e
essa capacidade reduz drasticamente após esse tempo, chegando a praticamente zero em 24 a 36
Aditivo
Isso pode estar relacionado ao consumo de
horas.
Além disso, a própria qualidade do colostro materno diminui com o passar do tempo: em apenas 12 horas após o nascimento do primeiro leitão, sua concentração de imunoglobulinas pode ter uma queda em 35% dos níveis iniciais.
Aumenta a letargia, favorecendo a ocorrência de infecções oportunistas e esmagamentos, por exemplo.
Essa corrida contra o tempo é ainda mais difícil em grandes leitegadas, onde há competição entre os leitões, o que é piorado com problemas de manejo na granja, como baixa assistência aos leitões na maternidade
Sendo assim, a atenção tem que ser redobrada nessa fase, onde todo
e, muitas vezes, pressões sanitárias que comprometem a saúde da matriz.
cuidado é pouco.
35 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
Além do colostro em pó, rico em imunoglobulinas e proteínas funcionais, o produto Piglet Protector Pensando nisso, com o objetivo de fornecer suporte para os leitões desde as primeiras horas de vida, a Biochem
contém: microminerais orgânicos, vitaminas, triglicerídeos de cadeia média e probióticos
(Figura 2).
desenvolveu o Piglet Protector (Figura 1), uma solução prática e eficaz que vem transformando o
Aditivo
cuidado com os leitões no primeiro dia de vida.
Figura 1. Piglet Protector, produto exclusivo produzido pela Biochem.
A composição do produto é estratégica. Sendo uma poderosa combinação de ingredientes (Figura 2), o que torna o Piglet
Figura 3. Aplicação do Piglet Protector em leitões recém-nascidos.
Protector uma ferramenta poderosa para a suinocultura, com um manejo de aplicação
Esses ingredientes são indispensáveis
fácil e prático (Figura 3).
para o desenvolvimento inicial dos leitões, contendo cada um uma ação específica
Piglet Protector Colostro bovino em pó Triglicerídeos de cadeia média Probióticos Microminerais orgânicos Vitaminas
para oferecer suporte aos leitões recémnascidos, dentre elas estão:
Microminerais orgânicos e vitaminas, para suporte ao funcionamento normal de processos metabólicos e
Figura 2. Composição do Piglet Protector, produto exclusivo da Biochem.
do sistema imune e antioxidante;
36 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
Nesse sentindo, um estudo conduzido na região de São Paulo, em 2024, Probióticos, a base de Bacillus licheniformis, Bacillus subtilis e Enterococcus faecium que contribuem para a modulação da microbiota benéfica e saúde intestinal.
com leitões provenientes de matrizes da genética Topigs, que receberam o produto Piglet Protector no primeiro dia de vida, mostrou uma redução de 56,17% na mortalidade (Gráfico 1) prédesmama e aumento de 31,55% em ganho
Enquanto, na fase inicial, o
de peso diário (Gráfico 2), o que gerou
desenvolvimento intestinal está em
um incremento de 24,41% no peso ao
plena atividade e o sistema imunológico
desmame (Gráfico 3), quando comparado
ainda está amadurecendo, é de extrema
aos leitões do grupo controle.
importância essa proteção probiótica, tendo em vista que a mucosa intestinal é uma grande porta de entrada para
Mortalidade (%)
potenciais patógenos;
1,42
Aditivo
3,24
Ganho de Peso Diário (g) Triglicerídeos de cadeia média, fonte de energia altamente disponível. Como
187
246
os leitões recém-nascidos possuem alta exigência energética para manutenção e termorregulação, esta fonte energética pode apoiar diretamente evitando a
Peso Desmama (kg)
letargia, a mortalidade por hipotermia, inanição precoce e esmagamento.
A estratégias de manejo visando um suporte imunológico, nutricional e probiótico, aos leitões nos primeiros dias de vida podem evitar altas taxas de mortalidade e baixos pesos ao desmame,
5,08
Piglet Protector
6,32
Controle
Gráfico 1, 2 3. Mortalidade (1), ganho de peso diário (2) e peso de desmama (3) de leitões que receberam o Piglet Protector na maternidade, comparado a leitões que não o receberam.
e consequentemente, diminuir prejuízos econômicos, como demonstrado em
O grupo controle não recebeu nenhum tipo
trabalhos realizados pela Biochem em
de produto, mantendo somente o manejo
vários países, inclusive no Brasil.
habitual da granja.
37 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
Ainda, o uso de Piglet Protector proporcionou 100% de redução na
O uso de Piglet Protector fornece um
incidência de diarreia nos leitões
suporte estratégico no manejo de leitões
tratados.
recém-nascidos. Ele complementa a colostragem materna, fornece energia e apoio
Além dos ganhos zootécnicos, neste mesmo trabalho de campo, o uso o Piglet Protector
ao desenvolvimento da microbiota intestinal nos momentos mais críticos.
gerou um retorno sobre investimento (ROI) de 1:7, ou seja, maior lucratividade na produção dos leitões. Mais que uma ferramenta nutricional, O produto pode favorecer uma menor
é um investimento para melhores
necessidade de tratamentos veterinários,
retornos na produção de leitões
a redução de perdas por esmagamentos
desmamados.
ou inanição e melhorar a uniformidade das leitegadas. Esses dados reforçam o papel do produto como um verdadeiro aliado na fase mais crítica da vida dos
Aditivo
leitões.
Em tempos em que a eficiência é cada vez mais importante na produção animal, soluções como Piglet Protector tornam-se ferramentas interessantes para melhor rentabilidade do setor Suinícola.
O aumento na viabilidade inicial, com pode favorecer o peso ao desmame,
Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
que está correlacionado com o
BAIXAR EM PDF
reduções significativas na mortalidade,
desempenho nas fases subsequentes da produção.
Para mais informações a Biochem está à disposição. Entre em contato pelo e-mail sac@biochem.net
38 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Piglet Protector: Solução inovadora para vitalidade e desempenho de leitões recém-nascidos
BALANÇO PRELIMINAR DA SUINOCULTURA BRASILEIRA EM 2025
Mercado
Iuri Pinheiro Machado Consultor de Mercados ABCS
E
nquanto concluo este artigo faltam pouco mais de seis semanas para o fim de 2025.
Esta consideração é importante, pois os acontecimentos deste ano relacionados ao setor agropecuário foram tão imprevisíveis e numa sequência tão alucinante, que é preciso indicar o instante em que o cenário é descrito para que não sejamos atropelados pelos acontecimentos.
40 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Alguns diriam que isto é uma licença para errar nas previsões e opiniões, mas deixo para o leitor
Dados preliminares de abate até
fazer seu julgamento.
setembro/25, publicados pelo IBGE, indicam um crescimento acumulado no
Feita esta consideração faremos um balanço da suinocultura brasileira que, de certa forma, conseguiu se manter relativamente estável ao longo de 2025 em um cenário muito turbulento.
ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, de 3,43% em suínos abatidos (+1,5 milhões de cabeças) e 4,88% em toneladas de carcaças (+196,8 mil toneladas).
Produção retomando o crescimento Chama a atenção ainda o aumento do peso médio de abate,
Depois de dois anos (2023 e 2024) de
ultrapassando 94 kg no segundo e
estagnação da produção, consequência
terceiro trimestres do ano (tabela 1).
de uma das maiores crises da história
Mercado
da suinocultura brasileira, o abate de suínos voltou a crescer significativamente em 2025.
Período
Cabeças abatidas
Diferença p/ mesmo período do ano anterior Cabeças
Percentual
Toneladas de carcaças
Diferença p/ mesmo período do ano anterior Toneladas
Percentual
Peso médio carcaças (kg)
1º Trimestre/24
14.094.182
81.639
-0,58%
1.292.416
165
0,01%
91,70
2º Trimestre/24
14.626.131
417.478
2,94%
1.337.085
6.448
0,48%
91,42
3º Trimestre/24
15.013.900
373.757
2,55%
1.402.998
27.084
1,97%
93,45
4º Trimestre/24
14.444.496
296.166
2,09%
1.326.399
26.634
2,05%
91,83
1º Trimestre/25
14.419.540
325.358
2,31%
1.327.530
35.114
2,72%
92,06
2º Trimestre/25
15.012.063
385.932
2,64%
1.413.584
76.499
5,72%
94,16
3º Trimestre/25
15.803.742
789.842
5,26%
1.488.190
85.192
6,07%
94,17
Acumulado jan a set/25
45.235.345
1.501.132
3,43%
4.229.303
196.805
4,88%/
93,50
Tabela 1. Abate brasileiro de suínos trimestral de janeiro de 2024 a setembro de 2025(*), em cabeças, toneladas de carcaças e peso médio das carcaças, comparado com o mesmo período do ano anterior. (*) dados de julho a setembro 2025 são preliminares Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE.
41 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Em receita, a alta acumulada chega a 22,7%, com US$ 3,046 bilhões registrados entre janeiro e outubro/25 contra US$ 2,482 bilhões no mesmo período de 2024.
Exportação batendo recordes sucessivos e consolidando novos destinos
A tabela 2, a seguir, apresenta a relação dos principais destinos das exportações
Mercado
Com dados de exportação divulgados até outubro, já é possível afirmar que fecharemos 2025 com crescimento acima de 10% nos embarques em
de carne suína in natura, de janeiro a outubro de 2025, comparado com o mesmo período de 2024.
relação a 2024.
Este ano foi marcado pela afirmação das Filipinas como principal destino da carne suína, recuo das vendas para a China e uma maior participação de outros players importantes como Japão e México. Sem dúvida, o setor de exportação foi o grande destaque da suinocultura.
Destaque para o crescimento das vendas para as Filipinas, Chile, Japão, México, Vietnã e Argentina que, somados, representaram um crescimento dos embarques em quase 200 mil toneladas no período, enquanto a China recuou 58 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado do ano de 2025, de janeiro a outubro, as exportações brasileiras de carne suína, incluindo in natura e processados, totalizaram 1,266 milhão de toneladas, incremento de 12,9% (+145 mil toneladas) em relação ao mesmo período de 2024.
Esta “pulverização” das exportações traz maior segurança ao mercado de exportação, pois cabe lembrar que a China, há poucos anos, já representou mais de 50% dos nossos embarques.
42 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
43
98.263
94.689
77.893
63.868
62.379
51.927
42.438
42.022
21.625
17.371
16.624
14.101
12.465
90.644
Chile
Japão
Hong Kong
México
Singapura
Vietnã
Uruguai
Argentina
Geórgia
Coreia do Sul
Angola
Costa do Marfim
Emirados Árabes
Outros (119)
1.110.636
123.823
China
Total
280.053
Filipinas
Toneladas
2.885.210
263.974
38.198
6.987
28.716
42.753
56.076
119.438
120.148
131.755
183.077
155.593
202.193
325.693
248.603
266.916
695.092
1000 US$
2,598
2,912
3,064
0,495
1,727
2,461
2,593
2,842
2,831
2,537
2,935
2,436
2,596
3,440
2,530
2,156
2,478
US$/kg
978.262
107.133
11.221
8.745
17.683
19.832
19.335
11.418
37.342
41.816
67.706
38.905
72.152
74.610
91.161
181.903
177.298
Toneladas
2.318.211
246.341
29.952
5.401
27.918
47.609
42.158
29.765
89.309
97.818
171.124
92.742
168.526
249.936
208.285
384.539
426.787
1000 US$
2,370
2,299
2,669
0,618
1,579
2,401
2,180
2,607
2,392
2,339
2,527
2,384
2,336
3,350
2,285
2,114
2,407
US$/kg
Janeiro a outubro/24
132.374
-16.489
1.244
5.357
-1.059
-2.461
2.290
30.604
5.096
10.112
-5.327
24.963
5.741
20.079
7.102
-58.081
103.204
Toneladas
13,5%
-15,4%
11,1%
61,3%
-6,0%
-12,4%
11,8%
268,0%
13,6%
24,2%
-7,9%
64,2%
8,0%
26,9%
7,8%
-31,9%
58.2%
% ton
566.999
Mercado
17.634
8.246
1.585
797
-4.856
13.918
89.674
30.839
33.936
11.953
62.851
33.667
75.757
40.318
-117.623
268.304
1000 US$
24,5%
7,2%
27,5%
29,4%
2,9%
-10,2%
33,0%
301,3%
34,5%
34,7%
7,0%
67,8%
20,0%
30,3%
19,4%
-30,6%
62,9%
% US$
Diferença 2025 - 2024
Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino de janeiro a outubro de 2025 (em toneladas e em US$) comparado com o mesmo período de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
100,0%
8,2%
1,1%
1,3%
1,5%
1,6%
1,9%
3,8%
3,8%
4,7%
5,6%
5,8%
7,0%
8,5%
8,8%
11,1%
25,3%
% das ton
Janeiro a outubro/25
0,228
0,613
0,395
-0,122
0,149
0,061
0,413
0,235
0,439
0,198
0,407
0,052
0,260
0,090
0,245
0,042
0,071
US$/kg
9,6%
26,7%
14,8%
-19,8%
9,4%
2,5%
18,9%
9,0%
18,4%
8,5%
16,1%
2,2%
11,1%
2,7%
10,7%
2,0%
2,9%
%US$/kg
Com os números apurados até o momento já é possível estimar um balanço da suinocultura
Este desajuste na oferta foi a
brasileira de 2025.
principal causa da crise no setor nesta ocasião, além dos custos
Na tabela 3, a seguir, destaca-se o crescimento expressivo da exportação
elevados dos principais insumos na
em 2019 e 2020, puxado pela China,
época.
em seguida, no período compreendido entre 2020 e 2022 a produção cresceu quase 25% no acumulado, o que, com a
Ainda na tabela 3, projetando-se os
desaceleração das exportações em 2021
números de 2025, é possível perceber uma
e 2022, ocasionou uma sobreoferta sem
retomada consistente do crescimento
precedentes no mercado doméstico, com
da produção, da exportação e até do
o acréscimo de quase 600 mil toneladas
consumo (disponibilidade interna) que deve
de carne suína no varejo nacional nestes
ultrapassar os 20 kg per capita ano.
Mercado
dois anos.
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025 estimativa
Cabeças abatidas (x1000)
46.356
49.356
53.046
56.466
57.173
58.179
59.921
Peso total carcaças (toneladas)
4.125.728
4.482.048
4.898.967
5.186.303
5.298.566
5.358.897
5.602.126
Cresc. Peso total carcaças em relação ao ano anterior
4,43%
8,64%
9,30%
5,87%
2,16%
1,14%
4,54%
Peso médio carcaças (kg/cb)
89,00
90,81%
92,35
91,85
92,68
92,11
93,49
Disponibilidade interna (toneladas)
3.468.735
3.580.946
3.883.792
4.172.646
4.210,486
4.178.561
4.271.230
Cresc. Disponibilidade interna em relação ao ano
2,01%
3,23%
8,46%
7,44%
0,91%
-0,76%
2,22%
Exportações in natura (toneladas)
656.992
901.102
1.015.175
1.013.657
1.088.080
1.180.336
1.330.896
Cresc. exportações em relação ao ano anterior
19,37%
37,16%
12,66%
-0,15%
7,34%
8,48%
12,76%
Tabela 3. Balanço de produção, exportação e disponibilidade interna da suinocultura brasileira entre 2019 e 2025. Destaque em azul para períodos de significativo crescimento percentual, em laranja para desaceleração ou redução e, em amarelo, para a retomada do crescimento em 2025. Dados de 2025 projetados. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex e IBGE.
44 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Preço e custo de produção permitindo margens positivas Já o frango, com a ocorrência do No que se refere a rentabilidade
primeiro foco de influenza aviária
da suinocultura, 2025 pode
em granja comercial no Brasil, em
ser considerado como o ano
maio, no Rio Grande do Sul, teve
da retomada efetiva das margens
vários mercados suspensos durante
financeiras positivas.
alguns meses, com uma redução significativa das exportações de frango entre maio e agosto.
Houve um equilíbrio favorável entre o preço pago ao produtor e o custo dos principais insumos (milho e farelo de aquecidas conseguiram absorver o crescimento da produção, mantendo preços firmes ao longo do ano.
Estima-se que se deixou de exportar ao redor de 300 mil toneladas de carne de frango neste período.
Mercado
soja). As demandas externa e interna
O cenário só não foi melhor por conta da interferência das ocorrências que afetaram diretamente outras proteínas (frango e bovino). Isto resultou em queda significativa nas cotações da proteína aviária, o que
O “tarifaço de Trump” que ameaçou as exportações de carne bovina (até então os EUA
acabou limitando as altas no suíno.
era o segundo destino desta proteína) não afetou significativamente os embarques de carne bovina, mas entre o anúncio e a entrada em vigor, houve um curto período em que a especulação derrubou as cotações do boi gordo que já vinha com volumes de abate acima de 2024, segurando a alta no preço da arroba.
A tabela 4, a seguir, apresenta o balanço da carne suína, mês a mês, a variação de preço da carcaça e disponibilidade interna, bem como o peso de abate. Cabe destacar que quanto maior o peso de abate, maior a retenção de animais na granja, indicando relativa sobreoferta.
45 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
46
suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
427.023
428.325
453.479
427.366
446.684
455.381
488.021
470.182
524.133
480.678
483.379
462.975
nov/24
dez/24
jan/25
fev/25
mar/25
abr/25
mai/25
jun/25
jul/25
ago/25
set/25
média
1,04%
0,56%
-8,29%
11,47%
-3,66%
7,17%
1,95%
4,52%
-5,76%
5,87%
0,30%
-9,34%
7,69%
108.617
134.071
107.594
112.917
122.133
105.938
110.655
102.646
101.118
87.907
94.432
107.642
116.355
toneladas
2,43%
24,61%
-4,71%
-7,55%
15,29%
-4,26%
7,80%
1,51%
15,03%
-6,91%
-12,27%
-7,49%
8,8%
variação
Exportação
354.358
349.308
373.084
411.215
348.049
382.084
344.726
344.039
326.248
365.571
333.893
319.401
354.676
toneladas
0,91%
-6,37%
-9,27%
18,15%
-8,91%
10,84%
0,20%
5,45%
-10,76%
9,49%
4,54%
-9,95%
7,56%
variação
Disponibilidade interna
13,01
13,46
12,85
12,31
12,52
12,74
12,44
12,60
13,24
11,91
14,08
14,82
13,18
R$/kg
0,52%
4,75%
4,39%
-1,68%
-1,73%
2,41%
-1,27%
-4,83%
11,17%
-15,41%
-4,99%
12,44%
1,00%
variação
Preço carcaça (SP)
93,04
93,45
93,98
95,01
94,98
94,74
92,73
91,79
92,06
92,34
91,13
92,05
92,26
Peso carcaça(kg)
salto nas export, de suinos e frango recuperando preço
Efeito do foco de Influenza aviária no RS, com redução estimada nas exportações de carne frango no periodo da ordem de 300 mil toneladas. Maior retenção de suinos nas granjas (peso alto) segurou recuo das cotações
momento de relativa estabilidade
salto nas exportações, com menor produção mensat
aumento da oferta e recuo da demanda (inicio de ano)
produção insuficiente para maior demanda sazonal
Principais movimentos no balanço da carne suina e interferência das exportações de frango
Tabela 4. Produção, exportação de carne in natura e disponibilidade interna, preço de carcaça em SP e peso médio de abate de outubro/24 a setembro/25, com variação percentual em relação ao mês anterior e, na última coluna, destaque sobre os principais movimentos de mercado ocorridos neste período. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE, Secex e CEPEA.
471.031
out/24
toneladas variação
Produção
Mercado
Com clima favorável e expansão da área plantada, a safra 2024/25 apresentou recorde de produção tanto na soja, quanto no milho.
A boa oferta de grãos e a demanda elevada por óleo, que fez com o que o preço do farelo de soja caísse significativamente, manteve ao longo de todo ano uma boa relação de troca entre o preço do suíno e estes principais insumos
(gráfico 1), permitindo lucratividade em
Mercado
todos os meses, conforme apontam os levantamentos da EMBRAPA suínos e aves na região Sul (tabela 5).
8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 nov/23 dez/23 jan/24 fev/24 mar/24 abr/24 mai/24 jun/24 jul/24 ago/24 set/24 out/24 nov/24 dez/24 jan/25 fev/25 mar/25 abr/25 mai/25 jun/25 jul/25 ago/25 set/25 out/25 nov/25
2,00
Gráfico 1. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de novembro/23 a novembro/25 (até dia 12/11/25). Relação de troca ideal, acima de 5,00. Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
47 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
PR RS SC Média Sul
Mercado
Média 2024
Jan/25
Fev/25 Mar/25 Abr/25 Mai/25 Jun/25
Jul/25
Ago/25
Set/25
Out/25
Média jan a out/25
Custo
5,74
6,18
6,21
6,32
6,31
6,07
5,95
5,86
5,73
5,77
5,77
6,02
Preço
7,39
7,59
8,62
8,12
8,04
8,17
8,02
7,90
8,27
8,87
8,43
8,20
Lucro/ prej
1,64
1,41
2,41
1,80
1,73
2,10
2,07
2,04
2,54
3,10
2,66
2,19
Custo
5,75
6,26
6,28
6,29
6,42
6,31
6,22
6,11
6,32
6,29
6,39
6,29
Preço
7,17
7,96
8,42
8,15
8,04
8,10
8,07
7,91
8,15
8,60
8,34
8,17
Lucro/ prej
1,41
1,70
2,14
1,86
1,62
1,79
1,85
1,80
1,83
2,31
1,95
1,89
Custo
5,90
6,34
6,37
6,42
6,44
6,32
6,25
6,13
6,24
6,28
6,35
6,31
Preço
7,22
7,93
8,48
8,54
7,90
8,06
7,96
7,87
8,19
8,60
8,27
8,18
Lucro/ prej
1,33
1,59
2,11
2,12
1,46
1,74
1,71
1,74
1,95
2,32
1,92
1,87
Custo
5,80
6,26
6,29
6,34
6,39
6,23
6,14
6,03
6,10
6,11
6,17
6,21
Preço
7,26
7,83
8,51
8,27
7,99
8,11
8,02
7,89
8,20
8,69
8,35
8,19
Lucro/ prej
1,46
1,57
2,22
1,93
1,60
1,88
1,88
1,86
2,11
2,58
2,18
1,98
Tabela 5. Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a outubro de 2025 e a média anual de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno)
Considerações finais O ano de 2025 foi marcado por imprevistos que impactaram as cadeias de carnes, destacando-se a ocorrência de Influenza aviária em granja de matrizes de frango, o aumento do abate de bovinos e o crescimento surpreendente da produção de suínos. Porém, as ocorrências positivas, como uma supersafra de grãos, exportações recorde e demanda interna aquecida, superaram os desafios e determinaram boas margens na atividade suinícola do Brasil. Isto se nada de surpreendente e imprevisto acontecer até você ler este
Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
artigo!
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48 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Balanço preliminar da suinocultura brasileira em 2025
Disponível em:
IMPACTO DO USO DE ANTIBIÓTICOS EM LEITÕES APÓS O NASCIMENTO
Antimicrobianos
Renato Philomeno Nutricionista de Suínos na Agroceres Multimix
C
om o avanço da produtividade na suinocultura, entender o comportamento, a fisiologia e
o desenvolvimento dos animais vem sendo a chave para conseguir bons resultados nos sistemas de produção modernos.
50 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
Ruczizka et al. (2019) avaliaram o desempenho de leitões tratados ao nascimento com antibiótico À medida que as leitegadas se tornam
(ceftiofur, 5,0 mg/kg de peso vivo) em
ainda mais numerosas, situações como
comparação a leitões não tratados.
desuniformidade, baixo peso ao nascer e poucas reservas corporais criam um ambiente de grande desafio e que afetam a produtividade e até mesmo a expressão do potencial genético da fêmea e do leitão.
Os autores observaram que a aplicação não interferiu no desenvolvimento durante a fase de lactação. No entanto, aos 97 dias de idade, houve diferença no ganho de peso diário (GPD) entre animais tratados e não tratados. Esses resultados estão
Antimicrobianos
Assim, torna-se necessário um trabalho constante no cuidado com o leitão a fim de mitigar as perdas que são fatais para a saúde financeira da granja.
diretamente relacionados à diversidade bacteriana presente no trato intestinal dos animais.
Quando a maneira convencional de combater os problemas de produção não resolve, optamos por novas tecnologias, manejos e conceitos que
Durante as fases iniciais da vida do leitão, a
precisam ser revistos e testados à nova realidade.
diversidade e composição da microbiota intestinal é dinâmica. Pode ser influenciada a cada mudança
Um dos manejos amplamente utilizados na rotina de uma granja, é o uso de antibióticos
sofrida pelo animal, seja por manejo ou por condições ambientais (Yu et al, 2018).
(ATB) como profilaxia ou terapia no manejo pós nascimento. Nesse sentido, Schokker et. al (2014) Muitos estudos vêm sendo conduzidos a
realizaram um estudo comparando
fim de entender melhor o impacto dessa
três grupos, sendo: T1 controle
prática.
- sem ATB e sem uniformização; T2- com ATB, 0,1 ml de tulatromicina e sem uniformização; T3 - com ATB, 0,1 ml de tulatromicina e com uniformização.
51 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
Neste último, a uniformização foi considerada um evento estressante. Analisando não só o efeito do ATB, mas o efeito do estresse sobre a composição da microbiota intestinal e o desenvolvimento imunológico dos leitões, os autores encontraram uma diferença entre a composição da microbiota intestinal devido aos eventos que ocorreram durante os primeiros dias de vida do animal (4º dia).
Yun, et al. (2017) utilizaram amoxicilina como tratamento preventivo em animais ao primeiro dia de vida e encontraram maior seleção de genes de resistência antimicrobiana. Isso quer dizer que há interferência no desenvolvimento imune do leitão, mas não necessariamente que isso seja ruim, caso fosse único e exclusivo
Na sequência do mesmo
fator, observaríamos isso mais
experimento, Schokker et. al (2015)
acentuadamente a campo.
observaram uma diferença na
Antimicrobianos
expressão gênica aos 55 dias e uma diferença na composição da microbiota aos 175 dias de vida, no entanto, sem diferenças significativas entre os
Realmente não existe uma regra ou um
tratamentos e que esse resultado pode
fator isolado que rege uma consequência
ser consequência da microbiota recém
definitiva na vida dos animais. A relação
adquirida após o desmame (28 dias).
microbiota e hospedeiro é complexa, multifatorial e os estudos dessa interação desvendam pouco a pouco os mecanismos dessa conexão.
A expressão gênica é importante por influenciar o desenvolvimento imune do animal (Schokker et al., 2014).
Segundo Yu et al. (2018), a microbiota intestinal de leitões lactentes é menos diversa e mais dinâmica quando comparada com leitões em fase de pós desmame ou crescimento. Isso corrobora a menção de que a diversidade da microbiota intestinal é sinônimo de robustez, sendo mais resiliente às mudanças sofridas pelo animal.
52 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
aleitamento e o período pós-
Então, o que podemos fazer para criar
desmame são as fases de maior
um animal capaz de resistir aos desafios
cuidado quando quisermos produzir
que irão encontrar durante sua vida e
um animal mais resistente, saudável
expressar seu potencial genético em
e rentável, ou seja, um animal mais
desempenho?
tolerante a alterações de condições do trato gastrointestinal causadas
Ficou claro que o uso de ATB injetáveis nos
pela dieta e/ou pela ocorrência de patógenos que irão encontrar durante os 180 dias de vida.
primeiros dias de vida pode influenciar a resiliência dos leitões. Contudo, a principal forma de reduzir a dependência dessa prática é: Conhecer detalhadamente os agentes patogênicos circulantes na granja
Além da questão da expressão gênica,
Janczyk et al. (2007) aplicaram amoxicilina em leitões recém-nascidos e observaram uma redução da diversidade da
Implementar protocolos consistentes de biosseguridade, controle ambiental e imunização.
microbiota desses animais aos 39 dias de vida, mas essa redução da diversidade não é sinônimo de que o animal irá ter baixo desempenho zootécnico, de fato, a única resposta que temos no momento é que esses animais serão mais sensíveis a mudanças do meio ao longo da vida, o que pode necessitar de maior suporte até o abate.
Paralelamente, práticas de manejo adequadas — como o planejamento do fluxo de animais e pessoas, a realização de vazio sanitário, bem como a correta higienização das instalações com controle de umidade e temperatura — constituem a base para a formação de animais mais robustos.
53 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
Antimicrobianos
Nesse sentido, a fase de
A antibioticoterapia mantém papel relevante na produção animal e não deve ser descartada. No entanto, seu uso deve ocorrer de forma criteriosa, baseada em conhecimento técnico e sempre com foco na parcimônia. Para complementar essa abordagem e apoiar o desenvolvimento de leitões mais resilientes, é possível adotar estratégias que limitem a adesão e colonização de patógenos nas células epiteliais, promovam equilíbrio da microbiota intestinal, favoreçam a
Antimicrobianos
digestão e preservem a integridade da mucosa intestinal.
Essas e outras estratégias serão aprofundadas em um próximo artigo no agBlog da Agroceres Multimix.
Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
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54 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Impacto do uso de antibióticos em leitões após o nascimento
OPINIÃO DO
ESPECIALISTA Opinião do Especialista
Por Luiz Felipe Caron
A
SANIDADE ANIMAL NÃO É SOBRE DOENÇA. É SOBRE AMBIENTE, PESSOAS E SABEDORIA
sanidade animal vai muito além do controle de doenças. É, antes de tudo, uma busca constante por equilíbrio —
entre saúde, ambiente e desempenho produtivo.
Ao tratar da gestão de riscos sanitários, os checklists mais eficientes são os simples e
“A sanidade é como manter um guarda-chuva aberto sem atrapalhar a caminhada”.
inegociáveis.
“Os melhores são aqueles que não custam nada”.
O “guarda-chuva” representa a proteção ideal: suficiente para manter os desafios fora, mas sem impedir o desenvolvimento. Da boca para dentro no intestino ha que haver um equilíbrio para que as barreiras permitam a entrada de nutrientes e evitem a entrada de antígenos. E da boca para fora as barreiras são essenciais para garantir a saúde do rebanho
Gestos como manter a limpeza da granja ou cumprimentar os colegas diariamente são atitudes que fortalecem a cultura sanitária. O essencial é definir o que não pode ser negligenciado — ações que dependem mais de disciplina e atitude do que de investimento financeiro.
O segredo está na suavidade da condução — quando as pessoas envolvidas cuidam do ambiente não por obrigação, mas por propósito.
56 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria
Outro ponto central é a transformação de dados em sabedoria. O erro mais comum nas empresas é confundir métrica com meta.
CUSTO IMUNOLÓGICO
“Leitões desmamados, conversão e condenação são métricas. Meta é proatividade, empatia, felicidade no trabalho”, explica.
O animal, diante de desafios sanitários ou ambientais, precisa primeiro garantir sua sobrevivência — investindo energia e nutrientes na defesa, e só depois no ganho de peso.
conhecimento aplicável e ação precoce, antes que os problemas se manifestem. Ele critica o hábito de reagir apenas após a perda, lembrando que o desafio é criar indicadores precoces e não invasivos, capazes de orientar decisões preventivas. Investir em gente é tão ou mais importante do que investir em produtos. O colaborador ideal é aquele que trabalha com senso de pertencimento e persistência.
“A empresa precisa devolver ao funcionário o resultado do seu esforço. Quando ele entende que o sucesso da granja também é o seu, tudo muda.”
“Cada célula de defesa pode gastar até dez vezes mais energia que o coração batendo a toda”, compara. Isso significa que qualquer estresse, seja infeccioso ou térmico, consome soja e milho que poderiam virar carne. Sanidade é um conceito integrado: envolve ciência, gestão e, sobretudo, pessoas. “Não é sobre doença”, conclui.
“É sobre criar um ambiente em que o animal, o produtor e a equipe possam expressar o seu melhor.”
Assista a entrevista completa em nosso canal no Youtube agriNews TV Brasil.
Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria
O especialista enfatiza a necessidade
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de empatia na comunicação: substitua o “você precisa” por “eu acho que nós podemos”. Esse simples ajuste transforma o comando em parceria.
57 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Sanidade animal não é sobre doença. É sobre ambiente, pessoas e sabedoria
Opinião do Especialista
O dado só tem valor quando gera
Aditivos
ECO ANIMAL HEALTH REFORÇA PRESENÇA NO BRASIL E DESTACA A RELEVÂNCIA DO AIVLOSIN® NA SUINOCULTURA MODERNA
A
participação da ECO Animal Health do Brasil no evento da ABRAVES representa um marco
significativo para a empresa. Além da
Embora a marca já esteja presente no
satisfação em integrar um dos encontros
país há mais de duas décadas, sobretudo
mais relevantes da suinocultura
por meio da distribuição de Aivlosin®,
nacional, esta é a primeira vez que a
este momento simboliza uma nova fase
companhia participa oficialmente como
de presença e atuação direta no mercado
ECO do Brasil, de forma independente.
brasileiro.
58 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | ECO Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna
AIVLOSIN®: PRESENÇA GLOBAL E SOLUÇÕES ESTRATÉGICAS Com matriz em Londres, no Reino Unido, a Eco Animal Health possui escritórios regionais em mercados A importância do evento é destacada não
estratégicos, entre eles o Brasil.
apenas pela sua dimensão técnica, mas também pela capacidade de reunir, em poucos dias, profissionais e empresas que, normalmente, exigiriam meses de visitas individuais para estabelecer contato.
Seu principal produto para a suinocultura, Aivlosin®, está presente em mais de 70 países e figura
interações estratégicas em um único ambiente torna a participação especialmente valiosa. Segundo a empresa, o nível técnico das
entre as dez marcas mais importantes do mercado veterinário global. Essa ampla adoção internacional evidencia a confiança técnica depositada em sua formulação e eficácia.
Aditivos
A possibilidade de concentrar
discussões, a organização do encontro e o retorno positivo dos clientes reforçam a relevância do simpósio para a cadeia produtiva.
Destinado ao controle de doenças respiratórias e entéricas em suínos, Aivlosin® ocupa posição central no portfólio da empresa devido à sua
A ECO Animal Health avalia que essa
relevância sanitária.
visibilidade — proporcionada pelo convívio intenso com especialistas, produtores, consultores e demais elos do setor — fortalece sua atuação no país e abre novas perspectivas de relacionamento.
Um dos diferenciais do produto é a disponibilidade em duas apresentações independentes — para administração via água ou via ração — desenvolvidas com composições específicas para garantir desempenho adequado em diferentes sistemas de produção.
A experiência, considerada extremamente positiva, reforça o compromisso da empresa em contribuir tecnicamente com a cadeia suinícola.
Embora compartilhem o mesmo princípio ativo, as formulações são distintas, o que representa um ponto técnico relevante para veterinários e produtores.
59 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | ECO Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna
Outro aspecto enfatizado pela ECO Animal Health é o rigor regulatório
Aditivos
envolvido no registro e comercialização de Aivlosin®. O produto está aprovado
Esses atributos técnicos, aliados ao histórico
em alguns dos mercados mais exigentes
global da molécula, ajudam a explicar o
do mundo, como Estados Unidos, União
desempenho comercial expressivo da marca.
Europeia e Japão, onde os critérios de qualidade, segurança e comprovação de eficácia são amplamente reconhecidos.
Assim, o produtor brasileiro tem acesso a um medicamento cuja aprovação reflete padrões internacionais de controle. Aivlosin® é fabricado na Inglaterra e importado para o Brasil, onde é distribuído em todo o território nacional.
Direcionado especialmente ao segmento de sanidade respiratória e entérica em suínos e aves, Aivlosin® se consolidou como uma ferramenta estratégica para garantir produtividade e bem-estar animal. Para a ECO Animal Health, participar de um evento como o da ABRAVES
O produto é um antimicrobiano de última geração com alta eficácia contra Micoplasma e sem resistência descrita, direcionado, com baixo período de carência e baixa dose
reforça o compromisso da empresa em ampliar o acesso a soluções tecnológicas que contribuam para o fortalecimento da suinocultura nacional.
em mg/kg de peso vivo e que atende às diretrizes atuais para o uso responsável de antimicrobianos e às necessidades dos consumidores mais exigentes.
ECO Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna
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60 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | ECO Animal Health reforça presença no Brasil e destaca a relevância do Aivlosin® na suinocultura moderna
MAIS do que um antibiótico...
FOCO NA INFECÇÃO
IMUNO MODULAÇÃO
INFLAMAÇÃO REDUZIDA
porque ele é MAIS do que apenas um leitão Você pensou na equalização das leitegadas. Você garantiu que a temperatura ambiente estivesse correta. Ele se beneficiou do colostro. Para você, ele é um investimento de tempo, dinheiro e experiência, e muito mais do que “apenas mais um leitão”. Felizmente, o Aivlosin® é muito mais do que apenas um antibiótico eficaz contra o Mycoplasma hyopneumoniae. Ele também reduz o impacto inflamatório da infecção e possui benefícios imunomoduladores adicionais que ajudam a combater a doença. Como se isso não fosse impressionante o suficiente, o Aivlosin® pode ser usado em uma dose terapêutica eficaz baixa e tem um curto período de carência. Sem resistência demonstrável frente ao Mycoplasma hyopneumoniae e com desempenho comprovado repetidamente em campo, não é apenas uma escolha responsável, é uma ótima escolha.
ESPERE MAIS
Para mais motivos para usar o Aivlosin®
SUSTENTABILIDADE
ESPECIALISTAS EM MICOPLASMA
INOVAÇÃO
Aivlosin and Valosin são marcas registradas da ECO Animal Health Ltd, Londres, Reino Unido, e são nomes comerciais dos mesmos medicamentos veterinários que contêm tilvalosina. As alegações registradas e a embalagem podem variar de acordo com o país; consulte o rótulo local. USO SOMENTE COM PRESCRIÇÃO VETERINÁRIA. USE OS MEDICAMENTOS COM RESPONSABILIDADE. Mais informações sobre o Aivlosin ® Solúvel para Suínos e o Aivlosin ® FG 50 para Ração Medicada para Suínos e Aves estão disponíveis no Resumo das Características do Medicamento, no seu representante local da ECO Animal Health e em www.ema.europa.eu. ECO Animal Health, The Grange, 100 The High Street, Southgate, Londres, N14 6BN, Reino Unido. Tel.: +44 (0)20 8 447 8899 - www.ecoanimalhealth.com. AIV/PIG/GLOBAL/AD-S/BR/May ‘25. ®
®
PARTO PROLONGADO, SOBREVIVÊNCIA COMPROMETIDA:
Fêmea suína
EVIDÊNCIAS DO IMPACTO DA CINÉTICA DO PARTO SOBRE A ASFIXIA NEONATAL Erich Herzogenrath Cavaca Inácio¹, Matheus Saliba Monteiro¹, Bruno Bracco Donatelli Muro¹, Rafaella Fernandes Carnevale¹, Roberta Yukari Hoshino¹, Cesar Augusto Pospissil Garbossa¹ 1 Departamento de Nutrição e Produção Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade de São Paulo, Pirassununga – BR
A
hiperprolificidade é uma característica comum à maioria das linhagens comerciais de matrizes
suínas modernas, podendo ser definida como a parição de uma leitegada maior do que o número de tetos funcionais de uma fêmea (Oliviero, 2022).
Ela é utilizada há anos como um critério de seleção genética e levou a um aumento substancial no tamanho da leitegada, tendo como base a justificativa do aumento da produtividade e lucratividade da indústria.
62 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
O intervalo cumulativo de nascimento é o tempo decorrido entre o início do parto e o nascimento de determinado leitão, enquanto o intervalo relativo de nascimento corresponde ao tempo entre o nascimento de dois leitões consecutivos.
Dentre as consequências negativas relacionadas à hiperprolificidade em fêmeas suínas estão:
Embora seja conhecido que os últimos leitões estão mais sujeitos aos danos causados por partos prolongados (Langendijk et al., 2019), intervalos relativos maiores contribuem diretamente para o aumento dos intervalos cumulativos, o que eleva o risco de os leitões nascidos ao final do parto apresentarem redução da vitalidade ao nascimento.
Aumento da duração do parto Além de mobilizar uma grande
Menor peso individual ao nascimento
quantidade do glicogênio disponível no organismo da fêmea (Carnevale et al.,
2023), partos longos a submetem a um Menor ingestão de colostro
maior número de contrações uterinas, o que compromete o cordão umbilical por meio de compressões, danos e/ou
Maior mortalidade (Schoos et al, 2023)
rompimento desta estrutura (Langendijk et
al., 2019).
Esta última é uma consequência especialmente relevante para a indústria
Ocorrem então, sucessivas
suinícola, já que os suínos detêm a
interrupções do fluxo sanguíneo
maior taxa de mortalidade dentre as
materno-fetal, sujeitando os fetos
espécies domésticas (Quesnel et al., 2012).
à supressão do fornecimento de
Parte dessas mortes é consequência do
oxigênio, resultando em asfixia fetal.
prolongamento do processo de parto, o que resulta em um maior intervalo cumulativo e relativo de nascimento.
63 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
Fêmea suína
No entanto, essa característica traz inúmeras consequências para as fêmeas e a sua progênie.
Esse processo de asfixia fetal desencadeia a ativação do metabolismo anaeróbico, que é responsável pelo acúmulo de lactato (C₃H₅O₃-) e íons de hidrogênio (H+).
Consequentemente, há maior consumo dos sistemas tamponantes, especialmente o bicarbonato (HCO₃-), contribuindo para o desequilíbrio acidobásico fetal (Bateman, 2008). Dessa forma o excesso de
Quando o organismo é capaz de exercer o tamponamento, os íons H+ se associam ao bicarbonato sérico (HCO₃-) formando o ácido carbônico (H₂CO₃), cuja dissociação é responsável pela geração de gás carbônico (CO₂) e água (H₂O).
H+ leva a uma considerável diminuição no pH sanguíneo, constituindo o estado de acidose. Este estado, por si só, traz inúmeros efeitos deletérios à vida do leitão, como danos teciduais, alterações circulatórias e hipotermia (Alonso-Spilsbury et al., 2005).
Fêmea suína
Alguns sinais físicos da hipóxia fetal são notáveis logo após o nascimento, Em condições de equilíbrio metabólico,
como as manchas de mecônio e a
o dióxido de carbono (CO₂) produzido
coloração cianótica das extremidades,
pelo metabolismo celular é excretado
desencadeadas pelos processos
eficientemente por meio do cordão
do relaxamento do esfíncter anal e
umbilical.
redistribuição do sangue para órgãos vitais, respectivamente, que ocorrem durante a privação de oxigênio (Alonso-
Spilsbury et al., 2005). No entanto, quando ocorrem compressões recorrentes do cordão umbilical, como em casos de partos prolongados, a redução do suprimento de oxigênio estimula de forma acentuada o metabolismo anaeróbico, resultando em acúmulo de CO₂ e íons hidrogênio (H+).
64 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
A expulsão de mecônio antes do nascimento aumenta o risco de sua aspiração pelos leitões, o que pode causar atelectasia alveolar e redução da capacidade de troca gasosa no pós-parto. Como consequência, esses leitões, que já sofreram estresse fetal, apresentam menor vitalidade nas primeiras horas de vida devido à hipóxia perinatal, além de maiores
Fêmea suína
taxas de mortalidade.
Dessa forma, com o objetivo de elucidar o impacto de partos prolongados sobre os parâmetros metabólicos de leitões ao nascimento, bem como identificar leitões que nasceram com menor vitalidade e, consequentemente, em maior risco de mortalidade foi conduzido um estudo pela equipe do Laboratório de Pesquisa em Suínos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (LPS FMVZ/USP) e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
65 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
O primeiro aspecto neste estudo foi usar uma escala denominada APGAR, que é uma das maneiras de quantificar a vitalidade neonatal (Alonso-Spilsbury et
al., 2005). A vantagem da escala APGAR é que ela não é invasiva e pode ser adaptada para que colaboradores possam identificar leitões com maiores riscos de mortalidade já ao nascimento.
Leitões que demoram mais para iniciar a respiração, apresentam baixa frequência cardíaca, focinho pálido ou cianótico, manchas de mecônio e maior intervalo entre o nascimento e a tentativa de se levantar tendem a obter menores pontuações de APGAR,
A escala APGAR foi desenvolvida originalmente
refletindo reduzida vitalidade neonatal.
para humanos e, posteriormente, adaptada a diversas espécies domésticas, incluindo os suínos, considerando suas particularidades fisiológicas
(Langendijk et al., 2019).
A fim de validar a escala APGAR como um indicador dos parâmetros
Fêmea suína
hemogasométricos dos leitões, o mesmo grupo Conforme discutido anteriormente, o
de pesquisa também realizou coleta de sangue
processo de asfixia fetal pode levar à
arterial umbilical dos leitões ao nascimento,
liberação de mecônio e à redução da
encontrando associações positivas entre pH e o
capacidade respiratória. Portanto essa escala
APGAR, sendo que leitões com piores índices
visa avaliar isso através de cinco parâmetros:
de vitalidade e, consequentemente, menor pH apresentaram maiores taxas de mortalidade.
Latência respiratória Ainda no mesmo estudo foi
Frequência cardíaca
observado que o intervalo cumulativo exerceu maior influência sobre os parâmetros
Cor da pele do focinho
relacionados à vitalidade, mortalidade e ao equilíbrio ácidobase do que o intervalo relativo entre leitões nascidos.
Presença de manchas de mecônio na pele
Latência para se levantar
66 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
A importância do intervalo cumulativo para o aumento do risco de natimortos também é demonstrada por outros autores (Langendijk et al., 2018;
Langendijk; Push, 2019), sendo os efeitos
Portanto, além de ser essencial reduzir
deletérios da asfixia relatados até
a duração do parto para maximizar
mesmo sobre o desempenho de
a vitalidade neonatal e diminuir a
leitões com 10 semanas de idade
natimortalidade, é igualmente importante
(Langendijk et al., 2018).
identificar os leitões que sofreram maior grau de asfixia durante o parto, possibilitando
Sabe-se também, como demonstrado
intervenções precoces.
por Friendship et al. (1990), que a maioria dos natimortos podem ser evitados, já que são
Essa abordagem permite oferecer maior
vítimas do próprio processo de parto. Ainda,
assistência ao consumo de colostro
segundo Uddin et al. (2022), a duração do parto
nas primeiras horas de vida, reduzir a
também interfere negativamente no consumo
mortalidade neonatal e, consequentemente,
de colostro.
otimizar a produtividade e o bem-estar
Fêmea suína
animal. Na espécie suína, este momento é essencial, já que representa o único momento em que o leitão
Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
receberá imunidade passiva da
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mãe, considerando que a sua placenta impede a transferência de imunoglobulinas maternas ao feto
Referências bibliográficas Sob consulta aos autores.
(Almeida; Dias, 2022).
67 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Parto prolongado, sobrevivência comprometida: evidências do impacto da cinética do parto sobre a asfixia neonatal
DANBRED BRASIL REALIZA PRIMEIRA EDIÇÃO DO GPS: GRANDES PARCEIROS DA SUINOCULTURA
A
DanBred Brasil realizou em Patos de Minas (MG), a primeira edição do GPS – Grandes Parceiros da Suinocultura,
um evento exclusivo criado para reconhecer e
Genética
valorizar os suinocultores que alcançaram os melhores resultados produtivos e econômicos com o uso da genética DanBred.
O evento marcou o início de uma nova fase nas ações de relacionamento da empresa com seus clientes e parceiros, reunindo os Top 10 produtores do benchmark DanBred Brasil: granjas que se destacaram por sua excelência técnica e comprometimento com a melhoria contínua.
68 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura
Em seguida, os convidados participaram de um almoço de confraternização e, à tarde, viveram uma experiência única na Fazenda Chuá, com a Casa Bruxel, marca do Grupo DB especializada em Recepcionados por Décio Bruxel, DiretorPresidente do Grupo DB, ao lado dos
cafés e vinhos produzidos no Cerrado Mineiro.
diretores Marcos Bruxel e Daniel Bruxel, os convidados participaram de um dia intenso de experiências, que combinou conteúdo
A experiência sensorial uniu
técnico, integração e vivências sensoriais.
sabores e aromas regionais, com harmonizações de cafés especiais e vinhos de inverno, celebrando a identidade e a força do agronegócio mineiro.
“Para nós, é uma grande satisfação receber produtores de diferentes
Genética
regiões do país aqui na nossa sede. Preparamos um dia completo de atividades, troca de informações e projeções de futuro para o setor. Finalizar esse encontro com uma premiação é a forma que encontramos de reconhecer esses produtores, que geram um impacto significativo com suas produções e impulsionam a suinocultura brasileira ao lado da DanBred Brasil” disse, Marcos Bruxel, Diretor Executivo da DanBred Brasil.
O ponto alto do evento aconteceu à noite, com a cerimônia de reconhecimento dos Top 10 clientes DanBred Brasil, realizada no Fratele Business Hotel. O momento contou com a presença de toda
A programação teve início na sede da DanBred Brasil, onde os suinocultores conheceram a estrutura e os bastidores da operação nacional. Durante o encontro, foram apresentadas as perspectivas da empresa e os avanços nos programas genéticos que vêm transformando o desempenho das
a diretoria, equipe técnica e comercial, além dos produtores homenageados. Durante a cerimônia, foram exibidos vídeos das granjas participantes, destacando histórias de sucesso e resultados obtidos com o uso da genética DanBred.
granjas brasileiras.
69 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura
O GPS DanBred Brasil 2025 se Para Daniel Bruxel, diretor do Grupo DB, o
consolida como um marco nas
projeto GPS reflete a essência do trabalho da
ações estratégicas de relacionamento
DanBred: valorizar quem está no campo e
da empresa, reforçando o compromisso
reconhecer o esforço diário dos produtores.
da DanBred com a valorização das pessoas que impulsionam a suinocultura nacional.
“O GPS nasceu com o propósito de reconhecer e valorizar os grandes parceiros da suinocultura. É uma forma de agradecer e reforçar o quanto
SOBRE A DANBRED BRASIL
é importante para nós ter clientes
A DanBred Brasil é referência nacional
que acreditam na marca, aplicam
em genética suína de alta performance,
tecnologia, buscam resultados e fazem
atuando há mais de 25 anos no país.
a suinocultura acontecer todos os
Genética
dias”, afirmou Daniel Bruxel.
Com sede em Patos de Minas (MG), a empresa integra o Grupo DB e representa oficialmente a genética dinamarquesa DanBred, reconhecida mundialmente por seus avanços em
Encerrando o dia, os participantes
produtividade, eficiência alimentar e
celebraram em um jantar de
sustentabilidade.
confraternização com música ao vivo, consolidando o clima de reconhecimento e parceria.
DanBred Brasil realiza primeira edição do GPS: Grandes Parceiros da Suinocultura
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GESTÃO DO MICROCLIMA NA MATERNIDADE SUÍNA: EQUILÍBRIO TÉRMICO ENTRE PORCAS E LEITÕES
Ambiência
Leonardo França da Silva¹; Cristiano Márcio Alves de Souza²;Filipe Bittencourt Machado de Souza³; Victor Crespo de Oliveira4 e Jéssica Mansur S. Crusoé5 ¹Doutor em Engenharia Agrícola UFV Professor UNB; ²Doutor em Engenharia Agrícola UFV; ³Doutor em Produção Vegetal UFLA Professor UNB; 4 Doutor Engenharia Agrícola UNESP; 5 Doutora em Zootecnia UFV; Professora UFMG
A
maternidade representa uma das fases mais críticas da produção suinícola, pois concentra fatores
decisivos para o desempenho zootécnico e econômico da granja. Nesse ambiente, a interação entre porcas em lactação e leitões neonatos demanda um manejo diferenciado, uma vez que as necessidades térmicas são divergentes entre ambos.
72 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões
O microclima, entendido como o conjunto de condições ambientais que envolvem diretamente o animal, incluindo:
Temperatura
Umidade relativa
Ventilação
Qualidade do ar
Enquanto a porca em lactação
Radiação térmica
apresenta maior conforto em temperaturas moderadas, geralmente entre 18 e 22 °C, devido ao
saúde e produtividade dos animais (Perdomo,
2020).
metabolismo intensificado pela
Ambiência
exerce papel fundamental no bem-estar,
produção de leite que a torna mais susceptível ao estresse por calor
(Quiniou et al., 2000).
Manter condições adequadas de ambiência
Os leitões recém-nascidos necessitam
significa ajustar essas variáveis ambientais
de temperaturas elevadas, em torno
de modo a atender simultaneamente as
de 32 a 34°C nos primeiros dias de
exigências fisiológicas da matriz e da
vida, decrescendo gradualmente até cerca de
leitegada, minimizando o estresse térmico
26 °C ao final da lactação (Silva et al., 2017).
e favorecendo o desempenho zootécnico
(Damasceno et al., 2019).
Essa discrepância exige a criação de microambientes diferenciados dentro da mesma baia, o que é viabilizado por meio de
Um dos principais desafios no manejo ambiental da maternidade está
creep áreas, fontes de calor suplementares e sistemas de ventilação direcionados.
relacionado às exigências térmicas contrastantes entre porcas e leitões.
No caso dos leitões, a mortalidade neonatal ainda constitui um dos maiores entraves produtivos, podendo alcançar até 15 a 20% do total de nascidos, sendo a hipotermia uma das principais causas de óbito nas primeiras 72 horas de vida (Muns et al., 2016).
73 suíno Brasil 4º Trimestre 2025 | Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões
Por essa razão, o fornecimento de calor suplementar torna-se imprescindível. As tecnologias mais empregadas incluem: Lâmpadas infravermelhas, que possuem baixo custo, mas eficiência energética
Esse problema é agravado quando a temperatura ambiente ultrapassa 25°C,
limitada e riscos de queimadura;
pois ocorre redução significativa no
Placas térmicas aquecidas, que fornecem
de peso corporal e prolongamento do
calor por condução e criam uma área
consumo de ração, aumento da perda intervalo desmame-estro (Black et al., 1993).
homogênea de aquecimento; e Sistemas de piso aquecido por água quente, mais sofisticados, que proporcionam
Medidas de manejo, como o uso de: Ventilação natural ou forçada
temperatura estável, embora impliquem em
Ambiência
maior investimento inicial (Weng et al., 2019).
Sistemas de nebulização e Resfriamento evaporativo.
Além da escolha do equipamento, a posição estratégica da fonte de calor é fundamental para que os leitões tenham livre acesso
Além disso, o adequado dimensionamento das instalações e manutenção da higiene, são estratégias que auxiliam na dissipação do calor
(Renaudeau et al., 2011).
ao aquecimento sem comprometer a movimentação da porca. Recomenda-
Contudo, deve-se ter cuidado com
se que o creep seja instalado próximo
sistemas de resfriamento evaporativo em
ao úbere, mas com isolamento físico
regiões quentes e úmidas, pois o excesso
suficiente para evitar esmagamentos
de umidade compromete a troca de calor
(Hötzel et al., 2019).
por evaporação. A umidade relativa, aliás, é outro parâmetro essencial no microclima da
No que se refere às matrizes, a elevada ingestão de ração e a intensa produção de leite durante a lactação aumentam a demanda metabólica, tornando as porcas particularmente sensíveis ao estresse térmico.
maternidade. Valores ideais situam-se entre 60 e 70%, pois níveis superiores a 80% dificultam a dissipação de calor por evaporação, enquanto valores inferiores a 40% podem ocasionar ressecamento das mucosas e predisposição a doenças respiratórias (Silva et al., 2017).
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Paralelamente, a iluminação artificial deve ser ajustada de modo a favorecer o comportamento natural dos animais, sendo recomendado manter pelo menos O sistema de ventilação deve, portanto, garantir não apenas a adequada renovação do ar e a remoção de gases nocivos, como amônia, dióxido de
50 lux nas primeiras semanas de vida dos leitões, garantindo que encontrem o úbere e tenham acesso facilitado às áreas aquecidas (Marchant-Forde, 2009).
carbono e sulfeto de hidrogênio, mas compatíveis com as necessidades dos animais, evitando correntes de ar diretas sobre os leitões, que poderiam levar a perdas térmicas indesejáveis (Ni et al., 2017).
A gestão do microclima, portanto, deve ser encarada de forma integrada, combinando a divisão de ambientes para atender:
Ambiência
também manter velocidades de ar
As necessidades distintas de porcas e leitões
Em relação à qualidade do ar, recomenda-se que a concentração
O monitoramento contínuo por meio de sensores de temperatura e umidade relativa
de amônia não ultrapasse 20 ppm e a de dióxido de carbono se mantenha abaixo
A higienização rigorosa das instalações
de 3.000 ppm, sendo que a correta gestão dos dejetos e a limpeza periódica das instalações são fundamentais para manter esses parâmetros dentro de limites aceitáveis (Nääs et al., 2014).
Outro aspecto relevante é a radiação térmica,
O treinamento dos funcionários na interpretação de sinais comportamentais dos animais e A adaptação das estratégias de ventilação e aquecimento às variações sazonais.
que pode aumentar a carga calórica no interior da maternidade. O uso de materiais isolantes na
Leitões amontoados, por exemplo,
cobertura e a correta orientação das edificações
sinalizam frio excessivo, enquanto
são medidas de caráter estrutural que contribuem
leitões muito espalhados podem indicar
para reduzir os efeitos da radiação solar direta.
superaquecimento; já a inquietação das porcas ou sua recusa em alimentar-se são indicativos clássicos de desconforto térmico.
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Ambiência
A correta gestão do microclima na maternidade é determinante para a sobrevivência, o desempenho e o bemestar de porcas e leitões.
Embora tecnologias automatizadas de climatização tenham ampliado a precisão no controle ambiental, o manejo prático e a observação cotidiana continuam sendo ferramentas indispensáveis para o sucesso da produção.
Ajustes adequados de temperatura, umidade, ventilação, qualidade do ar e iluminação resultam em menores índices de mortalidade neonatal, maior eficiência alimentar das matrizes, produção láctea consistente e redução de custos relacionados a tratamentos sanitários.
Gestão do microclima na maternidade suína: equilíbrio térmico entre porcas e leitões
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Referências bibliográficas Sob consulta aos autores.
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Vacina Viva (atenuada)
Segura para animais a partir de 2 semanas de idade.
1 !
Conveniente:
Dose única, administração oral.
Vacina de cultura de Salmonella viva, avirulenta: de antígeno duplo (contém S. Choleraesuis e S. Typhimurium).
Eficaz:
Uma única dose contém S. Choleraesuis e S. Typhimurium. Proteção de casos clínicos a campo e redução de portadores de Salmonella no frigorifico1. Apresenta proteção contra Salmonella variante monofásica1,4,[5],12:i:-2.
1. (Foss DL et al., 2013; Leite F. et al., 2021; Theuß T. et al., 2017; Hernig L. et al., 2025), 2. (Leite F. et al., 2021; Leite F. et al., 2022; Leite F. et al., 2023; Leite F. et al., 2025),