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2606-AR-LIBRO-2T2026-SUINOBRASIL

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FRIMESA PÕE

O MARKETING

PARA TRABALHAR E REDESENHA

SUA APOSTA NA CARNE SUÍNA

Como escuta, portfólio, embalagem, certificação e varejo entraram no centro da estratégia de crescimento da empresa.

NÃO É REBRANDING. É ESTRATÉGIA DE MERCADO PARA A CARNE SUÍNA. pág. 50

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A SUINOCULTURA NA REORGANIZAÇÃO DAS

PROTEÍNAS

Asuinocultura brasileira chega ao segundo semestre de 2026 diante de um cenário que exige mais do que leitura de mercado. Exige compreensão do movimento das proteínas no mundo e, especialmente, no prato do consumidor brasileiro.

Vivemos um momento atípico. As proteínas animais passam por uma reorganização global. A bovinocultura enfrenta uma oferta limitada, condicionada por baixos estoques e por um ciclo produtivo mais longo. A avicultura, por sua vez, segue avançando com escala, eficiência e maior fluidez comercial. Nesse ambiente, a suinocultura precisa reencontrar o seu caminho, sobretudo no mercado brasileiro.

Esse reencontro passa pelo consumidor.

A carne suína tem uma oportunidade importante diante da pressão sobre o consumo de carne bovina. Por ser uma proteína mais acessível, versátil e eficiente, pode ganhar espaço no consumo in natura e ampliar sua presença nas refeições do dia a dia. Mas essa oportunidade não será conquistada apenas pelo preço. Ela dependerá da capacidade da cadeia de entregar um produto cada vez mais adequado às expectativas do consumidor: qualidade, padronização, praticidade, sabor, segurança e confiança.

Para isso, a agenda da suinocultura precisa avançar de forma integrada. Genética, nutrição, manejo, ambiência, sanidade, tecnologia, produtividade e comunicação com o consumidor não podem caminhar separados. O desafio é produzir melhor, com mais eficiência, mas também entregar uma carne suína mais preparada para ocupar espaço no varejo, no food service e na mesa das famílias brasileiras.

Ao mesmo tempo, é preciso olhar com critério para as novas tendências de consumo. O avanço dos medicamentos antiobesidade, por exemplo, tem levado muitos analistas a projetar maior valorização das proteínas. Essa leitura merece atenção, mas também cautela. Esses medicamentos podem aumentar a participação relativa da proteína na dieta, mas tendem a reduzir o consumo total de alimentos. Portanto, não basta esperar uma demanda automática. Será preciso disputar relevância, conveniência e percepção de valor.

O contexto também traz pressões conhecidas. Custo de grãos, crédito caro, logística, energia, câmbio, sanidade, exigências regulatórias e reorganização dos fluxos internacionais seguem pesando sobre a tomada de decisão. Em um mercado mais competitivo, a cadeia que antecipa movimentos protege melhor sua margem e cria melhores condições para crescer.

Problemas vão acontecer. O que diferencia uma cadeia madura é a forma como ela reage: colocando os temas na mesa, discutindo com transparência, combinando soluções e trabalhando de forma coordenada.

A suinocultura brasileira tem tecnologia, produtores preparados, agroindústrias fortes e capacidade de ocupar um espaço maior no consumo nacional. Mas o próximo salto não será apenas produzir mais. Será compreender melhor o consumidor, adaptar a produção a essa nova disputa entre proteínas e transformar eficiência em valor percebido.

O reencontro da suinocultura com o mercado brasileiro começa na cadeia, mas só se completa no prato do consumidor.

José Antonio Ribas Jr. Diretor Técnico suínoBrasil

EDITOR AGRINEWS

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Periodicidade: trimestral

ISSN 2965-4238

04

C audofagia: Entendendo o comportamento para prevenir perdas

Natália Sitanaka

Coordenadora Técnica suínoBrasil

08

Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: Por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Isabela de Andrade¹, Geovana

Coelho Ferreira¹, Luis Guilherme de Oliveira²

¹Médica Veternária | Pós graduanda em ciências veterinarias | UNESP - FCAV Jaboticabal

² Professor Medicina de Suínos | UNESP - FCAV

Jaboticabal

14

Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Lucas M. Teixeira¹, Carlos J.Kippert², Anna Lara M. Teixeira¹, Jansller L. Genova¹, Gabriel C. Rocha¹

¹Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

²Consultor técnico de nutrição animal (MBRF)

20

Menos antibiótico, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Maurício Dutra

Director of Technical Services -Swine Division at GFD Consultoria

26

32

Engrenagem humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

Diogo Lima Goulart

Consultor de Serviços Técnicos na Agroceres

Multimix

Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Sara J. Sardinha¹, Jaira de Oliveira¹, Rafaella F. Carnevale¹, Danilo A. Marçal¹, Luciano Hauschild¹

Laboratorio de estudos em Suinocultura - LabSui.

Faculdade de Ciências Agrárias e veterinárias - UNESP

Jaboticabal

38

Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes

suínas: mais suporte para reprodução, lactação desempenho da leitegada

Equipe Técnica Biochem

44 Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sula Alves

Diretora técnica ABPA

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56

Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Priscila Beck

Diretora agriNews Brasil

62

Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Profa Dra Masaio Mizuno Ishizuka¹ ¹Professora Titular Emérita de Epidemiologia da FMVZ - USP

Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

68

Prof Dr. Vinicius Ricardo Cambito de Paula¹, Prof. Dr. Sergio Luis Castro Junior, Letícia Guizzo², Yasmin Silva Viana²

¹ Professor Doutor - Universade Estadual de Londrina

² Zootecnista - Univerdade Estadual do Mato Grosso

Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Djane Dallanora

AtualTech Consultoria e Instrutoria

CAUDOFAGIA: ENTENDENDO O COMPORTAMENTO PARA PREVENIR PERDAS

Natália Sitanaka Coordenadora Técnica suínoBrasil

Produtor: Olá, tenho uma dúvida. Os suínos da minha granja começaram a morder a cauda uns dos outros. O que, normalmente, causa isso?

Técnica: A caudofagia é um problema multifatorial e, normalmente, está ligada a situações de estresse dentro da granja. Os principais fatores envolvidos são:

Calor Ventilação

Inadequada Alta lotação

Mistura de lotes Falha no acesso à água

Competição no comedouro Problemas nutricionais

Papo de granja

O suíno acaba redirecionando esse desconforto para os outros animais, iniciando as mordidas de cauda. Muitas vezes, a lesão é apenas o sinal visível de que algo no ambiente ou no manejo não está funcionando adequadamente.

Produtor: Como eu identifico o problema logo no começo?

Técnica: Os primeiros sinais são animais inquietos, mordendo grades, orelhas ou perseguindo outros animais. Depois aparecem rabos úmidos, avermelhados ou pequenas lesões.

Em muitos casos, os animais passam a manter a cauda baixa, demonstrando desconforto. Se não agir rapidamente, o quadro evolui para sangramento, infecção e até abscessos de coluna, causando prejuízo produtivo e condenação no frigorífico.

Produtor: Quando aparece um animal mordendo, qual a primeira medida que devo tomar para sanar o problema?

Técnica: O ideal é separar imediatamente o agressor e os animais lesionados. Quanto mais tempo permanecerem na mesma baia, maior a chance do comportamento se espalhar para o restante do lote.

Mas apenas retirar os animais não resolve o problema. É fundamental investigar a causa do estresse naquele ambiente: temperatura, ventilação, água, alimentação ou excesso de lotação. Se a origem do problema não for corrigida, a caudofagia volta rapidamente.

Produtor: Existe alguma fase em que a caudofagia é mais comum?

Técnica: Sim, normalmente os maiores desafios aparecem na creche e na terminação. Na creche, os leitões enfrentam desmame, troca de ambiente e mistura de animais, o que gera muito estresse.

Já na terminação, o aumento do peso e da densidade favorece disputa por espaço e recursos. Nessas fases, qualquer falha de manejo pode desencadear rapidamente o problema.

Produtor: A densidade na baia interfere muito?

Técnica: Sim, a alta lotação aumenta competição por água, alimento e espaço de descanso. Isso gera estresse social constante. Muitas vezes o produtor percebe melhora apenas ajustando densidade e acesso ao comedouro.

O excesso de animais também prejudica a ventilação da baia e aumenta a temperatura, criando um ambiente ainda mais favorável para o aparecimento da caudofagia.

Produtor: Tenho percebido que piora nos dias mais quentes, a temperatura tem relação com o problema?

Técnica: O desconforto térmico deixa os animais mais irritados e inquietos. Além disso, reduz o consumo de ração, altera o comportamento social e aumenta a disputa por espaço nas áreas mais confortáveis da baia.

Em situações de calor excessivo, os suínos passam mais tempo em pé, ficam mais agitados e aumentam os comportamentos exploratórios.

Ambiência ruim é um dos principais gatilhos de caudofagia dentro das granjas.
Papo de Granja

Produtor: Alimentação também pode desencadear isso?

Técnica: Sim, dietas desbalanceadas aumentam bastante o risco. Falta de aminoácidos, minerais, erro na granulometria, baixa fibra e dificuldade de acesso ao alimento geram frustração nos animais.

Outro ponto importante é garantir espaço adequado de comedouro para reduzir competição durante o consumo.

Produtor: E as micotoxinas?

Técnica: Micotoxinas podem afetar intestino, imunidade e até comportamento dos animais. Elas aumentam irritabilidade, desconforto e estresse fisiológico. Muitas vezes vemos queda de desempenho acompanhada por aumento de lesões de cauda.

Dependendo da contaminação, também pode ocorrer redução do consumo de ração e maior desuniformidade do lote. Por isso é importante avaliar qualidade das matérias-primas, condições de armazenamento e uso correto de adsorventes na dieta.

Produtor: A qualidade da água pode influenciar também?

Técnica: Comumente, o produtor olha apenas para a ração e esquece da água. Não apenas a qualidade, mas também, baixa vazão ou bebedouros mal posicionados aumentam irritação e competição entre os animais. Em dias quentes, qualquer dificuldade de acesso à água piora bastante o estresse do lote.

Produtor: Colocar brinquedo ou corrente na baia realmente ajuda?

Técnica: Ajuda bastante, pois o suíno tem necessidade natural de explorar e manipular objetos. Quando oferecemos enriquecimento ambiental, como correntes, cordas ou madeira, reduzimos o tédio e desviamos o foco da mordedura de cauda.

É uma ferramenta simples, de baixo custo e muito eficiente no manejo preventivo. Além disso, o enriquecimento ajuda a diminuir o estresse e melhora o bem-estar dos animais.

Produtor: Ainda é permitido realizar o corte na cauda? Resolve o problema?

Técnica: Hoje o corte de cauda ainda é permitido no Brasil, mas não deve ser tratado como solução principal para caudofagia. Inclusive, existe uma pressão crescente relacionada ao bem-estar animal para reduzir essa prática.

O corte pode diminuir a gravidade das lesões, porque reduz a área de interesse para mordedura, mas ele não elimina a causa do problema.

Se o ambiente continuar estressante, os animais vão continuar expressando comportamento agressivo — muitas vezes migrando para mordedura de orelha ou flanco. Atualmente, a discussão é muito mais voltada para prevenção: melhorar ambiência, manejo, nutrição, qualidade da água e controle de micotoxinas, ao invés de depender apenas da caudectomia.

Produtor: Então, qual seria o principal ponto para prevenir caudofagia, na prática?

Técnica: O principal é reduzir os fatores de estresse. Boa ambiência, espaço adequado, água de qualidade, dieta equilibrada, controle de micotoxinas e enriquecimento ambiental fazem toda a diferença.

A caudofagia é um reflexo de desequilíbrio dentro do sistema de produção. Quando o produtor entende que o problema vai muito além da cauda, o controle se torna mais eficiente e preventivo, reduzindo perdas produtivas e melhorando o bem-estar animal dentro da granja.

Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas BAIXAR EM PDF

Papo de Granja

INVERNO E DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA SUINOCULTURA: POR QUE O FRIO AUMENTA OS DESAFIOS SANITÁRIOS?

Isabela de Andrade, Geovana Coelho Ferreira e Luís Guilherme de Oliveira

Universidade Estadual Paulista - UNESP de Jaboticabal - SP, Brasil

Asuinocultura enfrenta diversos desafios nutricionais, sanitários, genéticos e de manejo. Entre esses desafios, o clima muitas vezes é deixado de lado por não parecer influenciar tanto na produção, mas desempenha um papel fundamental no desenvolvimento dos animais e afeta outros aspectos da produção. Um exemplo disso são os desafios que os produtores enfrentam com a chegada do inverno.

No Brasil, o inverno ocorre entre os meses de junho a setembro e suas características podem ser muito diferentes dependendo da região do país. Como as granjas estão distribuídas desde regiões tropicais até subtropicais, os efeitos desta estação serão sentidos de maneira distinta.

No Sul, temos temperaturas mais baixas, que, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia em 2025, registrou mínimas abaixo de -5°C, enquanto para o CentroNorte o inverno foi marcado por aumento nas temperaturas máximas, com valores que ultrapassaram 40°C em algumas cidades.

Dessa forma, as granjas localizadas em regiões nas quais as alterações climáticas sazonais são mais evidentes precisam tomar uma atenção maior ao manejo e incidência de doenças respiratórias.

Esses fatores aumentam a pressão de infecção e favorecem a manutenção de agentes no ambiente, potencializando surtos respiratórios em sistemas intensivos de produção.

Entre os principais cuidados durante o inverno, podemos citar o manejo de animais na creche, período no qual os fatores estressantes são mais acentuados, que acabam promovendo queda da imunidade desses animais.

Os fatores estressantes mais evidentes ocorrem devido à mudança de ambiente, separação da mãe, conflito social, mistura de lote e transição nutricional (ABCS, 2014).

Estudos epidemiológicos reforçam que o inverno não atua de forma isolada, mas em conjunto com outros fatores produtivos.

O período de inverno, associado a uma alta densidade regional de granjas e a um grande tamanho de plantel, constitui um importante fator de risco para a disseminação de patógenos respiratórios (Maes et al., 2000).

Dentre esses fatores, um dos mais importantes é a temperatura ambiental na qual os leitões estão em conforto térmico. Em temperaturas mais baixas, como pode ocorrer em dias mais frios, os leitões podem apresentar estresse por frio e até óbito (Zimmerman et al., 2025).

Doenças

A temperatura corporal dos suínos é de 39°C, podendo variar de acordo com a idade, e a sua regulação é feita através de mecanismos fisiológicos e comportamentais, de forma que em grandes amplitudes térmicas ocorre um maior gasto energético para a manutenção da temperatura corporal (Zimmerman et al., 2025).

Dessa forma, é importante manter os animais dentro da zona de conforto térmico para evitar gastos energéticos excessivos em dias que a temperatura ambiente esteja mais baixa (ABCS, 2014).

A qualidade do ar dentro das instalações está relacionada à concentração de contaminantes presentes no ambiente, os quais podem comprometer tanto a saúde quanto o desempenho produtivo dos animais (Zhang, 2005).

Os principais gases gerados em granjas suinícolas são a amônia, o dióxido de carbono e o sulfeto de hidrogênio, que apresentam potencial tóxico para componentes do sistema respiratório, afetando células responsáveis pela produção de muco e predispondo a doenças respiratórias como pneumonia e rinite atrófica. Além disso, também podem causar perda de apetite e doenças entéricas (Barcellos et al., 2008.; ABCS, 2014).

Nas granjas de suínos, as instalações de creche são as que possuem maior concentração de poeira, relacionado com maior atividade dos animais, tipo de alimentação e manejo das instalações (Barcellos et al., 2008; ABCS, 2014). Durante o inverno, esse cenário pode se agravar devido à redução da ventilação para conservação de calor, favorecendo o acúmulo de partículas no ambiente.

A poeira presente nas instalações pode atuar como veículo de bactérias, fungos e endotoxinas, aumentando o risco de doenças respiratórias.

Além disso, a queda da umidade do ar, comum nessa estação, pode comprometer a fluidez do muco das vias respiratórias, prejudicando os mecanismos de defesa e facilitando a infecção por agentes patogênicos. Nesse contexto, recomenda-se manter a umidade relativa do ar entre 60 e 80% para minimizar esses efeitos (Barcellos et al., 2008).

A transmissão de enfermidades por via aérea ocorre por meio de aerossóis e gotículas contendo patógenos que se dispersam no ambiente e entram em contato com os animais.

A sobrevivência e disseminação desses patógenos no ar estão diretamente relacionadas a fatores ambientais, como temperatura e umidade relativa, sendo favorecidas por temperaturas mais baixas, variações de umidade e ventos moderados, condições comuns durante o inverno (Zimmerman et al., 2025, Alarcón et al., 2021).

É importante destacar o Complexo de Doenças Respiratórias Suínas (CDRS), que é uma das principais causas de perdas na produção. O CDRS é caracterizado pela interação entre diferentes patógenos respiratórios que interagem entre si de maneira complexa, sendo descritas interações entre vírus-vírus, vírusbactérias e bactérias-bactérias.

As infecções vírus-bactéria estão entre as principais causas do CDRS, principalmente em casos com alta prevalência bacteriana.

Os agentes causadores do CDRS incluem patógenos como o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRSV), o circovírus suíno tipo 2 (PCV-2), o vírus da influenza A suína, o vírus da doença de Aujeszky, bem como Mycoplasma (M.) hyopneumoniae e Actinobacillus (A.) pleuropneumoniae (Opriessnig et al., 2011).

O CDRS é caracterizado por sinais clínicos respiratórios e baixo desempenho dos animais.

Com a intensificação da produção, a incidência do CDRS aumentou nas populações suínas, levando a perdas econômicas devido ao retardo no crescimento dos animais e aumento dos custos com medidas preventivas, como a utilização de antimicrobianos e vacinação, tornando-se um grande desafio à lucratividade na suinocultura (Chae, 2016).

A incidência dos patógenos do CDRS está associada a fatores ambientais e práticas de manejo que podem favorecer a infecção por esses patógenos, causando graves problemas de saúde em suínos desmamados em fase de recria até o abate (Thacker, 2001).

A sazonalidade influencia diretamente a prevalência de patógenos respiratórios específicos. Agentes como o vírus da PRRSV, ausente no Brasil, e M. hyopneumoniae apresentam maior taxa de detecção durante o inverno, especialmente entre os meses mais frios.

Esse aumento está associado à maior capacidade de sobrevivência do vírus em ambientes frios, além de condições que favorecem sua transmissão (Wang et al., 2025).

Doenças Respiratórias

A influência da sazonalidade sobre os patógenos respiratórios suínos varia conforme a fase de produção. Em leitões jovens (3–5 semanas), não são observadas diferenças sazonais significativas, porém em fases posteriores, como pós-desmame e terminação, diversos agentes apresentam variações marcantes.

Nesse período, tanto infecções isoladas quanto coinfecções envolvendo M. hyopneumoniae, PRRSV e o PCV-2 tendem a apresentar maior prevalência no inverno, reforçando o papel dessa estação na intensificação do CDRS, embora alguns patógenos, como A. pleuropneumoniae, sejam mais frequentes em períodos mais quentes.

Além disso, fatores climatológicos como umidade relativa, amplitude térmica, velocidade do vento e radiação solar estão diretamente associados à dinâmica dessas infecções (Vangroenweghe et al., 2021).

A relação entre fatores ambientais e doenças respiratórias também é observada na dinâmica da influenza suína. Variações sazonais de temperatura e umidade absoluta têm sido associadas à sobrevivência e transmissibilidade do vírus da influenza.

Embora os suínos sejam mantidos em instalações com ambiente controlado, fatores externos ainda exercem influência indireta, especialmente por meio dos sistemas de ventilação, que são ajustados conforme a temperatura ambiente.

Dessa forma, condições climáticas externas podem impactar a circulação viral dentro das granjas (Chamba Pardo et al., 2017).

A ventilação adequada das instalações é fundamental para a remoção de gases, poeira e controle de umidade e microrganismos, contribuindo diretamente para a prevenção de doenças respiratórias.

No entanto, a redução excessiva da ventilação durante o inverno, com o objetivo de manter o calor, pode comprometer a qualidade do ar e favorecer o acúmulo de contaminantes, enquanto o aumento da ventilação pode intensificar o estresse térmico por frio, especialmente em leitões na fase de creche.

Assim, é essencial manter uma ventilação mínima que garanta a renovação do ar sem prejudicar o conforto térmico dos animais.

No contexto brasileiro, o controle ambiental frequentemente depende do manejo de cortinas e nas épocas em que há grande variação térmica ao longo do dia, a capacitação da mão de obra é determinante para assegurar condições adequadas e evitar prejuízos sanitários e produtivos (Barcellos et al., 2008; ABCS, 2014).

Além dos fatores climáticos, o manejo das instalações durante o inverno desempenha papel decisivo na ocorrência de doenças respiratórias em suínos.

das vias respiratórias e para a redução dos mecanismos de defesa dos animais, criando condições favoráveis ao desenvolvimento do Complexo de Doenças Respiratórias Suínas.

Nesse cenário, o principal desafio consiste em equilibrar conforto térmico e qualidade do ar, por meio de estratégias adequadas de manejo ambiental, controle sanitário e monitoramento contínuo das instalações.

Assim, compreender a interação entre fatores climáticos, práticas de manejo e agentes infecciosos é fundamental para a adoção de medidas eficazes, promovendo sistemas produtivos mais eficientes, especialmente diante da intensificação da produção e da crescente variabilidade

Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

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Doenças

MICOTOXINAS NA RAÇÃO SUÍNA: O RISCO COMEÇA NO INGREDIENTE

Lucas M. Teixeira1, Carlos J. Kippert2, Anna Lara M. Teixeira1, Jansller L. Genova1, Gabriel C. Rocha1

1Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

2Consultor Técnico de Nutrição Animal (MBRF)

Orisco de contaminação por micotoxinas nos principais ingredientes utilizados na nutrição de suínos está diretamente relacionado à composição química do grão, às características do fungo e às condições de cultivo, colheita e armazenamento.

De forma geral, ingredientes ricos em amido e carboidratos simples, como milho e trigo, apresentam maior sensibilidade ao crescimento fúngico, uma vez que esses substratos são a principal fonte de energia para a maioria dos fungos micotoxigênicos.

Fungos produtores de micotoxinas possuem enzimas, como a amilase, capazes de degradar o amido em glicose. A glicose é o combustível primário para o crescimento e a multiplicação fúngica.

No entanto, é importante destacar que o fungo não armazena a micotoxina no amido; a toxina é liberada nos tecidos vegetais adjacentes como parte do processo de colonização da planta.

Os fungos do gênero Fusarium são conhecidos como fungos de campo por apresentarem melhor desenvolvimento em ambientes de maior umidade durante o cultivo e a colheita. Estes fungos são os principais responsáveis pela produção de desoxinivalenol (DON), zearalenona (ZEA) e fumonisinas (FUMO).

Por outro lado, os fungos conhecidos como de armazenamento, como Aspergillus, recebem essa classificação por conseguirem se desenvolver mesmo em condições de baixa umidade, estando mais associados à produção de aflatoxinas (AFLA) e ocratoxina A (OCRA).

Essa distinção entre fungos de campo e de armazenamento é fundamental para entender por que determinados ingredientes apresentam maior risco de contaminação ainda na lavoura, enquanto outros são mais vulneráveis durante o transporte e a estocagem.

No milho, o fungo mais compatível é o Fusarium verticillioides, historicamente associado á FUMO, embora outras micotoxinas, como DON, ZEA e AFLA também possam ocorrer em função das condições climáticas e do manejo pré-colheita.

No trigo, o Fusarium graminearum predomina como agente de campo, respondendo pela maior parte da contaminação por DON e ZEA, mas isso não elimina a possibilidade de incidência de outras micotoxinas, especialmente em regiões quentes e úmidas ou em áreas com rotação com milho.

Em ambos os grãos, os períodos de floração e enchimento são críticos para a infecção, e a combinação de umidade elevada, danos mecânicos e atrasos na colheita cria um ambiente favorável à colonização fúngica.

O armazenamento, por sua vez, pode amplificar o risco, permitindo a sobrevivência e multiplicação tanto dos fungos de campo quanto de espécies oportunistas, tornando milho e trigo particularmente vulneráveis à contaminação ao longo de toda a cadeia produtiva.

A soja apresenta um comportamento distinto. Rica em proteínas e óleos, ela não favorece o crescimento fúngico na mesma proporção que grãos ricos em amido. Além disso, a soja é majoritariamente utilizada na forma de farelo com baixa umidade, o que reduziria ainda mais o risco.

Entretanto, a contaminação pode ocorrer devido a fatores externos e logísticos. No campo, embora o fungo tenha dificuldade em penetrar o grão, ele coloniza prontamente as vagens e a palhada residual do milho em sistemas de plantio direto, criando um reservatório de inóculo.

Esse quadro é agravado pela contaminação cruzada na armazenagem e transporte, onde a soja absorve a poeira de milho altamente contaminada presente em silos e equipamentos compartilhados.

Finalmente, o processo industrial de extração de óleo pode paradoxalmente elevar o risco, pois a readição da casca moída ao farelo para o ajuste proteico acaba concentrando as micotoxinas que estavam retidas na superfície externa do grão.

Nesse contexto, embora os fungos de campo sejam relevantes, o risco de contaminação segue no pós-colheita, onde fungos de armazenamento do gênero Aspergillus encontram condições ideais para proliferação.

Sob manejo inadequado, a AFLA e a OCRA tornam-se as principais toxinas contaminantes do farelo, favorecidaos pela alta flexibilidade metabólica desses fungos. O Aspergillus demonstra uma notável capacidade de utilizar os nutrientes da soja como fonte de energia mesmo em condições adversas, como a baixa umidade.

Essa adaptabilidade permite que ambas as micotoxinas coexistam no armazenamento, comprometendo a segurança do ingrediente mesmo quando a umidade parece estar sob controle.

No caso do farelo de trigo, o risco de micotoxinas é significativamente maior do que no grão inteiro. Durante o processamento do trigo, o endosperma rico em amido é separado para produção de farinha, enquanto as camadas externas — popularmente referidas como “casca” — dão origem ao farelo.

Essas camadas externas funcionam como a primeira linha de defesa da planta contra a invasão fúngica e, por isso, tendem a concentrar maiores níveis de micotoxinas.

Não é incomum que o farelo de trigo apresente concentrações de DON e ZEA de três a cinco vezes superiores às do grão original. Além da maior concentração natural de micotoxinas, o processo de fabricação da farinha inclui uma etapa chamada condicionamento, na qual o trigo recebe água para tornar a casca mais flexível e facilitar sua separação do endosperma.

Como consequência, o farelo costuma sair do processo com umidade próxima ou acima de 14%, e, durante a estocagem, essa condição favorece o crescimento fúngico e a produção de micotoxinas.

Com isso, o farelo se torna um ambiente especialmente favorável ao acúmulo dessas toxinas. O DON atua como um verdadeiro “martelo” bioquímico, inibindo a síntese proteica das células vegetais e facilitando a destruição dos tecidos, o que favorece a invasão e disseminação do fungo.

Enquanto o amido do endosperma é o alvo energético do Fusarium, a produção de DON ocorre principalmente nessa casca, onde a toxina funciona como um fator de virulência. A ZEA, por sua vez, não é considerada essencial para a colonização da planta, sendo mais associada a um metabólito secundário produzido sob condições de estresse.

Os DDGS seguem um raciocínio semelhante. Durante o processo de fermentação alcoólica, o amido do milho é consumido pelas leveduras, enquanto as micotoxinas, que são termoestáveis e não metabolizadas, permanecem no resíduo sólido.

Como resultado, as micotoxinas ficam concentradas aproximadamente três vezes na fração de matéria seca remanescente. Entre elas, as FUMOs merecem atenção especial, pois mantêm forte associação com ingredientes derivados do milho.

É importante destacar que, embora cada ingrediente apresente um perfil típico de risco, todas as principais micotoxinas podem estar presentes, dependendo do histórico do grão, das condições de colheita e do manejo de armazenamento.

A produção de sorgo no Brasil aumentou três vezes nos últimos 10 anos e este cereal apresenta vantagens agronômicas em relação ao milho, embora o efeito direto dos taninos nessas variedades modernas seja limitado.

Ainda assim, outros compostos fenólicos naturalmente presentes no grão, como ácidos fenólicos e antocianinas, atuam como aliados silenciosos no controle do crescimento fúngico.

No campo, o sorgo apresenta maior resistência física da planta e, por ser comumente cultivado na safrinha e colhido em períodos de menor precipitação, possui elevada capacidade de “secar em pé”, podendo atingir teores de umidade inferiores a 13%.

Sua alta relação superfície/volume favorece a rápida perda de umidade, reduzindo o risco de contaminação fúngica pré-colheita.

Como ponto de atenção, o formato pequeno e esférico do grão favorece maior compactação no silo, dificultando a passagem de ar durante a aeração e exigindo manejo mais criterioso no armazenamento.

Além disso, o sorgo apresenta um risco específico de contaminação por ergot (cravagem ou doença-açucarada), causado pelo fungo Claviceps africana, que deve ser considerado nos programas de monitoramento e controle.

A composição fenólica também varia consideravelmente entre cultivares, e sorgos com menor teor desses compostos tendem a apresentar maior vulnerabilidade à contaminação por micotoxinas, com a ZEA, o que já tem sido observado na prática pela agroindústria, inclusive com sinais clínicos típicos em leitoas pré-púberes.

Em síntese, compreender o comportamento dos fungos e a vulnerabilidade específica de cada ingrediente é essencial para interpretar corretamente os riscos de micotoxinas na produção de suínos.

Embora existam diversas tecnologias aplicadas — como adsorventes, inativadores enzimáticos ou microbianos e hepatoprotetores — seu efeito é parcial.

Por isso, a prevenção no campo continua sendo decisiva e deve envolver seleção criteriosa de fornecedores, boas práticas de armazenamento e o direcionamento adequado dos lotes conforme espécie e fase produtiva, sempre considerando a micotoxina presente e seu nível de risco.

A produção de grãos é extremamente dinâmica e influenciada por variabilidade climática, condições de armazenagem, investimento tecnológico na lavoura, janelas de plantio e colheita e pela crescente oferta de coprodutos.

Reconhecer onde cada micotoxina pode surgir e como ela se concentra é fundamental para tomadas de decisão mais precisas, garantindo segurança alimentar, desempenho zootécnico e maior previsibilidade dentro das granjas.

Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente BAIXAR EM PDF

MENOS ANTIBIÓTICOS, MAIS PREVENÇÃO: O CAMINHO QUE A SUINOCULTURA BRASILEIRA AINDA PRECISA PERCORRER

Em entrevista à suínoBrasil, o consultor Maurício Dutra, destacou a importância da prevenção, da mensuração de resultados e da mudança cultural dentro das granjas.

A entrevista foi concedida no Estúdio agriNews Play Brasil, instalado pela suínoBrasil na Feira do 21º Congresso Nacional da ABRAVES.

Na palestra “Biosseguridade eficiente: um caminho longo, árduo e contínuo a ser perseguido”, o médico-veterinário e consultor Maurício Dutra chamou a atenção para a necessidade de fortalecer as práticas de prevenção dentro das granjas como estratégia para melhorar a sanidade dos rebanhos e reduzir o uso de antimicrobianos.

À diretora da agriNews Brasil, Priscila Beck, o consultor defendeu uma abordagem baseada em prevenção, monitoramento e melhoria contínua dos processos.

Segundo ele, embora a biosseguridade seja um tema amplamente discutido há anos pela cadeia produtiva, ainda existem oportunidades importantes de evolução dentro das granjas brasileiras.

O

Brasil tem uma condição sanitária privilegiada. Então, por que a biosseguridade ainda preocupa os especialistas?

Na entrevista, Dutra lembrou que, em 2014, durante um congresso internacional da suinocultura realizado no México, foram listadas as oito principais enfermidades que afetam a produção de suínos no mundo. Segundo ele, países como China e Vietnã convivem com todas essas enfermidades, enquanto a Rússia enfrenta sete delas. O Brasil, por sua vez, apresenta apenas quatro.

Para o consultor, essa condição sanitária mais favorável é uma grande vantagem competitiva para a suinocultura nacional, mas também exige atenção permanente.

“Temos uma condição sanitária muito mais tranquila quando comparada a outros mercados. Acho que é por isso que muitas vezes não se dá a devida atenção à implementação das ações de biosseguridade”, observou.

O primeiro passo não é agir. É medir.

Quando questionado sobre os primeiros passos para corrigir falhas recorrentes em uma granja, Dutra destacou que é preciso medir.

A mensuração dos processos representa o ponto de partida para qualquer programa de melhoria. Atualmente existem diferentes ferramentas, checklists e sistemas disponíveis para avaliar o nível de biosseguridade das propriedades e identificar pontos críticos que precisam ser corrigidos.

Biosseguridade também se constrói com pessoas

Além da avaliação das estruturas e dos procedimentos, o especialista destacou a importância da formação das equipes. Para ele, a construção de uma cultura de biosseguridade depende diretamente da capacidade de orientar os colaboradores e estabelecer processos claros dentro da granja.

Dutra chamou atenção para a ausência, em muitas propriedades, de procedimentos operacionais padronizados capazes de orientar novos funcionários sobre práticas corretas e incorretas.

“Se eu não instruo bem o colaborador, se eu não informo o que é o correto e o que está errado, como vou evoluir na cultura de biosseguridade?”, questionou.

A biosseguridade deve ser encarada tanto sob o aspecto externo, voltado à prevenção da entrada de doenças, quanto sob o aspecto interno, relacionado à redução da disseminação de agentes infecciosos dentro do próprio sistema produtivo. Para isso, é fundamental que os principais riscos estejam claramente identificados e documentados.

Auditoria não é fiscalização. É gestão.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de monitorar continuamente a execução dos protocolos adotados.

Dutra explicou que a utilização de auditorias e checklists não deve ser vista como uma forma de fiscalização, mas sim como uma ferramenta de melhoria contínua.

Um dos exemplos apresentados foi o acompanhamento dos processos de limpeza e desinfecção das instalações. Após a saída dos animais e a realização dos procedimentos de higienização, é possível utilizar análises microbiológicas para avaliar a eficiência do trabalho realizado.

Nessas situações, a falha detectada serve como um alerta para possíveis impactos futuros sobre a saúde dos animais.

“Se eu já tenho essa falha, a expectativa é que eu vou ter um pouco mais de problema, seja em diarreia, seja em artrites em leitões”, explicou.

A adoção de indicadores objetivos, segundo Dutra, torna a biosseguridade mais palpável para as equipes e facilita a compreensão dos resultados esperados.

O básico bem-feito ainda é

o melhor seguro

Ao abordar os chamados pontos cegos da biosseguridade, como transporte, manejo de resíduos e outros processos operacionais, o consultor lembrou que o Brasil já dispõe de um programa de biosseguridade mínima desenvolvido pela Embrapa.

Esse conjunto de recomendações estabelece condições básicas que devem estar presentes nas propriedades, incluindo barreiras sanitárias, cercamento das granjas, embarcadouros adequados e medidas para evitar o contato com animais silvestres.

Os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal já transformaram essas exigências em obrigatoriedades para os produtores.

O especialista defendeu a ampliação dessas medidas para todo o território nacional, especialmente diante do momento positivo vivido pela suinocultura brasileira.

Menos antibióticos, mais prevenção

A relação entre biosseguridade e uso de antimicrobianos foi outro tema central da entrevista conduzida por Priscila.

“Estamos vivendo um momento muito positivo da suinocultura. Se uma dessas enfermidades exóticas entrar no nosso país, milhões e milhões de faturamento serão comprometidos”, alertou.

Agir antes da crise chegar

Durante sua apresentação, Dutra também reforçou a importância de uma postura proativa diante dos riscos sanitários. Em vez de esperar a chegada de novas enfermidades para agir, o setor deve investir continuamente em prevenção.

Ele citou exemplos como a PRRS e a PED, doenças que ainda não estão presentes no Brasil, mas que já afetam países vizinhos. Além disso, destacou desafios sanitários que vêm aumentando dentro do próprio país, incluindo problemas associados a diferentes agentes infecciosos.

Estudos já demonstraram que granjas com melhores índices de biosseguridade tendem a utilizar menos antibióticos e apresentar melhores resultados produtivos.

Para o consultor, a redução sustentável dos antimicrobianos acontece à medida que os sistemas produtivos conseguem diminuir sua dependência dessas ferramentas por meio da melhoria dos demais processos.

A mudança começa de cima

Essa mudança, no entanto, exige comprometimento de toda a organização. Dutra acredita que os resultados aparecem de forma mais rápida quando a liderança das empresas assume a biosseguridade como prioridade estratégica.

“Isso funciona melhor quando começa a vir de cima, quando a direção da empresa entende que isso é importante”, destacou.

O antibiótico não pode ser a resposta para tudo

Ao comentar o debate sobre uso racional de antimicrobianos promovido durante o congresso, o especialista defendeu uma mudança cultural dentro do setor. Para ele, os antibióticos continuam sendo ferramentas importantes, mas não devem ser vistos como a principal solução para os desafios sanitários.

A suinocultura já apresenta exemplos positivos de redução gradual do uso desses produtos sem prejuízos aos resultados técnicos e econômicos.

Um exemplo citado foi a utilização preventiva de antibióticos em leitões recém-nascidos. Em um levantamento realizado em 2017, cerca de 72% das granjas avaliadas adotavam essa prática.

Atualmente, segundo sua percepção de campo, esse percentual é muito menor.

Para o consultor, essa evolução demonstra que é possível avançar por meio da melhoria dos manejos, da capacitação das equipes e da adoção de medidas preventivas mais eficientes.

Um trabalho que nunca termina

A mensagem final é que a biosseguridade não deve ser encarada como uma ação pontual, mas como um processo contínuo.

Um trabalho que exige monitoramento constante, comprometimento das equipes e atenção permanente aos riscos sanitários, mas que contribui diretamente para a sustentabilidade da produção e para o uso mais racional dos antimicrobianos.

Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer BAIXAR EM PDF

A ENGRENAGEM HUMANA: O ELO ENTRE A TECNOLOGIA E A ALTA PRODUTIVIDADE

Diogo Lima Goulart

Consultor de Serviços Técnicos na Agroceres Multimix

Trabalhar com produção animal sempre foi desafiador, exigindo dos produtores e suas equipes o poder de se atualizar frequentemente, por conta de novos potenciais produtivos – trazidos pela seleção genética, e por consequência novos modelos de instalações, tecnologias, manejos etc.

Há também um forte desafio quanto a mudanças comportamentais das pessoas, impulsionadas tanto pelos novos padrões de consumo quanto pela nova forma de enxergar o trabalho.

E é papel das pessoas de nível estratégico e tático diagnosticar os principais gargalos de suas equipes, índices zootécnicos e financeiros, e então traçar planos para garantir cada vez mais desenvolvimento pessoal e de resultados.

Apesar de cada vez mais ser discutido sobre inteligência artificial, inovações e tecnologias, são as pessoas a principal engrenagem para que o sistema funcione.

Para que a inteligência artificial seja funcional, deve haver alguém que saiba perguntar e instigar os resultados gerados por essa ferramenta. Além disso, é essa mesma pessoa quem precisa analisar criteriosamente o que foi obtido para concluir se está correto ou se deverão haver ajustes.

O mesmo acontece com equipamentos e outras tecnologias: sem pessoas, o processo é interrompido ou pode ficar à deriva, aumentando consideravelmente as possibilidades de percalços no meio do caminho.

É difícil quem conteste que o hábito de treinar tenha grandes benefícios – em qualquer âmbito da vida: na prática de esportes, ao cozinhar, para aprender idiomas, no trabalho etc.

Quando é trazido esse tema para as granjas, é citado como benefício a padronização da execução dos procedimentos, o que tende a gerar melhores resultados zootécnicos, pois atende as exigências dos animais com base na realidade vivenciada: genética, número e maturidade de pessoas, disponibilidade de tempo, ferramentas disponíveis, instalações etc.

Também são elencados benefícios sobre questões financeiras, porque há menor desperdício de tempo, de insumos e de materiais.

Porém é possível – e pertinente – levar em consideração que os treinamentos também resultam em melhoria de cultura organizacional, já que os colaboradores são provocados a compreender o propósito deles na execução do procedimento e a sua importância no processo produtivo como um todo.

Quando se é perguntado o porquê as granjas não possuem a prática de treinamentos, a resposta universal é: “Não há tempo suficiente, a rotina da granja é intensa e isso impede que sejam realizados”. A resposta é curiosa.

O tempo, por si só, já é difícil de ser administrado; a granja realmente possui uma rotina intensa e dinâmica. Ao mesmo tempo, os benefícios desta prática são concisos e muito positivos. Como, então, colocar esse hábito em prática?

O primeiro ponto a ser definido é eleger um (ou mais) responsável por coordenar os treinamentos, organizando, principalmente, a agenda a fim de “travar” o compromisso, impedindo que outra atividade tome o lugar. É interessante fazer a analogia do tempo como um armário com várias prateleiras, onde as atividades do dia a dia são objetos alocados nela.

Gestão de pessoas

Vale refletir que muitas vezes ocupamos espaços vazios com objetos pouco importantes e que causam desordem. Acontece o mesmo com o tempo: se não prestamos atenção e se não planejamos, o ocupamos com atividades que geram pouco resultados e que por vezes podem ser impeditivos para que o fluxo e os índices sejam atendidos da maneira esperada.

Portanto, planejar o responsável para coordenar principalmente o tempo, é um ponto indispensável.

O segundo ponto crucial no processo de implantação de programas de treinamento é enxergar como uma tarefa natural, possível de acontecer de forma a não atrapalhar a rotina de trabalho.

Muitas pessoas imaginam que capacitações devam ser grandiosos eventos, em locais específicos, com telões, caixas de som e microfones. E não. Muitas vezes os treinamentos eficazes ocorrem apenas com duas pessoas – o treinador e o treinando – durante a execução do trabalho, no mesmo horário e com as mesmas ferramentas. O requisito principal não é estrutura “de evento”, e sim método.

Basta cumprir com itens como esses que falaremos a seguir:

Vamos dividir em três partes, sendo a primeira sobre “Identificação de Perfil”, a segunda, “Objetivo e implicações”; e terceira, “Definição de Conteúdo”.

Identi cação de Per l 1 2 3

De nição de Conteúdo engajamento, compromisso e responsabilidade.

Objetivo e implicações

Com base no perfil do público-alvo se torna mais eficaz o planejamento para realização do treinamento, pois é com essas informações básicas que se define profundidade técnica, tipo de linguagem e material.

A classificação do perfil da pessoa percorre itens como grau de instrução educacional, experiência da atividade profissional e de comportamentos de maturidade:

Quanto ao tema Objetivo e implicações, cabe, especialmente, ao líder identificar o que é prioridade atualmente. Isso pode envolver uma pessoa específica ou um grupo de pessoas que precisam evoluir na forma de trabalho, um manejo que necessita de atualização ou um índice zootécnico a ser melhorado.

A partir do diagnóstico, deve-se explorar as implicações de se manter como estão e quais resultados esperados com o treinamento. Esse ponto muda a visão de fazer por fazer, para fazer porque há estratégia por trás.

A definição de conteúdo parte, obviamente, da oportunidade encontrada durante a identificação do problema. E como regra generalista, é necessário que a elaboração de quais temas serão abordados circunde informações teóricas com o intuito de embasar e nivelar o conhecimento atual de quem participará.

Em suma, a teoria majoritariamente responde “O porque” deve ser feito o que fazem e “O porque” a função é pertencente aos resultados.

Prosseguindo, é mais do que fundamental que o assunto chegue à prática, seja pelo acompanhamento, correção e ensinamentos in loco ou, ao menos, com exemplos reais que permitam que os colaboradores possam enxergar o novo comportamento em sua vivência a campo.

O conteúdo prático tem como pressuposto responder às perguntas:

O que será feito?

Quando vai ser feito?

Como será executado?

Quem vai ser o responsável por fazer?

Todos esses conceitos cumprem com métodos de aprendizagem de adultos, como a Andragogia (Malcolm Knowles), que defende que adultos tem necessidade de saber por que aquilo que está sendo estudado importa com base na sua experiência e que possam resolver algo em seu trabalho.

Ou seja: se não ficar claro “por que é importante treinar”, a aplicação no dia a dia, fica prejudicada.

A segunda metade da estrutura de treinamento contempla dois momentos: Interação e Resultados com Compromisso.

O conceito de Taxonomia de Bloom traz uma linha de níveis que, ao serem atendidos, o aprendizado de um adulto é maximizado. Os níveis mais avançados nesse sistema compreendem a análise do que foi executado para identificar possíveis falhas ou melhorias.

Depois vem a fase de avaliar, que é extremamente funcional, pois é nesse estágio onde se torna possível a discussão mais aprofundada sobre o que funciona.

Isso direciona para o estágio final, que é de criação. Quando o(s) participante(s) chegam a esse nível, significa que estão aptos a sugerir novas ideias, modelos de realizar o procedimento e fazer adaptações com a realidade e condições do seu trabalho.

Portanto, o momento de interação serve para, além de sanar dúvidas e trocar experiências, estimular que os colaboradores possam criar soluções efetivas. Novamente o líder entra em ação, pois é nessa interação que ele tem a oportunidade de explorar assuntos que julga ser prioridade e que gerarão mais resultados.

Gestão de pessoas

O líder direciona as discussões em direção ao alinhamento estratégico que ele acredita ser o mais relevante nas atuais circunstâncias. Esse é um dos pontos mais valiosos do processo: visão estratégica do líder direcionada a quem coloca a mão na massa.

Como conclusão dessa estrutura, é necessário repassar de forma específica e objetiva tudo o que foi discutido e quais serão os próximos passos. Para que o comportamento futuro seja condizente com o esperado, é pertinente que as partes estejam de acordo e que de certa forma isso seja formalizado.

O fato de firmar um compromisso, é um passo importante, pois como o conceito de “Princípio do Compromisso e Consistência” explica, as pessoas tendem a ter atitudes coerentes com o que disseram que fariam.

Ou seja, se um colaborador diz – ou escreve – que a partir daquela data fará o procedimento de determinada maneira, ele mudará os comportamentos para que eles estejam de acordo com o que ele firmou no compromisso. O conceito diz que se o firmamento for em público ou assinado, as atitudes futuras tendem ser ainda mais coerentes.

Vale ressaltar que essa estrutura de treinamento é eficaz em pequenos grupos, como os que ocorrem para recém-contratados que geralmente são orientações mais simples e menos aprofundadas, e em capacitações mais complexas e maiores.

Ao cumprir essas etapas, o colaborador ganha em desenvolvimento profissional e a granja ganha com resultados e desempenho superiores.

Em resumo, os benefícios de implantar programas de treinamento são diversos, desde os mais tangíveis como melhoria de índices zootécnicos e impactos financeiros, até resultados intangíveis como melhoria de cultura organizacional por meio do senso de pertencimento trazido aos colaboradores.

Os treinamentos devem ter seu espaço e serem classificados como atividades essenciais. Deve haver pessoas ou equipes responsáveis por coordenar e garantir que a rotina da granja não impeça a realização desta prática. Capacitações eficazes não são, necessariamente, eventos grandes e complexos. Eles devem ser, sobretudo, consistentes, bem direcionados e conectados ao dia a dia.

Por fim, os líderes têm papel fundamental para identificação de pontos de oportunidade, definição de objetivo e implicações. Além disso, são a bússola que orienta os conteúdos teóricos, práticos, interações entre os participantes e que finda o compromisso de todos para a mudança dos comportamentos futuros a fim de alcançar os resultados esperados.

Em termos práticos: quando a granja assume o treinamento como parte do trabalho, ganhase evolução de equipe e melhoria contínua de resultados.

A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade BAIXAR EM PDF

CONDIÇÃO CORPORAL E EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM FÊMEAS SUÍNAS: IMPLICAÇÕES ESTRATÉGIAS DE MANEJO

Sara J. Sardinha, Jaira De Oliveira, Rafaella F. Carnevale, Danilo A. Marçal, Luciano Hauschild Laboratório de Estudos em Suinocultura - LabSui. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – Unesp Câmpus Jaboticabal.

Asuinocultura é uma das principais atividades agropecuárias no Brasil e no mundo, sendo a produção nacional a quarta maior do mundo (ABPA, 2025).

A eficiência reprodutiva do plantel tem impacto direto na produtividade e na rentabilidade do sistema de produção, sendo o tamanho da leitegada dos parâmetros reprodutivos de maior importância (Camargo et al., 2020).

Assim, os programas de melhoramento genético têm selecionado fêmeas hiperprolíficas, com o objetivo de aumentar o número de leitões nascidos e desmamados (Patterson et al., 2020).

Entretanto, com a hiperprolificidade, houve diminuição do peso ao nascimento, com leitegadas mais desuniformes, comprometendo a viabilidade e vitalidade dos leitões e, consequentemente, o número de animais desmamados (Yuan et al., 2015).

Os partos também tornaram-se mais longos, com maior número de natimortos e distocias e menor ingestão de colostro pelos leitões (Li et al., 2020). Além disso, o catabolismo durante a lactação é intenso em matrizes com leitegadas maiores (Bortolozzo et al., 2023).

Além disso, a capacidade da fêmea de fornecer colostro para todos os leitões pode ser limitada, visto que o número de leitões tem sido igual ou até superior que o número de tetas funcionais (Spinka, Illmann., 2015).

Além do número e do peso dos leitões nascidos, a longevidade é um indicador importante da rentabilidade do rebanho de fêmeas reprodutoras (Belkova, Rozkot; 2021), sendo associada ao nível de descarte das matrizes.

Diversos fatores podem influenciar a taxa de descarte, como:

Alojamento

Genótipo

Manejo Doenças

Tendências de mercado

Nutrição (Díaz et al., 2015).

Em muitas granjas, as matrizes são descartadas antes de atingir o seu pico de produtividade, que normalmente ocorre entre o terceiro e o quinto ciclo reprodutivo (Lavery et al., 2019).

Garantir que as matrizes tenham condição corporal adequada é essencial para enfrentar esses desafios. Apesar disso, as dietas para matrizes gestantes e lactantes tem sido formuladas com base em um critério geral, desconsiderando variações em seu estado fisiológico e metabólico (Moehn et al., 2009).

Como consequência, a manutenção da condição corporal, a eficiência reprodutiva e a longevidade podem ser comprometidas.

Fêmea Suína

Condição corporal e o impacto na saúde da fêmea e dos leitões

A gestação é um período anabólico dinâmico, em que as exigências nutricionais aumentam devido ao crescimento fetal e desenvolvimento dos tecidos maternos associados (Superchi et al., 2019).

O desenvolvimento fetal depende de diferentes fatores, como o estado nutricional da fêmea, o fornecimento de nutrientes ao feto e a atividade de hormônios metabólicos (Aye et al., 2013). Nesse contexto, fêmeas com condição corporal inadequada podem apresentar baixa eficiência reprodutiva.

Fêmeas gestantes apresentaram relação quadrática entre a espessura de gordura dorsal e o desempenho da leitegada, sendo o nível ideal de 19-20 mm. Fêmeas com espessuras maiores produzem leitegadas mais leves, devido à indução de condições placentárias lipotóxicas (Zhou et al., 2018).

O acúmulo excessivo de gordura corporal (≥ 17 mm) pré-parto também está associado a partos mais longos (Olivero et al., 2010).

Níveis elevados de gordura podem interferir nos esteroides lipossolúveis, principalmente a razão progesterona:estrógeno, que influencia a ativação dos receptores de ocitocina (Russell et al., 2003), prejudicando as contrações uterinas.

Ademais, pode haver acúmulo de gordura ao redor do canal de parto, o que causa obstrução da passagem dos leitões durante o parto (Muns et al., 2016).

Em contrapartida, fêmeas com baixa condição corporal têm atraso no início da puberdade, alterações na secreção de hormônios reprodutivos e nos ciclos estrais (Barb et al., 2006). Além disso, menor gordura dorsal (≈14,7 mm) está associada ao atraso da puberdade em relação a valores mais elevados (≈17,8 mm) (Rydhmer et al., 1994).

Assim como fêmeas com excesso de gordura corporal, matrizes gestantes com baixas reservas corporais produzem leitegadas menores com animais mais leves e com crescimento intrauterino restrito (Wu et al., 2006).

O fornecimento nutricional inapropriado durante a gestação, como dietas restritas baseadas em milho e farelo de soja, pode resultar em aporte inadequado de aminoácidos e crescimento placentário subótimo (Wu et al., 2017), e favorecer o aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, promovendo estresse oxidativo celular (Berchieri-Ronchi et al., 2011).

Dessa forma, garantir uma condição corporal ideal é essencial para obter bons resultados reprodutivos e longevidade do plantel, a partir de uma nutrição equilibrada.

Manejo estratégico da condição corporal da fêmea reprodutora

Recria

Apesar das diferenças entre linhagens genéticas, é comumente aceito um peso-alvo para primeira cobertura de 135–160 kg, com espessura de gordura dorsal de 13–15 mm, por volta dos 220–240 dias de idade e mínimo de 180 dias, durante o segundo ou terceiro estro (Theil et al., 2023; Faccin et al., 2022; Bruun et al., 2020).

Para alcançar as metas de peso e espessura de gordura dorsal para primeira cobertura é importante monitorar o peso ao nascimento e ao desmame e a taxa de crescimento das leitoas de reposição (Monteiro et al., 2025).

O peso ao nascimento superior a 1 kg e ao desmame superior a 5 kg são indicados para a seleção de leitoas, a fim de promover produtividade e longevidade (Faccin et al., 2022).

Nas fases posteriores, as leitoas não devem ser tratadas como animais de engorda, pois uma maior deposição de gordura corporal é necessária para favorecer o início da puberdade (Kim et al., 2015; Knecht et al., 2020), e o excesso de massa muscular é indesejável, visto que aumenta o custo metabólico ao exigir maior ingestão de energia para manutenção (Klaaborg et al., 2019).

Ao reduzir o teor de proteína e manter o nível de energia da dieta, ocorre um favorecimento do depósito de gordura (Gill et al., 2006).

Assim, rações balanceadas em proteína e energia são necessárias para evitar excesso de massa muscular e gordura corporal insuficiente.

Gestação

Ao longo da gestação, o objetivo deve ser manter o escore de condição corporal ideal, sendo os primeiros 30 dias considerados como o melhor período para recuperação das reservas corporais das fêmeas (Solà-Oriol et al., 2017).

Para recuperação do escore de condição corporal das fêmeas (ECC), recomendase que as dietas apresentem níveis mais elevados de proteína bruta (PB) em comparação às dietas de manutenção, uma vez que favorecem a síntese proteica e reduzem a mobilização de reservas corporais, principalmente para fêmeas mais jovens (Johannsen et al., 2024).

Recomenda-se um ganho de peso entre 35 a 40 kg durante a primeira gestação, para promover o desenvolvimento materno, dos conceptos e proteger contra os danos da perda de tecido magro durante a lactação (Clowes et al., 2003b).

As fêmeas multíparas são mais pesadas e já atingiram seu peso corporal ideal, ao contrário das primíparas que ainda estão em fase de crescimento (Ampode et al., 2023). De acordo com Carrión-Lópes et al. (2022), o ganho de peso e a perda de gordura são mais acentuados em porcas primíparas em comparação com porcas multíparas.

De acordo com Muro et al. (2022), o objetivo deve ser manter as matrizes e leitoas de reposição dentro de uma faixa de 16–20 mm e 15–19 mm de espessura de gordura dorsal, respectivamente, correspondendo à 12,5–14,0 unidades no calliper e um escore visual de 3–3,5, independentemente da fase do ciclo reprodutivo.

Já em relação às medidas de área e profundidade do músculo lombar, ainda não existem estudos suficientes para definir um valor ideal.

Lactação

Durante o período de transição entre gestação e lactação, as fêmeas entram em estado de catabolismo, devido ao crescimento exponencial dos fetos, ao intenso desenvolvimento da glândula mamária, ao comportamento de construção do ninho, ao parto e à produção de colostro (Feyera; Theil., 2017).

Somado a isso, na fase de lactação, o consumo voluntário pode ser limitado por fatores metabólicos e hormonais (Eissen et al., 2000).

Se a crescente necessidade energética não pode ser atendida via alimentação, as reservas corporais são mobilizadas, resultando em perda de peso. Quando essa perda é exacerbada há prejuízos à produção de leite e ao desempenho reprodutivo subsequente (Bergsma et al., 2009).

Diante disso, é necessário maximizar o consumo de ração durante a lactação a partir de técnicas de manejo, seleção genética e mudanças nas características do alimento (Noblet et al., 1998)

Do ponto de vista nutricional, a inclusão de fibra dietética na fase de gestação pode favorecer o consumo de ração na lactação (Agyekum et al., 2019).

Isso está relacionado à ingestão de maior volume de alimento durante a gestação, que contribui para a adaptação do trato gastrointestinal ao aumento abrupto da ingestão alimentar necessário para atender as elevadas demandas energéticas da lactação (Matte et al.,

Considerações finais

A condição corporal da fêmea suína exerce grande influência no desempenho reprodutivo e na longevidade do plantel.

Uma condição corporal inadequada, seja por obesidade ou magreza, está associada a prejuízos reprodutivos, como menor número de leitões nascidos, menores taxas de desmame, redução da produção de leite durante a lactação, falhas reprodutivas subsequentes e maior taxa de descarte de matrizes.

No contexto atual de hiperprolificidade, a condição corporal da fêmea reprodutora deve ser monitorada de forma estratégica e contínua ao longo de todo o ciclo reprodutivo, considerando as particularidades fisiológicas de cada fase.

A utilização de métodos objetivos de avaliação, como a mensuração da espessura de gordura dorsal, permite um manejo nutricional mais preciso, com impacto direto na rentabilidade do sistema produtivo e também na saúde e bem-estar dos animais.

Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo BAIXAR EM PDF

As referências podem ser consultadas com os autores.

Fêmea

MICROMINERAIS ORGÂNICOS NA NUTRIÇÃO DE MATRIZES SUÍNAS:

MAIS SUPORTE PARA REPRODUÇÃO,

LACTAÇÃO

E DESEMPENHO DA

LEITEGADA

Equipe técnica Biochem

Asuinocultura moderna elevou de forma expressiva o potencial produtivo das matrizes. Fêmeas hiperprolíficas produzem leitegadas maiores, demandam mais do metabolismo e enfrentam desafios fisiológicos cada vez mais intensos ao longo da vida reprodutiva.

Reposição bem formada, plantel mais consistente

Nesse cenário, manter fertilidade, condição corporal, produção de leite e vitalidade dos leitões tornou-se uma equação mais complexa.

Entre os fatores que merecem atenção, o estresse oxidativo ocupa posição central. Ele ocorre quando a produção de espécies reativas de oxigênio supera a capacidade do organismo de neutralizá-las.

Em matrizes suínas, esse desequilíbrio pode ser intensificado pelo alto ritmo metabólico associado à reprodução e à lactação, com reflexos sobre tecidos reprodutivos, qualidade dos ovócitos, desenvolvimento embrionário e eficiência produtiva.

É justamente nesse contexto que os microminerais orgânicos ganham relevância. Zinco, ferro, manganês e cobre participam de processos ligados ao crescimento, à atividade hormonal, ao metabolismo energético e aos mecanismos antioxidantes. Quando fornecidos em formas orgânicas, tendem a apresentar melhor aproveitamento nutricional, favorecendo retenção tecidual e maior eficiência metabólica.

O desempenho futuro de uma matriz começa ainda na fase de reposição. O adequado desenvolvimento corporal e reprodutivo das leitoas depende de suporte nutricional compatível com a intensa multiplicação celular, a formação de tecidos e a maturação do sistema reprodutivo.

Nesse processo, o zinco tem papel importante na síntese de DNA, na divisão celular e no metabolismo hormonal, influenciando o desenvolvimento folicular e a maturação ovariana.

O manganês participa da síntese de hormônios esteroides e da formação óssea e conjuntiva. O cobre se relaciona à angiogênese e à vascularização uterina, enquanto o ferro é essencial para o transporte de oxigênio e para o metabolismo energético celular.

Além dessas funções estruturais e metabólicas, zinco, cobre e manganês também participam da defesa antioxidante celular. Na prática, isso significa melhor suporte para que a leitoa expresse seu potencial de crescimento e chegue à vida reprodutiva com mais uniformidade corporal, puberdade mais homogênea, melhor desenvolvimento uterino e ovariano e maior resistência ao estresse metabólico.

Fêmea Suína

Fertilidade e sobrevivência embrionária exigem equilíbrio metabólico

A eficiência reprodutiva da granja depende de mais do que coberturas bem conduzidas.

Qualidade dos gametas, equilíbrio hormonal e manutenção da gestação inicial são altamente sensíveis ao ambiente metabólico da fêmea.

Quando o estresse oxidativo se intensifica, há risco de danos celulares aos ovócitos, prejuízo à função mitocondrial e comprometimento da implantação embrionária.

Nesse ponto, os microminerais orgânicos exercem papel estratégico.

O zinco contribui para a competência ovocitária e a síntese hormonal. Manganês e cobre participam das enzimas antioxidantes que ajudam a neutralizar radicais livres.

Já o ferro favorece a oxigenação uterina e placentária.

Esse suporte tende a se refletir diretamente nos índices reprodutivos, com potencial para favorecer taxa de concepção, manutenção da prenhez, sobrevivência embrionária e número de leitões nascidos vivos.

O efeito do equilíbrio mineral também se estende aos machos reprodutores, uma vez que o estresse oxidativo está relacionado à piora da qualidade seminal, incluindo redução da motilidade espermática e maior incidência de defeitos celulares.

Durante a gestação, proteção à fêmea e ao feto caminham juntas

A gestação é um período de alta exigência fisiológica. À medida que o crescimento fetal e placentário avança, o metabolismo materno se intensifica e, com ele, também aumenta a produção de radicais livres.

Esse quadro amplia a necessidade de mecanismos eficientes de proteção antioxidante e de adequado fornecimento de nutrientes envolvidos na multiplicação celular e no desenvolvimento tecidual.

O zinco participa da multiplicação celular e do desenvolvimento imunológico fetal. O manganês contribui para a formação óssea e cartilaginosa. O cobre auxilia na vascularização placentária e no desenvolvimento do tecido conjuntivo. O ferro, por sua vez, garante suporte ao transporte de oxigênio para tecidos em crescimento.

Quando esse ambiente metabólico é mais equilibrado, os efeitos esperados incluem:

Melhor desenvolvimento placentário

viabilidade embrionária e fetal

uniformidade da leitegada

Maior peso ao nascimento

Redução da ocorrência de leitões refugos

Além disso, leitões oriundos de matrizes com melhor equilíbrio antioxidante tendem a chegar ao início da vida com mais vitalidade e melhor preparação para enfrentar os primeiros desafios sanitários.

Lactação: a fase em que a matriz precisa sustentar a si mesma e à leitegada

Se a gestação já impõe forte demanda metabólica, a lactação eleva ainda mais essa exigência. A produção de leite aumenta a necessidade energética, intensifica o metabolismo oxidativo celular e pode ampliar a perda de condição corporal da matriz, especialmente em sistemas com fêmeas de alta produtividade.

Nessa fase, os microminerais orgânicos ajudam a sustentar diferentes funções. O zinco se relaciona à integridade epitelial da glândula mamária e à síntese proteica do leite. O cobre participa da produção energética mitocondrial. Manganês e ferro auxiliam na atividade enzimática e na oxigenação tecidual.

Ao mesmo tempo, esses minerais reforçam os mecanismos antioxidantes naturais da fêmea, ajudando a reduzir danos celulares e processos inflamatórios associados ao intenso metabolismo lactacional.

Em termos práticos, esse suporte pode favorecer produção de leite, qualidade do colostro, persistência de lactação e menor perda de condição corporal, além de contribuir para menor incidência de inflamações mamárias.

Para os leitões, o impacto também é direto: melhor oferta e qualidade de leite se traduzem em maior ganho de peso, melhor desenvolvimento intestinal e mais competência imunológica, com reflexos positivos inclusive sobre a adaptação ao desmame.

Fêmea
Maior
Melhor

Uma ferramenta nutricional cada vez mais estratégica

Na suinocultura tecnificada, reprodução, gestação, lactação e desempenho da leitegada não podem mais ser analisados de forma isolada. O que acontece com a matriz ao longo do ciclo produtivo repercute diretamente no número, na uniformidade e na vitalidade dos leitões.

Por isso, a nutrição mineral passou a ter papel mais estratégico. Microminerais orgânicos como zinco, ferro, manganês e cobre não atuam apenas como cofatores nutricionais, mas como parte do suporte metabólico e antioxidante necessário para que matrizes modernas enfrentem com mais eficiência os desafios da reprodução e da lactação.

Quando bem posicionados na dieta, esses minerais contribuem para melhor aproveitamento nutricional, maior eficiência fisiológica e respostas produtivas mais consistentes.

Em um sistema que exige cada vez mais das fêmeas, esse suporte pode fazer diferença na longevidade reprodutiva das matrizes, na qualidade da leitegada e na eficiência econômica da granja.

Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

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SANIDADE, BEM-ESTAR E GESTÃO: OS PILARES PRÁTICOS DA SUSTENTABILIDADE NA SUINOCULTURA MODERNA

Asustentabilidade tornou-se um dos conceitos mais presentes nas discussões sobre o futuro da produção animal.

Emissões de gases de efeito estufa, uso eficiente da água, preservação dos recursos naturais e economia circular ocupam espaço crescente nas estratégias empresariais, nas exigências dos mercados e nas expectativas da sociedade. Sem dúvida, todos esses temas são fundamentais.

No entanto, existe uma dimensão igualmente importante da sustentabilidade que nem sempre recebe a mesma atenção: a necessidade de produzir alimentos de forma eficiente, segura e resiliente para garantir a Segurança Alimentar.

Na suinocultura moderna, a sustentabilidade começa muito antes dos indicadores ambientais. Ela nasce da capacidade de transformar recursos em alimento de forma eficiente, reduzindo perdas e preservando a produtividade dos sistemas. E, nesse contexto, poucos fatores são tão determinantes quanto a sanidade e o bem-estar animal sob uma gestão eficiente.

Costumo definir esse conceito como a “sustentabilidade invisível”.

Cada suíno produzido representa meses de trabalho e um conjunto significativo de recursos investidos ao longo da cadeia produtiva. Há investimento em:

Mão de obra especializada

Assistência técnica

Genética Alimentação Água

Energia Medicamentos Infraestrutura Tecnologia

Quando uma enfermidade compromete o desempenho produtivo ou leva à perda de animais, todos esses recursos foram consumidos sem gerar o resultado esperado: a produção de alimentos para a sociedade.

Sob essa perspectiva, as perdas sanitárias também podem ser compreendidas como perdas ambientais.

Um animal que apresenta pior conversão alimentar, crescimento reduzido ou mortalidade precoce exige mais recursos para produzir menos alimento. Portanto, melhorar a sanidade significa não apenas elevar a produtividade, mas também aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais e reduzir a intensidade ambiental da produção.

Essa visão torna-se ainda mais relevante diante dos desafios globais que se apresentam para as próximas décadas.

Segundo estimativas internacionais, a população mundial deverá alcançar aproximadamente 9,7 bilhões de pessoas até 2050. Grande parte desse crescimento ocorrerá na Ásia e na África, regiões que também deverão registrar avanços econômicos e aumento do consumo de proteína animal.

Ao mesmo tempo, os recursos naturais continuarão limitados, ampliando a necessidade de sistemas produtivos capazes de produzir mais utilizando menos recursos.

Produzir mais com eficiência não será apenas uma vantagem competitiva. Será uma necessidade para garantir a segurança alimentar global.

Nesse cenário, a sanidade animal assume papel central.

As enfermidades representam um dos principais fatores de perda de eficiência dos sistemas produtivos em todo o mundo. Estima-se que as doenças animais gerem perdas econômicas superiores a US$ 300 bilhões por ano. Esses impactos vão muito além dos prejuízos observados dentro das propriedades.

Os custos mais visíveis incluem mortalidade, gastos com medicamentos, vacinas, assistência veterinária e redução de desempenho produtivo. Entretanto, existe uma parcela significativa de perdas que permanece menos perceptível.

Redução da fertilidade, pior conversão alimentar, atraso no crescimento dos animais, aumento do tempo necessário para atingir o peso de abate, menor aproveitamento tecnológico, restrições comerciais e perda de competitividade fazem parte dos chamados custos ocultos das enfermidades.

Esses impactos afetam não apenas os produtores, mas toda a cadeia de abastecimento de alimentos.

Por isso, a sanidade animal precisa ser encarada como investimento estratégico. Ela protege a produtividade, preserva recursos, reduz desperdícios e contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, ambiental e social da atividade.

Essa relação torna-se ainda mais evidente quando observada sob a ótica da Saúde Única (One Health), conceito que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e saúde ambiental.

Atualmente, cerca de 60% das doenças infecciosas emergentes notificadas mundialmente têm origem animal. Além disso, aproximadamente 75% dos novos patógenos identificados nas últimas décadas surgiram a partir de animais domésticos ou silvestres.

Esses números demonstram que biosseguridade, vigilância epidemiológica e prevenção de enfermidades produzem benefícios que vão muito além da produção animal. São ações que contribuem para a saúde pública, para a estabilidade dos sistemas alimentares e para a proteção da sociedade.

Nesse contexto, o bem-estar animal ocupa posição igualmente estratégica.

Durante muito tempo, o tema foi associado principalmente às expectativas dos consumidores e às exigências de determinados mercados. Hoje, existe amplo reconhecimento de que o bem-estar também é um importante fator de eficiência produtiva.

Animais submetidos a condições adequadas de manejo, conforto térmico, nutrição equilibrada e redução de fatores estressantes apresentam melhor resposta imunológica, menor susceptibilidade a enfermidades e maior capacidade de expressar seu potencial produtivo.

Bem-estar e sanidade não são agendas independentes. São elementos complementares que atuam de forma integrada para promover produtividade, eficiência e sustentabilidade.

A gestão constitui o terceiro pilar dessa equação.

Não existe programa sanitário eficiente sem gestão eficiente. A crescente complexidade da produção animal exige monitoramento constante de indicadores, rastreabilidade, análise de dados, capacitação de equipes, protocolos estruturados de biosseguridade e avaliação permanente de riscos.

A gestão é o elo que conecta conhecimento técnico à execução prática. É ela que permite identificar vulnerabilidades, corrigir desvios, medir resultados e garantir a implementação consistente das melhores práticas sanitárias e produtivas.

Esse conjunto de fatores tornase ainda mais relevante quando observamos a inserção internacional da proteína animal brasileira.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do mundo. Somente os setores de aves e suínos geram mais de quatro milhões de empregos e abastecem consumidores em mais de 150 mercados internacionais.

Essa posição de destaque traz consigo uma responsabilidade adicional.

Os mercados globais avaliam não apenas os produtos exportados, mas também a robustez dos sistemas sanitários, a qualidade dos processos de certificação, a capacidade de vigilância epidemiológica, os mecanismos de rastreabilidade e a transparência das informações fornecidas pelas autoridades competentes.

Em outras palavras, a sanidade tornou-se um ativo estratégico de competitividade.

Não por acaso, costumo afirmar que a sanidade animal é o verdadeiro passaporte para os mercados mais competitivos do mundo.

Para um país exportador, produzir com eficiência é fundamental. Mas preservar a confiança dos parceiros comerciais é igualmente importante.

A experiência internacional recente demonstra isso de forma bastante clara.

Enquanto dezenas de países convivem com desafios relacionados à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e à Peste Suína Africana (PSA), o Brasil mantém um patrimônio sanitário construído ao longo de décadas de investimentos em biosseguridade, pesquisa, assistência técnica e coordenação institucional.

No caso específico da suinocultura, o país permanece livre de PSA há mais de quatro décadas, enquanto diversos países continuam enfrentando seus impactos produtivos, econômicos e comerciais. Apenas entre janeiro e abril de 2025, 27 países registraram mais de 3.200 ocorrências da doença.

Esse cenário demonstra que o status sanitário não deve ser encarado como uma condição permanente. Trata-se de um patrimônio construído e preservado diariamente por meio de investimentos contínuos em prevenção, vigilância epidemiológica e gestão de riscos.

Os efeitos das enfermidades ultrapassam os limites das propriedades rurais.

Restrições sanitárias podem comprometer cadeias inteiras de abastecimento, reduzir a disponibilidade de alimentos, pressionar preços e afetar empregos.

Experiências recentes em diferentes regiões do mundo demonstram que interrupções nos fluxos comerciais de proteína animal geram impactos que alcançam produtores, indústrias, varejo e consumidores, especialmente aqueles de menor renda.

Por isso, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente.

Cada protocolo de biosseguridade implementado, cada treinamento realizado, cada auditoria conduzida e cada investimento em vigilância sanitária representam mecanismos de proteção da capacidade produtiva do setor.

Representam também proteção da renda dos produtores, da estabilidade das cadeias produtivas e da segurança alimentar.

Ao longo das próximas décadas, a sustentabilidade será cada vez mais associada à capacidade de produzir mais com menos recursos, reduzindo perdas e aumentando a eficiência dos sistemas produtivos.

Nesse cenário, sanidade, bem-estar animal e gestão deixam de ser temas restritos à produção e passam a integrar o centro da estratégia de sustentabilidade da suinocultura.

Não existe produção sustentável sem animais saudáveis.

Não existe e ciência ambiental sem e ciência produtiva.

Não existe segurança alimentar sem biosseguridade.

E não existe competitividade duradoura sem credibilidade sanitária.

Em um mundo que precisará produzir mais alimentos para uma população crescente, utilizando recursos cada vez mais limitados e enfrentando desafios sanitários cada vez mais complexos, a sustentabilidade não poderá ser medida apenas pelos indicadores ambientais.

Ela dependerá da capacidade dos sistemas produtivos de prevenir enfermidades, preservar a saúde dos animais, promover o bem-estar, utilizar recursos de forma eficiente e garantir a produção contínua de alimentos seguros.

Nesse contexto, a sanidade animal deixa de ser apenas uma ferramenta de gestão da produção. Ela se consolida como um dos principais pilares da sustentabilidade, da segurança alimentar e da competitividade da suinocultura moderna.

Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna BAIXAR EM PDF

FRIMESA PÕE O MARKETING PARA TRABALHAR E REDESENHA SUA APOSTA NA CARNE SUÍNA

Antes de mudar cor, embalagem e campanha, cooperativa ouviu colaboradores, cooperados, varejo e fornecedores, definiu um território de marca coerente com sua origem e amarrou esse trabalho a portfólio, gôndola e metas duras de crescimento.

Há alguns anos a cadeia de proteína animal vem discutindo a necessidade de comunicar melhor seus produtos ao consumidor. A Frimesa decidiu enfrentar esse desafio de forma prática e estruturada, começando pela escuta, em vez da campanha.

Antes de redefinir identidade visual, rever embalagens e colocar uma nova cor nas prateleiras, a cooperativa mergulhou num diagnóstico para entender o que sua marca podia prometer sem blefar, e como essa promessa poderia se sustentar no negócio.

“A grande virada da Frimesa é mudar o foco de dentro de casa para o mercado.”

A base desse processo foi um levantamento estruturado conduzido com apoio do consultor Marcos Bedendo.

O trabalho cruzou percepção interna e externa, ouvindo colaboradores em diferentes níveis, além de distribuidores, varejistas e fornecedores. Só depois dessa escuta é que a Frimesa foi ao consumidor final.

A lógica por trás dessa ordem faz sentido e merece atenção: primeiro descobrir a verdade da organização, depois construir o discurso. Para um setor acostumado a falar em consumo interno de forma genérica, a escolha metodológica chama a atenção justamente porque evita o risco de uma marca vender ao mercado uma narrativa que a operação ainda não consegue sustentar.

Foi nesse ponto que o marketing deixou de ser ornamento e passou a funcionar como engrenagem de crescimento.

Em vez de buscar uma modernização cosmética, a Frimesa tratou o rebranding como disparador de um novo ciclo. A companhia quer sustentar um plano que mira R$ 15 bilhões anuais até 2032 e capacidade para processar 23 mil suínos por dia, com São Paulo operando como hub comercial e de inteligência de mercado.

O movimento não nasce, portanto, de uma ansiedade estética. Nasce de uma estratégia empresarial que procura aproximar marca, portfólio, varejo e expansão.

Território da Família

No diagnóstico apresentado, um dos pontos mais decisivos foi a definição do território de marca. Enquanto grandes concorrentes trabalham linguagens mais ligadas ao público jovem, ao snack, à conveniência individual ou ao impulso, a Frimesa optou por assumir o território da família.

A decisão pode parecer previsível à primeira vista, mas ganha densidade quando vinculada à origem cooperativista da companhia, à sucessão familiar no campo e à ideia de ser uma presença confiável tanto na refeição cotidiana quanto nos momentos de celebração. Em vez de adotar um atalho publicitário, a marca procurou um território coerente com o que é.

Essa coerência aparece também nos enunciados que passaram a organizar a nova fase. A Frimesa atualizou essência, propósito, crenças e valores.

O propósito formulado pela companhia fala em “nutrir vidas melhores em família, todos os dias”, conectando produção, distribuição e consumo de alimentos de forma responsável, sustentável e humana.

Já a crença central reforça a noção de “comida de verdade para a vida real, entregue com qualidade, respeito e orgulho”. Em termos editoriais, o mais importante não é repetir essas frases como slogan, mas entender o que elas revelam, ou seja, a Frimesa quer disputar espaço não apenas no carrinho de compras, mas no imaginário do consumidor.

Neurociência aplicada ao design

A identidade visual foi tratada como elo imediato com esse novo posicionamento. O trabalho da Narita Design partiu do princípio de que, num ambiente hiperconectado, tempo e atenção são ativos raros.

Por isso, o projeto mergulhou na neurociência aplicada ao design e adotou a lógica de que o cérebro processa primeiro a cor, depois a forma e só então o texto.

A escolha do roxo, nesse sentido, não foi um capricho, mas responde à tentativa de criar uma cor proprietária capaz de romper a hegemonia de vermelhos, amarelos e laranjas na gôndola e funcionar como um farol visual para o consumidor.

Há ainda uma segunda camada nessa escolha. Segundo a apresentação da empresa, pesquisas de mercado indicaram que tons entre rosa, vinho e roxo já circulam no imaginário do consumidor como sinais de carne suína de maior valor agregado e de lácteos mais sofisticados.

Ao assumir esse código cromático, a Frimesa tenta alinhar sua estética à ideia de comida de verdade, combinando modernidade visual com tradição do campo.

Em paralelo, o logotipo foi simplificado, saindo a antiga flâmula branca, fazendo crescer a força do nome e a moldura envolvente passando a representar cuidado e proteção.

Embalagem

Mas o ponto mais interessante do projeto é que ele não parou na marca. Desceu para a embalagem

As novas peças foram pensadas para tornar o logotipo protagonista, organizar melhor a hierarquia das informações e facilitar a vida do consumidor real.

Selos, ícones de preparo, tabela nutricional e indicações como tempo de forno ou uso em air fryer passaram a ser distribuídos de maneira mais limpa.

Numa compra cada vez mais apressada e disputada por estímulos, esse tipo de solução importa mais do que parece. É ali, no ponto de venda, que o branding deixa de ser discurso e passa a disputar segundos de atenção.

Suíno Certificado

A mesma lógica aparece no Selo Suíno Certificado, que começa a ganhar espaço nas embalagens de derivados suínos, como linguiças e cortes especiais.

O selo leva ao consumidor a informação de que aquela carne vem de uma cadeia auditada, com padrões definidos de bem-estar animal e sanidade.

Se trata de um detalhe que mostra um caminho mais concreto para traduzir atributos técnicos em valor percebido. A Frimesa procurou colocar o argumento da segurança, origem e qualidade no lugar onde ele pesa mais, ou seja, nas mãos de quem decide a compra.

Portfólio

O marketing também mexeu no portfólio. Segundo Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa, se antes cerca de 65% do mix estava voltado ao setor transformador, a meta agora é ser protagonista no prato do consumidor final.

Para dar eficiência a essa transição, a Frimesa revisou profundamente o mix, descontinuou 77 itens que não se alinhavam à nova operação de valor agregado e reforçou as categorias em que vê mais potência comercial.

Ou seja, a empresa não quer apenas vender volume, mas vender melhor, com mais aderência ao cotidiano do consumidor e melhor captura de valor por produto.

A campanha que materializa esse reposicionamento mantém a mesma lógica.

Em vez de uma narrativa genérica sobre tradição, a Frimesa decidiu trabalhar a “vida real da família brasileira” e colocou colaboradores e produtores reais como protagonistas do filme institucional de 60 segundos.

Assista ao filme institucional “Onde tem família, tem Frimesa”

As gravações foram feitas em unidades operacionais da própria cooperativa e em granja da cadeia produtiva.

O gesto pode parecer simples, mas é estratégico, pois ajuda a conectar quem produz a quem consome, reforça autenticidade e preserva uma linha fina que a empresa parece ter se esforçado para não cruzar, que é a de parecer mais moderna sem parecer artificial.

suínoBrasil Entrevista

A entrevista concedida por Elias Zydek à suínoBrasil reforça esse entendimento. Em uma das falas mais fortes, o executivo resume a mudança dizendo que “a grande virada da Frimesa é mudar o foco de dentro de casa para o mercado”.

A frase merece destaque porque sintetiza o movimento inteiro. Depois de consolidar capacidade produtiva e base industrial, a cooperativa passa a se concentrar em comercialização, distribuição, visibilidade de gôndola, adequação de portfólio e leitura do consumidor.

Zydek afirma ainda que a cadeia precisa “divulgar, educar e comunicar melhor o que é a carne suína”. Quando dita por um presidente executivo em meio a um pacote de investimentos, essa frase ganha um peso que vai além do lugar-comum.

Não se trata de dizer que branding resolve sozinho o problema do consumo interno, nem de imaginar que uma nova cor na embalagem mudará hábitos de compra por si só. O mérito do movimento da Frimesa está justamente em não tratar comunicação como maquiagem.

O que a empresa apresentou em São Paulo foi uma tentativa de costurar identidade, promessa, varejo, portfólio, certificação, campanha e crescimento dentro de um mesmo raciocínio estratégico. Em outras palavras, marketing deixado à margem da operação tende a ser discurso, enquanto marketing ligado ao negócio vira método.

O mercado, claro, ainda vai testar a força dessa aposta. A questão decisiva não é se o rebranding ficou bonito, mas se ele ajudará a acelerar giro, melhorar leitura de gôndola, ampliar penetração em lares, reforçar presença em São Paulo e fazer a carne suína ganhar mais frequência na rotina do consumidor.

Ainda assim, a Frimesa já conseguiu o feito importante de sair da conversa abstrata sobre a necessidade de comunicar melhor e apresentar uma execução concreta, com método, investimento, revisão de mix e uma visão mais clara do que quer ser para o consumidor brasileiro.

Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína BAIXAR EM PDF

é simples proteger

A PRIMEIRA vacina oral para controle

Benefícios que vão além do controle efetivo da Colibacilose Pós-Desmame

Em um estudo a campo, o produto apresentou como resultados:

Ganho de Peso Diário (GPD) na creche*

Uso antimicrobianos na creche* de colibacilose pós-desmame

+ 44 g - 33%

COLETA, TRANSPORTE E DESTINAÇÃO ADEQUADA DE SUÍNOS MORTOS DURANTE A PRODUÇÃO

Profa. Dra. Masaio Mizuno Ishizuka

Profa. Titular Emérita de Epidemiologia da FMVZ-USP

Introdução

A mortalidade de suínos ao longo do ciclo produtivo é um fenômeno inerente à atividade pecuária, porém sua gestão representa um dos pilares mais críticos da biosseguridade na suinocultura moderna.

A destinação adequada dos animais mortos transcende uma simples exigência operacional, configurando-se como uma estratégia essencial de prevenção sanitária, proteção ambiental e sustentabilidade produtiva.

Sob a ótica epidemiológica, os cadáveres constituem vias de transmissão de agentes infecciosos e amplificadores de patógenos de relevância econômica e sanitária.

Do ponto de vista da biosseguridade, a destinação correta dos suínos mortos integra um conjunto de medidas preventivas que visam interromper ciclos de transmissão de doenças, reduzir a pressão de infecção e proteger o status sanitário dos plantéis.

Trata-se, portanto, de um ponto crítico de controle dentro de sistemas modernos baseados em análise de risco.

Além disso, contribui significantemente para a mitigação de impactos ambientais, evitando a contaminação do solo, da água e a proliferação de vetores, como insetos e pragas como roedores.

Nesse contexto, práticas como o armazenamento sob congelamento e o encaminhamento para unidades de reciclagem autorizadas representam avanços tecnológicos alinhados aos princípios da economia circular.

No âmbito normativo, a Instrução Normativa nº 48/2019 do Ministério da Agricultura estabelece diretrizes claras para o manejo, transporte e processamento de animais mortos, reforçando a necessidade de sistemas estruturados e rastreáveis.

Assim, a destinação adequada de suínos mortos deve ser compreendida não como uma etapa final do processo produtivo, mas como uma ação estratégica integrada à biosseguridade preventiva, à qualidade total e à eficiência da produção suinícola.

Princípios

técnicos da armazenagem de

suínos mortos

A armazenagem deve ocorrer em local exclusivo, com controle de acesso, piso impermeável e proteção contra vetores. O tempo de permanência deve ser reduzido ao mínimo possível, evitando a decomposição e a multiplicação de patógenos.

Sistemas de armazenamento

Os sistemas tradicionais incluem áreas cobertas e protegidas, enquanto sistemas avançados utilizam câmaras de refrigeração ou congelamento, que reduzem a carga microbiana e os riscos sanitários.

Avanço tecnológico: câmaras de congelamento em comodato

Nos últimos anos, observa-se a introdução de câmaras de congelamento disponibilizadas em regime de comodato por empresas de reciclagem animal.

Entre os benefícios destacam-se a redução do risco sanitário, diminuição de vetores, eliminação de odores e menor impacto ambiental.

O sistema também favorece a economia circular, ao permitir a destinação para produção de subprodutos industriais. Na perspectiva da biosseguridade preventiva, tratase de uma ferramenta estratégica de contenção imediata do risco.

Integração com a biosseguridade

A armazenagem deve ser tratada como um ponto crítico de controle dentro de um sistema de biosseguridade baseado em risco, integrando vigilância, monitoramento e tomada de decisão.

Essa tecnologia permite manter os animais mortos sob temperatura controlada, interrompendo a decomposição e reduzindo a carga microbiana. 3 4

Conclusão:

O armazenamento de suínos mortos em câmaras de congelamento é prioritário na biosseguridade por permitir a imediata contenção do risco sanitário, interrompendo a decomposição e prevenindo a disseminação de agentes infecciosos.

Transporte de suínos mortos congelados para processamento: abordagem técnica e sanitária

O transporte de suínos mortos previamente congelados para unidades de processamento constitui etapa crítica dentro da biosseguridade da suinocultura moderna.

Este documento aborda os requisitos técnicos, sanitários e operacionais desse processo, com base na legislação brasileira e na literatura científica, enfatizando a prevenção de riscos e a rastreabilidade.

Condições do transporte

O transporte deve ser realizado em veículos fechados, impermeáveis e de fácil higienização. Preferencialmente, deve-se utilizar veículos com controle de temperatura, mantendo a cadeia do frio sempre que possível.

Cadeia do frio

A manutenção do congelamento durante o transporte é altamente recomendada, pois impede a retomada da decomposição e a multiplicação microbiana. A quebra da cadeia do frio representa risco sanitário significativo.

Biosseguridade operacional

O processo deve seguir fluxo unidirecional, evitando contaminação cruzada. Após cada transporte, os veículos devem ser submetidos à limpeza e desinfecção rigorosa.

Rastreabilidade

Cada carga deve ser identificada, com registro de origem, destino e data. A rastreabilidade é fundamental para auditorias sanitárias e para a gestão de riscos.

Integração com economia circular

As carcaças transportadas são destinadas a unidades de reciclagem licenciadas, onde são transformadas em subprodutos industriais, contribuindo para sustentabilidade e redução de impacto ambiental.

Conclusão

O transporte de suínos mortos congelados deve ser entendido como etapa estratégica da biosseguridade, exigindo controle rigoroso, padronização e integração com todo o sistema produtivo.

Processamento de suínos mortos congelados: abordagem sanitária, tecnológica e de biosseguridade

O processamento de suínos mortos previamente congelados constitui etapa fundamental dentro da cadeia de reciclagem animal, com implicações diretas na biosseguridade, sustentabilidade e economia circular.

Este documento apresenta os princípios técnicos, sanitários e operacionais envolvidos no processamento dessas carcaças, com base na legislação brasileira e literatura científica.

A utilização de câmaras de congelamento nas granjas representa um avanço significativo na gestão de mortalidade.

O processamento subsequente dessas carcaças deve ser conduzido de forma controlada, garantindo a inativação de agentes patogênicos e a produção segura de subprodutos.

Recepção do material

As carcaças congeladas devem ser recebidas em área específica, separada das demais operações. Deve-se verificar a integridade do material, a origem e os registros sanitários, garantindo a rastreabilidade do processo.

Biosseguridade operacional

O processamento deve seguir fluxo unidirecional, com segregação de áreas sujas e limpas. Equipamentos e instalações devem ser higienizados e desinfetados regularmente.

Descongelamento controlado

O descongelamento, quando necessário, deve ocorrer de forma controlada, evitando proliferação microbiana. Procedimentos inadequados nesta etapa podem comprometer todo o sistema sanitário.

Processamento térmico

O tratamento térmico é a etapa central do processamento, sendo responsável pela inativação de agentes patogênicos. Temperatura e tempo devem ser rigorosamente controlados, conforme padrões técnicos estabelecidos.

Transformação em subprodutos

As carcaças são convertidas em subprodutos como farinhas e gorduras, utilizadas na indústria ou na produção de insumos. Esse processo contribui para a economia circular e redução de resíduos.

Controle ambiental

Deve-se garantir o tratamento adequado de efluentes, odores e resíduos, evitando impactos ambientais negativos.

Integração com a biosseguridade da cadeia produtiva

O processamento não deve ser visto isoladamente, mas como parte de um sistema integrado de biosseguridade, contribuindo para a prevenção de doenças e sustentabilidade da produção.

Conclusão

O processamento de suínos mortos congelados representa uma solução moderna, segura e sustentável, alinhada aos princípios da biosseguridade preventiva e da economia circular.

CONCLUSÃO GERAL

A gestão da coleta, transporte e destinação de suínos mortos durante a produção deve ser compreendida como um eixo estratégico da biosseguridade moderna, transcendendo o caráter operacional e assumindo papel central na prevenção de doenças, na sustentabilidade ambiental e na eficiência produtiva

A abordagem integrada dessas etapas, conforme preconizado pela Instrução Normativa nº 48/2019, evidencia que as fases do processo estão interligadas e que falhas em qualquer ponto podem comprometer todo o sistema sanitário.

Assim, a coleta adequada, o transporte seguro e o processamento em unidades licenciadas devem ser conduzidos sob rigor técnico e com base em protocolos padronizados.

A incorporação de tecnologias como o armazenamento em câmaras de congelamento e a adoção de sistemas estruturados de logística representam avanços significativos, permitindo a contenção imediata do risco sanitário, a redução da carga microbiana e a eliminação de fatores de atração de vetores.

Essas práticas, quando bem implementadas, contribuem diretamente para a interrupção de cadeias de transmissão de doenças e para a manutenção do status sanitário das granjas.

Sob a perspectiva da Qualidade Total na Biosseguridade (QTB), a gestão de carcaças deve ser monitorada por meio de indicadores claros e objetivos, tais como tempo de remoção, condições de armazenamento, conformidade no transporte e eficiência do processamento. Esses indicadores permitem a avaliação contínua do sistema e a tomada de decisão baseada em evidências.

Adicionalmente, a destinação adequada das carcaças em unidades de reciclagem animal insere-se no contexto da economia circular, transformando um passivo sanitário em insumos úteis, ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais e agrega valor à cadeia produtiva.

Portanto, a coleta, o transporte e a destinação de suínos mortos devem ser reconhecidos como componentes estruturantes de um sistema de produção sustentável e seguro.

Mais do que cumprir exigências legais, trata-se de consolidar uma cultura de prevenção, na qual cada etapa do processo contribui para a proteção da saúde animal, para a competitividade da suinocultura e para a responsabilidade ambiental.

Essa mudança de paradigma — do manejo corretivo para a prevenção estruturada — representa um dos pilares para o avanço da suinocultura brasileira, alinhando-se às exigências sanitárias contemporâneas e às expectativas de mercados cada vez mais rigorosos.

Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção BAIXAR EM PDF

As referências podem ser consultadas com os autores.

PALATABILIZANTES ALÉM DO DESEMPENHO ZOOTÉCNICO DE LEITÕES: PAPILAS GUSTATIVAS, EXPRESSÃO GÊNICA DE

COTRANSPORTADORES E SAÚDE INTESTINAL

Prof. Dr. Vinicius Ricardo Cambito de Paula Castro Júnior1, Letícia Guizzo

1Professor Doutor – Universidade Estadual de Londrina

2Mestranda – Universidade Federal de Mato Grosso

Atualmente na suinocultura

industrial brasileira os leitões são desmamados em média aos 21 dias de idade, no entanto, as granjas têm até 1 de janeiro de 2045 para adaptarem suas instalações para desmamarem os leitões com média de 24 dias de idade, de acordo com instrução normativa 113 do MAPA publicada em 2020.

de partos por porca ao ano e, consequentemente, maior número de leitões nascidos, o desmame dos leitões nessa faixa de idade ainda é considerado um gargalo na suinocultura moderna, pois são identificados problemas de ordem social, ambiental e nutricional, que impactam a vida do animal ao longo do ciclo produtivo.

No aspecto nutricional, a mudança na forma física da dieta, que geralmente passa a ser seca após o desmame, além de ser rica em ingredientes de origem vegetal, é um dos principais desafios encontrados, pois o estresse e a nova dieta podem provocar perturbações negativas na função da barreira intestinal, atrofia das vilosidades intestinais e aumento dos níveis de fator de liberação de corticotrofina e cortisol séricos.

Tais fenômenos levam a redução na ingestão de ração e na digestibilidade de nutrientes, penalizando o desempenho dos animais

Nesse sentido, estratégias e ferramentas têm sido utilizadas na fase de creche, principalmente na primeira semana pós-desmame, buscando contornar parte desses problemas, como o uso de rações com alta digestibilidade e a adição de aditivos nas dietas, visando torná-las mais atrativas e, consequentemente, promover maior ingestão, amenizando assim o impacto negativo do manejo do desmame.

Dentre os principais aditivos utilizados para essa finalidade, os palatabilizantes são destacados.

De acordo com a instrução normativa 13 do MAPA publicada em 2004, os palatabilizantes são aditivos classificados na categoria de aditivos sensoriais, enquadrando-se aqueles produtos naturais obtidos mediante processos físicos, químicos, enzimáticos ou microbiológicos apropriados, a partir de materiais de origem vegetal ou animal, ou de substâncias definidas quimicamente, cuja adição aos alimentos aumenta sua palatabilidade e aceitabilidade.

Considerando que a maioria dos mamíferos jovens possui preferência inata por alimentos doces, os adoçantes (naturais ou artificiais) são os palatabilizantes mais comuns utilizados em dietas de leitões, como açúcar ou sacarina.

Os adoçantes artificiais, também chamados de edulcorantes, possuem alta capacidade de adoçar, mesmo em pequenas quantidades, tornando-os interessantes substitutos da sacarose (açúcar), uma vez que, dependendo do composto, seu poder edulcorante pode ser superior.

Apesar do emprego de adoçantes nas dietas ser amplamente difundido com objetivo de minimizar a latência para o início de ingestão de ração pelos leitões logo após o desmame,

tornado as dietas mais atrativas e beneficiar o desempenho zootécnico (consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar), estudos indicam que esses aditivos atuam além dos parâmetros macro da produção animal.

Para tal, é preciso compreender que não apenas a densidade energética da dieta determina o consumo de ração dos leitões, outro fator importante é a palatabilidade.

A palatabilidade é o resultado da integração do paladar e de sinais do estado interno do sistema nervoso central, associados com instruções oriundas de experiências anteriores, podendo ser uma resposta mensurável.

A língua e a cavidade oral dos suínos possuem aproximadamente 15 mil papilas gustativas (6 mil a mais que humanos), e nessas estruturas estão localizados os botões gustativos (compostos por 50 a 150 células cada), responsáveis por identificar o sabor.

Sabor, por sua vez, tem como definição biológica as sensações medidas por um sistema especializado anatomicamente e fisiologicamente definido como sistema quimiossensorial gustativo (que vai além das papilas e botões gustativos).

Toda a informação gerada por determinado sabor, provavelmente serve para integrar as respostas cerebrais como saciedade, fome, apetite, visão, olfação, somatossensação, bem como gerar respostas comportamentais ao estímulo a determinados sabores.

Quando processado por completo, a percepção do sabor resulta em diversos aspectos como a qualidade, intensidade, localização, persistência e aspectos hedônicos (prazer ou desagrado) de um alimento.

O valor hedônico de um alimento altamente palatável pode substituir os mecanismos fisiológicos relacionados à homeostase energética.

Nesse contexto, a percepção de sabor de alguns carboidratos na língua é dependente de receptores (famílias tipo 1, membros 2 e 3 - T1R2 e T1R3) que estão acoplados a proteínas G, que por suas vezes respondem as concentrações de glicose e uma série de edulcorantes artificiais, ativando outra proteína G especializada, denominada gustducina, que comunica ao cérebro os sinais químicos gerados por determinados alimentos.

Muito além dos receptores na cavidade oral, estudos indicam a presença desses receptores de sabor doce no intestino delgado, podendo influenciar a liberação de hormônios relacionados a saúde intestinal, bem como modularem a absorção de carboidratos.

Ao serem estimulados, é desencadeado uma série de eventos celulares e neurais que promovem a liberação de determinados hormônios, como o peptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1), peptídeo semelhante a glucagon 2 (GLP-2) e a serotonina.

O GIP-1 atua na liberação de insulina (dependente de glicose), que com estímulos dos receptores do intestino, aumenta a atividade da lipase lipoproteica e lipogênese, juntamente com a insulina no tecido adiposo, além de aumentar a expressão da proteína inibidora de apoptose e inibir a expressão de proteínas pró-apoptose.

Os estímulos nutricionais que afetam a secreção desses hormônios, além de carboidratos, incluem compostos não nutritivos presentes nas dietas, como palatabilizantes.

Por fim, os mecanismos de absorção de monossacarídeos como glicose, galactose e frutose, que são essenciais para o metabolismo energético dos suínos, são mediados por proteínas localizadas na porção apical dos enterócitos, responsáveis por transferir a molécula de carboidrato do lúmen intestinal para o interior da célula.

A proteína co-transportadora de glicose 1 sódio dependente (Na+/glucose cotransporter 1), abreviada como SGLT1, possui papel central nesse processo.

O GLP-1 e GLP-2 são hormônios que suprimem a apoptose celular e proteólise, estimulam a proliferação celular, exercem efeito trófico específico sobre o trato gastrintestinal, promovendo aumento da massa e da espessura da mucosa e melhorando a altura dos vilos.

A regulação da expressão da SGLT1 pode sofrer modulação pelos monossacarídeos presentes no lúmen intestinal, bem como de formas análogas à glicose.

Os sensores presentes nas membranas das células no lúmen do intestino, responsáveis por detectar os compostos carboidratos (T1R2 + T1R3), também são responsáveis por modular a expressão de SGLT1 em função de açúcares da dieta.

Entretanto, estudos demonstraram que palatabilizantes artificiais também podem desempenhar esse papel.

Em um estudo publicado na Inglaterra foi avaliado o efeito da adição de sacarina sódica e neoespiridina sobre a expressão do SGLT1 nas vilosidades intestinais de leitões recémdesmamados, e observou-se aumento de 2 vezes a abundância de RNAm SGLT1, de 1,6 vezes a abundância de proteína SGLT1 e de 1,8 vezes a taxa inicial de transporte de glicose sódio dependente de animais que receberam os palatabilizantes em comparação aos animais que consumiram dietas sem os edulcorantes.

Tais estudos não só elucidam parte de diversos resultados encontrados na literatura sobre melhoria do desempenho de leitões alimentados com dietas contendo palatabilizantes, seja pelo aumento no consumo de ração e no ganho de peso, mas mostram uma nova abordagem a ser explorada na ciência da nutrição animal, direcionando por meio da nutrição de precisão e molecular os caminhos da suinocultura do futuro.

Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

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As referências podem ser consultadas com os autores.

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COMO TRABALHAR UM DOS MAIORES DESAFIOS DAS NOSSAS MATERNIDADES: A MORTALIDADE DE LEITÕES NA LACTAÇÃO

Djane Dallanora

Atualtech Consultoria e Instrutoria

djane@atualtechconsultoria.com

Quando falamos sobre mortalidade de lactação, sempre frisamos que além de exercer impacto sobre o fluxo de suínos no sistema, a perda neonatal de leitões é uma das condições mais dolorosas para as equipes da suinocultura.

Estamos falando da fase onde o suíno tem seu aspecto mais vulnerável pelo seu pequeno tamanho e sua alta dependência do cuidado humano e não tenho dúvidas em afirmar que carregar leitões mortos para o seu destino de descarte é uma das tarefas mais impactante emocionalmente para pessoas comprometidas com o bem-estar animal e a produtividade.

As principais causas de morte registradas nos softwares de dados são o esmagamento, a fome/hipoglicemia/ hipotermia e a diarreia, na maioria das vezes com uma relação muito forte de causa e efeito entre elas.

Como estamos diante de um tema recorrente na rotina das granjas, o meu objetivo com este conteúdo é discutir com você os pontos que não podem ser negligenciados na construção de um plano consistente de redução da morte de leitões na fase de lactação, através de um raciocínio lógico e aplicável.

Da discussão do sentimento à análise dos números

Quando pergunto nas granjas qual seria o número que traria sensação de dever cumprido, é frequente a resposta: “Próximo de 8% me deixaria muito satisfeito e quando passa de 10%, muito preocupado”. Independentemente da escala de produção, buscamos uma mortalidade que não alcance dois dígitos.

Quando aprofundamos um pouco mais a análise, é frequente que 50-60% das perdas aconteça nas primeiras 72h de lactação e, quando há uma distribuição de mortes ao longo de toda a lactação, em geral, há causas sanitárias envolvidas como a diarreia.

Aqui, já podemos deixar nossas primeiras reflexões dentro de um cenário comum:

A mortalidade de lactação é maior que a soma de toda a mortalidade do restante do ciclo do suíno até o abate: até 10% na lactação e aproximadamente 4-5% do desmame ao abate.

A maior parte da morte acontece em um período de 72h após o nascimento, ou seja, temos um período concentrado para agir.

A maior causa de morte de suínos do mundo não é uma doença, é um acidente: o esmagamento. 01 03 02

Foco na solução

Para tornar este texto útil e prático para sua rotina, vamos construir juntos um raciocínio em torno dos dois cenários mais frequentes.

Cenário 1 – mortalidade de leitões nas primeiras 72h de vida sem presença de fatores sanitários

Há algum tempo, fomentamos dentro das granjas a prática de fazer necropsia dos leitões que morrem as primeiras 48h de vida com o objetivo de monitorar o volume de conteúdo estomacal de colostro/leite.

Em geral, este é um bom indicador de qualidade de colostragem e do procedimento de uniformização pósparto. De forma geral, quando há mais de 70% dos leitões mortos com estômago vazio ou com pouco conteúdo, entendemos que há oportunidades nos manejos iniciais.

Ação

Secar imediatamente o leitão com pó secante

Objetivo Minimizar a perda de calor corporal

O estômago vazio é um indicador visual de fome e hipoglicemia, o que faz o leitão permanecer perto da porca nos intervalos entre as mamadas e aumenta o risco de esmagamento.

Desde os primeiros segundos de vida, o cuidado em torno do leitão visa prevenir a perda de calor corporal e a realização da primeira mamada o mais rápido possível. Para isso, a figura apresenta os principais manejos necessários.

Uma sugestão interessante para o momento do parto é utilizar papelão forrando o chão próximo do aparelho mamário e uma fonte de calor, para que o leitão não perca calor corporal para o ambiente e mantenha-se ativo para mamar o colostro (Figura 1 e 2).

Fazer a amarração, corte e antissepsia do umbigo

Prevenir hemorragias e infecções

Marcar por ordem de nascimento e direcionar para a primeira mamada

Diminui o intervalo entre o nascimento e a primeira mamada e uniformiza a ingestão de colostro

1: Foto de câmera térmica mostrando a temperatura do piso abaixo de 20oC

Figura 2: Uso de campânula como fonte de calor e papelão para proteger o leitão do contato com o piso frio e interrompendo o fluxo de ar frio que atravessa o piso vasado

A quantidade de colostro que deve ser ingerida pelos leitões individualmente é de aproximadamente 250 mL para que a função nutricional e imunológica seja alcançada, resultando em maior taxa de sobrevivência e menor ocorrência de doenças.

Quando não há nenhum tipo de intervenção na organização das mamadas, a variabilidade de ingestão pode ser imensa, com alguns trabalhos indicando uma variação de 0 a 800 g entre os leitões da mesma leitegada.

A organização das mamadas através do revezamento de leitões no aparelho mamário durante o parto auxilia principalmente em condições de hiperprolificidade, para que não exista a formação de subgrupos com baixa ingestão de colostro.

Após cumprida essa fase, o procedimento de uniformização (classificação, padronização) dos leitões de acordo com a capacidade de amamentação de cada fêmea é também decisivo para a mortalidade.

Quanto maior o número de nascidos da granja, mais desafiador se torna esse manejo, pois é preciso conciliar a premissa de deixar o máximo de leitões com a mãe biológica e realocar os leitões excedentes nas mães-de-leite.

Para os nascidos com peso menor, é fundamental organizar leitegadas e manejos adequados para sua sobrevivência, o que pode incluir suplementação de colostro via sonda orogástrica.

Figura

A partir deste ponto, uma boa estrutura de escamoteador e a temperatura da sala regulada para o conforto térmico da mãe, fornecimento adequado de água e alimento para alta produção de leite, a maternidade seguirá seu ritmo normalmente.

A figura abaixo (Figura 3) traz um exemplo recente de uma maternidade (granja de 6.500 matrizes) que apresentava um índice de mortalidade de maternidade acima de 10% há alguns meses e, com o retreinamento da equipe nos cuidados citados neste tópico, apresentou uma redução bastante significativa, voltando a ficar dentro da meta estabelecida para o sistema.

Cenário 2 – mortalidade de leitões ao longo de toda a lactação com presença de diarreia.

Quando há diarreia entre as causas relevantes de mortalidade, é preciso revisar fatores mais amplos e buscar apoio diagnóstico laboratorial, com atenção especial a resultados de histopatologia, os quais tendem a ser uma excelente ferramenta para casos entéricos de maternidade.

Porém, independentemente do patógeno que será encontrado, há uma sequência de pontos que precisam ser conferidos a fim de resolver o problema em sua causa raiz. É importante mapear exatamente o momento do início da refugagem que está ligada à mortalidade para investigar suas causas Um quadro comum nas granjas é a refugagem que acontece já nos dias que seguem ao parto, devido a presença de diarreia neonatal. Então, será necessário investigar com mais profundidade os tópicos descritos no quadro abaixo.

Mesmo com uma equipe experiente, a discussão dos dados, revisão dos principais manejos e a elaboração conjunta de um plano de ação mostram-se como ferramentas essenciais para retomar o desempenho.

Figura 3: Evolução do índice de mortalidade em períodos diferentes

Tópico

Procedimentos a serem investigados em caso de mortalidade e refugagem associadas à diarreia neonatal.

Vacinação das matrizes

Lavagem e desinfecção das salas de maternidade

Limpeza no pré-parto

Atendimento ao neonato e mamada de colostro

O que buscar

Avaliar a qualidade do armazenamento, procedimento de aplicação (volume, local de aplicação, refluxo) e a data correta;

Uso de detergentes com pistola formadora de espuma, bombas de alta pressão com bico turbo, lavagem de alta qualidade para redução efetiva da contaminação entre os lotes;

Manter a qualidade da limpeza a seco após a entrada do novo lote na maternidade, lavagem do posterior da gaiola nos primeiros sinais de início do parto (quando o piso for vasado), evitar ao máximo o contato do recém-nascido com as fezes da mãe;

Seguindo os passos do cenário 1 descrito acima

É fundamental incluir na rotina dos líderes de maternidade a revisão da qualidade da lavagem/desinfecção, auditando desde as especificações dos equipamentos utilizados, passando pela qualidade do processo e, quando não houver conformidade, refazendo os procedimentos (Figura 4 e 5).

Figura 4: Auditar a qualidade da lavagem das instalações e refazer o procedimento quando necessário

Ficura 5: Limpeza no pré-parto – evitar o contato dos leitões neonatos com as fezes da mãe

Algumas vezes, a refugagem pode acontecer a partir do 4º e 5º dia de lactação, com o desenvolvimento abaixo do esperado de alguns leitões por leitegada.

Então, a oportunidade pode estar no manejo de classificação pós-parto, sendo a falha mais comum a superestimação da capacidade de amamentação das

Nesse caso, é importante reavaliar quantos leitões efetivamente podem ser deixados ao pé em cada fêmea (Figuras 6, 7e 8).

Figura 6: Qualidade de aparelho mamário no pré-parto é um indicador de como a lactação transcorrerá – leite em abundância é fundamental para bom resultado de maternidade

Figura 7: A maior parte dos leitões retirados de suas leitegadas para formação de mãe-de-leite de recuperação tem marcas de briga durante as mamadas – avaliar a lotação de aparelho mamário na uniformização

Figura 8: Refugagem de leitões ao longo da lactação pode ser resultado de secagem pontual de tetas

Outro fator importante que pode desencadear o aparecimento de diarreia e refugagem ao longo de toda a lactação são as alterações da produção de leite das matrizes.

Maternidades que enfrentam disgalactia precisam inicialmente entender as causas deste problema nas mães, para depois enfrentar as consequências dos filhos. O consumo de leite abaixo do esperado gera subnutrição e estresse, prejudicando a nutrição dos enterócitos e disbiose, o que resulta em patologia entérica.

Infecções uterinas puerperais, fêmeas com escore corporal elevado, protocolos inadequados de alimentação pós-parto causando mastites, consumo de ração abaixo do recomendado por falta de estímulo adequado, problemas no fornecimento de água em quantidade e qualidade são pontos importantes de inspeção, pois são as causas frequentes de disgalactia.

Além de corrigir tudo o que estiver relacionado aos tópicos do quadro acima, a implantação de medicação injetável individual eficiente e terapia de suporte aos leitões acometidos auxiliará na redução das perdas. Porém, para resultados duradouros, as medidas não podem estar ligadas somente ao uso de antimicrobianos.

E no final, é importante voltar a acreditar!

Um dos grandes desafios da alta mortalidade de lactação é a cronificação do problema e o sentimento de indolência que é gerado nas pessoas.

Quando as análises de causas-raiz são superficiais e as medidas tomadas não são abrangentes o suficiente para solucionar o problema no curto prazo, o peso emocional da necessidade de alta medicação, o aspecto da caquexia dos leitões e a mortalidade alta fazem com que as pessoas envolvidas percam a esperança na solução e se acostumem com a situação.

O envolvimento da equipe no plano de solução e a contrapartida da granja em garantir as ferramentas necessárias para implantar a estratégia escolhida são fundamentais e o resultado positivo aparecerá.

Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação BAIXAR EM PDF

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