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nutriNews Brasil 1º Trimestre 2026

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O ELO SENSÍVEL DE 2026

Poucos elos sentirão de forma tão imediata os sinais de 2026 quanto a nutrição animal. Em um cenário de incerteza global, pressão sobre custos e atenção crescente à qualidade das matérias-primas, a nutrição deixa ainda mais claro seu papel como centro de decisão estratégica dentro das cadeias de proteína.

Estamos em um ano eleitoral e isso também importa para a nutrição. O setor precisa estar atento para que suas pautas sejam consideradas em discussões que impactam diretamente o ambiente de produção, a logística, a competitividade do agro e a segurança de abastecimento. O Brasil segue convivendo com gargalos estruturais, e isso afeta toda a cadeia, inclusive a disponibilidade e o custo dos insumos.

Ao mesmo tempo, o mundo vive uma mudança relevante na lógica geopolítica. Conflitos, tarifas e rearranjos comerciais estão alterando o comportamento dos mercados e trazendo volatilidade para cadeias globais de suprimento. Para a nutrição animal, isso se traduz em pressão sobre logística, energia, fretes, câmbio e insumos estratégicos, como fósforo, aditivos, aminoácidos e outros componentes dependentes de cadeias internacionais.

No caso dos grãos, o cenário exige cautela. Há uma expectativa de boa safra, e isso ajuda a sustentar as cotações em patamares mais comportados. Mas essa leitura não elimina os riscos. Há relatos de plantios atrasados, preocupação com seca em algumas regiões e possibilidade de geadas no final do ciclo. Ou seja: existe uma promessa de oferta, mas ainda cercada por variáveis que podem afetar produtividade, qualidade e formação de preços.

E aqui entra um ponto central. Antes de olhar apenas para o volume, é preciso olhar para a qualidade. Esse é um tema que tende a ganhar ainda mais importância. Em um ambiente global mais tenso, os mercados elevam suas exigências, inclusive por meio de regras sanitárias e barreiras não tarifárias. Ao mesmo tempo, o próprio manejo agrícola pode gerar efeitos mais à frente sobre a composição e a consistência das matérias-primas.

A discussão sobre fertilizantes se conecta diretamente a isso. A racionalização do uso desses insumos pode ser uma resposta econômica compreensível em determinados momentos, mas exige atenção aos impactos futuros sobre a qualidade dos grãos. E, para a nutrição animal, qualidade de matéria-prima não é detalhe: é fundamento.

Por isso, 2026 pede uma nutrição ainda mais integrada à leitura de mercado. Não basta formular bem. Será preciso acompanhar oferta e demanda com disciplina, entender a variabilidade dos insumos, proteger margem e responder com agilidade a um cenário menos previsível.

A nutrição animal assume, cada vez mais, um papel estratégico dentro das cadeias de proteína. E, neste novo contexto, a vantagem estará com quem conseguir transformar informação em decisão, sem perder de vista custo, qualidade e segurança de abastecimento.

EDITOR

AGRINEWS

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nutribr@grupoagrinews.com

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ISSN 2965-3371

A revista nutriNews Brasil é uma publicação nacional, editada em português, cujo editorial é direcionado à nutrição animal, incluindo nutricionistas, fábricas de ração e alimentos para animais, instituições de ensino, sindicatos, empresas e o Ministério da Agricultura e Pecuária. Os artigos, bem como informes publicitários não expressam a opinião dos editores. É proibida a divulgação total ou parcial de conteúdos publicados sem a autorização dos editores.

Preço assinatura anual:

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Revista Trimestral

CONTEÚDOS

Minerais e a saúde dos cascos da fêmea suína gestante 04

Juan Gabriel Espino

Consultor em nutrição animal

12

É possível o uso de óleo de inseto como Nutracêutico em dietas para aves? 20

Eficiência proteica: equilíbrio entre PDR, PNDR e aminoácidos na dieta de vacas

Iara Silva Sousa1; Pedro de Carvalho Gaio2; Nilva Kazue Sakomura2; Stelio Bezerra Pinheiro de Lima1; Luciana Barboza Silva1 e Leilane Rocha Barros Dourado1

18

Entrevista

AgriNews Play Brasil com Marina Danés e Jardel Zuk

Efeitos da suplementação com LIVOLIV sobre parâmetros em frangos de corte

Sol C.1; Horta F.1; Gonzalez J.1 e Iglesias BF.2,3

1Nuproxa Switzerland, Ltd., Etoy, Suíça; 2Seção Avicultura, Área de Produção Animal, INTA-EEA Pergamino, Argentina; 3Prof. Adjunto, Área de Produção Animal, ECANA-UNNOBA, Argentina.

1Universidade Federal do Piauí; 2Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP Jaboticabal

28

TABELA DE MICROMINERAIS

Edição Brasil

Avicultura: 2026 será marcado pela ampliação dos embarques de carne de frango 38

Fernando Henrique Lopes Iglesias

Coordenador de Inteligência de Mercado Safras & Mercados

Selênio orgânico: Uma comparação de forma, fonte e função 46

Equipe de pesquisa da Alltech

Cunicultura: um agronegócio sustentável e lucrativo, mas carente de tecnologias no Brasil 54

Silvio Mayke Leite1 e Leandro Dalcin Castilha1 1Docente do Departamento de Zootecnia Doutorando de Zootecnia; Docente do Departamento de Zootecnia; UEM

Da mistura à boca da vaca: Qualidade da TMR sem desperdício 62

João Ricardo Alves Pereira Zootecnista e Professor Adjunto Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR

MINERAIS E A SAÚDE DOS CASCOS DA FÊMEA SUÍNA GESTANTE

Juan Gabriel Espino Consultor em nutrição animal

INTRODUÇÃO

A saúde podal da fêmea suína gestante tornou-se uma condição de descarte. Este evento pode atingir taxas de descarte entre 5% e 10% do rebanho reprodutor, o que justifica a análise das suas causas, para que sejam tomadas as medidas pertinentes.

Além disso, o descarte de fêmeas prenhas devido a problemas nos cascos ou patas não só afeta a produção de carne, mas também aumenta os custos operacionais devido à necessidade de substituir os animais eliminados.

É crucial, portanto, investigar e compreender as causas subjacentes a estas condições. Entre as soluções potenciais, a suplementação adequada com minerais específicos pode desempenhar um papel fundamental na melhoria da saúde podal das porcas gestantes, diminuindo as taxas de descarte e otimizando a produção geral do rebanho reprodutor.

Minerais

SAÚDE DOS CASCOS E RELAÇÃO COM A NUTRIÇÃO

Geralmente, os cascos das patas traseiras são os mais afetados. Existem várias condições que podem afetar a saúde dos pés da porca:

1. Peso da fêmea

Devemos compreender que a gestação provoca um aumento de peso no animal. Este aumento pode rondar os 30 kg. A pressão de todo esse peso recai sobre os cascos e/ou falanges da fêmea.

3. Mobilização

É sabido que a fêmea suína deve mobilizar as suas reservas corporais para alimentar os fetos no seu ventre. Os tecidos lipídicos e proteicos são mobilizados para fornecer os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento dos leitões. No entanto, também mobiliza minerais para proporcionar o desenvolvimento ósseo dos seus filhotes.

As lesões nos pés das fêmeas provocam uma diminuição da ingestão de alimentos, o que pode causar um défice de nutrientes no animal. Se esta situação não for corrigida, o desempenho de partos posteriores pode ser afetado.

O casco é composto principalmente por queratina, uma proteína estrutural rica em cisteína, que forma ligações dissulfeto para proporcionar resistência.

2. Mobilidade

Se o animal permanecer numa gaiola de gestação, a sua mobilidade fica limitada. Nesta situação, não existe um desgaste natural e os cascos começam a sofrer malformações. A falta de exercício faz com que as estruturas anatômicas (músculos ou cartilagens) não tenham a força adequada para promover uma saúde podal eficiente.

O colágeno também desempenha um papel importante na derme subjacente do casco, proporcionando suporte e flexibilidade.

O colágeno presente na estrutura do casco é classificado em 3 tipos:

Tipo 1: Predomina na derme da unha, conferindo resistência e estrutura.

Tipo 2: Encontra-se em menor proporção e contribui para a elasticidade e regeneração do tecido.

Tipo 3: Faz parte das membranas basais que sustentam a epiderme da unha.

Minerais

Nas figuras seguintes observa-se a estrutura anatômica das patas dos suínos.

MINERAIS ESSENCIAIS

PARA A SAÚDE DOS CASCOS

Dígito auxiliar

Calcanhar

Sola

Parede Linha branca

Falange Proximal (P1)

Falange Media(P2)

Zinco

Talón Suela Pared Línea blanca

Falange Distal (P3)

Figura 1. Vista posterior da pata. Imagem cortesia da Zinpro Corporation, Guia para classificação de lesões.

Falange Proximal (P1)

Tendão

Tendón Flexor Profundo

Falange Media (P2)

O zinco é um oligoelemento envolvido em mais de 300 reações enzimáticas no organismo de um suíno, muitas delas relacionadas com o crescimento, cicatrização e integridade da pele e das patas. Algumas funções essenciais do zinco na qualidade das unhas:

1. Síntese de queratina

O zinco é um cofator da queratinase, enzima que regula a formação de queratina na unha. A sua deficiência provoca fissuras, descamação e cascos frágeis.

2. Formação de ligações dissulfureto

Tendão extensor

Tendón Extensor

Banda Coronaria

A queratina precisa de ligações dissulfureto para a sua resistência. O zinco participa na ativação de enzimas que estabilizam essas ligações.

Articulación Interfalangeana Distal

3. Regeneração de tecido

Hueso Navicular Corión

Osso Córion

Falange Distal (P3)

Parede Articulação

Talón Suela Línea Blanca Pared

Sola Linha branca

Figura 2. Corte longitudinal de uma unha Imagem cortesia da Zinpro Corporation, Guia para classificação de lesões.

Nesta figura, observa-se o revestimento de queratina ao redor das falanges. Esta estrutura é uma fina camada que protege os ligamentos e as falanges.

O fornecimento adequado de zinco melhora a proliferação celular e a síntese de colágeno,, acelerando a reparação dos danos. Em suínas com lesões nos pés, o zinco ajuda a reduzir a inflamação.

Os sintomas de deficiência de zinco em porcas são:

Cascos quebradiços e rachados;

Paraqueratose;

Cicatrização deficiente das feridas nas patas;

Cojeras recorrentes.

Calcanhar

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Saiba mais

Cobre

O cobre é outro mineral essencial para a saúde da unha, pois participa na formação do colágeno e na síntese do dissulfureto na queratina.

1. Síntese de colágeno e elastina

O cobre ativa a lisil oxidase, uma enzima fundamental para a formação do colagénio tipo 1 e da elastina na derme da unha. A deficiência de cobre pode enfraquecer a estrutura do casco, tornando-o mais suscetível a lesões.

2. Formação de ligações dissulfeto na queratina

O cobre estabiliza a queratina, melhorando a dureza e a resistência da unha. A sua deficiência pode causar cascos moles e propensos a fraturas.

3. Atividade antioxidante

O cobre faz parte da superóxido dismutase (SOD), uma enzima antioxidante que protege a casco dos danos oxidativos e do estresse mecânico.

Manganês

O manganês é um mineral fundamental para a formação do tecido conjuntivo e da cartilagem, o que influencia diretamente a qualidade da unha.

Algumas funções do manganês na unha:

1. Síntese de glicosaminoglicanos e proteoglicanos

O manganês é essencial para a produção de sulfato de condroitina e glucosamina, que fortalecem o casco e evitam deformações.

2. Prevenção de lesões nos pés

Uma dieta com níveis ótimos de manganês reduz a incidência de fissuras e deformações na unha.

3. Atividade antioxidante e metabolismo ósseo

O manganês ativa a enzima superóxido dismutase dependente de manganês, que protege a casta do stress oxidativo. Esta enzima participa na formação dos ossos, o que ajuda na estabilidade estrutural.

Os sinais de deficiência de cobre na porca são descritos como:

Cascos fracos e quebradiços

Diminuição da elasticidade do capacete

Maior incidência de claudicações e deformações nas unhas

Os sintomas da deficiência de manganês:

Cascos deformados ou com fissuras longitudinais

Maior risco de artrite e problemas articulares

Dificuldade em cicatrizar lesões no casco

A saúde da unha não depende apenas dos minerais acima mencionados. Também está intimamente relacionado com outros nutrientes:

1. AMINOÁCIDOS SULFURADOS (METIONINA E CISTEÍNA)

Estes são essenciais para a síntese da queratina. A deficiência pode causar fraqueza na estrutura da unha.

2. BIOTINA (VITAMINA B7)

Este nutriente melhora a dureza da queratina e previne fissuras na unha. Recomenda-se uma ingestão de 10 mg/ dia de biotina para reduzir os problemas nos pés.

3. ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS (OMEGA-3 E OMEGA-6)

Melhoram a elasticidade do casco e reduzem a inflamação em casos de lesões nos cascos.

4. VITAMINA A

Promove a regeneração do tecido epitelial da unha. A sua deficiência pode causar uma queratinização defeituosa.

5. VITAMINA E E SELÉNIO

Esses antioxidantes reduzem o estresse oxidativo e melhoram a saúde do tecido conjuntivo.

Minerais

1

DESCRIÇÃO DA LESÃO LEVE MODERADA

2

SOBRECRESCIMENTO E EROSÃO DO CALCANHAR CASCOS

Ligeiro crescimento e/ou erosão do tecido mole do calcanhar

Numerosas fissuras com evidente sobrecrescimento e erosão

3

SEVERA

Ampla área de crescimento excessivo e erosão com múltiplas fissuras

CONCLUSÕES

Alguns nutrientes incluídos na dieta, como os minerais (zinco, cobre e manganês), são essenciais para a qualidade das unhas das porcas, pois intervêm na síntese de queratina, colagénio e tecido conjuntivo.

Uma ingestão insuficiente desses minerais pode causar cascos frágeis, fissuras e claudicação, afetando o rendimento produtivo e o bem-estar animal.

ACESSÓRIOS PARA OS DEDOS

Pequena separação na altura da junção entre o calcanhar e a sola

Separação extensa da junção do calcanhar/sola

Separação extensa e profunda da união entre o calcanhar e a sola

Separação superficial e/ou curta ao longo da linha branca

Longa separação ao longo da linha branca

Separação longa e profunda ao longo da linha branca

Figura 3. Nesta figura, é possível observar os diferentes graus de lesão de uma unha. Todos os graus causam desconforto à porca, afetando o seu desempenho. Se a lesão for muito grave, deve ser descartada em idade precoce. Imagens cortesia da Zinpro Corporation, Guia para classificação de lesões.

Minerais e saúde dos cascos da fêmea suína gestante BAIXAR EM PDF

EFICIÊNCIA PROTEICA: O EQUILÍBRIO ENTRE PDR, PNDR E AMINOÁCIDOS NA DIETA DE VACAS LEITEIRAS

Entrevista

Em uma cobertura especial do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, mergulhamos nos fundamentos da nutrição de precisão com a Profa. Dra. Marina Danés e Jardel Zuk. O desafio?

Transformar cada grama de nitrogênio em sólidos no tanque, combatendo as perdas silenciosas e otimizando o metabolismo ruminal.

Ocenário da pecuária de leite no Brasil atravessa uma fase de profissionalização sem precedentes.

Com margens de lucro cada vez mais estreitas, a eficiência nutricional deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito de sobrevivência.

Foi sob essa ótica que a agriNews Brasil, através de seu braço audiovisual agriNews Play, marcou presença no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite. No estúdio montado no coração do evento, recebemos a Professora Marina Danés, referência em nutrição de ruminantes, e Jardel Zuk, coordenador de bovinocultura da COOPERAL, para uma aula sobre um dos temas mais sensíveis da atividade: o aproveitamento da proteína dietética.

AgriNews Play Brasil com Marina Danés e Jardel Zuk

O PONTO DE PARTIDA: POR QUE A PROTEÍNA É O FOCO?

A proteína é o componente mais caro da ração e, simultaneamente, um dos mais complexos de se manejar. Na dieta de uma vaca leiteira, ela não serve apenas para "fabricar leite".

O nitrogênio proveniente da proteína é o combustível para a microbiota do rúmen, que é a verdadeira responsável pela digestão da fibra e pela manutenção da saúde do animal.

Conforme explicado pela Profa. Marina, quando o fornecimento de nitrogênio ruminal é deficiente, o crescimento bacteriano desacelera. Isso cria um efeito dominó negativo: a digestão da fibra cai, o tempo de passagem dos alimentos diminui e a vaca, consequentemente, come menos.

ENTENDENDO A DINÂMICA:

PDR VS. PNDR

Para dominar a nutrição proteica, é preciso entender a distinção entre a Proteína Degradável no Rúmen (PDR) e a Proteína Não Degradável no Rúmen (PNDR).

PDR (Proteína Degradável): É aquela que "alimenta os bichinhos" (microrganismos) no rúmen. Eles a transformam em proteína microbiana, que tem um perfil de aminoácidos quase perfeito para a vaca.

"A falta de proteína no rúmen trava o consumo, e esse é o pior cenário possível para o produtor, pois compromete o aporte de todos os outros nutrientes", destaca a pesquisadora.

PNDR (Proteína "Passante"): É a proteína que escapa da fermentação ruminal e chega intacta ao intestino, onde será absorvida como aminoácidos.

Em animais de baixa produção, a proteína microbiana gerada pela PDR é quase suficiente para atender às demandas. No entanto, o Brasil possui hoje rebanhos com genética de ponta e vacas produzindo acima de 50 ou 60 litros. Nesses casos, a produção microbiana atinge um teto e supre apenas cerca de 50% das necessidades.

É nesse momento que o nutricionista precisa ser estratégico, introduzindo fontes de alta PNDR e aminoácidos protegidos para complementar o que o rúmen não consegue entregar sozinho.

O DESAFIO DOS INGREDIENTES NO CENÁRIO BRASILEIRO

Jardel Zuk trouxe para o debate uma dificuldade real do campo: a limitação de ingredientes. Enquanto nos Estados Unidos os nutricionistas utilizam um "mix" variado de fontes proteicas (como farinha de sangue e uma gama enorme de coprodutos), no Brasil o sistema ainda é muito centrado no farelo de soja.

O problema de depender exclusivamente do farelo de soja é que ele é altamente degradável no rúmen. Para atingir o nível de proteína metabolizável que uma vaca de 60 litros exige usando apenas soja, o produtor acaba fornecendo um excesso perigoso de PDR.

Esse excesso é transformado em amônia, cai na corrente sanguínea e precisa ser convertido em ureia pelo fígado para ser excretado na urina. Esse processo não é apenas um desperdício de dinheiro; ele demanda energia da vaca para ser realizado, energia que poderia estar indo para a produção de leite.

Ao falarmos de maximizar a proteína, entramos no campo dos aminoácidos, especificamente a metionina. A Profa. Marina a define como um nutriente "nutracêutico", dado o seu papel fundamental em diversas rotas metabólicas.

A metionina é o primeiro aminoácido limitante em dietas baseadas em silagem de milho e farelo de soja. Além de ser um "tijolo" para a construção da proteína do leite, ela atua no ciclo de um carbono, essencial para a síntese de colina. A colina é vital para a saúde do fígado, ajudando a exportar gordura e prevenir a cetose no pós-parto. Mais do que isso, a metionina estimula sinalizadores celulares (como o mTor) que aumentam a síntese de gordura e proteína na glândula mamária.

"O uso de metionina protegida frequentemente se paga através do aumento de sólidos no tanque, que é onde a indústria remunera melhor o produtor", explica Marina.

BAIXA PROTEÍNA NO TANQUE: O VILÃO SILENCIOSO É A ENERGIA

Muitos produtores se frustram ao ver baixos teores de proteína no leite, mesmo investindo em dietas ricas em soja. A explicação técnica da Profa. Marina Danés lança luz sobre um erro comum: a falta de energia.

MONITORAMENTO: COMO USAR O NU (NITROGÊNIO UREICO NO LEITE)

A síntese de proteína no leite é um processo que demanda muita energia e é altamente estimulado pela insulina.

Para que a glândula mamária funcione em plena capacidade, ela precisa de glicose (proveniente do amido da dieta).

Se a dieta tem proteína, mas o milho está mal processado ou a silagem tem baixo amido, a vaca não terá o estímulo hormonal necessário para converter os aminoácidos em proteína no leite.

Nesses casos, a melhor resposta para aumentar a proteína do leite não é colocar mais soja, mas sim melhorar a densidade energética e o processamento dos grãos.

Para fechar o círculo da gestão proteica, Jardel questionou sobre o uso prático do NU de tanque. A recomendação da Dra. Marina é evitar a "análise de uma foto só". O NU deve ser visto como um filme: uma sequência histórica que mostra a tendência do rebanho.

O valor ideal geralmente situa-se entre 10 e 14 mg/dL. Se estiver muito alto, há excesso de nitrogênio ou falta de energia no rúmen. Se estiver muito baixo (abaixo de 8 ou 9), a vaca pode estar sofrendo restrição proteica, o que limita o consumo.

No entanto, animais extremamente produtivos podem apresentar NU mais baixo devido à alta eficiência de remoção desse nitrogênio pela glândula mamária. Por isso, o histórico e o acompanhamento técnico são insubstituíveis.

A nutrição proteica em vacas leiteiras é uma dança delicada entre o que acontece no rúmen e o que é absorvido no intestino. O resumo das lições de Marina Danés e Jardel Zuk no agriNews Play é claro: o produtor moderno precisa parar de olhar para a proteína bruta como um número isolado e começar a olhar para a eficiência de uso do nitrogênio.

Reduzir desperdícios, proteger o ambiente e maximizar sólidos no tanque são os pilares da avicultura e bovinocultura modernas. E, como bem definiu a Profa. Marina: "Nutrição é tudo integrado". Não se ajusta a proteína sem olhar para a energia, e não se ajusta a energia sem olhar para o manejo de campo.

Acesse o QRCode e assista: “Eficiência proteica: o equilíbrio entre PDR, PNDR e aminoácidos na dieta de vacas”

Eficiência proteica: o equilíbrio entre PDR, PNDR e aminoácidos na dieta de vacas leiteiras

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PNDR e aminoácidos na dieta de vacas leiteiras

INTRODUÇÃO

EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO COM LIVOLIV SOBRE O DESEMPENHO PERFIL HEPÁTICO

EM FRANGOS DE CORTE

Sol C. 1 , Horta F. 1 , Gonzalez J. 1 e Iglesias BF. 2,3

1Nuproxa Switzerland, Ltd., Etoy, Suíça.

2Seção Avicultura, Área de Produção Animal, INTA-EEA Pergamino, Argentina.

3Prof. Adjunto, Área de Produção Animal, ECANA-UNNOBA, Argentina.

A saúde do fígado desempenha um papel central no metabolismo dos nutrientes, na desintoxicação e na resiliência fisiológica geral na produção avícola. Em condições de criação intensiva, o fígado é frequentemente desafiado por fatores de estresse que prejudicam sua capacidade metabólica e regenerativa, afetando, em última instância, o desempenho e a produtividade.

MODO DE AÇÃO

ESTUDO

RESULTADOS

Este estudo avaliou os efeitos da suplementação alimentar com uma mistura poliherbal natural (PHM; LivoLiv™, Nuproxa Switzerland Ltd.) rica em quercetina e andrografólidos no desempenho e nos indicadores metabólicos hepáticos em frangos de corte.

Um total de 540 frangos de corte Cobb500 machos com um dia de idade foram aleatoriamente designados para três tratamentos (n = 10 repetições; 18 aves cada): 1) CON: dieta basal; 2) PHM250: CON + PHM a 250 g/t; e 3) PHM500: CON + PHM a 500 g/t. O peso corporal (PC), o consumo de ração (CR) e a taxa de conversão alimentar (TCA) foram registrados semanalmente. Aos 34 dias, amostras de sangue de duas aves por repetição foram coletadas para avaliação bioquímica dos perfis hepáticos e lipídicos.

Os dados foram analisados por ANOVA e as médias comparadas usando o teste LSD de Fisher (α=0,05). Todas as análises foram realizadas usando o InfoSTAT v2020.

A suplementação com PHM melhorou o desempenho de crescimento em relação ao CON. Aos 34 dias, as aves PHM500 apresentaram maior PC do que o CON (2312b , 2344ab e 2378a g, para CON, PHM250 e PHM500; P=0,04), enquanto o PHM250 alcançou o melhor FCR (1,482a , 1,448b e 1,478a , para CON, PHM250 e PHM500; P<0,01). As aves alimentadas com PHM500 apresentaram aumentos na AST sérica, albumina, colesterol (P<0,05) e ALT (P=0,08), sugerindo aumento da atividade hepática e do metabolismo lipídico, em vez de danos ao fígado, uma vez que os valores permaneceram dentro dos limites fisiológicos. Tais alterações são consistentes com a melhora do metabolismo hepatocelular, da utilização de nutrientes e da mobilização lipídica.

CONCLUSÃO

A quercetina e os andrografólidos presentes no PHM podem contribuir para esses efeitos por meio de mecanismos antioxidantes e hepatoprotetores. Em conclusão, a suplementação alimentar com LivoLiv™ melhorou a função hepática e a resiliência metabólica em frangos de corte, promovendo uma melhor saúde do fígado e desempenho produtivo.

Efeitos da suplementação com LivoLiv sobre o desempenho perfil hepático em frangos de corte BAIXE EM PDF

INTRODUÇÃO

O uso de aditivos na nutrição de aves é uma realidade em função da necessidade de melhoria no desempenho e resposta imunológica diante dos desafios sanitários.

É POSSÍVEL O USO DE ÓLEO DE INSETO COMO NUTRACÊUTICO EM DIETAS PARA AVES?

Iara Silva Sousa1, Pedro de Carvalho Gaio2, Nilva Kazue Sakomura2, Stelio Bezerra Pinheiro de Lima1, Luciana Barboza Silva1 e Leilane Rocha Barros Dourado1

1Universidade Federal do Piauí

2Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias

Entretanto alguns ingredientes possuem efeitos nutracêuticos, com nutrientes funcionais que podem apresentar respostas como antimicrobianos, anti-inflamatórios e imunomoduladores, favorecendo a integridade intestinal e o aproveitamento dos nutrientes ou efeito antioxidante no organismo.

Entre as novas fontes, destacam-se os insetos, especialmente a mosca soldado negra (Hermetia illucens), cujas larvas fornecem proteína e óleo ricos em ácido láurico, de elevado valor funcional (Khan et al. 2024).

Hermetia illucens: fonte promissora de ácido láurico

A Hermetia illucens (Black Soldier Fly, BSF) tem se consolidado como ingrediente alternativo sustentável para rações.

Suas larvas bioconvertem resíduos orgânicos (restos vegetais, alimentos e esterco) em biomassa rica em proteína (30–60%) e lipídeos (10–57%), dos quais se extrai um óleo de alto valor nutricional, dominado por ácidos graxos de cadeia média, principalmente ácido láurico (C12:0). Esse ácido pode representar até 70% dos lipídeos, dependendo da dieta das larvas (Kim et al. 2020a, Suryati et al. 2023).

Seu conteúdo energético é compatível com outros óleos utilizados em dietas para aves, variando entre 7.710 a 8.390 kcal/kg de EM (Sousa - dados não publicados).

Com alta eficiência produtiva e baixo impacto ambiental, o óleo de Hermetia illucens pode ser produzido em diferentes regiões, aproveitando resíduos locais e ocupando menos área que culturas oleaginosas.

Assim, constitui uma matéria-prima funcional e sustentável, alinhada à economia circular e valorizada por suas propriedades nutracêuticas.

Propriedades nutracêuticas do óleo

Hermetia

illucens (OLHI) em frangos de corte

Existem várias evidências do potencial nutracêutico do OLHI em aves (Tabela 1). Abaixo estão descritas as principais formas de ação no organismo das aves.

Ação Antimicrobiana

O ácido láurico possui ampla ação contra microrganismos como bactérias, fungos e alguns vírus. Ele atua diretamente na membrana das bactérias, comprometendo sua estrutura e dificultando seu funcionamento, o que pode levar à morte celular.

Estudos mostram sua eficácia contra microrganismos como Staphylococcus, Streptococcus, Clostridium perfringens, entre outros (Anas et al. 2024).

Seu derivado mais ativo, a monolaurina, é ainda mais solúvel e eficaz (Suryati et al. 2023). Em dietas com óleo rico em láurico, parte desse ácido é liberada no intestino e atua diretamente onde os patógenos estão presentes. Na prática, o ácido láurico funciona como um antibiótico natural, combatendo bactérias no intestino sem gerar resistência, uma vantagem em sistemas que visam reduzir o uso de antibióticos convencionais.

Evidências Científicas em Frangos de Corte

Tabela 1. Evidências científicas sobre os efeitos do óleo de Hermetia illucens em frangos de corte

Parâmetros Desempenho e Digestibilidade

Observação Aumento ou manutenção do ganho de peso, conversão alimentar e rendimento de carcaça

Evidência

Científica

A adição de 1% de óleo de larvas com 14 dias de idade melhorou o desempenho dos frangos de corte, refletido no maior consumo de ração (352,28 g/ave), peso vivo (1.058,5 g), rendimento de carcaça (83,44%) e menor gordura abdominal (1,47%).

O ácido láurico, é rapidamente absorvido pelo intestino e não depende de grandes quantidades de bile ou lipase para ser digerido, ideal nas primeiras semanas de vida, quando o sistema digestivo ainda está imaturo. Por ser metabolizado rapidamente, é utilizado como fonte de energia imediata, evitando seu armazenamento como gordura corporal. Na prática, dietas ricas óleo de Hermetia illucens em resultam em carcaças mais magras e melhor rendimento em cortes comerciais, como peito e coxa.

Referência (Maulana et al. 2025); (Aslam et al. 2025a)

Parâmetros Saúde intestinal

Observação Aumento da altura das vilosidades, profundidade da cripta e integridade da mucosa

Evidência

Científica

A substituição de 50% do óleo de soja por óleo de Hermetia illucens aumenta a altura das vilosidades intestinais, ou seja quanto maiores e mais longas, maior a área de absorção de nutrientes, o que significa que o intestino está mais saudável e aproveita melhor a ração.

O óleo também pode ativar genes que protegem as junções de oclusão (ou junções apertadas). Essas junções são como selos entre as células da parede intestinal, e ajudam a impedir que microrganismos ou toxinas atravessem a barreira. Dois genes importantes que o óleo estimula são o JAM-2 e o OCLN, que ajudam a manter essa parede intestinal forte e bem fechada.

Referência (Kim et al. 2021); (Lestari & Hanim 2025)

Parâmetros Resposta a patógenos

Observação Redução de E. coli, Clostridium, Corynebacterium e Enterobacteriaceae, e promovendo o crescimento de bactérias benéficas como Lactobacillus e Bacteroides.

Evidência

Científica

O óleo diminui a abundância de Enterobacteriaceae (família que inclui E. coli), aumenta bactérias benéficas como Lactobacillus e Bifidobacterium, e reduzir disbiose induzida por infecções ou antibióticos

Referência (Dalmoro et al. 2023)

Parâmetros Parâmetros imunológicos melhorados

Observação Modulação positiva da resposta imune, aumento de IgA/IgY, redução de inflamação

Evidência Científica O Óleo elevou imunoglobulinas (IgA, IgM/IgY) e citocinas como IL-6 no plasma de frangos alimentados com 2% de óleo de BSF, indicando um sistema imune mais ativo.

Houve aumento significativo nos níveis de IgA intestinal, IgG sérico e imunoglobulina total (IgY) em frangos. Esses resultados confirmam que o do óleo de inseto exerce efeito imunomodulador positivo, possivelmente tornando as aves mais responsivas a desafios (como patógenos ou vacinas).

Referência (Chen et al. 2022); (Aslam et al. 2025a)

Modulação da Microbiota Intestinal

A inclusão de óleo do óleo de Hermetia illucens na dieta de frangos de corte favorece o equilíbrio da microbiota intestinal. Observa-se aumento de bactérias benéficas do gênero Bacteroides e de Lactobacillus, associadas a um bom desempenho e efeitos anti-inflamatórios (Dabbou et al. 2021)

A principal forma de atuação do Lactobacillus está relacionada à sua atividade metabólica, capazes de reduzir o pH intestinal por meio da produção de ácido lático. Com um ambiente mais ácido, a proliferação de microrganismos patogênicos tornase desfavorável, dificultando sua colonização e atividade (Chen et al. 2018).

Além disso, o óleo também reduziu a presença de microrganismos indesejáveis, como Clostridium perfringens, isso é importante, pois espécies do gênero Clostridium podem produzir toxinas perigosas, associadas a inflamações, enterite necrótica e lesões intestinais (Dabbou et al. 2021).

Recentemente, em nossos estudos Sousa (dados não publicados) observou que frangos alimentados com 0,5% de óleo de Hermetia illucens apresentaram redução de 100% no escore de OPG, enquanto as aves que receberam a dieta controle negativo (sem melhorador de desempenho e sem óleo de Hermetia illucens) apresentaram redução de 83,33%, após cinco dias da inoculação com Eimeria maxima.

Efeito na Imunidade

Além de atuar no intestino, o ácido láurico presente no óleo de Hermetia illucens também contribui para reforçar o sistema imunológico das aves. Isso ocorre porque, ao reduzir a presença de microrganismos patogênicos no trato intestinal, o organismo reduz a inflamação e estresse, mantendo as defesas imunes mais equilibradas e eficazes.

Para confirmar esse potencial, o estudo conduzido por Lestari & Hanim, (2025) demonstrou que o óleo aumentou a expressão dos genes ZO-1, OCLN e JAM-2, reforçando as junções estreitas do epitélio intestinal.

Esse efeito contribui para uma barreira mucosa mais eficiente, reduzindo a translocação de patógenos e modulando positivamente a resposta imune das aves.

Frangos alimentados com óleo de Hermetia illucens apresentam níveis mais altos de anticorpos IgG e IgM, além de maior expressão de citocinas como IL-6 e IL-10 (Chen et al. 2022), indicando um sistema imune mais ativo e preparado para combater infecções.

De forma complementar, estudos in vitro mostram que esse óleo reduz citocinas próinflamatórias como TNF-α, IL-6 e IL-17, e inibe a translocação nuclear do NF-κB, uma via chave da inflamação. Esses efeitos ocorrem sem comprometer a imunidade basal, sugerindo uma modulação seletiva da inflamação e contribuindo para um sistema imune mais equilibrado (Richter et al. 2025).

Resposta antioxidante

Em alguns estudos foram observados aumento na capacidade antioxidante do organismo, o que ajuda a proteger as células do sistema imune contra o estresse oxidativo (Kim et al. 2020b, Chen et al. 2022). Esse efeito se deve a presença de alguns compostos bioativos (Rodríguez-González et al. 2025) ou vitaminas que variam em função do substrato de criação.

Em nossos estudos (Sousa, dados não publicados) não foi detectado quantidade significativa de flavonoides, porém o óleo apresentava mais de 150mg/Kg de tocoferóis, o que proporcionou um aumento de mais de 10% na capacidade antioxidante (DPPH) da carne de frangos alimentados com 1% de OLHI, em comparação ao controle negativo.

Desafios e Perspectivas Futuras para uso do OLHI

Ponto de atenção:

Qualidade e padronização do óleo: o óleo pode ter variações na composição, principalmente no teor de ácido láurico, dependendo da alimentação das larvas. Isso signi ca que nem todo lote tem a mesma qualidade, o que exige cuidado na hora da compra e uso. Além disso, o óleo é pobre em ômega-3 e ômega-6, importantes para a saúde e desempenho das aves. Por isso, não deve ser usado como única fonte de gordura na ração, sendo necessário combiná-lo com outros óleos mais balanceados (Aslam et al. 2025b)

Efeitos a longo prazo e níveis de uso:

O que ainda precisamos saber: A maioria dos estudos é de curto prazo, faltam pesquisas que mostrem os efeitos ao longo prazo sobre saúde das aves, desempenho contínuo e qualidade da carne durante o armazenamento. Outro ponto importante é que ainda não há um consenso sobre a quantidade máxima segura do óleo nas diferentes fases da criação ou para diferentes linhagens. Por isso, é essencial monitorar os resultados de lote a lote.

Aspectos legais, econômicos e de aceitação:

O uso de óleo de insetos já é permitido em alguns países, mas ainda enfrenta diferenças nas regras e exigências legais, o que di culta sua adoção mais ampla. Também faltam dados sobre viabilidade econômica e produção em grande escala, e o custo ainda é mais alto que o dos óleos convencionais. Mesmo sendo seguro, o uso de insetos na alimentação animal pode gerar resistência por parte dos consumidores. Por isso, comunicar com clareza os benefícios, como bem-estar animal e sustentabilidade, é fundamental para ampliar a aceitação no mercado.

Mecanismos de ação e combinações com outros aditivos:

Ainda não se sabe exatamente como o ácido láurico age no organismo das aves sobre a imunidade e a microbiota em nível molecular. Mais estudos são necessários para entender melhor esses mecanismos e ajustar seu uso de forma mais precisa. Também há potencial para combinar o óleo com outros aditivos, como probióticos ou enzimas, buscando efeitos ainda mais positivos na saúde intestinal.

É possível o uso de óleo de inseto como Nutracêutico em dietas para aves?

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Referências sob consulta junto ao autor.

TABELA MICROMINERAIS

EDIÇÃO BRASIL 2026

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

A forma orgânica melhora o desempenho produtivo dos animais e proporciona maior biodisponibilidade e absorção do cromo.

O tipo de ligação do mineral com as cadeias de peptídeos confere uma grande estabilidade, o que evita a interação com outros elementos da dieta e facilita a chegada do mineral aos pontos de absorção, bem como o transporte para o interior do organismo. Por estas razões, a biodisponibilidade dos minerais Bioplex® é muito elevada.

Na forma de levedura enriquecida com selênio, potencializa o desempenho (maior ganho de peso e melhor conversão alimentar) e melhora do sistema imune.

Todas as espécies

Bovinos, Aves, Suínos, Animais de estimação, Aquacultura e outras espécies

Cromo

Cobre

Ferro

NOME DO PRODUTO TIPO DE FONTE

Cromo levedura

Proteinato de cobre

Proteinato de ferro

Magnésio

Manganês

Todas as espécies

Bio-Chrome TM

Bioplex® Cobre

Bioplex® Ferro

Proteinato de magnésio

Proteinato de manganês

Zinco

Selênio

Proteinato de zinco

Levedura enriquecida com selênio

Bioplex® Magnésio

Bioplex® Manganês

Bioplex® Zinco

Sel-Plex TM

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

Cromo

Nossos minerais orgânicos são produzidos com rigoros padrões tecnológicos e inovadores que promovem a formação de cadeias de alta estabilidade. Em sua estrutura, íons metálicos estão quelatados a aminoácidos livres, o que proporciona maior estabilidade molecular e maior biodisponibilidade destes microminerais para os processos fisiológicos dos animais, resultando em melhor desempenho, saúde e bem-estar aos animais.

Para todas as espécies animais

NOME DO PRODUTO TIPO DE FONTE

Fonte orgânica de cromo aminoácido quelato (1% e 2%)

Cobre

Fonte orgânica de cobre aminoácido quelato (17% e 22%)

Blink Chromium

Copper

Blink

Manganês

Fonte orgânica de manganês aminoácido quelato (17% e 22%)

Zinco

Fonte orgânica de zinco aminoácido quelato (17% e 22%)

Blink Manganese

Zinc

Blink

Fonte orgânica de selênio proteinado (0,2%)

Selênio

Blink Selenium

Fonte orgânica na forma de um complexo selênio aminoácido (0,6%)

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

Bovinos, aves, suínos, equinos, ovinos e caprinos, aquacultura e pets

Os minerais Glyadd® utilizam Glicina como ligante, obtendo uma molécula estável e completa.

Bovinos, aves, suínos, equinos, ovinos e caprinos, aquacultura e pets

Vantagens: Maior concentração de mineral, alta biodisponibilidade e absorção, menor excreção no ambiente e não interagem com outros ingredientes. Para mais informações: liptosa@liptosa.com

Bovinos, aves, suínos, equinos, ovinos e caprinos, aquacultura e pets

Bovinos, aves, suínos, equinos, ovinos e caprinos, aquacultura e pets

Aves de postura e reprodutoras

NOME DO PRODUTO TIPO DE FONTE

Orgânico/ Agente quelante: GlicinaGlicinato de Zinco 26% Zn

Orgânico/ Agente quelante: GlicinaGlicinato de Cobre 24% Cu

Orgânico/ Agente quelante: GlicinaGlicinato de Manganês 22% Mn

Orgânico/ Agente quelante: GlicinaGlicinato de Ferro 20% Fe

Orgânico / Pré-mistura de glicinatos Zn, Mn, Fe e Cu Zn, Mn, Fe e Cu

Glyadd® Zn 26%

Glyadd® Cu 24%

Glyadd® Mn 22%

Glyadd® Fe

Glyeggshell

*Certas informações associadas aos produtos, sua composição e reivindicações podem ser diferentes dependendo da região geográfica e podem não ser aplicáveis em todos os países.

A Liptosa reserva-se o direito de se adaptar às exigências e legislação de cada caso.

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

TIPO DE FONTE

O Elements Zinco está disponível na concentração de 22%

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

Zinco

Sais solúveis de zinco quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

O Elements Manganês está disponível na concentração de 22%

O Elements Cobre está disponível na concentração de 22%

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, cães, gatos, peixes e camarões

Manganês

Sais solúveis de manganês quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

NOME DO PRODUTO

Elements Zinco

Elements Manganês

Cobre

Sais solúveis de cobre quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Elements Cobre

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

TIPO DE FONTE

O Elements Selênio está disponível concentrações de 0,1, 0,2 e 0,5%

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, cães, gatos, peixes e camarões

Selênio

Sais solúveis de selênio quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

O Elements Cromo está disponível nas concentrações de 0,1 e 1,0%

Aves, suínos, bovinos, equinos e caprinos

Cromo

Sais solúveis de cromo quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

NOME DO PRODUTO

Elements Selênio

Elements Cromo

O Elements Ferro está disponível na concentração de 22%

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

Ferro

Sais solúveis de ferro quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Elements Ferro

SelSaf® 3000 é obtido a partir de uma cepa selecionada da levedura Saccharomyces cerevisiae, cultivada em um meio enriquecido com selenito de sódio o qual é biotransformado para a forma orgânica pela levedura, garantindo uma composição consistente.

Fonte de selênio orgânico de alta biodisponibilidade.

Todas as espécies e categorias animais

Selênio

Levedura enriquecida com Selênio Orgânico

SelSaf® 3000

MICROMINERAIS ESPÉCIE DESTINADA INFORMAÇÃO ADICIONAL

A linha de minerais orgânicos Plexomin®, da Phytobiotics, é fabricada em sua sede na Alemanha, em uma estrutura moderna e segura, que atende aos mais rigorosos padrões de qualidade. Os monoglicinatos são complexos minerais nos quais o aminoácido glicina encontra-se ligado organicamente a um micromineral, formando uma estrutura estável e de alta biodisponibilidade. Os produtos Plexomin® apresentam excelente qualidade física, na forma de granulados “dust free”, o que facilita o manuseio e garante maior precisão durante o processo de mistura. Para mais informações consultar: contato@ phytobiotics.com.br

Aves, Suínos, Bovinos, Caprinos, Ovinos, Cavalos, Peixes, Camarões, Cães e Gatos

NOME DO PRODUTO TIPO DE FONTE

Zinco

Cobre

Manganês

Complexo mineral zinco e glicinaConcentração de zinco 26%

Complexo mineral cobre e glicinaConcentração de cobre 24%

Complexo mineral manganês e glicinaConcentração de manganês 22%

Ferro

Complexo mineral ferro e glicinaConcentração de ferro 22%

Plexomin® Zn 26

Plexomin® Cu 24

Plexomin® Mn 22

Plexomin® Fe 22

AVICULTURA: 2026 SERÁ MARCADO PELA AMPLIAÇÃO

DOS EMBARQUES DE CARNE DE FRANGO

Fernando Henrique Lopes Iglesias

Coordenador de Inteligência de Mercado

Safras & Mercados

Aavicultura de corte brasileira atravessa um ano desafiador.

Conforme amplamente abordado neste espaço, o foco de Influenza Aviária em uma granja comercial, registrado em maio, alterou profundamente o prognóstico para um setor que crescia a olhos vistos.

Tanto que as exportações de carne de frango ao longo do primeiro quadrimestre foram simplesmente espetaculares.

O foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade foi rapidamente controlado pelas autoridades competentes. O plano de contingência criado em 2023 mostrou-se efetivo, sem maiores desdobramentos em torno de novas ocorrências.

Apesar do rigor do Brasil no controle da doença, diversos países embargaram a compra de produtos avícolas brasileiros, entre eles África do Sul, China, Filipinas e os países que compõem a União Europeia.

De todos os países citados, apenas a China ainda não restabeleceu a corrente de comércio com o Brasil. Recentemente, uma missão chinesa esteve no país para examinar o sistema produtivo brasileiro — passo essencial para a retomada dos embarques. Agora resta uma posição concreta da China quanto à retomada do fluxo normal de exportações, o que deve ocorrer ainda em 2025.

O mês de setembro de 2025 foi um marco para a avicultura de corte brasileira. Mesmo sem a China, o país atingiu o melhor resultado do ano em termos de volume exportado: 468,44 mil toneladas de carne de frango foram embarcadas, decréscimo de apenas 0,84% em relação a setembro de 2024, quando foram exportadas 472,42 mil toneladas.

É importante mencionar que os preços médios estão em declínio, algo compreensível diante do período em que o Brasil se deparou com embarques abaixo do habitual. O ambiente de grande quantidade de produto em estoque fez com que os importadores encontrassem as condições necessárias para reduzir os preços da carne de frango brasileira.

De qualquer forma, o resultado precisa ser comemorado. O volume prévio exportado em outubro é novamente animador. Como mencionado anteriormente, ainda não houve a retomada das exportações para a China, país que figurava como o principal importador da carne de frango brasileira, absorvendo entre 40 e 50 mil toneladas mensais.

Apesar das dificuldades em torno das exportações, o que se evidenciou nos meses que sucederam o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade foi a manutenção do alojamento de pintainhos de corte em patamar elevado.

Ou seja, a agroindústria entendeu que a ociosidade seria mais nociva do que a manutenção da produção em alto nível.

Tanto que os preços de reposição (pintainho de corte e ovo fértil) atingiram seu topo histórico ao longo de 2025.

Outro aspecto relevante é que os custos setoriais estiveram controlados ao longo do ano, especialmente no que se refere à nutrição animal. O ano vigente foi marcado por uma safrinha de excelente proporção, garantindo boa perspectiva para o abastecimento de milho. Da mesma forma, a produção de soja também foi recorde na atual temporada.

Além disso, em função do crescimento da produção nacional de biodiesel, houve ampliação do esmagamento de soja, visando maior oferta de óleo e farelo — o que assegurou boa disponibilidade desses insumos durante grande parte do ano.

Para o próximo ano, a expectativa é novamente de uma produção recorde de grãos, com bons números para as safras de soja e milho. Restam apenas as incertezas relacionadas ao clima e seus eventuais impactos na produtividade média. Mantidas as projeções atuais, o cenário aponta para mais um ano de boa oferta de insumos para a nutrição animal, sustentando um ambiente de custos controlados.

O último quadrimestre de 2025 vem marcando o processo de recuperação da avicultura de corte, com embarques em boa proporção.

Para o próximo ano, a expectativa é de ritmo acelerado de exportações, com o Brasil mantendo sua posição de destaque no cenário global, oferecendo produto de altíssima qualidade e preços competitivos em relação aos demais fornecedores.

A expectativa é que, em 2026, o Brasil exporte cerca de 5,5 milhões de toneladas de carne de frango, ante a projeção de 5,12 milhões de toneladas prevista para o ano corrente — crescimento estimado de 7,5%. Os números projetados para a próxima temporada indicam a retomada plena dos embarques brasileiros, consolidando o país como grande fornecedor global de carne de frango.

Em termos de produção, a expectativa é de que o país estabeleça um novo recorde em 2026. O alojamento de pintainhos de corte deve alcançar 7,4 bilhões, crescimento de 1,3% em relação ao ano vigente, quando devem ser alojados pouco mais de 7,3 bilhões. O que se observa na avicultura de corte nacional é um avanço da produção em taxas mais lentas, mas com crescimento gradual e consistente.

A produção estimada é de 15,6 milhões de toneladas em 2026, alta de 1,1% frente a 2025, quando devem ser produzidas cerca de 15,44 milhões de toneladas. O quadro projetado para 2026 aponta para uma oferta doméstica de 10,11 milhões de toneladas, decréscimo de 2% na comparação com o ano atual.

Fonte: APINCO, Elaboração: Safras & Mercado. (*) projeção

Disponibilidade Interna de Carne de Frango 2026

Fonte: SECEX, Apinco Elaboração: Safras & Mercado * Projeções: Safras & Mercado ** Incluindo

Exportação de Carne de Frango em mil toneladas**

Produção de Carne de Frango em mil toneladas

* Projeções: Safras & Mercado ** Incluindo as exportações de carne salgada

Disponibilidade Interna Mensal em mil toneladas

Estimativa Total de Disponibilidade Interna de Carne de Frango 2026

Vale destacar que o volume exportado é uma importante garantia de segurança alimentar para a população brasileira, oferecendo acesso a uma proteína de alto valor nutricional e baixo custo.

O baixo poder de compra da população brasileira é outra variável importante a ser considerada. Os consumidores tendem a priorizar produtos que causem menor impacto na renda per capita. Dentro do mercado de proteínas de origem animal, carne de frango, ovos e embutidos devem novamente concentrar a preferência das famílias, especialmente daquelas com renda média entre um e dois salários-mínimos.

Como fator positivo para o consumo no mercado doméstico, o ano de 2026 será marcado pela realização da Copa do Mundo no Brasil, evento que tende a produzir efeitos positivos sobre a demanda por proteínas de origem animal.

Além disso, apesar do baixo poder de compra, o nível de emprego permanece elevado, o que contribui para manter aquecida a demanda por proteínas de menor custo.

A situação cambial também merece atenção. O ano de 2026 será eleitoral, o que naturalmente traz instabilidade ao cenário econômico.

Somam-se a isso as tensões comerciais internacionais e a geopolítica turbulenta, fatores que aumentam a aversão ao risco e podem levar os investidores a buscar economias mais maduras, resultando em desvalorização do real. A questão fiscal brasileira segue como ponto de preocupação adicional.

Como fator de risco, é necessário mencionar novamente os riscos inerentes à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. O sistema produtivo brasileiro foi posto à prova em 2025 e demonstrou resiliência. Para o próximo ano, as medidas de biosseguridade serão intensificadas, a fim de evitar novos transtornos de mercado.

Vale ressaltar que o país que mais leva a sério a biosseguridade é, paradoxalmente, aquele que se depara com as restrições mais severas. O Brasil precisa intensificar as negociações com seus principais parceiros comerciais, revisando acordos e protocolos sanitários e incluindo cláusulas de regionalização de embargos em eventuais problemas sanitários.

Dessa forma, o país estaria menos exposto a esse tipo de situação, mantendo bom ritmo de embarques independentemente de ocorrências pontuais.

Avicultura: 2026 será marcado pela ampliação dos embarques de carne de frango BAIXAR EM PDF

SELÊNIO ORGÂNICO UMA COMPARAÇÃO DE FORMA, FONTE E FUNÇÃO

Desde a sua descoberta no início de 1900, o selênio tem apresentado um enigma nutricional devido ao seu duplo status como um oligoelemento potencialmente tóxico, mas altamente essencial. A forma em que o selênio é apresentado é o principal determinante de sua eficácia, com diferenças observadas entre as formas inorgânicas e orgânicas do elemento.

Embora o selenito de sódio, inorgânico, tenha sido historicamente a fonte mais comum de selênio adicionada a rações para nutrição animal, estudos descobriram que o selênio inorgânico tem uma alta toxicidade e suas taxas de absorção e conversão são baixas.

Descobriu-se que o selênio orgânico é a fonte mais eficaz, resultando em um aumento do número de animais nascidos vivos, estímulo da função imunológica, melhorias gerais na saúde animal e aumento do tempo de prateleira da carne, leite e ovos.

Equipe de pesquisa da Alltech

Embora essas observações possam ser atribuídas à melhoria geral no status antioxidante celular e redução dos efeitos do estresse oxidativo, os mecanismos exatos pelos quais esses efeitos são mediados permanecem ocultos.

A suplementação de selênio orgânico é agora reconhecida como uma estratégia para melhorar a nutrição, a saúde e o bem-estar animal. Pesquisas realizadas em pares mostraram claramente que a suplementação dietética com selênio orgânico resulta em aumento significativo da produção e potencializa a saúde geral de todas as espécies.

Funções biológicas do selênio

O selênio demonstrou desempenhar um papel crítico no controle e regulação do sistema antioxidante celular. Embora os sintomas de deficiência de selênio difiram entre as espécies, as funções do selênio em relação ao metabolismo são essencialmente as mesmas em todos os animais.

Selenoproteína

Iodotironinas desiodades

Glutationa peroxidases

Tioredoxina redutase

Selenoproteína P

Selenoproteína W

Selenoproteína da cápsula espermática

Após a sua absorção no corpo, o selênio pode se incorporar a numerosas enzimas e proteínas dependentes de selênio, que desempenham várias funções biológicas importantes.

ANTIOXIDANTE

Elétrons desemparelhados

Doação de elétron

RADICAIS LIVRES

A Tabela 1 descreve as principais selenoproteínas, suas funções primárias e quaisquer sintomas e estados de doença relacionados. O papel mais conhecido do selênio em sistemas biológicos é como cofator para a glutationa peroxidase, uma enzima antioxidante que é frequentemente usada como um indicador do status de selênio.

Função primária

Metabolismo da tireoide

Propiedades antioxidantes

Estrutura espermática

Síndrome/condição

Baixa taxa de crescimento

Malformação de pena

Sensibilidade ao frio

Miopatias

Suscetibilidade à doença

Diátese exsudativa

Atrofia pancreática

Perda por gotejamento

Infertilidade

Baixa eclodibilidade

Motilidade espermática

Infertilidade masculina

Tabela 1. Principais papéis biológicos das proteínas contendo selênio

O sinergismo entre a vitamina E e o selênio é conhecido há muitos anos. De fato, a essencialidade nutricional do selênio foi estabelecida com base em sua interação com a vitamina E, sendo inicialmente demonstrada em indivíduos com deficiência de vitamina E.

Ensaios subsequentes indicaram que o selênio poderia prevenir muitos dos sintomas da deficiência de vitamina E em uma variedade de espécies animais.

Absorção e retenção de selênio

A distribuição e retenção de selênio nos tecidos animais é dependente do tipo de selênio suplementado. A forma do elemento apresentado desempenha papel crucial na sua biodisponibilidade e eficácia.

Pool de proteinas

Via respiração

Via urina

O selênio orgânico é a fonte nutricional ideal e, após a absorção dentro da célula, é convertido em seleno-intermediários para posterior utilização e/ou excreção.

A absorção de selênio ocorre dentro do intestino delgado e, embora o L-SeMet seja absorvido usando mecanismos de transporte de metionina, a absorção de selênio inorgânico, como o selenito, é menos eficiente e ocorre principalmente por difusão passiva.

Após a absorção, o SeMet é incorporado em proteínas corporais como parte da metionina podendo atuar como reserva biológica de selênio, que pode ser utilizado durante períodos de ingestão subótima de selênio (Figura 1).

Fontes de selênio orgânico

Selenometionina

Selenocisteína

Selenocisteína

Excreção

Metilselenol CH3SeH

Dimetilselenol (CH3)2Se

Trimetilselênio (CH3)3Se+

Seleneto (H2Se)

Síntese de selenoproteínas

Selenofosfato

Selenocisteína

Incorporação em peptídeos/proteínas

Selenoproteínas

Figura 1. Vias metabólicas do selenoaminoácido

Toxidade

das fontes de selênio

A Tabela 2 destaca as toxicidades diferenciais associadas às fontes inorgânicas, orgânicas e quimicamente sintetizadas de selênio. De particular interesse nestes dados são as diferenças bastante distintas e notáveis entre as fontes de selênio.

As fontes de selênio inorgânicas e quimicamente sintetizadas têm atributos tóxicos claramente definidos, que são notavelmente semelhantes em relação às suas toxicidades orais agudas. Também são notáveis as sutilezas associadas às toxicidades das formas líquidas e sólidas dos mesmos produtos sintéticos de selênio.

Claramente, as fontes de selênio não podem ser consideradas iguais, pois é necessário cuidado e atenção consideráveis ao formular e manusear fontes sintéticas e inorgânicas.

Em termos de compreensão das diferenças de toxicidade entre as fontes de selênio, pode ser útil examinar a bioquímica por trás do selênio e seu potencial para agir negativamente em um nível celular.

As propriedades pró-oxidantes de fontes inorgânicas de selênio, como o selenito de sódio, originam-se de sua conversão em seleneto ou em selenóis, que são prontamente oxidados e geram espécies reativas de oxigênio (ROS).

A toxicidade do selenito está bem documentada como sendo causada principalmente por danos no DNA devido à indução de quebras de fita de DNA dependentes de ROS e / ou oxidação de base, o que leva à morte celular apoptótica e necrótica.

Tabela 2. Toxicidade da fonte de selênio e rotulagem dos perigos
Substância em estudo
(mg/kg/p.c.)
Rotulagem em conformidade com o Regulamento (CE) N° 1272/2008
Palavra de sinal
Selênio levedura
Nenhum necessário Nenhum necessário

Pesquisas mais recentes mostraram que os seleno compostos de livre acesso podem ter propriedades pró-oxidantes, que são iniciadas da mesma maneira que o selenito de sódio, mas podem ser aumentadas ainda mais devido ao início de ciclos adicionais de oxidação/redução.

Em última análise, esses ciclos redox consomem antioxidantes intracelulares, como o GSH e, consequentemente, o cofator redutor NADPH.

Não só esse ciclo redox induzido por seleno composto pode levar ao desequilíbrio antioxidante, mas também pode levar ao aumento e à produção sustentada de ROS, o que pode danificar ainda mais os ácidos nucleicos, proteínas e lipídios.

Além disso, os selenóis oxidados também podem catalisar a formação de pontes de dissulfeto entre tióis de baixo peso molecular e proteínas, potencialmente levando à inativação ou agregação de proteínas.

Estudos mais recentes indicam que a toxicidade dos seleno compostos de livre acesso resulta de sua conversão em selenocisteína, um selenoaminoácido com a capacidade de mediar o estresse proteotóxico, desempenhando, assim, um papel na toxicidade do selênio que foi anteriormente subestimado.

O risco inerente de toxicidade da proteotoxicidade mediada pela selenocisteína deve ser mais pesquisado para que a comunidade científica compreenda completamente as implicações associadas à sua geração celular.

Pode muito bem ser que as toxicidades aumentadas dos análogos quimicamente sintetizados sejam devidas ao aumento do ciclo redox e/ou ao aumento da indução de proteotoxidade devido ao aumento da síntese de selenocisteína a nível celular, levando a toxicidades orais agudas com um impacto semelhante ao do selenito de sódio inorgânico.

Claramente, pesquisas adicionais sobre essas questões de toxicidade recém-descritas são justificadas.

A incorporação de proteínas estabiliza a selenometionina

Em relação à toxicidade do seleno composto, um benefício da selênio levedura é a influência estabilizadora fornecida pela incorporação de peptídeos e proteínas do selênio. Graças à capacidade da levedura de incorporar aminoácidos contendo selênio em peptídeos e proteínas, o potencial de instabilidade é muito reduzido.

O uso de fontes de selênio sintetizadas quimicamente é potencialmente problemático no ambiente gastrointestinal por várias razões. Em primeiro lugar, em relação às formas sintéticas, a grande maioria dos seleno compostos na selênio levedura é ligada a proteínas e, como tal, é protegida de influenciadores negativos durante o trânsito gastrointestinal.

Em segundo lugar, o ambiente intestinal é oxidativo. O aumento dos níveis de pH pós-gástrico, juntamente com níveis modestos de gordura na dieta, a tornam um ambiente ideal para a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e a formação de moléculas prejudiciais, como peróxidos lipídicos.

Significativamente, o impacto no dano ao DNA, proteínas e lipídios mediados por ROS em nível celular é anulado. Em contraste, fontes quimicamente sintetizadas não têm o benefício protetor da incorporação de proteínas de levedura.

A instabilidade dos seleno aminoácidos sintéticos está bem documentada. Trabalhos mais antigos destacando esse fenômeno, por exemplo, submeteram amostras de L-selenometionina sintética e selênio levedura a condições oxidantes na forma de um desafio de peróxido.

Esses resultados são ilustrados na Figura 2, pela qual, ao aumentar as condições oxidantes da solução, a recuperação da L-selenometionina sintética em sua forma pura diminui rapidamente.

Em contraste, a recuperação da selenometionina a partir de selênio levedura permaneceu constante sob as mesmas condições, ilustrando assim sua maior estabilidade e reduzida suscetibilidade à oxidação. Embora não seja uma medição direta in vivo, esta técnica simples pode indicar utilmente a estabilidade potencial ou instabilidade das formas de oligoelementos quando uma pressão oxidante é aplicada.

Exemplos de agentes oxidantes comuns do trato gastrointestinal incluem radicais hidroxila e peróxidos lipídicos.

Recuperação (%)

Relação molar H202:Setmet

L-SeMet sintético

SeMet ligado a peptídeos (selênio levedura)

Figura 3. Efeito das condições oxidantes na recuperação de L-SeMet sintético e SeMet ligado a peptídeos (selênio levedura)

Considerações finais

No contexto dos dados gerais, é claro que a biodisponibilidade do selenoaminoácido e da selenoproteína variará entre as fontes à medida que transitam pelo trato gastrointestinal. Em um nível mais simplista, as diferenças na estabilidade das fontes de selênio também podem afetar parâmetros como prazo de validade e qualidade do produto.

Mais importante ainda, tais diferenças podem ter uma influência sobre o potencial tóxico de diferentes preparações – e, no caso de fontes de selênio sintetizadas quimicamente, podem conferir uma toxicidade semelhante à do selenito de sódio inorgânico.

Embora os métodos analíticos utilizados para avaliar e especificar fontes de selênio orgânico continuem a avançar, precisamos lembrar que, em última análise, a parte mais importante da avaliação de um aditivo para rações destinadas para animais de produção é considerar seu impacto no desempenho animal.

Isto é particularmente importante, dada a singularidade das preparações individuais de selênio orgânico e, como tal, os seus respectivos efeitos na saúde e no desempenho dos animais devem ser avaliados individualmente.

Ao contrário de outras fontes, a selênio levedura oferecida na forma de Sel-Plex® é a fonte de selênio orgânico com maior número de pesquisas disponíveis e foi apresentada em mais de 300 estudos de desempenho revisados por pares até o momento.

Esses estudos detalham sua eficácia em todas as espécies e estágios da vida, confirmando a capacidade do produto de influenciar positivamente importantes atributos de saúde e desempenho.

Em última análise, não só inspira confiança no produto como uma fonte orgânica de selênio, mas também maximiza a rentabilidade para os produtores de aves, suínos, ruminantes e aquacultura.

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Uma comparação de forma, fonte e função

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UM AGRONEGÓCIO CUNICULTURA:

SUSTENTÁVEL E LUCRATIVO,

DE TECNOLOGIAS NO BRASIL

Prof. Me. Silvio Mayke Leite Docente do Departamento de Zootecnia Doutorando de Zootecnia

Prof. Dr. Leandro Dalcin Castilha Docente do Departamento de Zootecnia

Universidade Estadual de Maringá

Com vasto potencial produtivo no Brasil e no mundo, a cunicultura se encontra em constante desenvolvimento pela gama de possibilidades em produtos e serviços. Compreendida como a criação racional de coelhos, de forma produtiva e econômica, oferece aos produtores a oportunidade de aproveitar o animal quase que por completo, desde a carne (produto nobre), até seus coprodutos, como a pele, dejetos (fezes e urina), sangue, cérebro, olhos e as vísceras, se apresentando uma

atividade sustentável por reduzir a geração de resíduos potencialmente poluidores ao meio ambiente, além de agregar valor aos resíduos e potencializar a rentabilidade.

Atualmente, a produção de coelhos possui um nicho específico de mercado tanto para cunicultura pet (os denominados coelhos de companhia), quanto para a cunicultura de corte (produção de carne), sendo uma das poucas culturas produtivas que possui as duas vertentes muito bem consolidadas, se mostrando a mais versátil entre as espécies de produção, ainda com excelente capacidade no ramo do artesanato, pelo aproveitamento das patas, cauda e pele para a confecção de chaveiros e souvenirs. Além disso, possui grandes participações no ramo da medicina, terapia assistida, fazendas de caça e repovoamento de áreas degradadas, sendo um animal utilizado como fonte alimentar na cadeia alimentar de animais que serão reintroduzidos em vida livre, como grandes felinos e caninos, répteis (cobras) e aves de rapina.

Conhecido por ter um grande potencial agrícola com grandes extensões de terra, o Brasil se destaca por possuir diversas atividades zootécnicas, dentre as quais a cunicultura que, mesmo pouco difundida, quando comparada a outras espécies, está progredindo gradualmente. A produção de coelhos é uma alternativa viável, principalmente para pequenos e médios produtores, que buscam uma forma extra de garantir sua renda.

A cunicultura é uma atividade de baixo investimento inicial, podendo ser desenvolvida em pequenos espaços, baixo investimento de manutenção, principalmente com a alimentação, por ser possível utilizar resíduos agroindustriais ou forragem produzida na propriedade, e ainda possui fácil administração, devido à docilidade e pequeno porte dos animais, com rápido retorno financeiro, por conta do rápido ciclo reprodutivo dos animais. Além disso, é uma das poucas atividades pecuárias que poder ser desenvolvida em fazendas verticais, devido à possibilidade de cultivar coelhos em gaiolas coletivas ou parques em andares sobrepostos (Figura 1).

Figura 1. Produção de coelhos em criação vertical. (Arquivo próprio).
Cunicultura

Figura 2.

Mapa do Brasil- tamanho do rebanho de coelhos (cabeças). Fonte: Censo agropecuário (IBGE, 2017).

Segundo o último sendo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, realizado em 2017, a população de coelhos no Brasil foi estimada em 200.345 animais, distribuídos em 16.095 estabelecimentos, sendo o Estado do Rio Grande do Sul o maior produtor de coelho do país (Figura 2). Contudo, esses dados não representam a quantidade real de coelhos no Brasil, visto que além de terem sido gerados há quase 10 anos, apresentam algumas inconsistências (Machado & Castilha, 2024)

Sem informação

No entanto, a FAOSTAT, principal base de dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), estimou em 2019 que o Brasil abateu mensalmente 65.083 animais (FAO, 2020), sendo em 2022 produzidas 852 toneladas de carne de coelho (FAOSTAT, 2024), com consumo estimado de 4 g/habitante/ano (Machado & Castilha, 2024).

Mesmo possuindo grandes possibilidades de entrega dentro da cadeia produtiva, a cunicultura brasileira enfrenta diferentes gargalos, principalmente aqueles referentes à falta de estrutura e organização do setor, como pouco material genético, quantidade insuficiente de abatedouros distribuídos ao longo de todo território nacional, baixo processamento da carne de coelho e reduzido número de profissionais qualificados no mercado. Contudo, para o produtor de coelhos (cunicultor), há outros pontos que se tornam relevantes para a granja e que podem, se não controlados, trazer prejuízos para a produção, como a alta mortalidade dos láparos do nascimento ao desmame, que ocorre por volta dos 35 dias de vida.

A perda de animais no período pós-parto até o desmame é o certamente o ponto mais crítico na cunicultura brasileira, pois ao nascerem os filhotes são totalmente dependentes dos cuidados maternos, desde a construção dos ninhos, que ocorre em torno de 5 dias antes do parto. Basicamente, as coelhas removem os pelos do ventre e dos membros para camuflar e aquecer os filhotes. Além disso, embora pouco frequente, a alimentação dos láparos através do leite é crucial para seu desenvolvimento durante as duas primeiras semanas de vida.

Segundo Machado et al. (2021), a mortalidade de filhotes nas granjas cunículas pode variar entre 11% e 43% (em casos de centros de pesquisa e de acordo com as condições experimentais), valor elevado quando comparado a outras criações zootécnicas, como avicultura (média de 2% de mortalidade) e suinocultura (média de 5% de mortalidade).

Principalmente nos primeiros 10 dias, os filhotes de coelhos são muito sensíveis às intempéries ambientais, pois ainda não possuem o sistema imunológico totalmente desenvolvido e encontram grandes dificuldades em manter a homeotermia corporal (Miranda & Castilha, 2020), já que possuem a temperatura de conforto térmico diferente das fêmeas. Além disso, nascem com os olhos fechados, abrindo-os após os 10 dias de nascimento, sendo o olfato seu principal sentido nos primeiros dias de vida, o que os impede de se autodefenderem, até mesmo contra o pisoteio pela própria matriz no ato de amamentar.

Do nascimento aos 15 dias de vida, os filhotes possuem o leite da fêmea como único e principal fonte de alimento, sendo um fluido natural produzido e liberado através das glândulas mamárias, essencial para o desenvolvimento pós-natal. Após esse período, dão início à transição da alimentação líquida para a sólida, consumindo a ração presente no comedouro, momento em que a quantidade de leite ingerida pelos filhotes diminui e a quantidade de ração aumenta até sessar por completo no desmame.

Dessa forma, além dos problemas relacionados ao desenvolvimento dos filhotes, complicações relacionadas às matrizes também podem ocorrer, como abortos, infanticídios e partos distócicos, além daqueles que podem impactar diretamente na sobrevivência da prole, como o desenvolvimento de algumas doenças que acometem as glândulas mamárias (metrite, mastite e mamite), a hipogalactia (produção insuficiente de leite), agalactia (ausência de produção de leite), abandono da prole e até a morte da fêmea.

Cunicultura

Diante do exposto, desenvolver estratégias que busquem minimizar os danos causados por eventuais entraves se faz importante para que os cunicultores não tenham prejuízos em sua produção, uma vez que no Brasil a maior parte das granjas de coelhos são constituídas por pequenos e médios produtores, e ainda há um alto número de agricultores familiares que fazem o uso da cunicultura como forma de subsistência. Sendo assim, o desenvolvimento de estratégias para a sobrevivência desses filhotes é primordial, cenário em que a compreensão da composição do leite da coelha constitui uma medida urgente para a formulação de um substituto específico para os láparos (sucedâneo).

Com o objetivo de desenvolver uma estratégia para redução da mortalidade de láparos até o período do desmame, uma pesquisa de doutorado está sendo realizada no Centro de Estudos em Coelhos – CECO, pertencente à Universidade Estadual de Maringá – UEM, no Estado do Paraná, por meio do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia – PPZ.

Para compreender a produção e a composição do leite das coelhas, 30 matrizes da raça Nova Zelândia Branco foram estudas, avaliando-se a produção total de leite e sua composição 1, 7, 14, 21, 28 e 35 dias após o parto. Para isso, 24h antes de cada dia da coleta, as matrizes foram separadas de suas ninhadas, permanecendo distantes dos filhotes para que não amamentassem e tivessem leite suficiente para a ordenha, realizada através de um protocolo de ordenha especialmente desenvolvido para coelhas na UEM, cuja metodologia consistia em estímulo hormonal (ocitocina), exposição aos láparos, massagens manuais e sucção mecânica.

Foi utilizado como ordenhadeira um aspirador cirúrgico de sangue e saliva (MD 100 – Medicate ®), com um tubo Falcon de 50ml acoplado à ponta da mangueira para coleta do leite. Contudo, para induzir fisiologicamente a liberação do leite, foi apresentado um láparo, que permaneceu cerca de 20 segundos em lactação para auxiliar no início da coleta. Além disso, durante toda a ordenha, foram realizadas massagens manuais para auxiliar na sucção pelo aspirador, sendo feita a coleta em todos os pares de teto das matrizes. A figura 3 apresenta um esquema do método de ordenha.

Figura 3.

Representação ilustrativa do protocolo de coleta de leite.

Matriz em período de lactação Separada dos filhotes por 24 horas

Leite acondicionado em tubos falcon

Tetos cheios de leite

Após a ordenha, as fêmeas foram colocadas novamente com os filhotes e mensurada a quantidade de leite consumido pelos mesmos através do método de pesar-amamentarpesar (Ferguson et al., 1997). O resultado dessa etapa da pesquisa revelou que a produção de leite se mostra crescente até os 21 dias, decaindo em seguida (figura 4).

Figura 4.

Produção de leite de coelha da raça Nova Zelândia Branco ao longo de 35 dias de lactação.

Massagens manuais

1° dose: aplicação intramuscular de ocitocina sintética

2° dose: 10 minutos após a primeira

Inicio da ordenha 10 minutos após a 2° dose

Estímulo para liberacão do leite

No início da produção (dia 1), produziu-se em média 85ml de leite, chegando ao pico de lactação (21 dias) com uma média de 125ml de leite produzido. Ao final do período de amamentação (35 dias de lactação), a média da produção de leite foi de 37ml por fêmea, sendo que algumas fêmeas já haviam realizado o desmame precoce dos filhotes e não estavam mais produzindo leite. A figura 5 aborda alguns momentos referentes a coleta de leite e a amamentação pela

Figura 5. À esquerda, a ordenhadeira coletando leite. Ao centro, dois tubos de leite coletado. À direita, fêmea amamentando os filhotes após a ordenha (Arquivo próprio).

Cunicultura

Em estudos anteriores, a composição do leite de fêmeas da mesma raça foi avaliada (Tabela 1), indicando aproximadamente 14,44% de gordura, 10,77% de proteína, 1,92% de minerais, 2,09% de lactose e 1.694,22 Kcal/L de energia bruta, além da estratificação dos minerais. Dessa forma, o leite da coelha se mostra extremamente gorduroso e proteico e pobre em lactose quando comparado a outras espécies de interesse zootécnico, se apresentando 3 vezes mais rico em gordura e proteína e 2 vezes mais pobre em lactose que o leite bovino (Maertens et al., 2006), o que garante um desenvolvimento inicial acelerado aos filhotes.

Para que o desenvolvimento de um sucedâneo seja efetivo, outros fatores devem ser avaliados, como a quantidade de leite consumida diariamente pelos filhotes. Dessa forma, outro estudo foi realizado, no qual 10 ninhadas com 8 filhotes foram submetidas ao aleitamento controlado. Esse método de aleitamento consiste em separar a fêmea dos filhotes e direcionar apenas para amamentar, sendo reservadas 2 gaiolas por fêmea: uma para a instalação do ninho e outra para a separação da matriz dos filhotes.

Tabela 1.

Composição média do leite da coelha Nova Zelândia Branco ao longo da lactação (35 dias).

VARIÁVEIS

Fósforo (%) 0,108

Sódio (%) 0,068

Magnésio (%) 0,041

Potássio (%)

Zinco (%)

Ferro (%)

Cobre (%) 0,0004

Manganês (%) 0,0003

Para todas as análises 5 fêmeas foram utilizadas, sendo coletado o leite nos dias 1, 7, 14, 21 e 28 dias de lactação e realizada uma média.

Após o parto, os láparos receberam o colostro (primeiras 72 horas) e em seguida a fêmea foi retirada da gaiola, sendo colocada diariamente no período da manhã para amamentar durante 10 minutos, uma vez ao dia, até que os láparos atingissem 35 dias de vida. A partir dos 16 dias de vida, foi acrescentada a ração ao comedouro dos láparos (300g por dia). Os resultados do consumo de leite e ração estão expressos na figura 6.

Figura 6.

Consumo de leite, ração e ganho de peso diário de láparos da raça Nova Zelândia Branco do nascimento ao desmame (35 dias de vida) sob condições de aleitamento controlado.

Dias pós-parto: Peso Vivo Consumo de Ração Consumo de Leite

Observa-se que os animais nasceram com média de 54g e terminaram o período experimental com média de 536g. Além disso, houve aumento na quantidade de leite ingerida pelos filhotes até os 20 dias de lactação, registrando-se o consumo de 40g de leite ingerido por filhote. A partir desse ponto, houve uma diminuição do consumo de leite pelos filhotes, chegando ao final do período experimental (35 dias) com consumo médio de 10g de leite/dia. Contudo, nota-se que a transição da alimentação líquida para a sólida se deu a partir de 17 dias de vida, momento em que os animais começaram a consumir a ração diretamente no comedouro.

Figura 7.

Filhote de coelho sendo amamentado artificialmente com mamadeira para cães e gatos (Arquivo próprio).

Essas informações permitirão definir o padrão de ingestão alimentar dos láparos, além dos dados referentes à produção e composição do leite das coelhas, oportunizando o desenvolvimento de uma fórmula artificial do leite da coelha, algo ainda inexistente no Brasil, e que poderá resultar na amamentação artificial de coelhos (Figura 7), especialmente direcionada para os animais órfãos ou cujas mães apresentem produção de leite insuficiente.

Cunicultura: um agronegócio sustentável e lucrativo, mas carente de tecnologias no brasil BAIXAR EM PDF

Os próximos passos da pesquisa em desenvolvimento na UEM serão a determinação da composição de micronutrientes, como aminoácidos, vitaminas, ácidos graxos e microminerais, buscando definir todos os constituintes presentes no leita da coelha, para o desenvolvimento de um sucedâneo completo, capaz de ser produzido em escala comercial, utilizando como base o substituto de leite humano sem lactose.

Cunicultura

DA MISTURA À BOCA DA VACA: QUALIDADE DA TMR SEM DESPERDÍCIO

João Ricardo Alves Pereira Zootecnista e Professor Adjunto Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR jricardouepg@gmail.com

Escolha do Vagão Misturador

O custo da alimentação na produção de leite ou engorda de bovinos pode representar até mais de 50% do custo total de produção. A ração concentrada é um dos principais itens de custo e a sua quantidade e tipo depende da qualidade e quantidade de alimento volumoso.

A alimentação equilibrada é fundamental para a saúde e o bem-estar dos animais, maximizar o ganho de peso, e para a produção de leite com teores adequados de sólidos totais.

A escolha criteriosa de um Vagão Misturador (Mixer) representa um investimento estratégico que pode gerar retornos significativos em termos de eficiência alimentar, desempenho animal e rentabilidade da produção.

Este artigo técnico tem como objetivo fornecer informações precisas e orientações práticas, capacitando técnicos e produtores a tomar decisões informadas e a selecionar o equipamento que melhor se adapta às suas necessidades.

Critérios Técnicos para a Seleção do Vagão Misturador

Com base na avaliação das necessidades operacionais, torna-se possível definir os critérios técnicos que nortearão a seleção do equipamento.

Dimensionamento do Vagão:

Qual a capacidade volumétrica (m³) requerida para atender à demanda do rebanho, considerando o consumo diário, a frequência de alimentação e a expectativa de crescimento do rebanho?

Composição da Dieta:

Quais os ingredientes são frequentemente utilizados na formulação da dieta (volumosos, concentrados, aditivos) e qual a proporção média de cada um?

Capacidade de Mistura:

O equipamento é capaz de processar e homogeneizar a dieta formulada, considerando a granulometria e a densidade dos ingredientes?

Incorporação de Forragem:

O sistema de mistura permite a incorporação e ciente de forragens (feno, pré-secado, silagem de milho), preservando a integridade das bras e evitando a segregação dos componentes?

Uniformidade da Mistura:

Qual a variação da mistura obtida, garantindo a distribuição homogênea dos nutrientes em cada porção da dieta?

Gerenciamento de Lotes:

A balança e o sistema de gestão do equipamento permitem a dosagem precisa e a distribuição individualizada da dieta para diferentes lotes de animais, considerando suas exigências nutricionais especí cas?

A etapa inicial para a seleção do vagão misturador ideal consiste na identificação precisa das demandas específicas de sua propriedade e as respostas às questões a seguir podem apresentar variações significativas entre diferentes produtores, mas são essenciais para a escolha do Vagão Misturador ideal:

Intensidade de Utilização:

Qual a frequência e a duração da utilização diária do equipamento, in uenciando a escolha de modelos com maior robustez e durabilidade?

Suporte Técnico:

Qual a disponibilidade de serviços de assistência técnica e manutenção preventiva na região, garantindo a longevidade e o desempenho do equipamento?

Características Construtivas:

O equipamento apresenta um projeto robusto, com materiais de alta resistência e componentes de qualidade, garantindo a durabilidade e a con abilidade em condições de uso intensivo?

Disponibilidade de Modelos:

Quais os modelos disponíveis no mercado, com diferentes capacidades, sistemas de mistura e funcionalidades, que se adequam às suas necessidades?

Referências de Mercado:

Existem outros produtores na região que utilizam o mesmo modelo de equipamento, permitindo a avaliação de seu desempenho em condições reais de operação?

Restrições Orçamentárias:

A empresa oferece opções de nanciamento para a aquisição do equipamento, considerando os custos de aquisição, instalação, operação e manutenção?

Modelos de Vagões Misturadores

Esta redução pode ou não ser uma função benéfica ou desejada da operação de mistura. Se de um lado o misturador deve ser capaz de processar a forragem por outro lado não deve reduzir tanto o tamanho das partículas de modo a prejudicar digestibilidade da dieta.

De modo geral, os vagões misturadores se enquadram nas seguintes categorias:

Vagão Misturador Horizontal

Este vagão usa dois, três ou quatro eixos para promover a mistura. ao longo do vagão no sentido horizontal. Em misturadores de três e quatro eixos, uma ou duas roscas giram em sentido contra-rotativos e/ou movimentos que promovem o fluxo dos alimentos em direção oposta um dos outros.

Auxilia na melhoria do comportamento alimentar e na eficiência metabólica ruminal Contribui para programas com ionóforos

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Nos projetos mais modernos desse tipo de misturador as roscas de mistura dos eixos principais são dotadas de facas entalhadas com capacidade de processar fibras mais longas em tamanhos adequados ao tipo de dieta desejada.

Contudo, é fundamental que se tenha a opção para que essas facas de corte possam ser substituídas por “facas cegas” (totalmente sem corte) para as dietas onde se deseja uma boa qualidade de mistura, mas com o mínimo processamento da forragem. As diferenças de projeto nesses misturadores incluem a velocidade de rotação dos eixos helicoidais (caixa de redução) e o diâmetro do eixo helicoidal.

Para esses tipos de vagão misturador é necessário um volume mínimo de 20 a 30% da capacidade de carga (em volume) para que os ciclos de mistura ocorram de forma satisfatória. Essa observação deve ser levada em consideração na escolha do tipo e do volume do vagão quando se tem, na mesma fazenda, lotes e/ou categorias com grande variação no número de animais.

Sequência de carga sugerida:

Misturas minerais/vitaminas/aditivos;

Farelos e grãos moídos finos;

Fazer uma pré mistura rápida;

Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;

Feno/silagens pré secadas ou de capins;

Fazer uma pré mistura para processar essa primeira forragem (reduzir tamanho partículas), se necessário;

Silagem de milho;

Tempo de mistura final.

Mecanismos para processamento de forragens:

Intenso

Todas as facas das roscas com corte + contra facas presentes.

Moderado

Parte ou todas as facas das roscas sem corte + contra facas presentes.

Mínimo

Todas as facas das roscas sem corte + remover contra faca lateral.

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador horizontal.

Facas de corte/cegas nas roscas de mistura.

Vagão Misturador Vertical

Este misturador consiste em uma estrutura com um (ou mais) eixo cónico vertical centrado. Uma caixa de engrenagens planetária e transmissão acionam o(s) eixo(s).

Um sistema de corte que pode ou não ser acionado é anexado à parede do vagão, aumentando a capacidade de processar e reduzir o tamanho das partículas da forragem, mesmo quando na forma de grandes fardos de feno ou silagem pré secada.

A rosca vertical, com suas pás helicoidais, impulsiona os ingredientes do fundo para a parte superior do vagão. Ao alcançar a parte superior os ingredientes descem, promovendo um ciclo contínuo de elevação e queda.

Esse fluxo alternado garante a homogeneidade, evitando a segregação dos componentes. Durante a mistura ou descarga o sistema pode alterar sua velocidade ou o tempo de rotação para adequar-se à densidade e tipo dos alimentos.

Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador vertical.

É indicado para dietas ricas em alimentos volumosos e para que o sistema de mistura tenha maior eficiência é necessário que o volume atinja entre 30 a 50% da capacidade de carga do vagão.

Contra facas lateral
Figura.

Essa característica deve ser levada em consideração para a mistura de dietas para lotes e categorias que, em certas ocasiões, podem ter menor número de animais.

Sequência de carga sugerida:

Misturas minerais/vitaminas/aditivos;

Farelos e grãos moídos finos;

Fazer uma pré mistura rápida;

Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;

Feno/silagens pré secadas ou de capins;

Fazer uma pré mistura para processar essa primeira forragem -reduzir tamanho partículas, se necessário;

Acionar ou recolher as contra facas de acordo com o processamento desejado para a essa primeira forragem;

Recolher contra facas;

Silagem de milho;

Tempo de mistura final.

Mecanismos para processamento de forragens:

Intenso

Todas as facas das roscas abertas + contra facas acionadas.

Moderado

Todas as facas das roscas abertas + contra facas recolhidas total ou parcial.

Mínimo

Todas as facas das roscas recolhidas + contras facas totalmente recolhidas.

Contra facas e opções de acionamento

Vagão Misturador com Rotor e Pás Tombadoras

Este tipo de vagão misturador combina um conjunto de roscas e um eixo maior dotado de pás tombadoras. Os alimentos são levantados e tombados pelo molinete, movendo-a para as roscas sem-fins rotativas que promovem uma ação de mistura, movimentando os alimentos de ponta a ponta e até a porta de descarga.

As facas nas roscas, quando presentes, processam minimamente a forragem quando necessário.

Facas de cortes nas roscas de mistura.

Este tipo de vagão é utilizado, na maioria das situações, para alimentação de gado de corte em confinamento, cujas dietas são ricas em concentrados e com baixos teores de fibra, que geralmente já está processada (forragens repicadas, bagaço de cana, ensilados, etc).

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagões misturadores com rotor e pás tombadoras.

Sequencia de carga sugerida:

Misturas minerais/vitaminas/aditivos; Farelos e grãos moídos finos; Fazer uma pré mistura rápida; Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos; Forragens/fibras processadas (baixa inclusão); Tempo de mistura final.

Vagão Misturador com Pás Tombadoras

Este vagão é dotado de pás misturadoras para levantar e rolar os alimentos. Um eixo central move os alimentos de ponta a ponta e até a porta de descarga.

É interessante que as pás tombadoras sejam revestidas ou acopladas a materiais flexíveis (borrachas) que raspem o fundo do vagão sem promover abrasão ou danificar os ingredientes da dieta.

A parte superior da caixa do vagão é aberta de modo a permitir o carregamento com estruturas de carga acopladas a tratores ou silos de descarga.

Esse tipo de vagão é ideal quando se tem dietas compostas por grãos inteiros e pellets e que exigem o mínimo possível de processamento (quebra), mas que demandam boa qualidade de mistura.

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador com pás tombadoras.

Sequência de carga sugerida:

Misturas minerais/vitaminas/aditivos; Farelos e grãos moídos ou íntegros;

Fazer uma pré mistura rápida;

Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;

Forragens/fibras processadas (baixa inclusão);

Tempo de mistura final.

Vagão Misturador com Helicoide

Este vagão é composto por uma estrutura de menor volume (até 2,5 m3) contendo um helicoide grande que promove a mistura por tombamento.

Uma rosca interna auxilia na mistura e move o material para a porta de descarga. Geralmente, esse tipo de vagão é acoplado ao sistema hidráulico do trator e é recomendado para situações onde o lote a ser alimentado é relativamente pequeno e não há necessidade de processamento da forragem. Em caso de inclusão de fibra longa é necessário o processamento prévio.

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador com helicóide.

Sequência de carga sugerida:

Forragens processadas (fenos/ silagens pré secadas picados);

Farelos/grãos moídos/rações concentradas;

Misturas minerais/vitaminas/aditivos (ideal é que estejam na ração);

Fazer uma pré mistura; Silagem de milho;

Tempo de mistura final.

Avaliação da qualidade da mistura da dieta total

Avaliar a qualidade da mistura da dieta total (TMR) é essencial para garantir um fornecimento uniforme dos alimentos, refletindo diretamente na eficiência produtiva e na saúde dos animais.

Quando o vagão misturador é capaz de proporcionar uma homogeneidade ideal, cada animal recebe a quantidade exata de energia, proteínas e demais nutrientes necessários para um desempenho otimizado.

Peneiras Malha (mm) Dieta total misturada % (TMR)

Peneira 1 19 mm 2 a 8

Peneira 2 8 mm 30 a 50

Peneira 3 4 mm 10 a 20

O conjunto de peneiras Penn State Box é usado para avaliar o tamanho das partículas e a distribuição da dieta total na linha de cocho.

A constância nos valores encontrados entre as amostras avaliadas é mais importante do que valores próximos ao sugerido pela “Penn State Box”

Avalie se o material retido na primeira peneira é passível de rejeição pelos animais (futuras sobras) ou é uma forragem/alimento de boa qualidade em tamanho maior de partícula que será consumido.

Da mistura à boca da vaca: Qualidade da TMR sem desperdício BAIXAR EM PDF

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