TAGAT ONE nasce da consolidação entre EDATA , SAG e Avecom, reunindo décadas de experiência na cadeia de proteína animal em uma única plataforma. Campo, Indústria e a Gestão do Negócio operam sobre a mesma base, sem fragmentação, com dados integrados e decisão contínua. Truly All-in-One.
A TAGAT está presente em 19 países, com centenas de plantas e milhares de usuários. TAGAT ONE resolve produção, planejamento e rastreabilidade na prática. Não é teoria nem mais um sistema: é a operação rodando ponta a ponta, do plano à execução.
Custo real antes do primeiro lote. Não depois.
O planejamento e a otimização da Cadeia de Suprimentos não é mais um problema. O módulo de planejamento do TAGAT ONE calcula a produção com base na demanda real. Integra alojamento, apanha e abatedouro em fluxo contínuo Push/Pull. A IA projeta cenários — não apenas registra o que já aconteceu.
O controlador tem a resposta antes do primeiro lote ser alojado: quanto vai custar produzir cada lote, em cada peso, em cada semana da programação. Para o Gerente de S&OP, TAGAT ONE unifica demanda e produção em uma mesma base. O plano de vendas conversa diretamente com a programação de abate. Sem reconciliação entre planilhas.
TAGAT ERP oferece visão completa do negócio. Custo de lote, margem por produto, ocupação de linha, alimentação do lote e fechamento contábil em um único ambiente. Os dados fluem do Campo e do MES para o ERP sem retrabalho. O controlador vê o custo real por lote. O administrador acompanha o DRE por centro de resultado.
Matrizes, incubatório, ovos comerciais, fábrica de ração, frango de engorde operam sob a mesma base de dados. Cada etapa da cadeia produz registros que alimentam o planejamento do passo seguinte. O profissional de campo coleta dados offline — peso, mortalidade, consumo de ração, vacinas — os sensores IOT e os registros sincronizam automaticamente com o sistema central. O integrador acompanha lotes por produtor, ciclo e desempenho em painéis consolidados. O plano de arraçoamento conversa com a produção de ração. O desempenho do lote retroalimenta a programação de abate. Nenhum dado precisa ser digitado duas vezes.
Rastreabilidade não é só trilha digital com evidência. Ela sugere melhorias no processo.. Ela sugere melhorias no processo. Câmera, scanner e geolocalização registram a origem de cada lote. Conformidade com PAC, ANVISA, BPF, HACCP, SISBI e SIF em registro único. Cada etapa — do ovo ao corte embalado — possui data, hora, operador e localização.Pronto para mercados internacionais. Rastreamento inteligente: reduzindo horas em minutos.
Mercado de proteína animal não opera em regime estável. Preço de insumo varia. Demanda do importador oscila. Contrato com varejo muda. A planta precisa responder sem depender de ciclo de desenvolvimento de software.
TAGAT ONE permite que o próprio time de TI. Crie telas, configure KPIs e ajuste regras de negócio. Sem acionar a TAGAT. APIs abertas conectam ERP, sensores loT, balanças e classificadores existentes. A flexibilidade da plataforma reduz o tempo entre a mudança de processo e a resposta operacional.
SER, PARECER E COMPROVAR
Há uma antiga máxima segundo a qual não basta ser; é preciso parecer.
Para a avicultura brasileira, líder global por competência construída ao longo de décadas, eu acrescentaria um terceiro verbo: comprovar. No comércio internacional de alimentos, qualidade, rastreabilidade e responsabilidade produtiva precisam ser não apenas praticadas, mas também percebidas, demonstradas e reconhecidas.
Essa liderança não foi construída por acaso, mas é resultado de décadas de investimento em genética, nutrição, sanidade, integração, tecnologia, assistência técnica, capacidade industrial, trabalho dos produtores e atuação do serviço oficial. Esse reconhecimento precisa estar claro, ou seja, não estamos falando de uma cadeia que precise corrigir uma falha estrutural, mas de uma cadeia que chegou até aqui porque soube fazer muito bem o seu trabalho.
Mas o que nos trouxe até aqui não será, sozinho, o que sustentará a liderança nos próximos anos. O mundo mudou. Os mercados ficaram mais exigentes, as barreiras sanitárias e regulatórias ganharam peso, a rastreabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser linguagem comum do comércio internacional. Nesse ambiente, qualidade precisa ser demonstrada, documentada e reconhecida.
O tema da União Europeia mostra isso com muita força. A Europa é um mercado exigente, atento a qualidade, rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e uso responsável de antimicrobianos. Mais do que uma discussão comercial, esse debate nos desafia a mostrar, com evidências, o quanto a produção brasileira atende aos requisitos dos clientes mais criteriosos.
O Brasil tem muito a apresentar. Há um trabalho sério e bem-feito pelo setor privado, pelos produtores, pelas agroindústrias, pelas entidades e pelo setor público. A avicultura brasileira construiu uma cadeia robusta, com controle, integração, escala produtiva e capacidade de resposta. Essa estrutura precisa ser reconhecida e defendida. Mas também precisa continuar evoluindo. Alguns passos adicionais precisam ser dados. A restrição e, quando necessário, o banimento de determinados antimicrobianos, especialmente em usos que já não dialogam com o padrão que queremos entregar, não devem ser vistos apenas como resposta a uma exigência de mercado. Esse movimento diz respeito ao tipo de cadeia produtiva que queremos ser e ao tipo de alimento que queremos oferecer ao Brasil e ao mundo.
Essa evolução exige responsabilidade. Produzir com menor dependência de antimicrobianos demanda mais manejo, ambiência, biosseguridade, nutrição, genética, assistência técnica, investimento e disciplina produtiva. Não é uma mudança simples, nem pode ser tratada como discurso. Precisa ser construída de forma coordenada, preservando a eficiência que tornou a avicultura brasileira competitiva e evitando que os custos sejam transferidos de maneira desordenada ao produtor.
Problemas vão acontecer. O que diferencia uma cadeia madura é a forma como ela reage: colocando os temas na mesa, discutindo com transparência, combinando soluções e trabalhando de forma conjunta.
EDITOR
AGRINEWS
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DIREÇÃO TÉCNICA
José Antônio Ribas Jr. COORDENAÇÃO TÉCNICA E REDAÇÃO
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ANALISTA TÉCNICO
Henrique Cancian COLABORADORES
Ana Angelita Sampaio Baptista Édina de Fátima Aguiar
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João Vitor da Silva Costa
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Marcos Vinícius Melges Lens Nathana Rudio
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Rony Riveros
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ADMINISTRAÇÃO
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Preço:
30 $ Brasil
Por José Antonio Ribas Jr. Diretor Técnico aviNews
A avicultura brasileira tem qualidade para atender os mercados mais exigentes. O próximo passo é transformar essa qualidade em evidência, previsibilidade e reconhecimento internacional. Não porque estivemos errados até aqui, mas porque liderar exige evoluir antes que o mundo imponha a mudança.
90 $ Internacional
Registro ISSN: 2965-341X
Periodicidade: trimestral
A revista aviNews Brasil é uma publicação nacional, editada em português, cujo editorial é direcionado à toda cadeia avícola. Os artigos, bem como informes publicitários não expressam a opinião dos editores. É proibida a divulgação total ou parcial de conteúdos publicados sem a autorização dos editores.
Brasil
Persistência das fêmeas no pós-pico
Equipe técnica Aviagen
Problemas locomotores em frangos de corte: causas, impactos e estratégias para bem-estar
Édina de Fátima Aguiar1 e Elaine Sans 2
1Doutora em zootecnia e assessora na Iniciativa MIRA
2Doutora em zootecnia, coordenadora na iniciativa MIRA
Biochem LATAM celebra 40 anos unindo ciência, nutrição animal e produtividade
Comunicação e Marketing BIOCHEM
O incubatório no centro da avicultura
Cobertura aviNews Brasil
Ovos comerciais revestidos com blend de óleos essenciais: há impacto no sabor e na textura?
Filipe Antônio Monteiro1 , Dezirrê Raiane Costa2 , Gabriela Hernandes Cangianelli1 , Maria Luiza Rodrigues de Souza3 , Angélica de Souza Khatlab 4 , Eliane Gasparino3
Enterococcus spp. na avicultura brasileira: uma causa subdiagnosticada de distúrbios locomotores
Marcos Vinícius Melges Lens1 , Ana Carolina Bergamo Benteo¹, João Vitor da Silva Costa¹, Evelin Lurie Sano¹, Maria Fernanda Marques Pilli¹, Rafael Mesalla Costalonga Andrade¹, Ana Angelita Sampaio Baptista¹ ¹Universidade Estadual de Londrina - UEL
Encontro Empresarial Cobb 2026 reuniu importantes produtores e exportadores para debater a nova régua técnica da avicultura latino-americana
Cobertura aviNews Brasil
Petersime lança
UniStreamer™: incubadoras inteligentes projetadas para uniformidade dos pintinhos e rastreabilidade total
Equipe técnica Petersime
62
Doença de Marek - Estratégia em frango de corte
João Paulo Zuffo1,3 , Dra. Fabiana Moreira2 , Dra. Vanessa Peripolli2 , Dr. Ivan Bianchi2 , Dra. Elizabeth Schwegler2 , Eliza Maria Chagas da Silva3
1Médico Veterinário - Especialista em Saúde animal na Seara Alimentos
2Docente no Instituto Federal Catarinense
- IFC Campus Araquari – SC
3Discente no Instituto Federal Catarinense - IFC Campus Araquari – SC
Versatilidade no tamanho dos ovos em galinhas
nick chick
Equipe técnica H&N
Equipe Técnica Elanco Vacinas Vivas de Salmonella: A Ciência da Proteção e o Futuro da Segurança Alimentar na Avicultura 76
Cobertura aviNews Brasil incubaFÓRUM 2026 reforça importância da incubação na maximização do desempenho produtivo
Influência da ambiência na prevalência da Síndrome Ascítica
Kenes Leonel de Morais Castro
Consultor de serviços técnicos Aves na Agroceres Multimix
Possíveis causas, impactos na planta de abate e estratégia de controle de proventriculites em frangos de corte
Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo
Tainara Dornelas1 , Angela Oliveira Lubacheviski2 e Dionatan Lubacheviski2
1Coordenadora técnica aviNews Brasil
2Granja Oliveira
O Eixo IntestinoFígado: O Motor da Eficiência Metabólica e da Biosseguridade Interna na Avicultura
Joan Rodríguez
MV., responsável pelo programa GHP
LATAM para o Grupo Nuproxa
Monitoria sorológica de pintinhos: o que não estamos vendo?
Equipe Técnica Boehringer Ingelheim
Éder Barbon
Especialista em Processos de Qualidade da Cobb-Vantress
Efetividade de ácidos orgânicos não tamponados, protegidos, na redução da pressão de infecção de enterobactérias na avicultura sem antimicrobianos
Ana Paula Pereira MSc. Zootecnista
Coordenadora Técnica Nacional Avicultura – SANEX
Como os probióticos atuam como alternativa aos antibióticos na avicultura? Das evidências científicas ao enfoque prático
Nathana Rudio, Rony Riveros e Nilva Sakomura Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
PERSISTÊNCIA DAS FÊMEAS NO PÓS-PICO - PARTE II Manejo da fertilidade e da produção
Equipe Técnica Aviagen
Esta é a segunda e última parte do artigo "Persistência das Fêmeas no Pós-Pico". Na Parte 1 (publicada na edição anterior), discutimos os indicadores físicos de um plantel de alta performance e a importância do balanço energético e do ambiente. Agora, o foco é o manejo reprodutivo: como garantir a sincronização sexual entre machos e fêmeas e ajustar as taxas de acasalamento para evitar quedas bruscas na eclodibilidade pós-pico.
Acesse a Parte 1 deste artigo através do QRCode ao lado
Sincronização sexual e taxas de acasalamento
Machos mais maduros que fêmeas (não sincronizados sexualmente) na criação ou com taxas de acasalamento excessivas podem causar danos às fêmeas no início do ciclo de produção e reduzir a produção e a persistência da fertilidade posteriormente.
Um bom indicador desse dano pode ser a cobertura de penas das fêmeas. O comportamento normal de acasalamento é afetado quando a fêmea não tem a proteção de uma camada de penas.
Uma fêmea com poucas penas torna-se menos receptiva à atividade de acasalamento dos machos; portanto, observa-se redução da fertilidade à medida que o plantel envelhece.
O processo de acasalamento afeta a perda de penas; no entanto, é importante acompanhar e compreender o padrão normal de perda de penas e responder adequadamente se ela se tornar excessiva.
Garanta que machos e fêmeas estejam sincronizados em maturidade sexual antes do acasalamento (Figura 2). Se a instalação tiver boxes separados para machos e houver variação na maturidade sexual na população de machos, os machos mais maduros devem ser misturados com as fêmeas primeiro, pois os machos menos maduros podem acessar facilmente os comedouros das fêmeas durante o período de alimentação.
Em muitos casos em que os plantéis apresentaram níveis de fertilidade mais baixos durante o pico e, principalmente, após o pico, as taxas de acasalamento estão acima das recomendadas (Tabela 2).
Tabela 2: Guia de taxas de acasalamento comuns.
Idade do plantel Número recomendado de machos/100fêmeas
22–24 semanas (154–168 dias) 9,50–10,00
24-30 semanas (168–210 dias) 8,50–9,50
30–35 semanas (210–245 dias) 8,00–8,50
35–40 semanas (280–35 dias) 7,50–8,00
40–50 semanas (280–35 dias) 7,00–7,50
50 semanas até o abate 350 dias até o abate) 6,50-7,00
Figura 2: Um exemplo mostrando: (a) um macho jovem maduro com uma crista e barbelas vermelhas bem desenvolvidas; (b) um macho imaturo com uma crista e barbelas claras e subdesenvolvidas; (c) uma fêmea jovem com uma crista e barbelas vermelhas bem desenvolvidas e (d) uma fêmea imatura com uma crista e barbelas subdesenvolvidas.
A C
B D
Peso corporal
O controle do peso corporal é fundamental nas práticas de manejo diárias, mas, em muitos casos, a quantidade de alimento fornecida segue um perfil padronizado da empresa de um plantel para outro.
Ajustar os níveis de alimento de acordo com as diretrizes definidas pela empresa para respeitar as restrições orçamentárias pode não permitir atender às necessidades de um plantel quando está acima ou abaixo do peso padrão.
O peso corporal, a persistência e os níveis de alimento devem ser gerenciados quantitativamente:
Reduzir a quantidade de alimento de forma muito agressiva ou sem permitir ou compensar um plantel com sobrepeso pode causar uma queda na persistência da produção, alterando o equilíbrio entre ganho de peso corporal, produção de ovos e manutenção.
Aumentar a quantidade de alimento muito rapidamente para recuperar o peso de um plantel abaixo do ideal geralmente leva ao excesso de peso nas aves e reduz a produção de ovos.
As taxas de acasalamento iniciais (22–35 semanas) costumam ser maiores do que o recomendado devido à crença incorreta de que isso melhora a eclosão precoce e de pico.
Evite ter um grande número de machos, pois isso leva a acasalamentos excessivos, danos às penas, fêmeas não receptivas (devido à cobertura de penas insuficiente e ao comportamento de acasalamento excessivamente ansioso dos machos) e menor persistência da fertilidade pós-pico.
Ao fazer qualquer ajuste no nível de alimentação, é essencial considerar o impacto que isso tem na ingestão total de nutrientes, em vez de apenas gramas de alimento por ave por dia.
A Figura 2 mostra um plantel com pico de alimentação alto, com uma quantidade máxima de alimento de 172 g por ave (37,9 lb/ 100 aves):
O plantel permanece neste nível de alimentação até 33 semanas, e a retirada de alimento é de 5,2% do pico até 59 semanas.
A persistência é boa, mesmo com o peso corporal acima do padrão.
Figura 2: Relações entre controle de peso corporal, quantidade de alimento e produção.
Peso corporal (g)
Real-Peso da fêmea Padrão
Peso da fêmea Real Alimento da fêmea Padrão
O aumento do nível de alimentação e a retirada adequada de alimento permitiram que este plantel mantivesse o peso corporal sem comprometer a produção.
Por exemplo, se um plantel estiver acima do peso, deve-se manter a diferença de peso em relação ao padrão, para que os níveis de produção persistentes também sejam mantidos. Fornecer mais alimento ao longo da vida do plantel, mas garantindo a ingestão total correta de nutrientes, mantém a produção de ovos como recompensa.
Alimento da fêmea
Real - % de produção da galinha por semana Padrão- % de produção da galinha por semana
É importante seguir as dietas de produção recomendadas pela Aviagen para equilibrar as necessidades nutricionais variáveis e opostas de reduzir a proteína bruta (especialmente a lisina digestível) para controlar a conformação do peito, ao mesmo tempo em que se mantém energia suficiente para sustentar a persistência na produção de ovos.
É significativamente mais favorável passar para a próxima fase da dieta da matriz para controlar as necessidades nutricionais do plantel à medida que ele envelhece, em comparação com retiradas agressivas de alimento para controlar o estado de conformação do peito das aves.
Idade (semanas)
Peso do ovo
Juntamente com o peso corporal, acompanhe cuidadosamente o peso do ovo durante o período pós-pico de produção. Acompanhar o peso dos ovos diariamente permite que tendências em relação ao padrão sejam traçadas, possibilitando ajustes adequados na quantidade de alimento.
Uma mudança na tendência de aumento do peso do ovo é frequentemente observada antes de uma redução na produção de ovos e pode ser a primeira indicação de um problema potencial. O peso dos ovos deve ser registrado diariamente a partir de 10% da produção diária da galinha.
A amostra da segunda coleta (para evitar o uso de ovos postos no dia anterior) de 120–150 ovos incubáveis deve ser pesada em massa todos os dias. Todos os ovos pequenos, com gema dupla, rachados e anormais devem ser removidos antes da pesagem.
Um plantel com desempenho abaixo do padrão na produção de ovos pós-pico e que está sendo alimentado em excesso pode apresentar, de forma consistente (por pelo menos 4 dias), aumentos nos pesos diários dos ovos superiores ao esperado em relação ao padrão.
A alimentação excessiva de um plantel com baixo desempenho tem um impacto negativo, não apenas na produção, mas também na eclodibilidade geral, devido à pior qualidade da casca dos ovos maiores. Nesse caso, pode ser necessária uma retirada maior de alimento.
Se o alimento for retirado muito rapidamente ou em um nível muito alto para a produção de ovos do plantel, uma redução no peso dos ovos pode preceder uma queda na produção.
Se ocorrer uma queda consistente no peso dos ovos (por pelo menos 4 dias), o alimento deve ser cuidadosamente devolvido ao plantel, e os resultados devem ser cuidadosamente acompanhados durante os 4–6 dias seguintes.
Condições de criação
Os plantéis de matrizes podem enfrentar diversos desafios diariamente. Identificar os desafios contínuos e mais sutis, que podem ser percebidos apenas como uma mudança gradual na persistência do plantel ou na fertilidade relatada, especialmente nas fases mais avançadas da produção, é uma tarefa desafiadora.
As condições de criação (consulte a Tabela 3) devem ser acompanhadas regularmente e devem ser feitos ajustes sempre que possível.
Tabela 3: Condições de criação que afetam a persistência do plantel de matrizes.
Condições de criação Observação
Densidade populacional
Manejo do comedouro/ da alimentação
Produção de ovos reduzida, mais ovos no chão, aumento da % do Coeficiente de Variação (CV), problemas com o tempo de consumo do alimento, aves desidratadas.
Ação Corretiva
Reduza para o nível recomendado (3,5–5,5 aves por m² ou 2,0–3,1 pés2 por ave) antes que um problema seja observado.
Certifique-se de que haja um comedouro, bebedouro e ninho disponíveis, conforme recomendado.
Manter o espaço de comedouro recomendado: 15 cm ou 6 pol. por ave — trilho 10 cm ou 4 pol. por ave — prato
Manejo do bebedouro/ do consumo de água
Aumento do tempo de consumo do alimento, redução da produção de ovos, aumento da % do Coeficiente de Variação (CV) do plantel, aumento dos níveis de ovos no chão.
Qualidade da cama de aviário
Produção reduzida de ovos, aves desidratadas, aumento de ovos no chão.
Cama de aviário compactada/não friável — as aves não conseguem tomar banho de areia.
Manter uma distância mínima de 100 cm (3,3 pés) entre as linhas dos comedouros.
Reduzir o tempo de distribuição de alimento para menos de 3 minutos e/ou distribuir o alimento sem acender a luzes.
Ajustar a altura correta do bebedouro e do comedouro usando um sistema de manivela.
Manter o espaço de consumo de água recomendado: 6–10 aves/nipple
2,5 cm ou 1,0 pol. por ave para bebedouros pendulares 15–20 aves/recipiente
Melhorar a disponibilidade e a qualidade da água.
Ajustar para garantir um ângulo de beber de 75–85° para aves adultas usando nipples.
Ajustar para corrigir a altura do bebedouro e do comedouro usando um sistema de manivela.
Garanta ventilação adequada/correta para manter a cama de aviário seca e friável.
Roedores e pragas
Redução da produção de ovos, aumento do consumo de água.
Mantenha os roedores e pragas afastados e acompanhe atentamente o estado de saúde das aves.
Resumo
Os plantéis de matrizes têm mudado rapidamente ao longo dos anos. Com as empresas de reprodução primária selecionando simultaneamente características aprimoradas dos frangos de corte e desempenho reprodutivo, tornou-se ainda mais essencial o fornecimento de práticas de manejo detalhadas para a operação diária das instalações e plantéis de matrizes.
Medir e acompanhar mudanças na temperatura ambiente, iluminação, ventilação, condição corporal, perfis de peso corporal e de peso dos ovos em comparação com o padrão, condições de alojamento e desafios externos é necessário para reagir de forma eficiente e eficaz ao desempenho do plantel.
Ajustar os níveis de alimento corretamente, reagir a taxas de acasalamento incorretas e reduzir os desafios dentro do plantel permitem que a persistência pós-pico na produção de ovos e na fertilidade seja melhorada e mantida.
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*Análise considerando 9,4 milhões de matrizes Ross 308 AP às 66 semanas de idade (lotes fechados 2024).
Dados referentes ao Brasil.
PROBLEMAS LOCOMOTORES EM FRANGOS DE CORTE: CAUSAS, IMPACTOS E ESTRATÉGIAS PARA BEM-ESTAR
Oavanço do melhoramento genético na avicultura de corte possibilitou o desenvolvimento de linhagens de crescimento rápido, mas essa evolução também trouxe desafios importantes relacionados à saúde e ao bem-estar das aves, especialmente no que se refere ao sistema locomotor.
Édina de Fátima Aguiar1 e Elaine Sans2
1Doutora em zootecnia e assessora na Iniciativa MIRA
2Doutora em zootecnia, coordenadora na iniciativa MIRA
Nesse contexto, os problemas locomotores representam uma preocupação relevante para a avicultura mundial, pois impactam não apenas em indicadores produtivos, como condenações e desclassificações de carcaças, mas também aspectos não mensuráveis, como dor crônica e limitação da expressão comportamental das aves.
A alta taxa de crescimento está frequentemente associada a uma sobrecarga da estrutura óssea, resultando em dor, deformidades e dificuldades de locomoção. Aves com dificuldades locomotoras tendem a permanecer mais tempo em decúbito, aumentando o risco de lesões de contato, como calos de peito.
Além disso, a redução da mobilidade pode comprometer o acesso à água e ao alimento, refletindo em menor ganho de peso e maior desuniformidade dos lotes.
Diversos fatores contribuem para o agravamento dos problemas ósseos, incluindo condições ambientais e nutricionais inadequadas.
A qualidade da cama, por exemplo, exerce papel fundamental: camas úmidas favorecem a proliferação de patógenos e o desenvolvimento de dermatites, como a pododermatite, enquanto camas excessivamente secas e compactadas podem causar instabilidade e lesões mecânicas.
Esses fatores também estão associados a problemas de qualidade de carcaça, como celulites e arranhões.
Embora os distúrbios locomotores sejam multifatoriais, há forte relação com o rápido ganho de peso. Desde a década de 1950, as taxas de crescimento dos frangos de corte aumentaram mais de 400%, permitindo que as aves atinjam o peso de abate em cerca de 5 a 6 semanas.
No entanto, o desenvolvimento ósseo não acompanha a mesma velocidade da deposição muscular, resultando em maior pressão sobre ossos e articulações. O crescimento acentuado da musculatura peitoral também altera o centro de gravidade das aves, dificultando o equilíbrio e a locomoção.
Diante desse cenário, linhagens de crescimento mais lento têm sido adotadas em diversos países como alternativa para mitigar esses impactos.
Essas linhagens permitem um desenvolvimento mais equilibrado entre músculo e esqueleto, reduzindo a incidência de claudicação e promovendo melhor qualidade de vida às aves. Iniciativas como o Better Chicken Commitment (BCC) reforçam essa abordagem ao estabelecer critérios baseados em evidências científicas, incluindo o uso de linhagens de crescimento mais lento, menor densidade de alojamento e melhorias nos métodos de manejo e abate.
Além do BCC, o uso de linhagens de crescimento lento também é recomendado em diversos países da União Europeia pela EFSA (European Food Safety Authority).
A nutrição também desempenha papel essencial na saúde óssea. O adequado fornecimento de cálcio, fósforo, vitaminas (especialmente a vitamina D3 e seus metabólitos, como a 25-OHD3) e microelementos é fundamental para a mineralização óssea.
Desequilíbrios nutricionais, assim como a presença de fatores antinutricionais, podem comprometer a absorção de minerais, resultando em ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Estratégias como a escolha adequada da granulometria do calcário e o uso de enzimas como a fitase são importantes para otimizar o aproveitamento desses nutrientes.
As principais empresas de genética têm estimativas de reduzir, ainda mais, o tempo para que os frangos possam atingir o peso de abate, e incluindo, aumento no rendimento do peito. Se por um lado essa informação parece positiva em relação ao aumento da produção de carne de frango, esta ação traz ainda maior preocupação à saúde geral das aves, em especial, à esquelética.
Além dos problemas ósseos, essa taxa alta de crescimento pode ser acompanhada pelo aumento da mortalidade e incidência de doenças metabólicas.
Além disso, práticas de manejo influenciam diretamente a saúde locomotora das aves. A alta densidade de alojamento pode dificultar a identificação precoce de problemas, tornando essencial o monitoramento contínuo dos lotes. Indicadores como taxa de descarte, incidência de fraturas, resistência óssea e parâmetros bioquímicos devem ser acompanhados como parte da gestão produtiva.
A fragilidade óssea também impacta etapas posteriores, como transporte e abate, aumentando a ocorrência de contusões, fraturas e presença de fragmentos ósseos na carne. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam que condenações parciais por contusões e fraturas podem atingir até 5% das aves abatidas.
Como estratégia complementar ao uso de linhagens de crescimento lento, o enriquecimento ambiental tem demonstrado efeitos positivos na saúde das aves.
Ao estimular comportamentos naturais e aumentar o nível de atividade física, contribui para o fortalecimento ósseo, melhoria da locomoção e redução de problemas locomotores.
De maneira geral, o rápido crescimento e as alterações fisiológicas e biomecânicas associadas reforçam a necessidade de uma abordagem mais equilibrada na produção de frangos de corte.
A revisão de práticas de manejo, nutrição e seleção genética é fundamental para promover sistemas produtivos mais sustentáveis e alinhados ao bem-estar animal.
Problemas locomotores em frangos de corte: causas, impactos e estratégias para bem-estar
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Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor
BIOCHEM CELEBRA 40 ANOS UNINDO CIÊNCIA, NUTRIÇÃO
ANIMAL E PRODUTIVIDADE
Comunicação e Marketing Biochem
“Orgulho do passado.
Futuro sustentável.”
Este é o conceito que marca a comunicação institucional dos 40 anos da Biochem, empresa fundada na Alemanha, em 1986, e que hoje atua em mais de 90 mercados com soluções voltadas à nutrição e à saúde animal.
Ao longo de quatro décadas, a Biochem consolidou sua presença global atuando em áreas estratégicas da produção animal, como saúde intestinal, eficiência alimentar, imunidade, qualidade da ração, manejo de toxinas, bem-estar e desempenho zootécnico.
A proposta da empresa é transformar ciência aplicada em resultado prático dentro dos sistemas produtivos.
Mais do que desenvolver produtos, a Biochem trabalha com soluções voltadas a problemas concretos da produção. O foco está em pontos que impactam diretamente a eficiência:
microbiota intestinal metabolismo digestibilidade aproveitamento de nutrientes estabilidade produtiva
Segundo o diretor da Biochem LATAM *Paulo Ricardo de Oliveira*, o momento representa não apenas uma celebração da trajetória construída pela empresa, mas também uma reafirmação do compromisso com o futuro da produção animal.
“A Biochem chega aos 40 anos combinando experiência global com presença técnica local. Nosso foco continua sendo transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis à realidade do campo, sempre buscando eficiência, sustentabilidade e segurança alimentar”, afirma Paulo.
Inovação
No Brasil, a atuação da empresa vem sendo ampliada por meio de projetos técnicos, parcerias com universidades, relacionamento com fábricas de ração e presença mais próxima das equipes de campo. A estratégia é fortalecer o desenvolvimento de mercado com base em consistência técnica e construção de longo prazo.
A campanha dos 40 anos reforça justamente essa conexão entre tradição e evolução tecnológica. O conceito “Orgulho do passado. Futuro sustentável.” resume a visão da empresa de que produtividade e sustentabilidade precisam caminhar juntas dentro da cadeia de proteína animal.
Sobre a Biochem LATAM
A Biochem LATAM é uma empresa especializada em soluções inovadoras para nutrição e saúde animal. Com origem na Alemanha e atuação global, oferece um amplo portfólio de aditivos e suplementos nutricionais produzidos com tecnologia própria e validada cientificamente. Seu foco é contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário, adaptando produtos às necessidades específicas dos mercados latino-americanos. A empresa prioriza a excelência técnica, ética, inovação contínua e integridade em todas as suas operações, garantindo aos clientes resultados consistentes, eficiência produtiva e confiabilidade.
Biochem celebra 40 anos unindo ciência, nutrição animal e produtividade BAIXAR EM PDF
o QR Code e saiba mais
Escaneie
O INCUBATÓRIO NO CENTRO DA NOVA AVICULTURA
Zoetis reúne especialistas internacionais para discutir como embriologia, vacinação in ovo, biosseguridade, dados e gestão redefinem o início do ciclo produtivo
Oincubatório deixou de ser apenas uma etapa de passagem entre o ovo fértil e o nascimento do pintinho.
Em sistemas avícolas de alta escala, com aves de maior desempenho, maior pressão sanitária e necessidade permanente de eficiência, decisões tomadas antes da eclosão podem influenciar a qualidade do pintinho, a resposta imune, a uniformidade dos lotes e a previsibilidade do campo.
Essa foi a linha condutora do 4th International Workshop, Advancing Hatchery Health Together, promovido pela Zoetis em Florianópolis.
O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir o incubatório moderno a partir de uma leitura integrada, que conecta biologia embrionária, condições de incubação, vacinação in ovo, biosseguridade, monitoramento, inteligência aplicada, gestão de equipes e sanidade avícola.
A mensagem que atravessou o evento foi clara. No início do ciclo, proteger melhor não depende de uma única ferramenta.
Depende de compreender o embrião, controlar variáveis críticas, aplicar vacinas com precisão, manter disciplina operacional, formar equipes preparadas e transformar dados em decisões úteis.
Nesse ambiente, ciência, tecnologia e rotina deixam de atuar em frentes separadas e passam a compor um mesmo sistema de proteção.
Antes da eclosão, já há desempenho em construção
A base técnica do workshop partiu do desenvolvimento embrionário. Christopher Dechandt Gomes, Assistente Técnico em Aves da Zoetis Brasil, mostrou que o incubatório trabalha com um processo biológico altamente organizado.
Oscilações térmicas, vibrações, falhas de manejo e variações ambientais podem interferir em fases sensíveis da formação do embrião e comprometer a qualidade do pintinho.
Dr. Edgar Oviedo-Rondón, da North Carolina State University, aprofundou essa leitura ao tratar dos efeitos das condições de incubação sobre saúde, imunidade e bem-estar.
No início do ciclo, a proteção começa antes de a ave nascer. Ela depende da precisão com que o incubatório conecta biologia, vacinação, biosseguridade e rotina.
Temperatura, umidade, oxigenação, armazenamento dos ovos e préaquecimento foram apresentados como fatores capazes de influenciar a estruturação de tecidos e sistemas. A consequência pode não aparecer apenas na eclosão, mas dias ou semanas depois, já no desempenho produtivo das aves.
Ao relacionar desvios de incubação a impactos sobre imunidade, desenvolvimento intestinal, integridade óssea, sistema locomotor, pele, empenamento, ascite, miopatias e pododermatite, Oviedo-Rondón deslocou o debate para além da taxa de nascimento.
Incubação
O incubatório não deve ser medido apenas por quantos pintinhos entrega, mas pela qualidade biológica e funcional do animal que seguirá para o campo.
“O incubatório participa da construção do animal que seguirá para o campo.”
Dr. Edgar Oviedo-Rondón North Carolina State University
Vacinação in ovo não é aplicação
isolada
A vacinação in ovo foi tratada como uma das plataformas de precisão do incubatório moderno.
Tarsicio Villalobos, Diretor de Serviços Veterinários e Técnicos da Zoetis Global Hatchery, reforçou que a tecnologia depende do momento biológico adequado, do local correto de deposição da vacina, da integridade do produto, da assepsia e da repetibilidade operacional.
A abordagem apresentada recoloca a vacinação dentro da biologia do embrião. Para que o procedimento seja efetivo, o embrião precisa estar em estágio compatível com a resposta imune, e a vacina precisa alcançar o compartimento adequado dentro do ovo.
Posição do ovo, trajetória da agulha, perfuração da casca sem fissuras, desinfecção constante e estabilidade do processo interferem diretamente no resultado.
Essa leitura amplia o papel do incubatório. A precisão não começa no instante da injeção. Ela depende da uniformidade do desenvolvimento embrionário, das condições de incubação e da qualidade da transferência. Em operações comerciais de grande volume, repetibilidade e controle passam a ter o mesmo peso estratégico da tecnologia.
A vacinação in ovo depende de estágio embrionário adequado, local correto de aplicação, perfuração segura da casca, desinfecção constante, integridade vacinal e rotina capaz de repetir o processo com estabilidade.
A rotina também faz parte da proteção
A discussão sobre vacinação conduziu ao tema da biosseguridade. No fim da incubação, o embrião ocupa quase todo o espaço disponível dentro do ovo, e o processo exige rigor para que a aplicação não se torne uma porta de entrada para contaminações.
Limpeza, desinfecção, retirada de ovos contaminados, conservação de vacinas, controle de equipamentos e qualidade ambiental não são detalhes acessórios. São componentes da estratégia sanitária.
Beatriz Silva Santos, Assistente Técnica
PL em Aves da Zoetis Brasil, levou essa discussão para a rotina dos incubatórios ao apresentar uma ferramenta digital de avaliação estruturada para monitorar critérios ligados à vacinação in ovo.
O acompanhamento envolve preparo de vacina, esterilidade, assepsia, temperatura de banhomaria, operação do sistema, conservação das vacinas, disciplina da equipe e controle de qualidade.
O valor da apresentação esteve justamente em mostrar que, em ambientes de alto volume, pequenas falhas repetidas podem comprometer eclodibilidade, segurança microbiológica, qualidade do pintinho e eficácia vacinal. Monitorar o processo não é burocracia. É uma forma concreta de proteger o resultado.
“O que se busca não é apenas um furo no ovo, mas um procedimento de qualidade.”
Beatriz Silva Santos Assistente Técnica em Aves da Zoetis Brasil
Dados e pessoas entram na gestão do incubatório
O workshop também discutiu o incubatório como ambiente de decisão. Vanessa Wolff, Gerente de Business Partner de RH da Zoetis, destacou que desempenho operacional depende de pessoas treinadas, liderança próxima, clareza de processo, reconhecimento e ambiente de trabalho capaz de sustentar engajamento.
Em uma rotina que exige disciplina, atenção e repetição, a gestão de pessoas deixa de ser assunto paralelo e passa a afetar diretamente a qualidade da execução.
A a inteligência artificial de forma aplicada à cadeia avícola também foi tema
A abordagem partiu de um desafio concreto. A produção já gera grande volume de informações, mas nem sempre consegue transformar esses dados em decisão com a velocidade necessária.
Para que a inteligência artificial gere mudança real, precisa entrar no processo, trabalhar sobre bases confiáveis e apoiar a leitura de padrões.
Simon Cohen, Executive VP of Business Development da MTech Systems, ampliou essa visão ao mostrar que sensores, software e inteligência artificial tendem a operar de forma integrada.
O ponto não é acumular dados, mas tornar os dados limpos, conectados e úteis. No incubatório, isso significa avançar de uma gestão apenas reativa para uma operação com maior capacidade de antecipação.
“A inteligência artificial só vira transformação quando entra de fato na rotina operacional.”
Sanidade
sob maior pressão exige integração
A agenda sanitária completou o encontro. Doenças como Doença Infecciosa da Bursa, Newcastle e Influenza Aviária foram discutidas em um contexto de maior circulação global de patógenos, aves mais produtivas, sistemas intensivos e necessidade de respostas coordenadas.
Dr. Guillermo Zavala, consultor da Avian Health International, LLC, chamou atenção para a importância da imunocompetência e da vigilância.
No caso da Doença Infecciosa da Bursa, a preocupação não se limita à bolsa de Fabricius, mas ao impacto da enfermidade sobre a capacidade da ave de responder a outros desafios sanitários.
Em Newcastle, o especialista reforçou que proteção não deve ser avaliada apenas pela ausência de mortalidade, mas também pela preservação do desempenho, da qualidade do produto e pela redução da excreção viral.
Eduardo Muniz, Gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis Brasil, conectou essa discussão ao papel do incubatório como ponto de padronização vacinal. A migração de vacinas para o incubatório responde à necessidade de reduzir variáveis, ampliar controle e antecipar proteção.
Ainda assim, o resultado depende da escolha correta da tecnologia, do entendimento de suas limitações e da qualidade da execução.
A experiência mexicana com Influenza Aviária, apresentada pelo Dr. Jose Manuel Arriola, reforçou que vacinação, quando utilizada, precisa estar inserida em um sistema de vigilância, diagnóstico, controle de movimentação, biosseguridade e resposta institucional.
A sanidade moderna exige coordenação. A vacina é central, mas não atua sozinha.
“A vacina está no centro da estratégia, mas não resolve sozinha um sistema que não enxerga o risco, não mede o desafio e não coordena a resposta.”
Síntese técnica do bloco de sanidade do workshop
Incubação
O início do ciclo como ambiente
de decisão
Ao reunir especialistas de diferentes áreas, o Advancing Hatchery Health Together consolidou uma leitura importante para a avicultura. O incubatório moderno não pode mais ser analisado por partes isoladas.
Do embrião à operação, da vacinação ao monitoramento, da biosseguridade aos dados, a etapa inicial do ciclo produtivo concentra decisões capazes de influenciar a competitividade da cadeia.
Para a Zoetis, esse olhar reforça o compromisso de apoiar produtores, agroindústrias e equipes técnicas com conhecimento, inovação e soluções conectadas aos principais desafios do incubatório.
Em um cenário de maior pressão sanitária, margens ajustadas e necessidade de previsibilidade, o início da vida das aves passa a ser compreendido como um ponto estratégico para sustentar proteção, desempenho e produtividade.
Do desenvolvimento embrionário à resposta sanitária no campo, o incubatório se consolida como um ambiente de decisão para a avicultura moderna.
O incubatório no centro da nova avicultura BAIXAR EM PDF
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HÁ IMPACTO NO NA TEXTURA?
Filipe Antônio Monteiro1, Dezirrê Raiane Costa2, Gabriela Hernandes Cangianelli Maria Luiza Rodrigues de Souza3, Angélica de Souza Khatlab 1Doutorando; 2Mestranda; 3Professor; 4Pós-Doutoranda Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá
Oovo de galinha é um dos alimentos mais consumidos no Brasil e no mundo, devido ao seu elevado valor nutricional, excelente perfil proteico e versatilidade tecnológica (Rafed et al., 2024; Dos Santos et al., 2025).
No Brasil, a cadeia produtiva de ovos comerciais de galinha apresenta crescimento contínuo, com uma produção maior que 57 bilhões unidades em 2024 (ABPA, 2025). Apesar dessa alta produção, o país busca sempre manter o padrão de alimentos seguros para o consumo humano, além de ovos com preço acessível e com qualidade sensorial elevada.
A manutenção de características como textura, qualidade interna e aceitabilidade sensorial relacionadas ao armazenamento é fundamental para garantir aceitação do consumidor e competitividade do setor.
Durante o armazenamento, os ovos passam por algumas alterações físico-químicas naturais, como a perda de dióxido de carbono através dos poros da casca, aumento do pH do albúmen, enfraquecimento das interações proteicas e redistribuição de água entre clara e gema (Oliveira et al., 2025)
Considerando o período ideal de armazenamento, os ovos tendem a manter suas características físico-químicas e sensoriais relativamente estáveis.
Em condições de temperatura ambiente (20–25 °C), recomenda-se que o consumo ocorra preferencialmente em até 7 a 10 dias após a postura. Entretanto, sob refrigeração (4–8 °C), os ovos podem preservar sua qualidade adequada por aproximadamente 28 a 30 dias (Lou et al., 2020).
Com o prolongamento do armazenamento, intensificam-se processos como:
A perda de CO2
Elevação do pH do albúmen
Em diversas áreas da produção animal tem se intensificado o uso de produtos naturais, como estratégia para uma produção mais saudável e sustentável.
Os óleos essenciais têm recebido destaque devido à sua comprovada atividade antimicrobiana e antioxidante, sendo amplamente estudados como alternativas aos conservantes sintéticos (Gonçalves et al., 2025).
Óleos essenciais de eucalipto (Eucalyptus spp.), cânfora (Cinnamomum camphora), menta (Mentha spp.) e copaíba (Copaifera spp.) apresentam compostos bioativos com potencial de aplicação na conservação de alimentos.
Enfraquecimento da membrana vitelínica
Redução da altura do albúmen
alterações que podem impactar parâmetros de textura e percepção sensorial (Tang et al., 2025). Nesse contexto, estratégias tecnológicas voltadas à preservação da qualidade interna e externa do ovo vêm sendo amplamente investigadas (Da Silva Pires et al., 2020; Pires et al., 2019; Revanda & Puspitarini 2025).
Entretanto, sua utilização em produtos alimentícios exige nível elevado de cautela, uma vez que seus compostos voláteis podem migrar e alterar características sensoriais, principalmente aroma e sabor (Rais et al., 2025; Mahanta et al., 2021; Zhang et al., 2023).
Óleos
Nesse contexto, a aplicação de revestimentos na superfície da casca tem sido investigada como estratégia tecnológica para reduzir perdas de umidade, modular trocas gasosas e atuar como barreira contra contaminações externas (Oliveira et al., 2024).
A incorporação de óleos essenciais em matrizes formadoras de filmes pode potencializar a ação antimicrobiana, contudo exige avaliação criteriosa quanto à possível migração de compostos voláteis para o interior do ovo, em razão da porosidade da casca (Oliveira et al., 2023).
Em seguida os ovos foram colocados em um recipiente com água e gelo, com intuito de cessar o cozimento. Posteriormente os ovos foram descascados, e 12 ovos íntegros por tratamento foram selecionados para a análise de textura.
ESTUDO
Assim, avaliou-se o efeito do revestimento das cascas dos ovos, com óleos essenciais de eucalipto, cânfora, menta e copaíba sobre a textura e a aceitabilidade sensorial de ovos cozidos de poedeiras da linhagem comercial Hy-Line, após o período de armazenamento de 20 dias.
Os ovos foram divididos em dois
A textura foi realizada por meio da Análise de Perfil de Textura (TPA)
Paralelamente, foi realizada a análise sensorial com consumidores de ambos os sexos, a qual se obteve 62 provadores.
Inicialmente, as comparações entre os dois tratamentos. A análise sensorial foi conduzida considerando dois enfoques estatísticos dependentes (com óleo e sem óleo) foram realizadas por meio do teste não paramétrico de Mann–Whitney (U), adotando-se nível de significância de 5%.
Adicionalmente, os dados foram analisados em esquema fatorial (tratamento × sexo dos provadores), a fim de verificar possível efeito isolado dos fatores e sua interação sobre as notas atribuídas na escala hedônica.
Também foi calculado o Índice de Aceitabilidade (IA, %), obtido pela relação entre a nota média atribuída ao produto e a nota máxima da escala hedônica, multiplicada por 100, conforme metodologia descrita por Dutcosky (2013).
Valores de IA superiores a 70% foram considerados indicativos de boa aceitabilidade. Os resultados do IA foram apresentados graficamente para melhor visualização comparativa entre os tratamentos.
Todas as análises estatísticas foram realizadas no software R (versão 4.5.1).
1. As análises de perfil de textura dos ovos foram realizadas em analisador de textura CT3 (Brookfield Engineering Laboratories, Inc., EUA), utilizando o software TexturePro CT.
Figura
A análise instrumental da textura não evidenciou diferenças significativas (p > 0,05) entre os tratamentos.
Embora os valores de dureza tenham sido numericamente maiores nos ovos revestidos, não houve diferença estatística significativa (p > 0,05), indicando que o revestimento não promoveu alteração mensurável na resistência mecânica após 20 dias de armazenamento.
Dureza (g)
Gomosidade (g)
Coesividade
Elasticidade (mm)
Resiliência
Figura 2. Valores médios dos parâmetros de perfil de textura (TPA) das amostras de ovos cozidos sem blend (SO) e com o blend de óleo essenciais (CO). No painel superior são apresentados os atributos instrumentais de dureza (g), gomosidade (g) e mastigabilidade (g/mm). E no painel inferior são apresentados os parâmetros de elasticidade (mm), coesividade e resiliência. As barras representam as médias obtidas para cada tratamento.
Da mesma forma, os parâmetros de resiliência, coesividade, elasticidade, gomosidade e mastigabilidade mantiveramse estatisticamente semelhantes entre os tratamentos, demonstrando que a aplicação do revestimento por imersão não influenciou o perfil instrumental de textura dos ovos cozidos nas condições avaliadas.
A ausência de alterações no perfil de textura indica que o revestimento não comprometeu a integridade estrutural do produto após cocção, aspecto fundamental para aceitação tecnológica e sensorial.
No que se refere à aceitabilidade sensorial, observou-se efeito significativo do revestimento para todos os atributos avaliados (p < 0,05). Os ovos revestidos apresentaram médias superiores para cor, aroma, textura sensorial, sabor, impressão global e intenção de compra.
Figura 3. Índice de aceitabilidade (IA, %) dos atributos sensoriais cor, aroma, textura, sabor, impressão global (IG) e intenção de compra (IC)
Textura
Embora a hipótese inicial considerasse a possibilidade de transferência de notas aromáticas características dos óleos essenciais, não foram relatadas percepções de sabor residual indesejável. Assim, o tratamento não comprometeu o perfil sensorial do produto.
A ausência de diferenças nos parâmetros instrumentais de textura, associada às diferenças observadas na análise sensorial, evidencia que o revestimento não promoveu alterações estruturais detectáveis, mas foi capaz de influenciar positivamente a experiência sensorial global.
Esse comportamento reforça que a aceitabilidade do produto pode ser modulada por fatores perceptivos que não necessariamente se refletem em alterações físico-mecânicas mensuráveis.
Esses resultados evidenciam o potencial do revestimento contendo óleo essencial como estratégia tecnológica eficaz para preservar a integridade estrutural do produto e, concomitantemente, manter ou até melhorar sua aceitação sensorial após o período de armazenamento.
De forma semelhante, Vale et al. (2023) relataram que o revestimento de ovos de codorna à base de proteína isolada do soro de leite associada ao óleo essencial de alho promoveu melhoria na aceitabilidade sensorial pelos consumidores, reforçando a viabilidade dessa abordagem como alternativa conservante natural.
Figura 4. Índice de aceitabilidade (IA, %) dos atributos sensoriais cor, aroma, textura, sabor, impressão global (IG) e intenção de compra (IC) dos públicos femininos e masculino.
Além disso, verificou-se efeito do sexo dos avaliadores para cor, aroma, textura, sabor e impressão global, sendo que o público feminino atribuiu notas ligeiramente superiores. Esse comportamento pode ser explicado pelo fato de que mulheres tendem a utilizar a porção mais alta da escala de agradabilidade e intensidade, conforme relatado por Chao et al. (2022).
Contudo, não houve interação significativa entre revestimento e sexo, demonstrando que o efeito positivo do tratamento foi consistente entre homens e mulheres.
A intenção de compra apresentou aumento significativo nos ovos revestidos, mostrando o quanto essa tecnologia é interessante e viável, principalmente quando se observa a perspectiva mercadológica.
Feminino Masculino
Sabor
IG IC
Cor
Aroma
Textura
Óleos essenciais
Os resultados obtidos são relevantes para o setor avícola, pois demonstram que a aplicação de revestimento à base de óleos essenciais na casca dos ovos contribui para a melhora de atributos sensoriais essenciais ao consumidor.
Além disso, a ausência de diferença na textura instrumental indica que o tratamento não compromete a qualidade física do produto. Esse achado é particularmente importante, pois minimiza uma das principais preocupações associadas ao uso de compostos naturais: a possibilidade de alterações indesejadas no sabor ou na aceitação do alimento.
Segundo Appleton et al. (2022) modificações na textura, como aumento de dureza ou viscosidade, podem influenciar a percepção de saciedade sem comprometer a aceitabilidade.
Assim, mesmo com variações numéricas na dureza, não houve prejuízo sensorial, reforçando que o revestimento com óleo essencial preservou as características organolépticas do produto.
O revestimento de ovos comerciais com óleos essenciais de eucalipto, cânfora, menta e copaíba armazenados por 20 dias, não apresentou diferenças na textura instrumental em comparação ao controle. Adicionalmente, promoveu aumento significativo na aceitabilidade sensorial e na intenção de compra pelos consumidores.
Mostrando que a tecnologia de revestimento pode ser considerada uma estratégia promissora para aplicação em sistemas comerciais, preservando a qualidade percebida pelo consumidor e abrindo perspectivas para futuras investigações relacionadas à conservação e segurança alimentar.
Ovos comerciais revestidos com blend de óleos essenciais: há impacto no sabor e na textura?
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CONTROLE DA LARINGOTRAQUEÍTE: O DESAFIO NÃO É APENAS VACINAR, MAS REDUZIR A CIRCULAÇÃO VIRAL
Gustavo Perdoncini1 e Gleidson Carvalho Salles2
1Coordenador de contas
2Gerente técnico
MSD Saúde Animal
Alaringotraqueíte infecciosa (LTI) continua sendo uma das doenças respiratórias de maior impacto para a avicultura industrial.
Mesmo em regiões com programas vacinais consolidados, a enfermidade ainda representa um importante desafio sanitário devido à elevada transmissibilidade do vírus e à sua capacidade de persistir nas aves infectadas.
Causada pelo herpesvírus aviário GaHV-1, a LTI possui uma característica epidemiológica que dificulta significativamente seu controle: aves infectadas tornam-se portadoras permanentes do vírus.
Isso significa que mesmo após recuperação clínica, o agente pode permanecer latente e voltar a ser eliminado em situações de estresse ou queda de imunidade.
Em regiões avícolas com alta densidade populacional e sistemas de múltiplas idades, essa dinâmica favorece a manutenção contínua da circulação viral no ambiente.
A Innovax®-ND-ILT destaca-se por permitir proteção precoce contra doença de Marek, Newcastle e laringotraqueíte em aplicação única no incubatório. Como consequência, aumenta-se a pressão de infecção sobre lotes suscetíveis e cresce o risco de surtos respiratórios de elevada morbidade.
Além da transmissão direta entre aves, a disseminação mecânica possui papel extremamente importante na epidemiologia da doença. Pessoas, veículos, equipamentos, caixas de transporte, esterco e movimentação de aves podem atuar como veículos de disseminação viral entre granjas.
Além da praticidade operacional, esse modelo favorece maior uniformidade vacinal e reduz manejos adicionais no campo, minimizando estresse das aves e riscos sanitários relacionados à movimentação e manipulação dos lotes.
Um aspecto relevante da Innovax®-NDILT está relacionado às glicoproteínas utilizadas na construção vacinal. A vacina expressa as glicoproteínas gI e gD do vírus da laringotraqueíte, estruturas fundamentais para o processo de infecção viral.
Por isso, o controle da LTI exige uma abordagem integrada e coordenada. Atualmente, os programas sanitários mais eficientes são aqueles que associam biosseguridade rigorosa, vacinação estratégica e alinhamento regional entre empresas, veterinários e produtores.
Dentro desse modelo integrado de controle, as vacinas recombinantes vetorizadas baseadas em HVT vêm ganhando espaço importante na avicultura moderna.
A glicoproteína gD participa diretamente da entrada do vírus nas células hospedeiras e da indução de anticorpos neutralizantes.
Já a glicoproteína gI está relacionada à disseminação do vírus entre células infectadas.
Ao estimular imunidade específica contra essas glicoproteínas, a vacinação contribui para reduzir a replicação viral e limitar a disseminação do vírus no trato respiratório das aves. O impacto prático dessa resposta imunológica vai muito além da redução de sinais clínicos.
Hoje, um dos principais objetivos dos programas modernos de controle da LTI é diminuir a excreção viral no campo. Quanto menor a quantidade de vírus eliminada pelas aves, menor tende a ser a pressão de infecção dentro da granja e entre diferentes propriedades da região.
Na prática, isso resulta em benefícios importantes para a estabilidade sanitária:
Menor contaminação ambiental;
Redução da transmissão entre lotes;
Menor severidade clínica;
Menor impacto econômico;
Maior estabilidade produtiva.
Essa estratégia tornase ainda mais relevante em regiões onde outros agentes respiratórios circulam simultaneamente.
A associação entre LTI, bronquite infecciosa, metapneumovírus aviário, Mycoplasma gallisepticum e outros desafios respiratórios aumenta significativamente a complexidade sanitária das granjas.
Em sistemas de múltiplas idades, controlar apenas os sinais clínicos já não é suficiente. É necessário atuar sobre a dinâmica epidemiológica da doença, reduzindo a circulação viral de maneira sustentável.
Além dos desafios já bem caracterizados na avicultura de postura comercial, evidências recentes indicam que impactos relevantes da laringotraqueíte infecciosa (LTI) também vêm sendo observados em sistemas de produção de frangos de corte.
Esse cenário amplia a importância da doença no contexto produtivo, reforçando a necessidade de estratégias preventivas mais robustas e adaptadas a diferentes segmentos da cadeia avícola.
Dados recentes obtidos em condições comerciais no Brasil ilustram de forma consistente esse impacto. Após a ocorrência de um surto de LTI em uma empresa avícola localizada na região Sul, foi avaliado o efeito da introdução da vacina recombinante Innovax®-ND-ILT, aplicada in ovo, em 36 lotes de frangos de corte.
A implementação do programa vacinal resultou em melhoria significativa dos indicadores zootécnicos. Observouse incremento de aproximadamente 5,2% no peso médio final das aves (de 3,138 kg no primeiro ciclo de vacinação para 3,300 kg no segundo ciclo de vacinação), associado a uma melhora de cerca de 4,2% na conversão alimentar ajustada, redução de 1,66 para 1,59 do primeiro para o segundo ciclo (COLVERO et al., 2026).
Esses resultados evidenciam não apenas o impacto produtivo da LTI em frangos de corte, mas também a eficácia da estratégia vacinal na mitigação das perdas e na otimização do desempenho zootécnico.
Sob essa perspectiva, os resultados observados transcendem o desempenho zootécnico isolado e evidenciam o papel estratégico dos programas sanitários na sustentabilidade da produção.
Em um cenário de margens progressivamente mais pressionadas, intervenções que promovem ganhos sanitários consistentes tendem a se refletir diretamente na eficiência produtiva e, consequentemente, na rentabilidade das operações avícolas.
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas reforçam que vacinação sozinha não controla a LTI. O sucesso depende da associação com medidas rigorosas de biosseguridade e coordenação regional das estratégias sanitárias.
Controle de trânsito, desinfecção adequada, compostagem de esterco, vazio sanitário eficiente e monitoramento epidemiológico constante continuam sendo medidas fundamentais para reduzir disseminação viral.
Outro ponto essencial é a atuação conjunta da cadeia produtiva. Regiões avícolas densamente povoadas exigem transparência sanitária e alinhamento entre empresas para que as estratégias de controle sejam realmente efetivas.
Hoje, a avicultura moderna demanda programas sanitários cada vez mais estratégicos. O foco deixou de ser apenas proteger aves individualmente e passou a envolver redução sustentável da circulação viral regional.
Nesse cenário, a vacina recombinante Innovax®-ND-ILT que possui as glicoproteínas gI e gD, consolidam-se como ferramenta importantes para uma gestão sanitária mais eficiente, segura e alinhada às necessidades da produção avícola moderna.
da laringotraqueíte: o desafio não é apenas vacinar, mas reduzir a circulação viral
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Controle
ENTEROCOCCUS SPP. NA AVICULTURA BRASILEIRA: UMA CAUSA SUBDIAGNOSTICADA DE DISTÚRBIOS LOCOMOTORES
Marcos Vinícius Melges Lens1, Ana Carolina Bergamo Benteo¹, João Vitor da Silva Costa¹, Evelin Lurie Sano¹, Maria Fernanda Marques Pilli¹, Rafael Mesalla Costalonga Andrade¹, Ana Angelita Sampaio Baptista¹ ¹Universidade Estadual de Londrina - UEL
Introdução
Os distúrbios locomotores destacam-se por comprometerem o desempenho produtivo dos plantéis, elevarem as taxas de mortalidade e aumentarem as condenações em abatedouros. Essas condições ocorrem com frequência e, em muitos casos, apresentam etiologia multifatorial, o que dificulta sua completa elucidação (Higuita et al., 2024).
Enterococcus spp. é apontado como um potencial agente etiológico da osteomielite (Deslauriers & Boulianne, 2024), podendo atuar isoladamente ou em infecções mistas, contribuindo para o desenvolvimento de processos inflamatórios em articulações, ossos e estruturas vertebrais, frequentemente associados a quadros de claudicação, paresia ou paralisia.
Enterococcus spp. são cocos Grampositivos (Figura 1), anaeróbios facultativos e não formadores de esporos, reconhecidos como comensais da microbiota intestinal de humanos e animais, com mais de 50 espécies descritas (Kered et al., 2025).
Figura 1. (a) Cultura de Enterococcus spp. em CHROMagar™. (b) Enterococcus spp. em coloração de Gram [obj.100x]. Fonte: os autores.
E. cecorum é associado a espondilite enterocócica (Higuita et al., 2024) e condronecrose bacteriana com osteomielite, enquanto E. faecalis é frequentemente isolado em quadros de onfalite (Souillard et al., 2022) e osteomielite (Menck-Costa et al., 2024).
Infecção
A infecção sistêmica por Enterococcus spp. permanece pouco esclarecida, porém, a literatura aponta o processo de translocação bacteriana a partir do sistema respiratório ou trato gastrintestinal (Souillard et al., 2022), como um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento de lesões locomotoras e septicêmicas em frangos de corte (Reynalds, Hille & Jia, 2025).
Uma possível associação entre a osteomielite vertebral e o sistema respiratório está relacionada a presença de vértebras pneumáticas. No entanto, a pneumatização da vértebra torácica livre (T4), frequentemente acometida, ocorre apenas após oito semanas de idade, sugerindo que essa via esteja presente em aves mais velhas (Braga, Martins & Ecco, 2018).
A mucosa intestinal exerce importante função de barreira por meio da integridade das “tight junctions”, produção de muco, ação imunológica local e competição microbiana (Ducatelle et al., 2023).
No Brasil E. faecalis é o principal agente isolado de osteomielite vertebral em frangos de corte, diferindo da Europa em que o E. cecorum destaca-se como patógeno envolvido na condição patológica.
Quando esse sistema é comprometido, como em condições de disbiose, ocorre aumento da permeabilidade intestinal, facilitando a translocação de microrganismos oportunistas como Enterococcus spp. para a circulação sanguínea.
submetidas a microtraumas constantes ou elevado estresse mecânico, como metáfises de ossos longos e vértebras toracolombares, apresentem maior suscetibilidade à colonização bacteriana.
Esses locais possuem intensa vascularização e áreas de fluxo sanguíneo mais lento, condições que facilitam a deposição de bactérias circulantes (Szafraniec, Szeleszczuk & Dolka, 2022).
Como identificar o problema no plantel?
A claudicação em frangos de corte está associada a diversas etiologias, sendo a condronecrose bacteriana com osteomielite (CBO) (Figura 2) uma das principais.
A colonização por Enterococcus spp. promove inflamação local, necrose da cartilagem e do tecido ósseo subcondral, resultando em dor, dificuldade de locomoção e, em casos mais graves, incapacidade de sustentação do peso corporal (Anthney, Do & Alrubaye, 2024).
2. Condronecrose bacteriana com osteomielite em fêmur de frango de corte com isolamento de E. faecalis. Fonte: os autores.
A postura “kinky-back” (Figura 3) assim como claudicação, paralisia e paresia uni ou bilateral, frequentemente observadas no campo e atribuídas a efeito de angulação ou taxa de crescimento, também são comuns a infecção por Enterococcus spp. (Abbasabadi, Golshahi & Seifi, 2021).
Figura
Figura 3. Frango de corte com paresia simétrica. Postura “sentar sobre os jarretes” ou “kinky-back”. Fonte: os autores.
Com a observação dos sinais clínicos, a autopsia é o próximo passo para o diagnóstico de infecção por Enterococcus spp., com a identificação de lesões macroscópicas (Figura 2; Figura 4). O sistema locomotor deve ser priorizado durante o exame de autópsia, com ênfase nos membros pélvicos e coluna vertebral.
O fêmur deve ser desarticulado do acetábulo, caso aconteça fratura da cabeça femoral durante este procedimento, por conta do tecido ósseo subcondral fragilizado, deve-se registrar a lesão e encaminhar o material para análise laboratorial.
Vértebras cervicais
Divertículos cervicais
Saco aéreo cervical
Saco aéreo clavicular
As vértebras torácicas, como a T4, são as mais acometidas em infecções por Enterococcus spp. As lesões são facilmente identificadas após remoção dos órgãos da cavidade celomática, apresentando deformação do tecido ósseo (Figura 4). A retirada da vertebra afetada é crucial quando há intenção de isolamento bacteriano.
Vértebras dorsais Sinsacro Caudais
Saco aéreo torácico anterior
Saco aéreo torácico posterior
Divertículos abdominais
Saco aéreo abdominal
Figura 4. (a) Esquema de coluna vertebral de Gallus gallus apresentando vértebras pneumáticas e local indicado para remoção em autópsia (círculo vermelho). Fonte: adaptado de WEDEL, 2008. (b) Coluna vertebral de frango de corte exibindo proliferação óssea irregular acentuada com deformidade da arquitetura normal das vértebras (seta branca) com isolamento de E. faecalis. Fonte: os autores. (c) Coluna vertebral de frango de corte exibindo proliferação óssea irregular discreta (seta branca) com isolamento de E. faecalis. Fonte: os autores.
B C
As amostras de vértebra e fêmur devem ser acondicionadas em sacos plástico estéreis, devidamente identificados com data da colheita, idade do lote, número ou nome do aviário devem ser descritos na etiqueta de cada amostra.
O diagnóstico diferencial de infecções por Enterococcus spp. deve considerar que diferentes etiologias, como causas congênitas, nutricionais e outros agentes etiológicos podem culminar em manifestações clínicas semelhantes.
Frango de corte em crescimento
Translocação de bactérias patogênicas
Em relação a paresia ou paralisia dos membros pélvicos, os sinais clínicos decorrem da compressão da medula espinhal (Figura 5) na região toracolombar, resultante de processos inflamatórios desencadeados pelo Enterococcus spp. (Menck-Costa et al., 2024).
Deslocamento da coluna vertebral (espondilolistese)
Quadro clínico “Kinky back” (costas tortas / deformação da coluna)
5. (a) Ilustração de estenose do canal vertebral por espondilolistese ou espondilite bacteriana. Fonte: Adaptado de Musyahadah et al., 2025. (b) Secção sagital da coluna vertebral. Abcesso comprimindo a medula espinhal (seta branca). Isolado E. faecalis da lesão. Fonte: os autores.
Figura
Pesquisas
Apesar dos avanços recentes na compreensão da epidemiologia e patogenia dessas infecções, ainda existem lacunas importantes relacionadas aos fatores que favorecem a transição de Enterococcus spp. de comensal intestinal para agente sistêmico, bem como aos mecanismos que regulam a translocação bacteriana e a colonização de tecidos ósseos.
A elucidação desses processos é essencial para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e controle.
O grupo de pesquisa do Laboratório de Medicina Aviária da Universidade Estadual de Londrina (LMA-UEL), destaca-se como uma das poucas unidades do Brasil com atuação integrada no isolamento, identificação e caracterização de Enterococcus spp. a partir de casos clínicos na avicultura.
Considerações finais
Os distúrbios locomotores representam um importante desafio sanitário e econômico, frequentemente associados a etiologias multifatoriais que dificultam sua prevenção e controle.
Entre os agentes bacterianos envolvidos, Enterococcus spp. tem sido cada vez mais reconhecido como patógeno oportunista associado a lesões osteoarticulares, como condronecrose bacteriana com osteomielite e espondilite vertebral, resultando em prejuízos significativos ao desempenho produtivo e ao bem-estar das aves.
Do ponto de vista prático, o controle dessas enfermidades depende de uma abordagem integrada que envolva diagnóstico precoce, manejo sanitário adequado e manutenção da saúde intestinal das aves.
Medidas como controle de enteropatias, manejo nutricional, redução de fatores estressantes e monitoramento microbiológico contribuem para diminuir a ocorrência de translocação bacteriana.
Dessa forma, a integração entre diagnóstico, manejo e controle sanitário constitui ferramenta essencial para reduzir a incidência dessas infecções e minimizar os impactos produtivos.
spp. na avicultura brasileira: uma causa subdiagnosticada de distúrbios
Referências bibliográficas sob consulta junto aos autores
Enterococcus
locomotores BAIXAR EM PDF
ENCONTRO EMPRESARIAL COBB 2026 REUNIU IMPORTANTES LIDERANÇAS PARA DEBATER A NOVA RÉGUA TÉCNICA
DA AVICULTURA LATINO-AMERICANA
Atibaia (SP) recebeu, entre 12 e 15 de maio de 2026, um recorte representativo da liderança da indústria avícola brasileira e latino-americana.
O Encontro Empresarial Cobb 2026 reuniu gestores, especialistas e empresas da região com uma agenda desenhada para discutir, com pragmatismo, os vetores que impactam o setor, a eficiência produtiva, novas tecnologias e, sobretudo, acesso a mercados em um ambiente geopolítico mais volátil.
Cada palestrante trouxe uma visão segmentada sobre a avicultura no Brasil, América Latina, América do Norte, Europa e continente Asiático.
As experiências trazidas pelos especialistas convergem quanto aos desafios e oportunidades que se abrem para o mercado avícola brasileiro.
MAPA assegura abertura de mercado e Brasil deve assumir protagonismo nas exportações sem fronteiras
Um dos destaques foi a presença de Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que detalhou a atuação do órgão diante dos desafios do agronegócio brasileiro. Rua deu ênfase aos temas que abrangem o mercado internacional, tributação e crises geopolíticas.
Ao final da fala de Luís Rua, a leitura fixada pelo representante do [MAPA], reforça a importância de os grandes players manterem uma estratégia de relacionamento institucional e de compliance documental, com sentido de trabalho em conjunto. “Fizemos nossa parte [MAPA], agora a ABPA [Associação Brasileira de Proteína Animal] deve aproveitar esse cenário”, disse.
“Para quem opera na ponta exportadora - ou integra cadeias que dependem de exportação para sustentar margens, é importante saber que há um movimento permanente para destravar portas e diversificar destinos”, afirmou Rua.
O secretário citou como exemplo a abertura para exportação de ovos e derivados à Coreia do Sul, efetivada após agendas conduzidas no primeiro trimestre de 2026.
Tal negociação funciona como termômetro do que a avicultura precisa perseguir de forma sistemática, segundo análise trazida por Rua, em agir com inteligência comercial, alinhamento sanitário e capacidade de responder rapidamente a requisitos técnicos específicos de cada país.
No cenário global, os recursos
existem, mas a narrativa e a eficiência precisam acompanhar
O painel sobre visão global no agronegócio, Antônio Cabrera, presidente do Grupo Cabrera e ex-ministro da Agricultura, trouxe uma visão sobre tendências do mercado internacional a partir de experiências acumuladas em agendas globais.
Entre os temas trazidos por Cabrera, destacou-se o potencial que ainda pode ser explorado na promoção da imagem do Brasil como protagonista na avicultura mundial. “O Brasil é um caso único no mundo. Entre os países continentais, as grandes economias e os grandes mercados consumidores, só três atendem aos três critérios: China, Estados Unidos e Brasil”, explicou Cabrera.
Cobertura
Em suas falas, o ex-ministro refletiu sobre o que ele mesmo chamou de “paradoxo brasileiro”, com abundância de recursos e forte capacidade produtiva, porém, convivendo com gargalos estruturais e desafios de posicionamento.
Ao mencionar a relevância do Brasil no cenário agrícola, incluindo a força da soja na base alimentar e energética de cadeias de proteína, Antonio Cabrera enfatizou:
“Competitividade não é só produzir bem, é comunicar bem e garantir previsibilidade.”
A partir da discussão sobre entraves de legislação e tributação, apareceram como pano de fundo os custos de produção e exportação no Brasil, lembrando aos decisores, segundo Cabrera, que ganhos marginais de eficiência na produção podem ser anulados por incerteza regulatória, burocracia e custos logísticos.
“Em outras palavras, para manter a liderança, o setor precisa da somatória de produtividade e ambiente de negócios, e não de um ou outro”, concluiu.
Governança vira tecnologia invisível da sucessão familiar
A famosa “passagem de bastão”, por vezes, é uma das ações mais aguardadas, porém imprevisíveis, no mundo dos negócios, A continuidade da empresa esbarra em algumas nuances geracionais bastante complexas.
Essa mudança de gestão foi tema da conversa sobre sucessão familiar com representantes da nova geração de líderes e gestores de empresas familiares.
Participaram Hugo Garrote, CEO da São Salvador Alimentos (SSA), Rafaela Bottazari, diretora agropecuária do Grupo BTZ, Rafael Tortola, CEO da GTF-, Carlos Zanchetta, diretor de Operações do Grupo Zanchetta, e Maurício Mazurek, diretor de genética e nutrição do Grupo Pluma Agroavícola.
Em um diálogo que tratou de governança, profissionalização e modernização sem ruptura cultural, os jovens líderes concordaram que a sucessão não é um evento simples, é um processo.
Segundo Rafaela Bottazari, em corporações avícolas esse processo exige clareza de papéis; programação de decisões; padronização administrativa com disciplina de dados e respeito ao legado, com coragem para reconfigurar o operacional.
O painel de sucessão deixou claro o entendimento dos cinco participantes de que o setor trabalha com margens pressionadas e alta volatilidade e, assim, a governança vira uma “tecnologia invisível”, que não aparece na linha de produção, mas altera profundamente o resultado, reduzindo improvisos, acelerando decisões e protegendo a continuidade.
Modelos produtivos em colisão.
Como os maiores produtores mundiais estão lidando com tanta
vulnerabilidade
“Deve ser respeitado o legado dos antecessores quanto a concepção das empresas, nas legislações vigentes e culturas que permeavam a época, mas jamais deixar de olhar o presente, com a atual moderação dos mais variados temas, como gestão de pessoas e uso de tecnologias e Inteligência Artificial”, disse Rafael Tortola.
A partir das análises expostas pelos especialistas, consolidou-se o diagnóstico de que o setor vive uma convergência entre pressão por eficiência e exigências crescentes de bem-estar, sustentabilidade, rastreabilidade e biosseguridade. Aos presentes, ao compilar informações atenuantes nas palestras, destaca-se o desafio de equilibrar trade-offs sem perder competitividade.
No recorte norte-americano, Will Sawyer, responsável por Operações e Estratégia de Negócios Globais da Cobb-Vantress, abordou a expansão das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, mas ressaltou a “fragilidade mundial” que precisa ser monitorada.
“Para grandes produtores, isso se traduz em três frentes operacionais, gestão de risco de insumos; planejamento sanitário como fator econômico e flexibilidade comercial para reagir às mudanças repentinas do setor”, explicou Sawyer.
Já o mercado avícola asiático combina crescimento estrutural e alta volatilidade, condicionado por choques sanitários, custos de ração, energia e barreiras comerciais. Segundo Sandy Irawan, diretor de vendas da Cobb-Vantress Ásia, na China, questões sanitárias têm sido uma janela de oportunidade para oferta de outras proteínas.
Cobertura
Segundo Sandy, a PSA (Peste Suína Africana), por exemplo, acelerou a substituição parcial da carne suína por frango.
“Em mercados como Filipinas e Vietnã, a formação de preço é mais sensível, por conta da dependência à importação de insumos e limitações de escala, enquanto crescem investimentos e estratégias de zonificação e compartimentação sanitária
WOAH (World Organisation for Animal Health) para acessar mercados,”, explicou Irawan,
Europeus representam importante expansão de mercado, desde que o consumo de carne de frango siga parâmetros culturais
A palestra de Christine Maziero, Diretora Global de Marketing Estratégico e Tecnologia da Cargill Nutrição e Saúde Animal, apresentou as características do mercado europeu de proteína animal.
Segundo Maziero, o perfil de produto, cultura e hábitos alimentares não pode se desconectar da realidade do público-alvo.
“Existe uma heterogeneidade europeia: países do Norte, como Países Baixos, Reino Unido e Escandinavos tendem a elevar exigências em bem-estar conectados às demandas do varejo e consumidores, incluindo crescimento mais lento. Regiões do Leste Europeu mantêm modelos similares ao padrão observado no Brasil”, explicou Christine.
Com base na experiência de Maziero, entender o comportamento dos consumidores europeus pode ser importante estratégia para se entrar num mercado de valor agregado.
“Há um mercado potencial de 14 milhões de consumidores e demanda estimada em 265 mil toneladas, volume reduzido comparado a outras regiões. O valor pago por kg de carne, no entanto, é superior desde que se atenda as demandas locais, como questões sanitárias e de bem-estar”, concluiu.
Fricção à brasileira. Mudar o rumo é preciso, porém sem exaurir o otimismo
Dilvo Casagranda, diretor de exportação da Aurora Coop, fez uma leitura do cenário global e destacou o quanto a competitividade da avicultura brasileira é limitada por entraves domésticos tão severos quanto os riscos externos.
Entre os entraves destacados por Casagranda, a carga tributária elevada; insegurança jurídico-regulatória; excesso de portarias e sobreposições institucionais e baixa previsibilidade para empreender e planejar investimentos, são fatores de maior incerteza na avicultura.
“A instabilidade operacional se traduz em custos sistêmicos, ou seja, investir para ter capacidade e gastar para operar essa capacidade; redução de produtividade administrativa e aumento de riscos de gestão”, disse.
As reflexões do especialista são diretas e concretas, sem deixar de considerar a presença exponencial do Brasil no mercado externo.
“O agro brasileiro migrou, em poucas décadas, de importador relevante para fornecedor global, sustentado por ciência e mercado. Para a avicultura, isso significa base competitiva em insumos, tecnologia e eficiência, porém com um gargalo de comunicação e legitimidade”, disse.
Por fim, o economista e diplomata Marcos Troyjo, encerrou o Encontro Empresarial da Cobb reforçando a flexibilidade de cenário no mercado global, mas sem deixar de destacar a posição entre as lideranças no mercado avícola.
“O único país que tem a capacidade, em velocidade e escala, de gerar um efeito de substituição é o Brasil”, disse Troyjo.
Segundo dados divulgados pela ABPA, os impactos provocados pelo primeiro foco de Influenza Aviária em uma granja comercial brasileira não extinguiram a solidez estratégica do setor, que fechou 2025 com desempenho histórico.
Encontro Empresarial Cobb 2026 reuniu importantes lideranças para debater a nova régua técnica da avicultura latino-americana BAIXAR EM PDF Ainda com base nas informações da Associação, as exportações de carne de frango alcançaram 5,324 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde para a avicultura nacional e reforçando a posição do Brasil como principal fornecedor mundial da proteína. Casagranda defendeu, em sua fala, ser necessário traduzir ao consumidor e aos formadores de opinião a contribuição do setor para acesso à proteína de baixo custo, segurança alimentar, geração de renda e redução de vulnerabilidades.
Em maio de 2026, a ABPA divulgou novos números quanto às exportações brasileiras de carne de frango in natura e processada, que somaram 486,5 mil toneladas em abril, alta de 2,2%, se comparada a abril de 2025.
Cobertura Jornalística
PETERSIME LANÇA UNISTREAMER™: INCUBADORAS INTELIGENTES PROJETADAS PARA UNIFORMIDADE DOS PINTINHOS E RASTREABILIDADE TOTAL
Os varejistas estão elevando o padrão: exigem volumes consistentes, filés de tamanho perfeito e ovos que cumpram critérios de qualidade cada vez mais rigorosos. Ao mesmo tempo, vem aumentando a pressão pela total transparência com relação à origem e ao processamento do produto.
A Petersime tem a satisfação de anunciar o lançamento da UniStreamer™, sua linha de incubadoras de estágio único de última geração. Projetada para atender à crescente demanda da indústria avícola por consistência, transparência e desempenho do produto, a UniStreamer™ combina a inigualável uniformidade dos pintinhos com rastreabilidade de ponta a ponta em uma solução inteligente e preparada para o futuro.
Sendo líder mundial em incubação, a Petersime respondeu com uma nova geração de incubadoras inteligentes de estágio único, a UniStreamer™, projetada para atender com confiança às demandas atuais do mercado.
Equipe Técnica Petersime
O verdadeiro diferencial da UniStreamer™ é a sua revolução em uniformidade dos pintinhos. Projetada para oferecer a máxima uniformidade de pintinhos de um dia, a nova incubadora da Petersime estabelece as bases para um crescimento ideal e uniforme do lote ao longo da vida.
Com tecnologias inspiradas na natureza, como HatchSound™ e HatchScan™, a UniStreamer™ oferece janelas de eclosão mais estreitas e um desempenho pós-eclosão mais robusto.
Essas inovações representam a mais recente evolução da Embryo-Response Incubation™ da Petersime, uma abordagem que comprovadamente adapta de maneira automática o ambiente de incubação às necessidades de cada lote de ovos específico, que atingiu o nível mais alto até o momento.
A UniStreamer™ também introduz uma nova referência em rastreabilidade. Usando a identificação exclusiva de carrinhos e o software em nuvem Eagle Trax™, os incubatórios podem manter registros de cada deslocamento do carrinho ao longo de todo o processo, proporcionando total transparência das operações internas, ao mesmo tempo em que se descobrem oportunidades de aprimorar o desempenho. É possível incluir até mesmo o armazenamento na granja e os caminhões de transporte.
O resultado: uma visão geral completa e digital das movimentações de ovos e pintinhos, melhorando a biosseguridade, possibilitando a otimização do desempenho baseada em dados e garantindo total preparação para auditorias.
"Na Petersime, inovação não significa acrescentar recursos só por acrescentar, mas proporcionar resultados mensuráveis para nossos clientes", diz Rudy Verhelst, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Petersime.
"Com a UniStreamer™, os incubatórios podem contar com uma uniformidade dos pintinhos consistentemente alta e rastreabilidade completa em todas as suas operações.
Ter uma produção previsível de pintinhos uniformes e de alta qualidade só é possível quando não se deixa nada por conta do acaso. Com o monitoramento de cada etapa, desde a granja de matrizes até a granja de produção, os incubatórios ganham clareza e controle para maximizar os resultados.
E isso traz compensação ao longo de toda a cadeia de valor, com um crescimento mais uniforme na granja, um processamento mais tranquilo e um processo de produção mais rentável, eficiente e transparente em geral".
Inovação
A UniStreamer™ está disponível em diversas configurações, incluindo a UniStreamer™ HD, que oferece uma capacidade de ovos 12% maior por incubadora, sem abrir mão do desempenho.
Sistemas complementares, como Re-Store e Chick-Store, que também fazem parte da linha UniStreamer™, garantem condições ideais antes e após a eclosão. Desde a recepção dos ovos até o armazenamento de pintinhos, todo o "ecossistema" é projetado para fornecer resultados consistentes e de alto desempenho.
Com esse lançamento, a Petersime redefine novamente o padrão na incubação de estágio único. Os incubatórios que buscam atender às demandas do futuro em produtividade, desempenho, rastreabilidade e produção previsível agora têm uma solução poderosa e comprovada na UniStreamer™.
Com a UniStreamer™, a Petersime apresenta uma nova geração de incubadoras de estágio único que une a uniformidade máxima dos pintinhos à rastreabilidade completa, estabelecendo as bases para um desempenho mais consistente dos lotes e maior transparência e eficiência gerais em toda a cadeia de valor avícola.
Sobre a Petersime
A Petersime fornece incubadoras, equipamentos de incubatórios e soluções chave na mão que são líderes mundiais de mercado e contam com a experiência e o suporte para maximizar o retorno sobre o investimento.
Há mais de 100 anos, a missão da Petersime tem sido usar a natureza como referência para continuar aperfeiçoando o processo de incubação e ajudar os clientes a obter o desempenho máximo. Além disso, a Petersime está na vanguarda da otimização da cadeia de valor da avicultura por meio do uso de big data. Com sede na Bélgica e contando com Centros Regionais em localidades estratégicas, as incubadoras, soluções e serviços de incubatório da Petersime estão disponíveis em todo o mundo.
Para obter mais informações sobre esse assunto, entre em contato com: Karen Lambrechts, Gerente de Marketing E-mail: karen.lambrechts@petersime.com
Harvey Machado de Souza, Gerente de Vendas Brasil
E-mail: harvey.machado@petersime.com
Petersime lança UniStreamer™: incubadoras inteligentes projetadas para uniformidade dos pintinhos e rastreabilidade total BAIXAR EM PDF
Incubando o futuro
Previsível | Rastreável | Uniforme
O alcance da uniformidade exige controle precisode cada etapa da trajetória de incubação, e é justamente aqui que a UniStreamer™ se destaca.
Sua rastreabilidade total proporciona os insights de dados necessários para otimizar cada ciclo de produção.
Quais são as vantagens para você? Produção previsível e rastreável de pintinhos uniformes e de alta qualidade. Sempre.
Descubra mais
ADoença de Marek (DM) permanece como um dos principais desafios sanitários da avicultura moderna, mesmo após décadas de avanço tecnológico e implementação de programas vacinais.
Trata-se de uma enfermidade viral de caráter oncogênico e imunossupressor, causada pelo Marek’s disease virus (MDV), pertencente à família Herpesviridae.
Sua relevância estratégica decorre não apenas da mortalidade associada, mas principalmente dos impactos indiretos sobre desempenho produtivo, uniformidade e eficiência operacional.
DOENÇA DE MAREK ESTRATÉGIA EM FRANGO DE CORTE
João Paulo Zuffo1,3, Dra. Fabiana Moreira2, Dra. Vanessa Peripolli2, Dr. Ivan Bianchi2, Dra. Elizabeth Schwegler2, Eliza Maria Chagas da Silva3 1Médico Veterinário - Especialista em Saúde animal na Seara Alimentos
2Docente no Instituto Federal Catarinense - IFC Campus Araquari – SC
3Discente no Instituto Federal Catarinense - IFC Campus Araquari – SC
Um desafio silencioso na produção intensiva
Conforme descrito por Mulyati et al. (2025), a Doença de Marek continua sendo um desafio global, com ocorrência persistente em diferentes regiões produtoras, mesmo em sistemas vacinados.
A capacidade do vírus de permanecer no ambiente e infectar aves de forma precoce torna a doença especialmente crítica em sistemas de alta densidade.
Dinâmica da infecção: Entendendo o processo
A infecção ocorre principalmente por via respiratória, por meio da inalação de partículas virais presentes na poeira contaminada. Após a entrada no organismo, o vírus infecta inicialmente macrófagos e células B, sendo posteriormente transportado para órgãos linfoides.
Dadousis et al. (2026) reforçam que a doença apresenta caráter multifacetado, envolvendo imunossupressão, lesões neurológicas e formação de tumores viscerais, além de impacto direto no desempenho zootécnico.
Inalação de MDV a partir de poeira ou descamação
MDV entra pelas vias respiratórias
Liberação de vírus e células infectadas pela descamação natural da pele
Células imunes produzidos em células FFE
Segundo Mulyati et al. (2025), a replicação inicial ocorre predominantemente em células B, enquanto a fase subsequente envolve infecção e latência em linfócitos T CD4+, os principais responsáveis pela transformação tumoral.
Murata (2025) destaca que a transformação neoplásica está diretamente associada ao gene meq, considerado um oncogene chave na patogênese da doença.
B M-fagos
Fase de replicação semi-produtiva
Fases citolíticas
Fase de replicação produtiva plena
Células FFE
Infecção inicia em células imunológicas pulmonares
Disseminação para órgãos linfoides
Baço Bursa Timo
Apoptose de células B
Imunossupressão
Latentemente T infectadas
Células T de repouso (resistentes à MDV)
Células T ativadas (suscetíveis à MDV) T cells apoptosis
Células T transformadas
Fases transformativas/ latentes
Linfoma de célula T
Doença de Marek
Células
Diagnóstico: Identificação e confirmação da doença
O diagnóstico inicial para a Doença de Marek em condições de campo fundamenta-se em sinais clínicos e na avaliação de lesões macroscópicas durante a necropsia, bem como de alterações microscópicas em amostras teciduais de aves infectadas.
A confirmação da infecção é realizada por meio de métodos laboratoriais virológicos e imunológicos, que permitem a detecção do agente causador doença (Zelník, 2021).
A confirmação da Doença de Marek baseia-se na associação entre a histopatologia e PCR em tempo real, sendo considerados métodos mais confiáveis.
Etapa do diagnóstico
Suspeita clinica/epidemiológica
Necropsia (macroscopia)
Histopatologia
PCR/qPCR
Imuno-histoquimica (IHC)
Análise do programa vacinal
O que avaliar
Idade, histórico vacinal, desempenho
Órgãos viscerais e nervos periféricos
Avaliação microscópica dos tecidos
Detecção de DNA
Antigeno viral no tecido
Cepa, PFU, via, incubatório
Métodos como isolamento viral, PCR convencional e testes sorológicos apresentam valor diagnóstico limitado, uma vez que a presença do vírus ou de anticorpos não indica necessariamente doença clínica.
Apesar de a histologia permitir a confirmação do linfoma, sua utilização isolada não possibilita a diferenciação completa de outras neoplasias (Kurokawa; Yamamoto, 2022)
O avanço das técnicas de PCR convencional e em tempo real tem aprimorado o diagnóstico da Doença de Marek, possibilitando a distinção entre cepas vacinais e patogênicas.
Adicionalmente, esses métodos têm sido amplamente utilizados para elucidar mecanismos associados à infecção pelo vírus, incluindo sua disseminação, liberação e os efeitos das cepas vacinais na evolução da doença (Zelník, 2021).
Tumores viscerais + nervos espessados sem estriação
Infiltrado linföide pleomórfico, perda da arquitetura
Peso diagnóstico
Baixo-moderado
Moderado
Alto (pilar)
Presença de GaHV-2 (campo/vacinal) Complementar
Confirma envolvimento viral local
Alto (casos especificos)
Subdose, falha de aplicação, alta pressão Estratégico
Pressão de infecção: O principal fator de risco
Em sistemas comerciais, a pressão de infecção ambiental é um dos principais determinantes da manifestação clínica da doença. A elevada carga viral no ambiente, associada à permanência do vírus em células epiteliais dos folículos das penas, favorece a disseminação contínua.
A excreção viral pode ocorrer por semanas, mantendo o ambiente contaminado e favorecendo infecções precoces (Mulyati et al., 2025).
Vacinação: B ase do controle, com limitações
A vacinação contra Marek é considerada um dos maiores avanços da medicina veterinária. No entanto, sua principal limitação reside no fato de não conferir imunidade esterilizante.
Conforme Murata (2025), as vacinas são eficazes na prevenção de tumores e sinais clínicos, mas não impedem a infecção nem a excreção viral. Isso permite a circulação contínua do vírus no ambiente.
Dadousis et al. (2026) complementam que a eficácia vacinal pode variar de acordo com a genética das aves, reforçando a importância da interação entre imunidade e hospedeiro.
Embora exista um vigoroso programa de vacinação, a infecção pela Doença de Marek continua a se disseminar na avicultura.
Essa condição está associada a modificações genéticas que favorecem o aumento da virulência, além de fatores operacionais como falhas no manejo, ou à conservação inadequada das vacinas, além da presença de condições imunossupressoras concomitantes (YEHIA et al., 2021).
Evolução viral: Um desafio em constante progressão
A Doença de Marek apresenta uma das mais claras evidências de evolução viral induzida por pressão seletiva. Ao longo das décadas, observou-se a progressão de cepas de baixa virulência para formas altamente virulentas (vv e vv+).
Murata (2025) sugere que a pressão imunológica decorrente da vacinação pode ter contribuído para a seleção de cepas mais agressivas, tornando o controle da doença um processo dinâmico.
Idade de manifestação clínica Tardia (>12 semanas)
Formação de tumores
Variantes altamente ativas, maior expressão
Intermediária Precoce Muito precoce
Mortalidade Presente Presente Presente Presente
Rara ou ausente
Moderada Moderada Muito alta
Impacto em frangos de corte Geralmente subclínico Queda discreta de desempenho Piora clara de ganho e uniformidade Generalizada e agressiva
Resistência genética: Uma fronteira estratégica
Estudos conduzidos por Dadousis et al. (2026) demonstram que a resistência à Doença de Marek possui base genética complexa e poligênica. Diferentes vias imunológicas, comoJAK/STAT, mTOR e respostas Th1/ Th2, estão envolvidas na modulação da susceptibilidade.
Essa variabilidade abre espaço para estratégias complementares baseadas em seleção genética, com potencial de redução da dependência exclusiva de vacinas.
Impacto econômico: Além da mortalidade
Os impactos da Doença de Marek vão muito além da mortalidade direta. A imunossupressão induzida pelo vírus aumenta a susceptibilidade a outras enfermidades, elevando custos sanitários.
Doença de Marek
Além disso, há perdas relacionadas à pior conversão alimentar, redução de ganho de peso e aumento de condenações em abatedouro, comprometendo a eficiência produtiva (Mulyati et al., 2025).
Estratégia integrada: O caminho para o controle
O controle efetivo da Doença de Marek depende de uma abordagem integrada. A vacinação deve ser associada a práticas rigorosas de biosseguridade, incluindo controle de acesso, limpeza, desinfecção e manejo adequado de cama.
Conclusão: execução como diferencial
A Doença de Marek permanece como um desafio relevante e dinâmico. O conhecimento técnico sobre a doença está amplamente consolidado; no entanto, o diferencial competitivo está na qualidade da execução das estratégias no campo.
A integração entre ciência, tecnologia e operação é essencial para mitigar riscos, reduzir perdas e garantir sustentabilidade na produção avícola.
O monitoramento contínuo e a análise de dados de campo são fundamentais para ajustes estratégicos. A combinação de vacinação, genética e biosseguridade representa o modelo mais robusto de controle.
O triângulo não é apenas um símbolo visual, mas uma representação de nossas raízes mineiras, de base sólida e confiável, que protege e cuida dos clientes. É um espírito
dinâmico e inovador, que projeta a empresa para o futuro, comprometido com a excelência científica.
Nossa presença de mercado
O Laudo Laboratório atende mais de 20 estados do Brasil, com sedes em Uberlândia - MG e Toledo - PR. Com logística própria, facilita a chegada das amostras, garantindo mais agilidade em todo o processo e maior celeridade na entrega de diagnósticos.
Referências bibliográficas sob consulta junto aos autores
Pesquisa Salmonella
Soroaglutinação Rápida Pulorose
Soroaglutinação Rápida Mycoplasma gallisepticum
Inibição da Hemaglutinação Mycoplasma gallisepticum
Soroaglutinação Rápida Mycoplasma synoviae
Inibição da Hemaglutinação Mycoplasma synoviae
Inibição da Hemaglutinação Vírus de Newcastle
Soroneutralização de Gumboro
Soroneutralização de Bronquite
Pesquisa de E. coli
ELISA de Gumboro
ELISA de Bronquite
Aviadenovírus
Encefalomelite Aviária
Mycoplasma gallisepticum
Mycoplasma synoviae
Pneumovírus Aviário
Reovírus Aviário
Salmonella Enteritidis
Salmonella Gallinarum
Salmonella Pullorum
Salmonella Typhimurium
Principais testes PCR’s AVES exames
Tipificação de Clostridium perfringens
Tipificação de Fatores de patogenicidade de Pasteurella
Tipificação do Vírus de Bronquite Infecciosa
Tipificação do Vírus de Gumboro
Vírus de Bronquite Infecciosa
Vírus de Gumboro
laudolaboratorio
Doença de Marek - Estratégia em Frango de Corte BAIXAR EM PDF
MATERIAIS E MÉTODOS
As galinhas Nick Chick foram alojadas (368 aves, 72 gaiolas) às 16 semanas de idade e submetidas a estimulação luminosa quando atingiram um peso corporal de 1,250 kg. Todas receberam a mesma ração do início do ensaio até às 26 semanas.
As dietas experimentais foram formuladas pela equipe de nutrição da H&N e produzidas em uma fábrica local.
A análise da matéria-prima foi realizada com o apoio da EVONIK, e as dietas consistiam em uma combinação de milho, farelo de soja, farelo de trigo e óleo de soja (Tabela 1).
As dietas foram formuladas para uma ingestão de 110 g.
Os tratamentos foram definidos de acordo com seus níveis de aminoácidos: Muito Baixo (MB), Baixo (B), Alto (A) e Muito Alto (MA).
A relação ideal entre proteína e energia (2.810 kcal) permaneceu constante em todas as dietas.
Galinhas poedeiras
Especificações nutricionais
Proteína bruta (%)
Energia metabolizável para aves (kcal/kg)
Amido (%)
Açúcares (%)
Fibra bruta (%)
Fibra detergente neutra (%)
linoleico (%)
Lisina digestível em aves (%)
Metionina digestível em aves (%)
Met + Cys digeríveis em aves (%)
Treonina digestível em aves (%)
Triptofano digestível em aves (%)
Arginina digestível em aves (%)
Valina digestível em aves (%)
Isoleucina digestível em aves (%)
Fósforo fítico (%)
Fósforo disponível (%)
Fósforo digestível em aves (%)
(%)
Carbonato de cálcio misturado (%)
Óleo de soja (%)
Fosfato dicálcico (%)
Ligante de micotoxinas (%)
Pré-mistura (%)
Bicarbonato de sódio (%)
DL-metionina (%)
Enzimas (%)
L-lisina Cl (%)
L-Treonina (%)
Tabela 1: Dietas e especificações nutricionais para tratamentos definidos como Muito Baixo (MB), Baixo (B), Alto (A) e Muito Alto (MA) em níveis de aminoácidos.
RESULTADOS
TAXA DE POSTURA
As galinhas alimentadas com a dieta de aminoácidos MB, apresentaram uma diminuição significativa na taxa de postura, em comparação com os outros tratamentos.
A dieta MA apresentou um aumento numérico, mas estatisticamente semelhante às dietas B e A.
Ta xa de postu ra (%)
Taxa de postura (%) x Tratamento (25-26 semanas)
PESO DO OVO
De forma geral, observou-se uma clara progressão no tamanho dos ovos em função da ingestão de aminoácidos.
Foram observadas diferenças significativas entre as dietas MB, B e MA, o que confirma que uma maior ingestão de aminoácidos está associada a um aumento do tamanho do ovo.
Curiosamente, o tratamento com baixa dosagem resultou em um peso similar ao padrão Nick Chick.
Peso medio do ovo x Tratamento (25-26 semanas)
Tratamento
Gráfico 1: Taxa de postura (%) influenciada pelos níveis de aminoácidos (MB, B, A, MA).
Tratamento
Galinhas
O número de OAA foi claramente influenciado pela dieta. Este parâmetro é definido pelo efeito significativo na taxa de postura apresentado no gráfico 1 e não pela mortalidade, que não tem um efeito significativo.
Não se verificaram diferenças significativas no peso corporal, embora os grupos com ovos mais pesados apresentaram pesos ligeiramente superiores. (Gráfico 4).
Gráfico 3: Ovos por ave alojada e viabilidade de acordo com os níveis de aminoácidos na ração, classificados como Muito Baixo (MB), Baixo (B), Alto (A) e Muito Alto (MA).
Gráfico 4: Peso corporal médio influenciado pelos níveis de aminoácidos na dieta, desde Muito Baixo (MB), Baixo (B), Alto (A) até Muito Alto (MA).
ANÁLISE DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO
É importante compreender as implicações econômicas da utilização de todas essas dietas em diferentes cenários. Com base no custo da ração no momento do ensaio e assumindo o mesmo consumo de ração, o custo por ovo não apresentou uma diferença significativa (Tabela 2).
No entanto, observou-se um custo numericamente superior associado ao aumento da produção de ovos.
Esta análise não inclui o preço que os produtores podem receber pelos diferentes tamanhos de ovos produzidos por cada tratamento, o que poderia ajudar a compensar os custos de produção.
Consumo alimentar durante o período de 30 semanas × 7 dias × 111 gramas = 23,31 quilogramas
Custo / ovo =
Custo da ração × Consumo de ração Ovos por galinha alojada
Rótulo
Preço do alimento (€ / tonelada)
Custo da ração por galinha (€)
MB 270,46 6,31
B 284,27 6,63
A
Ovos / Aves alojadas
Custo por ovo (€)
0,0314
0,0327
CONCLUSÕES PRÁTICAS
OS AMINOÁCIDOS DETERMINAM O TAMANHO DO OVO
O aumento da lisina digestível de 0,56% para 0,79% aumentou o peso médio do ovo em 3 g.
A EFICIÊNCIA É IMPORTANTE
Embora as diferenças na taxa de postura tenham sido modestas no período de 26 a 56 semanas, em ciclos mais longos, níveis mais elevados de aminoácidos podem aumentar a produção total de ovos.
EQUILÍBRIO ECONÔMICO
A dieta "Muito Alta" apresentou o maior custo de ração e a melhor produção em comparação com od tratamentos que continham menos aminoácidos.
No entanto, os produtores devem ponderar o custo da alimentação com os custos de produção e a preferência do mercado por ovos maiores para decidir qual é a ração mais adequada.
Os produtores devem ponderar o custo adicional da alimentação em relação aos lucros e à preferência do mercado por ovos maiores.
Tabela 2: Comparação entre os custos associados a dietas com diferentes níveis de aminoácidos e a produção de ovos.
Galinhas poedeiras
CONCLUSÃO PARA OS
PRODUTORES NICK CHICK
As galinhas Nick Chick respondem positivamente a diferentes níveis de aminoácidos;
Sua versatilidade permite que a produção seja direcionada para diferentes mercados de tamanhos de ovos com o mesmo plantel.
Versatilidade no tamanho dos ovos em galinhas Nick Chick – Parte I BAIXAR EM PDF
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VACINAS VIVAS DE SALMONELLA: A CIÊNCIA DA PROTEÇÃO E O FUTURO DA SEGURANÇA ALIMENTAR NA AVICULTURA
Equipe Técnica Elanco
O Desafio Global das
Salmoneloses Paratíficas
As salmoneloses paratíficas continuam a figurar entre as principais causas de zoonoses bacterianas transmitidas por alimentos em escala global.
A persistência deste patógeno em sistemas intensivos de produção avícola não representa apenas um desafio sanitário para as granjas, mas um risco direto à saúde pública.
A transmissão ocorre frequentemente através do consumo de ovos, carne e subprodutos processados, o que coloca a vigilância e o controle da Salmonella no centro das discussões de segurança alimentar (Who, 2026).
Além do impacto na saúde humana, a Salmonella é hoje considerada um importante preditor para a resistência antimicrobiana (RAM).
O uso extensivo de moléculas
antibióticas no campo tem selecionado cepas cada vez mais resistentes, limitando as opções terapêuticas e exigindo uma mudança de paradigma: a transição do tratamento curativo para a prevenção imunológica estratégica.
O Limite dos Antibióticos e o Patógeno Intracelular
Um dos pontos críticos no controle da Salmonella reside na sua biologia. Ela é classificada como um patógeno intracelular facultativo. Isso significa que, após a invasão inicial, a bactéria tem a capacidade de sobreviver e se replicar dentro das células do hospedeiro, como os macrófagos.
Nesta fase intracelular, sem efeito sobre as salmonelas dentro das células fagocíticas, os antibióticos convencionais perdem drasticamente sua eficácia, pois a maioria não consegue atingir concentrações terapêuticas dentro do ambiente citoplasmático ou vacuolar da célula de defesa.
Além disso, evidências científicas demonstram que o uso de antibióticos pode ser contraproducente no controle da disseminação:
ao desequilibrar a microbiota intestinal, os antimicrobianos podem, na verdade, aumentar o tempo de excreção das salmonelas, prolongando o status de portador e a contaminação ambiental.
Estudos realizados por Marcq et al. (2011) evidenciam que o tratamento prévio com antibióticos (como a vancomicina) em aves desafiadas com Salmonella Typhimurium resultou na infecção e colonização de mais de 70% das aves, além de prolongar a excreção por três semanas quando comparadas ao grupo de aves desafiadas, porém não tratadas.
Salmonella
Mecanismo de Ação: Como as Vacinas
Vivas Atuam
Para que uma resposta imune seja verdadeiramente eficaz contra a Salmonella, não basta apenas a presença de anticorpos circulantes. É necessária uma orquestração complexa que começa no momento da vacinação.
As vacinas vivas são projetadas para mimetizar a infecção natural, mas sem a patogenicidade. Para desencadear essa resposta, a cepa vacinal deve ser administrada em quantidade adequada e possuir a antigenicidade necessária para que, ao ser ingerida via oral, consiga:
Transpor as barreiras gastrointestinais: resistir ao pH gástrico e às enzimas digestivas;
Fixação e Invasão: xar-se aos enterócitos e ao epitélio intestinal;
Captura e Processamento: ser capturada por células fagocíticas especializadas, como macrófagos e células dendríticas.
Uma vez no interior dessas células, o antígeno vacinal é processado e apresentado aos linfócitos T. Essa interação desencadeia uma cascata de sinais que resulta em uma resposta imune robusta e completa: a imunidade mediada por células e a imunidade de mucosa.
Resposta imune à vacina viva de Salmonella
No trato digestivo se fixam enterócitos e transpõem epitélio intestinal
As cepas vacinais são processadas e partes do antígeno são apresentadas na superfície das células fagocíticas
Os linfócitos T reconhecem os antígenos apresentados pelas células fagocíticas.
O sistema imune inato é ativado e responde com a chegada das células fagocíticas (macrófagos e células dendríticas) que capturam as cepas vacinais
Essa interação desencadeia uma série de sinais que por sua vez, temos as seguintes respostas:
Produção de IgA de mucosa (sIgA) Ativação de linfócitos T citotóxicos e sistêmicos (CD8+) de mucosa
A vacina viva é ingerida via oral
Imunidade Celular: O Reconhecimento do Inimigo Oculto
Dado que a Salmonella se esconde dentro das células, o sistema imune só é capaz de reconhecêla e eliminá-la através da resposta celular sistêmica e local. As vacinas vivas (replicantes) são reconhecidamente superiores na indução dessa resposta citotóxica (Pulendran; Ahmed, 2006).
A ativação de linfócitos T citotóxicos (CD8+) é crucial. Essas células identificam as células do hospedeiro que abrigam o patógeno e promovem sua eliminação, impedindo que a bactéria se instale em órgãos internos.
Inibição da Colonização: Proteção desde o Primeiro Dia
A eficácia de uma vacina viva é frequentemente comprovada pela ausência da cepa de desafio em órgãos como fígado, baço e medula óssea, demonstrando uma proteção sistêmica real (BERNDT et al., 2006).
Imunidade de Mucosa e o Papel da IgA Secretora
A primeira linha de defesa contra a invasão é a mucosa intestinal. A proteção neste nível é mediada predominantemente pela IgA secretora (sIgA).
Diferente de outros anticorpos que podem promover processos inflamatórios, a sIgA atua de forma não inflamatória, bloqueando a aderência e a invasão da Salmonella antes mesmo que ela atravesse o epitélio (Brandtzaeg, 2007).
Um diferencial exclusivo das vacinas vivas é o fenômeno da inibição da colonização (ou exclusão competitiva por cepa específica). Ao serem administradas no primeiro dia de vida, as cepas vacinais ocupam rapidamente os receptores nos enterócitos.
Essa ocupação física e a competição por nutrientes impedem que salmonelas de campo, encontradas no ambiente da granja, consigam se fixar e colonizar o trato digestório das aves jovens. Segundo Barrow (2014), essa proteção precoce é um pilar fundamental para estabelecer um lote sanitariamente seguro desde o alojamento.
Conclusão
O controle efetivo da Salmonella na avicultura moderna exige ferramentas que acompanhem a complexidade do patógeno. As vacinas vivas não são apenas uma alternativa aos antibióticos; elas representam a tecnologia mais completa para induzir uma resposta imune que combina o bloqueio de mucosa (sIgA), a inibição da colonização. e a eliminação de células infectas (CD8+).
Ao investir em prevenção vacinal, a indústria não apenas protege a saúde das aves e a viabilidade econômica do negócio, mas reafirma seu compromisso com a produção de alimentos seguros e a redução da resistência antimicrobiana global.
Referências Bibliográficas sob consulta junto ao autor
Vacinas Vivas de Salmonella: A ciência da proteção e o futuro da segurança alimentar na avicultura
BAIXAR EM PDF
Papo de granja
OS SEGREDOS DO MANEJO DE INVERNO SOB O OLHAR DE QUEM ESTÁ NO CAMPO
Com a chegada das baixas temperaturas, a avicultura de corte enfrenta um dos seus períodos mais desafiadores. No chão de fábrica — ou melhor, no chão do galpão —, o inverno exige do avicultor uma precisão cirúrgica:
Como proteger as aves do frio lá fora sem transformar o ambiente interno em uma armadilha de gases e umidade?
Tainara Dornelas1, Angela Oliveira Lubacheviski2 e Dionatan Lubacheviski2 1Coordenadora técnica aviNews Brasil 2Granja Oliveira
No "Papo de Granja" dessa edição, conversamos com os especialistas da Angela Oliveira Lubacheviski e Dionatan Lubacheviski, profissionais que vivem o dia a dia da produção e compartilharam suas estratégias reais para vencer os desafios climáticos desta estação.
O Desafio da Madrugada e o Mito do "Abafamento"
O erro mais comum no inverno, segundo a equipe da Granja Oliveira, nasce justamente do medo do frio. Na tentativa de proteger o lote, muitos produtores ventilam o menos possível, focando apenas no termômetro.
É aí que mora o perigo. Sem renovação, a amônia, o CO₂ e a umidade acumulam rapidamente na altura da cama, prejudicando o lote.
"Nossa lógica não é escolher entre renovar o ar ou manter o calor; é fazer os dois ao mesmo tempo de forma controlada", explicam os produtores. Na prática, a granja trabalha com a ventilação mínima em ciclos, ajustando os tempos de liga/desliga para renovar o ar completamente, sem resfriar as aves.
O grande segredo está em entender a diferença entre a temperatura do termômetro e a sensação térmica real do animal: se houver vento direto batendo no pintinho, para ele, aquilo é frio, não importa o que diz o painel.
Já durante a madrugada onde as temperaturas caem mais ainda, o "truque", na verdade, resumese a uma rotina rígida.
Na granja Oliveira o frio não dispensa o cuidado: é preciso ir ao galpão pelo menos uma vez durante a noite para ouvir, olhar o comportamento das aves (se estão amontoadas ou espalhadas) e medir a amônia na altura da cama.
Além disso, a antecipação é fundamental: a equipe intensifica o aquecimento antes do horário mais crítico da madrugada, impedindo que a cama e as aves percam calor precocemente.
A intenção é a mesma: proteger as aves do frio extremo evitando assim as perdas produtivas e melhorando o bem-estar, mas, existem dois cenários na produção de frangos de corte:
Começo x final de lote
Nos primeiros dias, o desafio é o equilíbrio em uma linha muito fina. O pintinho ainda não regula sua própria temperatura e precisa de calor, mas o excesso de vedação acumula gases justamente na fase em que seu sistema respiratório está se formando.
Por outro lado, a falta de ventilação para retirar os gases acaba ressecando o galpão e "brigando" com o sistema de aquecimento.
“É uma linha muito fina, e é fácil errar pra qualquer um dos dois lados.”
Papo de Granja
Para vencer essa etapa, o manejo que já é comum nos aviários se intensifica: a granja Oliveira aposta em um pré-aquecimento pesado da cama antes do alojamento (já que a cama fria rouba o calor da ave a noite toda), além de um excelente vazio sanitário e manejo de muretas, afastando a cama úmida das bordas pelo menos duas vezes.
A estratégia na equipe também inclui:
Vazio sanitário eficiente;
Programação do intervalo;
Retirada de pontos úmidos;
Se houver necessidade usar produtos para ajudar a retirar a umidade excessiva;
Revolver e ventilar a cama;
Dosar a ventilação mínima.
Nos dias finais o jogo vira. A ave tá pesada, produz muito calor e muita umidade.
O desafio deixa de ser o aquecimento e passa a ser tirar umidade e calor sem criar corrente de ar frio.
Trabalhar muito bem a transição e a ventilação tipo túnel, e nos momentos mais quentes do dia ventilar muito bem, assim o mesmo vale quando as aves estão dormindo.
“É assim que retiramos a umidade do ambiente e ajudamos a secar a cama, e quando necessário realizamos o revolvimento da cama, além de manter uma pressão correta nas linhas de nipple e a altura do mesmo, para cada fase do frango.
A Arte de Manter a Cama Seca
Se no verão a preocupação é o estresse térmico, no inverno a "arte" é evitar o empastramento da cama.
Na Granja Oliveira, esse sucesso começa antes mesmo do lote chegar, com um intervalo sanitário impecável.
"Se conseguimos entrar com uma cama bem seca no alojamento, o manejo dela se torna muito mais simples", revelam.
Com o lote alojado, o trabalho com o triturador de cama motorizado é feito de forma estratégica: apenas uma vez por semana (cerca de 4 batidas ao todo no lote) e focando nos pontos críticos, minimizando o estresse dos animais.
O restante do trabalho é feito via ambiência (ventilação e aquecimento), controle de superlotação perto das entradas de ar e vigilância constante sobre os comedouros e linhas de nipple, mantendo a pressão e a altura corretas para cada fase do frango.
Em caso de vazamentos isolados, a regra é clara: cercar o local, retirar o material úmido e aplicar maravalha nova para absorção.
A Dica de Ouro do "Expert"
Para encerrar, os produtores da Granja Oliveira deixam um alerta importante para o mercado: no inverno, ventilar é tão importante quanto aquecer.
Eles lembram que muitas vezes o erro está no mais básico: O frango, mesmo jovem, elimina umidade o tempo todo pela respiração e pelas excretas. Ignorar isso achando que a cama começará e terminará o lote seca apenas por causa do vazio sanitário é custa caro, resultando em calos de pata (pododermatite), artrites e condenações no frigorífico.
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Pintinho ou frango pesado, ele está colocando umidade dentro do aviário o tempo todo. Se a ventilação não é suficiente, a amônia sobe, o CO₂ sobe, e a cama que muitas vezes começou seca, num vazio sanitário bem feito vai umedecendo durante o lote. O avicultor pensa "mas eu iniciei com cama seca, fiz um intervalo sanitário bom.” Iniciou seca, sim, mas estragou no meio do lote. Por quê? Não ventilou o necessário.
Criar no inverno — especialmente nas regiões mais frias, como o Sul do país — exige um custo um pouco mais elevado com o aquecimento e uma atenção redobrada quando o clima externo também está úmido.
Contudo, o segredo do sucesso está na dosagem: acertar as taxas de renovação e os ciclos, garante que a ave tenha ar limpo para respirar e que a produção mantenha seus índices de rentabilidade e bem-estar animal do início ao fim.
Os segredos do manejo de inverno sob o olhar de quem está no campo BAIXAR EM PDF
O EIXO INTESTINOMOTOR DA METABÓLICA E DA INTERNA NA AVICULTURA
Joan Rodríguez MV.
Responsável pelo programa GHP
LATAM para o Grupo Nuproxa
O Desafio do “Atleta Metabólico”
Na avicultura moderna, a pressão constante para maximizar o rendimento genético transformou as aves de corte e poedeiras em verdadeiros “atletas metabólicos”.
No entanto, esse crescimento acelerado impõe um desequilíbrio fisiológico crítico: a capacidade de crescimento muscular e a produção de ovos aumentaram exponencialmente, mas o desenvolvimento e a capacidade funcional dos órgãos internos coração, pulmões, fígado e intestino) muitas vezes não acompanham o mesmo ritmo.
Diante dessa realidade, o conceito de biosseguridade não pode mais se limitar apenas a fatores externos, como cercas e desinfetantes.
A abordagem atual da indústria exige que se concentre na biosseguridade interna: a capacidade fisiológica da ave de lidar com toxinas, patógenos e processos inflamatórios por meio do fortalecimento da barreira intestinal e da função desintoxicante do fígado.
Nesse cenário, o eixo intestino-fígado (EIF) surge como a infraestrutura anatômica e funcional central que determina tanto a saúde do lote quanto sua rentabilidade líquida.
Via Aferente (Veia Porta): Esta via transporta aproximadamente 70% do fluxo sanguíneo do trato gastrointestinal diretamente para o parênquima hepático. Além de ser a via principal para a entrada de nutrientes, é o canal crítico para a translocação de Padrões de Reconhecimento de Patógenos (PAMPs), endotoxinas e bactérias oportunistas caso a barreira intestinal seja comprometida.
Via Eferente (Via Biliar): Constitui o mecanismo de controle homeostático do fígado. Por meio da secreção de ácidos biliares, metabólitos e imunoglobulina A (IgA), o fígado facilita a digestão lipídica, regula a microbiota intestinal e reforça a imunidade da mucosa.
Anatomia e Mecanismos do Eixo Intestino-Fígado
O intestino e o fígado não operam de forma isolada, mas estão conectados por uma via bidirecional constante que funciona como um filtro seletivo de alta precisão. Neste sistema, o intestino atua como o filtro seletivo primário e o fígado opera como um “firewall” metabólico e centro de desintoxicação.
A arquitetura desse eixo divide-se em duas vias críticas:
Biossegurança Interna: O intestino funciona como o filtro seletivo primário; o fígado opera como o ‘firewall metabólico e centro principal de desintoxicação.
Fonte: Joan Rodríguez MV, 2026
A fisiopatologia do “Leaky Gut” e da barreira intestinal
O epitélio intestinal representa a maior superfície de contato da ave com o ambiente externo e possui uma função dupla: deve ser suficientemente permeável para absorver nutrientes essenciais, mas hermético para bloquear antígenos.
Nutrição avícola
A estabilidade estrutural dessa barreira depende do Complexo de Junções Apertadas (Tight Junctions), composto por proteínas de estrutura (ZO-1, ZO-2) e proteínas transmembranares (Claudinas, Ocludinas).
Essa falha provoca uma cascata sistêmica destrutiva:
Quando essas junções intercelulares colapsam diante de fatores estressantes, desencadeia-se a síndrome do intestino permeável ou leaky gut.
Fonte: Joan Rodríguez MV, 2026
Principais fatores disruptivos na produção
AFalha de Vedação e Invasão: A estrutura de suporte intercelular do epitélio entra em colapso, permitindo que bactérias (como E. coli ou Salmonella) e lipopolissacarídeos (LPS) atravessem a barreira.
C B
In ltração Portal: A toxicidade utiliza a veia porta como via direta para o parênquima hepático.
Tempestade imunológica: Os receptores TLR-4 das células de Kup er no fígado detectam a invasão e desencadeiam uma liberação maciça de citocinas pró-in amatórias (TNF-α e IL-6).
O dano tecidual neste sistema decorre de diversos fatores de estresse produtivo e patológico:
Fator de Estresse Mecanismo de dano tecidual específico
Micotoxinas (DON, T-2) Inibição da síntese proteica; dano cáustico direto no epitélio e na língua.
Micotoxinas mascaradas
Bioativação intestinal por meio da enzima bacteriana beta-glicosidase, gerando alta citotoxicidade no intestino distal.
Coccídios (Eimeria) Destruição física intracelular dos enterócitos e roubo de colesterol epitelial.
Estresse térmico Gera hipóxia intestinal devido à redistribuição do fluxo sanguíneo para a periferia da ave.
Fatores antinutricionais (FANs)
Rompe a harmonia do eixo, causando danos à mucosa (aumento da viscosidade do quimo, peroxidação), fermentação tóxica e esgotamento das reservas hepáticas de glutationa (GSH).
Impacto Bioeconômico no Campo
O “Imposto Imunológico” e a Conversão Alimentar
A ativação imunológica crônica resultante da passagem de patógenos para o fígado impõe um custo metabólico severo. O metabolismo da ave abandona o crescimento muscular para priorizar sua sobrevivência.
Esse gasto energético pode absorver até 10% da energia líquida da dieta e gera uma demanda maciça de aminoácidos sulfurados (metionina e cisteína), que são desviados da síntese de carne ou ovo para a produção de glutationa para processos de desintoxicação.
O resultado direto no lote é um impacto severo na conversão alimentar (FCR), evidenciando o consumo de ração sem o correspondente ganho de peso (BW36).
A Pigmentação como Bioindicador do Eixo
Na prática, a pigmentação da pele ou da gema não é um processo isolado ou meramente estético; é um bioindicador preciso da saúde do eixo intestino-fígado. Esse processo depende de uma logística proteica:
Entrada (Intestino): A proteína ApoB48 retira o pigmento assimilado no intestino e o transporta para o fígado por meio de quilomicrons. Se houver dano intestinal (enterite), a síntese de ApoB48 cai drasticamente, o pigmento não é absorvido e o resultado visível são aves pálidas e camas gordurosas.
Distribuição (Fígado): A proteína ApoB100 recolhe o pigmento no fígado e o transfere para a pele por meio de lipoproteínas. Se o fígado sofrer congestão (por micotoxinas ou fígado gorduroso), a síntese de ApoB100 falha, deixando o pigmento “retido”.
Isso é diagnosticado em necropsias como fígados amarelados/gordurosos e aves externamente pálidas.
Soluções Aplicadas: Modulação e Nutrigenômica
Dado o custo metabólico de um eixo disfuncional, as intervenções de Biosseguridade interna devem abranger tanto a estrutura intestinal quanto a funcionalidade hepática, buscando a “Sincronia Metabólica”.
Fonte: Joan Rodríguez MV, 2026
Nutrição avícola
Modulação Intestinal Estrutural: O uso de complexos fitomoleculares (como aqueles à base de Acacia concinna e Saccharum officinarum, por exemplo, PeptaSan) compensa a fragilidade da mucosa e promove a eubiosis.
Polifenóis, saponinas e terpenóides atuam fortalecendo as junções estreitas, reduzindo a carga de antígenos, modulando o estresse oxidativo pela via Nrf2 e interferindo no ciclo de protozoários (Eimerias).
Ativação Nutrigenômica Hepática: O fígado requer um suporte além da proteção passiva. O uso de plantas selecionadas (por exemplo, tecnologia ANH da LivoLiv) estimula geneticamente a regeneração dos hepatócitos e modula as vias bioquímicas:
Otimização da Desintoxicação: Modula a Fase I (Citocromo P450), evitando o excesso de radicais livres, e potência a Fase II de conjugação, aumentando enzimas como a Glutationa S-transferase para facilitar a excreção biliar de toxinas.
Defesa endógena e uxo biliar: ativa a síntese de catalase e superóxido dismutase (SOD), ao mesmo tempo em que otimiza as ações coleréticas e colagogas para prevenir a esteatose hepática e garantir a correta digestão das gorduras.
proteção proativa do Eixo IntestinoFígado são fundamentais para manter a homeostase diante das pressões ambientais e patológicas.
A adoção de estratégias de nutrição funcional que preservem a integridade das junções estreitas intestinais e promovam a desintoxicação nutrigenômica hepática oferece aos produtores um caminho robusto, rentável e mensurável para alcançar o potencial genético de suas aves de maneira sustentável.
O Eixo Intestino-Fígado: O Motor da Eficiência Metabólica e da Biosseguridade Interna na Avicultura BAIXAR EM PDF
Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor
MONITORIA SOROLÓGICA DE PINTINHOS: O QUE NÃO ESTAMOS VENDO?
Equipe Técnica Boehringer Ingelheim
Amonitoria de fatores de risco para importantes doenças imunossupressoras como
Gumboro e anemia infecciosa deve fazer parte do programa de biosseguridade do frango de corte, sendo um componente indiretamente utilizado para monitorar a qualidade de vacinação nas matrizes.
Essa correspondência entre respostas da matriz com impacto no frango é fundamental, pois a cadeia produtiva é integrada.
Dentre as diferentes ferramentas de monitoria, faz-se essencial o conhecimento do nível de anticorpos maternos que são transferidos a progênie e suas variações, principalmente para doenças como Gumboro e anemia infecciosa, importantes agentes imunossupressores que podem comprometer severamente a imunidade dos animais, abrindo portas para instalação de agentes infecciosos secundários, com grande impacto na produtividade.
Na Boehringer Ingelheim realizamos o acompanhamento sanitário para diferentes doenças, e a sorologia de pintinhos para anemia infecciosa e Gumboro faz parte de um programa sistemático de monitorias ativas.
Em nosso banco de dados, 289 e 270 lotes de pintinhos monitorados para título de anticorpos maternos para anemia infecciosa e Gumboro, respectivamente, contribuíram para o entendimento dos fatores de risco inerentes a baixa proteção passiva com a qual pintinhos possam ser alojados nos diversos ambientes, variados em qualidade de ambiência bem como pressão de infecção.
Nesta análise, entende-se que os títulos médios são importantes para a compreensão geral do status de proteção, mas é preciso ir além. As oportunidades residem nos detalhes, e os diversos resultados individuais de uma mesma população, devem ser considerados para uma análise mais ampla.
Os lotes de pintinhos aqui analisados para anticorpos maternos foram divididos por idade, nas faixas de 20 a 30 semanas, 31 a 45 semanas e 46 a 70 semanas. A sorologia foi realizada com kit Idexx, tanto para Gumboro quanto anemia infecciosa.
ANEMIA INFECCIOSA
Os resultados dos títulos de anticorpos para anemia infecciosa são organizados em cinco grupos, de 0 a 4. Quanto maior o número do grupo, maior é a quantidade de anticorpos naquelas amostras.
As progênies analisadas pouco diferem com a idade no padrão de distribuição dos grupos sorológicos, pois apresentam amostras em todos os níveis.
Porém, nota-se que o percentual de aves no grupo 4 reduz de 40% para 30% com o avançar da idade da matriz, aumentando assim a quantidade de aves no grupo 0, de 10% para quase 20%. Há, portanto, um impacto importante da idade das aves na resposta de anticorpos gerada e transferida a progênie.
Com o avançar da idade, o percentual de pintinhos sem proteção de anticorpo materno aumenta – gerando um fator de risco para um importante agente imunossupressor.
No entanto, é interessante notar que mesmo na classe de matrizes mais jovens, há um percentual de pintinhos que não apresentam anticorpos maternos.
Grupos sorológicos CAV 20 a 30 sem
GUMBORO
Ao analisarmos o título médio de anticorpos na progênie para o vírus de Gumboro vemos uma tendência de redução dos títulos à medida que avança a idade da matriz. A redução chega a ser de 13% de 20 a 70 semanas de idade.
Título médio de IBD 4,500 4,400 4,300 4,200 4,100 4,000 3,900 3,800 3,700 3,600 3,500 20 a 30 sem
46 a 70 sem 31 a 45 sem
Figura 2. Média geométrica de títulos de anticorpos para Gumboro (Idexx) em pintinho, de acordo com a faixa de idade das matrizes
Embora a redução não pareça ser significativa, devemos nos preocupar com a distribuição dos títulos individuais em uma amostra da população.
Figura 1. Distribuição percentual de amostras sorológicas de pintinhos de acordo com o grupo sorológico (Idexx) e classe de idade das matrizes. A) 20 a 30 semanas, B) 31 a 45 semanas e C) 46 a 70 semanas.
Mais do que verificar a média geométrica dos títulos de anticorpos deve-se atentar ao percentual de pintinhos com baixo níveis de anticorpos – e que serão alojados em um mesmo ambiente juntamente com animais com excelentes níveis de anticorpos, o que pode levar a uma desuniformidade da proteção contra desafios precoces, e assim abrir portas para disseminação de vírus imunossupressores em uma idade tão comprometedora.
Ao verificarmos a distribuição dos títulos mínimos de cada um dos 270 lotes analisados vemos que há ampla variação. Essa variação é decorrente de fatores inerentes a cada lote de matriz, compreendendo plano de vacinação e status sanitário.
O que chama atenção é que, independentemente da faixa de idade das matrizes existem lotes de pintinhos que vão a campo com pelo menos um animal sem proteção de anticorpo materno. Em número de amostras dentro dos lotes a presença de amostras negativas pode chegar a 20%.
A ausência de anticorpos maternos para proteção contra Gumboro é um fator de risco que deve ser considerado nas estratégias de controle da doença, em qualquer época do ano e região geográfica.
Quando analisamos as faixas etárias de matrizes notamos que em lotes de matrizes de 20 a 30 semanas, 9,4% (5/53) dos lotes apresentavam pelo menos uma amostra de pintinho negativa para presença de anticorpo.
Percentual que aumenta com o decorrer da idade da matriz, sendo de 15,9% (18/113) para matrizes com 31 a 45 semanas e de 16,3% (17/104) nas matrizes entre 46 e 70 semanas.
Com o passar da idade, além dos títulos médios de anticorpos transferidos da matriz para a progênie decaírem, o percentual de animais sem anticorpos maternos tende a aumentar, elevando o risco de infecções precoces.
Figura 3. Dispersão dos títulos sorológicos mínimos por lote de pintinhos de acordo com a faixa etária da matriz. A) 20 a 30 semanas, B) 31 a 45 semanas e C) 46 a 70 semanas.
Pensar em cobertura da proteção por anticorpos maternos para importantes doenças imunossupressoras deve fazer parte do programa de biosseguridade em cadeia.
Diferentes medidas são tomadas para reduzir a pressão de infecção a campo, o que somado com melhores barreiras de defesa contribuem para a sanidade dos plantéis, possibilitando aos animais condições de atingirem o potencial de ganhos zootécnicos.
CONCLUSÃO
A definição dos programas vacinais precisa levar em conta não só os produtos, mas sua correta aplicação.
Auditar os processos vacinais tanto no incubatório quanto a campo garante que as vacinas sejam utilizadas corretamente – o que pode ser monitorado rotineiramente através de medidas simples como sorologia, por exemplo.
A resposta vacinal em matrizes deve compreender não somente a proteção do animal em si, mas o impacto na cadeia do frango de corte.
A limitação da qualidade de proteção com o avançar da idade das matrizes é fisiológica, portanto, preconizar programas vacinais robustos que promovam altos e uniformes títulos nas idades produtivas iniciais da matriz ajuda a minimizar o impacto, visando aumentar também os anticorpos passados a progênie.
O uso de vacinas vetorizadas para Gumboro com HVT, por exemplo, contribui para que o sistema imunológico da ave seja estimulado por toda sua vida produtiva e, assim, mantendo títulos de anticorpos altos e uniformes na matriz e na progênie independentemente da idade.
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INCUBAFÓRUM 2026
REFORÇA IMPORTÂNCIA DA INCUBAÇÃO
NA MAXIMIZAÇÃO DO
DESEMPENHO PRODUTIVO
Especialistas discutiram ferramentas e estratégias para otimizar o desempenho dos incubatórios, com foco em sexagem, qualidade de dados, biosseguridade, automação e Inteligência Artificial
aviNews Brasil
Durante décadas, a competitividade da avicultura brasileira foi sustentada por fatores como disponibilidade de grãos, escala produtiva, sanidade e eficiência industrial.
No entanto, as discussões apresentadas no incubaFÓRUM 2026 apontaram para uma importante mudança de paradigma, a próxima fronteira dos ganhos produtivos e econômicos está sendo construída muito antes da granja comercial ou do frigorífico. Ela começa no incubatório.
Ao reunir especialistas, pesquisadores e lideranças do setor, o evento evidenciou que a incubação deixou de ser apenas uma etapa operacional para assumir papel estratégico na construção do desempenho zootécnico, da biosseguridade, da qualidade do pintinho e da rentabilidade da cadeia. Mais do que produzir aves, os incubatórios passaram a influenciar diretamente os resultados finais da produção.
A incubação começa antes mesmo da postura
Uma das principais mensagens reforçadas ao longo do evento foi a necessidade de ampliar a visão sobre o processo incubatório. A qualidade do pintinho não começa quando o ovo entra na incubadora, mas ainda na granja de matrizes.
Ao abordar os fatores que determinam a viabilidade embrionária, Felipe Kroetz Neto, especialista em incubação de ovos com mais de 20 anos de experiência no setor avícola e fundador da Inova Hatch, palestrou sobre, “Manejo dos ovos da postura à incubação: Conhecimento essencial que garante o sucesso da incubação”, destacou que o desenvolvimento do embrião se inicia ainda dentro da ave e pode ser comprometido por falhas de manejo, armazenamento ou transporte.
“Ovo de qualidade precisa ser observado desde a temperatura nas incubadoras, manejo e transporte desses ovos, de seus locais de origem”, afirmou.
Em, “O impacto da qualidade do sêmen na taxa de eclosão”, a mesma lógica foi reforçada por Gabriel Novaes, especialista em reprodução de aves da Cobb-Vantress, ao recorrer a pesquisas científicas para demonstrar que fertilidade e eclosão não são sinônimos.
Segundo ele, um lote pode apresentar elevada fertilidade e, ainda assim, registrar perdas significativas relacionadas à qualidade seminal.
“Muitas vezes a gente vê uma boa fertilidade e baixa eclosão e considerável quantidade de mortalidade inicial. A gente se preocupa apenas com a questão de transporte de ovo, armazenamento, processo inicial de incubação, mas, na verdade, esse problema também pode vir da granja, da quantidade e da qualidade do sêmen”, afirmou Novaes.
O especialista explicou que o ovo das aves necessita da penetração de aproximadamente 30 a 60 espermatozoides para ativar o desenvolvimento embrionário. Desses, apenas um realiza a fecundação, enquanto os demais fornecem fatores genéticos essenciais para estimular o início do desenvolvimento.
Os estudos apresentados por Novaes demonstram que os impactos da qualidade seminal sobre a incubação não representam um problema sem solução, mas sim um desafio que exige manejo integrado e preventivo nas granjas.
Entre as estratégias discutidas estão a suplementação de antioxidantes na ração, visando proteger testículos e espermatozoides do estresse oxidativo, e o uso de produtos capazes de estimular a produção de andrógenos e testosterona, favorecendo a libido dos galos.
O objetivo é reduzir os efeitos negativos do envelhecimento e das condições do ambiente reprodutivo sobre a fertilidade dos lotes.
Uniformidade e tecnologia contra o efeito “bola de neve”
A discussão avançou para a relação entre incubação, variabilidade dos lotes e eficiência produtiva.
Eduardo Romanini, especialista em incubação no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Petersime, palestrou sobre “Impacto de uma má janela de nascimento: Por que um lote homogêneo é vital?”, chamou atenção para o chamado “efeito bola de neve”, fenômeno em que pequenos desvios ocorridos nas fases iniciais do processo são amplificados ao longo da vida produtiva das aves.
“O incubatório é uma das poucas etapas da cadeia onde ainda é possível reduzir a variabilidade. Quando erramos no início do processo, criamos um efeito bola de neve que
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A análise do especialista reforça uma tendência cada vez mais presente na avicultura moderna, na qual a redução de perdas deixou de significar apenas corrigir problemas. O foco agora está na capacidade de prever e prevenir gargalos antes, que se transformam em prejuízos produtivos.
Para conferir os principais trechos da palestra de Eduardo Romanini, direcione a câmera do seu celular ao QR Code.
Nesse contexto, a tecnologia assume papel central. Segundo Adriano Bailos, consultor especializado em climatização, automação e gestão de custos, palestrou no incubaFÓRUM a convite da Coopermaq.
Para Bailos, a incubação moderna depende da integração entre climatização, automação, monitoramento ambiental e gestão de dados.
“A incubação moderna é um caminho sem volta. Não basta apenas incubar ovos; é preciso gerenciar uma série de fatores interligados, como temperatura, ventilação, umidade, CO₂, climatização e automação”, destacou.
Bailos, em sua palestra, “Incubação moderna e seus impactos na qualidade do pintinho e na vida frango”, defende a ideia de que os incubatórios assumem papel decisivo na construção da eficiência produtiva da avicultura moderna.
“O incubatório participa de praticamente tudo o que acontece na vida do frango. Ele pode comprometer um trabalho que começou na matriz ou potencializar os resultados que serão obtidos no campo e no abatedouro. Por isso, investir em incubação moderna é investir diretamente na eficiência e na competitividade da produção avícola”, ressaltou Adriano Bailos.
Para conferir os principais trechos da palestra de Adriano Bailos, direcione a câmera do seu celular ao QR Code.
Ainda dentro da discussão sobre intervenções precoces capazes de reduzir variabilidade e melhorar desempenho, a pesquisadora Isabel Cristina Boleli abordou a programação fetal como estratégia de manejo.
“A programação fetal na avicultura consiste em utilizar estímulos ambientais durante a fase fetal do embrião para induzir adaptações fisiológicas, morfológicas e comportamentais que podem acompanhar a ave ao longo da vida. No entanto, sua aplicação prática ainda exige muitos estudos, pois os resultados dependem de inúmeras variáveis e precisam ser avaliados sem comprometer indicadores essenciais como eclodibilidade, qualidade dos pintinhos, desempenho produtivo e qualidade da carne”, destacou.
Quando cada ponto percentual faz diferença
Se os debates técnicos mostraram o potencial da incubação para gerar resultados, a mesa diretiva do evento ampliou a discussão para a competitividade da avicultura brasileira como um todo.
Sob mediação de José Antônio Ribas, representantes de diferentes segmentos da cadeia discutiram os desafios enfrentados pelo setor em um cenário marcado pelo aumento dos custos, restrições logísticas, escassez de mão de obra e maior concorrência internacional.
“Estamos perdendo competitividade e nossos spreads acabaram. Hoje não temos mais espaço para errar”, alertou Ribas.
Ao longo do debate, os participantes convergem na afirmação de que o Brasil segue ocupando posição de destaque no mercado mundial, mas as vantagens históricas que sustentaram esse crescimento vêm diminuindo. “Os subsídios acabaram e não temos mais espaço para errar. Cada ponto percentual de eficiência passou a fazer diferença”, afirmou Adriano Bailos.
Nesse contexto, a incubação deixa de ser apenas uma etapa produtiva e passa a representar uma oportunidade concreta de ganho de competitividade.
Segundo Cristiano Pereira, falhas durante o desenvolvimento embrionário podem impactar aspectos locomotores, cardiovasculares, hormonais e até mesmo a qualidade final da carne. “A incubação não pode mais ser analisada isoladamente”, ressaltou.
Biosseguridade, automação e pessoas como pilares da próxima década
O incubaFÓRUM ampliou ainda mais a visão sistêmica dos incubatórios ao conectar biosseguridade, automação, vacinação e gestão de pessoas. Thomas Calil, médico-veterinário e especialista em processos incubatórios, palestrou sobre “Contaminações no incubatório: conceitos e medidas práticas de mitigação”, chamou atenção para um erro recorrente dentro dos incubatórios: confundir higienização com desinfecção.
Segundo ele, a eficiência sanitária depende da combinação entre infraestrutura adequada, protocolos corretos e rigor operacional.
“Espuma, enxágue e secagem não significam desinfecção. Para que a desinfecção aconteça de fato, é preciso combinar potência, temperatura, produto e tempo de ação. Muitas vezes vemos processos em que o desinfetante é aplicado e removido imediatamente, sem respeitar o período necessário para eliminar os microrganismos. Sem tempo de contato, não existe desinfecção efetiva”, explicou.
Complementando a discussão com a palestra, “Protocolos de desinfecção e sanitização de ovos incubáveis”, Luciano Keske, consultor técnico na área de avicultura, destacou que a higiene de todos os ambientes incubatórios começa muito antes da chegada dos ovos.
Ninhos limpos, troca periódica da cama, coleta frequente — entre seis e oito vezes ao dia — e rigor nos procedimentos de higiene envolvendo mãos, bandejas e equipamentos são medidas fundamentais para reduzir a carga microbiana presente na casca dos ovos.
“Um ovo recém-posto apresenta cerca de 300 bactérias por centímetro quadrado na superfície da casca. Já um ovo sujo pode ultrapassar 300 mil bactérias por centímetro quadrado”, afirmou.
Salas de processamento sob foco:
controle sanitário e eficiência operacional
A necessidade de fortalecer protocolos de biosseguridade dentro dos incubatórios, foi tema recorrente durante o incubaFÓRUM.
Convidado pela Viscon Group para palestrar no evento, Eduardo Costa, médico-veterinário e consultor reconhecido no setor avícola, chamou atenção, em sua apresentação “Critérios para desenho e manutenção de salas de processamento, a fim de minimizar o estresse e a exposição a patógenos”, para a importância de reduzir a exposição dos pintinhos a patógenos ao longo do processo incubatório.
Entre os pontos destacados, o especialista ressaltou que o laboratório de vacinas deve ser considerado o ambiente mais limpo de toda a planta, exigindo rigor absoluto nos protocolos sanitários.
“Muitas vezes o problema não começa na incubadora, mas na sala de processamento. Podemos fazer todo o trabalho corretamente durante a incubação e perder qualidade por falhas de projeto, manejo ou logística nessa etapa final”, disse.
Para Costa, há um agravante que pode sensibilizar, ainda mais o setor, a falta de mão de obra.
“Hoje, cerca de 60% a 70% da necessidade de mão de obra do incubatório está concentrada na sala de processamento, justamente o setor mais impactado pela escassez de profissionais. Por isso, a automação deixou de ser apenas uma questão de retorno sobre investimento e passou a ser uma necessidade operacional.
Em muitos casos, não se trata mais de escolher entre automatizar ou não; trata-se de conseguir processar os pintinhos com qualidade e regularidade”, Concluiu.
Para conferir os principais trechos da palestra de Eduardo Costa, direcione a câmera do seu celular ao QR Code.
A preocupação com os desafios sanitários também foi reforçada por Paulo Raffi em, “Biosseguridade: riscos emergentes e barreiras baseadas em evidência”, o sócioproprietário da plataforma biosseguridade.com apresentou dados sobre o aumento da pressão global da Influenza Aviária.
“O risco sanitário da avicultura não diminuiu; ele aumentou e se tornou mais complexo. Hoje não basta ter procedimentos escritos ou infraestrutura adequada. É preciso medir, quantificar e gerenciar o risco continuamente”, destacou.
Automação e capital humano como combinação que sustenta a excelência
incubatória
A automação apareceu como outro eixo estratégico para os incubatórios do futuro. Sandro Leite, gerente de vendas Latam pela Innovatec Hatchery Automation BV, em sua palestra, “Novas tecnologias em automação e processo de incubação: esse investimento vale a pena?”, observou que praticamente todo o fluxo logístico dessas operações podem ser modernizadas. “Hoje, praticamente tudo dentro do fluxo logístico do incubatório pode ser automatizado”, afirmou.
Segundo ele, a automação reduz a manipulação excessiva, minimiza danos físicos aos ovos e amplia significativamente a capacidade de controle de qualidade.
“Não precisamos trabalhar apenas com inspeções por amostragem. Sistemas automatizados conseguem identificar ovos trincados, sujos, câmaras de ar mal posicionadas e outros desvios em 100% do lote”, explicou.
Para conferir os principais trechos da palestra de Sandro Leite, direcione a câmera do seu celular ao QR Code.
Apesar dos avanços tecnológicos, os especialistas concordaram que o fator humano continua sendo determinante para o sucesso dos processos.
A escassez de mão de obra foi um tema bastante citado durante os dois dias de evento. Jumara Ticiano, responsável técnica pelos incubatórios de matrizes de corte do Grupo Alvorada, em “Como a gestão de equipe define a qualidade do pintinho”, lembrou que a qualidade dos processos depende de diversos fatores, por vezes, minimizados nos planejamentos operacionais.
“A qualidade do pintinho não depende apenas de temperatura, umidade ou tecnologia de incubação. Existe um fator que conecta todos esses processos: as pessoas”, ressaltou.
Sexagem in ovo e precisão embrionária impulsionam a nova era da incubação
Na palestra, “Da inovação à implementação: Como a sexagem in ovo está moldando o futuro da produção de ovos”, a mesma preocupação foi retomada por Gabriela Menin, especialista em estratégia, tecnologia e inovação aplicada à produção animal e líder das iniciativas para a América Latina da Innovate Animal Ag.
Ao abordar a sexagem in ovo, ela destacou que a tecnologia surge como alternativa para enfrentar um dos principais desafios da produção de ovos comerciais, a crescente dificuldade de contratação e retenção de mão de obra.
“A sexagem in ovo surge como uma solução para um dos principais desafios da produção de ovos comerciais: a identificação precoce do sexo dos embriões ainda durante a incubação. Além de reduzir a dependência de mão de obra, ela aumenta a eficiência operacional dos incubatórios”, explicou.
Ao se destacar o uso da tecnologia pensada na eficácia, Christopher Gomes, médico veterinário e especialista em vacinação in ovo da Zoetis, apresentou aspectos técnicos relacionados à eficácia vacinal em sua palestra, “Embriologia na prática: como o estágio de desenvolvimento garante eficácia vacinal in ovo” e destacou a importância do estágio de desenvolvimento embrionário para o sucesso do procedimento.
"A eficácia da vacinação in ovo está diretamente relacionada ao estágio de desenvolvimento embrionário. À medida que o embrião se desenvolve, ocorre a redução dos líquidos embrionários e o aumento do volume corporal, elevando a probabilidade de a vacina ser depositada no líquido amniótico ou no próprio corpo do embrião, que são os locais capazes de gerar a resposta imunológica desejada. Por isso, além da idade cronológica de incubação, é fundamental monitorar a idade fisiológica do embrião no momento da transferência’, explicou.
As informações técnicas trazidas por Gomes, convergiram com os dados apresentados pela pesquisadora Dra. Isabel Cristina Boleli, no primeiro dia do incubaFÓRUM, quanto a eficácia atrelada às fases da incubação. De acordo com Gomes, a eficiência da vacinação está diretamente associada ao momento em que ela é realizada.
Quanto mais avançado estiver o desenvolvimento do embrião dentro dos parâmetros recomendados, maior tende a ser a resposta vacinal. "A vacinação in ovo exige precisão biológica. Não basta considerar apenas as horas de incubação; é necessário avaliar o estágio de desenvolvimento do embrião. Quanto mais próximo do estágio fisiológico ideal, maior a chance de a vacina atingir os compartimentos corretos e entregar os níveis de proteção esperados para o pintinho”, concluiu Christopher.
Para conferir os principais trechos da palestra de Christopher Gomes direcione a câmera do seu celular ao QR Code.
O futuro da avicultura começa no ovo
A quinta edição do incubaFÓRUM abriu a ‘Caixa de Pandora’ da avicultura, elucidando o que já se suspeitava, mas não se confirmava na cadeia de processos, a incubação moderna deixou de ser uma atividade focada apenas no nascimento e passou a ocupar posição estratégica dentro da cadeia produtiva.
Os debates mostraram que fertilidade, desenvolvimento embrionário, biosseguridade, vacinação, automação, inteligência artificial e gestão de pessoas não são temas isolados. São partes de um mesmo sistema, interligado e cada vez mais determinante para a competitividade do setor.
Em um ambiente de margens mais apertadas e exigências crescentes, produzir mais não será suficiente. O diferencial estará na capacidade de produzir com previsibilidade, rastreabilidade, eficiência e controle desde o início da vida da ave.
Afinal, o futuro da avicultura começa no
ovo!
incubaFÓRUM 2026 reforça importância da incubação na maximização do desempenho produtivo BAIXAR EM PDF
INFLUÊNCIA DA AMBIÊNCIA NA PREVALÊNCIA DA SÍNDROME ASCÍTICA
Kenes Leonel de Morais Castro Consultor de serviços técnicos Aves na Agroceres Multimix.
Amoderna avicultura industrial é caracterizada por linhagens genéticas de rápido crescimento e alta conversão alimentar. No entanto, esse progresso fisiológico aumentou a suscetibilidade dos frangos a distúrbios metabólicos, especialmente à síndrome ascítica (LARA; ROSTAGNO, 2022).
Essa síndrome, também conhecida como ascite, ocorre quando o fornecimento de oxigênio é insuficiente para suprir a elevada demanda metabólica das aves em crescimento acelerado, resultando em sobrecarga cardíaca (WIDEMAN, 2016).
Entre os fatores predisponentes, a ambiência desempenha papel central, influenciando diretamente a fisiologia respiratória e cardiovascular dos animais (ABREU; ABREU, 2013).
Resposta Cardiovascular (Coração)
Insu ciência Cardíaca
Insu ciência
Respiratória (Pulmão)
Hipóxía Inicial (Pulmão)
Direita (Coração) Extravasamento de Plasma (Ascite) (Abdomen)
Fisiopatologia da Síndrome Ascítica
A síndrome ascítica tem como base a hipertensão pulmonar progressiva, desencadeada principalmente pela hipóxia tecidual crônica.
Esse processo fisiopatológico aumenta a resistência vascular pulmonar e à hipertrofia do ventrículo direito, culminando em insuficiência cardíaca com consequente a cúmulo de fluido na cavidade abdominal e apresenta custo fisiológico elevado (JULIAN, 2000; WIDEMAN, 2016).
O aumento da resistência vascular pulmonar causa elevação da pressão nas artérias pulmonares, o que pode resultar em ruptura de capilares e extravasamento do plasma.
Alterações estruturais no sistema cardiopulmonar podem ter início ainda na fase embrionária, sendo agravadas por fatores ambientais adversos no período póseclosão (ABREU; ABREU, 2013).
Fases da Fisiopatologia da Síndrome Ascítica:
Hipóxia Inicial
Resposta Cardiovascular
Insuficiência
Cardíaca Direita
Extravasamento de Plasma (Ascite)
Insuficiência Respiratória e Mortalidade
Deficiência de oxigênio tecidual por fatores ambientais ou incubacionais.
Hipertensão pulmonar e hipertrofia do ventrículo direito.
Aumento do esforço respiratório; metabolismo aeróbico limitado.
Sobrecarga do ventrículo direito; aumento da pressão arterial pulmonar.
Comprometimento da função cardíaca. Congestão venosa, aumento da pressão venosa sistêmica.
Pressão capilar elevada e extravasamento para a cavidade abdominal.
Comprometimento progressivo da troca gasosa.
Acúmulo de líquido abdominal (ascite); edema abdominal visível.
Fraqueza, apatia, morte dos animais afetados.
Fatores Ambientais Determinantes
O ambiente no qual os frangos são incubados e criados exerce grande influência significativa na ocorrência da síndrome ascítica.
Durante a incubação, especialmente entre o 18º e o 21º dia, quando o embrião passa a respirar ar atmosférico por meio do sistema pulmonar (JULIAN, 2000; ABREU, ABREU, 2013), a ventilação inadequada, principalmente por acúmulo de CO² e baixa taxa de oxigênio pode resultar em hipóxia embrionária, devido à dificuldade da troca de ar entre embrião e ambiente, comprometendo o desenvolvimento pulmonar e cardíaco (LARA; ROSTAGNO, 2022).
Resumo prático:
Parâmetro
Temperatura (casca do ovo)
Além disso, temperaturas acima de 38,3 °C no nascedouro elevam o metabolismo basal, exacerbando a demanda por oxigênio e predispondo à hipertensão pulmonar (ABREU; ABREU, 2013).
Recomendação de 18º a 21º dia incubação
Redução progressivamente de 37,2 °C para 36,8 °C entre o 18º e o 21º dia.
CO₂ < 3.000 ppm
Umidade relativa 65–70%
Ventilação Alta renovação, sem correntes diretas
Monitoramento Contínuo e automático (IoT, IA)
No aviário, a ventilação inadequada eleva as concentrações de CO² e amônia, agravando a hipóxia e promovendo inflamação crônica nas vias respiratórias (WIDEMAN, 2016).
A superlotação intensifica esses efeitos ao dificultar a dissipação térmica, compromete a qualidade do ar e aumenta o estresse favorecendo a incidência da doença (JULIAN, 2000).
O fato em que na maioria das vezes só nos atentamos pela temperatura desejada no alojamento pode determinar a falta de sucesso na criação.
A não utilização de sensores para aferir estes gases, levam a erros cruciais na qualidade do ar fornecido as aves e consequentemente ocasionam danos ao sistema cardiovascular.
Aves adultas predispostas a fatores de alta temperatura e não controle da umidade também acabam por agravar o quadro já existente.
Estratégias de Prevenção Baseadas em Ambiência de Precisão
A ambiência de precisão atua de forma preventiva, antecipando distúrbios térmicos e realizando ajustes automáticos em sistemas de ventilação, aquecimento e nebulização (LIU et al., 2021).
Essas tecnologias contribuem para:
O uso de tecnologias digitais, como IoT (Internet das Coisas) e IA (inteligência artificial), permite o monitoramento e cruzamento de dados fornecidos por técnicos e adquiridos por sensores distribuídos pelo aviário, possibilitando o controle em tempo real dos parâmetros ambientais críticos, como temperatura, umidade, CO₂ e NH₃ (MOURA et al., 2023).
Fase
manter o conforto térmico, reduzir a incidência de hipóxia e preservar a saúde cardiovascular das aves através do correto tratamento da qualidade do ar no ambiente das aves.
Parâmetros Ambientais Críticos Recomendações para Prevenção da Ascite 1ª semana
Temperatura: 30-32 °C Umidade: 40-70%
Velocidade do ar ideal: < 0,4 m/s, sem restrições.
Redução gradual da temperatura.
2ª a 4ª semana
Fase de crescimento: 35 dias
Pré-abate 42 a 50 dias
Aumento controlado da velocidade do ar
Temperatura 19 °C Velocidade do ar: >2,5 m/s ao máximo.
Ajuste da ventilação, densidade temperatura ideal: 18 a 16 °C
Implementar ventilação mínima; conforto térmico e maximizar a qualidade do ar, CO₂ < 1.000 ppm e amônia < 10 ppm.
Conforto térmico; qualidade do ar com CO₂ < 1.000 ppm e amônia < 10 ppm.
Evitar excesso de umidade (40 a 70%) qualidade do ar com CO₂ < 1.000 ppm e amônia < 10 ppm.
Ventilação >3 m/s evitar excesso de umidade (>40 a70%)
A adoção de parametrizações personalizadas para cada tipo de aviário, traz junto a “IA”, uma melhor eficácia do sistema, possibilitando ajustes pontuais, monitoramento a distância e através de sua leitura proporcionar o máximo de conforto, tendo todos os fatores ambientais como parâmetros lógicos e em tempo real.
A integração dessas ferramentas com estratégias nutricionais e genéticas representa uma abordagem promissora para mitigar a síndrome ascítica na avicultura moderna.
Considerações Finais
A síndrome ascítica permanece como um desafio multifatorial na produção de frangos de corte, exigindo controle rigoroso da ambiência desde a incubação até o abate.
A parametrização correta do sistema leva ao controle tanto da temperatura como principalmente da qualidade do ar no ambiente das aves. A alta tacha de CO² em muitos casos se dá como principal fator a falta de sensores e de não emitir cheiro, tornando difícil sua detecção.
Já o gás amônia (NH3), pode ser detectado pelos humanos a partir de 20ppm e sentida pelas aves a partir de 10ppm, quando não feito o tratamento adequado do ar, eleva as chances de surgimento da ascite entre outros efeitos negativos.
O uso de tecnologias como sensores ambientais, automação e inteligência artificial amplia as possibilidades de prevenção, promovendo ganhos no bem-estar animal e na eficiência produtiva (MOURA et al., 2023).
Assim, investir em ambiência de precisão não é apenas uma estratégia de manejo, mas um requisito essencial para garantir sustentabilidade e a competitividade da avicultura industrial moderna.
Influência da ambiência na prevalência da Síndrome Ascítica
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Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor
POSSÍVEIS CAUSAS, IMPACTOS NA PLANTA DE ABATE E ESTRATÉGIA DE CONTROLE DE PROVENTRICULITES EM FRANGOS DE CORTE
Eder Barbon
Especialista em Processos de Qualidade da Cobb-Vantress
Aproventriculite é uma enfermidade importante na avicultura industrial, caracterizada pela inflamação do proventrículo, estômago glandular das aves, responsável pela secreção de enzimas digestivas e ácido clorídrico.
Temos observado a campo que essa condição dificultada significativamente a realização do jejum pré-abate ideal nos lotes de frangos afetados, impactando diretamente no aumento do percentual de condenas por contaminações internas e externas das carcaças,
principalmente no momento da evisceração, em virtude do alto volume de ração retido no proventrículo e moela, que pode chegar até 15 vezes maior ao preconizado de 14 gramas, desperdiçando um volume considerável de ração na planta de abate.
Outro importante fator a ser considerado é a perda de rendimento de moela, podendo variar entre 25% a 30% do rendimento, em virtude da atrofia muscular.
Além dos impactos na planta de abate, segundo os autores; D.Kuwenhoven e M.J.Pantin, 2005, a proventriculite impacta negativamente o ganho de peso, a conversão alimentar e a uniformidade dos lotes. O sistema digestório das aves possui duas estruturas gástricas:
Proventrículo: Estômago glandular responsável pela digestão química.
Moela: Estômago muscular responsável pela trituração física dos alimentos.
Além da digestão química e mecânica dos alimentos, esses órgãos têm fundamental importância na regulação da velocidade da digestão.
Quando ocorre a inflamação do proventrículo, há redução na eficiência digestiva favorecendo má absorção de nutrientes, predispondo a distúrbios entéricos e retenção excessiva de alimentos, M.J.Pantin, 2005.
Prováveis causas da proventriculite: As citações cientificas relacionam inúmeras causas ou fatores predisponentes como:
Vírus (CPNV, Adenovírus, Reovírus, Vírus de Gumboro, Circovírus avíário);
Clostridium perfringens;
Enterococcus spp.;
Micotoxinas; Excesso de cobre e minerais;
Problemas de granulometria das rações;
Disbiose intestinal; Imonussupressão;
Estresse ambiental;
Aminas biogênicas e Síndrome da má absorção.
Sinais Clínicos: Na grande maioria dos casos, os sinais são subclínicos, dificultando a detecção precoce a campo. A maior evidência são as lesões macroscópicas identificadas na planta de abate.
Lesões Macroscópicas: Aumento e dilatação do proventriculo com retenção de alimento e presença de muco; espessamento da parede; hemorragias puntiformes e difusas com ulcerações em casos mais graves; transição irregular entre proventrículo e moela, local também denominado: istmo proventricular gástrico, que possui importantes funções de regulação do controle da passagem do alimento, coordenação motora digestiva, separação funcional entre digestão química e mecânica, participação no refluxo fisiológico, além de contribuir na motilidade digestiva.
No caso de proventriculite o istmo apresenta-se flácido, dilatado, com perda de tonicidade e inflamado, perdendo totalmente sua função.
Essa condição proporciona refluxo, retenção de alimento, passagem rápida de ração e digestão deficiente.
02. Proventrículos com diferentes graus podem passar desapercebidos no abate:
Em 100% dos casos de proventriculites, além das lesões no proventrículo, observa-se perda do tônus muscular da moela com diminuição da massa muscular, impactando diretamente em perda de rendimento entre 25% a 30%.
Jejum pré-abate: O tempo de jejum-pré abate ideal e indicado para frangos de corte está entre 8 e 12 horas, considerando: tempo sem ração na granja, apanha das aves, carregamento, transporte e espera na planta de abate.
Nesse intervalo, busca-se melhor condição de bem estar das aves, equilibrar o esvaziamento do trato gastrointestinal para menor contaminação fecal, biliar e ração, externa e internamente das carcaças no momento da evisceração, além de menor perda de peso corporal, que impacta diretamente o rendimento final, Bilgili, 2002.
Em inúmeras avaliações nas plantas, assim como descrito na literatura, no momento do abate, com jejum ideal, espera-se encontrar o papo totalmente vazio, moela e proventrículo com 10 a 14 gramas de ração ou resíduos; D.N. Schettino, S.V. Cançado, N.C. Baião. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.58, n.5, p.918-924, 2006. E. Barbon, Manual de jejum pré-abate Cobb, 2024.
Para conseguir essa condição é fundamental o estímulo ao consumo de agua, com aquecimento intermitente do galpão de maneira que faça as aves levantarem para beber água o maior número de vezes no intervalo sem ração, até o início da apanha.
Fotos 03. Comparativo de moela com e sem proventriculites.
Fotos 01. Proventriculite de grau avançado:
Fotos
Jejum pré-abate em lotes com proventriculites: Em virtude da inflamação do proventrículo, dilatação do istmo proventricular gástrico, o proventriculo perde eficiência de bombeamento de alimento para moela, reduz a secreção gástrica, proporciona digestão protéica deficiente, retenção exagerada de alimento e tempo de trânsito acelerado desorganizado.
A moela perde o tônus muscular e eficiência, ocorre impactação e redução na trituração, o órgão fica menor e menos ativo; Maiorka.A, 2008.
Em virtude de todos esses fatores o jejum pré-abate em lotes com proventriculites torna-se mais difícil, já que o tempo para limpeza do trato intestinal é mais lento e irregular, dependendo do grau do problema entre as aves do lote.
Nesses lotes, observa-se também uma tendência de aumento no percentual de aves com papo pendular, dificultando ainda mais o jejum e aumento das contaminações durante o processamento.
Condenas por contaminações em lotes com proventriculites: O percentual de condenas por contaminações, principalmente interna, aumenta significativamente em lotes com proventriculites, em virtude da retenção exagerada de ração no proventrículo e moela.
Em observações e mensurações em plantas de abate, lotes com 10% a 20% de proventriculites, temos encontrado volumes de ração muito acima do preconizado, variando entre 35 gramas até 210 gramas de ração no proventriculo e moela, mesmo com períodos mais prolongados de jejum, além de aumento de incidência de papo pendular.
Controle da proventriculites em frangos: Para o controle, é fundamental identificar a causa primária, já que a doença pode ter causas multifatoriais. Temos observado que na grande maioria dos casos de proventriculites o fator granulometria das rações é impactante.
Rações, fareladas ou peletizadas, com DGM abaixo de 900 micras, podem propiciar e desencadear altos percentuais de proventriculites, dependendo do manejo. A nossa recomendação é que nas diferentes fases de vida das aves, elas consumam partículas com o seguinte tamanho:
Fotos 04: Contaminações comuns em lotes afetados.
Idade, dias
Tamanho de Partícula (µ) Min. Máx.
Manejo de comedouros: Além do controle da altura dos comedouros, outro fator importante e fundamental é o controle do volume de ração nos pratos.
O excesso de ração aumenta a seleção de partículas pelas aves, principalmente, ração peletizada. Nessa condição, os animais consomem preferencialmente partículas maiores, deixando finos acumulado no prato.
Esse acúmulo, além de reduzir a uniformidade e saúde gastrointestinal, segundo; J.Svihus e Gonzalo Mateo, o excesso de finos baixa a estimulação mecânica da moela e aumenta o trânsito intestinal.
Portanto regular a abertura ao mínimo possível dos pratos (02 /03) para evitar acúmulo de finos e estimular o acionamento dos comedouros pelo maior número de vezes ao dia é manejo importante e crucial, para atender aos frangos atuais com alta voracidade de consumo.
Um manejo que contribuí é colocar um número de aves ao redor do prato comando alimentador (Cercado) e deixar uma lâmpada no local. Desta forma, as aves serão estimuladas a procurar os comedouros com maior frequência.
Controle da granulometria da ração: De acordo com a literatura, granulometria muito fina está associada a menor desenvolvimento da moela, maior trânsito digestivo e maior sobrecarga do proventrículo, Nir et al, 1994.
Em contrapartida, segundo os autores; Mateos et al,2008, Svihus et al, 2009 e G.Hetland, 2013, granulometrias mais grossas melhoram a motilidade gástrica, proporcionam menor proliferação bacteriana no intestino, maior desenvolvimento da moela, reduzem a dilatação do proventrículo, melhoram a digestibilidade e contribuem positivamente na conversão alimentar.
Rações peletizadas: A utilização de rações peletizadas trouxe importantes avanços para a avicultura moderna, proporcionando melhor desempenho zootécnico e maior eficiência alimentar.
Entretanto, quando a ração apresenta granulometria excessivamente fina, especialmente associada à elevada produção de finos, diversos efeitos deletérios podem ocorrer, sendo o principal deles a redução no desenvolvimento da moela e aumento do tamanho do proventrículo; J.Svihus e Gonzalo Mateos, condição favorável ao desenvolvimento das proventriculites.
Possíveis causas, impactos na planta de abate e estratégia de controle de proventriculites em frangos de corte BAIXAR EM PDF
Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor
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EFETIVIDADE DE ÁCIDOS ORGÂNICOS NÃO TAMPONADOS,
PROTEGIDOS, NA REDUÇÃO
DA PRESSÃO DE INFECÇÃO DE
ENTEROBACTÉRIAS NA AVICULTURA
SEM ANTIMICROBIANOS
MSc. Zootecnista Ana Paula Pereira Coordenadora Técnica Nacional Avicultura – SANEX
Aavicultura mundial atravessa uma das maiores transformações sanitárias e produtivas das últimas décadas.
A retirada progressiva dos antimicrobianos melhoradores de desempenho, associada às crescentes restrições regulatórias e à preocupação global com resistência bacteriana, impulsionou a necessidade de estratégias capazes de preservar desempenho zootécnico, saúde intestinal e segurança microbiológica sem dependência de antibióticos.
Nesse novo cenário, o controle de enterobactérias tornou-se um dos principais desafios da produção intensiva.
Bactérias como Salmonella spp., Escherichia coli e outras enterobactérias representam importantes indicadores da pressão de infecção presente nos sistemas produtivos, refletindo diretamente o equilíbrio entre ambiente, manejo, microbiota intestinal e biosseguridade.
Historicamente, programas sanitários buscavam controlar essas bactérias principalmente por meio da utilização de antimicrobianos.
Entretanto, o modelo atual da avicultura exige abordagens mais sustentáveis, baseadas na modulação intestinal e na redução contínua da pressão microbiológica ambiental e entérica.
A pressão de infecção não deve ser interpretada apenas como presença bacteriana, mas como a interação dinâmica entre carga microbiana, integridade intestinal, resposta inflamatória e capacidade de resiliência fisiológica das aves.
Quanto maior a pressão de infecção, maior tende a ser a ativação do sistema imune intestinal.
Consequentemente, ocorre aumento do gasto energético destinado aos mecanismos de defesa e inflamação, reduzindo a disponibilidade de nutrientes e energia para crescimento, deposição muscular e eficiência alimentar.
Além disso, elevadas cargas de enterobactérias favorecem comprometimento das junções epiteliais, aumento da permeabilidade intestinal, pior digestibilidade dos nutrientes e maior susceptibilidade a doenças entéricas secundárias.
Nesse contexto, saúde intestinal deixa de representar apenas um parâmetro sanitário e passa a atuar como um importante indicador econômico da produção avícola moderna.
Dados obtidos em monitoria microbiológica conduzida em sistema comercial avaliaram 174 amostras coletadas em diferentes idades e órgãos, com o objetivo de compreender a dinâmica da pressão de infecção por enterobactérias em aves submetidas à utilização de ácidos orgânicos não tamponados protegidos por gordura de palmiste.
A avaliação por órgãos demonstrou redução da pressão ao longo do trato gastrointestinal, onde a pressão de infecção
“Zero”, ou seja, sem infecção, aumentou de 48,7% para 58% nos respectivos órgãos.
Diante desse fato, os resultados sugerem que os ácidos orgânicos não tamponados, protegidos com gordura de palmiste atuam positivamente na redução da pressão de infecção durante a passagem pelo intestino.
Dados de avaliações de campo, frequentemente apresentam elevada variabilidade devido às diferenças de manejo, ambiência, biosseguridade e pressão sanitária entre lotes comerciais.
Dessa forma, tendências microbiológicas consistentes possuem importante relevância biológica e prática dentro dos sistemas produtivos.
Entre as ferramentas nutricionais atualmente utilizadas para redução da pressão de infecção, os ácidos orgânicos não tamponados vêm recebendo destaque crescente devido à sua capacidade de atuar diretamente sobre enterobactérias.
Ao contrário dos sais ácidos tamponados, os ácidos orgânicos não tamponados apresentam elevada capacidade de penetração na célula bacteriana em sua forma não dissociada.
Alta Baixa
Após penetrarem no interior da bactéria, ocorre dissociação intracelular dos ácidos, promovendo redução do pH citoplasmático, desorganização metabólica, comprometimento enzimático e redução da multiplicação bacteriana.
Esse mecanismo apresenta importante atividade sobre enterobactérias Gramnegativas, incluindo Salmonella spp. e E. coli. e Gram-positivas, como Clostridium perfringens entre outras.
Além da ação acidificante, a utilização de sistemas protegidos por gordura de palmiste representa importante avanço tecnológico na eficiência desses compostos.
O ácido láurico possui capacidade de desestabilizar membranas bacterianas, aumentar permeabilidade celular e reduzir formação de biofilmes bacterianos, potencializando a ação antimicrobiana dos ácidos orgânicos não tamponados, além de ação antimicrobiana direta sobre bactérias Gram +.
Na avaliação microbiológica conduzida em sistema comercial, observou-se tendência de redução numérica da positividade microbiológica em aves submetidas ao programa utilizando acidificantes protegidos, especialmente em nível de ceco.
A proteção lipídica reduz a dissociação precoce dos ácidos orgânicos nas porções iniciais do trato gastrointestinal, favorecendo liberação gradual ao longo do intestino, especialmente em segmentos posteriores como jejuno, íleo e ceco, importantes locais de multiplicação de enterobactérias.
Outro diferencial relevante está relacionado aos triglicerídeos de cadeia média presentes na gordura de palmiste, especialmente o ácido láurico.
O ceco representa um dos principais reservatórios de enterobactérias em aves comerciais, sendo considerado um importante ponto epidemiológico para persistência e disseminação bacteriana nos sistemas produtivos.
Assim, tendências microbiológicas consistentes possuem importante relevância técnica e prática dentro da produção avícola intensiva.
Meta-análise publicada em 2025 demonstrou redução significativa da positividade para Salmonella em aves suplementadas com ácidos orgânicos via alimentação, reforçando o potencial desses compostos como alternativa aos antimicrobianos convencionais (WANG et al., 2025).
Além da redução da pressão microbiológica, a utilização de ácidos orgânicos não tamponados protegidos contribui para:
Maior estabilidade intestinal;
Melhor integridade epitelial;
Redução da in amação intestinal;
Melhor digestibilidade dos nutrientes;
Maior e ciência alimentar;
Redução do desa o sanitário geral.
Na avicultura sem antimicrobianos, o controle sanitário deixa de depender da intervenção terapêutica contínua e passa a depender da capacidade de modular microbiologicamente o ambiente e o intestino das aves.
Efetividade de ácidos orgânicos não tamponados, protegidos, na redução da pressão de infecção de enterobactérias na avicultura sem antimicrobianos.
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Referências bibliográficas:
ABD EL-GHANY, W. A. Applications of Organic Acids in Poultry Production: An Updated and Comprehensive Review. Agriculture, 2024.
KHAN, R. U. et al. Prospects of organic acids as safe alternative to antibiotics in broiler chickens diet. Environmental Science and Pollution Research, 2022.
QUI, N. H. et al. Recent advances of using organic acids and essential oils as in-feed antibiotic alternatives in poultry feeds. Czech Journal of Animal Science, 2023.
WANG, J. et al. A systematic review and meta-analysis of the efficacy of organic acids against Salmonella in poultry. 2025.
Dados internos de monitoria microbiológica SANEX, 2025.
PROGRAMA SANEX: fortalecendo a biosseguridade na produção animal
O Programa Sanex para redução da pressão de infecção é uma iniciativa estruturada, desenvolvida para fortalecer a biosseguridade em granjas avícolas. Seu foco está na adoção de práticas padronizadas de limpeza e desinfecção, incluindo a limpeza a seco, com o objetivo de reduzir a carga de patógenos ambientais e a pressão geral de infecção sobre os animais.
O programa é baseado em três pilares complementares: sanitização da água, saúde gastrointestinal e manejo ambiental. Por meio de processos padronizados e de um forte foco em e ciência, o Programa Sanex oferece uma solução segura e consistente para melhorar a saúde animal e o desempenho nos sistemas de produção.
Conheça os produtos do Programa Sanex:
Acidi cante Solúvel Sanex
O Acidi cante Solúvel Sanex foi a primeira mistura de ácidos orgânicos solúveis e não tamponados introduzida no mercado brasileiro. É uma ferramenta e caz como alternativa a antibióticos e agentes quimioterápicos em casos de diarreia não especí ca. O produto oferece praticidade e segurança na aplicação, reduz a necessidade de espaço para armazenamento, permite transporte seguro e possui período de carência zero. Sua e cácia foi comprovada em programas integrados de controle de Salmonella spp., podendo ser utilizado em todas as fases da produção.
NeoAcid
Produzido por meio de um processo industrial exclusivo, no qual ácidos orgânicos puros e não tamponados são protegidos e incorporados a uma matriz funcional e especí ca de triglicerídeos de cadeia média, o NeoAcid garante a liberação dos compostos ativos em diferentes segmentos do trato gastrointestinal. Apresenta e cácia comprovada como alternativa aos promotores de crescimento antibióticos, não possui restrições para exportação, tem período de carência zero, excelente retorno sobre o investimento e e cácia demonstrada em programas integrados de controle de Salmonella spp
Diatex
Diatex é um condicionador ambiental natural e não tóxico para cama aviária e instalações. Proporciona redução e caz da umidade, controle da volatilização de amônia, redução da atividade de água e controle natural de insetos, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental e do bem-estar animal.
José Mendes Sobrinho, 420
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COMO OS PROBIÓTICOS ATUAM COMO ALTERNATIVA AOS ANTIBIÓTICOS NA AVICULTURA?
DAS EVIDÊNCIAS
CIENTÍFICAS AO ENFOQUE PRÁTICO
Nathana Rudio, Rony Riveros e Nilva Sakomura Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Aprodução de frangos de corte é um dos setores de maior crescimento na produção de proteína animal. No último ano, foram produzidas 126,5 milhões de toneladas de carne de frango no mundo (FAO, 2025), resultado que reflete os avanços tecnológicos e científicos em genética, manejo e nutrição.
Contudo, a produção de frangos de corte está constantemente sujeita a desafios, como altas temperaturas, condições sanitárias desfavoráveis, entre outros.
Um status sanitário precário do lote é o potencial de desenvolvimento de doenças, que provocam prejuízos à resposta produtiva, à mortalidade e aos problemas econômicos para o setor.
Dentre as principais doenças bacterianas, a enterite necrótica (EN) é um dos problemas sanitários com maior incidência e altas taxas de mortalidade em condições comerciais (Tabela 1).
A EN é uma doença bacteriana, causada principalmente pela proliferação descontrolada de Clostridium perfringens no trato gastrointestinal, que resulta na liberação de toxinas que provocam a lise dos enterócitos. Entretanto, para favorecer a proliferação de C. perfringens, requerem-se outros agentes que causam dano físico à mucosa intestinal.
Esse dano físico na mucosa e nos enterócitos é comumente causado por um protozoário Eimeria spp., principal agente patogênico da coccidiose, outra doença de alta incidência e responsável por elevada mortalidade. Ambos os agentes patogênicos agravam o desenvolvimento da EN (Madlala et al., 2021).
A coccidíose pode ser causada por uma variedade de espécies de Eimeria spp. (mais de 1700 espécies identificadas), das quais se destacam apenas três espécies com maior patogenicidade em aves de produção.
Tabela 1. Principais doenças bacterianas, incidência e mortalidade em condições comerciais de frangos de corte.
Doença (Agente)
Enterite Necrótica (Clostridium perfringens)
Coccidiose (Eimeria spp.)
Colibacilose (Escherichia coli)
Celulite (Escherichia coli)
Aerossaculite (multifatorial: E. coli, micoplasmoses, IBV)
Doença com maior prevalência global (33%). 3,9% de condenações de carcaça (Brasil)
15,98% de condenação de carcaças (Brasil). 0,63% das aves abatidas (EMBRAPA, Brasil)
1,47% (Brasil); 0,039–4,17% de condenações de carcaça (Brasil)
Mortalidade Fonte
2–50%
30–50%
5–20%
Mortalidade muito baixa; principal impacto nas condenações de carcaça
Mortalidade muito baixa (subclínica); aumenta quando combinada com vírus respiratório
Adedokun e Adeola (2022); Salem et al. (2021)
Liao et al. (2024); Gharekhani et al. (2014)
Apostolakos et al. (2021); Almeida et al. (2017)
Vieira et al. (2014); EMBRAPA/MAPA (2015)
UCEFF/Inovação (2022); Almeida et al. (2017)
O monitoramento da prevalência das principais espécies de Eimeria (E. acervulina, E. maxima e E. tenella) na produção comercial de frangos de corte no Brasil (Figura 1A), evidenciou que a prevalência dessas espécies pode variar ao longo do crescimento das aves (Gazoni et al., 2025).
Aves mais novas apresentam maior prevalência de E. maxima, enquanto a E. acervulina aumenta à medida que as aves crescem. Entretanto, tanto comercialmente quanto experimentalmente, tem sido destacado o efeito mais agravante da E. maxima sobre a resposta produtiva, bem como sua alta correlação com a mortalidade das aves (Figura 1B).
Diversas estratégias têm sido adotadas para mitigar os efeitos deletérios do desafio por EN em frangos de corte, sendo a mais utilizada a suplementação de antibióticos (ATB) em dietas comerciais, em níveis subterapêuticos.
1-17 d 38-42 d 33-37 d 28-32 d 22-27 d 18-21 d
E. acervulina E. maxima E. tenella Eimeria spp.
1-17 d 38-42 d 33-37 d 28-32 d 22-27 d 18-21 d
Período (dias)
Mortalidade E. maxima
Figura 1. (A) Prevalência das cepas de Eimeria para cada fase de produção e (B) correlação entre a mortalidade e a prevalência para cada fase de crescimento do frango de corte.
Entretanto, o controle e a regulação (banimento) dos ATB exigem o desenvolvimento de aditivos alternativos aos ATB, capazes de enfrentar os problemas de resistência aos antimicrobianos na produção animal e na saúde humana (Singh et al., 2025).
O uso de antimicrobianos, tanto em doses de inclusão quanto em tipos, tem se reduzido gradativamente para uso como melhoradores do desempenho dos frangos de corte, até o banimento total em abril de 2026, conforme a Portaria SDA/MAPA 1617/2026 do MAPA (Tabela 2).
Nesse contexto, os probióticos surgem como alternativa aos ATB com o intuito de melhorar a saúde intestinal das aves, estimular uma resposta imune ativa e enfrentar problemas sanitários, visando preservar uma ótima resposta produtiva sem o uso de antimicrobianos (M’Sadeq et al., 2015; Singh et al., 2025).
Probióticos são microrganismos benéficos que atuam no intestino, promovendo o equilíbrio da microbiota intestinal, fortalecem a barreira epitelial e impedem a colonização de patógenos como Eimeria e Clostridium perfringens (Al-Seraih et al., 2022; Opazo et al., 2025).
Ano
Tabela 2. Principais eventos na regulação de antimicrobianos entre 2010 e 2026, bem como os níveis de inclusão tradicionalmente utilizados no Brasil.
Inclusão recomendada de ATB (mg/kg — valores médios)
2010 140–149
2012 130–140
Evento / Regulamentação
MAPA 26/2009: Regulamento técnico para fabricação, controle de qualidade, comercialização e emprego de produtos antimicrobianos de uso veterinário
Instrução Normativa MAPA 14/2012 — Atualiza a lista de proibições em antimicrobianos
Reporte da ABPA — Reformula e recomenda o uso de enzimas e probióticos nas dietas iniciais. ATBs continuam em crescimento e finalizador
Instrução Normativa MAPA 45/2016 — Proibição de produção, importação e uso de sulfato de colistina como melhorador de desempenho
MAPA 42/2017 — Programa AgroPrevine (controle e prevenção de resistência a antimicrobianos — AMR)
Espiramicina e eritromicina
2020 35–60
2026
MAPA 1/2020 — Efetivação da proibição dos antimicrobianos como melhoradores de desempenho na alimentação animal
Portaria SDA/MAPA 1617/2026 — Proíbe a produção, importação e utilização de todos os antimicrobianos como melhoradores de desempenho em animais de produção
Tilosina, lincomicina e tiamulina
Avoparcina, bacitracina (de zinco e metileno disalicilato), virginiamicina
Fontes: MAPA — Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; ABPA — Associação Brasileira de Proteína Animal.
Colistina
O que é a enterite necrótica e como ela é causada
A enterite necrótica pode apresentar maior incidência entre os 21 e 37 dias de idade em frangos de corte, período suficiente para completar o ciclo de vida dos patógenos e para infectar ou reinfectar o hospedeiro.
A presença de Eimeria é um fator predisponente, por meio do dano físico causado ao destruir a mucosa, a túnica submucosa e o epitélio intestinal (Madlala et al., 2021).
Isto resulta em um distúrbio na comunidade microbiana do intestino (disbiose), favorecendo a proliferação de bactérias potencialmente patogênicas e reduzindo a população e as famílias de bactérias benéficas, o que desequilibra a composição bacteriana do trato gastrointestinal (TGI) (Ducatelle et al., 2015).
Consumo de oocisto e ciclo de vida da Eimeria
Consumo do oocisto presente na cama, água ou ração contaminada
Ciclo de vida
As lesões causadas pela Eimeria no lúmen intestinal resultam na apoptose dos enterócitos, permitindo o extravasamento de proteínas plasmáticas para o trato intestinal, que servem de substrato para a proliferação da bactéria oportunista como o C. perfringens (Mohamed et al., 2022).
Além disso, há aumento da secreção de muco intestinal e redução na absorção de nutrientes do alimento, criando um ambiente rico em nutrientes utilizados por essa bactéria (Kaldhusdal et al., 2021).
Após uma maior proliferação do C. perfringens em um ambiente favorável, estes continuam causando dano químico por meio da produção de toxinas (α-toxina, β-toxina e NetB), que provocam necrose na mucosa, o que ocasiona a EN em um processo simbiótico entre Eimeria spp. e C. perfringens (Figura 2).
Dano nas células intestinais
Invasão das células intestinais
Replicação e formação de novos oocistos
Dano físico na mucosa intestinal
Entrada e proliferação de Clostridium perfringens
Consequências
Perda da barreira intestinal Mais nutrientes não absorvidos Imunidade local reduzida
Dano químicoprodução de toxinas Principais toxinas a-toxina, B-toxina e NetB
Sinais clínicos
Depressão, apatia
Redução de desempenho Diarreia, baixa absorção, mortalidade
Figura 2. A enterite necrótica, desde a ingestão dos oocistos de Eimeria spp., ciclo de vida e dano físico, além da colonização do C. plerfringens e desenvolvimento da infeção da enterite necrótica e suas consequências. Fonte: própria dos autores.
Este processo infeccioso subclínico desencadeia, principalmente, redução do consumo de ração nas aves de até 30% (indução de anorexia como mecanismo protetor), o que resulta em redução da resposta produtiva (Figura 3)
Após o período infeccioso, as aves tendem a recuperar o consumo de ração, mas, na produção comercial, isso representa um dano irreversível, com 10% de menor consumo de ração e 15% de redução no ganho de peso.
Mecanismo de ação dos probióticos
Os probióticos são micro-organismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro (FAO/ WHO, 2001).
A utilização na alimentação animal contribui para o equilíbrio da microbiota intestinal, por meio da colonização por microbiota benéfica, uma vez que compete com microrganismos patógenos, inibindo sua proliferação e melhorando as funções da comunidade microbiana (Opazo et al., 2025).
Com isso, a suplementação com probióticos visa melhorar a integridade intestinal, a absorção de nutrientes e, consequentemente, o desempenho produtivo (Al-Seraih et al., 2022).
Infecção Resposta
0,12
0,10
0,08
0,06
0,04 Consumo de ração, kg/ave/d
13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
Idade, d Recuperação
Figura 3. Fases do processo de infecção da EN em frangos de corte, em relação ao consumo de ração, de aves infectadas (em verde) em comparação com aves sadias (em azul). Fonte: Dados experimentais obtidos no Laboratório de Ciências Avícolas (Lavinesp), Unesp FCAV.
O uso de probióticos, além de promover a proliferação de bactérias benéficas e inibir a proliferação de bactérias patogênicas por meio de “exclusão competitiva” (Figura 4), apresenta outros benefícios.
Probióticos
Produção de substâncias antimicrobianas
Exclusão competitiva
Imunomodulação
Melhora da função da barreira epitelial
Figura 4. Mecanismos de ação dos probióticos. Fonte: adaptado de Lafit et al. (2023).
A “exclusão competitiva” é o principal mecanismo de ação pelo qual o probiótico compete com as bactérias patogênicas pelo sítio de ligação dos receptores na camada mucosa e no epitélio intestinal.
Atuam como agentes antimicrobianos e moduladores da microbiota, por meio da produção de ácidos graxos de cadeia curta (principalmente ácido butírico), ácidos orgânicos, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas, impedindo, assim, a proliferação de bactérias patogênicas no intestino.
Promovem a melhoria da função da barreira intestinal: os probióticos induzem a secreção de mucinas, a manutenção ou o aumento da fosforilação de proteínas da junção estreita (ocludina e claudina 1), estimulando a resposta imune do intestino.
epitélio intestinal.
Atuam como agentes antimicrobianos e moduladores da microbiota, por meio da produção de ácidos graxos de cadeia curta (principalmente ácido butírico), ácidos orgânicos, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas, impedindo, assim, a proliferação de bactérias patogênicas no intestino.
Promovem a melhoria da função da barreira intestinal: os probióticos induzem a secreção de mucinas, a manutenção ou o aumento da fosforilação de proteínas da junção estreita (ocludina e claudina 1), estimulando a resposta imune do intestino.
Estimulam a resposta imune inata e adaptativa, modulando células dendríticas, macrófagos e linfócitos B e T, e aumentam a produção de citocinas pró-in amatórias (La t et al., 2023).
Estimulam a resposta imune inata e adaptativa, modulando células dendríticas, macrófagos e linfócitos B e T, e aumentam a produção de citocinas pró-in amatórias (La t et al., 2023).
Principais gêneros e cepas utilizadas
Dentre os probióticos mais utilizados na nutrição de frangos de corte, destacamse as bactérias dos gêneros Bacillus, Lactobacillus e Enterococcus. Certos mecanismos e a eficácia são específicos de cada cepa e de cada gênero de probiótico.
Bactérias do gênero Bacillus são classificadas como bastonetes Grampositivos e formadores de esporos. Os Bacillus spp. colonizam o ambiente intestinal e produzem uma variedade de enzimas que melhoram a absorção de nutrientes em aves (Latorre et al., 2016).
O mecanismo de competição por sítios de ligação na mucosa intestinal ocorre na camada mucosa, composta por glicolipoproteínas, que reveste o epitélio intestinal. Dessa forma, evita-se a colonização por bactérias patogênicas que têm afinidade pelo mesmo sítio de ligação (Soerjadi et al., 1982).
A esporulação dessas bactérias confere resistência a pH ácidos (2,5 a 6) e a sais biliares, aumentando a viabilidade e garantindo a sobrevivência em regiões do TGI superiores (proventrículo e duodeno).
Os Lactobacillus são outro grupo de bactérias anaeróbias, produtores de ácido láctico e de outras substâncias antimicrobianas, como bacteriocinas e peróxido de hidrogênio, que evitam a proliferação de bactérias patogênicas.
Estes microorganismos apresentam proliferação eficiente em ambientes de pH ácido, tornando-os mais ácidos por meio da fermentação láctica, e são resistentes a ambientes com baixo teor de oxigênio, dada sua natureza anaeróbia, podendo colonizar regiões como o papo, o proventrículo e, em quantidades mais expressivas, o íleo e o ceco, competindo diretamente com o Clostridium.
De acordo com Li et al. (2017), os L. acidophilus podem diminuir a expressão de citocinas e quimiocinas pro-inflamatórias (IL-1β), possuindo a capacidade de aliviar a inflamação. Além disso, podem melhorar a morfometria das vilosidades, reduzir as lesões associadas à EN e a mortalidade.
Além disso, L. acidophilus e L. fermentum possuem a capacidade de inibir a produção de α-toxina de C. perfringens e de suprimir a resposta inflamatória causada pela infecção por enterite necrótica (Guo et al., 2017).
Enterococcus faecium é uma bactéria
Gram-positiva que tem sido recentemente utilizada em animais de produção. Uma grande vantagem associada ao E. faecium é a sua capacidade de colonizar o intestino de forma eficaz e permanecer por um período mais longo, o que auxilia na regulação da microbiota intestinal.
A incorporação da cepa E. faecium na dieta de frangos de corte desafiados com C. perfringens resultou em aumento da expressão da proteína de junção estreita Claudina-1 e no controle da inflamação intestinal, por meio da regulação da expressão de citocinas, fatores de crescimento, proteínas de choque térmico e receptores Toll-like (TLRs) (Wu et al., 2019).
Este mecanismo contribui para a redução das lesões de enterite necrótica no intestino. Além disso, E. faecium pode estimular a resposta imune da mucosa intestinal e aumentar a resistência das aves a infecções por patógenos intestinais (Cao et al., 2013).
Benefícios práticos do uso de probióticos na avicultura
Ainda que o principal problema no desafio de saúde seja, principalmente, a redução do consumo de ração e, consequentemente, a piora da resposta produtiva, o uso de probióticos pode apresentar resultados promissores.
Um estudo meta-analítico (n = 9) evidência, de forma abrangente, os benefícios dos probióticos em condições experimentais (Figura 5).
Aves mantidas em condições práticas de produção estão constantemente expostas ao estresse. Isso leva a uma redução do consumo de ração em média de 3,9% (Figura 5A);
entretanto, a suplementação de probióticos pode trazer benefícios para que, ainda sob essas condições, se otimize, em média, o ganho de peso de 6,7% em relação ao tratamento controle (Figura 5B), resultando em uma melhora na conversão alimentar de 10,1% em relação ao tratamento controle (Figura 5C).
Ainda que essa resposta dependa da dosagem, da cepa do probiótico, entre outros fatores, esta visão global evidencia as vantagens da suplementação com probióticos em condições práticas.
Ahmat et al., 2021
Haryati et al., 2015
Li et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Hong et al., 2019
Lei et al., 2015
Lei et al., 2015
Ahmat et al., 2021
Haryati et al., 2015
Li et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Hong et al., 2019
Lei et al., 2015
Lei et al., 2015
Ahmat et al., 2021
Haryati et al., 2015
Li et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Bao et al., 2022
Hong et al., 2019
Lei et al., 2015
Lei et al., 2015
Figura 5. Variação dos parâmetros de desempenho do tratamento com inclusão de probiótico versus o tratamento controle. (A) consumo de ração; (B) ganho de peso e (C) conversão alimentar. Fonte: própria dos autores.
Para evidenciar a eficácia dos probióticos em condições de desafio de saúde com EN, em estudos experimentais, outro estudo meta-analítico avaliou o efeito dos probióticos sobre a resposta produtiva (Figura 6).
A indução de EN é tradicionalmente estabelecida experimentalmente em protocolos aos 14 dias, com inoculação de oocistos de Eimeria spp., e, posteriormente, realiza-se a inoculação com C. perfringens entre 4 e 7 dias após, período necessário para garantir a esporulação e a ação da Eimeria
A suplementação de probióticos, prévia, durante e após o desafio, tem objetivos distintos, porém relacionados.
Figura 6. Relação entre a diferença do ganho de peso (X) e o consumo de ração (Y) para quantificar o efeito do tratamento em aves desafiadas com modelo de desafio de enterite necrótica.
C U L T I V E O M I C R O B I O M A C O M S I G N I S
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Pré-infecção: prevenir, estimulando a ativação do sistema imunológico, colonizando as regiões suscetíveis do TGI e estabelecendo um equilíbrio adequado na microbiota.
Durante a infecção: proteger, produzir substâncias bactericidas e competir pelos sítios de ligação com microrganismos patogênicos.
Pós-infecção: favorecer a reparação dos danos, manter o sistema imunológico ativo e promover maior absorção de nutrientes, por meio do restabelecimento do microbioma do TGI e da produção de enzimas que melhoram a digestibilidade dos nutrientes. Entretanto, os efeitos benéficos do uso de probióticos variam conforme as fases.
Perspectivas gerais
Com a proibição definitiva dos antibióticos como melhoradores de desempenho no Brasil, estabelecida pela Portaria SDA/ MAPA 1617/2026, a avicultura comercial precisa adotar alternativas eficazes para manter a saúde intestinal das aves e a rentabilidade da produção.
Durante a fase de pré-infecção, o probiótico demonstrou melhora no consumo de ração, o que resultou em maior ganho de peso comparado com o tratamento controle, evidenciando seu efeito benéfico antes mesmo do desafio (Figura 6A).
Já durante o período de infecção, observase que a suplementação com probiótico tenta segurar a queda no consumo de ração; entretanto, o prejuízo na redução do consumo de ração e, consequentemente, no ganho de peso se observa em ambos os grupos (Figura 6B).
Entretanto o uso de probióticos apresenta menor redução do ganho de peso sobre essas condições, conferindo seu efeito protetivo. Finalmente, após o desafio, ainda que persista a redução no consumo de ração, ela não é tão agressiva quanto a do grupo sem aditivos (Figura 6C).
Nesse contexto, os probióticos se apresentam como uma das alternativas promissoras e atuam diretamente nos mecanismos que tornam o intestino menos vulnerável à EN, que representa um dos maiores desafios sanitários e econômicos da produção de frangos de corte.
Gêneros como Bacillus, Lactobacillus e Enterococcus demonstram, por meio de diversas evidências científicas, a capacidade de equilibrar a microbiota intestinal, fortalecer a barreira epitelial, modular a resposta imune e melhorar a absorção de nutrientes, com resultados produtivos superiores.
Portanto, os probióticos deixam de ser uma alternativa complementar e passam a ser um componente essencial das estratégias de saúde intestinal na nutrição avícola.
Como os probióticos atuam como alternativa aos antibióticos na avicultura?