# abr-mai-jun/2026

NO STF, MINISTRO AGE: MENOS HOLOFOTE, MAIS PROCESSO
OS SETENTA ANOS DE GRANDE SERTÃO VEREDAS Travessia
MARIA BRAZ
A INFLUENCER DITA O NOVO STATUS DO DIGITAL
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# abr-mai-jun/2026

NO STF, MINISTRO AGE: MENOS HOLOFOTE, MAIS PROCESSO
OS SETENTA ANOS DE GRANDE SERTÃO VEREDAS Travessia
A INFLUENCER DITA O NOVO STATUS DO DIGITAL
À FRENTE DA
FECOMÉRCIO-DF, JOSÉ
APARECIDO FREIRE
INTEGRA SETOR
PRODUTIVO, UNIFICA
SINDICATOS E PREPARA LEGADO PARA COMÉRCIO NO DF




Antes do Plano Piloto, da arquitetura icônica, antes mesmo das pessoas, já existia uma essência neste lugar. Uma presença que você sente, mas não consegue descrever. Na arquitetura esta presença é conhecida como Genius Loci: o espírito do lugar. Foi neste conceito que a Base encontrou inspiração para uma nova categoria de empreendimentos.
Base Genius Loci.
Nova categoria de empreendimento da Base que tem Brasília como inspiração.
Saiba mais em:
basegeniusloci.com.br




Um novo ícone nasce na Quadra 500 do Sudoeste.
O primeiro lançamento da coleção Base Genius Loci surge como uma reverência ao espírito de Brasília: livre, audacioso e monumental. Aqui, o verde deixa de ser paisagem e passa a fazer parte da arquitetura, ocupando a fachada e florescendo em cada janela.

Apartamentos com 4 suítes de 190 m² a 200 m² | Duplex de 329 m² a 331 m² | Penthouses de 492 m² a 637 m²





No coração do cerrado pulsa Brasília.
Vida que pulsa no verde, no céu, nas asas e eixos e na terra vermelha que esculpe a cidade em cores vibrantes.
No coração da cidade pulsa Brasília.
O lugar do sonho, o espaço da descoberta, a quadra do encontro onde florescem belas histórias.



Pão Dourado

Dona Mercado


Casa Park
Carrefour
Decatlhon
Bluefit
Volkswagem/Fiat/BYD
Jeep/Ford
Assaí Atacadista
Leroy Merlin Metrô ParkShopping
O Grupo Attos nasceu há mais de 40 anos e se tornou um dos principais players do mercado imobiliário do DF. É composto por cinco empresas, incluindo a Condor, uma das maiores atacadistas de materiais de construção do Brasil, e atua em todas as etapas da incorporação. Reconhecido com o Prêmio Master Imobiliário, o grupo transforma as regiões em que atua, com foco em exclusividade, lazer e estilo de vida.
Em mais de uma década de atuação, a Tecna se consolidou como uma das mais conceituadas construtoras de Brasília, erguendo empreendimentos que se tornaram ícones. O Casa Nor, no Setor Noroeste, recebeu o Selo Somos Cidade, reconhecendo seu altíssimo padrão arquitetônico e construtivo. Com atuação em empreendimentos residenciais e comerciais, bem como na construção de residências Triple A e obras institucionais, a Tecna entrega qualidade e excelência.
Diretora de Conteúdo Paula Santana
Editora-chefe Marcella Oliveira
Diretora de Criação Chica Magalhães
Editor de Fotografia Celso Junior
Fotografia Rayra Paiva e Vanessa Castro
Produção Executiva Karine Moreira Lima
Pesquisa de Imagens Enaile Nunes
Reportagem Beatriz Lima Leal, Bruna Nardelli, Caroline Vilhena, Eric Zambon, Giovanna Pereira, Hédio Ferreira Júnior, Larissa Duarte e Victor Fuzeira
Colaboradores Adriana Nasser, Isadora Campos, Maurício Lima e Patrícia Justino
Revisão Jorge Avelino de Souza
Diretor Executivo Rafael Badra
Head Comercial Will Madson
Contato Publicitário José Roberto Silva
Tiragem 30 mil exemplares
Circulação e Distribuição EDPRESS Transporte e Logística
GPS|Brasília Editora LTDA. www.gpsbrasilia.com.br
Sócios-diretores
Rafael Badra e Paula Santana
Brasília Shopping – Torre Sul, sala 816
SCN quadra 5, bloco A – Asa Norte
CEP: 70.715-900 – Brasília-DF
Tel.: (61) 3364-4512
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Nas páginas a seguir, a engenharia do desenvolvimento local também ganha protagonismo. O balanço da gestão de José Aparecido Freire à frente do Sistema Fecomércio-DF revela uma agenda voltada à descentralização econômica, à integração das regiões administrativas e ao fortalecimento institucional do setor produtivo. Planejamento como ferramenta concreta de transformação.
Não é simples nascer da exatidão de um traço. Brasília foi concebida para antecipar o futuro. Há algo profundamente simbólico em uma cidade que encontra beleza no concreto vazado de um cobogó – esse elemento arquitetônico por onde a luz atravessa o tempo e o vento. Talvez venha justamente dessa tensão entre rigidez e respiro a identidade singular da capital.
Brasília amadureceu. E, ao amadurecer, compreendeu que modernidade não existe sem memória. Nesta edição, a herança documental do pioneiro Salviano Guimarães a permanência literária dos setenta anos de Grande Sertão: Veredas, obra que segue atravessando gerações e ampliando as fronteiras da língua portuguesa. Não por acaso, um dos grandes nomes da literatura contemporânea, Leonencio Nossa, entrevistado que escolheu Brasília como lugar de permanência e observação do País.
Na esfera pública, a edição percorre personagens que ajudam a compreender o momento político e institucional brasileiro. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin consolida atuação marcada pelo rigor técnico, pela discrição e pelo respeito ao rito em tempos de excesso, velocidade e ruído. No Distrito Federal, a governadora Celina Leão reafirma um perfil pragmático de gestão, baseado na capacidade de articulação e execução administrativa.
O pragmatismo também atravessa outros territórios contemporâneos. No esporte, Carlo Ancelotti assume o desafio de reorganizar tecnicamente a seleção brasileira sob a pressão imediata por resultados. Já no universo digital, Maria Braz simboliza a nova etapa do mercado de influência, em que imagem pessoal e repertório deixaram de ser atributos espontâneos para se tornarem construções cada vez mais estratégicas.
Essa mesma percepção de valor conduz nossa curadoria em arte, moda, arquitetura e design. Entre os movimentos observados, esta edição investiga aquilo que permanece. De Oscar Niemeyer a Antoni Gaudí, revisitamos criadores que compreenderam, cada um à sua maneira, que estética é linguagem de poder, patrimônio e permanência cultural. É desse encontro entre memória e vanguarda que nasce esta edição.
Paula Santana e Rafael Badra



















Luz, vento e memória
Cobogós transformam concreto em poesia visual
Fachin, o ministro de seu próprio tempo
Método e discrição no comando do STF
A magistrada de um novo ciclo
Maria do Carmo Cardoso assume a presidência do TRF1
A gestão da leoa
A era de Celina Leão no GDF
Um chá com Niemeyer
O arquiteto reaparece em bronze na capital
Ser plateia e personagem da saga Brasília
Visita teatralizada ressignifica o Congresso Nacional

43
O guardião da memória
O pioneiro Salviano Guimarães e a história viva da capital
Assinado, Brasília
Coletivo editorial Maria Cobogó fortalece a literatura local
Ao maior campeão, o maior desafio
Carlo Ancelotti tenta reconstruir a relação da seleção brasileira com a torcida 54 O peso leve das conquistas
A história do diplomata Douglas Almeida
os verdadeiros influencers
pousos e permanências
feminino em escala
Maria por todas
para o amanhã
O orgânico e o urbano
o olhar
história que acompanha a cidade
Quando a rotina pesa na coluna

80 82 84 94 98
100
A nova era do rejuvenescimento
Rodrigo Bastos e o lifting facial com naturalidade
A construção da medicina estética
Mariana Ribeiro leva técnica
brasileira a Mônaco
O futuro se constrói
José Aparecido Freire à frente da Fecomércio-DF
A estética sertaneja da realidade
Os 70 anos do ainda atual
Grande Sertão: Veredas
Rastreador de veredas
Leonencio Nossa lança biografia de Guimarães Rosa
Modernismo
restaurado e habitado
O imóvel projetado por Oscar Niemeyer integra a imobiliária Casa Moncaio
102
A casa que é uma praça
Residência de Tomie Ohtake é aberta ao público em SP
106 Antistatusquo
Casa Bola segue como manifesto arquitetônico
108 Um ecossistema vivo
SP-Arte amplia conexões no mercado global
110
Arte por Maurício Lima
Artista Rafaela Saraiva explora o corpo em movimento
112
O fenômeno do marketing de influência
Maria Braz transforma presença em estratégia
116
Coolness : do ter para o saber
Mata Lab redesenha a experiência do consumo
118 Entre nós por Patrícia Justino
120 Ícones por Isadora Campos
134 A obra que atravessou o tempo
136 Explora por Marcella Oliveira
138 A guarda da memória
140 Dicas da Dri por Adriana Nasser
142 Social

SÍMBOLO SILENCIOSO DA ARQUITETURA BRASILEIRA, OS COBOGÓS
ATRAVESSARAM DÉCADAS, TRANSFORMANDO CONCRETO EM POESIA
VISUAL. ENTRE SOMBRAS, BRISA E DESENHOS GEOMÉTRICOS, SEGUEM FAZENDO DE BRASÍLIA UMA CIDADE ONDE ATÉ O VAZIO TEM BELEZA
Por Marcella Oliveira
Fotos Celso Junior
Há algo quase cinematográfico em caminhar diante de uma parede de cobogós num fim de tarde brasiliense. O sol do Cerrado entra pelos pequenos vazados geométricos, desenhando círculos, linhas e sombras móveis pelo chão. O vento passa livremente enquanto as árvores do lado de fora balançam devagar. Tudo parece mais leve. Mais silencioso. Como se a arquitetura respirasse junto com a cidade.
Brasília tem essas delicadezas silenciosas. Enquanto a cidade cresce entre vidro, concreto e pressa, os cobogós continuam ali, observando décadas inteiras passarem por suas aberturas. Estão em primeiros prédios construídos na cidade, em pilotis, em escolas, em corredores compridos, onde ainda mora uma certa ideia de infância. Uma arquitetura que não queria apenas impressionar. Queria respirar.
O nome nasceu longe daqui, em Recife, no fim da década de 1920, da união dos sobrenomes dos três engenheiros que o idealizaram, Coimbra, Boeckmann e Góis. Juntos tiveram a ideia simples de criar algo que permitisse a ventilação natural e a entrada de luz sem comprometer a privacidade dos ambientes. Mas algumas coisas escapam da função.
E foi exatamente isso que aconteceu: Brasília transformou o cobogó em sentimento.
Nas mãos de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, o elemento vazado deixou de ser apenas solução climática. Virou linguagem visual da cidade, como uma renda modernista feita em concreto. Suaviza o calor duro do planalto, protege da luz intensa e permite que os apartamentos continuem conversando com a rua, com o céu, com o vento. É parede, mas também passagem.
Talvez por isso exista algo tão humano nos cobogós. Eles nunca fecham completamente o mundo. Sempre deixam alguma coisa passar. A claridade da manhã. O vento frio das noites de julho. O barulho distante das árvores balançando nas quadras. As vozes, memórias, silêncios. Há quem já nem perceba mais um dos maiores símbolos da arquitetura brasileira. Mas há quem se encante com a dança das sombras no chão como quem assiste a um ritual antigo.
Existe também uma beleza profunda em sua imperfeição artesanal. Embora muitos associem os cobogós diretamente ao modernismo brasileiro, sua essência dialoga com heranças muito mais antigas, como os muxarabis árabes, criados para permitir circulação de ar e preservar a intimidade dos ambientes. No Brasil, porém, o elemento ganhou outra alma. Tornou-se tropical. Solar. Afetivo.









Com o tempo, deixou de ocupar apenas áreas funcionais e passou a integrar projetos contemporâneos de interiores, restaurantes, hotéis e casas. Surgiu em versões coloridas, cerâmicas, escultóricas e reinterpretadas como objeto de arte. Ainda assim, nenhuma dessas versões parece carregar a mesma emoção dos cobogós antigos das superquadras brasilienses.
Talvez porque aqueles guardem vidas inteiras. Guardem tardes secas de agosto quando tudo ainda era barro vermelho. Crianças correndo pelos pilotis. Roupas balançando ao vento. Das janelas abertas antes do ar-condicionado dominar os apartamentos. Das conversas atravessando corredores iluminados por pequenos círculos de sol. Guardem o tempo em que a cidade ainda acreditava que modernidade também podia significar delicadeza.
Hoje, em meio às fachadas espelhadas e aos apartamentos fechados, os cobogós permanecem como pequenos atos de resistência poética. Lembram que a arquitetura não precisa apenas proteger, ela pode emocionar. E que a beleza, às vezes, mora justamente nos vazios.


Por Hédio Ferreira Junior
No estacionamento de um shopping de Brasília, entre SUVs blindados e sedãs importados, um fusca claro de 1973, com placa preta de colecionador, passa quase despercebido. A relíquia atende por um nome pouco modesto: Juscelino. Não é um capricho nostálgico.
É o único carro de um casal que ocupa o topo do Judiciário brasileiro. “Normalmente a gente vai ao cinema com ele”, revela Luiz Edson Fachin, com a naturalidade de quem descreve um hábito trivial. Até seria, não fosse ele o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao lado, a mulher Rosana Girardi Fachin completa, no mesmo tom: “Passam bons filmes ali”. Os dois dividem o fusca, a agenda e quase cinco décadas de parceria e casamento –
OBSESSÃO SILENCIOSA POR CADA UM DOS SEUS 730 DIAS DE MANDATO
que completarão 50 anos em 2027 –, relação que começou ainda como colegas do ensino médio e se formalizou já nos tempos de faculdade.
A cena – o presidente da Suprema Corte brasileira e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indo ao cinema de fusca – ajuda a entender o personagem. Fachin não performa simplicidade; ele a pratica. E faz disso um método.
A GPS|Brasília conversou com o próprio ministro no Palácio do STF e com pessoas que convivem com ele no tribunal. O retrato que emerge é o de um homem difícil de encaixar em estereótipos fáceis. “Humano e estratégico”, resume um interlocutor. “Até para dar bronca ele é gentil”, ironiza outro. Ou mesmo como um “erro do sistema”, por ser alguém que chegou ao STF com força própria, indicado em um momento político adverso e aprovado sem se tornar mais uma derrota da presidente no Congresso Nacional em vias de ser impichada.
Indicado ao Supremo em 2015 por Dilma Rousseff, em meio a uma crise política, Fachin chegou à Corte com densidade acadêmica e independência suficientes para não depender de padrinhos.
Professor titular da Universidade Federal do Paraná, advogado, procurador do Estado, construiu uma carreira no Direito. Fala quatro idiomas, torce para o Coritiba e cultiva hábitos que destoam do ambiente em que circula.
De voz baixa e sorriso pronto, tem o hábito de escapar de perguntas com elegância – nunca com confronto direto. “É um homem de várias personas”, avalia um assessor. A que mais aparece, porém, é a do ministro “low profile”, numa linhagem que lembra a ministra aposentada Rosa Weber, com quem, na Corte, ele tinha uma interlocução intensa: avesso a holofotes, disciplinado, quase obsessivo com o método.
Essa obsessão aparece no coração da sua gestão.

A presidência do Supremo, com um mandato de cerca de 730 dias, começou a ser desenhada por ele e sua equipe 19 meses antes de assumi-la. Em fevereiro de 2023, quando nem era vice do futuro presidente Luís Roberto Barroso – que tomaria posse no final de setembro –, Fachin já participava da primeira reunião estratégica sobre o período em que começaria a comandar o STF, em 29 de setembro de 2025.
Desde então, cada um desses dias, úteis ou não, ganhou um roteiro: objetivo geral, metas específicas, entregas esperadas. Não há improviso. Nem ingenuidade. “A República não anda aos sustos”, resume um interlocutor do tribunal. O contraste entre o planejamento milimétrico e a rotina despretensiosa é parte do enigma.
No subsolo do Supremo, perto da garagem, fica o restaurante que ele batizou de “Le Garage” – assim mesmo, com sotaque francês e tudo. Fachin almoça ali com frequência, na fila do self-service, prato na mão e balança no final. Rosana, desembargadora aposentada em 2022 do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e que, segundo o marido, “é ótima” na cozinha, o acompanha no almoço e em atividades “pro bono” da presidência, no gabinete do terceiro andar do Palácio do STF. “Comer aqui é mais prático. E a comida é boa”. O casal mora em um apartamento do Plano Piloto de Brasília.
O apelido do restaurante ganhou força após o casal dar de cara com um homônimo do outro lado do Atlântico. Em 2016, durante uma viagem de trem da Alemanha à Holanda, eles encontraram um bistrô chamado Le Garage em Amsterdã. “Falei: ‘Rosana, olha a filial da matriz do Supremo’”, lembra ele, brincando. “Mas confesso: o daqui é muito melhor”, emenda, com um sorriso de quem faz uma confidência.
É nesse ambiente – longe do protocolo dos salões oficiais – que Fachin reforça uma das marcas mais citadas por quem trabalha com ele: a atenção às pessoas. Ele sabe de cor o nome dos quase sessenta servidores do gabinete. Pergunta pelos filhos, lembra dos cônjuges. Durante a pandemia, parou para conversar com terceirizados que trabalhavam num corredor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por ele entre fevereiro e agosto de 2022. Em outra ocasião, mandou uma assessora saber porque uma colaboradora da segurança estava chorando, discreta em seu posto de trabalho.
Essa dimensão humana convive com decisões duras. Foi Fachin quem, após as eleições de 2022, insistiu para que o reconhecimento do resultado ocorresse dentro do Supremo. “Ele vai reconhecer essa eleição hoje… ele que tem que vir aqui”, teria dito, segundo relatos, à então presidente Rosa Weber sobre Jair Bolsonaro (PL). E foi. Também atuou nos bastidores para reorganizar processos sensíveis e interveio em disputas internas – como no episódio em que Dias Toffoli abriu mão da relatoria do caso Master, depois de muita resistência e pressão da opinião pública.






Nada disso altera seu estilo. Ele não acelera para atender ao ciclo da notícia. Trabalha no próprio ritmo. “Fachin faz o próprio tempo. E não é por fraqueza, mas por excesso de coragem”, define um aliado.
A coragem, hoje, é testada dentro de casa. O Supremo vive uma divisão informal. De um lado, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Toffoli. De outro, Fachin e Cármen Lúcia, escolhida por ele para relatar um projeto espinhoso: o código de conduta da Corte. A proposta tenta estabelecer regras claras de comportamento para os ministros, algo inédito por ali. E, previsivelmente, enfrenta resistência. Fachin não transforma isso em espetáculo. Não dramatiza. Nem recua.
Ao seu lado, Rosana funciona como uma espécie de eixo silencioso. Após 18 anos no TJPR, a doutora em Direito Civil é descrita como discreta e firme. “Uma mulher do poder”, resume quem convive com ele. Não participa formalmente das decisões, mas mantém interlocução constante. “Colaboro naquilo que é importante e para o que sou chamada”, diz à GPS|Brasília
Eles têm duas filhas – Camila e Melina – e três netos: Bernardo, Flor e Bela. A maior saudade, admitem, é deles. “Têm escolinha, têm suas vidas”, diz Fachin. “É difícil virem com frequência até aqui”.
O lazer, em Brasília, é mínimo. “Nada. Nada mais”, responde o ministro, seco, ao ser questionado sobre diversão. Às vezes, o cinema. Sem convescotes ou jantares regados a uísque e charutos, comuns no meio. De vez em quando, o passeio de fusca. Viajar apenas em voos comerciais, apesar de ter FAB à disposição – o que deixa a segurança doida.
Há sinais, discretos, como tudo nele, de que enxerga o tempo no Supremo como finito. Doze anos, diz a interlocutores, seria o limite ideal. Mas nada ainda está definido. Até lá, segue cumprindo o plano traçado anos atrás. Dia por dia. Meta por meta. No fim da sessão de cinema, o fusca Juscelino deixa o estacionamento do shopping e se mistura ao trânsito de uma cidade que acaba de completar 66 anos. Dentro dele, há um presidente do Supremo Tribunal Federal que prefere não correr. Porque, no tempo de Fachin, a pressa nunca foi sinônimo de força. Nem de poder.

Por Rafael Badra
Com jurisdição sobre 13 estados e o Distrito Federal, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região carrega não apenas o peso de uma das maiores estruturas do Judiciário brasileiro, mas também o desafio permanente de tornar a Justiça mais eficiente em um país marcado por desigualdades regionais e demandas crescentes. É diante desse cenário que a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso assume a presidência da Corte e torna-se a segunda mulher a ocupar o cargo na história do TRF1.
A magistrada inicia um novo ciclo à frente da instituição combinando experiência, sensibilidade e uma visão de gestão pautada pela eficiência e pela proximidade com a realidade social. Em um ambiente ainda predominantemente masculino, sua chegada à presidência também representa um avanço simbólico na ampliação da presença feminina nos espaços de liderança do Judiciário.
Filha de imigrantes europeus, Maria do Carmo nasceu em Londrina, no Paraná, e construiu em Brasília a trajetória que a levaria a um dos postos mais importantes do Judiciário brasileiro. Iniciou a carreira como advogada militante antes de ingressar na magistratura. Ao longo das décadas,

SEGUNDA MULHER A ASSUMIR A PRESIDÊNCIA DO MAIOR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DO PAÍS, MARIA
DO CARMO CARDOSO DEFENDE UM JUDICIÁRIO MAIS EFICIENTE, TECNOLÓGICO E HUMANO. À FRENTE
DO TRF1, A DESEMBARGADORA INICIA UMA GESTÃO MARCADA PELA APROXIMAÇÃO COM A SOCIEDADE
acumulou experiências em áreas estratégicas do Direito, participou de episódios marcantes da vida política nacional e também atuou na formação de novas gerações de profissionais como professora universitária.
Em entrevista à revista GPS|Brasília, a desembargadora fala sobre os desafios da nova gestão, a necessidade de atualização tecnológica do tribunal, o fortalecimento da primeira instância e a importância de um Judiciário mais transparente, acessível e conectado às demandas da sociedade.
Sua atuação na Corregedoria foi marcada por visitas a todas as seções judiciárias da Primeira Região. Qual a importância dessa experiência para a presidência?
Foi fundamental. Estar presente em todas as unidades, inclusive nas mais distantes, permitiu

compreender a realidade da base do Judiciário. Muitas dessas varas nunca haviam recebido um desembargador. Isso fortalece os magistrados e servidores, além de trazer um olhar mais realista para a gestão. Conhecer a base é essencial para qualquer presidente.
A primeira instância será uma das prioridades da sua gestão?
Sem dúvida. A primeira instância é a essência do tribunal. O TRF1 não é apenas a segunda instância, ele é um sistema integrado. Precisamos valorizar magistrados, servidores e, sobretudo, a atividade-fim. Os projetos que estamos estruturando passam por esse fortalecimento.
Quais são os principais eixos de modernização previstos?
A tecnologia é central. Precisamos revisar e atualizar nossos sistemas, como o PJe e o Sireia (Sistema de Requisição de Pagamento Ágil), que é um projeto desenvolvido pelo próprio tribunal. A ideia é ampliar sua capacidade para dar mais agilidade aos processos, especialmente no pagamento de precatórios e RPVs, que ainda enfrentam entraves operacionais. O cidadão precisa receber seu direito com celeridade.
Sua atuação envolve tanto fiscalização prisional quanto justiça restaurativa. Como essas experiências dialogam?
A justiça precisa ser mais do que punitiva ela deve ser transformadora. A justiça restaurativa
busca justamente isso: conscientizar, reeducar e evitar a reincidência. Nem sempre encarcerar é a solução. Muitas vezes, o problema passa pela falta de educação e oportunidade. Investir na base é o caminho mais eficaz para reduzir a criminalidade.
A senhora também teve forte atuação na conciliação. Como isso impacta sua visão de justiça?
Eu sempre digo que precisamos buscar a “justiça justa”. A lei, por si só, nem sempre é suficiente. É preciso humanizar as decisões. Na conciliação, conseguimos ampliar o alcance do Judiciário e resolver conflitos de forma mais sensível. Um exemplo marcante foi o projeto na Serra da Canastra, onde conseguimos preservar o sustento de mais de 1.200 famílias. Isso é justiça com impacto real.
O Judiciário precisa de um olhar mais humanizado?
Precisa, e muito. O juiz não pode se limitar à letra fria da lei. É necessário considerar as consequências das decisões. Muitas vezes, uma prisão afeta toda uma família. É preciso avaliar alternativas e agir com responsabilidade social.
Como a comunicação institucional pode aproximar o tribunal da sociedade?
A transparência é essencial, mas vai além disso. É preciso mostrar ao cidadão que o tribunal existe e trabalha por ele. O TRF1 tem uma atuação enorme, em áreas como meio ambiente, tributário e criminal. Precisamos dar visibilidade a isso, especialmente considerando que atendemos mais de 70% do território nacional .
De que forma sua trajetória contribui para a presidência?
Cada experiência ao longo da minha carreira é como um retalho que compõe uma colcha. A Corregedoria, por exemplo, ampliou minha visão sobre o tribunal como um todo. Essa soma de vivências será essencial para a gestão.
O que podemos esperar da sua gestão nos próximos dois anos?
Inovação, trabalho e compromisso. Quero fortalecer o tribunal, ampliar seu reconhecimento e entregar resultados concretos. O desafio é grande, o tempo é curto, mas a vontade de fazer é ainda maior. Ao final, espero olhar para trás e dizer que conseguimos avançar.

CELINA LEÃO OCUPA DEFINITIVAMENTE O PALÁCIO DO BURITI E APOSTA EM CORTE DE GASTOS, REORGANIZAÇÃO
ADMINISTRATIVA E FORTALECIMENTO DA SAÚDE PÚBLICA
o assumir definitivamente o comando do Governo do Distrito Federal, em 30 de março de 2026, a governadora Celina Leão (PP) encontrou um delicado cenário político e financeiro. A renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado antecipou uma transição que já vinha sendo desenhada nos bastidores do Palácio do Buriti. Mas a nova chefe do Executivo decidiu mostrar que sua gestão teria identidade própria.


A posse ocorreu na Câmara Legislativa do Distrito Federal, diante de um plenário lotado, em meio a forte carga simbólica. Segunda mulher a ocupar o cargo de governadora do DF, Celina discursou com emoção, evocando sua trajetória política e reforçando a ideia de continuidade administrativa com “olhar técnico e responsabilidade fiscal”.
Os primeiros dias de governo revelaram que a gestão enfrentaria desafios muito maiores do que apenas a sucessão política. A crise envolvendo o BRB, as contas públicas e a pressão sobre áreas essenciais, especialmente a saúde e a educação, passaram a dominar a agenda do Buriti.
Uma das primeiras medidas anunciadas pela governadora teve forte impacto político e simbólico: o cancelamento das festividades oficiais do aniversário de Brasília. Os aproximadamente R$ 25 milhões previstos para os eventos foram redirecionados para a área da saúde, numa tentativa de transmitir à população uma imagem de austeridade administrativa e compromisso social.



A decisão dividiu opiniões. Enquanto aliados elogiaram o gesto de responsabilidade fiscal, setores ligados à cultura e ao entretenimento criticaram o cancelamento dos eventos, tradicionalmente importantes para movimentar a economia local.
Assim, a saúde pública tornou-se rapidamente a principal vitrine da nova administração. Em maio, Celina anunciou a contratação de 164 médicos para a rede pública do DF, incluindo profissionais para medicina da família e psiquiatras. A medida buscou responder ao aumento da demanda nas unidades básicas e à pressão sobre hospitais, UPAs e UBSs. O anúncio foi acompanhado de um discurso de fortalecimento da atenção primária e reorganização da rede pública.

Paralelamente, a governadora iniciou uma ampla política de contenção de despesas. O Decreto nº 48.509/2026 determinou a revisão geral dos contratos administrativos do governo e estabeleceu metas de redução de até 25% em despesas consideradas não essenciais. A medida atingiu contratos de aluguel, terceirização, informática, eventos e patrocínios, preservando áreas consideradas estratégicas, como saúde, segurança e assistência social.
O pacote também suspendeu reajustes e restringiu a expansão de despesas com pessoal, em uma tentativa de enfrentar o déficit identificado pela nova equipe econômica, agora comandada por um nome já conhecido, o de Valdivino de Oliveira. Nos bastidores, integrantes do governo admitem que a crise financeira do DF se agravou diante das turbulências envolvendo o BRB e do ambiente econômico nacional como um todo.
A relação do governo local com o banco estatal passou, inclusive, a ocupar papel central na administração de Celina Leão. Em abril, a governadora buscou apoio do Ministério da Fazenda para discutir alternativas que garantissem estabilidade financeira ao BRB, após o adiamento da divulgação

do balanço da instituição. A interlocução com o ministro Dario Durigan marcou uma aproximação pragmática com o governo federal em meio à crise.
Ao mesmo tempo, Celina começou a promover mudanças no secretariado e reforçar o perfil técnico da administração. Durante participação no Brasília Summit, organizado pelo Lide Brasil, a governadora afirmou que pretendia montar uma equipe baseada em experiência de gestão e em capacidade de execução. Também reforçou mecanismos de monitoramento interno e modernização administrativa, utilizando plataformas integradas de acompanhamento de metas governamentais.
A governadora também buscou reforçar pautas ligadas ao empreendedorismo feminino logo nos primeiros meses de gestão. Entre as medidas de maior repercussão esteve a sanção da lei que amplia incentivos e políticas de apoio para mulheres empreendedoras no Distrito Federal, facilitando o acesso a linhas de crédito, capacitação profissional e programas de estímulo a pequenos negócios liderados por mulheres.
A iniciativa foi apresentada pelo governo como uma ferramenta de fortalecimento da autonomia financeira feminina e de incentivo à geração de emprego e renda, especialmente nas regiões administrativas mais populosas do DF.
Nos corredores do Buriti, auxiliares descrevem uma governadora detalhista. A reorganização física do gabinete principal acabou se tornando metáfora da transição política cuidadosamente conduzida no núcleo do poder local. Durante dias, Celina continuou despachando da Vice-Governadoria enquanto o gabinete era reorganizado.
Embora tenha mantido boa parte da estrutura política herdada de Ibaneis, Celina tenta consolidar uma imagem própria para a disputa eleitoral de 2026. Aliados avaliam que ela busca equilibrar continuidade administrativa com sinais claros de independência política e rigor fiscal.
O cenário, porém, tem suas tensões. Debates envolvendo a gestão do BRB e insatisfação de setores do funcionalismo mostram que a governadora ainda enfrenta resistências. Nas redes sociais e fóruns locais, apoiadores exaltam medidas de austeridade e reforço à saúde, enquanto críticos questionam motivações eleitorais e cobram mudanças estruturais mais profundas.


Há pouco mais de cinco meses das eleições, Celina Leão governa sob pressão, mas com a vantagem de ocupar a cadeira mais poderosa da política brasiliense. E sabe que cada decisão tomada agora poderá definir não apenas o desfecho de sua gestão, mas também o futuro político do grupo que domina o Distrito Federal desde as eleições de 2018.
EM MEIO AO CENÁRIO QUE ELE
PRÓPRIO DESENHOU, O ARQUITETO
REAPARECE EM BRONZE, EM ESCALA
HUMANA, CONVIDANDO VISITANTES
A SENTAR, OBSERVAR E DIVIDIR O TEMPO COM A CIDADE QUE CRIOU

Por Hédio Ferreira Júnior
Fotos Vanessa Castro
Otrajeto começou longe do concreto branco de Brasília. Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, um bloco de argila começou a ganhar forma sobre uma estrutura de metal – o “esqueleto”, como define o artista plástico e escultor Leo Santana. Ali, entre mãos, ferramentas e silêncio, nasceria o novo morador da Praça dos Três Poderes.


Meses depois, ele chegou ao coração do poder cruzando a divisa de Minas com Goiás, como fez Juscelino Kubitschek, o idealizador da capital. Eram cerca de 180 kg de bronze, acomodados com cuidado, protegidos por plástico bolha, cobertos por pano escuro, viajando pela estrada até Brasília. O transporte foi simples do ponto de vista logístico, mas delicado na execução. “Deu para levar em um carro normal”, conta o artista – desde que cada curva, apesar do trajeto quase em linha reta, fosse respeitada.

TEATRO EM VISITA GUIADA DO CONGRESSO NACIONAL RESSIGNIFICA A EXPERIÊNCIA
NO PRINCIPAL ESPAÇO DO PODER NO PAÍS. NO PERCURSO, PERSONAGENS E RELATOS APROXIMAM O VISITANTE DA ORIGEM SIMBÓLICA DA CAPITAL DA REPÚBLICA
Por Hédio Ferreira Júnior
Fotos Vanessa Castro
Quem entra no Palácio do Congresso Nacional esperando apenas um passeio guiado sai, muitas vezes, com os olhos marejados – e sem entender exatamente em que momento a visita virou outra coisa. O roteiro segue ali: Salão Verde, da Câmara dos Deputados, e Salão Azul, do Senado Federal, plenários, obras de arte e a arquitetura monumental de Oscar Niemeyer. Mas, de repente, no meio do caminho, a história resolve falar.
É assim que funciona o Visite Encena, projeto que transformou corredores e espaços institucionais em palco. Não há anúncio nem cortina. As cenas simplesmente começam – e quem está ali vira plateia sem perceber.
A mais impactante delas é também a mais singela. Um casal de candangos surge em diálogo, reconstituindo a decisão de deixar o Nordeste e atender ao chamado de Juscelino Kubitschek para erguer Brasília. A cena mistura música, texto e proximidade. E acerta em cheio. “Brasília é que nem a gente: nasceu do nada, mas vai ser grande”, diz o personagem, em um momento que costuma silenciar o grupo inteiro.

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Brasília é que nem a gente: nasceu do nada, mas vai ser grande”
A reação é quase sempre a mesma. Gente que chora. Gente que sorri. Gente que se reconhece. Gente que se lembra de um avô, de um pai, de alguém que ajudou a levantar no braço a cidade. “É um reconhecimento a quem construiu tudo isso que a gente tem e expõe com orgulho aqui hoje”, explica a guia, em visita acompanhada pela
GPS|Brasília
Para a atriz Tatiana Sá, de 43 anos, que interpreta a candanga, a emoção não é surpresa, mas continua sendo forte. “As pessoas se sentem representadas”, resume. A ligação, no caso dela, é literal. Neta de candangos, criada pelos avós, Tatiana leva para a cena memórias que ouviu a vida inteira. “O que exige de mim é concentração, conexão e entrega”, diz a atriz, que, junto com um parceiro, sustenta uma cena que precisa caber no tempo do tour –cerca de uma hora – sem perder intensidade.
Mas o Visite Encena não se limita aos candangos. Ao longo do percurso, outras histórias surgem. Uma delas apresenta Ulysses Guimarães e o processo de redemocratização, em diálogo com uma personagem que representa o povo. Outra apresenta a Federação, com as bandeiras dos estados no Salão Azul ganhando significado além da estética. E há ainda a arte de Athos Bulcão, que parece sair dos azulejos para conversar com quem passa.
Entre uma cena e outra, o visitante segue descobrindo detalhes que passam despercebidos à primeira vista: o painel de pedras que cria efeito tridimensional dependendo do ângulo, no Salão Negro, os “puxadinhos” autorizados pelo próprio Niemeyer que deram suporte ao Plenário da Câmara, as obras espalhadas pelos espaços. O passeio continua sendo também um mergulho na arquitetura e na história institucional.
Servidora da Câmara desde 1993, Maria do Socorro Lacerda é filha de um trabalhador que ajudou a construir o Congresso. Os pais vieram da pequena



Piancó, na Paraíba, ainda durante a construção de Brasília. Atualmente, os filhos ocupam espaços públicos erguidos pelo próprio pai, hoje, com 90 anos. “Quando é que ele imaginaria que a filha dele trabalharia aqui dentro contando a história da qual ele é um personagem?”, questiona.
O Visite Encena nasceu em 2010 e já foi reconhecido nacionalmente. Agora, na terceira edição, retorna com o tema Vozes que Constroem o Brasil, em quatro sessões diárias, aos sábados e domingos de abril e maio, com entrada gratuita. A proposta é a mesma que originou o projeto: aproximar o público da história por meio da emoção. Funciona. No fim, não é só sobre ver o Congresso. É sobre se ver ali. E isso, nenhum roteiro técnico consegue explicar.
@visiteocongresso www.congressonacional.leg.br/visite
DE PLANALTINA, ELE VIU SURGIR A CAPITAL. ESPECTADOR DAS PRIMEIRAS
OBRAS E PROTAGONISTA DA ARQUITETURA E DA GESTÃO PÚBLICA,
SALVIANO GUIMARÃES FOI CONTEMPORÂNEO DOS MESTRES E MANTÉM
VIVO O COMPROMISSO DE PENSAR BRASÍLIA PARA O FUTURO

Na sala de sua própria casa, Salviano Antônio Guimarães Borges encontra o lugar onde mais gosta de estar. Não por acaso. Projetada por ele mesmo, no Lago Norte, a residência revela, nesse cômodo, algo que vai além da arquitetura: uma memória construída com muito zelo. Cada detalhe guarda uma origem: madeiras herdadas, objetos atravessados por histórias, obras de arte que ligam tempos e afetos.
Há um desenho de Athos Bulcão, uma gravura dedicada por Cildo Meireles, esculturas de Alfredo Ceschiatti. Em um dos pontos mais simbólicos, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima em lugar de destaque, trazida de Portugal por seu pai.
Antes de estar ali, a imagem pertencia ao santuário erguido por sua família no Morro da Capelinha, em Planaltina. A história remonta a 1943, ano de seu nascimento. Neto de uma família profundamente enraizada no Planalto e filho de uma planaltinense que quase seguiu a vida religiosa e de um caixeiro-viajante mineiro, Salviano carrega, desde a origem, o encontro entre tradição e movimento. Sua avó, Olívia de Campos Guimarães, fez uma promessa a Nossa Senhora pedindo a cura da audição de sua filha, Dulce. Com a graça alcançada, mobilizou a comunidade e construiu, no ponto mais alto da



região, um santuário que se tornaria um dos marcos religiosos mais importantes do Distrito Federal.
No dia 8 de agosto daquele mesmo ano, data da inauguração da Capelinha, Salviano foi batizado ali. Décadas depois, a imagem passou a integrar seu lar. É nesse ambiente que o pioneiro, aos 84 anos, fala sem pausas e com uma memória precisa, encadeada e viva.
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Brasília foi um mutirão de 24 horas por dia. Era uma agilidade que impressionava”


Ao lado dele, Maria Alice, companheira de vida com quem se casou em 15 de julho de 1967, na Igrejinha de São Sebastião, em Planaltina, costura as lembranças, complementa passagens e confirma datas. Juntos, construíram uma família com três filhos, Beatriz, Cristina e Pedro, e nove netos.
A relação de Salviano com Brasília começa antes da própria cidade. Nascido em Goiânia, cresceu entre São Paulo, onde estudava, e Planaltina, para onde retornava nas férias, sempre à casa do avô, o coronel Salviano Monteiro Guimarães, hoje o Museu Histórico e Artístico da cidade.
Ali, entre a terra vermelha e as histórias de família, formou-se um vínculo profundo com o Planalto Central. Décadas antes do concreto, Brasília já passava por aquela casa, que serviu de ponto de apoio para autoridades e expedições interessadas na interiorização do País. “A gente chegava aqui e o passeio era sair para ver as obras. Era um lamaçal, mas tudo era fascinante. Eu via o crescimento e a empolgação dos prédios, todas aquelas estruturas subindo, e não tinha ideia de como seria essa cidade”, relembra.
Para quem cresceu nesse cenário, a inauguração de 1960 foi apenas um marco. “Brasília foi um mutirão de 24 horas por dia, com operários trabalhando


dia e noite durante três anos. Era uma agilidade que impressionava”, observa.
Aos 18 anos, empolgado com a nova capital, a escolha de cursar Arquitetura parecia inevitável. Em 1963, ingressou na Universidade de Brasília e fez parte da primeira turma de arquitetos. Ali, teve mestres como Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Glênio Bianchetti, Lelé, Glauco Campello, entre outros nomes de peso.
A cidade em construção era também sala de aula. “Brasília era uma escola prática. Foi uma formação fantástica. Imagina estudar arquitetura em uma universidade que estava sendo construída por esses gênios?!”, recorda.
Ao passar dos anos, o convívio extrapolou o ambiente acadêmico. Athos frequentava sua casa.

Niemeyer também. “O Oscar, sei lá porquê, gostou de mim”, comenta, com humor. “Minha vida é feita de oportunidades raríssimas”, afirma. Ainda como estudante, trabalhou no escritório de Lúcio Costa, na Novacap. Recém-formado, recebeu um telefonema de Niemeyer para detalhar o projeto do Parque de Exposição da Feira Pecuária de Brasília. O ateliê foi montado em sua casa, na W3 Sul, tornando-se ponto de encontro quando Oscar vinha à capital, embora o projeto não tenha sido concretizado.
No início da década de 1970, participou de projetos importantes, como a reforma do Congresso Nacional e as obras da Catedral de Brasília. Depois, seguiu com Niemeyer para a Argélia, onde ficou responsável pelo Centro Cívico e pela Cidade de Negócios de Argel. De volta ao Brasil, em 1975, iniciou uma nova etapa: tornou-se professor de Projetos de Arquitetura na UnB, onde permaneceu por três décadas, formando gerações de arquitetos até se aposentar, em 1995.
Se a arquitetura lhe ensinou a pensar a cidade, a gestão pública lhe deu ferramentas para transformá-la. Como administrador regional
de Planaltina, a partir de 1979, encontrou uma cidade com carências profundas. “Elaborei 17 metas. A primeira delas era a rede de esgoto”. Cumpriu, atingindo mais de 100% de cobertura e revertendo indicadores sociais críticos, inclusive a mortalidade infantil. Vieram também a arborização, a requalificação urbana e a criação da primeira horta comunitária do Brasil.
Como deputado distrital, foi o primeiro presidente da Câmara Legislativa do DF e participou da elaboração da Lei Orgânica. No Ibama, contribuiu para a criação da Floresta Nacional de Brasília, reforçando uma constante em sua trajetória: a relação entre cidade e natureza.
Mesmo após décadas de atuação, Salviano segue olhando para Brasília com inquietação e senso de responsabilidade. Para ele, é hora de retomar o movimento. “Parou um pouco no tempo. Brasília precisa ser pensada para o futuro. É preciso que a cidade se modernize”, avalia.
Nesse horizonte, seu principal projeto é um sistema de transporte capaz de reconectar a capital à sua vocação original. A proposta de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) vai além da mobilidade. “Eu chamo de projeto de preservação do Plano Piloto”, resume. O estudo preserva canteiros centrais, arboriza avenidas como a W3 e valoriza o comércio.
O encantamento, no entanto, permanece intacto. “Não existe outro projeto urbanístico, nem arquitetônico, nem de engenharia que se compare a Brasília”, afirma, com o mesmo brilho de quem a viu nascer. “Eu ando por aqui e fico espantado como aquela intenção de capital se transformou em um monumento respeitado no mundo inteiro”.
Salviano não se prende a falar de passado, mas também de continuidade. Suas ideias e vivências percorrem Brasília por dentro. Não apenas suas avenidas e monumentos, mas suas intenções, seus bastidores e seus futuros possíveis. Hoje, ele dedica seu traço a dois projetos simbólicos: a Igreja do Pai Nosso, no Lago Norte, e o Santuário de Fátima, retomando, de forma quase circular, a história que começou no alto do Morro da Capelinha. Afinal, para ele, Brasília nunca foi um projeto concluído. É um gesto em andamento, uma ideia viva. Uma cidade que, assim como sua própria trajetória, segue sendo construída.

COLETIVO EDITORIAL MARIA COBOGÓ FOMENTA A PUBLICAÇÃO LITERÁRIA LOCAL E A FORMAÇÃO DE NOVOS LEITORES EM ENVOLVENTE PROJETO CULTURAL
CONDUZIDO POR MULHERES REPLETAS DE AFETO E INTELECTUALIDADE
Por Bruna Nardelli
Fotos Vanessa Castro
Bloco de concreto que, paradoxalmente, não fecha, mas deixa-se atravessar, o cobogó divide sem separar, protege sem esconder. Entre seus vazios geométricos, o sol não bate, ele se derrama, fragmenta-se, desenha no
chão uma escrita própria. A partir dessa lógica –a de dar vazão ao luminoso –, nasceu o coletivo editorial Maria Cobogó. Assim como a peça que lhe dá nome, o projeto não ergue muros em torno da literatura: abre frestas.
Conduzido por cinco integrantes de origens, gerações e profissões distintas, o mulherio nasceu do desejo de incentivar a publicação literária
local de maneira independente, sem as amarras impostas por grandes editoras. Ana Maria Lopes, Christiane Nóbrega, Claudine Duarte, Marcia Zarur e Solange Cianni hoje dão seguimento à iniciativa de democratização editorial, inicialmente construída em conjunto com Alessandra Roscoe e Elisa Maria Mattos. Unido pela compreensão do poder transformador da leitura e pela sororidade, o coletivo foi fundado em data simbólica, voltada ao infinito, 08/08/2018 – o número oito, na vertical, remete ao ícone de “para sempre”.
Mais de trinta autopublicações dos mais variados gêneros literários já foram realizadas pelas integrantes e por escritoras brasilienses até então apenas potenciais, que descobriram, graças ao grupo, o caminho para lançar o primeiro livro. A maioria das obras é produzida integralmente no Distrito Federal. “Priorizamos a mão de obra local”, afirma o grupo. O financiamento é realizado pelo quinteto. O objetivo não é lucro, mas liberdade editorial.
“Cada etapa do processo de criação do livro é conduzida pela autora, que escolhe desde o número de páginas até a ilustração da capa – ao contrário do que ocorre no mercado das grandes editoras. Aqui, apenas opinamos sobre o trabalho uma da outra a fim de colaborar”, explica Claudine, chamada pelas companheiras de locomotiva do grupo. “Foi ela quem pegou na minha mão e me incentivou a publicar meu primeiro livro”, conta Marcia, renomada jornalista que iniciou sua trajetória como escritora literária com Amor Concreto, publicação de crônicas dedicadas à capital federal.
A força dos livros independentes do coletivo mede-se em reconhecimento: Fios e O Luto da Baleia foram finalistas do Prêmio Jabuti, o mais tradicional reconhecimento literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). O Calangos Leitores, outro projeto do grupo com foco na formação de novos leitores, também chegou à reta final do concurso. “É um clube do livro voltado a jovens da rede pública de ensino do DF, uma iniciativa que muito nos orgulha”, elucida Ana Maria.
A retomada dos grupos de leitura é real e crescente. O fenômeno é impulsionado por uma combinação de nostalgia pós-pandemia, contraponto ao ritmo digital acelerado e influência das redes sociais – a comunidade de recomendação

de obras #BookTok é uma das maiores do TikTok. O consumo de livros, portanto, também “está na moda”. Em 2025, 18% das pessoas acima de 18 anos compraram ao menos um livro, impresso ou digital, o que representa um aumento de 2% em relação a 2024, totalizando 3 milhões de novos consumidores. Os dados são de pesquisa da CBL, em parceria com a Nielsen BookData.
Assim como no Calangos Leitores, o Maria Cobogó faz a curadoria e a mediação do Clube do Livro do Brasília Shopping, iniciativa para mulheres que teve início em 2025 e conquistou o apoio da VLG Investimentos. “Somos cinco integrantes, e precisamos nos dividir para abraçar tantos projetos”, esclarece Solange. Questionada se existe alguma meta de publicações por ano de cada integrante ou função pré-estabelecida, ela responde: “Na nossa irmandade, não há competição ou cobrança, apenas apoio e amor, profundo amor por aquilo que fazemos”.
Na capital federal, cidade mais conhecida pelo poder do que pela poesia, o Maria Cobogó insiste em que literatura também é política, também é forma de ocupar e pertencer. Cada livro publicado pelo coletivo é, à sua maneira, um cobogó – algo que não fecha, mas atravessa; que não impõe, mas ilumina. É nesse espaço de frestas que a literatura brasiliense respira. E, enquanto houver mulheres dispostas a manter essa abertura, a luz continuará a se fragmentar no chão – em histórias, em leitores, em vidas que se reconhecem nas páginas. A vontade que fica é de que a maior pretensão do mulherio, a de transformar Brasília na cidade que mais lê do País, vire realidade.
@mariacobogo www.mariacobogo.com.br
FRENTE
SELEÇÃO
QUE
ANCELOTTI
Por Victor Fuzeira
ma honra, um orgulho comandar a melhor seleção do mundo. Tenho um grande trabalho pela frente e muita esperança de que o Brasil volte a ser campeão”. Foi com essa declaração otimista que Carlo Ancelotti foi apresentado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como novo técnico da Seleção Brasileira.
Ao maior campeão, o maior desafio
Aos 66 anos, o italiano foi apresentado em 26 de maio de 2025, em meio a mudanças no comando da entidade e diante de uma das missões mais complexas de sua trajetória vitoriosa: reconectar a seleção pentacampeã ao seu torcedor. Para além de bons resultados, o desafio passa por resgatar o engajamento de um público que, há duas décadas, distanciou-se de um time que já foi sinônimo de identidade nacional.
Desde a Copa do Mundo FIFA de 2006, quando a equipe caiu ainda nas quartas de final, a relação entre seleção e torcida entrou em desgaste. Vieram, então, eliminações marcantes – e dolorosas.


Em 2010, a queda para a Holanda após um primeiro tempo dominante; em 2014, no Mineirão, o histórico 7 a 1 diante da Alemanha, uma ferida ainda aberta na memória coletiva do País.
Nos ciclos seguintes, o roteiro mudou pouco. Em 2018, o Brasil parou na forte Bélgica de Eden Hazard, Romelu Lukaku e Thibaut Courtois. Em 2022, contra a Croácia, a eliminação veio carregada de drama: um gol sofrido nos minutos finais levou a decisão para os pênaltis, quando a seleção sucumbiu em meio a cobranças contestadas e a sensação persistente de que o time esteve, mais uma vez, a um passo do objetivo.
É nesse cenário de frustração acumulada e expectativa renovada que Ancelotti assumiu o comando da seleção. Com currículo incontestável, reconhecido pela capacidade de gerir grandes elencos, o treinador chegou com a missão de reconstruir não apenas um time competitivo para a Copa do Mundo FIFA de 2026, mas também o vínculo emocional entre a Seleção Brasileira e seu torcedor – talvez o desafio mais simbólico de sua carreira.
Ainda em sua apresentação, Ancelotti destacou o que chamou de “relação especial” com o Brasil. Diferentemente dos discursos protocolares tão comuns no futebol, a fala encontra respaldo na própria trajetória do treinador, que ao longo da carreira ganhou a alcunha de “amigo dos brasileiros”.
Em clubes como Real Madrid, Milan, Everton, Napoli, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique, Juventus e Chelsea, comandou dezenas de jogadores brasileiros – muitos deles protagonistas de gerações históricas da Seleção. Entre os nomes mais emblemáticos estão Ronaldo Nazário, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Dida, Roberto Carlos e Marcelo. Já em tempos mais recentes, trabalhou com atletas ainda em atividade, como Vinícius Júnior, Rodrygo, que, lesionado, não deve ir à Copa, e Thiago Silva.
Mais do que uma coincidência, a recorrência desses nomes ajuda a explicar a conexão construída ao longo dos anos, e reforça a expectativa de que, à frente da Seleção Brasileira, Ancelotti encontre um ambiente familiar para tentar recolocar o País no topo do futebol mundial.


Tão especial quanto a relação que construiu com o País é o capítulo que Carletto passa a escrever com a camisa verde e amarela, em uma página marcada por ineditismos. Multicampeão no futebol de clubes, o italiano assume, pela primeira vez na carreira, o comando de uma seleção. E o destino o colocou justamente à beira do campo da mais vitoriosa da história das Copas: a Seleção Brasileira de Futebol, única pentacampeã mundial.
Ele será, também, o primeiro estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo, embora não seja o primeiro técnico de fora a dirigir a seleção


desde 1914. A marca ganha contornos ainda mais curiosos em um Mundial que, pela primeira vez, não deve contar com treinadores brasileiros entre os participantes. Uma das principais esperanças era Sylvinho, à frente da Seleção Albanesa de Futebol, que acabou ficando pelo caminho.
Sua estreia em Copas do Mundo também será marcada por um cenário inédito. A Copa do Mundo FIFA de 2026 será a maior da história: pela primeira vez, o torneio reunirá 48 seleções em mais de cem partidas – 16 equipes a mais do que na edição anterior. Disputada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México, a competição contará, inclusive, com uma fase adicional de mata-mata:
os 16 avos de final. A etapa colocará frente a frente os dois melhores colocados de cada um dos 12 grupos, formados por quatro seleções.
Antes de desembarcar no Brasil, Ancelotti construiu uma das trajetórias mais sólidas e vitoriosas da história do futebol europeu. Nascido em Reggiolo, no interior da Itália, foi meio-campista de destaque da Roma e do Milan, clube em que também iniciou a relação com o jogo que mais tarde o consagraria à beira do campo.
Discípulo de Arrigo Sacchi, ele integrou o Milan que revolucionou o futebol no fim dos anos 1980 e início dos 1990 – experiência que moldou sua visão tática, ainda que, como treinador, tenha seguido um caminho próprio, mais flexível e menos dogmático.
Foi no banco de reservas, no entanto, que construiu sua marca. Ancelotti é o único treinador da história a conquistar as cinco principais ligas da Europa (Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha) e soma cinco títulos da Liga dos Campeões da UEFA, recorde absoluto da competição. Para além dos números, consolidou-se como um especialista em gerir elencos estrelados, característica que o acompanhou em passagens pelos gigantes do futebol europeu.
Avesso a confrontos públicos e conhecido pela capacidade de adaptação, construiu a imagem de um técnico que prefere convencer a impor. Essa característica ajuda a explicar sua longevidade no mais alto nível e que agora será testada em um ambiente historicamente mais passional: o da Seleção Brasileira.
Ancelotti estreou à beira do campo pela seleção no dia 5 de junho de 2025, em um empate sem gols com o Equador, em Guayaquil – um jogo travado, que já dava o tom do desafio que teria pela frente. Na ocasião, assumia com a missão clara de superar o desempenho irregular dos antecessores, Fernando Diniz e Dorival Júnior, ambos credenciados por trabalhos vitoriosos à frente de Fluminense e Flamengo, campeões da Copa Libertadores em 2023 e 2022, respectivamente.
Da apresentação até hoje, ele esteve à frente da Seleção Brasileira em dez partidas. Foram cinco vitórias, dois empates e três derrotas – um aproveitamento de 56,7%. A equipe marcou 13 gols e sofreu 8. Ao longo do período, 56 jogadores diferentes foram convocados, mas apenas quatro estiveram presentes em todas as listas, o que atesta a incessante busca do italiano por uma base para a Canarinho.
O principal destaque ofensivo até aqui é Estevão. Com cinco gols, o atacante, que tinha apenas 17 anos quando começou a ganhar espaço, é o artilheiro da “Era Ancelotti”. Sua primeira convocação, ainda sob o comando de Dorival, acabou se tornando um dos legados mais relevantes do antecessor. Os números impressionam para um jogador tão jovem, hoje praticamente garantido na lista final do italiano para a Copa do Mundo de 2026, que deve disputar aos 19 anos. Ao mesmo tempo, ajudam a expor uma das principais dificuldades técnicas e táticas de Ancelotti: encontrar uma referência confiável para o ataque brasileiro – posição historicamente associada a protagonismo.
A seleção, que já contou com Ronaldo Nazário, no auge, hoje se vê diante de uma lacuna difícil de preencher. E não se trata de um problema exclusivo do italiano. Desde a aposentadoria do Fenômeno da seleção, o Brasil convive com a ausência de um camisa 9 incontestável em Copas do Mundo
Houve lampejos. Luis Fabiano teve bons momentos em 2010. Fred chegou embalado pela Copa das Confederações de 2013, mas não confirmou em 2014. Em 2018, Gabriel Jesus não conseguiu se firmar. Já em 2022, Richarlison marcou um dos gols mais bonitos da história recente da seleção, mas também não foi suficiente para encerrar a busca por um centroavante que represente, de forma definitiva, a tradição da camisa 9.
Jesus e Richarlison, ainda em atividade, não irão à Copa, mesmo com as principais dúvidas do italiano concentradas no setor ofensivo. Nos bastidores, a avaliação é de que Vinícius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Estevão, Gabriel Martinelli, Luiz Henrique e João Pedro já receberam sinais positivos e devem integrar a convocação.
Quem corre por fora é Igor Thiago, do modesto Brentford (Inglaterra). O atacante deixou boa im-

pressão nas últimas oportunidades e, por apresentar características mais próximas de um camisa 9 clássico, ganhou força justamente em uma posição carente na seleção.
A principal dúvida da comissão técnica é Endrick. Internamente, a tendência era preservá-lo como aposta para o ciclo de 2030, mas os minutos em campo diante da Croácia foram suficientes para fazer Ancelotti reavaliar o cenário.
Já a situação de Neymar segue indefinida – e, no momento, considerada improvável. Principal referência técnica do País na última década, o camisa 10 corre contra o tempo para convencer o treinador de que merece uma vaga entre os 26 nomes que serão anunciados em 18 de maio.
Uma semana após a divulgação da lista final, a Seleção inicia, em 25 de maio, a preparação para o torneio na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). O ciclo de ajustes se encerra com um amistoso de despedida da torcida brasileira diante do Panamá, no Maracanã, antes do embarque, em 1º de junho, para os Estados Unidos.
Já em solo norte-americano, o time faz o último teste contra o Egito, em Cleveland, no dia 6. A estreia na Copa será em 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey. Na sequência, o Brasil enfrenta o Haiti, na Filadélfia, e encerra a fase de grupos diante da Escócia, em Miami, podendo chegar para o confronto já classificado, a depender dos primeiros resultados.
É ali, nesse entrevero de ineditismos, pressão histórica e um elenco ainda em construção, que Carlo Ancelotti terá a chance de transformar currículo em legado e provar que, mesmo para o maior campeão do futebol, ainda há desafios à altura.

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Por Hédio Ferreira Júnior
Fotos Celso Júnior
Opar de abotoaduras ainda repousa no bolso do paletó com uma discrição quase cerimonial. Pequenas, metálicas, sem ostentação evidente, as peças carregam, no entanto, uma densidade que não se mede pelo brilho. Chegaram minutos antes do encontro com a GPS|Brasília, entregues em mãos no Instituto Rio Branco por alguém do cerimonial da Presidência da República. Sem anúncio, sem foto, sem registro oficial. “Pediram para eu aguardar quinze minutos”, conta o diplomata Douglas Rocha Almeida, como quem ainda recompõe a sequência dos fatos. “Vieram, entregaram, e foram embora”.
As peças, um presente prometido pela primeira-dama Janja da Silva, eram do acervo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usadas por ele. Agora, estão ali, deslocadas do contexto original, inscritas em outra narrativa. Não são um troféu nem apenas um ornamento. São um signo. Dois meses antes, Douglas havia estado com o presidente. O encontro seguiu o protocolo rígido esperado. Deslocamento, horas de espera, e até um chamado inesperado para que a mãe, a diarista Cida, estivesse junto. Houve, sobretudo, um gesto que ele retorna a mencionar com cuidado: o abraço de Lula na mãe, a responsável por aquilo tudo. “Ela ficou radiante”, diz. E, por um instante, a cena parece condensar algo que escapa à formalidade da política – como se o itinerário pessoal, tantas vezes fragmentado, encontrasse ali uma forma de reconhecimento. Douglas tem 31 anos e ocupa, desde janeiro de 2026, o cargo de terceiro-secretário no Itamaraty. Alto, preto, de fala mansa e precisa, ele constrói suas frases com calma e atenção, como quem
pesa cada palavra – um traço que combina a formação acadêmica rigorosa à simplicidade de origem. A designação técnica não revela, por si, o percurso que a antecede. Durante doze anos, dos 15 aos 27, trabalhou como garçom. “Era o trabalho que me permitia continuar estudando”, afirma.
Hoje, ele frequenta o Instituto Rio Branco, a academia diplomática do Brasil, em regime integral. São quatro aulas por dia, quarenta horas semanais, em um curso que, simultaneamente, forma e já incorpora o diplomata à carreira. “É a primeira vez que eu estudo para trabalhar”, diz. A rotina se divide entre o curso, a academia e o estudo em casa – uma disciplina ainda marcada pelo rigor dos anos de preparação. Essa frase delimita uma fronteira entre duas temporalidades: a do esforço contínuo, quase invisível, e a do reconhecimento institucional.
A trajetória que conecta esses dois pontos não é linear. Passa por Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, onde cresceu, filho de um pedreiro e de uma diarista. O vínculo com a cidade permanece intacto: é lá que estão a família e a memória. Hoje, Douglas mora com a esposa na Asa Sul, em Brasília, a poucos minutos do trabalho, mas retorna com frequência a Luziânia – um movimento que revela mais continuidade do que ruptura. Passa por políticas públicas, como a bolsa integral do ProUni em uma faculdade particular, que lhe permitiu cursar Relações Internacionais, além do diploma em Letras, somadas a um mestrado, a formação em línguas em escola pública; e de uma experiência de intercâmbio nos Estados Unidos, ainda no começo da juventude. “Aquilo mudou a forma como eu via o estudo”, diz.
Fluente em espanhol e com domínio do inglês, Douglas já projeta, com discrição, os próximos passos: países da América Latina estão em seu radar – especialmente os de língua espanhola, onde poderia atuar com maior proximidade cultural.

Passa, também, por uma ruptura. Em 2017, a morte da irmã, Thayná, reorganiza o sentido das escolhas. “Foi um ponto de inflexão”, afirma. A diplomacia, que até então orbitava como hipótese distante, ganha contorno. Não como ideal abstrato, mas como projeto.
Os anos seguintes são marcados por uma disciplina austera. Quatro anos e meio de preparação, conciliados com trabalho, instabilidade financeira e a necessidade constante de adaptação. “Aos trancos e barrancos”, sintetiza. O acesso a materiais, cursos e orientação especializada só se amplia em 2023, com a concessão de uma bolsa de estudos voltada a candidatos negros. A partir dali, o projeto ganha densidade.
A aprovação veio, em 2025, em um concurso com quase nove mil inscritos para 50 vagas. Um dado estatístico que, isoladamente, pouco diz, mas que, inserido na narrativa, evidencia o grau de seletividade do processo. A nomeação, publicada no Diário Oficial, marca o momento em que o esforço acumulado se converte em posição formal.
O reconhecimento, no entanto, extrapola os limites institucionais. Um vídeo em que agradece à mãe circulou nas redes sociais e desencadeou uma sucessão de convites, entrevistas e aparições. “Foi exaustivo”, admite. Mas também, necessário. Em Luziânia, jovens passaram a procurá-lo. “Eles se viam ali”, diz ele, enquanto explora o mundo real e sem perfis nas plataformas que catapultaram a história de sua ascensão.
“Não é uma superação individual. É uma conjunção de fatores”, afirma. A frase resume um traço central de sua personalidade: a recusa ao deslumbramento e ao oportunismo fácil, substituídos por uma leitura ponderada da própria trajetória, que ele define como algo próximo de um “milagre estatístico”.
Fora da rotina acadêmica, começa a experimentar aquilo que, por muito tempo, esteve suspenso: o tempo livre. Andou de caiaque pela primeira vez – também momento de estreia – no Lago Paranoá. Pequenos acessos ao lazer – antes distantes – passam a compor um cotidiano que ele ainda descobre aos poucos. Lê por interesse, não apenas por obrigação. Planeja viagens.
Há também projetos concretos. Garantir à mãe uma alternativa ao trabalho extenuante. Criar uma fonte de renda que lhe permita autonomia, como construir um espaço de festas do qual ela possa obter renda, e deixar a exaustão da faxina para a história. “Quero que ela escolha”, diz.
As abotoaduras, agora na caixinha sobre a mesa, parecem sintetizar, de maneira silenciosa, essa travessia. Não como ponto de chegada, mas como marca de um deslocamento – de um espaço social a outro, de uma lógica de sobrevivência a outra, de construção.


O BRASIL MANTÉM UM CORPO DIPLOMÁTICO DE CERCA DE 1.600
INTEGRANTES, DISTRIBUÍDOS ENTRE BRASÍLIA E POSTOS NO EXTERIOR. COM POUCAS VAGAS ANUAIS E ALTA CONCORRÊNCIA, A CARREIRA EXIGE ATUAÇÃO ESTRATÉGICA NOS BASTIDORES DO PODER
Por Eric Zambon
Quando os Estados Unidos pegaram o mundo de surpresa ao invadir a Venezuela na madrugada de 3 de janeiro e sequestrar Nicolás Maduro, o presidente Lula estava de férias. Após a situação ser levada ao conhecimento do governo brasileiro, as redes sociais do chefe de Estado publicaram a primeira manifestação oficial às 9h59 do mesmo dia, junto ao anúncio de seu retorno prematuro. Quem também estava de folga foi outra figura, talvez das mais discretas do staff governamental, mas também das mais importantes: o ministro das Relações Exteriores, o diplomata Mauro Vieira. A essa hora, ele já havia conversado com seu homólogo na Venezuela, o
ministro Yván Gil Pinto, e iniciado tanto a articulação do posicionamento internacional do Brasil quanto a preparação da administração brasileira para o que estava por vir.
Este episódio foi apenas um diante de diversos eventos internacionais relevantes que exemplificam como o diplomata pode ser o primeiro a chegar e o último a sair, muitas vezes sem holofotes.
Ingressar nessa carreira é um dos feitos mais difíceis da vida acadêmica brasileira. O primeiro passo é o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), organizado pelo Instituto Rio Branco, um dos processos seletivos mais exigentes do País. Um estudo do Laboratório Diplomático da Universidade de São Paulo (LAD-USP) mostrou que, de


2014 a 2024, o tempo médio de preparação até a aprovação dobrou, passando de três para seis anos. Em 2026, o edital abriu sessenta vagas, dez a mais que em 2025, com salários na faixa de R$ 20 mil.
A primeira etapa consiste em uma prova objetiva com mais de 60 questões distribuídas entre Língua Portuguesa, Política Internacional, História do Brasil, Língua Inglesa, História Mundial, Economia, Direito e Geografia. Quem avança enfrenta uma prova discursiva, muito temida, que avalia a capacidade analítica para responder a diferentes contextos geopolíticos
e redigir textos complexos. Há ainda uma prova adicional de idioma, entre Espanhol ou Francês.
Mas a carreira segue atraindo milhares de candidatos todos os anos. Em 2025, a aprovação de William Silva Placides, criado em periferias de São Paulo e Brasília, após sete anos de preparação, ganhou espaço na mídia local, assim como a do garçom Douglas Almeida recentemente. No mesmo ano, o ex-ator do programa televisivo Malhação Gabriel Falcão definiu a conquista como o maior desafio de sua vida.
Na prática, a atuação de um diplomata está longe da imagem protocolar que muitas vezes se associa ao cargo. Trata-se de uma função técnica e estratégica, que combina análise política, negociação e gestão de crises. A carreira não começa com o cargo que se costuma chamar de diplomata. Ao ingressar no concurso, o cargo ocupado é o de terceiro-secretário e pode levar décadas para chegar aos mais altos, como o de ministro de primeira classe, ou seja, embaixador.
O Serviço Exterior Brasileiro é composto por três carreiras, com 1.626 diplomatas, 809 oficiais de chancelaria, 334 assistentes de chancelaria e 271

servidores públicos concursados de outras carreiras. Eles desempenham funções no ministério, em Brasília, e nas centenas de postos de representação espalhados pelo mundo. O Brasil tem laços diplomáticos com 197 nações, incluindo todos os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), mas não conta com embaixadas físicas em cada um, pois algumas cobrem mais de um território, como o posto na Austrália, que também abrange a Oceania.
Coordenador de diplomatas do Gran Cursos, Jean Marcel, com mais de vinte anos de carreira, descreve a diplomacia quase como um sacerdócio. Marcel concilia a atividade com o cargo de cônsul-geral adjunto do Brasil em Los Angeles. “No exterior, o diplomata reporta a Brasília por meio de relatórios escritos com informações de interesse. Ele é a voz do Brasil naquele país junto ao governo ou organismo internacional em que está e negocia os interesses brasileiros”, explica. Assim, da juventude de Douglas e William à trajetória famosa de Gabriel, passando pela experiência de Jean e pela proeminência de Mauro Vieira, a diplomacia amplia seu alcance e, apesar da exigência, abre espaço para que mais brasileiros se vejam representados no cenário internacional.
» O B arão do Rio Branco, título concedido pela Princesa Isabel ao jornalista e diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, é considerado o patrono da diplomacia brasileira. Ele ajudou a delimitar as fronteiras do País, privilegiando negociações pacíficas em vez de conflitos com nações como Argentina e França, em disputas envolvendo territórios em Santa Catarina e no Amapá, e também teve papel central no acordo com a Bolívia que garantiu o território do Acre ao Brasil, em 1903.
» Historicamente, o Itamaraty construiu reputação pela atuação técnica e pela tradição de resolução pacífica de conflitos, especialmente desde o legado do Barão do Rio Branco.
» Diplomat as costumam ser transferidos de país a cada três ou quatro anos. Além do português, o domínio do inglês é obrigatório. Espanhol e francês são comuns, e outros idiomas podem se tornar estratégicos dependendo do posto.

NOSSA ESTRELA É VOCÊ
Viva novas marcas, novos sabores e novas experiências no TGS
Brasília nasceu olhando para o céu. No traço de Lucio Costa, no concreto de Niemeyer, na ambição de uma capital que não queria apenas ocupar o território, mas projetar o País para frente. Antes mesmo da inauguração oficial, enquanto a cidade ainda era canteiro, já ocorriam pousos e decolagens. O aeroporto, então de madeira e pista de terra, foi o primeiro elo entre o que era projeto e o que começava a se tornar realidade.
O aeroporto começou a operar três anos antes da inauguração da cidade, em 3 de maio de 1957. O primeiro voo comercial foi para Nova York, operado pela extinta companhia aérea Pan American. Com a inauguração da cidade em 21 de abril de 1960, passou a se chamar Aeroporto de Brasília, e integrou-se à cidade. Quem foi criança nos anos 1980 guarda na memória o passeio ao terraço panorâmico, onde ver aviões decolarem e pousarem era quase um evento. Já nos anos 1990, o terminal se transformava em ponto de encontro após festas e formaturas, um dos poucos lugares abertos na madrugada.

Em 2011, diante da expectativa de aumento no fluxo de passageiros impulsionado pela Copa do Mundo de 2014, o Governo Federal deu início à primeira rodada de concessões aeroportuárias no País. O Aeroporto de Brasília passou à administração da Inframerica, consórcio formado pela Infraero e pela Corporación América Airports, que assumiu o terminal em dezembro de 2012. A reconfiguração



foi abrangente, com a construção dos píeres Sul e Norte, a ampliação do pátio de aeronaves,, a duplicação do viaduto operacional, implantação de totens de autoatendimento, balcões de selfbag drop, novas esteiras de bagagens, novos sanitários e ampliação do estacionamento.
Ao longo desses 14 anos da nova gestão, o terminal consolidou uma trajetória de premiações e passou a ocupar lugar de destaque em rankings nacionais e internacionais. Recentemente, foi escolhido o Melhor do Brasil e o mais pontual da categoria (acima de 10 milhões de passageiros) no prêmio Aviação + Brasil, do Ministério de Portos e Aeroportos, 2º mais pontual do mundo, pela Cirium, e o 4º melhor do mundo, segundo a empresa internacional AirHelp
É o único aeroporto da América do Sul que opera pistas paralelas simultâneas e independentes; é o terminal aéreo com maior capacidade de pousos e decolagens por hora no Brasil, e um dos maiores centros de conexão de voos domésticos. Hoje o terminal tem voos para nove destinos internacionais (Buenos Aires, Lima, Cidade do Panamá, Bogotá, Cancún, Santiago, Orlando, Miami e Lisboa) e é o único do Brasil a operar voos para todas as capitais.
Mais do que um ponto de passagem, o Aeroporto de Brasília passou a operar como um espaço de permanência. O terminal reúne hoje um mix com mais de 80 operações entre lojas, cafés e restaurantes, em uma oferta que acompanha o ritmo e o perfil de quem circula pela capital. A experiência se estende também às áreas de descanso: são cinco salas VIP administradas pela Inframerica, quatro delas dedicadas a voos domésticos.


A Praça Pick Up, inaugurada em 2020 em frente ao terminal, foi pensada para que os passageiros aguardem o transporte por aplicativo com conforto, e conta com operações de gastronomia e serviços. A praça integra uma série de investimentos que estão sendo realizados no sítio aeroportuário, que conta também com um Centro Logístico da LOG e o shopping center da rede Partage, que será inaugurado ainda em 2026, com lojas ao ar livre, cinema a céu aberto, academia, uma praça de alimentação assinada pelo Mané Mercado e marcas inéditas na capital federal.
Essa aproximação com a cidade também se reflete na programação promovida pela Inframerica, como o Spotter Day, evento que abre áreas restritas para fotógrafos e entusiastas da aviação, e a Flying Run, em que cerca de três mil corredores têm a oportunidade de correr na pista de pousos e decolagens do aeroporto.
Outras ações também colocam o terminal em destaque. Desde 2024, existe a Estação Produtora de Água de Reuso (EPAR), desenvolvida em parceria com a General Water, especializada em tratamento hídrico, o que rendeu o reconhecimento no prêmio Guardião da Água, concedido pela Adasa. O Aeroporto de Brasília está entre os primeiros da América Latina a adotar o programa HD Sunflower, voltado à identificação e acolhimento de pessoas com deficiências não visíveis. Nesse mesmo movimento, o terminal inaugurou, em 2025, um Espaço Multissensorial dedicado a passageiros neurodivergentes, especialmente pessoas com Transtorno do Espectro Autista. As iniciativas integram o programa AUtitude, que orienta a capacitação das equipes e a construção de uma experiência mais individualizada dentro do aeroporto.
Se Brasília nasceu como traço voltado ao futuro, o aeroporto segue como um de seus pontos mais vivos. É ali, entre pousos e decolagens, que a cidade reafirma sua vocação para o movimento, sempre entre o que já se concretizou e o que ainda está por vir.
@aeroportobsb





CRIADO A PARTIR DA ESCUTA DE EMPRESÁRIAS DO DISTRITO FEDERAL, O MOVIMENTE SE CONSOLIDA COMO PLATAFORMA CONTÍNUA DE ARTICULAÇÃO, POLÍTICAS PÚBLICAS E CONEXÃO. A TERCEIRA EDIÇÃO ABRIGOU O
CENTRO-OESTE E INTERNACIONALIZOU O ALCANCE DA INICIATIVA



Oque começou com uma escuta atenta às dores, barreiras e ambições de mulheres empreendedoras do Distrito Federal se transformou, em poucos anos, em uma das mais robustas articulações em torno do empreendedorismo feminino no País. O Movimente, criado pelo Sebrae no Distrito Federal em 2023 a partir de uma pesquisa para mapear os desafios e potencialidades do empreendedorismo feminino, se consolidou como uma plataforma permanente de mobilização institucional, formulação de políticas públicas, articulação multissetorial e projeção internacional.
A terceira edição, realizada em março no Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília, reuniu mais de cinco mil participantes em dois dias de debates, painéis, encontros setoriais, atividades técnicas e apresentações culturais. “O Movimente é uma plataforma de conexão em que a gente consegue conversar com as mulheres, entender suas realidades trazendo o governo junto, para que ele trabalhe em políticas públicas de melhoria do ambiente de negócios”, explica a diretora-superintendente do Sebrae-DF, Rose Rainha, idealizadora do projeto. “Mais do que um evento, é uma iniciativa permanente de articulação institucional e a afirmação de que mulheres não são pauta da história. São agentes econômicos centrais”, completa.

Mulheres não são pauta da história. São agentes econômicos centrais”
Rose Rainha
Entre os dados apresentados ao longo da trajetória do projeto, metade das entrevistadas afirmava querer empreender, mas não sabia como começar. Mais de 64% apontavam dificuldades em marketing e divulgação; 60% relatavam entraves na gestão financeira; e 61% diziam sentir mais intensamente o peso da conciliação entre vida pessoal e profissional. O diagnóstico também evidenciou questões relacionadas à violência, à dependência econômica e à falta de segurança, mostrando que o debate sobre empreendedorismo feminino não pode ser dissociado das condições concretas de vida dessas mulheres.
Foi a partir dessa escuta que, em 2024, o projeto avançou para sua primeira grande mobilização pública, o Fórum Movimente. Na ocasião, especialistas, representantes dos poderes públicos, empresárias, juristas, acadêmicos e lideranças sociais se reuniram para transformar diagnóstico em proposta. O processo resultou em 51 medidas, consolidadas a partir de propostas elaboradas de forma colaborativa, com foco em eixos como crédito, inovação, educação, segurança, cultura, inclusão e ambiente de negócios.
No mesmo ano, o Governo do Distrito Federal incorporou essa agenda. A institucionalização do Programa Movimente DF e a criação do Comitê de Empreendedorismo Feminino, por meio de decreto, deram força jurídica e caráter permanente a uma construção que havia começado na escuta e ga-

nhado corpo na mobilização coletiva. Em 2025, a iniciativa avançou para uma etapa territorial com o Movimente nas Cidades, levando formação, sensibilização, conexões e oportunidades diretamente às regiões administrativas do DF.
Em 2026, o Movimente reuniu debates sobre educação, assistência social, tecnologia, turismo, agronegócio, energia, liderança empresarial, comunicação, inovação, inclusão, segurança pública e formulação de políticas permanentes. “Eu acredito que a autonomia financeira liberta as mulheres até da violência doméstica. Então, se você dá um caminho, se você ajuda essa mulher a empreender, você, com certeza, fortalece as políticas públicas e dá essa autonomia para que ela possa dar um fim à violência”, pontua Celina Leão, governadora do Distrito Federal.
A programação incluiu ainda nomes como a farmacêutica e ativista Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica no País. Ao lado dela, participaram vozes de diferentes campos, como as empresárias Cris Arcangeli, Luiza Helena Trajano e Janete Vaz, a influenciadora Pequena Lô, a cantora Roberta Miranda e as atrizes Deborah Secco e Nany People. Dentre mais de cinquenta ativações realizadas simultaneamente nos dois dias de evento.
Após o evento, o Sebrae-DF apresentou a trajetória e os resultados da iniciativa em dois compromissos internacionais de peso. O primeiro foi em Nova York, nos Estados Unidos, durante a 70ª sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, realizada na sede da Organização das Nações Unidas. Rose Rainha, acompanhada do gerente da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistema de Negócios do Sebrae no DF, Jorge Adriano, e do gerente de Marketing e Desenvolvimento, Ricardo Robson, participou da agenda por convite do Pacto Global da ONU no Brasil. No encontro, o Sebrae apresentou sua atuação em favor do empreendedorismo feminino, com atenção especial às mulheres que enfrentam barreiras estruturais para acessar crédito, formação, redes de apoio e mercados.
Em Nova York, um dos pontos altos foi a realização de um painel sobre mulheres empreendedoras e cadeias de valor inclusivas. “Foi um momento memorável a participação no evento. Sem dúvidas é um marco para o Brasil e para o Sebrae no fortalecimento do empreendedorismo feminino. Precisamos expandir o debate, pois ainda temos





um cenário onde mulheres falam para mulheres, mas os postos de decisão nas políticas públicas são majoritariamente masculinos. A equidade precisa ser uma pauta de todos”, avalia Adriano.
O segundo movimento internacional ocorreu em Nova Délhi, na Índia, durante o BRICS CCI WE Annual Women’s Summit & Felicitations 2026 Rose Rainha atuou como painelista em um debate sobre o Papel das Mulheres na Construção do Futuro do Empreendedorismo Global. Ao lado de lideranças como Margarete Coelho, do Sebrae Nacional, ela apresentou a concepção do Movimente e as ações ligadas à formulação de
políticas públicas para melhorar o ambiente de negócios no Distrito Federal.
Um dos pontos centrais foi a parceria com a ONU Mulheres na construção de uma agenda de incentivo ao empreendedorismo feminino que pode ser adaptada por outros países, como Índia e Sri Lanka. O encontro também foi marcado pela assinatura de um acordo de cooperação entre o Sebrae e a BRICS CCI Índia, voltado ao estímulo ao comércio exterior e à ampliação de oportunidades de mercado. Rose Rainha e Margarete Coelho participaram ainda de uma reunião com a secretária-adjunta do Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia, Mercy Epao, para discutir possibilidades de cooperação em áreas como exportação para pequenos negócios, transferência de tecnologia e comércio eletrônico. Ao resumir o sentido dessa missão internacional, Rainha reforça a vocação de continuidade do projeto: “A participação nesta missão internacional reafirma o compromisso do Sebrae com os encaminhamentos e as parcerias estratégicas geradas por essa interlocução. Vamos seguir construindo pontes, expandindo horizontes e, acima de tudo, impulsionando mulheres empreendedoras para que alcancem novos patamares de protagonismo e crescimento”.
@sebraenodf www.movimente.df.sebrae.com.br
ATENTA AOS AVANÇOS AINDA
NECESSÁRIOS NA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO PAÍS, MARIA DA PENHA COMEMORA OS VINTE ANOS DA LEI HOMÔNIMA
COM O PUNHO EM RISTE, UMA NAÇÃO DE MULHERES AO SEU LADO E DADOS AINDA ALARMANTES
Por Bruna Nardelli
Fotos: Vanessa Castro
Há duas décadas, o Brasil passou a chamar de crime aquilo que, por muito tempo, foi tratado como assunto doméstico: a violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, nasceu da história brutal vivida pela farmacêutica cearense que hoje empresta a voz a uma das legislações mais emblemáticas do País. “A lei nasceu da minha dor, mas agora pertence a todas as mulheres brasileiras”, disse Maria da Penha, em entrevista exclusiva à GPS|Brasília.
Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de feminicídio dentro da própria casa. O ano era 1983. O agressor, seu então marido. Ela levou um tiro nas costas enquanto dormia que a deixou paraplégica. Meses depois, ele a eletrocutou durante o banho. A história, por muito tempo negligenciada pelas estruturas de poder, chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), pressionando o Estado brasileiro a reconhecer sua falha histórica: a de não proteger suas mulheres.

A voz de Maria, que ecoou e protege tantas outras Marias desde então, serviu como um marco de ruptura, a partir do qual o Brasil criou uma legislação específica para punir agressores. Antes da lei, a violência doméstica era tratada como crime de menor potencial ofensivo, passível de resolução com pagamento de cestas básicas. A mudança foi estrutural. E os números, duas décadas depois, revelam a dimensão do que estava escondido.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher do DataSenado, a mais longa série histórica do País sobre o tema, revelou que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Apesar da redução dos índices em relação a 2023, um alerta persiste: 71% das vítimas relatam que havia crianças presentes durante a agressão. São filhos e filhas que crescem dentro do trauma – a violência que se transmite entre gerações, perpetuada nos silêncios mais íntimos do lar.
Veste salva-vida para mulheres, a medida protetiva é concedida 600 mil vezes por ano no Brasil, com uma média de cerca de setenta por hora. Setenta por hora. É o ritmo com que o Brasil tenta proteger suas vítimas, enquanto elas aguardam que o escudo chegue a tempo e seja suficiente. Nem sempre é. Em 2024, 1.492 feminicídios foram oficialmente registrados no Brasil, uma média de quatro mulheres mortas por dia. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que 28,3% das vítimas tinham medida protetiva ativa no momento da morte, o que não foi suficiente para manter à distância o agressor.
A violência doméstica não escolhe etnia nem classe, mas seus efeitos mais letais recaem sobre as mais vulneráveis. Segundo o DataSenado, mulheres desempregadas são as mais afetadas: 12% delas relataram ter sofrido violência no último ano. Entre as que viveram abuso, 27% não tinham nenhuma fonte de renda. E, quando o desfecho é a morte, o recorte racial é brutal: 67% das mulheres assassinadas no Brasil são negras.
Aos 81 anos e com a vaidade e a ternura preservadas, Maria da Penha segue a percorrer o Brasil como símbolo de luta. Em palestras, a mãe de três filhas defende que um dos caminhos mais poderosos contra a violência doméstica é a independência financeira da mulher. “A vulnerabilidade econômica é um dos fatores que mais prende a vítima em ciclos de abuso”, escancara.
A assistência aos filhos das vítimas – apontada por ela como o maior desafio do governo atualmente – na luta contra a violência doméstica, na

sua avaliação, deve ser garantida com políticas públicas consistentes. “Não basta punir o agressor.
É preciso reconstruir a vida de quem foi invadido pelo crime”, defende. Por ano, o feminicídio deixa cerca de duas mil crianças órfãs no Brasil.
O peso dos números ultrapassa as fronteiras do País. Segundo dados da OMS, o Brasil figura entre os cinco países que mais matam mulheres por razões de gênero no mundo. Vinte anos depois de uma lei que se tornou referência internacional, o desafio deixou de ser apenas jurídico para se tornar civilizatório. À frente do Instituto Maria da Penha, a ativista desenvolve projetos de educação, conscientização e prevenção, atuando junto a escolas, instituições públicas e organizações da sociedade civil. A crença que ela carrega é simples e radical: violência se aprende, e, portanto, pode ser desaprendida.
Mesmo consolidada como marco jurídico e social, a trajetória de Maria da Penha ainda enfrenta disputas narrativas. Recentemente, seu nome voltou ao centro do debate após a circulação de fake news de seu agressor, que a acusa de difamação. Especialistas e movimentos de defesa das mulheres apontam que esse tipo de estratégia busca relativizar casos históricos de violência e enfraquecer conquistas legais – parte de um repertório de controle e intimidação.
Há vinte anos, a legislação homônima protege, prevê a prisão e o monitoramento de agressores e concede medidas urgentes. E ainda assim, em algum lugar do Brasil, enquanto você lê este texto, uma mulher está sendo agredida. Como Maria da Penha repete: a lei é o começo. A cultura é o verdadeiro campo de batalha. Enquanto ela não mudar, nenhuma norma será suficiente.
Em um tempo em que o mundo volta os olhos para a sustentabilidade, a forma como a energia é produzida ganha um novo significado. No Brasil, esse debate encontra terreno fértil. Com abundância de recursos naturais – rios, sol e vento –, o País construiu, ao longo das últimas décadas, uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, transformando sua geografia em potência energética.
Os números ajudam a traduzir esse cenário, mas não contam tudo sozinhos. De acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN) 2025, em 2024, as fontes renováveis responderam por 88,2% da geração de eletricidade no País, um índice que coloca o Brasil entre os países com as matrizes mais limpas do mundo. Mais do que um dado, esse percentual reflete um caminho construído ao longo de décadas: desde 2004, a participação dessas fontes nunca ficou abaixo de 70%.
É nesse cenário que surge a Ethe Energia. Sediada em Brasília, a empresa nasceu com o propósito de contribuir para um futuro mais sustentável por meio da produção de energia limpa e renovável, apostando em um modelo que combina eficiência, menor impacto ambiental e desenvolvimento regional.
Criada a partir da fusão de quatro empreendimentos de geração hidrelétrica de pequeno porte, a empresa surge como parte desse novo cenário de transformação do setor elétrico.

“Estamos completando um ano de nossa trajetória no setor de geração de energia. Antes, atuávamos com consultoria e acompanhamento de projetos hidrelétricos. Somos uma empresa jovem, mas que assumiu importantes desafios”, afirma o administrador e cientista político Gylwander Peres, CEO da Ethe Energia.
Com estrutura administrativa e financeira em Brasília, a empresa mantém suas bases de produção em Goiás e Tocantins. Segundo o executivo, a escolha pela capital federal é estratégica. “Brasília é o local ideal para empresas como a nossa, que dependem de leilões, regulação e diálogo com o Governo Federal. A capital conecta o centro administrativo ao setor produtivo”, destaca.

O principal foco da Ethe Energia está nas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), um modelo que vem ganhando espaço dentro da matriz elétrica brasileira. Com reservatórios reduzidos – inferiores a 13 km² – essas usinas apresentam menor impacto ambiental e minimizam alagamentos e deslocamentos populacionais, tornando mais ágil o processo de licenciamento.
A empresa atua na geração de energia no mercado regulado, por meio de leilões realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), nos quais a energia produzida é destinada ao sistema interligado nacional.
Os empreendimentos também se destacam pela proximidade com os centros de consumo, o que reduz perdas na transmissão e distribuição. Além disso, tanto as PCHs quanto as CGHs (Centrais Geradoras Hidrelétricas) contam com um incentivo relevante: 50% de desconto nas Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD), o que contribui para a redução de custos ao consumidor final.
Outro ponto estratégico é a capacidade de gerar energia firme, contínua e previsível, característica essencial em um sistema que vem incorporando cada vez mais fontes intermitentes, como a solar
e a eólica. “As PCHs são essenciais para a segurança energética brasileira. Elas descentralizam a geração, diminuem perdas na transmissão e oferecem uma alternativa mais sustentável em comparação com as grandes hidrelétricas e com os combustíveis fósseis”, explica Peres.
A atuação da empresa também se reflete nas regiões em que está presente. “A presença dos empreendimentos impulsiona a cadeia produtiva local, atrai investimentos e gera oportunidades de emprego. Frequentemente priorizamos a contratação de mão de obra local”, afirma o CEO, complementando que os municípios que recebem esse tipo de empreendimento tendem a apresentar crescimento socioeconômico acelerado, reforçando o papel das PCHs como vetores de desenvolvimento regional.
A Ethe Energia já planeja ampliar sua atuação para novos estados, como Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná, além da expansão de projetos em Goiás. “Acreditamos que o Brasil tem um potencial imenso para ser uma referência mundial em energia limpa. As PCHs são a ponte entre a necessidade de energia sustentável e a estabilidade do sistema elétrico brasileiro”, conclui Gylwander Peres.
www.etheenergia.com.br

EMPREENDIMENTO DA MIRANTE INCORPORAÇÕES APOSTA NO WELLNESS COMO EIXO CENTRAL. COM ARQUITETURA AUTORAL E LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA
PRÓXIMA AO PARQUE, PROJETO APONTA PARA UMA MUDANÇA CONSISTENTE NO PERFIL DE CONSUMO IMOBILIÁRIO DO DISTRITO FEDERAL
Oconceito de wellness deixou de ser uma tendência passageira para se consolidar como um dos principais direcionadores do comportamento contemporâneo. Mais do que estética ou conveniência, trata-se de uma mudança profunda na forma como as pessoas desejam viver: com mais equilíbrio, conexão com a natureza, tempo de qualidade e espaços que favoreçam o bem-estar físico e mental. No mercado imobiliário, esse movimento tem impulsionado projetos que vão além da moradia tradicional, incorporando experiências, sensações e uma nova lógica de ocupação dos espaços.
É nesse cenário que, em Águas Claras, surge o Arboreto, da Mirante Incorporações. Situado em frente ao Parque de Águas Claras, em um dos últimos terrenos com essa localização privilegiada, o empreendimento foi concebido com o wellness como ponto de partida, propondo uma forma de morar que integra arquitetura, natureza e qualidade



de vida no dia a dia. Com obras iniciadas e previsão de entrega para novembro de 2029, mesmo ainda na fase de pré-lançamento, o empreendimento já vendeu R$ 77,5 milhões – alcançando o metro quadrado de R$ 16.152,00 e, então, redefinindo o mercado de alto padrão de Águas Claras –, o que supera em 33% a média da cidade.
“O Arboreto faz parte da nova geração de prédios, conectado às novas tendências do morar contemporâneo. Trata-se de uma geração de empreendimentos aspiracionais, com design moderno e atemporal. Isso se traduz na fachada com cores sólidas e discretas que se unem à natureza, permitindo que o Arboreto Mirante seja uma edificação icônica, que se manterá valorizada ao longo dos anos”, afirma Jamil Lessa, diretor e sócio-fundador da Mirante.
Assinado pela MKZ Arquitetura, com interiores da Liê Arquitetas e paisagismo de Takeda Design, o projeto aposta em uma estética minimalista e atemporal. As fachadas de cores sólidas dialogam com a paisagem natural, com plantas amplas de 252 m² e apenas duas por andar, com todas as unidades vazadas e com ventilação natural, inclusive nos banheiros das suítes. O elevador privativo, a integração entre os ambientes e a vista permanente para o verde compõem uma experiência de moradia que valoriza o espaço e o tempo dentro de casa.
As áreas comuns aprofundam essa proposta com ambientes pensados para o corpo e para a mente: spa, sala de massagem, sauna e uma piscina de borda infinita voltada para o pôr do sol sobre o parque, criando uma atmosfera de contemplação. A academia equipada, os espaços para exercícios funcionais e as quadras esportivas ampliam as possibilidades de movimento, enquanto o refúgio Mirante – dedicado à me -
ditação, yoga e relaxamento – reforça a ideia de um cotidiano mais equilibrado.
Essa conexão com o bem-estar não se limita à estrutura física. Antes mesmo da entrega, o empreendimento já se posiciona como um espaço de experiências. Iniciativas como o Morning Experience e o Manhã no Mirante têm reunido futuros moradores em encontros voltados ao autocuidado, à convivência e à construção de vínculos. “Além de ser um empreendimento totalmente voltado para o bem-estar dos clientes, eles também entenderam essa necessidade de gerar conexões e promovem eventos que espelham a cultura do empreendimento”, destaca Flávia Azevedo, nutricionista e fundadora da Clínica Orya, parceira da Mirante na linha wellness
Um dos marcos mais expressivos desse movimento é a oferta de duas coberturas lineares de aproximadamente 510 m², avaliadas em R$ 17 mil por metro quadrado – sendo cada unidade negociada por R$ 8,8 milhões. Com piscina privativa, churrasqueira e uma vista privilegiada para o parque, os imóveis são como “mansões suspensas”, com planta exclusiva que privilegia o uso integral dos espaços. “É uma planta ampla, linear, com total aproveitamento, que não segue o traçado das unidades tradicionais do mercado”, afirma Tatyana Morbeck, gerente da equipe de vendas da Brasilis Imóveis.
A comercialização do Arboreto representa um marco para Águas Claras, elevando o patamar de valorização imobiliária da região e reposicionando a cidade no cenário do Distrito Federal. Mais do que um número, o resultado reflete a consolidação de um novo olhar sobre o morar – em que localização, arquitetura e bem-estar caminham juntos.
@mirante.inc
@arboretomirante





A ABERTURA DE UMA NOVA UNIDADE NO NOROESTE MARCA MAIS UM CAPÍTULO DA CASA DA MOLDURA. COM CURADORIA REFINADA E ATENDIMENTO PRÓXIMO, O ESPAÇO CONSOLIDA SUA ATUAÇÃO JUNTO A UM PÚBLICO QUE VALORIZA ESTÉTICA E PRECISÃO
Molduras têm o poder de transformar. Podem aquecer uma pintura, realçar a história de uma fotografia ou revelar novas camadas de uma obra de arte. Mais do que acabamento, são uma extensão do olhar e até da própria memória da imagem. Foi a partir desse olhar atento à arte e seus detalhes que a Casa da Moldura construiu sua trajetória em Brasília – e que agora a leva a inaugurar uma nova unidade no Noroeste, ampliando sua presença.
Fundada em 1989 por Higino França, a marca cresceu acompanhando a própria evolução estética da cidade. Primeiro, consolidou-se com duas unidades, na Asa Sul e na Asa Norte, especializadas em molduras, impressão e soluções personalizadas para decoração. Em 2025, surgiu a Casa da Moldura Galeria, no Lago Sul, uma nova marca do grupo, com proposta distinta, dedicada exclusivamente

à arte, com um portfólio de quadros assinados por diversos artistas. Agora, o movimento de expansão envolve a abertura de uma nova unidade da Casa da Moldura no Noroeste, reafirmando seu foco em molduras, impressão fine art, gravuras assinadas e obras artísticas. “Nosso atendimento segue sendo um diferencial. A gente busca entender o que o cliente precisa, não só do ponto de vista estético, mas também técnico”, explica Higino.
A escolha do bairro foi uma escuta ativa da própria clientela. Localizada na SQNW 510, bloco B, a nova unidade se insere em um cenário que dialoga naturalmente com os valores da marca.
O Noroeste, com seu perfil residencial de alto padrão, reúne um público que valoriza curadoria e atendimento, atributos que acompanham a Casa da Moldura desde sua origem. “É um bairro que se conecta 100% com o que a gente preza. É um público que valoriza detalhes e experiência sofisticada”, destaca.
Entre os diferenciais está o serviço de ambientação, que permite visualizar as peças no próprio espaço onde serão instaladas. A experiência pode ser realizada tanto de forma digital quanto de forma presencial, com uma equipe especializada que leva as obras até o ambiente do cliente. “Fazemos ambientação tanto digital quanto física para garantir um processo de escolha mais fluido e assertivo”, completa.
A curadoria mantém a pluralidade, reunindo nomes consagrados e artistas em ascensão, numa seleção que percorre diferentes linguagens e momentos da arte. Parcerias com a Fundação Athos Bulcão e com o Escritório Oscar Niemeyer seguem como destaques, ao lado de obras de artistas como Anita Malfatti, Burle Marx e Antônio Poteiro. “É uma coletânea muito rica, que abrange diferentes gostos e momentos da história da arte, justamente para contemplar as necessidades dos nossos clientes”, pontua.
A atmosfera do espaço físico também foi pensada como parte essencial da proposta. A loja segue a identidade visual renovada no rebranding recente, com marcenaria e serralheria sofisticadas, iluminação museológica e uma ambientação que equilibra elegância e acolhimento. “Cada detalhe foi planejado”, afirma. A proposta é que o cliente percorra o espaço com tempo, explorando possibilidades e construindo, com naturalidade, a relação entre obra, moldura e ambiente.
A chegada ao Noroeste simboliza a continuidade de uma história construída com consistência e sensibilidade. “A gente carrega uma bagagem de 37 anos, mas segue olhando para frente. Nosso compromisso é continuar oferecendo atendimento próximo, com curadoria e excelência, para que cada cliente encontre algo que realmente faça sentido para o seu espaço”, conclui Higino.
@casadamoldura www.casadamoldura.com.br

PRIMEIRO HOSPITAL PRIVADO DA CAPITAL, O SANTA LÚCIA ATRAVESSA
MAIS DE SEIS DÉCADAS AO LADO DE BRASÍLIA. AO LONGO DESSE PERCURSO, CONTRIBUIU PARA CONSOLIDAR O DISTRITO FEDERAL COMO REFERÊNCIA EM MEDICINA DE ALTA COMPLEXIDADE NO PAÍS
Ao completar 66 anos, a consolidação da capital federal também passa pela construção de um sistema de saúde capaz de acompanhar o seu rápido crescimento – e nesse movimento, o Hospital Santa Lúcia, primeiro hospital privado da cidade – , desempenha papel protagonista há mais de seis décadas. Em 1963, foi lançada a pedra fundamental da Casa de Saúde Santa Lúcia. Três anos depois, em 8 de dezembro de 1966, o hospital abria as portas oficialmente.
Desde então, acompanhou as demandas de uma cidade em constante transformação. Histórias de famílias, nascimentos, tratamentos e recuperações foram vividas na unidade Asa Sul, a primeira do Grupo Santa. Há, inclusive, uma coincidência recorrente: muitos profissionais que hoje atuam no hospital nasceram ali, reforçando o vínculo que atravessa gerações e consolida a instituição como parte da identidade brasiliense.
O hospital acumula pioneirismos: foi o primeiro a oferecer centro de tratamento de câncer, cirurgia cardíaca e transplante de ossos no Distrito Federal, além de implementar serviços como o AVC Móvel – único do Brasil e segundo da América Latina – e o primeiro Banco de Leite Humano da rede privada do País.
Mais recentemente, consolidou-se o maior Centro de Cirurgia Robótica do Centro-Oeste, com múltiplas plataformas de última geração, incluindo dois sistemas Da Vinci, e também um polo de formação médica. Realizou a primeira cirurgia cardíaca robótica da história do DF e o primeiro implante de dispositivo de assistência ventricular, o coração artificial.
Na área científica, o Hospital Santa Lúcia também passou a figurar em publicações internacionais, como a técnica inédita para tratamento de aneurismas complexos do cirurgião vascular Gustavo Paludetto, chefe da NeuroCardioVascular da instituição, publicada recentemente na revista Journal of Endovascular Therapy.
“Brasília amadureceu muito como capital também na área da saúde. Nossa trajetória é marcada pela busca incansável pelo que há de mais moderno na medicina, unindo tecnologia de última geração e protocolos rigorosos de qualidade a um corpo clínico de referência nacional. Mantemos o paciente no centro do cuidado, como deve ser, e garantimos que a excelência médica caminhe lado a lado com a segurança e o acolhimento”, afirma Gustavo Fiuza, CEO do Grupo Santa.



À medida que a cidade deixou de ser concentrada no Plano Piloto, o Grupo Santa ampliou sua presença. Hoje, são seis unidades no Distrito Federal: o Hospital Santa Lúcia Sul, na Asa Sul; o Hospital Santa Lúcia Norte, na Asa Norte; o Hospital Santa Lúcia Gama; a Unidade Avançada Santa Lúcia Taguatinga; além do Centro Radiológico de Brasília e do Centro Radiológico do Gama. O grupo prepara a abertura de uma nova unidade em Sobradinho.
Com um total de 12 unidades, a atuação não se limita ao DF. Em Anápolis (GO), o Ânima Centro Hospitalar é o maior hospital em quantidade de leitos para atendimentos a pacientes privados do estado, e o Hospital Santa Rosa, em Cuiabá (MT), é o principal da rede privada da região matogrossense. Em Campo Grande (MS), o Hospital do Coração é referência em cardiologia. Em 2025, o grupo anunciou a chegada em Bauru (SP).
As unidades reúnem estruturas voltadas para diferentes linhas de cuidado, como o Centro de Transplante de Medula Óssea (TMO), Epilepsia, NefroSanta, Maternidade e a nova linha Materno-Fetal, Centro de Oncologia, além de programas integrados de atenção ao paciente, como o Cuidar+ (idoso e mulher), e outros.
A recente implantação da UTI C3 – Premium Care no Santa Lúcia Sul, por exemplo, em setembro de 2025, introduziu um modelo de cuidado intensivo que combina tecnologia avançada com ambiente humanizado, incluindo leitos individualizados, concierge, tecnologias de ponta e monitoramento, e maior participação da família no processo terapêutico.
Além disso, parcerias internacionais, como a colaboração com a Mayo Clinic – um dos melhores e mais prestigiados centros médicos do mundo –, contribuem para a atualização constante de protocolos clínicos e a incorporação de boas práticas globais, além de acreditações e certificações que atestam a adoção de padrões internacionais de qualidade e segurança assistencial, como a ONA (Organização Nacional de Acreditação) e a Qmentum International no nível Diamond.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL E IMPACTO LOCAL
Em 2026, o Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS) foi – pela 6ª vez consecutiva – classificado como o melhor hospital do DF e da região Centro-Oeste, além de figurar entre os 30 melhores do Brasil no ranking da revista americana Newsweek. O Hospital Santa Rosa, de Cuiabá, é o número 1 do Mato Grosso e um dos melhores do Centro-Oeste pela 3ª vez consecutiva no mesmo ranking. É também o único hospital entre os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás a figurar na edição de 2026 da lista World’s Best Hospitals
“Quando olhamos para Brasília hoje, vemos uma cidade que evoluiu também como polo de saúde. Essa maturidade não acontece por acaso. Ela é resultado de investimentos contínuos, inovação e compromisso com a qualidade ao longo de décadas. O Grupo Santa faz parte dessa construção, consolidando a capital como referência em medicina de ponta”, destaca Sérgio Moraes, diretor Jurídico e VP do Grupo Santa.
@hospitalsantalucia www.gruposanta.com.br
PEQUENOS HÁBITOS DIÁRIOS SÃO
OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS PELAS
DORES NAS COSTAS. ESPECIALISTA
EXPLICA COMO AJUSTES NA ROTINA
PODEM PREVENIR PROBLEMAS
Em meio à rotina acelerada, o corpo encontra maneiras silenciosas de se manifestar. Um incômodo ao fim do dia, uma dor ao acordar ou aquela tensão nas costas. Sinais revelam um padrão: a sobrecarga da coluna no cotidiano.
No consultório, os efeitos desse estilo de vida já começam a aparecer com mais frequência. “Observamos um número crescente de pacientes mais jovens com problemas na coluna, tanto na região cervical quanto na lombar. As causas são diversas: excesso ou falta de atividade física, perda de massa muscular, esforço repetitivo e muito tempo na mesma posição”, explica o ortopedista Rodrigo Lima, especialista em cirurgia robótica de coluna. O uso excessivo do celular também chama atenção. “Existe uma condição conhecida como ‘text neck’, causada pela tensão prolongada no pescoço”, completa.
No dia a dia, Lima explica que pequenos ajustes já fazem diferença. Manter a tela na altura dos olhos, apoiar os pés no chão e garantir suporte para a lombar ajudam a reduzir a sobrecarga. Além disso, é essencial evitar longos períodos na mesma posição. O mesmo vale para o celular: a

inclinação constante da cabeça sobrecarrega a cervical e, com o tempo, pode provocar dores. A recomendação é simples: trazer o aparelho à altura dos olhos e evitar longos períodos nessa posição.
Ele ressalta ainda a importância de pausas ao longo do dia. “Faz muita diferença. O ideal é levantar ou se movimentar a cada 40 a 60 minutos. Não precisa ser nada complexo; basta sair da mesma posição já ajuda. Além disso, o fortalecimento muscular, principalmente da região do core (abdômen, lombar e pelve) dá estabilidade para a coluna”, orienta. Fatores como colchão, travesseiro e até o estresse também influenciam diretamente, aumentando a tensão muscular e intensificando o desconforto.
O médico reforça que, embora muitos quadros melhorem com mudanças de hábito, o corpo impõe limites. Dor persistente, formigamento ou perda de força são sinais de alerta e exigem avaliação médica. “A dor é uma forma do corpo avisar que algo não está bem. O erro mais comum é esperar que ela passe sozinha – e, muitas vezes, isso só atrasa o diagnóstico. Quanto antes você cuidar, maiores são as chances de evitar que um problema simples evolua para algo mais sério”, alerta o especialista.
@dr.rodrigo_lima
Há 66 anos, nascia uma cidade que desafiava seu tempo e apresentava uma nova ideia de modernidade.

Há 44 anos, a Emplavi faz parte dessa história, com os mesmos valores que moldaram Brasília desde o início: inovação, cuidado em cada detalhe e a capacidade de concretizar sonhos.
Em cada projeto, seguimos construindo essa história, sob o mesmo céu onde tudo começou.
Parabéns, Brasília.
Há 66 anos palco dos nossos sonhos.

PACIENTES NA FAIXA DOS 40 ANOS COMEÇAM A INCORPORAR O LIFTING COMO ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO. O MÉDICO RODRIGO BASTOS APONTA A NATURALIDADE
COMO PRINCIPAL FATOR DESSA MUDANÇA
Envelhecer bem nunca foi tão desejado – e, ao mesmo tempo, tão repensado. Longe dos exageros e das intervenções que transformam traços naturais do rosto, uma nova geração de pacientes, inclusive com menos de 50 anos, tem buscado caminhos para preservar a própria identidade. Nesse cenário, o lifting facial deixa de ser visto como uma correção tardia e passa a ser considerado parte de um cuidado antecipado com o envelhecimento, a fim de garantir mais naturalidade, planejamento e menos excessos.
Um dos pioneiros no Brasil na técnica Preservation Deep Plane Facelift, o cirurgião plástico Rodrigo Bastos afirma que essa mudança de comportamento já é percebida na prática clínica. “É crescente o número de pacientes na faixa dos 40 anos, às vezes até antes, interessados em abordagens mais modernas de rejuvenescimento”, revela.
Para ele, há, sim, uma mudança na medicina estética, mas também na forma como se encerra o envelhecimento, e ele acredita que essa busca antecipada tem relação direta com a frustração gerada por procedimentos minimamente invasivos. “As pessoas não querem mais os efeitos antinaturais de preenchedores e bioestimuladores que, ao longo do tempo, acabam alterando a identidade do rosto sem realmente reposicionar os tecidos”, explica.
Diferentemente dos métodos tradicionais, a técnica Preservation Deep Plane Facelift atua nas camadas profundas da face, reposicionando os ligamentos e as estruturas internas. Na prática, a pele acompanha esse movimento de forma natural, sem o efeito artificial de “estiramento”. “O resultado é um rejuvenescimento mais fiel às características originais do paciente”, afirma. “Hoje as pessoas envelhecem melhor, com mais saúde, e querem que isso se reflita na aparência. Existe uma busca por uma beleza real, sem exageros”, completa.
Bastos informa que, em pacientes mais jovens, especialmente entre 30 e 40 anos, a abordagem pode ser feita por meio do Deep Plane endoscópico, técnica menos invasiva que, em muitos casos, substitui bioestimuladores e fios por devolver as estruturas faciais à posição que ocupavam quando o paciente era mais jovem. O procedimento é realizado com uma pequena cicatriz escondida dentro do cabelo, praticamente imperceptível, e com recuperação mais rápida.
Nesse contexto, a cirurgia assume também um caráter preventivo, pois, ao reposicionar estruturas ainda em estágios iniciais de envelhecimento, é possível retardar a progressão da flacidez. “Essa paciente vai envelhecer melhor. Não existem limitações específicas para essa abordagem quando bem indicada”, pontua Bastos.
Com o avançar da idade, o Preservation Deep Plane tradicional se mostra mais indicado, tratando a flacidez da face e do pescoço com incisões praticamente imperceptíveis.
O médico alerta que, apesar dos avanços, a decisão não deve ser banalizada. O principal critério continua sendo a presença de sinais reais de envelhecimento, como a acentuação do sulco nasogeniano – o conhecido “bigode chinês” –, a perda de contorno da mandíbula, popularmente


chamado de “bulldog”, e a flacidez na região do pescoço. “Se esses sinais ainda não estão presentes, a recomendação é adiar a cirurgia”, orienta.
Ao contrário do que muitos imaginam, o lifting não elimina completamente marcas naturais do rosto. “O sulco nasogeniano, por exemplo, não desaparece, mas é suavizado. Já a papada e o excesso lateral tendem a apresentar correções mais expressivas, com impacto direto no contorno facial”, explica.
Na prática, o rejuvenescimento facial contemporâneo deixou de ser isolado. Hoje ele é frequentemente associado a um planejamento global da face, que pode incluir blefaroplastia, reposição de gordura e elevação do supercílio – sempre com o objetivo de manter harmonia e naturalidade.
“Mais do que uma questão de idade, o lifting facial passa a ser uma decisão estratégica, baseada em diagnóstico, técnica e expectativa realista. E, ao que tudo indica, o novo luxo da cirurgia estética não é parecer mais jovem, mas parecer você mesmo, em sua melhor versão”, finaliza o médico.
@dr.rodrigobastosdf www.drrodrigobastos.com.br

TÉCNICA DESENVOLVIDA PELA
MÉDICA MARIANA RIBEIRO COLOCA
O BRASIL ENTRE OS DESTAQUES DO MAIOR CONGRESSO DE MEDICINA
ESTÉTICA DO MUNDO, EM MÔNACO
Nascida no interior da Bahia, a médica Mariana Ribeiro, atuante em medicina estética há 15 anos, levou ao cenário internacional uma técnica autoral de harmonização glútea. No AMWC, congresso que reúne especialistas em medicina estética de diferentes países, sua proposta ficou entre as dez finalistas e conquistou o segundo lugar, entre mais de mil técnicas avaliadas, em abril de 2026.
A trajetória que sustenta esse reconhecimento foi construída ao longo dos anos, entre formação, prática clínica e decisões que direcionaram sua atuação. O interesse pela medicina surgiu ainda na infância, entre os cuidados com o avô doente, que sempre dizia: “Minha canhotinha vai ser médica”. Após o falecimento do avô, o incentivo ganhou forma com o apoio financeiro da avó. Mais tarde, a continuidade dos estudos exigiu autonomia, disciplina e enfrentamento de dificuldades, incluindo o financiamento da própria graduação, concluída em 2011.
Na prática clínica em Brasília, optou pela área estética e, com o passar dos anos, construiu uma abordagem que considera não apenas a intervenção estética, mas também a forma como os pacientes se percebem e se relacionam com a própria imagem. “Hoje eu entendo o ser humano como tricotômico: corpo, alma e espírito. Meu trabalho busca alcançar essas três dimensões”, explica.

A médica investiu em especializações e na criação de protocolos próprios, com foco em resultados progressivos e naturais. Foi nesse contexto que surgiu a Biosubcision®, técnica autoral que levou ao reconhecimento internacional em Mônaco. “Não é um procedimento de subcisão, nem uma simples harmonização. É um método completo de harmonização glútea estrutura. A Biosubcision nasce para resolver o que nenhuma técnica isolada resolve: forma sem qualidade, ou qualidade sem forma”, explica.
A Biosubcision atua a partir do descolamento global dos septos fibróticos, que são estruturas que puxam a pele para dentro e contribuem para a celulite. “Ao liberar esses septos, conseguimos expandir o tecido e melhorar o formato, o volume e a textura da região ao mesmo tempo”, detalha. Hoje, à frente do grupo Boutique da Pele, em Brasília, Mariana mantém uma atuação baseada na personalização dos atendimentos e na adaptação das técnicas às características de cada paciente.
@dramarianaribeiro
@grupoboutiquedapele



de aproximadamente 30 mil pessoas por ano, com mais de 7 milhões de horas-aula. O Sesc leva cultura, lazer e esporte. A gente fala, com alegria: quando é que Planaltina imaginaria ter um show de expressão nacional, como Israel & Rodolffo; Brazlândia ter Bruno e Marrone; Ceilândia, a Joelma; o Gama, Raimundos; e o Setor Comercial Sul, Xande de Pilares. Fomos tirando isso do Plano Piloto e levando para os quatro cantos do DF. E a Fecomércio foi cuidando da parte empresarial com diálogo com o setor produtivo, com os empresários, com trabalhadores do comércio e melhorando os serviços do Sistema S. O Instituto Fecomércio saiu de inserir cerca de 1,1 mil jovens aprendizes e estagiários inseridos no mercado de trabalho por ano para mais de 5 mil. É um crescimento em função de muito trabalho. E isso não é um trabalho do José Aparecido.
Foi construído com a diretoria da Fecomércio, com nossos 27 sindicatos da base, com nossos conselheiros e com nossa equipe de trabalho. Fomos melhorando a equipe ao longo desses cinco anos e agora temos planejamento para os próximos quatro anos, depois dessa reeleição. Agradeço muito a confiança dos presidentes de sindicatos que votaram em mim. É um momento muito bom, que mostra união e bom desempenho.
Sempre se fala que o senhor é um homem de diálogo franco...
Ouvi muito os sindicatos. Oferecemos espaço, colocando sistema, melhorando a cobrança, tecnologia, inteligência artificial e acomodando sindicatos que não tinham sede. Foi um grande trabalho, feito nesses cinco anos, e que me deixou feliz com as realizações. Temos quatro anos pela frente e a gente fala com tranquilidade, pois temos um planejamento estratégico 2026-2030 e 2030-2034.

O senhor pode detalhar um pouco as ações do Sesc e do Senac?
Abrimos novas unidades, tanto do Sesc como do Senac. No caso do Sesc, a unidade do Núcleo Bandeirante está com o prédio sendo reformado para abrir até o final do ano. No Teatro Garagem, da 913 Sul, estamos retrofitando tudo. Vamos montar uma central de produção de alimentos no Sesc para atender melhor os nossos restaurantes. Em Planaltina, temos um lote e estamos finalizando o projeto para construir. E no Senac temos um lote adquirido também em Planaltina e vamos montar uma central de produção de alimentos. Ampliaremos a unidade da Ceilândia, a maior cidade do Distrito Federal. Temos lá uma com 1,5 mil metros quadrados e pretendemos comprar um imóvel com 5 mil metros quadrados para atender melhor a população. E na 903 Sul temos um prédio que está muito antigo.
A legislação hoje dá condição para que a gente construa um edifício mais moderno, com garagem. Quando esse prédio foi construído não havia subsolo, então não temos vagas. Vamos construir um prédio moderno com garagem e auditório para 500 pessoas. E estamos reformando a sede administrativa da Fecomércio e do Senac. Inauguramos, em 24 de novembro do ano passado, a sede administrativa do Sesc. Saímos de uma situação de imóveis alugados para, no caso do Sesc, neste ano, ocupar um prédio próprio. No caso do Senac, Ceilândia é alugada, mas estamos comprando uma unidade. E, em Sobradinho, temos uma unidade do Senac alugada, que será transferida para Planaltina. O objetivo é que a gente possa ter unidades próprias, exceto os polos do Senac, os quais gerimos em parceria com as administrações regionais.




Fizemos o pré-lançamento do Centro Cultural do Sesc na 511 Norte em outubro do ano passado. Mesmo com o prédio não estando retrofitado, realizamos um seminário internacional lá. Vai ser o maior centro cultural de Brasília, com quase 10 mil metros quadrados de área construída.
É um investimento forte na parte norte da cidade...
Hoje temos a sede administrativa do Sesc e da Federação na Asa Norte, dois lotes comprados em Planaltina e o Sesc Cultural, que é o nome dessa unidade. E uma coisa muito bacana que fizemos aqui, nesses cinco anos, foi dar nome de grandes empresários, conselheiros, diretores e ex-diretores que ajudaram a construir esse sistema às unidades. Nós só fizemos uma homenagem post-mortem, que foi a do Miguel Setembrino. Todos os outros homenageados foram em vida. Você vê a alegria da família e da própria pessoa. Eu cito muito o Antônio Matias. Quando ele e os filhos dele passam na unidade, tiram foto e falam que estão passando onde ele foi homenageado. As pessoas às vezes me perguntam o critério para homenagear? A gente olha a história que a pessoa tem com aquela unidade.
Essa expansão também beneficia quem trabalha para as entidades...
O Senac tinha uma sede que era insalubre. Hoje estão em sede própria com qualidade de vida para trabalhar e garagem. O Sesc, com a unidade no SIA, também dá dignidade, com restaurante e academia, para atender não só o público externo, mas pensando em nossos colaboradores.
Essas realizações proporcionaram ampliar a inserção da Fecomércio junto ao empresariado. Havia conversas com os sindicatos, mas poucas com eles. O empresariado se sente mais valorizado pela entidade?
Temos feito eventos empresariais e vamos estimular essas atividades, porque precisamos mostrar que o Sesc e o Senac são duas instituições privadas. Elas são mantidas pela contribuição dos empresários. Não têm nenhum centavo de dinheiro público. Estamos mostrando ao empresário o que podemos oferecer ao colaborador nas nossas instituições, trazendo o empresário e mostrando a ele como melhorar o seu negócio. Esse trabalho a gente realizou nessa aproximação. Também com o Legislativo e com o Executivo, o que é importante, porque é de onde vêm as leis.


Precisamos estar bem alinhados e sempre tivemos um diálogo muito bom. Somos apartidários. Eu não sou filiado a nenhum partido político e tenho amizade com os 24 distritais, com os oito federais, com os três senadores e com o Executivo, independentemente de quem esteja lá.
Teremos uma eleição fundamental para o Brasil e para o DF, elegendo Presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados distritais. A Fecomércio já tem pleitos a apresentar para os candidatos. Existe algum documento com pautas?
A Fecomércio vai fazer uma sabatina, chamando cada candidato em separado. A gente sempre faz para o Executivo do DF. Este ano, como são duas vagas para o Senado, e a disputa vai ser acirrada, vamos fazer também a sabatina com os candidatos a senador. Estamos elaborando um projeto para fazer isso na sede da Fecomércio, chamando empresários para participar. E estamos elaborando um documento com as pautas que os empresários estão trazendo. Não é pegar a equipe da Fecomércio e elaborar as pautas: estamos ouvindo empresários e sindicatos, para
saber o que vamos perguntar e propor para o setor de comércio de bens e serviços.
Como será o formato da sabatina?
Vamos chamar os candidatos ao GDF e ao Senado que estiverem com determinado percentual, de acordo com as normas eleitorais, para que possam participar e apresentar propostas. Vamos estabelecer um tempo para que cada um possa falar. Estamos no processo de elaboração, mas temos o protótipo, que foi o que fizemos em 2022.
Um dos pontos que provavelmente vai estar em análise é a MP das Blusinhas. O que o senhor acha da recente Medida Provisória do Governo Federal?
Negociamos essa questão do início de 2023 até agosto de 2024, quando a lei entrou em vigor. Foi uma negociação que a CNC coordenou com as 27 federações do Brasil, o setor produtivo, a indústria, a agropecuária e o transporte. Tivemos uma votação, a lei foi aprovada e sancionada. Passamos um ano e oito meses fazendo a negociação. E aí vem uma canetada, uma medida provisória para entrar em vigor no dia seguinte, prejudicando
todo o comércio. Não represento a indústria, mas isso prejudica a indústria de roupas. Essa MP também afeta mais de 90% das micro e pequenas empresas do comércio. Porque elas não podem importar com isenção até USD 50. Quem pode importar sem pagar imposto é a pessoa física. As empresas vão comprar das indústrias brasileiras com tributação normal quando a pessoa física pode importar até USD 50 sem imposto. Essa isenção não traz nenhum benefício para a economia brasileira, não gera emprego ou renda. E, o pior ainda, em ano eleitoral. Em ano eleitoral não se pode dar benefício fiscal. Isso, para mim, é benefício fiscal para empresas estrangeiras. Para falar sobre gerar emprego e renda, temos que fortalecer o empresariado brasileiro, a indústria, o comércio e a agricultura brasileira. Achei muito ruim, principalmente por fazer isso por meio de medida provisória e em ano eleitoral.
Esse tipo de ação reflete a insegurança jurídica. Já havia um acordo pactuado, e depois tudo foi modificado.
Insegurança jurídica é um trauma para o empresário. Era uma lei em vigor. E, com uma canetada, tudo muda. A insegurança jurídica faz com que capitais estrangeiros não venham para o Brasil. Você, como empresário, paga todos os impostos. Consegue, com sacrifício, fazer um patrimônio, que ainda querem tributar. Isso gera insegurança jurídica e saída de capital. E só não sai mais capital do Brasil porque a Taxa Selic, que hoje está em 14,5%, ainda é atrativa para o mercado financeiro. Mas empresas e investidores estrangeiros não trazem dinheiro para o Brasil, principalmente pela insegurança jurídica.
A Selic hoje está em 14,5% e impacta na vida do comércio, porque ela dificulta o acesso aos financiamentos, à linha de crédito, à capital de giro e tudo mais...
Quando você tem um juro de 14,5% ao ano, a economia se retrai. Estamos vendo aí o Brasil, a cada dia que passa, com uma economia que não gira, porque o juro e a inflação estão altos. E o empreendedor fica com medo de investir seu dinheiro em outro negócio. E acaba não gerando emprego e renda. Quando o comércio e o setor produtivo, de modo geral, estão girando, pagam mais impostos e o governo tem condições de resolver seus problemas de investimento. Quando não estão gerando tributos, o governo arrecada

menos. E ficam criando impostos e taxações, para tentar melhorar a economia. Criar impostos nem sempre é arrecadar mais. Muitas vezes, a arrecadação cai, porque as pessoas, os empreendedores e os investidores passam a não investir.
Uma coisa que a gente tem reparado, na sua atuação, é a posição de liderança, de falar abertamente sobre os problemas econômicos, sem atacar, uma postura rara no Brasil. E o senhor é um aglutinador do seu segmento. Como construiu isso, ao longo dos anos?
A gente tem que ter diálogo e saber ouvir. Quem não ouve, não sabe os problemas. Muitas vezes, vou conversar com o empresário e ele fala que tem um problema. E eu digo: me traga uma sugestão. Porque, muitas vezes, o que o empresário está buscando é solução. Eu discuto a solução do problema.
O senhor tem uma boa relação com a Confederação Nacional do Comércio (CNC)...
Sou um dos vice-presidentes. Quando você tem boa relação com a Confederação Nacional do Comércio, com os departamentos nacionais do


Sesc e do Senac, isso facilita. E o presidente José Roberto Tadros, que encerra oito anos de mandato em novembro, deu continuidade ao trabalho que o Antonio Oliveira Santos fez ao longo de 38 anos de CNC. Ele modernizou o sistema e começou a apoiar as regionais e os estados. E essa boa relação nos ajuda a resolver os problemas dos empresários. Quando temos um problema nacional, levo para a CNC. Temos um departamento de relações institucionais que nos apoia e a gente trabalha em conjunto. Quando são problemas locais, vamos ao Legislativo e ao Executivo dialogar e procurar o melhor caminho. Essa é a postura que sempre tive na vida. Meu posicionamento vem por ser contador e saber como funciona o sistema tributário. Coloco isso de forma empresarial e da forma como prejudica a população. Muitas vezes se pensa que está fazendo uma lei para beneficiar a população, principalmente a mais carente, mas quando aumenta impostos e se dá benefícios que não deve, você prejudica quem está na ponta, porque quem vai pagar é o consumidor e a população mais carente.

Os países mais equilibrados economicamente são aqueles onde a legislação tributária não vive mudando. Como é sua avaliação da reforma tributária?
Nós discutimos muito… as federações estaduais, a CNC. Fizemos o que podíamos e demos sugestões. A reforma aprovada tem regulamentações que ainda precisam ser feitas, porque, na verdade, ainda não existem, estão em adaptação a partir deste ano. Há apenas um texto da reforma tributária. Praticamente todos os itens falam que valem após a regulamentação. Então, o Congresso e o governo precisam regulamentar. Então, 2026 é uma adaptação. E é um ano importante para o empresariado. A partir de 2027 começa a ser mais pesado, e em 2032 a coisa entra totalmente em vigor. Nós estamos muito preocupados e contratamos um especialista que está indo a todas as reuniões de diretoria da Fecomércio, falando o que está acontecendo mês a mês. Você tem argumentos para dialogar tanto com o governo quanto com o empresariado. É muito importante fazer essa ponte, porque quem gera emprego e renda no Brasil são as empresas.

poderão ir. Quem quiser investir em imóveis, o Setor Comercial Sul é uma boa opção a longo prazo.
O que fazer com outras áreas degradadas, como a W3?
Na Luos, no PPCUB, no PDOT, trabalhamos muito com o Legislativo e com o Executivo a questão desses códigos de atividade, tanto no Setor Comercial Sul quanto na W3. Nela, se você quisesse ter uma farmácia, não podia. Você tem que inserir códigos de atividade que cresceram, porque Brasília fez 66 anos. Brasília é uma cidade tombada, mas não pode ser engessada. Temos que respeitar as características, mas não podemos deixar de modernizá-la. A gente precisa criar legislação para esses locais, com novas atividades.
Um dos grandes exemplos de modernizar locais tradicionais foi dado pela própria Fecomércio e especialmente pelo Senac, que foi a Casa de Chá, que voltou a ser um patrimônio do brasiliense.
Não só do brasiliense. Do Brasil também. A Casa de Chá, em um ano e oito meses, atendeu mais de 270 mil pessoas, em um local que estava fechado há mais de 20 anos. O sucesso levou à revitalização da Praça dos Três Poderes. A Petrobras e o BNDES, por meio da Lei Rouanet, vão fazer um aporte entre R$ 29 milhões e R$ 36 milhões em toda a Praça dos Três Poderes. E é necessário que o Lúcio Costa volte a funcionar. Temos um projeto no Senac que estamos negociando com a Secretaria de Cultura e com o Iphan, para dar vida a este espaço. É importante que o setor privado assuma esses locais, como a Torre de Televisão, para que virem pontos turísticos. Antigamente você falava da Praça dos Três Poderes. Hoje se fala na Casa de Chá da Praça dos Três Poderes. O Distrito Federal não a conhecia. Hoje conhece. E recebemos eventos internacionais porque o local é extraordinário. Ali, no final da tarde, entre 16h e 17h, você vê o Sol maravilhoso que bate no Congresso Nacional. Um lugar lindo.
Uma das coisas que o senhor tem feito é olhar com atenção determinadas áreas do DF. E como será a ação em Planaltina?
Nós abrimos um polo do Senac, adquirimos dois lotes e já aprovamos as atividades. Vamos fazer a maior unidade do Sesc no Distrito Federal, com 60 mil metros quadrados, 100% tecnológica e com 100% de aproveitamento de água e de energia. É uma expectativa que toda parte norte da cidade tem. Estamos finalizando agora, no DER e na Se-


dhu, o do Senac. O projeto do Sesc deu entrada para aprovar. Assim que acontecer, vamos abrir uma concorrência para que essas duas unidades sejam construídas. Nosso planejamento é entregar o Sesc Cultural em 2028, o Núcleo Bandeirante ainda em 2026 e essas duas unidades do Sesc e do Senac de Planaltina até o final de 2029.
Com tantas medidas de austeridade, cortando aluguéis e despesas, aumentando recursos no Sistema S, e investindo esses recursos, o que mais pode acontecer?
Você falou uma palavra muito importante: investimento. Diminuir despesas, gerir bem e investir. O Sesc, o Senac, o Instituto Fecomércio e a Fecomércio não gastam um centavo. Nós fazemos investimentos. A Fecomércio investe na melhoria do setor empresarial e para o trabalhador do comércio, de bens serviços e do turismo de modo geral. O Sesc e o Senac procuram ampliar

suas atividades de acordo com as demandas dos sindicatos. É dinamizar o gasto e as despesas de um modo geral e fazer investimentos para beneficiar quem mais precisa: a população do Distrito Federal e o empresariado. Sou extremamente honrado e tenho o senso da responsabilidade que é ser presidente de uma federação com mais de 250 mil CNPJs. Os empresários do Distrito Federal estão de parabéns porque, com todo respeito aos outros empresários do Brasil, o melhor empresariado do Brasil está aqui. São empresários com coragem para investir. Tenho carinho e grande respeito pelo setor empresarial da capital. Por isso conseguimos construir essa união, essa paz e trazer todos para mais perto do Sistema Fecomércio. Repito: o Sesc e o Senac não têm dinheiro público. São entidades privadas, mantidas pelos empresários, mas que prestam serviços à população do Distrito Federal e do Brasil.
Sempre falam que querem tirar dinheiro do Sistema S. Para quê? Se temos recursos e bons serviços é porque administramos bem. Quando surgiu o Sistema S privado, saiu o público. O público quebrou há tempos. E o Sistema S está aí prestando bom serviço para a população. O Sistema S tem recursos para investir porque administra bem e não gasta errado. Falam umas loucuras como “caixa preta do Sistema S”. Que caixa preta? Você vai abrir caixa preta no sistema privado, que não tem dinheiro público? O que é caixa preta? Nunca vi caixa preta dentro do Sistema S. O que eu vejo dentro do Sistema S são serviços prestados à população e principalmente à população mais carente. E nossas ações, como o Fecomércio Mais Perto de Todos e a Caravana Social da Fecomércio, são gratuitas. E a população agradece e reconhece.
SETENTA ANOS APÓS SEU LANÇAMENTO, GRANDE SERTÃO: VEREDAS MANTÉM-SE COMO O PILAR DA LITERATURA BRASILEIRA. O ROMANCE DE GUIMARÃES ROSA PERSONIFICA CONFLITO, AMOR E EXISTÊNCIA, QUE SE
Por Caroline Vilhena
Comemorar os 70 anos de Grande Sertão: Veredas não é apenas relembrar a importância e a vivacidade de uma obra após tanto tempo desde seu lançamento, mas é, sobretudo, celebrar um marco que deslocou os eixos da identidade brasileira na literatura. Ao abrir a obra com um simples “Nonada”, Guimarães Rosa faz mais do que iniciar uma história; ele opera um profundo movimento sociológico, destacando o sertão como centro do Brasil com todos os seus conflitos e mazelas políticas. O autor retira o sertanejo da marginalidade e do olhar comum e caricato, revelando-o como um ser universal que habita o coração geográfico e anímico do País. Essa revolução se completa na linguagem; muita gente afirma que Guimarães Rosa inventou um novo idioma. No entanto, para Rosa Amélia Pereira da Silva, pós-doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), doutora e mestre em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), com vasta pesquisa relacionada à narrativa de tradição oral no sertão mineiro, o autor não inventou uma nova língua, mas, sim, uma “estética diferenciada que coloca essa linguagem sertaneja como centro da produção literária e artística nacional”.

O próprio Guimarães Rosa falou, em entrevista concedida a Günter Lorenz, em janeiro de 1965, sobre sua relação com a língua: “É um relacionamento familiar, amoroso. A língua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente. Como sertanejo, a falta de formalidades não me preocupa. Minha amante é mais importante para mim”.

Para além do deleite da linguagem, a força da obra reside também na incrível história de Riobaldo, jagunço que conta sobre sua pulsante história de amor com Diadorim, presença que transfigura a guerra em poesia, no deslumbrante cenário de buritizais e horizontes largos do sertão mineiro e baiano. É Diadorim quem ensina Riobaldo a “apreciar essas belezas sem dono” do mundo, tornando-se “sua neblina” e seu guia. Esse amor desafiou as certezas do jagunço e culminou em um dos momentos mais sagrados da literatura brasileira, quando o mistério se revela no corpo de uma mulher, “moça perfeita”, comparada à luz do sol sobre as águas do rio Urucuia.
Outro ponto marcante da jornada de Riobaldo ocorre nas Veredas-Mortas, onde o protagonista, em um momento de desespero e sede de conhecimento, confronta a ideia do pacto faustiano e se questiona se “o diabo existe e não existe”, metaforizando a luta eterna entre o bem e o mal que habita o coração humano. O jagunço desafia o “Ocultador” em uma encruzilhada de silêncios, buscando forças para vencer o inimigo Hermógenes, mas descobre que o verdadeiro pacto é com a própria vida. Como observa a professora Rosa Amélia, essa busca representa a “universalidade

humana do medo, da coragem, do amor e do conflito pelo amor”, revelando que o diabo, se existe, “vige dentro do homem, nos crespos do homem”, como afirma o próprio Riobaldo.
É por isso que um dos aspectos mais celebrados da obra é a figura de Riobaldo como um jagunço-filósofo, uma figura que está o tempo todo refletindo sobre a vida e deixando ensinamentos com profundidade e simplicidade na mesma medida. Para ele, “o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar”. Ao longo da narrativa, o protagonista repete muitas vezes que “viver é negócio muito perigoso” e lembra ao leitor que “o mais importante e bonito, do mundo, é isto! que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando”.
De acordo com Rosa Amélia, a metafísica do jagunço não é teórica nem acadêmica, mas nasce da urgência do existir. “Eu gosto muito de olhar para o Riobaldo como a representação do filósofo nato. Ele filosofa sobre guerra, amor, medo, coragem, Deus e o diabo de uma forma tão profunda quanto os grandes filósofos. Mas, diferentemente deles, ele não teoriza; ele conta histórias que trazem a grandeza desses questionamentos com os quais vivemos a vida toda”, afirma.

Essa força narrativa é tão magnética que transbordou para o teatro e o audiovisual. A adaptação mais famosa da obra foi a minissérie homônima, veiculada pela Rede Globo em 1985. Dirigida por Walter Avancini, ela foi um grande sucesso da tevê brasileira, trazendo Tony Ramos no papel de Riobaldo e Bruna Lombardi no de Diadorim. “Se o cinema educou os norte-americanos, quem educou a população brasileira foi a televisão. A Globo, com essa série, conseguiu fazer o Brasil ficar grudado na tela e as pessoas se afeiçoarem à obra. Esse fenômeno fez muita gente comprar o livro”, conta o professor e pesquisador de audiovisual Alex Vidigal.
No entanto, Vidigal faz um alerta contundente. “As adaptações são traições, em alguma medida, porque você sempre vai deixar alguma coisa aquém. Uma mídia literária tem suas propriedades, particularidades e especificidades que o audiovisual, mesmo com toda a riqueza de trilha sonora,
direção de arte, fotografia e interpretação, não daria conta. Pela grandeza de Guimarães Rosa, acho praticamente impossível”, opina.
Setenta anos depois, a obra de Guimarães Rosa permanece como um convite ao aprendizado constante, lembrando que “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. Ao fim da leitura, resta a certeza de que o mal é apenas uma ausência, pois o que realmente existe é o homem humano. Que alegria é ser brasileira e caminhar por essas veredas infinitas. Travessia.

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, pequena cidade do interior de Minas Gerais, no dia 27 de junho de 1908. Em 1918, mudou-se para Belo Horizonte para continuar os estudos e morar na casa de seus avós. Ele também se tornou médico e diplomata. Em 1963, foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas somente tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois da posse, sofreu um infarto e morreu no Rio de Janeiro, no dia 19 de novembro de 1967.
A história se passa no sertão entre o norte de Minas Gerais e o sul da Bahia, em uma região onde corre o Rio São Francisco. O título reforça essa relação estreita entre a história e o lugar onde ela se passa: um grande sertão e suas veredas. Veredas são separadoras de chapadas, vales de chão argiloso onde emana a água absorvida.

A narrativa de Riobaldo é ambientada em um sertão que se encontra em guerra entre bandos de jagunços, figuras conhecidas da história brasileira. São homens armados, nômades, contratados para atuar em lutas de poder regional, defesa de propriedade e para matar. São uma espécie de “exército” privado de coronéis e grandes fazendeiros, movidos por lealdade, amizade e um sistema de valores próprio. Riobaldo muitas vezes expressa dúvidas de que realmente pertencia ao grupo deles.
Em busca de material literário, Guimarães Rosa iniciou uma empreitada pelo sertão mineiro em maio de 1952. Acompanhando oito vaqueiros e levando 300 cabeças de gado, percorreu em dez dias cerca de 240 Km. O escritor levava pendurada no pescoço uma caderneta onde anotava tudo que via e ouvia – as conversas com os vaqueiros, as sensações, as dificuldades e tudo que vivenciou naquele mundo, o que marcaria definitivamente sua vida e sua obra.
O romance teve sua primeira edição publicada em 1956 e, logo de cara, chamou atenção por sua dimensão –mais de 600 páginas – e pela ausência de capítulos. Tornou-se uma das mais importantes obras literárias da literatura brasileira, aclamado principalmente por sua linguagem – conta com cerca de 940 neologismos – e originalidade de estilo.
» “O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.
» “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
» “O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo”.
» “A gente morre é para provar que viveu”.
» “Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte”.
» “Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade”.
» “Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é”.
» “Uma cois a é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas”.
» “E a gente, isso sei, às vezes é só feito menino. Se tem alma, e tem, ele é de Deus”.
» ”A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.
» “Viver é um descuido prosseguido”.
» “O senhor ache e não ache. Tudo é e não é …”
» “Pass arinho que debruça – o voo já está pronto”.
» “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.
» “Deus é paciência. O contrário é o diabo”.
» “O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas –mas que elas vão sempre mudando”.

ENTRE VIGÍLIAS ÀS QUATRO DA MANHÃ, O BOTAFOGO COMO FONTE DE LAZER E UM ARQUIVO DE WORD ABERTO HÁ VINTE ANOS, O JORNALISTA LEONENCIO NOSSA LANÇA A INÉDITA BIOGRAFIA DEFINITIVA DE JOÃO GUIMARÃES ROSA NO RASTRO DAS CINZAS E DAS GLÓRIAS DO BRASIL RURAL
Por Hédio Ferreira Júnior
Às4h da manhã, Brasília ainda é um rascunho de silêncio sob um céu de estrelas nítidas, mas, na casa de Leonencio Nossa, o dia já começou em ritmo quase franciscano. Enquanto a maioria aguarda o toque do despertador para enfrentar a rotina burocrática da capital, o capixaba de 51 anos já está diante da tela, trabalhando no que ele chama de seu “oitavo livro”. Não se trata de uma tarefa protocolar; é um ritual de posse. Leonencio escreve e pesquisa
simultaneamente, alimentando um único arquivo de Word que o acompanha desde 2006 – uma massa de texto que decantou por duas décadas até se tornar a primeira grande biografia de João Guimarães Rosa.
O lançamento não foi planejado para as efemérides, mas uma “confluência mágica” o colocou no centro das comemorações dos oitenta anos de Corpo de Baile e os setenta anos de Grande Sertão: Veredas neste mesmo 2026. Para Leonencio, no entanto, a verdadeira joia da coroa é Corpo de Baile: ele acredita que é a obra mais completa e monumental de Rosa, o útero de onde o próprio Grande Sertão:
Veredas nasceu originalmente como uma novela. “Queria um livro que fascinasse as pessoas, que fosse cheio de alma e vida como são as histórias de João Guimarães, em que a característica é a esperança”, confessa o autor, justificando a escolha de uma capa solar, em tons de amarelo à la Van Gogh, em vez do preto solene que costuma adornar os gênios.
Essa luz na capa é o ápice de uma jornada literária vigorosa que soma agora oito títulos publicados. A estante de Leonencio é um mapa das tensões brasileiras: começou, de forma experimental, com Viagem com o Presidente (em parceria com Eduardo Scolese, sobre o primeiro governo Lula); seguiu para seu primeiro solo, o fascinante Homens Invisíveis, fruto de uma expedição sertanista em 2002; e mergulhou nas águas de O Rio: uma viagem pela alma do Amazonas. Depois vieram os densos Mata (sobre a Guerrilha do Araguaia) e Guerras da Independência do Brasil, antes de encarar o desafio da biografia monumental do jornalista Roberto Marinho, publicada em dois primeiros volumes.



Enquanto o Rosa ganha as ruas, o terceiro volume da trilogia Marinho aguarda na gaveta, pronto para sua fase de depuração: “Está em decantação, é como vinho, tem que esperar”, diz ele, dando sinais de que a obra ainda levará mais alguns anos para maturar.
A travessia de Leonencio para chegar ao homem por trás do mito exigiu o despojamento de quem não teme o meio acadêmico. Quando o receio de “enfrentar os especialistas” de Rosa batia à porta, ele buscou abrigo em uma conversa com o acadêmico Antônio Carlos Secchin. O alívio veio como uma bênção: o que o Brasil precisava era do faro do repórter. “Fiz um trabalho jornalístico, sem fronteiras
ou cercas que limitem a busca de informações”, conta ele sobre seu trabalho de biógrafo, em entrevista à GPS|Brasília. Essa faceta permitiu abordar Roberto Marinho e Guimarães Rosa, homens com trajetórias que ajudaram a entender a transição muitas vezes trágica do patriarcado rural para a urgência urbana. No caso de Marinho, garante não ter tido interferência da família; com Rosa, quando ouviu pelo menos cinquenta pessoas que localizou ligadas ao “pai” de Diadorim, o desafio foi decifrar pistas fundidas à ficção.
Para o leitor brasiliense, o livro guarda um sabor especial. Rosa, o diplomata fascinado pela poeira, sugeriu a Juscelino Kubitschek que a Praça dos Três Poderes, no coração da cidade, se chamasse “Praça Antônio Conselheiro”. Em suas cartas de 1956, descrevia o “chapadão formoso onde começam a fazer a nova Capital”. Em Primeiras Estórias, Brasília é vista pelos olhos de um menino que se encanta não com o concreto monumental das obras de Oscar Niemeyer ou os eixos de Lúcio Costa, mas com os buritis, as garças e a poeira que, sob o sol do Cerrado, ganhava dignidade mística.
Recentemente, Leonencio retornou de Cordisburgo, a cidade mineira onde Rosa nasceu, tomado por uma emoção rústica. Foi ao museu-casa do escritor para “entregar o livro aos pais de João”, um gesto simbólico de quem não tira férias, mas faz da pesquisa o seu prazer. Ele sabe que agora lida com os “devotos” de Rosa – leitores que chegam a tatuar trechos de Grande Sertão: Veredas na perna e guardam uma relação de seita com o autor. O jornalista que só desliga o modo escritor para assistir e discutir futebol confessa que sentiu um “egoísmo” ao publicar a obra, como se não quisesse dividir o “companheiro de travessia”.
Mas o desapego trouxe recompensas. Logo após o lançamento, novas histórias de amores secretos surgiram, confirmando que o livro é um organismo vivo. “Continuo não sendo um especialista na obra de Rosa”, admite. Talvez seja esse o segredo. Para entender o bruxo, não era preciso um crítico, mas um devoto que acorda às 4h da manhã para transformar vida em luz – e compartilhar com o mundo um biografado e seu universo solar.


RESIDÊNCIA PROJETADA POR OSCAR NIEMEYER NO LAGO SUL É RESTAURADA E REAFIRMA SEU LUGAR COMO UM DOS EXEMPLARES MAIS EMBLEMÁTICOS DA ARQUITETURA MODERNISTA EM BRASÍLIA. O IMÓVEL MARCA O REPOSICIONAMENTO DA IMOBILIÁRIA CASA MONCAIO NO MERCADO DE ALTO PADRÃO
Entre linhas curvas, luz natural e a paisagem do Cerrado que atravessa o vidro, a residência, projetada por Oscar Niemeyer, localizada na QI 15 do Lago Sul, revela-se como uma obra que ultrapassa o tempo e o próprio conceito de morar. Recentemente restaurada, a casa conecta arquitetura, memória e experiência de habitar, reafirmando sua relevância no contexto urbano e cultural de Brasília.
Parte da história viva da capital, a casa é um dos exemplares mais emblemáticos da produção de Niemeyer, além de figurar entre os poucos trabalhos residenciais na cidade assinados por ele. A propriedade preserva características marcantes da arquitetura modernista, como a leveza estrutural e os grandes panos de vidro que dialogam com o paisagismo da região.
Projetada em 1973 para o professor e ex-presidente da Câmara dos Deputados Flávio Marcílio, a residência reúne cerca de 2.900 m² de área total, com aproximadamente 900 m² de área construída, que incluem quatro suítes com piso em madeira ipê, espaço gourmet amplo de 177 m² e forte integração entre interior e exterior.
Ao longo do tempo, a casa manteve sua relevância. O cuidadoso processo de restauração foi executado pelo escritório Valéria Gontijo Arquitetos, com paisagismo assinado por Ana Paula Rosseo e projeto luminotécnico da Light Design. A intervenção respeitou integralmente a essência original, preservando elementos como o piso em pedra São Tomé, cujo material mantém ligação direta com o cerrado, e detalhes arquitetônicos característicos, ao mesmo tempo que incorporou soluções contemporâneas, como automação residencial, energia fotovoltaica e aquecimento solar.



A renovação foi conduzida pela imobiliária Casa Moncaio, após incluir a propriedade em seu portfólio de vendas. Fundada em 2010, a marca realizou uma vernissage, em abril, para apresentar o espaço e anunciar a transição da empresa da Augusto Cesar Imobiliária para Casa Moncaio, reunindo nomes da arquitetura, do design e da arte.
Para Augusto Cesar Moncaio Filho, o resultado do trabalho de restauração se traduz em uma residência que atravessa décadas sem perder atualidade, e que hoje se posiciona como um verdadeiro patrimônio arquitetônico, cultural e simbólico. “É uma casa que tem alma, que tem história. Não é um imóvel comum”, resume Augusto, ao defender que, não por acaso, a propriedade está no livro Oscar Niemeyer Casas, com edições internacionais pela Editora GG (Brasil/Espanha), Rizzoli International Publications (Estados Unidos) e Actes Sud (França).
O reposicionamento da empresa reflete a maturidade do negócio e a necessidade de consolidar uma marca com identidade própria. “A gente já tinha relevância pelos resultados, mas existia a necessidade de construir uma marca forte, que não falasse só de nomes. Ela fala sobre arte, arquitetura e design”, afirma. A escolha da casa de Niemeyer como marco desse novo ciclo não foi casual. O

imóvel sintetiza o tipo de curadoria que a empresa promove: propriedades com valor arquitetônico, histórico e sensível, tratadas como peças únicas.
Sob o conceito de “a arte de habitar”, a Casa Moncaio aposta em uma abordagem mais próxima e personalizada, que valoriza o vínculo humano e a escuta atenta. “O que falta no mercado imobiliário, principalmente em Brasília, é esse lado humano. Sentar, tomar um café, entender o cliente. Todos os nossos clientes acabam virando amigos”, diz.
Para o fundador, intermediar a venda de uma casa de Oscar Niemeyer já é, por si só, muito significativo. “E, no nosso caso, tem um componente a mais, porque participamos da venda em 2021. Ver a casa agora restaurada, com esse nível de cuidado, é muito gratificante. Mostra uma valorização real da arquitetura brasileira e me faz sentir parte dessa história”, compartilha.
A atuação do grupo permanece concentrada principalmente no Lago Sul, mas também se estende a regiões como Asa Sul, Asa Norte, Noroeste, Sudoeste e Lago Norte, além de conexões com outros mercados no Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, e no exterior, como Miami e Nova York. “A gente acredita que habitar é mais do que morar. É viver com significado”, conclui Augusto.
A RESIDÊNCIA ONDE TOMIE OHTAKE VIVEU É ABERTA AO PÚBLICO.
PROJETADA POR RUY OHTAKE, A CASA TRADUZ A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ARQUITETÔNICO E REFORÇA A IDEIA DE PERMANÊNCIA NA TRANSFORMAÇÃO DO COTIDIANO EM EXPERIÊNCIA SENSÍVEL



Por Marcella Oliveira
Entrar na Casa-ateliê Tomie Ohtake, em São Paulo, é atravessar um tipo raro de silêncio. Não é ausência, mas presença contida. Mesmo sob a rota constante de aviões sobre o bairro Campo Belo, o interior preserva uma quietude que parece guardar camadas de vida. A casa, ampla, aberta, de concreto aparente, configura-se quase como um gesto contínuo, sem rupturas, em que tudo convida à permanência.
Logo na entrada, a sala principal se impõe como eixo da experiência. Uma área generosa que integra estar e jantar, desenhada como um espaço de convivência antes de qualquer outra função. É fácil entender o conceito de “casa-praça” que orienta o projeto: ali, o privado cede lugar ao coletivo. Em uma das televisões, registros antigos mostram encontros naquele mesmo ambiente. Amigos reunidos, risadas soltas, brindes e arte, muita arte. A casa, que hoje se apresenta em estado contemplativo, já foi movimento.

Projetada a partir de 1966 e construída em fases ao longo das décadas, a residência traduz também a evolução do pensamento arquitetônico de Ruy Ohtake. O mobiliário fixo em concreto reforça essa ideia de permanência, enquanto peças soltas pontuam a vida que circulou por ali. Poltronas de Sérgio Rodrigues convivem com obras de artistas próximos, como Carmela Gross, Amélia Toledo e Anabela Geiger. Há também livros em abundância, como os do amigo e contemporâneo de Tomie, Oscar Niemeyer, espalhados como vestígios de conversas e referências.
Nos quartos, a lógica se inverte. Pequenos, quase mínimos, revelam a essência do projeto: são espaços para recolhimento, não para permanência. Um quarto para Tomie, outro para Ruy, outro para Ricardo. Nada além do necessário. A vida, ali, acontecia fora deles.
É no ateliê que a visita ganha outra densidade. Pincéis permanecem organizados, potes de tinta ocupam suas posições originais e o chão carrega marcas de tinta que não foram apagadas. “As pinturas de Tomie ficavam espalhadas pela casa toda, não só fixadas nas paredes, mas apoiadas no



chão e encostadas nas paredes, em móveis, nos tripés. Essa convivência era característica da casa”, relembra o filho Ricardo Ohtake.
Tomie viveu ali até 2015. Durante mais de quatro décadas, a casa foi, simultaneamente, moradia, espaço de trabalho e ponto de encontro. Aos domingos, os almoços reuniam amigos, artistas e familiares. “Ela trabalhava das 9 às 17 horas, quando havia luz natural e ficava concentrada, mas era



muito interrompida por afazeres domésticos, pois ela cuidava muito da casa. Os encontros se davam no ateliê, na mesa de refeições, na beira da piscina, no ateliê antigo, na parte coberta do jardim, ao redor das mesas de trabalho. Ou seja, você poderia escolher qualquer canto, pois havia sempre mesas e locais para sentar”, revelou o filho, evidenciando a vivacidade da residência.
Após sua morte, o espaço permaneceu restrito à família. A reabertura recente ao público não busca apenas apresentar um patrimônio. Sob a gestão do Instituto Tomie Ohtake, a casa passa a integrar uma programação que inclui exposições, residências artísticas, apresentações musicais e encontros. “A residência tem uma arquitetura autoral, que modificou a forma de viver, introduziu materiais com novas funções, espaços que não eram comuns, como a ligação fluida de diferentes locais da casa, pois foi concebida como praça, e seria interessante se as pessoas vissem como é o desenrolar da vida e que é necessário que haja sempre renovação, ou seja, invenção de conceitos”, diz Ricardo. A ideia não é musealizar, mas manter o local em movimento.
Essa nova fase se inicia com a exposição Ruy Ohtake – Percursos do habitar, que ocupa os ambientes de forma orgânica, dialogando com a casa. A mostra reúne seis projetos desenvolvidos por Ruy entre as décadas de 1960 e 2010, incluindo a própria Casa-ateliê, além de residências como Chiyo Hama, Nadir Zacarias, Domingos Brás e Zuleika Halpern, e o conjunto habitacional Heliópolis, conhecido como Redondinhos. Maquetes, desenhos, fotografias históricas e registros contemporâneos permitem acompanhar também seus processos de concepção.
Para 2026, haverá ainda uma exposição sobre a produção e pesquisa de Zanine Caldas e outra do artista Vik Muniz, que vai dialogar diretamente com a mostra sobre Tomie Ohtake que ocorrerá no Instituto. “A Casa-Ateliê prevê uma programação vinculada à reflexão e difusão de temas de arquitetura, design e arte contemporânea. Em todos os casos, prevemos um diálogo com os espaços e materiais do espaço”, conta a curadora Sabrina Fontenele, revelando que performances, apresentações musicais e diálogos sobre literatura, por exemplo, também podem fazer parte da programação.
Equilibrar a força do conteúdo expositivo com a preservação da experiência original do lugar é um desafio para as equipes de curadoria e arquitetura. “Na mostra atual, entendemos que a própria casa-ateliê é uma obra da exposição sobre Ruy Ohtake porque evidencia alguns aspectos de sua trajetória profissional no uso da luz, das cores, dos volumes e dos materiais. Mas para cada caso teremos que estudar bastante como esses diálogos são feitos”, afirma a curadora. O local é reconhecido como patrimônio da cidade de São Paulo e premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil em 1971.
Ao percorrer a exposição, fica evidente que a casa onde tudo começou não é apenas um exemplo entre outros. Ela é síntese, origem e desdobramento. Talvez seja por isso que, ao final da visita, a sensação não seja a de ter conhecido um lugar, mas de ter participado, ainda que brevemente, de uma história que continua em curso.
@institutotomieohtake www.institutotomieohtake.org.br

UMA RESIDÊNCIA ESTÉTICA NA CONTRACULTURA DE SEU TEMPO
INSTALADA NO CENTRO DA CAPITAL PAULISTA. A CASA BOLA, CRIADA NA DÉCADA DE 70 POR EDUARDO
LONGO, É UMA DAS OBRAS MAIS EMBLEMÁTICAS DA ARQUITETURA BRASILEIRA, MAS PRESENÇA DISCRETA NA PAISAGEM URBANA

Por Paula Santana
Um legítimo representante da contracultura de seu tempo em uma das épocas mais ricas do design brasileiro. O arquiteto paulista Eduardo Longo usou seus aprendizados na Faculdade Mackenzie como experimento de liberdade no caos político dos anos 70. Entusiasta do movimento brutalista, deixou que o novo conceito influísse diretamente em sua visão de mundo e de comportamento.
Foi nesse espaçamento que surgiu a Casa Bola , a residência estética, erguida entre 1974 e 1979, nascida de uma obsessão de Longo: encontrar a forma arquitetônica que pudesse ser produzida industrialmente. Em entrevista, ele reforça o seu ideal de que as pessoas poderiam viver com menos e de maneira simples. “As cidades já oferecem muitas coisas sem que precisemos possuí-las. Pensei numa arquitetura mais leve –material e mentalmente.”

Aos 83 anos, Longo abre sua casa ao público pela primeira vez como parte da 5ª edição do ABERTO, a plataforma de exposições fundada por Filipe Assis, com curadoria de Kiki Mazzucchelli e Claudia Moreira Salles. Na Avenida Faria Lima, São Paulo dificilmente imaginaria que poderia existir um dos projetos mais radicais do País. Durante alguns anos, o térreo até permitiu acesso ao tobogã da casa, usado por crianças da vizinhança e moradores de rua.



A obra sintetiza a pesquisa radical de Longo sobre a habitação esférica e afirma a postura experimental que se manteve à margem dos cânones da arquitetura institucional. Ao ser ativada como espaço expositivo, a casa preserva seu caráter singular e revela ao público uma das obras mais emblemáticas ainda pouco conhecidas da arquitetura brasileira, e até hoje presença discreta na paisagem urbana paulistana.
“Esta edição marca um momento importante da ABERTO em São Paulo. A colaboração com Eduardo Longo e a abertura da Casa Bola ao público reafirmam nosso compromisso com a valorização da arquitetura, da arte e do patrimônio cultural brasileiro, em diálogo com a cidade”, afirma Filipe Assis.
A ABERTO é uma plataforma expositiva inovadora que celebra a arte e o design brasileiros em marcos arquitetônicos. A edição inaugural, em 2022, se realizou na única residência particular em São Paulo concebida por Oscar Niemeyer. Em 2023, ocorreu em uma casa projetada por Vilanova Artigas, figura central da Escola Paulista de Arquitetura. O terceiro ano, em 2024, foi dedicado ao legado de duas mulheres nipo-brasileiras de destaque, Tomie Ohtake e Chu Ming Silveira. E em 2025, a sua estreia internacional. Realizada na emblemática Maison La Roche, de Le Corbusier, em Paris, a exposição reúne 40 obras de arte e design de importantes artistas brasileiros.
@aberto.art

Por Paula Santana
ssim como feiras de relevância internacional, como Art Basel e Frieze, a SP-Arte há duas décadas tem se colocado no Brasil como principal spot para a comunidade artística. Idealizada por Fernanda Feitosa, ela também fomenta intercâmbios artísticos no mercado internacional, inserindo o País no circuito global. Além disso, a SP-Arte oferta diversos programas educativos, movimentando a cidade ao longo de cinco dias.


Em meio à principal feira de arte da América Latina, o Iguatemi São Paulo se torna o grande incentivador deste projeto. Dando continuidade ao seu papel de fomentador do cenário cultural, realiza anualmente a doação de obras para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, uma iniciativa que se tornou tradição ao longo dos anos. O Iguatemi São Paulo é um parceiro de longa data da Pinacoteca, com uma relação consolidada desde o final dos anos 1990, período em que mais de 70 obras foram adquiridas e doadas.


Reconhecida pelo público, a Arena Iguatemi apresenta uma das mais intensas programações com encontros improváveis, sob curadoria e mediação de Marcello Dantas. Neste ano, a proposta gira em torno do conceito de Polinização Cruzada, que investiga como diferentes territórios criativos se conectam e geram novas ideias. Duas obras foram escolhidas: Pelanca, de Gabriela Mureb (2025) e Baile do Terror, de Gabriel Massan (2025).











/ Maurício Lima
Consultor em investimento em arte
mauricio@galeriaclima.com.br

Ogestualismo, também chamado action painting, é uma vertente da pintura ligada ao expressionismo abstrato que valoriza o gesto físico do artista como parte essencial da obra. Surgiu em Nova Iorque nos anos 1940 e teve seu auge nas décadas de 1950 e 1960, com nomes como Jackson Pollock e Willem de Kooning.
No Brasil, o gestualismo encontrou terreno fértil, principalmente a partir dos anos 1950, quando artistas ligados ao abstracionismo começaram a explorar o gesto como elemento central da pintura. Antonio Bandeira, Tomie Ohtake e Manabu Mabe são bons exemplos desse início, mas outros nomes, como Hilal Sami Hilal, continuam a utilizar o gestualismo como parte de seu repertório.

A ARTISTA PLÁSTICA RAFAELA
SARAIVA INAUGURA NOVA EXPOSIÇÃO NO RIO DE JANEIRO COM UMA SÉRIE QUE EXPLORA O MOVIMENTO DO CORPO COMO GUIA DO GESTO E DO ATO DA PINTURA
Tendo a dança como motor primário de seu gesto, Rafaela Saraiva formou-se em balé na academia de Dalal Achcar e em jazz na escola de Carlota Portella, além de experiências com flamenco e sapateado, práticas que influenciam profundamente sua linguagem pictórica.
Desde a infância, conviveu de forma próxima com o colecionador Gilberto Chateaubriand, quando

seu olhar foi moldado em contato direto com obras e artistas, antes mesmo da construção de uma linguagem própria.
Viveu por três anos nos Estados Unidos, onde concluiu o ensino médio e ingressou no Miami Dade College para estudar Psicologia. De volta ao Brasil, iniciou sua formação em artes visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 1994.
Ao longo de sua trajetória, estudou com artistas e professores como Luiz Ernesto, Luiz Alphonsus, Nelson Leirner, Denise Cathilina, Suzana Queiroga e João Magalhães.
O artista Luiz Alphonsus, que foi diretor do Parque Lage, refere-se a Rafaela Saraiva como “uma das melhores pintoras que passaram pela instituição”.
Formou-se em Psicologia em 2020, integrando seu conhecimento da mente à expressão artística em uma investigação contínua sobre processos de transformação, escuta e experiência.
A boa pintura abstrata exige muito do artista. Por não ter um desenho pré-concebido, teoricamente, uma obra nesse estilo pode nunca ter fim: após pintar toda a tela, o artista pode iniciar novas camadas. Saber quando parar é o que diferencia os grandes nomes da abstração.
A obra de Rafaela Saraiva se destaca justamente por esse controle: o domínio em deixar espaços

em branco na tela, criando verdadeiros respiros. Esses vazios tornam a obra mais leve e, ao mesmo tempo, intensificam o impacto das áreas onde o gesto introduz cores.
Segundo a artista, sua pintura nasce de um atravessamento. Não parte de uma ideia fechada nem de um tema definido. Surge de um campo onde música, dança, afetos, registros e percepções se encontram e, de alguma forma, pedem corpo. Pintar, para Saraiva, é entrar nesse campo, uma espécie de arena onde ela é atravessada e também atravessa.
Algo interessante sobre o processo de pintura da artista é o fato de ela estender um grande tecido na parede e, depois de executar movimentos longos, que vão de um lado para outro, corta o linho em várias telas menores. Esse processo é feito de forma já consciente de como as telas serão cortadas, mas cria uma continuidade interessante entre as obras.
As obras da artista estão reunidas na exposição Fixação do Gesto, em cartaz na Galeria Clima (no Fashion Mall, no Rio de Janeiro) até o dia 30 de julho de 2026.

AO TRANSITAR PELAS SEMANAS DE MODA INTERNACIONAIS, A INFLUENCIADORA MARIA BRAZ TRANSFORMA APARIÇÕES EM FORTE CONSTRUÇÃO DE IMAGEM. NESTA COMPETITIVA CENA DIGITAL, SUA ATUAÇÃO INCITA MÉTODO E PERCEPÇÃO EM CADA PASSO ESTRATÉGICO
Por Beatriz Lima Leal
Quando Maria Braz ocupou o único assento brasileiro no desfile primavera-verão 2026 da Emilio Pucci, na Itália, seu nome já não era novidade no circuito. Nas últimas temporadas, a jovem influenciadora passou a aparecer com frequência nas primeiras filas de desfiles em Nova York, Londres, Milão e Paris. De um jeito bem mineiro, como o de sua origem, foi pouco a pouco desenhando um lugar entre os nomes que hoje circulam com naturalidade pelos espaços mais disputados da moda.

Ao longo dos últimos anos, Maria passou a figurar de maneira recorrente em campanhas, capas de revistas e ativações de maisons globais – em 2024, foi listada entre as 15 influenciadoras mais buscadas pelas marcas e, neste ano, a revista Forbes a colocou na lista Forbes Under 30, edição que elenca jovens personalidades destacadas em diferentes setores, além de ter sido a Musa do Camarote Nº 1 no Carnaval do Rio de Janeiro. Foi a primeira embaixadora da Lexus no Brasil, única brasileira convidada pela San Pellegrino para o Festival de Cinema de Cannes e integra o grupo de Friends of the Maison da Cartier, posições que indicam não apenas visibilidade, mas alinhamento de imagem com o universo que essas casas representam.
Até há pouco tempo, esse não parecia o caminho em que a bacharel em Direito de Muriaé, uma cidadezinha no interior de Minas com apenas cem mil habitantes, viveria. Filha de Silvia Braz, Maria construiu identidade própria, marcada por especial sensibilidade artística. E, aos 25 anos, construiu um percurso que combina herança e autonomia. “Segui passos parecidos, mas do meu jeito”. Se, por um lado, a familiaridade com o circuito de luxo abriu caminhos, por outro, foi a forma como passou a ocupar esses espaços que definiu sua identidade.
Ela já trabalhava como influenciadora quando se formou, em 2023. A paixão pela moda a acompanha desde a infância, quando fazia colagens com recortes de revistas, e os primeiros passos no digital começaram aos 18 anos, quando já morava em São Paulo. Hoje, Maria soma mais de 900 mil seguidores nas redes sociais (Instagram e TikTok), onde compartilha uma rotina que alterna entre os compromissos do calendário fashion, no Brasil e no exterior, e momentos mais reservados ao lado da família. A exposição, no entanto, é calculada. Maria mantém a vida pessoal em segundo plano, revelando apenas fragmentos, o suficiente para criar proximidade sem abrir mão da privacidade.
É nesse contexto que surge The Braz, série no YouTube protagonizada ao lado da mãe e das irmãs – Maria Antônia e Maria Isabela. O projeto funciona como uma extensão controlada desse universo íntimo: ao mesmo tempo em que aproxima, preserva a narrativa sob seu próprio olhar. Ali, o cotidiano ganha contornos mais leves, mas ainda alinhados à construção de imagem que sustenta sua presença pública.
Entre aeroportos, fittings e primeiras filas, a influenciadora atravessou uma das temporadas mais intensas de sua trajetória até o momento. Desfiles de maisons e marcas que ajudam a definir o pulso da moda contemporânea, como Ferragamo, Dolce & Gabbana, Givenchy e Miu Miu. “Poder estar presente em eventos tão grandiosos e relevantes ao lado de marcas que admiro é uma honra enorme”, resume. “Nova York é mais dinâmica e cosmopolita, Londres traz essa mistura incrível entre tradição e inovação, e Milão e Paris têm uma intensidade e uma sofisticação muito próprias.

No fim, o que mais me inspira é justamente poder misturar todas essas referências”, afirma.
O desfile da Miu Miu, em Paris, foi especialmente marcante. “Fechar a Paris Fashion Week sendo a única influenciadora convidada pela marca foi muito especial. É uma relação que venho construindo desde 2022, então viver esse momento teve um significado ainda maior. Foi uma forma muito bonita de encerrar a temporada”, diz.
A presença de Maria é marcada por um olhar atento ao que está sendo apresentado. “Vimos uma alfaiataria muito precisa e sofisticada, e também apareceram muitas texturas, sobreposições e uma certa liberdade na construção dos looks”, relembra. “Gostei muito da alfaiataria com pegada sensual, dos tricôs com esse ar mais vintage e também das

texturas mais marcantes, que trazem um aspecto quase tátil para os looks. São tendências fortes, mas, ao mesmo tempo, adaptáveis para o dia a dia”, analisa.
As referências vistas nas passarelas não ficam restritas ao momento do desfile. Elas são incorporadas de forma gradual, influenciando o olhar, as escolhas e até a maneira de construir um look no dia a dia. As semanas de moda apontam tendências, mas não só isso: também ampliam repertório e abrem espaço para novas possibilidades dentro do próprio guarda-roupa. “É uma fonte riquíssima de inspiração. Eu sempre volto com novas ideias, um olhar diferente e vontade de experimentar mais, seja nas combinações, nas proporções ou até na forma de usar peças que eu já tenho”, afirma. Essa influência aparece muitas vezes nos detalhes: na forma de combinar peças, na leitura de proporção, no uso de sobreposições. Aos poucos, o que foi visto na passarela ganha outra escala, mais próxima da vida cotidiana, sem perder a intenção original. “Às vezes, uma peça que parece difícil na passarela
pode ganhar outra leitura no dia a dia. Um exemplo foi o avental da Miu Miu que usei, com sobreposições e um styling pensado, ele ganhou um ar completamente novo”, exemplifica.
Entre as lembranças das mais recentes participações internacionais, o desfile da Burberry aparece como algo simbólico. “Estar ali, ao lado da minha mãe, e sermos as únicas brasileiras presentes, representando esse momento, foi muito emocionante”, conta Maria Braz. A cena sintetiza um percurso que, embora dialogue com esse ponto de partida, já se sustenta por escolhas próprias e mostra que caminha lado a lado com a mãe. Para o futuro, ela resume com clareza: “Quero expandir meus projetos na moda e na comunicação.”


NA CIDADE MATARAZZO, O MATA LAB PROPÕE UMA NOVA FORMA DE RELAÇÃO COM O CONSUMO GUIADA POR REPERTÓRIO DE COMBINAÇÕES E CONTEXTO, EM QUE MAIS DE DUZENTAS MARCAS CONVIVEM, REDESENHANDO A EXPERIÊNCIA DO LUXO SILENCIOSO
Por Marcella Oliveira
Do lado de fora, o Mata Lab não chama atenção. Em uma cidade como São Paulo, onde vitrines disputam o olhar a cada esquina, a fachada discreta quase passa despercebida. Não há excesso nem tentativa alguma de antecipar o que acontece ali dentro. E talvez esse seja o primeiro gesto consciente do projeto: guardar o impacto para quem decide entrar.
O nome não é casual. Instalado em meio à vegetação em que se encontra o complexo da Cidade Matarazzo, o Mata Lab nasce dessa relação entre cidade e natureza, como um respiro dentro do ritmo urbano acelerado. O espaço ocupa um edifício histórico restaurado e se apresenta como uma plataforma de curadoria e edição em moda,

beleza e design. Reúne mais de duzentas marcas e se propõe a uma lógica diferente de consumo, menos orientada por categorias e mais construída a partir de relações, combinações e contexto.
Em um passeio exclusivo para a GPS|Brasília, guiado pelo diretor criativo Tunico de Castro Filho, essa lógica vai se revelando aos poucos. Ele não conduz o percurso de forma linear. Para, volta, muda de direção, aponta detalhes que passariam despercebidos. A sensação é de estar acompanhando um raciocínio em construção. “A gente fala o tempo inteiro de edição”, diz, quase como um mantra. “A gente não conseguiria ficar explicando para o cliente. Ele precisa descobrir por conta própria.”
Essa ideia organiza tudo. Não há divisão por coleção, cor ou gênero. O que se vê são composições prontas, looks inteiros que misturam marcas e estilos, como se o trabalho de escolha já tivesse sido antecipado. “É literalmente de look. Tanto faz ser masculino ou feminino. A loja inteira está pronta para o cliente. Se ele quiser, ele não precisa nem pensar”, explica.
Na prática, isso muda o comportamento de quem circula pelo espaço. O consumo deixa de ser uma busca direta e passa a ser uma reação ao que aparece. “Às vezes, você não usaria uma peça de uma determinada marca. Mas aqui você vê de outro jeito. E aí vira algo que se torna a sua cara”, completa o diretor criativo.
Ao longo do percurso, a mistura passa a funcionar como linguagem. O Mata Lab reúne desde nomes consolidados, como Osklen, Cris Barros e Missoni, até marcas que representam a vanguarda da moda nacional, como Forca Studio, Santa Resistência e The Paradise. O local também estabelece conexões internacionais relevantes. É o primeiro no Brasil a apresentar uma seleção de produtos ligados à Dover Street Market, a boutique londrina idealizada por Rei Kawakubo.
Essa mesma diversidade é observada em outros nichos, como na joalheria, com marcas que trabalham com reciclagem de metais, mineração e produção artesanal, como House of Lauer, Daslan, Bravio Studios, K.Stockler e Andrea Colli. No mobiliário e nos objetos para casa, bancos e esculturas do consagrado Hugo França dividem espaço com peças de marcas como MH Studios, ArteKura e ByNomads.
Há também presença brasiliense com a marca de second hand Pretty New, trazendo o olhar para sustentabilidade e circularidade, com peças vintage convivendo com lançamentos. No streetwear, uma loja exclusiva da Golden Goose, onde se pode restaurar o tênis ou customizá-lo.
À primeira vista, a quantidade poderia sugerir excesso. Mas o que se percebe é outra coisa. “Sempre o refinamento e bom gosto do olhar são o que fazem a diferença nessa curadoria. A gente olha a coleção, olha a marca, como ela trabalha. É um processo que não acaba”, confessa.

Essa continuidade ajuda a entender por que o espaço não parece estático. Há sempre algo que é revisto, ajustado, reposicionado.
O edifício preserva marcas do tempo, texturas originais e camadas que não foram apagadas. Essa decisão reforça a sensação de autenticidade e insere o visitante em uma experiência mais orgânica. “Tudo isso aqui é de verdade”, diz Tunico, mostrando as plantas e o sistema de irrigação.
Ao mesmo tempo, o Mata Lab não é uma loja fixa. A cada dez dias, araras são reposicionadas, percursos são redesenhados, combinações são refeitas. “Quando você vier de novo, será outra loja”, explica. Essa dinâmica transforma o espaço em um organismo vivo, que exige um novo olhar a cada visita
Esse movimento se estende à programação. Oficinas, ativações, lançamentos e encontros com marcas fazem parte da rotina, consolidando o espaço como um destino. “A intenção é ser mais do que uma loja, ser um espaço de encontro, um ponto cultural”, conclui Tunico.
Ao final do percurso, fica a sensação de que o Mata Lab não tenta simplificar a moda, mas reorganizá-la e reapresentá-la de outra forma. Em um momento em que tudo tende a ser rápido e previsível, ele propõe outra cadência. E, ainda que nem todo mundo tenha disposição para entrar nesse ritmo, quem entra dificilmente sai vendo a moda da mesma maneira.
@matalabsp
/ Patricia Justino
@patjustinovaz




Na Maison Phil, o que se revela não é apenas criação, é identidade. O ateliê traduz o universo de Phil Moretzsohn, artista brasiliense cuja trajetória atravessa diferentes linguagens, do cinema ao figurino, da cenografia à moda. Com formação pela Escola de Belas Artes da UFRJ, Phil desenvolveu um olhar multidisciplinar que hoje se materializa em peças únicas, que transitam entre o objeto e o simbólico. Suas criações – entre arte, moda e intervenção – carregam uma assinatura que valoriza o gesto, o processo e o feito à mão, em que o abstrato e o surreal ganham forma a partir de construções orgânicas. Com um percurso consolidado, seu trabalho já conquistou nomes relevantes do cenário brasileiro, como Xuxa, entre outros, que reconhecem a força de sua linguagem sensível e autoral. Hoje, a Maison Phil se firma como expressão autêntica de um olhar que cria por necessidade, e transforma ideias em identidade visual, com narrativa, consistência e uma estética que busca o singular.
@philmoretzsohn
O Galpão se consolida como um dos espaços mais relevantes da curadoria de design brasileiro na capital, reunindo mobiliário autoral e objetos que transitam entre função e expressão. É ali que a nova coleção de Juliana Lima Vasconcellos ganha casa. A arquiteta mineira, com formação em Barcelona e reconhecimento internacional – incluindo peças no acervo permanente do Museum of Arts and Design – construiu uma linguagem própria, na qual volumes esculturais, robustez






Entre beleza, taças e encontros, nasce em Brasília uma experiência que transforma o gesto de se maquiar em ritual. Idealizado a partir da parceria entre a Casa Quadra e a Wine C, o Beauty & Wine Experience propõe uma imersão sensorial que conecta técnica, autocuidado e prazer. Conduzido por Ariella Gaia – referência na área da beleza no Centro-Oeste – o encontro reúne automaquiagem, curadoria de produtos e experiências cuidadosamente harmonizadas com degustações enogastronômicas. Ao longo de três horas, a vivência acontece de forma leve, intuitiva e compartilhada, em um ambiente pensado para despertar os sentidos e fortalecer conexões. Realizado duas vezes ao ano, o Beauty & Wine Experience já conta com lista de espera — reflexo de uma proposta que vai além da técnica e se aproxima de um estilo de vida pautado no bem-estar. Para mais informações e reservas: @quadraconcept_
Cuidar de si nunca foi tão necessário – nem tão sofisticado em sua essência. A Aurora Wellness Clinic chega a Brasília propondo um novo conceito de bem-estar. Instalada na sofisticada SIX Sport Life, no Lago Sul – e aberta a alunos e não alunos da academia –, a Aurora é um convite a desacelerar e a viver o autocuidado, o rejuvenescimento e a alta performance de forma mais consciente. Com protocolos e circuitos terapêuticos exclusivos, vindos diretamente de centros de inovação globais como o Vale do Silício, a clínica reúne também tecnologias inovadoras presentes nos mais modernos centros de wellness da Ásia, Europa e Estados Unidos, sem esquecer o acolhimento e experiências sensoriais em uma abordagem integrada, o que traduz um estilo de vida em que tudo isso coexiste com naturalidade – um dos grandes diferenciais da Aurora.
@aurorawellness.clinic


arquitetônica e feminilidade se fundem com fluidez. Sua trajetória, que atravessa também o universo da moda, revela-se em criações que equilibram precisão, conceito e sensibilidade. Na estreia no Galpão, a seleção, sob a curadoria de Elma Sousa, privilegia peças emblemáticas, como a cadeira Girafa e a poltrona Trapézio, além de uma série de bancos em madeira com fibras naturais, que exploram formas orgânicas, texturas e tonalidades em composições suaves e sofisticadas. Mais do que mobiliário, um convite a habitar o design como expressão.
@galpao_design


Há um movimento silencioso redesenhando a forma como queremos viver – mais natureza, mais tempo, mais presença. A exemplo do sucesso de condomínios de luxo, como o Boa Vista no interior de São Paulo, onde a maioria de suas casas se transformou na segunda residência oficial de famílias que investiram na ideia, buscando um novo refúgio, um local próximo de zonas urbanas, mas afastado do barulho e da aceleração das cidades grandes. Entre Brasília e Goiás, a apenas dez minutos de Pirenópolis, a Fazenda da Matta nasce nesse contexto. Com terrenos amplos e estrutura voltada para experiências, os futuros moradores da Fazenda da Matta poderão desfrutar de áreas comuns de alto padrão como um club house, haras desenhado pelo bicampeão olímpico Doda Miranda, restaurante com chefs renomados, academia e complexo esportivo, áreas de relaxamento com piscinas, adega e parreiral próprios, num cenário de tirar o fôlego, assinado pelo renomado escritório Denise Zuba e Depieri paisagismo. www.fazendadamatta.com.br
/ Isadora Campos
@isadoracampos

Elas são reconhecidas como realeza na indústria da moda e por suas fidèles súditas que ilustram as listas das mais bem vestidas no Brasil e no mundo. Patrícia Viera, a rainha do couro, e sua filha e sucessora, Andrea, seguem consolidadas há mais de três décadas e aclamadas pela sua autoral marca de artesanato de vanguarda, com raras e originais técnicas de manuseio. “Desde o início, o propósito sempre foi o mesmo: transformar o couro em uma forma de expressão artística”, afirma Patrícia quanto às suas criações elevadas a obras de arte. “Eu nunca pensei em fazer moda. Eu sempre quis criar peças com verdade. O couro foi o meu caminho para contar essas histórias”, completa.
A marca iniciou sua trajetória internacional desde muito cedo, impulsionada pela presença de Patrícia, Cristina e Andrea no mercado global. Patrícia foi a primeira brasileira a estar na vitrine da Barneys New York, um marco importante para a moda brasileira. Ao longo dos anos, esteve


em algumas das mais importantes multimarcas do mundo, como a Colette, a Browns e a Joyce Hong Kong, consolidando sua relevância no cenário internacional.
No Brasil, recentemente inaugurou uma flagship no Shopping Iguatemi São Paulo, projeto do Estúdio Tupi, onde a marca traduz o encontro entre o feito


à mão, o sob medida e o ready-to-wear. A loja foi pensada como uma extensão da alma da marca, e traz materiais naturais, texturas e um grande mural artístico que celebra o trabalho manual e a identidade autoral da fundadora. “A Patrícia Viera não é só uma marca, é um legado vivo. É sobre transformar história, afeto e técnica em peças que carregam alma”, diz.
Em Brasília, a marca pode ser encontrada em eventos pontuais e experiências exclusivas – no passado, esteve em lojas multimarcas da capital. “Voltar para Brasília está nos nossos planos, temos um carinho enorme pela capital e muita saudade”, assegura Andrea, que fez de sua larga gama de clientes da cidade suas amigas pessoais. “A mulher de Brasília tem uma elegância muito própria, ela mistura força, sofisticação e praticidade com naturalidade. É uma mulher que sabe o que quer.”
Atualmente, o foco do trabalho está na expansão internacional estruturada, no fortalecimento da identidade autoral e no desenvolvimento de novas categorias, como a linha de produtos para casa. Ao mesmo tempo, segue aprofundando o trabalho artesanal e o sob medida, que são a essência da marca. A coleção atual nasce do conceito de olhar para o passado para construir o presente. É um mergulho nas raízes, no fazer manual, nas histórias familiares e na memória afetiva, reinterpretados de forma contemporânea.



A Patrícia Viera caminha para se posicionar como uma casa de criação que vai além do vestir, expandindo para experiências, cultura e estilo de vida. “Eu gosto do que tem verdade, do que tem textura, do que tem história”, afirma a rainha do couro. “Meu estilo é um equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, sempre com um toque de personalidade. Eu acredito em peças que têm presença e significado”, finaliza sua princesa Andrea, sucessora na sua absoluta monarquia.








Perfume é assinatura. Agrada, revela presença com intenção. As novas fragrâncias exploram contrastes, equilibram potência com sutileza e chegam em frascos que são objetos de desejo.








Verde e amarelo ganham leitura contemporânea em produtos que dialogam com o momento esportivo sem cair no óbvio. A seleção é inspiração para peças que misturam entusiasmo, estilo e senso de pertencimento. Para torcer com intensidade e identidade






















Entre reuniões, deslocamentos e decisões, os acessórios deixam de ser coadjuvantes e passam a estruturar a rotina. Bolsas encenam design funcional e acabamento refinado e acompanham a mulher que transita entre o pragmático e o estético com a mesma precisão

















Milão. Desejo e vulnerabilidade. Despertar o sentir. Reafirmar o poder da marca. A autoridade feminina. O convencional persiste, mas emociona. Ideias intelectuais, rupturas pragmáticas. A relevância da silhueta em um requinte sem reservas sobrepondo-se a tendências e algoritmos.
Paris. Em meio a palácios históricos, a revisita aos códigos. A ancestralidade surge em novas linguagens visuais moldadas pela cultura, pelo artesanato e pela experimentação. Espetáculo intencional. O futuro ativado ao mesmo tempo em faz permanecer as estruturas construídas (Paula Santana)














Refletir o mundo além do seu ecossistema sob a estética dos anos 80. Poder e maximalismo. A nova roupagem. Construções arquitetadas em injeções marcantes de suavidade. Significados fazem sentido. Grandes casas em plena evolução criativa (Paula Santana)



De uma linha no papel surgiram formas, curvas, encontros.

Fez-se arquitetura. Fez-se luz. Fez-se cidade.
De uma linha no papel, nasceu a vida. Nasceu Brasília.
Parabéns, Brasília, pelos seus 66 anos.
O Hospital Santa Lúcia tem orgulho de estar entre os primeiros traços dessa trajetória e de cuidar, todos os dias, de histórias que desenham




Dolce&Gabbana



O domínio absoluto da infalível cor que vibra em seu efeito energizante presente em todas as passarelas. Investimento em exibições irrestritas de hiper feminilidade. Liberdade concedida às mulheres (Paula Santana)














Uma resposta reversa para um mundo colapsante. Um gesto de resiliência. O contraponto do caos. Para vencer conflitos, na moda a arma é o corpo feminino revestido da corajosa e consciente leveza. O belo tem a sua força (Paula Santana)



Tem dias em que a vida pede pressa.
Em outros, pausa.
Entre um compromisso e um encontro, entre resolver e aproveitar, existe um lugar onde tudo se encontra. Terraço Shopping. Cada momento, um só lugar.




UM SÉCULO APÓS A MORTE DO ARQUITETO ANTONI GAUDÍ, A TORRE CENTRAL DA SAGRADA FAMÍLIA É CONCLUÍDA EM BARCELONA. A BASÍLICA ATINGE 172,5 METROS, TORNA-SE A IGREJA MAIS ALTA DO MUNDO E PERMANECE COMO UM PROJETO ALÉM DO SEU TEMPO
Por Giovanna Pereira
Em 10 de junho de 1926, Antoni Gaudí morria em Barcelona após ser atropelado por um bonde, aos 73 anos. Foi confundido inicialmente com um indigente e levado a um hospital público sem que reconhecessem, de imediato, o arquiteto por trás de uma das obras mais ambiciosas da história. Deixava inacabada a Sagrada Família, projeto ao qual dedicou os últimos anos de sua vida com uma devoção quase absoluta, ciente de que não veria sua conclusão. Um século depois, a basílica atinge o marco mais simbólico de sua construção. Com a finalização da Torre de Jesus Cristo, que alcança 172,5 metros de altura, a silhueta
imaginada por Gaudí finalmente se completa no horizonte da cidade catalã, transformando o templo no edifício religioso mais alto do mundo.
No topo do ponto turístico mais visitado da Espanha, operários ainda circulam discretamente entre plataformas e andaimes. Mesmo no momento da conclusão, a obra parece resistir à ideia de estar terminada. A basílica que atravessou guerras, crises econômicas e revoluções tecnológicas chega enfim ao estágio estrutural imaginado por Gaudí.
Sua história começou em 1882, quando a primeira pedra foi colocada em um projeto neogótico relativamente convencional. No ano seguinte, Gaudí assumiu a direção da obra e reformulou completamente o conceito. Inspirado pela natureza, passou


a desenhar colunas inclinadas, superfícies onduladas e estruturas baseadas em geometrias orgânicas. Para calcular os arcos e as forças da construção, pendurava correntes de cabeça para baixo e observava a forma que assumiam sob o efeito da gravidade, um método experimental que antecipava princípios de engenharia estrutural hoje reproduzidos digitalmente.
A convicção de que a obra ultrapassaria sua própria vida nunca foi um problema. “Meu cliente não tem pressa”, costumava dizer, referindo-se a Deus. Nos seus últimos anos, Gaudí chegou a morar no canteiro de obras. Quando morreu, em 1926, menos de um quarto da basílica estava concluído.
A construção seguiria um percurso tão dramático quanto improvável. Durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936, parte do ateliê de Gaudí foi incendiada, destruindo desenhos e modelos originais. Arquitetos e artesãos passaram décadas reconstruindo o projeto a partir de fragmentos de gesso, fotografias e anotações sobreviventes.
Nas últimas décadas, porém, a obra entrou em um novo ritmo. Tecnologias digitais de modelagem tridimensional permitiram decifrar geometrias extremamente complexas imaginadas por Gaudí muito antes da existência de computadores. O uso de softwares paramétricos e o corte automatizado de pedra acelerou etapas que antes exigiriam anos de cálculo manual.
O financiamento também se transformou. Desde o início, a construção depende exclusivamente de doações e da venda de ingressos, e não recebe recursos públicos. Hoje, são milhões de visitas anuais, com ingressos que variam de 25 a 40 euros.
Consagrada como basílica pelo Papa Bento XVI em 2010, a Sagrada Família também integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, que reconhece várias obras de Gaudí em Barcelona como marcos da arquitetura moderna. Quando concluído, o conjunto terá 18 torres: 12 dedicadas aos apóstolos, quatro aos evangelistas, uma à Virgem Maria e a torre central dedicada a Cristo.
A chamada “conclusão” de 2026 é menos um ponto final do que um marco simbólico. A finalização da torre central representa o encerramento da estrutura principal idealizada por Gaudí, mas elementos importantes como partes da Fachada da Glória e diversos detalhes escultóricos continuarão em desenvolvimento e têm data de conclusão prevista para 2034. O presidente da entidade encarregada da obra, Esteve Camps, declarou: “Estamos a seguir à letra o plano de Gaudí. Somos os seus herdeiros e não podemos renunciar ao seu projeto”.
Ao longo de mais de um século, a Sagrada Família tornou-se algo maior do que o projeto de um único arquiteto. Cada geração de construtores acrescentou novas camadas a um plano que atravessou o século XX e chegou ao XXI como um organismo em permanente transformação.
Ela segue encantando os visitantes por fora e por dentro – só em 2025, recebeu cerca de 4,8 milhões de pessoas. Se, do lado de fora, impressiona pela escala e pela complexidade de uma obra que atravessou séculos, é no interior que a experiência se torna quase sensorial. Ali, a luz não entra: ela se espalha. Pela manhã, atravessa os vitrais em tons de azul e verde e desliza pelas colunas que se ramificam como troncos de pedra. À tarde, os vitrais projetam tons dourados e vermelhos sobre o piso de pedra.
Em silêncio, visitantes caminham devagar, quase sempre olhando para cima, como se tentassem decifrar a lógica daquele bosque mineral erguido no coração de Barcelona. O olhar sobe pelas colunas até perder de vista o teto elevado. Ali, no ponto mais alto da nave, a arquitetura parece seguir crescendo, mesmo agora que finalmente alcançou o céu.
@basilicasagradafamilia

@marcella_oliveira
marcellaoliveira@gmail.com
Barcelona não seria a mesma sem Gaudí. O arquiteto catalão redesenhou a paisagem da cidade com uma linguagem própria, composta de cor, movimento e referências à natureza. Suas obras, sete delas reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, revelam arquitetura com superfícies sinuosas, volumes inesperados e estética que mistura elementos do gótico com o Art Nouveau Em dimensão quase artesanal, Gaudí ajudou a popularizar os mosaicos, criou colunas que lembram árvores, estruturas inspiradas em ossos e conchas, e telhados que evocam a pele de um réptil.
Depois da Sagrada Família, há pelo menos três endereços que ajudam a ampliar a compreensão sobre o universo de Antoni Gaudí em Barcelona: Park Güell, Casa Batlló e Casa Milà. Mesmo quando separadas fisicamente, as obras parecem dialogar entre si, como se fizessem parte de um mesmo organismo espalhado pela cidade. A dica de ouro, ao percorrê-las, é não olhar apenas para o todo. Em Gaudí, os detalhes importam tanto quanto a grandeza. Entre uma curva e outra, quase sempre há algo a ser descoberto.




Chegar ao Park Güell já é parte da experiência. A subida até o parque, no alto de uma colina, antecipa a recompensa: uma das vistas mais amplas de Barcelona, com o mar ao fundo e a cidade se abrindo em camadas. Encomendado pelo empresário Eusebi Güell e concebido entre 1900 e 1914 como um projeto residencial, o espaço acabou se transformando em parque público e hoje funciona como um grande museu a céu aberto, onde cada curva revela um novo enquadramento, tanto da cidade quanto da obra de Gaudí.
Logo na entrada, o movimento se concentra ao redor do famoso lagarto de mosaicos, mas basta avançar alguns metros para que o ritmo desacelere. Caminhar por ali é alternar entre áreas abertas e passagens mais silenciosas, sustentadas por colunas que lembram troncos de árvores. Os bancos ondulados, revestidos de mosaicos, convidam a uma pausa que não é apenas contemplativa, mas quase tátil. O parque é extenso, e a visita pede tempo. Com o audioguia, os detalhes ganham outra dimensão, e o que poderia parecer apenas cenográfico revela uma lógica construtiva sofisticada.
@parkguell

No coração da rua mais famosa de Barcelona, o Passeig de Gràcia, a Casa Batlló é uma daquelas obras que mudam conforme o olhar se aproxima. De longe, chama atenção pela fachada vibrante, mas é no detalhe que ela se revela. Ao entrar, a sensação é imediata: não há linhas retas, não há rigidez. Tudo parece desenhado para acompanhar o movimento do corpo, como se o espaço tivesse sido moldado e não construído.

Durante a visita, a luz natural conduz o percurso. No átrio central, azulejos em tons de azul vão se intensificando à medida que se sobe, criando um efeito que lembra a profundidade do mar. O telhado, com sua forma ondulada, reforça a leitura do dragão, enquanto as varandas, vistas de perto, ganham dimensão quase orgânica. No topo, a vista da cidade encerra o percurso com contraste interessante: depois de atravessar um universo tão particular, Barcelona reaparece, mas parece diferente.
@casabatllo
A Casa Milà impressiona: ocupa uma esquina visível de longe. Sua fachada de pedra ondulada parece ter sido esculpida pela natureza, daí vem seu nome mais popular, La Pedrera (A Pedreira). As varandas de ferro contrastam com a pedra da construção. Não há simetria; a obra não parece ter sido planejada. Ao entrar, o impacto não vem apenas da forma, mas da sensação de espaço. Erguida entre 1906 e 1912 como um prédio habitacional, por dentro revela sua arquitetura residencial, com ambientes como salas, quartos e áreas comuns, mostrando como vivia a alta burguesia catalã.

O passeio é também uma oportunidade de compreender melhor o pensamento de Gaudí e seu processo criativo. No terraço – conhecido como Jardim dos Guerreiros –, a experiência se torna mais marcante, pois subir até lá é quase um rito. As chaminés esculturais têm uma pegada futurista e convidam a uma caminhada contemplativa.
Em La Pedrera, como em outras obras do arquiteto, a arquitetura deixa de ser apenas construção e se aproxima de uma linguagem viva, em constante transformação.
@lapedrera_barcelona



ABERTO DESDE 1918, O MAJESTIC HOTEL & SPA BARCELONA ATRAVESSOU GUERRAS, MUDANÇAS E GERAÇÕES SEM PERDER SEU PAPEL CENTRAL NA VIDA CATALÃ. ENTRE SUAS MEMÓRIAS, O HÓSPEDE PERCORRE A HISTÓRIA VIVA DA CIDADE SEM DEIXAR DE OLHAR PARA O FUTURO

Barcelona, domingo de manhã. O aroma é de manteiga quente e o sussurro da conversa é em catalão. O brunch do Majestic Hotel & Spa Barcelona, eleito o melhor da Espanha e tratado pelos catalães como um ritual intergeracional, é um espetáculo íntimo. Antes mesmo do primeiro café chegar à mesa, percebemos que o ambiente não é dominado por turistas apressados, mas por famílias locais que tratam o hotel como extensão afetiva da cidade. Numa mesa, uma menina de oito anos sopra velas, rodeada pelos avós; noutra, um casal grisalho brinda discretamente o que parece ser um aniversário de casamento. O salão pulsa com uma familiaridade que não se explica no menu: é memória social materializada em talheres de prata, geleias caseiras e cava.
Hospedar-se ali é entrar nesse pacto silencioso com o tempo. Inaugurado em 1918 e sempre administrado pela família Soldevila-Casals, o Majestic assistiu à cidade mudar sem jamais fechar as portas, nem durante a Guerra Civil, quando abrigou jornalistas, intelectuais, fotógrafos e diplomatas que faziam dali um ponto de observação seguro. O corredor do terceiro andar, dizem, já foi cenário de discussões acaloradas entre correspondentes estrangeiros que enviavam ao mundo notícias de uma Barcelona fragmentada. Só em 2020, pela pandemia, o Majestic precisou ceder ao silêncio.
Da rua, a fachada neoclássica, com vitrais modernistas, flores esculpidas e grades em ferro forjado, parece perfeitamente integrada ao Quadrat d’Or, berço da Barcelona modernista, onde Gaudí, Puig i Cadafalch e Domènec i Montaner deixaram suas assinaturas. Por dentro, a grandiosidade se revela nos detalhes: a coleção de arte com mais de mil peças espalhadas pelos corredores; o elevador histórico restaurado; as flores frescas renovadas diariamente. Não raro, o concierge conta histórias de hóspedes que pedem o mesmo quarto onde ícones literários dormiram “para ver se absorvem algo”. Ao longo do século 20, o hotel tornou-se uma espécie de clube informal. Por ali já passaram nomes como Federico García Lorca, Picasso, Miró e Ernest Hemingway.
A localização, provavelmente uma das mais privilegiadas de toda a capital catalã, funciona como portal para a cidade que pulsa lá fora. Entre as experiências gastronômicas, o restaurante SOLC tem ingredientes cultivados na própria horta e pratos que celebram a tradição mediterrânea, com curadoria culinária assinada pelo chef catalão Nandu Jubany, estrela Michelin
No terraço, o hotel revela seu lado contemporâneo, com vistas panorâmicas que abraçam a Sagrada Família, a Torre Glòries e o ritmo do Passeig de Gràcia. Nos meses quentes, música leve, coquetéis impecáveis e um sol que se deita devagar, transformam o rooftop num dos endereços mais disputados da cidade, por hóspedes e barceloneses.
Se o terraço é o coração solar do Majestic, o spa é seu pulso subterrâneo. A área wellness foi inaugurada em 2024, com piscina climatizada, raias de natação incomuns em hotéis urbanos europeus e jacuzzis. O espaço devolve ao corpo um tipo de



calma que só lugares muito antigos conseguem oferecer. Há algo quase litúrgico na forma como o hotel entende o descanso: aromaterapia, luz suave, silêncio.
E, ainda assim, o Majestic não vive de passado, vive de continuidade. Foi eleito o melhor hotel de Barcelona no World’s Best Awards da Travel + Leisure em 2024; integra o The Leading Hotels of the World; mantém políticas rigorosas de sustentabilidade com certificações internacionais; oferece experiências personalizadas que vão de tours curados por artistas locais a degustações de vinhos orgânicos produzidos em parceria com a Alta Alella.
O serviço é daqueles que lembram o nome do hóspede, suas preferências de jornal e, se necessário, até o rótulo do vinho comentado na noite anterior. Um hotel centenário que não se mantém relevante só por tradição, mas por permanecer afinado ao espírito da cidade. E é ali, entre a memória e o presente, que o Majestic continua sendo o lugar onde Barcelona, de fato, guarda a sua história.
@majestichotel

@derolhaemrolha
A vinícola italiana Luccarelli acaba de lançar um novo vinho tinto, o Luccarelli Gold Sangiovese IGP Puglia. Elaborado nos municípios de Sava e Manduria, na região da Puglia, o vinho é produzido com a uva Sangiovese, a mesma que, na Toscana, é usada para elaborar o Chianti. A garrafa dourada é um charme a mais, tornando esse rótulo perfeito para presentear ou para surpreender em um evento sofisticado. No Brasil, quem traz é a importadora Porto a Porto.
@portoaporto
Fotos: Divulgação

Após conquistar prêmios pelo mundo com o azeite premium brasileiro, a Sabiá acaba de lançar seu primeiro espumante. Batizado de Cave Sabiá, o projeto marca a estreia da marca no mercado vitivinícola. O rótulo é assinado pelo italiano Massimo Azzolini, formado pela Escola de Enologia de San Michele all’Adige, com trinta anos de trajetória construída em regiões emblemáticas como Franciacorta e Trento DOC. São três versões: Grande Cuvée, Cuvée Beatriz e Blanc de Blanc – um deles já está disponível no mercado. O projeto é ousado: alcançar 150 mil garrafas anuais nos próximos cinco anos com rótulos de extrema qualidade, assim como o azeite.
@cavesabia
A vinícola brasiliense Ercoara acaba de lançar seu segundo Cabernet Franc, o Aprisco. O vinho é elaborado 100% com uvas Cabernet Franc de videiras cultivadas em solo com pedras porosas de Tapiocanga, típico de algumas áreas do Cerrado do Planalto Central. Este rótulo carrega muito da proposta da Ercoara de pouco uso de madeira, revelando a força e elegância da fruta. A produção é de apenas 980 unidades. @ercoara

O Brasil ampliou sua presença no Star Wine List, guia internacional que reúne bares e restaurantes com cartas de vinho de destaque em diferentes países. Atualmente, oito estabelecimentos brasileiros integram a lista, considerada uma referência. Criado para consumidores, sommeliers e viajantes interessados em experiências ligadas ao vinho, o guia destaca lugares com cartas estruturadas, diversidade de regiões produtoras e consistência na curadoria. Na lista estão Dionisia Restaurante Vinho Bar (POA/RS), Elena Horto (Rio), Gnomo Vinhos (SP), Olivetto Restaurante e Enoteca (Campinas/ SP), Plou (SP), Ton Hoi (SP), TUJU (SP) e Vivan Wine Bar (Camboriú/SC).

A vinícola Bojador, projeto do enólogo português Pedro Ribeiro, amplia sua presença no Brasil. Conhecida por valorizar uvas tradicionais do Alentejo em produções sustentáveis, a vinícola passa a ter seus rótulos em maior disponibilidade nas mais de 140 lojas da Grand Cru espalhadas por todo o País. A principal novidade é o lançamento do Farol do Bojador Alentejano 2021, vinho que recebeu avaliações de destaque, como 95 pontos da World Association of Wine & Spirits Journalists e 94 pontos de Markus del Monego e Robert Parker / Wine Advocate. Pedro é reconhecido internacionalmente por reposicionar os vinhos de Ânfora no mercado, consolidando sua reputação no setor. @grandcruvinhos
A 28ª edição do Guia Descorchados, considerado a bússola dos vinhos da América Latina, também aconteceu em Brasília, além de São Paulo e Rio de Janeiro. Considerado o mais respeitado guia de vinhos da América Latina, ele apresenta anualmente a avaliação dos principais rótulos da Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Peru e Bolívia. Aqui em Brasília, participaram Familia Millán, Lui Wines, Otronia, Rutini, El Enemigo, Emiliana, Familia Viñedos Chadwick, Odfjell, Viña Montes, Bodega Favretto Dragone, Garzón, Família Deicas, Viñas Queirolo, entre outras. O Brasil foi representado por Alma di Celina, Miolo e Sacramentos.
@guiadescorchados | @revistaadega
A Wine South America (WSA), uma das principais feiras profissionais de vinhos da América Latina, segue movimentando o mercado em Bento Gonçalves (RS). Em 2025, regustrou um crescimento de 20% no número de marcas expositoras, mais de R$ 100 milhões em negócios e mais de 7 mil compradores de todas as regiões do Brasil e de 19 países. A expectativa para 2026 é de crescimento ainda maior, com a ampliação da participação de vinícolas nacionais e internacionais. Portugal, Itália, Espanha e Grécia já confirmaram presença, evidenciando o crescente interesse pelo mercado brasileiro..
@winesouthamerica


A Vinícola Aurora celebra seus 95 anos com o lançamento de um rótulo exclusivo e limitado: o Aurora 95 Anos – Blend Histórico. O vinho é um blend composto por 51% Cabernet Sauvignon, 32% Merlot e 17% Tannat. No contrarrótulo, um QR Code leva a uma animação de realidade aumentada que traz a história da cooperativa mais premiada do país, desde a fundação, em 1931, até os dias atuais. São 40 mil garrafas numeradas, que já estão disponíveis no site da marca e, em breve, também em mercados.
@vinicolaaurora





Autoridades e empresários da capital estiveram presentes no Royal Tulip Brasília Alvorada para celebrar os 50 anos do Grupo PaulOOctavio. A comemoração teve início ao som da icônica Orquestra do Teatro Nacional Cláudio Santoro, que apresentou um espetáculo especial ao lado do tenor Thiago Arancam. Na sequência, os convidados seguiram para a recepção da festa, com decoração assinada por Valéria Leão Bittar e menu do Unique Buffet, harmonizado com rótulos selecionados da Vinhos do Mundo. Como lembrança, todos foram presenteados com um livro comemorativo dedicado à história do grupo, com direção de Claudia Pereira, projeto gráfico de Claudia El-moor e fotografias de Celso Junior
Fotos: Rayra Paiva



















Os empresários Maria Victória Salomão e Eugênio Carvalho Filho celebraram o batizado da primeira filha do casal, Leona, em cerimônia repleta de significado. O cenário escolhido foi a icônica CatedralBasílica Primacial de São Salvador, situada no coração do Pelourinho. A escolha do local também reverenciou as raízes familiares de Eugênio, que é de família tradicional baiana. Após a cerimônia, cerca de cem convidados foram recebidos no salão de festas do residencial da família em celebração intimista e acolhedora
Fotos: Celso Junior e Aline Ralin














A empresária goianiense Flávia Teles brindou o novo ciclo com uma grande festa no Palácio Tangará, em São Paulo. Os 250 convidados se vestiram de preto para celebrar a aniversariante, que brilhou em um vestido prateado com recortes transparentes. A ambientação, assinada por Valéria Leão Bittar, chamou a atenção pelos arranjos florais. Na pista, todos se esbaldaram ao som das duplas Matheus & Kauan, Gian & Giovani e Guilherme & Santiago. A trilha sonora não ficou só no sertanejo: o saxofonista Dudu Sax e os DJs Sevenn, Du Ferreira, Maju Santana e Gui Ramalho seguiram comandando as picapes até o amanhecer.
Fotos: Celso Junior













Um fim de tarde na paradisíaca praia de São Miguel dos Milagres, Alagoas, foi o local escolhido por Bianca Paraíso e Niko Venâncio para o tão esperado “sim”. Com beleza assinada por Ricardo Moretti, a noiva encantou a todos ao fazer sua clássica entrada ao som da Orquestra Camerata, vestindo um modelo do Atelier Fernando Peixoto. Na recepção, os convidados desfrutaram das delícias do buffet W Gourmet, além dos Cupcakes da Bianca que adoçaram ainda mais o momento. Para assinar a trilha sonora da festa, o DJ Alexandre Kahl e a cantora Kel Monalisa garantiram a animação. Todo o evento ficou sob os cuidados da cerimonialista Mamá Omena.
Fotos: Celso Junior























Cristiane Adriano recebeu familiares e amigas especiais para comemorar seu novo ciclo em um sunset descontraído na sua residência, no Lago Sul. Adornada com arranjos florais por Valéria Leão Bittar, a festa contou com bolo e menu de antepastos e empratados assinados pela Sweet Cake e coquetelaria Mix Drinks. A DJ Ana Chris Skiavoni ficou no comando das picapes, com o melhor do stylish house para não deixar ninguém parado.
Fotos: Rayra Paiva













O aniversário de sessenta anos de Georgia De Luca não passou em branco: teve tons de vermelho e muita animação. A organização da noite ficou por conta da Petite Eventos, que transformou a casa da empresária, no Lago Sul, em um pedacinho da Espanha, onde reuniu suas amigas mais próximas para festejar. A cantora Adriana Samartini e o DJ Sony trouxeram muita animação e energia para a trilha sonora da festa, já a parte gastronômica ficou com o buffet Rock’s Nomade, além de bolo e doces por TBCake and Sweet.














Octo Finissimo Automatic – Bvlgari Com caixa, mostrador e pulseira em ouro amarelo 18 quilates acetinado, movimento mecânico de manufatura extrafino

Polo Signature Date – Piaget A Caixa em aço e fundo da caixa em cristal de safira, mostrador com janela de data em ródio, bracelete de borracha azul-escura intercambiável.

TONDA PF Chronographe
Mystérieux – Parmigiani Fleurier
Equipado com o novo calibre PF053 com cronógrafo monopulsador de tripla embreagem projetado para preservar a pureza do tempo, aparecendo apenas quando ativado

LUC Quattro Spirit 25 – Chopard Em ouro amarelo 18 quilates, de origem ética, apresenta um mostrador em marchetaria de palha na cor natural e é limitado a apenas oito peças

Grand Complication AL 30-660 SC – Patek Philippe
A caixa em ouro branco com padrão “hobnail” emoldura um mostrador laqueado verde texturizado

