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Revista nutriNews Brasil 1°TRI 2022

Page 1

nutrinewsbrasil.com

1º TRIMESTRE 2022

UTILIZAÇÃO DO MILHETO

(PENNISETUM GLAUCUM)

NA DIETA DE AVES p. 4

Lucas Vieira Cirilo, José Henrique Stringhini, Higor Santiago Vieira dos Santos, Agnaldo Borge de Souza, Leandro Moreira da Silva

p. 68

TABELA de Microminerais Edição exclusiva Brasil


NOVO ANO, NOVOS DESAFIOS O ano de 2022 será além de desafiador para os produtores de proteína animal em razão aos custos de produção, especialmente milho e soja, chegando a preços recordes nessa última safra. Problemas relacionados à estiagem no Brasil vêm aumentando a cada dia como resultado das mudanças climáticas. Diante disto, tivemos quebra de safra, atingidos pelo segundo ano consecutivo de seca, especialmente na região sul do país, ocasionando colheitas menores. Outro episódio nebuloso que marcou o começo de 2022 ocorreu no dia 24 de fevereiro, quando as forças armadas russas invadiram a Ucrânia. É possível entender até certo ponto as guerras econômicas e políticas, mas os conflitos armados, que não têm outro resultado senão prejudicar a população civil, não deveriam ter lugar no mundo de hoje. Não são apenas os dois países que estão em conflito que pagam o preço por isso, mas o mundo inteiro. Para nós da cadeia de produção animal, as perspectivas não são favoráveis, pois haverá aumentos expressivos nos custos de produção.

A Ucrânia é responsável por cerca de 14% das exportações de milho para o mundo. Além disso, a Rússia e a Ucrânia representaram 26% das exportações globais de trigo no ano comercial 2021/22. Esta guerra reflete no mercado de combustíveis, que afeta toda a logística de transporte. Além disso, os custos de fertilizantes serão um grande desafio em 2022! Cerca de 85% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira vem do exterior, sendo a maior parte da Rússia, que é o maior exportador mundial de NPK.

Devido à uma questão de logística, a compra de fertilizantes desses dois países tornou-se mais difícil, podendo ser inviabilizada por completo. Por fim, a falta de oferta de defensivos agrícolas também tem impactado na produção agrícola.

EDITOR AGRINEWS LLC

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A junção desses custos vão deixando a rentabilidade baixa quando não, negativa. O setor está apreensivo e buscando soluções para esse problema e o papel dos profissionais envolvidos na cadeia de produção animal é encontrar soluções. A procura por ingredientes mais baratos visando substituição parcial do milho e da soja nas rações para a produção de dietas menos onerosas é uma alternativa. Existem diversas opções como: sorgo, milheto, girassol e cereais de inverno. Nesta edição a equipe do professor José Stringhini, especialista na área de nutrição de monogástrico, traz orientações de como substituir parcialmente o milho e a soja por milheto e girassol na dieta de aves sem que ocorra prejuízos no desempenho, possibilitando redução dos custos de produção. Além disso, será fundamental buscar estratégias que otimizem o manejo alimentar da fazenda como o uso de silagem de ração completa, tema abordado pelo grupo de pesquisa conduzido pelos professores João Daniel e Clóves Jobim da UEM, que tem como base o uso de subprodutos úmidos e o objetivo de melhorar a eficiência na produção de ruminantes. E por falar em aumento da eficiência de produção, essa edição aborda o uso da tecnologia de aditivos, suplementação de vitaminas e minerais, entre outras estratégias nutricionais que são fundamentais para o sucesso da produção animal.

Victoria Yasmin Domingues +55 (41) 99209-1549 nutrisocial@grupoagrinews.com DIREÇÃO TÉCNICA José Antonio Ribas Jr. (mercado) André Carreira (aves) Ines Andretta (suínos) Pedro Veiga (ruminantes) Luciano Trevizan (pets) Thiago Gil dos Santos (aquicultura) COORDENAÇÃO TÉCNICA Fernanda de Kássia Gomes REDAÇÃO Osmayra Cabrera Fernanda de Kássia Gomes Victoria Yasmin Domingues COLABORADORES Caio Abércio da Silva Diana Carla Fernandes Oliveira José Henrique Stringhini Lívia Maria dos Reis Barbosa Luciano Trevizan Sillas Mayron da Silva da Silva ADMINISTRAÇÃO Inés Navarro contabilidad@grupoagrinews.com nutribr@grupoagrinews.com https://nutrinewsbrasil.com GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015

Acreditamos que percorreremos um longo caminho em 2022, mas é claro, com o apoio dos técnicos, nutricionistas, pesquisadores, e demais envolvidos na nutrição animal aos produtores, a quem agradecemos pelo trabalho extraordinário! Boa leitura!

ISSN (Revista impressa) 2696-8126 ISSN (Revista digital) 2696-8134 Preço da subscrição: USD 30,00 (Brasil) USD 90,00 (Internacional) Revista Trimestral

Equipe nutriNews Brasil.

1 A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagen: Dreamstime

nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022


CONTEÚDOS 4

Utilização do milheto (Pennisetum Glaucum) na dieta de aves Lucas Vieira Cirilo1, José Henrique Stringhini2, Higor Santiago Vieira dos Santos3, Agnaldo Borge de Souza3, Leandro Moreira da Silva4 Mestre em zootecnia, doutorando em Zootecnia, Universidade Federal de Goiás. 2 Professor do Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Goiás 3 Zootecnista, mestrando em zootecnia, Universidade federal de Goiás 4 Mestre em zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco;

18

Bacillus Subtilis SL-12- Promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial Fabrizio Matté VETANCO

1

12

Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte Alison Batista Vieira Silva Gouveia1, Lorrayne Moraes de Paulo2, Allan Gabriel Ferreira Dias1, João Marcos Monteiro Batista1, Cibele Silva Minafra3, José Henrique Stringhini4 1 Universidade Federal de Goiás - Doutorando em Zootecnia 2 Universidade Federal de Goiás - Mestranda em Zootecnia 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano - Campus Rio Verde - Doutora em Bioquímica Agrícola 4 Professor do Departamento de Zootecnia Universidade Federal de Goiás

2 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022

Silagem de ração completa:

24 possibilidades e limitações do uso na fazenda

Sillas Mayron da Silva da Silva1, Gustavo Lazzari2, Clóves Cabreira Jobim3, João Luiz Pratti Daniel3 1 Doutorando em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá – UEM 2 Mestre em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá – UEM 3 Professor do Departamento de Zootecnia, UEM – Maringá.


nutrinewsbrasil.com 30

Utilização de glicose em ruminantes: Diferenças entre a absorção e o metabolismo do amido e da glicose

O acúmulo de cálculo dentário

60 e o papel da nutrição para manter a saúde oral

Caroline Fredrich Dourado Pinto1, Luciano Trevizan2

Juan Pablo Russi Engenheiro Agrônomo, MSc. Nutrição Animal (Aberdeen Univesity), DSc. Ciências Veterinárias (Universidad de La Plata)

38

Novas aplicações das curvas NIR um passo à frente na identificação da qualidade de milho

Alexandre Barbosa de Brito

Zootecnista e Doutoranda em Zootecnia, PPG Zootecnia – UFRGS 2 Professor do Departamento de Zootecnia – UFRGS 1

68 Tabela de Microminerais 2022 Edição Brasil

ABVISTA

46

Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte II

74

Lívia Maria dos Reis Barbosa1, Dante Teixeira Valente Júnior2, Karine Assis Costa3, Gustavo de Amorim Rodrigues2, Marcos Henrique Soares4, Maykelly Da Silva Gomes2 1 Professora do curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) 2 Doutorando do Programa de Pós-graduação em Zootecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV) 3 Pós- doutoranda do Instituto de Zootecnia Sertãozinho (SP) 4 Especialista em nutrição de suínos, Vaccinar, Belo Horizonte, MG, Brasil.

54

Manejo alimentar: tipos de ração, taxas de arraçoamento e estratégia alimentar

Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no brasil - leitões lactentes e em fase de creche

Dr. Danyel Bueno Dalto1 e Prof. Dr. Caio Abércio da Silva2 1 Agriculture and Agri-Food Canada, Sherbrooke, Quebec, Canadá 2 Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

82

Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?

Mieke Zoon e Céline Robin PANCOSMA

Diana Carla Fernandes Oliveira1, Gilmara Junqueira Machado2, Naiara Cristina Motta3 1 Bolsista de Desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação, Universidade Federal de Lavras 2 Pós-Doutoranda, Universidade Federal de Lavras 3 Consultora da empresa CENTERFISH Pesquisa e Consultoria Ambiental

3 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022


UTILIZAÇÃO DO MILHETO (PENNISETUM GLAUCUM) NA DIETA DE AVES Lucas Vieira Cirilo1, José Henrique Stringhini2 , Higor Santiago Vieira dos Santos3, Agnaldo Borge de Souza3, Leandro Moreira da Silva4 1 Mestre em zootecnia, doutorando em Zootecnia, Universidade Federal de Goiás. Email: cirilolks@gmail.com 2 Professor do Departamento de Zootecnia - Universidade Federal de Goiás 3 Zootecnista, mestrando em zootecnia, Universidade Federal de Goiás 4 Mestre em zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco;

O milho e o farelo de soja compõem

milheto

tradicionalmente as principais fontes energéticas e proteicas, respectivamente, na formulação de rações para aves no Brasil. No entanto, a oscilação nos preços destes insumos sugere a busca por ingredientes alternativos para a sua substituição total ou parcial, a fim de baratear os custos com a alimentação, que podem representar até 80% do custo total no sistema de produção.

O milheto (Pennisetum glaucum), pertence à família Poaceae, sub família Panicoidae, gênero Pennisetum (Kumar & Niomey, 1989), originário de clima tropical e semiárido do continente Africano, sendo posteriormente disperso para outros continentes e atualmente abrange vasta extensão territorial. É uma gramínea forrageira anual de verão, de espécie cespitosa, porte alto e hábito ereto, ciclo vegetativo curto (60 a 90 dias em cultivares precoces e 100 a 150 dias em cultivares tardios) (Kollet et al., 2006).

4 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Essa forrageira tem ganhado destaque no agronegócio brasileiro, por apresentar vantagens em sua cultura, sobretudo pela sua rusticidade e adaptabilidade às condições edafoclimáticas no

O potencial produtivo do milheto é

em condições de temperatura que variam de 25 a 35°C (Buso et al., 2014).

milheto

capaz de alcançar até 60 toneladas de

desenvolvimento e produção,

matéria verde e 20 toneladas de matéria seca por hectare, o que lhe permite uma versatilidade de uso que vai desde: Forrageira com excelente

Além disso, apresenta tolerância ao estresse hídrico, que torna possível produzir este grão em solos pobres e regiões de baixa pluviosidade, devido ao seu sistema radicular profundo e consequente capacidade de extrair nutrientes. Este processo

qualidade de silagem; Cobertura de solo nas áreas de plantio direto e; A utilização de seus grãos tanto na alimentação humana como animal (Belon et al., 2009; Pereira Filho et al., 2003).

permite a sua sobrevivência em condição de solos arenosos ou ácidos e com pouca matéria orgânica ou baixa fertilidade (Camargo et al., 2009; Tabosa et al., 1989).

O uso do milheto como ingrediente alternativo na dieta de aves tem ganhado ênfase por apresentar baixo custo de produção, já que é possível realizar pelo menos dois cortes por ano, a partir de um único plantio (Pinto et al., 2009).

5 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Apresenta baixo custo como ingrediente

No entanto, em análise bromatológica, Gomes et

na ração,

al. (2008) encontraram valores similares em seus resultados, sendo:

Maior teor de proteína e concentração de aminoácidos,

88,53% de matéria seca

Além de valores de digestibilidade de nutrientes adequados em relação ao milho

12,71% de proteína bruta

e ao sorgo (Moura et al., 2019).

5,40% de fibra bruta

Os valores de composição química e energética do milheto, definidos por Rostagno et al. (2017),

3,10% de extrato etéreo

estão dispostos na Tabela 1.

3604 Kcal de energia bruta

Tabela 1. Composição química e energética do milheto

milheto

Componente

2656 Kcal de energia

Percentual

metabolizável

Matéria seca (%)

89,0

Proteína bruta (%)

12,4

Fibra bruta (%)

2,52

Segundo Rostagno (2017), os valores de

Extrato etéreo (%)

4,02

composição nutricional do milho são de:

Fósforo (%)

0,29

Cálcio (%)

0,04

Energia bruta (kcal.kg-1)

3963

EMAn (kcal.kg-1) (Rostagno et al., 2017).

3189

87,0% de matéria seca

6,92%

A composição do milheto pode variar em função:

de proteína bruta

Do cultivar; Das atividades relacionadas ao plantio e

3,50%

cultivo que são realizados;

para extrato etéreo,

Condições edafoclimáticas, dentre outros fatores.

Sendo estes valores inferiores aos do milheto, como verificado nos valores apresentados na Tabela 1 sugerindo a vantagem de se utilizar este ingrediente alternativo em dietas avícolas.

6 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Apesar de não apresentar grande conteúdo de fatores antinutricionais, o milheto tem energia metabolizável inferior à do milho, para frangos de corte (Moura et al., 2019). Além disso, uma fração fibrosa deste ingrediente pode dificultar o seu aproveitamento pelos animais e, com isso, torna-se necessário a adoção de estratégias que contribuam para aumentar a disponibilidade da energia e dos nutrientes deste alimento, como por exemplo, a inclusão de enzimas exógenas na dieta (Rostagno et al., 2011).

RESULTADOS DE PESQUISAS UTILIZANDO MILHETO EM DIETAS PARA AVES Nas últimas décadas, têm sido demonstrados resultados da utilização de milheto em dietas para aves, como alguns estudos recentes têm reforçado, apresentando dados que podem ser considerados satisfatórios.

A capacidade das enzimas exógenas em aumentar a redução dos fatores antinutricionais presentes nos ingredientes, promove a maior disponibilidade desses nutrientes da dieta com a consequente melhora no desempenho animal (Onderci et al., 2006).

Hidalgo et al. (2004) relataram que a inclusão de até 10% de grão de milheto na dieta de frangos de corte de 1 a 42 dias de idade não afetou o seu desempenho

milheto

a digestibilidade de nutrientes das rações com

e características de carcaça, comparada à dieta controle.

Posteriormente, Gomes et al. (2008), ao estudarem os diferentes níveis de inclusão de milheto na dieta de frangos de 1 a 21 dias, encontraram melhor resposta de desempenho em dietas com 20% de inclusão do grão. Além disso, os autores relataram valores de energia metabolizável aparente Sendo assim, a adição de

corrigida de 2556 kcal/kg.

enzimas monocomponentes ou complexos enzimáticos em dietas para aves se caracteriza como uma estratégia possível de ser adotada, quando o milheto é incluído como ingrediente alternativo ao milho.

Da mesma forma, Manwar e Mandal (2009) não observaram efeito em até 75% de substituição do milho por milheto para frangos.

7 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Akinola et al. (2015), em experimento

melhor conversão alimentar e maior peso final,

substituindo milho por milheto inteiro para

comparado ao tratamento controle. Kawu et al.

avaliar o desempenho de frangos (Tabelas 2 e 3),

(2020) encontraram melhores resultados de

mostraram que não houve diferença no ganho

desempenho e de características de carcaça de

de peso final e na carcaça à 60% de inclusão na

frangos em que houve substituição de até 10% do

dieta. No entanto, o nível de 20% proporcionou

milho pelo grão de milheto.

Tabela 2. Efeito de dietas com milheto integral no desempenho de frangos de corte Parâmetros

T1 (0% MI)

T2 (20% MI)

T3 (40% MI)

T4 (60% MI)

EPM

Peso inicial (g/ave)

40,00

40,00

40,00

40,00

-

Peso final (g/ave)

2080

2070

2070

2080

0,03

Ganho de peso (g/ave)

2040

milheto

TRC (g/ave/dia)

4356,80

2030

2030

2030

11,00

3528,00

4239,20

4300,80

72,50

Conversão alimentar

2,14a

1,74a

2,09a

2,11a

0,35

Custo de ração/ave

388,77

385,62

383,10

376,24

-

0,48

0,48

0,00

0,24

-

Mortalidade (%)

a

a

a

a

* TRC = Total de ração consumida, EPM = erro padrão da média, MI = milheto integral; * a, b - médias dentro de cada linha diferem significativamente. (Akinola, 2015).

Tabela 3. Efeito de dietas de milho integral na carcaça e rendimento de órgãos de frangos de corte Parâmetros

T1 (0% MI)

T2 (20% MI)

T3 (40% MI)

T4 (60% MI)

EPM

Peito

21,03

20,99

20,97

20,94

0,47

Dorso

17,32

17,01

17,00

16,99

0,45

Coxa

14,62

14,98

14,60

14,53

0,19

Pescoço

5,23

5,24

5,18

5,20

0,30

Tíbia

5,11

5,12

5,09

5,10

0,28

Asa

9,37

9,35

9,32

9,30

0,18

Coração

0,74

0,73

0,74

0,72

0,14

Fígado

2,08

2,03

2,02

2,05

0,12

Moela

4,25

4,19

4,20

4,22

0,13

Adaptado de Akinola et al., (2015). MI= milheto integral, EPM= erro padrão da média.

8 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Com objetivo de buscar o maior aproveitamento do potencial nutricional do milheto, Moura et al. (2019) utilizaram este ingrediente associado à complexos enzimáticos e verificaram que não houve o favorecimento da utilização da energia, no entanto, melhorou o coeficiente de digestibilidade da proteína do milheto em frangos de 1 a 20 e 31 a 40 dias de idade.

Mehri et al. (2010) relataram que a produção máxima de ovos ocorreu quando houve substituição de 75% de milho por milheto, enquanto 100% de inclusão resultou em 10% de redução na produção de ovos e conversão 18% mais baixa que na dieta controle. Em trabalho anterior, Garcia e Dale (2006) relataram que a inclusão de 10% de milheto na dieta de poedeiras não influenciou o consumo de ração ou a produção de ovos e

Da mesma forma, Leite et al. (2011) relataram que a adição de enzimas

proporcionou maior digestibilidade de amido.

à dieta contendo milheto não proporcionou ganho no desempenho de frangos. Do contrário, Edache et al. (2020) afirmaram que a inclusão de até 100% de milheto na dieta de frangos, suplementado com enzimas, não

milheto

apresentou efeitos adversos em sua carcaça ou parâmetros hematológicos.

Em pesquisa com poedeiras, foi possível verificar que a inclusão de milheto pode modificar o perfil lipídico da gema, como demonstrado por Collins et al. (1997), em que aves alimentadas com rações contendo milheto produziram

Muramatsu et al. (2005), em estudo Ovos enriquecidos com ácidos graxos poli-insaturados;

com dietas contendo milheto e diferentes níveis de óleo de soja, relataram que o desempenho das poedeiras comerciais não foi

Bem como o aumento de 2% no peso da gema e;

afetado pela inclusão desses ingredientes (Tabela 4). No entanto, os autores constataram aumento nos teores de ácido linoleico, linolênico e DHA e ainda,

Redução da sua coloração em 62%,

redução nas relações linoleico/DHA, linoleico/

fazendo-se necessário o uso de

linolênico + DHA/linoleico + linolênico + DHA

pigmentantes na dieta.

dos ovos produzidos (Tabela 5).

9 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Tabela 4. Consumo de ração (g/ave/dia), produção de ovos (%), massa de ovos (g/ave/ciclo), onversão alimentar (C.A.) e peso dos ovos (g) das poedeiras no ciclo total. Consumo de ração(g/ave/dia)

Produção de ovos (%)

Massa de ovos (g)

Conversão alimentar (kg/kg)

Conversão alimentar (kg/dz)

Peso dos ovos (g)

0

107,63a

82,84

5734,8

2,11

1,56

61,84

2,5

a

108,24

85,94

5895,2

2,06

1,52

61,25

3,5

106,75a

83,79

5941,8

2,02

1,53

63,33

4,5

107,02

81,98

5736,4

2,10

1,57

62,49

3,3

b

99,87

83,79

5656,6

1,99

1,44

60,24

4,3

101,82

82,98

5784,5

1,98

1,48

62,25

5,3

101,69

81,31

5644,0

2,04

1,58

62,05

2,77

4,97

5,46

4,96

5,14

2,07

MILHETO

MILHO

Óleo (%)

milheto

CV (%)

a

b b

Médias seguidas de letras distintas dentro da mesma coluna indicam diferença estatística (Duncan, P<0,05). Muramatsu et al., (2005).

Tabela 5. Composição em ácidos graxos poliinsaturados nos lipídios da gema dos ovos provenientes de diferentes tratamentos experimentais: ácido linoléico linolênico, docosahexanóico(DHA), linoléico + docosahexanóico (DHA), linoléico + linolênico + docosahexanóico (DHA) - PUFAs. Concentração de ácidos graxos poliinsaturados nos lipídios da gema (%) Ácido linoleico

Ácido linoleico

DHA

Ácido linoleico + DHA

Ácido linoleico + linolênico +DHA PUFAs

0

11,789c

0,900d

0,543b

1,444b

13,232d

2,5

17,791b

1,171c

1,152a

2,322a

20,113c

3,5

21,377ab

1,258c

1,431a

2,689a

24,066ab

4,5

23,047

1,550

1,386

a

2,935

25,982a

3,3

18,838b

1,221bc

1,300a

2,521a

21,358bc

4,3

21,491ab

1,431ab

1,423a

2,855a

24,346ab

5,3

21,619ab

1,511a

1,272a

2,782a

24,401ab

9,39

10,09

20,20

11,13

8,93

MILHETO

MILHO

Óleo (%)

CV (%)

a

a

a

Médias seguidas de letras distintas dentro da mesma coluna indicam diferença estatística (Duncan, P<0,05). Muramatsu et al., (2005).

10 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves


Garcia et al. (2011) constataram que a inclusão de 20% de milheto em substituição ao milho não influenciou O consumo; A conversão alimentar e; O percentual de postura ou parâmetros de qualidade interna e externa dos ovos; Além de apresentar menor viabilidade econômica (Tabela 6); No entanto, reduziu a cor da gema à medida que os níveis do ingrediente eram aumentados.

Tabela 6. Desempenho e qualidade de ovo de poedeiras comerciais alimentadas com milheto Níveis de milheto (%) DESEMPENHO 20

40

60

80

100

97,37±0,84

97,20±0,72

95,55±0,87

93,80±1,22

94,53±0,50

96,69±1,22

2,57

NS

% Postura

92,78±0,34

91,47±0,60

93,35±0,75

89,72±1,85

92,98±0,77

93,06±0,87

2,83

NS

CA (kg.kg )

1,711±0,018 1, 759±0,017 1,676±0,020 1,731±0,035 1,697±0,019 1,707±0,015

3,36

NS

CA (kg.dz )

1,248±0,010

2,95

NS

1

-1

1

-1

1,263±0,013 1,220±0,014 1,251±0,021 1,214±0,010 1,237±0,011

CV (%) Regressão

QUANTIDADE OVOS Peso do ovo (g)

61,37±0,24

60,47±0,35

61,18±0,42

60,63±0,46

60,06±0,59

60,98±0,43

1,87

NS

% Casca

8,63±0,05

8,72±0,06

8,64±0,06

8,65±0,04

8,72±0,06

8,64±0,05

1,66

NS

Espessura de casca

0,497±0,004

0,492±0,004 0,495±0,004 0,495±0,003 0,497±0,004 0,494±0,003

1,99

NS

Unidade Haugh

95,51±0,44

95,59±0,46

96,48±0,84

1,83

NS

1,082±0,001 1,082±0,002 1,081±0,000 1,081±0,000 1,080±0,000

0,20

NS

Gravidade específica 1,080±0,000

96,12±0,82

96,50±0,63

96,75±0,69

Conversão alimentar. *Significativo pelo teste de Dunnett (p > 0,05). Garcia et al., (2011).

1

CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto, pode-se concluir que o milheto apresenta inúmeras vantagens, não só no ponto de vista nutricional, mas também econômico. Sua utilização em níveis de inclusão indicados em estudos, mostra eficiência no sistema de alimentação da avicultura, ressaltando a importância de pesquisas a fim de se obter mais informações a cerca desse ingrediente e reforça a possibilidade de adesão à fontes alternativas de alimentos para aves, com o objetivo de baratear os

Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves

custos no sistema de produção.

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11 nutriNews Brasil 1º trimestre 2022 | Utilização do milheto (Pennisetum glaucum) na dieta de aves

milheto

0 Consumo (g.ave-1)


GIRASSOL NA ALIMENTAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE FARELO DE

Alison Batista Vieira Silva Gouveia1, Lorrayne Moraes de Paulo2, Allan Gabriel Ferreira Dias1, João Marcos Monteiro Batista1, Cibele Silva Minafra3, José Henrique Stringhini4 Universidade Federal de Goiás - Doutorando em Zootecnia

1

Universidade Federal de Goiás - Mestranda em Zootecnia

2

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano - Campus Rio Verde - Doutora em Bioquímica

3

Professor do Departamento de Zootecnia - Universidade Federal de Goiás

4

farelo de girassol

Responsável por 70 a 80% da composição da ração de aves no país, os grãos de milho e o farelo de soja têm trazido preocupação para os produtores de aves, em razão da alta do preço destes grãos no mercado, o que impulsiona as cadeias produtivas a buscar alternativas alimentares (Fernandes et al., 2017).

Segundo Stringhini et al. (2000), o farelo de girassol é um coproduto da indústria de óleos vegetais, resultante da moagem de sementes de girassol (Helianthus sp.), no processo industrial da extração do óleo, podendo ou não conter a casca.

O farelo de girassol pode substituir 50% a 100% do farelo de soja em dietas para frangos de corte Estes alimentos alternativos, além de diminuir custos, se caracterizam pela oportunidade de encontrar fontes energéticas ou proteicas, sem que ocorram prejuízos no desempenho, possibilitando a diminuição do passivo ambiental e reduzindo os custos de produção (Costa et al., 2015; Maciel et al.,

sem diminuir o desempenho do crescimento, se a lisina (Lys) e a metionina (Met) estiverem equilibradas (Musharaf, 1991; Senkoylu & Dale, 1999; Kocher

et al., 2000; Waititu et al., 2018a).

2019).

12 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte


Composição do farelo de girassol

O farelo de girassol apresenta grande variação em sua composição, sendo considerado como um ingrediente alternativo na alimentação de frangos de corte. Porém, sua inclusão em rações é limitada em virtude do seu Alto teor de fibra, Baixa energia metabolizável e Custo,

Uma vez que para incluir este alimento em dietas é necessário a suplementação com óleo e aminoácidos (Rezaei & Hafezian, 2007; Tavernari et al., 2008; Oliveira et al., 2016). O farelo de girassol, apesar de sua composição proteica rica em aminoácidos sulfurados, apresenta deficiência em lisina (Pinheiro et al., 2002; Carellos et al., 2005). Os valores deste aminoácido variam entre 0,9 e 1,5%, dependendo da presença maior ou menor de casca (Silva et al., 2002).

Assim, como os teores de lisina que são mais baixos do que o farelo de soja, os coeficientes de digestibilidade verdadeira do farelo de girassol são mais baixos (Tavernari et al., 2010).

13 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte

farelo de girassol

Segundo Rosa et al. (2009) e Tavernari et al. (2010), a produção do farelo de girassol baseia-se na extração contínua do óleo utilizando solvente e, após este processo, o material é encaminhado para tostagem e resfriamento, gerando um coproduto com valores de proteína bruta de aproximadamente 28%.


farelo de girassol

Tabela 1. Composição do farelo de girassol presente na tabela brasileira de e aves e suínos e em diferentes estudos

14 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte


Fatores antinutricionais presentes no farelo de girassol

destacam-se especialmente o

Ácido clorogênico e Ácido cafeico,

O que podem afetar a qualidade da proteína do girassol de várias maneiras,

farelo de girassol

Segundo Santos et al. (2006), o termo “fator antinutricional” tem sido utilizado para descrever compostos ou classes de compostos presentes numa extensa variedade de alimentos de origem vegetal que, quando consumidos, reduzem o valor nutritivo desses alimentos.

Dentre os compostos fenólicos,

(Bau et al., 1983, González-Pérez & Vereijken, 2008, Kroll et al., 2003, Moure et al., 2006). Portanto, o conhecimento dos fatores antinutricionais presentes nos diversos alimentos, como os níveis ótimos de inclusão a serem utilizados nas rações, possibilitam o melhor aproveitamento dos nutrientes sem afetar a saúde dos animais

(Andrade et al., 2015). A utilização do farelo de girassol como fonte proteica em dietas para não ruminantes ainda é limitada pela presença de quantidades elevadas de compostos fenólicos, que causam redução da digestibilidade proteica e alteração das propriedades organolépticas e funcionais do farelo de girassol (Salgado et al., 2012).

Além dos compostos fenólicos, outro fator antinutricional encontrado no farelo de girassol, que merece destaque é o fitato. Segundo Selle & Ravindran (2007), quimicamente o termo fitato é utilizado para tratar do sal do ácido fítico, que é formado por seis grupos de fosfatos ligados a uma molécula contendo seis carbonos, esta estrutura possui baixo peso molecular. O fitato é a maior reserva de fosfato da planta

(Fernandes et al., 2013).

15 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte


Os fitatos são derivados do ácido fítico ou ácido hexafosfórico mioinositol, com habilidade de formar quelantes com íons bivalentes, tais como o Ca2+, Zn2+, Co2+, Mn2+, Mg2+, Fe2+, Cu2+, formando complexos solúveis resistentes à ação do trato intestinal, que diminuem a disponibilidade desses minerais e, embora esse seja seu maior efeito, os fitatos também interagem com resíduos básicos das proteínas, participando da inibição de enzimas digestivas como a pepsina e a α-amilase (Torrezan et al., 2010; Benevides et al., 2011; Delmaschio, 2018).

Utilização do farelo de girassol em rações de frangos de corte

farelo de girassol

As aves, assim como os outros animais monogástricos, não sintetizam a enzima fitase. Portanto, a eficiência no aproveitamento do fósforo de origem vegetal por esses animais é baixa, sendo este mineral de suma importância para o desenvolvimento ósseo e outras funções metabólicas das aves. Para minimizar os efeitos do fitato sobre as aves, o principal método utilizado é a adição da enzima exógena fitase na ração.

A fitase é uma enzima que age clivando as ligações do grupo fosfato do fitato, liberando o fósforo e outros minerais que fazem parte dessa molécula, melhorando a disponibilidade do fósforo, assim como de outros minerais, como magnésio, manganês, cobre, ferro e zinco (Junqueira et al., 2010).

16 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte

O farelo de girassol tem sido utilizado em vários estudos na alimentação de frangos de corte, como substituto ao farelo de soja apresentando resultados inconsistentes. A inclusão de farelo de girassol resultou em pior desempenho de frangos em alguns estudos (Abdelrahman et al., 2007), enquanto em outros, a inclusão de farelo de girassol até 20% (El-Sherif et al., 1997), ou em níveis ainda mais altos (Rama Rao et al., 2006; Mushtaq et al., 2009) não tiveram nenhum efeito sobre o peso corporal médio ou ganho de peso. Outros estudos têm sido realizados ao longo dos anos, e observou-se que o farelo de girassol pode ser utilizado na alimentação sem influenciar o desempenho animal, conforme pode ser observado na Tabela 2.


Furlan Em rações isoenergéticas e isoaminoacídicas para et al. (2001) metionina+cistina e lisina digestíveis, a proteína

do farelo de girassol pode substituir até 30% da proteína do farelo de soja, o que corresponde cerca de 15% de inclusão de farelo de girassol nas rações. Tavernari et O nível de 20% de farelo de girassol em al. (2009) dietas para frangos de corte não prejudica o

desempenho e o rendimento de carcaça. Araújo et al. (2011)

O uso de farelo de girassol não influencia os rendimentos de carcaça ou de cortes, porém, a viscosidade da digesta foi aumentada com a inclusão de 15% na dieta de frangos de corte de 22 a 42 dias.

Moghaddam O farelo de girassol pode ser utilizado na dieta de et al. (2012) frangos de corte em níveis de até 140 g/kg, pois

seu conteúdo de fibra não tem efeito significativo na ingestão de nutrientes. Horvatovic Altos níveis de inclusão de farelo de girassol em et al. (2015) dietas de frangos de corte podem prejudicar

o desempenho de frangos de corte. Mas, esse efeito pode ser superado pela suplementação enzimática, sendo estes efeitos da suplementação enzimática mais fortes durante a fase de crescimento e na fase final. Sangsoponjit A inclusão de farelo de girassol nas dietas nos et al. (2017) níveis de 4%, 8% e 12% não exerceu efeito no

desempenho produtivo dos frangos de corte em relação ao ganho de peso corporal, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade. Bilal et al. (2017)

O farelo de girassol pode ser utilizado com segurança na dieta de frangos de corte em até 20%.

Alagawany O farelo de girassol como substituto do farelo de et al. (2018) soja em dietas para frangos de corte pode melhorar

o desempenho do crescimento e não tem efeitos adversos em frangos de corte. Waititu et al. (2018b)

O farelo de girassol com alto teor de proteína em substituição de até 75% do farelo de soja somente é possível se for realizada a suplementação com enzimas exógenas.

Ciurescu et al. (2019)

A substituição do farelo de soja em dietas de frango de corte por farelo de girassol ao nível de 25% resulta em desempenho produtivo, rendimento de carcaça e peito, tamanho do órgão digestivo e pH da digesta cecal.

Contudo, mesmo com resultados positivos para a utilização do farelo de girassol em diversos estudos, há limitações para os níveis de utilização que são demonstrados em outros estudos. Segundo Ciurescu et al. (2019), níveis de inclusão do farelo de girassol mais altos que 50% e 75% resultaram em efeito negativo no peso do intestino delgado e tenderam a aumentar o peso da moela destas aves. Porém, o estado de saúde dos frangos de corte não foi afetado pela utilização do farelo de soja nas dietas experimentais.

Ozturk (2017), por sua vez, verificou que frangos de corte alimentados com dietas contendo 100% de farelo de soja apresentaram desempenho maior do que as aves alimentadas com o farelo de girassol, mesmo utilizando a suplementação enzimática, não sendo observado efeito positivos sobre o desempenho e rendimento de carcaça de frangos de corte aos 42 dias de vida.

Considerações Finais De modo geral, é possível concluir que existem pesquisas indicando a eficiência do farelo de girassol como alimento alternativo em dietas de frangos de corte. Com isso, verifica-se que este coproduto da indústria do óleo pode substituir em parte o farelo de soja utilizado nas dietas de frangos de corte, contudo deve-se considerar suas características nutricionais, assim como seus fatores antinutricionais, afim de minimizar os efeitos deletérios provocados sobre o metabolismo animal, bem como as exigências nutricionais de cada categoria animal. Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte

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17 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Farelo de girassol na alimentação de frangos de corte

farelo de girassol

Tabela 2 - Efeitos observados na literatura sobre a utilização do farelo de girassol na alimentação de frangos de corte


BACILLUS SUBTILIS SL-12-1 PROMOÇÃO DE

MELHORIAS PRODUTIVAS NA AVICULTURA INDUSTRIAL

Bacillus subtilis

Fabrizio Matté Consultor Técnico Aves - Vetanco Brasil

O

s Bacillus possuem características muito importantes, como cepas probióticas adequadas para a comercialização e

distribuição na produção animal. Tudo isso, em função de sua capacidade de resistir a condições ambientais adversas, sobreviver durante os procedimentos de peletização de rações com temperaturas extremas, ser tolerantes aos níveis extremos de pH, desidratação, altas pressões, produtos químicos cáusticos e possuírem uma longa vida útil (Vreeland et al., 2000; Cartman et al., 2007).

18 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Bacillus subtilis SL-12-1 promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial


Além do que, as cepas de Bacillus demonstram ótima tolerância às condições ácidas do sistema digestivo das aves, sais biliares e atividade antimicrobiana (Patel et al., 2009).

Cepas selecionadas de Bacillus apresentam capacidade de produzir enzimas exógenas, incluindo proteases, lipases, celulases, xilanases, fitases e queratinases (Hendricks et al., 1995; Monisha et al., 2009; Mazotto et al., 2011; Mittal et al., 2011; Shah e Bhatt, 2011; Jani et al., 2012). Essas enzimas ajudam a decompor moléculas mais complexas que constituem a ração, favorecendo a digestão e absorção dos

Bacillus subtilis

nutrientes, diminuem a viscosidade dos polissacarídeos não amiláceos no intestino e diminuem a quantidade de substratos disponíveis para o crescimento de bactérias patógenas.

Além disso, foi demonstrado que a presença de isolados de Bacillus, como o Bacillus subtilis, favorece a multiplicação de outros microrganismos benéficos, como os Lactobacillus, pela produção de subtilisina e catalase e diminui o pH intestinal (Hosoi et al., 2000). O Bacillus subtilis possui

AVALIAÇÃO EXPERIMENTAL DO BACILLUS SUBTILIS SL-12-1 Procedimentos experimentais

também a capacidade de criar um ambiente anaeróbio dentro do intestino da ave após sua germinação, isso também auxilia o

A avaliação foi conduzida com 1.200

crescimento e proliferação dos Lactobacillus

pintos de corte Cobb 500, machos

nativos da microbiota das aves.

de um dia de idade, em boxes

O Bacillus subtilis é considerado como microrganismo transitório no trato gastrointestinal, pois não possui capacidade de adesão ao epitélio intestinal, este possui capacidade de germinar, multiplicar e formar uma população dentro da microbiota normal

experimentais com cama nova de maravalha e foi realizado no aviário experimental do Laboratório de Avicultura da Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, LAVIC/ UFSM/RS.

das aves e outros animais (Bortolozo, 2002).

19 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Bacillus subtilis SL-12-1 promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial


Ingredientes e rações Os ingredientes foram todos obtidos de indústrias locais e provenientes da mesma parcela. Milho e farelo de soja tiveram sua composição analisada. As dietas experimentais foram à base de milho e farelo de soja atendendo aos níveis práticos utilizados no Brasil (Rostagno et al., 2017). O programa O desempenho produtivo foi comparado

alimentar teve 4 fases:

em um experimento constituído de 4 tratamentos, com 6 repetições e 25 aves cada, distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, de 1 a 42 dias

Bacillus subtilis

de idade (Tabela 1).

TRATAMENTOS Controle sem aditivos

Pré-inicial (1 a 7 d) Inicial (7 a 21 d) Crescimento (21 a 35 d) e Final (35 a 42 d).

Zymospore® 300 g/ton Flavomicina 25 g/ton Zymospore® 300 g/ton + Flavomicina 25 g/ton

O produto avaliado foi o Zymospore®, constituído pelo Bacillus subtilis SL12-1, este indicado para favorecer o estabelecimento de uma microbiota intestinal favorável e equilibrada, auxiliando na diminuição de desafios entéricos e proporcionando uma melhor saúde intestinal e melhorias nos parâmetros produtivos. O produto foi incluso no alimento das aves do primeiro dia até o final do experimento, aos 42 dias de idade.

20 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Bacillus subtilis SL-12-1 promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial


Desafio de Clostridium perfringens O desafio consistiu em vacina para coccidiose 10x dose comercial aos 14 dias (Bio-Coccivet R, Eimeria acervulina, E. brunetti, E. maxima, E. necatrix, E. praecox, E. tenella e E. mitis; Biovet Vaxxinova, SP, Brasil) e aos 19 dias inoculação com Clostridium perfringens (1 mL/ave; aproximadamente 3,1 × 109 UFC/mL). Todos os grupos foram

Figura 1. Vacinação de coccidiose aos 14 dias e desafio de Clostridium perfringens aos 19 dias de idade.

desafiados (Figura 1).

Resultados Bacillus subtilis

Os grupos foram avaliados semanalmente, da primeira à sexta semana de idade, monitorando: Consumo de ração, Peso,

Os dados zootécnicos foram comparados entre os grupos e entre as

Mortalidade,

semanas dentro do mesmo grupo. Os resultados zootécnicos mais relevantes

Conversão alimentar e

estão expressos nas Tabelas 2, 3 e 4.

Ganho de peso diário.

PESO MÉDIO ATÉ 42 DIAS (g/dia) 1

7

14

21

45

ab

Controle sem aditivos

28

35

200

526

1080

1747

Zymospore® 300 g/ton

45

204a

542

1116a

Flavomicina 25 g/ton

45

196b

537

Zymospore® 300 g/ton + Flavomicina 25 g/ton

45

201ab

EPM

0,062

Prob.<

42

GPD

2449

c

3293

77,3c

1805ab

2536a

3402ab

79,9ab

1097ab

1752c

2462b

3327bc

78,1bc

547

1125a

1811a

2550a

3436a

80,8a

0,746

2,62

0,0031

5,643

9,656

10,67

0,254

b

c

b

0,718

0,0164

0,432

0,0114

0,0309

0,0132

0,0217

0,0212

Teste Tukey (P ≤ 0.05)

--

--

--

--

--

--

--

--

EPM = Erro padrão da média

--

--

--

--

--

--

--

--

a-b-c

Tabela 2. Peso médio aos 42 dias. nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Bacillus subtilis SL-12-1 promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial

21


GANHO DE PESO (g/dia) 1A7

7 A14

14 A 21

21 A 28

28 A 35

35 A 42

1 A 21

1 A 42

b

c

Controle sem aditivos

155

325

553

667

701

844

1034

3249c

Zymospore® 300 g/ton

159a

338ab

573ab

689

731

865

1071ab

3357ab

Flavomicina 25 g/ton

151a

341ab

559ab

655

709

865

1051bc

3282bc

Zymospore® 300 g/ton + Flavomicina 25 g/ton

156ab

345a

577a

686

738

886

1080a

3392a

EPM

0,742

2,283

2,502

4,802

8,563

7,057

3,204

10,67

Prob.<

0,014

0,033

0,033

0,6026

0,974

0,9233

0,0103

0,0212

Teste Tukey (P ≤ 0.05)

--

--

--

--

--

--

--

--

EPM = Erro padrão da média

--

--

--

--

--

--

--

--

a-b-c

abc

b

Tabela 3. Ganho de peso por períodos.

Bacillus subtilis

CONVERSÃO ALIMENTAR (DIAS) 1A7

7 A14

14 A 21

21 A 28

28 A 35

35 A 42

1 A 21

1 A 42

Controle sem aditivos

1,171

1,310

1,333

a

1,483

1,696

1,542

a

1,301

1,484a

Zymospore® 300 g/ton

1,143

1,279ab

1,321ab

1,400ab

1,631

1,502

1,281ab

1,439a

Flavomicina 25 g/ton

1,143

1,271b

1,320ab

1,464a

1,664

1,516

1,279ab

1,463ab

Zymospore® 300 g/ton + Flavomicina 25 g/ton

1,140

1,254bc

1,304b

1,350b

1,611

1,476

1,265b

1,412b

EPM

0,003

0,005

0,0944

0,011

0,017

0,013

0,003

0,006

Prob.<

0,087

0,01

0,028

0,0132

0,9773

0,9328

0,0519

0,0296

Teste Tukey (P ≤ 0.05)

--

--

--

--

--

--

--

--

EPM = Erro padrão da média

--

--

--

--

--

--

--

--

a-b-c

a

a

Tabela 4. Conversão Alimentar por períodos. O produto Zymospore®, constituído pelo Bacillus subtilis SL-12-1, apresentou uma melhora no ganho de peso de 110g quando associado com a Flavomicina e em 75g quando incluso na dose de 300g/ton em comparação com o grupo tratado somente com Flavomicina, para frangos de corte, no período de 1 a 42 dias de idade. Uso do Bacillus Subtilis sl-12-1 em frangos de corte

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22 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Bacillus subtilis SL-12-1 promoção de melhorias produtivas na avicultura industrial


silagem

SILAGEM DE RAÇÃO COMPLETA: POSSIBILIDADES E LIMITAÇÕES DO USO NA FAZENDA Sillas Mayron da Silva da Silva¹, Gustavo Lazzari², Clóves Cabreira Jobim³ e João Luiz Pratti Daniel³ ¹Doutorando em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá – UEM ²Mestre em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá – UEM ³Professor do Departamento de Zootecnia, UEM – Maringá.

A

ensilagem de ração completa ou ração total misturada (TMR) não é uma prática recente

e o interesse pela sua utilização tem aumentado em muitos países, com destaque para os países Asiáticos. No Brasil, esta técnica tem recebido grande interesse nos últimos anos.

24 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda


Na literatura (Restelatto et al., 2019; Lazzari et al., 2021) disponível sobre o assunto, alguns benefícios estão associados à utilização de TMR ensilada, em que se destacam:

Redução da mão de obra na rotina diária; Concentração de uso de maquinário em poucos dias ao preparar a dieta na fazenda, eliminando a mistura diária nas atividades do manejo alimentar (evitando erros de mistura ao longo do ano);

silagem

Uniformidade de mistura e composição da dieta; Precisão na alimentação; Redução da seleção de partículas

Forragens Adi tivo s

devido a redistribuição de umidade

os trad cen

A TMR é uma estratégia para otimização do uso de subprodutos úmidos e a silagem é obtida pelo armazenamento anaeróbio de uma mistura de:

que ocorre no material durante a estocagem no silo; Redução de desperdício; Perdas mínimas de matéria seca do

Su b p r o dut os a g

las ríco

inas Vitam

durante a alimentação dos animais,

Con

material ensilado; Possibilidade de conservação eficiente de ampla variedade de forragens e subprodutos com alto teor de umidade;

Miner ais

Maior resistência à deterioração A mistura de todos os componentes da dieta deve fornecer os nutrientes necessários

aeróbia comparativamente à TMR fresca;

aos animais para que sejam atendidas as

Otimização do tempo nas práticas

exigências de manutenção e produção.

de manejo dos animais

25 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda


Dentro da fazenda é possível realizar

Nutricionalmente, vale ressaltar que a

a ensilagem da TMR com a utilização

ensilagem da TMR aumenta:

do vagão misturador e estocar em silo trincheira e, dependendo do tamanho do rebanho (número de animais), pode-se

silagem

realizar a ensilagem da TMR em silos do tipo bag

a digestibilidade do amido dos grãos de cereais,

O desafio encontrado pelo produtor no

devido a quebra da

momento em que decide pela produção de

matriz proteica que

TMR ensilada é o alto desembolso de uma

envolve os grânulos de

só vez na compra dos ingredientes. Apesar

amido no endosperma,

disso, o preparo e a ensilagem da TMR podem ser planejados para que isto ocorra de modo fracionado ao longo do ano, não

resultado obtido

havendo a necessidade de preparar toda a

principalmente pela ação

silagem de TMR de uma só vez.

das bactérias proteolíticas durante o período de estocagem do material que foi ensilado.

Dessa forma, o planejamento facilita a compra dos ingredientes em épocas estratégicas, com preços mais

Em consequência disso, a ensilagem de TMR

oportunos. Como alternativa para

incluindo grãos de cerais aumenta a eficiência

produtores que não desejam mobilizar

alimentar e o desempenho dos animais.

recursos financeiros em maquinários

Por outro lado, pode haver aumento da

é possível realizar a compra da TMR

degradabilidade da proteína no rúmen devido

ensilada de indústrias especializadas

à proteólise durante a estocagem (Lazzari et

em sua produção.

al., 2021).

26 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda


Entretanto, as modificações nutricionais

As fontes lipídicas em suplementação

durante a estocagem da silagem de

na alimentação de bovinos de corte em

TMR no silo não são completamente

terminação normalmente melhoram o

compreendidas, devido à grande

ganho médio diário (GMD) e a eficiência

variação de alimentos disponíveis para

alimentar, como já mencionado.

serem usados na formulação da dieta. Contudo, algumas modificações de nutrientes em dietas totais ensiladas já estão disponíveis na literatura.

Isso ocorre, devido a gordura possuir valor de energia liquida de ganho (ELg) aproximadamente 3

O grupo de estudo em silagem e feno – GESF,

vezes maior em comparação com

da Universidade Estadual de Maringá, tem

o milho (NASEM, 2016).

conduzido pesquisas para o entendimento dessas modificações existentes nos nutrientes das dietas ensiladas (Bueno et al., 2020;

silagem

Lazzari et al., 2021).

Estudo conduzido por esse grupo de estudo avaliou desempenho de novilhas alimentadas com TMR ensilada, testando diferentes fontes proteicas e suplementação lipídica observaram que o desempenho animal foi significativamente melhorado quando o farelo de soja foi substituído pelo grão de soja, fonte que combina proteínas e lipídios.

27 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda


No entanto, neste estudo conduzido por Lazzari et al., (2021), a silagem de TMR em que a soja grão era a fonte combinada de lipídeos e proteínas não alterou a eficiência alimentar e a concentração estimada de ELg da dieta, indicando que o GMD mais alto (+21%) foi principalmente em função do aumento do consumo de matéria seca (CMS) em novilhas alimentadas com a TMR ensilada.

silagem

U: TMR ensilada com ureia; FSnf: TMR sem uma fonte proteica na ensilagem, mas com farelo de soja fornecido no momento da alimentação; FS: TMR ensilada com farelo de soja; GS: TMR ensilada com grão de soja laminado.

1,60 1,40 1,20 kg/dia

Esse resultado mostra que a inclusão de grão de soja pode ser uma estratégia viável para melhorar o valor nutritivo de silagens de TMR para bovinos de corte, estando limitado somente por razões de custo/benefício (Figura 1).

1,49 1,20

1,23

1,23

U

FSnf

FS

1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00

GS

Figura 1. Ganho médio diário de novilhas Nelores em confinamento, alimentadas com silagens de TMR.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Em síntese, o interesse de ensilar rações

Com isso, abre-se um novo nicho com

completas (TMR) para ruminantes ressurgiu

novas possibilidades para o produtor

nas últimas décadas. Em muitas situações, a

ao utilizar TMR ensilada visando obter

ensilagem da TMR tem sido uma alternativa para

melhores resultados de desempenho

aproveitamento com eficiência de ingredientes

animal e facilidade no manejo

com alta umidade em dietas de ruminantes.

nutricional. Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda

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28 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Silagem de Ração Completa: possibilidades e limitações do uso na fazenda


energia

UTILIZAÇÃO DE GLICOSE EM

RUMINANTES

DIFERENÇAS ENTRE A ABSORÇÃO E O METABOLISMO DO AMIDO E DA GLICOSE EM RUMINANTES Dr. Juan Pablo Russi Engenheiro Agrônomo, MSc. Nutricion Animal (Aberdeen Univesity), DSc. Ciências Veterinárias (Universidad de La Plata) 30 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes


METABOLISMO DE GLICOSE EM RUMINANTES O metabolismo da glicose em qualquer ser

Nesse processo de fermentação ruminal,

vivo é um dos mecanismos mais regulados

a glicose é transformada no ácido graxo

do corpo.

volátil de 3 carbonos - ácido propiônico que é absorvido pelas paredes do rúmen e

O ruminante, ao contrário dos

transformado em glicose no fígado (Mc Donalds,

monogástricos, é preparado para

1995).

sintetizar a maior parte da glicose que precisa a partir do ácido propiônico (subproduto da fermentação).

Fer me nta

Gliceraldeído-3P

CO2

PIRUVATO (C3)

G

Hid

ról i

-C 6-C 6-C 6 -C6-C6-

G-1P

Acetil - CoA

-C6-C6-C6Formato

CH4

ACETATO

Lactato

Oxalcelato(C4)

Malonil - CoA

Malato(C4)

Aceto-acetil- CoA

Fumarato

BUTIRATO

Acetil-CoA

Propionil CoA

Succinato Succinil CoA

PROPIONATO

Figura 2: Processo de digestão de carboidratos no sistema digestivo de ruminantes

Figura 1: Caminho do alimento do sistema digestivo de um ruminante Embora o intestino delgado dos ruminantes esteja preparado para absorver glicose, geralmente, esse carboidrato não atinge o intestino porque fermenta rapidamente no rúmen (NRC. 2001).

31 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes

energia

-C 5

Alimento CHO se

C-C 5- 5

F-6P

ç ão

G-6P C6


METABOLISMO DO AMIDO EM RUMINANTES

DIGESTÃO E ABSORÇÃO DA GLICOSE

O caso do amido é diferente. Seu

As relações estequiométricas teóricas e

metabolismo depende de:

os experimentos de infusão controlada demonstram que a absorção de glicose

Dieta

do amido é mais eficientemente

Tipo de animal que o consome

convertida em tecidos quando é

Tipo e método de processamento do

absorvida através do intestino delgado e não pela fermentação no rúmen.

grão

No entanto, as limitações na digestão

produzindo propionato, e a outra parte acaba

do amido e a absorção de glicose

sendo absorvida na forma de glicose no

pelo intestino delgado muitas vezes

intestino delgado ou fermentado no intestino

desperdiçam essa maior eficiência (Mac

grosso.

Leod, 2001).

energia

Uma parte do amido é degradada no rúmen,

Owens e Zinn calculam que sua

Huntington (2006), em uma tentativa

digestibilidade no trato digestivo

de prever a digestibilidade do amido

total em vacas leiteiras e confinadas é

que entra no intestino delgado, traçou

entre 92 e 98% (Owens e Zinn, 2005).

uma curva variando de 88% a 44% de digestibilidade quando a quantidade de amido que entra no intestino delgado

Para calcular a energia fornecida

oscila entre 300 a 1,5kg (Huntington

pelo amido como energia líquida, é

2006) .

animal, no rúmen ou no intestino delgado (Harmon e McLeod 2001).

A contribuição da fermentação do amido através do intestino grosso é menor, pois amido que passou por todo o animal até atingir o cólon é, geralmente, menos degradável.

Digerido no intestino delgado, g/d

onde é degradado e absorvido pelo

700

90

600

80

500

70

400

60

300

50

200

40

100

30

0 300

600

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes

1200

1500

Amido ingerido no intestino delgado, g/d g/d

32

300

Ingerido no intestino delgado

% Digerido, Total Ingerido

necessário saber onde ele é digerido,


A infusão de glicose resultou em maior quantidade de tecido adiposo nos animais em relação à infusão de amido.

A glicose precisa de energia para ser absorvida

A razão pela qual ocorre essa diferença entre as fontes de energia não é conhecida, uma vez que os níveis de insulina nos animais não variaram entre os tratamentos, mas duas hipóteses são especuladas: 1. O excesso de glicose que atua como um ativador da lipogênese nas células. 2. Efeito causado pelo excesso de acetato que atua na síntese de novo dos ácidos graxos, estimulando-a.

Se a glicose entrar no intestino na forma de amido

Ao contrário da glicose, a absorção de

Ocorre também um gasto de enzimas,

ácidos graxos voláteis ocorre através das

como a maltase, para quebrar a maltose

paredes do rúmen sem um gasto

em glicose e então absorvê-la (Baldwin

de energia para o animal. Já a absorção de

1968, 1995).

energia

Mc Leod em 2007, comparando o amido com a glicose como fontes de energia, em um de seus experimentos, infundiu 775 gr / dia de amido hidrolisado e 900 gr / dia de glicose, tanto no intestino como no rúmen, em animais com 280 kg de peso vivo mantendo uma dieta basal.

glicose requer um gasto de energia para ativar o sistema de transporte

Por mais que se gaste energia na absorção

(GLUT 4) através da parede intestinal.

de glicose através do intestino delgado,

Luz intestinal

Glicose

ela não compensa a diferença dos 4 ATP para converter o propionato em glicose no fígado em relação à absorção de glicose diretamente do intestino delgado (Mc Donalds 1995)

Epitelio intestinal

Quando a glicose é absorvida, os tecidos esplênicos (baço) e, principalmente, toda

Glicose

a víscera portal têm um efeito duplo; por um lado não só absorvem como consomem grande parte do que é absorvido e, por outro lado, secretam hormônios como a insulina ou o

glut 4 Fluido extracelular

glucagon. A título de exemplo, a vícera portal é grande consumidora de glicose, ácidos graxos voláteis e aminoácidos (Blouin, 2002).

Glicose 33 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes


RELAÇÃO ENERGIA E RETENÇÃO NITROGÊNIOGLICOSE NA CARNE E NO LEITE

Estudos sugerem que a vaca apresenta uma

A quantidade de glicose absorvida no

metabólicos desenvolvidos pela vaca para

intestino que não é consumida pelos tecidos esplênicos e passa para a corrente sanguínea para ser utilizada pelos músculos ou glândula mamária dependerá do tipo e do estado fisiológico do animal testado, e das condições ambientais ao qual esse animal está sujeito.

grave deficiência de glicose logo após o parto. Isto somado ao menor consumo de matéria seca e a alta demanda de nutrientes da lactação, desencadeia diferentes mecanismos lidar com a falta de glicose. A ativação de todos os mecanismos metabólicos para fabricar glicose de vários precursores, tais como aminoácidos, glicerol, lactato e propionato é um deles.

Vacas em lactação O período de transição na vaca leiteira tem

aminoácidos

energia

sido o foco de muitos estudos nos últimos anos. Este período envolvendo, aproximadamente, 21 dias antes do parto e 28 dias após

glicerol

o parto, está sujeito a mudanças metabólicas e físicas muito abruptas para a vaca leiteira de alto mérito genético (Bell, 1995 e Overton,

lactato

2004 propionato

A resistência à insulina é outra, mas essa resistência é seletiva, já que o feto e a glândula mamária não dependem da ação da insulina para a captação de glicose, tornando-os tecidos receptores da maior parte da glicose que é produzida ou entra no corpo.(Reynolds, 2001).

34 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes


Após o parto Está bem demonstrado que elevar a

A possível explicação para a

concentração de glicose no sangue após

falta de mobilização dos tecidos

o parto é fundamental para conseguir

gordurosos seriam os altos níveis

uma boa reprodução. Em seu trabalho,

de insulina encontrados no sangue,

Garverick et al., 2013 obtiveram melhor

visto que a insulina é um hormônio

taxa de prenhez no primeiro serviço

antilipolítico potente (O’Brien,

com vacas que apresentavam maiores

2010).

concentrações de glicose no sangue.

Isso, somado à dessensibilização à insulina de quase todos os

Algo semelhante ocorre com a vaca que sofre com estresse calórico. Em seu trabalho, Rhodes (2009) e Wheelock (2010) mostraram claramente que

tecidos, exceto a glândula mamária e o feto, representaria uma oportunidade para que a glicose que o animal fabrica ou ingere possa ser usada diretamente para

energia

Animais com estresse calórico

produzir leite e emprenhar.

nem toda perda de produção pode ser explicada pela falta de consumo de matéria seca quando a vaca sofre com estresse calórico. Os autores sugerem que apenas 50% da perda de produção devido ao estresse térmico seria explicada pela diminuição no consumo, e que os 50% restantes seriam explicados por alterações metabólicas

Russi et al (2011) demonstraram

na vaca.

claramente em seu ensaio com vacas de transição que o aumento dos níveis

Aparentemente, a vaca que sofre por estresse calórico é impedida de mobilizar ácidos graxos não esterificados do tecido adiposo, não podendo utilizá-los como fonte de energia para compensar a falta de consumo.

de glicose no sangue produziu mais lactose no leite e melhor condição corporal para vacas que consumiram suplemento de glicose protegido da degradação ruminal. Usando o mesmo suplemento, Mcarthy et al (2020) detectaram menor concentração de ácidos graxos não esterificados no sangue, beta hidroxibutirato, e marcadores inflamatórios, como LPB e haptoglobina.

35 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes


GADO DE CORTE Estudos conduzidos na Universidade de Kansas relatam maior eficiência de retenção de aminoácidos e melhor uso de nitrogênio com aumento da contribuição da concentração de energia fornecida (Schroeder 2006a, Schroeder 2006b, Awawadeh 2006).

Em um de seus experimentos, Schroeder (2006) usou diferentes fontes de energia infundidas no abomaso ou no rúmen para avaliar a eficiência de utilização do N:

abomaso, glicose a uma taxa de 360 g/dia Rúmen: ácidos acético, propiônico e butírico

energia

Todos os excessos de energia tornaram o uso do nitrogênio mais eficiente sem diferenças significativas, mas numericamente a glicose foi a fonte de energia que produziu com maior eficiência.

Eficiência no uso do nitrogênio com diferentes fontes de energia infundidas no abomaso.

FONTES DE ENERGIA INFUNDIDAS NO ABOMASO gN/dia 25,5 24,5 23,5 22,5 21,5 20,5 19,5 18,5 17,5

protegida na criação de bezerros e observou que aqueles que consumiram

25,1 **

Russi, el al (2014) utilizou glicose

180 g de glicose protegida ao longo

** 23,9

do ciclo de engorda tiveram menor consumo e melhoraram a eficiência de conversão.

*

20,6 Apesar do menor consumo por animal, não foram observadas

Controle

Glc

Fat Ac prop

Ret N 3 met Controle: sem infusão de energia glc: infusão de glicose no abomaso Fat AC prop: infusão de ácido acético, ácido propiônico ou gordura no abomaso. Adaptado de Schroeder (2006)

36 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes

diferenças nos parâmetros de concentração de glicose no sangue ou de insulina, ácidos graxos não esterificados ou uréia plasmática, sugerindo que os animais que consumiram 180 g de glicose protegida apresentaram metabolismo mais eficiente.


Animais em terminação Em seu experimento, Mac Leod (2007) infundiu amido hidrolisado ou glicose, tanto no intestino como no rúmen, e uma das conclusões desse estudo foi que a alimentação com glicose infundida no intestino aumentou o acúmulo de tecido adiposo em todo o animal, especialmente, no tecido omental. Vantagens também podem ser encontradas quando os animais na fase de terminação são alimentados com glicose protegida durante o verão, já que, aparentemente, o mesmo mecanismo de menor mobilização do tecido adiposo que atua em vaca em

energia

lactação estaria agindo em bovinos de corte. (O’Brien, 2010). Em seu experimento, Russi (2019) utilizou glicose protegida como suplemento para alimentar novilhos em terminação durante o verão onde o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) foi de 72 ± 4,9. A resposta ao suplemento tornou-se mais evidente nos picos de estresse térmico, em que animais que se alimentaram com glicose consumiram menos, mas tiveram mesmo peso vivo, mostrando uma melhor eficiência de conversão.

Vacas de corte Em vacas reprodutoras, Petersen et al descobriram que alimentar com

CONCLUSÃO Acreditamos que haja evidências suficientes na literatura para deixar de tratar a energia como uma caixa preta e poder caracterizar as diferentes fontes com sua eficiência particular e o modo de uso de acordo com as necessidades do animal.

precursores gliconeogênicos, como

Utilização de glicose em ruminastes

proteína bypass ou como sais de

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propionato, permite reduzir os dias até o primeiro estro e % de prenhez, mudando a condição corporal e o peso do bezerro ao nascimento em vacas de 2 ou 3 anos.

37 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Utilização de glicose em ruminantes


NOVAS APLICAÇÕES DAS CURVAS NIR UM PASSO À FRENTE NA IDENTIFICAÇÃO DA QUALIDADE DE MILHO

O

milho é o ingrediente alimentar mais

Alexandre Barbosa de Brito, PhD. Latam Technical Manager

comumente usado na nutrição de monogástricos, contribuindo com até

65% da energia metabolizável e 20% da proteína

NIR

bruta em dietas destes animais. Seu valor nutricional médio é bem conhecido, mas aceitase que a variabilidade em sua composição e valor energético é um problema comum com grande impacto no desempenho e saúde das aves (Oviedo-Rondón et al., 2021). Adotando o valor atual de matérias primas brasileiras, este cereal chega a representar 50% do custo total de uma dieta de monogástricos. Uma variação de apenas 10 kcal/ kg em sua matriz nutricional, devido a falhas de armazenagem e processamento, pode impactar até em mais R$ 5,00/ton de alimento produzido ou de três milhões de reais/ano no custo final de uma empresa com mais de 50 MTon/mês de alimentos completos fabricados!

38 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho


Sendo assim, avaliar seu conteúdo nutricional além de auditar plantas de secagem destes grãos de forma eficiente, é uma prática que todas as empresas se dedicam para tentar

0.8

maximizar seus ganhos. Tradicionalmente,

0.7

avaliações de recebimento deste grão, tais

0.6

como: densidade, umidade, classificação de impurezas, kits de detecção de toxinas

0.5

fúngicas, tem sido adotada por décadas

0.4

como uma forma de controlar sua qualidade.

0.3 0.2 0.1 0

Embora estas avaliações sejam de execução simples, e algumas delas possuam grande mérito; estas práticas

1200 1400 1600 1800

2000 2200 2400

Figura 01. Representação gráfica de uma leitura de espectro NIR. Fonte: Aunir (2022)

possuem limitações (em maior ou menor grau) para o objetivo de

NIR

determinação de qualidade nutricional do grão. Especialistas conseguem extrair informações de arquivos de espectros, colocando-as em um formato mais compreensível e utilizável por meio

Neste contexto, o uso de análises NIR se traduz como uma excelente opção. De acordo com Aunir (2022), NIR significa Near Infrared Reflectance, sendo o estudo da interação entre uma amostra (por exemplo, cereais, sementes, óleos, alimentos completos) e a luz infravermelha que foi dispersa em comprimentos de onda individuais, geralmente por um prisma. Os dados da espectroscopia são representados em um espectro que pode ser associado à composição nutricional do ingrediente ou dieta (Figura 01).

de arquivos de calibração ou curvas analíticas. Assim como cada PC ou laptop executa um software e aplicativos para torná-lo útil para as pessoas realizarem tarefas, as máquinas NIR precisam de calibrações para converter as informações dos arquivos de espectro em números úteis e confiáveis.

39 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho


Além de gerarmos previsões do conteúdo nutricional dos ingredientes/alimentos, as curvas NIR nos oferece uma vantagem extra quanto à determinação de informações de outras frações do conteúdo nutricional e do processamento dos ingredientes, que de outra forma seria de uma obtenção quase impossível em uma rotina analítica, como: Ÿ

Energia metabolizável

Ÿ

Lisina reativa,

Ÿ

Aminoácidos digestíveis, entre

A principal causa do baixo PSI é gerada pelo calor adicionado durante a secagem do milho colhido com umidade mais alta (Figura 02). A secagem mal realizada resulta em mudança estrutural do grão, perda de granulação e formação de complexo amido/proteína/fibra pouco solúvel (Aunir, 2022), o que afeta sua performance nutricional com penalização da matriz energética do milho grão e, como consequência, na rentabilidade do produtor.

outras avaliações.

A

Relacionando esta última informação com a qualidade do milho, algumas curvas NIR desenvolvidas por centros de pesquisa de renome, trazem

NIR

para este cereal a possibilidade de associarmos a qualidade do processamento (secagem), a dureza do grão de milho e o perfil de fibra dietética ao conteúdo nutricional deste ingrediente pelo monogástrico. Estas medições são definidas como:

B

Vitrosidade (do inglês, Vitreousness) do milho e

Índice de Solubilidade Proteica (do inglês, Protein Solubility Index, ou simplesmente PSI), respectivamente.

O PSI pode ser usado para prever a digestibilidade do milho, sendo que um baixo valor de PSI leva a uma digestibilidade reduzida e, portanto, a um valor alimentar ruim para os animais.

Figura 02. Foto por aproximação de milho grão de alto PSI A(processo de secagem realizado de forma correta) e de baixo PSI B(processo de secagem realizado de forma extrema). Fonte: Aunir (2022)

40 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho


De forma geral, o aumento da vitrosidade A vitrosidade do milho é uma medida da

está negativamente relacionado com a

característica de dureza do grão, normalmente

digestibilidade do amido. O amido está

associado a características presentes no

contido no endosperma do milho, portanto,

endosperma do grão. Esta dureza pode estar

entender a bioquímica do endosperma ajuda

associada a estirpe genética do produto, ou

a melhorar a utilização deste nutriente, por

mesmo a intempéries no momento de seu

isso grãos de elevada vitrosidade parece ter

desenvolvimento (como a falta de água durante a

inclusive mais reposta à ação de uma xilanase,

germinação da espiga).

do que aquele de baixa vitrosidade (Latam, et

Existem dois tipos de endosperma;

al., 2016).

entre sí devido a diferenças nas

Além de prever a composição

interações proteína e amido presentes.

convencional, o NIRS também pode

De forma geral, endosperma mais

ser usado para prever a composição

farináceo é aquele com o endosperma

não convencional de nutrientes deste

mais aberto ou solto com menos

ingrediente, como por exemplo, o

encapsulamento de amido por

conteúdo de fibra dietética. A Fibra

proteínas em comparação com o vítreo,

dietética é um grupo composto de um

que é mais duro e bem compactado.

número relativamente pequeno de

Consequentemente, a formação de

monossacarídeos, por exemplo, glicose

complexos de amilose-amilopectina

de ligação β 1-4, galactose, arabinose,

e amidos resistentes parece estar associado como o mecanismo afeta a

xilose, frutose, manose, rafinose, fucose, entre outros açucares.

vitrosidade do endosperma (Gayral, et al., 2015). Estes compostos são denominados

Pericarpo Endosperma

tradicionalmente de Polissacarídeos Não Amiláceos (PNA), que junto com a lignina, forma o grande complexo das fibras dietéticas. Sabe-se que estes açucares, bem como suas características de solubilidade e insolubilidade, afetam em maior ou menor grau a

Cotilédone

característica energéticas dos ingredientes.

Coleóptil Plúmula Radícula Coleorriza

De forma geral, entender estas relações é fundamental para retirarmos mais proveito do conteúdo nutricional deste ingrediente, haja visto sua importância na matriz de custo de monogástricos como observamos no início desta revisão.

41 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho

NIR

farináceo ou vítreo, que diferem


Para isso, um total de 960 frangos machos de um dia (Ross 308) foram distribuídos em oito tratamentos, sendo cada um dos tratamentos representando amostras de milho (Variedade 1 a Variedade 8) selecionados com base em suas composições nutricionais obtidas por determinações via curvas NIR/AB Vista. Uma quantidade fixa de cada milho (577 g/kg nas dietas inicial e 662 g/kg nas dietas final) foi usado

Melo-Durán et al. (2021) realizaram uma avaliação de diferentes híbridos de milho grão presentes na Europa com o

na composição dos alimentos, e oferecidas ad libitum em forma de pellet.

objetivo de investigar a variabilidade na digestibilidade de nutrientes associada a correlações com avaliações in vivo em

Os resultados revelaram uma diminuição (P< 0,05) no peso vivo (PV) e no consumo de ração nas aves alimentadas com a variedade 8 em comparação com outras variedades no 21º dia. (P<0,05), juntamente com as variedades 3 e 5. De uma forma geral, o background genético do milho influenciou a digestibilidade dos nutrientes e o desempenho de crescimento de frangos de corte (Figura 03).

ND To F So t al N To lub SP So t al A le N l To ub X SP So t al A le A Ph l u b : X X A s y t i c l e A: R a t i XR o PS h at I io Vi t r Co e o Co r n Y u s n Co r n W i e l d e s s Fe m S R C Fe e d d o l D M e Fe d d 21 Fe ed d 21 S WRC BW ed d 42 olD G W d 2 42 S W R C M o lD Fi d2 1 M FC d21 1 R BW d2 GW d 4 1 FI d4 2 d FC 42 2 FI- R d4 FI DM 2 FI- -OM Dig E D Dig es t ige es . s t. t.

NIR

Moisture AMEn Starch Protein Fat Fibre ADF NDF Total NSP Soluble NSP Total AX Soluble AX Total A:X Ratio Soluble A:X Ratio Phytic Ash PSI Vitreousness Corn Yield Corn WRC Com SolDM Feed d21 WRC Feed d21 SolDM Feed d42 WRC Feed d42 SolDM BW d21 GW d21 Fi d21 FCR d21 BW d42 GW d42 FI d42 FCR d42 FI-DM Digest. FI-OM Digest. FI-E Digest.

M AM ois tu E St n re Pr a r c h Fa otei n Fib t AD r e F

frangos de corte.

-1

42

-0,8

-0,6

-0,4

-0,2

0

0,2

0,4

0,6

0,8

Figura 03. Correlações entre teores de nutrientes preditos por NIRS e desempenho de frangos de corte, digestibilidade de nutrientes do milho e ração in vitro. Fonte: Melo-Durán et al. (2021) nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho

1


De acordo com os autores, foi possível observar que a composição do milho e no tamanho das partículas afetaram a taxa de conversão Descobriu-se que o conteúdo e a natureza

alimentar (CA) em frangos de corte (Figura

dos PNA e seu processamento, são dois dos

4A) e consumo de ração principalmente dos

principais fatores que afetam a solubilidade

28 aos 40 dias de idade. Uma interação foi

e a disponibilidade de nutrientes no milho, e

detectada na CA, que indicou que para dureza

podem ser a razão dos efeitos negativos sobre o

média do grão a secagem em temperaturas

desempenho de frangos de corte, como mostrado

mais altas melhoram a utilização, enquanto para

no presente estudo.

endosperma duro; já temperaturas elevadas pioraram a CA (Figura 4B). Este resultado foi relacionado a maiores razões amilose e amilopectina e baixo teor de amido danificado

Ainda quanto determinações via curvas NIR/

em milho de endosperma duro seco a 120ºC, o

AB Vista e perfil nutricional de milho grão, uma

que pode proporcionar uma piora na qualidade

equipe de pesquisadores da North Carolina

do amido. Outros estudos estão sendo realizados

State University (Oviedo-Rondón, 2021) tem

em diferentes centros como novos testes para

se empenhado em avaliar estes dados na

esta hipótese.

compreensão dos efeitos de variabilidade do milho calibração via NIR para prever níveis energéticos

Como observado, o grão de milho, em virtude de sua característica de PSI e Vitrosidade, pode determinar uma variação no perfil de energia superior a 300 kcal/kg na matéria seca. Desta forma saber interpretar estes dados torna cada vez mais importante, em especial no atual cenário de preços de matérias primas que vivemos.

e outros nutrientes do milho grão antes da formulação, pode trazer uma real vantagem em manutenção de performance, em especial devido a associação com padrões não usuais, como a determinação dos dados de PSI e vitrosidade.

FCR 40 d (g:g)

1.520

Average

a

1.510

Hard ab

abc bc

1.500

c

Average Hard

3.800 3.700

Tratamento

3.600

Average 35ºC Average 80ºC Average 120ºC Hard 35ºC Hard 80ºC Hard 120ºC

3.400 3.300

1.490 1.480

3.900

3.500

c

3.200 3.100

35

80 Temperatura de secagem (°C)

120

NIR

grão. De acordo com os investigadores, o uso de

3.000 0,24

0,26

0,28

0,30

0,32

0,34

0,36

0,38

Figura 04. Efeito do grão da dureza do grão de milho, sendo: Average (média vitrosidade) e Hard (alta vitrosidade), e temperatura de secagem (35, 80 e 120ºC – fatores que interferem com o PSI) na CA de frangos de corte de 40 diasA; além do efeito linear do teor de amilose:amilopectina na EMAn de fragos aos 16 dias em relação a dureza e temperatura de secagem do milho. Fonte: Oviedo-Rondón (2021)

43 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho


Claro que o ideal será sempre analisar dados personalizados para cada planta produtora de alimento completo, a equipe da AB Vista pode ajudar nestas ponderações se julgarem necessário. Porém, segue nas Figuras 05, 06 e 07, um exemplo dos valores globais de nossa base de dados para o perfil de PSI, Vitrosidade e PNA total do milho grão em 2021 de diferentes regiões do planeta. Figura 06. Variação média de vitrosidade (Vitreousness, %) do milho grão, em amostras analisadas durante todo o ano de 2021, dependendo da região do planeta (n amostras 30.815).

NIR

Fonte: AB Vista (2022)

Figura 05. Variação média de índice de solubilidade protéica (PSI, %) do milho grão, em amostras analisadas durante todo o ano de 2021, dependendo da região do planeta (n amostras 30.815). Fonte: AB Vista (2022)

De igual maneira, sintam-se a vontade

Figura 07. Composição média de polissacarídeos não amiláceos totais (Total NSP, %) do milho grão, em amostras analisadas durante todo o ano de 2021, dependendo da região do planeta (n amostras 30.815).

para contatar um profissional da AB Vista, visando descrevermos mais detalhes envolvendo a qualidade deste importante cereal.

Fonte: AB Vista (2022) Novas Aplicações das Curvas NIR: Um passo à frente na identificação da qualidade de milho

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“Treinando” o microbioma animal para o aproveitamento da fibra: uma nova perspectiva do modo de ação das enzimas degradantes de fibra

Enzimas degradadoras de fibra (PNAases) têm sido usadas comercialmente por mais de 30 anos. Historicamente, o foco principal sobre as PNAases estava em diminuir os efeitos anti-nutricionais da fibra, mas este vem mudando para os subprodutos da quebra da fibra.

“Nós sabemos que determinados produtos oriundos da quebra de PNA são benéficos e atuam na adaptação da microbiota intestinal, o que pode aumentar o aproveitamento da fibra e o desempenho”. Dr Gemma Gonzalez Ortiz, Gerente de Pesquisas, AB Vista

Quando as enzimas degradam a porção PNA, oligossacarídeos de cadeia curta são produzidos; estes são fermentados por bactérias no intestino, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta. Este efeito tem sido chamado de efeito prebiótico, e é considerado como um dos mecanismos de ação das PNAases, que pode ser muito

do que simplesmente melhorar a digestibilidade de fibra e a fermentação de oligossacarídeos produzidos. Quando suplementada via dieta por um longo período, a xilanase tem mostrado aumentar, efetivamente, a capacidade das bactérias do ceco em digerir fibra. Isto sugere que as xilanases causam um efeito de “treinamento” no microbioma cecal, resultando em mudanças adaptativas ao longo do tempo que aumenta a capacidade de degradar fibra (Figura 1). Isto significa que as PNAases estão fazendo muito mais do que se sabia – elas contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota mais benéfica e, com isso, melhoram a eficiência na absorção de nutrientes da dieta pelo animal hospedeiro.

Figura 1. Amostras de conteúdo cecal de aves alimentadas com dietas contendo ou não xilanase (Econase XT) foram usadas como inóculo em ensaio de fermentação para monitorar a produção de ácidos graxos voláteis (AGV). O inóculo cecal de aves pré-expostas à xilanase aumentou a produção de butirato em comparação com as aves do grupo controle. 19 17 15

Butirato mM

A busca crescente sobre como as carboidrases agem está abrindo uma nova perspectiva do seu papel nas estratégias nutricionais para melhorar o desempenho.

13 11 9 7 5 Controle Conteúdo cecal aves do controle

C+PNA de trigo Conteúdo cecal – aves com xilanase

“Precisamos olhar para as PNAases como ferramentas para acelerar a habilidade do microbioma intestinal em degradar fibra. Em vez de degradar quantitativamente a fibra da parede celular vegetal, estas enzimas estão, efetivamente, aumentando a capacidade intrínseca do animal em digerir fibras, o que tem implicações significativas na seleção de classes de enzimas PNAases e de dosagens”. Dr Mike Bedford, Diretor de Pesquisas, AB Vista

Para saber mais sobre a pesquisa citada neste artigo e outras pesquisas relacionadas, visite www.abvista.com ou entre em contato com o representante local da AB Vista.


SUPLEMENTAÇÃO COM ARGININA PARA FÊMEAS SUÍNAS EM GESTAÇÃO: PARTE II

aminoácidos

Lívia Maria dos Reis Barbosa1, Dante Teixeira Valente Júnior 2, Karine Assis Costa3, Gustavo de Amorim Rodrigues2, Marcos Henrique Soares4, Maykelly Da Silva Gomes2 1 Professora do curso de Medicina Veterinária – Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) 2 Doutorando do Programa de Pós-graduação em Zootecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV) 3 Pós- doutoranda do Instituto de Zootecnia - Sertãozinho (SP) 4 Especialista em nutrição de suínos, Vaccinar, Belo Horizonte, MG, Brasil.

A nutrição materna é um dos principais fatores que afeta a sobrevivência, crescimento e desenvolvimento de embriões e fetos. O uso de aminoácidos como nutriente funcional durante a gestação vem sendo largamente estudado devido a participação destes em vias metabólicas relacionadas às funções reprodutivas dos animais.

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Por outro lado, alguns estudos mostram que a suplementação

Período e duração da suplementação com L- arginina na ração de fêmeas suínas gestantes.

com arginina no terço médio e final de gestação, período de maior ganho de peso fetal, aumenta o peso dos leitões e a uniformidade da leitegada ao nascimento

Embora alguns estudos demonstrem que a suplementação com arginina melhora o desempenho reprodutivo de fêmeas suínas, não há um consenso sobre o melhor período, nível de inclusão, ou fase gestacional para utilização desse aminoácido, sendo os resultados destes estudos conflitantes (Palencia et al., 2018; Li et al., 2015).

(Bass et al., 2017; Quesnel et

aminoácidos

al., 2014; Che et al., 2013).

IMPLANTAÇÃO EMBRIONÁRIA A suplementação com arginina no terço inicial de gestação de fêmeas suínas é determinante na viabilidade e sobrevivência embrionária por beneficiar a:

CRESCIMENTO PLACENTÁRIO

FORMAÇÃO DOS CONCEPTOS

VASCULARIZAÇÃO PLACENTÁRIA (Costa et al., 2019).

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Fêmeas suínas hiperprolíficas ovulam cerca de 20 a 30 oócitos mas apenas metade destes resultam em leitões nascidos vivos (Town et al., 2005). Esse fato pode estar relacionado com a capacidade uterina restrita, positivamente relacionada com a mortalidade fetal (Bazer et al., 2014).

aminoácidos

A suplementação com arginina através da modulação do ambiente intra-uterino de fêmeas suínas gestantes pode melhorar a eficiência placentária e a capacidade uterina.

Em 75% dos casos, as perdas pré-natais ocorrem durante os primeiros 25 dias de gestação (Ford et al., 2002), dessa forma a suplementação com arginina poderia ser vantajosa nesse período.

Contudo Li et al. (2010) reportaram em marrãs gestantes suplementadas com 8,0 g/kg de L-arginina entre os dias 0 e 25 de gestação:

menor número de fetos viáveis,

menor número de corpos lúteos e

menor concentração de progesterona no plasma.

A partir desse estudo, têm sido evitada a suplementação com arginina no dia da concepção.

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Por outro lado, Greene et al. (2012) em estudo sobre a suplementação com 20,0 g/kg de L-arginina durante todo o período gestacional de camundongas (também iniciando após a concepção), observaram aumento do tamanho da ninhada, do número de pontos de ligação de placenta e da atividade transcricional do Vegfr2 (receptor 2 do fator de crescimento endotelial) em tecido fetoplacental.

Por outro lado, sabe-se que 50% do ganho de peso fetal acontece nos últimos 20 dias de gestação (Figura 1; McPherson et al., 2004), e a adequada nutrição materna neste período se torna imprescindível para o desenvolvimento fetal (Che et al., 2017; Nuntapaitoon et al, 2018).

• Bérard & Bee (2010) reportaram que a suplementação com 6,7 g/kg de L-arginina na ração de fêmeas suínas gestantes dos 14 aos 28 dias de gestação afetaram positivamente a miogênese, com maior formação de miofibrilas além do aumento do número de fetos viáveis aos 75 dias de gestação.

aminoácidos

• Costa et al. (2019), em suplementação com 10,0 g/kg de L-arginina na ração dia 1 ao dia 25 de gestação, reportaram aumento da concentração de arginina no plasma, aumento da expressão do gene do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF1) e tendência ao aumento do peso dos embriões.

PESO FETAL, g

• Ao suplementar com 10,8 g/kg de L-arginina entre os dias 1 e 30 de gestação de marrãs, Li et al. (2015) observaram aumento de nascidos, nascidos vivos e do peso da leitegada.

Vários estudos tem demonstrado o efeito benéfico na performance reprodutiva de fêmeas suínas suplementas com arginina durante o terço inicial de gestação.

1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 0

10

20

30

40

50

60

70

80

90 100 110

DIAS DE GESTAÇÃO

Figura 1. Aumento do peso fetal durante a gestação de suínos. Fonte: McPherso et al., 2004

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aminoácidos

Deve-se considerar que o desenvolvimento muscular dos suínos ocorre, de forma geral, em duas etapas (Figura 2). A primeira, corresponde ao período entre 35 e 55 dias de gestação em que há a formação das fibras primárias a partir da fusão de mioblastos. Do 55 aos 90-95 dias de gestação, tendo como base as fibras primárias, as fibras secundárias se formam a partir de uma segunda fusão dos mioblastos (Beermann et al., 1978; Wigmore & Stickland, 1983; Dwyer et al., 1994). Após 95 dias de gestação, o número total de fibras musculares estará estabelecido, mas a hipertrofia e maturação muscular continuam.

Fomação de fibras primárias

Fomação de fibras secundárias

Maturação Hipertrofia

Número total de fibras estabelecido

Lotação uterina

Concepção

d 35

d 55

d 90 - 95

Parto

DIAS DE GESTAÇÃO

Figura 2. Representação esquemática do desenvolvimento das fibras musculares em suínos Fonte: Adaptado de Foxcroft et al. (2006)

Segundo Foxcroft et al. (2006), o período inicial da miogênese envolvendo a diferenciação das fibras musculares primárias, é de difícil manipulação através da dieta, enquanto que os efeitos nutricionais na diferenciação e hiperplasia de fibras secundárias são demonstrados entre os dias 25 e 90 de gestação. Nesse sentido, Madsen et al. (2017) ao suplementar com 25g de arginina por dia a ração de fêmeas suínas gestantes no início da gestação, entre 14 a 28 dias, observaram maior efeito na formação de fibras secundárias.

O estágio fetal é crucial para o desenvolvimento do músculo esquelético e essa relação pode afetar permanentemente o crescimento pós-natal muscular da prole e assim, produzir efeitos fisiológicos a longo prazo (Zou et al., 2016).

A redução do número de leitões nascidos com baixo peso melhora o manejo de creche e otimiza a sobrevivência e o desempenho na maternidade (Wu et al., 2018; Panzardi et al., 2013). Vale ressaltar que cerca de 76% de leitões com crescimento intrauterino retardado (CIUR) não sobrevivem até o desmame (Wu et al., 2006) e, uma das principais características desta condição, é a alteração da transferência de aminoácidos materno-fetal (Wu et al., 2010).

50 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte II


Neste sentido, a suplementação com arginina pode ser Leitões nascidos mais pesados, possuem maior capacidade termorregulatória, vitalidade

benéfica após o segundo terço de gestação da fêmea suína.

e capacidade de consumo de colostro (Quesnel et al.,

Lin et al. (2012) reportaram menor concentração de arginina e glutamina no plasma da veia umbilical de fetos com CIUR aos 90 e 110 dias de gestação se comparado a fetos considerados normais, indicando redução da provisão de aminoácidos para os fetos, o que pode limitar o seu crescimento (Zhu et al., 2018).

Mateo et al. (2007) observaram aumento de 2 leitões por leitegada ao suplementar a ração de marrãs com 8,3 g/kg de L-arginina entre os dias 30 e 114 de gestação. Efeito similar foi reportado por Gao et al. (2012), quando suplementaram com 8,3 g/kg de L-arginina a ração de multíparas gestantes do dia 22 até o parto.

aminoácidos

2012; Muns et al. 2016).

Recentemente, Rodrigues et al. (2021) relataram que a suplementação com 10,0 g/kg de L-arginina na ração de porcas entre 85 a 110 dias de gestação promoveu aumento da expressão gênica do fator de diferenciação miogênica (MYOD), miogenina (MYOG) e fator de crescimento semelhante à insulina 2 (IGF-2) no Longissimus dorsi dos leitões, indicando que a inclusão desse aminoácido na dieta também pode melhorar o desenvolvimento muscular dos fetos durante o terço final de gestação.

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aminoácidos

Che et al. (2013), em estudo com a suplementação com 8,3 g/kg de L-arginina na ração de fêmeas suínas gestantes, observaram maior peso de leitegada com a suplementação entre os dias 30 e 114 de gestação se comparado a suplementação entre os dias 30 e 90 de gestação, evidenciando o efeito benéfico da arginina no crescimento fetal no período final de gestação. Nuntapaitoon et al. (2018), observaram maior peso ao nascimento (aumento de 6,5%) e maior proporção de leitões nascidos mais pesados (peso corporal maior que 1,35 kg) em leitegadas de porcas suplementadas com 4,2 g/ kg de L-arginina na ração dos 85 dias de gestação até o parto.

De forma similar, Wu et al. (2012) reportaram aumento da média de peso de leitões nascidos vivos em 16% com a suplementação com 8,3 g/kg de L-arginina na ração entre os dias 90 e 114 de gestação. Mateo et al (2007) também observaram aumento de 24% do peso da leitegada com a suplementação com 8,3 g/kg de L-arginina na ração. Por outro lado, Bass et al. (2017) não observaram efeito no desempenho reprodutivo de fêmeas nulíparas, primíparas ou multíparas alimentadas com 8,3 g/kg de L-arginina na ração entre os dias 93 a 110 de gestação.

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A melhora na uniformidade da leitegada está relacionada ao aumento da sobrevivência pré e pós desmame de leitões (Yuan et al. 2015). Portanto é plausível esperar efeitos sobre a variação de peso ao nascimento e uniformidade da leitegada com a suplementação de arginina no período final de gestação em que ocorre crescimento exponencial do feto (Mc Pherson et al., 2004; Ji et al., 2005).

aminoácidos

No final da gestação, o coeficiente de variação do peso intra-leitegada é duas vezes maior se comparado aos primeiros 27 dias de gestação (Quesnel, et al. 2010). Neste sentido, em estudo com a suplementação com 7,7 g/kg de L-arginina para fêmeas suínas dos 77 aos 114 dias de gestação, Quesnel et al. (2014) observaram redução de 19% na variação do peso ao nascimento dos leitões.

Considerações finais Diante do exposto, deve-se considerar os objetivos do produtor para a determinação do período de suplementação com arginina. Caso o suinocultor queira maior sobrevivência embrionária e aumento do número de nascidos vivos, a suplementação deve ocorrer no terço inicial de gestação. Se por outro lado, o objetivo for obter maior peso fetal e uniformidade da leitegada, a suplementação deveria ocorrer no terço médio/final da gestação.

Entretanto, é provável que os efeitos da suplementação com L-arginina sobre características fenotípicas como peso fetal, hipertrofia de fibras musculares e uniformidade da leitegada, seriam mais evidentes na segunda metade do período de gestação, período de maior crescimento e ganho de peso fetal ou mesmo após o nascimento.

Suplementação com arginina para fêmeas suínas em gestação: Parte II

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MANEJO ALIMENTAR: TIPOS DE RAÇÃO, TAXAS DE ARRAÇOAMENTO E ESTRATÉGIA ALIMENTAR

manejo alimentar

Diana Carla Fernandes Oliveira1 Gilmara Junqueira Machado2 Naiara Cristina Motta3 1 Bolsista de Desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação, Universidade Federal de Lavras 2 Pós-Doutoranda, Universidade Federal de Lavras 3Consultora da empresa CENTERFISH Pesquisa e Consultoria Ambiental

A piscicultura nos últimos anos tem se expandido, em função da demanda pelo produto, exigindo mais conhecimento de técnicas que permitem maior produção e renda (Bartz et al. 2018). Um manejo alimentar eficiente deve ser almejado em uma piscicultura, pois a ração é insumo mais oneroso da atividade, cerca de 70% dos custo (Istchuk, 2014).

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Sendo assim, é fundamental a implementação de

Dessa forma, a implantação de um sistema de alimentação que permite ao produtor maior controle da ração oferecida aos peixes é importante. As diversas espécies de peixes têm necessidades nutricionais diferentes, principalmente relacionadas ao seu hábito alimentar ou às fases de vida.

Peixes nas fases iniciais — alevinos e juvenis — também têm necessidades alimentares diferentes de peixes na fase final de engorda. Inicialmente, é importante conhecer quais são os principais nutrientes presentes na ração para peixes.

E estratégia alimentar eficiente,

Visando atingir o máximo crescimento dos peixes com menor consumo de ração.

No mercado estão disponíveis diferentes tipos de ração com diferentes granulometrias. Entretanto, essa escolha deve ser realizada de acordo com a fase de vida dos peixes e alguns aspectos devem ser considerados: a escolha do fornecedor de ração não deve ser optada apenas com base no preço, mas sobretudo pela qualidade; busque referências com outros produtores e informações junto ao representante do fornecedor. Usar o alimento correto que atenda as exigências nutricionais para cada fase de vida do seu peixe é muito importante para ter peixes saudáveis e uniformes, e consequentemente, ter mais resultados. Na Tabela 1, são indicadas as rações para as determinadas fases de vida dos peixes.

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manejo alimentar

Taxa de arraçoamento correta,

Um sistema de alimentação,


Tabela 1- Indicação das rações para cada fase de vida, tamanho, peso médio dos peixes, teor de proteína e granulometria. Fase de vida

Tamanho (médio)

Peso (médio)

Teor de proteína

Pós-larva

< 2cm

<1-2 gramas

>50%

Pó

Alevino

2-5 cm

2-10 gramas

45-40%

1-2 mm

Juvenil I

5-15cm

10-30 gramas

36%

2-3 mm

Juvenil II

15-20cm

30-100 gramas

32%

3-4 mm

Crescimento

20-30cm

100-300 gramas

32%

4-6 mm

Adulto

>30cm

>300 gramas

32-28%

6-8 mm

Manutenção

>35cm

>800 gramas

28%

>8 mm

Fonte: Elaborado pelos autores

manejo alimentar

Granulometria

O crescimento dos peixes nos diversos sistemas de cultivo, está diretamente relacionado ao fornecimento de rações (De Paula et al., 2020).

O fornecimento de rações aos peixes se caracteriza pela quantidade diária de ração, que é normalmente realizada em função do peso vivo dos peixes e número de alimentações diárias. Informações sobre a determinação da porcentagem de alimentação e da frequência alimentar para diferentes espécies de peixes são quesitos fundamentais para a produção com retorno econômico satisfatório aos produtores (Signor et al., 2018).

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A alimentação influencia diretamente, não apenas os parâmetros de crescimento, mas, a utilização de nutrientes e a composição corporal dos peixes (Oliveira et al., 2016). O manejo alimentar, deve considerar:

Para que os peixes apresentem um bom desempenho e aproveitem ao máximo a ração fornecida, a observação das condições de qualidade de água, vento, locais, horários e a forma de distribuição são fundamentais. Quando o mesmo é realizado de forma inadequada, pode levar a problemas de aumento nas taxas de conversão alimentar e desuniformidade do lote, o que não é desejável.

O sistema de cultivo, a produtividade natural no ambiente,

Realizar um bom manejo alimentar não se limita apenas em fornecer um alimento de qualidade aos peixes, pois

As condições climáticas e O manuseio do alimento (Santos et al., 2013).

A forma e o horário da alimentação,

A quantidade e o número de vezes que o alimento é fornecido

Diminuir as perdas de ração (Schinaittacher et al., 2005).

Melhor conversão alimentar e

Podem resultar em maior crescimento,

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manejo alimentar

O hábito da espécie produzida,


A taxa de alimentação influência tanto no crescimento quanto na eficiência alimentar dos peixes, pois seu crescimento está relacionado a disponibilidade de alimento. A taxa alimentar representa a quantidade de ração diária ofertada ao peixe, sendo, tal quantidade, expressa na porcentagem de seu peso vivo.

manejo alimentar

Dessa forma, a taxa de alimentação ideal para os peixes é aquela que proporciona maior ganho de peso com menor índice de conversão alimentar dos peixes (Hilbig et al., 2012).

O número de refeições diárias em condições naturais pode variar com o hábito alimentar e plasticidade trófica da espécie, não podendo ser utilizada como parâmetro único na definição do manejo alimentar, variam entre uma a oito vezes ao dia. Sendo assim, o efeito da frequência alimentar para cada espécie em confinamento é importante na definição do melhor manejo. O manejo de alta frequência alimentar permite aumento na taxa alimentar, até certo limite, sem haver desperdícios. Os parâmetros físico-químicos da água, tem um papel fundamental para o adequado consumo, desempenho e saúde dos peixes (Howell e Baynes, 2004). Para cada espécie de peixe existe um limite térmico máximo e mínimo e dentro dessa faixa a taxa de crescimento dos peixes é máxima, mas fora desse limite ocorrem efeitos deletérios causando uma queda na taxa de crescimento (Figura 1).

Fonte: Piscicultura: Alimentação- Coleção Senar (2019) Figura 1- Faixa de conforto térmico para peixes tropicais

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Sendo assim, o conhecimento do limite térmico da espécie criada em cativeiro e sua relação com os fatores que evolvem seu crescimento é de extrema importância. O fornecimento de ração abaixo das necessidades metabólicas dos peixes, pode ocasionar Retardos no desenvolvimento dos animais, Diminuição da imunidade,

Informações quanto a percentagem de alimentação e frequência alimentar para as diferentes espécies de peixes são quesitos fundamentais para a produção com retorno econômico (Signor et al., 2018).

Conhecer os hábitos de vida da espécie a ser cultivada é extremamente importante para definir o período de alimentação. Para a maioria dos peixes de água doce, o fornecimento de alimento é realizado no período diurno.

Altas mortalidades, e o Não atendimento da exigência do produto no mercado (Da Silva et al., 2020).

Em contrapartida, o fornecimento de ração acima das necessidades metabólicas dos peixes, resulta na sobra de rações, que compromete a qualidade de água (Rocha Loures et al., 2001), por consequência, pode acarretar problemas metabólicos e propiciar condições favoráveis às doenças, reduzindo a lucratividade em função do aumento dos custos de produção.

Manejo alimentar: tipos de ração, taxas de arraçoamento e estratégia alimentar

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Mas, não são todas as espécies de peixes que se desenvolvem adequadamente quando alimentados no período diurno. Para definir o melhor período para oferecer alimento e com isso obter o máximo desempenho dos peixes em condições de cultivo, é fundamental conhecer o hábito de vida e o período que a espécie cultivada prefere se alimentar.

Considerações Finais O conhecimento dos hábitos alimentares das espécies cultivadas, bem como o fornecimento da ração com a granulometria adequada para cada fase de vida, é de extrema importância para o desenvolvimento os peixes. Para um bom manejo alimentar, deve-se associar a taxa de alimentação que maximize o crescimento, com baixa conversão alimentar e a estratégia de alimentação, que contribuam para maior crescimento dos peixes, redução do desperdício de alimento e menor custo de produção.

59 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Manejo alimentar: tipos de ração, taxas de arraçoamento e estratégia alimentar

manejo alimentar

Possibilitando doenças e


ACÚMULO DE CÁLCULO DENTÁRIO E O PAPEL DA NUTRIÇÃO PARA MANTER A SAÚDE ORAL

O

saúde bucal

Por viverem mais, cães necessitam manter a saúde oral e a dentição

Caroline Fredrich Dourado Pinto1, Luciano Trevizan2 1 Zootecnista e Doutoranda em Zootecnia, PPG Zootecnia – UFRGS 2 Professor do Departamento de Zootecnia – UFRGS

Dentre os serviços de pet care, definido como os cuidados dispendidos por tutores aos seus animais de companhia, destacam-se aqueles relacionados à alimentação, banho e vacinação. Os cuidados com a saúde oral costumam passar despercebidos aos tutores, e reconhecidos apenas quando o animal apresenta halitose ou algum dano à dentição.

No entanto, os cuidados à saúde oral são indispensáveis, pois impactam diretamente na saúde geral e longevidade de cães.

60 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


Assim como os humanos, os cães são classificados como difiodontes pois possuem duas dentições ao longo da vida: A primeira dentição decídua é composta por 28 dentes, Já a segunda dentição permanente por 42 dentes.

saúde bucal

Além disso, cães são heterodontes pois sua dentição possui formatos e funções diferentes, como apreensão (dentes incisivos), corte e preensão (dentes caninos) e mastigação (dentes prémolares e molares).

Além dos danos à cavidade oral, a periodontite pode causar danos sistêmicos ao: As estruturas que circundam a dentição conferem proteção (gengiva) e sustentação (cemento, osso alveolar e ligamento periodontal) e compõem o periodonto.

Coração, Rins e Fígado.

A periodontite é a doença oral que mais acomete cães. A inflamação se estende pelos tecidos de proteção e sustentação promovendo danos permanentes como destruição do periodonto, mobilidade e perda dentária.

O primeiro estágio da doença periodontal é pouco visível e compreende o período no qual as bactérias Grampositivas aeróbias e anaeróbias facultativas, naturalmente presentes na cavidade oral, produzem e secretam o biofilme ou placa bacteriana sobre a superfície dentária.

61 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


A elevada disponibilidade de nutrientes na saliva propicia a proliferação destes microrganismos. À medida que ocorre o espessamento da placa bacteriana a disponibilidade de oxigênio é restrita e, assim, ocorre a mudança da composição de microrganismos para bactérias Gramnegativas anaeróbias.

O estágio seguinte da doença periodontal se dá pela mineralização da placa bacteriana pré-existente formando o cálculo dentário, popularmente conhecido como tártaro, através da deposição de carbonatos e fosfatos de cálcio que circulam na saliva.

Os estágios mais avançados da periodontite são caracterizados pelo

saúde bucal

Aumento da permeabilidade tecidual, facilitando a entrada de bactérias patogênicas pela circulação sistêmica,

E resposta imune através da infiltração de neutrófilos, macrófagos e linfócitos sobre os tecidos periodontais,

Liberando metabólitos e desencadeando a retração gengival, destruição do ligamento periodontal e reabsorção óssea.

62 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


Em resumo, estes fatores combinados promovem a perda de adesão do dente ao seu respectivo alvéolo, resultando na mobilidade dentária, e por fim a perda dentária.

A limpeza periodontal deve ser feita regularmente para garantir a integridade e saúde dos tecidos periodontais. Somado à intervenção profissional, os tutores podem aderir às práticas como a escovação dentária e inclusão de alimentos e itens mastigatórios específicos para a manutenção da saúde oral.

A adição de alguns aditivos químicos à dieta auxilia na redução do acúmulo de placa e cálculo dentário em cães.

A escovação dentária é de extrema eficácia na remoção da placa bacteriana e prevenção do acúmulo de cálculo, no entanto demanda cuidado devido a sensibilidade da gengiva. Além disso, requer adesão e comprometimento dos tutores para realizar o procedimento diariamente ou a cada dois dias.

Esses aditivos são amplamente utilizados em alimentos completos e petiscos pela indústria de pet food.

Os quelantes de cálcio, em especial os polifosfatos de sódio,

Atuam na captação do cálcio circulante na saliva impedindo sua deposição sobre a placa bacteriana pré-existente,

63 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral

saúde bucal

O método mais eficaz na prevenção da doença periodontal se dá pela limpeza realizada por médicos veterinários, na qual é feita a raspagem e remoção completa da placa e cálculo das superfícies dentárias.


Inúmeros trabalhos científicos evidenciaram a eficácia desses aditivos na redução da placa e cálculo dentário em cães, como observado por Stookey et

al. 1995 em que a utilização de 0,6% de hexametafosfato de sódio na cobertura de biscoitos reduziu em 79,6% a formação de cálculo dentário nos cães que consumiram o petisco durante 4 semanas. De modo similar, Pinto et al. 2008

saúde bucal

verificaram que a adição de hexametafosfato de sódio na cobertura da ração reduziu em 47,6% o acúmulo de cálculo dentário em cães após 90 dias de consumo da dieta, já quando adicionado na massa a redução foi de 34,2%.

Em trabalho mais recente, Oba et al. 2021 observaram a redução no acúmulo de placa, cálculo e gengivite em cães suplementados com diferentes tipos de petiscos. Os autores verificaram ainda que os cães alimentados apenas com dieta seca apresentaram maior abundância relativa de gêneros bacterianos patogênicos, como Porphyromonas, Tannerella, e Treponema, e menor abundância relativa de gêneros bacterianos associados à saúde oral, como Neisseria, Actinomyces, Bergeyella e Moraxella. Apesar das controvérsias, nosso grupo através da pesquisa, tentou entender melhor o efeito auxiliar dos ossos sobre a saúde oral de cães.

Além dos aditivos químicos, a ação mecânica promovida pelo alimento e itens mastigatórios auxilia na remoção de placa e cálculo dentário. O fornecimento de alimentos secos permite efeito abrasivo, mesmo que moderado, sobre a superfície dentária em que cães alimentados com dietas secas apresentaram melhores índices de saúde oral comparados àqueles alimentados com dietas úmidas ou caseiras. Assim como a dieta, os petiscos e itens mastigatórios também auxiliam na limpeza dentária. Stookey 2009 verificou que o fornecimento de petiscos a base de couro cru por 4 semanas reduziu a formação de cálculo (28,2%), placa (19%) e gengivite (46%) comparado ao grupo de cães alimentados apenas com dieta comercial seca.

64 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


Atentos ao fato de que ossos crus podem ser agentes transmissores de patógenos importantes, o grupo avaliou ossos autoclavados uma vez que o processo poderia mudar a consistência do osso e impactar no efeito de limpeza do cálculo. Na avaliação de ossos autoclavados, Pinto et al. 2020 verificaram que cães suplementados com as epífises autoclavadas por 13 dias apresentaram redução de 89,5% de cálculo dentário, enquanto o grupo suplementado com as diáfises autoclavadas tiveram redução de 64,7% de cálculo (Figura 1).

Apesar dos resultados expressivos, cabe ressaltar que ambos os estudos foram executados experimentalmente e de forma controlada para evitar injúrias como lesões orais e obstruções esofágicas que comumente podem ocorrer quando os cães deglutem partes de ossos pontiagudos. O principal resultado destes estudos reforça a hipótese de que ossos bovinos derivados de fêmur bovino são agentes muito eficazes na remoção do cálculo dentário. No entanto, não existem informações científicas quanto a segurança do uso de ossos a longo prazo sobre a saúde dental.

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

(F)

saúde bucal

No primeiro estudo, Marx et al. 2016 observaram que cães suplementados com as epífises de fêmur bovino cru por 12 dias apresentaram redução de 81,6% de cálculo dentário, enquanto os cães suplementados com as diáfises do fêmur bovino tiveram redução de 70,6% de cálculo.

Figura 1. Efeitos da suplementação com ossos sobre a remoção do cálculo dentário em cães Beagle adultos. (a) arcada dentária no dia 0 – antes da suplementação com ossos esponjosos autoclavados; (b) arcada dentária após 13 dias de suplementação com ossos esponjosos autoclavados; (c) osso esponjoso autoclavado; (d) arcada dentária no dia 0 – antes da suplementação com ossos compactos autoclavados; (e) arcada dentária após 13 dias de suplementação com ossos compactos autoclavados; (f) osso compacto autoclavado.

65 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


saúde bucal

Na presença do cálculo dentário, microrganismos patogênicos associados ao cálculo e à periodontite podem chegar à circulação sistêmica havendo ação deletéria sobre órgãos. Pesquisas recentes tem se dedicado a avaliar o efeito do uso de aditivos e itens mastigatórios na modulação da microbiota oral, buscando controlar a proliferação de bactérias conhecidamente associadas à periodontite (Streptococcus sp., Staphyloccoccus sp., Porphyromonas gingivalis e outras bactérias Gram-negativas anaeróbias) e a sua entrada na circulação sanguínea.

Como esperado, a maior remoção de cálculo dentário no grupo de cães suplementados com ossos esponjosos autoclavados por 13 dias promoveu a transição positiva da microbiota oral, observada pelo aumento na abundância relativa de espécies como Moraxella sp. e Bergeyella zoohelcum, espécies associadas à saúde oral, na saliva e sulco gengival. Apesar de eficientes, o feito mastigatório dos ossos compactos autoclavados não alcançou as taxas de limpeza obtidas com ossos esponjosos e houve abundância relativa do gênero Porphyromonas, microrganismo presente em todos os estágios da doença periodontal, na saliva e sulco gengival.

Concomitantemente à avaliação da remoção de cálculo dentário exercida pelos ossos autoclavados, nosso grupo de pesquisa coletou amostras de saliva e do sulco gengival (Figura 2) para avaliação da modificação da microbiota oral antes e após a suplementação de ossos.

(A)

(B)

Figura 2. Coleta de sulco gengival para sequenciamento bacteriano (a) e sondagem (b).

66 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


saúde bucal Em conclusão, a manutenção da saúde oral requer cuidados regulares seja através da higienização pela escovação dentária ou pelo fornecimento de petiscos e itens mastigatórios. Porém, a limpeza periodontal realizada pelo profissional competente permanece sendo o método mais eficaz na remoção completa de placa e cálculo, permitindo a integridade da dentição e estruturas periodontais e garantindo a saúde e bem-estar aos cães.

O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral

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67 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | O acúmulo de cálculo dentário e o papel da nutrição para manter a saúde oral


TABELA

MICROMINERAIS 2022 EDIÇÃO BRASIL


MICROMINERAIS

Zinco

Manganês

Cobre

Selênio

Cromo

Ferro

TIPO DE FONTE

Sais solúveis de zinco quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de manganês quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de cobre quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de selênio quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de cromo quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de ferro quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

NOME DO PRODUTO

Yes - Minerals Zinco

Yes - Minerals Manganês

Yes - Minerals Cobre

Yes - Minerals Selênio

Yes - Minerals Cromo

Yes - Minerals Ferro

MICROMINERAIS 2022

Tabela de produtos

O Yes - Minerals Manganês está disponível nas concentrações de 16 e 22%

O Yes - Minerals Zinco está disponível nas concentrações de 16 e 22%

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

Aves, suínos, equinos, bovinos, caprinos

O Yes - Minerals Ferro está disponível nas concentrações de 16 e 22%

O Yes - Minerals Cromo está disponível nas concentrações de 0,1 e 1,0%

O Yes - Minerals selênio está disponível nas concentrações de 0,1, 0,2 e 0,5%

Aves, suínos, equinos, bovinos, O Yes - Minerals Cobre está disponível nas caprinos cães, gatos, camarões, concentrações de 16 e 22% peixes

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

ESPÉCIE DESTINADA

2022

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Tabelas de Produtos Micromineirais 2022

69


70

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Tabelas de Produtos Micromineirais 2022

Manganês

Selênio

B-Traxim 2C Mn

B-Traxim Se 11

Complexo mineral-proteina

Zinco

B-Traxim 2C Zn

Complexo mineral-glicina

Cobre

B-Traxim 2C Cu

MICROMINERAIS

Ferro

TIPO DE FONTE

B-Traxim 2C Fe

NOME DO PRODUTO

MICROMINERAIS 2022

Tabela de produtos

Todas as espécies

ESPÉCIE DESTINADA

Microelemento essencial envolvido no sistema antioxidante do organismo animal. Melhora desempenho produtivo e reprodutivo em condições desafiadoras. B-Traxim Se é termoestável às condições de processamento das rações.

Uma linha de produtos ligados a glicina (Glicinatos) que produz um composto único, cristalino polimérico para melhorar a absorção e o desempenho dos animais

INFORMAÇÃO ADICIONAL

2022


Manganês

Cobre

Ferro

Selênio

Cromo

Complexo cobre-aminoácido

Complexo ferro-aminoácido

Complexo zinco-Lselêniometionina

Complexo cromo-metionina

Availa® Mn 80

Availa® Cu 100

Availa® Fe 100

Availa® Se 1000

Availa® Cr 1000

Zinco

Complexo zinco-aminoácido

Availa® Zn 120

Complexo manganês-aminoácido

MICROMINERAIS

TIPO DE FONTE

NOME DO PRODUTO

MICROMINERAIS 2022

Tabela de produtos

Todas as espécies

ESPÉCIE DESTINADA

A complexação mineral-aminoácido da Zinpro origina uma molécula única no mercado, sendo estável, solúvel, absorvível e metabolicamente disponível, cumpre todos os requisitos para que o mineral exerça com excelência seu papel na saúde e no desempenho dos animais. Ressaltamos nossa qualidade, já que 100% da produção é analisada para metais pesados, furanos, dioxinas, etc. É importante mencionar que todo este diferencial é comprovado em mais de 270 trabalhos científicos publicados. Somos muito mais que minerais!

INFORMAÇÃO ADICIONAL

2022

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Tabelas de Produtos Micromineirais 2022

71


TIPO DE FONTE

Fonte orgânica pura

NOME DO PRODUTO

Selisseo 2% Se

72

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Tabelas de Produtos Micromineirais 2022

Selênio

MICROMINERAIS

MICROMINERAIS 2022

Tabela de produtos

Todas as espécies animais

ESPÉCIE DESTINADA

1. Única OH-SeMet do mercado, totalmente disponível para o metabolismo animal; 2. Estabilidade ao armazenamento e condições de processamento térmico da ração; 3. Suporte ao sistema antioxidante e sistema imune; 4. Melhor desempenho produtivo e reprodutivo em condições desafiadoras; 5. Promove a resiliência animal.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

2022


MINTREX® Mn

MINTREX® Cu

MINTREX® Zn

NOME DO PRODUTO

Orgânico Bi-quelatado de Metionina Hidroxianaloga

TIPO DE FONTE

Manganês

Cobre

Zinco

MICROMINERAIS

MICROMINERAIS 2022

Tabela de produtos

Frangos, Suínos, Bovinos e Aquacultura

ESPÉCIE DESTINADA

MINTREX® Mn é um mineral orgânico composto por manganês quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

MINTREX® Cu é um mineral orgânico composto por cobre quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

MINTREX® Zn é um mineral orgânico composto por zinco quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

INFORMAÇÃO ADICIONAL

2022

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Tabelas de Produtos Micromineirais 2022

73


LEVANTAMENTO DOS NÍVEIS DE MINERAIS TRAÇOS E VITAMINAS UTILIZADOS EM DIETAS COMERCIAIS PARA SUÍNOS NO BRASIL LEITÕES LACTENTES E EM FASE DE CRECHE Dr. Danyel Bueno Dalto1 e Prof. Dr. Caio Abércio da Silva2

formulação

1 Agriculture and Agri-Food Canada, Sherbrooke, Quebec, Canadá 2 Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

INTRODUÇÃO Os estudos para determinar as exigências nutricionais dos minerais traços para suínos foram realizados majoritariamente antes da década de 1990 e tinham como foco evitar deficiências nutricionais (Gaudré and

Quiniou, 2009). As tabelas de referências nutricionais representam uma base teórica para a formulação de rações para suínos, indicando níveis mínimos de suplementação e/ou valores visando o melhor custo/benefício das formulações

(NRC, 2012; Rostagno et al., 2017).

No entanto, considerando os significativos avanços realizados pela indústria suinícola durante as últimas décadas, em termos de prolificidade das porcas e da taxa de crescimento dos leitões de engorda, pode-se questionar se os níveis de referência para alguns minerais traços e vitaminas não estariam defasados.

74 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Assim, dietas comerciais para suínos contêm

Este levantamento teve como público-alvo

níveis nutricionais maiores que aqueles

as empresas produtoras de premix que

sugeridos pelas tabelas de referência (NRC, 2012;

operam em diferentes regiões do país,

Rostagno et al., 2017) para garantir as exigências

bem como as principais cooperativas/

nutricionais dos suínos modernos (Gaudré and

agroindústrias da suinocultura brasileira.

Quiniou, 2009). No entanto, informações sobre os níveis de minerais traços e vitaminas necessários para otimizar parâmetros de crescimento e de reprodução são muito limitadas.

Para os premixes, os níveis mínimos de garantia, bem como a indicação de uso, foram as informações base coletadas para suportar este levantamento.

formulação

Levantamentos realizados nos Estados Unidos (Coelho; Cousins, 1997; Flohr et al.,

2016) indicaram grandes variações no uso de minerais traços e vitaminas entre produtores suínos, corroborando com a limitação de dados sobre as exigências nutricionais destes nutrientes para o suíno contemporâneo.

O Brasil, um país cuja suinocultura é reconhecidamente muito competitiva, eficiente e mundialmente respeitada, não detém, todavia, nenhuma informação a respeito deste cenário.

Já para as rações completas, levou-se em conta seus níveis finais de minerais traços e de vitaminas.

No desenvolvimento da coleta de informações cada empresa indicou, para cada uma das rações que comercializa, a fase ou a faixa de peso/idade que recomenda seus produtos.

Este estudo, portanto, descreve os níveis de minerais traços e de vitaminas em dietas utilizadas comercialmente nas rações de suínos no Brasil, servindo como uma fonte suplementar de informação para nutricionistas que atuam neste segmento, sem o propósito, contudo, de estabelecer novos

De posse destas orientações agrupamos os dados por faixa de idade para estabelecer uma padronização, a fim de permitir uma visualização do perfil destes minerais e vitaminas dentro de uma faixa comum de peso/idade.

requerimentos nutricionais.

75 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


As fases de criação incluídas neste estudo foram: leitões lactentes (0 a 20 dias de idade)

formulação

creche (sendo compreendidas três idades: Creche I, 21 a 35 dias; Creche II, 36 a 49 dias; e Creche III, 50 a 70 dias)

Para cada fase os seguintes nutrientes foram avaliados: vitamina A (vitA)

cobalamina (vitB12)

vitamina D (vitD)

colina

vitamina E (vitE)

ácido ascórbico (vitC)

vitamina K (vitK)

cobalto (Co)

tiamina (vitB1)

cobre (Cu)

riboflavina (vitB2)

cromo (Cr)

niacina (vitB3)

ferro (Fe)

ácido pantotênico (vitB5)

iodo (I)

piridoxina (vitB6)

manganês (Mn)

biotina (vitB7)

selênio (Se)

ácido fólico (vitB9)

zinco (Zn)

As fontes de minerais, se inorgânicas ou orgânicas, não foram distintamente consideradas para a definição dos valores finais destes.

RESULTADOS Do total de 38 empresas contactadas, 30 participaram deste estudo. Quanto aos níveis de suplementação de minerais traços e vitaminas para leitões lactentes (0 a 20 dias de idade) (Tabela 1), somente 10 empresas encaminharam as informações relativas.

Quando comparados com os valores recomendados por Rostagno et al. (2017) estes oscilaram entre 0,9 e 18,1 vezes. Os níveis de Cu e Zn foram particularmente elevados (níveis promotores de crescimento), sendo observada uma grande variação entre as empresas para o Cu (60,9 %), Fe (75,3 %) e Se (56,7 %).

Os níveis de minerais traços observados para esta categoria apresentaram valores que variaram entre 0,8 e 1,5 vezes os níveis observados para a fase de creche I (Tabela 2).

76 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Tabela 1 -Média, desvio padrão (DP), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%) e valor máximo (Max) para minerais traços e vitaminas adicionados a dietas de leitões lactentes (3 a 20 dias de idade). N1

Média

DP

Min

25%

11367,9

6319,3

1000,0

7000,0

Mediana

75%

Max

15000,0

22500,0

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

11

12500,0

Vitamina D, IU/Kg

11

2349,8

1403,7

200,0

1920,0

2000,0

2900,0

5850,0

Vitamina E, IU/Kg

11

106,2

87,3

3,0

28,0

98,0

150,0

307,5

Vitamina K, mg/Kg

11

10,8

23,0

0,3

2,8

3,8

5,7

80,0

11

3,1

1,1

1,1

1,9

3,30

4,0

4,5

Tiamina, mg/Kg Riboflavina, mg/Kg

11

8,3

4,1

0,5

4,8

10,0

11,0

14,2

Niacina, mg/Kg

11

44,3

23,4

3,0

29,5

40,0

70,0

80,0

Ácido pantoténico, mg/Kg

11

25,1

14,8

2,0

10,5

20,1

36,0

50,0

Piridoxina, mg/Kg

11

4,8

3,0

0,3

1,9

4,9

7,5

10,0

Biotina, mg/Kg

11

0,64

1,45

0,01

0,10

0,20

0,33

5,00

Ácido fólico, mg/Kg

11

2,2

1,6

0,1

0,6

2,0

3,6

5,0

Vitamina B12, mg/Kg

11

32,3

19,9

3,0

14,0

35,0

50,0

60,0

Colina, mg/Kg

9

711,2

430,9

15,2

390,0

715,2

975,1

1490,0

Vitamina C, mg/Kg

4

192,3

151,2

29,0

46,8

200,0

330,0

340,0

formulação

Vitaminas hidrossolúveis

Minerais traço Cobalto, mg/Kg

5

0,42

0,17

0,12

0,29

0,50

0,50

0,50

Cobre, mg/Kg

10

117,5

71,6

20,0

57,5

113,0

198,5

210,0

Cromo, mg/Kg

2

0,37

0,10

0,30

NP

NP

NP

0,44

Ferro, mg/Kg

10

128,5

96,7

10,0

56,3

112,8

206,0

325,0

Iodo, mg/Kg

9

1,43

0,50

1,00

1,10

1,20

1,74

2,50

Manganês, mg/Kg

9

58,5

23,2

27,5

39,0

60,0

71,0

103,0

Selênio, mg/Kg

11

0,37

0,21

0,04

0,21

0,40

0,40

0,75

Zinco, mg/Kg

11

2225,0

1083,9

120,0

2000,0

2480,0

3000,0

3488,0

1 N representa o número de rações e não de empresas. Esse valor pode ser diferente do número de empresas pois algumas não indicaram ou apresentaram mais de uma ração por fase. NP = não é pertinente com N ≤ 2.

77 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Para as vitaminas lipo-solúveis e hidro-solúveis

Os níveis de vitK, vitB₇, vitB₉ e vitC

para leitões lactentes, os valores apresentaram

foram particularmente elevados e, com

uma variação ainda maior quando comparados

exceção da vitB₁ (37,2 %) e vitB₂ (49,0 %),

com os relativos à fase de creche I (Tabela 2), sendo

foi observada grande variação entre as

observado uma variação nos níveis entre 1,0 e

empresas para todas as vitaminas

2,7, correspondendo a 1,7 e 6,4 vezes quando

(52,9 - 225,9 %).

consideradas as recomendações de Rostagno et al.

(2017) para a fase. Tabela 2 -Média, desvio padrão (DP), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), taxa relativa à Tabela Brasileira de Aves e Suínos (ratio BRA) e taxa relativa aos níveis da indústria Norte Americana (ratio USA) para minerais traços e vitaminas adicionados a dietas de Creche I (21 a 35 dias de idade). N1

Média

DP

Min

25%

11036,6

2917,8

1000,7

9677,5

Mediana

75%

Max

13475,0

15900,0

Taxa BRA2

Taxa USA2

1,4

1,0

Vitaminas lipossolúveis

formulação

Vitamina A, IU/Kg

36

10000,0

Vitamina D, IU/Kg

36

2246,7

715,3

198,8

1986,3

2000,0

2900,0

3900,0

1,3

0,9

Vitamina E, IU/Kg

36

77,9

48,0

3,0

49,8

60,0

100,0

223,9

1,7

1,1

Vitamina K, mg/Kg

36

4,1

2,1

0,3

2,5

3,8

5,3

8,0

1,2

1,0

Vitaminas hidrossolúveis Tiamina, mg/Kg

36

2,4

1,0

0,2

1,7

2,3

3,2

4,0

2,1

0,8

Riboflavina, mg/Kg

36

6,5

2,8

0,5

4,7

5,5

8,0

14,0

1,9

0,7

Niacina, mg/Kg

36

39,3

14,0

3,0

30,0

37,4

45,0

75,0

1,2

0,8

Ácido pantoténico, mg/Kg

36

23,7

9,3

2,0

18,3

21,3

30,0

50,0

1,4

0,8

Piridoxina, mg/Kg

36

3,6

1,8

0,3

2,2

3,0

4,9

7,5

1,6

1,0

Biotina, mg/Kg

36

0,24

0,21

0,01

0,10

0,16

0,32

1,00

2,1

0,7

Ácido fólico, mg/Kg

36

1,7

1,3

0,1

0,6

1,2

2,9

4,5

5,0

1,1

Vitamina B12, mg/Kg

36

31,9

12,6

3,0

22,8

30,0

40,0

60,0

1,5

0,8

Colina, mg/Kg

27

521,1

381,7

2,1

204,0

435,8

862,0

1500,0

NA

2,1

Vitamina C, mg/Kg

2

93,9

8,7

87,7

NP

NP

NP

100,0

NA

0,4

7

0,38

0,13

0,20

0,20

0,40

0,50

0,50

NA

NA

Minerais traço Cobalto, mg/Kg Cobre, mg/Kg

36

141,4

100,2

10,0

59,3

135,0

200,0

500,0

10,5

1,3

Cromo, mg/Kg

8

0,24

0,09

0,20

0,20

0,20

0,28

0,44

NA

1,2

Ferro, mg/Kg

36

114,3

45,2

10,1

90,4

100,0

150,0

224,0

1,3

1,1

Iodo, mg/Kg

35

1,17

0,39

0,12

1,00

1,10

1,32

2,50

1,0

2,2

Manganês, mg/Kg

36

50,0

18,2

6,0

40,2

46,7

62,0

100,0

1,1

1,4

Selênio, mg/Kg

35

0,38

0,11

0,04

0,35

0,40

0,40

0,72

0,9

1,3

Zinco, mg/Kg

36

1876,1

1189,4

90,0

142,5

2387,6

2711,2

3488,0

15,3

0,6

1 N representa o número de rações e não de empresas. Esse valor pode ser diferente do número de empresas pois algumas não indicaram ou apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Valores médios obtidos no presente estudo em proporção aos valores indicados por Rostagno et al. (2017; BRA) e Flohr et al. (2016; USA). NP = não é pertinente com N ≤ 2. NA = não aplicável, pois Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

78 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Os níveis de suplementação de minerais traços e vitaminas para as fases de Creche I (Tabela 2), Creche II (Tabela 3) e Creche III (Tabela 4) foram fornecidos por 25 empresas.

Tabela 3 -Média, desvio padrão (DP), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), taxa relativa à Tabela Brasileira de Aves e Suínos (ratio BRA) e taxa relativa aos níveis da indústria Norte Americana (ratio USA) para minerais traços e vitaminas adicionados a dietas de Creche II (36 a 49 dias de idade). N1

Média

DP

Min

25%

10965,8

3441,0

1000,7

9000,0

Mediana

75%

Max

14062,5

20000,0

Taxa BRA2

Taxa USA2

1,5

1,1

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

38

10000,0

Vitamina D, IU/Kg

38

2237,9

820,8

198,8

1915,0

2000,0

2612,5

5152,0

1,4

1,3

Vitamina E, IU/Kg

38

69,7

49,8

3,0

30,0

57,9

100,0

223,9

1,6

1,1

Vitamina K, mg/Kg

38

3,8

2,0

0,3

2,2

3,0

5,0

8,0

1,2

0,9

38

2,4

1,0

0,2

1,8

2,4

3,0

4,0

2,3

0,8

Tiamina, mg/Kg Riboflavina, mg/Kg

38

6,2

2,6

0,5

4,5

5,8

8,0

12,0

1,9

0,7

Niacina, mg/Kg

38

34,8

14,9

3,0

25,2

31,3

45,0

70,0

1,1

0,7

Ácido pantoténico, mg/Kg

38

21,1

9,7

2,0

13,9

20,0

28,5

50,0

1,3

0,7

Piridoxina, mg/Kg

38

3,4

1,9

0,3

1,9

3,0

5,0

7,5

1,6

0,8

Biotina, mg/Kg

38

0,25

0,25

0,01

0,10

0,15

0,33

1,00

2,3

0,7

Ácido fólico, mg/Kg

38

1,6

1,4

0,1

0,3

1,2

3,0

4,5

5,0

0,9

Vitamina B12, mg/Kg

38

31,1

12,9

3,0

20,0

30,0

40,0

60,0

1,5

0,8

Colina, mg/Kg

26

410,2

383,0

2,1

103,3

275,0

665,9

1424,8

NA

2,0

Vitamina C, mg/Kg

2

93,9

8,7

87,7

NP

NP

NP

100,0

NA

NA

formulação

Vitaminas hidrossolú-veis

Minerais traço Cobalto, mg/Kg

9

0,29

0,16

0,10

0,15

0,02

0,45

0,50

NA

NA

Cobre, mg/Kg

38

130,3

98,0

10,0

20,0

149,5

180,0

500,0

10,3

1,1

Cromo, mg/Kg

8

0,24

0,09

0,20

0,20

0,20

0,28

0,44

NA

1,2

Ferro, mg/Kg

38

95,3

31,7

10,1

72,0

100,0

119,6

150,0

1,1

0,9

Iodo, mg/Kg

37

1,11

0,35

0,12

1,00

1,01

1,20

2,04

1,0

2,0

Manganês, mg/Kg

38

50,2

18,6

6,0

37,0

46,0

70,0

99,1

1,2

1,4

Selênio, mg/Kg

37

0,38

0,12

0,04

0,33

0,38

0,40

0,75

1,0

1,3

Zinco, mg/Kg

38

996,3

1096,9

88,5

100,0

150,1

2000,0

3075,0

8,6

0,5

1 N representa o número de rações e não de empresas. Esse valor pode ser diferente do número de empresas pois algumas não indicaram ou apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Valores médios obtidos no presente estudo em proporção aos valores indicados por Rostagno et al. (2017; BRA) e Flohr et al. (2016; USA). NP = não é pertinente com N ≤ 2. NA = não aplicável pois Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

79 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Tabela 4 - Média, desvio padrão (DP), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), taxa relativa à Tabela Brasileira de Aves e Suínos (ratio BRA) e taxa relativa aos níveis da indústria Norte Americana (ratio USA) para minerais traços e vitaminas adicionados a dietas de Creche III (50 a 70 dias de idade). N1

Média

DP

Min

25%

10013,8

3308,4

1000,7

8250,0

Mediana

75%

Max

11962,5

18000,0

Taxa BRA2

Taxa USA2

1,5

1,1

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

40

9500,0

Vitamina D, IU/Kg

40

2025,5

690,9

198,8

1777,5

2000,0

2000,0

3900,0

1,4

1,3

Vitamina E, IU/Kg

40

61,2

43,5

3,0

30,0

50,0

95,0

200,0

1,5

1,3

Vitamina K, mg/Kg

40

2,8

1,1

0,3

2,0

3,0

3,2

5,6

0,9

0,8

40

2,1

0,9

0,2

1,5

2,0

3,0

4,0

2,1

0,7

Vitaminas hidrossolúveis

formulação

Tiamina, mg/Kg Riboflavina, mg/Kg

40

5,3

2,2

0,5

4,0

5,0

6,0

11,3

1,7

0,7

Niacina, mg/Kg

40

30,6

15,6

3,0

20,1

30,0

36,9

90,0

1,0

0,7

Ácido pantoténico, mg/Kg

40

18,1

9,4

2,0

11,6

16,1

20,0

56,3

1,2

0,7

Piridoxina, mg/Kg

40

2,9

1,6

0,3

1,7

2,7

4,0

7,5

1,5

0,8

Biotina, mg/Kg

40

0,23

0,23

0,01

0,10

0,15

0,25

1,00

2,3

0,9

Ácido fólico, mg/Kg

40

1,3

1,3

0,1

0,4

1,0

1,9

4,5

4,5

0,7

Vitamina B12, mg/Kg

40

27,9

12,3

3,0

20,0

27,6

30,0

67,5

1,4

0,8

Colina, mg/Kg

25

300,4

371,5

2,1

100,0

200,0

300,0

1424,8

NA

NA

Vitamina C, mg/Kg

1

45,9

NP

NP

NP

NP

NP

NP

NA

NA

Minerais traço Cobalto, mg/Kg

9

0,28

0,13

0,09

0,20

0,20

0,40

0,50

NA

0,7

Cobre, mg/Kg

40

118,1

94,4

8,0

20,0

115,0

155,0

500,0

9,8

0,7

Cromo, mg/Kg

8

0,22

0,04

0,20

0,20

0,20

0,23

0,30

NA

1,1

Ferro, mg/Kg

40

87,6

31,6

10,1

70,0

82,8

100,0

200,0

1,1

0,8

Iodo, mg/Kg

39

1,01

0,47

0,12

0,79

1,00

1,04

3,10

1,0

2,1

Manganês, mg/Kg

40

45,1

20,5

6,0

35,0

40,0

55,0

111,2

1,1

1,5

Selênio, mg/Kg

39

0,36

0,11

0,04

0,30

0,35

0,40

0,70

1,0

1,2

Zinco, mg/Kg

40

448,2

815,3

66,7

100,0

100,0

135,0

3200,0

4,1

1,1

1 N representa o número de rações e não de empresas. Esse valor pode ser diferente do número de empresas pois algumas não indicaram ou apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Valores médios obtidos no presente estudo em proporção aos valores indicados por Rostagno et al. (2017; BRA) e Flohr et al. (2016; USA). NP = não é pertinente com N ≤ 2. NA = não aplicável pois Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

Considerando as três fases conjuntamente,

Comparados com Rostagno et al. (2017), os

os níveis de minerais traços representaram

níveis de Cu e Zn observados no presente

entre 0,9 e 15,3 vezes os níveis

estudo foram substancialmente elevados,

recomendados por Rostagno et al. (2017) e

no entanto, não diferiram daqueles

entre 0,5 e 2,2 vezes os níveis da indústria

observados por Flohr et al. (2016).

Norte Americana (Flohr et al. 2016).

80 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


Um aspecto interessante envolve os

A única exceção foi a colina, que foi

níveis de Mn e I, que foram muito

significativamente superior à observada

superiores aos utilizados pela indústria

por Flohr et al. (2016). Grandes variações

Norte Americana (Flohr et al., 2016).

entre as empresas mostram-se evidentes para vitB₆, vitB₇, vitB₉ e colina

Excetuando o Cu (70,9 - 80,0 %), Zn (63,4

para as fases de Creche I e II (50,5 - 88,1 %)

- 181,9 %) e o Co (55,6 %; considerando

e para vitB3 e vitB5 para a fase de Creche III

apenas para a fase de Creche II),

(50,9 - 51,6 %).

pequenas variações foram observadas entre as empresas (29,5 - 47,5 %). Para as vitaminas lipossolúveis, os níveis observados no presente estudo

CONCLUSÕES

representaram valores entre 0,9 e 1,7 vezes aos recomendados por Rostagno

Há uma variação significativa nos níveis

et al. (2017) e entre 0,8 e 1,3 vezes os

de microminerais e vitaminas praticadas

níveis praticados pela indústria Norte

pela maioria das empresas de nutrição

Americana (Flohr et al., 2016).

produtoras de premix, bem como pelas

superiores às indicações da Tabela Brasileira (Rostagno et al., 2017), porém semelhantes aos números compilados

principais cooperativas/agroindústrias

formulação

Exceto pela vitK, todos os níveis foram

da suinocultura brasileira, mas que em geral atendem às exigências mínimas estabelecidas.

por Flohr et al. (2016). Níveis elevados

Esta condição pode indicar uma postura

de variação entre as empresas foram

de precaução ou de segurança diante

observados para vitE (61,7 - 71,4 %) e vitK

das presumidas maiores demandas

(50,0 - 53,4 %).

nutricionais que os animais detêm.

A indústria suinícola brasileira utiliza níveis

Todavia, há indicativos de que a

de vitaminas hidrossolúveis entre 1,0 e 5,0

diversidade dos níveis utilizados não tem

vezes os valores recomendados por Rostagno

um amplo respaldo científico, apontando

et al. (2017) e entre 0,4 e 2,1 vezes os valores observados por Flohr et al. (2016).

para uma lacuna, que deve ser explorada com mais pesquisas e investimentos.

Apesar desses valores serem, de modo geral, superiores às orientações de referência brasileira (Rostagno et al., 2017), eles foram globalmente inferiores aos utilizados pela indústria Norte Americana (Flohr et al., 2016).

Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil

BAIXAR EM PDF *O artigo na íntegra pode ser acessado pelo link https://academic.oup.com/ tas/advance-article/doi/10.1093/tas/txaa195/5941777?guestAccessKey=3 0440a3b-a65c-422a-b43b-f459b353c823 Referências bibliográficas sob consulta junto aos autores

81 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2022 | Levantamento dos níveis de minerais traços e vitaminas utilizados em dietas comerciais para suínos no Brasil


COMO MELHORAR A SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO ANIMAL COM MINERAIS ORGÂNICOS? minerais orgânicos

Por Mieke Zoon e Céline Robin, ambas Gerentes de Produtos Pancosma (Minerais/Carbovet) Traduzido por Letícia Soares, Coordenadora de P&D da Pancosma

A indústria de produção animal está cada vez mais procurando maneiras de fornecer carne, ovos e produtos lácteos sustentáveis. Isso cria novos desafios e oportunidades: apoiar a saúde e o bem-estar animal enquanto reduz a pegada de carbono, melhorar a eficiência da produção e reduzir o uso de antibióticos e, finalmente, melhorar a qualidade geral, mantendo-se economicamente competitivo.

Minerais como cobre (Cu), ferro (Fe), zinco (Zn) e manganês (Mn), são micronutrientes essenciais. Eles não apenas apoiam o crescimento do animal, mas também são necessários para a fertilidade, imunidade e saúde geral.

82 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?


Em dietas comerciais, os minerais são frequentemente suplementados na forma inorgânica. Esta é uma escolha fácil, pois altos níveis de suplementos são permitidos e geralmente são baratos. Devido à sua biodisponibilidade limitada, são necessárias doses mais elevadas para atender as exigências. Isso muitas vezes resulta em nutrientes desequilibrados e poluição ambiental.

Como a alimentação é, de longe, o componente de maior custo nos sistemas de pecuários, é importante garantir que as dietas sejam formuladas com uma ótima relação custo-benefício. Portanto, os minerais que não têm retorno adequado sobre o investimento são os mais caros, independentemente do custo.

orgânicos mais biodisponíveis pode oferecer uma solução melhor para apoiar a sustentabilidade, pois essa escolha faz sentido para todas as partes interessadas ao

minerais orgânicos

A suplementação com microminerais Estudos sugerem que a ligação de Cu, Zn, Fe e Mn com aminoácidos e peptídeos pode aumentar a biodisponibilidade desses minerais. Isso leva a melhores desempenhos gerais como:

longo da cadeia de produção de ração até o consumidor final.

Melhor produção de leite Crescimento Deposição nos tecidos

SUSTENTABILIDADE NA CADEIA PRODUTIVA

Reprodução e Estado geral de saúde dos animais.

Na produção de premixes, os microminerais orgânicos são garantia de segurança para a saúde dos trabalhadores. Os minerais inorgânicos geralmente são partículas muito finas que podem causar danos aos pulmões se inaladas. Com os tamanhos das partículas maiores, os glicinatos da Pancosma são mais seguros de usar devido à ausência de poeira.

83 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?


minerais orgânicos

Além disso, essa biodisponibilidade aprimorada permite que uma redução de até 50% da suplementação mineral dietética seja alcançada, mantendo o desempenho. Portanto, podemos esperar que os animais atinjam facilmente seu potencial genético, minimizando a suplementação e a excreção de minerais. Embora, os minerais não afetem diretamente os parâmetros de qualidade, eles ainda podem influenciá-los.

O Ferro influencia a cor da carne bovina.

Cobre, Zinco e Manganês fazem parte do sistema antioxidante e são importantes para a integridade celular (principalmente após o abate para limitar a perda por gotejamento).

84 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?


minerais orgânicos

Na indústria de laticínios, uma menor contagem de células somáticas foi estabelecida com o uso de Zn orgânico (Wall et al, 2016), resultando em maior produção de leite. Entretanto, atendendo às necessidades fisiológicas básicas, os microminerais essenciais podem desempenhar um papel na redução da suscetibilidade de doenças relacionadas às deficiências e, portanto, contribuir para o bem-estar animal.

REDUZINDO O IMPACTO AMBIENTAL Devido à alta suplementação, os elementos concentrados no esterco acumulam-se no solo, podendo apresentar risco de toxicidade a médio ou longo prazo para plantas e microrganismos. Por exemplo, o Zn atingirá uma concentração de cerca de 200ppm em 120 anos, desde que sua excreção não seja reduzida.

Finalmente, os microminerais se acumulam nos tecidos, conforme estabelecido pelo programa de saúde das Nações Unidas (FAO, 2001. Necessidades Humanas de Vitaminas e Minerais - relatório de uma consulta de especialistas da FAO/ OMS. Bangkok, Tailândia.). O acúmulo de microminerais nos produtos cárneos atende às necessidades especiais da população.

A atividade e a massa microbiana do solo são afetadas adversamente com concentrações ainda mais baixas de Cu e Zn (30 para 50 e de 100 para 200 ppm, respectivamente) (Jondreville et al., 2003). A redução do nível de suplementação de microminerais é uma questão fundamental para estender esse prazo e minimizar o impacto ambiental.

85 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2022 | Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?


minerais orgânicos

Os minerais orgânicos foram projetados para reduzir as relações antagônicas no trato gastrointestinal e, portanto, aumentar a biodisponibilidade de microminerais. Estudos comparando a biodisponibilidade do glicinato ao sulfato mostraram bons resultados em favor da fonte orgânica, mantendo desempenho animal.

Em leitões, Männer et al. em 2006, encontraram uma melhora de 31,1% na capacidade de absorção e em ruminantes, Spears et al., em 2004, encontraram uma biodisponibilidade quase duplicada na presença de um forte antagonista. Consequentemente, menos entrada significa menos saída. Devido a essa absorção superior, agora é possível reduzir a dose do suplemento e até aumentar o desempenho do animal.

CONCLUSÃO Devido à alta suplementação, os elementos concentrados no esterco acumulam-se no solo, podendo apresentar risco de toxicidade a médio ou longo prazo para plantas e microrganismos. Por exemplo, o Zn atingirá uma concentração de cerca de 200ppm em 120 anos, desde que sua excreção não seja reduzida.

Como melhorar a sustentabilidade da produção animal com minerais orgânicos?

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