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3° TRIMESTRE 2021
p. 6
INSETOS NA
NUTRIÇÃO ANIMAL FANTASIA OU REALIDADE? Diego Vicente da Costa
p. 91
TABELA Anti-Micotoxinas
Edição exclusiva Brasil
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CONTEÚDOS 6
Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade? Diego Vicente da Costa Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), campus Montes Claros
17
Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte Itallo Conrado Sousa de Araújo1 e Tainá Silva Brandão Lopes2 1Professor Adjunto, Avicultura, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 2 Aluna de Doutorado, Nutrição e Produção de Não Ruminantes, UFMG
26
Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia Emerson Giuliani Durigon1, Tayna Sgnaulin2, Sara M Pinho3, Jéssica Brol4, Rafael Lazzari5 e Maurício Gustavo Coelho Emerenciano⁶ Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil 2 Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Universidade do Oeste de Santa Catarina, Toledo, PR, Brasil 3 Doutoranda pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Centro de Aquicultura da Unesp, Jaboticabal, SP, Brasil, Mathematical and Statistical Methods (Biometris), Wageningen University, Wageningen, Netherlands 4 Mestre em aquicultura pelo Programa de Pós-Graduação em Aquicultura, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brasil 5 Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Professor Associado III, Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Maria, Palmeira das Missões, RS, Brasil 6 CSIRO Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, Centro de Pesquisa da Ilha Bribie, Woorim, QLD, Austrália 1
1 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021
nutrinewsbrasil.com Termoestabilidade do Detoxa® Plus ao processo de peletização
36
Os minerais orgânicos
68 melhoram os parâmetros
de desempenho produtivo e diminuem a incidência de pododermatite em frangos de corte Verônica Lisboa¹ e Juliana Bueno²
Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
41
Gerente de Produtos, YesSinergy ²Diretora de P&D, YesSinergy 1
Alícia Zem Fraga¹ e Paulo Henrique Reis Furtado Campos2 Departamento de Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (UNESP, Jaboticabal) 2 Professor do Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa 1
50
Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Caroline Fredrich Dourado Pinto1 e Luciano Trevizan2 Zootecnista e Doutoranda em Zootecnia, PPG Zootecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2 Professor do Departamento de Zootecnia, UFRGS
74
Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos Márcia Gabrielle Lima Cândido Veterinária - Editora nutriNews Brasil
1
Micotoxinas e
82 micotoxicoses em
silagens e insumos para alimentação de bovinos
58
Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Prof. Dr. Luiz Antonio Moura Keller Médico Veterinário, Professor Adjunto de Toxicologia Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Luiz Eduardo Lima de Freitas1 e Débora Machado Fracalossi2 Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Pesca e Aquicultura 2 Professora da Departamento de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC 1
2 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021
91 Tabela de Aditivos
Anti-Micotoxinas 2021 Edição Brasil
Micotoxinas na ração de
95 pets
Melhore o retorno financeiro
118 com aplicações de enzimas direcionadas
Priscila Moraes e Lucélia Hauptli Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Gilson Alexandre Gomes Head of Global Technical, AB Vista
Desafios e perspectivas
106 para aplicação de
tecnologias inovadoras para descontaminação de micotoxinas em cereais Carlos A. F. Oliveira Professor Titular, Departamento de Engenharia de Alimentos, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo – Campus de Pirassununga/SP
Predictable performance SMn-P-AP-15.07-EN • Avalone The information provided in this document is at the best of our knowledge, true and accurate. However, products must only be used in compliance with local laws and regulations and we cannot guarantee freedom of use for every intended application or country.
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NUTRIÇÃO E SUSTENTABILIDADE NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL A sustentabilidade na produção animal é pauta das discussões e tomada de decisão na indústria. Atualmente, o foco é produzir proteína animal utilizando menos recursos e emitindo menos poluentes ao meio ambiente. A produção sustentável de alimentos inclui: · uso eficiente de recursos renováveis · manutenção da lucratividade e produtividade · disponibilidade contínua de produtos alimentares diversos e de alta qualidade · promoção de níveis adequados de bem-estar animal · preservação da biodiversidade O desenvolvimento de sistemas produtivos sustentáveis é urgente e necessário. Além disso, os consumidores exigem produtos que sejam produzidos e comercializados de forma sustentável. Mas como a sustentabilidade pode ser englobada na seara da nutrição animal? Os custos com alimentação podem representar entre 60% e 70% dos custos totais de produção em várias espécies, como suínos, aves, ruminantes e peixes. Então, aumentar a eficiência nutricional dos alimentos é uma maneira de melhorar a sustentabilidade dos sistemas produtivos. A tecnologia também pode ser aliada dos produtores e nutricionistas. A alimentação de precisão, que já uma realidade, é um caminho promissor para reduzir o impacto ambiental dos sistemas produtivos, especialmente na suinocultura em que é possível reduzir em 60% a excreção de nutrientes e promover altos padrões de bem-estar animal.
Outra forma de melhorar a eficiência do uso dos nutrientes são os aditivos utilizados nas rações, como por exemplo, os pró & prebióticos, simbióticos, enzimas, nanominerais e acidificantes. Eles auxiliam no melhor aproveitamento de nutrientes, reduzindo sua excreção e melhorando a saúde geral dos animais. Porém, a indústria de nutrição animal está com a atenção voltada para um novo e promissor ingrediente, os insetos. Uma das razões pelas quais os insetos são considerados fontes sustentáveis de proteína animal é devido a sua capacidade de produção em larga escala utilizando poucos recursos e espaço físico; alta qualidade nutricional, larvas da mosca do soldado negro contêm até 50% de proteína bruta, até 35% de lipídios e têm um perfil de aminoácidos semelhante ao da farinha de peixe; além disso possuem alta palatabilidade, e diversos outros predicados que fazem deles uma opção sustentável e viável para alimentação.
Devido a importância dos insetos e o compromisso da nutriNews de manter os seus leitores a frente das novas tecnologias e opções voltadas para nutrição animal, trouxemos nesta edição, a primeira parte de um artigo sobre o uso de insetos na nutrição animal.
EDITOR AGRINEWS LLC
PUBLICIDADE Victoria Yasmin Domingues +55 (41) 99209-1549 nutrisocial@grupoagrinews.com DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suínos) Fernando Bacha (ruminantes) COORDENAÇÃO TÉCNICA Marcia Gabrielle L. Cândido REDAÇÃO Osmayra Cabrera Márcia Gabrielle L. Cândido Victoria Yasmin Domingues COLABORADORES Carlos Augusto Fernandes de Oliveira Caroline Fredrich Dourado Pinto Diego Vicente da Costa Emerson Giuliani Durigon Itallo Conrado Sousa de Araújo Luiz Antonio Moura Keller Luiz Eduardo Lima de Freitas Paulo Henrique Reis Furtado Campos Priscila Moraes ADMINISTRAÇÃO Inés Navarro contabilidad@grupoagrinews.com nutribr@grupoagrinews.com https://nutrinewsbrasil.com GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015
Além disso, esta edição conta um especial de micotoxinas abrangendo diversas espécies, não perca! Boa leitura! Equipe nutriNews Brasil
ISSN (Revista impressa) 2696-8126 ISSN (Revista digital) 2696-8134 Preço da subscrição: USD 30,00 (Brasil) USD 90,00 (Internacional) Revista Trimestral
5
A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagem: Dreamstime nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021
INSETOS NA NUTRIÇÃO ANIMAL: FANTASIA OU REALIDADE?
insetos
Diego Vicente da Costa Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), campus Montes Claros
U
ltimamente os insetos alimentícios assumiram um papel relevante entre os pesquisadores e empresários da nutrição animal em todo o mundo. Mas será essa mais uma efêmera especulação do mercado ou uma real solução para a crescente demanda global por alimentos sustentáveis?
6 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
O problema O principal desafio que a humanidade enfrentará nas próximas décadas é como produzir alimento para quase dez bilhões de pessoas até 2050. Este desafio está relacionado aos seguintes fatores: Produzir 56% mais alimentos usando racionalmente a terra, a água e a energia e, ao mesmo tempo
Segundo dados da Organização das Nações
insetos
Reduzir as emissões de CO2 em 67%. Certamente, as indústrias de produção e nutrição animal tem papel chave nisso
Existem vários motivos, tais como:
Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a população mundial chegará a cerca de 9,5 bilhões em 2050. Como o mercado
Alto custo ou flutuações de preços
consumidor tem sido cada vez mais exigente quanto aos alimentos que consome, principalmente quanto à origem e forma de
Oferta sazonal
produção dos animais, cabem às indústrias de produção e nutrição animal fornecer soluções
Qualidade inconsistente
sustentáveis para o abastecimento de
alimentos no mundo.
Origem com algum impacto, seja ambiental ou até social
Portanto, a disponibilidade de insumos alimentares provavelmente se tornará um dos principais obstáculos para a expansão sustentável da produção animal no mundo.
Por décadas, pesquisadores e empresas têm buscado alimentos alternativos para substituir total ou parcialmente os ingredientes convencionais usados na nutrição animal.
Surge então a pergunta: quais características um alimento deve conter para ser considerado ideal para nutrição animal?
Para atender a estas demandas e com base em estudos recentes, a FAO indica que o uso de insetos pode ser a resposta.
7 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
Importância dos insetos como alimento Ao se levar em consideração todos esses Ao se considerar um alimento ideal para nutrição animal, o mesmo deveria
aspectos, as opções de ingredientes para nutrição animal ficam totalmente escassas
cumprir, resumidamente, algumas premissas mercadológicas, nutricionais e
E é justamente nessa lacuna que os insetos
socioambientais. Desse modo, a matéria-
surgem como potencial alimento
prima ideal deve possuir:
para animais (e até humanos)
Baixo custo Constância de oferta Padrão de qualidade
insetos
Alto valor nutricional Não ser disputado no mercado para outros fins
São capazes de rapidamente transformar resíduos orgânicos de baixa qualidade e valor agregado, como restos de alimentos e resíduos agroindustriais, em biomassa de alto valor nutricional
Insetos também demandam pouca energia e água para sua produção
Também reduzem a carga de microrganismos patogênicos presentes em alguns substratos (como resíduos em decomposição e estercos)
Não competem por recursos alimentares humanos Reduzem a quantidade de compostos nitrogenados em 30-50% e de fósforo em 61-70% 8 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
Este cenário vai de encontro a pauta mundial da sustentabilidade, sendo que a produção de insetos alimentícios cumpre com ao menos 10 das 17 Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Na figura abaixo, pode-se verificar a quantidade de gases de efeito estufa emitidos na produção de diferentes
3.000
Por fim, relembro que os insetos servem
2.500
surgiram evolutivamente no planeta Terra,
como alimento para animais desde que há mais de 450 milhões de anos.
1.500 1.000 500
insetos
Emissão de gases de efeito estufa por kg de ganho de peso vivo
culturas animais.
Peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos (incluindo o homem) sempre
0
comeram insetos.
Figura 1. Quantidade de gases do efeito estufa emitida por quilograma de massa corporal de insetos, suínos e bovinos (Fonte: FAO, 2014)
Além disso, muito dos animais de produção que temos hoje, como aves de corte e poedeiras, suínos, peixes (várias espécies,
Vale ressaltar também que é possível produzir
tais como tilápia, tambaqui, truta, carpa,
insetos com pouca tecnologia, de maneira
pirarucu, matrinxã, etc), e também animais
doméstica, o que permite a produção de
de companhia, como cães, gatos, pássaros
proteína em lugares remotos, com limitados
e alguns PETs não convencionais, são todos
recursos naturais e/ou socioeconômicos.
naturalmente insetívoros. Portanto não há nada de muito inovador
O inseto pode até mesmo ser fornecido vivo aos animais, sem custos de processamento, possibilitando a oferta de um ingrediente de alta qualidade nutricional na atividade rural de subsistência.
em tratar os insetos como ingrediente para nutrição animal. Inovadoras são as tecnologias que estão sendo desenvolvidas para sua produção massal, bem como o desenvolvimento de produtos, como prebióticos e outros aditivos a base de insetos, como veremos a seguir.
9 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
Espécies de insetos alimentícios
Composição nutricional dos insetos
É muito importante ressaltar que não é toda espécie de inseto que tem aptidão para ser
Insetos são ricas fontes de aminoácidos,
fonte de alimento. Muitas inclusive podem
lipídios, vitaminas e minerais. A composição
ser venenosas. No mundo, há mais de 2000
nutricional dos insetos varia de acordo com:
espécies de insetos alimentícios catalogadas, sendo que grande parte se encontra no Brasil e nas regiões tropicais do planeta. Ainda que exista uma ampla gama de espécies
Condições em que foi cultivado Espécie e estágio de vida, ainda que dentro de uma mesma classificação taxonômica
de insetos alimentícios, a indústria e os pesquisadores têm focado em algumas poucas
insetos
espécies, como:
De modo geral, os insetos mais utilizados como alimento para animais apresentam:
Besouros (ex: tenébrio comum e gigante) Moscas (ex: mosca-soldado negra)
35 a 70% de proteína bruta
Baratas (ex: cinérea e de Madagascar) Grilos (ex: preto e doméstico)
3 a 11% de matéria mineral (nutrientes com base na matéria seca)
2 a 15% de carboidrato
9 a 40% de lipídeos
Figura 1. Mosca-soldado negra (Hermetia illucens)
10 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
O óleo de inseto, por sua vez,
Os perfis de aminoácidos da maioria das
tem se tornado um produto
espécies de insetos avaliadas como alimento
importante para as indústrias
para peixes mostram uma boa correlação
produtoras de insetos, como será
com as exigências nutricionais das espécies
mostrado mais adiante neste texto.
piscícolas cultivadas. A larva de mosca-soldado negra possui um perfil de aminoácidos considerado próximo ao da farinha de peixe e globalmente melhor quando comparado ao farelo de soja.
Insetos geralmente possuem altos níveis de lipídeos, principalmente na fase larval. O perfil de ácidos graxos do óleo dos insetos pode ser fácil e rapidamente modulado pela alimentação do inseto, permitindo a incorporação de ômegas 3 e 6, como diversos estudos já
Figura 2. Larvas de mosca soldado negra
insetos
demonstraram.
De modo geral, insetos possuem baixa quantidade de matéria mineral, mas podem ser fonte de:
Magnésio
Potássio
Selênio Ferro
Zinco
Cálcio
além de uma gama de vitaminas
Os perfis vitamínico e mineral dos insetos dependem, em grande parte, da composição da dieta dos insetos. Por exemplo, a produção de larvas de tenébrio comum com diferentes dietas resulta em diferentes composições de vitaminas e minerais das larvas.
11 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
Insetos na nutrição animal Já não restam mais dúvidas do ponto
Trago aqui apenas algumas breves informações
de vista técnico sobre a eficiência em se
para que o leitor da nutriNews tenha
utilizar insetos como alimento para animais
conhecimento sobre os aspectos nutricionais
monogástricos. Muitas foram as pesquisas
e a eficiência deste alimento para aves, suínos,
realizadas ao redor do mundo sobre o uso
peixes e PETs.
de insetos na alimentação animal. Não tenho a intenção de fazer deste artigo uma revisão bibliográfica sobre os estudos já publicados nessa temática.
insetos
Insetos na nutrição de aves Os insetos alimentícios podem ser fornecidos em forma de farinha, inteiros, desidratados ou até mesmo vivos, sendo esse último relativamente comum em produção de aves caipiras ou semiconfinadas por exemplo, para diminuir a bicagem de penas, melhorar o bemestar animal ou diminuir o estresse ambiental nesse setor (Oddon et al., 2019; Veldkamp & Van
Figura 3. Larvas e pré-pupas de mosca-soldado negra (Hermetia illucens)
Niekerk, 2019).
Em um estudo realizado por pesquisadores da USP e UFMG,
Schiavone et al., (2019) encontraram melhora no peso final de carcaça de frangos de corte alimentados com 10% de substituição de soja por farinha de larva de mosca-soldado negra. As pré-pupas de mosca-soldado negra também foram consideradas altamente palatáveis para codornas, que apresentaram maior preferência pela farinha de inseto quando comparada a ração a base de trigo e soja fornecida ad libitum (Ruhnke et al., 2017).
os frangos de corte apresentaram preferência por farinha de larva de tenébrio comparado aos ingredientes convencionais (milho e soja) e melhoraram também a eficiência alimentar (Nascimento Filho et al. 2020). Com relação a aves de postura, uma melhora significativa foi observada na aparência, textura e sabor dos ovos de codornas com a inclusão de mosca-soldado negra na dieta das aves (Al-Qazzaz et al., 2016).
12 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
A inclusão de níveis crescentes de T. molitor (0%; 1,5%; 3,0%; 4,5% e 6,0%)
Possibilitou um aumento linear da digestibilidade da matéria seca (MS) e da PB O que resultou em melhora no desempenho sem qualquer efeito na resposta imune (Jin et al., 2016)
Insetos na nutrição de suínos De acordo com Biasato et al. (2019), leitões aceitaram prontamente as dietas com 5 e 10% de farinha de larva de mosca-soldado negra em substituição a 30 e 60% do farelo de soja, não sendo observada diferença na digestibilidade dos nutrientes da dieta e ganho de peso dos animais. Os autores indicam a inclusão de 10% de farinha de larva de moscasoldado negra para leitões pós desmama.
Altmann et al. (2019) avaliaram a substituição do farelo de soja das dietas de suínos em crescimento e terminação por 50, 75 e 100% de farinha de larva de mosca-soldado negra parcialmente desengordurada e não observaram efeito negativo na qualidade da carne dos animais. Para os parâmetros sensoriais da carne, foi observado aumento na suculência da carne de animais alimentados com farinha de inseto, o que pode ter efeito positivo na preferência do consumidor por esses produtos.
13 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
insetos
Em substituição ao farelo de soja e óleo de soja na dieta de suínos pós-desmama
Insetos na nutrição PET Lei et al. (2019) estudaram a inclusão de
Como o cheiro do alimento desempenha um papel fundamental na indicação de preferências nutricionais caninas
0%, 1% e 2% de farinha de larva de moscasoldado negra na dieta de Beagles (19% PB)
Kierończyk et al. (2018) realizaram uma análise da atratividade olfativa de alimentos à base de larva de tenébrio, barata do Turquestão, larva de mosca-soldado e grilo comparando a uma ração granulada seca comercial para cães
e observaram aumento da digestibilidade da MS (71,9, 74,5 e 75,2%, respectivamente) e do N (73,1, 77,1 e 78,5%, respectivamente), sem alterar a digestibilidade do EE (média 78,8%). O perfil lipídico no sangue dos beagles também não foi influenciado pela inclusão de farinha de larva de mosca-soldado negra. Além disso, foi constatado um aumento na concentração da enzima glutationa peroxidase, sugerindo que a inclusão de insetos melhorou
insetos
a capacidade antioxidante dos animais. Lemos et al. (2020) avaliaram os parâmetros hematológicos e bioquímicos de cães sem
Os autores observaram um efeito positivo na atratividade com uso da larva de tenébrio e da barata do Turquestão, atribuindo a preferência às substâncias olfativas presentes nos insetos
raça definida após a inclusão de farinha da larva de T. molitor em diferentes níveis (0%, 2,5%, 5% e 7,5%) e não observaram diferenças
Em um estudo realizado por Beynen
significativas entre os tratamentos nos
et al. (2018), foi relatado que os cães
parâmetros avaliados.
tendem a preferir alimentos secos contendo farinha de larva de mosca-soldado negra em vez de farinha de larva de tenébrio comum (proporção de ingestão de 60:40; n = 10), enquanto os gatos preferiram a comida à base de larva de tenébrio (40:60; n = 10). Para PETs não convencionais, como répteis, anfíbios e pequenos mamíferos, podemos citar a utilização de insetos vivos, desidratados ou farinha de insetos na alimentação, não só como fonte de nutrientes, mas também de modo a aumentar a atratividade nas dietas comerciais, questões relacionadas ao bem estar-animal e também como fator de enriquecimento ambiental (Kierończyk et al., 2018).
14 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
Mastoraki et al. (2020), utilizaram
Insetos na nutrição aqua
farinha de larva de tenébrio, mosca-soldado negra e mosca doméstica (7,8%) na alimentação
Pesquisadores da UFLA e da UFMG avaliaram a inclusão de tenébrio comum, tenébrio gigante, barata cinérea, barata de Madagascar e grilo preto na dieta de alevinos de tilápia do Nilo. O estudo relatou que a digestibilidade aparente
de camarões (Palaemon adspersus). A inclusão de farinha de larva de mosca-soldado negra nas dietas, em substituição à farinha de peixe, resultou em um maior desempenho e maior taxa de sobrevivência dos camarões.
dos nutrientes da dieta varia significativamente de acordo com a espécie de inseto utilizada.
CLIA 2021
O tenébrio comum apresentou os melhores Os valores de digestibilidade da matéria seca,
Para contribuir para organização e propulsão
proteína e lipídeos foram de 95%, 85% e 90%
da cadeia produtiva de insetos alimentícios,
respectivamente (Fontes et al. 2019).
bem como seus usos e tecnologias para a nutrição animal na América Latina, iremos realizar nos dias 1, 2 e 3 de dezembro, o CLIA
Em sistemas de bioflocos, Tubin et al. (2020) verificaram que é possível incluir 10% de farinha de T. molitor em dietas para juvenis de tilápia sem prejuízo no desempenho zootécnico, composição da carcaça, índices somáticos e hematológicos.
2021 - Congresso Latino-americano de Insetos Alimentícios. O evento será online e bilingue (português/ espanhol) e abordará os principais aspectos da produção e uso de insetos alimentícios. Além de trazer os principais expoentes da área como palestrantes, o evento contará com uma Feira Virtual 3D, proporcionando uma experiência inovadora e única aos participantes. Deixo aqui o convite para todos os leitores da nutriNews participarem. Para mais informações, siga o perfil @clia.2021 no Instagram. Maiores informações e inscrições pelo site www.clia2021.com
Nos encontramos lá!
Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação
Figura 3. Barata de Madagascar
Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
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15 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: fantasia ou realidade?
insetos
coeficientes de digestibilidade para os peixes.
AVANÇOS DA NUTRIÇÃO IN OVO NA PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE OS
Itallo Conrado Sousa de Araújo1; Tainá Silva Brandão Lopes2 Professor Adjunto, Avicultura, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Aluna de Doutorado, Nutrição e Produção de Não Ruminantes, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
1
in ovo
2
O Brasil é hoje o maior exportador de carne de frango do mundo e, de acordo com ABPA (2021), produziu 13,84 milhões de toneladas de carne de frango no ano de 2020, ocupando o terceiro lugar em termos de produção mundial desse tipo de carne. Visando manter essa elevada produção é necessário a redução de custos e a melhoria da produtividade dentro da cadeia avícola. Nesse contexto, o incubatório apresenta papel fundamental pois, a partir dos ovos férteis são produzidos os pintos de um dia.
17 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
De forma didática pode-se dizer que
Entretanto, a tecnologia da nutrição in ovo
o processo de incubação artificial é
ainda não é aplicada em escala industrial,
responsável por cerca de 33% da vida
porém o potencial dos resultados obtidos
produtiva total dos frangos de corte, que
nas experimentações é promissor.
são abatidos em média aos 42 dias.
Apesar de já serem encontradas
Assim, o período embrionário é
pesquisas com a nutrição in ovo
muito importante para a obtenção
para embriões de poedeiras, perus,
de melhores taxas de produção de
codornas, patos e pombos, aqui serão
frangos de corte em granjas.
abordados aspectos da inoculação in ovo para embriões de frangos de
A produtividade e eficiência dos incubatórios são medidas,
corte, pois há diferenças entre sua aplicação para as demais espécies.
principalmente, em termos do número e da qualidade dos pintos nascidos. Visando melhorar esses índices
in ovo
produtivos diversas pesquisas têm sido realizadas na área da incubação e a nutrição in ovo tem aparecido em diversos estudos por todo o mundo.
Os primeiros estudos relacionados a nutrição in ovo ou alimentação in ovo para embriões de frangos de corte são do final da década de 90 e início dos anos 2000. No ano de 2003, foi desenvolvida uma
A tecnologia da nutrição in ovo pode ser considerada uma área de estudo recente na indústria avícola.
solução nutritiva contendo carboidrato e ácidos orgânicos protegida por uma patente (Uni & Ferket, 2003) registrada nos Estado Unidos (registro n. 6.592.878).
A ideia de inocular substâncias nutritivas ou não nutritivas para os embriões iniciou-se a partir da prática da vacinação in ovo, que hoje é amplamente utilizada em todo mundo. Para ter-se uma noção, cerca de 95% dos incubatórios norte americanos
A solução foi desenvolvida por dois pesquisadores pioneiros no estudo da nutrição in ovo, a professora Zehava Uni da Universidade Hebraica de Jerusalém de Israel e o professor Peter Ferket da Universidade da Carolina do Norte dos Estados Unidos.
e mais de 55% dos incubatórios
A partir desse primeiro registro
brasileiros utilizam a tecnologia da
houve maior número de pesquisas
vacinação in ovo.
relacionadas a nutrição in ovo.
18 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
Na prática a técnica consiste na inoculação de soluções exógenas para auxiliar o desenvolvimento embrionário
Cavidade alantóide
Cavidade amniótica
e a eclosão dos pintos. Uma agulha atravessa a casca do ovo, a câmara de ar e alcança o local de inoculação. A cavidade amniótica tem sido apontada como o melhor local para se inocular as soluções nutritivas, uma vez que o embrião do frango de corte ingere
Saco de gema
o líquido amniótico quando inicia o processo de eclosão por volta de 15-16 dias de desenvolvimento embrionário. O local e a idade do embrião no momento da inoculação são determinantes no sucesso da substância inoculada e também da
Câmara de ar
in ovo
tecnologia e dependem do tipo de finalidade da inoculação.
Diante das pesquisas mais recentes, pode-se afirmar que se a finalidade da inoculação é nutritiva com intuito de melhorar a condição do embrião para eclosão, por uma questão logística a inoculação deve ser feita durante a transferência dos ovos com 18 dias e a solução depositada no líquido amniótico. Alguns estudos testaram a inoculação no começo do desenvolvimento embrionário, entretanto do ponto de vista técnico não é viável a ruptura da casca, injeção e posterior vedação do orifício de inoculação para dar continuidade no processo de incubação, pois haveria muita perda de água que causaria a mortalidade do embrião. Assim, a nutrição da matriz deve suportar completamente o desenvolvimento do embrião e a nutrição in ovo poderá contribuir melhorando as condições de nascimento do pinto.
Os diversos estudos desenvolvidos desde os anos 2000 relacionados a inoculação in ovo testaram diferentes quantidades de soluções a serem administradas, isso porque depende do tipo de solução e de sua composição química. No geral, hoje podemos afirmar que o volume indicado é de até 500 microlitros de solução (0,5mL), outro ponto importante e bastante discutido é a osmolaridade da solução. Quando uma solução eleva a osmolaridade do ambiente de desenvolvimento do embrião, esse desequilíbrio osmótico pode causar a morte embrionária. Portanto, as soluções devem ser testadas e a osmolaridade não deve ultrapassar a concentração de 1000 mOsm.
19 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
Observados esses aspectos técnicos, podemos passar para a aplicação e nos questionamentos de por que
Maior eclosão e qualidade física dos pintos neonatos
fazer o uso da nutrição in ovo.
A dieta da matriz do frango de corte e a quantidade de nutrientes que a galinha
Melhor desenvolvimento do sistema imunológico, sistema digestório
um correto desenvolvimento embrionário. Entretanto com os avanços da genética dos frangos de corte, aumento de metabolismo e dos requisitos nutricionais
1 2
deposita no ovo são suficientes para garantir Melhor desempenho e viabilidade da primeira semana de vida
3
a tecnologia da nutrição in ovo poderá beneficiar o desenvolvimento
Os efeitos observados nos experimentos que estudaram a inoculação de substâncias in ovo incluem:
embrionário, principalmente na fase final
in ovo
da incubação.
De modo geral as pesquisas têm evoluído
A nutrição in ovo para embriões de frangos de corte trabalha com o uso individual ou combinado das substâncias. Dentre as principais substâncias inoculadas in ovo relatadas na literatura mais recente pode-se citar:
para a inoculação da substância que vai auxiliar o embrião juntamente com a vacina aplicada na transferência dos ovos. Nesse aspecto, outro ponto extremamente relevante e que deve
minerais aminoácidos carboidratos
extratos vegetais
ácidos vitaminas orgânicos
passar a ser testado é a interação da substância a ser inoculada juntamente com a vacina. A substância inoculada não pode anular o efeito protetivo que a vacina deve gerar no embrião, assim essa área é uma das que merece atenção e estudo.
CARBOIDRATOS O metabolismo energético é um dos desafios que os embriões de frangos de corte encontram durante a última fase de incubação. As reservas de energia são essenciais para o processo de bicagem da casca e efetiva eclosão no final da incubação e requerem alta demanda por substâncias energéticas.
20 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
A deficiência de energia pode resultar
Na fase final do desenvolvimento
em uma eclosão deficiente e até mesmo
embrionário e no momento em que se
em morte embrionária (Uni et al., 2005),
inicia o processo de eclosão a demanda
portanto, a injeção de carboidratos in ovo
energética para contração muscular é alta
foi proposta como um meio possível de
e a disponibilidade de oxigênio é limitada.
fornecer energia para auxiliar o embrião durante a fase final da incubação. Vale destacar que os ovos são ricos em proteínas e lipídeos, porém possuem uma baixa concentração de
Os estudos com carboidratos foram os pioneiros da nutrição in ovo e merecem destaque pois mostram:
carboidratos (0,3%).
Aumento no peso inicial dos pintos
Portanto, a gliconeogênese é uma
Maior disponibilidade de glicogênio hepático e muscular, comprovando que o embrião pode poupar essa reserva energética e consumir o carboidrato injetado in ovo.
obtenção de energia, entretanto, essa
das vias em que o embrião utiliza para utilização pode consumir as reservas de glicogênio muscular e hepático o que pode causar comprometimento do
Entretanto, esses primeiros trabalhos
in ovo
desenvolvimento embrionário nessa fase pré-eclosão.
relataram diminuição nos índices de eclosão dos pintos, talvez devido a dificuldades encontradas nas técnicas de inoculação que era feita com agulha de maneira manual e experimental.
Os estudos mais recentes com uso de carboidratos como glicose in ovo mostraram não haver diferenças para as taxas de eclosão ou ainda melhores taxas de eclosão para ovos inoculados com carboidratos com maior peso ao nascimento e melhoria no desempenho dos frangos de corte (Shafey et al., 2012; Zhang et al., 2016). Esses resultados parecem estar relacionados a melhoria na técnica de injeção in ovo que não promoveram mais a morte dos embriões por erros na inoculação.
21 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
Com o intuito de evitar a ativação da via de gliconeogênese na fase final embrionária, diversos estudos avaliaram a inoculação de carboidratos como: glicose frutose sacarose maltose em embriões de frango de corte e observaram aumento de até 41% no peso ao nascimento entre aves que receberam carboidratos in ovo contra aves que não receberam (Zhai et al., 2011; Retes et al., 2018).
in ovo
Além de resultados positivos sobre eclosão e peso inicial dos neonatos, as pesquisas tem sugerido que a presença dos carboidratos no lúmen intestinal dos pintos favorece:
Desenvolvimento do trato gastrintestinal
dos Santos et al. (2010) observaram que quando os embriões de frangos de corte recebem no terço final do desenvolvimento embrionário os carboidratos exógenos, há redução na utilização do conteúdo do saco da gema devido à utilização dos carboidratos exógenos como fonte de energia extra. O que indica a obtenção de energia via oxidação dos carboidratos exógenos em detrimento da oxidação do conteúdo lipídico do saco da gema.
A partir de uma revisão sobre o uso de carboidratos in ovo pode-se observar melhoria no estado energético do embrião, com aumento das reservas de glicogênio hepático e muscular o que é útil para aumentar o desenvolvimento do embrião, do trato gastrintestinal e, consequentemente, melhorar os resultados de incubação e o desempenho dos pintos durante os estágios iniciais pós-nascimento.
Capacidade absortiva pós-nascimento (Tako et al., 2004)
Ou ainda que o fornecimento in ovo de nutrientes permite que esses sejam transferidos do fluido amniótico para o saco da gema O que proporciona maior peso deste anexo embrionário e consequentemente do embrião pós-nascimento (Zhai et al., 2011).
22 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
AMINOÁCIDOS
O fornecimento de aminoácidos in ovo para embriões de frango de corte promoveu
DURANTE O DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO NORMAL
um aumento na densidade de células caliciformes, na altura e área de vilosidades e na: Relação vilo: criptas
a partir do 15º dia de incubação a taxa de desenvolvimento morfológico e funcional do trato gastrointestinal eleva-se, proporcionando desenvolvimento das vilosidades
Aumento da atividade de enzimas como amilopeptidase Isomaltase Pepsina proventricular Amilase pancreática após o fornecimento de glutamato
aumento no número de enterócitos e células enteroendócrinas
Zinco-metionina
in ovo
Treonina Arginina
contribuindo para a expansão da área de digestão e capacidade de absorção de nutrientes. Nessa fase é detectada a atividade de:
in ovo no 18° dia de incubação em relação a aves que receberam solução salina (Kadam et al., 2008; Moreira Filho et al., 2019; Wang et al., 2020).
dipeptidases tripeptidases
Uma outra abordagem relaciona-se com o fornecimento de aminoácidos
isomaltase
in ovo à capacidade de combater o estresse oxidativo em situações de
sucrase Aminopeptidase provenientes de
estresse térmico durante a incubação.
reações enzimáticas que são carreadas por transportados peptídicos até os enterócitos (Givisiez et al., 2020). Sendo assim, a nutrição in ovo pode ser utilizada como estratégia para acelerar o desenvolvimento morfológico e funcional do trato gastrointestinal.
23 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
Em situações de adaptação metabólica
Nota-se que a utilização da tecnologia
ao estresse térmico o organismo das
de nutrição in ovo, apesar de
aves pode acelerar algumas reações
considerada recente, tem grande
metabólicas e como consequência,
potencial para ser utilizada nos
elevar a liberação de radicais livres,
incubatórios industriais.
moléculas capazes de modificar
Nessa revisão foi possível observar os
lipídeos, proteínas e ácidos
desafios e benefícios da utilização dos
nucleicos e assim, comprometer o
carboidratos e aminoácidos, mas é
desempenho zootécnico.
importante ter em mente que existem outras substâncias que podem ser fornecidas in ovo como:
Os aminoácidos sulfurados como metionina e cisteína agem como precursores de moléculas antioxidantes ou como receptores de radicais livres, diminuindo possíveis
in ovo
danos celulares. Além disso, são capazes de
as vitaminas minerais pré/próbióticos que serão abordados na segunda parte desta revisão.
reduzir a liberação de proteínas marcadoras de estresse térmico (HSP70) e corticosterona em embriões de frangos de corte que passaram por manipulação térmica (Elnesr et al., 2019).
Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
BAIXAR EM PDF As referências serão disponibilizadas mediante solicitação
Sendo assim, os avanços na nutrição in ovo voltados para o fornecimento de aminoácidos, principalmente metionina, treonina e arginina, tem sua atenção focada principalmente na modulação do desenvolvimento e saúde intestinal dos frangos de corte, assim como, na adaptação à estratégia de manipulação térmica durante a incubação.
24 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte
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BENEFÍCIOS NUTRICIONAIS DO SISTEMA DE BIOFLOCOS PARA A PRODUÇÃO DE JUVENIS DE TILÁPIA
bioflocos
Emerson Giuliani Durigon1, Tayna Sgnaulin2, Sara M Pinho3, Jéssica Brol4, Rafael Lazzari5 e Maurício Gustavo Coelho Emerenciano⁶ 1 Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil 2 Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Universidade do Oeste de Santa Catarina, Toledo, PR, Brasil 3 Doutoranda pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Centro de Aquicultura da Unesp, Jaboticabal, SP, Brasil, Mathematical and Statistical Methods (Biometris), Wageningen University, Wageningen, Netherlands 4 Mestre em aquicultura pelo Programa de Pós-Graduação em Aquicultura, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brasil 5 Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Professor Associado III, Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Maria, Palmeira das Missões, RS, Brasil 6 CSIRO Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, Centro de Pesquisa da Ilha Bribie, Woorim, QLD, Austrália
A aquicultura é uma importante atividade que gera renda e proteína animal de alta qualidade. Em 2018, a produção aquícola mundial foi de 82,1 milhões de toneladas, um crescimento de 6,82% em comparação a 2016 (Food & Agriculture Organization FAO, 2020). A piscicultura contribuiu com 66,12% do total produzido e entre os peixes, a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) é a terceira espécie mais produzida (Figuras 1 e 2), com aproximadamente 4.200 mil toneladas despescadas em 2018, representando 8,3% do volume total de peixes neste mesmo ano e 12,45% a mais do que o produzido nos dois anos anteriores (FAO, 2018).
26 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
8,8%
5.000
8,3%
7,7%
4.000
5,8%
3.000 2.000 1.000 0 Carpa capim Carpa comum
Carpa prateada
Tilápia
Carpa cabeça grande
Figura 1. Produção (volume e participação percentual) das espécies de peixe mais produzidas mundialmente Fonte: FAO 2020
bioflocos
A tilápia é a principal espécie produzida, somente em 2020 mais da metade da produção brasileira foi desta espécie, com 486,15 mil toneladas (60,6% do total) (Figura 3). Este crescimento consolidou o Brasil como o 4º maior produtor mundial, atrás apenas da China, Indonésia e Egito (Peixe BR 2021).
6.000 10,5% VOLUME PRODUZIDO (TONELADAS)
No Brasil, a piscicultura vem ganhando cada vez mais representatividade no agronegócio nacional, mesmo consumindo apenas 1,3 % do total de rações para animais no país. Entre 2014 e 2020, o volume de peixes produzidos passou de 578,80 mil toneladas para 802,93 mil toneladas, representando um crescimento superior a 35% (Peixe BR 2021).
Figura 2. Exemplar de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus). Fonte: Arquivo pessoal
27 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
VOLUME PRODUZIDO (TONELADAS)
600 12%
500 400
12%
8%
11%
300
Atualmente, a produção de juvenis em escala e com qualidade, ainda é escasso, tornando seu valor de mercado elevado.
200 100
0
2017
2018 ANOS
2019
2020
Figura 3. Produção nacional de tilápias, com o volume de produção em toneladas e a percentagem de crescimento da produção em cada ano Fonte: Peixe BR 2021
bioflocos
No entanto, a disponibilidade de juvenis de boa qualidade para iniciar o processo de engorda é um gargalo na produção de tilápias em sistemas multifásicos.
De maneira geral, a produção de tilápias ocorre de forma monofásica, com povoamento direto do alevino até a engorda, ou multifásica, quando há divisão entre as fases de cultivo (alevinagem, recria ou berçário e engorda) (Senar, 2018).
Cultivos multifásicos, por sua vez, possibilitam melhor controle da produção, promovendo maior sobrevivência e uniformidade dos lotes, podendo-se ampliar o número de ciclos anuais de cultivo. Isto pode ocorrer porque o povoamento do viveiro de engorda ou tanque-rede se dá com animais maiores, conferindo assim um maior controle, maior previsibilidade da despesca e reduzindo o tempo de cultivo nessa fase.
Normalmente os cultivos são realizados em viveiros escavados com troca de água continua, o que pode comprometer a biosseguridade facilitando a entrada de patógenos. Uma opção para o setor ganhar escala, controle e previsibilidade seriam cultivos na fase de berçário em ambientes fechados, intensivos e controlados como os sistemas de recirculação de água (‘RAS’ na sua sigla em inglês), bioflocos ou híbridos (BioRAS).
Essa produção escalonada de juvenis nestes sistemas já ocorre em outras industrias aquícolas como a do salmão e do camarão marinho Litopenaeus vannamei. Na tilapicultura, a adoção dessas novas tecnologias ainda é tímida e pesquisas vêm sendo desenvolvidas visando aprimorar esses sistemas e alavancar ainda mais a produção de tilápias.
28 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
Como mencionado anteriormente, o sistema de bioflocos (BFT) é um exemplo dessas novas
Nutricionais, pois os agregados de microrganismos ou “bioflocos” produzidos no sistema servem de alimento para os peixes, podendo suprir parte da demanda proteica (Green et al., 2019; Hisano et al., 2019; Durigon et al., 2020);
Biossegurança, uma vez que é um cultivo mais biosseguro por demandar menor entrada de água no sistema, reduzindo a entrada de patógenos (cultivos mais controlados) (Avnimelech e Kochba, 2009; Emerenciano et al., 2013b), ou por meio da competição/ inibição dos organismos patogênicos pelos microrganismos benéficos do Sistema BFT (Monroy-Dosta et al., 2013). Este último ponto é extremamente importante na atual situação da tilapicultura que cada vez mais vem sofrendo pela presença de bacterioses como Streptococcus spp. e Aeromonas spp.
Ambiental, pela baixa ou nula renovação de água; com possibilidade de reuso (Avnimelech e Kochba, 2009)
Conceitualmente, o BFT consiste em um sistema com mínima troca de água e o fomento do crescimento de microrganismos específicos. Para isso, há necessidade de manipular a relação carbono/nitrogênio (C/N) da água, através da adição de uma fonte externa de carbono em momentos pertinentes durante o ciclo, e fornecer aeração e movimentação constante da água.
Esses microrganismos, principalmente bactérias heterotróficas, bactérias nitrificantes e uma rica comunidade microbiana, reciclam os nutrientes e auxiliam assim na manutenção da qualidade da água. Além disso, como mencionado anteriormente, são fontes complementares de alimentos disponíveis 24h por dia para os animais cultivados.
Figura 4. Imagem ilustrando uma unidade de produção comercial de tilápias empregando o sistema de bioflocos. Fonte: Peixe Zago
29 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
bioflocos
tecnologias (Figura 4). Entre os benefícios desse sistema no cultivo de juvenis de tilápias, destacamos:
ASPECTOS NUTRICIONAIS DO SISTEMA DE BIOFLOCOS
Geralmente, na formação dos bioflocos
Além da qualidade dos juvenis, o alto
a uma menor turbidez e maior
custo das rações é um fator limitante na
disponibilidade de luz.
produção de tilápias. Um dos principais benefícios dos sistemas de bioflocos para a produção de juvenis desta espécie é o consumo dos microrganismos característicos do sistema. O perfil e frequência desses microrganismos são variáveis e dependem de diversos fatores, entre eles:
são observadas maiores quantidades de microalgas no início, devido principalmente
Com o passar do tempo e estabilização do sistema, a tendência é uma diminuição das algas e maior concentração de bactérias (heterotróficas e quimioautotróficas), além de outros microrganismos como protozoários, rotíferos e nematoides (Brol et al., 2017; Durigon et al., 2019; María del C Monroy-Dosta et al., 2013).
fonte de carbono utilizada
bioflocos
intensidade luminosa relação predador x presa estágio de maturação dos flocos, entre outros (Emerenciano et al.,
A composição do bioflocos é influenciada por diversos fatores, como:
Condição ambiental Nível de sólidos suspenso total
2013a). Intensidade da luz Fonte de carbono utilizada Relação C:N Salinidade da água (Emerenciano et al., 2013b)
30 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
O perfil microbiano (maior ou menor presença de algas ou bactérias)
Vale ressaltar que há uma grande
e tempo de cultivo do sistema de
variabilidade na composição dos
BFT também podem alterar sua
bioflocos, sendo que os valores de
composição (Durigon et al., 2020).
proteína podem chegar próximos a 50%.
Alguns trabalhos que avaliaram a composição bromatológica dos bioflocos
Entretanto os níveis de matéria
são apresentados na Tabela 1.
mineral, ou cinzas também chamam atenção pelos seus valores elevados, o que requer alguma atenção.
PB (%)
Carb (%)
Lipídios (%)
FB (%)
Cinzas (%)
Referências
31.2
ND
2.6
ND
28.2
(Tacon et al., 2002)
30.4
ND
1.9
12.4
38.9
(Ju et al., 2008)
49.0
36.4
1.13
12.6
13.4
(Kuhn et al., 2009)
38.8
25.3
<0.1
16.2
24.7
(Kuhn et al., 2010)
30.4
29.1
0.5
0.8
39.2
(Emerenciano et al., 2012)
18,1
35.7
0.3
2.1
34.5
(Emerenciano et al., 2013a)
26.3
20.2
0.7
3.4
41.5
(Emerenciano et al., 2013a)
17.39
ND
1.22
ND
28.84
(Durigon et al., 2020)
18.89
ND
0.8
ND
18.35
(Sgnaulin et al., 2020)
bioflocos
Tabela 1: Composição bromatológica de bioflocos, valores com base na matéria seca
PB: Proteína Bruta; Carb: Carboidratos; FB: Fibra Bruta; ND: Não determinado.
31 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
Esse sistema, além de ser uma importante
Segundo Avnimelech, (2007), 20-30%
fonte de alimento com elevado nível de
das necessidades nutricionais das
proteína, pode contribuir com
tilápias poderiam ser atendidas pelo
aminoácidos considerados essenciais para os animais aquáticos como
Neste sentido, algumas estratégias
treonina, arginina, valina, fenilalanina,
alimentares podem ser empregadas
isoleucina, leucina e lisina,
para otimizar o consumo dos
além de aminoácidos não essenciais, incluindo asparagina, glutamina, serina, glicina, alanina e prolina,
bioflocos pelos peixes cultivados, bem como reduzir custos e impactos da tilapicultura.
mas deficientes em tirosina (Robles-
A restrição alimentar é uma das
Porchas et al., 2020),
estratégias alimentares utilizadas no BFT,
também contém uma excelente composição de ácidos graxos (Azim e Little, 2008; Emerenciano et al., 2013b).
bioflocos
consumo contínuo de bioflocos.
Além de ser uma importante fonte de carotenoides e compostos antibacterianos que são responsáveis pela melhora na saúde e no estado fisiológico dos organismos aquáticos (Xu e Pan, 2013). Foi observado que o sistema de BFT pode desempenhar importante papel na redução do estresse oxidativo e no
normalmente empregada para estimular os peixes a consumirem ainda mais o alimento natural disponível, reduzindo os custos com ração.
Estudos recentes mostraram que a restrição alimentar por até 12 dias e realimentação por 36 dias, durante um cultivo de 144 dias em sistema BFT, não trouxe prejuízos para o crescimento das tilápias (Gallardo-Collí et al., 2020). Restringir o aporte de ração por 3 dias na semana, foi proposta como uma estratégia para reduzir os custos de mão-de-obra para juvenis de tilápias (Correa et al. 2020).
aumento da resposta imune (Cardona et al., 2016; Zhao et al., 2012).
32 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
Claramente, um efeito compensatório
Outra estratégia que pode ser utilizada
do bioflocos é percebido para a tilápia,
no cultivo de tilápias em BFT é a redução
melhorando a eficiência alimentar
dos níveis proteicos da dieta, que além
e possibilitando uma redução na
de possibilitar a utilização de dietas mais
quantidade de ração ofertada.
baratas, ainda diminui o aporte de nitrogênio
Além disso, Cavalcante et al. (2017) mostrou que 15% de privação de
no sistema pela menor excreção de amônia (Meurer et al., 2003).
ração não afetou o desempenho dos
Na tabela 2 são apresentados alguns
peixes e promoveu uma redução de
trabalhos em BFT que avaliaram níveis
amônia e nitrito.
proteicos para tilápias em diferentes fases.
Nesse sentido, tal estratégia parece
Na fase inicial, 0,51 g, se faz necessário níveis
ser uma ferramenta promissora na
de 45% de PB (Abdel-Tawwab et al., 2010),
produção de tilápia em bioflocos, pois
entretanto, Durigon et al. (2019) avaliaram
pode haver uma redução dos custos
níveis proteicos nesta mesma fase relataram
com a mão de obra para alimentar em
que mesmo em baixos níveis proteicos (26%
até 40% (Correa et al. 2020).
PD com suplementação de lisina metionina e treonina) o sistema de BFT parece ter um
também tem sido apresentada como um benefício do BFT. Juvenis de tilápia de ~5 g cultivados em bioflocos tendem a crescer similarmente a frequência alimentar de 4 ou 6 vezes por dia (Hisano et al., 2020).
efeito protetivo contra ectoparasitas para as
bioflocos
Reduzir a frequência de aporte de ração
tilápias. Tilápias de 100 g de peso, mesmo alimentadas com rações contendo menos proteína (24% PB e 35%PB) em sistemas BFT, conseguem manter o crescimento similar a sistema de água clara, pois os microrganismos são um suplemento alimentar (Azim e Little, 2008).
Enquanto que, juvenis de ~ 30g podem ser alimentados apenas 1 vez por dia, sem prejuízos ao desempenho (da Silva et al., 2020).
33 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
bioflocos
Tabela 2: Níveis proteicos avaliados para tilápias criadas em BFT Níveis testados
Peso inicial (g)
Duração (dias)
Peso Final (g)
Nível recomendado
Referência
25, 35 e 45
0,51
70
10,30
45% PB
Abdel-Tawwab et al., 2010 #
22, 26 e 30
0,99
42
7,78
26 % PD
Sgnaulin et al., 2020 #
22, 26 e 30
1,25
42
6,90
26 % PD
Durigon et al., 2019 #
24, 28, 32 e 36
1,42
56
34,76
32% PB
Pinho et al., 2021*
17, 21, 25, 29 e 33
9,94
61
63,07
28% PB ou 26% PD
Silva et al., 2018 *
25, 35 e 45
20,33
70
45,20
35% PB
Abdel-Tawwab et al,, 2010 #
23, 27, 31 e 35
39,1
63
179,1
27% PB
Nguyen et al., 2021*
20 e 30
48,00
70
148,02
20% PB
Mansour e Esteban, 2017*
17, 21, 25, 29 e 33
47,75
91
243,44
22% PB ou 20% PD
Silva et al., 2018*
22,5, 27,7 e 32,3
73,50
122
564,00
27,7% PD
Green et al., 2019 #
25 e 35
100,00
84
140,72
25% PB
Azim e Little, 2008*
* Níveis testados com base na proteína bruta da dieta, # níveis testados com base na proteína digestível da dieta. Outro fato que vale destaque em relação ao BFT é o efeito desse sobre a resposta imune
Mansour; Esteban, (2017) observaram
dos animais.
que tilápias criadas com BFT apresentam
Pois a resposta imune pode ser potencializada pela presença de proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais presentes no BFT (Trichet, 2010), sendo que esses nutrientes, podem ser
maior atividade enzimática (atividade fagocítica, catalase e superóxido dismutase) que tilápias criadas em água clara, evidenciando assim uma proteção das tilápias contra a ação oxidativa.
aproveitados, aumentando a quantidade e, ou qualidade dos mesmos (Ekasari et al., 2014; Xu e Pan, 2014).
34 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
Comparando o sistema de água clara com
Avnimelech e Glasner (2017)
o BFT, foi observado que o sistema de BFT
compararam a prevalência de
produz efeito estimulante sobre a resposta
diferentes ectoparasitas em sistemas
imune de tilápias (Long et al., 2015). Para
de viveiro de alto volume de água e
Rodrigues, et al (2015) este sistema tem
bioflocos, após 12 dias de infestação
ação imune estimulante, pois há uma
com diferentes ectoparasitas.
grande quantidade de bactérias presentes.
Foi detectado que após 48 dias o
Além disso, o BFT também diminui a
sistema de bioflocos demonstrou um
ocorrência de ectoparasitas no muco
baixo grau de infestação, resultados
de O. niloticus comparados com
estes que podem ser explicados pela
sistemas de água clara (Emerenciano
competição entre microrganismos do
et al., 2009).
BFT com patógenos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS se tecnificando e buscando alternativas
No entanto, a utilização de dietas com menores
para otimização da produção e redução de
níveis proteicos devem ser feitas com muita
custos. O sistema de bioflocos é uma opção
cautela, pois as dietas existentes no mercado
para a criação da tilápias principalmente
com menores níveis proteicos podem não
na fase de berçário, tendo em vista os
atender à exigência de alguns aminoácidos
diversos atributos das espécies como hábito
limitantes para o crescimento.
alimentar e tolerância a altas densidades.
Num futuro próximo, a elaboração de
Paralelamente, o sistema de BFT
dietas específicas para este sistema deve
pode ser uma alternativa para limitar
virar uma realidade.
a prevalência de microrganismos patogênicos, tendo em vista a
Da mesma forma, a utilização de estratégias
competição por espaço e nutrientes.
alimentares com restrições muito longas e baixas frequências alimentares, apesar
Além disso, o aproveitamento do alimento
de apresentarem resultados promissores,
natural disponível no BFT pelas tilápias
também estão em fases iniciais de pesquisas
proporciona ótimos resultados de desempenho zootécnico, além de contribuir na redução do custo com alimentação.
e a utilização em escala comercial precisa ser validada. Neste sentido, o acompanhamento de
Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
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A bibliografia estará disponível mediante solicitação Contato do autor: emersom_durigon@hotmail.com
um técnico especializado é de extrema importância para garantir o sucesso deste sistema de produção, principalmente na fase inicial onde requer mais cuidados.
35 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Benefícios nutricionais do sistema de bioflocos para a produção de juvenis de tilápia
bioflocos
A tilapicultura nacional está cada vez mais
micotoxinas
TERMOESTABILIDADE DO DETOXA® PLUS AO PROCESSO DE PELETIZAÇÃO
O processo de peletização consiste na aglomeração de ingredientes ou mistura, em formato cilíndrico conhecido como pellet. Os ingredientes são aglomerados por meio de ação mecânica combinados com temperatura, pressão e presença de umidade. O objetivo deste trabalho foi avaliar a termoestabilidade das enzimas presentes no Detoxa® Plus frente ao processo de peletização de ração.
36 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Termoestabilidade do detoxa® plus ao processo de peletização
METODOLOGIA
Os testes foram realizados com uma
INGREDIENTE
PORCENTAGEM
peletizadora Amandus Kahl 14-175. A
DL-Metionina
0,06
Carbonato de Ca
1,35
Núcleo Vit-Min
0,485
Cloreto de Na
0,45
L-Lisina
0,5
Fósforo monocálcico
0,5
L-Treonina
0,16
Trigo
46,35
Farelo de soja
16
Milho
24
Óleo vegetal
0,125
Girassol
10
L-Triptofano
0,005
Fitase
0,015
capacidade da peletizadora é de 20 a 80 kg/hora.
RAÇÃO A ração comercial utilizada foi uma formulação para suínos cuja fórmula está na Tabela 1, abaixo. Nos tratamentos em que foi utilizado o Detoxa® Plus, foi incorporado a uma taxa de 1 kg/ton. Todos os tratamentos foram feitos com três repetições.
CAPACIDADE DE ELIMINAÇÃO DE ZEARALENONA Uma contaminação de 0,35 µmol de Zearalenona foi misturada com 0,5 g da amostra de ração após tratamento térmico. Em seguida, a atividade enzimática foi avaliada em um equipamento
micotoxinas
EQUIPAMENTO
Tabela 1. Fórmula da ração utilizada para o processo de peletização
termostático a uma temperatura de 37ºC, com pH de 5,0 pelo período de duas horas.
A atividade enzimática foi
Após a reação enzimática, a Zearalenona
determinada como a capacidade de
restante foi avaliada pelo HPLC usando as
eliminação da concentração inicial
seguintes características:
de Zearalenona. Em seguida, um microlitro de enzima degradante
Coluna: C-18, 10x2 mm.
de Zearalenona foi definida como
Eluente: acetonitrila de 50-50 v/v, a um fluxo de 0,2 ml/min. Espectrofotometria: 236 nm
a quantidade de enzima capaz de transformar 1 µmol de Zearalenona sob as condições do teste (pH: 5.0, T: 37ºC por duas horas)
37 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Termoestabilidade do detoxa® plus ao processo de peletização
CAPACIDADE DE ELIMINAÇÃO DE FUMONISINA B1 (FB1) Uma contaminação de 0,15µmol de FB1 foi misturada com 0,5 g da amostra de ração após tratamento térmico. Em seguida, a atividade enzimática foi avaliada em um equipamento termostático a uma temperatura de 37ºC, com pH de 5,0 pelo período de duas horas.
A atividade enzimática foi determinada como a capacidade de redução da concentração inicial de FB1. Em seguida, um microlitro de enzima degradante de FB1 foi definida como a quantidade de enzima capaz de transformar
Após a reação, o FB1 restante foi
1 µmol de Fumonisina B1 sob as
avaliado pelo HPLC usando as seguintes
condições do teste (pH: 5.0, T: 37ºC
características:
por duas horas).
Coluna: C-18, 150x4.6mm. Eluente: Metanol – 0.1 M
micotoxinas
Dihidrogenofosfato de sódio (70 + 30 v/v), pH: 3.3 a 0.6 ml/min de fluxo. Espectrofotometria: 440 nm.
TRATAMENTOS E RESULTADOS A ração utilizada para peletização foi ração comercial para suínos. A peletizadora usada foi da marca Amandus Kahl 14-175, o tempo de peletização foi de 240 segundos nas temperaturas de 75, 80, 85°C. Na Tabela 2 temos os resultados percentuais de eliminação de ZEA e FB1 por amostra, análise por HPLC e a média da avaliação por triplicata nas diferentes temperaturas. O Gráfico 1 demonstra os resultados médios de eliminação de ZEA e FB1 por amostra, análise por HPLC, nas diferentes temperaturas pelo tempo de 240 segundos.
38 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Termoestabilidade do detoxa® plus ao processo de peletização
Temperatura de peletização(oC)
Percentual de eliminação de ZEA/amostra
Amostra 1-1 Amostra 1-2
Percentual médio de eliminação de ZEA
Percentual de eliminação de FB1/amostra
96 75
93
97
97
98
Amostra 1-3
99
95
Amostra 2-1
97
99
Amostra 2-2
80
97
96
94
Amostra 2-3
95
95
Amostra 3-1
93
91
Amostra 3-2
85
95
96
Amostra 3-3
Percentual médio de eliminação de FB1
88
95
95
96
88
86
75oC
80oC
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%
85oC Temperatura Co
micotoxinas
Tabela 2. Resultados percentuais de eliminação de ZEA e FB1 por amostra e a média da avaliação por triplicata nas diferentes temperaturas.
CONCLUSÃO As enzimas presentes no Detoxa® Plus são termoestáveis ao processo de peletização da ração a uma temperatura de 85°C por 240 segundos.
Percentual de eliminação de ZEA Percentual de eliminação de FB1 Grafico 1. Porcentagem de eliminação das micotoxinas ZEA e FB1 em diferentes temperaturas de peletização por 240 segundos. Termoestabilidade do Detoxa® plus ao processo de peletização
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39 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Termoestabilidade do detoxa® plus ao processo de peletização
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DESEMPENHO E NUTRIÇÃO DE SUÍNOS EM CONDIÇÃO DE DESAFIOS AMBIENTAIS: ESTRESSE POR CALOR E DESAFIO SANITÁRIO
Prof. Paulo Henrique Reis Furtado Campos Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa
E
m regiões de clima tropical e subtropical, os fatores climáticos merecem destaque uma vez que, nestas regiões, ocorre associação entre elevadas temperaturas e umidade relativa do ar.
estresse térmico
Alícia Zem Fraga Departamento de Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (UNESP, Jaboticabal)
Quando expostos a condições de alta temperatura ambiental, suínos mantêm a homeotermia por meio de ajustes comportamentais, fisiológicos e metabólicos para diminuir a produção e/ou aumentar a dissipação de calor.or.
41 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
Ingestão
A redução no consumo de alimento é um dos mecanismos mais eficazes para diminuição da produção de calor metabólico associada aos processos de:
Excreção dos alimentos
Digestão
Absorção
Metabolismo
(Huynh et al., 2005) Campos et al. (2014) observaram
estresse térmico
que suínos em crescimento quando expostos a condições de alta temperatura (30°C) apresentaram menor consumo de ração (-500 g/dia) e ganho de peso (-230 g/dia) quando comparados com suínos em condições de termoneutralidade (24°C).
Adicionalmente, Saraiva et al. (2011) relataram que animais em crescimento e terminação criados durante o verão na região sudeste do Brasil tiveram menor taxa de crescimento quando comparados com aqueles criados durante o inverno (910 vs. 1010 g/dia). No que diz respeito ao desempenho reprodutivo, o estresse por calor tem sido associado ao:
O genótipo de suínos também é um fator de grande importância uma vez que exerce influência sobre a capacidade de adaptação dos animais ao ambiente térmico. Em estudo com suínos submetidos a condição de estresse cíclico por calor, Fraga et al. (2019) observaram que animais com maior potencial para deposição de tecido magro (maior porcentagem de genes Pietrain) apresentam maior susceptibilidade a alta temperatura ambiental e, consequentemente, pior desempenho.
Atraso da idade à puberdade Maior intervalo desmame-estro Menor taxa de fecundidade e de concepção Maior incidência de leitões de baixo peso (Renaudeau et al, 2012; Campos et al., 2012)
42 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
De fato, genótipos modernos tendem a ser mais susceptíveis ao estresse por calor devido à
maior termogênese (Gaughan et al., 2009) e menor adaptabilidade a desafios ambientais. Isso ocorre, devido a menor capacidade de mobilizar recursos fisiológicos e nutricionais para funções outras àquelas associadas ao crescimento e reprodução, tais como termorregulação e resposta imune
(Rauw, 2012; Dumont et al., 2014).
Além disso, existe uma crescente demanda para reduzir a utilização de medicamentos de forma a permitir o desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção animal. O uso de antimicrobianos promotores de crescimento na produção animal, por exemplo, foi associado a uma maior pressão de seleção de bactérias resistentes com sérios riscos para a saúde humana e animal (Pakpour et al., 2012). Quando expostos a desafios sanitários (bactérias, vírus, parasitas, micotoxinas, más condições de higiene), mecanismos de defesa para manutenção da homeostase e integridade do organismo são ativados com consequências negativas para o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais (Pastorelli et al., 2012).
Suínos respondem aos desafios sanitários por meio de ajustes
estresse térmico
Por outro lado, a associação entre elevadas temperaturas ambientais e umidade relativa do ar favorece a proliferação e disseminação de vetores e/ou patógenos, resultando em maior pressão patogênica no ambiente (Campos et al., 2017) e com impacto significativo na produção animal uma vez que compromete o bem-estar, saúde e desempenho dos animais.
neuroendócrinos e metabólicos na tentativa de restaurar a homeostase e integridade do organismo. Tais ajustes incluem: Febre Aumento da taxa metabólica para ativação e manutenção das respostas imunes e não imunes Redistribuição de nutrientes dos processos de crescimento e produção para a resposta imune
A febre é um dos sinais clínicos mais comuns em quadros de infecção e inflamação, e o de maior custo energético.
43 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
Similarmente, Fraga et al. (2021) observou aumento das concentrações plasmáticas de haptoglobina, neutrófilos e imunoglobulina G em suínos mantidos em más condições sanitárias de alojamento.
A saber: cada grau Celsius de aumento da temperatura
Além dessas alterações metabólicas, a redução no consumo de alimentos (anorexia) também é uma resposta dos animais alojados em ambiente sanitariamente desafiador.
corporal está associado a um aumento de 7 a 13% no
estresse térmico
metabolismo basal.
Mesmo a nível subclínico, cujas consequências não são visualmente observadas, Kyriazakis et al. (2008) observaram redução de 75-80% no consumo alimentar. Contudo, em uma condição de desafio mais intenso (tempo e/ou dose do patógeno), no qual sinais clínicos são observados, o consumo alimentar pode ser próximo de zero (Figura 1).
Outras alterações metabólicas também são observadas em condição de desafio sanitário. Em estudo com suínos que receberam sucessivas aplicações de Escherichia coli (LPS), Escribano et al. (2014) observaram:
Proteína C reativa Cortisol Imunoglobulina
Quando comparado ao grupo controle (sem aplicação) O que indica ativação do sistema imunológico em condição de desafio sanitário.
Consumo médio diário (g/dia)
Maior concentração salivar de haptoglobina
Subclínica
Clínica
Dose do patógeno LIMIAR Figura 1. Representação esquemática da redução no consumo de ração dependente do tempo de exposição ao patógeno. Adaptado de Kyriazakis et al. (1998).
44 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
Uma vez que em condições de desafio sanitário os suínos podem se encontrar em estado anoréxico, são observadas alterações metabólicas (como lipólise do tecido adiposo e proteólise do músculo esquelético) para aumento da disponibilidade de nutrientes destinados a síntese de células imunes
(Le Floc'h et al., 2004). Por exemplo, o catabolismo do
bem como substrato para a
músculo esquelético contribui para
gliconeogênese (Le Floc'h et al., 2004).
aumento dos níveis circulantes de aminoácidos que,
Sob essas condições, ocorrem
por sua vez, podem ser
mudanças no metabolismo
utilizados no fígado para
de nutrientes que são
a síntese de proteínas de fase aguda (e outras células de
Sendo assim, Pastorelli et al. (2012) reportaram consistente diminuição no consumo alimentar e ganho de peso em suínos expostos e diferentes desafios sanitários. Por exemplo, foi relatada uma redução no consumo de ração de: 8% para infecções bacterianas digestivas 4% para condições precárias de higiene 10% para inflamação induzida por LPS 23% para micotoxicoses 3% para infecções parasitárias 16% para doenças respiratórias.
para suportar as respostas imunológicas.
estresse térmico
defesa do corpo),
redirecionados do crescimento
Dentre as estratégias para preservação da saúde e desempenho dos animais de produção submetidos a condições de desafio ambiental, crescente atenção tem sido voltada para a suplementação de aminoácidos. Esses, são compostos orgânicos absorvidos e utilizados pelo organismo para síntese de proteínas, enzimas, hormônios, componentes estruturais, de transporte e do sistema imune.
Aminoácidos atuam na: Manutenção da integridade e funcionalidade intestinal Redução do estresse oxidativo Processos de sinalização de resposta inflamatória e imune Regulação das citocinas pró- e antiinflamatórias (Liu et al., 2017; Le Floc’h et al., 2018).
45 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
Potencial uso de estratégias nutricionais para suínos em diferentes condições de desafio Em termos de nutrição animal, os efeitos do ambiente na fisiologia e metabolismo dos animais, e nas exigências nutricionais são raramente considerados. Majoritariamente, as dietas são formuladas em função da fase de crescimento dos animais (programa de alimentação por fases), independentemente das interações animal-ambiente.
estresse térmico
Para suínos em crescimento, por exemplo, uma única dieta é fornecida para animais entre 30 e 50 kg de peso vivo e outra para animais entre 50 e 70 kg de peso vivo (Rostagno et al., 2017). Além disso, nesses programas de alimentação, os nutrientes são geralmente fornecidos em excesso, a fim de suprir as exigências dos animais com maior demanda nutricional em um grupo de indivíduos. Essa prática, porém, conduz à formulação de dietas com alto valor termogênico e, portanto, inapropriadas para regiões de clima quente.
Dessa maneira, estratégias nutricionais podem ser utilizadas com o objetivo de melhor adequação das dietas frente às condições ambientais. Como forma de garantir o atendimento das exigências nutricionais em função da redução do consumo de alimento pelos animais, uma estratégia consiste no aumento dos níveis dos nutrientes (aumento da densidade nutricional) nas rações em condições de estresse por calor
(Tavares, 2000).
Essa estratégia pode ser realizada pela suplementação de energia por meio do uso de óleos e gorduras que, além de aumentar o valor energético da dieta, permite uma redução da produção de calor metabólico devido ao baixo incremento calórico desses ingredientes.
Entretanto, é importante mencionar que existem limites para a adição de óleos e gorduras, uma vez que níveis acima do recomendado podem diminuir a digestibilidade dos nutrientes em virtude da menor ação das enzimas digestivas (Jansen et al., 2007) além de poder acarretar comprometimento na elaboração das rações devido a menor durabilidade dos pellets (Briggs et al., 1999).
Outra estratégia consiste na formulação de dietas suplementadas com aminoácidos industriais com base no conceito de proteína ideal que, quando comparadas às dietas com base em proteína bruta, possuem baixo incremento calórico (Rodrigues et al.,
2012; Fraga et al., 2019). Dietas formuladas com altos níveis de proteína bruta resultam em maiores taxas de transaminação, desaminação, síntese e excreção de ureia. Devido ao alto gasto energético dessas reações (ex: são necessários 4ATP para cada molécula de NH3 incorporada ao ciclo da uréia), o metabolismo proteico é considerado altamente calorigênico (van Milgen, 2001).
46 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
crescimento, desenvolvimento, lactação e reprodução (Wu, 2010; Le Floc’h et al., 2018).
Em condições de desafio, parte dos nutrientes (aminoácidos) que seriam direcionados para o crescimento são redirecionados para a mecanismos de defesa e resposta imune.
Linfócitos e macrófagos
Resposta antioxidante
A saber: alguns aminoácidos funcionais estão envolvidos no sistema imunológico regulando ativação de:
Produção de anticorpos
Citocinas
Outras substâncias citotóxicas (Li et al., 2007)
Estudos ressaltam a função imunometabólica da metionina (segundo aminoácido limitante para suínos), cujo metabolismo pode gerar antioxidantes intracelulares, como glutationa e taurina (Sun et al., 2016; Zhou et al., 2016). Adicionalmente, existem evidências que a estimulação do sistema imune afeta o metabolismo de triptofano. Em condição de sistema imune ativado, o interferon (IFNy) ativa a enzima indoleamina 2,3-dioxygenase (IDO) cuja função é o catabolismo do triptofano em quinurenina. Esta, por sua vez, está relacionada a funções essenciais de resposta imunológica
Além disso, cerca de 10 a 13% das glicoproteínas presentes no muco é constituída pelo aminoácido treonina (Pluske et al., 2018). Percebe-se, portanto, que o status nutricional e o sistema imunológico estão interligados.
Análise das respostas plasmáticas dos aminoácidos a diferentes desafios fornece algumas indicações sobre as mudanças no metabolismo dos aminoácidos quando a saúde está comprometida (Le Floc’h et al., 2018).
Por exemplo, menores concentrações plasmáticas de arginina foram observadas em suínos co-inoculados com Mycoplasma hyopneumoniae e H1N1 vírus (Le Floc’h et al., 2014) para suportar a maior demanda para síntese de componentes imunológicos.
estresse térmico
Especificamente, aminoácidos são nutrientes essenciais para manutenção do sistema de defesa (Le Floc’h et al., 2012). Aminoácidos funcionais são definidos como aqueles aminoácidos que regulam as principais vias metabólicas para melhoria da saúde, sobrevivência,
De fato, arginina é um aminoácido funcional que serve como precursor para a síntese de poliaminas, óxido nítrico (um potente mediador da resposta imune) e participa da síntese de outros aminoácidos, como creatina e ornitina, que estão envolvidos em importantes funções imunológicas (Li et al., 2007). Adicionalmente, o estresse oxidativo, um mecanismo associado à resposta inflamatória, reduziu as concentrações plasmáticas de triptofano em leitões desmamados (Lv et al., 2012). Tais mudanças no metabolismo do triptofano induzidas pela inflamação estão associadas ao papel funcional desse aminoácido durante o processo inflamatório (Le Floc’h et al., 2018).
(Le Floc’h et al., 2010; Le Floc’h et al., 2004).
47 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
Em condições de estresse por calor, além da diminuição no consumo de alimento, é observado comprometimento da integridade e funcionalidade intestinal (Pearce et al., 2013). Consequentemente, ocorre diminuição na absorção e disponibilidade de aminoácidos para os processos de mantença e produção. Por exemplo, Morales et al (2016) reportaram diminuição nas concentrações plasmáticas de:
Arginina (-28%) Histidina (-12%) Leucina (-10%)
estresse térmico
Lisina (-20%) Fenilalanina (-15%) Treonina (-27%) Triptofano (-25%) Valina (-17%)
Em suínos expostos a condições de estresse cíclico por calor (24 a 38°C) quando comparado aos animais mantidos em condição de termoneutralidade (24°C)
Alterações como essas podem estar associadas ao efeito negativo do estresse por calor na expressão de transportadores intestinais de aminoácidos (Morales et al., 2014) e/ou maior demanda metabólica desses nutrientes para outras funções como proliferação celular, substrato energético, dentre outros (Morales et al., 2016).
Considerações finais Estudos que consideram as interações entre saúde e nutrição de suínos em um contexto prático ainda é um potencial a ser explorado. A formulação de dietas que visam atender as necessidades nutricionais específicas conforme o estado fisiológico e de saúde do animal pode atenuar os efeitos negativos dos desafios ambientais, além de ser uma potencial alternativa ao uso de antimicrobianos e medicamentos. Portanto, a suplementação de aminoácidos específicos pode contribuir para preservação do desenvolvimento, crescimento e saúde dos animais submetidos a episódios de desafio sanitário e estresse por calor.
Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
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48 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Desempenho e nutrição de suínos em condição de desafios ambientais: estresse por calor e desafio sanitário
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IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO DE TAURINA E L-CARNITINA NA DIETA DE CÃES E GATOS Caroline Fredrich Dourado Pinto1, Luciano Trevizan2 1Zootecnista e Doutoranda em Zootecnia, PPG Zootecnia – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2Professor do Departamento de Zootecnia – UFRGS
A suplementação de alguns
aminoácidos
nutrientes purificados em dietas destinadas a animais de produção é uma forma de simplificar as dietas as tornando completas e seguras do ponto de vista nutricional. Na alimentação de animais de companhia a prática também foi adotada e possibilita a formulação de dietas específicas para cães e para gatos.
Assim, é comum que os tutores encontrem alimentos completos e balanceados para cães e gatos em que a taurina e a carnitina, dentre outras substâncias, estão elencadas na composição dos produtos.
50 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
TAURINA Cães, classificados como onívoros, e gatos,
Em cães, ambas as enzimas atuam
carnívoros estritos, possuem características
eficientemente na síntese de taurina. No
metabólicas e necessidades nutricionais
entanto, em gatos a CSD possui atividade
diferentes.
reduzida no fígado, aproximadamente 200
Ao longo do processo de domesticação, os cães adquiriram capacidades metabólicas que os permitem sintetizar substâncias que os gatos não conseguem. Exemplo é a taurina, um β-aminoácido sulfurado (ácido 2-aminoetanossulfônico) essencial para gatos, mas não-essencial
a 300 vezes menor do que a atividade em ratos (Stipanuk, 1985), o que implica no desvio da cisteína para síntese de piruvato. Adicionalmente, os gatos possuem reduzida atividade da CD e baixa utilização de cisteína como metabólito para síntese de taurina.
para cães.
dos demais aminoácidos (Figura 1), o grupamento amino está ligado ao carbono
Em gatos, apenas 20% da cisteína
aminoácidos
A estrutura química da taurina difere
disponível é utilizada para síntese
β e não ao carbono α.
de taurina, enquanto em ratos
Adicionalmente, a taurina possui um
os gatos são dependentes da
grupamento sulfônico (-SO3) e não um
ingestão de taurina via dieta para
grupamento carboxílico (-COOH). Assim,
suprir o requerimento, uma vez que
a taurina não se incorpora às proteínas
suas vias metabólicas, a partir de
permanecendo livre no citosol.
aminoácidos sulfurados, é desviada
esse teor é de 80%. Desta forma,
para a produção de compostos que A biossíntese de taurina ocorre através
serão úteis na geração de energia ou
dos aminoácidos sulfurados metionina e
gliconeogênese.
cisteína, que atuam como precursores. Através da atividade de duas enzimas chave, cisteína dioxigenase (CD) e cisteína sulfinato descarboxilase (CSD), o β-aminoácido é produzido endogenamente (Figura 1).
51 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Metionina Homocisteína Cistationina
TAURINA
PIRUVATO (síntese de energia)
Via alternativa
Cisteína Cisteína dioxigenase Cisteína sulfinato Cisteína sulfinato descarboxilase
aminoácidos
Hipotaurina
TAURINA Figura 1. Estrutura química e síntese da taurina.
Dentre as funções da taurina, destaca-se a sua participação na conjugação dos sais biliares que atuam na emulsificação dos lipídeos.
Alguns nutrientes indigestíveis, como fibras e proteínas, estimulam e favorecem o crescimento bacteriano (Morris et al., 1994), que pode
Além da taurina, a glicina também pode ser conjugada, porém, os felinos não são capazes de utilizá-la sendo dependentes
favorecer o desaparecimento da taurina, exigindo maior ingestão para compensar as perdas.
da taurina para a conjugação. A maior fração dos sais biliares são reabsorvidos pela circulação enterohepática no jejuno e íleo. No entanto, alguns microrganismos
A deficiência de taurina pode ser clinicamente constatada dentro de semanas ou meses, sendo a degeneração
são capazes de desconjugar os sais
da retina e a cardiomiopatia dilatada
biliares, liberando a taurina que pode ser
os principais distúrbios associados à sua
reabsorvida ou degradada por bactérias,
deficiência em cães e gatos, além de danos
resultando na sua perda.
sobre as funções reprodutiva e neurológica.
52 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Hayes et al. (1975) observaram a
A taurina pode ser encontrada em elevada
ocorrência de degeneração central da
disponibilidade em frutos do mar e tecidos
retina em gatos em menos de 6 semanas
animais, como:
após alimentação com dietas purificadas isentas de taurina. A partir do exame de eletrorretinograma visualizou-se a redução da amplitude das ondas dos receptores do tipo cone.
cérebro musculatura esquelética retina vísceras como coração, fígado e rins. Alguns insetos e algas também são capazes
alguns cães alimentados com dietas
de sintetizar taurina, como Mazaella spp.,
livres de taurina apresentaram lesões
Porphyra spp. e Chondracanthus spp.
hiperreflectivas bilaterais, quadro clínico
(McCusker et al., 2014).
aminoácidos
Pion et al. (1998) constataram que apenas
similar à degeneração central da retina.
A cardiomiopatia dilatada, associada a sintomas secundários como desidratação, letargia e hipotermia, foi primeiramente relacionada à deficiência de taurina em gatos por Pion et al. (1987). A taxa de sobrevivência de gatos com cardiomiopatia dilatada moderada a severa consumindo dieta suplementada com taurina é de 60%, enquanto gatos consumindo dieta sem taurina é de 20% (Pion et al., 1992a; Pion et al., 1992b).
Os distúrbios ligados às funções reprodutiva e neurológica são mais brandos comparados aos reportados na retina e coração. Dentre os danos reprodutivos, existem registros de reabsorção uterina, abortos e natimortos (Sturman et al., 1985; Sturman et al., 1986). Além disso, algumas raças apresentam predisposição como os cães Newfoundland, em que baixos níveis plasmáticos e totais de taurina podem desencadear problemas reprodutivos.
53 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Os tecidos vegetais não possuem taurina, e bactérias
Tabela 1. Níveis de taurina recomendados para gatos adultos em manutenção (mg/1000 kcal de energia metabolizável).
possuem apenas pequenas quantidades. No entanto,
TIPO DE DIETA
NRC
FEDIAF
Extrusada/seca
250
250-330
Úmida
425
500-670
fontes purificadas na forma cristalina estão disponíveis comercialmente podendo ser utilizadas para suplementação em dietas para cães e gatos.
NRC, National Research Council, 2006; FEDIAF, Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação, 2020. De modo geral, grande parte das dietas completas e balanceadas para cães atualmente disponíveis no mercado não são suplementadas com taurina, pois os níveis dos precursores metionina e
aminoácidos
cisteína presentes na fórmula atendem aos requerimentos necessários para as suas funções e à quantidade a ser utilizada para a biossíntese de taurina. Para gatos, a suplementação com taurina é prática comum em alimentos comerciais devido às características metabólicas intrínsecas da espécie previamente mencionadas. A recomendação de suplementação de taurina depende do processamento aplicado ao alimento (Tabela 1). Devido a sua elevada solubilidade em água, a taurina pode ser dissolvida quando exposta à umidade.
L-CARNITINA A carnitina, nutriente essencial condicional, é uma amina quaternária (3-hidroxi-4N-trimetilamino-butirato) que pode ser sintetizada no fígado e rins a partir dos aminoácidos essenciais lisina e metionina
(Figura 2). A biossíntese de carnitina demanda ainda a presença de ferro, ácido ascórbico, niacina e vitamina B6. Como acontece com a taurina, é comum que os tutores encontrem declarado na composição de alimentos completos e balanceados para cães e gatos a presença de carnitina. Especialmente em dietas light, sênior e terapêuticas, como aquelas dietas coadjuvantes no tratamento de cardio e hepatopatias.
Assim, dietas úmidas são mais propensas a perda de taurina caso a água de cocção seja removida e descartada. Já as dietas extrusadas ou assadas possuem maior retenção de taurina, porém com algumas perdas durante o processamento (Spitze et al., 2003).
54 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Ѕ - adenosilmetionina
Lisina
Metionina ξ-N-trimetil-lisina Ácido ascórbico + Ferro
β-hidroxi- ξ-N-trimetil-lisina
CARNITINA
Piridoxal fosfato (vitamina B6)
γ- butirobetaína-aldeído NAD NAD+H+
γ- butirobetaína Ácido ascórbico + Ferro
Figura 2. Estrutura química e síntese de carnitina. A carnitina está envolvida em passos
O consumo de dietas contendo fontes
importantes da produção de energia
proteicas com baixas concentrações de lisina,
através da β-oxidação, na qual atua como
metionina ou ambas pode comprometer a
transportador transmembrana de ácidos
biossíntese de carnitina.
graxos livres de cadeia longa presentes no citosol celular para o interior das
A diminuição da síntese endógena
mitocôndrias (Kerner & Hoppel, 2000),
de carnitina promove a redução do
permitindo assim a oxidação desses
transporte de ácidos graxos para o
nutrientes e geração de adenosina
interior da mitocôndria e a sua oxidação
trifosfato (ATP).
é prejudicada, o que pode contribuir
Devido ao seu tamanho, apenas os ácidos graxos de cadeia longa requerem carnitina para atravessar a membrana mitocondrial, uma vez que ácidos graxos de cadeia curta e média apresentam solubilidade suficiente
para o desenvolvimento de lipidose hepática, caracterizada como o acúmulo de lipídeos no fígado, em indivíduos em restrição energética exacerbada (Center et al., 2000).
para atravessar diretamente.
55 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
aminoácidos
CARNITINA
Em humanos, a carnitina é amplamente utilizada por atletas como um agente termogênico devido à sua ação sobre a oxidação de ácidos graxos. Em animais de companhia, a sua utilização se concentra em alimentos destinados à animais em sobrepeso e obesidade, bem como para animais de trabalho ou que desenvolvam exercício prolongado.
A suplementação com carnitina auxilia na redução do acúmulo de massa gorda e aumenta a massa magra em cães (Gross et al., 1998). Epp et al. (2007) observaram que cães galgos suplementados com L-carnitina líquida apresentaram Alguns achados concentrações plasmáticas de científicos apontam lactato reduzidas, bem como resultados positivos com a menor dano muscular induzido suplementação de carnitina pelo exercício durante a corrida. em cães e gatos.
aminoácidos
Além disso, houve aumento da capacidade antioxidante total, indicando impacto direto na atividade e recuperação em cães de trabalho.
Suplementação com L-carnitina promoveu redução na atividade da enzima creatina quinase, um marcador de dano muscular, e melhoria na resposta de alguns marcadores do estresse oxidativo, como a redução da TBARS (Substâncias Reativas ao Ácido Tiobarbitúrico).
A suplementação teve efeitos benéficos sobre o desempenho e a recuperação pós-exercício, além de favorecer o ganho de massa magra.
Mais recentemente, Varney et al. (2017) demonstraram efeitos positivos em cães Labrador Retrievers suplementados com 250 mg/dia de L-carnitina durante 14 semanas.
Ao avaliar a suplementação com 1000 mg/kg
Em gatos com sobrepeso e submetidos
de L-carnitina em gatos submetidos à lipidose
a perda de peso rápida, a suplementação
hepática experimental, Blanchard et al. (2002)
com L-carnitina promoveu aumento na taxa
observaram o efeito protetor da L-carnitina
metabólica e na oxidação de ácidos graxos
no controle das concentrações plasmáticas de
(Center et al., 2012).
ácidos graxos e β-hidroxibutirato, marcadores da resposta ao jejum e/ou cetose.
56 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
Entretanto, inúmeros trabalhos científicos apontam resultados contraditórios quanto a eficiência da sua suplementação.
TAURINA E L-CARNITINA, SUPLEMENTAR OU NÃO?
Para cardiopatas, alguns achados são
Como visto, a suplementação com
positivos (Keene et al., 1991) e em outros
taurina em gatos é necessária frente a
ausentes (Costa & Labuc, 1994).
incapacidade enzimática e metabólica
Em um relato de caso, Keene et al. (1991)
apresentada pela espécie.
verificaram que cães Doberman Pinschers
Assim, dietas comerciais completas
com cardiomiopatia dilatada e deficiência
e balanceadas destinadas a gatos,
de carnitina apresentaram melhora
seja na forma extrusada ou úmida,
na saúde e na função cardíaca após a
obrigatoriamente devem possuir
suplementação com 150 mg/kg/dia de
taurina na sua composição para
L-carnitina via oral.
permitir o balanço final dos nutrientes. Diferentemente, em cães a sua inclusão
é resultado de processos metabólicos, como ingestão, biossíntese, transporte dentro e fora dos tecidos e excreção.
pode ser facultativa a depender das características químicas dos ingredientes utilizados na formulação da dieta.
Cães não catabolizam a L-carnitina
Quanto à suplementação com L-carnitina,
(Yue & Fritz, 1962; Rebouche & Engel,
não existem níveis de recomendação
1983), de modo que a excreção
específicas para cães e gatos, assim a sua
urinária reflete o total absorvido e
inclusão varia em dietas de manutenção,
sintetizado. O consumo regular de
light e terapêuticas.
L-carnitina associado ao acréscimo da gordura na dieta em cães promove o aumento na perda urinária de carnitina (Sanderson et al., 2001).
Diante dos achados científicos contrastantes, a sua utilização em dietas para animais saudáveis ainda pode ser questionável.
Comercialmente, os alimentos secos
No caso das dietas terapêuticas,
light para cães e gatos possuem entre
destinadas à cães e gatos cardiopatas
140 e 500 mg/kg de L-carnitina na
e hepatopatas, a sua inclusão possui
matéria seca. Por sua vez, as dietas
maior respaldo científico.
terapêuticas possuem níveis mais elevados de suplementação, com valores entre 400 e 830 mg/kg de L-carnitina na matéria seca.
Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
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57 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Importância da inclusão de taurina e L-carnitina na dieta de cães e gatos
aminoácidos
A concentração orgânica de carnitina
RELAÇÕES DE PROTEÍNA:
ENERGIA PARA JUVENIS DE JUNDIÁ (Rhamdia quelen):
DESEMPENHO, EXCREÇÃO DE AMÔNIA E CUSTO formulação
Luiz Eduardo Lima de Freitas1 Débora Machado Fracalossi2 1Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Pesca e Aquicultura 2Professora da Departamento de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Introdução
E
Entre os gargalos tecnológicos,
como o sul do Brasil, Argentina
improvisada rações comerciais para
e Uruguai, a criação da espécie
outras espécies com hábito alimentar
carece de tecnologias que permitam
semelhante.
mbora o jundiá (Rhamdia quelen)
destaca-se a inexistência de rações
venha despertando o interesse de
específicas para o jundiá, fazendo
piscicultores em regiões subtropicais
com que produtores utilizem de forma
avanços nos sistemas e volumes de produção.
58 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Sabe-se que a alimentação representa mais que 50% dos custos operacionais de uma piscicultura, os quais, entre outros fatores, devem aos elevados níveis de proteína necessários em rações para peixes. O fornecimento adequado desse nutriente, de forma a atender as exigências nutricionais da espécie (fase de desenvolvimento e sistema de criação), deve considerar os valores digestíveis de energia e de aminoácidos das matérias primas (Esquema 1).
Esquema 1
Balanço Energético
Energia Total (ração) Proteínas (aminoácidos)
Energia Ingerida
formulação
Perdas por calor, urina, brânquias Energia Digestível
Gorduras (ácidos graxos) Carboidratos
Perdas pelas fezes
59 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Além disso, é importante assegurar um equilíbrio entre os teores de proteína e energia (P:E) nas rações, visto que o
Esquema 2
Relação P:E Baixa
$$$
NH3 NH3 NH3
consumo é regulado pela energia total disponível na ração, a qual influencia o crescimento e a
Relação P:E Ideal
$$$ NH3 NH3
deposição de gordura, além de interferir nos custos de produção e na emissão de poluentes
$$$
Relação P:E Alta
NH3 NH3 NH3 NH3 NH3 NH3
(Esquema 2). Proteína da ração NH3
$ $ $ Custo Gordura corporal Excreção de nitrogênio
formulação
Energia da ração
O estudo teve como objetivo analisar o desempenho de juvenis de jundiás quando alimentados com rações contendo ingredientes comumente utilizados na indústria, as quais foram
Cinco rações com concentrações
formuladas com base em nutrientes
crescentes de proteína digestível (24,
digestíveis.
29, 34, 39 e 44%) e de energia digestível
Foram testadas diferentes relações proteína digestível (PD):energia digestível (ED), visando a determinação da melhor relação e, consequentemente, a concentração proteica mais adequada para a fase inicial de engorda da espécie.
(12,0; 13,5; 14,0; 14,5 e 15 MJ/kg) foram formuladas com valores digestíveis (proteína, energia, matéria seca e aminoácidos essenciais) de modo a corresponder às relações PD:ED de 20, 22, 25, 27 e 29 g/MJ, respectivamente
(Tabela 1 – Foto 1).
60 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Tabela 1 - Formulação, custos e composição das rações (base na matéria seca) empregadas no experimento.
20
22
25
27
29
Concentrado proteico de soja1
10,00
16,50
22,10
27,60
33,20
Farinha de vísceras de aves2
10,60
16,40
22,00
27,70
33,20
Farinha de resíduos de salmão3
18,00
18,00
18,00
18,00
18,00
Milho moído
58,90
46,40
35,40
23,90
13,40
Óleo de soja
0,90
1,70
1,50
1,80
1,20
Premix vitamínico e mineral⁵
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
L-Lisina6
0,30
-
-
-
-
DL-Metionina⁶
0,40
-
-
-
-
Matéria seca
89,00
89,57
89,75
89,91
90,25
Proteína digestível
24,10
28,96
34,05
39,00
43,87
Energia digestível (MJ/ kg)
12,13
13,39
13,81
14,64
15,06
Extrato etéreo
7,45
7,75
8,15
8,71
8,67
Fibra em detergente neutro
8,66
9,27
8,02
8,45
8,32
Cinzas
10,53
7,24
9,21
11,80
11,72
Extrativos não nitrogenados⁷
32,73
28,53
22,43
12,56
7,49
Custo da ração (US$/ kg)8
2,76
2,44
2,67
2,93
3,22
formulação
Ingrediente (%)
Proteína digestível (PD, g): Energia digestível (ED, MJ) Relação PD:ED (g/ MJ)
Composição centesimal (%)
1Importação, Exportação e Indústria de Óleos (Paraná, Brasil); 2Doux–Frangosul (Rio Grande do Sul, Brasil); 3Tectron Nutrição Animal (Paraná, Brasil); ⁴Bunge Alimentos (São Paulo, Brasil); ⁵Raguife Indústria e Comércio (São Paulo, Brasil) composição/ kg: ácido fólico 1.200 mg, antioxidante 5.000 mg, biotina 200 mg, colina 100.000 mg, Co 80 mg, Cu 3.500 mg, Fe 20.000 mg, I 160 mg, inositol 25.000 mg, Mn 10.000 mg, niacina 20.000 mg, Se 100 mg, vit. (vitamina) A 2.400.000 UI, vit. B1 4.000 mg, vit. B2 4.000mg, vit. B6 3.500, vit. B12 8.000 mg, vit. B2 4.000 mg, vit. B5 10.000 mg, vit. B6 3.500 mg, vit. C 60.000 mg, vit. D3 600.000 UI, vit. E 30.000 UI, vit. K3 3.000 mg, Zn 24.000 mg; ⁶Biolys e DL-Methionine (Evonik Degussa Brasil Ltda, São Paulo, Brasil); 7Extrativos não nitrogenados (ENN)= 100 - (%Proteína Bruta + %Extrato etéreo + %Fibras + %Cinzas); ⁸1 US$ dólar = R$ 3,25.
61 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Foto 1 - Fabricação das rações experimentais
Foi adotado um delineamento inteiramente casualizado, onde cada ração foi distribuída aleatoriamente a três grupos de 25 peixes, com peso médio inicial de 31,5 ± 4,9 g. Cada grupo foi estocado em um tanque de 70 L, totalizando quinze tanques
formulação
ligados em sistema fechado de recirculação equipado com biofiltro e filtro mecânico (Fotos 2 e 3).
Foto 2 e 3 - Sistema experimental
62 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
A alimentação foi ofertada diariamente (9 e 16 h) até a saciedade aparente, por 75 dias. Quinzenalmente eram realizadas biometrias totais para pesagem
Caixa 1 - Fórmulas das respostas avaliadas no estudo
Foto 4 - Biometria
Com base nas amostras e nos dados coletados foram calculadas várias respostas
1
Ganho em peso diário (GPD = (peso final – peso inicial) / dias de experimento);
2
Taxa de crescimento específico (TCE = (ln (peso final) - ln (peso inicial)) × 100 / dias de experimento);
3
Conversão alimentar (CA = alimento consumido seco / (peso final – peso inicial));
4
Consumo alimentar diário (CAD = [consumo MS/ (peso final + peso inicial)/ 2]/ dias de experimento x 100);
5
Taxa de retenção proteica (TRP = 100 x (proteína corporal final x peso final – proteína corporal inicial x peso inicial) / consumo em proteína na matéria seca);
6
Índice viscerossomático (%) (IVS = (peso das vísceras/ peso total do animal) x 100);
7
Índice hepatossomático (%) (IHS = (peso do fígado/ peso total do animal) x100);
8
Custo médio da alimentação (R$/ kg peixe) (CMA = alimento consumido × preço da ração/ ganho em peso);
9
Índice de eficiência econômica (%) (IEE = 100 x menor CMA entre as rações/ CMA ração avaliada) e;
10
Índice de custo (%) (IC = 100 x CMA ração avaliada / menor CMA entre as rações).
(Caixa 1), tais como: ganho em peso diário taxa de crescimento específico conversão alimentar consumo alimentar diário índices hepato e viscerossomáticos composição corporal Essa última também é empregada para determinar a taxa de retenção proteica. Além disso, foram monitoradas as
formulação
individual dos peixes (Foto 4).
concentrações de nitrogênio amoniacal total e foram determinados alguns índices econômicos.
63 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Para detectar diferenças entre as respostas dos peixes a cada relação de proteína digestível: energia digestível (PD:ED) testada utilizou-se a análise de variância unilateral.
A sobrevivência dos peixes foi de
As regressões polinomiais foram empregadas
e as diferentes relações PD:ED avaliadas
para determinar os níveis ideais para cada
afetaram todas as respostas de
resposta. Todas as análises estatísticas foram
desempenho zootécnico e econômico
realizadas no RStudio.
(Tabela 2).
100%, independente da ração testada,
formulação
Tabela 2. Efeito de diferentes relações proteína digestível: energia digestível (PD:ED) para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen) sobre as respostas de desempenho zootécnico e econômico. Proteína digestível (PD, g): Energia digestível (ED, MJ) Relação PD:ED (g/ MJ)
Variável de desempenho1
Melhor PD:ED2
20
22
25
27
29
Peso final, g
53,55
68,18
71,48
82,10
73,66
26,7
Ganho em peso diário, g/dia
0,29
0,49
0,55
0,67
0,56
26,6
Taxa crescimento específico, %/dia
0,69
1,02
1,15
1,26
1,13
26,4
Consumo alimentar, % peso vivo/dia
1,04
1,16
1,27
1,39
1,36
29,6
Conversão alimentar
1,54
1,20
1,17
1,18
1,28
25,4
Índice de eficiência econômica, %
66,84
97,41
90,77
81,88
69,72
24,3
Índice de custo, %
150,05
102,69
110,35
122,20
143,85
24,4
1Valores (média) de três repetições. 2Estimada a partir da análise de regressão polinomial.
64 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
O aumento das relações PD:ED até 27 g/MJ promoveram melhor ganho em peso diário, taxa de crescimento específico, consumo alimentar e conversão alimentar. Por outro lado, essa variação proporcionou um maior conteúdo de gordura corporal e uma diminuição no índice hepatossomático dos peixes
(Figura 1). Além disso, o aumento na relação PD:ED - e consequente acréscimo do teor proteico das rações - aumentou proporcionalmente o custo das rações e um crescimento linear da concentração
formulação
de nitrogênio amoniacal total nos tanques (Figura 2).
Figura 1
Gordura corporal (%)
Índice hepatossomático (%)
6,0
Gordura corporal
13,0
5,0
11,0
4,0 3,0
9,0
2,0
7,0 5,0
1,0 20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
Índice hepatossomático (%)
7,0
15,0
0,0
PD: ED g/MJ
Os peixes alimentados com rações contendo as relações extremas de PD:ED (20 e 29 g/MJ) apresentaram menor ganho em peso e retenção proteica frente aos demais tratamentos, sendo o excesso (29 g/MJ) ou a falta (20 g/MJ) de proteína nas rações as causas para obtenção desses resultados.
65 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Com base nas análises de regressão, a melhor retenção proteica em juvenis de jundiá seria alcançada com uma relação
Figura 2
Já os melhores índices econômicos foram estimados para a relação PD:ED de 24,4 g/ MJ (33,8% PD e 13,7 MJ/ kg ED) (Figura 3). Tais projeções comprovam os resultados obtidos nos peixes alimentados com as rações que continham níveis de proteína e de energia próximos a essa proporção
40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0
formulação
PD:ED (22 e 25 g/MJ).
Nitrogênio amoniacal total
0,3 0,2 0,1 20
1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8
como maior retenção proteica o que resultou em melhores índices de eficiência econômica e excreção de níveis intermediários de
Conversão alimentar
peso com estas rações, os peixes
acúmulo de gordura corporal, bem
21
22
23
24
25
26
27
0,0
28
29
PD: ED g/MJ
Figura 3
melhor conversão alimentar, menor
0,5 0,4
alcançado os maiores ganhos em
e 25 g/MJ de PD:ED apresentaram
0,6
23,7 g/MJ
Embora não tenham sido
alimentados com as rações com 22
Taxa de retenção proteica
5
Conversão alimentar
4,5
Custo médio de alimentação
4 3,5 3 24,4 g/MJ 20
21
22
23
2,5
25,4 g/MJ 24
25
26
27
28
29
Custo médio de alimentação (US$/kg)
kg ED (Figura 2).
Taxa de retenção proteica (%)
uma ração contendo 32% PD e 13,5 MJ/
mg NAT/kg peso vivo
PD:ED de 23,7 g/MJ, correspondendo a
2
PD: ED g/MJ
nitrogênio amoniacal total.
Considerações finais Para a obtenção da melhor retenção proteica a relação PD:ED estimada em 23,7 g/MJ (32% PD e 13,5 MJ/ kg ED), no entanto, para uma criação sustentável deve-se considerar além do desempenho zootécnico, os aspectos econômicos e ambientais.
Dessa forma, sugere-se a relação PD:ED de 24,3 g/MJ (33,8% PD e 13,7 MJ/kg ED) como a ideal para juvenis de jundiá no estágio inicial de crescimento (30 a 80 g de peso médio). Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
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66 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
OS MINERAIS ORGÂNICOS MELHORAM OS PARÂMETROS DE DESEMPENHO PRODUTIVO E DIMINUEM A INCIDÊNCIA DE PODODERMATITE EM FRANGOS DE CORTE
minerais
Verônica Lisboa¹ e Juliana Bueno² ¹Gerente de Produtos, YesSinergy ²Diretora de P&D, YesSinergy
Os animais de produção necessitam receber suplementação mineral de modo a atender suas necessidades de macro e micro minerais. Estes elementos participam de quase todas as vias metabólicas do organismo animal, ou seja, exercem funções vitais no organismo, além disso também estão relacionados com aumento do desempenho e/ou produtividade animal.
68 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
Essas interações os tornam menos A suplementação mineral em dietas animais é comumente feita na forma inorgânica. Esta prática encontra importantes limitações no que diz respeito ao aproveitamento destes elementos, devido às altas possibilidades de interações químicas dos minerais
disponíveis ao aproveitamento pelo organismo animal. Como forma de compensar essa baixa biodisponibilidade, a suplementação com níveis acima das exigências nutricionais de cada espécie é uma prática comum. O que favorece a maior excreção
outros componentes ao longo da
destes minerais no ambiente e
passagem pelo sistema digestivo.
aumenta os gastos do produtor.
minerais
inorgânicos entre si e com
A diminuição do impacto ambiental da atividade aliada ao objetivo de alcançar a melhor eficiência na produção de frangos de corte, possibilitada pelo constante melhoramento genético apresentado pela espécie, estimula, constantemente, investimentos em pesquisas que visam a obtenção de nutrientes mais biodisponíveis, de forma a possibilitar um melhor aproveitamento pelo organismo animal e, ao mesmo tempo, que minimizem os impactos ambientais gerados pela atividade.
69 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
Os minerais orgânicos quelatados e seus
Esta força está diretamente relacionada
benefícios sobre a produção e desempenho
com as ligações químicas preferenciais
animal têm sido amplamente estudados nas
entre os íons metálicos e os seus ligantes,
últimas décadas, destacando-se pela sua
sendo assim,
maior biodispobibilidade devido à maior estabilidade dos minerais na sua forma complexada com aminoácidos e peptídeos. Assim, estes elementos poderão ser absorvidos, pelos mecanismos de absorção de minerais já conhecidos e, também, pelas vias de absorção das moléculas de aminoácidos e peptídeos
Entretanto, NEM TODO MINERAL QUELATADO POSSUI A MESMA TAXA DE ABSORÇÃO
Ks
minerais
Minerais
Aminoácidos
o que pode ser explicado pela força da ligação entre os minerais e os aminoácidos, conhecida como constante de estabilidade global (Ks)
Minerais
Aminoácidos
Minerales Ks Aminoácidos
Quanto maior a força da ligação entre os íons metálicos e seus aminoácidos
Zn como exemplo o zinco apresenta maior afinidade por cisteína e quanto maior a afinidade, mais forte e estável é essa ligação. Os ligantes multi- aminoácidos proporcionam essas ligações mais estáveis do que os quelatos com monoaminoácidos.
A YESSINERGY oferece em seu portfólio uma ampla gama de minerais orgânicos produzidos sob o mais alto controle de qualidade e biotecnologia: Yes – Minerals Calcio, Yes – Minerals Cobalto, Yes – Minerals Cobre, Yes – Minerals Cromo, Yes – Minerals Ferro, Yes – Minerals Magnésio, Yes – Minerals Manganês, Yes – Minerals Selênio e Yes - Minerals Zinco.
maior será a Ks e a estabilidade do mineral quelatado.
70 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
está em sua 3ª geração (G3), a qual evoluiu inicialmente pelo processo de micronização possibilitando atingir maiores níveis de quelação, o que rendeu uma patente verde para a Yes e um processo 100% sustentável.
A mais nova evolução foi aumentar em 37% a concentração de minerais sem perder a qualidade em nível de quelação, constante de estabilidade e biodisponibilidade.
Em recente pesquisa (dados não publicados) realizada no Instituto SAMITEC (RS, Brasil) avaliando o efeito da substituição total das fontes de minerais inorgânicos pelo Blend de minerais orgânicos B-360 Poultry, composto pelos minerais orgânicos: Yes - Minerals Zinco 22; Yes-Minerals Manganês 22, Yes – Minerals Cobre 22; Yes- Minerals Ferro 22, Yes-Minerals Selenio 5.000 e Iodo sobre o desempenho de frangos de corte, o grupo alimentado com o blend de minerais orgânicos apresentou Melhor conversão alimentar (Figura 1), Maior viabilidade (Figura 2), Melhor índice de eficiência produtiva (Figura 3), Além da diminuição na incidência de pododermatite de escores mais graves (3 e 4) (Figura 4). 1.74
Estes três fatores e sua sinergia,
1.72
consideradas em relação a qualidade
CA, kg/kg
constituem-se em características essenciais que devem ser
CONVERSÃO ALIMENTAR, kg/kg a
do mineral orgânico.
1.71 1.68
minerais
Atualmente, a linha de minerais YES
b
1.66 1.64
Ainda, seguindo no propósito de fornecer
1.62
as melhores soluções ao mercado de nutrição animal, a YESSINERGY oferece em seu portfólio ao mercado blends de minerais orgânicos criteriosamente desenhados para atender as exigências nutricionais das principais genéticas mundiais:
Controle
Figura 1. Média da conversão alimentar de frangos de corte alimentados com o blend mineral B-360 Poultry em total substituição as fontes inorgânicas, aos 42 dias de idade. Médias seguidas por letras distintas diferem significativamente pelo teste de Duncan (p≤0,0043).
O B-360 POULTRY, blend mineral para alimentação animal indicado para
para alimentação animal indicado para aves de postura e matrizes.
Viab, %
frangos de corte e perus e o B- 360 BREEDERS, blend mineral
B - 360 Poultry
99.00 98.50 98.00 97.50 97.00 96.50 96.00 95.50 95.00 94.50 94.00 93.50
VIABILIDADE, %
98.33
95.41
Controle
B - 360 Poultry
Figura 2. Média da viabilidade de frangos de corte alimentados com o blend mineral B-360 Poultry em total substituição as fontes inorgânicas, aos 42 dias de idade.
71 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
Controle
B - 360 Poultry
Figura 3. Média do índice de Eficiência Produtiva de frangos de corte alimentados com o blend mineral B-360 Poultry em total substituição as fontes inorgânicas, aos 42 dias de idade. Médias seguidas por letras distintas diferem significativamente pelo teste de Duncan (p≤0,0065).
MÉDIA DE ESCORES 3 E 4 DE PODODERMATITE 46 44 42 MEP
IEP
ÍNDICE DE EFICIÊNCIA PRODUTIVA a 425 420 415 410 405 400 b 395 390 385 380
40 36
38 36 34 32 Controle
B - 360 Poultry
Figura 4. Média da incidência de pododermatite, em seus escores mais graves (3 e 4), de frangos de corte alimentados com o blend mineral B-360 Poultry em total substituição as fontes inorgânicas, aos 42 dias de idade
minerais
Os excelentes resultados obtidos atestam a qualidade do B-360 Poultry e seus benefícios à produção animal. Os melhores índices de quelatação, constante de estabilidade e biodisponibilidade dos minerais que compõem o blend de minerais orgânicos foram diretamente refletidos no melhor desempenho apresentado pelos animais. As diferentes ações exercidas pelos minerais no organismo dependem primeiramente de sua absorção no intestino e da sua distribuição nos diferentes tecidos do organismo animal. Não basta, simplesmente fornecêlos nas dietas, mas oferecer minerais em quantidade e qualidade que atendam às necessidades nutricionais das diferentes espécies, para isso, o conhecimento acerca das fontes de minerais e suas características são fundamentais. Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
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72 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Minerais orgânicos: b-360 poultry melhora parâmetros de desempenho produtivo e diminui a incidência de pododermatite em frangos de corte
monogástricos
OCORRÊNCIA E EFEITOS DAS MICOTOXINAS EM MONOGÁSTRICOS Márcia Gabrielle Lima Cândido Editora nutriNews Brasil Médica Veterinária A contaminação por micotoxinas geralmente afeta um grande número de matérias-primas e rações destinadas à produção animal. O impacto econômico na produção animal abrange tanto o custo de eliminação de rações contaminadas quanto a redução da produtividade e desempenho. Nesse sentido, as micotoxinas também podem causar impacto na saúde humana por meio de subprodutos animais, como carne, ovos e leite, como resultado da ingestão de ração animal contaminada. As micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos, principalmente por espécies dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium e são contaminantes muito comuns dos cereais e seus subprodutos. As síndromes toxicológicas causadas pela ingestão de tais toxinas variam de mortalidade aguda a crescimento lento e redução da eficiência reprodutiva. O consumo de toxinas fúngicas também pode resultar em comprometimento da imunidade e diminuição da resistência a doenças infecciosas (Oswald e Comera, 1998).
A ocorrência de micotoxinas em alimentos para animais depende de alguns fatores, como:
Grupos de microrganismos em safras específicas Condições climáticas
Práticas de armazenamento FATORES
Procedimentos de manuseio da ração (Egbontan et al., 2017)
Mistura da ração
Entre as micotoxinas comuns destacam-se a aflatoxina (AF), desoxinivalenol (DON), ocratoxina A (OTA), zearalenona (ZEN) e fumonisinas (FUM). Essas micotoxinas são conhecidas por exercerem efeitos tóxicos em animais de produção, causando redução da produtividade.
74 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
ABF1
FUM
ZEN
DON
OTA
T-2
Norte da Europa (n = 1,958)
5.9 % 3.1 µg/kg
22.4 % 186 µg/kg
28.9 % 35 µg/kg
74.2 % 504 µg/kg
8.1 % 1.9 µg/kg
30.3 % 34 µg/kg
Europa Central (n = 21,036)
12.7 % 1.6 µg/kg
43.2 % 187 µg/kg
45 % 40 µg/kg
69.8 % 428 µg/kg
11.9 % 2.8 µg/kg
30.7 % 11 µg/kg
Sul da Europa (n = 3,527)
28.9 % 2.1 µg/kg
74.9 % 607µg/kg
36.3 % 44 µg/kg
52.9 % 324 µg/kg
21.2 % 2.6 µg/kg
11.7 % 25 µg/kg
Europa Oriental (n = 2,382)
17.0 % 3.4 µg/kg
33.6 % 87 µg/kg
42.5 % 15 µg/kg
59.9 % 153 µg/kg
36.4 % 3.6 µg/kg
48.2 % 21 µg/kg
Norte da América (n = 5,471)
10.5 % 8.7 µg/kg
47.7 % 652 µg/kg
31.7 % 102 µg/kg
64.1 % 505 µg/kg
4.3 % 2.4 µg/kg
3.9 % 29 µg/kg
América Central (n = 367)
8.6 % 3.9 µg/kg
81.8 % 929 µg/kg
38.2 % 60 µg/kg
70.0 % 316 µg/kg
3.8 % 2.5 µg/kg
4.1 % 3.1 µg/kg
América do Sul (n = 17,332)
23.5 % 3.2 µg/kg
75.3 % 1,390 µg/kg
46.9 % 51 µg/kg
26.9 % 344 µg/kg
4.9 % 17 µg/kg
21.5 % 31 µg/kg
Oriente Médio/Norte da África (n = 1,075)
22.2 % 2.4 µg/kg
66.8 % 347 µg/kg
44.8 % 31 µg/kg
47.8 % 236 µg/kg
20.3 % 3.1 µg/kg
8.5 % 14 µg/kg
África Subsaariana (n = 208)
76.0 % 23 µg/kg
72.6 % 789 µg/kg
52.2 % 38 µg/kg
49.5 % 352 µg/kg
31.9 % 7.2 µg/kg
3.0 % 3.0 µg/kg
África do Sul (n = 1,077)
9.0 % 2.2 µg/kg
62.6 % 266 µg/kg
41.6 % 30 µg/kg
63.2 % 363 µg/kg
5.6 % 2.2 µg/kg
1.2 % 4.4 µg/kg
Oceania (n = 1,695)
11.3 % 2.0 µg/kg
22.2 % 106 µg/kg
21.5 % 105 µg/kg
34.5 % 158 µg/kg
7.5 % 3.6 µg/kg
2.0 % 16 µg/kg
Sul da Ásia (n = 1,136)
82.2 % 20 µg/kg
69.0 % 288 µg/kg
19.6 % 37 µg/kg
23.1 % 96 µg/kg
60.4 % 4.6 µg/kg
0.9 % 13 µg/kg
Sudeste da Ásia (n = 4,310)
57.4 % 10 µg/kg
69.6 % 573 µg/kg
45.9 % 43 µg/kg
42.5 % 137 µg/kg
15.2 % 3.0 µg/kg
2.7 % 26 µg/kg
Leste Asiático (n = 13,232)
17.1 % 10 µg/kg
60.7 % 810 µg/kg
58.2 % 90 µg/kg
84.8 % 418 µg/kg
14.1 % 2.9 µg/kg
11.0 % 16 µg/kg
Ásia Central (n = 15)
7.7 % 1.4 µg/kg
25.0 % 13 µg/kg
23.1 % 1.5 µg/kg
26.7 % 28 µg/kg
13.3 % 22 µg/kg
6.7 % 25 µg/kg
monogástricos
A distribuição mundial das principais micotoxinas está ilustrada na Figura 1.
Figura1. Ocorrência de micotoxinas em 15 regiões geográficas. n = número da amostra; AFB1-aflatoxina B1; DON – desoxinivalenol; ZEN – zearalenona; FUM – fumonisinas (soma das fumonisinas B1, B2 e B3); OTA – ocratoxina A; Toxina T-2. Adaptado de Gruber-Dorninger et al. (2019)
75 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
Para prevenir efeitos negativos em animais e consumidores, muitos países regulamentam as concentrações de micotoxinas na ração. Na União Europeia (UE), por exemplo, níveis máximos são impostos para AFB1 e valores de orientação foram estipulados para fumonisinas, ZEN, DON e OTA.
monogástricos
No Brasil, por exemplo, a portaria MA/SNAD/SFA n° 07, de 09/11/88 estabelece no limite máximo de Aflatoxinas de 50 µg/kg para qualquer matéria prima a ser utilizada diretamente ou como ingrediente para rações destinadas ao consumo animal. É importante destacar que as matérias-primas podem conter diferentes cepas de fungos micotoxigênicos e a maioria das cepas de fungos produzem mais de um tipo de micotoxina. Portanto, a cocontaminação de cereais com múltiplas micotoxinas é frequentemente observada (Smith et al., 2016). Quando as matérias-primas da ração são misturadas para produzir ração composta, a cocontaminação por micotoxinas se torna ainda mais provável. Se as micotoxinas coocorrerem, seu efeito tóxico combinado pode ser aditivo, sinérgico ou antagônico, ou seja, igual, maior ou menor que os efeitos somados das micotoxinas individuais (Alassane-Kpembi et al., 2017). Os efeitos tóxicos das micotoxinas são variáveis dependendo de suas diferentes estruturas químicas, bem como de sua concentração, tempo de exposição e da espécie, sexo, idade e vulnerabilidade do animal afetado. Em geral, os animais monogástricos e mais jovens são mais sensíveis às micotoxinas do que os ruminantes e os animais mais velhos (Magnoli et al., 2019).
É importante considerar a exposição à cocontaminação por micotoxinas devido ao efeito aditivo prejudicial e/ou efeitos sinérgicos na saúde animal (Magnoli et al., 2019). Em um monitoramento de 3 anos (20092011) da ocorrência mundial de micotoxinas em alimentos e rações, Rodrigues e Naehrer (2012) mostraram que 48% das 7.049 amostras analisadas provenientes das Américas, Europa e Ásia estavam contaminadas com 2 ou mais das micotoxinas (aflatoxinas, zearalenona, desoxinivalenol, fumonisinas e ocratoxina A). Outro estudo conduzido na Europa indicou que 75-100% das amostras de ração animal continham mais de 1 micotoxina (Streit et al., 2012), enquanto a coocorrência de mais de 2 micotoxinas foi relatada em 95% das amostras de cevada espanhola (Ibanez-Vea et al., 2012). A toxicidade das combinações de micotoxinas nem sempre pode ser prevista com base em suas toxicidades individuais. Além disso, os dados sobre os efeitos tóxicos combinados in vivo das micotoxinas são limitados (Grenier e Oswald, 2011). O interesse científico pelos efeitos biológicos das misturas de micotoxinas tem aumentado nos últimos anos, mas o conhecimento sobre o assunto ainda é escasso. O monitoramento da coocorrência de micotoxinas permite identificar as misturas de micotoxinas mais prevalentes e, portanto, pode ajudar a priorizar os esforços de pesquisa e prevenção. Em uma revisão de literatura, Grenier e Oswald (2011) apresentaram os principais efeitos em animais expostos com mais de uma micotoxina concomitantemente. Os principais destaques estão na Tabela 1.
As doenças causadas por micotoxinas, as micotoxicoses, reduzem a produção animal e aumentam as taxas de conversão alimentar. Além disso, geram maior morbimortalidade. Baixas concentrações de micotoxinas podem causar perdas subclínicas na produção e aumentar o risco e a incidência de outras doenças.
76 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
Tabela 1 Interação entre aflatoxinas e fumonisinas Espécie
Frangos de corte
Suínos 28d
Dose1
Efeitos
0,05/10
Redução de heterófilos Aumento de linfócitos
0,35/10
Aumento de linfócitos Queda de heterófilos
2,45/10
Redução de albumina Aumento de linfócitos e queda de heterófilos
0,05/10
Redução do ganho de peso Redução do consumo de ração
Dilkin et al., 2003
2,5/100
Redução do ganho de peso Redução do consumo de ração Aumento das enzimas aspartato aminotransferase; colinesterase e fosfatase alcalina Aumento da mortalidade Redução do fígado Aumento do ferro total
Harvey et al., 1995
Suínos 35d
Efeitos
Del Bianchi et al., 2005
0,025 / 1,15 (μg/ovo)
Aumento de morte embrionária
0,05 / 2,3 (μg/ovo)
Aumento de anormalidade Aumento de morte embrionária
0,025 / 1,0 (μg/ovo)
Aumento de anormalidade
0,05 / 2,0 (μg/ovo
Aumento de anormalidade Aumento de morte embrionária
Suínos 28d
2,0/2,0
Aumento de triglicerídeos, proteínas totais e fígado Redução do ganho de peso
Harvey et al., 1989
Suínos 42d
0,375/1,0
Redução do ganho de peso Aumento da creatinina
Tapia and Seawright, 1985
0,5/1,0
Aumento do consumo de ração Redução da produção de ovos Redução da qualidade de casca
Verma et al., 2003
2,0/4,0
Redução da produção de ovos, do consumo de ração, da qualidade de casca
Ovos férteis 10d Ovos férteis 15d
Galinhas poedeiras 50d
monogástricos
Interação entre aflatoxina e ocratoxina Edrington et al., 1995 Edrington et al., 1995
Interação entre aflatoxina e tricotecenos Frangos de corte 35d
Suínos 28d
2,0/1,0
Aumento do peso relativo dos rins, fígado Redução do peso relativo do timo e bursa de Fabricius Redução do consumo de ração Redução dos anticorpos contra doença de Newcastle
Girish and Devegowda, 2006
2,5/10
Redução do ganho de peso Parâmetros hematológicos: redução do nitrogênio ureico no sangue, colesterol, triglicérides, sódio, fósforo, albumina Aumento da enzima gamaglutamiltranspeptidase
Harvey et al., 1990
Dose¹: as doses são expressas em mg de toxinas/kg de alimento. Em alguns experimentos, as doses são expressas em mg de toxinas/kg de peso corporal/dia e em mg de toxinas/dia.
77 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
A contaminação fúngica também influencia no valor nutricional e na palatabilidade da ração. A toxicidade e os efeitos deletérios das micotoxinas variam de acordo com muitos fatores, como: Via de administração Tempo e a quantidade de exposição Dosagem administrada Idade, sexo e saúde geral do animal Presença de outras micotoxinas (Magnoli et al., 2019) Na Tabela 2 estão expostos os principais efeitos das micotoxinas em cada espécie de interesse zootécnico. Micotoxina
monogástricos
Aflatoxina
Tricotecenos
Zearalenona
Ocratoxina
Fumonisina
Órgão afetado AFB1 AFB2 AFG1 AFG2
DON NIV (Tipo B) T-2 HT-2 (Tipo A)
ZEN
OTA
FB1 FB2
Doença hepática (hepatotoxicidade), efeitos carcinogênicos e teratogênicos
Efeitos imunológicos, alterações hematológicas, distúrbios digestivos (diarreia, IA reduzida) dermatite, lesões orais, hemorragias dos tecidos intestinais, edema Efeitos estrogênicos (edema da vulva, aumento do útero), atrofia dos ovários e testículos, aborto
Nefrotoxicidade, nefropatia suína, lesão hepática leve, supressão imunológica
Edema pulmonar suíno
Espécie
Toxicidade
Aves
+++
Suínos
++
Ruminantes
+
Peixes
++
Aves
++
Suínos
+++
Ruminantes
+++
Peixes
++
Aves
+
Suínos
+++
Ruminantes
++
Peixes
++
Aves
+++
Suínos
+
Ruminantes
+
Peixes
+
Aves
+
Suínos
+++
Ruminantes
+
Peixes
+
Referencia Liew e Mohd-Redzwan, 2018; Rawal et al., 2010; Magnoli et al., 2017; Hussain, 2018; Anater et al., 2016
Pelyhe et al. (2017); Danicke et al. (2017); Yunus et al. (2010); Awad et al. (2006)
Alshannaq e Yu et al. (2017); Kosicki et al. (2016)
Comissão Europeia
Codex Alimentarius, Comissão Europeia, Vardon et al. (2003)
+++ Alta toxicidade, ++ moderada toxicidade, + leve toxicidade. Adaptado de Magnoli et al., 2019 Os efeitos em animais após a ingestão das micotoxinas variam de doença aguda e evidente com alta morbidade e morte, à doença crônica, com redução da resistência a patógenos e da produtividade animal.
No entanto, o principal problema associado à ração animal contaminada com micotoxinas não são os episódios de doenças agudas, pois são raros, mas sim a ingestão de baixo nível de toxinas que podem causar uma série de distúrbios metabólicos, fisiológicos e imunológicos (Grenier e Applegate, 2013).
78 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
Essas três funções do TGI são interrelacionadas para manutenção da homeostase intestinal.
duodeno jejuno
Suínos
Aves
AF
>80%
>80%
OTA
65%
40%
DON
55%
5-20%
FB
3-6%
1%
Mecanismo e via de captação
A circulação enterohepática pode aumentar a exposição ao longo de todo o TGI DON T-2 ZEA AF OTA
Porcentagem absorvida
AF
Transporte passivo
OTA
Transporte passivo via difusão simples
DON
Transporte passivo via rota paracelular
FB
Interação com componentes biliares
Figura 2. Absorção e destino das micotoxinas no trato gastrointestinal de monogástricos. À esquerda são exibidos os diferentes segmentos do TGI, os locais de absorção e a dinâmica das principais micotoxinas dentro do TGI. À direita está indicada a porcentagem absorvida das principais micotoxinas no TGI de suínos e aves e as rotas de absorção das toxinas. Adptado de Grenier e Applegate, 2013
Nutrição Sistema imunológico Microbiota intestinal
Sempre que a integridade da mucosa intestinal é comprometida, a absorção de nutrientes diminui. Além disso, uma proporção aumentada de nutrientes absorvidos é direcionada para reparar a área danificada e auxiliar o sistema imunológico na eliminação do agente causador do dano. A captação de micotoxinas e a distribuição subsequente nos tecidos ocorre a partir da absorção do TGI. Essa passagem pela barreira intestinal pode ser máxima, como para as aflatoxinas (AF), ou muito limitada, como nas fumonisinas (FUM) (Figura 2).
79 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
monogástricos
A manutenção do TGI saudável é de grande importância, pois garante que os nutrientes sejam absorvidos em uma taxa ideal, fornece proteção eficiente contra patógenos por meio de seu próprio sistema imunológico e mantém a microflora endógena em números adequados.
DON ZEA AF OTA
jejuno
Embora seja necessário conhecer os efeitos das micotoxinas na toxicidade celular, patologia associada e desempenho animal, é crucial que se conheça também os efeitos desses compostos no trato gastrointestinal (TGI). Considerando que a interação inicial das micotoxinas é com o epitélio intestinal.
A maior parte da dose absorvida (80-90%) ocorre na parte superior do TGI
o ag ômapo t s E P
íleo
Efeito das micotoxinas no trato gastrointestinal
É importante destacar que a má absorção intestinal de FUM, variando de 1% a 6% em espécies não ruminantes, implica que o epitélio intestinal seja exposto a uma proporção muito alta da toxina ingerida.
Micotoxina AF 10%
FB 20%
DON 50%
FUS 20%
Grenier e Applegate (2013) em sua revisão de literatura compilaram os efeitos das micotoxinas nos diversos processos de digestão e absorção de nutrientes provenientes de mais de 20 estudos diferentes.
Espécies
DR 40%
DO 60%
A Figura 3 resume os resultados desses estudos sobre ganho de peso corporal de animais, quando os autores relataram quaisquer efeitos significativos na digestibilidade dos nutrientes, atividade enzimática, absorção e transporte de nutrientes, bem como na morfologia intestinal.
Curto período 40%
Longo Período 60%
Dose utilizada
Conforme ilustrado na Figura 3, o crescimento animal muitas vezes não é afetado ou é apenas moderadamente afetado após a modulação das funções digestivas pelas micotoxinas.
monogástricos
Exposição
Suínos 30%
Aves 70%
Sem alteração no crescimento animal
50% 5%
Aumento do crescimento animal
45%
Redução do crescimento animal
Micotoxina
AF 33% FB 11%
FUS 56%
Exposição
Longo Período 89 % Curto período 11%
Dose utilizada
DO 56 %
DR 44 %
Espécies
Roedores 22 % Cães 11 %
Aves 67 %
Figura 3. Modulação dos processos digestivos e absortivos por micotoxinas - Consequência para o crescimento animal. A figura exibe as alterações do peso corporal do animal quando um efeito foi relatado na digestibilidade e/ou absorção de nutrientes e/ou morfologia intestinal. DR, doses realistas; DO, doses ocasionais. Adaptado de Grenier e Applegate, 2013
80 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
O gráfico central e proeminente refere-se à modulação geral do equilíbrio do crescimento pelas micotoxinas por meio dos processos digestivos e absortivos.
De acordo com o efeito observado no crescimento animal, os autores estabeleceram quatro subgráficos de acordo com o desenho experimental citado, a saber, a micotoxina utilizada, o tempo de exposição, as doses utilizadas e as espécies utilizadas. A exposição de curto prazo refere-se a ensaios com menos de três semanas de duração e de longo prazo a ensaios de mais de três semanas de exposição.
Meta-análises de dados de suínos sugerem que as micotoxicoses podem resultar em até 30% de redução no crescimento, dos quais a maior parte das reduções (85%) são atribuíveis ao uso ineficiente de ração, enquanto os desafios intestinais (E. coli) resultaram em 39,8% de redução do crescimento, dos quais 26% são atribuídos a reduções na eficiência alimentar (Murugesan et al., 2015).
Pode-se concluir que devido à grande distribuição global e incidência de micotoxinas nas matérias-primas destinadas a alimentação animal, é imprescindível que os agentes envolvidos na cadeia de produção de proteína animal tenham conhecimento da incidência e efeitos das micotoxinas.
Especialmente, devido aos efeitos deletérios da exposição a um alimento/ração contaminado por uma ou mais micotoxinas, que resulta em um maior risco para a saúde animal, perdas produtivas e econômicas.
Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação
Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
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81 nutriNews Brasil 3° Trimestre 2021 | Ocorrência e efeitos das micotoxinas em monogástricos
monogástricos
Metade desses estudos (10/20) não observou mudanças no crescimento do animal, já 45% (9/20) observou uma diminuição no crescimento do animal e 5% (1/20) observou um aumento do crescimento do animal.
MICOTOXINAS E MICOTOXICOSES EM SILAGENS E INSUMOS PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS Prof. Dr. Luiz Antonio Moura Keller Médico Veterinário, Professor Adjunto de Toxicologia Veterinária na Universidade Federal Fluminense (UFF)
silagem
IMPORTÂNCIA DO MONITORAMENTO DE MICOTOXINAS E MICOTOXICOSES NA PRODUÇÃO ANIMAL A OMS, através da FAO (2020) define junto ao CODEX Alimentarius as micotoxinas como metabólitos fúngicos, que tem a capacidade de provocar alterações patogênicas em animais e homem. Sendo as micotoxicoses as síndromes de etiologia tóxica, resultante da absorção das micotoxinas. Estas podem ser produzidas em vários pontos durante a cadeia de produção de alimentos sendo: antes e após a colheita armazenamento processamento transporte distribuição
82 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
Estudos demonstram que a ocorrência
As aflatoxinas e fumonisinas são as
de micotoxinas é responsável por
toxinas de maior preocupação nas regiões
perdas de bilhões de dólares em todo o
tropicais e subtropicais,
mundo, seja através de perdas diretas ou
diferentemente do que ocorre
indiretas, resultante de prejuízos à saúde
na Europa e em outras partes do
humana e animal, além de rejeição e
Hemisfério Norte, onde a contaminação
condenação de produtos alimentícios.
com micotoxinas na pré-colheita por vários membros do gênero Fusarium,
A ocorrência de micotoxinas é sazonal
incluindo deoxinivalenol e zearalenona,
e diferenciada geograficamente, o que
são a maior preocupação.
dificulta o diagnóstico das micotoxicoses em animais de criação, principalmente sob a forma subaguda ou crônica.
A Figura 1, demonstra a importância e preocupação das ocorrências e
As condições que afetam a produção de
notificações de matrizes alimentares com
toxinas pelo fungo incluem:
contaminação apenas de aflatoxinas em comunidade europeia.
susceptibilidade genética da planta hospedeira
Isso apenas reforça que os sistemas
conteúdo da mistura
as melhores formas de controle de
de monitoramento e gestão são micotoxinas.
composição da ração
Figura 1: Notificações por países de origem de matrizes alimentares contaminadas por aflatoxinas, encaminhadas para a Comunidade Europeia (UE), que entraram no sistema Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF) entre 2009 a 2019 (European Parliament and of the Council, 2002; Ráduly et al., 2020).
temperatura ambiental umidade relativa do ar e do substrato além da população microbiológica presente, dentre vários outros fatores. notificação para acompanhamento
notificação
notificação para atenção
alerta
rejeição na fronteira
1250 1000 750 500 250 uia Ch ina Est ad Índ os ia Un ido s Arg Irã en tin a Eg ito Bra s Nig il éri Pa a qu i Ind stão o Áfr nés ica ia d Arj o Su eb l Ale aijão ma nh Ga a na Bo liv Ge ia org ia Itá l Sri ia Lan Esp ka an ha
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NÚMERO DE NOTIFICAÇÕES
silagem
produtos tipo exportação enviados a
linhagem do fungo
PAÍSES DE ORIGEM
83 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
FONTES ALIMENTARES DIVERSIFICADAS E IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS PARA BOVINOCULTURA Para um rendimento satisfatório na criação de bovinos destinados a produção de carne e leite, implica na:
O cuidado com a alimentação animal deve-se estender não só ao valor nutricional, mas também a qualidade do alimento, porque
utilização de alimentos de boa qualidade
além do milho, que participa com mais de
bons rendimentos nutricionais e
ensilagem produzida no país,
econômicos além de gestão e aplicação de técnicas de
50% como ingrediente de ração e base para a
outros insumos como o sorgo, algodão e trigo também estão presentes.
conservação de alimentos adequada. Podemos destacar a contaminação do Um dos principais problemas enfrentados pelos pecuaristas é o
silagem
alto valor das rações e insumos industrializados. A fim de minimizar os custos, sem comprometer a
farelo de algodão, que ocorre durante o processamento do caroço para extração do óleo e obtenção do farelo, a concentração de micotoxinas nesse subproduto, muito utilizado como suplemento proteico na alimentação de vacas leiteiras é um risco
produtividade do rebanho, a
se não for adequadamente utilizado
utilização de conservação de
(Alonso et al., 2013).
forragens e grãos produzidos a campo diretamente na propriedade, além de utilização dos subprodutos agroindustriais vem se tornando uma prática constante nas propriedades.
A suplementação alimentar em épocas de seca é necessária para manutenção dos níveis nutricionais exigidos para manutenção dos níveis de produção.
Os ruminantes são reconhecidamente mais resistentes que os monogástricos no tocante às micotoxicoses. Porém, o descontrole durante o processo de produção da silagem decorrente a uma alta
Alimentos ensilados, principalmente
micobiota contaminante do silo e potencial
silagens de milho e sorgo (as mais
ocorrência de níveis de micotoxinas, pode
utilizadas no cenário brasileiro), vêm
ser um risco alto demais e certamente
sendo aplicadas com essa finalidade.
prejuízos irão advir.
84 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
Nesse aspecto as análises de perdas econômicas geradas pela contaminação por micotoxinas têm sido feitas de forma
principalmente a de insumos destinados
individualizada por cadeia envolvida.
a animais, necessita reduzir os níveis de
O FDA (U.S. Food and Drug
micotoxinas presentes em ingredientes ou
Administration), estima que as perdas
alimentos terminados, bem como garantir
anuais nos Estados Unidos nas safras
alimentos com qualidade nutricional e custo
de milho, soja e amendoim cheguem
reduzido.
a US$932 milhões e outros US$500
São necessárias estratégias que busquem desenvolver práticas sustentáveis de conservação de alimentos, ademais de estratégias biológicas de monitoramento e descontaminação de micotoxinas. Soluções que viabilizem não apenas a conservação das forragens, que pode ser adequadamente utilizado para alimentação animal, bem como proporcionar um aumento na qualidade do produto final obtido são necessárias. A potencial ocorrência de micotoxinas causa perdas diretas e indiretas a bovinocultura, o impacto econômico global das micotoxinas na agropecuária é algo difícil de ser mensurado,
perda de animais diminuição da oferta de grãos
uma vez que envolve gastos com: redução da produtividade dos plantéis
cuidados veterinários
milhões são investidos em pesquisas e no monitoramento desses metabólitos fúngicos, resultando em uma perda total de US$1,5 bilhão anualmente (Cast, 2003).
Em estudo realizado pelo grupo durante o monitoramento de amostras encaminhadas ao laboratório de análises, pode ser constatada a incidência de aflatoxinas durante a cadeia produtiva de leite. Ponto importante é demonstrar a taxa de passagem da micotoxina do alimento consumido pelos bovinos, metabolizado e depositado no leite. Estimava-se que cerca de 2% era a relação mais favorável dentro de estudos e avaliações com animais de aptidão na produção leiteira. Porém, estudos recentes colocaram em evidência que tal taxa está correlacionada com dois fatores: potencial produtivo do animal e estágio de lactação. Os valores de 2,5 a 5,0% referem-se a vacas com produção média entre 15-25 kg/dia, podendo em estágio de lactação avançado chegar a 30 kg/ dia. Com isso, a relação do risco toxicológico se torna cada vez mais evidente, reforçando planejamentos no processo de produção do alimento (Oliveira et al., 2020).
85 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
silagem
A indústria mundial de alimentos,
Na Tabela 1 os níveis detectados de Aflatoxina M1 (AFM1) estão dentro dos limites propostos pela legislação vigente no Brasil, porém os níveis de aflatoxinas totais na alimentação destes animais afetam significativamente os parâmetros produtivos a campo, além de afetar a manufatura deste leite ao longo da cadeia de produtos. Reforçando a importância do monitoramento e continuo controle da cadeia de produtos, isso não apenas irá reforçar o padrão de qualidade do produto, como certamente irão gerar ganhos diretos nos índices de produção.
Tabela 1: Incidência percentual e níveis médios (µ/L-1) de Aflatoxina M1 em leite cru e leite dos tanques de resfriamento de fazendas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. NÍVEIS DE AFLATOXINA M1 ( ΜG.KG-1 / ΜG.L-1 )
silagem
AMOSTRAGEM POR ESTADO
ESTAÇÃO DO ANO
AFM1 (LEITE CRU)
AFM1 (LEITE DE TANQUE DE RESFRIAMENTO)
%
MÉDIA ± SD
%
MÉDIA ± SD
Verão
22
0,039 ±0,01
10
0,03 ±0,01
Outono
23
0,041 ±0,01
11
0,01 ±0,01
Inverno
26
0,042 ±0,01
10
0,02 ±0,01
Primavera
24
0,031 ±0,01
14
0,01 ±0,01
Verão
24
0,28 ±0,12
19
0,02 ±0,01
Outono
26
0,31 ±0,13
17
0,04 ±0,01
Inverno
30
0,52 ±0,21
19
0,04 ±0,02
Primavera
28
0,41 ±0,21
17
0,03 ±0,01
Verão
24
0,29 ±0,22
14
0,03 ±0,01
Outono
22
0,41 ±0,10
12
0,04 ±0,01
Inverno
29
0,62 ±0,13
11
0,06 ±0,01
Primavera
27
0,41 ±0,21
12
0,04 ±0,02
Rio de Janeiro (n=30)
São Paulo (n=12)
Minas Gerais (n=30)
* SD: Desvio Padrão/ Limites de Detecção e Quantificação (µg kg-1): LOD: 0,001 e LOQ: 0,004
86 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
IMPORTÂNCIA DO CONTROLE DAS MICOTOXINAS NAS ENSILAGENS DESTINADAS A BOVINOCULTURA BRASILEIRA A bovinocultura brasileira é um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, dados do IBGE no último Censo Agropecuário. Os ganhos com a pecuária bovina, em países como o Brasil atingem aproximadamente R$ 5 bilhões de reais/ano (FAO, 2019). Dentre os efeitos patogênicos relevantes a serem destacados para bovinocultura, podemos utilizar este quadro (Quadro 1), adaptado de Alonso et al. (2013).
Quadro 1: Mecanismos de ação e efeitos patogênicos relatados das Aflatoxinas, Fumonisinas, Tricotecenos, Zearalenona, Ocratoxinas e Gliotoxinas, sob bovinos. FUNGO
MECANISMO DE AÇÃO
EFEITOS
AFLATOXINAS
Aspergillus (flavus e parasiticus)
Inibe a síntese proteica Inibe a síntese de lipídeos Diminui o metabolismo de glicose Diminui a síntese de fatores de coagulação
Carcinogenicidade Mutagenicidade Imunossupressão Teratogênese Hepatotoxicidade Diminuição do desempenho animal Interfere na microbiota ruminal
FUMONISINAS
Fusarium verticillioides
Interfere com o metabolismo dos esfingolipídios
Efeito sob a microbiota ruminal
TRICOTECENOS
Fusarium spp.
Inibe a síntese proteica Inibe a síntese de DNA e RNA
Necrose e inflamação da cavidade oral Imunossupressão Vômitos e diarreias Interfere na microbiota ruminal
ZEARALENONA
Fusarium graminearum
Hiperestrogenismo
Edema de vulva Aumento do tamanho de glândulas mamárias Síndromes com potencial de aborto
OCRATOXINAS
Aspergillus spp. e Penicillium spp.
Inibe as enzimas que utilizam a fenilalanina
Inibe a produção mitocondrial de ATP Interfere com as sínteses de DNA, RNA e proteína Inibe a gliconeogênese renal
GLIOTOXINAS
Aspergillus spp.
Inibe a síntese proteica Imunossupressão Citotoxicidade
silagem
MICOTOXINA
Interfere na síntese de imunoglobulinas Interfere na microbiota ruminal
Fonte: Adaptado de Alonso et al. 2013.
87 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
Os microrganismos presentes na silagem
Entre esses fatores os mais destacados
têm um importante papel no sucesso do
na bibliografia são: tipos de substratos,
processo de conservação.
temperatura e umidade.
A microbiota basicamente pode ser dividida em microrganismos desejáveis e indesejáveis. Aqueles que devem estar presentes são as bactérias ácido lácticas (Lactobacillus spp, Pediococcus spp, Enterococcus spp, entre outros) e
nos níveis de contaminação fúngica e produção de micotoxinas. Certamente controlar todos estes fatores é virtualmente impossível, porém o monitoramento será a melhor
os microrganismos indesejáveis são
ferramenta para controlar não apenas a
aqueles envolvidos na deterioração
qualidade das forragens, como também
anaeróbia (Clostridium spp, Aspergillus
mitigar o risco de micotoxicoses.
spp., Penicillium spp., Fusarium spp., grupos das Enterobactérias, entre outros fungos filamentosos e leveduras) (Keller et al., 2013).
silagem
São fatores que influenciam diretamente
A adoção de boas práticas de ensilagem poderá contribuir para a prevenção da contaminação fúngica e diminuição da produção de micotoxinas.
Reforçar esta microbiota desejável e favorável, e principalmente, inibir o desenvolvimento da microbiota deteriorante é o principal trabalho a ser realizado quando se pretende ter sucesso para produção de alimentos dentro da propriedade.
Estas práticas são ações que vão desde o campo, até o fornecimento da silagem para os animais, justamente tentando cobrir todas as possibilidades de produção da toxina pelos fungos. Mesmo com a adoção destas práticas, não podemos desconsiderar completamente a possibilidade de produção de micotoxinas,
Susceptibilidade do substrato à colonização de fungos produtores de micotoxinas;
Fatores físicos como temperatura ambiental, umidade do substrato e umidade relativa do ar; danos mecânicos provocados ao substrato, tempo de armazenamento e forma de utilização;
O crescimento dos fungos toxígenos e a produção de micotoxinas são dependentes de vários fatores (Keller, et al 2013):
Fatores químicos como disponibilidade de nutrientes para o crescimento fúngico, substâncias inibidoras, atividade aquosa do substrato;
entretanto medidas de controle integrado garantem melhores resultados e quando associados a insumos teremos um resultado muito favorável ao final do processo, quando aplicado um manejo integrado
(Figura 2, 3, 4 e 5)
Fatores biológicos, capacidade genética do fungo de produzir micotoxinas, presença de conídios viáveis, interação de diferentes espécies fúngicas e de micotoxinas no mesmo substrato;
88 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
Figura 2: Fluxograma para o processo de confecção da ensilagem para garantia de um processo de conservação eficiente.
COMO GARANTIR A QUALIDADE DURANTE O PROCESSO DE ENSILAMENTO
Seleção forragens e boas
=
práticas pré-colheita
+ Uso de inoculantes, enzimas e estabilizantes
Garantir o processo de fermentação e estabilização do silo
+
Silagem de ótima qualidade
Aplicação de boas práticas de manejo do silo
silagem
Figura 3: Matéria prima coletada durante o processo de pré-ensilamento, observando o milho quebrado e a presença fungos (A, B e C) e erros no armazenamento de bagaço de cevada (D) e milho inteiro (E), com presença fúngica devido a quebra de anaerobiose.
A D
B
C
E 89
nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
Figura 4: Descontrole no processo de utilização, quando da abertura de silos, observa-se crescimento fúngico evidenciado e ao ser colocado no vagão misturador, não tem seletividade e controle do aproveitamento do silo.
Figura 5: Implantação de programas de controle de silos, por avaliação de seguimentos superior, inferior, laterais e central para estabelecer rotinas de monitoramento amostral no aproveitamento do alimento.
Figura 6: Esquema para avaliação dos fatores e importância de verificar o controle integrado no controle do processo de ensilamento.
silagem
MATÉRIA PRIMA
ARMAZENAGEM
A contaminação por micotoxinas na alimentação animal tornou-se uma preocupação que exige ações para gerenciamento da problemática. A exposição às micotoxinas representa grande risco à
MANEJO
Programas de monitoramento, detecção e gestão adequados na produção animal são a base para lidar com os potenciais impactos negativos.
saúde humana e animal, principalmente se
Dessa forma, enfatizamos a
forem negligenciadas.
importância da aplicação das práticas de manejo integradas e da utilização
As referências serão disponibilizadas mediante solicitação
de programas de gestão e controle são as melhores estratégias para
Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
mitigação da problemática.
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90 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos
TABELA DE ADITIVOS
ANTI-MICOTOXINAS 2021 EDIÇÃO BRASIL
92
EMPRESA
Toxy-Nil®
Toxy-Nil® Plus
Toxy-Nil® Unike
Unike® Plus
PRODUTO
ANTI-MICOTOXINAS 2021
Tabela de produtos
cerevisae).
aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces
(bentonita 1m588 e sepiolita);
aArgilas modificadas com alta capacidade de adsorção
cerevisae); aAntioxidantes celulares.
aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces
(bentonita 1m588 e sepiolita);
aArgilas modificadas com alta capacidade de adsorção
(bentonita 1m588 e sepiolita); aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces cerevisae); aAntioxidantes celulares; aCompostos herbais.
aArgilas modificadas com alta capacidade de adsorção
aAntioxidantes celulares; aCompostos herbais.
cerevisae);
aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces
(bentonita 1m588 e sepiolita);
aArgilas modificadas com alta capacidade de adsorção
COMPOSIÇÃO
1-3 kg/t
0,5-2,5 kg/t
0,5-2,5 kg/t
0,5-2,5 kg/t
DOSE
Eficácia sobre amplo espectro de micotoxinas, polares e não polares, comprovada através de testes in vitro e in vivo. A bentonita (1m588) presente nestes produtos é aprovada na União Europeia como ingrediente adsorvente de micotoxinas.
EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA
5) PROTEÇÃO DE ORGÃOS: Prevenindo danos e suportanto o funcionamento normal de órgãos sensíveis às micotoxinas.
4) DEFESA ANTIOXIDANTE: Prevenindo os danos celulares através do manejo eficaz do estresse oxidativo causado pelas micotoxinas.
3) REVITALIZAÇÃO DO SISTEMA IMUNE: Protegendo a resposta imune normal que é suprimida pelas micotoxinas.
2) BIO-INATIVAÇÃO: Alterando as estruturas químicas das micotoxinas para metabólitos menos tóxicos e/ou mais facilmente excretados.
1) ADSORÇÃO: Sequestrando micotoxinas para que sejam excretadas sem serem absorvidas.
Inativadores de micotoxinas que protegem os animais dos efeitos deletérios das micotoxinas através de até cinco diferentes mecanismos de ação:
INFORMAÇÃO ADICIONAL
2021
93
EMPRESA
Inclusão padrão: 1,5 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t
Inclusão padrão: 1 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t
Inclusão padrão: 0,75 kg/t Inclusão sob desafio: 1,5 Kg/t
aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS) de alta pureza aFarinha de algas micronizada
aNucleotídeos livres aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS) de alta pureza
aComplexo de enzimas aNucleotídeos livres aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS) modificados aFarinha de algas micronizadas
aCarvão Vegetal Desativado
BetaFix®
StarFix®
MegaFix®
CarboVet
0,5 – 3 kg/tonelada de alimento
Inclusão padrão: 2 kg/t Inclusão sob desafio: 3 Kg/t
DOSE
aAluminossilicatos (HSCAS) de alta pureza
COMPOSIÇÃO
ZeniFix®
PRODUTO
Afla, Zea, Fumo, DOM e T-2
Afla, Zea, Fumo, DOM, OTA, T-2
Afla, Zea, Fumo, OTA, T-2
Afla, Zea, Fumo, OTA
Afla e OTA
EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA
aCarbovet é uma solução inovadora à base de carvão desativado, ecologicamente obtido através do cerne do carvalho aFerramenta 100% natural e eficaz, protege e contribui para o bem-estar animal aEficaz na adsorção de enterotoxina e radicais livres aIndicado para todas as espécies
MegaFix® é quarta geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. Desenvolvido para ser utilizado em condições de desafios agudos causados por micotoxinas, em especial a zearalenona e o DON, o MegaFix® é formulado com probióticos capazes de produzir enzimas que desnaturam as micotoxinas. Em sua composição há aluminossilicatos quimicamente modificados, grande concentração de β-glucanas de alta resistência e alga micronizada. O efeito sinérgico destes componentes faz do MegaFix® a solução tecnológica e natural mais avançada no combate e gerenciamento das principais micotoxinas. MegaFix® é especialmente indicado para dietas de matrizes suínas e leitões.
StarFix® é a terceira geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. O StarFix® foi especialmente desenvolvido para a manutenção da saúde hepática, por isso é formulado com altíssima concentração de β-glucanas de alta resistência, combinadas com nucleotídeos livres e aluminossilicatos purificados que garantem a eficiência contra as micotoxinas zearalenona, aflatoxina e fumonisina. Os nucleotídeos livres agem como suporte à regeneração hepática. StarFix® pode ser aplicado em todas as espécies animais, mas é especialmente indicado nas dietas para suínos, camarões e tilápias.
BetaFix® é a segunda geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. O BetaFix® é um enteroadsorvente de alta eficiência contra micotoxinas polares e não polares como a aflatoxina, fumonisina e o T-2. O BetaFix® possuí em sua composição β-glucanas de alta resistência, aluminossilicatos purificados e alga micronizada. Esses componentes são criteriosamente selecionados para ter um efeito sinérgico, garantir a melhor capacidade de adsorção de micotoxinas e, ao mesmo tempo, manter a segurança das propriedades nutricionais das rações. O BetaFix® pode ser aplicado em todas as espécies animais, mas é especialmente indicado nas dietas para aves, cães, gatos e ruminantes.
ZeniFix® é a primeira geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil, constituído por aluminossilicatos (HSCAS), especialmente selecionados pela sua alta eficiência em adsorver micotoxinas polares, como as aflatoxinas e T-2. É uma solução indicada para a dieta de todas as espécies animais em diferentes idades e estágios fisiológicos.
INFORMAÇÃO ADICIONAL
94
Distribuidor
EMPRESA
A silimarina deste produto atua como um potente hepatoprotetor e por conter Selenio Orgânico, este atua como antioxidante natural.
A silimarina deste produto atua como um potente hepatoprotetor e por conter Selenio Orgânico, este atua como antioxidante natural.
aExtrato de parede celular de levedura aCarvão vegetal aProteinato de selênio aExtrato de cardo mariano aResina colestiramina
aCarvão vegetal aProteinato de selênio aExtrato de parede celular de levedura aExtrato de cardo mariano aAluminosilicato de sódio e cálcio
YES - FIX S
YES - FIX M
YES - FIX R
Adicionar a ração dos animais conforme necessidades específicas ou recomendação do responsável técnico.
aEQUINOS E MUARES: 1,0-2,0kg/ton aCÃES E GATOS: 1,0-3,0kg/ton aPEIXES E CAMARÕES: 1,0-2,0kg/ton aOVINOS E CAPRINOS: 1,0-2,0kg/ton aBOVINOS: 1,0-2,0kg/ton
Aflatoxina, Fumonisina, Zearalenona, Ocratoxina, T2 e Desoxinivalenol (DON).
aParede celular de levedura aCarvão vegetal aExtrato de cardo mariano aBentonita aProteinato de selênio
Crescimento e Terminação: 1,0kg/ton, Pré-inicial, Inicial, Reprodução e Lactação: 2,0kg/ton
YES - FIX
aAVES: 0,5 -2,0kg/ton aSUÍNOS:
A silimarina deste produto atua como um potente hepatoprotetor e por conter Selenio Orgânico, este atua como antioxidante natural.
Por conter Selenio Orgânico, este componente atua como antioxidante natural.
A silimarina deste produto atua como um potente hepatoprotetor e por conter Selenio Orgânico, este atua como antioxidante natural.
aBentonita aParede celular de levedura aCarvão vegetal ativado aProteinato de selênio aLevedura seca de cana-de-açúcar
aIndicado para todas as espécies animais, baixa inclusão, especificidade para as principais micotoxinas, sem efeitos adversos sobre minerais, vitaminas, antimicrobianos e anticoccidianos, não saturável e com estabilidade térmica.
INFORMAÇÃO ADICIONAL
YES - FIX HP
Ação sobre Zearalenona, Ocratoxinas, Aflatoxinas, Fumonisinas, e Tricotecenos
EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA
aCarvão vegetal ativado aProteinato de Selênio aLevedura seca de cana-de-açúcar aParede celular de levedura aExtrato de cardo mariano aBetonita
0,5 a 1 kg/tonelada de alimento
DOSE
aLisado de Saccharomyces cerevisiae e seus metabólitos
COMPOSIÇÃO
Detoxa Plus
PRODUTO
ANTI-MICOTOXINAS 2021
Tabela de produtos
2021
MICOTOXINAS NA RAÇÃO DE PETS
micotoxinas pet
Priscila Moraes e Lucélia Hauptli Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural
A palavra micotoxina é derivada das palavras gregas “myke” que significa fungo e “tóxico” que significa toxina. Estas substâncias podem se desenvolver em diferentes produtos alimentícios e em rações. Os ingredientes mais afetados são grãos e cereais durante diferentes estágios, incluindo pré-colheita, colheita e armazenamento (Gaspar et al., 2019).
O que são micotoxinas?
A
s micotoxinas são metabólitos secundários que ocorrem naturalmente em condições adversas nos fungos pluricelulares ou filamentosos, também conhecidos como bolores ou mofos.
As micotoxinas representam um risco para a cadeia de abastecimento de rações, com impacto na saúde animal, no comércio de rações e, consequentemente, na economia. Recentemente, cerca de 100.000 fungos foram identificados, entre esses mais de 500 micotoxinas foram relatadas como potencialmente toxigênicas, as principais micotoxinas que impactam a saúde humana e animal são aflatoxinas, fumonisinas, tricotecenos, ocratoxinas e zearalenona.
95 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Como características principais das micotoxinas destacase que são moléculas tóxicas, pequenas, muito estáveis e extremamente difíceis de remover ou erradicar (Haque et al., 2020). Na Tabela 1, é apresentado um resumo das micotoxinas, fungos de origem e os alimentos onde ocorrem de forma mais comum.
Tabela 1. Principais micotoxinas relatadas na indústria pet Micotoxina
micotoxinas pet
Aflatoxinas (AFB1, AFB2, AFG1, AFG2)
Ocratoxinas (OTA, OTB, OTC)
Espécies de fungo (principais)
Alimento em que ocorre
Efeitos patológicos e toxicidades
Aspergillus sp. (A.flavus e A.parasiticus)
Milho, trigo, arroz, sorgo, leite e laticínios, ovos, carne
Hepatototóxicas, imunodepressoras, nefrotóxicas, carcinogênicas e anticoagulante
Cereais, cevada, trigo, aveia, centeio
Nefrotóxico, hepatotóxico, neurotóxico, mutagênico, teratogênicos, imunodepressores, cancerígeno (trato urinário tumores), inibição da síntese de proteínas
Aspergillus sp. e Penicillium sp. verrucosum
Tricotecenos Principais: desoxinivalenol (DON) e Toxina - T2
Fusarium sp. Cephalosporium sp. Trichoderma sp.
Cereais, produtos à base de cereais
Citotoxicidade, imunodepressores, mutagênicos, neurotóxicos, anorexia e diarreia, perda de peso, leucocitose, hemorragia ou choque circulatório, lesões orais
Fumonisinas (FB1, FB2, FB3)
Fusarium ( Fusarium verticillioides e Fusarium proliferatum)
Milho e seus subprodutos, sorgo, arroz, leite
Hepatotóxico, imunotóxico, citotoxicidade, carcinogênico, apoptose, edema pulmonar, imunodepressores
Zearalenona (ZEN)
Fusarium (graminearum, culmorum)
Cevada, aveia, arroz de trigo, sorgo, gergelim, soja, produtos à base de cereais
Alterações no trato reprodutor, genotoxicidade, toxicidade reprodutiva e de desenvolvimento, prolapso da vagina, aborto
Tremogênica (penitren A roquefortina )
Claviceps paspali, Aspergillus terreus, Penicillium cyclospium e Penicillium palitans
Produzidas durante a deterioração dos alimentos
Fraqueza, tremores musculares, irritabilidade, rigidez, hiperatividade, febre, ataxia, convulsões e morte
Adaptado de Atungulu et al. (2018) e Haque et al. (2020)
96 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
De modo geral as micotoxinas podem apresentar efeitos agudos ou crônicos no organismo do animal que consumir alimentos com a presença destas. A toxicidade aguda é a que prejudica as funções hepáticas ou renais, levando o animal à óbito, e é resultado de um consumo de toxina moderado a alto na ração ou alimento.
Aflatoxinas As aflatoxinas são produzidas por algumas cepas de fungos do gênero Aspergillus, principalmente das espécies A.flavus e A.parasiticus, os quais se desenvolvem naturalmente em produtos alimentícios, milho, trigo, arroz, sorgo,
Por outro lado, a toxicidade crônica pode resultar no consumo de quantidade moderada a baixa de toxinas, acarretando em perda de peso e redução no consumo alimentar ou até mesmo não apresentar sintomas aparentes no animal afetado. No entanto, o consumo frequente de baixa quantidade de toxinas pode tornar o animal suscetível a várias doenças infecciosas, especialmente infecções bacterianas secundárias, pela supressão do sistema imunológico (Eshetu et al., 2016). A contaminação por múltiplas micotoxinas é um tópico de grande preocupação, pois as amostras contaminadas ainda podem exercer efeitos adversos em animais devido a interações aditivas/sinérgicas das micotoxinas (Haque et al., 2020).
Existem quatro aflatoxinas principais que são motivo de preocupação em alimentos para animais de companhia descritas pela ordem de toxicidade: aflatoxina (AFB1) aflatoxina G1 (AFG1) aflatoxina B2 (AFB2) aflatoxina G2 (AFG2) Alimentos com grande quantidade de carboidratos e lipídios são mais suscetíveis à contaminação por aflatoxina, porque as enzimas produzidas pelos fungos podem hidrolisar essas substâncias (Gallo et al., 2016). Uma vez formadas, as aflatoxinas são relativamente estáveis e resistentes ao calor e, portanto, não são eliminadas pelo processamento térmico utilizado na produção de alimentos para pets.
97 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
micotoxinas pet
leite e laticínios, ovos e carnes.
O primeiro caso relatado foi em 1952, nos Estados Unidos, com o uso de uma ração
Fumonisina
contaminada por fungos que causou uma doença hepática em cães, denominada
As fumonisinas são produzidas
“hepatite X”. É importante ressaltar que as
principalmente por fungos do
aflotoxinas são: hepatotóxicas imunodepressoras nefrotóxicas carcinogênicas anticoagulantes
gênero Fusarium verticillioides e Fusarium proliferatum. As fumonisinas mais prevalentes são do grupo B, com destaque para a fumonisina B1 (FB1) e a fumonisina B2 (FB2). É encontrada principalmente no milho e em seus subprodutos. As fumonisinas são mal absorvidas no intestino e podem ser inativadas pela microbiota intestinal. Uma vez que entram na circulação sanguínea, as
micotoxinas pet
Alguns casos clínicos são registrados na literatura.
fumonisinas danificam principalmente o rim e o fígado. Os efeitos clínicos das fumonisinas variam entre as espécies
Em cães a aflatoxicose aguda ocorre quando estes são alimentados com quantidades acima de 1mg/kg de aflatoxina B1 na ração (Newberne et al., 1966). Os primeiros sintomas após a ingestão do alimento contaminado é o vômito seguido por anorexia, perda de peso, sede excessiva, poliúria (micção excessiva) podendo levar o animal a morte. O principal órgão afetado é o fígado levando a um aumento das enzimas séricas, indicando lesão de hepatócito e extravasamento de alanina aminotransferase, aspartato aminotransferase, e lactato desidrogenase. O consumo de uma forma crônica, em alimentos contendo concentrações de 50 a 300 μg/kg (0,05 - 0,3 mg/kg) de aflatoxinas por 6 a 8 semanas, provocou uma resposta crônica, causando a anorexia, letargia, icterícia, coagulação intravascular disseminada e morte, sendo os mesmos sinais causados nas formas subagudas de cães alimentados com cerca de 500 - 100 μg/kg (0,5 a 1 mg de aflatoxina/kg) por 2 a 3 semanas (Newnan et al., 2007).
98 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
animais, mas a maioria das investigações toxicológicas não abordam animais de companhia. A hepatoxicidade e o edema pulmonar são observados em suínos, enquanto a nefrotoxicidade é observada em ratos, coelhos, cordeiros e bezerros (Oswald et al., 2003).
Tricotecenos Os tricotecenos são uma família de comumente encontrados no milho, trigo, cevada e aveia em todo o mundo. Dentre os 180 compostos, o desoxinivalenol (DON) também conhecido como vomitoxina e a
Os sinais clínicos envolvem: Anorexia, irritação cutânea, diarreia e hemorragias Quando há uma contaminação aguda
Toxina T-2 são os membros de maior
Os sintomas de rejeição de ração e vômitos
ocorrência.
resultaram no nome comum de “vomitoxina”.
A desoxinivalenol (DON) contamina
Assim como a aflatoxina,
as plantações de cereais, afetando
o DON causa inibição da síntese
mais comumente o trigo, milho
de proteínas e por isso são
e cevada. A sua prevalência
imunossupressores, predispondo os
dependente das condições
animais a outras doenças infecciosas
climáticas, incluindo precipitação e
(Puschner, 2002).
micotoxinas pet
micotoxinas dos fungos Fusarium,
temperatura. Assim como outras toxinas, ela exibe estabilidade em temperaturas de até 120-180°C. Experimentalmente, cães que receberam acima de 4,5 mg/kg de DON na ração apresentaram recusa do alimento, já gatos demostraram ser menos sensíveis, refugando a ração quando a concentração foi acima de 7,7 mg/kg de DON na ração
(Hughes et al., 1999).
De acordo com estudos toxicológicos, o T-2 representa o composto mais tóxico entre os tricotecenos. Os gatos parecem ser particularmente suscetíveis às toxinas T2, devido à sua incapacidade de excretá-las. Os principais sintomas de toxicidade descritos em gatos foram vômitos, diarreia, anorexia, ataxia das patas traseiras e secreção dos olhos
(Montes et al., 2020).
99 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Ocratoxinas
Zearalenona
Essas toxinas são produzidas pelo Aspergillus
Também conhecida como micotoxina F2, é um
sp. e Penicillium sp. A ocratoxina mais
metabólito estrogênico potente produzido pelo
importante e mais tóxica encontrada
fungo Fusarium, principalmente F. graminearum,
naturalmente nos alimentos é a ocratoxina A.
F. culmorum, F. equiseti e espécies do gênero
Esta variedade A foi isolada de cereais como o
Gibberella sp.
milho, aveia, trigo e cevada e por ter estreita ligação com proteinas plasmáticas também pode ser encontrada em produtos de origem animal (Leung et al., 2006). Outra preocupação em relação a essa toxina é a capacidade do fungo produzi-la em rações acabadas e mal armazenadas, incluindo
micotoxinas pet
ambientes como a casa onde reside o cão ou gato.
Quando presente nos alimentos, o primeiro órgão a ser afetado devido ao seu consumo é o rim, assim como ocorre em outras micotoxinas. Os sinais observados são:
Pode ocorrer na cevada, aveia, arroz de trigo, sorgo, gergelim, soja, produtos à base de cereais.
O principal sintoma da zearalenona são:
alterações no trato reprodutor como redução da fertilidade aumento de absorção de embriões, redução do tamanho de ninhada, alterações dos níveis séricos de progesterona e estradiol e alterações no peso da adrenal, tireóide e hipófise. Não foram encontrados estudos
Perda de apetite
Polidipsia
Vômito
Poliúria
de intoxicação em gatos, mas cães são considerados particularmente sensíveis a essa micotoxina estrogênica (EFSA, 2017).
Hipertermia
Desidratação
Tonsilite
Paralisia
em cadelas adultas, a Zearalenona pode
Diarreia
Morte
produzir lesões no miométrio e endométrio
sanguinolenta
Em um estudo onde foi administrada por via oral, 0,2 a 0,3 mg/kg de ocratioxna A para cães, cerca de 20 minutos após o consumo, os cães tornaram-se agitados com a respiração ofegante, prostrados e apresentaram vômitos.
100 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Com uma dose de 25μg/kg por peso vivo
(Montes et al. 2020).
Prevalência das micotoxinas em ração pet Atualmente, problemas com micotoxicoses, que é a denominação da intoxicação causada pelas toxinas, têm se tornando uma discussão mais abrangente, não apenas dentro da produção industrial de rações, onde ela já é amplamente conhecida, mas tem sido uma discussão pública por afetar também os alimentos destinados aos animais de companhia.
Micotoxinas tremogênicas classificadas como tremogênicas, dentre elas a penitrem A e roquefortina C estão amplamente associados a efeitos negativos para animais de companhia. São produzidas pelos fungos Penicillium, Aspergillus, e Claviceps.
Um alerta na indústria de alimentação pet foi emitido em janeiro deste ano,
micotoxinas pet
Existem mais de 20 micotoxinas
quando o FDA publicou a confirmação de 210 cães doentes e 110 mortos após a ingestão de certos alimentos fabricados pela Midwestern Pet Foods nos Estados Unidos. Fato que levou a um recall de lotes específicos em 10 de suas marcas
Os principais sintomas para os cães
de alimentos para animais de companhia
e gatos que consomem alimentos
depois que eles foram considerados a
com a presença destas micotoxinas
fonte do problema (FDA, 2021).
são fraqueza, tremores musculares, irritabilidade, rigidez, hiperatividade, febre, ataxia, convulsões e morte.
As micotoxinas sempre foram um
A ocorrência dessas toxinas contrasta
grande problema em fábricas de
com as aflatoxinas, ocratoxina A e o tricotecenos, pois raramente são encontradas em ingredientes de rações, mas geralmente são produzidas durante a deterioração dos alimentos. A exposição oral a 0,175 mg de penitrem A/kg de peso corporal mostrou induzir tremores musculares em cães (Hocking et al., 1988).
rações, embora as fábricas estejam cada vez mais modernas, atendam os pré-requisitos de boas práticas de fabricação de ração e mantenham rigorosas ações para manter qualidade e segurança tanto das matérias-primas como do produto acabados. São vários os fatores que podem desenvolver um quadro de contaminação por micotoxinas. Este é um problema mundial e altamente relacionado a condições climáticas.
101 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Segundo Haque et al. (2020) as aflatoxinas prevalecem principalmente nas regiões temperadas e tropicais, onde ocorrem temperaturas médias mais altas (acima de 20ºC) e alta pluviosidade, ou seja, com calor associado a alta umidade. Assim como ocorre em algumas regiões da América do Norte e do Sul, e no Sul da Ásia e África. Nestas localidades, é necessário ficar atento, principalmente a ingredientes como:
No entanto, cabe ressaltar que manter o padrão de qualidade dos ingredientes que entram na fábrica de ração é fundamental. Problemas no processamento de grãos,
micotoxinas pet
milho amendoim caroço de algodão nozes
erro de amostragem, entrada de ingrediente contaminado na fábrica, métodos analíticos não precisos, e condições de armazenamento podem representar desafios para o fabricante de rações ao tentar detectar micotoxinas com precisão.
trigo arroz
A contaminação em algum nível é quase inevitável, pois
As ocratoxinas prevalecem principalmente nas regiões temperadas, como os Bálcãs, o norte da Europa e o Canadá; nessas regiões, as safras afetadas incluem cevada, milho, trigo, aveia, nozes, feijão seco e subprodutos animais. As micotoxinas de Fusarium prevalecem
grãos e seus subprodutos são suscetíveis a fungos e nunca de uma forma padrão, visto que a contaminação nos grãos colhidos é heterogênea e, entre grãos contaminados, o nível de contaminação pode variar muito. A natureza heterogênea da contaminação por micotoxinas em grãos apresenta problemas de amostragem que afetam diretamente a quantificação correta do
em regiões temperadas da Europa, Estados
lote e as decisões subsequentes (Atungulu et
Unidos, Canadá, Rússia, Japão, China, Brasil
al., 2018; Haque et al., 2020).
e Argentina, sendo os principais alimentos contaminados milho, cevada, trigo, aveia e soja (Haque et al., 2020).
102 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Os primeiros surtos relacionados com
Nem sempre estes surtos estão relacionados
alimentos para animais pets tem seus
com a indústria de rações, e podem estar
primeiros registros 1952 (Devegowda e Castaldo,
associados a uma dieta alternativa. Outra
2000). Os agentes de doenças associadas
questão, está relacionada com o diagnóstico,
a esses surtos iniciais não eram claros no
quando a micotoxicose é aguda a sua
momento em que ocorreram. Investigações
percepção é fácil de relatar. No entanto, em
intensivas subsequentes revelaram que
casos de doenças crônicas, como fibrose
os fungos estão por trás da ocorrência
hepática e renal, e infecções resultantes de
de micotoxicoses. Como demonstrado na
imunossupressão que podem ser causadas por
Tabela 2, há ocorrência de micotoxinas em
micotoxinas, muitas vezes esta opção não é
diferentes países.
investigada.
Anos
Localização
Escala
Dieta
Estados Unidos
71 casos de intoxicação alimentar de cães (com vários mortos)
Uma marca de ração comercial para cães suspeita de ser feita com milho contaminado
Austrália
Três cães mortos após exposição aguda e subaguda à micotoxina
As amostras de Mistura de pães vômito continham (mofados) e carne 100 e 40 mg de enlatada aflatoxinas B1 e G1/ kg, respectivamente
Ketterer et al. (1975)
Estados Unidos
13 mortes e várias com quadros de fraqueza, icterícia e anorexia parcial de 48 cães em um canil
Mistura de comida comercial Desconhecida para cães e lixo de restaurante
Liggett et al. (1986)
1987
África do Sul
10 cães mortos com um caso agudo, sete subagudos e dois crônicos
Marca de ração 100–300 μg de comercial aflatoxinas/kg de contaminada para ração cães
Bastianello et al. (1987)
1988
Austrália
Um cão com tremores musculares graves
Bolo de hambúrguer velho
Hocking et al. (1988)
1951 1955
1975
1985
Nível de micotoxina
Referência
Desconhecida
Bailey and Groth (1959), Newberne et al. (1955) e Seibold and Bailey (1952)
35 mg de penitrem A/kg de amostra
micotoxinas pet
Tabela 2. Surtos relacionados à contaminação de alimentos para animais de companhia por micotoxinas.
103 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Anos
1990
micotoxinas pet
1991
Localização
Escala
Dieta
Nível de micotoxina
Brasil
Três cães da raça Pointer Inglês, um caso foi subagudo e dois casos foram crônicos
Quirera de milho e canjica
191ppb B1 /G1 / kg de milho
Gomes et al. (2014)
Um cão com hepatopatia e dermatite
Farinha utilizada no biscoito úmida e mofada
100 μg de ocratoxina A, 150 μg de citrinina e 200 μg de esterigmatocistina / kg de
Little et al. (1991)
Diferentes fórmulas de ração comercial para cães feitas com dois vagões de milho não uniformemente contaminado em uma fábrica de moagem no Texas no final do verão
100-300 μg de Garland e Reagor aflatoxina B1 / kg de (2001) alimento
Reino Unido
1998
Texas
Cinco cães mortos com casos agudos e 17 crônicos
2002
África do Sul
Dois cães com vômitos e tremores
Arroz mofado
2,6 mg de penitrem A e 34 mg de roquefortina / kg de arroz
Oeste EUA
Pelo menos 100 cães mortos
19 diferentes formulações de ração comercial para cães feitas com milho contaminado em uma fábrica de moagem na Carolina do Sul no verão
Desconhecida
Brasil
17 cães com aflatoxicose crônica,1 cão morto com degeneração e necrose hepática severa
Quirera de milho e de arroz
aflatoxinas B1, B2, G1 e G2, em um somatório de 898,2μg/kg na quirera de milho e de 409,86μg/kg na de arroz.
2005
2013
Adaptado Atungulu et al. (2018)
104 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
Referência
Naude et al. (2002)
FDA (2005) Stenske et al. (2006)
Guterres et al (2017)
Como gerenciar micotoxinas nos alimentos para pet
Alguns métodos têm sido estudados para prevenir micotoxicoses, dentre elas as técnicas de processamento e o uso de agentes sequestrantes de micotoxinas.
Em primeiro lugar, a fábrica de ração precisa estar ciente que impossível melhorar a qualidade de um produto armazenado, então a qualidade da matéria-prima que entra é fundamental para garantir a qualidade do produto final.
Outros procedimentos incluem a ozonização e adição de acidificantes inibidores de fungo, como ácidos benzóico, acético, sórbico e propiônico (Hazan et al., 2004; Lambert e Stratford, 1999; Proctor et al., 2004).
Grãos malformados, quebrados, com fissuras, bem como detritos, poeira ou outros grãos de material podem ter maiores problemas com fungo, e por extensão, a contaminação por micotoxinas.
et al., 1991).
Por sua vez, a perolização consiste no descascamento ou remoção sequencial das porções externas dos grãos por procedimentos abrasivos (House et al., 2003).
Nutricionalmente é possível fazer a inserção
Os polímeros de glucomananos
de aditivos nutricionais com o papel de
extraídos da parede celular de levedura
agentes sequestrantes para prevenir a
têm um uso prático e consolidado na
absorção de micotoxinas no intestino dos
indústria de alimentos para animais
pets (Diaz e Smith, 2005).
de companhia. Os glucomananos têm
Dentre eles os minerais de silicato e aluminossilicato de cálcio e sódio hidratado, que compreendem a maior classe de agentes sequestrantes de micotoxinas e incluem as subclasses de filossilicato (argilas minerais como a bentonita) e tectossilicato
micotoxinas pet
A técnica de peneiramento pode remover as frações indesejadas, reduzindo a contaminação por micotoxinas (Trenholm
uma alta capacidade de adsorção para diferentes micotoxinas; isso, juntamente com as baixas taxas de inclusão, pode tornar esses compostos atraentes para prevenir micotoxicoses na indústria de alimentos pets (Atungulu et al., 2018).
(zeólitas). As bentonitas são amplamente utilizadas porque possuem um alto grau de capacidade de troca iônica e são principalmente eficazes contra aflatoxina.
Micotoxinas na ração de pets
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Referências serão disponibilizadas mediante solicitação
105 nutriNews Brasil 3o Trimestre 2021 | Micotoxinas na ração de pets
DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA APLICAÇÃO DE TECNOLOGIAS INOVADORAS PARA DESCONTAMINAÇÃO DE MICOTOXINAS EM CEREAIS micotoxinas cerais
Carlos A. F. Oliveira Professor Titular, Departamento de Engenharia de Alimentos, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo – Campus de Pirassununga/SP
INTRODUÇÃO As indústrias agroalimentares têm dedicado enorme esforço para evitar a ocorrência de metabólitos fúngicos secundários tóxicos, conhecidos como micotoxinas, em alimentos e rações à base de cereais. Mais de 100 espécies de fungos capazes de produzir mais de 400 tipos de micotoxinas já foram descritas, porém felizmente as principais espécies de fungos toxigênicos estão restritas a alguns gêneros, incluindo Aspergillus, Fusarium e Penicillium (Buszewska-Forajta, 2020).
As micotoxinas mais importantes são: aflatoxinas (AF) B₁, B₂, G₁ e G₂ fumonisinas (FB) ocratoxina A (OTA) zearalenona (ZEN) toxina T-2 e deoxynivalenol (DON)
106 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
ESSES METABÓLITOS SÃO ALTAMENTE TÓXICOS, CAUSANDO LESÕES EM ÓRGÃOS ALVO, INCLUINDO:
FÍGADO
RINS
SISTEMA NERVOSO CENTRAL
TECIDO EPITELIAL
de acordo com o tipo de micotoxina (Cimbalo et al., 2020).
Portanto, a ocorrência de micotoxinas em matérias-primas é de enorme preocupação para a indústria de alimentos e rações, uma vez que pode levar a perdas econômicas e graves consequências para a saúde pública.
Diferentes estratégias como o manuseio adequado de grãos após a colheita e as práticas adequadas de armazenamento são fundamentais no gerenciamento da produção de micotoxinas.
micotoxinas cerais
Vários problemas de saúde estão ligados a micotoxinas em humanos e animais, como câncer de fígado e rim, cirrose, intoxicação renal, intoxicação neurológica, edema pulmonar e distúrbios gastrointestinais e de reprodução.
No entanto, essas práticas não serão eficazes se as micotoxinas já estiverem presentes nos grãos, uma vez que esses compostos possuem grande estabilidade e resistência aos processos de produção de alimentos. Várias estratégias de descontaminação de micotoxinas foram avaliadas ao longo dos anos (Khaneghah et al., 2020). A maioria das abordagens testadas para a degradação de micotoxinas foram baseadas em técnicas convencionais, que não destroem com sucesso esses contaminantes mantendo as propriedades dos alimentos. Diante disso, novas técnicas para descontaminar grãos de cereais têm sido estudadas.
107 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Embora esses métodos nunca devam
Essas novas tecnologias resultam em efeitos
substituir medidas preventivas para evitar
menos adversos sobre as
a contaminação e/ou crescimento fúngico e a produção de micotoxinas, eles podem
propriedades nutricionais,
ser uma estratégia integrada para reduzir a
atributos de qualidade e
exposição às micotoxinas através da dieta.
características sensoriais dos grãos. Portanto, este artigo fornece Novas técnicas como plasma frio, irradiação, ozonização e métodos biológicos têm sido avaliadas com vistas à degradação de micotoxinas e potencial aplicação
micotoxinas cerais
na indústria alimentícia.
uma visão geral das técnicas convencionais utilizadas na indústria alimentícia e de novas tecnologias de descontaminação, bem como sua eficiência em reduzir as micotoxinas em grãos de cereais contaminados.
TÉCNICAS CONVENCIONAIS PARA DESCONTAMINAÇÃO DE MICOTOXINAS O crescimento fúngico, que leva à formação de micotoxinas, não pode ser totalmente evitado. Os grãos colhidos podem ser contaminados no manuseio, transporte e armazenamento. Às vezes, o inóculo já está
Muitas operações unitárias com fins técnicos específicos também podem reduzir os níveis de micotoxina em cereais, como moagem e descascamento. No entanto, reduzir os níveis de micotoxina não é o objetivo principal dessas técnicas convencionais.
presente nas estruturas de transporte e armazenamento. Condições ambientais adequadas levam ao rápido crescimento fúngico tendo como consequência a perda de grãos. Além disso, a condição dos grãos e as operações pós-colheita
Os maiores níveis de contaminação geralmente concentram-se na camada externa do grão e podem ser removidos pelo processo de moagem ou descascamento. No entanto, uma parte das micotoxinas permanece no grão moído, o que afeta sua qualidade.
são críticas, influenciando no armazenamento e possibilitando a ocorrência de vários tipos de
Um dos principais fatores que
contaminação microbiana em grãos
influenciam na produção de micotoxinas
(Neme & Mohammed, 2017).
é o armazenamento dos grãos.
108 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Parâmetros adequados de umidade e
Estas técnicas podem ser utilizadas
temperatura durante o armazenamento
na indústria de cereais devido à fácil
controlam o crescimento fúngico e a produção
disponibilidade e baixo custo.
de micotoxinas (Buszewska-Forajta, 2020). No entanto, algumas técnicas de descontaminação química de grãos não são Vários produtos químicos são usados para descontaminar grãos alimentares, como: peróxido de hidrogênio
permitidas por várias Organizações de Saúde. Produtos químicos como ácidos
ácido cítrico
orgânicos também aumentam o teor
ácido láctico
endosperma (Jubeen et al., 2020).
ácido propiônico água ozonizada
de umidade dos grãos e penetram no
Além disso, os efeitos residuais dos produtos químicos são um problema
micotoxinas cerais
dessas técnicas, limitando seu uso na agroindústria. O tratamento com produtos químicos leva à conversão de micotoxinas em compostos menos tóxicos.
TECNOLOGIAS INOVADORAS PARA DESCONTAMINAÇÃO DE MICOTOXINAS NOVAS TECNOLOGIAS DEVEM SER
Por exemplo, o ácido láctico converte a AFB₁ em produtos menos tóxicos identificados como AFD₁ (Jubeen et al., 2020). A AFD₁ apresenta menor atividade mutagênica do que a AFB₁, com queda de 18 vezes na toxicidade (Mendez-Albores et al., 2005).
Diferentes bases como amônia e hidróxido
ecologicamente corretas
econômicas
eficazes
para diminuir a carga de micotoxinas em grãos sem afetar sua
também podem ser usadas em grãos para reduzir micotoxinas como as AFs. Além disso, a mistura de glicerol e cloreto de cálcio também tem sido utilizada para reduzir o nível de micotoxinas.
qualidade
características nutricionais
sensoriais
109 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
A Tabela 1 apresenta os resultados de alguns estudos sobre aplicação de tecnologias inovadoras para descontaminação de micotoxinas em grãos alimentícios.
micotoxinas cerais
Tabela 1: Resultados de alguns estudos sobre aplicação de tecnologias inovadoras para descontaminação de micotoxinas em grãos alimentícios. TIPO DE MICOTOXINA / FUNGO
TIPO DE GRÃO
TRATAMENTO
REDUÇÃO DA MICOTOXINA (%)
REFERÊNCIA
AFLATOXINA B1
Milho
Irradiação: 2 kGy
68,9
Aquino et al. (2005)
AFLATOXINA B2
Milho
Irradiação: 2 kGy
97,6
Aquino et al. (2005)
FUMONISINA B1
Trigo
Irradiação: 5 kGy
97,0
Aziz et al. (2007)
FUMONISINA B1
Milho
Irradiação: 5 kGy
87,0
Aziz et al. (2007)
FUMONISINA B1
Cevada
Irradiação: 5 kGy
100
Aziz et al. (2007)
AFLATOXINA B1
Trigo
Irradiação: 8 kGy
69,0
Mohamed et al. (2015)
AFLATOXINA B1
Arroz
Irradiação: 8 kGy
65,0
Mohamed et al. (2015)
AFLATOXINA B1
Milho
Plasma a frio: gás He, 10 minutos, frequência 20 kHz
65,0
Wielogorska et al. (2019)
FUMONISINA B1
Milho
Plasma a frio: gás He, 10 minutos, frequência 20 kHz
64,0
Wielogorska et al. (2019)
AFLATOXINA B1
Arroz
Luz pulsada: 0,52 J/cm2/ pulso por 80 segundos
75,0
Wang et al. (2016)
AFLATOXINA B2
Arroz
Luz pulsada: 0,52 J/cm2/ pulso por 80 segundos
39,2
Wang et al. (2016)
FUSARIUM ssp.
Cevada
Ozônio: 11- 26 mg/g por 15 minutos
36,0
Kottapalli et al. (2005)
Irradiação A irradiação tem sido amplamente usada
Os efeitos indiretos como a reação
para a descontaminação de alimentos
de radicais livres com a água e outros
há décadas. É considerado um método
componentes resultam na degradação
físico de descontaminação, que envolve
das micotoxinas por irradiação.
a exposição dos alimentos à energia ionizante (Mohamed et al., 2015).
O processo de irradiação tem sido utilizado efetivamente para controlar a contaminação de grãos por fungos toxigênicos, tais como as espécies Aspergillus, Fusarium e Penicillium.
110 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Diferentes doses de irradiação são
Outro autor, Aquino et al. (2005),
aplicadas para uma redução significativa
observou que a dose de 10 kGy de
no crescimento fúngico em diferentes
irradiação elimina completamente
cereais.
a AFB₁ e AFB₂ no milho. No entanto,
O tratamento de irradiação para fins alimentares é considerado seguro para doses de até 10kGy (Lung et al., 2015). No entanto, o processo de
Farag et al. (2004) observaram que a irradiação gama em uma dose mais alta (20 kGy) elimina 76% da AFB₁ no milho amarelo.
irradiação afeta negativamente a
Autores relataram em vários
qualidade do grão em certo grau.
estudos que as doses de irradiação efetivas para destruir micotoxinas
dose de irradiação de 6 kGy elimina
podem variar de acordo com o tipo de grão e a micotoxina.
a flora fúngica em grãos de trigo.
Hassan e Aziz (1998) estudaram
Em outro estudo, Aziz et al. (2007)
irradiação gama em AFs no milho
avaliaram a influência da irradiação
com diferentes níveis de umidade. A
gama na FB₁ em diferentes grãos como
produção de aflatoxinas diminuiu com
milho, trigo e cevada. Os resultados
um aumento na dose de irradiação e
mostraram que as doses de irradiação
foi insignificante em 4 kGy.
de 5 kGy inativaram: 96,6% da FB₁ no trigo 87,1% no grão de cevada.
A eficiência da degradação da micotoxina não depende apenas da dose do tratamento de irradiação gama, mas também do percentual de umidade das amostras tratadas.
Resultados semelhantes foram observados por Mehrez et al. (2016) enquanto estudavam a estabilidade da degradação das micotoxinas. A degradação das micotoxinas irradiadas com 8 kGy e 16% de teor de umidade foi significativamente maior do que com umidade a 11%.
111 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
micotoxinas cerais
Aziz et al. (1997) observaram que uma
Plasma a Frio O plasma a frio é potencialmente
No entanto, a eficiência do plasma a frio
explorado em várias áreas da indústria
depende da:
alimentícia, sendo uma das novas
estrutura das micotoxinas
técnicas amplamente utilizadas para descontaminar grãos de cereais.
características dos grãos e superfície.
A micotoxina presente no material
Selcuk et al. (2008) usaram o plasma a frio
alimentar é degradada por espécies
sobre esporos de A. flavus e A. parasiticus
reativas como O, O3, OH, NO e NO₂
em superfícies de grãos.
geradas pelo plasma a frio.
micotoxinas cerais
Esta técnica não térmica reduziu a As espécies reativas geradas
infecção fúngica para menos de 1% sem
pelo plasma a frio atacam as
afetar a qualidade das sementes. Após
ligações químicas das moléculas
o tratamento com plasma observou-se
de micotoxinas, resultando em
uma redução significativa dos esporos
sua degradação ou conversão
fúngicos.
para outros produtos (Misra et Wielogorska et al. (2019) exploraram o uso
al., 2019).
de plasma a frio para inativar micotoxinas no milho. O tempo de tratamento de 10 minutos
Esta técnica oferece alta inativação
removeu cerca de 66% de AB₁ e FB₁ em
de micotoxinas entre 5 a 30°C sem
grãos de milho.
afetar atributos de qualidade em relação às técnicas convencionais/
No tratamento com plasma, a
tradicionais. Esta tecnologia se
degradação depende da estrutura
mostrou promissora ao manter
molecular da micotoxina, da natureza
as propriedades nutricionais e
da química plasmática e da interação de
sensoriais, mantendo assim a
espécies reativas com toxinas.
qualidade dos grãos de cereais.
A EFICÁCIA DO PROCESSAMENTO COM PLASMA DEPENDE DE FATORES OPERACIONAIS COMO:
TENSÃO
FREQUÊNCIA
TEMPO DE EXPOSIÇÃO
COMPOSIÇÃO DO GÁS
TIPO DE MATRIZ ALIMENTAR
112 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Luz Pulsada A luz pulsada é uma das tecnologias promissoras utilizadas para a descontaminação de grãos. É uma alternativa potencial às tecnologias tradicionais sem afetar significativamente a qualidade dos grãos. Porém, a luz pulsada tem baixa capacidade de penetrar no grão e diminui a porcentagem de germinação das sementes usadas para brotação. A eficiência de descontaminação da luz luz ultra-violeta (UV), flashes curtos e potência máxima (John e Ramaswamy,
Wang et al. (2016) estudaram a
2018).
influência do tratamento da luz pulsada sobre a degradação da AFB₁ e AFB₂ em arroz tratado com
A luz pulsada é uma técnica econômica e não térmica que não deixa resíduos no material alimentar.
0,52 J/cm²/pulso para diferentes tempos (20, 40, 60 e 80 segundos) em temperatura ambiente. O tratamento da luz pulsada de 80 segundos reduziu AFB₁ (75%)
No entanto, muitos fatores como matriz e espessura do material alimentar, composição e tipo de micotoxina podem influenciar o tratamento da luz pulsada.
Além disso, as condições de processamento da luz pulsada,
e AFB₂ (39,2%), sendo que esta variação se deve à diferença das estruturas moleculares das duas micotoxinas, que afeta a eficiência da fotodegradação. No entanto, a tecnologia de luz pulsada tem certas limitações.
tais como o número de pulsos
Embora seja eficaz na
utilizados para o tratamento,
descontaminação da superfície
potência dos pulsos e distância
devido à sua capacidade de
entre a lâmpada e a amostra
penetração limitada, também afeta
durante o tratamento, também
negativamente a qualidade dos
afetam fortemente a eficiência do
materiais alimentares sensíveis ao
tratamento (Abuagela et al., 2019).
calor.
113 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
micotoxinas cerais
pulsada deve-se ao amplo espectro de
Ozônio
A principal vantagem do tratamento
O ozônio (O3) tem diversas aplicações
do ozônio é que ele afeta minimamente
importantes na indústria alimentícia como
a qualidade dos grãos alimentícios.
desinfetante. Adicionalmente, o ozônio é
No entanto, a descontaminação de
um forte oxidante que pode também ser
micotoxinas em grãos por esta técnica
empregado para eliminar as micotoxinas
depende de muitos fatores como:
dos grãos alimentares.
concentração de ozônio temperatura do tratamento
O tratamento de ozônio é uma das alternativas mais promissoras para as técnicas convencionais de
tempo de exposição taxa de fluxo de ozônio
descontaminação de micotoxinas, pois não deixa resíduos tóxicos e é ambientalmente
micotoxinas cerais
amigável (Pankaj et al., 2018).
umidade pH rugosidade superficial do grão.
No entanto, o custo da técnica de ozônio é relativamente alto devido à sofisticada tecnologia de descontaminação. A degradação da AF pelo ozônio começa com um ataque eletrofílico em uma parte da molécula, levando à formação de ozonidas primárias seguidas de rearranjo em derivados de monóxido como aldeídos, cetonas e ácidos orgânicos.
Há também o aumento da eficiência do tratamento em meio aquoso, em comparação com a fase gasosa devido à umidade. Raila et al. (2006) utilizaram o tratamento de ozônio para descontaminar grãos de trigo com diferentes teores de umidade. O tratamento de ozônio reduziu eficientemente a contaminação em grãos de trigo em níveis mais elevados
Foi relatado que o ozônio
de umidade.
degrada as micotoxinas comuns encontradas em grãos como as AFB₁, AFB₂, AFG₁, AFG₂, FB₁, OTA e ZEN (Kottapalli et al., 2005). Deste modo, o tratamento do ozônio degrada as micotoxinas ou leva a modificações químicas reduzindo sua atividade tóxica.
114 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
A umidade melhora a eficiência do
A eficiência do tratamento de ozônio
tratamento do ozônio porque a água
depende de fatores como o tipo de grão,
solubiliza o ozônio e aumenta o contato
tempo de tratamento e umidade, o que
entre os grãos e este gás.
afeta sua eficácia durante a aplicação.
O maior grau de temperatura e
Além disso, o tratamento de ozônio
tempo de tratamento aumenta a
também induziu a oxidação dos
eficiência durante o processamento
lipídios, a degradação de algumas
com ozônio.
vitaminas e compostos fenólicos, e
No entanto, existem desafios
alterações de cor (Pankaj et al., 2018).
particulares associados ao tratamento do ozônio.
Métodos Biológicos micotoxinas cerais
Os métodos biológicos têm se tornado populares devido a resultados promissores na descontaminação de micotoxinas. É uma técnica ecológica que não deixa nenhum resíduo. Numerosos agentes biológicos, como cepas bacterianas, fungos e leveduras têm mostrado resultados promissores para degradar ou se ligar às micotoxinas de forma estável (Luo et al., 2018).
Os microrganismos utilizados para a descontaminação de micotoxinas devem ter alta eficiência e bom custo-benefício, sem produzir nenhum composto indesejável no alimento.
115 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Alguns Rhizopus spp. também foram
Esses microrganismos podem ser
testados para descontaminação de
aplicados em diferentes estágios de
micotoxinas devido à sua capacidade
produção de grãos, como durante
de ligação com micotoxinas.
estágio de pré ou pós-colheita, para controlar as micotoxinas. O efeito é mediado através da competição por substratos e produção de
As células microbianas podem adsorver
metabólitos inibitórios.
a aflatoxina do alimento, mediante a adesão da toxina à parede celular
A detoxificação biológica também
bacteriana.
envolve degradação enzimática ou modificação de toxinas resultando em
Deste modo, a biomassa microbiana
diminuição da toxicidade potencial.
atua diminuindo a biodisponibilidade das micotoxinas no trato gastro intestinal, a exemplo do que ocorre
Microrganismos comumente
no caso dos adsorventes minerais
usados para detoxificação de
para micotoxinas.
micotoxinas cerais
aflatoxinas são bactérias ácido láticas, Bacillus licheniforms,
No entanto, a aplicação efetiva de
Bacillus subtilis e Saccharomyces
métodos biológicos para descontaminação
cerevisiae (Ismail et al., 2018).
de micotoxinas em grãos de cereais ainda depende de pesquisas que possibilitem produzir biomassas de microrganismos em escala para uso na agroindústria.
Ingredientes Naturais Alguns ingredientes naturais de
ácidos fenólicos
diferentes fontes como especiarias,
alcalóides
ervas e plantas têm sido testados para descontaminar micotoxinas, como uma alternativa a produtos químicos sintéticos que podem deixar resíduos indesejáveis nos alimentos.
compostos
quercetina
voláteis
Deste ponto de vista, a eficiência antimicotoxigênica dos ingredientes naturais depende de constituintes ativos como:
taninos terpenos (Sultana et al., 2015).
116 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
Óleos essenciais de plantas aromáticas
Extratos vegetais de diferentes fontes têm
mostraram potencial capacidade
a capacidade de degradar micotoxinas
desintoxicante contra AFs em grãos de
(Ponzilacqua et al., 2019).
sorgo. Esses óleos essenciais contêm componentes específicos como eugenol e isotiocianatos, que possuem capacidade desintoxicante contra micotoxinas.
Extratos vegetais mostram uma abordagem promissora e são usados para prevenir o crescimento fúngico e o acúmulo de micotoxinas em
As folhas de Neem apresentaram
grãos alimentares. A combinação
efeito desintoxicante contra AFs
de tecnologias inovadoras tem sido
durante o armazenamento prolongado
também estudada, com resultados muito
de milho, trigo e arroz. No entanto,
promissores.
o aroma pungente de alguns suas aplicações em alimentos. Atualmente, há uma demanda potencial por extratos de plantas para diversas aplicações na indústria alimentícia.
Kalagatur et al. (2018) relataram que o efeito combinado de óleo essencial e da irradiação gama foi altamente eficiente no controle da produção de micotoxinas
micotoxinas cerais
ingredientes naturais pode restringir
por F. graminearum em grãos de milho.
Conclusão Os possíveis riscos de contaminação por
Cada tecnologia mostrou diferentes graus
micotoxinas associados aos grãos de
de eficiência em determinadas condições
cereais continuam a ser uma das principais
otimizadas de processamento para cada
preocupações da agroindústria e uma
tipo de alimento. Técnicas biológicas
grave ameaça à saúde humana e animal.
baseadas na degradação ou remoção de
As técnicas tradicionais utilizadas para o controle da deterioração dos grãos por
micotoxinas por bactérias e leveduras têm apresentado grande potencial.
micotoxinas podem reduzir parcialmente
Estudo futuros são necessários para
a carga tóxica, porém com implicações
possibilitar a transferência dessas
negativas sobre a qualidade dos grãos,
tecnologias para a escala industrial, de
além de impactos ambientais. Para mitigar
modo a garantir uma descontaminação
as limitações das técnicas tradicionais,
eficiente das micotoxinas sem
novas tecnologias de descontaminação
comprometer a qualidade dos grãos
como o plasma a frio, irradiação e ozônio têm mostrado resultados promissores
Bibliografia disponível mediante solicitação
significativamente a qualidade dos
Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
alimentos.
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para degradar micotoxinas sem afetar
117 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021 | Desafios e Perspectivas para Aplicação de Tecnologias Inovadoras para Descontaminação de Micotoxinas em Cereais
MELHORE O RETORNO FINANCEIRO COM APLICAÇÕES DE ENZIMAS DIRECIONADAS
ezimas
Gilson Alexandre Gomes Head of Global Technical, AB Vista
Nos últimos anos, os produtores de aves estão sob maior pressão de autoridades e consumidores. Um exemplo é a proibição de antibióticos melhoradores de desempenho na produção de frangos e poedeiras. Embora essas iniciativas tenham sido tomadas para salvaguardar a saúde pública e o bem-estar animal, elas aumentam a pressão sobre a lucratividade dos produtores de aves. Os produtores são, portanto, forçados a buscar alternativas sustentáveis para manter a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais.
As enzimas exógenas foram um dos maiores avanços na nutrição animal nos últimos anos, permitindo que nutricionistas formulassem dietas mais baratas enquanto mantinham o desempenho animal, reduzindo os custos de produção e a poluição ambiental.
Hoje, fitases e carboidrases são amplamente aceitas na nutrição de aves, mas, apesar disso, a forma como as enzimas exógenas são aplicadas às dietas permanece conservadora.
118 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021| Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas
EFEITOS ANTINUTRICIONAIS DO FITATO E BENEFÍCIOS DA SUPERDOSAGEM FITASE O fitato é conhecido por ser um potente Historicamente, isso tem sido
antinutriente, prejudicando a utilização
baseado em uma compreensão
de minerais e outros nutrientes como
limitada no nível dos substratos
aminoácidos e energia.
enzimáticos contidos nas dietas e das mudanças que as enzimas podem trazer ao metabolismo e à fisiologia animal.
A aplicação de fitase evoluiu significativamente na última década com a introdução da prática de usar altas doses ou “superdoses” de fitase para se aproximar da destruição total do fitato (IP6) e seus ésteres inferiores (IP5-IP1).
em cada uma dessas áreas
Doses mais altas de fitases também podem proporcionar benefícios
progrediu, abrindo novas oportunidades para explorar todo
de desempenho animal mediante
o potencial na aplicação do uso de enzimas em nutrição animal.
desfosforilação total do fitato para disponibilizar inositol in-situ.
Este artigo explorará a aplicação
ezimas
Recentemente, nosso entendimento
Inositol é a espinha dorsal da molécula
de fitase e xilanase para superar os
de fitato e é relatado para melhorar o
efeitos anti nutritivos associados ao
metabolismo energético, ajudando os
fito e à fibra, respectivamente.
animais a utilizar a energia dietética de forma mais eficiente. Em um ensaio com frangos de corte, estimou-se que um terço dos benefícios da taxa de conversão alimentar (FCR, na sigla em inglês) observados com a superdosagem de fitase foi causado pelo fornecimento de Inositol (Figura. 1)
Este artigo explorará a
Inositol 0g/kg
aplicação de fitase e xilanase para superar
1,82
os efeitos anti nutritivos
1,80
associados ao fito e
1,78
à fibra, respectivamente.
1,76
Inositol 3g/kg
1,74 Quantum Blue 0 FTU/kg
Quantum Blue 1.500 FTU/kg
119 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021| Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas
A superdosagem de fitase pode ser utilizada para proporcionar melhor desempenho animal simplesmente aumentando a suplementação com fitase extra sem assumir qualquer contribuição nutricional. Para conseguir isso, por exemplo, os produtores que formulam dietas com 500FTU/kg de fitase, enquanto assumem a contribuição nutricional padrão da enzima, devem simplesmente adicionar mais enzima para atingir uma atividade final na ração de 1.500-2.500FTU/kg. Isso pode melhorar a eficiência da alimentação de aves e suínos por meio de uma maior quebra de fitato (geralmente uma redução de cerca de 3-4 pontos na conversão alimentar).
ezimas
Esta abordagem requer um aumento do custo da alimentação antecipadamente e pressupõe que os nutrientes extras liberados pela destruição de fitato são convertidos em mais carne ou melhor eficiência animal. Para aproveitar os benefícios comerciais da superdosagem, a AB Vista realizou extensas pesquisas para entender melhor a quantidade de aminoácidos, minerais e energia que podem ser poupados pelo uso de doses mais altas de fitase Quantum Blue, e também como o nível de fitato dietético poderia impactar animais e a resposta enzimática. A abordagem usual é conduzir esta pesquisa mediante ensaios de digestibilidade; no entanto, a AB Vista decidiu adotar uma abordagem diferente, executando testes de resposta de dose com os aminoácidos nutricionalmente importantes, fornecendo uma imagem mais realista do impacto da inclusão de fitase nos requisitos de nutrientes.
Em uma série de seis testes com frangos conduzida para determinar a resposta animal com altos níveis de fitase, os resultados mostraram que a eficiência na utilização de metionina + cistina (M+C), lisina (Lys) e treonina (Ths) tiveram melhoras em 15, 13 e 5%, respectivamente (Tabela 1).
Variável de resposta
M+C poupadas (%)
Lys poupada (%)
Ths poupada (%)
Ganho de peso corporal (dias 0 – 42)
15,9
8
12,5
FCR (dias 0-42)
9,9
11,4
2,9
Peso carcaça (dia 42)
*
13,6
*
Peso peito (dia 42)
*
*
*
Ganho de peso corporal (dias 0-21)
17,2
15,9
4
FCR (dias 0-21)
14
19,2
2
Digest. ileal aparente, aminoácido (dia 21)
16,3
8,1
*
Média (%)
14,70
12,70
5,40
Isso demonstra a economia potencial de ração que pode ser alcançada usando doses mais altas de fitase e ajuda a explicar de onde vêm os benefícios da superdosagem para o desempenho animal.
120 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021| Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas
A fibra é um componente importante das dietas, geralmente compreendendo 10-15% das dietas normais, mas pode ser um desafio medi-la porque os métodos analíticos comumente empregados hoje fornecem resultados questionáveis. O método de fibra bruta, que tem mais de 100 anos, ainda é amplamente empregado para determinar fibras, mas, na melhor das hipóteses, captura 20-25% da fibra dietética total. Hoje, há um grande debate sobre fibra funcional e seu benefício potencial para a fisiologia digestiva dos animais. Uma coisa importante a se lembrar é que a fibra não é diretamente digerida pelo animal, mas serve como um substrato para a microbiota intestinal para fermentar.
Controle
Econase XT
500 400 300 200 100 Ácido Acético
Ácido Butírico
Ácido Láctico
Ácido Propiônico
21 dias de idade
Ácido Acético
Ácido Butírico
Ácido Láctico
Ácido Propiônico
42 dias de idade
Figura 2. Efeito de Econase XT sobre o teor de ácidos graxos voláteis ileais de frangos
Sem xilanase Com xilanase
5 4 3 2 1 0
ezimas
OTIMIZANDO A QUEBRA DE FIBRAS E A FERMENTABILIDADE
G+C (%)
1,000 0,100 0,010 0,001
As xilanases são conhecidas por aumentar a solubilidade da fibra e torná-la mais facilmente fermentável, tendo, assim, benefícios marcantes na fisiologia intestinal e no equilíbrio geral da microbiota intestinal (Figura. 2 e Figura. 3).
20
30
40
50
60
70
Figura 3. Perfil da microbiota (porcentagem de guanina+citosina) do conteúdo cecal de perus alimentados com dietas com e sem Econase XT
Uma maior degradação de fibras pode ajudar a reduzir o fluxo de proteínas para o intestino inferior, reduzindo assim as aminas biogênicas e a produção de amônia, bem como problemas potenciais com a disbiose.
121 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021| Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas
PROGRAMA DE MATRIZ MÁXIMA
Estudos estabeleceram que o desempenho do frango pode ser mantido em dietas com reduções de pelo menos 2,5kg/t de fosfato monocálcico, 10kg/t de farelo de soja e 10kg/t de gordura. As aves conseguiram manter o desempenho consumindo 7,3% menos P e 2,8% menos lisina (Figura. 4) MMN
100
Com melhor conhecimento dos efeitos antinutritivos e potenciais benefícios nutricionais de fitato e fibras, juntamente com uma melhor compreensão do modo de ação enzimática, a AB Vista desenvolveu uma estratégia de aplicação enzimática chamada Programa de Matriz Máxima (PMM).
ezimas
Esta estratégia capitaliza as propriedades do Quantum Blue, uma E. coli fitase aprimorada com alta afinidade com o fitato, além de uma xilanase termoestável e resistente a inibidores,a Econase XT. A combinação dessas enzimas permite que os clientes tenham maiores contribuições de nutrientes dietéticos, mantendo o desempenho animal, permitindo uma considerável redução de custos e uma redução na excreção de nutrientes. Testes extensivos de validação têm sido realizados globalmente com frangos de corte e resultados mostram, em média, uma economia de cerca de dois centavos de dólar por kg de ave viva e redução de custos de alimentação superiores a US$15 / tonelada. Quando comparada com a aplicação tradicional da enzima, o PMM oferece desempenho igual a um custo de alimentação consideravelmente menor.
98,3 95,7*
95
Controle
97,2* 92,7*
90 85 80
EPEF
Custo alimentação/ kg de ave
Ganho de Lys g/kg
Ganho P g/kg
Figura 4. Benefícios da aplicação da Nutrição Matricial Máxima (MMN) na produção de frango de frango de corte. A compreensão mais profunda dos efeitos deletérios do fitato e da fibra, e como Quantum Blue e Econase XT podem melhorar a utilização dos nutrientes, culminou na estratégia PMM da AB Vista, tornando-se disponível para produtores de ração. Os produtores agora podem medir o nível de fitato em dietas e ingredientes, e adicionalmente mensurar níveis de polissacarídeos não-amiláceos (PNA) nos ingredientes usando a tecnologia NIR e podem determinar a atividade enzimática na ração rotineiramente, garantindo que os procedimentos de garantia de qualidade estejam em vigor para extrair com segurança o máximo valor de estratégias avançadas de aplicação de enzimas. Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas
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122 nutriNews Brasil 3º Trimestre 2021| Melhore o retorno financeiro com aplicações de enzimas direcionadas