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Revista nutriNews Brasil - 4° trimestre 2021

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nutrinewsbrasil.com

4º TRIMESTRE 2021

OS AVANÇOS DA

NUTRIÇÃO IN OVO NA PRODUÇÃO DE

FRANGOS DE CORTE

Conrado Sousa de Araújo p. 6 PARTE II Itallo e Tainá Silva Brandão Lopes

p. 89

TABELA Enzimas e Fitogênicos Edição exclusiva Brasil


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CONTEÚDOS 6

Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - parte II Itallo Conrado Sousa de Araújo 1 e Tainá Silva Brandão Lopes 2

Uso de DDGS como ingrediente

30 nas formulações de rações para suínos

Caroline Beatriz de Sousa Faria1, Aline Maria Silva Barbosa1 e Izabel Cristina Tavares2

Professor Adjunto, Avicultura, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 2 Aluna de Doutorado, Nutrição e Produção de Não Ruminantes, UFMG 1

14

Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações Carolina Naves Aroeira 1 e Vivian Feddern 2 1 Médica Veterinária, cofundadora AgroProx, Piracicaba/SP 2 Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC

24

Mestranda em Nutrição e Produção de não ruminantes - Universidade Federal de Lavras (UFLA), ASIH/NESUI 2 Graduanda em Medicina Veterinária UFLA, ASIH/ NESUI 1

37

Entrevista Ariovaldo Zani CEO do Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal

Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas VETANCO

1 nutriNews Brasil 4o Trimestre 2021


nutrinewsbrasil.com Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna

44

na nutrição animal: 68 Insetos regulamentação e mercado Diego Vicente da Costa

Rogerio Isler e Pedro Ferro

Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), campus Montes Claros

Gerentes de contas bovinos de leite e bovinos de corte ZINPRO

Micotoxinas e micotoxicoses em silagens e insumos para alimentação de bovinos – parte II

50

73

Tiago Birro

Prof. Dr. Luiz Antonio Moura Keller

Gerente Regional de Produto para Micotoxinas LATAM BIOMIN

Médico Veterinário, Professor Adjunto de Toxicologia Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Bioinsumos: a melhor aposta para uma produção sustentável Letícia Soares, Coordenadora de P&D

57

76

Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos Ludmila L. C. Menezes1, Igo G. Guimarães2 Doutoranda em Zootecnia, Universidade Federal de Goiás (PPGZ- UFG) 2 Professor do departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Jatai -Go (UFJ) 1

Enzimas exógenas em alimentos para cães e gatos: o que sabemos até agora?

Gabriel Faria Estivallet Pacheco Professor do curso de Zootecnia do Instituto Federal Farroupilha Campus Alegrete. Alegrete –RS, Brasil

PANCOSMA

60

Zearalenona, a micotoxina que ataca o ciclo reprodutivo de aves, suínos, bovinos e peixes

82

Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I

Lívia Maria dos Reis Barbosa1, Dante Teixeira Valente Júnior2, Karine Assis Costa3, Gustavo de Amorim Rodrigues2, Caroline Brito da Silva4, Maykelly Da Silva Gomes2 1 Professora do curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) 2 Doutorando do Programa de Pós-graduação em Zootecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV) 3 Pós- doutoranda do Instituto de Zootecnia Sertãozinho (SP) 4 Estudante de graduação em Zootecnia – UFV

2 nutriNews Brasil 4o Trimestre 2021


nutrinewsbrasil.com 89 Tabela de Enzimas e Fitogênicos 2021 Edição Brasil

Estresse térmico

100 na avicultura:

alternativas naturais para minimização do problema BIOCHEM

94

Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares Rob ten Doeschate Diretor Técnico EMEA AB VISTA

Ácido Butírico: uma estratégia

108 nutricional em alternativa aos antibióticos na nutrição de frangos de corte

Valquíria Cação Cruz-Polycarpo e Bárbara Fernanda da Silva Barbosa Departamento de Produção Animal, Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, UNESP, Dracena, SP Laboratório de Nutrição e Saúde de Aves (LANSA)

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AGRO RESILIENTE! O ano de 2021 foi desafiador para todos, e isso não foi diferente para o agronegócio. Passamos por diversos contratempos; greve dos caminhoneiros, operação carne fraca, peste suína africana detectada em outros países, ocorrência de casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina, terminando na retirada do embargo à carne bovina brasileira pela China, temporariamente. Além disso, houve a alta dos preços de insumos agrícolas, trazendo aos produtores um aumento expressivo nos custos de produção. Pode parecer pessimista levantar todas essas informações, mas o que gostaríamos de destacar é que o fim dessa história foi positivo. Conseguimos bater recordes de exportação na maioria dos setores de produção animal, fazendo com que a participação do agro no PIB brasileiro chegasse em torno de 30%. Apesar de todos os problemas enfrentados, o agro conseguiu ser resiliente! Problemas ainda deverão ser enfrentados neste ano de 2022, como o contínuo aumento dos custos de produção e desafios relacionados ao clima. E qual é o papel da nutrição animal em torno disso? A nutrição animal é um dos itens mais importantes no agronegócio brasileiro. A alimentação do animal representa a maior parte dos custos de produção de todo investimento destinado à criação. O papel da tecnologia dentro da evolução da nutrição foi e é fundamental para produzirmos mais, com menores custos dentro do conceito de sustentabilidade. Visando a melhoria na qualidade do processo de produção animal, muitos recursos financeiros e humanos são investidos em pesquisa.

A implementação de tecnologias como a utilização de promotores de crescimento, uso de enzimas, suplementação com aminoácidos, uso de coprodutos na formulação de dietas, entre outras estratégias nutricionais são opções disponíveis para o aumento da eficiência na produção animal. Dentro do sistema de produção animal, a avicultura destaca-se mundialmente. O Brasil é hoje o maior exportador de carne de frango do mundo segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Visando manter a produção elevada, é necessário a redução de custos e a melhoria da produtividade dentro da cadeia avícola. A nutrição in ovo — que é a programação nutricional precoce para alimentar embriões e pintinhos recém-nascidos — é hoje amplamente reconhecida como uma estratégia com grande potencial de utilização em escala industrial. Ela traz consigo diversos benefícios à produção avícola como: melhorias nas taxas de eclosão, desenvolvimento do trato digestivo, aumento do peso corporal do pinto ao nascimento, redução da mortalidade pós-nascimento, entre outras vantagens dependendo da substância injetada no embrião As vantagens são diversas, e a implantação do uso dessas tecnologias, não só a nutrição in ovo como também outras, é possível. Cabe aos técnicos de campo, nutricionistas, pesquisadores, e demais envolvidos na cadeia de produção animal utilizar as melhores opções dentro da condição de cada produtor. A cadeia de produção animal dá frutos a quem mantém-se à frente e tem empenho para encontrar soluções para os problemas que irão surgir no caminho, que é difícil, mas de grande recompensa no final.

Victoria Yasmin Domingues +55 (41) 99209-1549 nutrisocial@grupoagrinews.com DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suínos) Fernando Bacha (ruminantes) COORDENAÇÃO TÉCNICA Fernanda de Kássia Gomes Marcia Gabrielle L. Cândido REDAÇÃO Osmayra Cabrera Márcia Gabrielle L. Cândido Victoria Yasmin Domingues COLABORADORES Carolina Naves Aroeira Diego Vicente da Costa Gabriel Faria Estivallet Pacheco Igo Gomes Guimarães Itallo Conrado Sousa de Araújo Lívia Maria dos Reis Barbosa Luiz Antonio Moura Keller ADMINISTRAÇÃO Inés Navarro contabilidad@grupoagrinews.com nutribr@grupoagrinews.com https://nutrinewsbrasil.com GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015 ISSN (Revista impressa) 2696-8126 ISSN (Revista digital) 2696-8134 Preço da subscrição: USD 30,00 (Brasil) USD 90,00 (Internacional) Revista Trimestral

Boa leitura! Equipe nutriNews Brasil.

5 A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagen: Dreamstime

nutriNews Brasil 4o Trimestre 2021


AVANÇOS DA NUTRIÇÃO IN OVO NA PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE PARTE II OS

Itallo Conrado Sousa de Araújo1 e Tainá Silva Brandão Lopes2 Professor Adjunto, Avicultura, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Aluna de Doutorado, Nutrição e Produção de Não Ruminantes, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

1

in ovo

2

A técnica de inoculação de substâncias exógenas para embriões de frangos de corte é hoje amplamente reconhecida como uma estratégia com grande potencial de utilização em escala industrial. Na Parte I da revisão acerca dos avanços da nutrição in ovo foram abordados o histórico e desenvolvimento das técnicas de inoculação, e os principais resultados do fornecimento de carboidratos e aminoácidos para embriões de frangos de corte. Nesta segunda parte serão abordadas as vitaminas, minerais e pré/probióticos.

6 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


VITAMINAS E MINERAIS A presença de vitaminas e minerais no

Ou seja, o embrião é dependente de

ovo é essencial para o desenvolvimento

quantidades finitas de nutrientes e a

embrionário sendo que a deposição desses

inoculação in ovo pode beneficiar etapas

nutrientes ocorre exclusivamente pela

fisiológicas e bioquímicas durante a

capacidade de deposição da matriz durante

incubação.

a formação do ovo.

Já no albúmen são depositadas quantidades expressivas de sódio e potássio, enquanto que a maior fonte de cálcio é a casca.

Dentre as vitaminas lipossolúveis

D

pode-se destacar os efeitos da D e E sobre o metabolismo do embrião dos frangos de corte. A vitamina D possui como principal função regular a absorção intestinal de cálcio e o aumento da reabsorção

in ovo

óssea em situações de hipocalcemia, ou ainda, induzir a deposição de matriz óssea e diferenciação de células ósseas. Por isso, o foco da inoculação in ovo de vitamina D é voltado para melhorar propriedades ósseas e características de carcaça dos

Na gema são depositados os lipídeos, vitaminas lipossolúveis tais quais A, D, E, K, e minerais como fósforo, zinco, manganês e ferro.

frangos de corte (Gonzales et al., 2013).

7 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


Apesar de não ter efeito sobre índices de incubação tais quais o percentual de eclosão ou qualidade dos pintos de um dia (Gonzales et al., 2013), Yair et al. (2015) sugerem que: o colecalciferol possui a capacidade de minimizar a reabsorção óssea durante o desenvolvimento embrionário final, aumentando a concentração de minerais como o cálcio, o que pode ser positivo para a resistência óssea em frangos de corte machos durante o período póseclosão.

Mais recentemente, Fatemi et al. (2021a) relataram que o fornecimento de 2,4 μg de 25-hidroxicolecalciferol no 18°

in ovo

dia de incubação possibilita um maior armazenamento desta vitamina nos músculos e a expressão da enzima

A vitamina E é um conhecido agente antioxidante, capaz de atuar como um protetor celular, ao ligar-se ao radical peroxil e impedir reações oxidativas. Além disso, essa vitamina é também relacionada a integridade dos: Tecidos musculares Nervoso Sistema imune

E

Devido aos seus efeitos, principalmente, sobre aspectos reprodutivos essa vitamina é suplementada na dieta de matrizes de frangos de corte, no entanto, a inoculação de vitamina E in ovo pode possibilitar maior garantia de disponibilidade deste nutriente à progênie.

ativadora da vitamina D resultando em maior síntese proteica e hipertrofia do músculo do peito nas primeiras duas

Durante o desenvolvimento embrionário a vitamina E é capaz de proteger os embriões dos radicais livres liberados em consequência dos processos oxidativos realizados para obtenção energética durante a incubação

semanas pós-eclosão.

Também são avaliados as capacidades e os mecanismos pelos quais o fornecimento de vitamina D in ovo pode modular a resposta inflamatória e desempenho de frangos de corte no período pós-eclosão. No entanto, os mecanismos pelos quais a vitamina D pode proporcionar tais melhoras ainda não estão completamente elucidados (Fatemi et al., 2021b).

A inoculação de vitamina E in ovo em concentrações acima de 38,5 UI tem sido relatada como capaz de proporcionar melhoras no índice de eclodibilidade, reduzir a janela de nascimento e qualidade do pinto, sendo esta última altamente correlacionada com a performance a campo (Araújo et al., 2019).

8 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


Outras funções interessantes envolvem a

Na última semana de incubação há

atuação da vitamina E in ovo como agente

redução nos estoques de minerais do

protetor dos nutrientes presentes na

saco da gema, o que é crítico para o

gema, garantindo sua utilização no:

período entre o nascimento e alojamento, onde

desenvolvimento morfológico e

o saco da gema residual é a principal

funcional do trato gastrointestinal

fonte de nutrientes e uma baixa nos e também o aumento da presença

níveis de minerais como cálcio

de proteínas hepáticas e enzimas e fósforo podem impactar

antioxidantes circulantes

negativamente o desenvolvimento O que indica a ação da vitamina E como

inicial das aves.

protetor dos órgãos embrionários quanto à ação de agentes reativos oxidativos

Nessa perspectiva, o fornecimento in ovo

(Araújo et al., 2019).

de minerais tais quais cálcio, fósforo, ferro, zinco, cobre e manganês no 17° dia de incubação mostrou-se capaz de

in ovo

aumentar os níveis destes minerais no saco da gema residual aumentando a disponibilidade destes nutrientes para o

O cálcio e fósforo são os minerais mais

Ca

abundantes no metabolismo animal e tem, dentre outras, a função de composição do tecido ósseo.

embrião neonato (Yair & Uni, 2011).

P

Nesse sentido, a depender do status nutricional da ave, o osso como tecido pode agir como reservatório ou como fonte desses minerais e por isso, o balanço de cálcio e fósforo torna-se importante para o correto desenvolvimento do tecido ósseo e prevenção da ocorrência de lesões como a discondroplasia tibial, alteração óssea de grande importância para avicultura de corte.

9 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


Apesar da maior disponibilidade de

PREBIÓTICOS E PROBIÓTICOS

minerais, o fornecimento de microminerais tais quais: Zinco

A inoculação in ovo de pré e probióticos vem sendo desenvolvida com o objetivo de modular diferentes aspectos

Manganês

do metabolismo das aves ainda

Cobre

por contribuir para a fixação e

como estratégia para melhorar a qualidade óssea em frangos de corte

durante a incubação, principalmente desenvolvimento de uma microbiota saudável para o frango de corte.

ainda não foi completamente estabelecida

Dentre eles destacam-se a atuação

uma vez que,

sobre aspectos da morfologia e

Oliveira et al. (2015a, 2015b) não encontraram diferenças sobre o peso ao nascimento, tamanho da

fisiologia intestinal e efetividade imunológica frente a desafios sanitários.

tíbia, resistência óssea e conteúdo

in ovo

mineral na tíbia de pintos de um dia e frangos de corte aos 21 dias que foram

Os prebióticos são carboidratos

suplementados ou não com zinco,

que não são digeríveis pelas aves,

manganês e cobre in ovo.

utilizados como substrato energético por bactérias presentes no intestino.

Destaca-se que até o momento é escassa a quantidade de artigos que avaliem a inoculação in ovo de macro/ microminerais e vitaminas, assim como, seus efeitos sobre desempenho zootécnico, desenvolvimento do tecido esquelético, e até mesmo sobre a prevenção de alterações ósseas. Portanto, é necessária a constante observação acerca dos avanços no fornecimento de vitaminas e minerais in ovo.

Esse efeito dos prebióticos sobre a modulação da microbiota intestinal foi visualizado por Bednarczyk et al. (2016), ao injetar 0,2 mL de uma solução contendo galactooligossacarídeos para embriões de frangos de corte no 12° dia de incubação. Esses autores observaram maior contagem fecal de bactérias do gênero Bifidobacteriaceae e Lactobacillae em pintos de um dia que receberam o prebiótico e puderam concluir que o uso do prebiótico aumentou o número de bactérias benéficas. Além disso, o uso de prebióticos in ovo tem sido relatado como capaz de aumentar a profundidade das criptas em frangos de corte aos 21 e 35 dias de idade, o que indica uma capacidade de aumento da área disponível para absorção de nutrientes.

10 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


No entanto, ainda não foram visualizadas melhorias em índices zootécnicos como ganho de peso e conversão alimentar (Miśta et al., 2017). Do mesmo modo, Sobolewska et al. (2017) não observaram diferenças entre características produtivas de frangos de corte suplementados in ovo com oligossacarídeos provenientes de algas marinhas aos 21 e 42 dias de idade, mas, relataram aumento dos vilos duodenais e profundidade de criptas aos 21 dias de vida nas aves suplementadas com o prebiótico in ovo.

Por outro lado, os probióticos são produtos que contêm microrganismos vivos, que apresentam uma relação de competição com bactérias causadoras de disbioses e por isso são considerados capazes de melhorar o balanço da microbiota intestinal. Sendo alguns deles: Lactobacillus Bacillus Enterococcus spp. Bifidobacterium

in ovo

OS AVANÇOS NO USO DE PREBIÓTICOS IN OVO INDICAM QUE

O USO DESSE ADITIVO NA DIETA DOS FRANGOS DE CORTE TEM O OBJETIVO:

esse aditivo pode ser benéfico para o aumento da produção e liberação de amilase e tripsina no primeiro dia pós eclosão

Garantir um bom desempenho zootécnico, com possibilidade de substituição aos antibióticos promotores de crescimento favorecendo a disponibilidade de alimentos na fase inicial (Pruszynska-Oszmalek et al., 2015). Promover melhorias na saúde intestinal

Sendo assim, a inoculação in ovo de probióticos ocorre no sentido de modular a colonização do trato gastrointestinal em período prévio ao contato com possíveis microrganismos patogênicos presentes no ambiente de criação.

11 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


Em um estudo pioneiro realizado na Universidade Federal de Goiás, Leandro et al. (2010) estudaram a inoculação in ovo de 0,3 mL de uma solução contendo probiótico para embriões de frangos de corte aos 16 dias de incubação e após o nascimento os pintos foram desafiados experimentalmente com Salmonella Enteritidis. O probiótico comercial era composto por soro de leite em pó (53,5%), tripolifosfato de sódio, aluminosilicato e cepas liofilizadas de Enterococcus faecium, Lactobacillus casei e Lactobacillus plantarum. Os autores encontraram que a inoculação de probiótico in ovo evitou a colonização do papo e do ceco de pintos recém eclodidos desafiados com Salmonella Enteritidis e melhora o peso vivo aos 21 dias de idade.

in ovo

Em estudo mais recente Castañeda et al. (2020) avaliaram a administração de 0,5 mL de uma solução contendo diferentes concentrações de Enterococcus faecium utilizando tecnologia in ovo para embriões de frangos de corte. Os autores não encontraram efeito sobre a eclodibilidade, mas observaram menor conversão alimentar para os frangos que receberam probiótico aos 21 dias de idade, possivelmente devido a uma microbiota mais diversa.

Sob outras perspectivas, o uso de probióticos in ovo caminha para o uso desta tecnologia visando garantir o estado sanitário dos plantéis de frango de corte, o que acompanha a tendência de retirada do uso dos antibióticos promotores de crescimento. Nesse sentido, Pender et al. (2017) observaram que o uso de probióticos pode influenciar a expressão de genes imunoreguladores no íleo e tonsilas cecais, regulando a liberação de enzimas inflamatórias como interferon gama e interleucinas.

Estudos recentes indicaram que o uso de probióticos in ovo pode auxiliar no restabelecimento da microbiota intestinal em frangos desafiados com Escherichia coli patogênica no dia do nascimento, minimizando a severidade frente à infecção (Arreguin-Nava et al., 2019).

Os autores creditaram esses resultados ao desenvolvimento do trato gastrointestinal no grupo tratado, que apresentou maior comprimento do jejuno, íleo, ceco e peso do pâncreas aos sete dias de idade. Outros estudos também relatam a influência positiva dos probióticos in ovo sobre o crescimento de bactérias aeróbicas e coliformes e sobre a altura de vilos no jejuno e íleo de frangos de corte (Oladokun et al., 2021; Castañeda et al., 2021).

12 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento e aprimoramento contínuo da tecnologia da nutrição in ovo estabeleceram um novo escopo para a nutrição pré-inicial dos frangos de corte, o que permite a criação de novos desafios e oportunidades para os nutricionistas otimizarem a produção avícola.

O próximo passo na nutrição in ovo deve ser avaliação de compostos nutritivos complexos, com o desenvolvimento de produtos comerciais que deverão ser inicialmente testados juntamente com as vacinas.

A injeção in ovo de nutrientes ou substâncias no âmnio é uma maneira de

Torna-se necessário avaliar o custo-

alimentar os embriões com componentes

benefício nas inoculações e ainda

dietéticos essenciais ou com substâncias

verificar se não há prejuízo da resposta

capazes de melhorarem a microbiota

vacinal com a inoculação dos compostos

intestinal dos pintos.

nutritivos. Ressalta-se que os resultados positivos

in ovo

apresentados até o momento dependem da escolha da substância a ser injetada, local de inoculação e idade do embrião, ou seja, o objetivo da inoculação deve

Pode-se verificar que dependendo do tipo de substância injetada para o embrião, a técnica de alimentação in ovo tem várias vantagens, incluindo:

ser claro. Por fim, a nutrição in ovo é uma ferramenta que visa melhorar o aporte nutricional do embrião e não pode ser usado em substituição ao correto manejo nutricional da matriz, manejo na incubação e manejos iniciais pós-eclosão dos pintos neonatos.

Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II

BAIXAR EM PDF As referências serão disponibilizadas mediante solicitação

13 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Os avanços da nutrição in ovo na produção de frangos de corte - Parte II


PROMOTORES DE CRESCIMENTO NA NUTRIÇÃO ANIMAL:

REGULAMENTAÇÃO E IMPLICAÇÕES

promotores de crescimento

Carolina Naves Aroeira1 Vivian Feddern2 1 Médica Veterinária, cofundadora AgroProx, Piracicaba/SP 2 Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC

O

aumento da população mundial vem trazendo simultaneamente o aumento da demanda por proteínas, principalmente, de origem animal. A busca por outras fontes proteicas vêm crescendo, mas ainda se restringe a uma população pouco representativa.

A carne é considerada mundialmente como o alimento mais nobre na refeição, fornecendo nutrientes essenciais como proteínas, a maioria das vitaminas do complexo B, ácidos graxos de cadeia longa, entre outros (De Smet, 2012).

Contudo, é a commodity com maior custo de produção (OECD, 2021). A alimentação animal representa 70% do total desse custo, principalmente, em não ruminantes, como suínos (Gonzalez Ronquillo; Angeles Hernandez, 2017).

14 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


Buscar alternativas que aumentem a produtividade Minimizar riscos ao meio ambiente

Há uma tendência na nutrição animal em: Manter a segurança dos alimentos, através de diferentes tecnologias

Neste cenário, têm-se os promotores de crescimento sendo utilizados como aditivos alimentares nas rações, ou aplicados através de injeções ou, implantes, como forma de promover um melhor desempenho animal com menor utilização de insumos.

Uma grande variedade de substâncias é empregada e

Além de promover o bem-estar dos animais

denominada como promotores de crescimento na produção

Testosterona

Compostos hormonais esteroides naturalmente presentes no organismo animal como:

Progesterona

promotores de crescimento

animal (Jeong et al., 2011).

Acetato de trembolona (TBA)

Acetato de malengrestol (MGA)

Zeranol Estradiol 17-β

São destacados neste grupo:

Etinilestradiol

Xenobióticos Metiltestosterona

Compostos exógenos

Esteroides sintéticos

Estilbenos

Dietilestibestrol

Hexoestrol

15 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


Outra classe de promotores bastante

Na década de 90, os promotores

conhecida são os agonistas

de crescimento muito utilizados na

β-adrenérgicos (BAA), compostos

produção animal eram os implantes

derivados de feniletilaminas os

anabólicos (ambos estrogênicos e

quais são quimicamente análogos

androgênicos), somatotropina bovina

às catecolaminas naturais como

(BST), agentes repartidores de energia

epinefrinas e norepinefrinas, com efeito

(BAA) e probióticos.

anabolizante. Sendo amplamente utilizados como promotores de crescimento em muitos países (Johnson

et al., 2013).

Os promotores possuem objetivos comuns, como a melhora do desempenho zootécnico, contudo, os mecanismos de ação podem diferir bastante (Mader, 1997).

Clembuterol, salbutamol, cimaterol, zilpaterol e ractopamina são alguns

promotores de crescimento

exemplos de BAA

Sendo os dois últimos os mais utilizados mundialmente

De acordo com

Wierup (2001), a maioria dos promotores tem como ação acelerar a retenção de

Administrados via ração em

nitrogênio

dosagens correspondentes a mg/kg ou ppm durante a fase de terminação em bovinos de corte e suínos, em alguns países.

Favorecendo assim uma maior deposição de tecido muscular (carne)

Importante ressaltar que no Brasil, o uso do zilpaterol é proibido, e a ractopamina é proibida para bovinos, sendo apenas autorizado seu uso na suinocultura.

Que é mais valorizado e mais rentável aos produtores

16 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


Segundo alguns autores, os aditivos alimentares não nutritivos, como as enzimas exógenas e os antibióticos, também se enquadram como

50’s

promotores, uma vez que possuem a função de melhorar o desempenho

Seus efeitos como

animal.

promotores de

1951

Contudo, de forma geral os antibióticos são classificados a parte, por se tratar de uma classe mais específica que envolve tanto a área de nutrição quanto a área de saúde.

crescimento (doses subterapêuticas)

Starr & Reynolds

vêm sendo avaliado

em 1951

desde a década

começaram a

de 50.

discutir sobre o aparecimento de um coliforme Estreptomicina;

Elliott & Barnes em 1959 discutiram sobre a ocorrência

São conhecidos no meio técnico e acadêmico como APCs – antibióticos promotores de crescimento – ou AGPs em inglês (antibiotic growth promoter).

de estirpes de Streptococcus spp., altamente resistente à Nos dias atuais,

clortetraciclina,

percebe-se que o

utilizada na ração

uso de antibióticos

de galinhas como

na produção

promotores, entre

animal vem sendo

outros estudos.

questionado de forma mais intensa.

2016 Diante disto, alguns APCs, como o sulfato de colistina, foram proibidos, como aditivo promotor de crescimento, a exemplo do Brasil, segundo a IN 45 de 22 de novembro de 2016 (Brasil, 2016).

17 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações

promotores de crescimento

1959

resistente à


Muitos estudos avaliam as tecnologias

Apesar disso, a ractopamina

empregadas na nutrição animal, e a

tem sido também colocada em

segurança dos alimentos vem sendo

xeque onde seu uso é bastante

um dos principais tópicos levados em

controverso, sendo banida em alguns

consideração ao se permitir o uso de

países, e permitida em outros.

determinada substância.

Alguns promotores de crescimento não antibióticos também foram proibidos, por apresentarem riscos à saúde animal e humana como o

Países que proibiram sua utilização: Japão China Taiwan

cimaterol e clembuterol que foram os primeiros BAA utilizados

promotores de crescimento

por algum tempo como promotores.

Como alternativas ao seu uso, os suinocultores começaram a utilizar um produto similar, a ractopamina (Bohrer et

al., 2013). Seu efeito na saúde humana, bem-estar animal, na qualidade da carne e na carcaça vem sendo amplamente pesquisado.

Rússia União Europeia Chile

Países que permitem seu uso de forma controlada: Estados Unidos Austrália Canadá México

A ractopamina foi apontada como a 13ª tecnologia de maior impacto na cadeia suinícola, em uma pesquisa de opinião com especialistas americanos sobre as maiores descobertas para a nutrição de suínos no último século (Cromwell, 2009).

Brasil

18 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações

(Valese et al., 2016)


Isso é válido para outros promotores como pode ser observado no artigo de

Aroeira et al. (2021) que discorre em uma tabela sobre vários promotores de crescimento e seus limites máximos

1. Fields et al. (2018 ) discutem ainda, por

exemplo, como os BAA, que apesar de amplamente utilizados nos EUA e aceito em vários países

residuais (LMR) permitidos, segundo diferentes legislações. A exemplo da ractopamina que tem LMR

Japão, Rússia e a China

permitidos no músculo de 50 µg/kg segundo o FDA, 10 µg/kg segundo a FAO/WHO e o Mapa, além de outros trazidos em um consenso unificado mundialmente sobre o quanto se pode aceitar como

2. Têm imposto restrições severas ao seu uso, e a presença de resíduos de BAA

concentração residual máxima para

na carne e seus derivados, mesmo que

determinada substância.

estejam dentro dos limites aceitáveis

Assim, existem imposições com restrições ao comércio exterior de exportação de carne e seus derivados.

promotores de crescimento

seu estudo, o que afirma que não há

pelo Codex. Há organizações que possuem forte influência mundial como a Joint Food and Agricultural Organization/ World Health Organization Expert

Fields et al. (2018), em uma relevante

Committee on Food Additives (JECFA),

análise sobre o comércio

que assessora o Codex Alimentarius

internacional de carne, relata

Commission (Codex), e com isso, se

que as barreiras comerciais para

reúnem para revisar e estabelecer

exportação mundial envolvem

os limites máximos de resíduos, dos

os impostos, requisitos de

promotores de crescimento

rastreabilidade, e a proibição

(Baynes et al., 2016).

de resíduos de promotores de crescimento, como o BAA.

19 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


Contudo, cada país é livre para seguir as recomendações do Codex ou para ter sua própria legislação, o que muitas vezes dificulta as relações internacionais comerciais.

No entanto, vários artigos têm comprovado a segurança da ractopamina

Por exemplo, na alimentação animal quanto aos resíduos com concentrações traços em carnes e seus derivados (Aroeira, 2019; Aroeira et al., 2019; Feddern et al., 2018; Valese et al., 2016)

A exemplo, a proibição da Rússia frente a resíduos de ractopamina, prejudicou o mercado de exportação de carne canadense, o qual em 2012 havia exportado U$207 milhões em produtos suínos para a Rússia, em 2013 após a imposição da proibição ao uso de ractopamina, as exportações caíram

promotores de crescimento

para U$ 92 milhões (Linden, 2014).

Onde as recomendações de uso dos promotores são definidas visando a segurança dos alimentos, ou seja, para não comprometer a saúde do consumidor.

As barreiras comerciais resultam em diversos conflitos de interesse, principalmente, entre os maiores países produtores, e os maiores importadores de proteína animal. Países que proíbem a utilização dos promotores indicam preocupações com eventuais resíduos que possam conter na carne e seus derivados, e afirmam que estes trarão riscos para os consumidores (Freire et al., 2013).

A produção nacional também traz um consenso particularizado sobre o uso dos promotores. No Brasil, por exemplo, onde o uso da ractopamina é permitido na suinocultura. Há sistemas segregados de granjas onde não há a presença deste aditivo. A alimentação destes suínos é adquirida de fábricas livres de produção de ractopamina, na maioria das vezes, com a finalidade de atingir o mercado externo.

20 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


Preston em 1999, discutindo sobre o DES, primeiro hormônio promotor de

O sistema de produção animal muitas vezes é tratado como vilão, e assuntos que poderiam ser discutidos de forma mais científica acabam por seguirem outros caminhos tendenciosos, como pode ser observado claramente na opinião formada que se tem sobre o uso dos promotores.

crescimento usado em bovinos, relata que o limite residual deste composto não causava efeito a nível hormonal ao se consumir a carne a qual possuía uma concentração considerada muito menor comparada às doses de DES usadas como método contraceptivo. Apesar disso, seu uso foi proibido em 1979 como promotor de crescimento. A Tabela 1 traz alguns questionamentos, e nesta procurou-se enfatizar somente o

A Tabela 1 traz resultados científicos que

uso do estrogênio como promotor, mas

demonstraram maiores concentrações de

outros exemplos podem ser verificados

resíduos de promotores em outros alimentos

no trabalho de Aroeira et al. (2021). Nesta

do que necessariamente na carne.

tabela, o residual de estrogênio encontrado em carne tem sido muito

Tabela 1. Residuais encontrados (mg/kg) em diversos alimentos.

Resíduos (mg/kg)

Referência

2000

(Preston, 1997)

Repolho

24

(Preston, 1997)

Sorvete

6

(Preston, 1997)

Ervilha

4

(Preston, 1997)

Gérmen de trigo

4

(Preston, 1997)

promotores de crescimento

Alimentos

menor do que em outros alimentos.

Fontes de origem vegetal Óleo de soja

Óleo de soja

2000

(Safemeat, 2010)

Repolho

0,0416

(Safemeat, 2010)

Cerveja

3,25

(Safemeat, 2010)

Batata

2,67

(Safemeat, 2010)

Fontes de origem animal Ovos

35

(Preston, 1997)

Leite

0,13

(Preston, 1997)

Leite

0,38

(Safemeat, 2010)

Carne bovina

0,022

(Preston, 1997)

1,4

(Preston, 1997)

Carne bovina de vaca

Fonte: Adaptado de (Aroeira et al., 2021) nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações

21


Avaliando os do uso deste promotor na alimentação animal Tem-se o estudo desenvolvido por Johnson et al. (1996) com o uso do TBA em conjunto com

Podendo ser considerados como uma

o estrogênio, em 64 novilhas

importante ferramenta para auxiliar na

mestiças

demanda futura por proteína.

Ao se comparar com o grupo

Como a carne é a fonte mais relevante

controle, foi verificado um

de proteína e é comercializada

aumento do consumo médio

globalmente, o uso dos promotores

diário e melhora da eficiência

na produção animal ao melhorar a

alimentar dos animais

eficiência pode levar a um comércio

promotores de crescimento

Além de efeitos benéficos

mais competitivo.

nas características de carcaça

Foi demonstrado que os resíduos

como aumento da área de

dos promotores de crescimento

olho-de-lombo (a qual indica

em carne suína e bovina são muito

o desenvolvimento muscular e

mais baixos, em comparação com

rendimento de cortes de alto

os níveis encontrados em outros

valor comercial)

alimentos comumente consumidos, e

Sem diferenças quanto

comercializados globalmente.

ao marmoreio e aspectos

Portanto, a carne advinda de um sistema

relacionados à qualidade da

que fez o uso dos promotores não

carne

deveria ser motivo de preocupação ou criar barreiras comerciais. Com isso, ressalta-se mais uma vez, a importância

CONCLUSÕES

e necessidade em se adotar a mesma legislação sobre o uso de promotores de crescimento em todos os países.

Em relação à produção animal, a dieta representa mais de dois terços do total dos custos e a tecnologia dos promotores de crescimento podem ser uma boa ferramenta para

Uma vez que vários estudos são realizados sobre cada promotor, e que ao se adotar práticas veterinárias de uso consciente e adequado, mantêm-se em segurança a saúde humana, e animal.

redução destas despesas uma vez que melhoram alguns parâmentros zootécnicos como a conversão alimentar, entre outros índices.

Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações

BAIXAR EM PDF As referências serão disponibilizadas mediante solicitação

22 nutriNews Brasil 4 o Trimestre 2021 | Promotores de crescimento na nutrição animal: regulamentação e implicações


micotoxinas

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE UM INATIVADOR DE MICOTOXINAS FRENTE A UM ADSORVENTE EM LEITÕES NA FASE DE CRECHE

M

icotoxinas são produtos secundários do metabolismo de fungos, e sua presença nos grãos utilizados para a fabricação

de rações pode causar diversos problemas zootécnicos e sanitários na suinocultura intensiva.

24 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche


As micotoxinas de maior importância para a

Além disso, o plantio direto sobre palha

produção animal são produzidas por fungos

aumenta a ocorrência dos fungos do

dos gêneros Aspergillus e Fusarium quando

gênero Fusarium e, consequentemente,

expostos a determinadas circunstâncias

observa-se maior contaminação dos

ambientais e nutricionais.

grãos por micotoxinas derivadas de seu

Enquanto as micotoxinas produzidas

crescimento.

pelos Aspergillus (p. ex. Aflatoxina) são

Cada micotoxina possui características

formadas especialmente pós-colheita

moleculares específicas, que

ou na estocagem dos grãos e rações,

determinam a forma e grau de

aquelas produzidas pelos Fusarium

toxicidade para os animais. Porém,

(p. ex. Fumonisina, Tricotecenos

sabe-se que grande parte das

e Zearalenona) são originadas

micotoxinas, mesmo em níveis

geralmente no campo.

considerados baixos, são potentes agentes imunossupressores.

estratégias de controle de micotoxinas, já que o tratamento dos grãos com inibidores de crescimento fúngico e melhorias no armazenamento, afetam diretamente a ocorrência de Aflatoxina, mas tem pouca influência no controle de micotoxinas de Fusarium presentes nos grãos.

Este é um dos motivos pelos quais observa-se uma redução na ocorrência

O modo tradicional de prevenção das micotoxicoses em suínos é através do uso de adsorventes, sejam eles minerais ou orgânicos. Os adsorventes sequestram ou adsorvem as toxinas, impedindo sua absorção intestinal. Consequentemente, reduzem-se os efeitos nocivos para o organismo do animal.

A dificuldade de adsorção das micotoxinas oriundas dos fungos Fusarium, associada à evolução na área de biotecnologia, permitiram o desenvolvimento de novas tecnologias para o controle de micotoxinas.

de Aflatoxinas, quando há melhoras nas condições de tratamento e estocagem de grãos, porém o mesmo não ocorre com Fumonisinas, Zearalenona e Tricotecenos.

Pesquisadores húngaros desenvolveram um Inativador Enzimático de Micotoxinas, derivado da fermentação de leveduras do tipo Saccharomyces. Este inativador (DETOXA PLUS®) possui um complexo enzimático para a biotransformação das principais micotoxinas que afetam os suínos, especialmente aquelas que não são adequadamente sequestradas pelos adsorventes convencionais.

25 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche

micotoxinas

Este fato é importante para definir


O objetivo do experimento aqui demonstrado foi avaliar os ganhos zootécnicos e econômicos da utilização do Inativador Enzimático de Micotoxinas (DETOXA PLUS®) frente a um Adsorvente de Micotoxinas normalmente utilizado na suinocultura brasileira.

MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido pelo Instituto Federal Catarinense, em uma unidade produtora de leitões localizada na cidade de Concórdia/ SC. A propriedade possui cerca de 150 matrizes, submetidas a manejo reprodutivo de 21 dias, e é integrada a uma importante cooperativa regional.

micotoxinas

Os leitões provenientes de dois desmames consecutivos, foram classificados com o objetivo de obter grupos homogêneos (peso e sexo) e divididos em 2 tratamentos denominados de: Grupo Controle (GC) e Grupo Teste (GT) A ração fornecida durante todo o período de creche dos animais pertencentes ao Grupo Controle continha 2 kg/ton de um adsorvente comercial antimicotoxinas, composto por parede de levedura, aluminossilicatos e fitoterápicos. A ração fornecida ao Grupo Teste continha em sua formulação 1 kg/ton de um Inativador Enzimático de Micotoxinas (DETOXA PLUS®). Foram realizadas duas repetições (desmames) com, respectivamente, 130 e 112 leitões, marcados individualmente com brincos e pesados na entrada e na saída da creche.

Em cada repetição, os leitões foram divididos igualmente entre Grupo Teste e Grupo Controle e distribuídos em 4 baias (GT = baia 1 e baia 2; GC = baia 3 e baia 4). O período de creche durou 35 dias na primeira repetição e 40 dias na segunda. A dieta durante o experimento foi dividida em 3 fases: Pré-Inicial 1, Pré-Inicial 2 e Inicial. A ração foi misturada na propriedade e pesada antes de ser fornecida aos animais. Todas as dietas produzidas foram amostradas para quantificação de micotoxinas.

Os parâmetros zootécnicos avaliados foram: Ganho de Peso Total (GP), Ganho de Peso Diário (GPD), Consumo de Ração (CR) e Conversão alimentar (CA).

Os dados foram submetidos à análise de variância através do procedimento GLM, além da realização de estatísticas descritivas. Baseando-se nos dados de conversão alimentar, foi calculado o custo de produção por leitão e, posteriormente, o ganho econômico obtido a partir do tratamento com o Inativador Enzimático de Micotoxinas (DETOXA PLUS®).

26 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche


RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados das análises de micotoxinas da ração fornecida nas duas repetições do experimento são apresentadas na tabela abaixo, onde também comparamse com os limites máximos recomendados pelo LAMIC – UFSM (www.lamic.ufsm.br). As análises foram realizadas no laboratório MERCOLAB. INATIVADOR DE MICOTOXINAS X ADSORVENTE ZEARALENONA (ppb)

FLUMOSINA (ppb)

T-2 (ppb)

AFLATOXINA (ppb)

REPETIÇÂO 1

44,5

850

25,7

ND**

REPETIÇÂO 2

<25

1440

<25

ND**

Limite Máx.*

10

100

0

0

* Recomendado pelo lAMIC para suínos na fase inicial ** Nâo detectado

Não foi observada diferença significativa no consumo de ração entre os grupos controle e teste nas duas repetições realizadas. Porém, como o ganho de peso foi afetado pelos tratamentos, o parâmetro conversão alimentar apresentou melhoria significativa nos Grupos Teste (DETOXA PLUS®).

O grupo que recebeu o Inativador Enzimático (DETOXA PLUS®) apresentou índice de conversão alimentar 11,33% menor que o grupo com ração contendo o adsorvente (1,41 contra 1,59) na primeira repetição. A segunda repetição demonstrou padrão semelhante, com uma conversão 7,73% menor no grupo tratado com o Inativador Enzimático (1,55 contra 1,68). Esta melhoria significa uma diminuição de 2,71 kg de ração necessária para que um leitão de 6 kg chegue a um peso de 23,5 kg.

29 26,06 25,05

25 23

20,66

21

15

1,59 b

1,4

Repetiçâo 1 Repetiçâo 2

Média

Grupo tratado

Grafico 1. Consumo de ração por animal (kg)

1,3

1,635

1,55 a 1,48

1,5

16,67 16,27

Grupo controle

1,68 b

1,7 1,6

19 17

-0,155

1,8

21,36

Converçâo alimentar

Consumo de raçao (kg)

27

micotoxinas

Tabela 1.

1,41

a

Repetiçâo 1

Repetiçâo 2

Grupo controle

Média Grupo tratado

Grafico 2. Conversão alimentar kg/(kg) *Letras diferentes entre os tratamentos indicam diferença estatística (P ≤0,05)

27 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche


Considerando o custo médio da ração de creche R$ 1,60/kg, isto geraria uma economia estimada de R$ 4,34 por leitão ao final do período.

Em relação ao Ganho de Peso Total e ao Ganho de Peso Diário, os grupos tratados com o Inativador Enzimático também apresentaram resultados superiores em ambas repetições. O GPD do Grupo Teste foi 35 e 29 g superior ao Grupo Controle nas repetições 1 e 2, respectivamente. +32g 420 391 a

400 350 300

b

377 345

335 b

Em média, o grupo alimentado com o Inativador Enzimático (DETOXA PLUS®) ganhou 1100 g de

300 a

peso vivo a mais durante o período de creche, comparado ao grupo com adsorvente.

Repetiçâo 1 Repetiçâo 2 Média Grupo controle Grupo tratado Grafico 3. Ganho de peso diário por animal (g) *Letras diferentes entre os tratamentos indicam diferença estatística (P ≤0,05)

Avaliando toda a fase de creche, os leitões que receberam a dieta contendo o Inativador de Micotoxinas apresentaram Ganho de Peso Total 1,02 kg e 1,17 kg (Repetição 1 e 2, respectivamente) superior ao grupo tratado com o adsorvente. +1,10kg

18 Ghano de peso total (kg)

micotoxinas

Ghano de peso diário (g)

450

16,72b 15,55a

16

12 10 8

Os resultados do experimento demonstraram ganhos significativos de performance (Conversão Alimentar e Ganho de Peso) em leitões que consumiram o Inativador Enzimático de Micotoxinas (DETOXA PLUS®), comparados aos que consumiram ração

13,02

14

Esta diferença equivaleria à aproximadamente 2 dias a menos na creche, possibilitando maior vazio sanitário ou maior peso de saída da creche e assim, maior rentabilidade.

14,12

11,52b 10,50a

Repetiçâo 1 Repetiçâo 2 Média Grupo controle Grupo tratado

Grafico 4. Ganho de peso total por animal (kg). *Letras diferentes entre os tratamentos indicam diferença estatística (P ≤0,05)

contendo o adsorvente comercial.

A inclusão de DETOXA PLUS® gerou um resultado econômico excelente ao produtor durante a fase de creche. Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinasfrente a um adsorvente em leitões na fase de creche

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28

nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche


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T2


USO DE DDGS COMO

INGREDIENTE NAS

FORMULAÇÕES DE RAÇÕES PARA SUÍNOS

coprodutos

Caroline Beatriz de Sousa Faria - Mestranda em Nutrição e Produção de não ruminantes - Universidade Federal de Lavras (UFLA), ASIH/NESUI Aline Maria Silva Barbosa - Mestranda em Nutrição e Produção de não ruminantes – UFLA, ASIH/NESUI Izabel Cristina Tavares -Graduanda em Medicina Veterinária UFLA, ASIH/NESUI

D

ried Distillers Grains with Solubles - DDGS é um alimento alternativo para formulação de dietas de suínos

e, também, um meio de aproveitamento

O DDGS é um coproduto resultante do processo de moagem da produção de etanol, possui coloração marrom e pode se apresentar com tons dourados, e essência

sustentável do resíduo da produção de etanol à

característica de alimentos fermentados. No

base de grãos.

procedimento também é produzido dióxido

A energia presente nos grãos secos destilados com solúveis (DDGS) bem como fibra, proteína e

de carbono e o álcool propriamente dito, combustível (Corassa, et al. 2018).

fósforo digestível faz com que o alimento se torne atrativo na produção das rações de suínos, em substituição parcial ao milho e farelo de soja.

30 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


De acordo com Curry et al. (2018) o uso de DDGS de milho na alimentação de

Milho

suínos tem aumentado devido a sua acessibilidade, alto valor energético, além dos percentuais de aminoácidos e fósforo disponíveis.

Segundo Wang et al. (2008), o milho

Triticale

foi o primeiro grão a ser usado para a produção de etanol nos Estados Unidos da América, contudo, o triticale e o sorgo também passaram a ser utilizados para o mesmo fim e na alimentação de suínos na forma de coproduto, por meio do DDGS. Quando se analisa a composição química do

Sorgo coprodutos

DDGS dos três grãos citados acima, os resultados são interessantes para serem incrementados à formulação de dietas de suínos (Tabela 1) .

Tabela 1. Composição química de DDGS de milho, DDGS de triticale e DDGS de sorgo.

Composição Química de DDGS de Milho, Triticale e Sorgo Item

DDGS Milho

DDGS Triticale

DDGS Sorgo

Matéria Seca (g/kg)

918,00

927,00

904,00

Nitrogênio (g/kg)

46,00

44,4

45,80

Energia Bruta (kcal/kg)

5.429,00

5.298,00

5.295,00

Extrato Etéreo (g/kg)

87,00

56,40

88,90

FDA (g/kg)

120,00

153,50

201,90

FDN (g/kg)

319,60

153,50

387,40

Cálcio (g/kg)

0,80

0,90

0,60

Fósforo Disponível (g/kg)

6,00

6,00

6,40

Fonte: adaptado de Adeola e Kong (2014).

31 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores de etanol do mundo, a maior parte da nossa produção atualmente se dá a partir da cana-de-açúcar, mas no último ano, segundo dados da UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar em relatório publicado no segundo trimestre de 2021, o etanol proveniente do milho alcançou 2,57 bilhões de litros de produção na safra 2020/21, avanço de 58,13% em relação à safra anterior.

coprodutos

A participação do etanol de milho na:

fabricação total de biocombustível no Centro-Sul totalizou

8,45%

Estes resultados indicam uma tendência ao: aumento da produção, e, consequentemente maior disponibilidade do DDGS de milho no país

Quanto ao sorgo, este é um alimento energético, o segundo cereal em importância para a alimentação de suínos no Brasil é o mais resistente ao estresse hídrico menos exigente em fertilidade do solo que o milho seu valor comercial

Portanto uma oportunidade que deve ser considerada para a cadeia produtiva de suínos

é cerca de 80% do valor do milho valor biológico alcança 95% do principal cereal

32 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


Em muitos testes recentes, o sorgo com baixo teor de tanino com processamento adequado de ração e formulação de dieta demonstrou desempenho igual para suínos em relação a dietas à base de milho, podendo então, ser um substituto completo do milho na dieta. Quando se fala em DDGS a partir dos grãos de sorgo, os valores de fibra digestível e energia metabolizável são inferiores aos obtidos com DDGS de milho (Corrassa, 2019). Além disso, alguns trabalhos indicam que uma piora no desempenho e menor eficiência

O teor de proteína bruta do grão varia

alimentar para leitões em fase de creche,

entre 9% e 20% da matéria seca e o

possivelmente associado à variação na

conteúdo de lisina, aminoácido limitante

composição nutricional de cada fonte de

na maioria dos cereais, é maior que o

DDGS, às quantidades de solúveis adicionadas

encontrado no trigo ou no centeio.

coprodutos

maior inclusão de DDGS de sorgo provoca

na dieta e a adaptação dos animais. Por isso, é importante avaliar corretamente a situação e a viabilidade econômica da utilização dessa matéria prima.

O maior teor de lisina no triticale permite reduzir o percentual de farelo de soja na dieta; no entanto, em alguns casos, o menor teor de energia acarreta pior conversão alimentar.

Ademais, tanto DDGS de milho quanto de sorgo contêm concentrações relativamente altas de fósforo (P), que estão altamente disponíveis para os suínos, resultando em uma menor necessidade de adição de fósforo inorgânico na dieta, questão relevante para os custos da alimentação fornecida aos animais. Além dos já citados milho e sorgo, outra cultura passível de ser utilizada como fonte de DDGS é o triticale, um cereal de inverno, resultante da hibridação de duas espécies distintas: o trigo e o centeio.

33 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


Os teores de amido variam de 66% a 73% da matéria seca e a maior fração de polissacarídeos não-amiláceos consistem

consumo de ração

em arabinoxilanos, que são considerados antinutritivos em rações animais, podendo influenciar negativamente:

digestibilidade de nutrientes desempenho geral do crescimento, devido à alta viscosidade e a propriedades de retenção de água.

Cultivares modernas do triticale são

coprodutos

matérias-primas competitivas para produção de etanol, e na comparação de custos de produção de bioetanol de O triticale possui sistema enzimático autoamilolítico, que auxilia na conversão de grandes quantidades de amido em açúcares fermentáveis

triticale, centeio e trigo, realizada por

Rosenberg et al. (2002), o primeiro apresentou o menor custo por litro devido ao alto rendimento de etanol por hectare, o que pode favorecer o interesse da indústria sobre o grão, aumentando a disponibilidade do DDGS gerado. Um fator que compromete o uso do DDGS nas rações é a qualidade nutricional.

Anulando, em alguns casos, a necessidade de adição de enzimas para degradação de amido

O milho e outros grãos utilizados no processo de fabricação do etanol podem ter constituições nutricionais diferentes, interferindo diretamente na variação nutricional do coproduto.

Além disso, a atividade da fitase deste cereal tem sido relatada como intermediária, entre a de centeio e de trigo.

Spiehs et al. (2002) e Belyea et al. (2010) afirmam que, algumas etapas do sistema de produção, como o tempo de fermentação e secagem, e também, a temperatura em que os ingredientes foram submetidos, podem interferir nos resultados quando se compara às análises de DDGS.

34 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


Visto que o amido do grão é utilizado na produção do biocombustível, permanecem disponíveis aos animais, as proteínas, gorduras e fibras quando fornecido o DDGS como ingrediente na ração. Por essa razão, o coproduto A depender da temperatura no processo

resultante do milho pode ser

de obtenção do DDGS pode haver

empregado tanto em substituição

variação aminoacídica ao se comparar,

ao milho, quanto à soja.

através de análises químicas, produtos ao ingrediente devido a altas temperaturas e umidade, que são favoráveis para iniciar a reação de Maillard, que reduz a concentração de aminoácidos e da digestibilidade (Almeida et al., 2013).

Porém, é necessário destacar que o elevado teor de fibras torna necessária a adição de enzimas exógenas na ração, uma vez que o suíno não tem boa capacidade de digeri-las naturalmente. Neste sentido, o trabalho de Dantas et al.

(2020) indica a eficiência do uso de DDGS A reação de Maillard ocorre em alimentos, resultado de uma reação química entre um aminoácido e uma redução de açúcar, um carboidrato.

somado a um complexo multienzimático, pois a inclusão de DDGS em 25% não prejudicou o desempenho dos animais em crescimento e terminação e junto do complexo multienzimático melhorou a digestibilidade e o perfil de microbiota

Acontece o processo de

dos animais, o que certamente é uma

degradação, que forma compostos

vantagem no sistema de produção devido

de coloração escura (maloidinas).

Há, também, a formação de compostos voláteis responsáveis pelos odores característicos do produto e altera o aspecto visual dos alimentos.

ao custo competitivo desta dieta frente ao empregado tradicionalmente.

Quando se analisa a composição nutricional do DDGS de milho, milho, sorgo e farelo de soja (Tabela 2), sendo os dois últimos ingredientes básicos na formulação das dietas de suínos, destacam-se os valores de energia metabolizável, matéria seca,

A reação depende da temperatura e do tempo de exposição ao calor em que o alimento é submetido,

(Francischini et al., 2017).

fósforo disponível, extrato etéreo e fibra bruta. Em relação à composição aminoacídica, o DDGS de milho apresenta percentuais superiores aos dos grãos sorgo e milho.

35 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos

coprodutos

de empresas diferentes. Pode haver danos


Tabela 2. Valores nutricionais do DDGS de milho, milho, sorgo e farelo de soja Composição Química do DDGS de Milho, Milho, Sorgo e Farelo de Soja DDGS (%)¹

Milho (%)²

Sorgo (%)²

F. Soja (%)²

Energia Metabolizável (Kcal/Kg)

3590

3360

3358

3179

Matéria seca

91,06

88,90

87,10

89,60

Proteína Bruta

28,60

7,86

8,75

45,40

Cálcio

0,04

0,02

0,03

0,34

Fósforo Disponível

0,30

0,06

0,07

0,19

Sódio

0,02

0,01

0,02

0,02

Lisina Digestível

0,28

0,18

0,20

2,80

Metionina

0,56

0,16

0,15

0,61

Metionina + Cisteína Digestível

0,84

0,33

0,30

1,28

Treonina Digestível

1,34

0,31

0,28

1,78

Triptofano Digestível

0,13

0,06

0,10

0,64

Arginina Digestível

0,69

0,37

0,35

3,35

Valina Digestível

1,20

0,36

0,44

2,22

Isoleucina Digestível

0,86

0,26

0,35

2,13

Leucina Digestível

3,37

0,95

1,17

3,51

Histidina Digestível

0,37

0,24

0,20

1,20

Fenilalanina Digestível

1,17

0,37

0,46

2,34

Fenilalanina + Tirosina Digestível

2,44

0,65

0,81

4,00

Extrato Etéreo

6,46

3,81

3,35

1,95

Fibra Bruta

9,00

1,73

2,89

4,86

FDN

50,00

13,80

11,20

13,60

coprodutos

Item

Fonte: 1adaptado de Corassa et al. (2021); 2adaptado das Tabelas Brasileiras Para Aves e Suínos (2017).

Em um estudo analisado por Estevam et al (2018), quando incluiu DDGS na fase de creche, resultou em variações no desempenho de leitões alimentados com níveis crescentes de DDGS em diferentes artigos analisados. De acordo com os autores, esta variação está relacionada com diferentes fontes de DDGS e a composição dos ingredientes analisados em cada experimento, pois nos diferentes trabalhos os mesmos níveis de inclusão apresentaram variações no desempenho.

36

Novos ingredientes são necessários dentro do sistema de produção animal e o DDGS se apresenta como um potencial ingrediente fixo nas formulações de rações de suínos. É uma oportunidade para redução de custos com alimentação, além de ter uma prospecção ascendente na disponibilidade para o mercado brasileiro. Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínoss

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nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Uso de DDGS como ingrediente nas formulações de rações para suínos


MERCADO DE RAÇÃO ANIMAL E

O

AS

PERSPECTIVAS PARA

2022

Entrevista com

ARIOVALDO ZANI O mercado de rações é um importante termômetro para as projeções da produção de proteína animal. Para falar sobre essa indústria tão importante e basilar para a produtividade animal, convidamos Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações (Sindicato Nacional da indústria de Alimentação Animal) e presidente do CBNA (Colégio Brasileiro de Nutrição Animal). Nesta entrevista, Ariovaldo Zani fala com muita propriedade sobre o mercado de rações, e explica de forma muito didática e realista as oscilações e a dinâmica de preço dos principais insumos para alimentação animal e os efeitos do COVID para a indústria de rações.

entrevista

CEO do Sindirações

Ariovaldo Zani: Sim, o otimismo sempre permanece porque a alimentação animal é um elo essencial na cadeia de produção de proteína animal. De maneira geral, tanto no consumo doméstico, quanto internacional, as pessoas continuarão consumindo proteína animal, com uma possibilidade de diminuição do ritmo no segundo semestre de 2021, que pode se acentuar no primeiro semestre de 2022 por algumas razões que explicarei a seguir.

Dados do Sindirações demonstram que o setor de produção de ração animal continua crescendo, e registrou um avanço de 5,2% no primeiro semestre do ano comparado a 2020. Quais as perspectivas para o próximo ano? 37 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


Os preços dos principais grãos, milho e soja, atravessaram um período com preço bastante inflacionado em nível global, por uma série de fatores, inclusive climáticos. No Brasil, esse problema se acentuou por questões cambiais, desvalorização do real frente ao dólar, o que tornou o custo desses insumos praticamente proibitivo.

Desde outubro estamos passando por um momento de certo alívio no custo, no entanto, o patamar de preços em que se posicionaram o milho e o farelo de soja continua atrapalhando bastante a vida do produtor.

entrevista

Isso porque ele tem dificuldade de repassar este aumento ao consumidor, que também está em dificuldade por conta do desemprego, perda de renda e uma série de fatores. Quando eu falo em acentuamento das dificuldades no primeiro semestre de 2022, me refiro à escassez de insumos importados, como: Aditivos Vitaminas Aminoácidos E outras especialidades de química fina utilizadas na alimentação animal, Cujos fornecedores se concentram nos Estados Unidos, Europa e, principalmente, na China e Índia.

O compromisso ambiental firmado na COP 26, de reduzir já para o próximo ano a matriz de aquecimento global, leva a um eixo de produção diferenciada que eleva os custos de produção.

Falando do Brasil, há um certo estoque desses insumos para atender a indústria de produção animal nos próximos meses, até findar o ano. Porém, para o próximo ano há uma incógnita na disponibilidade desses insumos e a perspectiva é pessimista, por conta da escassez que deve ocorrer. Globalmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para um crescimento econômico menor em 2022. Os consumidores brasileiros continuarão enfrentando dificuldades econômicas, cenário que ainda pode ser agravado pelo advento das eleições presidenciais. No mercado internacional, estamos acompanhando algumas dificuldades como o embargo à carne bovina pela China, a recomposição, ainda que incipiente, do plantel suíno chinês. Portanto, é esperado que haja sim um crescimento no próximo ano, porém, menor do que o alçando neste ano de 2021.

Desde 2018 quando o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Ministry of Agriculture and Rural Affairs (MARA)) confirmou o primeiro caso de Peste Suína Africana (PSA) na província de Liaoning, a China tenta combater a PSA. De acordo com o MARA, em 2021 já foram confirmados 11 casos em 8 províncias, sendo o último em 9 de novembro.

O Sindirações já tem um número para o crescimento do setor de rações em 2021? O primeiro semestre ultrapassou 5% de crescimento. Para o segundo semestre tem-se a estimativa, com previsões baseadas na indústria de proteína animal, de um crescimento de 4 a 4,5%. Então, na contabilidade final, o crescimento deve ficar na casa dos 4% no ano.

38 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


De fato, a disputa estabelecida entre a agricultura alimentar e energética é um fator muito relevante. Há algum tempo os grãos tradicionalmente utilizados na alimentação animal e humana, como milho e soja, têm encontrado uma outra destinação, que é a produção de energia, com os combustíveis renováveis, mais especificamente o etanol de milho e o biodiesel de soja.

Evidentemente, se temos mais de um competidor no mercado, o produto tende a encarecer, a inflacionar. Isso já ocorreu nos Estados Unidos com o milho, que custava em torno de U$$2,00 – 2,50 o bushel no início dos anos 2000. Porém, quando a política climática americana foi colocada em prática, além da adição crescente de etanol de milho à gasolina, ocorreu também uma disparada no preço do milho, que se estabeleceu num patamar que é o dobro do valor praticado anteriormente.

No Brasil ocorre uma situação parecida. E os setores privado e acadêmico têm buscado alternativas, entre as quais os cereais de inverno. Especialmente na região Sul, tem-se buscado dinamizar e aumentar a área plantada de cereais como: Trigo Triticale Sorgo Aveia Centeio Que são culturas que podem substituir, em parte, o milho e a soja. Porém, a dieta deve ser adaptada à inclusão desses grãos.

entrevista

Como você vê esse movimento de busca de novos ingredientes para a alimentação animal? Tem alguma tendência que você acredita ser promissora a médio prazo?

Além disso, deve-se observar o custo de oportunidade, disponibilidade e investimentos, como os silos para o armazenamento. Não é uma decisão simples, porém, está caminhando para se tornar uma alternativa viável. Por outro lado, a produção do etanol de milho gera um subproduto, ou produto derivado, que é o DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) ou DDG (grãos secos de destilaria), que tem um coeficiente nutricional apropriado. Dependendo da sua formulação, ele pode ser mais proteico ou energético. De uso mais rápido se for mais úmido, ou desidratado/ seco, que pode enfrentar longas distâncias de distribuição para atender as granjas e confinamentos. Então, é um produto que também pode substituir parcialmente o farelo de soja e o milho das dietas.

39 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


Algumas novidades são relativas à quebra de barreiras com o consumo de farinhas de insetos, que já são muito aceitas no oriente e já começam a ser acrescentadas no ocidente. É uma alternativa recente, ainda tem a questão da pequena oferta do insumo no mercado, mas é um ingrediente que tende a crescer no mercado. Principalmente, pelas questões do aquecimento global e sustentabilidade dos insumos utilizados, que é um assunto complexo que merece abordagem e argumentos específicos.

Nos últimos anos está ocorrendo um crescimento verticalizado da piscicultura, com destaque para a produção de tilápias. Quais as perspectivas para esse setor e os principais desafios que os piscicultores poderão enfrentar para tornar o Brasil um expoente dessa atividade nos próximos anos?

De fato, a aquicultura brasileira, tem se desenvolvido em uma velocidade intensa e é constituída pela: Piscicultura (criação de peixes) Carcinicultura (camarão)

entrevista

Malacocultura (moluscos)

Afora o que eu listei, têm-se também os aditivos, que já são respaldados por estudos robustos, que demonstraram sua eficácia. Determinados aditivos, como: enzimas,

Por conta da partida de uma base pequena, o crescimento percentual é na casa de dois dígitos já há algum tempo. Além disso, os produtores aproveitam as grandes oportunidades relacionadas às condições naturais brasileiras, como a quantidade de água doce disponível no Brasil e o conhecimento em nutrição já bem estabelecido por conta da evolução da produção de outras espécies, como a avícola e a suinícola.

minerais proteinados e aminoácidos sintéticos podem substituir parcialmente os grãos na dieta, mantendo o desempenho zootécnico dos animais. Além disso, o uso desses aditivos

auxilia na mitigação de danos ambientais, como na redução da descarga ambiental, tanto de matéria orgânica despejada no solo, que leva à eutrofização e a nitrificação; como na redução da emissão dos gases de efeito estufa.

Inclusive o grande salto que a piscicultura deu nos últimos tempos foi por mimetizar o sistema de integração, que é empregado com muito sucesso na avicultura e suinocultura, principalmente, com as cooperativas se somando aos produtores independentes.

Além disso, há também influência e incentivo por ser uma proteína que goza do status de muito saudável, além de a própria FAO incentivar a piscicultura pela exaustão dos bolsões de pesca naturais, indicando que a aquicultura é a atividade que vai compensar o déficit global de proteína animal para alimentação humana, projetado para as próximas décadas.

40 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


DESAFIOS No Brasil, os principais são relacionados à questão de licenciamento ambiental. Há a necessidade de desenvolver projetos e estabelecer linhas/áreas de produção respeitando as regras e a conservação do meio ambiente. No entanto, a percepção é de que havia muito rigor, um certo exagero, tanto na avaliação do que deveria ser feito, quanto no tempo de resposta sobre se aquele empreendimento poderia, ou não, ser estabelecido.

Em relação à carcinicultura, o Brasil foi um grande produtor no início dos anos 2000 e praticamente exportava toda a produção. Lamentavelmente, por conta de protecionismo e clientes internacionais, países importadores tomaram algumas atitudes que atrapalharam a entrada do produto brasileiro. Isso retardou o desenvolvimento da atividade. Em seguida, o setor de carcinicultura sofreu com problemas sanitários, como infecções que acabam acontecendo.

Todos esses percalços levaram à protelação de uma série de investimentos em aplicação de práticas mais modernas de produção intensiva. Um ponto chave para o atraso no desenvolvimento foi o fato de o produto ser quase que exclusivamente comercializado no mercado interno. Considerando que é um produto com preço razoável, não é toda a sociedade que pode consumir, mas apenas uma parte dela.

A carcinicultura tem um potencial enorme, mas demanda a convergência de uma série de políticas públicas que possam favorecer e incentivar a produção. E também retomar, ou abrir (ação diplomática e comercial) mercados para a destinação do produto brasileiro, uma vez que temos concorrentes próximos, como o Equador e Peru, que são muito bem sucedidos na exportação.

entrevista

O que se percebe, ultimamente, é que há um certo movimento em que esses aspectos negativos e burocráticos têm sido simplificados e resolvidos, o que favorece o desenvolvimento da atividade.

Vale destacar o potencial brasileiro, com um litoral imenso, de produzir em tanques-rede escavados em regiões litorâneas. Por todos os predicados, a aquicultura é uma atividade que deve continuar com um crescimento invejável.

Em 2020 houve grande movimentação na indústria pet food, com empresas líderes de mercado fazendo aquisições importantes. A pandemia teve influência na mudança de consumo dos tutores ou o crescimento do setor já era esperado? O setor de pet food vinha crescendo por conta de uma modificação do comportamento global das pessoas, com alteração dos costumes e do modo de vida das gerações mais novas.

41 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


A pandemia acabou forçando o isolamento social, com as pessoas tendo que ficar confinadas nas suas residências, muitas delas já tinham seus animais de estimação e houve ainda um movimento interessante de adoção e compra de animais de companhia.

Assim, as pessoas passando boa parte do tempo interagindo com seus pets, começaram a perceber suas necessidades e o resultado foi um exercício de posse responsável mais intenso e acentuado.

entrevista

Por conta da praticidade e do trabalho home office, houve um movimento de adquirir produtos semiprontos para a alimentação humana, com a compra via e-commerce do alimento industrializado com entrega por delivery. Esse movimento se expandiu da alimentação humana para o setor pet. Então, a pandemia contribuiu sim para o aumento da demanda do alimento industrializado para cães e gatos.

Mas, outra vez, é um segmento que também no ano de 2021 vai ter um crescimento invejável, que deve ser continuado nos próximos anos, independente de pandemia ou não. Pois, a relação entre o tutor e suas mascotes se intensificou e é o que se vê no dia a dia.

Tem números de mercado para ração de Pets? Este ano de 2021 o mercado de rações para pets deve ficar entre 5 a 7% de crescimento, que é um número razoável, muito parecido com o que se deu em 2020.

Em 2021, embora o consumidor continue comprando o alimento industrializado, se percebe um movimento de busca por produtos mais em conta, mais baratos por conta do cenário econômico mais fragilizado, com redução da renda e interrupção e posterior retomada, mas com valor menor, do auxílio emergencial.

42 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


A pecuária de corte sofreu um grande impacto com os atrasos para o retorno das exportações à China após a confirmação de dois casos de encefalopatia espongiforme bovina atípicas, mais conhecida como doença da vaca louca. Quais serão os impactos da quebra de fluxo de exportações de carne bovina para o setor de produção de ração animal?

É UMA REAÇÃO EM CADEIA

?

Se ocorre um embargo dessa ordem, de um cliente importante como a China, o produto que deixa de alcançar um destino pretendido tem que ser colocado em outro parque consumidor.

Se há dificuldade na realocação, ocorre o aumento dos estoques e isso acaba afetando o interesse em aumentar a produção.

Além disso, outra vez, isso se somou a um momento que aflige toda a produção, e não só a pecuária de corte, que é o alto custo da produção, do milho, da soja, dos aditivos e dos outros insumos que são utilizados, principalmente do confinamento, que são importados e pagos em dólar. Então, nesse ponto o câmbio também afeta.

Nesse cenário, quando se compara a relação entre o preço da arroba que o produtor vai alcançar ao vender o produto final e o valor do bezerro de reposição que será confinado e que está inflacionado, ela não é propícia para estimular o confinamento.

entrevista

Veja bem, a demanda de ração para gado de corte brasileiro tem lá sua participação. Mas, por conta da atividade da pecuária brasileira ser notadamente extensiva, a indústria de nutrição animal acaba sofrendo menos, pois ela está mais voltada à tecnologia dos animais confinados e semiconfinados. Isso, considerando os núcleos, pré-mixes e concentrados que vão ser misturados aos volumosos.

Então, é possível que nesse segundo giro que estamos passando há algum tempo no confinamento, ele sofra um esfriamento de interesse e uma diminuição de ritmo. Levando-se em conta o ano de 2021, vai haver crescimento, mas bem menor do que se deu no primeiro semestre.

Então, o mercado começa a perceber sinais como a queda no preço da arroba por haver mais oferta do produto que o planejado.

O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022

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Portanto, de fato, esse episódio China acaba afetando razoavelmente a dinâmica da cadeia produtiva e uma reação em cadeia que retrocede e chega nos insumos que são utilizados, inclusive no produto mais tecnificado que a nutrição oferece à pecuária de corte, que são os núcleos, os concentrados, os aditivos.

43 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | O mercado de ração animal e as perspectivas para 2022


MICROMINERAIS

MODULAM A PRODUÇÃO, SAÚDE E REPRODUÇÃO DA VACA

MODERNA

microminerais

Rogerio Isler e Pedro Ferro - Gerentes de contas bovinos de leite e bovinos de corte da Zinpro risler@zinpro.com pferro@zinpro.com

M

icrominerais são componentes essenciais na nutrição dos rebanhos leiteiros. Embora há muito tempo se saiba disso, o tema não era tratado com a devida importância por muitos nutricionistas. Com o avanço da produtividade, os microminerais deixaram de ser um ajuste fino da dieta e passaram a ser acompanhados como elementos fundamentais para garantir saúde, imunidade e o sucesso produtivo e reprodutivo dos animais.

44 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna


Essas definições são baseadas em estudos com animais em estado fisiológico normal, livre de doenças, em boas condições ambientais, com mínimo de estresse e com um nível mínimo de ingestão de antagonistas. Qualquer variação nessas condições interfere na necessidade mineral dos animais.

Qualquer fator causador de estresse pode comprometer a integridade do tecido epitelial, que é a primeira barreira de defesa do organismo. O aumento da permeabilidade da barreira epitelial permite a infiltração de patógenos que provocam a estimulação do sistema imunológico. A resposta imunológica é a primeira reação do organismo na tentativa de combater o invasor, resolver o processo inflamatório e retornar à atividade normal do organismo, inclusive a produção. O sucesso da resposta imune depende da rápida comunicação entre as células do sistema de defesa do organismo.

Quanto mais rápido solucionar o problema menor será o gasto energético, menor prejuízo para o organismo e para a produção. Portanto, adequar o balanceamento de microminerais para a realidade de campo é uma das estratégias nutricionais para manter a integridade epitelial e a atividade imunológica para garantir saúde, produtividade e longevidade dos rebanhos leiteiros.

ZINCO (Zn) é um componente essencial em mais de 300 sistemas de enzimas. A ação metabólica desses sistemas inclui o metabolismo de carboidrato e da energia, síntese de proteína, metabolismo de ácidos nucléicos, integridade do tecido epitelial, reparo e divisão celular, manutenção e regeneração de epitélios, diferenciação e ativação de leucócitos e transporte e utilização de vitamina A. Além disso, tem um papel importante no sistema imune e de certos hormônios reprodutivos.

microminerais

O balanceamento da dieta com níveis adequados de microminerais é necessário para garantir o funcionamento de todos os processos bioquímicos que ocorrem no organismo animal. Os requerimentos para atender as necessidades dos animais, com exceção de cobalto e do selênio, são definidos pelo peso corporal para mantença, ganho de peso, dias de gestação, nível de produção de leite e coeficiente de absorção da fonte do mineral.

Respostas comuns a suplementação de zinco são maior produção de leite, melhor eficiência alimentar, redução da manqueira, a melhor integridade de epitélio dificulta a entrada de patógenos para dentro do organismo, junto com melhor resposta imune reduz o impacto das perdas em quadros de enfermidades, diminui CCS e mastite, e melhora reprodução.

45 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna


MANGANÊS (Mn) é essencial para a função cerebral normal e em sistemas enzimáticos, atua na formação de colágeno, no crescimento ósseo, na formação de uréia, na síntese de ácidos graxos e de colesterol e na digestão de proteína. Além disso, tem um papel importante na reprodução e pode aumentar a produção e a eficiência alimentar.

COBRE (Cu) tem a função de ativador e constituinte de enzimas como Superóxido Dismutase e Lisil Oxidase. Um componente chave do sistema imune.

microminerais

Ele está envolvido no desenvolvimento do tecido conjuntivo (fibras de colágeno e elastina) e no processo de queratinização, assim influencia na qualidade de casco e na redução de manqueira, também é importante para o bom funcionamento do sistema reprodutivo.

COBALTO (Co) é constituinte da vitamina B12, necessária para a conversão de propionato em glicose e para o metabolismo do ácido fólico. Melhor suplementação de cobalto ajuda na digestão de fibras, melhora o apetite e a produção de leite. SELÊNIO (Se) é essencial para síntese das selenoproteínas, em vacas leiteiras pode melhorar o estresse oxidativo e a capacidade imunológica no período de transição. A suplementação de selênio pode diminuir a CCS e mastite, reduzir retenção de placenta e metrite, melhorando a fertilidade e os índices reprodutivos.

CROMO (Cr) amplifica a sinalização da insulina para manter os receptores ativos e facilitar a entrada de glicose para dentro da célula. Animais consumindo cromo metionina responderam com maior consumo e menor mobilização de gordura pré e pós-parto, maior produção de leite, maior ganho de peso e melhor reprodução.

A maneira mais comum de suplementação dos microminerais têm sido na forma de sais inorgânicos, preferencialmente os sulfatos. No entanto, sais orgânicos de microminerais, como minerais complexados com aminoácidos, minimizam o risco de antagonismo e aumentam a eficiência de absorção. Porém, é importante destacar que existem enormes diferenças químicas entre as moléculas dos chamados minerais orgânicos disponíveis no mercado, por isso é importante buscar por produtos com respostas consistentes, comprovadas pela ciência.

As respostas comuns observadas à suplementação de minerais de performance Zinpro (Complexados mineral aminoácido), em vacas leiteiras incluem diminuição da contagem de células somáticas (CCS) (Kellogg et al., 2004; Rabiee et al., 2010), melhor desempenho reprodutivo (Nocek et al., 2006; DeFrain et al., 2009; Rabiee et al., 2010), diminuição da claudicação e melhora da saúde de casco (Nocek et al., 2000; Siciliano-Jones et al., 2008; Overton e Yasui, 2014), maior produção de leite (Rabiee et al., 2010; Osorio et al., 2016).

Também foi observado que a suplementação com zinco, manganês e cobre complexados a aminoácidos e cobalto glucoheptonato produzem alterações moderadas na glicose e ácidos graxos (Nayeri et al., 2014), efeitos benéficos sobre a função hepática, o estresse oxidativo e a inflamação (Osorio et al., 2016; Batistel et al., 2016; Batistel et al., 2017; Horts et al., 2019), podendo melhorar a saúde e reduzir o gasto de glicose, sobrando mais para produção de leite.

46 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna


Sistema imunológico

Desempenho reprodutivo

Vinte estudos com vacas leiteiras monstraram diminuição de 7,4% na CCS quando houve suplementação com Zn, Mn, Cu e Co. Essa resposta dobrou para uma redução de 15% quando a suplementação começou durante o período seco e continuou ao longo da lactação, demonstrando a necessidade de um programa de microminerais de qualidade superior durante o período seco. A ativação do sistema imunológico, indicada por alta CCS, reduz a produção de leite e o desempenho reprodutivo, porque os nutrientes que seriam usados para suprir esses requerimentos produtivos são desviados para o sistema imunológico.

A suplementação de vacas secas e em lactação melhorou o desempenho reprodutivo em animais que seriam prejudicados por um distúrbio de saúde na transição, tais como metrite, cetose, hipocalcemia, deslocamento de abomaso ou retenção de placenta. Zinco, manganês e cobre são nutrientes essenciais para a reparação do tecido epitelial, capacidade antioxidante e início do estro. Figura 2. Efeito de Zn, Mn, Cu e Co da Zinpro Performance Minerals® sobre o desempenho reprodutivo em vacas Holandesas 100 80 % Prenhas

60 40

75

20

50

0

25 7.4

0 -25 -50

zEfeito do tratamento, P ≤0,15

0 21 42 63 84 105 126 147 168 189 210 231 252 273 294 Dia pós-parto Inorgânico, sem distúrbio de saúde na transição

ZPM, sem distúrbio de saúde na transição

Inorgânico, distúrbio de saúde na transição

ZPM, distúrbio de saúde na transição

Integridade da pele e dos cascos Pesquisas demonstraram que a inclusão da proporção certa de microminerais em um premix fornecido para novilhas por 150 dias reduziu a dermatite digital em 65% em 16 instalações de novilhas, com uma taxa média inicial de prevalência de 34%. A redução da ocorrência de lesões M2 em novilhas durante a fase de criação diminui o risco de futuros surtos e melhora o desempenho reprodutivo e produtivo durante a primeira lactação. Figura 3. Efeito de fornecer Availa-Plus como parte de um premix de microminerais sobre a redução de dermatite digital Medida

Controle

DD Fórmula

Valor P

Lesão DD média, cm

1,7

1,1

0,08

Incidência de lesões M2, %

55

30

0,11

47 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna

microminerais

Resposta da contagem de células somáticas, % mudança

Figura 1. Efeito de Zn, Mn, Cu e Co da Zinpro Performance Minerals® na redução da contagem de células somáticas


Estresse térmico e integridade epitelial

Resposta à vacinação Um programa de vacinação bem-sucedido é um dos pilares da prevenção de doenças e da manutenção da saúde do rebanho. Uma condição inadequada de microminerais pode prejudicar a resposta à vacinação (títulos de anticorpos). Novilhas primíparas alimentadas com suplementação de zinco, manganês, cobre e cobalto demonstraram maiores títulos de anticorpos após a administração de uma vacina contra E.coli.

Animais em estresse térmico consomem menos alimentos. Entretanto, demonstrou-se que o fornecimento de complexo zinco aminoácido para bovinos sob condições de estresse térmico reduz o declínio na ingestão de matéria seca. Estresse metabólico, redistribuição do fluxo sanguíneo, ingestão de matéria seca prejudicada e inadequada suplementação de zinco podem alterar a morfologia e a integridade intestinal, o que reduz a absorção de nutrientes e inicia uma inflamação.

Figura 4. Efeito de Zn, Mn, Cu e Co da Zinpro Performance Minerals® sobre títulos de anticorpos após vacinação contra E. coli 25

Figura 6. Efeito de Availa-Zn sobre a manutenção da ingestão de matéria seca em bovinos sob condições de estresse térmicoZ

23.0 z

15

10 14.8 yz

10

8.0 y

5 0

Controle Sulfato Availa-4 yz Barras sem a mesma letra sobrescrita são diferentes, P = 0.05

0CZPF

microminerais

Produção de leite

Figura 5. Efeito do fornecimento de Zn, Mn, Cu e Co da Zinpro Performance Minerals® sobre a produção de leite corrigido para energia 4.5 3.0 1.5 0.0 - 1.5

Aumento médio de leite corrigido para energia: 0,9 kg/dia

- 4.5

Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna

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40CZPF

40CZHS

- 10 - 14.98 x

- 14.84 x

- 20

- 30

- 3.0

0CZHS

0

- 22.57 x

Vacas sadias são mais lucrativas. Ao manter a CCS sob controle, reduzir a manqueira e melhorar a reprodução, a produção de leite e a eficiência alimentar melhoram. De fato, um resumo de 20 estudos demonstrou um aumento de quase 1 kg/vaca/ dia na produção de leite corrigido para energia.

Resposta em leite corrigido para energia, kg/dia

CON 1.95 y

IMS, % de ingestão Fase1

pode

Título, x 10.000

20

- 23.05 x

xy Médias sem a mesma letra sobrescrita são diferentes, P < 0.01 z CON vs todos os outros tratamentos, P < 0.01; Efeito do dia, P < 0.01; 0CZ vs 40CZ efeito, P ≤ 0.04

Imagem 1. Morfologia intestinal de novilhos sob condições de estresse térmico, alimentados com zinco inorgânico ou Availa-Zn

Não sadios

Sadios

Morfologia intestinal: Altura e largura da vilosidade, e profundidade da cripta

A inclusão de zinco também ajuda a manter a integridade intestinal e pode reduzir a inflamação, como sugerido pela presença de vilosidades intestinais mais longas e delgadas. Da mesma forma, em vacas lactantes, o estresse calórico prejudica o epitélio da glândula mamária. O complexo zinco aminoácido, melhorou a saúde da glândula mamária, reduzindo o extravasamento de lactose para o plasma. Acreditamos em uma abordagem proativa à saúde e ao bemestar animal. A inclusão de microminerais complexados da Zinpro em dietas de vacas leiteiras fornece melhor nutrição como um todo para o seu rebanho. Essa melhor nutrição pode ajudar a reduzir a necessidade de antibióticos e a preparar melhor o sistema imunológico do animal para eventos estressantes e desafiadores.

48 nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Microminerais modulam a produção, saúde e reprodução da vaca moderna


MICOTOXINAS E MICOTOXICOSES EM SILAGENS E INSUMOS PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS - PARTE II silagem

Prof. Dr. Luiz Antonio Moura Keller Médico Veterinário, Professor Adjunto de Toxicologia Veterinária na Universidade Federal Fluminense (UFF)

Fungos e micotoxinas podem interferir negativamente no processo produtivo, causando perdas diretas e indiretas em diferentes segmentos das cadeias de produção. Atuando de maneira silenciosa, as micotoxinas podem afetar não apenas a saúde dos rebanhos, mas também afetar a viabilidade econômica da produção se forem negligenciadas. Manejo integrado e gestão são armas que o produtor pode estabelecer a fim de conhecer os pontos críticos diretamente na sua propriedade.

50 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


GESTÃO E PONTOS CRÍTICOS DE CONTROLE PARA OBTENÇÃO DE UMA BOA ENSILAGEM E CONTROLE DE MICOTOXINAS

Mas hoje a ciência tem avançado na tentativa de determinar níveis de micotoxinas que, se presentes na dieta dos animais, não causem prejuízo significativo. Essa determinação é

Sempre é perguntado: “Qual o nível

complexa, uma vez que vários fatores

seguro de ingestão de micotoxinas, para que não haja qualquer prejuízo aos meus animais?”.

estão envolvidos nos danos que as micotoxinas podem causar. Por isso, o controle integrado é a

Essa é a primeira pergunta que muitos

melhor arma para o produtor garantir

produtores fazem quando o assunto

minimização de efeitos deletérios e

micotoxinas é abordado. Sendo em uma

ocorrência de fungos e micotoxinas.

resposta direta a recomendação sempre é de ZERO, ou seja, não existem níveis aceitáveis que não causem prejuízos ao processo de desenvolvimento dos animais ou riscos à saúde pública.

Adoção de boas práticas de ensilamento certamente contribuirá para a prevenção da contaminação fúngica e diminuição da produção de micotoxinas, e ademais garantindo qualidade nutricional ao alimento conservado.

silagem

No entanto, essa afirmação é utópica e difícil de ser atingida, pois sabemos que estamos lidando com questões intrínsecas

Estas práticas são ações que vão desde

ao processo, mas muitos fatores

o campo, até o fornecimento da silagem

extrínsecos sem qualquer tipo de controle

para os animais, justamente tentando

ou potencial gestão.

cobrir todas as possibilidades de

Sendo o primeiro já difícil de controlar em sua totalidade, mas fatores

produção da toxina pelos fungos ao longo da cadeia de aproveitamento.

extrínsecos são muito complexos de monitorar, que dirá controlar.

Alguns fatores são importantes de serem controlados, estes destacam-se pela bibliografia como sendo os principais pontos críticos de controle a serem monitorados: a) A escolha de variedades ou híbridos adaptados à região e resistentes a contaminação de fungos; b) Controle de pragas e plantas invasoras; c) Aplicação de medidas de controle químico quando necessário como fungicidas e pesticidas; d) Garantir um bom desenvolvimento das plantas, a sanidade do cultivo garante um bom aproveitamento;

e) Ponto de colheita ideal para a cultura de interesse e ponto de corte ideal ao processamento do cultivar; f) Grau de compactação efetivo para garantir o processo de anaerobiose adequado; g) Cobertura e vedação apropriadas, com impermeabilização tanto nas porções inferiores como superiores do silo; h) Por último, a utilização de inoculante adequados que produza metabolitos que auxiliem no processo de estabilização do silo.

51 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


O teor de umidade no momento da ensilagem

Por final, ao processo de

merece destaque, pois, teores de umidade

monitoramento integrado, após

acima de 80% irão proporcionar condições

considerar pontos críticos relevantes

inadequadas ao processo de conservação.

que tem significativo impacto

Devido aos grandes teores de água à perda de compostos nitrogenados, açúcares solúveis, ácidos orgânicos e sais

econômico, a utilização de aditivos alimentares de origem biológica pode ser considerada.

minerais, gerando perdas de nutrientes

Estes produtos tem condição de

de forma geral, como também ocorrerá

garantir um incremento na qualidade

fermentações oriundas de microrganismos

do ensilado, além de oferecer

indesejáveis.

incremento produtivo na criação,

Lembrar que os teores de matéria seca recomendados ao bom andamento do processo de ensilamento são cerca de 25%

promover a sanidade dos animais e bem como oferecer uma alternativa sustentável e economicamente viável.

silagem

a 45%. Valores muito superiores a 40% irão

Muitos produtos ainda precisam de

desencadear problemas que vão desde

otimização, bem como adaptação nas

a compactação e perdas nutricionais,

condições de cada localidade onde

complementando com potencial ambiente

poderão ser aplicados, mas certamente a

para o crescimento fúngico (Keller et al., 2013).

utilização de inoculantes com potencial probiótico (leveduras e bactérias), bem como substâncias com potencial

A concentração de carboidratos solúveis na forragem utilizadas durante o processo de ensilamento merece destaque, pois, carboidratos solúveis são compostos por diversos tipos de carboidratos sendo essenciais no processo de confecção do silo.

Eles promovem condições de boa qualidade no processo de fermentação

prebiótico ou estabilizantes que não só irão garantir a qualidade do silo, como também favorecer o desenvolvimento de uma microbiota desejável são recomendados.

sendo utilizados como fonte de substrato por bactérias presentes no meio, convertendo esses carboidratos em ácidos orgânicos principalmente em ácido lático

promovendo a acidificação do meio e a conservação do material do ensilado.

52 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


Atualmente, os microrganismos mais amplamente utilizados em alimentos para

Fatores como:

animais de produção são as leveduras,

Polaridade

principalmente Saccharomyces cerevisiae

Solubilidade

e bactérias ácido láticas (BAL). Desta forma o desenvolvimento de produtos, para introdução de probióticos se torna promissor, principalmente por serem considerados organismos grau GRAS (Generally Recognized As Safe) garantem uma microbiota saudável, estável e com manutenção de suas atividades biológicas ao

Forma Tamanho Distribuição

determinam a especificidade em relação às micotoxinas.

Dissociação de carga dos adsorventes

longo do período de aproveitamento do silo.

APLICAÇÃO BIOTECNOLÓGICA NO CONTROLE E GERENCIAMENTO DE FUNGOS E MICOTOXINAS

Segundo a Portaria nº 13 de 24 de maio de 2006 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), foi

Métodos físicos e químicos tradicionais têm

“adsorvente de micotoxinas” pela

sido recomendados para a detoxificação de

denominação geral “Aditivos anti-

alimentos contaminados como a utilização de

micotoxinas (AAM)”, deixando bem

adsorventes ou probióticos com capacidades

claro que essa denominação incluía

adsorventes.

os produtos que, adicionados ao

silagem

sugerida a substituição do termo

alimento para animais, eram capazes Entre estes, o uso de adsorventes de micotoxinas como aditivos alimentares é uma das abordagens mais utilizadas

de adsorver, inativar, neutralizar ou biotransformar as micotoxinas.

e vêm sendo amplamente difundida como proposta para reduzir o risco de micotoxicoses em animais de produção e para minimizar a contaminação dos produtos de origem animal a partir dos alimentos. Os adsorventes, por se complexarem às micotoxinas, atuam de forma profilática no trato gastrintestinal. A eficiência de ligação às micotoxinas é dependente das propriedades moleculares dos adsorventes na sua interação com a molécula de toxina.

53 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


silagem

A maior parte dos AAM exerce dentro do animal um efeito de quimio-adsorção,

Sendo importantíssimo o

e devem ter capacidade para unir-se

acompanhamento técnico e

de uma forma eficaz às micotoxinas

acessoria durante este processo. A

e diminuir sua biodisponibilidade no

adição de produtos, sem critérios

trato gastrointestinal, dando lugar a

e falta de acompanhamento

compostos estáveis e irreversíveis que

técnico muitas vezes é a principal

posteriormente serão eliminados pelas

causa de insucesso.

fezes. Desta forma, a biodisponibilidade da micotoxina ficará reduzida, evitando os efeitos indesejáveis que esta produz. Para serem considerados AAM e entrarem

A parede celular da levedura Saccharomyces cerevisiae é um prebiótico que tem despertado um grande interesse devido ao seu potencial de utilização em rações.

no mercado, produtos novos devem passar por ensaios individuais in vitro e in vivo para assegurar a seguridade, capacidade e inocuidade do produto em relação à saúde animal (MAPA, 2006).

Os prebióticos são aditivos zootécnicos, equilibradores da microbiota ruminal e intestinal, que não são digeridos e que afetam de

Além disso, independentemente do produto

forma benéfica o hospedeiro, pois

e protocolo proposto, devem ser realizados

estimulam seletivamente o crescimento

testes e procedimentos para implantação e

e a atividade de uma ou mais bactérias

otimização deste tipo de produto na rotina da

benéficas do rúmen ao cólon.

propriedade.

54 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


A ação prebiótica é decorrente dos

Além disso, ações utilizando microrganismos

mananoligossacarídeos (MOS), derivados da

com potencial probiótico, que atuem

parede celular de leveduras Saccharomyces

não apenas na estabilização do silo, mas

cerevisiae. A parede celular da levedura

também de maneira efetiva na estimulação

é formada por glucanos e mananos, em

de microbiota do animal, bem como

proporções similares, e pode conter proteínas,

também com potencial efeito de adsorção e

enquanto a quitina está presente em pequena

biometabolização das micotoxinas se torna

quantidade (aproximadamente 1%).

uma ótima estratégia.

OS BENEFÍCIOS DOS MOS BASEIAM-SE NAS PROPRIEDADES ESPECÍFICAS, QUE INCLUEM

Tanto as BAL e leveduras, tem capacidade de reduzir a biodisponibilidade da toxina no trato gastrointestinal. Ambos os grupos de microrganismos têm sido utilizados há décadas como aditivos naturais na alimentação de humanos e animais de produção. Este tipo de suplementação tem gerado

silagem

modificação e estimulação de uma microbiota desejável

incremento nos parâmetros produtivos e na saúde dos animais. Na bovinocultura, principalmente no modelo brasileiro, onde a principal fonte alimentar em períodos do ano

redução da taxa de renovação da mucosa intestinal (turnover)

são alimentos conservados, garante não apenas medidas efetivas na conservação do alimento, mas também uma estimulação na saúde dos animais. Certamente existem muitos protocolos e mecanismos que podem ser explorados e desenvolvidos diretamente na propriedade de forma eficiente, principalmente no que diz respeito a bovinocultura de precisão e com

estimulação do sistema imune

foco na qualidade e produtividade. Assim, a aplicação de protocolos

Estas propriedades têm grande potencial para melhorar o desempenho e diminuir riscos da ação patogênica das micotoxinas.

biotecnológicos associados a modelos de gestão de micotoxinas têm sido as melhores armas e pricipalmente, trazendo resultados significativos.

55 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


CONCLUSÃO

Programas eficientes devem incluir, não apenas as medidas de prevenção de

Importante destacar alguns pontos que

ocorrência de micotoxinas, mas, também,

foram abordados, mas principalmente

o uso de métodos para minimização da

reforçar que não existem soluções

disponibilidade das toxinas ou mesmo sua

individuais e sem acompanhamento por

descontaminação.

parte da equipe técnica, conjuntamente com os colaboradores que atuam na propriedade.

Medidas de esclarecimento, treinamento e gestão são necessárias. A contaminação de alimentos, ensilagens e rações por micotoxinas é um fato relevante e representa um sério problema de saúde para humanos e animais,

Ponto importante é que os produtos e práticas de manejo serão adequados e otimizados a cada tipo de processamento do silo, matéria prima e produto final desejado. Assim sendo, não existe um protocolo generalizado para ser aplicado. Mas sim, é importante enfatizar a importância do acompanhamento técnico direcionado, com um controle contínuo.

silagem

além de se constituir em considerável obstáculo à economia de países em desenvolvimento onde a base agroexportadora é relevante para economia.

Um entendimento que a agroindústria de eficiência, principalmente focada na bovinocultura entende que o produto de qualidade é totalmente dependente

Demonstra-se que as condições adversas

de uma alimentação de qualidade

do silo não são satisfatórias para inibir o

ofertada aos animais, dando condições

desenvolvimento fúngico por completo ou

de expressar todo o seu potencial

mesmo o potencial produtivo de micotoxinas.

produtivo, associadas a práticas de manejo sustentáveis e modernas.

A gestão e reconhecimento da problemática das micotoxinas é um grande passo nos protocolos de controle das micotoxinas.

A implementação de programas

As referências serão disponibilizadas mediante solicitação Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II

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que permitam a adoção de medidas apropriadas para a prevenção e a redução problemáticas ocasionadas pelo desenvolvimento fúngico e potencial produção de micotoxinas é essencial quando se busca qualidade e eficiência na produção.

56 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Micotoxinas e Micotoxicoses em Silagens e Insumos para alimentação de bovinos - Parte II


BIOINSUMOS:

A

MELHOR APOSTA PARA UMA

PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

Bioinsumos

Por Letícia Soares, Coordenadora de P&D da Pancosma

O

conceito de sustentabilidade é crescente em todos os setores da economia, inclusive na produção de alimentos. As alterações climáticas, exploração de vegetação nativa e a disponibilidade de água potável são os fatores que motivam a forte propagação desse conceito.

Diante dessa nova realidade, surgiram diversas alternativas que possibilitam que a agricultura e pecuária, continuamente criticadas pela emissão de gases de efeito estufa como dióxido de carbono, óxido nitroso e metano, sejam atividades sustentáveis, ambientalmente equilibradas e rentáveis.

57 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Bioinsumos: a melhor aposta para uma produção sustentável


Os bioinsumos constituem hoje uma nova promessa tecnológica, trata-se de uma classe de produtos bastante ampla, derivados de agentes biológicos e extratos vegetais que oferecem soluções inovadoras e alternativas ao uso de antibióticos promotores de crescimento e outras substâncias químicas utilizadas na agropecuária.

Bioinsumos

A principal vantagem no uso de bioinsumos está na eficácia e especificidade de ação, são atóxicos aos animais, não geram nenhum tipo de resistência ou resíduo e atuam no problema sem interferir no meio ambiente.

Dependendo da forma de extração, uso de solventes ou processos como destilação e secagem há variação na concentração e padronização do extrato obtido, baseado nisso, são classificados como extratos secos, extratos fluidos, tinturas e oleoresinas. Dentre eles, podemos destacar as oleoresinas por terem maior padronização e concentração de princípio ativo. Muitas pesquisas têm sido desenvolvidas ao redor do mundo com foco em compostos fitogênicos como capsaicina, eugenol, carvacrol, timol, mentol, cinamaldeído, alina, alicina, curcumina, rosemary, rícino e anetol. A ação desses compostos no organismo animal é bastante variada e dependente de suas combinações e concentrações.

De maneira geral, aumentam a secreção enzimática, melhoram a digestão e absorção de nutrientes, provocam alterações morfohistológicas no trato gastrintestinal, crescimento e multiplicação de microbiota benéfica no intestino, estimulam a produção de muco intestinal, possuem efeito antioxidante e ainda podem estimular o consumo de ração devido a palatabilidade e suas características aromáticas.

Nesse sentido, a Pancosma que há décadas é reconhecida por seus aditivos naturais, cuidado com a integridade Embora bastante vantajosos, o ponto chave para o sucesso dos bioinsumos está em sua padronização e quando se trata de extratos vegetais é ainda mais importante, uma vez que seus compostos ativos são retirados de diferentes partes de uma planta, como caule, folhas, sementes e frutos, e de plantas cultivadas em diferentes regiões com variações climáticas, solo e adubação.

intestinal e bem-estar animal, se dedica em soluções inovadoras para a nutrição animal, através de seu compromisso com a sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento. Bioinsumos: a melhor aposta para uma produção sustentável

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58 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Bioinsumos: a melhor aposta para uma produção sustentável


NUTRIÇÃO EM MACROMINERAIS PARA PEIXES REDONDOS

macrominerais

Ludmila L. C. Menezes1, Igo G. Guimarães2 1 Doutoranda em Zootecnia, Universidade Federal de Goiás (PPGZ- UFG) 2 Professor do departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Jatai -Go (UFJ)

Os peixes redondos são um grupo de peixes nativos que agrupam:

O tambaqui tem se destacado na piscicultura nacional pois é a segunda espécie de peixe mais cultivada desde 2009 em razão de suas características de produção (Figura 1).

Tambaqui (Colossoma macropomum) Pirapitinga (Piaractus brachypomus) Pacu (Piaractus mesopotamicus)

Figura 1. Exemplar de tambaqui (Colossoma macropomum)

E seus híbridos (Tambacu, Tambatinga, Patinga e Paqui)

Tambaqui Brasil

Egunda espécie de peixe mais cultivada desde 2009

Devido às suas características de produção

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nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos


Apesar da importância dos peixes redondos na piscicultura nacional, pouco se sabe sobre a nutrição mineral dessas espécies. Grande parte dos estudos estão relacionados a utilização de alimentos alternativos e a determinação da exigência nutricional dos macronutrientes que mais impactam no custo das dietas (proteína, lipídeos e carboidratos). Assim, a indústria tem utilizado os níveis dos demais nutrientes essenciais de espécies exóticas (como a tilápia) como base para as formulações das rações.

Esta prática, no caso específico do tambaqui, tem gerado a suplementação desnecessária de pelo menos um mineral, o fósforo, aumentando o custo da dieta e a excreção de fósforo para o ecossistema aquático.

Figura 2. Exemplar de Pacu (Piaractus mesopotamicus)

Já o pacu é originário da bacia do Prata e conhecido popularmente como wpacu- caranha, caranha ou pacu Guaçu. O pacu é um dos peixes neotropicais mais estudados e tem estratégias de cultivo bem estabelecidas (Figura 3).

Os peixes são capazes de absorver grande parte dos minerais do meio aquático (Figura 4).

Rins

Intestino Figura 3. Exemplar de Pirapitinga (Piaractus brachypomus)

Ingestão

Urina Fezes

Brânquias

Figura 4. Mecanismo de aporte e excreção de minerais no organismo dos peixes. Os minerais essenciais podem ser obtidos através da ingestão de alimentos, onde são absorvidos no trato gastrintestinal e a porção indisgestivel é excretada nas fezes ou atrevés de absorção nas brânquias. O excesso de minerais é metabolizado nos rins e excretado via urina.

nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos

61

macrominerais

Assim como o tambaqui, a pirapitinga é nativa das bacias dos rios Orinoco e Amazonas, sendo popularmente conhecida como caranha vermelha. Apesar da pirapitinga ser uma espécie ainda pouco explorada nos sistemas piscícolas brasileiro, é uma espécie difundida em diversos países e em todo território nacional devido a seu bom desempenho e rendimento de filé (Figura 2).


Assim, a exigência nutricional desses minerais pode ser suprida pela absorção direta na água e/ou através de fontes alimentares (veja as principais fontes de minerais na Tabela 1), principalmente em sistemas de produção extensivo e semi-intensivo.

Já nos sistemas intensivos, as necessidades nutricionais são supridas exclusivamente via dieta. Assim, é necessário o conhecimento das exigências nutricionais em minerais específicas para o

Nutriente

Ingrediente prático

Fontes inorgânicas

Fósforo

Farinha de peixe, farinha de carne e ossos, e farinha de visceras

Fosfato bicálcico, fosfato potássico e ácido fosfórico

Cálcio

Farinha de peixe, farinha de carne e ossos, farinha de vísceras e glúten de trigo

Calcário e o fosfato bicálcico

Magnésio

Farinha de peixe, farinha de carne e ossos, farelos de arroz e trigo

Sódio e cloro

Farinha de peixe e farinha de carne e ossos

Potássio

Farelo de soja, algodão, amendoim e arroz

melhor desempenho e sanidade dos peixes.

macrominerais

Tabela 1. Principais fontes de macrominerais na dieta de peixes

MINERAIS Os minerais são elementos inorgânicos essenciais para que o organismo complete seu ciclo de vida.

Eles são classificados de acordo com suas necessidades orgânicas em macro e micro minerais. Os macros são exigidos em altas quantidades (g kg-1 ou % da dieta), enquanto os micros em pequenas quantidades (mg ou μg por kg da dieta).

Os macrominerais de importância nutricional para vertebrados são: Magnésio Fósforo Cálcio

Potássio

Aqui, nós iremos abordar especificamente sobre a nutrição em macrominerais para peixes redondos.

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nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos

Sódio


Entretanto, do ponto de vista prático, apenas P e Mg são suplementados com fontes específicas na formulação de rações para peixes.

Neoformação

Ossos

Reabsorção

Tecidos Moles

Enquanto Ca, P e Mg apresentam-se majoritariamente depositados no tecido ósseo, Na e K encontram-se nos fluídos corporais e tecidos moles.

Ingestão

Trato Digestivo

Sangue

Ossos Escamas

Fezes Os peixes utilizam outras estruturas além dos ossos para o aporte de minerais, como as brânquias e escamas.

Entretanto, as escamas apresentam mobilização mineral mais acelerada que nos ossos.

Urina

Figura 5. Utilização de fósforo em peixes redondo. O fluxo de fósforo está caracterizado pelas setas entre os compartimentos. Este processo incia-se com a ingestão do alimento e absorção do fósforo no trato digestivo. O P então entra na corrente sanguínea e é distribuido para os tecidos moles e estructuras mineralizadas. A fração metabolicamente é excretado na urina na forma solúvel. Nos ossos e escamas podem ocorrer a mobilização de menerais para serem utilizados em processos fisiológicos. Esse processo é continuo, e nos ossos é conhecido como Turnover ósseo. O fósforo é elemento essencial para uma variedade de processos biológicos. Sua principal função no organismo é a formação da estrutura óssea e demais estruturas mineralizadas.

FÓSFORO O fósforo é o mineral mais importante para peixes. Apesar dos peixes conseguirem absorver boa parte dos minerais do meio aquático, eles possuem baixa eficiência de absorção do fósforo na água por o P ser rapidamente adsorvido pelo ecossistema aquático.

Além disso, encontra-se distribuído em todas as células do organismo participando da estrutura celular e de processos metabólicos essenciais como a geração de energia (molécula de ATP) e modulação do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas.

Assim, sua exigência deve ser suprida pela dieta. De modo geral, a absorção de fósforo ocorre por transporte passivo no intestino onde é distribuído para os órgão e tecidos via corrente sanguínea após absorção (Figura 5).

nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos

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macrominerais

Entretanto, diferente dos animais terrestres que tem nos ossos o principal órgão para manutenção da homeostase do Ca, P e Mg


Em casos de deficiência de P, este elemento é utilizado para manutenção das atividades biológicas vitais. Assim, ossos e escamas são utilizados prioritariamente como principal fonte de P, Ca e Mg uma vez que as preferências metabólicas são para o crescimento e reprodução.

A principal consequência da deficiência de P para peixes redondos é a redução no crescimento (Figura 7) Acúmulo de gordura nas vísceras Em casos mais severos pode causar doenças e morte

Ou seja, dependendo da densidade óssea da espécie e da fase de vida, os peixes podem ser mais ou menos susceptíveis aos efeitos da deficiência desses macrominerais (principalmente do P).

Entretanto, estudos do nosso grupo têm indicado que o tambaqui e a pirapitinga podem ser capazes de utilizar o P de alimentos vegetais (P-fítico ou fitato) com eficiência. Enquanto o aproveitamento do P dos alimentos de origem animal e do fosfato bicálcico é bem mais baixa (Figura 8) quando comparado a outras espécies de peixes, como a tilápia.

0 10

-10

50

Farelo de soja Farinha de vísceras Farinha de peixe Fosfato de amônio Fosfato monocálcico Fosfato de potássio Fosfato bi cálcio

0

Fontes de fósforo

No entanto, estudos do nosso grupo têm indicado que em peixes redondos, como o tambaqui, que possuem número maior de estruturas mineralizadas no corpo (Figura 6), a exigência dietética em fósforo para mineralização óssea é menor do que a quantidade para manter o crescimento normal.

Figura 7. Exemplares de peixes alimentados com dietas suficientes (A) ou deficientes (B) em fósforo dietético durante 90 dias.

0

A exigência dietética em fósforo para diversas espécies de peixes costuma ser maior para mineralização dos ossos quando comparada ao crescimento.

-50

macrominerais

Estes fatores afetam diretamente a determinação da exigência em peixes, em especial os peixes redondos.

Digestibilidade aparente do fósforo (%)

Fonte: Adaptado de Araújo et al. (2016) Figura 6. Imagem tomográfica da estrutura óssea do tambaqui (Colossoma macropomum). A setas indicam as estruturas mineralizadas

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Figura 8. Digestibilidade aparente do fósforo em diversas fontes inorgânicas e orgânicas

nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos


Entretanto, ainda não sabemos dos efeitos a longo prazo desta prática. Por outro lado, o excesso do mineral também pode ser prejudicial uma vez que ele pode causar prejuízos econômicos ao sistema de produção e é o principal elemento responsável pela eutrofização do meio aquático. Em geral, os níveis de P nas dietas comerciais para peixes redondos estão em excesso. Isso ocorre devido a maioria das empresas que produzem rações para peixes redondos utilizar valores de P total na formulação e não considerar o quanto o P está disponível nos alimentos, muitas vezes pela falta de dados na literatura. Nesse sentindo, a utilização de rações baseadas em nutrientes digestíveis pode reduzir os custos de produção e mitigar possíveis impactos ambientais causados pela excreção de P nos efluentes, por mais que o custo possa ser um pouco maior.

CÁLCIO

Mantem a coagulação normal do sangue

Atua na ativação de várias enzimas

A principal função do cálcio, associado ao P, está relacionada ao processo de formação óssea e manutenção do esqueleto. Assim como nos vertebrados terrestres, os peixes mantêm uma proporção constante de Ca: P no osso, que varia entre 2:1 e 1,5:1 Nos peixes redondos, o Ca e P estão intimamente relacionados. Em juvenis de tambaqui e pirapitinga deficientes em fósforo dietético, ocorre diminuição da quantidade de Ca nas vertebras e escamas, além da redução na deposição de minerais nos ossos e no corpo (Tabela 2). Mineral

Concentração

Corpo todo Fósforo (g Kg -1)-1

50.53

Cálcio (g Kg )

62.50

-2 2

Magnésio (g Kg )

0.16

Relação Ca:P

1.23

-1

Vertebra Fósforo (g Kg -1)-1

173.27

Cálcio (g Kg )

208.33

-2 2

Magnésio (g Kg -1)

2.65

Manganês (mg Kg )

87

Relação Ca:P

1.21

-1

Escamas Fósforo (g Kg -1)-1

96.07

Cálcio (g Kg )

66.78

-2 2

Magnésio (g Kg )

3.53

Relação Ca:P

0.70

-1

Tabela 2. Composição mineral do corpo inteiro vertebras e escamas de juvenis tambaquis nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos

65

macrominerais

Assim, dietas formuladas exclusivamente com ingredientes vegetais sem a suplementação de P são capazes de manter o crescimento em peixes redondos, implicando apenas na maior deposição de gordura na carcaça.

Ele desempenha papel importante na contração muscular

O Ca participa de diversos processos fisiológicos nos peixes


Este processo pode estar relacionado a proporção de Ca:P na dieta já que uma dieta deficiente em P aumenta a mobilização de fosfato de cálcio dos ossos e escamas, sendo o P utilizado para manutenção das funções metabólicas e crescimento de tecidos, enquanto o Ca é excretado.

macrominerais

Assim, a manutenção da relação Ca:P entre 1:1 e 1,5:1 é fundamental para que o peixe possa expressar todo o potencial de crescimento. Os peixes têm grande capacidade de obter cálcio do meio aquático. Esta rota é particularmente utilizada em águas naturalmente mais duras, ou seja, com alta quantidade de cálcio no meio. Nesses casos, a preocupação com a suplementação de Ca na dieta é mínima. Entretanto, quando os níveis de cálcio na água são baixos a absorção no trato gastrintestinal é a principal rota de obtenção desse elemento. É importante destacar que, em sistemas de produção semi-intensivo a calagem é uma prática de manejo bastante utilizada, incorporando Ca ao ambiente aquático e suprindo as exigências em Ca para os peixes.

MAGNÉSIO O magnésio é encontrado principalmente nos ossos, onde compõe o tecido esquelético (Tabela 2) e atua em processos relacionados à mineralização do osso e na prevenção de anormalidades esqueléticas. Esse mineral é cofator essencial em reações enzimáticas no metabolismo intermediário, participa da osmorregulação e atua na transmissão neuromuscular.

Os peixes redondos obtêm magnésio por absorção do meio aquático ou através de fontes alimentares. é fundamental para que o peixe possa expressar todo o potencial de crescimento.

Entretanto, elevadas concentrações de magnésio na dieta podem diminuir sua eficiência de absorção intestinal.

Além de interferir negativamente na absorção de cálcio e fósforo.

No meio aquático as concentrações de magnésio estão ligadas ao cálcio, ou seja, depende da dureza da água. A recomendação para o cultivo de peixes nativos é que a água seja moderadamente dura.

Nesses casos, a quantidade de magnésio presente é capaz de estimular a produção primaria do viveiro e ainda suprir as necessidades dos peixes.

66

nutriNews Brasil 4to trimestre 2021 | Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos


Apesar de não haver estudos específicos em exigência deste mineral para peixes redondos na literatura, acreditamos que sua suplementação pode não ser necessária em dietas práticas, mas maiores estudos seriam necessários para confirmar esta recomendação.

SÓDIO, POTÁSSIO E CLORO Sódio, potássio e cloro são os eletrólitos mais importantes para os seres vivos. Sódio e cloreto são os principais cátions e ânions dos fluidos extracelulares, enquanto o potássio e magnésio são os principais cátions intracelulares. Assim, esses minerais têm ação fundamental no: Controle da pressão dos fluidos intra e extracelulares

O equilíbrio eletrolítico da dieta é moderado pela presença de cátions (Na, K, Ca e Mg) e aníons (Cl e P).

Quando esses elementos estão em baixa quantidade confere a dieta propriedades ácidas

Em alta quantidade confere propriedades alcalinas

Esses fatores podem influenciar o equilíbrio ácido-base dos peixes e seu desempenho, entretanto, não há estudos específicos para peixes redondos.

macrominerais

Na prática, as dietas convencionais utilizadas pela indústria de rações apresentam níveis mais que suficientes de Mg para atender a exigência dos peixes.

A dEB das dietas para peixes está em torno de 200-400 mEq/kg da dieta, sendo a dEB mais adequada para tilápia ao redor de 200 mEq/kg. Assim, devido a ausência de estudos, recomendamos a utilização dos valores para tilápia até que novos estudos indiquem o contrário. Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação

Equilíbrio ácido-base Funcionamento da bomba de sódio e potássio. Vale mencionar que, o balanço eletrolítico das dietas de peixes de água doce é importante para a osmorregulação.

Nutrição em Macrominerais para Peixes Redondos

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67


INSETOS NA NUTRIÇÃO ANIMAL: REGULAMENTAÇÃO E MERCADO

insetos

Diego Vicente da Costa Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), campus Montes Claros

resistência a doenças em diversas espécies de animais de produção.

aumentar a vida de prateleira de rações que contém farinha de inseto

68 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado

re d u z ir m ort

Os insetos podem conter compostos bioativos como o ácido láurico, peptídeos antimicrobianos e quitina que podem atuar como prebióticos, com capacidade de:

de nida imu

melhorador de resposta imune e da

me lho ra

ra

insetos possuem efeito prebiótico,

mod ula ra

Alguns estudos demonstram que os

nal intesti ota i b cro mi

ade alid

Mais que uma fonte de nutrientes


A quitina é o carboidrato mais comumente encontrado nos insetos. A capacidade dos animais monogástricos em digeri-la é uma questão debatida entre os pesquisadores. Relatos científicos indicam que a quitina ingerida pode promover melhorias: melhora da imunidade dos animais aumento de resistência a doenças melhora da saúde intestinal ainda que também possa diminuir a

Pesquisadores da UFLA e UFMG verificaram que tilápias cujas rações continham farinha de tenébrio apresentam melhora nos parâmetros imunológicos (Alves et al. 2021). Também foi relatada melhora nos parâmetros de imunidade de trutas alimentadas com larvas de mosca-soldado negra parcialmente desengordurada (Bruni et al., 2018). O estudo mostrou ainda: Aumento na incidência de microrganismos intestinais benéficos

digestibilidade da dieta de acordo com o nível de inclusão.

insetos

Inibição do crescimento de patógenos

Estimulação de resposta imune não-específica

Maior resistência às doenças

O mesmo estudo mostrou também que a substituição de até 50% da farinha de peixe pela farinha de inseto parcialmente desengordurada não alterou o rendimento de filé das trutas.

Estudos realizados com galinhas poedeiras e suínos também relataram efeito melhorador de microbiota intestinal e efeito antibiótico contra bactérias causadoras de doenças gastrointestinais (Devi et al., 2014; Borelli et al., 2017).

69 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado


Aspectos regulatórios sobre o uso de insetos na nutrição animal Na União Europeia, a liberação do uso de insetos na nutrição animal ocorreu em julho de 2017 e foram autorizadas sete espécies de insetos como alimento para peixes:

No Brasil, o uso de insetos na alimentação animal é permitido, com restrição apenas para uso na alimentação de ruminantes.

mosca doméstica (Musca domestica) mosca-soldado negra (Hermetia illucens)

A IN 110/2020 do MAPA, traz a lista

besouros (Tenebrio molitor e

ingredientes, aditivos e veículos para uso na

Alphitobius diaperinus)

alimentação animal, sendo que nessa lista,

grilos (Ancheta domesticus, Gryllodes sigillatus e Gryllus assimilis)

de matérias-primas aprovadas como

encontram-se as seguintes espécies e formas de insetos alimentícios:

insetos

barata cinérea (Nauphoeta cinerea) Muito recentemente, no dia 18 de agosto de 2021, foi publicado no Diário Oficial da União Europeia a autorização para o uso de insetos também na alimentação de aves e suínos. Uma grande notícia para o setor.

adulta desidratada farinha de crisálida farinha de crisálida desengordurada farinha de larvas de mosca soldado negra (Hermetia illucens) desidratada

Na América do Norte, é permitido o uso de insetos como alimento para peixes, aves e PETs. Não é o foco desta matéria, mas por mera questão de curiosidade, no início deste ano, a EFSA - Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, aprovou a larva do besouro tenébrio

grilo preto (Gryllus assimilis) adulto desidratado larvas desidratadas de tenébrio comum (Tenebrio molitor) larvas desidratadas de tenébrio gigante (Zophobas morio)

como o primeiro inseto seguro para o consumo humano na Europa. O grilo está neste momento sendo avaliado pela Agência e recebeu em julho/2021 o primeiro parecer favorável, sendo este um passo importante para sua aprovação legal.

70 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado


Panorama mercadológico Os recentes dados de mercado e as notícias cada vez mais comuns sobre investimentos milionários em empresas produtoras de insetos alimentícios provam o enorme potencial e o franco crescimento dessa

A Global Market Insights reportou um tamanho global de mercado de US$ 112 milhões para o ano de 2019, com crescimento anual estimado de 47% entre 2019 e 2026, chegando a mais de US$ 1,5 bilhão em 2026.

cadeia produtiva ao redor do mundo.

01 02

Aumento da demanda de alimentos

Descarte de resíduos sólidos orgânicos (que podem ser convertidos em biomassa de insetos)

Como consequência dos avanços técnicos e regulatórios sobre a produção e uso de insetos alimentícios ao redor do mundo, o número de empresas produtoras vêm crescendo exponencialmente.

Neste periódico, no mesmo ano de lançamento, foi publicado um artigo científico assinado por 47 pesquisadores, de 18 países em 5 diferentes continentes, endossando a importância da produção e uso de insetos como alimento para animais, o que é um claro sinal da relevância e globalidade do tema atualmente. Dentro desse cenário de franca expansão, o setor produtivo começou a organizar-se. Foram fundadas diversas associações de produtores em diferentes países, como exemplo, cito: Associação europeia (IPIFF) Norte americana (NACIA)

Conforme estudo de mercado publicado pela Arcluster, empresa singapurense de consultoria, os insetos alimentícios, do ponto de vista de crescimento, são o nicho de mercado mais promissor dentre as alternativas de alimento proteico, com a

Asiática (AFFIA) Australiana (IPAA) Africana (AAIS) Holandesa (VENIK)

previsão que atinja US$ 1,52 bilhão até 2023.

71 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado

insetos

Isso se deve basicamente a possibilidade de mitigar dois futuros problemas decorrentes do crescimento da população mundial:

Dada a crescente relevância do tema, não só do ponto de vista mercadológico, mas também científico, foi lançado em 2015 um periódico voltado exclusivamente para publicação de estudos científicos sobre produção e uso de insetos como alimento: Journal of Insect as Food and Feed (editora Wageningen Academic Publishers, Holanda).


Atualmente, a Associação europeia de produtores de insetos alimentícios (IPIFF International Platform of Insects for Food and Feed), possui 78 membros de 24 países, e juntos produziram mais de 6 mil toneladas de insetos alimentícios em 2019, com investimento de mais de 1 bilhão de euros em suas empresas.

No Brasil, está se trabalhando para a formalização da ASBRACIA (Associação Brasileira de Criadores de Insetos Alimentícios), que atualmente conta com mais de 30 membros.

insetos

Iniciativas empresariais Irei citar aqui apenas alguns

Ressalto que os sistemas produtivos de

empreendimentos de destaque mundial,

insetos alimentícios podem ser bastante

para que o leitor da Nutrinews tenha a

versáteis, variando do mais simples (onde

dimensão de como essas iniciativas têm se

estão a maioria das empresas brasileiras)

configurado em alguns países.

até os mais robustos, como constatados nos

Como exemplo de grandes empreendimentos, que captaram volumes consideráveis de investimentos, podemos citar as empresas: Ynsect (França) com investimentos na ordem de US$ 399 milhões, Agriprotein (África do Sul) com US$ 122 milhões investidos e a Protix (Holanda) com US$ 70 milhões.

Na ordem de US$ 5 a 15 milhões investidos poderiam ser citadas mais de uma dezena de empresas de insetos alimentícios pelo mundo.

exemplos mencionados. No Brasil, a produção de insetos para alimentação animal ainda é realizada em pequena escala, sendo a comercialização essencialmente varejista para aquaristas, além de outras criações PET, como pássaros e répteis. Os primeiros grandes projetos brasileiros de produção de insetos alimentícios já começaram a ser desenhados, ainda que não me seja possível ou permitido fornecer maiores detalhes agora.

Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado

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As referências serão disponibilizadas mediante solicitação

A expectativa é que o mercado brasileiro e latino-americano de insetos alimentícios esteja bastante aquecido nos próximos anos.

72 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Insetos na nutrição animal: regulamentação e mercado


ZEARALENONA, A MICOTOXINA QUE ATACA O CICLO REPRODUTIVO DE AVES, SUÍNOS, BOVINOS E PEIXES

Zearalenona

Tiago Birro -Gerente Regional de Produto para Micotoxinas - LATAM Biomin

Zearalenona (ZEA) está presente nos principais insumos agrícolas usados na cadeia de proteínas animais e provoca problemas reprodutivos em diferentes espécies.

73 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Zearalenona, a micotoxina que ataca o ciclo reprodutivo de aves, suínos, bovinos e peixes


“Devido à similaridade com o estrógeno, a ZEA adere-se ao seu receptor, causando hiperestrogenismo, com impacto negativo para o sistema reprodutivo e fertilidade em diferentes espécies de animais”, explica Tiago Birro

Zearalenona

O especialista ressalta que as micotoxinas, substâncias tóxicas produzidas por fungos, variam quanto à estrutura química e aos efeitos, tornando desafiadora sua identificação e controle.

A mais recente Pesquisa Global de Micotoxinas, realizada pela Biomin, mostra que mais de 90% das amostras coletadas contêm uma ou mais micotoxinas. Entre os destaques, está a micotoxina ZEA, presente em todos os tipos de commodities agrícolas do mundo, especialmente milho, trigo e soja.

“Quando falamos de micotoxinas, é preciso ficar claro que são mais de 500 variedades, cada qual com suas particularidades e modo de ação. É aí que mora o perigo: nem sempre as medidas preventivas e de tratamento são eficientes na gestão de riscos. Por isso, torna-se necessário implementar estratégias abrangentes com foco na eliminação do maior número possível de micotoxinas”.

Nesse cenário, é preciso ter muita atenção à presença e ação da ZEA.

74 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Zearalenona, a micotoxina que ataca o ciclo reprodutivo de aves, suínos, bovinos e peixes


A aquicultura também sente os impactos da contaminação por ZEA. Aqui sua ação apresenta consequências negativas para peixes e camarões, como redução da produtividade da cria e sobrevivência da prole, aumento da taxa de mutações e malformações, além de efeitos em gônadas e ovas.

“Na avicultura, o desafio da ZEA ocorre tanto para machos quanto para fêmeas. Para as fêmeas, é comum observar a presença de cistos no oviduto e inflamação no sistema reprodutivo, chegando a impactar a qualidade de cascas de ovos”.

O especialista da Biomin exemplifica: a ZEA causa a redução de, em média, 6% da produção de ovos, o que significa dizer que pode resultar em menos 34 ovos produzidos por ave.

Especificamente na suinocultura, Tiago Birro destaca que até leitões podem ser afetados pela contaminação por ZEA. “A exposição à substância em matrizes afeta a saúde dos recém-nascidos. Dessa forma, há porcentagem maior de leitões nascidos fracos e com sinais de hiperestrogenismo. Em machos, a ZEA resulta em “diminuição da qualidade do esperma e redução da libido “, complementa.

“A ZEA é conhecida por agir de forma simultânea e sinérgica com outras micotoxinas, o que aumenta os riscos para todos os animais. Ligantes convencionais, como argila ou produtos à base de levedura têm eficácia limitada apenas na mitigação dos seus impactos negativos. O avanço da tecnologia possibilita oferta no mercado de soluções específicas que controlam com rapidez e eficácia sua contaminação, auxiliando no sucesso da fase reprodutiva de animais de diferentes espécies“, conclui Tiago Birro.

Para o controle eficaz da ZEA, a solução mais efetiva é a biotransformação, sendo essa a forma científica mais avançada de combater as micotoxinas, pois envolve o uso de combinação única de enzimas específicas e componentes biológicos.

-6%

produção de ovos

Zearalenona, a micotoxina que ataca o ciclo reprodutivo de aves, suínos, bovinos e peixes

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Zearalenona

“Em bovinos, observamos que a degradação da ZEA no rúmen não resulta em detoxificação, mas sim no aumento do efeito estrogênico. Entre os sinais clínicos da sua ação estão aumento prematuro do úbere e falso cio, tornando muito mais difícil a inseminação artificial das vacas durante o verdadeiro cio. O resultado: o aumento do intervalo entre partos, causando importantes perdas econômicas na produção leiteira. Quanto mais as vacas demoram a emprenhar, maiores são as chances de ser descartadas do rebanho”, descreve Tiago Birro.


ENZIMAS EXÓGENAS EM ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS: O QUE SABEMOS ATÉ AGORA?

enzimas

Gabriel Faria Estivallet Pacheco Professor do curso de Zootecnia do Instituto Federal Farroupilha Campus Alegrete. Alegrete –RS, Brasil

O Brasil é um dos maiores produtores de grãos e de proteína de origem animal do mundo. O beneficiamento destes produtos para consumo humano gera consigo uma infinidade de coprodutos que podem ser incorporados nas formulações de alimentos para animais de companhia. Embora possuam valor nutricional e energético satisfatório para contribuir com os requerimentos nutricionais de cães e gatos, muitos destes coprodutos possuem fatores antinutricionais que interferem negativamente no aproveitamento dos nutrientes pelos animais. Assim, torna-se necessário o emprego de tecnologias capazes de reduzir estes efeitos e que possibilitem o melhor aproveitamento dos nutrientes pelos animais e a redução dos custos de produção. A eficiência do uso de enzimas exógenas em rações para aves e suínos já está bem consolidada. Entretanto, para animais de companhia os estudos ainda estão em fase inicial e os dados disponíveis na literatura são contraditórios.

76

O uso de enzimas exógenas em alimentos para animais de companhia tem sido proposto como alternativa para auxiliar na digestão dos nutrientes

Principalmente daqueles provenientes de coprodutos mais fibrosos ou ricos em fitato, como é o caso dos coprodutos de origem vegetal

E como ferramenta para aumentar a eficiência do processo produtivo de alimentos para animais de companhia.

nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Enzimas exógenas em alimentos para cães e gatos: o que sabemos até agora?


Assim, este artigo aborda as principais características, funções e modo de ação das enzimas exógenas com potencial de uso na alimentação de cães e gatos, bem como, fornece informações sobre os estudos mais recentes realizados com cães e gatos.

FUNÇÕES DAS ENZIMAS A estrutura molecular das enzimas é bastante frágil e para que possam ser utilizadas eficientemente em alimentos para animais de companhia é importante que elas resistam a adversidades como: Processo de extrusão Variações de pH no organismo Ação proteolítica do trato digestório

COMO AS ENZIMAS TRABALHAM? Em condições biológicas normais, as reações não catalisadas tendem a ser lentas e por este motivo, sem as enzimas, o processo de digestão dos alimentos, a contração muscular e tantos outros processos seriam biologicamente inviáveis (Nelson & Cox, 2006). As enzimas fornecem um ambiente específico dentro do qual uma reação pode ocorrer mais rapidamente, sem que as próprias enzimas sofram qualquer alteração no processo (Figura 1). A formação do complexo enzimasubstrato é fundamental para ação enzimática, tendo em vista que as enzimas são substrato dependentes. PRODUTOS FINAIS SUBSTRATO

SUBSTRATO/ENZIMA

Os principais benefícios atribuídos ao uso destas enzimas incluem:

Maior eficiência no uso dos nutrientes presentes nos ingredientes Desagregam os fatores antinutricionais e permitem aos animais de companhia utilizarem os nutrientes de forma mais eficiente Redução dos custos de produção Reduz o gasto com energia elétrica no processo de extrusão e aumenta a produtividade dos alimentos Contribui com a redução do impacto ambiental Ao melhorar a digestão e a absorção dos nutrientes, reduz o volume de fezes produzidas e, consequentemente, a excreção de fósforo e nitrogênio no ambiente

enzimas

Diversos tipos de processamento aos quais as matérias-primas são submetidas para sua produção

ENZIMA

ENZIMA

Figura1. Esquema da ação enzimática

Contribui para manutenção da saúde intestinal Ao melhorar a digestibilidade, menor será a quantidade de nutrientes disponíveis no intestino para os agentes patogênicos

Homogeneização das matérias-primas Reduz a variação da composição nutricional dos ingredientes

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As enzimas comerciais produzidas e usadas na alimentação animal, geralmente, são procedentes de bactérias do gênero Bacillus sp. ou fungos do gênero Aspergillus sp. ou Trichoderma sp. (Fireman & Fireman, 1998; Yin et al., 2001).

ESTUDOS COM ENZIMAS EXÓGENAS EM CÃES E GATOS

CARBOIDRASES

Embora a suplementação com enzimas exógenas em alimentos para animais de produção, especialmente aves e suínos, seja uma prática rotineira e visa auxiliar os processos digestivos. Em cães e gatos, os estudos com enzimas estão em fase inicial.

enzimas

A variabilidade das metodologias empregadas para avaliar seus efeitos sobre a disponibilidade dos nutrientes tem dificultado a comparação dos resultados.

Atuam sobre as estruturas complexas dos carboidratos, transformando-as em açúcares simples. Esta classe de enzimas é dividida em dois grupos principais: Aquelas que hidrolisam polissacarídeos não amiláceos (xilanases e ß-glucanase) Aquelas que atuam sobre o amido (amilase)

As principais enzimas estudadas para animais de companhia são aquelas que atuam sobre as fibras, as proteínas, o amido e o fitato.

FITASES São enzimas que hidrolisam moléculas de ácido fítico existentes em muitos ingredientes derivados de plantas. O ácido fítico se liga a minerais, açúcares e proteínas formando complexos indigestíveis para cães e gatos. A quebra da molécula de ácido fítico libera, além do fósforo, as moléculas ligadas a ele e disponibiliza estes nutrientes para absorção intestinal

PROTEASES São enzimas utilizadas para digerir proteínas armazenadas em diversas plantas e grãos. Atuam também sobre os inibidores de tripsina e sobre a lectina. As proteases também podem ser incluídas no processamento de ingredientes para clivar estruturas de difícil digestão, como as queratinas presentes nas penas de frango

Félix et al. (2012) avaliaram o efeito da inclusão do farelo de soja sobre a digestibilidade dos nutrientes e da energia bruta (EB), bem como no conteúdo de energia metabolizável (EM), em dietas para cães suplementadas ou não com uma mistura de enzimas exógenas contendo α-galactosidase, ß-glucanase e xilanase. Os autores observaram maior digestibilidade da matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB), EB e conteúdo de EM nos alimentos contendo farelo de soja suplementados com 2 g/kg da mistura de enzimas.

78

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Twomey et al. (2003a) investigaram o efeito da inclusão da enzima inulinase em dietas à base de cevada, trigo e coprodutos do trigo para cães adultos contendo 0, 30 e 60% de fruto-oligossacarídeo (FOS) comercial (10,4 FOS/kg) Em contraste, Carciofi et al. (2012) realizaram dois experimentos avaliando o efeito da adição de α-amilase estável ao calor em dietas para cães adultos. Em ambos estudos não foram observadas melhoria na digestibilidade dos nutrientes, no conteúdo de MS das fezes e na palatabilidade dos alimentos para cães com a inclusão da enzima. Entretanto, verificaram menor gasto de energia elétrica e maior produtividade dos extrusados (Tabela 1).

No estudo, a enzima atenuou a capacidade fermentativa do FOS, aumentou o pH fecal, reduziu a concentração de lactato nas fezes e consecutivamente melhorou a qualidade fecal. A redução da produção de lactato, provavelmente, foi reflexo da modificação estrutural dos substratos disponíveis para fermentação

enzimas

O benefício no processamento foi atribuído ao efeito da α-amilase que hidrolisou a amilose presente na dieta e evitou a maior absorção de água, inchaço e fricção da massa com a extrusora, permitindo que a mesma se tornasse mais fluida e menos resistente ao fluxo no canhão de extrusão.

Este efeito foi atribuído à clivagem das moléculas de FOS pela inulinase em pequenas moléculas de oligos sacarídeos que entraram no intestino grosso. Entretanto, a enzima teve efeito limitado na digestibilidade dos nutrientes, melhorando apenas o CDA da PB da dieta

Tabela 1. Parâmetros de extrusão e características do kibble das dietas experimentais com ou sem adição de amilase Experimento 1 - Dieta T

Item Alimentação da extrusora (Hz)

Experimento 2 - Dieta F

Sem enzima (n=4)

Com enzima (n=4)

P

Sem enzima (n=4)

Com enzima (n=4)

P

15,7

21,9

<0,001

24,6

51,8

<0,001

Amperagem do motor (A)

39,6

39,7

0,836

16,6

20,1

<0,001

Velocidade da rosca (Hz)

42,2

41,1

0,002

51,8

57,1

<0,001

Produtividade (kg de MS/h)

84,1

108

<0,001

97,5

139,9

<0,001

Gasto energético (kW/h)

15,2

12,7

<0,001

5,5

5,7

0,165

Custo de eletricidade (US$/100 kg de MS)*

1,8

1,4

0,001

0,7

0,5

0,013

Densidade do Kibble (g/L)

404

410

0,186

340

342

0,874

Grau de gelatinização do amido (%)

91,0

88,5

-

92,3

98,5

-

Dieta T = 120 KNU/kg α-amilase produzida a partir do Bacillus licheniformis; Dieta F = 3684 KNU/kg α-amilase produzida a partir do Aspergillus oryzae * Considerando US$ 0,119 for kW/h Fonte: Adaptado de Carciofi et al. (2012). nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Enzimas exógenas em alimentos para cães e gatos: o que sabemos até agora?

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Gonzáles-Sanchez et al. (2007) reportaram que a adição de fitase reduziu a digestibilidade da MS, fibra detergente neutro (FDN) e EB das dietas à base de flocos de milho e farelo de soja para gatos. Os autores relataram que o aumento na taxa de passagem do bolo alimentar no trato intestinal, causado pelo elevado teor de fibra da dieta, pode ter diminuído as chances de as enzimas atuarem sobre a digesta.

Twomey et al. (2003b) avaliaram o efeito da suplementação de um blend de enzimas contendo xilanase, ß-glucanase e amilase em dietas para cães contendo trigo e cevada como fontes de polissacarídeos não amiláceos (PNA) solúveis e constataram que a adição do blend foi capaz de melhorar o coeficiente de digestibilidade aparente (CDA) do amido, MS, gordura, EB e características fecais.

Por outro lado, Hernández-Anaya et al. (2006), usando fitase em dietas contendo 15,5% de canola para cães verificaram melhoras nos CDA de MS, MO, FDN e EB em todos os níveis de fitase avaliados, sendo as maiores médias observadas para o nível mais elevado.

Isso permitiu a maior inclusão de ingredientes que continham índices maiores de PNA nas dietas, sem, contudo, causar efeitos antinutricionais significativos. O mesmo não foi observado em estudos com farelo de trigo; farelo de soja; farelo de arroz (Sá et al., 2013; Tortola et al., 2013; Pacheco et al., 2014).

enzimas

A incorporação de enzimas em ingrediente único antes da mistura para produção de alimentos para o animal também tem sido investigada. Pacheco et al. (2016) avaliaram a adição de lipase e protease, associadas com redução da temperatura e pressão, no digestor para produção de farinha de penas hidrolisada (FPH). Os autores observaram aumento de 600 kcal de ED/kg de MS a partir das penas em comparação a farinha sem adição das enzimas (Figura 2).

NESTES ESTUDOS, A INCLUSÃO DE UMA MISTURA DE ENZIMAS CONTENDO

Xylanase

Celulase

Glucoamylase Phytase

Não foi suficiente para reduzir os efeitos negativos dos PNAs.

80

Energia digestivel total consumida, kcal

β-glucanase y= 3.830,0x + 3.663,11 R2 = 0,91

4.200 3.900

y= 3.241,7x + 3.663,11 R2 = 0,87

3.600 3.300

0

20 40 60 80 100 120 140 160 Farinha de pena hidrolisada total consumida, g Sem enzima Com enzima

Figura 2. Energia digestível total das farinhas de penas hidrolisadas consumidas por cães Adaptado de Pacheco et al. (2016).

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De modo geral, podemos observar que a suplementação de enzimas exógenas nos alimentos para animais de companhia não apresenta efeitos marcantes sobre a digestibilidade e aproveitamento dos nutrientes pelos animais, exceto por alguns estudos que apresentaram efeito positivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento de tecnologias que possibilitem a elaboração de alimentos mais eficientes, com custo reduzido, maior produtividade e com nutrientes mais disponíveis para animais de companhia é ponto chave para sustentabilidade e desenvolvimento do setor.

enzimas

Entretanto, podem ser uma alternativa para melhorar a qualidade individual de ingredientes e para auxiliar na redução de custos de produção, muito embora, mais estudos sejam necessários para indicar os melhores níveis de inclusão.

Assim, a utilização de enzimas exógenas em alimentos para cães e gatos pode se tornar uma ferramenta interessante, caso as enzimas resistam as temperaturas aplicadas durante o processo produtivo de alimentos para cães e gatos, bem como, resistam a variabilidade de pH no trato gastrointestinal destas espécies. Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação

Enzimas exógenas em alimentos para cães e gatos: o que sabemos até agora?

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SUPLEMENTAÇÃO COM ARGININA PARA FÊMEAS SUÍNAS EM GESTAÇÃO: PARTE I Lívia Maria dos Reis Barbosa¹, Dante Teixeira Valente Júnior², Karine Assis Costa³, Gustavo de Amorim Rodrigues², Caroline Brito da Silva⁴, Maykelly Da Silva Gomes² Professora do curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) ²Doutorando do Programa de Pós-graduação em Zootecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV) ³Pós- doutoranda do Instituto de Zootecnia - Sertãozinho (SP) 4 Estudante de graduação em Zootecnia – UFV

aminoácidos

1

A

mortalidade pré-natal é um grande desafio ao desempenho reprodutivo de porcas hiperprolíficas, sendo este o maior problema reprodutivo dos mamíferos, incluindo humanos (Li et al., 2014). (Kridli et al., 2016, Langendijk et al., 2016).

taxa de ovulação

déficit de vascularização na interface materno-fetal

As perdas embrionárias e fetais acontecem devido a fatores complexos tais como:

eficiência placentária genética

assincronia do desenvolvimento embrionário e fetal

comunicação inapropriada entre os conceptos e a mãe

capacidade físico/ nutrição fisiológica do útero

82 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I


Além da mortalidade pré-natal, determinante no tamanho da leitegada, outros fatores como o peso ao nascimento do leitão e a uniformidade da leitegada são características de interesse econômico importantes.

MECANISMOS DA ATUAÇÃO DA SUPLEMENTAÇÃO COM L- ARGININA NA RAÇÃO DE FÊMEAS SUÍNAS GESTANTES Dentre os aminoácidos utilizados como nutriente funcional, a arginina se destaca por:

Ademais, a hiperprolificidade tem sido associada ao crescimento intrauterino retardado (CIUR) em leitões. Quando a leitegada aumenta, o fluxo sanguíneo placentário também aumenta, contudo, em menor escala que o número de fetos, resultando em menor fluxo sanguíneo por feto e, portanto, menor suprimento de nutrientes e oxigênio (Père & Etienne, 2000). A nutrição materna é o principal fator que afeta a sobrevivência, crescimento e desenvolvimento de embriões e fetos (Wu et al., 2006). Neste sentido, o uso de aminoácidos como nutriente funcional durante a gestação vem sendo largamente estudado devido à participação destes em vias metabólicas relacionadas às funções reprodutivas dos animais (Palencia et al., 2018).

ser precursor biológico de moléculas ativas como poliaminas (putrescina, espermina e espermidina) e óxido nítrico (NO) que favorecem a sobrevivência, o desenvolvimento e crescimento de embriões e fetos (Wu et al., 2013)

através da promoção da proliferação celular e migração, angiogênese e dilatação de veias para aumento do fluxo sanguíneo (Wu et al.,2013; Krogh et al., 2017).

Considerando que o aporte de nutrientes para o útero ou para o feto é determinado tanto pela taxa de fluxo sanguíneo quanto pelas concentrações de nutrientes no sangue arterial e venoso (Wu et al, 2013; Wu et al., 2018), o desenvolvimento da vascularização do endométrio e da placenta são importantes na sobrevivência, crescimento e desenvolvimento do concepto (Bidarimath & Tayade, 2017).

83 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I

aminoácidos

além da sua participação na síntese proteica no tecido muscular


As taxas de fluxo sanguíneo utero-placentária são altamente influenciadas pela disponibilidade de NO e de poliaminas (Reynolds et al. 2006; Khalil et al., 2015; Hussain et al., 2017). O NO e as poliaminas estimulam a proliferação e migração de células, remodelamento celular, angiogênese e a dilatação de vasos sanguíneos (Wu et al., 2006; Hsu &Tain, 2019). A suplementação com arginina também pode reduzir a apoptose celular (Tan et al., 2010).

Síntese proteica através de estímulo a mTOR

Redução dos níveis sanguíneos de ureia e amônia Estresse oxidativo

aminoácidos

Número de natimortos

Além do exposto, a suplementação com arginina para fêmeas suínas gestantes pode influenciar diversas funções no organismo, como:

Aumento do peso da placenta

Níveis séricos NO, de prolina, ornitina e arginina, do hormônio de crescimento, prolactina e lactogênio placentário Melhora da uniformidade de leitegada

(Zeng et al., 2008; Li et al., 2015 e 2014; Liang et al., 2018; Mateo et al., 2007; Liu et al., 2012; Gao et al., 2012; Che et al., 2013; Guo et al., 2016; Alba-Roth et al.,1988; Chew et al., 1984; Kong et al., 2012; Quesnel et al., 2014)

Estudos têm evidenciado melhora no desempenho reprodutivo de fêmeas suínas suplementadas com arginina principalmente no início da gestação (Wu et al., 2017), já que as maiores perdas embrionárias acontecem nesse período. De fato, a formação da vascularização placentária se inicia logo após a implantação embrionária (Reynolds et al., 2006) com peso da placenta chegando ao platô, em média, aos 70 dias de gestação (Knight et al. 1977; Wu et al., 2005).

Considerando as variadas funções que a arginina e seus metabólitos (ornitina, poliaminas, prolina, glutamina, creatina e o NO) podem desempenhar na modulação do ambiente intrauterino (Figura 1), a suplementação com arginina para a fêmea suína gestante pode causar alterações epigenéticas com efeitos na anatomia, fisiologia e no metabolismo dos embriões e fetos (Kwon & Kim, 2017; Garcia et al., 2020).

Porém o fluxo sanguíneo e a vascularização continuam a aumentar durante o terço final de gestação (Reynolds et al., 2006; Wu et al., 2013), assim sendo, a suplementação com arginina também pode ser benéfica nesse período (Quesnel et al., 2014).

84 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I


As alterações epigenéticas podem afetar o desempenho do animal através da programação fetal. Os mecanismos relacionados a esses benefícios são complexos e interligados.

De forma breve, a programação fetal pode ser entendida como o resultado de mudanças específicas durante o desenvolvimento intrauterino que altera quantitativa e/ou qualitativamente a trajetória de desenvolvimento com resultados que perduram por toda vida do indivíduo. Nesse contexto, o abrangente estudo da influência dos nutrientes em todo o genoma é chamado nutrigenômica.

Em estudo de Zeng et al. (2008), a suplementação com 1,3% de L-arginina HCl na ração de ratos resultou em aumento do número de fetos e no aumento da expressão da enzima óxido nítrico sintetase induzível (iNOS) e endotelial (eNOS) nos sítios de implantação, evidenciando o efeito benéfico do NO na sobrevivência embrionária. De fato, a suplementação com arginina no terço inicial de gestação promoveu aumento da produção sistêmica de NO, indicada pela elevação de seus produtos finais estáveis (nitrito e nitrato) no plasma de matrizes suínas gestantes quando suplementadas com 1,3% de arginina (Li et al., 2015),

aminoácidos

do número de vasos e do peso da placenta em 21 e 34% quando suplementadas com, respectivamente, 0,4 e 0,8% de arginina (Li et al., 2014).

L-ARGININA Produçao de óxido nítrico e poliaminas Aumento da vascularização na interface materno-fetal e estímulo a proliferação celular

Estresse oxidativo

Produçao de hormônios anabólicos e fatores de crescimento Aumento da hiperplasia e hipertrofia muscular nos fetos Redução da apoptose celular Modificação da composição do colostro (ex.: aumento da concentração de IgG e de IGF-1) e aumento da produção de leite

Melhor desenvolvimento muscular do feto e da glândula mamária. Menor desgaste corporal da porca

Maior número de leitões nascidos, maior peso ao nascimento e maior uniformidade de leitegada

Redução da produção de espécies reativas de oxigênio e aumento da capacidade antioxidante das porcas Aumento da vida reprodutiva de fêmea suína

Menor mortalidade pré-desmame Melhor desempenho pós-natal

Figura 1 - Influência da suplementação com L-arginina na ração de fêmeas suínas gestantes.

85 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I


Os principais genes que modulam os processos de vasculogênese e angiogênese na placenta e que podem ser afetados pela suplementação com arginina incluem: fator de crescimento placentário 1 (PGF1); famílias de proteínas do fator de crescimento endotelial (VEGF); angiopoietinas (ANGT1, ANGT2); fator de crescimento fibroblástico 2 (FGF2), assim como os seus respectivos receptores.

aminoácidos

(Reynolds et al., 2010)

A síntese de creatina a partir do guanidoacetato (produzido pela ação da enzima glicina-aminotransferase na arginina) ocorre através da transferência de um grupo metil do doador S-adenosilmetionina (SAM). A SAM também está envolvida no metabolismo da metionina como um doador de metil e seu uso para a síntese de creatina pode diminuir o pool de metil para a metilação do DNA (Robles et al., 2019).

A expressão do VEGF e o seu receptor (VEGFR2), o qual é regulado positivamente em resposta à expressão de VEGF, é vital para adequada angiogênese (Otrock et al., 2007).

O VEGF é considerado o mais potente estimulador da angiogênese Promovendo o aumento no número de vasos sanguíneos na interface placentaendométrio em suínos (Vonnahme & Ford., 2004) e em tecidos em desenvolvimento (Otrock et al., 2007).

Tem sido demonstrado que a expressão de alguns microRNAs podem afetar a angiogênese e vascularização (Hua et al. 2006; Poliseno et al., 2006; Anand et al., 2010) Causando o bloqueio da migração da célula endotelial, proliferação e angiogênese e ainda, regulando indiretamente a expressão da enzima eNOS (Poliseno et al. 2006).

O VEGF é um potente fator de sobrevivência endotelial também conhecido por induzir a vasodilatação pelo aumento de NO (Liu et al., 2012). Além das poliaminas e do NO, a arginina é precursora de ornitina, ureia e creatina. Através do catabolismo da creatina, a arginina pode atuar no metabolismo da metionina e afetar a metilação do DNA (Robles et al., 2019).

Liu et al. (2012) demonstraram que a suplementação com arginina afeta a expressão de microRNAs envolvidos nesses processos (miRNA-15b e miRNA-222), podendo controlar a expressão do VEGFA e da eNOS.

86 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I


A Figura 2 demonstra como ocorrem as alterações epigenéticas relacionadas a nutrientes ingeridos na dieta. A Marcas epigenéticas

B Compactação da cromatina

São moduladas pelos seguintes fatores: -Tecnologias -Nutrientes reprodutivas -Ambiente -Ambiente materno, etc -Patógenos AC

Me

P

Ub

Lisina ubiquitinação

P

Serina/treonina fosforilação

Me

Me

Lisina acetilação DNA metilação RNAs não codificantes

NUTRIENTE

gene inativo

AC

Ub

E1

P

CROMOSSOMO

Me

E2

E3

Genes transcricionalmente inativos, ricos em DNA metilado

AC

CROMATINA

gene ativo E1

E2

E3

Genes transcricionalmente ativos P

Ub

Ub

Ligação de microRNA a 3 UTR dos genes, pode reprimir a expressão gênica

AC

D Variadas modificações

fenotípicas -Aumento/redução da produtividade -Performance reprodutiva -Susceptibilidade/resistência a doenças -Taxas de crescimento -Etc.

Desregulação dos alvos DNMT

C Cromatina relaxada

Aparência dispersa e contém genes transcricionalmente ativos ricos em DNA não-metilado. Genes acessiveis aos fatores de transcrição e aos RNAs não codificantes Histonas geralmente hiperacetiladas

Epigenótipos

Figura 2 – Mecanismos das modificações epigenéticas através da modulação da dieta do animal. Fonte: Adaptado de Ibeagha-Awemu & Zhao (2015).

A

B

C

D

As marcas epigenéticas respondem a estímulos internos e ambientais (A) resultando em variados efeitos na conformação da cromatina e expressão gênica.

(B) Cromatina compactada: Provavelmente contém genes silenciados, DNA e histonas modificados. Alguns fatores nucleares como as DNA metiltransferases (DNMTs), proteínas do domínio de ligação metil-CpG (MBDs), histona metiltransferases (HMT, K9, H3), histonas acetilases (HDACs) e a metilação do DNA estão envolvidas no silenciamento da expressão gênica. No estado compacto, os genes são inacessíveis a fatores de transcrição e RNAs não codificantes (ncRNAs).

(C) Cromatina relaxada: Tem aparência dispersa e é rica em genes transcricionalmente ativos. Genes transcricionalmente ativos são ricos em DNA não-metilado. As histonas são geralmente hiperacetiladas. Histona metiltransferases (HMT, K4, H3) e acetiltransferases (HATs) estão associadas a promotores não metilados e atividade transcricional. Os genes são acessíveis a fatores de transcrição e ncRNAs.

(D) Podem resultar em diferentes fenótipos (Ibeagha-Awemu1 & Zhao, 2015).

87 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I

aminoácidos

MODIFICAÇOES NA HISTONA

Contém genes silenciados, DNA e histonas modificados. Os genes estão inacessíveis aos fatores de transcrição e aos RNAs não-codificantes


Em decorrência disso, o entendimento dos processos relacionados ao desenvolvimento fetal em animais de produção tem sido alvo de pesquisas recentes (Kong et al., 2012; Zhou et al, 2016; Muns et al., 2016; Zhu et al., 2018; Chen et al., 2018; Costa et al., 2019; Garcia et al., 2020). A partir desse conhecimento, torna-se possível a adoção de estratégias alimentares durante os diferentes estágios da gestação de fêmeas suínas com objetivos específicos.

aminoácidos

CONSIDERAÇÕES FINAIS Além do papel regulador na composição epigenética do indivíduo alimentado, os nutrientes, em determinada quantidade e qualidade, também podem afetar o desempenho da progênie.

Neste sentido, estratégias nutricionais, como a suplementação com arginina durante a gestação de fêmeas suínas, podem ser fator chave na melhoria da produtividade, principalmente em sistemas de produção com ciclo reprodutivo rápido e alto número de descendentes, como o de suínos (Murdoch et al., 2016).

Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I

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O estudo da nutrigenômica pode ser implementado na seleção de nutrientes e identificação de marcadores relacionados a modulação da expressão gênica e do DNA, objetivando melhorias em características desejáveis, como por exemplo, na saúde, reprodução e produtividade do animal, tanto em condições ambientais adequadas quanto em situações de desafio.

Embora vários estudos demonstrem que a suplementação com arginina na ração de fêmeas suínas gestantes melhora o seu desempenho reprodutivo, ainda permanece em grande parte elusivo os mecanismos subjacentes pelos quais esse fato acontece. Ademais, não há definição clara ou consenso de qual o melhor período ou períodos e doses de suplementação com esse aminoácido durante a gestação.

Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação

88 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte I


89

nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Tabela de Enzimas e Fitogênicos

ENZIMAS & FITOGÊNICOS 2021

TABELA

ENZIMAS & FITOGÊNICOS 2021

EDIÇÃO BRASIL


90

ATIVIDADE ENZIMÁTICA

Fitase

Xilanase

PRODUTO

Quantum Blue

Econase XT

nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Tabela de Enzimas e Fitogênicos

EMPRESA (FABRICANTE/DISTRIBUIDOR)

ENZIMAS & FITOGÊNICOS

Xilanase

Fitase

COMPOSIÇÃO

Endo-Xilanase

Fitase Bacteriana

DOSE

Aves, suinos, peixes

ESPÉCIE/S

Administrar diretamente na dieta dos animais, no misturador. Para dietas extrusadas usar aplicação líquida após processamento.

RECOMENDAÇÃO DE USO

2021


91

Complexo multienzimático concentrado, composto de xilanase, β-glucanase, celulase, arabinofuranosidase e 500 FTU de tase.

Complexo multienzimático concentrado termoestável, composto de xilanase, β-glucanase, celulase e arabinofuranosidase.

Complexo multienzimático concentrado, composto de xilanase, β-glucanase, celulase, arabinofuranosidase.

Endo-1,4-xilanase ≥ 25.000 UV/g Endo-1,3(4) β-glucanase ≥ 17.200 UV/g 6-fitase ≥ 10.000FTU/g Arabinofuranosidase ≥ 92.000 ABF/g Endo-1,4 β-glucanase (celulase) ≥ 2.400 unidades DNS/g Endo-1,4-xilanase ≥ 25.000 UV/g Endo-1,3(4) β-glucanase ≥ 17.200 UV/g Arabinofuranosidase ≥ 92.000 ABF/g Endo-1,4 β-glucanase (celulase) ≥ 2.400 unidades DNS/g Endo-1,4-xilanase ≥ 25.000 UV/g Endo-1,3(4) β-glucanase ≥ 17.200 UV/g Arabinofuranosidase ≥ 92.000 ABF/g Endo-1,4 β-glucanase (celulase) ≥ 2.400 unidades DNS/g

Rovabio Advance Phy

Rovabio Max Advance

Rovabio Advance TFlex

Rovabio Advance P

50g/ton

50g/ton

50g/ton

Complexo multienzimático concentrado termoestável, composto de xilanase, β-glucanase, 100g/ton celulase, arabinofuranosidase e 1.000 FTU de tase.

DOSE

Endo-1,4-xilanase ≥ 12.500 UV/g Endo-1,3(4) β-glucanase ≥ 8.600 UV/g 6-fitase ≥ 10.000FTU/g Arabinofuranosidase ≥ 46.000 ABF/g Endo-1,4 β-glucanase (celulase) ≥ 1.200 unidades DNS/g

COMPOSIÇÃO

ATIVIDADE ENZIMÁTICA

PRODUTO

nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Tabela de Enzimas e Fitogênicos

EMPRESA (FABRICANTE/DISTRIBUIDOR)

ENZIMAS & FITOGÊNICOS

Todas espécies animais

ESPÉCIE/S

Incorporação na ração

RECOMENDAÇÃO DE USO

2021


92

Allzyme Vegpro

Allzyme SSF

PRODUTO

Complexo multienzimático composto por protease e celulase

Complexo multienzimático composto por pectinase, protease, tase, betaglucanase, xilanase, celulase e amilase

Pectinase, Protease, Fitase, Betaglucanase, Xilanase, Celulase, Amilase

Protease e Celulase

COMPOSIÇÃO

ATIVIDADE ENZIMÁTICA

nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Tabela de Enzimas e Fitogênicos

EMPRESA (FABRICANTE/DISTRIBUIDOR)

ENZIMAS & FITOGÊNICOS

Verificar as recomendações por espécie.

DOSE

Aves, Suínos, Peixes e Camarões

ESPÉCIE/S

ALLZYME SSF é um aditivo multi-enzimático para alimentação animal que aumenta a digestibilidade do fosfóro e cálcio, além da disponibilidade de energia, aminóacidos e proteína das rações, auxiliando no desempenho dos animais, dimuição dos custos da ração, assim como a exibilidade da formulação da dieta.

RECOMENDAÇÃO DE USO

2021


93

Nexulin

Xtract Ruminantes

Linha XTRACT: 6930, Nature, Allium, Caps e Shield

PRODUTO

ATIVIDADE FITOGÊNICA COMPOSIÇÃO

É um aditivo alimentar inovador que incrementa a produção de leite através do melhor uso da energia, pela maior ingestão alimentar

Substâncias ativas microencapsuladas que melhoram o comportamento alimentar. O consumo distribuído de ração e máximo tempo no cocho reduzem o risco de acidose

Ingredientes ativos naturais

Fitogênicos microencapsulados: eugenol, cinamaldeído, oleoresina de capsicum

Combinações padronizadas de substâncias Fitogênicos ativas microencapsuladas que ocorrem microencapsulados: naturalmente em plantas aromáticas e carvacrol, cinamaldeído, especiarias. A ferramenta para promover oleoresina de capsicum, bem-estar de diversas espécies animais. eugenol, cúrcuma, tintura Soluções com alta lucratividade que de alho atendem as exigências dos modernos sistemas de produção animal

nutriNews Brasil 4º Trimestre 2021 | Tabela de Enzimas e Fitogênicos

EMPRESA (FABRICANTE/DISTRIBUIDOR)

ENZIMAS & FITOGÊNICOS

De 5 à 10 g/vaca/dia

De 0,18 à 1,2 g/animal/ dia

De 100 à 150 g/t de ração

DOSE

Vacas leiteiras

Ruminantes

Todas as espécies

ESPÉCIE/S

Vacas no pré-parto e na lactação

• Bovinos de corte em crescimento: 0,8 – 1,2 g/animal/dia • Bovinos de leite: 1 – 1,2g/animal/dia • Ovinos e Caprinos: Engorda: 0,1 – 0,2g/ animal/dia Lactação: 0,18 – 0,25g/ animal/dia

Consulte nossa equipe técnica

RECOMENDAÇÃO DE USO

2021


RESTRIÇÕES DE FORMULAÇÃO DE DIETA, ESTRATÉGIA E ADITIVIDADE DE ADITIVOS ALIMENTARES Rob ten Doeschate Diretor Técnico EMEA, AB Vista

Os princípios da formulação da dieta são simples e diretos:

aditivos

assumimos que sabemos exatamente quais são as necessidades nutricionais de um determinado grupo de animais,

sabemos os nutrientes que cada ingrediente potencial pode fornecer, assumimos que todos os nutrientes são aditivos e lineares,

sabemos o custo dos materiais,

aplicamos quaisquer restrições de produção e então combinamos todo esse conhecimento em nosso software de programação para que possamos obter a solução de menor custo para atender às necessidades nutricionais, dadas as matériasprimas disponíveis.

94 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares


E algumas das suposições são incorretas, especialmente quando olhamos para valores de matriz para aditivos: É improvável que estes sejam lineares nem que Com relação aos aditivos alimentares,

sejam aditivos. Por exemplo,

definidos como produtos de baixa

se olharmos para uma enzima

inclusão que têm um impacto na

como a fitase, a resposta da dose

disponibilidade de nutrientes da

é normalmente descrita como

dieta, há muitas oportunidades a

logarítmica, o que, na verdade,

serem confundidas ao aplicá-los em

significa que uma duplicação da

formulações de rações.

dose dará 30% a mais de liberação

A principal razão para isto é a confusão

de nutrientes.

sobre os valores matrizes, como melhor aplicá-las e como combinar os valores matrizes de diferentes tipos de

É possível lidar com isto no sistema

aditivos.

de formulação, seja através de

Este artigo tem o objetivo de

no software ou tendo diferentes

esclarecer algumas destas questões e

versões do mesmo material para

dar aos alimentos para que se possa

diferentes níveis de inclusão. Da

pensar nas melhores estratégias

mesma forma, os requisitos de

para a aplicação de aditivos em

nutrientes são normalmente

formulações de rações.

baseados em uma curva de dose-

aditivos

módulos enzimáticos específicos

resposta, com o valor alvo definido As enzimas são uma das principais

com base na situação econômica,

categorias de aditivos com valores

bem como na resposta biológica.

matriciais, mas várias outras categorias de produtos utilizam a mesma abordagem e, em princípio, devem ser consideradas em conjunto.

Isto significa que o fornecimento de mais nutrientes do que o esperado pode ter algum impacto positivo no desempenho, mas o fornecimento menor

O problema é que a maioria das frases “nós sabemos” do parágrafo anterior são realmente descritas com mais precisão como “nós achamos que sabemos”.

de nutrientes do que o esperado terá um impacto negativo relativamente maior.

95 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares


A aditividade significa, de fato, que não há interação entre nenhum dos ingredientes da formulação, porém isso é menos provável pois provavelmente terão algum tipo de interação. Isto pode ser tanto negativo (resultando em subaditividade) ou positivo (sinergia). No caso da maioria dos aditivos, é justo assumir algum nível de subaditividade, simplesmente porque cada aditivo subsequente tem menos oportunidades de melhorar a disponibilidade de nutrientes, já que a disponibilidade não pode ser melhor do que o 100%!

aditivos

Uma regra simples seria assumir que uma

Um exercício de formulação usando uma dieta de como exemplo, mostra bem os benefícios potenciais de usar (e combinar) valores matrizes minerais e completas de fitase recomendados em vários níveis de dosagem combinados com uma enzima NSP usando o conceito de 80% (Tabela 1).

combinação de dois aditivos que afetam

Pode -se ver que, enquanto a estratégia

o mesmo nutriente produziria 80% da

comum de apenas utilizar valores de liberação

liberação combinada de nutrientes,

de minerais para a fitase proporciona

que se baseia nas composições típicas

reduções de custos que valem a pena a partir

da dieta e nas respostas observadas,

do aumento da dose até 2000 FTU/kg,

em vez dos 100% esperados com total

benefícios de custo muito maiores resultam da

aditividade. Esta abordagem trata

consideração de todos os nutrientes utilizando

efetivamente da subaditividade esperada

a matriz completa.

dos aditivos, ao mesmo tempo em que ainda abre uma oportunidade substancial para economizar custos de dieta. Tabela 1 - Efeito do aumento do nível de fitase no custo da dieta.

o cust de matéria prima (£/t)

295 290 285 280 275 270 265 260 255 250

0

500

750

1000

1500

2000

Minerals

Full Matrix

Custo da matéria-prima (excluindo o custo das enzimas) ao aumentar a dose de fitase Quantum Blue na presença de Econase XT (xilanase) usando matriz somente mineral ou a matriz completa recomendada, ajustada para levar em conta a combinação com Econase XT.

96 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares


Embora não levar em conta os valores de matriz oferece uma maneira de melhorar o desempenho, desde que os nutrientes extras possam ser utilizados pelo animal, uma ressalva seria o fato de que podemos estar desequilibrando a dieta e, portanto, não extrair o custo-benefício ideal.

Reformular a dieta a fim de levar em conta a liberação esperada de nutrientes é a abordagem mais econômica, pois o equilíbrio de nutrientes seria mantido e as exigências de nutrientes seriam atendidas exatamente, desde que fossem atendidas na dieta original, é claro.

3 O nível do substrato é provavelmente o mais fácil de levar em consideração quando se trata de liberar fósforo do fitato, pois é fácil entender que não se pode liberar mais fósforo do que o nível de fósforo ligado ao fitato na dieta.

2 Em seguida, precisamos considerar se há espaço na dieta para aplicar os valores da matriz fornecida. Há vários fatores a considerar, tais como o nível de substrato na dieta, se é possível reduzir os níveis de nutrientes e se os valores esperados de liberação de nutrientes são realistas.

aditivos

1

4 É normal assumir que não mais do que 90% do fitato-P pode ser convertido em ‘P disponível’ (avP) - definido como equivalente ao P do MCP-, mesmo em altas doses de fitase de um produto que é capaz de encontrar e quebrar a maior parte do fitato até o último grupo de fosfato.

97 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares


Isto significa que para uma liberação de nutrientes de 0,24% de avP (como esperado de 2000 FTU/kg Quantum Blue) o nível de fitato-P na dieta deve estar acima de 0,267 %, o que é um valor realista para uma dieta típica de frango de corte do Reino Unido. Para os elementos não fósforos da matriz a situação é diferente, pois estes

Se há espaço para levar em conta os

dependem não da quantidade de fitato

valores esperados de liberação de

presente, mas da rapidez com que a

nutrientes depende, naturalmente, de

concentração de fitato pode ser reduzida

quaisquer restrições específicas que

e quão baixa ela pode ficar. Isto significa

sejam aplicadas, tais como o mínimo de

que os benefícios extra fosfóricos,

gordura para a qualidade do produto ou

traduzidos em valores de aminoácidos

quantidades mínimas de peso, etc.

e matriz energética, podem ser alcançados mesmo em dietas com menor

aditivos

concentração de fitato.

É sempre sensato verificar este tipo de cenário para evitar que as formulações “se incrementem” com ingredientes como calcário, resultados, assim em uma oportunidade de redesenhar dietas para otimizar o uso eficiente dos aditivos e dos valores de matriz. Em geral, o uso de valores de matriz apropriados deve

Um exemplo principal são as dietas

resultar em custos reduzidos de ração e

de leitões que normalmente estão

igual desempenho animal.

em torno de 0,15% de fitato-P, mas os benefícios do uso de altos níveis de fitase no desempenho têm sido mostrados repetidamente.

Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares

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98 nutriNews Brasil 4 o trimestre 2021 | Restrições de formulação de dieta, estratégia e aditividade de aditivos alimentares


“Treinando” o microbioma animal para o aproveitamento da fibra: uma nova perspectiva do modo de ação das enzimas degradantes de fibra

Enzimas degradadoras de fibra (PNAases) têm sido usadas comercialmente por mais de 30 anos. Historicamente, o foco principal sobre as PNAases estava em diminuir os efeitos anti-nutricionais da fibra, mas este vem mudando para os subprodutos da quebra da fibra.

“Nós sabemos que determinados produtos oriundos da quebra de PNA são benéficos e atuam na adaptação da microbiota intestinal, o que pode aumentar o aproveitamento da fibra e o desempenho”. Dr Gemma Gonzalez Ortiz, Gerente de Pesquisas, AB Vista

Quando as enzimas degradam a porção PNA, oligossacarídeos de cadeia curta são produzidos; estes são fermentados por bactérias no intestino, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta. Este efeito tem sido chamado de efeito prebiótico, e é considerado como um dos mecanismos de ação das PNAases, que pode ser muito

do que simplesmente melhorar a digestibilidade de fibra e a fermentação de oligossacarídeos produzidos. Quando suplementada via dieta por um longo período, a xilanase tem mostrado aumentar, efetivamente, a capacidade das bactérias do ceco em digerir fibra. Isto sugere que as xilanases causam um efeito de “treinamento” no microbioma cecal, resultando em mudanças adaptativas ao longo do tempo que aumenta a capacidade de degradar fibra (Figura 1). Isto significa que as PNAases estão fazendo muito mais do que se sabia – elas contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota mais benéfica e, com isso, melhoram a eficiência na absorção de nutrientes da dieta pelo animal hospedeiro.

Figura 1. Amostras de conteúdo cecal de aves alimentadas com dietas contendo ou não xilanase (Econase XT) foram usadas como inóculo em ensaio de fermentação para monitorar a produção de ácidos graxos voláteis (AGV). O inóculo cecal de aves pré-expostas à xilanase aumentou a produção de butirato em comparação com as aves do grupo controle. 19 17 15

Butirato mM

A busca crescente sobre como as carboidrases agem está abrindo uma nova perspectiva do seu papel nas estratégias nutricionais para melhorar o desempenho.

13 11 9 7 5 Controle Conteúdo cecal aves do controle

C+PNA de trigo Conteúdo cecal – aves com xilanase

“Precisamos olhar para as PNAases como ferramentas para acelerar a habilidade do microbioma intestinal em degradar fibra. Em vez de degradar quantitativamente a fibra da parede celular vegetal, estas enzimas estão, efetivamente, aumentando a capacidade intrínseca do animal em digerir fibras, o que tem implicações significativas na seleção de classes de enzimas PNAases e de dosagens”. Dr Mike Bedford, Diretor de Pesquisas, AB Vista

Para saber mais sobre a pesquisa citada neste artigo e outras pesquisas relacionadas, visite www.abvista.com ou entre em contato com o representante local da AB Vista.


aditivos fitogênicos

ESTRESSE TÉRMICO NA AVICULTURA: ALTERNATIVAS NATURAIS PARA MINIMIZAÇÃO DO PROBLEMA

A

s aves são animais homeotérmicos que mantêm a temperatura corporal ao longo

do ano; no entanto, os mecanismos termorreguladores são eficientes apenas em zonas termoneutras (faixa de temperatura ambiental dentro da qual a ave é capaz de manter sua temperatura corporal sem aumentar sua taxa metabólica basal).

100 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


A zona termoneutra para aves pode variar aproximadamente de 21 a 37°C, a depender de fatores como:

peso corporal

21º C

aditivos fitogênicos

quantidade de plumagem, forma e distribuição das penas pelo corpo

estado de desidratação

37º C

aclimatização

O calor no corpo das aves pode ser gerado em

Os mecanismos de perda de calor podem ser

função do próprio metabolismo (e.g. glicólise,

comportamentais como:

ciclo do ácido tricaboxílico, via das pentoses fosfato) e de atividade muscular. As concentrações de enzimas, vitaminas e hormônios, atividades

Abrir as asas para perda de calor por convecção,

físicas, consumo de oxigênio, temperatura e umidade do ambiente e os ciclos circadianos

Deitar-se para manter o peito em

também afetam a quantidade de produção de

contato com o chão, e assim aumentar

calor no corpo das aves.

a superfície de contato para perda de calor por condução,

Quando as aves se encontram acima da zona termoneutra, a depender da intensidade e duração da temperatura elevada, os animais buscam o aumento

Aumentar a frequência respiratória de forma ofegante com o bico aberto para perda de calor por evaporação, e

da dissipação de calor para manter a homeostase térmica.

Pode aumentar a ingestão de água.

101 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


A depender da severidade do estresse calórico, a ave recorre a mecanismos fisiológicos específicos, que pode levar ao aumento do pH e cortisol séricos, até interrupção de expressão gênica e gerar a presença de proteína de choque térmico.

Estima-se que uma ave pode perder

Um estudo avaliando os efeitos do aumento de 5°C na temperatura ambiente (dos 30 para os 35°C) sobre o consumo de ração e ganho de peso de aves, constatou redução em ambos os parâmetros em mais de 16%. Em outro estudo, a exposição ao estresse por calor por 50 minutos foi capaz de desencadear mudanças de resposta termorregulatória em frangos, tais como hipertermia.

cerca de 540 kcal de energia para cada 1 ml de água evaporada.

A depender do mecanismo adotado, a energia corporal é despendida para aditivos fitogênicos

realização de algumas dessas funções, e pode alterar a retenção de proteína e gordura corporal, o crescimento, o desenvolvimento e o desempenho desses animais podem ser prejudicados

De forma a amenizar parte desses problemas,

nessas condições de desconforto

a avicultura moderna adota o uso de

térmico, podendo levar a perdas

alguns equipamentos já bem explorados a

econômicas consideráveis na atividade

campo, como por exemplo, os ventiladores,

de criação.

aspersores, nebulizadores, atomizadores e exaustores, buscando adequar o ambiente para máxima eficiência produtiva no decorrer

Além disso, a depender do nível de

das fases de criação.

estresse calórico, também pode ocorrer o comprometimento do status imunológico do animal, facilitando o acometimento de infecções por agentes patogênicos, causar danos oxidativos e levar a imbalanço ácido-básico, tornando os animais mais susceptíveis a doenças.

Além desses equipamentos e de todo manejo para propiciar melhor ambiência aos animais, a suplementação de vitaminas, minerais, antioxidantes, betaína, e o emprego de outras tecnologias vem sendo explorada, como por exemplo, o uso de aditivos fitogênicos e suplementos herbais.

102 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


Os aditivos fitogênicos são comumente definidos como compostos vegetais secundários e seus metabólitos com efeitos benéficos sobre a saúde e a Determinadas classificações dos compostos O uso de aditivos fitogênicos é considerado mais recente comparado a outros aditivos alternativos como os prebióticos, probióticos e os ácidos orgânicos e, por consequência, os exatos modos de ação ainda não são completamente compreendidos.

fitogênicos destacam como os principais grupos aqueles que possuem: Taninos, Saponinas e Polifenóis.

Entre os compostos fitogênicos, os óleos

No que diz respeito aos polifenóis,

essenciais são os mais explorados, e

esses são substâncias caracterizadas

determinados óleos possuem algumas

por possuírem uma ou mais hidroxilas

propriedades de interesse para avicultura

ligadas a um ou mais anéis aromáticos,

por serem bactericidas, antifúngicos, anti-

e constituem de forma geral as

inflamatórios e antioxidantes.

principais substâncias bioativas da maioria dos extratos vegetais.

Apesar do desconhecimento dos exatos mecanismos de ação, alguns desses

Entre os polifenóis de destaque

efeitos são atribuídos a determinadas

presentes em aditivos fitogênicos

substâncias presentes em suas

comumente usados em produtos para

composições químicas, que ajudam

animais de produção, cabe destacar

a minimizar os efeitos deletérios

o anetol, capsaicina, carvacrol,

causados pelo estresse calórico.

curcumina, eugenol e timol.

103 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema

aditivos fitogênicos

produção animal.


Nesse contexto, o óleo essencial oriundo do eucalipto é rico em compostos bioativos como 1,8 cineol, que possui atividade antimicrobiana, e outros compostos como o alfa-felandreno, para-cimeno, gama-terpineno e espatulenol, que de modo sinérgico, propiciam benefícios ao organismo de animais submetidos a estresse térmico.

aditivos fitogênicos

Em um estudo em que foi avaliado um blend de óleos essenciais tendo como base o óleo essencial de Eucalyptus globulus, fornecido via água de bebida para frangos de corte submetidos a dois diferentes ambientes com temperaturas de 22 ou 36°C, maior ganho de peso e consumo de ração foi constatado para os animais em condição de estresse térmico recebendo o blend fitogênico, em comparação aos animais que foram alojados em ambiente com temperatura amena.

Tendo em vista que a principal forma de termólise endógena da ave é evaporação que ocorre via respiração ofegante, que por sua vez ocasiona aumento da frequência respiratória, as taxas de trocas gasosas podem ser afetadas negativamente, resultando em distúrbios metabólicos, como por exemplo a alcalose.

Quando a ave é submetida a um ambiente em que há o aumento da respiração ofegante, um mecanismo fisiológico adotado pelo organismo

Além disso o blend proporcionou redução na concentração de substâncias reativas ao ácido tiobarbutírico (Tbars) nos animais tratados.

Em outro estudo, em que óleo de eucalipto foi fornecido na água de bebida e aplicado via spray para frangos de corte submetidos a estresse térmico em temperatura de 32°C, foi constatada a diminuição de hematócrito, sendo esse um indicativo de adaptação das aves ao estresse térmico.

da ave é o aumento de hematócrito na tentativa de compensar a baixa taxa de troca gasosa.

Sendo assim, essa pode ser uma alternativa viável aqueles animais que permanecem mais tempo no ciclo produtivo, como matrizes e poedeiras comerciais, que podem adquirir adaptabilidade a temperaturas mais elevadas quando o óleo de eucalipto é administrado.

104 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


Além dos benefícios relacionados ao estresse calórico, estudos avaliando a

Os flavonoides são substâncias

inclusão de aditivos fitogênicos a base

metabólicas secundárias da classe de

de eucalipto mostram a capacidade

polifenóis que também apresentam

antimicrobiana contra agentes infecciosos

efeitos benéficos as aves susceptíveis a

como Mycoplasma gallisepticum, influenza

estresse calórico.

aviária H9N2, Escherichia coli, Candida albicans, Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii.

Outro óleo de interesse zootécnico com benefícios para utilização no verão é o óleo de hortelã, que por sua vez é rico em substâncias bioativas como o eugenol, alfaaditivos fitogênicos

tocoferol, mentol, carvanona, limoneno e mentona, além de conter outros flavonoides. O alfa-tocoferol, conhecido como vitamina E, é um potente antioxidante natural, e tem mostrado benefícios na avicultura em diversos aspectos, inclusive aqueles relacionados ao estresse térmico.

A inclusão de um aditivo fitogênico rico em flavonoides na dieta de frangos de corte, submetidos a um ambiente com aumento de temperatura de 6°C e redução de umidade ambiental em 21,5% por cinco dias, resultou em redução de comportamentos característicos de estresse térmico, como bico e asas abertas, nas aves suplementadas com o aditivo fitogênico.

105 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


Além disso, alguns desses compostos

Esses receptores são localizados

fenólicos podem agir como antioxidantes,

no trato digestivo e na cavidade

aumentando a atividade de enzimas

oral das aves, desempenhando

que desempenham esse papel e inibe

funções que vão desde o controle

processos oxidativos. O mentol por sua

da motilidade, dor e hiperalgesia,

vez, que se encontra em abundância na

funções da mucosa, homeostase,

hortelã, possui a capacidade de ativar

paladar, até a funções de

receptores específicos nos neurônios

quimio e mecanossensação e

sensitivos chamados canais potenciais

termorregulação. Quando os canais potenciais de

de receptores transitórios.

receptores transitórios são estimulados pelo mentol,

aditivos fitogênicos

além de ser gerada a sensação de resfriamento, a entrada de ar é facilitada, o que confere alívio na respiração dos animais.

Com o tempo e os apelos a respeito das mudanças climáticas para o futuro, o estresse calórico será um desafio cada vez maior na avicultura industrial. De forma a mitigar essa realidade, além da adoção de estratégias de criação, gerenciais e ambientais modernas que podem minimizar os efeitos deletérios do calor na produção e qualidade da carne na avicultura, existe também o universo de possibilidades no uso de substâncias fitogênicas, que vêm apresentando resultados interessantes, sendo essa uma alternativa a ser considerada para implementação nas estratégias da agroindústria. Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema

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As referências podem ser disponibilizadas mediante solicitação ao autor em sac@biochem.net

106 nutriNews Brasil 4º trimestre 2021 | Estresse térmico na avicultura: alternativas naturais para minimização do problema


B o v i n o s | Av e s | S u í n o s

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ÁCIDO BUTÍRICO: UMA ESTRATÉGIA NUTRICIONAL EM ALTERNATIVA AOS ANTIBIÓTICOS NA PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE

saúde intestinal

Valquíria Cação Cruz-Polycarpo e Bárbara Fernanda da Silva Barbosa Departamento de Produção Animal, Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, UNESP, Dracena, SP Laboratório de Nutrição e Saúde de Aves (LANSA)

A preocupação com a segurança alimentar, assim como o impacto de resíduos químicos dos alimentos na saúde humana tem aumentado gradativamente nos últimos anos fazendo com que a indústria de produção animal busque soluções significativas e sofra grandes transformações. Somado a isso, devido à restrição dos antibióticos em 2006 pela União Européia, houve a necessidade de se buscar alternativas que possam substituí-los (Widiastuti et al., 2019).

108 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte


O ácido butírico é um dos aditivos zootécnicos mais utilizados nas dietas para frangos de corte, estando envolvido no:

Trata-se de um dos aditivos alimentares mais eficazes a serem utilizados na nutrição animal já que promove a melhora da saúde intestinal

desenvolvimento dos tecidos da parede intestinal modulação da microbiota intestinal além de contribuir com a melhora da

resultando na absorção de mais nutrientes por todo o trato gastrintestinal,

imunidade (Dauksiene et al., 2021). Segundo Sengupta et al. (2006), o ácido

sendo utilizado como fonte de energia para os enterócitos, células absortivas presentes no intestino.

butírico tem efeito direto na proliferação, maturação e diferenciação das células da mucosa, porque pode influenciar a expressão gênica e a síntese proteica, além fazendo com que haja aumento da superfície de absorção no intestino delgado e a otimização da utilização dos nutrientes.

A liberação de ácido butírico no intestino delgado resulta em efeitos positivos na morfologia intestinal

saúde intestinal

Além disso, diminui os efeitos das perdas causadas por estresse ou doenças que acometem os animais

do crescimento das alturas das vilosidades,

(Imran et al., 2018; Balta et al., 2021).

Os ácidos graxos de cadeia curta, como o ácido butírico, são rapidamente absorvidos e metabolizados pelas células da mucosa.

redução da proliferação de bactérias patogênicas

melhor ação das enzimas digestivas aproveitamento de nutrientes

Desse modo, quando as aves ingerem a dieta, sua absorção e metabolização inicia-se na mucosa do papo podendo continuar ao decorrer de todo trato gastrintestinal, limitando

Tudo isso resulta em resultados sólidos para o produtor, como: maior ganho de peso, melhor conversão alimentar (Van Immerseel et al., 2005), por meio de alterações histomorfológicas positivas na mucosa intestinal.

a quantidade de ácido butírico que chega ao intestino delgado, restringindo seu uso prático na produção animal (Kaczmarek et al., 2016).

109 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte


A técnica do microencapsulamento foi

Com a finalidade de promover

desenvolvida para melhorar a proteção, a

a liberação lenta e contínua do

biodisponibilidade e a liberação controlada

ácido ao longo do trato digestório

do ácido no organismo do animal.

foi desenvolvida a técnica do

Pois, grande parte do ácido fornecido é dissociado e absorvido antes mesmo de chegar ao intestino, prejudicando a eficácia deste ao longo do trato gastrintestinal que tem valores de pH mais alcalino.

microencapsulamento na qual pequenas partículas ou gotículas são cercadas por uma película constituída de carboidratos, celuloses, lipídios ou proteínas, formando pequenas cápsulas esféricas de parede uniforme (Jyothi Sri et al., 2012).

Resultando assim, na liberação lenta, após a ingestão pela ave, de modo que o ácido atinja o trato intestinal e os cecos sem ter sido

saúde intestinal

dissociado nos órgãos anteriores sendo melhor absorvido (Van Immerseel et al., 2003).

O butirato de sódio (BS) é um ácido

Por ser mais estável, possuir odor menos

graxo de cadeia curta formado após o

intenso, e proporcionar efeitos positivos no

ácido butírico ser quelatado pelo mineral sódio (Na+2), e sua fórmula molecular é C₄H₇O₂Na.

desempenho e na integridade intestinal, é o mais utilizado em dietas para frangos de corte (Jiang et al., 2015; Lan et al., 2020).

A suplementação com BS microencapsulado

age de maneira que sua liberação aconteça no intestino

estimulando a absorção de nutrientes

exercendo seu efeito antimicrobiano ao diminuir o pH e tornar o meio mais ácido 110 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte


Levando em consideração a multifuncionalidade e alta eficiência, o butirato de sódio é uma estratégia para melhorar a produção e saúde avícola (Miao et al., 2021).

Fígado

Pâncreas

Kaczmarek et al. (2016) ao avaliarem o desempenho de frangos de corte no período de 1 a 14 dias de idade, não observaram diferenças entre dietas suplementadas com butirato de sódio microencapsulado nas doses de 200 mg/kg, 300 mg/kg e 400 mg/kg.

Duodeno

Jejuno Ceco

LOCAL DE AÇÂO

Íleo

Cólon

Reto

Fonte: Kemin South América. Figura 1- Modo de ação do butirato de sódio.

Sikandar et al. (2017) não encontraram diferenças no desempenho de frangos aos 14 dias de idade, recebendo dietas contendo 500 mg/kg e 1.000 mg/kg de butirato de sódio microencapsulado. Levy et al. (2015) ao analisarem o desempenho de frangos de corte, aos 21 dias, alimentados com 0, 100, 200, 300, 400 e 500 mg/kg de ácido butírico encapsulado, observaram menor consumo da dieta com a dosagem mais alta do ácido e piora da conversão alimentar. Da mesma forma, Imran et al. (2018) ao testarem doses diferentes (250, 350 e 450 mg/kg) de ácido butírico microencapsulado na dieta de frangos de corte apontaram diminuição no consumo dos frangos ao receberam dietas com a maior quantidade do ácido. Wu et al. (2018) não observaram diferença no desempenho de frangos aos 21 dias de idade, alimentados com diferentes doses de butirato de sódio (200, 400, 800 e 1.000 mg/kg) e antibiótico. Lan et al. (2020) ao avaliarem os efeitos do BS em frangos de corte notaram melhora no desempenho, em que aves aumentaram linearmente o ganho de peso médio diário. A suplementação de BS aumentou o comprimento relativo do duodeno, jejuno, e íleo, assim como melhorou a estrutura intestinal, aumentando a altura das vilosidades no jejuno e íleo, além da contagem de células caliciformes no duodeno, jejuno e íleo.

111 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte

saúde intestinal

Estômago

ALGUNS RESULTADOS ENCONTRADOS NA LITERATURA COM A UTILIZAÇÃO DE BUTIRATO DE SÓDIO NA DIETA DE AVES


Wang et al. (2021) em sua pesquisa com ácido butírico constatou que: o peso corporal aumentou no início da fase criação (7 e 14 dias) em comparação às aves que não receberam qualquer tipo de aditivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Diversos resultados foram relatados, e as diferenças nas respostas encontradas podem ser devido ao conteúdo disponível de butirato de sódio, idade do animal, status imunológico e higiene do ambiente. O butirato de sódio microencapsulado

Além disso houve aumento na altura das vilosidades duodenais aos 20 e 33 dias de idade.

pode ser utilizado como alternativa ao antimicrobiano químico, no entanto, é importante considerar a dosagem a ser utilizada nas dietas animais, visto que muitas pesquisas

saúde intestinal

O aumento na altura das vilosidades era previsível, pois os enterócitos usam o ácido butírico como fonte de energia, resultando no desenvolvimento de vilosidades.

O ácido butírico induz a expressão gênica e a produção de proteínas, tornando a barreira epitelial intestinal menos permeável a patógenos e toxinas

não definiram uma dose correta.

Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte

BAIXAR EM PDF Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação

O que pode contribuir para o desenvolvimento e maturidade da saúde intestinal.

Boling et al. (2000), Abdel-Fattah et al. (2008) e Kana et al. (2011) relataram que níveis mais altos de ácidos incorporados à dieta, diminui a ingestão de ração pelas aves, o que pode ser devido à palatabilidade das dietas acidificadas durante os primeiros dias. No entanto, nas fases subsequentes de criação, as aves tendem a se adaptar à acidificação das dietas.

112 nutriNews Brasil 4° Trimestre 2021 | Ácido butírico: uma estratégia nutricional em alternativa aos antibióticos na produção de frangos de corte


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