Skip to main content

Revista InForme - C304C - Facha - 2020/1

Page 1

Trabalho acadêmico válido como AV2 - Editoração Eletrônica - C304C 2020/1 - FACHA Botafogo, Rio de Janeiro

cidade SOCIEDADE Advogado especializado em direito público afirma que o presidente da República está claramente incitando um golpe.

“DE MANEIRA CRUEL” Menino de 14 anos morre durante operação das polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro no Rio de Janeiro.

MEIO AMBIENTE 12,6 milhões de vidas perdidas por impactos ambientais no ano de 2012. afirma relatório da OMS.

Eles voltaram

Entenda o motivo que levou o grupo de hackers Anonymous a sair da inatividade após 6 anos Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

1


2

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


IMPORTANTE: Devido à pandemia do novo coronavírus, as aulas passaram, a partir do final de março do primeiro semestre de 2020, a ser remotas. É fato que alguns alunos tiveram alguns problemas (além dos emocionais) de equipamentos, pois utilizávamos os dos laboratórios da faculdade. A Facha conseguiu resolver vários de nossos problemas, um deles foi a falta dos softwares necessários para a disciplina, disponibilizando-os, de forma gratuita, para todos os alunos. Porém, foi impossível resolver os problemas de hardware e de acesso à internet, impossibilitando assim, para alguns alunos, a concretização de forma coesa do nosso trabalho acadêmico. Por isso, informo-lhes que, para o fechamento e publicação na WEB (em caráter excepcional), algumas matérias/editorias, de alguns alunos, foram modificadas para obter o mínimo necessário das especificações inseridas no projeto gráfico da nossa revista impressa. As modificações foram feitas somente na parte técnica da produção. Foram mantidos os demais possíveis erros de conteúdo, conforme consta no expediente. Todo conteúdo original, produzido pela turma foi armazenado. Os alunos também foram orientados a arquivarem todo o seu material produzido, original e editado, além dos exercícios e conteúdo ministrado. Dessa forma, poderão observar as alterações aqui realizadas para análise e retificação. Para serem consultadas em futuras produções.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

3


editorial O semestre começou e para muitos alunos havia um sentimento de recomeço, de motivação e novos ares. Estávamos muito dispostos a aprender e encarar mais um desafio dentro e fora de sala de aula. Contudo, com a iminência da COVID-19, muitos de nossos planos de como seria o semestre, foram sendo minados pela falta de informação no começo da pandemia no Brasil. Porém, o que parecia ser o principal motivo para largar tudo, se mostrou como o principal combustível para continuarmos. A FACHA logo correu atrás para melhorar nossa relação com o que estava acontecendo e em duas semanas, estávamos tendo aula novamente, on-line, mas com todo o aparato possível para que pudéssemos ter as aulas de maneira mais semelhante com a que estávamos acostumados. Mesmo assim, fora bem difícil no começo, mas, mais uma vez a FACHA se mostrou presente e nos deu mais segurança e conforto para que enfim pudéssemos completar mais um semestre. Assim como em outras matérias, encontramos diversas dificuldades em completar esse trabalho. Todavia, vendo-o completo e sabendo que fora feito com tanto carinho e dedicação, só comprova que as dificuldades encontradas nesse semestre, já não nos afeta tanto. Agradecimento especial a equipe administrativa da FACHA e ao nosso professor Gilvan Nascimento, o qual se esforçou tanto para que esse projeto fosse concluído e que todos nós sempre terminássemos as aulas entendendo de fato o que ele havia passado. Obrigado, professor!

4

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


expediente Trabalho Acadêmico válido como AV2. FACHA - Faculdades Integradas Hélio Alonso. Campus: Botafogo. Disciplina: Editoração Eletrônica. Curso: Comunicação Social - Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Turma: C304C - 1º Semestre de 2020. Prof.: Gilvan Nascimento. Revista impressa desenvolvida como trabalho acadêmico válido como verificação final, idealizada para os alunos de jornalismo e Publicidade e Propaganda da Facha - Faculdades Integradas Hélio Alonso. As matérias podem não ser originais, bem como as imagens. As originais, que não foram produzidas pelos alunos, deverão ter seus créditos devidamente inseridos. Vale ressaltar que os alunos da turma foram responsáveis por toda a diagramação, planejamento e programação visual com a orientação do professor da disciplina e que foram mantidos os erros cometidos pelos mesmos na produção como forma de avaliação.

Alunos que participaram do projeto: Mídia digital e mídia impressa Editores: Armando Edra De Mattos, Gabriel Fernandes Quintanilha, Marina Machado De Oliveira Mendes e Mateus Felipe Domingos Costa Pinto. Equipe de alunos: Bruna Porto Coutinho Brunna Pessi Gentil Do Rio Carolina Rocha Dos Santos Emily Matos De Andrade Gabriel Kalil Alves Da Silva Gabriela Rost Da Silva Henrique Teixeira Azevedo Isabella Da Costa Carrielo Camara João Paulo Tavares Do Nascimento Moura João Pedro Lemos Da Silva De Castilho Gomes João Victor De Castro Padela Gomes Julia Da Rocha Pinto Larissa Ribeiro Raymundo Leo Cepelowicz Bronstein Liandra Curopos Sylvestre Valvano Lorena Pereira Golarte Lucas Boustani Lucas Menescal Itabaiana Nicolau Lauria Lucas Pajtak Correia Luiza Faiher De Oliveira Mariana Lobato Gonçalves Neves Matheus Faria Rocha Millene Alves Lemos Rocha Pedro Gaspar Cunha Renan Araújo Porto Renata Renê Guarany Ramos Simões Thiago Lins De Vasconcelos Vicente Pereira Arantes Viviane Moreira Paiva Mídia digital

www.facha.edu.br

Breno Carvalho Cardao Prata e Sophie Maria De Carvalho Valente

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

5


sumário Política

9 27

Economia

Cidade

35 Polícia

Sociedade

49 63 80

Clima

Saúde

87

97 Saúde Animal Educação 113 6

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Cultura

128 136 Agenda Cultural

Música

153 175 Cinema

Moda

194 205 Olimpíadas

Esportes

227

235 Esporte Rio E-Sport 243 Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

7


8

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


POLÍTICA

Bolsonaro xinga governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro e o prefeito de Manaus O presidente Jair Bolsonaro ofendeu os governadores Doria e Witzel pela aplicação de medidas de isolamento social e o prefeito de Manaus por abrir covas para mortos pela Covid Editores: João Victor Padela e Lucas Boustani Fonte: www.g1.globo.com Em: 22/05/2020

Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus - esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros -, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus. Está um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procure conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado, né? E nós sabemos a ideologia dele e o que ele prega. E quem ele sempre foi. Está aproveitando agora, um clima desse, para levar o terror no Brasil”. veja.abril.com.br

Além de dar visibilidade ao trecho que está no centro da denúncia de Sergio Moro, a divulgação do vídeo em que o Bolsonaro xinga governadores e um prefeito revelou posturas do presidente e de seus ministros que chocam pela crueza e inadequação. Um exemplo: em plena pandemia, o presidente usou a reunião para criticar a ação de go-

vernadores e prefeitos diante do crescimento da doença no país. Um mês atrás, quando a reunião ocorreu, São Paulo tinha quase 16 mil casos e mais de 1.100 mortos. O estado do Rio, 5.500 doentes com quase 500 óbitos. Bolsonaro também criticou o prefeito de Manaus, em um momento em que a capital do Amazonas tinha quase 2 mil casos e 172 mortes. Segundo o presidente, os governadores não visavam a proteger as vidas, tinham objetivos ideológicos. “O que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade!

Presidente Bolsonaro após soltar ofensas a governadores de Rio e São Paulo Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

9


poder360.com.br

Governador do estado de São Paulo, João Doria, ofendido recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro

Resposta de João Doria aos dizeres de Bolsonaro: Após a divulgação do vídeo de reunião ministerial do dia 22 de abril, em que é xingado de “bosta” pelo presidente Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o Brasil ficou “atônito com o nível da reunião ministerial”. “O Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial. Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Su-

10

premo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República”, disse em sua conta no Twitter. “Lamentável exemplo em meio à maior crise de saúde da história do país e diante de milhares de vítimas”, completou. O governador já tinha dito as seguintes frases direcionadas a Bolsonaro: “Saia da sua bolha, presidente Bolsonaro. Saia dessa sua fábula. Saia do seu mundinho de ódio. Não frequente apenas seu ‘gabinete de ódio’, percorra hospitais, seja solidário”.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Resposta de Wilson Witzel aos dizeres de Bolsonaro: Como já dito, assim como Dória, Wilson Witzel também foi ofendido pelo presidente Jair Bolsonaro, e da mesma forma que o governador de São Paulo, não deixou barato. Menos de três horas depois de ser divulgado o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, em que o presidente Jair Bolsonaro chamou o governador do Rio de “estrume”, o governador do Rio de Janeiro reagiu com uma mensagem postada nas redes

sociais em que diz: “do que ele me chama é essencialmente como ele próprio se vê”. Witzel respondeu pelo Twitter: “A falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes. E espero que num futuro breve o povo brasileiro entenda que, do que ele me chama, é essencialmente como ele próprio se vê”. Aliados durante a eleição de 2018, Witzel e Bolsonaro romperam no ano passado, depois que o presidente passou a dizer que o governador quer ser candidato em 2022.

www.abril.com.br

Governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ofendido recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

11


Sergio Moro brasil.elpais.com

12

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Ex-juiz Sergio Moro anuncia demissão do Ministério da Justiça e deixa o governo Bolsonaro Ex-juiz responsável por processos da Lava Jato, deixou a função em 2018 para assumir como ministro da Justiça. É a nona vez que um ministro deixa o cargo no atual governo www.sputnik.com

Editores: João Victor Padela e Lucas Boustani Fonte: www.g1.globo.com Em: 24/04/2020 O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, anunciou a demissão nesta sexta-feira (24/04). O ex-juiz federal deixa a pasta após um ano e quatro meses no primeiro escalão do governo do presidente Jair Bolsonaro. A demissão foi motivada pela decisão de Bolsonaro de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado para o posto pelo agora ex-ministro. A Polícia Federal é vinculada à pasta da Justiça. Com a saída de Moro, é a nona vez que um ministro deixa o cargo no governo Bolsonaro desses, seis saíram do governo e três continuaram (Onyx Lorenzoni saiu da Casa Civil e foi para a Cidadania; Floriano Peixoto saiu da Secretaria Geral e foi para a presidência dos Correios; e Gustavo Canuto deixou o Desenvolvimento Regional e foi para a presidência da Dataprev). Ao anunciar a demissão, Moro

Ex ministro da justiça ao lado do presidente da república

afirmou que disse para Bolsonaro que não se opunha à troca de comando na PF, desde que o presidente lhe apresentasse uma razão para isso acontecer, pois segundo ele, o problema não é a troca em si, mas o motivo pelo qual Bolsonaro tomou a atitude. Segundo o agora ex-ministro, Bolsonaro quer “colher” informações dentro da PF, como relatórios de inteligência. Moro disse ainda que ao contrário do que aparece no “Diá-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

rio Oficial”, ele não assinou a exoneração de Valeixo, nem o diretor-geral da PF pediu para sair e na publicação, consta a assinatura do então ministro e a informação de que Valeixo saiu “a pedido”. Moro afirmou após isso tudo que o presidente Jair Bolsonaro deu a ele uma espécie de “carta branca” para que o ministro decidisse o que fazer em relação a alguns assuntos, como o comando da PF. 13


veja.abril.com.br

Ex ministro Sergio Moro e seu ex diretor da PF

Sobre a “Carta Branca”: Moro disse que, quando foi convidado por Bolsonaro para o ministério, o presidente lhe deu “carta-branca” para nomear quem quisesse, inclusive para o comando da Polícia Federal. “Foi me prometido na ocasião carta branca para nomear todos os assessores, inclusive nos órgãos judiciais, como a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal”, afirmou o agora ex-ministro. No anúncio, Moro chegou a se emocionar e a ficar com a voz embargada. Foi quando ele disse que havia pedido ao presidente uma única condição para assu-

14

mir cargo: que sua família ganhasse uma pensão caso algo de grave lhe acontecesse no exercício da função. “Tem uma única condição que coloquei. Eu não ia revelar, mas agora isso não faz sentido. Eu disse que, como estava saindo da magistratura, contribuí durante 22 anos, pedi que, se algo me acontecesse, que minha família não ficasse desamparada”, disse Moro. Caso Valeixo: A situação da PF também abalou a relação entre Bolsonaro e Moro. O presidente pretendia desde o ano passado tirar Valeixo do comando do órgão.

Delegado de carreira, Valeixo foi superintendente da PF no Paraná e atuou na Lava Jato. A experiência o fez ser escolhido por Moro para chefiar a PF. A liberdade que Moro teve para escolher Valeixo e superintendentes regionais da PF foi minada aos poucos. Em agosto de 2018, sem o conhecimento da cúpula da Polícia Federal, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente do Rio de Janeiro. A fala gerou ameaça de entrega de cargos na PF. A troca na superintendência ocorreu, mas Moro e Valeixo continuaram nas suas funções, mesmo que com disconfianças sobre os seus futuros.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Em resumo, Moro afirmou no pronunciamento que:

- que o presidente Jair Bolsonaro não apresentou um motivo específico para demitir Mauricio Valeixo;

- que Bolsonaro admitiu que a mudança é uma interferência política porque pretende ter na PF alguém que lhe dê informações sobre investigações e inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal; para Moro, isso não é atribuição da PF;

- que a demissão de Valeixo não foi feita “a pedido”, conforme publicou o “Diário Oficial” e nem ele, Moro, assinou a demissão, embora o nome do então ministro apareça na publicação;

- que ao assumir o posto de ministro, depois de deixar 22 anos de magistratura, o presidente Bolsonaro havia prometido “carta-branca” para escolher e nomear auxiliares.

ve

ja.

ab

ril.

co

m.

br

- foi surpreendido pela publicação no “Diário Oficial” da demissão do diretor-geral da Polícia Federal;

Bolsonaro e Moro dias antes do anúncio da demissão do ministro

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

15


Nascido em 1972 em Maringá, no norte do Paraná, Moro ganhou visibilidade como juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba – especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro. Ele ficou conhecido nacionalmente por ser o juiz responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância. Antes da operação, Moro trabalhou no caso Banestado e atuou como auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber, em 2012, no caso do Mensalão do PT. A Operação Lava Jato, que teve a primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014, começou com a investigação de lavagem de dinheiro em um posto de combustíveis e chegou a um esquema criminoso de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras. Posteriormente, a ação alcançou outras estatais. Em mais de quatro anos de Lava Jato, o magistrado sentenciou 46 processos, que condenaram 140 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os políticos condenados 13ª Vara Federal de Curitiba estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB). Doleiros, ex-diretores da Petrobras e empresários ligados a grandes empreiteiras do país também já foram condenados por Moro.

wikipedia.com

Ex juiz, Moro agora também é ex ministro do atual governo

16

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


ANONYMOUS Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

wikimedia.org

17


Grupo de hackers Anonymous reaparece e Grupo de hackers Anonymous reaameça autoridades parece e ameça autoridades Após a divulgação de vídeo nas redes sociais, site da polícia de Minneapolis, onde George Floyd foi morto por um policial, ficou fora do ar. Após a divulgação de vídeo nas redes sociais, site da polícia de Minneapolis, onde George Floyd foi morto por um policial, ficou fora do ar

18

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


imagem:www.wallpapersden.com

Editores: Lucas Boustani e João Victor Padela Fonte: www.noticias.sr7.com Em: 31/05/20 Depois de 6 anos, o grupo de hackers ativistas Anonymous reapareceu na noite do sábado (30) com um vídeo Editores: Lucas Boustani e João Victordivulgado Padela nas redes sociais em que Fonte: www.noticias.sr7.com prometem divulgar “os muitos outros crimes” cometidos pela polícia dos Em: 31/05/20 EUA, incluindo a polícia de Minneque matou George Floyd, na Depois de 6 anos, o grupo de hackersapolis, ativistas Anonymous reapareúltima segunda-feira (25).

ceu na noite do sábado (30) com um vídeo divulgado nas redes sociais em que prometem divulgar “os muitos outrosapós crimes” cometidos Pouco tempo a divulgação do pela polícia dos EUA, incluindo a polícia deo Minneapolis, que matou vídeo, site da polícia de Minneapoestava fora do ar. Segundo a mídia George Floyd, na última segunda-feiralis(25). norte-americana, durante a manhã deste domingo (31), usuários que Pouco tempo após a divulgação do vídeo, o site da polícia de Minnetentavam acessar o site tinham que apolis estava fora do ar. Segundo a mídia norte-americana, durante completar um catcha para garantir a manhã deste domingo (31), usuáriosque que tentavam acessar o site eles não eram robôs. Pela tarde, o tinham que completar um catcha paraportal garantir que eles ro-o continuava foranão do eram ar, como R7 constatou. bôs. Pela tarde, o portal continuava fora do ar, como o R7 constatou.

Além do site da polícia de MinneapoAlém do site da polícia de Minneapolis, o grupo ameaçou derrubar lis, o grupo ameaçou derrubar outros outros sites do governo, caso necessário. sites do governo, caso necessário.

O vídeo conta com a estética tradicional e conhecida grupo,tradiciocomo O vídeo conta comdo a estética nalFawkes, e conhecida doalterada grupo, como um narrador usando a máscara de Guy a voz di- um narrador usando a máscara de Guy gitalmente e efeitos de cor. Na gravação, o grupo demonstra apoio Fawkes, a voz alterada digitalmente aos protestos contra a morte de George Floyd e ao movimento Black e efeitos de cor. Na gravação, o grupo Lives Matter (ou vidas negras importam, em tradução demonstra apoio aosliteral). protestos contra a morte de George Floyd e ao movi“Infelizmente, na grande maioria dos mento assassinatos pela Matter polícia,(ou o vidas Black Lives importam, em tradução único que continua vivo para contar anegras história é o policial que tiroulitea ral). vida de outra pessoa”, diz o narrador. “Essa tragédia foi longe demais

por muito tempo… e agora as pessoas se cansaram”.

“Infelizmente, na grande maioria dos assassinatos pela polícia, o único que continua vivo para contar a história é o policial que tirou a vida de outra pessoa”, diz o narrador. “Essa tragédia foi longe demais por muito tempo… e agora as pessoas se cansaram”.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

19


exame.com

Trump ameaça usar ‘poder ilimitado’ das Forças Armadas para conter atos anti-racismo Manifestantes foram às ruas em várias cidades do país contra morte de George Floyd Editores: Lucas Boustani e João Victor Padela Fonte: www1.folha.uol.com.br Em:30/05/20 O presidente Donald Trump defendeu neste sábado (30) que os estados e as cidades ajam de modo “muito mais duro” contra os protestos realizados há quatro dias contra a violência policial e o racismo, ou então o governo federal irá tomar medidas severas, que podem incluir o uso de militares. Na noite desta sexta (29), hou20

ve manifestações em ao menos 30 cidades dos EUA, com confrontos, saques e vandalismo em parte delas. Os atos começaram em resposta à morte de George Floyd, homem negro que teve o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco da cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota. “Governadores e prefeitos progressistas devem agir de modo MUITO mais duro ou o governado federal avançará e fará o que tem que ser feito, o que inclui usar o poder ilimitado das nos-

sas Forças Armadas e muitas prisões”, escreveu Trump no Twitter. O presidente americano disse ainda que 80% dos manifestantes em Minneapolis vieram de outros estados e estão “danificando comércios (especialmente pequenos negócios de afro-americanos), casas e a comunidade dos bons trabalhadores moradores de Minneapolis, que querem paz, igualdade e sustento para suas famílias” O republicano vem atacando os ativistas desde sexta-feira (29), quando os chamou de “bandi-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


wgbh.org

dos’. Numa mensagem no Twitter, ele colocou os militares à disposição do governador de Minneapolis e lançou uma ameaça: “Quando os saques começam, os disparam começam”. A frase foi retirada de um pronunciamento feito em 1967 pelo então chefe da polícia de Miami, Walter Headley, um oficial branco. O ex-agente de segurança ficou conhecido por implementar uma cultura de violência policial contra negros durante seu mandato, numa época na qual roubos à mão armada eram comuns em bairros de maioria negra na cidade. Na manhã deste sábado, Trump elogiou a atuação do Serviço Se-

Manifestantes em frente a Casa Branca

wikipedia.org

Muriel Bowser, prefeita da cidade de Washington Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

creto ao defender a Casa Branca, alvo de protesto na sexta, e sugeriu que seus apoiadores se dirijam à sede do governo americano nesta noite. Disse ainda que, caso os ativistas tivessem furado a cerca em torno da Casa Branca, seriam “recebidos com os cães mais cruéis e as armas mais ameaçadoras que já vi”. A prefeita de Washington, a democrata Muriel Bowser, respondeu ao presidente no Twitter dizendo que “não há cães nem armas ameaçadoras”. “Há apenas um homem assustado”. “Enquanto ele [Trump] se esconde atrás de sua cerca com medo/sozinho, eu fico com as pessoas exercendo pacificamente o direito [previsto] na Primeira Emenda após o assassinato de George Floyd e centenas de anos de racismo institucionalizado”, disse Bowser. 21


yahoo.com

Foguete da SpaceX

Neste sábado, Trump foi à Florida acompanhar o lançamento do primeiro voo comercial tripulado da história, feito pela SpaceX para a Nasa. Enquanto isso, novos atos são realizados em Nova York, Washington e mais cidades. Em Austin, no Texas, uma estrada foi bloqueada por manifestantes. Minneapolis, no estado de Minnesota, está sob toque de recolher neste fim de semana, o que autoriza a polícia a prender quem estiver nas ruas à noite. A ordem, no entanto, foi ignorada nesta sexta, e os agentes, em menor número do que a multidão, não conseguiram conter os atos. “A situação em Minneapolis não trata mais do assassinato de George Floyd”, disse o governador democrata Tim Walz, na manhã de sábado. “Trata-se de atacar a sociedade civil, de incutir medo e perturbação às nossas grandes cidades” 22

wikiwand.com

Tim Walz, governador de Minnesota

Manifestantes ateam fogo em bandeira norte-americana Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Walz pediu o envio de mais agentes da Guarda Nacional e insistiu para que as pessoas fiquem em casa. Apesar disso, havia centenas de pessoas nas ruas de Minneapolis na tarde deste sábado. Derek Chauvin, o policial de Minneapolis que aparece em um vídeo ajoelhado sobre o pescoço de George Floyd, foi preso nesta sexta-feira (29) pelas autoridades do estado de Minnesota, nos EUA. A informação foi confirmada pelo comissário do Departamento de Segurança Pública do estado, John Harrington. O assassinato do segurança de 46 anos provocou uma onda de protestos em Minneapolis e em outras cidades dos EUA. As manifestações tornaram-se espaço

para a indignação contra a violência policial e o racismo e acabaram resultando em ataques a estabelecimentos comerciais e até no incêndio de alguns prédios, inclusive uma delegacia de polícia. O policial foi acusado de assassinato em terceiro grau, que, segundo a legislação do estado de Minnesota, é aquele em que a morte é causada de maneira não intencional, através de um ato eminentemente perigoso. A pena para o crime é de até 25 anos de prisão. Floyd foi morto por Chauvin durante uma abordagem na noite do dia 25 de maio. Os policiais foram chamados porque o homem teria supostamente usado uma nota falsa de 20 dólares em uma loja. Depois de deti-

do, Floyd foi jogado ao chão e Chauvin ajoelhou-se sobre ele. O homem gritava que não conseguia respirar, desmaiou e foi declarado morto na ambulância a caminho do hospital. Chauvin e outros três policiais envolvidos na morte de Floyd já tinham sido expulsos do Departamento de Polícia de Minneapolis. O caso de Floyd foi mais de uma longa série de mortes de negros pela polícia durante abordagens violentas. A de maior repercussão foi a de Eric Garner, em 2014, em Nova York, que deu origem ao movimento Black Lives Matter (vidas negras importam). Essa ação se tornou a principal articulação dos negros nos EUA na atualidade. twitter.com

Imagem:www.kpbs.org

Policial Derek Chauvin sufocando George Floyd

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

23


Outras mortes que provocaram protestos contra a brutalidade policial nos Estados Unidos nbc.com

nbc.com

Trayvon Martin, 26 fevereiro 2012

Eric Garner, 17 julho 2014

findagrave.com

gpbnews.com

Sandra Blande, 13 julho 2016

Philando Castille, 6 junho 2016

24

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.facha.edu.br

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

25


ECONOMIA

Taxa de desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas O levantamento divulgado mostra parte dos efeitos da crise econômica causada pelo novo coronavírus Foto: Agência Brasil

Aluno: Pedro Gaspar Cunha Fonte: www.cartacapital.com.br Em: 28/05/2020

Taxa de Desemprego sobe para 12,6%

causou a paralisação de diversos setores da economia. A taxa de informalidade foi de 38,8% da população ocupada, representando 34,6 milhões de trabalhadores. A taxa de subutilização ficou em 25,6%, o que representa 28,7 milhões de brasileiros. A número também é recorde para a série histórica. A taxa de subutilização havia sido de 23,2% no trimestre anterior e de 24,9% no mesmo trimestre móvel de 2019. A Pnad Contínua é realizada em 211.344 casas em cerca de 3.500 municípios. O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados. ipea.gov.br

A taxa de desemprego no país subiu para 12,6% no trimestre encerrado em abril deste ano, atingindo 12,8 milhões de pessoas. É o que mostrou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é maior do que os 11,2% apresentados no trimestre que acabou em janeiro. O nível da população ocupada teve queda recorde de 5,2%, em relação ao trimestre encerrado em janeiro, representando uma perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, que foram reduzidos a 89,2 milhões. Segundo o IBGE, a queda desse indicador é reflexo da pandemia do coronavírus, que

Rendimento médio real domiciliar por faixa de renda

26

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


INSS: último balanço mostra 1,8 milhão de benefícios represados e tempo médio de 69 dias para concessão 1.282.274 esperavam pela primeira avaliação dos seus requerimentos e 520.035 já haviam passado pela análise e necessitavam cumprir exigências do INSS para serem pagos g1.globo.com

Aluno: Pedro Gaspar Cunha Fonte: www.g1.globo.com Data: 01/06/2020 O último Boletim Estatístico da Previdência Social divulgado nesta segunda-feira (1), mostra que havia 1.802.309 requerimentos de benefícios previdenciários aguardando análise pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em março. Desse total, 1.282.274 esperavam pela primeira avaliação dos seus requerimentos, e 520.035 já haviam passado pela análise e necessitavam cumprir exigências do INSS para serem pagos. Houve uma queda de 3,27% no número total de pedidos de benefícios em análise entre fevereiro e março. E também caíram os pedidos em análise até 45 dias e acima desse período. A região Sudeste concentrava em março o maior número de pedidos represados, seguida pelo Nordeste.

Veja abaixo: • • • • •

Sudeste: 747.709 Nordeste: 486.361 Sul: 293.956 Norte: 145.995 Centro-Oeste: 128.288

O tempo médio de concessão de benefícios no país era de 69 dias em março, queda em relação a fevereiro, quando eram 72 dias. Por lei, os pedidos devem ser analisados em um prazo de até 45 dias. Os estados com maior tempo, em março, eram Tocantins, Piauí e Alagoas, com o recorde de 90 dias para concessão. Já em relação às concessões e indeferimentos, 2019 foi o ano com o maior número de recusas de benefícios. Já as concessões no ano passado só não superaram os números registrados em 2013 e 2014.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

27


Cuidado na documentação De acordo com especialistas, o segurado que está aguardando a análise do seu benefício deve ter cuidado com a documentação que apresenta nos requerimentos, e pode recorrer ao Judiciário caso a autarquia se negue a realizar o atendimento e a análise para a concessão do benefício. A Lei 8.213/1991 prevê que os pedidos devem ser analisados em um prazo de até 45 dias, e a tendência

é que a fila cresça por conta da pandemia, dizem os advogados. “Os números de pedidos, especialmente os de auxílio-doença, tendem a se potencializar. A demanda de benefícios e de serviços é cada vez maior e, no entanto, a autarquia não vem repondo adequadamente o seu quadro de servidores, o que dificulta a prestação de um serviço ágil e adequado para a população”, analisa Débora Palline Magalhães, advogada

especialista em Direito Previdenciário do escritório Magalhães & Moreno Advogados. Leandro Madureira, advogado previdenciário e sócio do escritório Mauro Menezes & Advogados, orienta que os pedidos de benefícios devem ser feitos com a documentação mais completa possível para evitar que a concessão dependa de exigências que não podem ser cumpridas devido ao fechamento das agências.

Fonte: Editoria de Economia/G1

Tempo média de espera por benefícios em dias

28

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Entretanto, para Ruslan Stuchi, sócio do escritório Stuchi Advogados, é recomendável também que o segurado não exagere na documentação, o que pode tornar a análise mais demorada. “O meu conselho é entregar apenas os documentos solicitados. Não entregue um documento sem saber para que ele irá servir, verifique se o documento solicitado realmente não foi entregue no pedido original e nunca deixe de cumprir uma exigência feita pelo INSS. Assim facilita a concessão do benefício com mais agilidade”, ressalta. Atendimento nas agências do INSS está suspenso O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu o atendimento presencial nas agências como medida de enfrentamento da epidemia do coronavírus, e esse prazo poderá ser prorrogado No período em que as agências estiverem fechadas, os pedidos de serviços previdenciários e assistenciais deverá ser feito, exclusivamente, por meio de dois canais: pela internet, em Meu INSS, e por telefone, na central de atendimento 135.. Segurados que fizerem requerimentos de auxílio-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoa com deficiência devem enviar o atestado médico pelo Meu INSS. O documento será recepcionado pela perícia médica, que fará as devidas verificações. A plataforma digital permite ainda o acompanhamento de processos, informações sobre benefícios, entre outros serviços. Os agendamentos estão suspensos, inclusive de reabilitação profissional e serviço social, devendo ser reagendados apenas quando o atendimento nas agências for retomado. O INSS diz que está garan-

tida, no entanto, a observância da data de entrada do requerimento. Além disso, o INSS autorizou a prorrogação automática dos benefícios de auxílio-doença enquanto perdurar o fechamento das agências e suspensão do atendimento presencial. A portaria fixa, entretanto, em seis o “ limite máximo de pedidos de prorrogação que, ao serem efetivados, gerarão prorrogação automática do benefício”.

agências estão fechadas, podemos no mínimo assegurar um prejuízo de três meses ao segurado para o prosseguimento das análises dos benefícios”, afirma Ruslan Stuchi.

Serviços na pandemia Para João Badari, advogado especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, o INSS tem se mostrado efetivo durante a crise ao investir em seus canais digitais. “O principal problema hoje para um sistema totalmente remoto são os erros no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), mas isso depende mais da apresentação de documentos pelo segurado”, afirma. A portaria interna nº 123/20 passou recentemente a permitir que a alteração de vínculos de trabalho no cadastro seja feita pelo canal de comunicação do INSS, o telefone 135, para resolver o problema durante a crise sanitária. Questionado sobre a portaria, o INSS se limitou a informar que, eventualmente, acertos poderão ser solicitados no telefone 135 para posterior envio de documentação pelo Meu INSS. Outro problema apontado pelos especialistas é o fato de o canal digital não permitir o envio de todos os tipos de documentos. “Em tempos de pandemia, o INSS deveria disponibilizar que todos os tipos pudessem ser juntados pela internet para que agilizasse o processo de análise. Se levarmos em consideração o tempo que as

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

29


Venda de carros usados desaba e sinaliza encolhimento da economia Comercialização de automóveis e veículos comerciais leves seminovos foi impactada pela crise causada pela pandemia do novo coronavírus Erbs Jr.

Venda se seminovos cresceu 118% em abril, mas segue abaixo da média histórica

Aluno: Pedro Gaspar Cunha Fonte: www.noticias.r7.com Data: 07/06/2020 A venda de 318.150 automóveis e veículos comerciais leves usados em maio representou um crescimento de 118% do segmento na comparação com abril, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Apesar de positivo, o dado surge após quatro meses seguidos de queda e na esteira do impacto causado pela pandemia do novo coronavírus, que fez o ramo de seminovos amargar a comercialização de apenas 145.654 unidades no mês de maio. 30

“Nós voltamos 22 anos na comparação com o que aconteceu na segunda quinzena de março e o mês de abril, com uma leve recuperação no mês de maio em virtude do fato que alguns governadores e prefeitos permitiram a abertura de algumas concessionárias”, avalia o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. Segundo o CEO da Webmotors, Eduardo Jurcevic, a melhora do setor em relação a abril já foi percebida pela plataforma. “Nós notamos, logo na primeira quinzena de março, uma queda pequena de audiência, mas a quantidade de propostas chegou a cair quase 50%. Em abril, já ocorreu uma recuperação gradual, que foi mantida de forma mais consistente em maio“, contou.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Pixabay

Venda de carros usados reflete recessões econômicas

Na comparação com os mesmos dois meses do ano passado, o indicador da Fenabrave aponta para uma queda de 73,7% no volume de vendas de automóveis e veículos comerciais leves usados, o que deve refletir no crescimento econômico brasileiro. Historicamente, os dados da venda de seminovos no Brasil refletem o desempenho econômico nacional. Nos últimos anos, as duas quedas mais significativas do índice ocorreram em 2008/2009 e 2015/2016, períodos marcados por recessões econômicas. Apesar de reconhecer o índice como um sinalizador que acompanha o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos bens e serviços produzidos

pelo País —, Assumpção afirma que ainda é muito cedo para avaliar se a forte queda na venda de veículos usados vai ocasionar efetivamente em uma crise pior do que as enfrentadas anteriormente. “Lamentavelmente, com apenas um trimestre ainda não é possível identificar a redução efetiva. [...] Provavelmente, vamos ter perda de receita, de volume, de empregos e, consequentemente, do PIB”, analisa Assumpção. Ele destaca a participação de 5,12% do segmento na soma total de riquezas produzidas pelo Brasil no ano passado. Na breve comparação trimestral entre os dados do PIB e da venda de automóveis usados, a queda de 1,5% da economia nacional entre janeiro e março já foi acompanha-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

da pelo menor volume de venda de seminovos desde 2016: 2,336 milhões. Os dados da Fenabrave apontam ainda que as comercializações de automóveis e veículos comerciais leves usados devem fechar o segundo trimestre abaixo dos 2 milhões pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2010. Adaptação Para manter a plataforma ativa e proporcionar vendas de veículos durante a pandemia, Jurcevic afirma que foi necessário inovar para garantir segurança a compradores e vendedores. Entra as medidas adotadas, ele destaca a criação do CarDelivery, que leva o automóvel até o endereço do interessado. 31


Fonte: www.noticias.r7.com

Vendas de carros usados nos últimos anos

O CEO da Webmotors destaca que a necessidade de desenvolver o sistema de delivery surgiu após uma pesquisa identificar a insegurança de sair de casa e a possibilidade de contaminação pelo coronavírus. “O carro é levado até a casa do cliente, que pode fazer o test drive com tudo higienizado”, explica o CEO, que 32

garante a manutenção do sistema após o fim da pandemia. Ele conta foi lançado também um sistema de vídeo chamada para oferecer a interação entre as partes. “Isso tudo nos ajudou a passar por esse momento e garantir a conexão entre compradores e as melhores opções de veículos”, completou.

Jurcevic relata que a leve recuperação na plataforma ainda não foi refletida nas compras entre pessoas físicas devido ao que ele classifica como um “receio ao processo de segurança“. “Em termos de anunciantes, ainda não temos o mesmo nível pré-covid-19, mas em relação às lojas, já temos o mesmo patamar”, afirmou.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

33


CIDADE

Protesto ‘Vidas negras importam’ no Rio de Janeiro tem confusão e bombas após encerramento Ato pacífico foi convocado contra a violência policial. Manifestantes carregavam faixas com dizeres como ‘Parem de nos matar’. Lucas Menescal Fonte: g1.globo.com Em: 02/06/2020 Um protesto denominado “Vidas negras importam”, convocado em redes sociais contra a violência policial, foi em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio de Janeiro. O ato foi encerrado pacificamente às 16h30 após a fala de um dos ati-

vistas, determinando a dispersão. Com a chegada atrasada de manifestantes, a polícia reagiu com bombas de efeito moral e balas de borracha. Houve correria. Uma pessoa foi detida. Imagens mostram um policial apontando um fuzil contra ele. Em nota, a PM informou que o militar “responderá administrativamente por ter ferido o protocolo interno ao apontar seu fuzil a um homem desarmado”.

Meia hora após o ato, manifestantes atrasados se concentraram novamente na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, e a PM fez uma linha de isolamento com os escudos. A movimentação chamou a atenção dos ativistas, que se aglomeraram em volta dos policiais. A PM recuou e, a partir desse momento, usou balas e bombas para dispersar o movimento. Imagem: www.twitter.com

Manifestante segura placa “A gente não aceita mais só bala!!!”

34

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Fonte:www.twitter.com

Manifestante carrega cartaz “Nós por nós”

A PM alega que o jovem detido atirou pedras contra os policiais. Ele nega. A polícia informou ainda que ele teria um cigarro de maconha. A abordagem dos policiais, teria sido feita com um fuzil e não com armas não letais porque foi feita por agentes que fechavam o trânsito. Segundo a PM, “um grupo mais exaltado começou a arremessar pedras no Palácio Guanabara e nos policiais militares” e um manifestante chegou a entrar no palácio para danificar uma viatura. A polícia não detalhou o motivo da detenção do manifestante. Em meio à pandemia de coronavírus, os ativistas usam máscaras e outros equipamentos de proteção individual. O ato pediu o fim de operações violentas em favelas e carregava a

foto do menino João Pedro, morto aos 14 anos em casa, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. A Polícia investiga o caso. Segundo familiares, o jovem foi morto por policiais. No ano passado, a polícia do Rio de Janeiro matou 1.810 pessoas. Em relação a 2018, esse número teve um aumento de 18%. O lema da manifestação no Brasil é o mesmo de uma série de protestos que ocorrem desde o dia 25 de maio nos Estados Unidos, após um homem negro ter sido morto por um policial branco que se ajoelhou em seu pescoço, pressionando-o ao chão por cerca de 9 minutos durante uma abordagem policial que foi filmada. O ativista Raull Santiago, do Complexo do Alemão, estava fazendo uma transmissão ao vio em sua rede social e afirmou que eles

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

estavam ali para “tentar sobreviver ao vírus sem ter que se esquivar do tiroteio da polícia, sem ter que carregar os corpos dos nossos irmãos e das nossas irmãs.” Fonte:www.twitter.com

Manifestante usa máscara

35


Menino de 14 anos morre durante operação das polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro em São Gonçalo, Rio de Janeiro Família diz que polícia entrou atirando ‘de maneira cruel’; corporação fala que houve confronto na região

Fonte:www.meiahora.ig.com.br

João Pedro, de 14 anos, assassinado no Complexo do Salgueiro

36

Lucas Menescal Fonte: g1.globo.com Em: 01/06/2020 Um adolescente de 14 anos foi baleado e morto durante uma operação conjunta da Polícia Federal, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. A família do adolescente João Pedro Mattos Pinto estava sem notícias dele, quando foi informada da morte. De acordo com relatos de parentes, a polícia invadiu a casa. “Os policiais saíram atirando”, escreveu um primo numa rede social. Um dos presentes teria gritado que só havia crianças na residência, deitadas no chão e com as mãos para cima. Imagens mostram a parede de um dos cômodos da casa atingida por uma série de disparos. Segundo informações da Polícia Civil, João Pedro Mattos Pinto foi atingido durante um confronto na comunidade enquanto policiais federais e civis atuavam na região. Ele morava na Praia da Luz, no bairro de Itaoca.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


De acordo com os agentes, seguranças dos traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa. Neilton Pinto, pai de João Pedro, diz que a polícia interrompeu o sonho de seu filho. O jovem foi levado da casa de helicóptero. Os parentes afirmam que ele foi levado na aeronave sem que qualquer pessoa pudesse acompanhá-lo, tampouco sem saber para aonde. Rodrigo Mondego, advogado da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, acompanha o caso e está atrás de respostas sobre o caso. “Algumas perguntas precisam ser respondidas. Por que ficaram tanto tempo com o corpo do garoto? Por que só de madrugada indicaram o IML de Tribobó? Como foi essa retirada do corpo dele? Se o corpo

dele foi levado para o heliporto, porque não houve nenhum pronunciamento de parte da Polícia Civil e da Polícia Federal? “, questionou o advogado. A polícia diz que apreendeu granadas e uma pistola. Em redes sociais, parentes escreveram que as apreensões foram “plantadas” para incriminar as vítimas. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) instaurou inquérito para apurar a morte do adolescente. Segundo a especializada, foi realizada perícia no local e duas testemunhas prestaram depoimento. Os policiais foram ouvidos e as armas apreendidas para confronto balístico. Outras diligências estão sendo realizadas para esclarecer as circunstâncias do fato.

A ação visava cumprir dois mandados de busca e apreensão contra lideranças de uma facção criminosa. A PM afirma ainda que traficantes dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes. De acordo com a CBMERJ, agentes prestaram atendimento mas João Pedro não resistiu aos ferimentos.Nota da PM: “Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na segunda-feira (18/5), policiais militares do Batalhão Aeromóvel (GAM) atuaram em apoio aéreo a uma operação realizada pela PF com apoio também da Polícia Civil na Comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo. Vale ressaltar que a PM não foi solicitada para realizar o socorro de pessoas feridas.” Fonte:www.dicasparalelas.com

Charge que ilustra o João Pedro sendo recebido por outros jovens negros assassinados

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

37


Médica agredida no Grajaú diz que pensa em se mudar do bairro: ‘Tô morrendo de medo’ Suspeitos de agressão participavam de ‘Festa da Covid’. Polícia Civil já identificou todos os envolvidos na confusão, um deles é policial militar Lucas Menescal Fonte:g1.globo.com Em:02/06/2020 A médica agredida no Grajaú, na Zona Norte do Rio, disse que tem medo do que possa acontecer a ela e ao filho pequeno e por isso pensa em se mudar do bairro. “Eu tô morrendo de medo. Eu tenho um filhinho pequenininho e eu provavelmente vou ter que mu-

dar daquele bairro. Aqui na delegacia eles me garantiram que nada vai acontecer comigo, justamente pela visibilidade, por tudo que aconteceu. Mas muita gente tá falando que eu mexi com gente poderosa. Eu tô realmente morrendo de medo. Por isso que eu tô buscando me expor. Justamente para que eu busque nessa visibilidade a minha segurança”, disse Ticyana D’Azambujja.

O evento no Grajaú, que terminou com a médica intensivista agredida no meio da rua foi batizado de “Festa da Covid”. A confusão foi no dia 30/05/2020 Ticyana, de 35 anos, contou que decidiu danificar o carro de um dos presentes na festa depois de tentativas em vão de interrompê-la. O decreto estadual que trata das restrições durante a pandemia proíbe tais aglomerações. Fonte:www.odia.ig.com.br

Ticyana, médica vítima de agressões

38

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Fonte:www.oglobo.globo.com

Imagens da agressão à médica

A mulher parece estar puxando o cabelo da médica. As imagens também mostram pessoas separando uma briga entre frequentadores da festa e vizinhos. Ticyana procurou a 20ª DP (Vila Isabel) nesta segunda-feira (1º) para prestar queixa por agressão. A médica chegou à delegacia com uma mão engessada, a outra imobilizada e uma das pernas também. A médica afirma que as festas no vizinho eram frequentes e aumen-

Fonte:notícias.uol.com.br

“Naquela tarde eu decidi dar um basta e encarar eles. Em um ato de imaturidade, quebrei um dos carros, parado irregularmente na calçada. Assim eu sabia que eles viriam para conversar comigo. Mas eles não vieram para conversar. Vieram para me matar”, afirmou Ticyana. Fotos mostram parte das agressões. É possível ver um homem carregando Ticyana enquanto outro homem e uma mulher seguem os dois.

taram na pandemia. “Eu já não dormia mais no quarto. Tinha que dormir na sala junto com meu filho porque não conseguíamos mais dormir”, explicou. “Eu sou médica anestesista e intensivista. Trabalho em três hospitais na linha de frente do combate à Covid. Sexta-feira (29), tinha trabalhado 24 horas e no sábado trabalharia mais 12 horas. Eu tinha só o sábado durante o dia para poder descansar. A Polícia Civil afirma já ter identificado os suspeitos das agressões à médica. Um deles, o PM Luiz Eduardo Salgueiro, teve o vidro do caro quebrado por ela. “Vamos ver a extensão das lesões. Pode até caracterizar uma tentativa de homicídio”, afirmou o delegado Roberto Ramos. Vale ressaltar que por estar decretado isolamento social no Estado do Rio de Janeiro, por conta do novo Coronavírus, os agressores também descumprem essa norma estabelecida pelo Governo e pela Prefeitura. Os acusados podem cumprir regime e pagar multa pelo ato.

Ticyana saindo da Delegacia Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

39


Cinema drive-in abre no Rio como opção de lazer durante o isolamento social Público irá ouvir o áudio do filme através do rádio dos carros e ver as imagens em tela gigante na Barra da Tijuca Fonte:www.g1.globo.com

Projeção de como deve ficar o cinema dirve-in do Rio

Lucas Menescal Fonte:g1.globo.com Em:02/06/2020

O público irá ouvir o áudio do filme através do rádio dos carros e terá que respeitar algumas regras.

A pandemia da Covid-19 provocou o ressurgimento no Rio de Janeiro de uma diversão à moda antiga. Estreiará na cidade um cinema drive-in em que o público assiste aos filmes de dentro do carro, ao ar livre, em um grande estacionamento. A medida foi uma alternativa de lazer criada para as pessoas não desrespeitarem o isolamento social.

Regras Os carros devem ficar estacionados com a distância mínima de 1,5 metro. Apenas dois passageiros são permitidos por carro. A ocupação máxima vale apenas para pessoas da mesma família. O uso de máscara é obrigatório. A venda de ingressos só poderá ser

40

realizada através da internet. A velocidade máxima permitida é de 30 km/h. Apenas carros de passeio podem entrar, vans estão proibidas. Sair do carro somente para ir ao banheiro. Para comidas e bebidas, haverá atendimento delivery. A segurança do local vai advertir imediatamente, caso haja quebra de protocolos. A estrutura já está sendo montada na Barra da Tijuca.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


g1.globo.com

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

41


42

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


TCE-RJ aponta superfaturamento de 123 milhões de Reais na compra de respiradores Órgão responsabiliza ex-secretário e quer devolução de R$ 36,5 milhões Matheus Rocha e Lucas Mesnescal Fonte: Poder 360.com.br e g1.globo.com.br Em: 29/05/202 O TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio de Janeiro aponta superfaturamento na compra de 1.000 respiradores por R$ 123 milhões — 3 vezes o valor de mercado. A auditoria foi feita em contratos emergenciais firmados pela Secretaria estadual de Saúde para a aquisição de ventiladores pulmonares no combate à pandemia do novo coronavírus. A investigação aponta o ex-secretário estadual de Saúde Edmar José dos Santos e o ex-subsecretário Gabriell Carvalho Neves Franco dos Santos como principais responsáveis pelas irregularidades, e solicita a apresentação de razões de defesa ou o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 36,5 milhões. A auditoria foi realizada de 27 a 30 de abril em 3 contratos, com valor total de R$ 183,5 milhões. Ao todo, foram contratadas 3 empresas: ARC Fontoura Indústria Comércio e Representações, A2A Comércio Serviços e Representações e MHS Produtos e Serviços.

A auditoria foi realizada de 27 a 30 de abril em 3 contratos, com valor total de R$ 183,5 milhões. Ao todo, foram contratadas 3 empresas: ARC Fontoura Indústria Comércio e Representações, A2A Comércio Serviços e Representações e MHS Produtos e Serviços. O estudo técnico do TCE-RJ apontou que os respiradores foram comprados com preços que equivaliam, em média, ao triplo adotado como referência no mercado, implicando 1 sobrepreço médio aproximado de 200%. A empresa ARC Fontoura aplicou 1 sobrepreço de 183%, enquanto a A2A, 230%, e a MHS, 212%.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

IRREGULARIDADES , 230%, e a MHS, 212%. A auditoria apontou 7 possíveis irregularidades: contratação de empresas inaptas ao fornecimento emergencial pretendido; direcionamento Ilícito da contratação; pagamento antecipado sem a prestação de garantia; ausência injustificada de estimativas de preço; ausência injustificada de estimativas de quantidade; sobrepreço injustificado das contratações emergenciais; e liquidação irregular de despesa, pelo recebimento de equipamentos inservíveis para os fins a que se destinava a contratação.

43


O relatório alerta tanto o dano ao erário quanto o risco à saúde da população fluminense. Merece destaque a gravidade das condutas de cada um dos responsáveis aludidos, considerando que deliberadamente admitiram o recebimento, com o consequente pagamento, de equipamentos em flagrante desconformidade às especificações técnicas necessárias, não apenas acarretando dano ao erário, mas colocando em risco a saúde de toda a população”, diz o relatório da Secretaria Geral de Controle Externo do TCE-RJ. Também foram encontrados indícios de fraude na condução do processo das contratações, que reforçam a gravidade das irregularidades descritas nos achados. O TCE-RJ encaminhou os dados ao Ministério Público Estadual, como determina o acordo de cooperação assinado para fiscalização conjunta dos atos destinados ao enfrentamento da pandemia. Gabriell Neves foi exonerado em abril pelo governador Wilson Witzel, após suspeita de irregularidades. Ele foi preso no dia 7 de maio, junto com outras três pessoas. O

44

grupo é suspeito de ter obtido vantagens na compra emergencial de respiradores para pacientes de Covid-19 no estado. gularidades. Ele foi preso no dia 7 de maio, junto com outras três pessoas. O grupo é suspeito de ter obtido vantagens na compra emergencial de respiradores para pacientes de Covid-19 no estado. O ex-secretário Edmar Santos, que agora é secretário-extradordinário de acompanhamento da Covid-19, em outro cargo, e a defesa de Gabriell Neves não foram encontrados para comentar o caso até a publicação da reportagem. Existe mais um suspeito de participar de um grupo que teria fraudado compras de insumos e respiradores feitas pelo governo do Estado do rio de janeiro para o enfrentamento à pandemia de covid-19, doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, foi preso nesta quarta-feira, informou o Ministério Público do Estado. O suspeito, o empresário Maurício Fontoura, era sócio de uma empresa contratada em caráter emergencial

pela Secretaria Estadual de Saúde para fornecer equipamentos e respiradores. Os contratos milionários têm indícios de superfaturamento, segundo os órgãos de controle do Estado. Além disso, dos 400 respiradores que a empresa de Fontoura se comprometeu a entregar, pouco mais de 50 foram efetivamente fornecidos e nenhum estava funcionando. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido nesta quarta na cidade de Piraí, no interior do Estado, reduto de um outro preso na operação que investiga o caso na semana passada, o ex-subsecretário-executivo de Saúde do Estado Gabriell Neves, que era o responsável pelas compras emergenciais sem licitação feitas pelo Estado. Na semana passada, além de Gabriell, mais três pessoas foram presas, entres elas o substituto dele no cargo, Gustavo Borges. Os dois foram exonerados. O secretário de Saúde do Estado, Edmar Santos, pediu desculpas à população. A empresa de Fontoura foi procurada, mas nenhum representante foi encontrado. .para comentar a prisão do empresário.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Rio de Janeiro deve endurecer restrições se população não respeitar quarentena A falta de conscientização da população preocupa as autoridades Matheus Rocha e Lucas Menescal Fonte: cnnbrasil.com.br e agenciabrasil.ebc.com.br Em: 28/05/2020 O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que o estado deve adotar medidas mais restritivas para impedir a circulação de pessoas, caso a população não respeite a quarentena para prevenir a proliferação do novo coronavírus Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (7) no Palácio da Guanabara, o governador afirmou que o estado não está preparado para retomar a circulação de pessoas nas ruas. Apesar da taxa de pacientes recuperados ser de 24%; a taxa de mortalidade é de 4,8%. O governador pediu para que a população fique em casa e citou criação de medidas mais duras, caso as pessoas não cumpram a quarentena. Se continuar, talvez tenhamos que tomar medidas mais restritivas. Como já foram adotadas em outras partes do Mundo”, enfatizou. Em alguns países da Europa, como na Itália e França, pessoas estão sendo multadas se forem pegas saindo

de casa sem um motivo específico. Esta é uma das ações tomadas evitar a propagação do vírus no exterior. Witzel também citou a eficácia das barreiras sanitárias impostas no estado do Rio de Janeiro, que permite apenas a entrada e saída de moradores, profissionais da saúde e serviços essenciais. Segundo o que foi informado, os bloqueios entre municípios vão continuar para evitar a propagação da Covid-19. O governador informou que as escolas serão mantidas fechadas em todo o estado. Witzel justificou a medida se referindo às instituições de ensino como um ponto de aglomeração e que crianças seriam vetores de transmissão da COVID-19. O prefeito Marcelo Crivella anunciou a ampliação das medidas restritivas para o isolamento social na cidade do Rio de Janeiro, por um período de sete dias. As medidas incluem novos pontos de interdição nos centros comerciais, a proibição de estacionar na orla e o fechamento do comércio nas favelas, com exceção de supermercados e farmácias. As regras que serão publicadas no Diário

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Oficial do Município, começam a valer nesta terça-feira. Crivella explicou que é preciso aumentar o isolamento porque a curva de contaminação acelerou na semana passada, quando o Rio atingiu 10 mil casos de contaminação pelo novo coronavírus. “Aumentou o número de internações, aumentou o número de contaminações e aumentou o número de óbitos”, disse o prefeito. Na avaliação do prefeito, um lockdown em todo o município do Rio só poderia ser considerado se houvesse mais ações de socorro à população, como a entrega de cestas básicas. “Centenas de milhares de cestas básicas ainda não chegaram.”. As medidas foram decididas após reunião com o comitê científico da prefeitura, no fim de semana, e o prefeito informou que foram levantados dois possíveis fatores que levaram a um aumento da curva: o descuido da população no feriado do Dia do Trabalho e a extensão da quarentena. “Há um certo cansaço; e as pessoas acabam se expondo mais.”. A aplicação das medidas se dará com o apoio da Polícia Militar, conforme combinado com o governo do 45


estado. O emprego dos policiais se dará conforme planejamento que será traçado pelo gabinete de crise da prefeitura e pela corporação. Na semana passada, a prefeitura já havia interditado o acesso de pedestres e a abertura de lojas nos calçadões de Campo Grande e Bangu, bairros com elevados números de casos e mortes. Com o decreto de hoje, o acesso de carros particulares de não moradores será proibido em outros pontos da cidade, no centro dos bairros Méier, Santa Cruz, Madureira, Cascadura, Pavuna, Tijuca, Grajaú, Frequesia e Taquara. Nossas medidas dependem muito da Polícia Militar. Nossa guarda é desarmada e tem imensas dificuldades para atuar em todas essas áreas em uma situação como essa que estamos vivendo”, disse Crivella. A prefeitura também vai decre-

46

tar a proibição de apostas presenciais nas casas lotéricas. Segundo o prefeito, esse locais continuavam a aglomerar idosos, grupo que é considerado de risco em caso de covid-19. Bares, restaurantes e lanchonetes serão obrigados a fechar nos próximos sete dias. Ao descrever as novas medidas restritivas, o prefeito detalhou que os estabelecimentos só poderão manter serviços de vendas para viagem e de entregas se mantiverem as portas abaixadas, sem qualquer tipo de consumo no local. Serviço de delivery. Nas favelas, a proibição se estende a todo o comércio, com a exceção de supermercados e farmácias. Já na orla da cidade, quem não morar nas proximidades não poderá estacionar veículos particulares, entre as praias do Leme e do Pontal.

A partir do decreto, a prefeitura também vai vetar a realização de obras que não sejam emergenciais. A expansão acelerada do coronavírus no Rio de Janeiro pode ser notada pelos próprios dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. A cidade atingiu 10 mil casos antes do previsto pela projeção atualizada semanalmente e divulgada no painel mantido pela secretaria. A previsão é baseada em cálculos do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e foi revista pela última vez em 5 de maio. No sábado, a cidade registrava 10.472 doentes confirmados, mil a mais que os 9.405 casos previstos. Segundo a curva desenhada na pesquisa, o patamar de 10 mil casos seria atingido hoje. Muito preocupante.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Witzel também falou sobre a preocupação com a economia em meio à pandemia e anunciou medidas que poderiam aliviar a crise provocada no setor do comércio, mas com ressalvas. O governador autorizou, em todo estado, o sistema de delivery, em todo comércio, para a entrega à domicílio de produtos ou alimentos. No entanto, o sistema “drive-thru”, aquele em que a pessoa fica em filas, dentro do próprio carro, para comprar ou retirar algum produto. O chefe do gabinete de crise do Rio de Janeiro e secretário de Ordem Pública, Gutemberg de Paula Faria, destacou, durante o anúncio das medidas, que a ampliação do isolamento era importante para que o Poder Público conseguisse ganhar tempo para fornecer aos serviços de saúde respiradores, equipamentos de proteção individual (EPIs) e tomógrafos, que estão a caminho. A cidade do Rio de janeiro é a que mais tem casos registrados da doença, o que causa grande preocupação. O município do Rio de Janeiro deve receber amanhã 150 respiradores e monitores para leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs), que chegarão em um avião da Latam que saiu da China e já está a caminho da Holanda, onde fará parada antes de pousar no Rio de Janeiro. Com a determinação do governo do estado do Rio de Janeiro de retomada parcial do transporte intermunicipal, as concessionárias e empresas que operam as linhas de trem, barcas e ônibus retomam aos poucos as operações, depois das restrições impostas em março na tentativa de conter a pandemia de covid-19. A SuperVia, que opera o sistema de trens metropolitanos, informa que começa a partir de hoje a

oferecer mais 522 lugares por dia nas composições em dias úteis, um aumento de 60% em relação à operação durante o período de mais restrições. Os ramais Santa Cruz e Deodoro serão integrados, com as estações de Deodoro sendo atendidas pelos trens de Santa Cruz. No ramal Japeri haverá o serviço expresso. Deixaram de ter controle de acesso as estações: Japeri, Engenheiro Pedreira, Queimados, Austin, Comendador Soares, Nova Iguaçu, Mesquita, Edson Passos, Nilópolis (ramal Japeri); Belford Roxo e Pavuna/São João de Meriti (ramal Belford Roxo); e Saracuruna, Gramacho, Duque de Caxias, Corte Oito (ramal Saracuruna). Foram reabertas hoje as estações: Presidente Juscelino e Olinda (ramal Japeri), Lages e Paracambi (extensão Paracambi), Coelho da

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Rocha, Agostinho Porto e Vila Rosali (ramal Belford Roxo) e Jardim Primavera e Campos Elíseos (ramal Saracuruna), Silva Freire (ramal Deodoro). A extensão Guapimirim permanece fechada. . A Rodoviária do Rio ainda não tem uma estimativa de retomada das partidas de ônibus intermunicipais e interestaduais, depois da queda de 96% no movimento por causa da pandemia. Como parte das ações da retomada das operações, foram instalados hoje boxes neutralizadores pelos quais todos os passageiros deverão passar antes de embarcar. Grafico mostra a variação negativa que esta ocorrendo por causa do novo coronavírus, o que causa grande preocupação a população e também as autoridades, que estão procurando alternativas para melhorar.

47


Muitas pessoas seguem praticando exercícios mesmo com as recomendações de permanecer em casa, uma pessoa contaminada ao respirar exala um numero considerável de vírus do seu organismo, o que acaba sendo extremamente perigoso as demais. Por isso a população deve seguir com rigor as determinações da organização mundial da saúde. O contágio é realizado com muita facilidade e rapidez, muitos jovens que nao fazem parte do grupo de risco nao estão ligando, porém eles contaminam pessoas que muitas vezes moram com individuos que se enquaram no grupo de risco o que pode ser extremamente perigoso e fatal, por isso fique em casa.

48

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


POLÍCIA

Documentos mostram ligações entre família de Crivella e fornecedores da área da Saúde no Rio Depósito feito por ex-sócio da nora do prefeito é alvo de apuração do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ)

Luiza Faiher e Lorena Golarte Fonte: www.g1.globo.com Em 30/05/2020 Preso na Operação Favorito sócio da nora de Crivella usou conta de fornecedor da Prefeitura para desvio, diz MP. Uma denúncia do Ministério Público revela a ligação de Leandro Braga Souza, preso na semana retrasada na Operação Favorito, desdobramento da Lava Jato, com uma figura chave na área da saúde no município do Rio. Leandro é sócio da empresa LP Participações LLC, em Orlando. Na semana passada, o RJ2 mostrou que a nora do prefeito do Rio, Maressa Crivella, também era sócia da empresa. Dois dias após a exibição da reportagem, ela deixou a sociedade. O gabinete do prefeito não se posicionou sobre a reportagem até a última atualização da matéria. Segundo o Ministério Público, há ligações financeiras irregulares entre Leandro e Clébio Lopes, conhecido como Jacaré, diretor da empresa Doctor Vip, que tem contratos com a Prefeitura.

A denúncia diz que, para desviar dinheiro dos cofres públicos, Leandro usou uma conta de Clébio. A conta da Imagem Transportes foi utilizada em um depósito de R$ 5 mil, como comprovam mensagens trocadas entre Clébio e Leandro, interceptadas com autorização da Justiça. Quarteirização A Doctor Vip, empresa de Clébio, contrata médicos das unidades municipais de saúde em grande parte da Zona Oeste por um sistema de “quarteirização”: a OS que administra o hospital contrata a Doctor Vip para contratar os médicos. Esses, por sua vez, trabalham sem carteira assinada. Em tese, o contrato funcionaria como se eles fossem sócios -- na prática, acabam não tendo alguns direitos trabalhistas. O novo sistema não é irregular, mas funcionários dizem que foram forçados a aceitar esse modelo. Clébio aparece em foto ao lado de Crivella numa reunião no Palácio da Cidade, em outubro do ano passado. Durante a reunião, segundo fontes ouvidas

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

pelo RJ2, o prefeito teria indicado a Doctor Vip para as OSs. Interceptação telefônica O MP aponta ainda a ligação entre Leandro e Clébio que ocorreu por meio de uma terceira pessoa: Paulo Roberto Ferreira Goulart, um PM aposentado, que seria o operador financeiro de Leandro. Numa conversa, ele diz que Leandro conseguiu uma “bolada de contratos” para Jacaré. Clébio negou que Leandro tenha apresentado a ele o prefeito Marcelo Crivella e disse que o dinheiro depositado por Leandro foi para descontar um cheque. Ele afirma também que só esteve com o prefeito duas vezes. Para o Ministério Público, os diálogos sugerem que, em contratos anteriores com a secretaria de Saúde do Estado, parte dos pagamentos para a Doctor Vip foram revertidos em favor de Leandro. A prisão de Leandro no início do mês está ligada a contratos superfaturados assinados com o governo do estado, e não com a Prefeitura. 49


Empresa investigada por fraude em respiradores no RJ subcontratou equipamentos de firma do Pará Representante de empresa do Rio foi preso em Belém. GloboNews teve acesso a documentos que mostram margem de lucro no negócio

Saúde do Rio sofre com fraudes na compra de respiradores pulmoranres

50

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


marica.rj.gov.com.br

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

51


www.abrilclaudia.files.wordpress.com

Tratamento do coronavírus com respirador pulmonar

Luiza Faiher e Lorena Golarte Fonte: www.g1.globo.com Em 30/05/2020 Exclusivo: empresa contratada pelo governo do RJ ganharia R$ 4 mil com subcontratação. Uma das empresas investigadas por fraude na venda de respiradores para o governo do RJ no combate à Covid-19 fez a subcontratação dos aparelhos de outra empresa, que enfrenta acusações semelhantes no Pará, para fechar o negócio. Os aparelhos nunca foram entregues. Representantes da MHS Produtos e Serviços, do Rio de Janeiro, e da SKN do Brasil Exportação de Eletrônicos foram alvos de mandado de prisão em operações da Polícia Civil do Rio, Ministério Público e Polícia Federal. Glauco Octaviano Guerra, representante da MHS, foi preso em Belém. A empresa é acusada de ter vendido 300 respiradores, a R$ 187

52

mil por aparelho, para o governo do RJ. Segundo um documento obtido pela GloboNews, a MHS procurou a SKN como fornecedora dos respiradores -- e pagou pouco mais de R$ 143 mil por cada um dos 97 aparelhos. Na subcontratação de 97 respiradores, a margem de lucro da MHS foi de mais de R$ 4 milhões. Manoel Peixinho, especialista em direito administrativo, afirma que o procedimento é ilegal. “No contrato analisado não há nenhuma cláusula de subcontratação. A contratada não tinha condições de fornecer os bens, subcontratou outra por um preço relativamente de mercado -- e em cima desse valor colocou uma margem de lucro. Ou seja, com prejuízo para o Estado”, explicou. “Se o estado tivesse contratado diretamente com outras empresas, não haveria prejuízo. É claro que também o estado não se preocupou em fazer uma pesquisa de mercado, previamente

à contratação. Se o estado tivesse feito uma pesquisa prévia à assinatura do contrato, conseguiria encontrar no mercado empresas que fornecessem os produtos com preços menores.” Nenhum dos 300 respiradores vendidos para a secretaria de saúde pela MHS Produtos e Serviços foi entregue. Agora, o governo do Rio cobra R$ 18 milhões de volta. SKN A empresa SKN também enfrenta problemas na Justiça do Pará. A SKN forneceu ao Governo do Pará 152 respiradores que não serviam para o tratamento da Covid-19. Esse negócio foi cancelado. Num acordo feito com a justiça, a SKN se comprometeu a devolver R$ 25 milhões. Nesta quarta-feira, o representante comercial da empresa foi preso pela Polícia Federal, que investiga o caso.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


tribunapr.com.br

O que dizem os envolvidos Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde do RJ reforçou que criou uma força-tarefa, em parceria com a Controladoria-Geral do Estado, para analisar contratos na aquisição de equipamentos e insumos para o combate à Covid-19. “Após suspeitas de inúmeras irregularidades e o não cumprimento dos prazos para a entrega dos respiradores, cancelamos os contratos com a empresa MHS” — citada na reportagem. A pedido da secretaria, a Procuradoria-Geral do Estado entrou com ação na Justiça, bloqueando os bens e valores das empresas e pessoas físicas envolvidas, cobrando o ressarcimento do adiantamento pago. A defesa de Glauco Octaviano

Covid - 19

Guerra, dono da MHS Produtos e Serviços Ltda, afirmou que a ausência de pesquisas de preço e o atraso na entrega dos respiradores pulmonares contratados “não podem servir, de maneira alguma, como fundamento da prisão preventiva”. “A empresa acompanha a escalada da corrida mundial por respi-

radores pulmonares produzidos na China, o que tem gerado um quadro de verdadeira canibalização da concorrência”, emendou. Disse ainda que espera que a decisão seja revista pelo Poder Judiciário. A GloboNews não conseguiu contato com as defesas de Gabriell Neves e da empresa SKN. staticndonline.com.br

Polícia Federal realiza mandado de prisão dos representantes da empresa MHS e SKN Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

53


PF prende homem por fraudes no saque do auxílio emergencial no Rio Ele foi preso quando tentava sacar o auxílio em nome de outras pessoas em uma agência da Caixa Econômica Federal na Zona Oeste da cidade Luiza Faiher e Lorena Golarte Fonte: www.g1.globo.com Em 02/06/2020 Homem foi preso em flagrante tentando sacar o auxílio com nome de outra pessoa. A Polícia Federal prendeu em flagrante na manhã desta segunda-feira (1°) um homem de 23 anos que tentava realizar saques do auxílio emergencial em nome de outras pessoas. A prisão aconteceu na agência de Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio.

Com o preso, os agentes encontraram uma lista com nomes e dados de pessoas que seriam vítimas da fraude. O homem informou aos policiais que obteve os dados de qualificação das vítimas por meio de seu trabalho em uma organização não-governamental (ONG) que prestava serviço para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos no posto de atendimento médico de Irajá, onde tinha acesso ao sistema do Conselho Regional

de Assistência Social (CRAS). A PF investigava o caso desde o pagamento da primeira parcela do auxílio. Agentes da Delegacia Fazendária com o apoio do Núcleo de Inteligência da Caixa Econômica Federal monitoravam o homem, que foi levado para a sede da Polícia Federal. Lá, ele foi preso por tentativa de estelionato, com sua pena aumentada, conforme previsto no parágrafo 3º do artigo 171 do Código Penal. A pena para o crime pode chegar a 5 anos de reclusão. midias.agazeta.com.br

Fila de pessoas à espera do recebimento do auxílio emergencial da Caixa Econômica Federal

54

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


SP: violência contra mulher aumenta 44,9% durante pandemia Mulheres enfrentam dificuldades para prestar queixa, alerta FBSP Lorena Pereira e Luiza Faiher Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com Em 20/04/2020 No contexto da pandemia de covid-19, os atendimentos da Polícia Militar a mulheres vítimas de violência aumentaram 44,9% no estado de São Paulo. Em relatório divulgado hoje (20), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) informa que o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817, na comparação entre março de 2019 e março de 2020. A quantidade de feminicídios também subiu no estado, de 13 para 19 casos (46,2%). Policiais militares do Acre também foram acionados mais vezes, pelo mesmo motivo, durante o mês passado, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia para caracterizar o impacto global da doença. Na unidade federativa, constatou-se um crescimento de 2,1% no número de chamados, que saltou de 470 para 480. Também foram registrados dois feminicídios, contra apenas um ocorrido em 2019. O Rio Grande do Norte apresentou um aumento de 34,1% nos casos de lesão corporal dolosa (quando há intenção de se ferir) e de 54,3% nos de ameaça. As notificações de estupro e estupro de vulnerável dobraram, em relação a março de 2019, de modo que o mês foi encerrado com um total de 40 casos. Produzido a pedido do Banco Mundial, o levantamento mostra,

ainda, que no Mato Grosso os feminicídios quintuplicaram, subindo de duas ocorrências para dez. No Rio Grande do Norte, apenas um caso havia sido contabilizado em março de 2019, enquanto se registraram quatro no mês passado. Na análise, foram contemplados seis estados: São Paulo, Acre, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará. A coleta de dados foi feita ao longo da segunda semana de abril e abrangeu o quantitativo de registros de boletim de ocorrência produzidos pelas Polícias Civis de homicídio doloso de mulheres, feminicídios, estupros e estupros de vulnerável, ameaça a vítimas mulheres e lesão corporal dolosa decorrente de violência doméstica; o número de ocorrências atendidas pela Polícia Militar por meio do 190 em casos relativos à violência doméstica e sexual; e o quantitativo de medidas protetivas de urgência determinadas pelos Tribunais de Justiça. Subnotificação de ocorrências Apesar de se ter confirmado a multiplicação dos crimes em diversos pontos do país, formalizar denúncia às autoridades policiais tem sido um obstáculo para as vítimas, em virtude das medidas de quarentena ou isolamento social. Conforme explica o FBSP, se por um lado, as vítimas não têm conseguido ir a delegacias, por outro, podem sentir medo de denunciar os parceiros, devido à proximida-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

de que agora têm deles, com a permanência em casa. No último dia 13, o Ministério Público de São Paulo soltou nota, em que afirma que “a casa é o lugar mais perigoso para uma mulher”. Como referência, o órgão destaca dados da pesquisa Raio X do Feminicídio em São Paulo, que revelou que 66% dos feminicídios consumados ou tentados foram praticados na casa da vítima. O fórum comenta que esses são fatores que explicam a subnotificação de casos e que acendem um alerta para que as autoridades promovam, logo, respostas frente ao problema. “Apesar da aparente redução, os números não parecem refletir a realidade, mas sim a dificuldade de realizar a denúncia durante o isolamento”, escreve na nota. No Acre, embora se observe que mais mulheres se tornaram alvo das agressões no último mês, os boletins de ocorrência tiveram queda de 28,6%. Na avaliação do FBSP, a redução demonstra a série de obstáculos encarada pelas vítimas para prestar queixa, assim como as taxas do Ceará (-29,1%), Mato Grosso (-21,9%), Pará (-13,2%) e Rio Grande do Sul (-9,4%). A Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) já havia feito um apelo para que as autoridades governamentais planejassem ações específicas para mulheres durante a pandemia, levando em conta os riscos que 55


agenciapatriciagalvao.org.br

mulher protestando em ato a favor da vidas mulheres

sofrem, como a violência doméstica. O organismo ressaltou que, nessa fase, as mulheres não somente enfrentam entraves quanto ao acesso a serviços essenciais ou ordens de proteção, mas que “o impacto econômico da pandemia pode criar barreiras adicionais para deixar um parceiro violento”. As colocações ajudam a entender por que a concessão de medidas protetivas diminuiu 32,9% no Pará, 67,7% no Acre e 37,9% em São Paulo, no intervalo de 1 a 12 de abril deste ano, ante o mesmo período de 2019. No dia 7 de abril, o veículo oficial da ONU Mulheres noticiou que autoridades, ativistas dos direitos das mulheres e membros da sociedade civil da Argentina, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos têm reportado aumento 56

nas denúncias de agressões contra mulheres e na demanda por abrigos de emergência. Singapura e Chipre, por sua vez, vivem um crescimento de 30% em chamadas nas linhas de apoio às vítimas. Na Austrália, a procura por socorro foi elevada em 40%, o que mais uma vez comprova a violência contra mulher como uma questão generalizada, presente em todo o mundo e em curva ascendente durante a pandemia. Percepção de vizinhos O FBSP destaca que os vizinhos das vítimas têm percebido a escalada da violência contra mulher e compartilhado o que testemunham em redes sociais. Segundo a entidade, os relatos sobre brigas entre vizinhos totalizaram 52 mil postagens no Twitter, entre feve-

reiro e abril deste ano, um acréscimo de 431%. Ao se considerar apenas as mensagens que indicavam a ocorrência de violência doméstica, as menções chegaram a 5.583. Pelo mapeamento, concluiu-se que um quarto (25%) do total de relatos de brigas de casal foi publicado às sextas-feiras e que mais da metade (53%) à noite ou na madrugada, entre 20h e 3h. Outra descoberta é de que as mulheres foram maioria entre os autores das postagens (67%). Simplificação e engajamento Para facilitar o registro do boletim de ocorrência, que, em geral, exige presença física das vítimas em uma delegacia, o FBSP recomenda que os governos façam adaptações no serviço, a exemplo do que fez São Paulo. O estado

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


mudou as regras vigentes até o início da pandemia e agora permite que a vítima preste queixa mediante o preenchimento de um formulário via Delegacia Eletrônica, pela aba “Outras ocorrências”. Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 1267/20, que visa ampliar, durante a pandemia, a divulgação do Ligue 180, disque-denúncia do governo federal. De autoria de 13 parlamentares do PSOL, PT, PDT, Rede, DEM, PSB, MDB, Pros e PCdoB, a proposta é de se veicular um anúncio sobre o canal em “toda informação que se exiba por meio dos serviços de rádio e televisão aberta, programação audiovisual, notícias divulgadas na internet em portais, blogs e jornais eletrônicos, sejam de acesso gratuito ou pago, sobre episódios de violência contra a mulher”. O Ligue 180 está disponível 24 horas por dia, todos os dias, inclusive finais de semanas e feriados, e pode ser acionado de qualquer lugar do Brasil. Vítimas residentes do exterior também pode utilizar o serviço, sendo que cada país tem um número de telefone correspondente, que pode ser conferido na página do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). As informações também podem ser fornecidas por meio do aplicativo Proteja Brasil, disponível para download gratuito, em versão para os sistemas IOS e Android. Através do Ligue 180 é possível, ainda, se esclarecer dúvidas sobre a aplicação da Lei nº 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que prevê pena para cinco tipos de violência: moral, psicológica, patrimonial, física e sexual.

A pasta também elaborou informes, cartazes e panfletos contendo orientações de segurança para mulheres e informações, para estimular vizinhos das vítimas a prestar queixa das agressões.

O material foi disponibilizado na página do ministério. Na última semana de março, os atendentes do Ligue 180 receberam 9% a mais de chamadas do que na semana anterior, segundo a ministra do MMFDH, Damares Alves. primeiranoticia.ufms.br

tipos mais comuns de violência contra as mulheres

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

57


Pai de João Pedro, morto pela polícia: “Os sentimentos do governador não trarão de volta meu filho”

ativistas 58se manifetando contra o genocídio

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


midianinja.org

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

59


Pai de João Pedro, morto pela polícia: “Os sentimentos do governador não trarão de volta meu filho” Sem receber contato do Governo de Wilson Witzel após a morte do filho de 14 anos numa operação, Neilton Pinto diz que o assassinato “matou um pai, uma mãe e uma filha” Lorena Pereira e Luiza Faiher Fonte: www.elpais.com Em 21/05/2020 O trabalhador autônomo Neilton Pinto, 40 anos, levou longas 17 horas para descobrir o que a polícia havia feito com seu filho João Pedro, 14 anos. O adolescente estava na casa de um primo, brincando, na noite de segunda-feira, 18, no Complexo do Salgueiro, na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. João Pedro levou um tiro de fuzil na barriga, durante operação feita pela Polícia Civil do Estado com a Polícia Federal. Depois de os policiais invadirem a casa, que fica a um quilômetro e meio de onde o garoto morava com o pai, a mãe e a irmã, de 5 anos, eles levaram João em um helicóptero, conforme os outros jovens relataram a Neilton. “Fazia um bico ali perto e, quando cheguei, comecei a passar mal. Perguntei para onde levaram. Nada dos policiais falarem o que aconteceu. Só fui achar meu filho no IML (Instituto Médico Legal)”, recorda, nesta entrevista à Ponte. “Foi a polícia que matou o meu filho. O policial, tenho certeza absoluta, não está 60

dormindo. Está raciocinando [sobre] a besteira que ele fez: tirar a vida de um jovem com futuro brilhante, com muita vontade de viver, de ser advogado, vencer, ser alguém na vida”, afirma. Questionada sobre a ação, a Polícia Civil do Rio afirmou que a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí sustenta que testemunhas foram ouvidas, bem como os policiais, e laudos serão feitos para “esclarecer as circunstâncias do fato”. Pergunta. Quais eram os sonhos do João Pedro? Resposta. O João falava para mim que queria terminar os estudos dele. Tinha um projeto de fazer faculdade de direito, se formar advogado, ter uma vida digna. Era um garoto muito responsável com os estudos, um filho exemplar. Esse era o meu filho. Infelizmente, cortaram esse sonho dele cruelmente. A polícia fez isso dentro da casa do meu sobrinho. Foi isso que aconteceu: tiraram o sonho do meu filho. O João era um garoto 100%, qualquer pai queria ter o João Pedro como filho. Ele estava brincando na casa do primo e outros colegas. Os policiais chegaram de maneira cruel, sem

responsabilidade nenhuma, e fuzilaram meu filho. P. O senhor acredita em justiça? R. Com certeza vai ter justiça. Ela será feita, eu acredito. A de Deus, principalmente. Esse crime não pode ficar impune. Espero que meu filho seja o último. Temos visto muitos crimes anteriores, espero que essa barbaridade que fizeram com meu filho, uma vítima inocente, um garoto de 14 anos, seja a última. Eles não mataram só o João, mataram o pai, uma mãe, uma irmãzinha de 5 anos. P. A casa do seu sobrinho fica perto de onde o senhor mora? R. Fica a um quilômetro e meio de casa. Eu estava bem perto, fazendo um bico com minha cunhada e teve a operação. Blindado, helicóptero, começaram a rodear. Ficamos preocupados, chegamos com todos os garotos no chão, fora da casa, sentados, com vários policiais da COE (Comando de Operações Especiais) ao redor e perguntei: “Cadê o João Pedro?”. Meu sobrinho respondeu: “Foi baleado”. Perguntei para onde levaram. Nada dos policiais falarem o que aconteceu. P. Quem falou que o colocaram

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


no helicóptero? R. Os garotos levaram até o campo e botaram no helicóptero. Os policiais nem socorreram, foram os jovens que o colocaram lá. Comecei a passar mal. “Onde levaram?”. Nada de falar o que aconteceu. Só fui achar meu filho no outro dia, 17 horas depois, no IML, morto com um tiro de fuzil na barriga. Não sei se levaram ele, se fizeram socorro. Só sei de uma coisa: ele estava no IML com tiro na barriga. P. A polícia alega que havia uma troca de tiros. Quem estava na casa contou se houve, de fato, um tiroteio? R. Nada. Os policiais invadiram a casa. Se tivesse bandido para o lado, como alegaram que estava no quintal, era para o helicóptero dar suporte para a pessoa não fugir e cercarem a casa. Entraram com morador, já atirando. Como quem pulou no quintal fugiu com vários helicópteros dando rasante? Forjaram muitas coisas ali dentro [da casa]. Fizeram uma bobagem, a casa está cravada de bala. Se aquilo foi fora da casa, o tiroteio, por que dentro estava cravado de bala? P. Deu para contar quantos tiros? R. Foi muito tiro, fomos gravar. Tem muita coisa errada. Quando chegamos, minha cunhada disse que ia entrar para pegar documentos e eles [policiais] falaram que não podia entrar. Não teve perícia nenhuma, forjaram coisas. A verdade vai vir à tona, não ficará assim. É só ter paciência agora que as coisas serão esclarecidas. Crime forjado nenhum é perfeito, a mentira não prevalece. Toda mentira sempre tem um rastro. Não tem ninguém perfeito. Pode demorar anos, mas a verdade vem à

tona. Só existe uma coisa: ou a verdade ou a mentira. Os garotos levaram até o campo e botaram no helicóptero. Os policiais nem socorreram, foram os jovens que o colocaram lá. Comecei a passar mal. “Onde levaram?”. Nada de falar o que aconteceu P. Alguém do Governo de Wilson Witzel ou o próprio governador procurou o senhor ou sua família? R. Não, o Estado ainda não me procurou. Não falou nada comigo. O senhor governador fiquei sabendo que estava dando uma entrevista por outro motivo e um repórter perguntou a respeito do João Pedro. Fiquei sabendo que ele falou que lamenta pela família, “meus sentimentos”. Os “sentimentos” dele não vão trazer meu filho de volta. A polícia dele que é uma polícia despreparada. O único responsável pela morte do meu filho é o Estado. Foi a polícia que matou o meu filho. A justiça será feita, seja o tempo que for, o quanto levar. P. Pretende entrar com uma ação contra o Estado? R. Força para lutar com o Estado, não tenho, mas temos a Justiça. É lenta, sim, mas não adianta ter pressa que não vai trazê-lo de volta, nada vai trazê-lo de volta. Esse policial, não sei qual deles foi, que tirou a vida do meu filho… Tenho certeza que, com a repercussão que está dando, ele não está dormindo. Está raciocinando [sobre] a besteira que ele fez: tirar a vida de um jovem com um futuro brilhante, com muita vontade de viver, de vencer, de ser alguém na vida. O policial que apertou o gatilho em um menino de 14 anos, que queria ser advogado, ele tirou

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

o sonho do meu filho. Só isso o que ele fez. Tirou o sonho de um rapaz de 14 anos, cheio de projetos, de vontade de viver. Ele não só matou o João Pedro, mas torno a falar mais uma vez: matou um pai, uma mãe, uma filha de 5 anos. Acabou com uma família. P. Imagina como será quando tiver uma nova operação e o senhor estiver em casa? R. Quando tiver operação, minha filha de 5 anos vai estar dentro da minha casa, debaixo dos meus braços. Vou proteger. Se a polícia entrar na minha casa para matar, vai ter que atirar primeiro no pai. A filha estará de braço agarrado com o pai. Vai matar o pai e a filha. Quando tiver uma operação, minha filha não vai sair dos meus braços.

61


medium.com

62

mulher em ato contra a violência dos policias cariocas Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


SOCIEDADE

Bolsonaro invoca “intervenção militar” contra o STF e flerta com golpe Enquanto ataca Corte, presidente se aproxima do Congresso e oferece vaga no Supremo ao PGR, que o investiga. É a interpretação de quem conspira contra a democracia www.brasil.elpais.com

Larissa Ribeiro Raymundo e Brunna Pessi Fonte: elpais.com Em 29/05/20 Em conflito aberto com o Supremo Tribunal Federal e diante de inquéritos que acossam a ele e parte de seus mais fieis militantes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) invocou por meio de suas redes sociais uma “intervenção militar pontual”, ou seja, um golpe contra outros poderes constituídos. Na tarde desta quinta-feira, quando em suas contas no Twitter e no Facebook, o mandatário compartilhou uma entrevista concedida pelo advogado constitucionalista Ives Gandra Martins, na qual ele defendeu que o artigo 142 da Constituição permite uma intervenção das Forças Armadas em outros poderes para a garantia da lei e da ordem. “Live com Ives Gandra: A politização no STF e a aplicação pontual da 142”, escreveu o presidente. Nessa entrevista, o advogado disse que, em casos extremos, quando começasse a haver um choque entre poderes, os militares exerceriam um “poder moderador” e

Bolsonaro é observado pelo ministro Augusto Heleno na frente do Palácio da Alvorada

interviriam em outra instituição. “Caso contrário, o que teríamos seria um superpoder. Existe um poder máximo que é Supremo, o Judiciário, e existem poderes menores, subpoderes, que seriam o Legislativo e o Executivo. E cada vez que houvesse um conflito, mesmo que parte do conflito fosse o poder Judiciário, seria o próprio poder Judiciário era quem decidiria em causa própria”.O EL PAÍS consultou dez juristas, três deles

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

que preferiram não ter seus nomes revelados pelos cargos que ocupam, e todos afirmaram, unânimes, que não há a figura de “intervenção militar” que não seja um golpe. Parte deles opina, inclusive, que o presidente, que já havia participado de manifestações golpistas, incorreu no crime de incitar um golpe de Estado. Pela manhã, Bolsonaro, que usava uma gravata azul com desenhos de pequenos fuzis enfileirados, já 63


www.brasil.elpais.com

Detalhe da gravata de Bolsonaro, fuzis enfileirados

havia demonstrado inconformismo com uma decisão de quarta-feira do ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, no âmbito do polêmico inquérito das fake news. Era uma ordem de apreensão de computadores, celulares e tablets de 29 bolsonaristas, além da quebra de sigilos bancário e fiscal de quatro deles, parte da apuração sobre uma rede de disseminação de boatos contra o STF. “Ontem foi o último dia. Eu peço a Deus que ilumine as poucas pessoas que ousam se julgar melhor e mais poderosos que os outros que se coloquem no seu devido lugar, que nós respeitamos”, disse. E seguiu exaltado: “Não podemos falar em democracia sem um Judiciário independente, sem um Legislativo independente, para que possam tomar decisões não monocraticamente, por vezes, mas as questões que interessam ao povo que tomem, de modo que seja ouvido o colegiado. Acabou, porra”. Em entrevista à rádio Bandeirantes, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, opinou 64

na mesma linha. “Vou me valer de novo das palavras de Ives Gandra Martins: o poder moderador para restabelecer a harmonia entre os Poderes não é o STF, são as Forças Armadas (...) Eles [militares] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso”. Todos os discursos ocorrem seis dias depois de o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, emitir uma nota à República para advertir das consequências “imprevisíveis” para a “estabilidade nacional” caso o Supremo decidisse requisitar o celular do presidente no curso de uma investigação contra o presidente —há um pedido em análise na Procuradoria-Geral da República. A nota foi endossada pelo Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, num inusual participação do chefe das Forças Armadas em questões de política interna. O presidente “conspira contra a democracia” Para Oscar Vilhena, professor

da FGV Direito em São Paulo, Bolsonaro e seu clã, ao invocar o artigo 142 da Carta, usam a “interpretação de quem conspira contra a democracia e não é capaz de interpretar um artigo dentro do quadro geral da Constituição”. “Trata-se de uma interpretação enviesada de que seriam as Forças Armadas, e não o Supremo, que têm a última palavra sobre a defesa da Constituição”, diz Vilhena. “Ele está claramente incitando golpe, ele e o filho [Eduardo]”, disse o advogado especializado em direito público Marco Aurélio de Carvalho. A mesma opinião tem Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. “Em nenhuma hipótese as Forças Armadas podem atuar a pedido dos poderes. Elas podem atuar para garantir a democracia, mas nunca contra a democracia”. O advogado constitucionalista Guilherme Amorim Campos da Silva concorda que “não existe intervenção militar constitucional, como tem pregado o

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


presidente”. Ele acredita que o mandatário está incorrendo em crime de responsabilidade ao quebrar o juramento de defender a Constituição. “As Forças Armadas entram em ação a pedido de algum dos poderes constituídos, para garantir a institucionalidade do país, e não para atuar como força autônoma ou soberana sobre os demais”. Na opinião do criminalista José Carlos Abissamra Filho, diretor do Instituto em Defesa do Direito de Defesa, o presidente tem ficado sozinho politicamente e vem tentando se vincular à instituições que gozam de prestígio social, como Polícia Federal e Forças Armadas. “Ele vem pedindo esse apoio das Forças Armadas há algumas semanas já. Essa é mais uma tentativa. Está esperando para ver se as Forças Armadas vão dar. Eu não vejo clima para que isso ocorra”. O constitucionalista Erick Pereira segue na mesma linha. Para ele, Bolsonaro faz um discurso “intimidador, mas inexequível”. “Não tem espaço constitucional para isso. Apenas se for ato de violência ditatorial e este não precisa da Constituição”. Outro especialista em direito público, Cristiano Vilela diz que o presidente tem andado no limite da incitação a um golpe. “Ele tem feito isso regularmente. Tem dado declarações que deixam a entender, mas sem dizer literalmente”. Supremo e promessa a Aras A aposta de Bolsonaro na tensão máxima com o Supremo acontece em meio à expectativa de que o plenário da Corte julgue, na próxima semana, a legalidade do inquérito das fake news, ins-

taurado pelo próprio tribunal e objeto de debate no mundo jurídico. O relator do caso, Edson Fachin, pediu celeridade nessa análise, já que o procurador-geral, Augusto Aras, pediu a sua suspensão na quarta-feira. No ano passado, Aras, indicado por Bolsonaro, entendia que a apuração era legítima, agora, mudou de ideia. Aras é uma figura central no xadrez político-jurídico não só por causa desta atuação no inquérito relatado por Moraes, mas também porque é ele quem decidirá se Bolsonaro deve ou não ser denunciado por suposta interferência na Polícia Federal. Depois de visitá-lo pessoalmente nesta semana, Bolsonaro resolveu, nesta quinta, oferecer a ele, em público, uma possível vaga no Supremo Tribunal Federal. Em sua tradicional live de quinta-feira no Facebook, na qual abriu espaço para comentaristas da rádio Jovem Pan lhe fazerem perguntas, Bolsonaro teceu elogios a Aras. O mandatário disse que o procurador está fazendo um excelente trabalho, principalmente na área econômica e que, se ele pudesse indicar um terceiro ministro para o STF, o nome seria o de Aras. “Se aparecer uma terceira vaga, espero que ninguém ali desapareça, o Augusto Aras entra fortemente para essa vaga aí”. Até 2022 estão previstas duas aposentadorias de ministros da Corte a de Celso de Mello em novembro deste ano e a de Marco Aurélio Mello, em 2021. Enquanto atacava nas redes sociais o Supremo por um lado, por outro, o presidente recebia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

tenta atuar como bombeiro na crise. Em um relato feito a senadores, Alcolumbre disse seu objetivo é pedir calma ao presidente enquanto o país enfrenta a pandemia de coronavírus. O gesto do presidente do Senado é importante porque a estratégia de Bolsonaro parece ser por água na fervura do conflito, mas sem perder a retaguarda no Congresso. Para tanto, tem forjado aliança com o Centrão, grupo de partidos de direita que aceitou apoiá-lo em troca de cargos e acesso a fundos públicos, e com parte da cúpula do Parlamento. Com os acordos já feitos, em tese, Bolsonaro consegue evitar o andamento de processos de impeachment ou de denúncias criminais na Câmara – já que as legendas do Centrão somam cerca de 200 deputados, 28 a mais do que o mínimo necessário para barrar os intentos. “Atendemos, sim, alguns interesses desses partidos”, disse o presidente sobre o Centrão nesta quinta-feira. Na campanha eleitoral, era comum ouvir do então candidato e de seus aliados mais próximos a afirmação de que o mal do Brasil estava nesse grupo partidário, que representava “a velha política”. Por causa desta blindagem no Congresso, a oposição usa todas as armas jurídicas disponíveis contra o Planalto e ministros diz que a expectativa é que qualquer atitude contra o Governo venha ou do Supremo ou uma mobilização da sociedade no segundo semestre. “A panela de pressão vai estourar depois de julho, quando a economia degringolar por causa da pandemia”, ponderou o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE). 65


Brasil: o novo epicentro da pandemia de coronavírus A imensa subnotificação de casos e, em menor grau, de mortos, devido principalmente à baixa testagem, juntamente com uma curva ascendente de novas mortes, já posicionariam o Brasil como o mais novo epicentro da pandemia de coronavírus www.bbc.com

Larissa Ribeiro Raymundo e Brunna Pessi Fonte: BBC Em 20/05/20 A isso, somam-se uma taxa de contágio ainda muito alta, a baixa adesão da população às medidas de isolamento social e a inabilidade de gestores públicos de reconhecer a gravidade da situação. Na terça-feira (19), o Brasil rompeu a marca simbólica de mais de mil mortes diárias por Covid-19. O país registrou 1.179 novos óbitos em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Ao todo, são 17.971 óbitos por coronavírus e 271.628 casos confirmados. O alerta foi dado no início deste mês a partir de um estudo liderado pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ligado à Universidade de São Paulo (USP). Naquele momento, segundo estimativas (veja mais abaixo como elas foram feitas) da equipe coordenada pelo professor Domingos Alves, o total de infectados por coronavírus no Brasil teria chegado a 1.657.752 (variando entre 1.345.034 e 2.021.177). Desde então e até o fechamento desta reportagem, esse número 66

Estudo aponta que país tem mais de 3 milhões de casos da doença, 11 vezes mais do que os números oficiais

já ultrapassou 3 milhões, segundo a atualização mais recente. Os dados podem acessados no portal Covid-19 Brasil, que reúne pesquisadores de diversas universidades brasileiras. Ou seja, 11 vezes mais do que os casos divulgados pelo Ministério da Saúde e acima do dos Estados Unidos, considerado oficialmente o atual epicentro da pandemia, onde há cerca de 1,5 milhão de casos confirmados, segundo a Universidade Johns Hopkins. “O governo brasileiro perdeu a mão quanto ao controle da pandemia. O número de casos está crescendo de forma exponencial. Pos-

so afirmar categoricamente que o Brasil se tornou o polo mais importante de disseminação do vírus covid-19 do mundo”, diz Alves à BBC News Brasil. “Prevejo um cenário extremamente crítico até o fim deste mês de maio”, acrescenta. Um dos motivos principais para tamanha discrepância dos dados é a baixa testagem da população. Até agora, o Brasil realizou apenas 3.462 testes por milhão de habitantes. Para efeitos de comparação, os Estados Unidos realizaram 37.188 testes por milhão de pessoas e a Espanha, o país que mais testou a população, realizou 64.977 testes

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.bbc.com

Brasil tem 3ª maior taxa de contágio do mundo, diz Universidade Imperial College de Londres

por milhão de habitantes, segundo a empresa de dados Statista. “Sendo assim, mesmo que haja subnotificação nos Estados Unidos, o número real de casos por lá poderia até encostar, mas não ultrapassaria o do Brasil”, afirma Alves. Sem testes Sem realizar testes, o Brasil não tem ideia do tamanho da pandemia. Dessa forma, não consegue adotar medidas específicas para frear o contágio, seja pelo isolamento dos casos assintomáticos ou com sintomas leves, seja pelo rastreamento dos contatos desses infectados. Alves explica que chegou às estimativas a partir de uma modelagem reversa, baseada no número oficial de óbitos do Brasil e na taxa de mortalidade da Coreia do Sul, ajustada para a pirâmide etária brasileira e para o tempo de internação médio entre a confirmação do caso e o óbito, de dez dias. Segundo ele, a Coreia do Sul foi usada como parâmetro pois é um dos países que mais tem conseguido fazer testes em massa. Sendo

assim, sua taxa de mortalidade seria “mais confiável”, ou seja, mais próxima da realidade. “A taxa de mortalidade do Brasil atualmente é de quase 8,6%, muito superior a de outros países, mas isso não se deve ao fato de que os brasileiros são mais propensos a morrer de covid-19”, esclarece. “Como há muito menos casos notificados, a taxa de letalidade da doença parece maior, quando na verdade é bem mais baixa. Ou seja, no Brasil, essa taxa que vemos nos dados oficiais representa a taxa de mortalidade hospitalar, basicamente”, acrescenta. Segundo Alves, a taxa real de mortalidade da covid-19 no Brasil seria de 1,11%. Foi com base nela que ele e sua equipe chegaram à cifra que hoje ultrapassa 3 milhões. O pesquisador ressalva, contudo, que se trata de uma estimativa “conservadora”, uma vez que os cálculos foram baseados no número de mortes oficiais e no tempo de internação de 10 dias entre a confirmação do caso e a morte. Sendo assim, acrescenta ele, se fossem contabilizadas as mortes

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

não notificadas e o tempo total de infecção, de 20 dias, o total de infectados seria “bem maior, certamente ultrapassando 5 milhões”. ‘Mesma direção’ Outros estudos sobre subnotificação de casos realizados por pesquisadores brasileiros, apesar de adotarem metodologias diferentes, apontam na mesma direção. No fim de abril, um projeto de pesquisa coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e pelo governo gaúcho, o Epicovid19, mostrou que o número de casos de coronavírus pode ser de 5 até 26 vezes maior do que as cifrais oficiais. A constatação foi observada na segunda rodada do levantamento e envolveu 4,5 mil pessoas no Rio Grande do Sul que foram testadas. O Estado tem uma população superior a 11 milhões de habitantes. A pesquisa terá mais duas etapas. Especialistas da Ufpel também lideram outro estudo, dessa vez nacional, em parceria com o Ibope, que começou no último dia 5 de maio e pretende testar 33.250 pessoas em cada uma de suas rodadas, que serão realizadas a cada duas semanas. O objetivo é estimar a porcentagem de pessoas com anticorpos para o coronavírus (um número mais próximo do total de infectados), determinar o ritmo de contágio, constatar a parcela de infecções assintomáticas e saber o quanto a covid-19, de fato, mata. A partir desses dados, seria possível precisar melhor o avanço da epidemia e tomar decisões para frear sua expansão. Já outro estudo, realizado pelos professores Leonardo Costa Ribeiro, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, e Américo Tristão Bernardes, do Departa 67


mento de Física da Universidade Federal de Ouro Preto, e divulgado há uma semana, mostrou que número confirmado de casos deve ser multiplicado por “um fator de 3,8 para obter o número real de pacientes infectados em condições hospitalares”, afirmaram os pesquisadores, em nota técnica. Eles ressalvam, contudo, que os índices de subnotificação foram obtidos com base nos casos mais graves, que chegam aos hospitais. “Então, é de se esperar que, considerando também os casos que não geram hospitalização, esses índices sejam ainda maiores”, dizem. Subnotificação de mortes Em relação às mortes, em que Alves acredita também haver subnotificação, embora menor, ele diz que cálculos preliminares apontam que os dados oficiais representariam apenas 60% do total de óbitos. Sendo assim, em vez das quase 18 mil mortes anunciadas pelo Ministério da Saúde, o número real já estaria próximo a 30 mil. Essa subnotificação de óbitos, segundo Alves, deve-se a uma combinação de fatores, incluindo excesso de pedidos de exames, que fazem com que o resultado dos testes atrasem. Como resultado, os médicos acabam fazendo declarações de óbitos sem diagnóstico específico. Alves cita como exemplo o número de mortes causadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), doença causada pelo novo coronavírus. “Em relação ao mesmo período de 2019, o número deste ano já é infinitamente superior, mas nem todos os óbitos são classificados como covid-19”, explica. Segundo dados do Painel COVID Registral, o número de mortes por SRAG entre 16 de março e 20 de 68

maio deste ano foi de 5.300 contra 267 em igual período do ano passado, um aumento de quase 2.000%. Além disso, segundo Alves, devido à falta de estrutura, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), responsáveis pela coleta de dados, podem demorar quase um mês para entregar os resultados sobre o motivo do óbito. “O exame é pedido quando o paciente dá entrada no hospital. Ou seja, se ele fica de dez a quinze dias internado e vem a óbito, só vamos saber se foi por covid-19 15 dias depois. Ou seja, os números oficiais têm um atraso de, no mínimo, uma semana”, assinala. Em entrevista à BBC News Brasil, o físico Roberto Kraenkel, professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e membro do Observatório Covid-19 (iniciativa independente de 43 pesquisadores do país) também chama atenção para os casos dos doentes que não passam pelo sistema de saúde. “Esses casos são quase impossíveis de serem quantificados, mas podem ser estimados por testes sorológicos, em busca de quantas pessoas tiveram contato com a doença e desenvolveram anticorpos”, diz ele. Para o epidemiologista Paulo Lotufo, professor titular de Clínica Médica da Universidade de São Paulo (USP), descobertas recentes sobre a covid-19 tornam ainda mais difícil monitorar o avanço da pandemia, pois muitas pessoas infectadas morrem sem apresentar os sintomas associados à doença, como febre ou falta de ar, e por isso nem chegam a ser testadas. Nos países mais afetados pela pandemia, hospitais têm recebido cada vez mais pacientes com problemas cardíacos e renais

causados pela doença. Vêm surgindo ainda estudos que vinculam a ação do vírus em crianças à síndrome do choque tóxico, doença rara que pode gerar insuficiência renal aguda. “Várias pessoas com doença cardíaca passaram a morrer de covid sem que fossem testadas. A pessoa já tinha tido uma cirurgia cardíaca, estava em casa, tem uma dor no peito e vai para o pronto-socorro. Ninguém vai fazer pesquisa de covid”, disse ele, em entrevista recente à BBC News Brasil. “Então você tem uma quantidade maior de casos que aparentemente são por infarto ou por acidente vascular cerebral (AVC), quando de fato são ocasionados pela covid”, acrescentou. Alves também chama atenção para o número crescente de mortes por dia no Brasil, patamar superior ao de outros países “levando-se em consideração as fases da pandemia”. Cenário ‘extremamente crítico’ Independentemente das subnotificações, os números oficiais já refletem um “cenário extremamente crítico”, diz o especialista. O Brasil se encontra no 83º dia do surto. Dados da Universidade Johns Hopkins mostram que o Brasil já é o segundo país em número de casos por 100 mil habitantes, atrás apenas dos EUA, na comparação dos dados no 83º dia do surto. A confirmação do primeiro caso no Brasil ocorreu apenas no fim de fevereiro, semanas depois do que nos EUA e na Europa. Hoje, em relação às mortes por 100 mil habitantes, o país está atrás dos EUA, Itália, França, Espanha e Reino Unido. Mas deve ultrapassar todos eles, com exceção dos EUA, nos “próximos dez dias”, diz Alves.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.portalcorreio.com.br

Brasil tem 3ª maior taxa de contágio do mundo, diz Universidade Imperial College de Londres

Alves ressalva, contudo, que, no mesmo período da epidemia, a curva de casos confirmados e de óbitos de todos esses países já apontava para baixo ou indicava uma estabilização, enquanto que a do Brasil continua a subir. Ele lembra ainda que o Brasil ainda não chegou ao pico. “Os gestores públicos ainda estão discutindo se decretam lockdown (confinamento total) ou não. Eles vão ter que se explicar a público quando o número de pessoas morrendo em casa aumentar exponencialmente. Vamos virar um Equador”, diz Alves, em alusão ao país vizinho, que passou a registrar um grande número de óbitos em domicílio devido ao colapso do sistema de saúde. Crítico do lockdown, o presidente Jair Bolsonaro alega que o custo econômico de um confinamento nacional seria gigantesco e vem se opondo às tentativas dos governadores de manterem a população dentro de casa. Contágio e adesão Segundo especialistas, a inabi-

lidade dos gestores públicos em admitir a gravidade da pandemia e tomar medidas para confinar a população vem contribuindo para o ritmo de expansão da covid-19 no Brasil. “O que deu de errado aqui? Basicamente, foi a contrapropaganda da Presidência da República”, disse Lotufo. “Como o Brasil não faz testes em massa, os números divulgados são muito mais baixos do que os reais e podem dar a falsa sensação de que nada precisa ser feito, tanto da parte dos gestores públicos quanto da população”, acrescenta Alves. De fato, a adesão da população ao isolamento social no Brasil é baixa. De acordo com dados da empresa Inloco, o índice de isolamento social no Brasil é de 42,6%. Sem medidas duras de confinamento, dizem os especialistas, a taxa de contágio (conhecida como R0, ou número de reprodução básica) deve permanecer alta.

que o Brasil tinha o terceiro R0 mais alto do mundo, 2, atrás apenas de Porto Rico e Bangladesh. O levantamento analisou 54 países com transmissão ativa do vírus. Mas esse número teria caído para 1,4 depois das primeiras medidas de isolamento social e, agora, com mais Estados promovendo a quarentena, segundo um estudo recente realizado pelo físico nuclear Rubens Lichtenthäler Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP), e seu filho, Daniel, médico do Hospital Israelita Albert Einstein. Ainda assim, continua alto. Isso significa que duas pessoas no Brasil podem passar a doença para outras três. Nos Estados Unidos, o país com o maior número de casos confirmados atualmente, esse número é 1,11. Na vizinha Argentina, 1,16.

Dados da Universidade Imperial College de Londres atualizados na semana passada mostraram que

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

69


Coronavírus: o que dizem os estudos publicados sobre cloroquina, defendida por Bolsonaro e Trump Considerado pelo presidente Jair Bolsonaro como arma no combate à pandemia do coronavírus e pivô da saída de Nelson Teich do comando do Ministério da Saúde na última sexta-feira (15), o medicamento cloroquina não tem eficácia e segurança cientificamente comprovadas contra a covid-19 www.bbc.com

Apesar da pressão de Bolsonaro, Teich afirnou que o medicamento era uma incerteza Brunna Pessi e Larissa Ribeiro Raymundo Fonte: BBC Em 19/05/20 A cloroquina e a hidroxicloroquina são algumas entre várias substâncias sendo testadas agora contra a covid-19, que já matou mais de 300 mil pessoas no mundo inteiro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não reconhece nenhum medicamento ou vacina para a covid-19. O Comitê Científico e a Diretoria 70

da Sociedade Brasileira de Imunologia divulgou um documento em que afirma que “ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na covid-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina”. Já o Conselho Federal de Medicina condiciona seu uso ao critério médico e consentimento do paciente. Atualmente, no Brasil, o uso é autorizado só em pacientes em estado crítico e moderado já internados em hospitais, quando médico

e paciente concordam com o uso. Mas o presidente Jair Bolsonaro vinha defendendo o uso do medicamento e pressionando Teich para autorizar o uso de cloroquina em pacientes em estágio inicial da covid-19 no Brasil. Apoiadores do presidente também têm cobrado a liberação imediata do medicamento. Teich afirmou que o medicamento era uma incerteza, e acabou se demitindo. Luiz Henrique Mandetta, ministro antes dele, disse ao jornal Folha de S.Paulo, em entrevista publicada na segunda-feira (18), que a ampliação do uso de cloroquina para pacientes com quadro leve do novo coronavírus pode elevar a pressão por vagas em centros de terapia intensiva e provocar mortes em casa por arritmia. Também na segunda, o presidente americano, Donald Trump, disse estar tomando o medicamento como prevenção contra o coronavírus, mesmo sem evidências científicas para tanto. Quais são os riscos do uso? A cloroquina é usada faz algum tempo para prevenir e tratar a malária, enquanto a hidroxicloroquina já foi usada para tratar a malária e hoje é usada para tratar artrite

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


reumatoide e alguns sintomas de lupus, além de outras doenças autoimunes. “Em uma pandemia, admite-se o que chamamos de reposicionamento de medicamentos. Um medicamento tradicionalmente usado em outras doenças pode ser usado em outro cenário”, explica Ana Cristina Simões e Silva, professora titular do departamento de pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora da CNPQ que fez, com colegas, uma revisão de literatura sobre os ensaios clínicos da cloroquina para a covid-19. “O que não é correto é pessoas saírem comprando sem nenhum controle. O medicamento só deve ser usado no hospital, monitorado por médicos.” Por já serem usados para outras doenças, os efeitos adversos clássicos dos medicamentos, quando não associados a covid-19, já são conhecidos. Os mais relevantes são relacionados ao sistema cardiovascular — os medicamentos podem acelerar o ritmo do coração. Segundo o documento da Sociedade Brasileira de Infectologia, outros efeitos adversos são retinopatias, hipoglicemia grave e toxidade cardíaca. Por isso, é “exigido contínuo monitoramento médico dos indivíduos em uso da cloroquina ou hidroxicloroquina”. Outros efeitos colaterais possíveis são diarreia, náusea, mudanças de humor e feridas na pele. “Sem prescrição e acompanhamento médico, a pessoa que toma o medicamento pode correr riscos. Só um médico pode monitorar os efeitos colaterais e a quantidade receitada. Isso é muito importante”, diz à BBC News Brasil o médico intensivista italiano Andrea Cortegiani. “Os remédios só po-

dem ser tomados sob supervisão médica.” Além disso, diz ele, para decidir se um medicamento deve ser prescrito para determinada situação, o órgão regulatório do país segue evidências, e médicos devem seguir o órgão regulatório. Por fim, apesar dos efeitos colaterais clássicos serem conhecidos, pouco se sabe ainda sobre os efeitos colaterais em pacientes com covid-19, e dos efeitos adversos dos medicamentos usados em associação com outros, como o antibiótico azitromicina, para pessoas doentes por causa do vírus. Alguns estudos já publicados A hidroxicloroquina foi vista com esperança como um possível tratamento para o coronavírus em um primeiro momento por causa de um estudo in vitro feito na China cujos resultados haviam sido positivos. Isso significa que o medicamento foi testado com sucesso em laboratório, em cultura de células. A pesquisa concluiu que o medicamento inibiu a entrada do vírus nas células e bloqueou o transporte do vírus entre organelas das células (endossomos e endolisossomos) o que, segundo nota técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre o estudo, parece ser a etapa determinante para a liberação do genoma viral nas células no caso do Sars-CoV-2. Mas o resultado obtido em um estudo em laboratório não se traduz necessariamente quando aplicado em humanos. E, para concluir de fato se é eficaz e seguro nas pessoas, é preciso fazer um estudo clínico. Depois disso, outro estudo publicado na França, feito por cientistas da Universidade de Medicina de Marselha, anunciou resultados

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

positivos. A pesquisa analisou o uso da hidroxicloroquina associada ao uso do antibiótico azitromicina, e concluiu que o tratamento com a hidroxicloroquina era associado à diminuição ou desaparição da carga viral em pacientes com covid-19, e que seu efeito era reforçado pela azitromicina. No entanto, a pesquisa foi desacreditada pela comunidade científica. Houve críticas ao número reduzido de pacientes (apenas 36), à comparação pouco rigorosa entre grupos de pacientes e à maneira como os resultados foram medidos. O estudo não analisou se o paciente melhorou, piorou ou morreu, mas, sim, por quanto tempo o vírus era detectado em seu corpo. Além disso, a pesquisa foi aceita para a publicação em apenas 24 horas. Outros estudos menores também foram publicados, como um na China, randomizado e com grupos de controle, feito com 62 pacientes. Pacientes que recebiam hidroxicloroquina, segundo a pesquisa, tiveram períodos menores de febre e tosse. A quantidade de pessoas no estudo é considerada pequena (estudos mais sólidos em geral têm centenas ou milhares de pacientes), e nenhum deles estava em estágio grave. O estudo tampouco foi revisado por pares. No Brasil, um estudo preliminar sobre o uso de cloroquina para tratar pacientes com sintomas de covid-19 foi interrompido depois que 11 pessoas morreram. Segundo os pesquisadores, altas doses do medicamento poderiam levar a quadros severos de arritmia ou batimentos cardíacos irregulares. A pesquisa preliminar foi divulgada no medRxiv, um servidor virtual de informações da área da saúde. Mais tarde, no fim de abril, uma versão revisada por pares foi 71


publicada na revista Jama (Journal of American Medical Association), um importante periódico do meio científico. Os cientistas recomendaram que altas doses de cloroquina não deveriam ser adotadas para pacientes em estágio grave de covid-19. A FDA, a Anvisa americana, alertou contra o uso de hidroxicloroquina ou cloroquina fora do hospital ou de ensaios clínicos por causa de “problemas de arritmia”. “Não há provas de que hidroxicloroquina e cloroquina sejam seguras ou eficazes para tratar e prevenir a covil-19”, diz comunicado do órgão. E, por fim, duas grandes pesquisas recentes foram publicadas em periódicos científicos, e as duas jogaram um balde de água fria na hipótese de que a hidroxicloroquina poderia ser uma boa solução para a covid-19. Ambas foram observacionais — em outras palavras, feitas com um olhar posterior aos dados de pacientes tratados e, portanto, com poder científico menor que ensaios clínicos. “Nos estudos observacionais, você volta no passado e verifica o que aconteceu, ou então vai acompanhando casos sem fazer intervenções”, explica Simões e Silva. “ Esses estudos têm poder científico um pouco menor. Não permitem concluir se um remédio é benéfico ou não. Os estudos sugerem, e daí tem que fazer depois um ensaio clínico para ter o grau de evidência necessário.” De qualquer forma, os dois estudos foram com um número elevado de pacientes e feito com revisão por pares (submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que os autores) de respeitados periódicos científicos, e, portanto, são mais robustos do que os estu72

dos menores publicados até então. Uma das pesquisas foi publicada na segunda (11) na revista Jama (Journal of the American Medical Association). O estudo com 1.438 pacientes não encontrou redução de mortalidade por covid-19 nas pessoas medicadas com hidroxicloroquina. A pesquisa analisou dados de pacientes internados entre 15 de março e 24 de abril em hospitais da região metropolitana de Nova York. O outro estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e examinou 1.376 pacientes que ficaram internados por mais de 24 horas em estados moderados ou graves da doença. Do total, 58,9% foram medicados com a hidroxicloroquina, e o restante não. A pesquisa apontou que não havia evidências de que o uso da hidroxicloroquina influenciou na redução de mortes ou intubações. “Ensaios randomizados e controlados de hidroxicloroquina com pacientes com covid-19 são necessários”, concluiu a pesquisa. Há tantos estudos e confusão sobre eles, que um levantamento feito por pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá analisou justamente os estudos que já existem sobre a eficácia e segurança dos medicamentos contra a covid-19. Publicado no Journal of Clinical Epidemiology, o trabalho analisou 12 pesquisas já publicadas. Concluiu que a metodologia usada até agora tem sido “muito pobre”. “A maior parte dos dados divulgados ou publicados até agora em cloroquina ou hidroxicloroquina, e as pesquisas sobre covid-19 em geral, são imprecisas e correm um risco alto de viés em suas estimativas de efeito. Essa é nossa preocupação”, diz o estudo. Segundo o levantamento, a de-

manda massiva por evidências de tratamento para uma doença nova como a covid-19 pode estar afetando, de modo não intencional, a conduta dos estudos científicos. Também pode estar afetando os processos de publicação e de revisão por pares. “Entendemos as barreiras para executar pesquisas rigorosas quando os sistemas de saúde estão saturados com uma nova doença. No entanto, uma situação de emergência de pandemia não transforma métodos e dados com problemas em resultados confiáveis. A pesquisa clínica robusta e comparativa que é necessária para tomar decisões informadas e baseadas em evidências segue ausente.” Por que não há estudos com conclusão definitiva ainda? O motivo pela falta de evidências sobre a eficácia e segurança dos medicamentos para a covid-19 é a metodologia das pesquisas publicadas até agora. “Os estudos que temos até agora são pequenos. Alguns sugerem a eficácia do medicamento, e outros, o contrário, mostram até efeitos colaterais graves”, diz Ana Cristina Simões e Silva, a professora da UFMG. “Ainda não temos um estudo de grande porte, confiável, que dê respaldo ou conclusão sobre o medicamento para essa doença. O desenho do estudo é extremamente importante para sua conclusão. Os mais confiáveis e bem desenhados ainda estão em andamento, sem resultados publicados.” Por enquanto, diz Cortegiani, o médico intensivista e pesquisador italiano, o que podemos dizer é que os dados que temos agora são melhores do que tínhamos antes, mas ainda não são conclusivos. Em março, ele publicou uma

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.bbc.com

Há mais de 150 ensaios científicos envolvendo cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19 registrados em diversos bancos de dados internacionais pesquisa resumindo as evidências que se tinha até o momento para a cloroquina como tratamento para a covid-19. Hoje, “sabemos que talvez o tratamento com hidroxicloroquina não seja capaz de influenciar a mortalidade de pacientes por covid-19, e que possivelmente ministrar o medicamento com [o antibiótico] azitromicina pode causar maiores danos”. Embora as evidências mais confiáveis até agora apontem para essa conclusão, isso ainda pode mudar com novas pesquisas, ele ressalta. Estudos com metodologia mais completa ainda devem ser publicados. Há mais de 150 ensaios científicos registrados em diversos bancos de dados internacionais envolvendo cloroquina e hidroxicloroquina, sozinhos ou com outros medicamentos como tratamento contra a covid-19. Nenhuma das pesquisas publicadas até agora atingiu o gold standard (o “padrão ouro”, no jargão científico) para demonstrar a segurança e eficácia de um medicamento.

Esse padrão exige um ensaio clínico randomizado, ou seja, com integrantes escolhidos de forma aleatória, com variáveis controladas, e feito em grande escala. Também há outras metodologias que conferem mais legitimidade a um estudo: o duplo-cego, quando nem o paciente nem o examinador sabem o que está sendo usado como variável, e os grupos de controle, em que se examina uma variável por vez — usando, por exemplo, um tratamento padrão, um placebo ou nenhum tratamento, em diferentes grupos. “Isso torna o estudo mais robusto e a conclusão fica mais confiável”, diz Simões e Silva. Ter grupos de controle é importante para poder comparar resultados de quem recebeu tratamento com os medicamentos, e assim aferir sua eficácia e segurança. “Se você tiver efeitos adversos maiores no grupo que recebeu o medicamento em relação ao grupo que não recebeu, você consegue medir a segurança das drogas testadas”,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

explica Cortegiani. Um ensaio clínico randomizado é importante porque, do contrário, você não terá certeza que qualquer efeito é derivado do tratamento, diz a microbiologista americana-holandesa Elisabeth Bik, consultora em integridade científica que se especializou em analisar publicações científicas. E Simões e Silva explica por que é necessário ter um tamanho amostral grande, de centenas ou milhares de pessoas. “Um tamanho amostral pequeno significa que pode ter tido um viés de seleção, pegando só pacientes com casos leves, por exemplo, que iam melhorar de qualquer jeito.” “Quanto mais pacientes, maior a chance da conclusão ser correta e poder ser generalizada para a população. Tem um poder estatístico maior.” Também é importante que um estudo científico passe por um processo de revisão por pares. Isso consiste em submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor, que fazem comentários ou sugerem a edição do trabalho analisado, com arbitragem do editor da publicação científica. Publicações sem esse processo são vistos com desconfiança por acadêmicos. “É preciso entender que, sem a revisão por pares, aquela publicação consiste apenas na visão do autor sobre as coisas, sem que outros cientistas tenham lido aquilo”, diz Bik. Além disso, diz ela, “a revisão por pares, que normalmente leva meses, está sendo acelerada”. “Todos estão sedentos por conhecimento sobre o coronavírus, mas pular esse processo pode causar mais danos do que o contrário”, afirma. 73


www.bbc.com

E o fato de que os medicamentos estão no meio de uma disputa política — envolvendo pressão por seu uso feita por presidentes, com no caso do Brasil e dos EUA — não ajuda as pesquisas, segundo um artigo da revista Nature: “Algumas pessoas não querem participar em ensaios clínicos que os obrigariam a abrir mão de tratamentos com cloroquina”. O virologista Jeremy Rossman, professor da Universidade de Kent, no Reino Unido, no entanto, diz que, apesar dos estudos feitos até agora serem pequenos, tiveram uma variedade de ensaios clínicos em diferentes formatos e diferentes países com dados suficientes para provar que a cloroquina não ajuda para a covid-19. “Não só não ajuda, como há um risco.” Ele acha que nem vale a pena fazer ensaios clínicos maiores, e que seria “absolutamente es74

sencial focar nos medicamentos com maior chance de sucesso”. “Quanto mais cedo tivermos esses dados, melhor. Precisamos priorizar, e já foi provado que a cloroquina não deve ser prioridade.” Estudos em andamento De qualquer forma, há, sim, grandes estudos em andamento — e devemos ter uma resposta mais definitiva em breve. Há um grande esforço internacional para verificar se o medicamento é de fato eficiente e seguro contra o coronavírus. A cloroquina e sua variante estão entre os quatro fármacos que estão sendo estudados em uma iniciativa lançada pela OMS batizada de Solidariedade — e o Brasil faz parte dela, por meio da Fiocruz. No Brasil, segundo o último relatório da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep),

há 15 ensaios com cloroquina ou hidroxicloroquina em andamento. Alguns resultados devem sair no fim de maio. Um dos estudos é do Projeto Coalizão Covid Brasil, liderado pelos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e HCor, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva. Entre outros objetivos, o grupo realiza testes clínicos com a cloroquina e a hidroxicloroquina. A ideia é realizar testes em 70 hospitais pelo país em mais ou menos mil pessoas com diferentes quadros: dos leves aos mais graves, inclusive aqueles que estão na UTI, em uma pesquisa que deve durar entre dois e três meses. Hospital no Piauí Apoiadores de Bolsonaro também têm incensado uma iniciativa em Floriano, uma cidade de 60 mil habitantes no Piauí,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.poder360.com.br

Damares visita cidade no Piauí que administra hidroxicloroquina

onde um hospital tem administrado hidroxicloroquina, azitromicina e corticoides de acordo com o estágio da covid-19. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, visitou o município na quinta-feira (14) e reuniu-se com o prefeito da cidade, o secretário municipal de Saúde e médicos. Segundo o Comprova, projeto jornalístico que verifica desinformação nas redes, o tratamento aplicado no Hospital Regional Tibério Nunes foi aplicado em 15 pessoas, sem grupo de controle (pacientes que não fizeram uso do medicamento para fins científicos de comparação).

Não há comparativo ou estudo que indique que a melhora clínica se deu exclusivamente por conta das medicações usadas. À revista Veja, o secretário de Saúde de Floriano (PI), James Rodrigues, disse ter receio de que os resultados anunciados pelo município no uso da cloroquina se tornem uma “exploração política”. “Nos preocupa muito essa exploração política. Não pode. No Brasil há uma divisão: esquerda é contra a cloroquina e a direita é a favor. Não é assim. As evidências que temos aqui são pequenas. Em vez de ficar com braços cruzados, estamos buscando alternativas”, disse à revista.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Para o virologista Rossman, a politização da cloroquina dá às pessoas “falsa esperança”, e a sensação de que há um bom tratamento ou um bom medicamento pode fazer com que não tomem as mesmas precauções que tomariam. Também pode fazer com que elas se automediquem, o que é extremamente perigoso, além de zerar o estoque de remédios de quem realmente precisa. “Há um perigo real em politizar o assunto antes das evidências científicas. Tem havido uma desconexão grande entre as mensagens políticas e o que os dados científicos dizem.” 75


Os excluídos ‘por engano’ do Auxílio Emergencial de R$ 600 Até agora, 36,8 milhões de pessoas receberam resposta negativa ao pedido do benefício www.bbc.com

Segunda parcela do auxílio começará a ser paga nesta segunda-feira (18)

Brunna Pessi e Larissa Ribeiro Raymundo Fonte: bbc.com Em 18/05/20 A segunda parcela do auxílio começará a ser paga nesta segunda-feira (18), seguindo um calendário informado pela Caixa Econômica Federal. O benefício pode ter sido negado, por exemplo, a pessoas que perderam o emprego depois do dia 16 de março — graças à base de dados escolhida pelo governo para 76

decidir quem tem direito ou não ao benefício. Assim, pessoas cujas empresas foram atingidas pela crise econômica provocada pelo vírus podem ter ficado sem o auxílio. Também podem ter sido excluídas pessoas que tenham sido candidatas ou eleitas como suplentes de vereador nas últimas eleições municipais, em 2016 -- independente do número de votos recebidos. Isto porque o governo decidiu cruzar dados com o Tribunal Superior Eleitoral, mesmo sem pre-

visão legal. Além disso, o Ministério da Cidadania também resolveu vetar o recebimento do benefício por parte de pessoas que tenham familiares presos, mesmo aquelas que tinham direito ao auxílio — novamente, sem qualquer previsão na lei que criou o benefício. Apesar da negativa aparecer em documentos oficiais, o ministério negou à reportagem da BBC que tenha impedido a entrega do benefício a este grupo. No caso dos familiares de presos,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


quase 40 mil pessoas podem ter sido atingidas, segundo o próprio Ministério. Os problemas foram constatados por especialistas em políticas públicas e procuradores da República com base em informações fornecidas pelo governo à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público, na última quarta-feira (13). Ao mesmo tempo, os cruzamentos de dados feitos pelo Ministério da Cidadania e pela Dataprev (empresa pública de gestão de dados) não evitaram que pelo menos 73.242 pessoas ligadas ao Ministério da Defesa recebessem o benefício, possivelmente de forma irregular. Em nota, a pasta disse que R$ 43,9 milhões foram distribuídos a militares da ativa, da reserva, pensionistas e anistiados. Segundo o governo, 59,2 milhões de pessoas já foram beneficiadas com R$ 35,5 bilhões do auxílio emergencial até agora. Até esta quinta-feira (14), 1,53 milhão de pedidos seguiam “em análise” pela Dataprev, e outros 4,19 milhões de pedidos seguiam aguardando o processamento. Estes números, no entanto, representam uma pequena fração do total de 118,2 milhões de pedidos de auxílio apresentados. Do total, 112,5 milhões (ou 95,2%) já tinham sido processados pela Dataprev. Do total de pedidos, 59,2 milhões foram atendidos pelo governo, e outros 36,8 milhões foram considerados “inelegíveis”, isto é, sem direito ao benefício. A origem do problema Quando uma pessoa se cadastra para receber o Auxílio Emergencial, as informações prestadas por ela são conferidas em uma série de bases de dados do governo -- para

saber se o pedido se enquadra nos critérios definidos em lei. No entanto, a escolha de algumas dessas bases de dados pode ter feito com que pessoas que tinham direito ao benefício ficassem privadas do Auxílio. Para saber se a pessoa tinha emprego formal, por exemplo, foi usada a base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) -- atualizada até o dia 16 de março. Quem perdeu o emprego depois desta data, portanto, teve o pedido negado. Mesmo que estivesse dentro dos critérios determinados pela lei. Em outro caso, o Ministério da Cidadania e a Dataprev decidiram confrontar os pedidos do auxílio com o repositório de dados eleitorais do TSE -- para evitar que políticos com mandato eletivo recebessem o benefício. O órgão, no entanto, decidiu vetar o benefício até mesmo para pessoas que ficaram como suplente de vereador nas eleições municipais de 2016, sem assumir qualquer cargo. O Ministério da Cidadania também extrapolou o que diz a lei ao deixar de fora do benefício às pessoas com familiares presos. A restrição foi revelada pela Dataprev na resposta ao Ministério Público. “Ficou estabelecida, pelo Ministério da Cidadania, ainda que de forma não definitiva, a restrição de concessão do Auxílio Emergencial a requerente ou membro de grupo familiar constante das bases de dados referenciadas”, disse a Dataprev na resposta ao Ministério Público. “Para esses casos (parentes de presos) ficou determinada, pelo Ministério da Cidadania, o enquadramento na classificação ‘Retidos’ para posterior definição definitiva acerca da concessão”, acrescentou o órgão.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Especialistas em políticas públicas dizem que o governo deveria ter sido mais cauteloso ao determinar quais cruzamentos de dados seriam feitos, e quais bases de dados seriam usadas. “É um cruzamento de informações que não é consistente o suficiente para a gente ter segurança de que as pessoas (que têm direito ao Auxílio) serão contempladas”, diz Leandro Ferreira, mestre em políticas públicas pela Universidade Federal do ABC e presidente da Rede Brasileira da Renda Básica, um grupo de pressão que defende a adoção deste tipo de política de distribuição de renda. “O Brasil não deve nada a ninguém quando se trata de política social, especialmente política de transferência de renda. Isso se deve às várias experiências, de vários partidos, em nível municipal, estadual, e principalmente com o Bolsa Família, e o Bolsa Escola. Mas o governo (federal) se encastelou, e tomou uma série de decisões erradas. Se tivessem constituído um grupo aberto para técnicos, especialistas, academia, não estariam errando tanto”, diz ele. “Começou com aquele erro grave do CPF: um monte de gente foi excluída por estar com o CPF irregular, por não ter votado nas últimas eleições. Sendo que o CPF não era uma exigência da lei”, disse ele. “Se o governo fosse mais transparente, e mais aberto a colaborações, isto não teria acontecido”, diz Ferreira. Restrição a familiares de presos é ilegal, diz procurador Para o procurador Julio José Araujo Junior, um dos responsáveis pelo pedido de informações ao Ministério da Cidadania, a pasta terá agido de forma ilegal caso fique provado que impediu delibe 77


www.g1.globo.com.br

Milhares de famílias aguardam liberação do pagamento emergencial do governo radamente o recebimento de pessoas que tinham direito ao auxílio emergencial. “Há uma ilegalidade quando eles criam um critério (como no caso dos familiares de presos) que não está previsto em lei. Essa conferência, esse batimento dos dados, não encontra respaldo na legislação”, diz ele à BBC News Brasil. Julio José diz que as informações reveladas pela Cidadania e pela Dataprev deverão ser levadas em conta em ações judiciais que discutem o acesso ao auxílio emergencial. “Mas é possível também fazer uma abordagem específica. Certamente que medidas serão tomadas (em relação aos problemas)”. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) não descarta 78

formular uma recomendação sobre o assunto, segundo ele. Ao longo do mês de maio, o MPF pediu a instauração de inquéritos para apurar irregularidades e atrasos no pagamentos em vários estados do Brasil -- há procedimentos em curso no Piauí, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, Sergipe e no Distrito Federal. Em Sergipe, por exemplo, a ação civil pública formulada pelo MPF inclui um pedido para que sejam atualizados os dados das pessoas que perderam o emprego, para evitar que pessoas fiquem sem acesso ao benefício por causa da desatualização das bases de dados. Problemas serão corrigidos, diz Ministério da Cidadania A reportagem da BBC News Brasil

questionou o Ministério da Cidadania sobre as falhas na entrega do auxílio. A pasta diz que corrigirá os problemas em relação às pessoas que perderam o emprego recentemente — eventualmente, a base de dados será atualizada. Também diz que fará correções para pessoas que tenham sido candidatas nas eleições municipais e tenham direito ao benefício. No caso dos desempregados, a desatualização da base de dados “Não significa que o trabalhador desempregado ficará sem o auxílio emergencial, caso se enquadre nos critérios legais para receber. Tudo dependerá do momento em que ele solicitar o auxílio”, diz a pasta, em nota. “Vale destacar que o sistema esta-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


rá aberto até o dia 02/07 e todos aqueles que tenham direito a receber o auxílio emergencial, respeitando as determinações legais, serão contemplados com as 3 parcelas”, diz o texto. Sobre as pessoas que foram candidatas, o ministério disse “a regra foi ajustada para reanálise” e que o problema será corrigido. “Com relação ao processo de elegibilidade de cidadãos que foram candidatos nas eleições de 2018, não eleitos, e tiveram seu auxílio negado em primeira análise, o Ministério da Cidadania e a Dataprev esclarecem que não será necessário recadastrar ou fazer qualquer operação no aplicativo. A regra foi ajustada para reanálise, iniciada em 30 de abril, e todos que tiverem direito receberão as 3 parcelas do benefício”, disse a pasta. A respeito dos familiares com pessoas presas, o Ministério da Cidadania contrariou a informação prestada pela Dataprev e disse que não há retenção dos benefícios para os familiares de presos — apenas dos próprios detentos.

“Cadastros feitos com CPF de detento como requerente não serão aprovados, pois não se encaixam no critério de trabalhador”, diz a pasta, em nota. “Segundo a Dataprev, dos 98 milhões de requerimentos processados pela empresa, foi identificado 1,5 milhão CPFs que apresentaram complexidade de cenários, ou seja: 1,5%. Deste total (1,5 milhão), 39.251 requerimentos foram apresentados por detentos ou contém detentos na sua composição familiar”, continua o texto. Um defensor público do Estado de São Paulo observou que “detentos” que peçam o benefício podem na verdade ter acabado de deixar o cárcere — situação na qual dificilmente encontrarão trabalho. “Se cadastrou com o CPF de alguém cumprindo pena é provável que ele esteja em regime aberto ou livramento condicional, situações que dificultam ainda mais a colocação no mercado de trabalho”, disse, em anonimato. O Ministério da Cidadania disse ainda que o familiar de preso não

poderá receber o Auxílio Emergencial se já estiver recebendo outro benefício, como auxílio reclusão. Ampliação do Auxílio Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos um projeto de lei aprovado pelo Congresso no fim de abril, que estendia o alcance do Auxílio Emergencial aos trabalhadores informais. O presidente decidiu vetar um trecho do projeto que listava categorias profissionais específicas que teriam direito ao benefício, tais como motoristas e entregadores de aplicativos, como Uber e IFood; pescadores artesanais; agricultores familiares e catadores de materiais recicláveis, entre outros. Os vetos serão agora analisados pelo Congresso, que pode mantê-los ou não. Do jeito que está, o projeto passou a garantir ao acesso a mães menores de 18 anos. O presidente também vetou um trecho que permitia a pais solteiros receber o auxílio em dobro. bbc.com

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

79


CLIMA

Amazônia em chamas A floresta não se sustenta sozinha

80

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Leo Bronstein Fontes: conexaoplaneta.com.br e noticias.uol.com.br

´´O avanço na destruição da floresta ocorre, justamente, no momento em que a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) atinge seus números mais altos no país e que há o temor que a doença dizime comunidades indígenas que vivem por todo o norte do país.´´ ´´Desde o início do ano, já foram desmatados 1.073 km² de mata nativa.´´ A tendência é de que 2020 seja o ano ainda mais preocupante em relação as queimadas na floresta, isso porque é período de clima mais seco, sem chuva na região Norte do Brasil. Isso certamente contribuirá para as mudanças climáticas e o aquecimento global. ´´O desmatamento é causado em grande parte por madeireiros ilegais além da mineração e agricultura em áreas protegidas. Depois de derrubar as árvores, os invasores usam o fogo para limpar a área.´´

brasildefato.com.br

Em abril deste ano (2020), a região da Floresta Amazônica sofreu um aumento de 171% de perda de sua vegetação natural, em relação ao mesmo mês do ano passado. Naquele período, o desmatamento e as perdas da fauna e flora já tinham causado um enorme desastre. Todos os dados foram computados em uma pesquisa relacionada ao meio ambiente pela Imazon, que destaca diretamente regiões da Amazônia Legal (que inclui nove estados). ´´Em abril passado, foram registrados 529 km2 de desmatamento na Floresta Amazônica, um aumento de 171% em relação ao mesmo mês de 2019, quando foram destruídos 195 km2 de vegetação. O total desmatado no

mês passado é um novo (e triste) recorde: o maior dos últimos dez anos para esse mês.´´ ´´Os números são do mais recente monitoramento divulgado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)* e revelam que o desmatamento detectado na Amazônia Legal, em abril de 2020, ocorreu no Pará (32%), Mato Grosso (26%), Rondônia (19%), Amazonas (18%), Roraima (4%) e Acre (1%).´´ Além de todos os problemas que o meio ambiente enfrenta, a pandemia do novo coronavirus, vem se somar aos problemas climáticos. O impacto principal é o contágio entre as aldeias indígenas que se loccalizam neste território. O grande risco é a morte dos indígenas e como consequência, a floresta perder cada vez mais suas vegetações nativas.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

81


Derretimento Criminoso As regiões polares estão perdendo volume

82

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Leo Bronstein Fontes: www.amda.org.br e g1.globo.com em 23/05/20

equilíbrio do meio ambiente. No dia 09 de maio desse ano, a Antártica registrou temperatura acima dos 20 graus centígrados pela primeira vez no registro histórico, trazendo atenção à questão da crise climática.´´ Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o cientista Carlos Schaefer, do projeto Terrantar, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirmou que estão acompanhando a tendência de aquecimento em muitos dos locais, - mas nunca vimos nada parecido com isso, declarou. Na entrevista, Schaefer disse que a temperatura do arquipélago de James Ross, região onde foi feito o registro, tem estado irregular nos últimos 20 anos - que após o resfriamento na primeira década deste século, aqueceu rapidamente.

infoescola.com

As geleiras são uma referência importante para a sustentabilidade do planeta Terra, elas são responsáveis por boa parte do processo de manter o oxigênio das regiões mais frias em circulação. De acordo com a agência responsável pelo clima da ONU (Organização das Nações Unidas), o mundo se mantém comprometido e focado com os riscos dos impactos climáticos mesmo em períodos de pandemia do novo coronavirus. De acordo com a agência, os países membros levarão em conta as consequências da doença porém, não interromperão as medidas de sustentabilidade do planeta.

Na Groelândia, foram perdidos 600 bilhões de toneladas de gelo. Isso significa que o nível do mar se elevará de forma a trazer grandes prejuízos para as regiões costeiras. Já no Ártico e na Antártica, as coberturas de gelo chegaram a níveis abaixo do esperado para o período. Um estudo indicou que só a Groenlândia perdeu 600 bilhões de toneladas de gelo em 2019, o suficiente para elevar o nível do mar global em 2,2 milímetros em dois meses. Afirma os especialistas. Mesmo com o novo coronavirus espalhado pelo mundo, há a questão de que o aquecimento global e as mudanças climáticas possam continuar. O descolamento das geleiras gera complicações no meio ambiente e consequentemente nas crises climáticas. A medição da temperatura local é fundamental para o

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

83


Planeta Terra: No caminho do desaparecimento Poluição + Coronavirus Leo Bronstein Fonte: canaltech.com.br Em 21/05/20 Em todo o planeta, vários países já sofrem pela dificuldade de cumprir as medidas necessárias em relação ao clima. No caso específico dos mais vulneráveis, por exemplo a África, é praticamente impossível o continente atender as exigências em questão sem a ajuda dos países desenvolvidos. Nos países desenvolvidos, as mudanças climáticas tem produzido problemas de difícil solução. Inclusive muitos deles causando o derretimento de gelo nos Polos Norte e Sul, em que a temperatura média prevista será de 1,1°C. Isso significaria estes ambientes polares praticamente sumirem. Mesmo com a população mundial tendo que manter o isolamento social por conta da COVID-19, não adiantou o suficiente para que as mudanças climáticas armazenassem grandes patamares ao aquecimento global. De acordo com diversas pesquisas metereológicas, o ano de 2020 pode quebras os recordes de aumento de temperatura em relação a 2016, que até agora foi o mais quente desde que as medições foram registradas. Segundo o Doutor Karsten Haustein, cientista climático da uni84

versidade de Oxford, Inglaterra, afirma que o aquecimento global vem apresentando temperaturas aproximadamente de 1,2°C acima da média registradas em períodos pré-industriais, considerando que os espaços ainda não analisados dos dados podem ser de valores entre 1,14°C e 1,17°C. Ele ainda ressaltou ao jornal britânico, que mesmo com os cumprimentos das quarentenas e isolamento social em plena pandemia de COVID-19 tenha servido para aliviar algumas questões climáticas, a China ainda resulta queda nos volumes de poluição, enquanto a poluição sonora reduzida nos mares permitiu o avanço maior do comportamento dos mamíferos aquáticos. “A crise climática segue inalterada”, disse o especialista. “As emissões vão cair neste ano, mas as concentrações seguem aumentando. É pouco provável que nós possamos perceber qualquer desaceleração no nível de acúmulo de gases causadores do efeito estufa. Entretanto, nós temos uma chance única de reconsiderar as nossas escolhas e usar a crise do novo coronavírus como um catalisador para [promover] meios mais sustentáveis de transporte e produção de energia (via incentivos fiscais, tributos, preços de gás etc.)”. Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C 04C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

85


Salve uma vida, Doe sangue! UMA ÚNICA DOAÇÃO PODE SALVAR TRÊS VIDAS.

UM SIMPLES GESTO PODE GERAR UM MILHÃO DE SORRISOS.

OS REQUISITOS PARA DOAR SÃO: • Estar em boas condições de saúde;

• Ter entre 16 e 69 anos e pesar no mínimo 50 kg;

• Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24h);

• Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4h que antecedem a doação);

• Apresentar documento original com foto omitido por orgão oficial e válido em todo o território nacional.

86

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


SAÚDE

Coronavírus: o estudo que busca mostrar como a pandemia está afetando os sonhos dos brasileiros Pesquisa tem como ponto de partida relatos de usuários na rede social Instagram; cientistas querem poder traçar estratégias para ajudar pessoas a enfrentar incertezas e angústias causadas pelo confinamento forçado www. enxaquecanao.com

Pesquisa tem como ponto de partida relatos de usuários na rede social Instagram

Renata Renê Guarany Fonte: www.bbc.com Em: 19/05/2020 Um novo estudo busca mapear os sonhos dos brasileiros em meio à pandemia de Covid-19 e tentar entender como estamos lidando psicologicamente com a incerteza e angústias geradas pelo confinamento forçado. Eventualmente, as descobertas podem servir para traçar estratégias para enfrentar esse desafio, que está modificando os hábitos.

Entre as constatações iniciais, está o aparecimento de sonhos de perda, de fuga ou perseguição, de intrusão e de vulnerabilidade devido ao isolamento social. O estudo, que está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem como ponto de partida relatos de usuários na rede social Instagram.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Por acaso Gilson Iannini, do Departamento de Psicologia da UFMG, diz que a ideia de realizá-lo surgiu por acaso, em sala de aula. Ele conta que estava dando um curso de pós-graduação em psicologia durante o qual, junto com alunos, analisava o livro A Interpretação dos Sonhos, publicado pelo pai da psicanálise, o austríaco Sigmund Freud, em 1900, quando veio a pandemia e as aulas foram suspensas. “Em conjunto, decidimos dar continuidade às atividades, de 87


maneira virtual e investigar o que as pessoas sonhavam durante a quarentena”, explica. “Primeiro, porque notamos um aumento vertiginoso do interesse pelo tema dos sonhos. Nas redes sociais, esse assunto de repente ganhou uma dimensão inesperada. Muita gente passou a falar de seus sonhos, começamos a ver pesquisas sobre eles, muitas delas sem muito embasamento.” A inspiração veio também de um livro da também alemã Charlotte Beradt, Sonhos no Terceiro Reich. “A gente começou a se interessar pela função coletiva do sonho”, diz Iannini. “As disputas políticas, as questões sociais, os desafios e impasses históricos não se encerram apenas na esfera pública, elas se estendem e se prolongam no nosso mais íntimo, inclusive em nossos sonhos. Na perspectiva da psicanálise, as fronteiras entre a psicologia individual e social são tênues, frágeis, permeáveis.” Os pesquisadores estão recolhendo relatos de sonhos que ocorreram durante a quarentena no Instagram. “Também divulgamos o trabalho nas redes sociais e disponibilizamos um e-mail para contato”, diz Miriam Debieux Rosa, da USP, que participa do estudo. “Por meio dele, a pessoa mostra que tem interesse em participar. Nesse caso, enviamos um formulário que deve ser preenchido e mandado de volta para nós. Os sonhos e as associações dele podem chegar por escrito, por voz ou por um contato com um pesquisador por meio de plataforma online”, acrescenta. Sonhos mais vívidos O estudo ainda está em sua primeira fase, de coleta de relatos e de associações dos participantes. 88

“É cedo para falar em resultados e tampouco em conclusão, mas podemos falar em alguns efeitos da pesquisa”, explica Mírian. “Podemos dizer que tem muita gente querendo contar - já temos perto 500 relatos no total das três equipes. Os sonhos têm sido mais vívidos, mais reais e as pessoas acordam cansadas. Sugerimos que escrevam o que sonharam assim que acordarem. Muitos sonhos remetem aos lugares de origem de quem relata, a cidade natal, a casa da infância; muitos trazem temas de perdas - de objetos, da memória, de se perderem em algum lugar, de não reconhecer as pessoas ou a si mesmo. Também o medo, o susto, o horror, o nojo.”

“Os sonhos têm sido mais vívidos” De acordo com ela, o estudo também revela que as pessoas parecem estar mais atentas à sua vida onírica e, inclusive, sonhando mais ou pelo menos lembrado mais. Com certa frequência, além do formulário preenchido, os pesquisadores têm recebido declarações como: “Eu normalmente não lembro dos meus sonhos, porém ultimamente tenho lembrado”. “Pensamos que é como se estivessem criando um outro tipo de relação com seus sonhos, como se essa relação pudesse se prolongar em associações que vão para além do costumeiro momento de acordar após ter sonhado, estranhar-se momentaneamente e seguir a vida”, explica Mírian. “O sonho se prolonga no dia como um enigma, uma surpresa, uma vergonha de ter sonhado com algo.”

Iannini acrescenta outros resultados preliminares da pesquisa. “A partir de uma nuvem de palavras, o termo mais onipresente nos sonhos é ‘casa’”, conta. “Os temas da pandemia e da morte aparecem, mas em geral metaforizados. Os do isolamento e da quarentena têm aparecido com mais frequência, mais literalmente. Muitas vezes, a pessoa se encontra sozinha, angustiada porque outros gozam a vida sem cumprir a quarentena e ela própria se priva, por exemplo”, diz. Raio-x dos medos e angústias O estudo não serve apenas para as análises, para entender os medos e angústias coletivas durante a pandemia de covid-19. Ele pode ajudar cada um dos que relatam seus sonhos, dizem os cientistas. “Ao convocarmos esses sujeitos a narrá-los a um pesquisador, seja por escrito ou oralmente, estamos proporcionando um espaço para que a angústia inevitável do momento seja sentida de maneira menos aniquiladora”, diz Mírian. “Isso porque, ao contarem o que sonharam, eles esboçam uma tentativa de construção de algum sentido mais ou menos consistente para o nonsense que vivemos mundialmente.” Mírian cita alguns comentários dos sonhadores, que indicam que se sentem “apaziguados” ao poder compartilhar com um outro indivíduo a estranheza de seus sonhos. “Recebemos declarações como ‘gostei de escrever sobre o que sonhei, nunca havia registrado um, fiz associações que não tinha feito antes’ ou ‘achei importante a oportunidade de compartilhar o relato. Ele, em si, já é um fator de apaziguamento’”, conta. “Outros comentam a satisfação de poder contribuir para a Ciência,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.i.pinimg.com

‘Ao relatar, ao ter com quem falar ou a quem endereçar uma produção onírica, a pessoa ‘se dá conta de alguma coisa’, diz pesquisador

para estudos, fazendo parte de um conjunto mais amplo.” De acordo com Iannini, ao contar o sonho, colocando no papel lembranças e associações, as pessoas organizam seu psiquismo, ou seja, “dão sentido” a essas experiências que não são reais. “O indivíduo encena combinações, testa cenários”, explica. “Frequentemente, escutamos dos sujeitos que ao fazer o relato, ele se deu conta disso ou daquilo. ‘Nossa, acabei de perceber que...’, ‘nunca tinha pensado nisso’ são fórmulas bastante frequentes.” Nem sempre isso ocorre, no entanto, quando alguém apenas se lembra do sonho. Segundo Iannini, o elemento surpresa vem com a fala ou a escrita. É preciso um destinatário. Ao relatar, ao ter com quem falar ou a quem endereçar uma produção onírica, a pessoa “se dá conta de alguma coisa”. “Para muitos, pode ter um efeito de alívio de eventual sofrimento

psíquico, de se sentir útil ou menos isolado”, explica. “Tem uma função coletiva então, de elaborar algo que, de outra maneira, não temos pacotes ou esquemas. Ou os que temos se mostram falhos, insuficientes.” Também pode haver benefícios em termos coletivos. “Importante notar que não dispomos, nem como indivíduos, nem como sociedades, de repertório simbólico para lidar com a pandemia”, explica Iannini. “Tudo é muito novo. O psiquismo estranha a novidade: quer assimilar conteúdos e experiências novas a formas simbólicas menos ameaçadoras. Mas nesse momento atual, essas formas parecem estar faltando. De repente, nossos esquemas narrativos, nossos pacotes de afetos, nossas formas simbólicas parecem se dissolver. Quem, há poucas semanas atrás, poderia imaginar esse cenário?” Mas, diz ele, “e aí está o mais

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

interessante”, esse “muito novo” é ao mesmo tempo “muito conhecido, muito familiar, muito próximo”: o desamparo, o despreparo para a morte. Todos já vivemos coisas assim, “uma espécie de medo que não é exatamente medo, de angústia que não é exatamente angústia”. “Freud chamava isso de um sentimento ‘unheimlich’, ou ‘infamiliar’, algo que deveria ficar oculto, mas que veio à tona, que parece muito próximo e muito distante, muito estranho e muito familiar”, explica Iannini. “Para simplificar: uma sensação de não se sentir em casa, mesmo estando em casa. Quando as fronteiras entre o real e a ficção são suspensas, prevalece o infamiliar. Parece que estamos vivendo algo desse tipo. Não sabemos distinguir claramente o que é real e o que não é. As fake news e a instrumentalização perversa das ficções estão aí para nos lembrar disso”, conclui. 89


www. s.yimg.com

A cannabis medicinal já é utilizada no tratamento de diversas doenças

Maconha protege contra o coronavírus? Cientistas canadenses supõem que variedades medicinais da Cannabis sativa bloqueiem a penetração do Sars-cov-2 90

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Renata Renê Guarany Fonte: www.dw.com Em: 10/05/2020 Na busca por uma vacina ou medicamento contra o novo coronavírus, os cientistas trilham tanto os caminhos tradicionais quanto outros menos ortodoxos. Eles já se ocuparam de candidatos existentes, como o Remdesivir, originalmente desenvolvido para o tratamento do ebola. Na Alemanha, transcorrem os primeiros testes clínicos de uma vacina da Covid-19, usando um produto criado para a imunologia do câncer. Um estudo francês indica que a nicotina – o alcaloide inalado durante a distração, frequentemente letal, do fumo – talvez proteja contra o novo vírus. E agora parte do Canadá a informação de que determinados princípios ativos da maconha também podem ter um efeito análogo ao da nicotina, elevando a proteção das células contra o coronavírus. No entanto o estudo ainda não foi submetido a avaliação independente por outros pesquisadores (peer review), que constitui uma espécie de selo de qualidade nos meios científicos. Segundo Igor Kovalchuck, professor de ciências biológicas da Universidade de Lethbridge, os resultados relativos à Covid-19 se originam em pesquisas sobre a artrite, Morbus Crohn, câncer e outras enfermidades. Em artigo no site Preprints.org, ele e sua equipe sugerem que alguns componentes químicos de uma variedade especialmente desenvolvida de cânabis reduziriam a capacidade do vírus de chegar até as células pulmonares, onde se instala, reproduz e propaga.

Para ocupar uma célula hospedeira humana, o Sars-cov-2 necessita um receptor, a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), que se encontra no tecido pulmonar, na mucosa bucal e nasal, nos rins, testículos e trato digestivo. Sem essa enzima, o patógeno não tem como penetrar. A teoria de Kovalchuck é que canabinoides modificariam os níveis de ECA2 nesses “portais”, tornando o hospedeiro humano menos vulnerável ao vírus e essencialmente reduzindo o risco de infecção. Erva controversa Diversos médicos indicam a cânabis medicinal para o tratamento de afecções que vão da náusea à demência. No entanto, ela é diferente da erva utilizada como droga recreativa, a qual se destaca pela alta concentração de tetra-hidrocanabinol (THC), seu principal princípio psicoativo. Em contrapartida, os pesquisadores canadenses se concentraram em cepas da espécie Cannabis sativa com um alto teor de canabidiol (CBD), um canabinoide anti-inflamatório. Eles cultivaram mais de 800 dessas variantes da maconha, identificando 13 extratos que seriam capazes de modular as taxas da ECA2. “Nossas variedades têm uma alta taxa de CDB ou uma taxa equilibrada de CBD/THC, para que se possa ministrar uma dose mais alta sem que os pacientes sejam afetados pelas propriedades psicoativas do THC”, explica Kovalchuck. Ele dirige a firma Inplanta juntamente com Darryl Hudson, formado pela Universidade de Guelph, em Ontário, onde tam-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

bém se pesquisa o emprego de canabinoides na medicina. Porém “ainda é difícil” obter financiamento para esse tipo de pesquisa, comenta Kovalchuck, e não só no Canadá. Segundo cientistas do Reino Unido, tanto a opinião pública quanto a política têm uma visão equivocada da cânabis medicinal. Além disso, os médicos temem que os cidadãos tentem se automedicar, utilizando qualquer variedade da erva que tenham a à disposição. “Diante da volatilidade sociopolítica do consumo medicinal de cânabis, os pesquisadores têm que ser especialmente cuidadosos com a divulgação de seus resultados”, alerta Chris Albertyn, diretor do setor de pesquisas do King’s College London e especialista em canabinoides e demência. “Certo está que sem financiamento suficiente e aprofundamento das pesquisas, não haverá o conhecimento necessário sobre os canabinoides”, adverte Kovalchuck. Mas “pelo menos agora há um interesse difundido”, e ele está seguro que está ocorrendo uma mudança de postura. Embora admitindo que mesmo seus extratos de cânabis mais potentes necessitam de validação científica abrangente, Kovalchuck e seus coautores asseguram que o canabidiol pode ser um “complemento seguro” no tratamento da Covid-19 – paralelamente a outros métodos, frisam os cientistas. Assim, até uma avaliação conclusiva, a maconha medicinal poderá desenvolver-se como um “tratamento preventivo de fácil aplicação”, análogo, por exemplo, aos antissépticos bucais no uso clínico ou doméstico. 91


Como mudanças no estilo de vida podem ajudar a evitar a demência Pesquisa aponta que risco pode ser reduzido em um terço ao adotar hábitos mais saudáveis, mesmo entre as pessoas que têm um maior risco de desenvolver a doença Renata Renê Guarany Fonte: www.bbc.com Em: 24/08/2019 É possível reduzir a probabilidade de se ter demência ao levar um estilo de vida saudável, aponta uma nova pesquisa. O estudo feito por uma equipe da Universidade de Exeter, na Inglaterra, com quase 200 mil pessoas indicou que o risco caiu em até um terço quando isso ocorreu, de acordo com resultados apresentados na Conferência Associação Internacional de Alzheimer. Segundo os pesquisadores, isso é animador por apontar que pessoas que têm propensão a ter a doença não estão necessariamente condenadas a sofrer de demência, como é chamada a piora das funções cognitivas que uma pessoa pode desenvolver. Os cientistas deram às pessoas uma pontuação de estilo de vida saudável com base em uma combinação de exercícios, dieta, álcool e tabagismo. Assim, uma das pessoas bem pontuadas no estudo tinha a seguintes características: não fuma atualmente, pedala em ritmo normal por duas horas e meia por semana, tem uma dieta balanceada que inclui mais de três porções de frutas e vegetais por dia, peixe duas vezes 92

por semana e carne processada raramente, beba até 560 ml de cerveja por dia. E o que foi um estilo de vida considerado insalubre? Alguém que fuma regularmente, não faz exercício de forma rotineira, tem uma dieta com menos de três porções de frutas e vegetais por semana e duas ou mais de carne processada e carne vermelha por semana e bebe pelo menos 1,5 litro de cerveja por dia Sue Taylor, de 62 anos, viu o impacto da demência em sua família - tanto sua mãe quanto sua avó tiveram a doença. Por isso, hoje, ela faz aulas de ginástica no parque três vezes por semana - mesmo no inverno - e caminha 45 minutos para ir ao trabalho. “É preciso muito esforço, você tem que pensar sobre como encaixar essas atividades em sua vida”, diz ela. Mas Taylor afirma diz que vale a pena, especialmente pelos netos. “Só quero manter meu cérebro na melhor condição possível pelo maior tempo possível. Não quero que meus netos deixem de ter uma avó, tanto fisicamente quanto mentalmente.” Como foi feita a pesquisa O estudo acompanhou 196.383 pessoas a partir dos 64 anos de idade por cerca de oito anos e analisou seu DNA para avaliar

o risco genético de desenvolver a doença. Ele mostrou que havia 18 casos de demência a cada mil pessoas se eles nasceram com genes de alto risco e tinham um estilo de vida pouco saudável. Mas este índice caiu para 11 para cada mil pessoas durante o estudo, se as pessoas de alto risco tivessem adotado um estilo de vida saudável. Os números podem parecer pequenos, mas isso é porque pessoas em torno dos 60 anos são

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.maisquepilates.com

Cerca de um terço das pessoas não acredita que é possível alterar risco de ter demência, mas estudo aponta no sentido contrário

relativamente jovens em termos de demência. Os pesquisadores dizem que a redução das taxas de demência em um terço teria um impacto profundo nos grupos etários mais velhos, em que a doença é mais comum. “Isso pode equivaler a centenas de milhares de pessoas”, diz o cientista David Llewellyn. “Mesmo que você esteja preocupado com a demência, talvez tenha um histórico familiar, o

que nossa pesquisa sugere é que isso não importa. É provável que você reduza substancialmente o risco de adotar para um estilo de vida saudável.” Apesar disso, esse tipo de pesquisa não pode provar definitivamente que o estilo de vida gera riscos diferentes de demência, simplesmente identifica um padrão nos dados. Mas os resultados, publicados no periódico Journal of American Medical

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Association se encaixam com pesquisas anteriores e recomendações da Organização Mundial de Saúde. Posso evitar completamente a demência? Infelizmente, é possível que uma pessoa leve uma totalmente saudável e ainda assim tenha demência. O estilo de vida apenas afeta as chances de isso acontecer. 93


www.bettytrainnng.files.wordpress.com

Dez milhões de pessoas desenvolvem demência por ano no mundo

Ainda não existem medicamentos para alterar o curso desta doença, então, reduzir suas chances é o melhor que qualquer pode fazer no momento. Mas isso se aplica a todos? As descobertas podem não ser válidas para pessoas com demência muito precoce, que começa quando se está na faixa dos 40 e 50 anos, dizem os pesquisadores. Mas eles acham que os resultados se aplicam a pessoas em grupos de idade avançada, quando a demência se torna mais comum. Os cientistas dizem ainda que o estudo se aplica à demência em geral e não a formas específicas 94

da doença, como a doença de Alzheimer ou a demência vascular. No entanto, o pesquisador Elzbieta Kuzma, que participou do estudo, diz que esta foi a primeira vez que se demonstrou que é possível alterar um risco hereditário de demência. Fiona Carragher, da Alzheimer’s Society, uma organização de caridade dedica à pesquisa sobre esta doença, avalia que, com 10 milhões de pessoas desenvolvendo demência por ano no mundo, saber como reduzir esse risco pode ser vital. “Então, encha o prato de salada, troque um coquetel por um drink sem álcool

e vá fazer exercícios!” Carol Routledge, da Alzheimer’s Research UK, a principal instituição dedicada à demência no Reino Unido, diz que as descobertas são “importantes”. “Esta é mais uma evidência de que há coisas que todos podemos fazer para reduzir nosso risco de desenvolver demência, mas a pesquisa sugere que apenas 34% dos adultos acham que isso é possível. Embora não possamos mudar os genes que herdamos, este estudo mostra que mudar nosso estilo de vida ainda pode ajudar a fazer com que as chances estejam a nosso favor.”

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

95


96

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


PET - SAÚDE ANIMAL

Passeio com cachorro durante a quarentena Como o Brasil e outros países estão lidando com as necessidades dos cães, durante a quarentena. Pode ou não passear com cachorros nas ruas e parques? Julia da Rocha e Viviane Paiva Fonte: www.emais.estadao.com.br Em: 15/04/2020 Durante o isolamento social, em decorrência da pandemia de Covid-19, a ordem é ficar em casa. Sair somente para o estrito necessário. Mas e passear com os cães: pode ou não pode? Com a indicação do ministério da saúde para que pessoas possam fazer exercícios físicos ao ar livre, a pergunta que paira entre os tutores de cães é: posso fazer caminhadas e levar meu cachorro? Os passeios são fundamentais para cães que não fazem as necessidades em casa, além de ser muito prazeroso e ajudar a controlar a ansiedade. Por causa do novo coronavírus, no momento, é indicado evitar aglomerações e não permitir que outras pessoas façam carinho no animal.

Medicina Veterinária):

Higienização das patas

– Os passeios ao ar livre devem ser curtos e focados, só para atender às necessidades fisiológicas; – Apenas uma pessoa deve passear com o cão, a cada saída; – Procure lugares menos movimentados e prefira os horários mais tranquilos; – Evite contato com outros animais e pessoas; – Na volta para casa, higienize as patas e pelos do pet com água e sabão neutro, de preferência os que sejam adequados a uso veterinário.

As primeiras lavagens das patas de seus animais devem ser feitas com paciência. Aqueles que não estão habituados tendem a se ressentir um pouco mais. Assim, o indicado é recompensar o animal com petiscos ou a própria comida a cada limpeza ou toque nas patas. Para limpar, de maneira geral, pode-se usar todos os surfactantes (substâncias presentes no sabão, sabonete, detergentes e xampus). Há muitos produtos à base de cloreto de benzalcônio que, diluídos em água, podem também ser úteis na limpeza. Nada de água sanitária, álcool em gel ou desinfetante no pelo e pata dos cães.

Imagem: www.google.com.br Higienização das patasbb Higienização das patas As primeiras lavagens das patas de seus animais devem ser feitas com paciência. Aqueles que não estão habituados tendem a se ressentir um pouco mais. Assim, o indicado é recompensar o animal com petiscos ou a própria comida a cada limpeza ou toque nas patas. Para limpar, de maneira geral, pode-se usar todos os surfactantes (substâncias presentes no sabão, sabonete, detergentes e xampus). Há muitos produtos à base de cloreto de benzalcônio que, diluídos em água, podem também ser úteis na limpeza. Nada de água sanitária, álcool em gel ou desinfetante no pelo e pata dos cães!!!!

Passeios e cuidados com a higiene Neste momento, a recomendação é evitar sair de casa, mas se o passeio for imprescindível, por exemplo, no caso em que os animais só fazem as necessidades fisiológicas na rua, seguem as recomendações do CFMV (Conselho Federal de

Minnie em quarentena

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Como passear durante a quarentena? Como a recomendação é evitar sair ou, se sair, fazer um passeios breves com os cães, há alguns detalhes a se atentar. Segundo o médico veterinário especialista europeu em comportamento, Gonçalo Pereira, é importante oferecer mais qualidade de passeio em menos tempo. “O olfato, por ser o principal sentido do cão, deve ser estimulado, permitindo que o cão cheiro gramas e novos locais” explica para que voce tenha uma melhor experiência. 97


Sabe essa história de saia para fazer xixi e volte para casa? O Dr Gonçalo aponta que se esperarmos o cão fazer suas necessidades e, logo em seguida, voltarmos para casa, ele pode segurar urina e fezes para que o passeio dure mais. “Se recomenda que depois de se aliviar, se mantenha alguns minutos a mais na rua, para não regressar à casa imediatamente” diz. Fazer uma brincadeira, correr um pouco ou até jogar uns petiscos na

grama para seu cachorro encontrar podem ser ótimas formas de finalizar o passeio de forma positiva. Cuidados durante o passeio O passeio deve ser feito sempre na guia e não seja permitida a aproximação de outras pessoas e cães. Mas e se não passear com o cachorro?

Segundo Dr Gonçalo, devido os cães serem animais sociais, eles estão acostumados com rotinas. Com as pessoas mais em casa, há uma mudança completa no cronograma da casa e, consequente, do animal. O passeio é muito mais do que um exercício físico! “O passeio serve como uma interação entre o cão e o humano, serve como estímulo cognitivo, distração, como enriquecimento” alerta Dr Gonçalo. Foto: www.google.com

Cachorro com seu dono.

Um cachorro que não passeia, poderá ter sua ansiedade e estresse acumulados e poderá manifestar através de problemas comportamentais. Outro ponto abordado pelo Dr Gonçalo é sua preocupação com o “pós-quarentena”. “Com o desenvolvimento de laços intensos entre cães e humanos, durante este longo período, pode haver um processo de angústia, quan98

do esses animais tiverem que ficar sozinhos o dia todo, ao terminar a quarentena” ressalva. Por isso, permitir momentos em que o cão execute uma tarefa ou brincadeira sozinho é fundamental, para prevenir problemas futuros.

de medicina veterinária) indica que os passeios sejam rápidos e que seja feita a limpeza das patas. mas não há um posicionamento com indicações claras do governo ou entidades responsáveis (assim como aqui).

Como está sendo na Europa?

Já na Espanha, há uma cartilha sobre como conduzir seus pets durante o isolamento social. Conversei com alguns brasileiros residentes da Espanha e eles aponta-

O Dr Gonçalo mora em Portugal. Lá, a Ordem dos Médicos Veterinários (equivalente ao conselho

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


ram que o cão é uma ótima forma de sair de casa. Por isso, algumas pessoas estão pegando cães emprestados ou até alugando para poderem ter um motivo para sair. A cartilha aponta sobre a importância do passeio para o cão. Assim, todos os tutores estão liberados a passear em um raio de até 2km da sua residência, quantas vezes o cachorro necessitar. Todavia, deve carregar consigo uma garrafa com água e detergente, para limpar a urina, e o saquinho para recolher as fezes. Também é recomendado o distanciamento de outras pessoas e cães, além da assepsia de patas antes de entrar em casa. Na Alemanha, os parques estão abertos para que humanos e cães façam suas atividades ao ar livre. A Débora Requena e sua cadela, Ella, saem pouco juntas. Porém, a Ella mantém sua rotina de passeios com a dogwalker. “Foi uma solicitação da passeadora, que não alterássemos a rotina. Assim, mantendo todos os cuidados, a

Ella continua fazendo o que sempre fez. A única diferença é não poder correr com outros cães” desabafa. Em diversos países europeus, há a compreensão por parte do governo que, mesmo com toda a pandemia, há algumas necessidades que são essências, incluindo aos animais. Seguindo as regras e mantendo o distanciamento e higienização correta, aos poucos, algumas atividades podem voltar a acontecer normalmente. E aqui no Brasil? Sem regra ou cartilha específica, cada um faz o que entende por certo. Durante um mês, eu entendi que o melhor a sociedade era eu ficar confinada em casa com todos os meus animais. Assim sendo, Aurora, minha cachorrinha, tinha autorização para ir apenas até o quintal da casa. Após tantos dias sem poder sair, percebi diversas alterações. Aurora dormia o dia todo. Já não se in-

teressava pela alimentação como antes. Tinha dificuldade para resolver uma tarefa nova. Não tinha ânimo para nada, até estava com mais dificuldade para andar e, a qualquer barulho, se assustava. Assim que percebi tudo isso, entrei em contato com a veterinária dela. O diagnóstico: tédio! Resolução: voltar com os passeio. Ontem passeamos a noite e hoje já foram dois passeios. Enquanto estou focada em escrever, Aurora está procurando comida pelo chão da casa. Em menos de 48h, ela voltou a ser aquela cachorrinha esperta e curiosa de antes. Chegando a conclusão que o tédio era realmente o problema Eu super respeito as orientações dos governos, mas eu vou continuar a fazer os passeios, buscando horários e locais alternativos, sem aglomeração. Antes de entrar em casa, Aurora passa por um banho a seco a jato nas patinhas e focinho. Vida que segue. Agora, com acesso diário à rua. Imagem: www.google.com

Home office com cachorro durante a quarentena. Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

99


Como saber se o pet está com frio. Cuidados durante o inverno Médica veterinária explica que animais podem adoecer por conta das baixas temperaturas Julia da Rocha e Viviane Paiva Fonte:www.gauchazh.clicrbs.com. br Em: 26/05/2020 Junho ainda nem começou e o frio já deu as caras. Em época de distanciamento social, passar mais tempo em casa colabora para que os tutores estejam atentos aos efeitos da queda da temperatura nos seus mascotes. Não pense que cães e gatos, por terem pelos, não sentem frio como nós, humanos. Se não fosse desconfortável sentir aquele minuano na ponta do focinho, os animais não se encolheriam em cima de tapetes em busca de um lugar mais quentinho para ficar. Animais sofrem com o frio e podem até adoecer por conta disso. Por isso, é preciso estar atento e reforçar os cuidados com os bichinhos nesta época do ano. Veja algumas dicas: Gordurinha extra pode ser bom Com menos passeios e exercícios na rua por conta do isolamento, seu pet ganhou peso? Excessos à parte, uma gordurinha até é bem100

-vinda para essa época do ano – calcula-se algo em torno de 15%. Ou seja, animais que engordaram para valer nos últimos devem, sim, fazer uma dieta, mas não precisam ficar na sua versão mais fitness porque o inverno vem aí. Cães de guarda, aqueles que passam a noite do lado de fora de casa, também devem ganhar um peso extra para reforçar a camada de gordura que acumulam debaixo da pele. Para quem ainda não aumentou o aporte energético desses animais, verifique com o veterinário qual a ração mais indicada para seu pet em suas atuais condições de peso e idade.

-latas com pelo baixo: não esqueça de buscar modelitos de roupas quentes para seu bichinho. Dê preferência para tecidos soft e malhas. Esqueça fivelas, capuzes e acessórios. A ordem aqui não é graciosidade, mas proteção contra o frio.

Imagem: www.google.com

Cães sem pelo? Atenção redobrada Atenção, tutores de pinchers, dachshund e vira-

Cachorro de casaco.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Pets peludos também têm frio Embora animais peludos, em tese, estejam mais bem protegidos do inverno se comparado aos de pelo curto, pelego em cima do lombo traz mais problemas do que aquecimento. Além de embolarem sob a roupa, pelos longos podem precisar ser cortados em determinadas áreas quando criam um nó grande, o que deixa seu pet com falhas na pelagem. Outra preocupação que se deve ter em mente são os fungos: nesta época do ano, pequenas feridinhas podem começar a aparecer na pele do seu cão. Verifique a possibilidade de baixar um pouco o pelo para evitar bolores e nós antes de usar uma roupa. Casinhas protegidas Para quem tem animal fora de casa, prefira casinhas que deixem seus mascotes protegidos do vento e da chuva. Assim, dê preferência para aquelas que têm teto. Às vezes, também é necessário dar uma viradinha na casa para a porta não receber rajadas de vento e de chuva. E nada de deixar cobertas e tapetes lá dentro acumularem fungos! Sempre que o sol der as caras, coloque tudo para fora e verifique a possibilidade de lavar - e secar bem - de quando em quando. Já os modelos de casinha para uso dentro de casa contam com uma variedade maior, mas é importante que sejam confortáveis, laváveis e tenham certa altura de espuma ou flocos para ficar isolado do frio do chão. De um ano para o outro, é interessante observar a altura da espuma da caminha, porque pode estar fininha demais. Um tapete embaixo pode ajudar a isolar o piso frio.

Lareiras e estufas: atenção! Cuidado com o uso do fogo e do calor em sua casa se você tem animais de estimação. Às vezes, você está no quentinho ao lado de uma estufa enquanto seu cachorro não aguenta o calor que, para você, representa o ideal. Conforto térmico para gatos, cães e pessoas varia muito e tem a ver com metabolismo, quantidade de pelos e calorias ingeridas. Não force seu pet a ficar do seu lado quando estiver próximo a uma fonte de calor se ele mostrar sinais de desconforto.

Como saber se seu pet está com frio?

Gaiolas e passarinhos

Diferentemente da cultura popular, forçar um animal a se adaptar ao frio não funciona. Até porque um animal rústico usa outros recursos da natureza para se proteger, o que não é o caso dos bichos trazidos para dentro de casa. O mascote vai sofrer as consequências da hipotermia, o que já é meio caminho até uma clínica veterinária. Por essa razão, não negligencie o frio e proteja seu pet das baixas temperaturas.

Você estreou no mundo dos passarinhos em casa durante o período de isolamento? Fique atenta: algumas espécies podem se mostrar mais sensíveis às trocas de temperaturas do que outras. Estude mais sobre a espécie que você levou para casa. Procure blogs e chats sobre o assunto “frio e passarinhos” e propicie conforto térmico para as aves que estão sob sua tutela.

Você vai saber, não se preocupe. Tremedeira, encolhimento, patinhas frias e cara de cachorro “pidão” indicam que seu mascote precisa de ajuda contra o frio. Gatos preferem se esticar em superfícies mais quentes, razão pela qual podem procurar ficar perto de estufa, lareiras ou ambientes com ar condicionado. O ideal sempre será preservar seu mascote das baixas temperaturas.

Imagem: www.google.com

E os peixes? Aderiu ao time dos apaixonados por aquário nos últimos meses? Há pouco tempo, estava tranquilo viver sem termostato. Mas, a partir de agora, pode complicar. Verifique o tamanho do aquário que você adquiriu e a espécie de peixe que habita nele. Lembre-se que os coloridos costumam ser geneticamente programados para viverem em águas quentes, tropicais. Busque informações sobre tamanhos e eficiência dos termostatos para seu caso específico com as petshops.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Gato dormindo

101


Adaptação canina Saiba como adaptar seu cachorro ao novo lar da melhor maneira possível Julia da Rocha e Viviane Paiva Fonte: www.portaldodog.com.br Em: 27/12/2019 Como adaptar um cachorro ao novo lar? Quais são os passos essenciais para que seja possível fazer com que o cão sinta-se em casa, mesmo depois de uma mudança brusca? Como manter a alimentação em dia, se o pequeno demonstrar certa falta de apetite? Estas e outras dúvidas serão respondidas ao longo deste artigo de hoje. Para que assim, você saiba quais são os cuidados essenciais que garantirão um desenvolvimento mais saudável para o seu melhor amigo. Para isso, acompanhe o texto até o fim. Como adaptar um cachorro ao novo lar? Dicas para te ajudar Diversas atitudes que, no dia a dia, podem parecer simples e até mesmo “banais”, são essenciais quando o assunto é como adaptar um cachorro ao novo lar. Pois imagine só, todo o estresse que o bichinho pode estar sentindo, diante deste tipo de situação, não é mesmo? Por isso, todos os cuidados, por menores que sejam, serão bem vindos durante o processo. Explicamos cada um deles. Estude-os e coloque-os em prática a partir de agora mesmo. Em pouco 102

tempo você notará que o seu pequeno amigo já estará muito mais confortável no novo ambiente. E a gente sabe que este é exatamente o objetivo primordial. 1- Deixe o ambiente preparado O ambiente em que o seu pet será adaptado precisa estar preparado o quanto antes. Ou seja, não deixe para organizar o mesmo apenas quando for levar o cachorro para o novo lar. Mas sim, busque manter a organização desde muito cedo. Mas o que seria esta organização? Basicamente, você deverá deixar o cantinho da alimentação já bem preparado. Com os potinhos que ele costuma usar, além de estar bem abastecido com água fresca e ração na medida certa. Outra parte do ambiente que precisa estar bem preparada é com relação ao “banheiro” do cachorro. Você precisa deixar esta parte muito “parecida” com o banheiro que ele costumava ter na outra casa. Para que assim, ele se sinta à vontade e confortável o suficiente para fazer as necessidades no lugar certo.

precisam ser redobrados. Pois além de ter que apresentar o novo ambiente para o cão, você ainda terá que apresentar o novo amigo. O ideal é que, portanto, você primeiramente apresente alguns cômodos da casa, para que o seu amigo consiga, pouco a pouco, ter a sensação de lar por ali. Apenas depois de um período de adaptação neste sentido, é que você deverá iniciar a adaptação com o outro pet. E isso também deve ocorrer de um modo mais gradativo, sem exagerar. Ou seja, pouco a pouco. Uns minutinhos hoje, mais alguns minutinhos amanhã, e assim por diante. Imagem:www.google.com

E não caia na tentação de deixar os pets sozinhos por um período muito longo, ok? Pois você poderá provocar um estresse muito grande, especialmente naqueles que são mais territoriais. E, com isso, consequentemente a adaptação poderá ser ainda mais demorada, ao invés de rápida.

2- Se houver outros pets, faça a adaptação gradativamente Se houver novos pets neste novo lar, os cuidados com a adaptação

Cachorro com sua dona

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


E não caia na tentação de deixar os pets sozinhos por um período muito longo, ok? Pois você poderá provocar um estresse muito grande, especialmente naqueles que são mais territoriais. E, com isso, consequentemente a adaptação poderá ser ainda mais demorada, ao invés de rápida.Portanto, paciência é uma virtude! 3- Vá apresentando os cômodos aos poucos Como mencionamos acima, apresentar os cômodos aos poucos é uma importante estratégia de como adaptar um cachorro ao novo lar. Especialmente se a casa for muito grande. Querer apresentar muitos cômodos de uma só vez pode fazer com que o cachorro fique muito ansioso e estressado. E sabemos que não é este o resultado que você deseja. Por isso, comece “prendendo” o

pequeno em um cômodo menor. Lembre-se de preparar tudo, com comida e todos os cuidados com relação a higiene. O ideal é que no primeiro dia o mesmo fique apenas neste quartinho, para que possa se sentir à vontade por ali. Conforme ele vá se “desenvolvendo” naquele espaço (ou seja, demonstre conforto ao brincar, dormir e comer bem), é hora de ir avançando.

4- O lado de fora deve ser mostrado por último

Parta para outros cômodos da casa. Permita que o mesmo faça descobertas a cada dia, mas sem exagerar. Quando você se der conta, ele já conhecerá todo o novo lar.

Sempre pense no quanto ele pode estar estressado e até mesmo assustado com toda a situação. Baseie-se neste ponto para sempre tentar promover o maior conforto possível para o seu amigo. E é exatamente por conta disso que você deverá mostrar o lado de fora apenas por último.

Lembre-se também que ao apresentar o segundo cômodo, o primeiro precisa ser de fácil acesso. Para que assim, ele comece a circular pelo ambiente de uma maneira muito mais natural.

A casa também possui sacada, quintal, varanda ou qualquer espaço externo deste tipo? Então saiba que este ambiente também deverá ser apresentado. Porém, deverá ser mostrado por último. Pois esta é uma das melhores estratégias de como adaptar um cachorro ao novo lar.

Pois imagine só, se deparar com uma imensidão tão grande, quanto um pátio, por exemplo, desco Imagem: www.google.com

Cachorro de mudança Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

103


nhecido? Pois é! Por isso, mostre apenas no final. E, além disso, procure também “levá-lo para passear” no quintal, assim que for apresentar o ambiente. Para que ele conheça, do mesmo modo, aos poucos. E assim, novamente você evita qualquer baque em excesso. 5- Só leve o animal DEPOIS da mudança Este é outro fator muito importante que pode acabar passando despercebido dentre as pessoas. O ideal é que você apenas leve o animal para o novo lar depois que toda a mudança já foi. Sabemos que nem sempre isso é possível, visto que ter alguém para ficar com o cachorro durante toda a mudança pode ser um pouco “caro demais”. Mas, esta é a melhor forma de evitar que o nosso amiguinho sinta-se perdido dentro de todas as mudanças que estão acontecendo. Afinal, enquanto você estiver descarregando as coisas e organizando os ambientes, é claro que não será possível dar a atenção que ele merece, não é mesmo? Por isso, procure apenas levá-lo quando as coisas estiverem mais “calmas”. 6- Lembre-se da segurança do animal Além de todos os pontos anteriores serem postos em prática, você também deverá levar em conta a segurança do animal. Pois você precisa deixar todo o ambiente preparado não somente para ele se sentir em casa, como também, para que nada de ruim possa acontecer com o seu amiguinho. Aqui, todas as nossas dicas de como evitar acidentes domésticos 104

podem ser postas em prática. Pois elas serão primordiais para o bem estar do seu cão. Pois pare e pense… Se, por algum motivo, ele vier a se acidentar no novo ambiente, qual será a reação do mesmo? Possivelmente ele se sentirá com ainda mais medo do novo local, desencadeando uma esquiva ainda maior. Por conta deste fator, cuide da segurança do cão!

Lembre-se que para saber como adaptar um cachorro ao novo lar, você precisa ter em mente algo muito importante: a paciência sempre será a sua melhor aliada. Pois é a partir dela que você desenvolverá todo o processo de cuidado e desenvolvimento do seu cão, para que, desse modo, o mesmo sinta-se verdadeiramente em casa.

7- Deixe objetos com “cheiro” espalhados pela casa

Tente não forçar a situação, e tampouco pular etapas no processo. Considere ainda que cada pet pode ter um tempo diferente de adaptação, e você deverá levar isso em conta também. Quanto mais atencioso você for neste sentido, melhor serão os resultados. Pode acreditar!

Você sabe muito bem quais são os brinquedos favoritos do seu cachorro, não sabe? Pois bem! Aposte nos mesmos para trazer mais tranquilidade para o bichinho. Assim ele sentirá o “cheiro” dele em todas as partes que ele estiver conhecendo. E é por isso que falamos de deixar o cheirinho do cão pela casa, como uma ótima estratégia de adaptação.

Imagem: www.google.com

8- Dê atenção para o seu cão, mas não exagere Por fim, esta é uma das principais formas de como adaptar um cachorro ao novo lar: dando a atenção na medida certa. O ideal é que você mostre a sua presença para o pequeno, mas sem passar do limite. Para isso, você deverá demonstrar carinho e atenção quando perceber que ele estiver muito ansioso e com muito medo. Porém, assim que notar certa tranquilidade no mesmo, o ideal é que você procure se distanciar. Nem que para isso, precisa se afastar aos poucos. Para que desse modo você não corra o risco de tornar o cachorro completamente dependente da sua presença, o que poderia ser bastante prejudicial para a saúde mental e até física do mesmo

Lola conhecendo sua nova casa

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Como combater a obesidade de cães e gatos Muitos donos resistem à prevenção à obesidade temendo perder o afeto dos animais ao restringir a comida Imagem: pexels.com

Viviane Paiva e Julia Rocha Fonte: saude.abril.com.br Em 27/10/2019. Se você soubesse de algo que encurtaria a expectativa e a qualidade de vida do seu cão ou gato, não tentaria fazer o possível para evitar que esse risco virasse realidade? Pois não sucumbir aos apelos por petiscos e exageros na ração ou à preguiça do bicho de ficar horas e horas deitado é uma forma de prevenir a morte precoce que vem na esteira da obesidade. O excesso de peso entre os animais de estimação avança e já preocupa na mesma proporção que a epidemia em humanos. Na virada dos anos 1990 para os 2000, o sobrepeso era uma realidade para 20% dos cães na capital paulista. Mas um estudo recente, publicado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), revelou uma cifra muito mais preocupante: 40% de 286 cães avaliados tinham problemas com a balança na cidade. A situação seria parecida em outras capitais do país, acreditam os especialistas. Os quilos a mais têm potencial para reduzir em cerca de 15% a expectativa de vida de um cão, o que representa menos dois anos e um mês para raças com média

Bulldog Francês cheirando os biscoitos que seu dono deixou em cima da mesa.

de vida de 14 anos, por exemplo. Além disso, traz impactos negativos para a saúde como um todo, alimentando processos inflamatórios que atingem coração, fígado e articulações, entre outros órgãos. “Hoje já se sabe que certos tumores também são mais prevalentes em animais com excesso de peso, assim como doenças de pele e respiratórias”, explica Álan Pöppl, vice-presidente da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Da mesma forma que acontece com a gente, o sobrepeso em cães e gatos é uma combinação de ingestão calórica excessiva e pouca atividade física — embora fatores como castração e o avanço da idade também pesem na balança. “Existem casos relacionados a disfunções hormonais, como o hipotireoidismo”, observa, ainda, a veterinária Carolina Zaghi Cavalcante, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). 105


Imagem: google.com

Gato recebendo petisco do dono.

A grande diferença, porém, é que cães e gatos domésticos não podem escolher sozinhos quanto vão comer e se mexer. Precisam contar com os tutores tanto na prevenção como no controle da obesidade. E é aí que mora o maior desafio para os veterinários que lidam com esse fenômeno. “Tem uma questão cultural muito forte envolvida, porque o dono expressa afeto para o animal por meio dos alimentos e isso influencia no ganho de peso”, analisa Pöppl. 106

Com os séculos de convivência, os animais também herdaram nossos (maus) hábitos. À medida que os bichos foram deixando os pátios para se refestelarem nos sofás, eles passaram a compartilhar não só o ambiente, mas o apetite por alimentos calóricos e a preguiça para a atividade física. A ciência já sabe, inclusive, que regiões com maior prevalência de sedentarismo e dieta desequilibrada afetam tanto a balança dos humanos como a dos bichos. Na Espanha, pesquisadores constataram

índices de disfunção metabólica parecidos entre humanos e cães obesos que habitam uma localidade considerada pró-obesidade. Já em São Paulo, a pesquisa da USP desvendou que mais de 75% dos bichos obesos viviam com pessoas que também têm o hábito de beliscar. O exagero nos snacks próprios para pets ou até comida mesmo está entre os principais patrocinadores do ganho de peso. Alimentos do cardápio humano escondem armadilhas: um muffin,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


por exemplo, excede em 32% o total de calorias que um cão necessita por dia. Para um gato, representa um excesso de 130% na energia que ele deve ingerir diariamente — é como se você devorasse 13 pedaços de pizza no intervalo entre o almoço e o jantar. E bolos, biscoitos e afins são mais oferecidos aos bichos do que se imagina. O que a obesidade pode fazer com órgãos e outros cantos do organismo: Focinho: os animais obesos têm mais dificuldade para respirar, especialmente se possuem focinho achatado. Há risco, inclusive, de colapso da traqueia. Boca: a doença periodontal, marcada por mau hálito, é mais frequente em animais sem controle da dieta. Tireoide: numa via de mão dupla, o excesso de peso pode ser causado por disfunções hormonais ou agravá-las. Alguns bichos têm hipotireoidismo. Articulações: os quilos extras sobrecarregam as juntas e levam à artrose. Coração: problemas cardiovasculares são bem mais frequentes em animais com sobrepeso. Fígado: o mais comum é o aparecimento de uma inflamação que compromete esse órgão. Estômago: diversos tumores estão relacionados ao excesso de gordura no organismo animal. Sistema urinário: há maior risco de problemas, inclusive no controle da urina. Os fatores de risco da obesidade animal: O problema da falta de conscientização dos tutores é tamanho que

raras vezes aparece alguém preocupado com o peso do seu animal de companhia nas clínicas veterinárias. “Normalmente, eles o trazem para a consulta não para tratar a obesidade, mas porque existem sintomas de doenças associadas, como problemas osteoarticulares ou diabetes”, revela a veterinária Naiana Perobelli, especialista em nutrição e fundadora da marca Bicho Balanceado, que desenvolve dietas sob medida para animais domésticos e tem sede em Porto Alegre e Barueri, na Grande São Paulo. É preciso estar atento aos fatores que predispõem o sobrepeso, principalmente com o envelhecimento do pet, já que o metabolismo muda e a tendência a acumular gordura se acentua. Nesse contexto, também exigem cuidados os animais castrados, principalmente as cadelas e os gatos de modo geral. Em ambos os casos, rações especiais podem ser requisitadas para driblar a tendência. Como deve ser a alimentação dos pets: É diante desse cenário de crescimento da obesidade que se tornaram mais frequentes e necessários os programas veterinários de redução do peso. Fazem parte deles as rações especiais, disponíveis no mercado, cujas fórmulas são de baixa caloria e incluem maior quantidade de proteínas e fibras. Mas não bastaria usar a ração normal, só que moderando na porção? “Não dá para pegar o alimento comum e reduzir quantidades porque é preciso garantir o aporte correto de nutrientes”, esclarece Ana Cristina Pinheiro, gerente de

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

marketing da Royal Canin Brasil. A marca lançou recentemente a linha Satiety, cuja densidade mais aerada promove a sensação de barriga cheia nos animais. Saciar a fome sem ultrapassar a quantia estabelecida do alimento nem sempre é simples. Novamente, a postura dos donos influencia bastante, especialmente se o animal é daqueles que abocanham vorazmente um prato de comida ou implora por alimento, passando a impressão de que vive faminto. “É comum que tutores abandonem o tratamento antes dos seis meses porque acham que o animal vai deixar de gostar deles se reduzirem a oferta de comida”, aponta a professora Carolina, que já experimentou convidar psicólogos para atender pessoas que não conseguem manter seus companheiros nas dietas prescritas. O uso de comedouros que tornam mais lenta a obtenção da comida também pode ser uma boa saída para aumentar o tempo de ingestão diante da mesma porção. Há vários tipos no mercado, com saliências de alturas diferentes onde se escondem os grãos de ração, que devem então ser caçados pelo cachorro. Gatos podem achar divertido ter que correr atrás de um brinquedinho onde esteja alojado o alimento. “Assim eles acabam gastando mais energia também”, assinala Pöppl. A alimentação natural também pode ser uma opção para reduzir a ansiedade nos tutores. Por ser um alimento fresco e não desidratado como a ração, acaba tendo maior volume mesmo em dietas de restrição alimentar. Mas atenção: nada de montar o prato de seu bicho com dicas da 107


internet ou do livro de receitas da vovó. A prescrição por veterinário ou zootecnista é importante porque o menu natural exige complementação nutricional, cujas fórmulas podem ser manipuladas em farmácias ou compradas prontas. A decisão sobre a quantidade de comida envolve os objetivos da dieta: quantos quilos a perder e o prazo para atingir a meta. Segundo os experts, a porcentagem ideal de redução de peso recomendada varia de 2 a 5% por mês, mas isso depende de raça, idade e condição do animal. “O emagrecimento muito rápido pode causar problemas hepáticos, por exemplo. Especialmente para os gatos, a perda de peso tem que ser gradativa”, avisa Naiana. Outros cuidados para vencer a obesidade: Mudar o hábito de fornecer alimento de forma constante é outro desafio quando o assunto é evitar ou reverter o ganho de peso. Além de contar (se possível) com uma balança para dosar a quantidade, é recomendável estipular porções e horas fixas para oferecer a comida e pôr fim ao hábito dos petiscos. “Em vez de fornecer um pãozinho ou pedacinho de queijo ou de bolo, sugiro primeiro substituir por algo como um snack zero gordura para pet. Depois, o ideal é retirar”, orienta a professora da PUC-PR. A proprietária da Bicho Balanceado, Naiana Perobelli, acrescenta que é possível oferecer petiscos vegetais de baixa caloria, como fatias de abobrinha ou chuchu. Outra possibilidade, sugerida pela gerente de marketing da Royal Canin, é utilizar a versão úmida das rações desenhadas para dar mais saciedade como substituto 108

do petisco. “O animal que sempre comeu ração seca vai entender o novo alimento como algo adicional, e a dose poderá ser calculada dentro da necessidade calórica de cada um”, justifica Ana Cristina. Além da dieta, estimular o bicho a se mexer é decisivo. Para cães, incrementar as caminhadas diárias ajuda muito. E, pensando nos cachorros pequenos, por vezes até brincadeiras dentro de casa já servem para torrar as calorias. Enquanto isso, os gatos merecem uma repaginada no ambiente, como a inclusão de brinquedos para escalar e se movimentar dentro de casa. Mesmo animais idosos devem ser estimulados, recorrendo, por exemplo, à hidroterapia. Se o pet estiver muito acima do peso, o veterinário poderá orientar como incluir a atividade física na rotina sem impor riscos. Outro pilar essencial nessa história é o carinho. “Quando o animal pede atenção, imediatamente achamos que está com fome ou deseja comer. Mas não é isso necessariamente. Se já foi fornecida a quantidade de comida necessária, não é fome. O que ele quer é brincar, interagir, receber um afago”, diz Carolina. Eis um convite

para surpreender seu amigo com algo que pode ser mais gostoso que um petisco. O que fazer — e não fazer — para deixar seu pet em forma: • Acompanhe o desenvolvimento físico do seu animal com um veterinário desde filhote. • Animais castrados podem exigir dieta especial, pois o metabolismo muda e há tendência ao sobrepeso. • Forneça uma alimentação de qualidade, balanceada e supervisionada por veterinário ou zootecnista. • Estabeleça horários e porções regulares de alimento para cada animal. • Substitua petiscos por atenção, carinho, escovação dos pelos, etc. Desvie a atenção da comida. • Se for impossível não oferecer um petisco, opte por pedacinhos de legumes ou snacks zero gordura. • Nos casos mais complexos, pese a comida antes de servir para evitar excessos. • Recrute os cães para caminhadas regulares; para os gatos, espalhe brinquedos pela casa. • Restrinja petiscos e alimentação fora de hora. • Animais idosos ou com mobilidade reduzida se beneficiam de fisioterapia e hidroterapia.

Imagem: google.com

Uma das dicas para evitar que seu cãozinho fique acima do peso é criar uma rotina de passeios diários. Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Síndrome vestibular canina: condição que afeta o sistema nervoso dos cães Apesar de pouco conhecida, a doença é muito comum e possui sintomas de fácil percepção Imagem: google.com

Beagle está entre as raças com maior predisposição à doença.

Viviane Paiva e Julia Rocha Fonte: peritoanimal.com.br Em 14/11/18

sabe o que é este sistema e para que serve? Sabe como essa síndrome afeta os cães?

Se você já viu um cachorro com a cabeça torta, caindo facilmente ou andando em círculos, provavelmente pensou que ele não tinha equilíbrio e estava tonto e, efetivamente, você acertou! Quando um cão apresenta esses e outros sintomas, sofre do que é conhecido como síndrome vestibular, uma condição que afeta o sistema de mesmo nome. Você

O que é:

• o núcleo vestibular; • o trato médio posterior e anterior - que são partes do sistema nervoso central; • os músculos do globo ocular.

O sistema vestibular é aquele que dá aos cães equilíbrio e orientação espacial para poderem se mover. Neste sistema, trabalham em conjunto: • o ouvido interno; • o nervo vestibular - serve como uma ligação entre o ouvido interno e sistema nervoso central;

Todas essas partes do corpo do cão estão conectadas e envolvidas na tarefa de fazer o animal se mover e se orientar sem problemas. Portanto, este sistema permite evitar a perda de equilíbrio, quedas e vertigem nos animais. É precisamente quando algumas partes ou conexões falham que a

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

109


Imagem: google.com

Uma das principais características desta doença é os cães ficarem com a cabeça torta, um indicador de falta de equilíbrio.

110

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


síndrome vestibular ocorre. A síndrome é um sintoma de que alguma parte do sistema vestibular não funciona bem. Então, quando a detectamos, logo suspeitaremos que o cão apresenta alguma patologia relacionada ao sistema vestibular que ocasiona a perda do equilíbrio, entre outras coisas.

cão a se ajustar à sua nova condição e levar a melhor vida possível, enquanto dure a síndrome. A síndrome vestibular pode ocorrer em cães de qualquer idade. Esta condição pode estar presente desde o nascimento do cão, portanto, será congênita e começa a ser vista entre o nascimento e os três meses de vida do cão.

A doença pode se manifestar de uma ou mais formas:

Estas são as raças com maior predisposição a sofrer este problema:

• Síndrome vestibular periférica, que surge do sistema nervoso periférico, também conhecido como sistema nervoso central externo, e é causada por algum distúrbio que afeta a ouvido interno. • Síndrome vestibular central, originada no sistema nervoso central. É mais grave que a forma periférica, no entanto, e felizmente, é bem menos comum. • Quando não conseguimos identificar a origem da síndrome vestibular, nos deparamos com a forma idiopática da doença. Neste caso, não existe uma origem específica e os sintomas se desenvolvem repentinamente. Ela pode desaparecer em poucas semanas sem que se conheça a causa ou pode durar muito tempo e o cão deverá se adaptar. É a forma mais comum. Geralmente, a síndrome vestibular periférica apresenta uma rápida melhora e recuperação. Se a causa for tratada cedo e bem, não permitirá que a doença avance por muito tempo. Por outro lado, a forma central é mais difícil de resolver e, às vezes, não pode ser remediada. A forma idiopática não pode ser resolvida sem um tratamento adequado, pois, a causa da síndrome é desconhecida. Neste caso, devemos ajudar o

• Pastor alemão; • Doberman; • Akita Inu e Akita americano; • Cocker Spaniel inglês; • Beagle; • Fox Terrier de pelo liso. No entanto, esta síndrome é mais frequente em cães mais velhos e é conhecida como síndrome vestibular geriátrica canina. Sintomas e causas: As causas são diversas. Na sua forma periférica, as causas mais comuns são a otite, as infecções crônicas do ouvido, as infecções recorrentes do ouvido interno e médio, a limpeza excessiva que irrita muito a área e que pode até perfurar um tímpano, entre outras. Se falarmos da forma central da doença, as causas serão outras condições ou doenças tais como toxoplasmose, cinomose, hipotireoidismo, hemorragia interna, um trauma de uma lesão no cérebro, acidente vascular cerebral (AVC), pólipos, meningoencefalite ou tumores. Além disso, este estado mais grave da síndrome vestibular pode ser causado por certos medicamentos como antibióticos ami-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

noglicosídeos, amicacina, gentamicina, neomicina e tobramicina. Sintomas mais comuns: • Desorientação; • Cabeça torcida ou inclinada; • Perda de equilíbrio, cai facilmente; • Andar em círculos; • Dificuldade em comer e beber; • Dificuldade em urinar e defecar; • Movimentos involuntários dos olhos; • Tontura, vertigem e náusea; • Excesso de saliva e vômito; • Perda de apetite; • Irritação nos nervos do ouvido interno. Estes sintomas podem surgir de repente ou aparecer pouco a pouco, à medida que a condição progride. Se você detectar algum destes sintomas, é muito importante agir rápido e levar o cão a um veterinário de confiança o mais rápido possível para identificar a causa da síndrome vestibular e tratar. Diagnóstico: Como comentamos, é de vital importância levar o nosso animal de estimação ao veterinário logo que começamos a detectar algum dos sintomas descritos acima. Chegando lá, o especialista fará um exame físico geral no cão e realizará alguns testes específicos para verificar o equilíbrio, se anda em círculos ou saber para que lado ele inclina a cabeça, pois, normalmente, esse será o lado do ouvido afetado. O ouvido deve ser observado tanto externa quanto internamente. Se esses testes não puderem diagnosticar com segurança, outros exames como raios-x, exame 111


de sangue, citologias, culturas, entre muitos outros podem ajudar a encontrar o diagnóstico ou, pelo menos, eliminar as possibilidades. Além disso, se houver suspeita de que pode ser a forma central da doença, o veterinário pode solicitar exames de tomografia computadorizada, ressonância magnética, biópsias, etc. Como dissemos antes, existem casos em que não é possível identificar a origem da alteração do equilíbrio. Logo que o especialista detecte a causa e possa dizer se é uma síndrome vestibular periférica ou central, o tratamento adequado deve ser iniciado o mais breve possível e sempre sob a supervisão e acompanhamento periódico do profissional. Tratamento: O tratamento para esta condição dependerá completamente de como ela se manifesta e quais são os sintomas. É vital que, além da principal causa do problema, os sintomas secundários sejam tratados para ajudar o cão a passar pelo processo da melhor forma possível. No caso da síndrome vestibular periférica, como já mencionamos, é provável que seja ocasionada por uma otite ou infecção crônica do ouvido. Por esta razão, o tratamento mais comum será para otite, irritações e infecções auditivas difíceis. Se nos encontramos com a forma central da doença, esta também dependerá da causa específica que a provoca. Por exemplo, se for hipotireoidismo, o cão deve ser medicado com a suplementação indicada para hipotireoidismo. Se for um tumor, as possibilidades de operá-lo deverão ser avaliadas. Em todos os casos mencionados 112

acima como possíveis causas da doença, se forem tratados o mais cedo possível, veremos como o problema principal se soluciona ou estabiliza e a síndrome vestibular também se corrigirá até que desapareça. Quando se trata da forma idiopática da doença, já que não se conhece a causa, não é possível tratar o problema principal ou a síndrome vestibular. No entanto, devemos pensar que, embora possa durar muito tempo, quando se trata de um caso idiopático, é bem provável que ele desapareça após algumas semanas. Portanto, embora decidamos continuar fazendo mais testes para tentar encontrar alguma causa, mais cedo ou mais tarde, devemos nos concentrar em facilitar a vida de nosso companheiro peludo durante o processo. Como ajudar o seu cachorro a se sentir melhor: Enquanto durar o tratamento ou, ainda, se não for encontrada a causa, o nosso cão necessita se acostumar a conviver com a doença por um tempo e será nossa responsabilidade ajudá-lo a sentir-se melhor e tornar a sua vida mais fácil durante este período.

Para isso, é necessário tentar liberar as áreas da casa onde normalmente o cachorro está, separar os móveis pois os animais costumam golpear-se contra eles com frequência devido à sua desorientação, ajudá-lo a comer e beber, dando-lhe comida à mão e levando o bebedouro até a sua boca ou, ainda, dando-lhe água com o auxílio de uma seringa diretamente na boca. Também é preciso ajudá-lo a se deitar, levantar ou se movimentar. Muitas vezes será necessário auxiliá-lo para defecar e urinar. É de vital importância acalmá-lo com a nossa voz, fazendo carícias e remédios naturais e homeopáticos para o stress. Assim, pouco a pouco, ele irá melhorando até o dia em que a causa for conhecida e a síndrome vestibular desaparecer. Caso seja duradouro, seguindo todas as recomendações acima, estaremos ajudando o animal a se acostumar com a sua nova condição e gradualmente notaremos ele começar a se sentir melhor e será capaz de levar uma vida normal. Além disso, se a síndrome é congênita, geralmente os filhotes que crescem com essa condição rapidamente se acostumando com essa realidade que os envolve levando uma vida normal. Imagem: google.com

É importante observar o ouvido dos cães para que se possa fazer o diagnóstico corretamente. Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


EDUCAÇÃO

Candidatos do Enem 2020 enfrentam problemas na inscrição, no recebimento do boleto e na confirmação de pagamento Pagamentos ainda estão sendo processados; confirmação deve ocorrer até 28 de maio. Há uma semana, participantes já reclamavam de instabilidade no site da prova

Renan Porto e Carolina Santos Fonte: www.g1.com.br Em: 22/05/2020 A poucas horas do encerramento do prazo de inscrição, nesta sexta-feira (22), candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) relatam os seguintes problemas: • a tela trava em uma das etapas, • o boleto bancário não é gerado • ou, mesmo mais de uma semana após pagarem a taxa, a participação não é confirmada. ATUALIZAÇÃO: às 13h26 desta sexta-feira, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que o prazo de inscrição do Enem será estendido e, agora, vai se encerrar às 23h59 de quarta-feira, 27 de maio. A seguir, confira os detalhes de cada uma das queixas e o posicionamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em relação a cada uma delas.

aplicativo do ENEM Foto:g1.com.br

Boleto não é gerado Outra reclamação dos candidatos é que o boleto de pagamento não está sendo gerado, mesmo dias após a inscrição. No dia 15 de maio, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o problema foi causado pela sobrecarga no sistema. Ele orientou que os estudantes entrassem novamente na página do participante, porque o problema “já estava solucionado”. Aque-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

les que não conseguissem, ainda assim, acessar o boleto deveriam ligar para 0800 616161 (chamadas de telefone fixo) ou entrar no site faleconosco-mec-cube.call. inf.br. Pagamento não é confirmado Candidatos afirmam que pagaram o boleto da taxa de inscrição há mais de uma semana, mas ainda não receberam o aviso de confirmação. 113


Segundo eles, na página do participante, o status ainda é de pagamento pendente. Em resposta ao G1, o Inep afirma que “os boletos que foram pagos estão em processamento no sistema” e que “os participantes receberão a confirmação até o dia 28 de maio”. Problema para carregar foto Nesta sexta, estudantes afirmam que a foto que cadastraram durante a inscrição para o Enem não está mais aparecendo na página do participante. A imagem é exigida como forma de segurança para que, no dia da aplicação do exame, o fiscal possa conferir a identidade do candidato. O G1 entrou em contato com o Inep para saber se o “desaparecimento” da foto de cadastro pode atrapalhar os candidatos. O órgão respondeu, em nota, que “os inscritos poderão inserir ou alterar a imagem posteriormente. A ausência de foto não irá prejudicar o processo de inscrição”. Inscrição não é concluída Outro problema relatado por candidatos é no próprio ato de inscrição: segundo eles, mesmo tentando a partir de diferentes navegadores, o processo trava quando chegam à tela com os dados de contato (telefone, e-mail). O G1 procurou o Inep para saber qual a orientação aos candidatos que não estão conseguindo se inscrever. O instituto não havia respondido, até a última atualização desta reportagem. Balanço de inscritos No último balanço, divulgado nesta manhã pelo ministro Weintraub, mais de 5 milhões de candidatos já haviam se inscrito para a prova: 4.926.368 na versão impressa e 101.100, na digital 114

Login do participante Foto: querobolsa.com.br

O pagamento da taxa de inscrição, de R$ 85, deve ser feito até o dia 28 de maio, em agências bancárias, casas lotéricas, correios ou pela Internet. Atenção: mesmo aqueles estudantes que obtiveram a isenção da taxa devem se inscrever no Enem. Isenção da taxa Segundo o Inep, os candidatos que não pediram a isenção, mas que se encaixam em um dos critérios para receber o benefício, terão direito a ele mesmo sem a solicitação formal. Outra mudança vale para aqueles que estavam isentos em 2019, mas que não compareceram aos dois dias de prova e não justificaram a ausência. A princípio, eles perderiam o direito à isenção neste ano. Mas, de acordo com o Inep, até

mesmo esses estudantes poderão solicitar a gratuidade da taxa em 2020. “A regra vale tanto para os participantes que optarem pelo Enem impresso quanto para os que escolherem o Enem digital”, informa o site da prova. Adiamento da prova O Enem será adiado “de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais”, de acordo com decisão do Inep e do Ministério da Educação (MEC). • Inscrições no Enem 2020 vão até sexta (22): veja o passo a passo de como fazer • Candidatos que estiverem com Covid-19 nos dias da prova poderão fazê-la em outra data • Bolsonaro foi aconselhado por Maia a adiar Enem para evitar

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


derrota na Câmara A decisão ocorre depois de o governo enfrentar questionamentos judiciais cobrando o adiamento da prova por causa dos efeitos da pandemia da Covid-19. Segundo entidades estudantis, universidades e colégios federais, a suspensão das aulas presenciais aumentaria a desigualdade entre os candidatos. O debate sobre o adiamento da prova chegou ao Congresso: na terça-feira (19), o Senado aprovou projeto que adia Enem, e o texto seguiu para avaliação da Câmara dos Deputados. Cronograma No mês passado, o Inep adiou apenas a versão digital, que seria realizada nos dias 11 e 18 de outubro e passou para os dias 22 e 29 de novembro. A aplicação

ENEM 2019 foto: g1.com.br

da prova impressa estava prevista para 1º e 8 de novembro. As novas datas não foram divulgadas. Ministro cita líderes do Centro O ministro Weintraub adotou posição contrária ao adiamento desde que foi acionado por órgãos e entidades como a Defensoria Pública da União (DPU) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). No começo do mês, chegou a afirmar para os senadores que reavaliaria a situação do Enem novamente apenas em agosto. Entretanto, na manhã de quarta-feira (20), Weintraub disse que considerou a movimentação no Congresso e ouviu os líderes do Centro para decidir pelo adiamento.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

115


“Diante dos recentes acontecimentos no Congresso e conversando com líderes do centro, sugiro que o ENEM seja adiado de 30 a 60 dias. Peço que escutem os mais de 4 milhões de estudantes já inscritos para a escolha da nova data de aplicação do exame” - Abraham Weintraub Na terça, o MEC disse que iria, em junho, consultar os inscritos para decidir se adiaria o exame. Agora, no novo posicionamento, o governo afirmou que vai fazer uma enquete com os participantes para definir as novas datas. Posicionamento do Inep e MEC Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Inep: “NOTA OFICIAL | Adiamento do Enem 2020 Atento às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e digital. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais. Para tanto, o Inep promoverá uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante. As inscrições para o exame seguem abertas até as 23h59 desta sexta-feira, 22 de maio.”

116

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

117


UFJF terá Centro Integrado na Zona Norte de Juiz de Fora Espaço será para o desenvolvimento de pesquisas, extensão, tecnologia e cultura. Propriedade, avaliada em mais de R$ 21 milhões, foi cedida pela União. Renan Porto e Carolina Santos Fonte: www.g1.com.br Em: 23/05/2020 A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) terá um Centro Integrado na Zona Norte de Juiz de Fora. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pela instituição. O espaço será para o desenvolvimento de pesquisas, extensão, tecnologia e cultura. De acordo com a UFJF, o local, avaliado R$ 21 milhões, será instalado na antiga Companhia Nacional de Abastecimento (Conab),

no Bairro Distrito Industrial. A aquisição da propriedade foi feita pela União e publicada no Diário Oficial da União. Espaço Segundo o diretor de Inovação da UFJF, Ignacio Delgado, o espaço pode ter um aproveitamento favorável para o desenvolvimento de uma unidade do parque científico e tecnológico por estar próximo das principais empresas da cidade. “O imóvel estava para leilão, previsto para o início de 2020, mas a

UFJF solicitou que o mesmo fosse sustado, para que avaliasse o interesse em adquiri-lo. A área permite diferentes usos, tais como o desenvolvimento de projetos de pesquisas e outros”. O local pretende viabilizar e criar uma aproximação entre a UFJF e a Zona Norte do município, por meio do desenvolvimento de projetos e programas integrados de ensino. O objetivo é contribuir no desenvolvimento econômico e social da região.

Campus em Juiz de Fora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Foto: Carlos Mendonça/Prefeitura de Juiz de Fora

118

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Centro Integrado da UFJF será na Zona Norte de Juiz de Fora Foto: UFJF/Google StreetView

“Quando levamos a proposta ao Conselho Superior (Consu), outras unidades administrativas, pró-reitorias e diretorias agregaram contribuições às propostas originais, salientando a oportunidade da UFJF se instalar em uma região que é muito relevante, e possui grande participação no conjunto da população da cidade”, explica Delgado. O diretor também ressalta inicialmente, a UFJF vai precisar arcar com custos como o de água, luz e vigilância. “Após o contato com as empresas, poderemos adquirir receitas para a manutenção e passaremos a receber uma quantia para que as elas usem os nossos espaços. Dessa forma, além de colaborarmos com a vida de uma parcela importante da população, futuramente, nosso gasto será praticamente zero”.

Juiz de fora

Foto: tribunademinas.com.br

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

119


jornalgrandebahia.com.br

120

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Mesmo adiado, Enem escancara desigualdades e preocupa estudantes de baixa renda Sem computador e internet em casa, e tendo que dividir local de estudo com a família toda, jovens tentam se preparar para exame que dá acesso ao ensino superior

O adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi uma grande vitória para os estudantes, mas a medida não será capaz de esconder a histórica desigualdade no ensino. Também não consegue colocar no mesmo nível o desempenho dos alunos, como se todos tivessem acesso às mesmas condições de preparação e estudo. Segundo o professor do departamento de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Flávio Cervalhaes, a mudança da data da prova não resolve o que ele chama de sobreposição de desigualdades. “O otimismo em relação à decisão do adiamento é um tanto quanto insensível, pois não existem formas de equiparação entre os estudantes”, pontua. Pelo menos 2,3 milhões de estudantes inscritos no Enem não têm acesso à internet, segundo reportagem do Jornal Nacional. Até sexta-feira (23/5), cerca de 5,5 milhões de pessoas tinham feito a inscrição, de acordo com o Ministério da Educação. A prova foi adiada por causa da pandemia, mas não tem nova data marcada, e contará, mais uma vez, com a

dificuldade dos mais pobres de ingressarem no ensino superior. Fonte: www.ponte.org

Carolina Santos e Renan Porto Fonte: www.ponte.org Em:24/05/20

Thifany Marques, 17 anos, moradora da Gamboa, sonha cursar Química na UFRJ

Moradora de uma ocupação na Gamboa, zona portuária da cidade do Rio, Thifany Marques Bastista, 17 anos, sonha cursar Química na UFRJ. Mas para ela, diante de tantas dificuldades, os processos seletivos para ingressar nas universidades, entre eles o Enem, poderiam ser cancelados. “Para mim, esse ano já está perdido. Por mais que eu me esforce, estudar em casa é difícil e quando você tem múltiplas preocupações fica pior ainda”, conta. Ela mora com sua mãe, irmã, dois

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

sobrinhos e uma prima pequena. Todos dividem o mesmo quarto e há um detalhe: são apenas três camas para seis pessoas. Quatro dormindo no beliche e dois na cama de solteiro. Na divisão de tarefas da casa, ela ficou encarregada da cozinha. “Eu lavo a louça e preparo a comida. Como aqui tem criança pequena, é o tempo todo fazendo alguma coisa para eles comerem”, contou. Em meio a tantas tarefas e pouca privacidade, os estudos de Thifany, que está no último ano do ensino médio, foram forçados a ficar em segundo, senão último plano. Sem as condições adequadas para se dedicar aos vestibulares, entre eles o Enem, a jovem vai, aos poucos, perdendo as esperanças de conseguir melhorar o futuro da sua família. Com as aulas presenciais suspensas devido à pandemia da Covid-19, ela tem tido muita dificuldade em se adequar à Educação a Distância (EaD) oferecida pela sua escola. Sem computador, internet domiciliar e pacote de wi-fi no celular, Thifany vê seu sonho cada vez mais distante. Ela trabalha desde os 15 anos de idade. Já foi estagiária na Justiça Federal e, até o início da pandemia, estava trabalhando em uma autorizada da Motorola. Em casa, 121


ela recebe apoio dividido da família. “Minha mãe fica mais contente comigo trabalhando do que estudando. Quero muito entrar em uma universidade. Seria uma superação para a minha família e também a oportunidade de ter uma estabilidade no futuro”, avalia. No Brasil, a entrada em universidades se dá através de processos seletivos, onde há aplicação de provas em uma ou mais fases, chamado de vestibulares. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), criado em 1998 para avaliar o desempenho dos alunos do ensino médio, compunha a nota desses vestibulares nas mais diferentes universidades pelo país. Em 2009, Enem tornou-se uma avaliação direta que possibilita o ingresso dos estudantes no ensino superior. Segundo informações do Ministério da Educação, cerca de 500 universidades utilizam o Enem como critério de ingresso. A pandemia do coronavírus intensificou as diferenças socioeconômicas entre os estudantes, fazendo com que os alunos da rede pública tenham ainda mais dificuldades de estudar, sobreviver e superar a situação. Muitos desses alunos, que estão sem aulas por causa do isolamento social, não têm condições financeiras, tecnológicas e psicológicas de acompanhar o ensino a distancia de suas escolas, muito menos para se preparar para os vestibulares. Mas a educação não é a maior preocupação dos jovens em preparação para vestibulares e Enem. As formas de sobrevivência se mostram urgentes. Na família de Thifany, por exemplo, apenas sua mãe, Eliete Marques, 42, continua trabalhando em uma lavanderia industrial na Central do Rio, apesar das determinações do isola122

mento social. Por causa do calor no local, os funcionários evitam usar máscaras para não dificultar ainda mais a respiração. Eliete teve seu turno de trabalho reduzido e, consequentemente, seu salário foi cortado para metade. As incertezas tomam conta da família. “Fico preocupada se meus sobrinhos vão ter o que comer durante a semana”, afirmou Thifany. “Saber se minha mãe vai continuar trabalhando e se eu vou conseguir trabalhar pós-pandemia é outra preocupação. A gente não conseguiu receber o auxílio emergencial do Governo, estamos vivendo apenas com o salário da minha mãe e de cestas básicas.” Parte dessas cestas são doações feitas pelo pré-vestibular comunitário Providenciando Vidas. O cursinho surgiu em 2014 na comunidade do Morro da Providência com o objetivo de possibilitar a inclusão de alunos mais pobres nas universidades públicas e particulares do país. No início de maio, o projeto criou uma campanha de apadrinhamento para que pessoas pudessem doar cestas básicas e dinheiro para pagar a internet dos alunos. Atualmente o cursinho conta com 20 estudantes matriculados, dos quais a maioria possui celular, mas não tem acesso à internet. Luciano Castro, professor de química e também diretor geral do pré-vestibular, conta que as doações foram fundamentais para os alunos não desistirem dos estudos. “A gente percebeu uma motivação maior nos estudantes depois que aderimos ao apadrinhamento. Eles reclamavam muito de não saber por onde começar a estudar nem como reservar o tempo de estudo, quando não tinham a internet à disposição”, explicou.

Thifany é uma das alunas do cursinho. Apesar do dia atarefado, ela tenta reunir o que lhe sobra de motivação para estudar. “Eu consigo dedicar apenas duas ou três horas do meu dia aos estudos”, revelou. “É muito desanimador ter que estudar sozinha, principalmente porque eu não tenho um lugar silencioso para isso, só consigo focar quando meus sobrinhos estão dormindo, já tarde da noite”. Flávio Cervalhaes, professor da UFRJ, explica que a estrutura familiar é um forte determinante no desempenho dos alunos. “As condições físicas, quartos individuais e confortáveis, e tecnológicas, acesso à internet e computadores, contribuem para o sucesso dos alunos na educação. Por esses fatores, os jovens periféricos acabam dependendo ainda mais das escolas, pois vêm de famílias com níveis de escolarização mais baixos, com dificuldades de garantir êxito no ensino domiciliar”. O estudante Luciano Alves, 29 anos, também cursa o pré-vestibular Providenciando Vidas. Depois de concluir o ensino médio, em 2008, não se sentiu preparado para o ingresso no ensino superior. Nesse meio tempo, trabalhou como vendedor de loja, balconista e com telemarketing. Atualmente, sonha em cursar Serviço Social em uma universidade pública. Ele mora sozinho com o pai no centro da cidade do Rio. Apesar de ter um quarto individual, seus estudos são prejudicados pela falta de internet e computador. “Eu estudo pelo celular usando a internet do vizinho, não me sinto nem um pouco preparado para as provas”, avaliou. Estudante de escola pública a vida inteira, Luciano afirma que sente que precisa se esforçar duas vezes mais para tentar chegar a algum

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


resultado. “É difícil reconhecer muito difícil dirimir essas desique o ano já está praticamente gualdades e encontrar um camitodo perdido. É uma situação tão nho de equiparação com outros triste que eu nem consigo ima- estudantes. “É muito difícil conginar uma boa solução para esse seguir estudar pela telinha do ceproblema”, lamentou. lular, a concentração fica dividiAlém das dificuldades estrutu- da. Fora que eu não consigo tirar rais, outra questão que interferiu dúvidas com nenhum professor”, nos estudos de Luciano foi o co- reclama. ronavírus. Ele contraiu a doença e precisou ficar em isolamento total. “Para você ter noção, meu olfato e paladar só estão voltando agora, quase um mês depois do contágio. Precisei ficar algumas semanas sem estudar”, conta. Fonte: www.ponte.org

Fonte: www.ponte.org

Erica Conceição, 32 anos, está desempregada e não perde a esperança de cursar Veterinária em uma universidade pública

Luciano Alves, 29, estuda usando a internet do vizinho para conseguir manter a rotina de estudos

Outra estudante do pré-vestibular é a desempregada Erica Conceição da Silva, 32 anos, que consegue dedicar seu dia aos estudos, mas sofre com a falta de recursos. Sem computador e internet domiciliar, ela vê a dificuldade de estudar sozinha aumentar. Erica mora com a mãe, com quem compartilha o quarto. Dela, tem todo apoio para seguir seu sonho: cursar veterinária na Universidade Federal Fluminense (UFF). Mas, mesmo com o apoio da mãe, a estudante afirma que tem sido Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

123


66% dos brasileiros de 9 a 17 anos não acessam a internet em casa; veja números que mostram dificuldades no ensino à distância Formação deficitária de professores, falta de equipamentos tecnológicos e condições precárias de saneamento básico são barreiras para educação remota durante a pandemia. Pesquisas do IBGE e do Cetic comprovam obstáculos Carolina Santos e Renan Porto Fonte: www.g1.com.br Em:26/05/20 Desde que as aulas presenciais foram suspensas, por causa da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), as redes de ensino buscam alternativas de educação remota. Pesquisas mostram, no entanto, que há obstáculos para o ensino à distância, principalmente pelas limitações de acesso a tecnologias. Entre crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, 66% não se conectam à internet em ambientes privados seja na própria residência ou na de amigos e familiares. • Sem internet, merenda e lugar para estudar: veja obstáculos do ensino à distância na rede pública durante a pandemia de Covid-19 • Dois meses após a suspensão de aulas presenciais, alunos, pais e professores relatam como está a educação durante a pandemia

124

Segundo o levantamento da “TIC Kids Online Brasil 2018”, formulado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), há uma diferença significativa entre as classes sociais. Nas famílias cuja renda é de até um salário mínimo, 73% dos alunos dessa faixa etária não navegam na rede quando estão em casa. A partir de 3 salários mínimos, o índice é de 53%. O número é ainda maior na zona rural: 82% dos alunos não acessam a internet em ambientes privados. As pesquisas evidenciam também outras dificuldades: • casas sem espaço para estudar e sem saneamento básico; • falta de equipamentos como computadores e notebooks; • problemas na conexão à internet; • falta de formação dos professores para usar tecnologia na educação;

• baixos índices de leitura. Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais da ONG Todos Pela Educação, afirma que as desigualdades já existiam, mas estão acentuadas durante a pandemia. “Precisamos buscar estratégias diferentes, porque os cenários variam muito no país. O ensino à distância pode usar a internet para os grupos que têm acesso a ela. Mas outras alternativas devem existir, como aulas pela TV ou distribuição de cadernos impressos de exercício”, diz. Segundo ele, as atividades não vão substituir as aulas que estariam ocorrendo caso as escolas estivessem abertas, mas contribuirão para diminuir a defasagem de conteúdo e para evitar a evasão. “Os alunos não podem perder o engajamento com a educação. Precisam manter o vínculo com o conteúdo e com os professores”, afirma. Crianças sem acesso a saneamento básico, em casas lotadas

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Antes de analisar questões tecnológicas, é preciso pensar em aspectos básicos das moradias. Em que condições os alunos ficarão em casa para estudar? Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2018 (Pnad), do IBGE, 17,3% das crianças de 0 a 14 anos moram em residências que não têm acesso à rede geral de abastecimento de água e 40,8%, em locais sem conexão com o sistema de esgoto. Nas casas em que não há internet, as condições de saneamento são ainda piores: 29,3% sem rede de água e 60%, sem a de esgoto. Outro problema é o adensamento populacional. A Pnad mostra que 15,1% das residências em que há adultos e crianças abrigam seis ou mais pessoas. Em 40%, há mais de três moradores por dormitório. Fonte: www.g1.com.br

celular. O equipamento que está mais presente nas residências brasileiras é o televisor (96%). Mesmo entre os mais pobres, das classes D e E, 92% têm o aparelho - mas apenas 9% com canais pagos da TV fechada. “O uso da TV para a educação básica pode ser ocorrer por meio de videoaulas. Alguns professores são selecionados para gravar o material. A família deve ser informada de que, em determinado horário, vai ser exibida a aula de matemática do sétimo ano, por exemplo”, diz Corrêa. Em segundo lugar, o equipamento mais comum é o celular, presente em 100% dos lares de classe A e em 84% nas camadas D e E. No entanto, é preciso fazer uma ressalva. “Não dá para achar que todos os alunos têm um celular à disposição deles. Há casas em que só existe um aparelho, usado pelo pai, por exemplo, que trabalha como motorista de aplicativo. O filho só vai poder acessar a internet à noite, depois do expediente”, afirma Corrêa. Fonte: www.g1.com.br

Esgoto a céu aberto em Sao Paulo

“Os problemas habitacionais também ficam mais evidentes. Temos domicílios com infraestrutura precária de iluminação e de saneamento. E há famílias de sete pessoas em imóveis pequenos, onde os alunos não terão silêncio para estudar”, explica Corrêa. Famílias, em geral, só têm TV e

Criança tem aulas on-line durante a pandemia

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, que avalia o uso de tecnologias de informação nos domicílios brasileiros, os computadores portáteis continuam concentrados nas famílias mais ricas: na classe A, 90% têm notebook e 49%, tablet. Nas camadas D e E, os índices são de 3% e 4%, respectivamente. Considerando o recorte regional, no Norte, apenas 19% dos lares têm ao menos um notebook. No Sudeste, que aparece em primeiro lugar, o índice é de 33%. Ao mensurar o acesso apenas das crianças e jovens de 9 a 17 anos, 71% dos mais pobres que usam internet só acessam a rede pelo celular. Na classe AB, apenas 26% têm essa restrição - é mais comum ter também notebooks ou computadores de mesa em casa. São números que devem ser levados em conta no ensino remoto. Os computadores ofereceriam condições de visualizar o conteúdo e os exercícios em uma tela maior. “Os celulares estão longe de ser o melhor recurso para ver vídeo ou estudar. Além da questão da tela, existe outro problema: são associados às redes sociais. É mais difícil manter o engajamento do jovem quando, para assistir às aulas, ele precisa do mesmo aparelho usado em atividades não-escolares”, afirma Gabriel. Segundo a pesquisa TIC Kids 2018, o WhatsApp é a rede social mais usada por crianças e jovens que têm acesso à internet - 70% dos que estão conectados têm conta no aplicativo. Em seguida, vêm Facebook (66%) e Instagram (45%). No recorte por classe social, considerando também só os que têm acesso à internet, 81% dos alunos 125


mais ricos trocam mensagens no WhatsApp. Nas classes DE, a porcentagem cai para 63%. Fonte:www.g1.com.br

ação governamental é essencial”, diz. “Podem ser feitas parcerias com empresas de telefonia, por exemplo, para melhorar a rede móvel.”

Fonte:www.g1.com.br

Uso da internet para falar com professor é incomum.

A internet se torna inacessível.

Acesso à internet é limitado. Dados do IBGE mostram a porcentagem de lares com acesso à internet: a média nacional é de 79,1%. O menor índice é no Nordeste, com 69,1%. Ou seja: mais de 30% das residências da região não estão conectadas. Se considerarmos apenas a zona rural no país, o quadro é muito pior: menos de 50% das casas têm acesso à rede. No Norte, 77% das famílias fora da zona urbana estão desconectadas. Marcus Vinicius Maltempi, vice-coordenador do Instituto de Educação e Pesquisa em Práticas Pedagógicas da Unesp, afirma que as políticas públicas devem se voltar para as famílias que não têm acesso a tecnologias. “A solidariedade é fundamental oferecer ajuda à comunidade, aos vizinhos -, mas não é suficiente. A 126

Os números mostram que os alunos com acesso à internet tendem a usá-la, nas atividades escolares, para fazer trabalhos e estudar para a prova. Eles não têm o costume de usar a rede para falar com o professor, por exemplo nas escolas públicas, apenas 24% têm esse hábito. É um desafio mudar a prática durante a quarentena e estimular que seja mantido um diálogo entre docentes e estudantes. “As escolas estão sofrendo porque, mesmo em momentos de normalidade, já não tinham um canal de conexão com as famílias. Agora, mais do que nunca, é importante fortalecer essa relação”, diz Gabriel Corrêa. “Não sabemos quanto tempo a pandemia vai durar. Manter o vínculo com os professores pode ajudar a evitar a perda de engajamento e a evasão”, completa. Crianças não têm hábito de leitura Os sistemas de ensino precisam elaborar diferentes estratégias para promover o engajamento das famílias. Devem considerar que há pais com baixo nível de escolaridade ou com agendas atribuladas de trabalho. No período de alfabetização, segundo Corrêa, o papel dos familiares é ainda mais importante. Não se deve exigir que o processo de letramento seja feito em casa - mas os pais devem ser orientados a incentivar o contato com os livros.

Crianças precisam ter contato com livros durante isolamento social

“É importante em qualquer faixa etária, para a melhora do desempenho acadêmico. A gente foca muito no conteúdo, mas esquece que a literatura traz benefícios em todas as disciplinas. A habilidade de interpretar textos é essencial até mesmo em matemática, para entender os problemas”, diz. “Devemos orientar as famílias. No caso de pais analfabetos ou que não tenham livros em casa, a rede de ensino pode enviar as obras pelo correio”, sugere Gabriel. Mesmo que ninguém saiba ler em casa, os adultos podem mostrar as ilustrações para a criança e criar uma história com ela. O mais importante é ter o momento de contato com a literatura. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura 2016, edição mais recente feita pelo Instituto Pró-Livro, entre os alunos do ensino fundamental I (1º ao 5º ano), metade afirma que não leu nenhum livro nos últimos três meses. Formação dos professores não abarca questões tecnológicas. Uma pesquisa do Instituto Penínsu-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


la, realizada entre os dias 13 de abril e 14 de maio de 2020, entrevistou 7.734 mil docentes de todo o país e concluiu que 83% ainda se sentem despreparados para ensinar à distância. Segundo Corrêa, os cursos de graduação não costumam abordar de forma aprofundada o uso de tecnologias no ensino

“Sem formação, o professor vai ter ainda mais obstáculos. Pode ser que filme as aulas e depois passe os vídeos para os alunos, mas vão ficar longos e cansativos. Como diversificar, pensar diferente?”, questiona Maltempi, da Unesp.”

tentativas de adotar a tecnologia no dia a dia da escola. O número insuficiente de computadores conectados à internet é mencionado por 91% dos que trabalham na rede municipal e por 45% dos que estão em colégios particulares. A baixa velocidade de conexão é apontada por 85% dos docentes de escolas estaduais - na rede particular, é um índice bem menor, de 45%. Outras questões citadas são: equipamentos ultrapassados, falta de preparo para saber usar internet na educação e ausência de suporte técnico.

Fonte:www.g1.com.br

. “Os professores têm o hábito de usar celular e computador na vida pessoal, mas não com fins pedagógicos”, afirma.

adotada: 77% dos professores de escola pública e 81% dos docentes da rede privada não participaram de cursos sobre o uso de computadores nas atividades escolares.

Professora em sala de aula

De acordo com a pesquisa TIC Educação 2018, apenas 42% dos docentes, quando estavam na universidade, fizeram alguma atividade relacionada ao uso da internet na educação. O problema poderia ser reparado por programas de formação continuada. Mas, pelo que o levantamento mostra, a solução não está sendo

“O docente já está sobrecarregado, usando recursos dele (computador dele, internet dele, casa dele), acumulando tudo com serviços domésticos. É um desafio muito grande”, completa. A pesquisa do Cetic também mostra quais são os principais problemas apontados pelos professores nas

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

“A escola precisa disponibilizar aos professores o acesso à tecnologia, além de dar maior tempo para elaborarem o material. Isso requer um processo de formação”, diz Maurício Canuto, professor do Instituto Singularidades.

127


CULTURA

BLACK OUT TUESDAY Indústria da música promete ‘apagão’ na terça-feira em apoio a protestos por George Floyd Thiago Lins Fonte: www.oglobo.globo.com Em: 01/06/2020 Gravadoras como Columbia e Capitol param em apoio a manifestações nos EUA, enquanto Spotify tocará 8m43s de silêncio para lembrar tempo em que George Floyd foi sufocado. No Brasil, Som Livre, Warner e Universal também aderem. As principais gravadoras dos Estados Unidos vão suspender suas atividades nesta terça-feira em apoio aos protestos que tomaram o país nos últimos seis dias, desde que George Floyd, um homem negro desarmado, foi morto por um policial branco. Em comunicados, empresas como Columbia, Capitol e Warner anunciaram adesão ao movimento Black Out Tuesday, que pede uma pausa nos negócios para que trabalhadores possam participar das manifestações contra o racismo e a brutalidade policial e refletir. Braço da Sony Music e representante de artistas como Beyoncé e Lil Nas X, a Columbia foi uma das primeiras empresas a anunciarem adesão ao protesto. “Não é um dia de folga”, avisou a gravadora em comunicado nas redes sociais. “É um dia para refletir e pensar como seguir adiante em solidariedade.” Selo de músicos como Katy Perry 128

e Sam Smith, a Capitol também declarou apoio à causa em nota divulgada com a hashtag #theshowmustbepaused (“o show deve ser interrompido”): “Em solidariedade aos nossos colegas, artistas e pessoas amadas negras ao redor do país que estão abaladas com a irracional perda de mais uma vida negra inocente, o Capitol Music Group não vai conduzir nenhum negócio na terça-feira, 2 de junho, em observância ao Black Out Tuesday”, avisou a companhia. Maior plataforma de streaming do planeta, o Spotify publicou em sua newsroom que “está ao lado da comunidade negra na luta contra o racismo e a injustiça.” Nesta terça-feira, diversos serviços da companhia como as playlists RapCaviar e Today’s Top Hits terão um logo preto para sinalizar o luto. Dos podcasts e playlists selecionados, todos terão uma faixa de 8m43s de silêncio como uma “solene recordação da duração de tempo em que George Floyd foi sufocado.” A Warner Music Group, conglomerado que inclui selos como a Atlantic Records, garantiu que também participará do Black Out Tuesday em um comunicado. “O negócio da música na WMG não vai seguir como normalmente. Embora seja apenas um dia, nós estamos comprometidos em seguir na luta por mudanças reais. Vamos usar esse dia para refletir coletiva-

mente no que podemos fazer enquanto uma empresa para promover ações por mudança e vamos agir nas próximas semanas e meses”, prometeu a empresa, lar de artistas como Madonna, Ed Sheeran e Anitta. No Brasil, gravadoras também anunciaram apoio ao movimento. É um bom sinal que toda a concorrência entre empresas esteja agora em segundo plano, mas a paralisação desta terça é muito pouco frente ao tamanho do descaso que tem sido demonstrado com a vida da população negra e pobre diz Marcelo Soares, diretor geral da Som Livre, que comunicou sua adesão “em solidariedade aos artistas, músicos, colaboradores e fãs que são vítimas do racismo enraizado no Brasil e no mundo”. Esta ação precisa ser apenas um marco a partir do qual todos passemos a fazer muito mais do que temos feito até aqui. A música, em particular, sempre teve um papel de protesto e chamado por mudança, que precisa ser incentivado, e cada um de nós precisa refletir profundamente se está fazendo o seu máximo. Menos que o máximo não é mais aceitável. Outro braço brasileiro de uma gigante internacional também aderiu: “A Universal Music Brasil apoia o Black Out Tuesday e entende a urgência e a importância de mudanças globais em relação à intolerância e à injustiça racial.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


PAUSE YOUR SHOW USE YOUR VOICE BLACKOUT TUESDAY JUNE 2, 2020

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

129


SPIKE LEE COM GEORGE FLOYD Diretor renomado “Spike Lee” divulga curta sobre violência policial em protesto pela morte de George Floyd

Thiago Lins Fonte:www.oglobo.globo.com Em:01/06/2020 O diretor Spike Lee divulgou um poderoso vídeo sobre a brutalidade policial nos Estados Unidos após a morte de George Floyd. Na semana passada, o cineasta americano já havia dado uma entrevista sobre a permanente violência contra a população negra nos EUA: “É 2020, e pretos e pardos estão sendo mortos como animais”. Floyd, um homem negro desarmado de 46 anos, morreu asfixiado em Minneapolis depois que Derek Chauvin, um policial branco, se ajoelhou sobre seu pescoço por mais de oito minutos. Durante todo esse tempo, Chauvin ignorou o apelo de pessoas que gravavam a cena e do próprio Floyd, que disse que não conseguia respirar. Ele responde por homicídio culposo (sem intenção de matar) e assassinato em terceiro grau (quando é considerado que o responsável pela morte atuou de forma irresponsável ou imprudente). A morte de Floyd foi o estopim de protestos que tomaram as principais cidades dos Estados Unidos nos últimos dias. No domingo, sexta noite seguida de manifestações, foram registrados eventos em pelo menos 140 cidades americanas e a Casa Branca ficou às escuras. 130

Com o nome de “3 brothers - Radio Raheem, Eric Garner e George Floyd”, o vídeo de Lee reúne uma cena de seu filme de 1989, “Faça a coisa certa”, que mostra a morte do personagem Radio Raheem, com imagens da morte de Floyd e de Eric Garner em 2014. O caso de Garner compartilha muitas semelhanças com o de Floyd. Ele foi preso por suspeita de vender ilegalmente cigarros e também foi estrangulado por um policial branco. Nas filmagens do incidente, Garner podia ser ouvido repetidamente dizendo: “Não consigo respirar”. Lee lançou o filme que começa com a pergunta “A história vai parar de se repetir?” durante uma recente entrevista no especial da CNN americana “I can’t breathe: Black men living and dying in America”, sobre a morte de homens negros nos Estados Unidos. “Isso é história de novo e de novo e de novo. O ataque aos corpos negros está aqui desde o início”, afirmou Lee na entrevista.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


nytimes.com

O diretor de cinema Spike Lee em sua produtora no Brooklyn, em Nova York, em 2019

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

131


‘Reality Z’: Zumbis invadem o Rio em versão de série do criador de ‘Black Mirror’ Para Cláudio Torres, diretor da atração com Sabrina Sato e Guilherme Weber, carioca ‘tem escola’ para lidar com ameaça de mortos-vivos

Thiago Lins Fonte: www.oglobo.globo.com Em: 07/06/2020 Em um determinado ponto de “Reality Z”, uma das personagens dispara: “o problema são os vivos”. A frase é a tônica da série, que imagina com bom humor e de forma assumidamente trash um apocalipse zumbi em pleno Rio de Janeiro. Em meio à destruição promovida pelos mortos-vivos, o lugar mais seguro da cidade é a vigiada casa de um reality show, onde seus confinados agora precisam fazer de tudo para escapar de um novo tipo de eliminação. A produção, que estreia na Netflix em 10 de junho, é uma adaptação de “Dead set”, minissérie britânica de 2008 de Charlie Brooker, criador de “Black mirror”. O grande tema em produções desse gênero é ver como as pessoas reagem em uma situação-limite resume a atriz Ana Hartmann, que vive a protagonista Nina, uma produtora do reality show fictício “Olimpo” que acaba virando líder da resistência dos 132

humanos ao se aliar aos participantes do programa. Algumas mostram o melhor de si, enquanto outras se revelam verdadeiros monstros completa a atriz, em entrevista por videoconferência ao lado dos colegas Guilherme Weber, que interpreta Brandão, o estressado e arrogante diretor do programa, e Sabrina Sato, cria do Big Brother Brasil que faz uma participação especial na trama como a apresentadora do reality, Divina. É nas horas que o bicho pega que a gente vê quem é quem, resume Sabrina. Isso tem na série e na nossa vida. O medo mostra a pessoa como ela é diz a apresentadora, quando o grupo é perguntado sobre o inevitável paralelo entre a infestação de zumbis em “Reality Z” e a pandemia do corona vírus na vida real, que impõe para a ordem do dia temas como medo, sobrevivência, empatia e solidariedade. Toda história de zumbi pressupõe uma pandemia antes, diz Weber. A diferença é que a gente estava acostumado a olhar esses filmes

como uma pandemia imaginável, projetada. Agora, o telespectador está mais como uma testemunha do que como alguém que está projetando esse medo primitivo, analisa o ator. E diante desse cenário já caótico no Rio de Janeiro da vida real, é de se perguntar: será que os tais zumbis assustariam um carioca da mesma maneira que apavoram os pacatos subúrbios americanos que costumam infernizar? Weber e o criador de “Reality Z”, o diretor Cláudio Torres, garantem que sim. O carioca ainda não se desumanizou a esse ponto, de não ter medo de zumbi! Defende Weber, curitibano que. Filmes de zumbi são sobre o homem vendo sua civilização ruir. Então talvez o carioca compreenda essa sociedade em decadência melhor do que ninguém. Ao mesmo tempo, todo filme de zumbi é também uma celebração à vida. E o carioca é um resiliente, que vê sua cidade sendo depredada e continua acreditando nela. Torres vai na mesma linha. Para ele, os cariocas enfrentariam

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


zumbis muito bem, pois “tem escola para isso”. A grande contribuição que a gente deu para essa mitologia recente do zumbi foi colocar heróis do terceiro mundo para lidar com eles, diz o diretor de filmes como “Redentor” (2004), que recebeu a missão de adaptar a minissérie britânica como uma encomenda da Netflix. Segundo ele, o “Reality Z” é fiel a “Dead set” até os cinco episódios iniciais. A partir daí, se desenvolve uma trama inédita, criada pelos autores brasileiros. Torres descreve a experiência de adaptação como uma experiência antropofágica, próxima ao espírito da Tropicália herdado da semana de 1922. O tropicalismo propõe que a gente coma a arte estrangeira e regurgite de uma forma brasileira. Demos uma certa característica tropicalista à série, que também aparece na trilha sonora, com Mutantes e Caetano. Comemos o “Dead set”, digerimos e cuspimos na forma do “Reality Z”, com ingredientes brasileiros.

A protagonista Nina (Ana Hartmann) corre de ataque zumbi em ‘Reality Z’, nova série da Netflix Foto: SUZANNA TIERIE/NETFLIX

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

133


Produtor cultural desabafa sobre Covid-19: ‘Como vou viver se tudo que fiz foi para juntar gente?’ Jornalista Maria Fortuna conversa com o pai, Perfeito Fortuna, que completou 70 anos no isolamamento: ‘Quando testei negativo para o coronavírus ganhei a vida de novo’

Thiago Lins Fonte: www.oglobo.globo.com Em:08/06/2020 Dizem que o conceito de agitador cultural foi inspirado nele. Criador do Circo Voador e da Fundição Progresso, figura central na retomada do carnaval de rua do Rio com seu concurso de marchinhas, Perfeito Fortuna, o meu pai, vive de aglomerar gente, de fazer festa. Em tempos de pandemia, como esse aglutinador nato, que fez teatro coletivo no Asdrúbal Trouxe o Trombone e é símbolo da animação carioca, enxerga o isolamento forçado? Que mudanças ele, agente de várias transformações culturais nos últimos 50 anos, acha que a arte sofrerá pós-Covid-19? Liguei o Skype e fui perguntar. Até se encontrar uma vacina, a hora é de consumir cultura em 134

casa. E aí a cultura mostra sua força: as pessoas estão passando a quarentena assistindo a lives de artistas, vendo filmes, diz ele arriscando comentar novos caminhos. Acho que os shows acontecerão com 25% da capacidade de público e com transmissão ao vivo pelas redes. Transmissão patrocinada, para ajudar a pagar a conta acredita. Se as lives hoje são em casa, sem muitos recursos, do jeito que dá, depois, terão cenário, iluminação, tudo que se tem direito. Mesmo buscando novas direções, ele diz que sua atenção ainda está voltada “para a ideia eterna de salvar vidas” (até agora, conseguiu manter todos os funcionários da Fundição Progresso) e refletir sobre o sentido do que realizou até hoje: Como eu vou viver se tudo que fiz foi para juntar gente? A fes-

ta é a saúde, não a doença. Por isso, o que faço não é cultura só, é saúde pública. Agora, há a suspensão de tudo. O sonho está dormindo, o pesadelo acordou. Recorro a uma frase que o (Aílton) Krenak (ambientalista e líder indígena) me falou: “Guarde a esperança num lugar bem seguro”. Nesta conversa entre pai e filha, ele conta como foi completar 70 anos no isolamento. Conta também o pavor que sentiu ao achar que tinha contraído o vírus. Tive medo de morrer. Já me encontrei com a morte algumas vezes e tive que negociar. Mas essa de você entrar num buraco e sumir sem dar até logo e não poder estar com ninguém, dessa morte eu tenho medo, detalha. A sensação ao testar negativo foi de quem ganhou a vida de novo.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Perfeito Fortuna: o título de agitador cultural foi inspirado nele Foto: Mônica Imbuzeiro

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

135


AGENDA CULTURAL

Guia de sobrevivência cultural na quarentena Artistas fazem shows e performances em transmissões nas redes sociais, museus criam exposições virtuais e editoras e plataformas liberam livros e filmes gratuitos online, tudo para aliviar o isolamento Isabella Carrielo e Mariana Lobato Fonte: www.elpais.com Em: 04/04/20 O período de isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus confinou um terço da humanidade em suas casas em uma tentativa de frear a curva de contágio em todo o mundo. Na impossibilidade de sair para ir em bares, balada ou cineminha e pipoca, a internet tornou-se uma grande aliada de artistas que têm usado as redes sociais para fazer pocket shows e de empresas e instituições do setor cultural, que disponibilizam filmes, livros e exposições virtuais. A Manifesta Arte em Rede, por exemplo, é uma ação que reúne mais de trinta coletivos de artistas e projetos culturais de São Paulo que fará apresentações online, até 15 de abril, de música, performances, debates literários, entre outras atividades. No esquema “pague quanto puder”, a rede vai doar 80% do valor arrecadado para ajudar quem estará mais vulnerável durante a pandemia.

cantora pabllo vittar www.instagram.com.br

Selecionamos alguns dos melhores programas para um kit de sobrevivência cultural na quarentena, para se divertir sem sair de casa. Música Além das lives que cantores e bandas brasileiras estão fazendo em seus perfis nas redes —Como as lives da Pabllo Vittar e Caetano Veloso—, o Festival Fico em Casa conta com uma programação diária de apresentações. Já participaram artistas e bandas independentes e consagrados, como Tiê, Margareth Menezes, Otto, Mc Carol, Di Ferrero e Mombojó, entre outros. O prestigioso Montreux Jazz Festival, do Canadá, disponibilizou gratuitamente 56 shows de artistas que passaram pelo festival. Tem preciosidades —muitas delas, raras— como Nina Simone, Johnny Cash, James Brown, Ray Charles, Patti Smith, The Racounters, entre outros. O acesso é gratuito por 30 dias, basta se cadastras e usar o código “FREEMJF1M”. O Sofar Sounds, plataforma criada para montar shows secretos, lanCantora Patti Smith

136

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


çou o Listening Room para transmitir shows ao vivo de diferentes cidades do mundo em dias e horários variados. Os mais ecléticos e fãs de novidades vão gostar de conferir. E, durante a quarentena, tem até músico gravando disco em tempo recorde. É o que fez o rapper baiano Baco Exu do Blues, que, em três dias, compôs e gravou as oito faixas que compõem o álbum Não tem bacanal na quarentena. O trabalho faz referência à pandemia

de coronavírus e críticas a Jair Bolsonaro. No final da música Tudo vai dar certo, por exemplo, escuta-se os panelaços que têm ocorrido nas últimas semanas contra o presidente. Literatura Para os amantes dos livros, várias editoras disponibilizaram o download gratuito de algumas obras de seus catálogos. Como parte da campanha #LeiaEmCasa, a Companhia das Letras libe-

rou dez e-books, entre clássicos da literatura brasileira, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, literatura contemporânea e títulos infantis, como Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. A editora também criou em suas redes sociais o projeto Diários do isolamento, em que autores convidados escrevem sobre suas experiências da quarentena e tecem análises sobre as repercussões da pandemia. A cada dois dias, a LeYa libera

Cantora Nina Simone www.medium.com.br

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

137


www.elpais.com

Cena do filme Metropolis, dirigdo por Fritz Lang

um livro diferente para download gratuito, e é preciso estar atento ao site ou às redes sociais da editora. A Haper Collins tem sete títulos disponíveis para download na Amazon e realiza entrevistas online no Instagram com autores e tradutores, durante as quais os leitores podem enviar perguntas. A programação, que já contou com nomes como Ronald Kyrmse, Diogo Lara, Reinaldo José Lopes e Letícia Braga, é atualizada nas redes sociais. Já a L&PM decidiu liberar uma obra a cada dia, desde 17 de março. A primeira delas foi Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, e até agora já estão disponíveis títulos como Viagem ao Centro da Terra (Júlio Verne), O curioso caso de Benjamin Button (F. Scott Fitzgerald), Mrs. Dalloway (Virginia Woolf), As melhores histórias de Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle) e O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), entre outros. A Rocco, que também tem feito lives com os autores, segue a mes138

www.vogue.com

Diretor Jean-luc Godard e Anna Karina

ma estratégia de disponibilizar gratuitamente um livro por dia. Cinema em casa O Cine Belas Artes, de São Paulo, lançou o Belas Artes à La Carte, sua plataforma de streaming, que conta com um belo catálogo de filmes clássicos e cult. Quem quiser dar um tempo do conteúdo mais pop de plataformas como Netflix ou HBO vai encontrar obras consagradas dirigidas por nomes como Fritz Lang, Andrei Tarkovski, Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, Kenji Mizoguchi e o brasileiro José Mujica Marins, o famoso Zé do Caixão, que faleceu em fevereiro. O acesso gratuito está liberado até o dia 15 de abril para todos que se cadastrarem na plataforma. Depois disso, a assinatura mensal custará 10,90 reais. Exposições virtuais Quem está sentindo falta dos museus pode matar a saudade com algumas exposições virtuais organizadas por instituições brasi-

leiras e estrangeiras. O Museu do Futebol, por exemplo, que fica no Estádio do Pacaembu, conta com 14 exposições online —entre elas, a da história da camisa canarinho e visibilidade do futebol feminino—, além de playlists e conteúdos sobre a história e o mercado futebolístico. Já The Broad Museum, de Los Angeles, criou uma experiência multi-sensorial com a instalação Infinity Room – The Souls of Millions of Light Years Away, de Yayoi Kusama, a mais visitada da instituição. Trata-se do Infinity Drone, que tem trilha sonora criada por Geneva Skeen e, se colocado com o som em alta potência, permite uma viagem sensorial de 14 minutos e 30 segundos. Alguns dos museus mais visitados do mundo, e que estão de portas fechadas por conta do coronavírus, como os museus do Vaticano, o Louvre (Paris), o Museu do Prado (Madri) e a Galeria Uffizi, em Florença, contam com parte do seu acervo online. A visita virtual vale a pena.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.medium.com

Cineasta Fritz Lang Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

139


Mostra online exibe filmes do saudoso cineasta Domingos Oliveira Você pode conferir 14 trabalhos do diretor, incluindo o inédito ‘Os 8 Magníficos’, o último longa dirigido por ele Isabella Carrielo e Mariana Lobato Fonte: www.catracalivre.com.br Em: 06/05/20 Viva o cinema nacional! O saudoso ator, diretor e dramaturgo Domingos Oliveira, que morreu em 2019, ganha uma homenagem do Circuito Inffinito de Festivais. Entre 5 e 31 de maio, você tem a chance de assistir gratuitamente aos 14 filmes dirigidos pelo artista, por meio da plataforma de streaming da Inffinito. Entre os destaques está o aguardado “Os 8 Magníficos” (2020), o último longa dirigido por Oliveira em 2017. O documentário mostra um almoço dominical em que os atores Maria Ribeiro, Fernanda Torres, Wagner Moura, Carolina Dieckmann, Sophie Charlotte, Mateus Solano, Alexandre Nero e Du Moscovis têm discussões existencialistas sobre a arte de representar, o amor e a vida. Outra atração é o clássico “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), no qual o grande ator Paulo José interpreta Paulo, um homem apaixonado pela vida, pela liberdade e sobretudo pelas mulheres. Em uma festa de Natal em seu apartamento, ele conhece o casal Ma140

ria Alice e Leopoldo e logo cai de amores por ela. Além do brilhante Paulo José, o filme é estrelado por Leila Diniz, Flavio Migliaccio, Marieta Severo, Ivan de Albuquerque, Joana Fomm e Isabel Ribeiro. E esse clássico acaba de ganhar um remake homônimo escrito por Jorge Furtado, protagonizado por Emílio Dantas e disponível na plataforma de streaming Globoplay.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Completam a programação da mostra o documentário “Domingos” (2009), dirigido por Maria Ribeiro; e os longas “Paixão e Acaso” (2012), “Carreiras” (2005), “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais” (2008), “Infância” (2014), “Primeiro Dia de um Ano Qualquer” (2015), “BR 716” (2016), “Juventude” (2008), “Edu: Coração de Ouro” (1967), “Separações” (2002), “Aconteceu na Quarta-feira” (2018), “Feminices” (2004) e “Amores” (1998). Outro destaque é uma série bate-papos em lives no Instagram @inffinito_braff sobre a trajetória de Domingos Oliveira. Entre os convidados estão Maitê Proença, Maria Ribeiro, Adriana L. Dutra, Paulo Betti e Cláudia Dutra.

www. catracalivre.com.br

Cineasta Domingos Oliveira

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

141


Dicas de Filmes do cineasta Domingos de Oliveira “BR 716” (drama | 2016 | 88 min | 14 anos): Copacabana, anos 1960 e boemia carioca. Felipe é engenheiro e aspirante a escritor. O personagem de Caio Blat leva uma vida regada aos prazeres do álcool, em festas alucinantes realizadas no apartamento dado por seu pai, na famosa Rua Barata Ribeiro. O local é palco de como ele e seus amigos desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer, mesmo em meio a um momento político complicado: o Golpe de 64. Elenco: Caio Blat, Sophie Charlotte, Maria Ribeiro, Pedro Cardoso, Sergio Guizé e grande elenco.

www.catracalivre.com.br

Cena do filme BR 716

“Todas as Mulheres do Mundo” (drama romântico| 1966 | 86 min | 14 anos): Paulo José interpreta o mulherengo Paulo. Durante uma festa de Natal em seu apartamento, ele conhece o casal Maria Alice e Leopoldo. Apaixonado, Paulo faz de tudo para conquistá-la. Eles começam a namorar, se casam, mas, com a rotina do relacionamento e com os ciúmes, ele tem uma recaída. Elenco: Leila Diniz, Paulo José, Flavio Migliaccio, Marieta Severo, Ivan de Albuquerque, Joana Fomm e Isabel Ribeiro. Em 2020 o cineasta Jorge Furtado realizou uma adptação da obra original de Domingos, em formato de serie. Todos os episodios estão disponiveis na plataforma do Globoplay.

142

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.globo.com.br

“Infância” (drama | 2014 | 104 min| 12 anos): O filme tem como cenário o Rio de Janeiro nos anos 1950. Com humor e drama, a produção revela o funcionamento autoritário de uma família tipicamente brasileira chefiada pela matriarca Dona Mocinha . Fã de Carlos Lacerda, ela é rígida em todos os sentidos. Elenco: Fernanda Montenegro, Paulo Betti, Maria Flor e grande elenco.

Elenco de Infancia reunido

Adaptação de Todas as mulheres do mundo www.globoplay.com

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

143


144

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.vogue.com/

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

145


www.papelpop.com.br/

Novo álbum de Lady Gaga, “Chromática”, estreou na última sexta-feira (29/05) e bate recorde de audiência. Em apenas 24 horas desde o lançamento, o disco teve mais de sete milhões de audições, tornando-se a maior estreia do Spotify Brasil desde Kisses, álbum de Anitta, que teve mais de quatro milhões de audições no dia do lançamento. 146

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

147


www.rollingstones.com/

Lady Gaga faz festa de lançamento de ‘Chromática’ apenas com o namorado Em quarentena, a cantora decide comemorar o sucesso do lançamento de seu sexto álbum, em casa, com seu namorado, Michael Polanski Mariana Lobato Isabella Carrielo Fonte: www.portalpopline.com.br Em: 30/05/2020 A animação Lady Gaga com seu novo álbum de estúdio, “Chromatica”, avançou madrugada a dentro. Para comemorar o lançamento de seu sexto disco, a cantora americana fez uma festa em casa apenas com o namorado, Michael Polanski. Gaga 148

botou sua peruca rosa, ícone de “Chromatica”, vestiu uma camiseta de anime enquanto Polanski usava máscara e boné rosas para combinar. Atrás, balões de ar formando o título do álbum enfeitavam a sala. Ao fundo, se ouve a música “911”, uma das faixas do novo trabalho. A comemoração foi registrada em vídeo que está disponível no Instagram de Lady Gaga. A pu-

blicação já tem cerca de 1,3 milhões de visualizações. . “Chromatica” marca o retorno da cantora ao pop dançante que a fez famosa e conta com participações importantes. Além da já divulgada presença de Ariana Grande no single “Rain On Me, Gaga, visando a força dos fãs de k-pop, que sempre garantem recordes aos artistas coreanos, também apostou em “Sour Candy”, ao lado das meninas do

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


“ grupo BLACKPINK. Por fim mas não menos importante, a cantora se uniu a um de seus maiores ídolos, Elton John, na faixa “Sine From Above”. No Spotify Global, Lady Gaga garantiu não só o 1º e 2º lugar, como também colocou 13 faixas do “Chromatica” entre as 50 mais ouvidas dos usuários da plataforma. A cantora também impressionou com o número de reprodu-

Meu maior inimigo sou eu, pop 911.” - escreveu Gaga, citando um trecho da canção na legenda do vídeo em seu Instagram. “As piores coisas que ouço de mim, vem de mim mesma.”, completou.

ções das músicas, em especial das duas primeiras colocadas: “Rain On Me” e “Sour Candy”. “Rain On Me”, por exemplo, conquistou 6.894.472 de execuções. Já a colaboração com o BLACKPINK conquistou 6.225.375 reproduções.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

149


Dicas de plataformas de streaming gratuitos: mais de 100 filmes e séries Spcine Play e LGBTFlix: plataformas com Filmes e séries nacionais para você conhecer nessa quarentena.

Mariana Lobato Isabella Carrielo Fonte: www.catracalivre.com.br/ Em:17/04/20 Pensando em levar mais cultura à uma comunidade vulnerável, a ONG Vote LGBT criou a plataforma LGBTFLIX para você curtir produções cinematográficas (e nacionais) do mundo LGBT. A iniciativa se dá pelo fato de algumas populações se sentirem mais atingidas pela sensação de isolamento durante a quarentena, ainda mais quando se vive 150

em lares opressores, como uma parte considerável da comunidade de gays, lésbicas, bi e transexuais e transgêneros. A LGBTFLIX é focada em curtas-metragens e tem filmes para todas as letras da sigla. Todos foram dirigidos por cineastas LGBT+ brasileiros ou têm a comunidade como tema. Parte deles já estava disponível em plataformas como Youtube e Vimeo; outra parte foi especialmente disponibilizada para que a comunidade se sinta unida durante esse período conturbado e indefinido.

A galeria de filmes brasileiros com temática LGBT conta com mais de 100 produções e você pode filtrar de acordo com a letrinha da sigla (L, G, B, T ou +) ou pelo assunto, divididos em família, raça, gênero, religião e sexo. Ah… você pode assistir todos eles pelo celular, viu? Para conferir os filmes selecionados pela LGBTFLIX, acesse o site www.votelgbt.org/. Se você já produziu algum filme com a temática, pode também disponibilizá-lo na plataforma. O projeto é uma campanha de arte totalmente gratuita.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


A SPCinePlay oferece um acervo diferenciado, focado em grandes festivais e filmes brasileiros. Para consultar, acesse o site spcineplay.com.br/ No catálogo, há opções para cinéfilo nenhum colocar defeito. Que tal explorar aqueles clássicos nacionais que você não costuma encontrar em outras plataformas? “São Bernardo”, de Leon Hirszman, foi lançado em 1972 e é uma adaptação do livro homônimo de Graciliano Ramos. O filme acompanha a trajetória de Paulo Honório, um modesto caixeiro-viajante que enriquece, compra uma fazenda e contrata casamento com Madalena, a professora da cidade. O conflito se estabelece quando Madalena não aceita ser tratada como propriedade. A trilha sonora é de ninguém menos que Caetano Veloso! Há, também, uma história policial direto de 1983. Em “A Próxima Vítima”, de João Batista de Andrade, prostitutas de um bairro paulistano são assassinadas por um maníaco, e um repórter de TV decide investigar o caso. Importantes diretoras também estão representadas na plataforma. Fica a dica: há obras de Tata Amaral, como “Um Céu de Estrelas” (1996), Lucia Murat e Helena Ignez. Mas não deixe de assistir aos filmes de Hector Babenco e do Zé do Caixão. Outro diferencial da SPCinePlay são os bate-papos com nomes como Fernanda Montenegro, Angela Davis e Mia Couto. Essas conversas são frutos de eventos que aconteceram na cidade de São Paulo. Não perca os filmes de festivais! Para quem quiser conferir alguns destaques da Mostra Internacional de Cinema, existe uma seção dedicada ao evento. E o

SPCINE PLAY

www.veja.abril.com.br/

Cartaz da comédia francesa “O pequeno Quinquin”, dirigida por Bruno Dummont.

mais legal é que você encontra produções de países diferentes, como Ucrânia, Holanda, Rússia, Taiwan e Islândia. Uma dica é assistir ao francês “O Pequeno Quinquin”, de 2014. Dirigido por Bruno Dummont, o longa é uma comédia e conta uma história misteriosa. Uma vaca foi morta, preenchida com restos humanos e deixada em um galpão abandonado após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto o capitão da polícia e seu parceiro tentam resolver o caso, são perseguidos por Quinquin, um jovem que adora criar con-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

fusões com seus amigos. Os documentários são outra sensação da SPCinePlay. Para os amantes de música, alguns achados do In Edit estão na plataforma. Separe um tempinho para assistir “Cartola Música Para os Olhos” (2006), de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira, “Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano” (2009), de Henrique Dantas, ou mesmo “São Paulo em Hi-Fi” (2013), filme de Lufe Steffen sobre a evolução da cena gay na cidade, até ela se tornar palco da maior parada LGBT do país. 151


das mulheres que tomaram conta das ruas no Brasil e se organizaram em redes sociais para fazer frente ao machismo e ao conservadorismo. Por meio de depoimentos de mulheres que passaram por situações de violência, o documentário revela que, apesar de conquistas legais,

a mulher permanece em situação de vulnerabilidade. Diversas seleções dos melhores curtas do Festival do Minuto também estão disponíveis. É a chance de ver algo mais experimental e super poético. Tem muitos filmes para explorar!

antidicasdecinema.com.br

O festival “É Tudo Verdade” garante seu espaço na plataforma, inclusive com conteúdo da edição de 2020, que teve uma prévia online por conta da quarentena. “Mexeu com Uma, Mexeu com Todas”, de Sandra Werneck, é um desses casos. A produção de 2017 é um grito de protesto

152

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


MÚSICA

Young Thug é o rapper mais influente do século XXI portalrapmais.com

Young Thug

A estrela de Atlanta se tornou seu próprio gênero; ele é o rei do sol no centro do sistema solar do rap Bruna Porto e Millene Alves Fonte: www.bbc.com Em: 21/10/2019 Se você nunca ouviu falar de Young Thug, é provável que tenha ouvido alguém que soa como Young Thug. O rapper de Atlanta, nascido Jeffery Lamar Williams, é uma força crescente no hip-hop há quase uma década. Seu alto instantaneamente reconhecível está subindo e subindo nas paradas há quase uma década, mas nos últimos 24 meses viu Thug subir para se tornar o rei do sol no centro do sistema solar do rap. Em 2019, Young Thug se tornou seu próprio gênero. Ele ganhou seu primeiro Grammy por fazer backing vocals e improvisações

em This is America, de Childish Gambino. O último álbum de Thug, So Much Fun, estreou no número um nos Estados Unidos, um ponto culminante comercial que exibia os contrastes musicais do artista em toda a sua glória. É a resposta dele para Tha Carter III, que define a carreira de Lil Wayne, uma destilação inteligente de seu apelo - mais coroação do que um clássico - diluindo sua experimentação furiosa em favor de uma alegria fluorescente contida que poderia apelar para adolescentes suburbanos descobrindo canetas e rap pela primeira vez. Além de liderar a parada de álbuns, ele ocupou brevemente 11 posições na Billboard Hot 100, incluindo sua colaboração na

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Post Malone, Goodbyes, que ainda recebe mais de um milhão de transmissões diárias. No entanto, o legado mais impressionante de Thugga é seu exército de imitadores; jovens artistas que descobriram que há dinheiro e fama a serem feitos a partir de rimas peculiares e sons não convencionais. Em 2010, Thug surgiu de Atlanta, a cidade que deu o tom ao hip-hop em toda a década. A narrativa convencional em torno dos gritos e que Thug sempre derrotou as convenções sempre o considerou extraterrestre, peculiar e hostil às demandas promocionais necessárias para se tornar a estrela principal do festival que seu taleto justificava. 153


time.com

Childish Gambino no videoclip ‘This Is America’

Young Thug chegou a aparecer em This Is America, de Childish Gambino, uma das maiores faixas da década

No entanto, o décimo de 11 filhos dos projetos Jonesboro South em Atlanta se tornou onipresente no Spotify US Top 50, mesmo quando ele não está à vista. Considere Camilla Cabello, ex-cantora do Fifth Harmony - seu maior registro solo é Havana, sua colaboração em 2017 com o Young Thug. Ou Drake, o rapper de maior impacto comercial da década, que repetidamente usou as cadências escorregadias de enguia elétrica de Thug, mais notavelmente na faixa do ano passado, Mob Ties. No rap, a influência geralmente começa regionalmente e se expande. Portanto, não surpreende que praticamente todos os artistas recentes de Atlanta devam paternidade ao rapper brevemente conhecido como SEXO. Veja o Three Headed Snake de fevereiro, de Gunna, um rapper contratado pelo selo YSL do Young Thug. No ano passado, Gunna e outro protegido por Thug, Lil Baby, romperam o discurso do Rolling Loud com Drip Too Hard, um spinoff não oficial de Future e Thug’s Drippin on Me . 154

www.stereogum.com

Videoclip This is America Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


A diferença entre homenagem, imitação e aprendizado pode permanecer para sempre obscura. A antiga linha de rap dizia que não era permitido morder, foi resumida por Raekwon, do Wu Tang Clan: “Não quero que ninguém pareça comigo em nenhum álbum”. Uma opinião mais equânime veio de TS Eliot: “Poetas imaturos imitam; poetas maduros roubam; os maus poetas desfiguram o que tomam, e os bons poetas transformam isso em algo melhor, ou pelo menos em algo diferente.” Mesmo alguém tão revolucionário quanto Thugger não poderia existir sem seu ídolo reconhecido, Lil Wayne, cujos feitiços de codeína arrastados dividiam as possibilidades do rap em mil direções. Ouvindo as primeiras mixtapes de Thug desde o início da década, o croak de dragão na alta costura e os esquemas de rima Jabberwocky que se seguiram estão ausentes. É tudo riffs suaves em Wayne. Mesmo em seu primeiro projeto notável, I Came From Nothing 2, de

2011, ele permanece fascinado por seu herói, embora músicas como Keep In Touch revelassem seu potencial ilimitado. Como todo o melhor trabalho de Thug, a pista é resistente a divagações críticas. Ele é baseado no romantismo de cachorros que poderia ter vindo da Motown ... se fosse sequestrado por um ex-quarterback do ensino médio, obcecado por jogos, com 6 pés e 4 polegadas, obcecado por jogos de azar das favelas. O estilo rap do Young Thug deve muito ao seu antecessor Lil ‘Wayne O avanço do Young Thug veio com o Stoner de 2013. Era uma espécie completamente diferente da que havia ocorrido antes, forjada a partir de uma mutação no DNA cuja corrente sanguínea era partes iguais de um alegre fazendeiro de morango, prometazina, maconha, maconha, molly e pós esotéricos que saíam da ficha de Betelgeuse. Em Stoner, ele grita e geme, vowww.guap.co.uk

Young Thug

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

mitando cantilações de pesadelos e lamentos eufóricos, estendendo sílabas até que desabem sob o estresse, desaparecendo no ponto de fuga. Ele soletra um grito de “LEANING” como uma criança mimada implorando para abrir seus presentes de Natal mais cedo, mas descobrindo que as únicas coisas debaixo da árvore são isopor e codeína. A voz de bandido se contorce em lava neon; ele usa como Jimi Hendrix usando um pedal wah-wah. É um cabo de força ao vivo se contorcendo na rua durante uma tempestade elétrica. É quase impossível adivinhar quem vai acabar superando-o, ou pelo menos anexando um novo território Os próximos três anos marcaram uma corrida que pode corresponder a praticamente qualquer série criativa da história. Houve o projeto Rich Gang com o colega de Atlanta Rich Rich Homie Quan (cuja influência estilística é muitas vezes negligenciada), que de alguma forma satisfez o orgulho de Quan de que eles eram a “dupla mais difícil desde OutKast”. Quanto ao trabalho solo de Thug, os dois primeiros volumes da série Slime Season são obras de arte delirantemente improvisadas, muitas vezes esquecidas, porque, como Rich Gang, nunca chegaram aos serviços de streaming. O zênite pode ter sido o Barter 6 de 2015, seu primeiro projeto disponibilizado para lançamento comercial. É indiscutivelmente sua música mais inovadora, Halftime, onde ele introduz meia dúzia de fluxos diferentes, mudando de direção com a agilidade surpreendente e a velocidade ofuscante da rotina de um piso de Simone Biles. 155


twitter.com

Camila Cabello (segunda à esquerda) é uma artista que marcou hits graças à influência do Young Thug

Até o momento, sua família do rap não capturou o resumo completo do que tornou Thug imortal. Cada um de seus protegidos parece trabalhar dentro de uma pequena parcela de seus fluxos, melodias e texturas vocais. É quase impossível adivinhar quem vai acabar superando-o, ou pelo menos anexando um novo território. Poderia ser seus “irmãozinhos” Gunna e Lil Baby, cuja colaboração Drip or Drown 2 alcançou o número três nas paradas de álbuns da Billboard no início deste ano. Neste verão, Thug e Future anunciaram que os irmãos mais novos se juntariam aos mais velhos para uma sequência do Super Slimey, formando um rap de Atlanta, Vingadores. 156

A arte de pesar é mais complexa e inescrutável do que apenas jogar um jogo de descobrir a influência Dito isto, há um argumento de que a primeira meia geração de rappers influenciados por Thug já transformou suas inovações em algo singular. Travis Scott chamou o Pickug the Phone de Thug como um de seus primeiros grandes sucessos solos, e é óbvio que as improvisações, o tom vocal e as melodias do rapper de Houston são derivadas de Thug, embora misturados aos 808s e Kanye da era Yeezus). Playboi Carti se tornou um dos maiores artistas do momento

ao triangular o artista de Chicago Chief Keef com Thug. Lil Uzi Vert, nascido na Filadélfia, bateu como Meek Mill até se mudar para Atlanta, assinar com o selo do DJ Drama e aparecer na segunda temporada do Slime. Obviamente, pesar arte é mais complexo e inescrutável do que apenas jogar um jogo de identificar a influência. Um hit como o XO Tour Llif3 de Lil Uzi Vert foi claramente informado pela própria vida e emoções de Uzi, sem mencionar o punk do shopping da última década. Mas é difícil imaginá-lo existente ou ter o impacto que causou sem o Young Thug lançando as bases.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Mtv.com

O atraente show de VMA de Eminem em 2000: Young Thug é o equivalente desta geração

Faz 20 anos desde o MTV Music Awards, onde Eminem invadiu o palco com centenas de looks com cabelos descoloridos, camisetas brancas e jeans azul. A idéia era que ele encarnasse os milhões de meninos brancos da América do Sul obcecados por rap, que até aquele momento não se viam representados de maneira credível dentro do gênero. Por um ano ou dois após o Eminem explodir, todas as grandes gravadoras tentaram descobrir seu próprio replicante, mas nenhum sobreviveu (exceto alguns singles clássicos do Bubba Sparxx). Mas agora os gostos e os modelos de distribuição de música mudaram e, com isso, o desejo de ouvir artistas que são melhores ou pelo menos diferentes. Se você fosse refazer o mesmo show de premiação hoje, poderá fazê-lo com 100 Young Thugs em pé em uma linha reta no palco, o visionário alienígena em primeiro plano, seus descendentes em roupas de grife e cabelos tingidos, seguindo sua sugestão e batendo simultaneamente. . Seria difícil ouvir a diferença sobre o som dos aplausos.

br.pinterest.com

Eminem

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

157


Iza lança música ‘Let Me Be The One’ com live nesta quinta e fala de planos para novo álbum

158

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


g1.globo.com

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

159


Bruna Porto e Millene Alves Fonte: www.g1.com.br Em: 21/05/2020 Nesta quinta-feira, Iza participa de uma live do projeto “Be the one”, a partir das 14h, com transmissão no Multishow. No evento que apresenta a campanha da ONU para dar visibilidade a refugiados, ela deve cantar pelo menos três músicas (“Dona de mim”, “Meu talismã” e “Brisa”). Mas o que os fãs também querem saber é se, em breve, ela pretende fazer uma live só dela. A resposta é sim, mas com ressalvas. “Eu estou desenhando uma forma de, sim, fazer uma live de forma segura. Sem envolver gente pra caramba”, conta Iza. A campanha “Be the one” é uma parceria da Organização das Nações Unidas com a Fundação Humanity Lab. Além da live com show e debate, o início da campanha é marcado pelo lançamento da música “Let Me Be The One”, parceria de Iza com o rapper americano Maejor. Em entrevista ao G1, por telefone, Iza explica por que decidiu fazer parte desse projeto e fala da rotina dela durante a pandemia da Covid-19. Ela elege a melhor trilha para lavar louça, o melhor passatempo durante a quarentena e diz que o segundo álbum deverá ter o mesmo estilo “misturadão” do primeiro. G1 - Por que você topou participar deste projeto? Iza - Eu fiquei muito feliz por fazer parte disso. Eu me preocupo muito em falar as coisas que importam para mim, na minha arte. Fazer parte da campanha com um artista que eu admiro tanto, que é o Maejor. É uma coisa que além 160

de me fazer muito bem, me deixa lisonjeada, sabe? A gente estava preparado para lançar isso antes mesmo de saber de pandemia. Eu acho que ela está vindo agora em um momento em que infelizmente muito propício pra tudo isso. G1 - No palco e nas suas redes sociais, você faz questão de falar de temas fora da música e da sua vida, por entender que você pode incentivar os outros a pensar. Esse projeto tem a ver com essa sua vontade, que aparece em momentos como quando você postou no seu Instagram sobre o menino João Pedro? Iza - Na verdade, a maioria dos refugiados aqui no Brasil são negros, né? E esse é o cerne da campanha. A gente fala sobre várias outras coisas, como empatia, respeito, abraçar as diferenças..., mas o centro disso tudo são os refugiados. Eu acho que fala diretamente comigo, com minha realidade, essência, com minha comunidade. Eu acho que eu falar sobre o João Pedro não tem nada a ver com a campanha. Mas, infelizmente, o tema da campanha, os pilares falam sobre isso. Eu acordei com essa notícia, eu achei... Enfim, é uma notícia muito triste, que infelizmente já não é novidade para muitas pessoas. Principalmente para quem cresceu na Zona Norte do Rio de Janeiro como eu. Enfim, eu nem consegui escrever muita coisa. A gente se pergunta até quando e eu espero que, de certa forma, porque eu sei que precisa de muito mais que isso... Espero que essa campanha possa acender no coração das pessoas a consciência de que nossas escolhas acabam impactando a vida de muita gente. G1 - Falando sobre a experiência

que você já tinha em cantar em inglês: você canta de novo uma parte nesta música. Como foi gravar e compor em inglês e português? Iza - Essa música chegou para mim toda em inglês e eu fiz toda a parte musical com o Maejor a distância, né? A gente se conheceu pessoalmente na semana em que a gente gravou o clipe. Eu sempre amei muito cantar em inglês, mas não queria que a mensagem da música se perdesse. Eu queria muito que as pessoas entendessem mesmo o que eu estava falando. Por isso que a escolha foi cantar somente o refrão em inglês. Mas foi bacana misturar as duas coisas. Como é uma campanha mundial, queria muito que as pessoas ouvissem o nosso idioma, que é tão bonito. G1 - Tem esse fascínio de quando vê um brasileiro com um gringo, vê um brasileiro cantando em inglês... Parece que rola um orgulho dos fãs: ‘Caramba, olha lá a Iza cantando em inglês’. Iza - [Risos] entendi. Não sei, acho que talvez seja a questão de ver um brasileiro talvez quebrando barreiras. Essa barreira seria a barreira do idioma... Eu sei que, sim, eu sempre gostei muito de cantar em inglês. Foi super divertido, eu sempre gostei de ouvir soul R&B, jazz e comecei com cover. Eu sempre gostei muito de me expressar nesse idioma, que querendo ou não é o idioma que comunica universalmente. G1 - Como vai ser a live do projeto? Iza - A gente vai ter representantes

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


da ONU, da Humanity Lab, Maejor e eu trocando ideia sobre o que a gente vai fazer com essa campanha. Em um momento, a gente vai cantar, porque eu acho que a música é parte da campanha. Então, a gente vai levar música para a galera, sim. Eu estou com todos os meus bailarinos, com minha banda e meus backing vocals cada um dá sua casa. É assim que a gente vai mostrar as nossas músicas e a gente se preparou para isso, pra mostrar tudo muito bonito. Dá uma saudade de estar no palco junto de todo mundo. Eu vou cantar três músicas, ou talvez mais do que isso, não sei. A gente está vendo a história do tempo, porque tem coisa institucional para falar. Mas o máximo de música que puder colocar lá, a gente vai colocar. Mas com certeza “Dona de mim”, “Meu talismã” e “Brisa” vão rolar. G1 - Por falar em live, eu, como porta-voz dos fãs, tenho que perguntar: o que você pode dizer sobre a sua live? Sei que tem essa do projeto e que você já participou de festival, mas uma live só sua, maior, está nos seus planos? Iza - Eu estou estudando uma forma de fazer com que essa live aconteça da melhor forma possível. Eu, em dezembro do ano passado, já tinha decidido que abril, maio e junho não ia trabalhar. Eu ia ficar parada em casa. Foi muito louco que eu já estava com tudo bloqueado desde dezembro e a gente recebeu essa notícia em fevereiro [coronavírus]. Então é meio que assim “eu tô de férias”. [risos] Eu queria muito fazer isso, mas não estou conseguindo fazer da forma como eu gostaria, porque

está todo mundo dentro da sua casa, tem coisas que precisam ser presenciais. Mas eu preparei esse tempo pra compor. E, realmente, isso das lives surgiu, né? “Eu estou desenhando uma forma de, sim, fazer uma live de forma segura. Sem envolver gente pra caramba. Tem pessoas que vão trabalhar, que vão montar aquele lugar, fazer transmissão. A gente precisa ter a consciência de levar entretenimento sem esquecer tudo que está acontecendo. As pessoas vão gostar, eu vou amar, porque eu estou me coçando pra fazer show, mas é importante fazer com segurança.” G1 - Muito fã fica te cobrando pra fazer essa live? Iza - Sim, e isso é normal. As pessoas estão querendo válvulas de escape. Eu acho que a arte tem sido muito curativa nesses momentos. Porque a gente está vivendo tempos muito loucos. As pessoas não podem realmente sair, não podem fazer confraternizações, estão longe das pessoas que amam. Elas estão com saudade de aglomeração, de show. Eu sou uma delas. Então, é tranquila é a cobrança. Não tá acontecendo só comigo, não. A galera tá querendo música. G1 - Você falou em uma live com a Lexa que está desenhando muito para manter a mente ocupada. O que mais você tem feito? Iza - Nas primeiras semanas, eu não consegui fazer muita coisa. Eu estava mais focada nos trabalhos de casa. Casa rende, né? Pensa em uma coisa que multiplica, que é louça... Então, no primeiro mês, eu estava mais assim. E mais surtando também. Não por estar dentro de casa, mas pela situação

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

que a gente está vivendo, por estar enfrentando uma coisa que a gente não conhecia, por ser uma coisa invisível. A gente começa a se preocupar com os nossos. São muitas notícias e, de primeira, eu não estava conseguindo ser tão produtiva. Agora, eu já consigo. Tenho gravado coisas, tenho feito músicas, tenho desenhado muito para pensar em música. Quando eu desligo, é que vêm as criações. Essa coisa de criar sem pressão é tudo que um artista quer. Isso tem sido produtivo pra mim. Eu sempre gostei muito de trabalhos manuais, minha mãe é professora de artes. Então, eu estou desenhando, pintando, fazendo miniatura, fazendo tudo que mais amo fazer e não fazia há bastante tempo por conta da correria da carreira. G1 - Quando você diz desenhar, são quais tipos de desenho? Iza - Quando era criança, eu desenhava de tudo assim. Quando era mais adolescente, até os meus 24 anos eu desenhava à beça antes de começar a cantar. Mas eu sempre gostei muito de desenhar roupa, de desenhar acessórios e tal. Eu estou criando e me distraindo. Ao longo da minha carreira, como cantora, eu fazia isso pra roupa, figurinos do Rock in Rio. Eu sempre gostei de desenhar meus figurinos e ter essa troca com a minha stylist e com os estilistas que trabalham comigo. Eu tenho feito muito isso. Tem sido uma diversão pra mim. G1 - O que você pode me adiantar sobre o novo álbum? Tem alguma história que você quer contar, ou dá para falar que vai ter a pegada de alguma música que você já lançou? 161


Iza - É meio complicado ficar falando sobre como vai ser o álbum. Não porque eu não goste de falar, mas é porque isso muda o tempo inteiro. Eu vou cantar com certeza tudo o que eu mais amo cantar, que nem “Dona de mim”, que foi um misturadão. É bem provável que esse meu álbum seja assim também. “As músicas que eu tenho feito são muito diferentes umas das outras. Eu acho que isso acaba sendo uma identidade minha. Eu acho que meus ritmos principais são dancehall, reggae, trap, R&B, pop, mas eu estou sempre misturando tudo. E eu acho que isso é uma característica minha.” G1 - E enquanto você desenhava, ou fazia as coisas de casa, o que você tem ouvido? Qual a melhor trilha pra lavar louça? Iza - Eu adoro música antiga, música anos 70, 80. Escuto bastante coisa. Mas eu também sou muito focada em artistas novas e ritmos novos. Como eu gosto de dancehall e de reggae, eu escuto isso pra caramba todo dia. Então, tem uma artista nigeriana que se chama Tiwa Savage, que eu sou fascinada há alguns anos. Eu escuto muito quando eu estou lavando louça. [risos]

br.pinterest.com

162

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

163


Max Martin: Os segredos do melhor compositor pop do mundo O sueco criou mega-hits para artistas como Britney Spears e Ed Sheeran e agora um novo musical está colocando seu gênio no centro das atenções Imagem: Pinterest/Max Martin (music producer)

Millene Alves e Bruna Porto Em: 19/11/2019 Fonte: www.bbc.com Mesmo se você não reconhecer o nome Max Martin, você definitivamente conhecerá a música dele. Desde o início dos anos 90, o compositor e produtor sueco co-escreveu 22 sucessos número um da Billboard Hot 100 - mais do que qualquer um, exceto John Lennon e Paul McCartney. O incomparável catálogo da garota de 48 anos abrange clássicos do pop teen dos anos 90 (Britney Spears ... Baby One More Time, Backstreet Boys ‘I Want It That Way), bangs pop-rock dos anos 2000 (Kelly Clarkson’s Since U Been Gone, P So What) e faixas neo-disco elegantes desta década (The Weeknd’s Can’t Feel My Face, Justin Timberlake’s Can’t Stop the Feeling!). Quando Taylor Swift estava fazendo seu primeiro álbum pop adequado, em 1989, em 2014, depois de iniciar sua carreira como artista country, ela recrutou Martin como seu principal colaborador. O homem particular e bastante enigmático, cujo nome verdadeiro é Karl Martin Sandberg, não mostrou sinais de desaceleração. No ano passado, ele co-escreveu o hit No Tears Left to Cry, influenciado por garagem de Ariana Grande; Este ano, ele co-escreveu duas musicas onipresentes de Ed Sheeran, I Don’t Care (um dueto com Justin Bieber) e Beautiful People (que apresenta Khalid). Martin 164

Compositor Max Martin

tornou-se uma fábrica de sucesso de um só homem nas últimas duas décadas e meia, e agora 30 de suas músicas foram transformadas em um novo musical de jukebox que será inaugurado oficialmente no

West End de Londres hoje à noite. Intitulado & Julieta, ele imagina o que poderia ter acontecido a seguir se a heroína não tivesse se matado no final de Romeu e Julieta de Shakespeare.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Imagem: Johan Persson

Musical Romeu e Julieta, baseado nos hits do maestro pop Max Martin

Bill Sherman, supervisor musical, orquestrador e arranjador de Juliet, disse à BBC Culture que colaborar com Martin tem sido “uma masterclass diária de como escrever e construir canções pop”. Sherman compara o sueco, que raramente dá entrevistas e mantém um baixo perfil público, ao “Yoda das composições pop”. Juntos, eles “separaram as músicas de Max e as juntaram novamente”, o que Sherman admite ser um “conceito estranho”, dado o quão “perfeitas” as versões originais permanecem. Os resultados às vezes são audaciosos: ... Baby One More Time foi reimaginado como uma balada poderosa, enquanto Can’t Feel My Face é realizado como uma mistura de Problem de Ariana Grande. Um mestre de ganchos Sherman passou um tempo considerável analisando e reconstruin-

do as músicas de Martin para & Juliet, mas diz que é impossível oferecer uma “linha conveniente” para o que as torna tão brilhantes. “Meu trabalho diário é diretor musical na Vila Sésamo, e o que torna uma música ótima para as crianças é muita repetição e o que eu gosto de chamar de ‘earworms’ - ganchos, coisas que atraem as pessoas”, diz Sherman. “É quase a mesma coisa com as músicas de Max Martin. O verso é um gancho, então o refrão é outro gancho. Ele está sempre falando sobre melodia e se esforçando para encontrar aquilo que a torna mágica. ”Sherman diz que, embora Martin às vezes dê a impressão de que suas composições são “algum tipo de processo matemático”, o que ele mais diz é: “Simplesmente não parece certo”. “Ele gosta muito de uma música, o que me parece muito subjetivo”,

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

acrescenta Sherman. “Mas ele está se esforçando há 25 anos, e é difícil argumentar com seu histórico”. Ao mesmo tempo, sabemos que Martin gosta de seguir certas regras de composição auto-prescritas. A cantora e compositora neozelandesa Lorde revelou em 2017 que Martin descreveu seu hit de sucesso Royals em 2012 como um exemplo de composição “incorreta”. “Ele era basicamente como, ‘O pré-refrão deve ser o refrão. Essa é a parte mais cativante da música ‘”, lembra ela. As primeiras coisas dele são como Abba - você pode dizer que é a melodia e o arranjo vocal dele. Ele é como um artista por si só – Anders B. Portanto, mesmo que a abordagem de fazer golpes de Martin não seja exatamente uma fórmula, quais são alguns dos segredos de 165


seu sucesso? Sherman observa que as músicas de Martin “tendem a aumentar à medida que avançam”, começando com “um primeiro verso e coro um pouco menor” antes de um crescendo. Ele diz que isso os torna especialmente adequados para o teatro musical “porque nesse cenário, você sempre quer uma música que tenha algum lugar para ir, e muitas de suas músicas fazem isso naturalmente”. Anders B, do grupo pop dinamarquês Alphabeat, que elogia a música de Martin como uma grande inspiração, diz que “as primeiras coisas são como Abba - você pode dizer que é a melodia e o arranjo vocal dele. Ele é como um artista por si só. Anders B ressalta que as primeiras músicas de Martin tendem a ter “esses grandes movimentos orquestrais” em sua produção - é literalmente maior que a vida, como o título da música dos Backstreet Boys que ele co-escreveu”. Ele também acredita que há uma certa qualidade contraditória

nas músicas clássicas de Martin como ... Baby One More Time. “É super brilhante e super pop, mas também tem esses acordes menores, então há uma sensação de tensão”. A cantora e compositora sueca Sophia Somajo, que grava como Soso e co-escreveu sucessos de Britney Spears e Christina Aguilera com Martin, diz que sempre se destacou da multidão porque tem influências diferentes para muitos de seus colegas - entre eles o rock. “Muitos compositores e produtores ouvem a música do momento e tentam imitá-la ou fazer uma versão dela”, diz ela. “Mas as influências dele são aleatórias. Como se você pegasse o riff de uma música do Pop, Nk ou do NSync, é como um riff do Black Sabbath.” Somajo diz que os compositores de hoje “sabem agora que se você toca um riff de hard rock em um sintetizador, soa como música pop atual”, mas ressalta: “Isso foi apenas porque Martin fez isso primeiro.”

Esse uso de ganchos riffs de rock que ele foi pioneiro faz sentido quando você considera suas raízes. Antes de começar a se concentrar em escrever para outros artistas no início dos anos 90, Martin era o vocalista de uma banda sueca de glam-metal chamada It’s Alive. Eles lançaram apenas um álbum, o que não foi um sucesso, mas o compositor e produtor sueco Denniz Pop descobriu o talento de Martin e o encorajou a aprimorar sua arte no Cheiron Studios, em Estocolmo. “Eu nem sabia o que um produtor fazia, passei dois anos - dia e noite - naquele estúdio tentando aprender o que diabos estava acontecendo”, admitiu Martin em uma entrevista do ano de 2001 . As músicas da era da cantora Britney e da banda Backstreet Boys são muito complexas harmonicamente - mas com o passar do tempo, seu estilo se tornou muito mais simples – Bill Sherman Estadão

Banda Backstreet Boys

166

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


No final dos anos 90, Max Martin havia se transformado em um maestro de compositores do gênero pop, criando hits com seu estilo bombástico distintivo para Britney Spears, Backstreet Boys, NSync, Robyn e a boyband britânica Five. A introdução eufórica do hit de Britney Spears, Stronger, no ano de 2000, é um exemplo arquetípico da capacidade de Martin de chamar sua atenção com uma produção estrondosa que complementa perfeitamente o gancho vocal vibrante do cantor. Mas desde meados do final dos anos 00, quando ele cunhou um som pop-rock liso com guitarras mais proeminentes ao lado de Lukasz “Dr. Luke” Gottwald, o compositor e produtor que desde então foi acusado de agressão sexual por Kesha, é discutível que as músicas de Martin se tornaram menos sonoramente distintas. Os co-autores recentes de Martin, como Love You Like I Do, de Ellie Goulding, Send My Love de Adele (para seu novo amante) e Side to Side de Ariana Grande mostram seu brilho familiar melódico, mas não se apega a nenhum som ou estilo de produção específico. Ele tem essa incrível inteligência social, o que significa que ele pode conversar com qualquer pessoa no nível deles e ser muito verdadeiro – Sophia Somajo. “As músicas da era da cantora Britney e da banda Backstreet Boys são muito complexas harmonicamente - há muitos acordes”, observa Sherman. “Mas com o passar do tempo, o estilo dele se tornou muito mais simples.” Isso não é um descrédito para Martin: realmente, reflete o fato de que, quase exclusivamente entre compositores profissionais, ele foi capaz de se mover com os tempos

e continuar sendo o “cara a cara por gerações sucessivas de pop star. O trio de produção e composição de ações Aitken Waterman do Reino Unido ficou conhecido como “a fábrica de sucessos”, depois de criar uma sucessão de sucessos do final dos anos 80 para Kylie Minogue, Rick Astley e Bananarama, mas teve apenas sete ou oito anos de domínio nas paradas. Max Martin ainda está forte quase um quarto de século após seu primeiro hit. Por que ele suportou Adaptabilidade à parte, porém, qual é a chave para sua longevidade? Sherman diz que, quando conheceu Martin, ele ficou “paralisado com o quão humilde ele era”. “Ele é super colaborativo, trata-se da melhor ideia”, acrescenta Sherman. “Quando você entra em uma sala com alguém que teve tanto sucesso, acha que ele será um tirano, mas Max é exatamente o oposto. “ Somajo concorda, dizendo que Max Martin tem um dom único e profundo para se conectar com colegas compositores e músicos. “Ele tem essa incrível inteligência social, o que significa que ele pode conversar com qualquer pessoa no nível deles e ser muito sincero e real”, explica ela. “Eu acho que a receita para o grande sucesso dele é uma combinação de ser uma pessoa musical tão brilhante e uma pessoa decente e inteligente que pode tirar coisas de você. Ele é quase como um psiquiatra! Ela ressalta que Max Martin promoveu o tipo de relações de trabalho de longo prazo que são raras em um setor notoriamente inconstante. Doze anos depois que Max Martin co-escreveu seu primeiro hit ... Baby One More Time, Brit-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

ney Spears confiou nele para produzir seu álbum do anos de 2011, Femme Fatale. Somajo também sugere que Max Martin permanece fresco, porque ele está sempre “trazendo novos talentos jovens, mentorizando e ensinando-os”. Ela cita o sucesso do produtor e músico sueco Karl Johan Schuster, um protegido de Max Martin que agora é um produtor e compositor vencedor de um prêmio Grammy chamado Shellback: ele co-escreveu inúmeros sucessos com Max Martin e vários outros, incluindo Moves Like Jagger, da banda Maroon 5, sem ele. “Quando entrei no estúdio com [Max] Martin, esse outro cara estava lá - esse garoto estranho de cabelos compridos que todo mundo conhece hoje como Shellback”, lembra Somajo. “Ele era tão jovem e brilhante e podia tocar todos os instrumentos, e falou sem parar. Eu fiquei tipo, ‘Isso é algum tipo de maravilha selvagem que Martin encontrou em algum lugar?’ ”Samajo diz que Max Martin tem talento para detectar algo“ interessante ”nas pessoas, mesmo que elas ‘Não somos os melhores compositores em nível técnico. “Ele viu algo em mim e isso realmente mudou minha vida”, acrescenta ela. Nesta fase de sua carreira, a reputação de Max Martin certamente garante que ele continuará sendo procurado pelo tempo que desejar. Somajo prevê que é improvável que dê um passo atrás em breve. “Ele realmente ama música e está sempre buscando a música perfeita”, diz ela. “E ele pensa a longo prazo - ele nunca deixará de lado seus sentimentos reais sobre uma música para um sucesso a curto prazo. Eu acho que essa é outra razão pela qual ele está preso há tanto tempo. 167


As principais tendências musicais da década passada

168

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Do K-pop ao Bantu, a música pop se tornou verdadeiramente global nos últimos 10 anos, argumenta Arwa Haider.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

169


Millene Alves e Bruna Porto Em: 11/12/2019 Fonte: www.bbc.com Se o negócio da música pudesse fazer uma pose para o ‘desafio de 10 anos’ (a mania das mídias sociais comparando selfies desde o início e o final desta década), então sua foto brilhante de 2009 certamente seria ofuscada por uma mais impulsiva e cada vez mais mundana visão de 2019. A era digital não oferece apenas listas de reprodução infinitas para você escolher; trouxe cenas e estilos variados para uma proximidade muito mais estreita, e as tendências musicais dos anos 2010 realmente refletiram isso. Express Africano O reconhecimento corretamente global das estrelas africanas contemporâneas tem sido um grande exemplo. O impacto vital da Áfri-

ca e a interação com a música internacional estão profundamente enraizados, mas nesta década houve um tipo de despertar da corrente dominante ocidental e o surgimento de jovens e africanos ‘Afrobeats’ (que não devem ser confundidos com o movimento Afrobeat dos anos 70 de Fela Kuti) como um termo genérico. As estrelas nigerianas dispararam, incluindo Davido (cuja estréia em 2012 foi intitulada Omo Baba Olowo - ioruba para ‘Filho de um homem rico’ - e que tem a maior conta do Instagram da Nigéria, com 14 milhões de seguidores), Wizkid (que levantou o teto no Royal Albert de Londres) Hall), Sr. Eazi e Burna Boy, embora os sons tenham sido essencialmente pan-africanos, com elementos que incluem hip-hop, vida no Gana, kwaito sul-africano e muito mais.

Artistas norte-americanos, incluindo a cantora Beyoncé, Kanye West e Kendrick Lamar, inspiraram-se claramente em talentos musicais e visuais africanos, e Bey oncé colaborou com muitos artistas, incluindo Wizkid, Eazi, Tiwa Savage e Busiswa, na sua ‘trilha sonora’ do ano de 2019 do remake de The Lion, da Disney. Rei. Uma variedade de jovens artistas britânicos também referenciou sua herança africana, abrangendo Gana, Gâmbia, Zimbábue e além, incluindo londrinos como Fuse ODG (cujo exuberante álbum de estréia em 2014 foi TINA - This Is New Africa) e o cantor / compositor / rapper J Hus , enquanto a elegante e ousada Shingai Shoniwa (ex-vocalista / baixista do Noisettes) criou raízes Bantu em novos domínios em seu brilhante lançamento no ano de 2019, Ancient Futures.

Imagem: Andrew Shyaka

Cantor Nigeriano Davido

170

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Mania coreana Essa também foi a década em que o K-pop - evoluindo do pop coreano do início dos anos 90 - realmente deu início a um frenesi global de fãs. Algum crédito deve, indiscutivelmente, ir para o megahit zany 2012 da cantora e rapper de Seul, Psy, e mania de dança Gangnam Style. Psy compreensivelmente lutou para replicar esse sucesso viral surreal(O Gangnam Style se tornou o primeiro vídeo do YouTube a exceder 1 bilhão de visualizações; Obama o conferiu em uma conferência da Casa Branca com o presidente sul-coreano Park Geun-Hye), mas uma onda coreografada de grupos de K-pop subseqüentemente eclodiu. A boy band sonhadora BTS conquistou corações internacionais, tornando-se a primeira banda coreana a liderar as paradas da Billboard nos EUA (com o álbum Love Yourself: Tear de 2018) e embalando as datas dos estádios; O grupo de garotas Blackpink também provou ser uma importação de sucesso (agora é o ato mais inscrito no YouTube, com 30 milhões de inscritos) e colaboradores interessados, unindo-se a artistas como a estrela britânica Dua Lipa. A cena do K-pop é vasta e desafia a noção de que o inglês é a língua franca crucial da música convencional Amor pop latino As plataformas digitais também provocaram uma onda moderna do gênero musical pop latino, notadamente o onipresente beijo de reggaeton Despacito(2017) dos cantores Luis Fonsi e Daddy Yankee, de Porto Rico; ainda permanece como o maior sucesso do YouTube (atualmente 6,5 bilhões de visualizações). As principais gravadoras estavam ligadas ao poder dos vastos territórios de língua

Imagem: Jennifer Mota

J Balvin, cantor de Reggaeton pop latino

espanhola; O público latino foi reconhecido como um dos principais públicos influenciadores da música digital atual(enquanto anteriormente, eles poderiam ter sido negligenciados por seus baixos gastos em formatos físicos). Artistas como Beyoncé e Conor Maynard lançaram faixas em espanhol (o último cobrindo a desagradável Krippy Kush de Bad Bunny); O cantor Drake flertava

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

com ritmos de bachata dominicanos; e J Balvin, da Colômbia, tornaram-se um colaborador obrigatório dos artistas Beyoncé, Pharrell, Liam Payne, do One Direction, e muitos outros. A Billboard relatou que no ano de 2018 foi o ano de maior sucesso da música latina na história recente, com 24 faixas espanholas na sua tabela Hot 100 dos EUA; no ano de 2016, havia apenas quatro. 171


Todo mundo dança A cultura do clube foi do tamanho de um estádio, com o gênero EDM (Electronic Dance Music), de título peculiar, que engloba uma variedade estonteante de estilos, mas principalmente associada a grandes produções dos EUA que se baseavam nos estilos da Eurodance. A dance music sempre teve um fluxo transcontinental - a house music originou-se nos EUA, enquanto a cultura rave foi concebida há 30 anos na Grã-Bretanha pelas Ilhas Baleares -, mas a EDM a considerou uma força verdadeiramente comercial (com críticos criticando seus estrondos por números ) Os DJs / produtores britânicos, incluindo Calvin Harris e Paul Oakenfold, se mudaram para os Estados Unidos, e Vegas se tornou um destino de luxo. A estrela norte-americana Marshmello (cujo capacete icônico ecoou outro A-lister eletrônico, Deadmau5) levou a festa ao mundo virtual em janeiro de 2019, fazendo um concerto no jogo no Fortnite Battle Royale. Por uma milha do país A música country caseira e Americana provaram que tinha um verdadeiro chute contemporâneo. Isso se deve em parte às raízes do país de Taylor Swift e ao sucesso da série dramática de TV Nashville (que estreou em 2012), mas também graças a estrelas da nova geração como Kacey Musgraves, que fez sua estréia na gravadora com o Same Trailer Different Park de 2013 e que serviu melodias radicais com conversas reais e progressivas sobre sexo, fé e vida moderna. Atos de países britânicos como The Shires e Ward Thomas ganharam elogios nos EUA, e um relatório de 2017 da Country Music Association de Nashville obser172

vou que os Millennials representavam a maior audiência do país no Reino Unido. O Country também se fundiu com o rap, mais famoso no sotaque esplendidamente baiI

xo da Old Town Road de Lil Nas X: lançado pela primeira vez em 2018 e relançado em versões aparentemente incontáveis (incluindo um dueto com Billy Ray Cyrus). magem: Frederick M. Brown / Getty Images

Dj Marshmello Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


I

magem: Jim Dyson / Getty Images Entretenimento / Getty Images

Stormzy, cantor de Grime e Hip hop Britânico

Subterrâneo, overground Esta foi a década em que o hip-hop ultrapassou o rock para se tornar o maior gênero americano (de acordo com uma pesquisa da indústria de 2017); foi também a época em que o som subterrâneo distintamente britânico da sujeira fazia com que sua presença fosse sentida em toda parte. Kanye apareceu no Brit Awards 2015 com uma linha de coro de vocalistas grime, incluindo os vocalistas Stormzy, Skepta e Novelist. Esses talentos obviamente poderiam aproveitar os holofotes por si só - como Stormzy provou com sua própria performance eletrizante de britânicos no ano de 2018 (onde ele destacou a inação do governo do Reino Unido sobre a tragédia de Grenfell) e sua atração principal do festival de Glastonbury no ano de 2019. A coragem e a inteligência de Grime chegaram

a encontrar um horário no horário nobre no recente anúncio de televisão de Natal da Ikea, com o veterano MC D Double E. Foi muito cedo A música se sentiu cada vez mais autoconsciente nos últimos tempos, às vezes em resposta a perdas dolorosas. As mortes prematuras de artistas amados, incluindo Avicii, Chris Cornell, do Soundgarden, Chester Bennington do Linkin Park, Keith Flint do Prodigy e estrelas do K-pop Kim Jong-hyun, Sulli e Goo Hara, aumentaram necessariamente a conscientização geral sobre problemas de saúde mental, on-line assédio e as pressões pessoais e profissionais de que o sucesso não diminui. Se essa década tivesse um título, seria a mistura infinita. Isso ocorre em parte porque a era digital

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

em curso gerou inúmeras versões alternativas de faixas, com inúmeros artistas e produtores musicais percorrendo as músicas uns dos outros. Além disso, também porque houve representações incrivelmente diversas na música convencional; obviamente, o pop sempre deve muito à cultura gay, mas, finalmente, abertamente as estrelas pop, LGBTQ dos estilos pop e rock recebem um faturamento igualmente proeminente, como Frank Ocean, Janelle Monae, Troye Sivan, Brandi Carlile, Lil Nas X, Olly, vocalista do Years And Years Alexander e trio de Los Angeles MUNA. É também por causa do hino inclusivo e positivo para o corpo - todos saúdam o Suco de Lizzo (2019, com dicas de I’m Coming Out, de Diana Ross), que resume a alma desta época. Os anos 2010 se desenrolam com um brilho insistente e panorâmico. 173


174

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


CINEMA assassinato. O Sétimo Selo

10 clássicos que todos que amam cinema precisam assistir Sugestões atemporais Por Gabriel Kalil e Henrique Teixeira - 26/05/2020 Quando falamos sobre cinema, olhar para trás é mais do que essencial. Com mais de 100 anos de história (seja em preto e branco ou a cores), a sétima arte possui centenas de filmes importantes que marcaram época e, hoje, são verdadeiros exemplares do que significa a palavra “clássico”. Aproveitando a ampla variedade de opções no catálogo do serviço de streaming do Telecine, dentro da cinelist O Melhor do Cult, selecionamos dez títulos de diferentes décadas, países e diretores que se tornaram praticamente obrigatórios para os cinéfilos. Acredite: eles precisam ser vistos pelo menos uma vez na vida! 8 1/2 Em 8¹/², clássico de Federico Fellini, o cineasta Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) está prestes a rodar sua nova obra, ainda não tem ideia de como será

o filme. Mergulhado em uma intensa crise existencial e pressionado pelo produtor, pela mulher, pela amante e pelos amigos, ele passa a misturar o passado com o presente e ficção com realidade. Em diversas divagações sobre sua própria vida, Guido passa a aprender sobre a si mesmo enquanto observa as pessoas que o rodeiam. Blow-Up: Depois Daquele Beijo Em Blow-Up: Depois Daquele Beijo, Thomas (David Hemmings) é um fotógrafo de moda que não suporta mais o mundo em que vive, no qual jovens mulheres o perseguem para serem fotografadas na esperança de se tornarem grandes modelos. Um dia, ao passar por um parque de Londres, ele vê um casal à distância e resolve fotografá-los. Ao vê-lo, Jane (Vanessa Redgrave) corre ao seu encontro pedindo que lhe entregue os negativos das fotos. Ele se recusa e vai embora, mas ela descobre o endereço de seu estúdio e vai visitá-lo. Lá, Jane tenta seduzi-lo e Thomas a engana, entregando outro rolo fotográfico. Ao revelar as fotos, Thomas percebe que pode ter documentado, sem querer, um

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Em O Sétimo Selo, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas após dez anos longe e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca. Um trabalho obrigatório de Ingmar Bergman para você tirar da listinha. Três Homens em Conflito Episódio final da Trilogia dos Dólares, de Sergio Leone, Três Homens em Conflito é simplesmente um dos pontos mais altos de toda a cinematografia western. Clint Eastwood reprisa seu papel de “o pistoleiro sem nome” ao lado de Lee Van Cleef e Eli Wallach e protagoniza cenas muito marcantes para o cinema - incluindo a sequência final em que o trio se entreolha por minutos enquanto a trilha-sonora de Ennio Morricone faz seu excelente trabalho de impactar e deixar o espectador atento. A história é focada enquanto a Guerra Civil se enfurece entre a União e a Confederação. No deserto americano, três homens - um solitário silencioso, um assassino implacável e um bandido mexicano - vasculham inúmeros locais em busca de um cofre contendo U$200.000 em ouro roubado.

175


Metrópolis Em Metrópolis, no ano 2026, os poderosos ficam na superfície, onde há o Jardim dos Prazeres, destinado aos filhos dos mestres. Os operários, em regime de escravidão, trabalham bem abaixo da superfície, na Cidade dos Trabalhadores. Esta poderosa cidade é governada por Joh Fredersen (Alfred Abel), um insensível capitalista cujo único filho, Freder (Gustav Fröhlich), leva uma vida idílica, desfrutando dos maravilhosos jardins. Mas um dia Freder conhece Maria (Brigitte Helm), a líder espiritual dos operários, que cuida dos filhos dos escravos. Ele conversa com seu pai sobre o contraste social existente, mas recebe como resposta que é assim que as coisas devem ser. Paralelamente Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), um inventor louco que está a serviço de Joh, diz ao seu patrão que seu trabalho está concluído, pois criou um robô à imagem do homem. Isso cria uma série de eventos que já abordavam questões sobre robôs, desigualdade e tecnologia em pleno 1927, ano de lançamento do filme. Crepúsculo dos Deuses O premiado cineasta Billy Wilder fez sua grande obra em Crepúsculo dos Deuses ao contar uma história que se passa dentro da própria vida hollywoodiana. Para fugir dos representantes de uma financeira, Joe Gillis (William Holden) se refugia na decadente mansão de Norma Desmond (Gloria Swanson), antiga estrela do cinema mudo. Quando Norma descobre que Joe é roteirista, contrata-o para

176

revisar o roteiro de Salomé, que marcará seu retorno às telas. Ele aceita o trabalho, mas o destino lhe reserva muitas surpresas. Sonata de Outono Mais um grande clássico na obra de Bergman, Sonata de Outono possui grandes atuações de Liv Ullmann e a diva Ingrid Bergman. Após ter sido uma mãe ausente por anos, Charlotte (Bergman), uma renomada pianista, vai até a casa de sua filha Eva (Ullmann) para lhe fazer uma visita. Ela se surpreende ao encontrar sua outra filha, Helena (Lena Nyman), que tem problemas mentais. Eva tirou Helena da instituição que Charlotte a havia internado para cuidar dela em casa. A tensão entre mãe e filha começa a crescer devagar até elas colocarem tudo em panos limpos. Spartacus Spartacus (Kirk Douglas), um homem que nasceu escravo, trabalha para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Apesar de não ter muito com o que sonhar, pois foi condenado à morte por atacar um guarda. Mas seu destino muda quando é comprado por um homem para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma com suas esposas, que pedem para serem entretidas com dois combates até morte. Spartacus é escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor. Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus; ele acaba

liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Spartacus é um dos filmes mais conhecidos e grandiosos do diretor Stanley Kubrick. O Martírio de Joana D’Arc A jovem camponesa Joana D’Arc (Maria Falconetti) é condenada à morte por ter liderado o povo francês contra o exército invasor inglês, dizendo que foi inspirada por Jesus e São Miguel. Ela passa suas últimas horas de vida sendo capturada pelos ingleses. Após ser torturada e questionada, vai à julgamento por heresia e, por fim, é executada. Durante todo esse tempo, ela sofre por causa das acusações e também devido ao abandono da Igreja Católica e dos seus compatriotas franceses. O Martírio de Joana D’Arc é um filme difícil de ser visto sem sentir agonia pela veracidade das cenas (e da potente trilha-sonora), mas é necessário. Janela Indiscreta Em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries (James Stewart), um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido. Tenso do início ao fim, Janela Indiscreta conta também com Grace Kelly em um de seus papéis mais conhecidos em sua prolífera parceria com Alfred Hitchcock.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


10 maiores estreias da história do cinema (até agora) Conheça as obras que fizeram muito dinheiro em suas estreias Por Gabriel Kalil e Henrique Teixeira - 23/05/2020 O cinema é uma arte capaz de reunir multidões, especialmente quando uma franquia ganha um filme inédito, ou algum acontecimento faz uma obra despertar um grande interesse do público. Nestes casos, os fãs lotam as salas de cinema logo na primeira semana, já que querem descobrir o que aconteceu e fogem dos temíveis spoilers. Na Omelista de hoje, falamos sobre as 10 maiores estreias da história do cinema (até agora), reunindo produções que fizeram grandes números na bilheteria mundial. Confira a lista acima e abaixo. 10 – Velozes e Furiosos 7 A décima posição é de Velozes e Furiosos 7. Lançada em 2015, a produção conta com a última participação de Paul Walker nos cinemas. O astro morreu em novembro de 2013, em um acidente de carro, e já tinha gravado parte de suas cenas para a produção. Com a tragédia, o lançamento do longa foi adiado, tanto para resolver as questões de bastidores, quanto para dar um período de recuperação para o elenco, todos muito amigos de Walker. No final, a solução encontrada foi usar computação gráfica e os irmãos de Walker, muito pareci-

dos com eles, como dublês para finalizar as cenas. Com tudo isso, o longa foi lançado com uma homenagem a memória de Paul Walker e arrecadou mais de US$ 397 milhões em sua estreia mundial. 9 – Batman Vs Superman: A origem da Justiça O nono lugar da nossa Omelista é de Batman vs Superman: a Origem da Justiça. Lançada em

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

2016, a produção era o pontapé inicial do DCEU, o Universo Estendido da DC nos cinemas, e marcava a união nas telonas de dois dos maiores heróis da casa. Além disso, o filme teve a estreia do Batman de Ben Affleck e, como o subtítulo indica, prometia apresentar a Liga da Justiça nos cinemas, para um universo que seria desenvolvido posteriormente. Com isso, BvS arrecadou US$ 422 milhões em sua estreia nos cinemas mundiais. 177


8 – Star Wars: Os Últimos Jedi Não há um fã de Star Wars que não se lembre do primeiro trailer de Os Últimos Jedi, quando Luke Skywalker afirma que é hora da ordem de cavaleiros acabar. Dirigido por Rian Johnson e prometendo mudanças no universo, o longa de 2017 gerou muita curiosidade nos fãs. Além de saber mais sobre quem Luke Skywalker tinha se tornado no futuro, a produção também poderia responder vários mistérios sobre a nova trilogia, como o segredo sobre os pais de Rey. O resultado foi uma arrecadação de US$ 450 milhões no fim de semana de estreia. 7 – Capitã Marvel Lançado em 2019, Capitã Marvel foi o primeiro filme da Marvel protagonizado 100% por uma heroína (a Vespa dividiu o título de Homem-Formiga 2). Ganhadora do Oscar, Brie Larson fez sua estreia no MCU com a produção solo, que também foi a última da Marvel a ser lançada antes de Vingadores: Ultimato. Com isso, muitos fãs estavam curiosos se o longa teria alguma ligação com os eventos do futuro e qual seria o papel da Capitã na história. O resultado foi uma arrecadação de mais de US$ 456 milhões. 6 – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 O filme que marca o encerramento da franquia mágica iniciada em 2001 está em sexto lugar em nossa lista. Enquanto a primeira parte teve tom mais intimista, focando na busca do trio pelas Horcruxes, Harry Pot178

ter e as Relíquias da Morte Parte 2 prometia a conclusão épica da saga e a aguardada Batalha de Hogwarts. O resultado foi uma bilheteria de US$ 483 milhões no fim de semana de estreia. 5 – Jurassic World O lançamento de Jurassic World em 2015 marcou a volta de uma franquia muito amada pelos fãs, que não tinha lançamentos inéditos desde 2001. Essa pitada de nostalgia misturada com a curiosidade de conhecer os novos personagens interpretados por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard (além do dinossauro híbrido Indominus Rex), rendeu US$ 525 milhões de bilheteria na estreia de Jurassic World. 4 – Star Wars: O Despertar da Força Se em 2017 os fãs queriam saber o que tinha acontecido com Luke Skywalker, dois anos antes esse sentimento foi ainda maior. Star Wars: o Despertar da Força trouxe de volta a franquia que não tinha lançamentos desde 2005, apresentando novos personagens e trazendo nomes conhecidos, como Han Solo e a General Leia. Entre fãs das antigas com nostalgia e uma nova geração que estava conhecendo Star Wars, o filme arrecadou impressionantes US$ 528 milhões em sua estreia em 2015.

2017, o longa prometia mostrar a traição de Toretto à sua família, além de ter Hobbs e Shaw, que ganharam um derivado próprio depois, e Charlize Theron. Velozes & Furiosos 8 fez US$ 541 milhões em seu fim de semana de estreia. 2 – Vingadores: Guerra Infinita Vingadores: Guerra Infinita teve vários aspectos que levaram os fãs ao cinema rápido: a conclusão de um universo iniciado há 10 anos, a luta contra Thanos, a união de heróis do MCU, além, é claro, do medo de spoilers. Com um final surpreendente, Vingadores: Guerra Infinita arrecadou US$ 640 milhões apenas em seu fim de semana de estreia. 1 – Vingadores: Ultimato Se os fãs estavam curiosos com Guerra Infinita, Vingadores: Ultimato levou isso para um novo patamar. Com a derrota dos heróis no longa anterior e marcando, de fato, a conclusão da saga de Thanos, o filme dobrou sua arrecadação na semana de estreia, fazendo nada menos do que US$ 1.223 bilhão. A estreia foi um momento histórico: ingressos para os primeiros dias de exibição esgotaram semanas antes, todos estavam fugindo de spoilers e, quem conseguia, ia mais de uma vez ao cinema para viver de novo a catarse da batalha final.

3 – Velozes e Furiosos 8 A continuação da franquia Velozes & Furiosos ficou com o terceiro lugar na lista. Lançado em Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


As 10 maiores transformações dos atores no cinema Christian Bale, Robert De Niro e mais atores que foram ao extremo para viver um papel Por Henrique Teixeira e Gabriel Kalil – 15/05/2020 Para realmente deixar o espectador imerso no mundo das histórias contadas, os atores estão frequentemente ganhando e perdendo peso para encarnar diferentes personagens. Alguns deles, porém, levam a missão ao extremo, e passar por transformações absurdas para tirar o máximo de proveito de um trabalho. Abaixo, listamos 10 das maiores transformações do cinema! Christian Bale em O Operário (2004) O exemplo mais popular de transformação extrema moderna é, sem dúvidas, Christian Bale em O Operário (2004). Para

interpretar o protagonista Trevor Reznik, um maquinista com insônia severa, Bale foi dos 78 quilos para 49kg, se tornando quase esquelético. Para alcançar o resultado, a dieta do ator por quase quatro meses foi de apenas uma maçã e uma lata de atum por dia. Joaquin Phoenix em Coringa (2019) Transformações do tipo costumam ter um efeito pesado nos atores. Joaquin Phoenix entendeu isso ao perder cerca de 23 quilos para interpretar o Palhaço Rei do Crime em Coringa (2019). O ator ficou tão bodeado com o processo que se tornou bastante difícil de trabalhar, com a equipe de maquiagem dizendo que “comprava” o ator com comida para que ele aceitasse ser tocado e maquiado pelos profissionais. “Aparentemente, esse tipo de coisa começa a afetar o seu psicológico”, falou Phoenix ao Daily Beast. “Você começa a enlouquecer quando perde tanto peso em pouco tempo”. O esforço, pelo menos, foi recompensado. Phoenix venceu um Oscar de Melhor

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Ator pela performance como Arthur Fleck. Robert De Niro em Touro Indomável (1980) Antes de Christian Bale, Robert De Niro era conhecido com o ator responsável pelas transformações drásticas. O maior exemplo disso é o clássico Touro Indomável (1980). O filme de Martin Scorsese narra a vida de um boxeador, portanto De Niro interpreta o personagem ao longo de várias etapas. Por boa parte do filme, o ator têm o físico definido que é necessário para alguém da profissão, porém os momentos finais mostram uma versão mais velha - e fora de forma - de seu personagem. Como foi a mudança? Para honrar a origem italiana do protagonista, De Niro viajou até a Itália e se encheu de massas, até voltar com quase 30 quilos a mais. Apesar de despertar preocupações em Scorsese, De Niro eventualmente venceu um Oscar de Melhor Ator pela performance.

179


Anne Hathaway em Os Miseráveis (2012) Anne Hathaway já é conhecida por seu físico fino mas, para viver Fantine na adaptação do musical Os Miseráveis (2012), ela precisou ir ao extremo. A atriz raspou a cabeça e perdeu mais 11 quilos, com uma dieta extrema de apenas duas barrinhas de aveia por dia. “Tinha que ser obcecada por isso, a ideia era parecer próxima da morte”, explicou ao Huffington Post. “Olhando agora - mas sem julgamentos com certeza foi uma experiência meio insana. Foi um afastamento da realidade, mas acredito que assim seja com Fantine”. Pelo esforço, Hathaway levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Jonah Hill em Cães de Guerra (2016) Seja em comédias como Superbad (2007) ou Anjos da Lei (2012), Jonah Hill ganhou uma reputação de “gordinho” cômico que é tão presente no audiovisual. Em Cães de Guerra (2016), porém, ele surpreendeu a todos ao ganhar 18 quilos para interpretar o traficante Efraim Diveroli no longa. O mais impressionante mesmo é que, pouco após isso, ele perdeu todo esse peso para estrelar Maniac (2018), série da Netflix em que aparece magro. Chris Pratt em Guardiões da Galáxia (2014) Assim como Jonah Hill, Chris Pratt tinha a reputação de “gordinho” por conta de seu papel Parks & Recreation. Isso fez com que muitos duvidassem da sua escolha para viver o Senhor das 180

Estrelas em Guardiões da Galáxia (2014)... até que ele apareceu bombado, tendo perdido 27 quilos em apenas seis meses. Parte do processo foi reprogramar toda sua dieta, exercícios e também beber bastante água: “Passava o dia inteiro fazendo xixi, todos os dias. Essa parte foi um pesadelo”, brincou o ator. Renée Zellweger em Bridget Jones: No Limite da Razão (2004) O caso de Renée Zellweger, comparado com os demais da lista, é um dos mais irônicos. O problema da atriz é que engordar o suficiente para viver a protagonista de Bridget Jones: No Limite da Razão (2004) era um desafio para o seu metabolismo rápido. Zellweger não só se enchia de hambúrguer entre as cenas, como também deixava vários doces e porcarias com a sua assistente, para comer o dia todo. E mesmo assim não foi o suficiente em alguns momentos: uma cena, que mostraria a largura da personagem, precisou ser complementada com enchimento simplesmente porque a atriz não conseguiu engordar. Jake Gyllenhaal em Nocaute (2015) Filmes sobre lutadores geralmente são os que mais exigem transformações radicais. Jake Gyllenhaal sentiu isso na pele ao ter que ganhar 6kg só de músculo para poder viver um boxeador em Nocaute (2015). A transformação é ainda mais impressionante considerando que, pouco antes, ele havia perdido 13kg para interpretar o protagonista de O Abutre (2014). O diretor Antoine Fuqua não perdoou na

preparação: “Estou fazendo-o treinar duas vezes por dia no ringue de boxe, todos os dias”, falou ao Huff Post. “Estou colocando ele pra treinar na academia do Floyd Mayweather, em Las Vegas, e assistir as lutas dele também. Ele também treino na Church Gym de Nova York com lutadores de verdade. Nós literalmente estamos criando um monstro.” Jared Leto em Clube de Compras de Dallas (2013) Para viver uma transsexual com AIDS em Clube de Compras de Dallas (2013), Jared Leto foi ao extremo e ficou com apenas 51kg, perdendo 18kg para o papel. O ator descreveu o processo: “Eu parei de comer. Não foi uma coisa fácil de se fazer”, falou ao The Wrap. “Foi algo entre 13 e 18kg, parei de contar depois de um tempo. Isso muda o jeito que você anda, o jeito que se senta, e o jeito que pensa”. Apesar do esforço, Leto foi premiado com um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. 50 Cent em A Luta de um Campeão (2011) O rapper 50 Cent é conhecido não só por suas músicas, mas também pelo seu físico musculoso. Em 2011, para estrelar A Luta de um Campeão, o músico perdeu quase 30 quilos, ficando com 72kg para viver um jogador de futebol com câncer.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


De X-Men a Coringa: a evolução das produções baseadas em HQs nos últimos 20 anos Como produções que começaram envergonhadas pavimentaram o caminho para a explosão do gênero Por Henrique Teixeira e Gabriel Kalil – 29/05/2020 É impossível duvidar da popularidade dos super-heróis. Nos cinemas, o gênero emplaca 3 das 10 maiores bilheterias de todos tempos e já foi reconhecido em grandes premiações como Oscar e Festival de Veneza. Porém, antes de se tornar esse fenômeno cultural, os heróis eram considerados meramente “coisa de criança”, e precisaram percorrer um longo caminho sair desse estereótipo. Se hoje produções como Deadpool e Coringa ousam desafiar (e até rir) do que pode ser feito com o gênero, é por conta de uma explosão iniciada 20 anos atrás com X-Men: O Filme, um longa que nasceu envergonhado de sua natureza quadrinística.

Veja bem, X-Men não foi a primeira produção baseada em quadrinhos a chegar aos cinemas. Desde clássicos absolutos como Superman de Richard Donner e Batman de Tim Burton, passando pelos esquecíveis Monstro do Pântano e Justiceiro, até os queridos Tartarugas Ninja e O Corvo, as HQs tinham uma longa estrada nos cinemas. Porém, por se direcionar a um público infanto-juvenil, muitos de seus atributos vendiam uma imagem supostamente “ingênua”, como se adultos não pudessem curtir um produto com enredo simples protagonizado por pessoas vestindo trajes com cores berrantes, que por vezes incluíam cuecas por cima da calça. Com o intuito de mudar essa visão, a Fox contratou Bryan Singer, diretor que tinha uma clara intenção de mostrar que pessoas com superpoderes também poderiam ser levadas a sério. A versão da equipe liderada pelo Professor Xavier que chegou aos cinemas equilibrou a essência dos quadrinhos com uma roupagem nova e atualizada que falava com o público de sua época. Os uniformes coloridos deram lugar a trajes de couro, a luta entre bem e mal ganhou camadas ao tocar

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

em assuntos como preconceito e aceitação (algo também abordado em vários quadrinhos), tudo isso em uma produção cheia de ação e com uma trama construída para dar importância e propósito para cada um de seus personagens. Essa nova roupagem fez de X-Men: O Filme um sucesso, transformando seu orçamento de US$ 75 milhões em uma estrondosa bilheteria de mais de US$ 296,3 milhões. Hollywood entendeu o recado, e passou a ver os super-heróis com menos descrença. Essa aposta se provou certa dois anos depois, com o lançamento do primeiro filme do Homem-Aranha. Se os X-Men tiveram que mudar um pouco o tom em relação ao seu material base para abrir as portas dos cinemas para os super-heróis, o Homem-Aranha teve menos pudores em se assumir um filme de quadrinhos. Não que o diretor Sam Raimi não tenha feito pequenas atualizações em relação ao material-base, como a escalação de atores adultos para papéis adolescentes, as famosas teias orgânicas e até o visual do vilão Duende Verde, que passou a vestir uma armadura. Mas o filme do Cabeça de Teia era colorido e oti 181


mista, levando a popularidade do personagem para o público mainstream. Com um orçamento de US$ 139 milhões (quase o dobro de X-Men) e uma arrecadação de impressionantes US$ 821,7 milhões, Homem-Aranha foi o filme de maior bilheteria nos Estados Unidos em 2002. Chegava ao fim a resistência de grandes estúdios em fazer filmes de super-heróis. O estrondoso sucesso das duas produções foi responsável por uma enorme leva de filmes baseados em HQs. A própria Fox encomendou novos filmes dos X-Men, além de aproveitar outros títulos da Marvel que estavam sob seu domínio, como Quarteto Fantástico, Demolidor e Elektra. Homem-Aranha ganhou novas continuações e até quadrinhos pouco conhecidos como MIB - Homens de Preto ganharam adaptações. Porém, a principal reação a esse sucesso foi o retorno do Batman nos cinemas. Após o lançamento de Batman Eternamente e Batman & Robin, fracassos de público e crítica, o estúdio havia deixado o personagem na geladeira, mas resolveu dar uma nova chance pelas mãos de um cineasta jovem e promissor chamado Christopher Nolan. Assim como os X-Men haviam feito 5 anos antes, Batman Begins trazia uma mistura entre características clássicas do herói com elementos atuais para criar uma versão definida pelo clichê “sombrio e realista”. Ainda que não tenha feito o mesmo sucesso de seus contemporâneos, Begins abriu as portas para Batman: O Cavaleiro das Trevas, primeiro filme de super-heróis a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias. Curiosamente, esse 182

não foi o único filme de super-heróis protagonizado por um bilionário a chegar aos cinemas em 2008. Assistindo concorrentes como Fox e Sony lucrar com personagens baseados em seus quadrinhos, a Marvel lançou o Marvel Studios e decidiu fazer filmes protagonizados pelos heróis que ainda detinha os direitos cinematográficos. Com esse intuito, o estúdio lançou Homem de Ferro, longa dirigido por Jon Favreau e protagonizado por Robert Downey Jr. que discretamente iniciou o que viria a ser conhecido como Universo Cinematográfico da Marvel, o MCU. A partir da estreia de Tony Stark, criou-se uma franquia de filmes que funcionavam separadamente ao mesmo tempo em que construíam um coeso universo compartilhado, assim como a Casa das Ideias havia feito nos quadrinhos quase 40 anos antes. A partir daí surgiram filmes como O Incrível Hulk, Thor, Capitão América e Homem de Ferro 2 até culminar em Os Vingadores, filme-evento que não apenas introduziu a equipe, como também consolidou a franquia como um fenômeno pop. Não que ela seja perfeita, já que a chamada “fórmula Marvel” dá origem a produções homogêneas que por vezes se mostram descartáveis. Porém, é inegável o sucesso e a rentabilidade de um universo que após 23 filmes conseguiu tomar o posto de maior bilheteria de todos os tempos com Vingadores: Ultimato. Com o sucesso do MCU, o conceito de universo compartilhado virou moda, levando grandes franquias a tentar replicá-lo

sem grande sucesso. O exemplo mais notável é o DCEU, universo de filmes da DC Comics que foi inaugurado em 2013 com Homem de Aço. As produções seguintes não se mostraram o sucesso esperado pela Warner Bros, indo do divisivo Batman vs Superman ao execrado Esquadrão Suicida, sem falar em Liga da Justiça, que reflete em tela os problemas nos bastidores. Porém, essa empreitada teve também seus pontos altos com Mulher-Maravilha, o primeiro filme de herói protagonizado por uma mulher, o modesto sucesso de longas como Shazam! e Aves de Rapina, e especialmente o filme solo do Aquaman, personagem que foi tratado como piada por quase 80 anos, que se tornou a maior bilheteria da DC na história. Esse sucesso escancarou a liberdade dada aos realizadores para desafiar as “regras” do gênero, com destaque para o primeiro filme do Deadpool. Lançado em 2016, o longa nasceu do vazamento de um teste de filmagem que colocava Ryan Reynolds novamente no papel do Mercenário Tagarela. Porém, ao contrário do que havia acontecido com o personagem em X-Men Origens: Wolverine, ele fazia jus à sua versão nos quadrinhos: violenta, exagerada e com um humor absurdo que levou a Fox a arriscar num projeto para maiores de 18 anos. Sucesso de público e crítica, o longa foi responsável não apenas pela popularização do personagem, mas também por mostrar que era possível fazer filmes de super-heróis para maiores - um trauma estabelecido pelo fracasso de Watchmen nas bilheterias de 2009. Com a abertura para fazer filmes

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


de heróis voltados ao público adulto, a Fox encomendou uma sequência para Deadpool e a produção de Logan. Se o primeiro utilizava sua censura alta para fazer piadas absurdas e obscenas em meio a um festival de violência gratuita, o segundo abraçou uma veia faroeste para contar a conclusão da jornada do Wolverine de Hugh Jackman, que estreou naquele filme dos X-Men em 2000. Além de se tornar um novo sucesso, a produção se sagrou como o primeiro filme de super-heróis live-action a ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado no Oscar. Por falar em Oscar, é preciso destacar as duas últimas edições da premiação. A cerimônia de 2019 gerou grande ansiedade para os fãs de super-heróis por causa de Homem-Aranha no Aranhaverso, que levou o troféu de Melhor Animação para casa, e Pantera Negra, filme da Marvel indicado a 7 categorias, incluindo a inédita Melhor Filme. Antes mesmo da premiação, o longa já havia sido fortemente elogiado por toda a sua produção, que incorporou afrofuturismo e questões sociopolíticas na aventuresca “fórmula Marvel” - elogios esses que ganharam força com a vitória do longa em Melhor Figurino, Design de Produção e Trilha Sonora. A boa fase dos filmes baseados em HQs continuou no ano seguinte, quando Coringa recebeu 11 indicações na premiação. Dono da maior bilheteria de filmes para maiores de idade na história, o filme levou as estatuetas de Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Trilha Sonora, ampliando a estante de troféus da produção que já contava com Globos de Ouro,

BAFTAs e até um Leão de Ouro do prestigiado Festival de Veneza. Espaço também para HQs alternativas e nacionais Nesses 20 anos, não foram apenas os quadrinhos de herói que ganharam espaço. Produções alternativas e independentes também passaram a ganhar adaptações para os cinemas. É o caso de filmes premiados como Estrada para Perdição e Azul é a Cor mais Quente, além de queridinhos como Kick-Ass e Scott Pilgrim contra o Mundo, e até experimentais como Anti-Herói Americano.

des que vão desde esgotamento até reinvenção, é fato que as HQs deixaram sua marca na história do cinema. Um feito e tanto para adaptações que começaram envergonhadas e hoje dominam a cultura pop.

O mesmo pode ser dito sobre HQs brasileiras. Nesses 20 anos, grandes títulos nacionais também chegaram aos cinemas, com destaque para Turma da Mônica - Laços e Tungstênio. Enquanto o primeiro marcou a primeira versão live-action da turminha criada por Mauricio de Sousa em uma produção assinada pelo Daniel Rezende (Bingo: O Rei das Manhãs), o segundo trouxe um recorte da realidade brasileira de forma poética e crua através de uma adaptação de Heitor Dhalia (O Cheiro do Ralo) para a clássica e premiada HQ de Marcello Quintanilha. De formas diferentes, as produções abraçaram públicos distintos e tiraram qualquer dúvida de que também se faz filme de quadrinhos no país. Essa gradual evolução tanto no Brasil, quanto no mundo, prova que a indústria passou a apostar cada vez mais em filmes inspirados em quadrinhos nesses 20 anos. Ainda que seja difícil prever como o gênero continuará se desenvolvendo, com possibilida-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

183


Digital Entertainment Group, publicados pelo site Deadline, o gasto com vídeos sob demanda cresceu 48% em março de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Veja abaixo uma lista com os principais lançamentos que trocaram os cinemas por plataformas de vídeos: ‘An american pickle’

Com cinemas fechados, filmes estreiam direto em plataformas de vídeos nos EUA Em época de isolamento social, estúdios mudam estratégia de lançamento para evitar concorrência após adiamentos e aproveitar crescimento do consumo de vídeos sob demanda Por Gabriel Kalil e Henrique Teixeira – 04/06/2020 Com o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, os grandes estúdios de Hollywood enfrentam a maior necessidade de repensar suas estratégias de lançamentos dos últimos anos. Assim, desde março, alguns lançamentos do cinema foram reprogramados para estreias em serviços de transmissão digital de vídeos nos Estados Unidos.

184

Entre as grandes produções que passaram pela mudança estão filmes como a adaptação literária “Artemis Fowl: O Mundo Secreto”, o novo projeto dirigido por Judd Apatow (“O virgem de 40 anos”), “The king of Staten Island”, e a animação “Scooby! O Filme!”. Isso acontece enquanto muitos dos principais blockbusters, como novas adaptações de quadrinhos da Marvel e da DC ou o próximo capítulo da franquia “Velozes e Furiosos”, escolheram por apenas adiar seus lançamentos em alguns meses. A opção pelas plataformas digitais pode ser explicada por uma tentativa de evitar a concorrência contra todos esses grandes lançamentos quando os cinemas abrirem novamente suas portas, especialmente em um momento em que ainda é difícil prever quando isso vai acontecer. Além disso, também tem a ver com um aumento do consumo nesses serviços. Segundo dados da associação americana de plataformas de entretenimento

Um trabalhador de uma fábrica de picles, interpretado por Seth Rogen (“Casal improvável”), acorda nos tempos atuais depois de passar cem anos congelado. O filme foi vendido para a HBO Max, e deve estrear dia 6 de agosto nos EUA. ‘Artemis Fowl: O Mundo Secreto’ A adaptação da série de livros de Eoin Colfer, dirigida por Kenneth Branagh (“Thor”), tinha estreia prevista nos cinemas para o dia 29 de maio. Foi transferida para a Disney+, no dia 12 de junho. ‘Bacurau’ O filme brasileiro tinha estreia prevista em diversos cinemas americanos, mas foi utilizado pela distribuidora Kino como teste do serviço de streaming Kino Marquee, que divide a arrecadação com cinemas selecionados pelo público (para apoiar as salas menores durante a crise). ‘Bad trip’ A comédia, que mistura história roteirizada com gravações reais de pegadinhas, vai estrear

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


em uma data ainda não definida na Netflix, mesmo depois de ter sido disponibilizada por acidente na Amazon Prime Video. ‘Charm city kings’ O drama sobre um jovem que sonha em entrar para um grupo de motoqueiros, exibido no festival de Sundance, estreia na HBO Max em 2020. ‘Clouds’ O filme sobre a história real do cantor Zach Sobiech, que morreu em 2013 por causa de um câncer raro após lançar o hit “Clouds” estreia na Disney+ em 2020. ‘Capone’ A cinebiografia do gângster Al Capone, estrelada por Tom Hardy (“Venom”), arrecadou mais de US$ 2,5 milhões após seus dez primeiros dias em diversas plataformas de filmes sob demanda. ‘Greyhound’

‘A Batida Perfeita’ O filme sobre uma diva da música estava programado para dia 8 de maio, mas foi lançado em serviços de vídeos sob demanda em 29 de maio. ‘How to build a girl’ A comédia estrelada por Beanie Feldstein (“Fora de série”) sobre a jornada de uma jovem para se tornar uma jornalista de música foi exibida no Festival de Toronto em 2019, e estreou em serviços de vídeos sob demanda em 8 de maio. ‘Irresistible’ Estrelada por Steve Carell (“The office”), a comédia escrita e dirigida por Jon Stewart (“The daily show”) tem estreia programada em plataformas no dia 26 de junho. ‘The king of Staten Island’

O filme escrito e protagonizado por Tom Hanks se tornou a principal estreia da Apple TV+, que planeja lançar a história em 2020.

O novo filme do diretor Judd Apatow, uma história semi-autobiográfica sobre um com dificuldades para amadurecer depois da morte de seu pai, estreia em serviços sob demanda em 12 de junho.

‘Hamilton’

‘Um Crime para Dois’

A versão para os cinemas do maior sucesso da Broadway nos últimos anos seria lançado comercialmente em outubro de 2021. Com a pandemia, a Disney adiantou o lançamento em 15 meses, e a estreia acontece no Disney+ dia 3 de julho.

A comédia romântica com Issa Rae (“Insecure”) e Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) teve lançamento cancelado e estreou direto na Netflix em 22 de maio.

(“Tomb Raider: A Origem”), é outro que foi exibido no Festival de Toronto e que ganhou lançamento em plataformas nos Estados Unidos, no dia 22 de maio. ‘Aprendiz de espiã’ A comédia infantil estrelada por Dave Bautista (“Guardiões da galáxia”) originalmente tinha estreia prevista para 2019. Depois de ser adiado diversas vezes, sairá direto no Amazon Prime Video em data ainda não definida. ‘Run sweetheart run’ O terror é outro filme exibido no festival de Sundance a chegar ao Amazon Prime Video em 2020. ‘Scooby! O Filme!’ A animação com a turma de “Scooby-Doo” em um novo mistério chegou a plataformas digitais em 15 de maio, mesmo dia de sua estreia cancelada nos cinemas. ‘Trolls 2 - World Tour’ A animação da Universal bateu recordes ao chegar a serviços de vídeo sob demanda no dia 10 de abril, com US$ 100 milhões em arrecadação, após causar problemas entre as redes de cinema e o estúdio, que planejava manter o lançamento comercial ao mesmo tempo que nas plataformas.

‘Military wives’ O filme sobre o coral formado por mulheres de soldados, estrelado por Kristin Scott Thomas

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

185


Maratona do isolamento: 10 filmes que se passam inteiramente dentro de casa Deus da Carnificina, Festim Diabólico e mais Por Henrique Teixeira e Gabriel Kalil – 08/04/2020 Nestes tempos de isolamento, filmes e séries se tornam alguns de nossos maiores aliados dentro de casa. E para quem gosta de ver filmes que refletem sua realidade, pelo menos em algum nível, não falta no cinema filmes que se passam exclusivamente dentro de uma residência. Enquanto este recurso é usado diversas vezes no gênero de terror - que adora aprisionar pessoas dentro de casa - também existem dramas e comédias que se aproveitam da aflição e tensão que cresce a partir do momento que você enclausura seus protagonistas. Por isso, listamos abaixo alguns dos melhores filmes que se passam (quase) exclusivamente dentro de uma residência: 186

Uma Noite de Crime Antes da franquia de Uma Noite de Crime virar quase um universo cinematográfico, o primeiro filme, lançado em 2013, era uma produção muito mais minimalista. Lançando a premissa da permissão legal de qualquer crime por uma noite ao ano, o filme mostra o enclausuramento da rica família Sandin, tentando sobreviver a noite trancados em casa. Tirando menos de 10 primeiros minutos iniciais, Uma Noite de Crime se passa inteiramente dentro da residência da família. Janela Indiscreta Janela Indiscreta é um dos filmes mais memoráveis neste quesito, mas ele é também um dos mais intrigantes. No filme de Hitchcock de 1954, a câmera não se limita apenas ao apartamento de Jeff, personagem de James Stewart, mas tudo que é filmado do lado de fora é visto pelo ponto de vista do próprio. Usando seu binóculo, Jeff espia a vida dos vizinhos e fica convencido que um deles cometeu um assassinato, e passa a investigar a vida alheia com ajuda de seu amigo

e sua namorada. Enquanto eles saem do apartamento, a câmera vê apenas o que Jeff acompanha com o olhar, fazendo com que Janela Indiscreta nunca realmente saia de casa. Os outros O filme de terror de 2001, com Nicole Kidman, Os Outros também se passa inteiramente em casa, mas neste caso, é uma propriedade gigante. No longa, Kidman interpreta a mãe de duas crianças que sofrem de fotossensibilidade, e por isso vivem trancadas em casa. Existe apenas uma cena em que a protagonista sai de casa, mas ela caminha poucos passos no bosque na frente da propriedade, por poucos minutos. Os Sete Suspeitos Como um longa baseado no jogo de tabuleiro Detetive, Os Sete Suspeitos também não poderia sair dos confinamentos da enorme propriedade na Nova Inglaterra. No longa, seis convidados aparecem para o jantar, mas quando o anfitrião é assassinado, eles começam a investigar o crime com ajuda dos funcionários

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


da mansão. Apesar da temática que poderia resultar em um filme amedrontador, Os Sete Suspeitos é uma comédia de mistério, que tem diferentes finais. Na época de seu lançamento, em 1985, o público do cinema assistia apenas um deles, enquanto os outros foram disponibilizados no formato físico. Hush: A Morte Ouve Em uma premissa similar a diversos filmes de suspense por aí, Hush: A Morte Ouve, se passa inteiramente dentro de uma casa onde um psicopata perturba uma protagonista prolongando o inevitável confronto final. No caso do filme de Mike Flanagan, a personagem principal, interpretada por Kate Siegel, é uma surda-muda, o que torna o suspense ainda mais aflitivo. Hush: A Morte Ouve também não sai da propriedade da protagonista. Casamento Sangrento Casamento Sangrento é um dos casos que apesar de se encaixar no gênero de terror, gera muito mais risadas do que sustos (apesar de ter uma quantidade considerável de sangue). A comédia de terror com Samara Weaving conta a história de uma noiva que precisa sobreviver a um jogo de esconde-esconde mortal como parte de iniciação para entrar em sua nova família. Casamento Sangrento tem menos de 5 minutos que se passa fora da propriedade.

O Quarto do Pânico

Festim Diabólico

O Quarto do Pânico é um dos exemplos bem tradicionais de filmes de terror em que personagens ficam enclausuradas por causa de uma ameaça. No caso do longa de David Fincher, que traz Jodie Foster e Kristen Stewart, mãe e filha se mudam para uma nova casa que é invadida logo na primeira noite. As duas se trancam em um quarto do pânico, totalmente seguro, mas é exatamente ali que está o que os assaltantes vieram buscar. Com exceção da primeira e da última cena do longa, o filme inteiro se passa dentro da casa.

Festim Diabólico, thriller psicológico de Alfred Hitchcock, é um dos seus filmes mais interessantes e experimentais. O longa é um pseudo plano-sequência, filmado para parecer que não há cortes, e se passa inteiramente dentro do apartamento de dois amigos que querem provar ter cometido o crime perfeito (recebendo convidados para jantar logo após ter assassinado um conhecido). Festim Diabólico só tem seus créditos iniciais olhando para fora da janela, mas mesmo assim é apenas a vista; ele se passa absolutamente inteiro dentro do apartamento. Deus da Carnificina

Mãe! Conhecido por filmes perturbadores, Darren Aronofsky traduziu um sentimento de claustrofobia muito bem com o filme Mãe!, de 2017. No longa, que mistura elementos de mistério, drama e terror, os personagens de Javier Bardem e Jennifer Lawrence vivem em uma paz tranquila dentro de casa até que convidados estranhos começam a aparecer. O filme, que tem diversas intepretações, se passa totalmente dentro de casa.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Adaptação de uma peça francesa, Deus da Carnificina, de 2011, é uma comédia sombria sobre dois casais que buscam a resolução de uma briga entre seus filhos mas entram em conflitos muito maiores, em um encontro que parece não ter fim. No longa, os personagens de Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster e John C. Reilly encontram-se em um apartamento e entre diversas discussões tentam estabelecer um fim à conversa, mas nunca realmente conseguem. O resultado é um filme que se passa totalmente dentro do apartamento, e se aproveita muito bem do absurdo claustrofóbico no qual os personagens se encontram, intensificando o clima cada vez mais.

187


Cinemas nos EUA boicotam Universal por sucesso digital de Trolls 2 Rede AMC não exibirá mais filmes do estúdio Por Henrique Teixeira e Gabriel Kalil – 29/04/2020 A rede norte-americana AMC Theatres não exibirá mais filmes da Universal Pictures, após o anúncio de que o estúdio fará lançamentos simultâneos no cinema e em plataformas digitais. A decisão foi tomada após o sucesso de Trolls 2, que arrecadou US$ 100 milhões em aluguéis digitais e teve performance superior ao primeiro Trolls. A nova política de distribuição foi anunciada pelo CEO da NBCUniversal, Jeff Shell, ao Wall Street Journal: “Quando os cinemas reabrirem, nós esperamos lançar filmes em ambos os formatos”. Em uma carta aberta à presidente da Universal, Donna Langley, o CEO da AMC Theatres, Adam Aron, declarou: “É desapontador para nós, mas o comentário de 188

Jeff e as ações e intenções unilaterais da Universal nos deixaram sem escolha. De hoje em diante, imediatamente, a AMC não vai exibir filmes da Universal em nenhum dos seus cinemas nos Estados Unidos, Europa ou Oriente Médio. Essa política afeta todo e qualquer filme da Universal, passa a valer hoje e quando nossos cinemas reabrirem, e não é uma ameaça vazia ou imprudente” (via Slashfilms). A carta afirma também que a rede de cinemas aplicará a mesma restrição para todos os estúdios que optarem “pelo abandono unilateral da janela de lançamentos corrente”, ou seja, que passar a lançar seus filmes simultaneamente nos cinemas e em plataformas de video on demand. Entre os próximos lançamentos do estúdio estão Velozes & Furiosos 9 e Jurassic World: Dominion. O estúdio respondeu ao boicote da AMC Theatres dizendo que “no futuro, esperamos lançar novos filmes diretamente nos cinemas e também em video on demand quando este modelo de distribuição fizer sentido”. A Universal também apontou que

lançar Trolls 2 em VOD foi a solução encontrada pelo estúdio com a atual situação de quarentena, que fechou diversos estabelecimentos, inclusive salas de cinema. Por causa da quarentena, a AMC Theatres está com sérios problemas financeiros e é provável que declare falência se o isolamento nos Estados Unidos continuar por mais alguns meses (via CBM). Depois da AMC, foi a vez do grupo Cineworld, proprietário do segundo maior circuito de salas de cinema do mundo, a Regal Entertainment, ameaçar a Universal. Em declaração ao Deadline, um porta-voz da companhia disse que existe um acordo comercial entre as salas de cinema e os estúdios, “que vamos deixar claro novamente, não exibindo filmes que falham em respeitar as janelas de lançamento”. A Cineworld chamou a decisão da Universal de lançar Trolls 2 em VOD de “completamente inapropriada” e “desprovida de boas práticas de negócios, como parceria e transparência”.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Parasita Premiado filme de Bong Joon-ho leva a montanha-russa de emoções ao pé da letra Por Gabriel Kalil e Henrique Teixeira – 04/02/2020 Que bela façanha a de Parasita, de cativar o espectador numa narrativa surpreendente sobre... Arquitetura e urbanismo. Ok, há muito mais acontecendo em Parasita, e as tentativas de classificar o filme de Bong Joon-ho tematicamente - para além da opinião de efeito - podem ser frustrantes. Dos trabalhos do cineasta sul-coreano, conhecidos pela transição entre gêneros, este é o que mais intensamente os modula, vai e vem da comédia ao terror, passando pelo drama social, e Parasita faz desse passeio metalinguístico sua própria razão de ser. “Que metafórico”, diz um personagem quando escuta alguma analogia ou um jogo de palavras mais bem sacado. Bong escreve esses diálogos com sarcasmo

como uma forma de se vacinar contra as armadilhas dos filmes que se julgam, pelo engenho, mais inteligentes que seus espectadores. Se Parasita tem se revelado um sucesso de público e crítica, talvez seja muito pela forma como envolve o espectador numa troca que é vertical porém cheia de fair play: as viradas da trama não são antecipadas por pistas falsas ou previsíveis, e o elogio do engenho da contação não vem acompanhado de um pedantismo de “dono da narrativa”. Na verdade, as viradas de roteiro e tom acontecem de formas tão harmônicas, engraçadas e imprevistas que até o próprio Bong parece pego de surpresa pelo jogo anárquico promovido por seus personagens. Ator-símbolo do diretor, Song Kang-ho vive um pai de família pobre, ocupante com a mulher e dois filhos de uma das meia-residências de Seul (os apartamentos que têm quase metade do seu pé-direito abaixo do nível da rua). Eles vivem de gambiarra em gambiarra, e quando um golpe contra ricaços começa a dar certo, a família abraça a chance de ascender socialmente e literalmente sair do buraco.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Chamar Parasita de uma experiência vertical, veja só, pode ser uma metáfora muito oportuna, não só porque deixar-se manipular por Bong é o prazer do filme, mas também porque os próprios espaços e as dinâmicas de personagens respondem a uma lógica de sobe e desce. Cenas como a do início da inundação, quando a família desce a cidade toda até a velha casa, e acompanhamos a escadaria numa tomada à distância, meio casa-de-bonecas, são profundamente dickensianas nas cores melancólicas e na sua função de servir de síntese visual de uma injustiça social. O comentário contra o capitalismo tem se tornado regra no cinema de Bong. Em entrevistas, o cineasta diz que O Expresso do Amanhã era um filme de corredores, enquanto Parasita é um filme de escadarias, e isso diz muito sobre as diferenças entre esses seus dois filmes, especialmente em relação ao desfecho. À parte essa comparação, a declaração de Bong prova que é verdadeiramente proposital a brincadeira que o diretor nos impõe de montanha-russa de gêneros, o sobe e desce de expectativas e surpresas (cada “degrau” pode 189


ser um novo tombo). Que o cineasta abrace tão plena e profundamente esse projeto acaba sendo o fair play definitivo na relação de provocações com o espectador. Se a imagem da escadaria é a síntese de Parasita no que tange a brincadeira de tons e gêneros, a visão de mundo de Bong Joon-ho é representada pelas aberturas de luz: frestas de portas, janelas, focos de lâmpadas. Fala-se muito no filme sobre o arquiteto que construiu a casa dos ricaços, e sua realização maior não seria outra senão o grande janelão que dá para o jardim e convida o mundo, a luz, a entrar na sala de estar. A anarquia de Parasita está nesse convite, porque mesmo o espaço de exclusão social mais revoltante (temos aqui uma história de doppelgängers até bem próxima do Nós de Jordan Peele então é esperado que o filme recorra à dicotomia mundo da superfície vs mundo do subterrâneo em vários momentos) se transforma pelo uso que fazemos dele.

movimentos erráticos do monstro e na correria de gente pelas galerias de água e pra cima e pra baixo de Seul). Talvez Parasita seja mesmo, afinal, um filme sobre arquitetura -

de espaços, de relatos. “Trace um plano e o mundo fará dar errado”, diz o protagonista, e um texto que começou na minha cabeça sem saber como terminaria só poderia mesmo dar a volta, tonto, até seu ponto de partida.

Parasita volta a lembrar Charles Dickens no humanismo, ou pelo menos um conto de Natal dickensiano, porque não faltam aqui os presentes, a neve que cai devagar. A esses fachos de esperança, que podem lembrar Dickens porque têm uma inocência de relato “antigo”, não-irônico, Bong junta o oposto, o futurismo inconsequente, o relato apocalíptico (um conflito nuclear com a Coreia do Norte seria a virada final a nivelar todos os personagens), a melancolia do fim das coisas boas e ruins, que voltam a aproximar Parasita de O Expresso do Amanhã e também do seu O Hospedeiro (que no caso aqui seria tanto horizontal quanto vertical, pelo menos nos 190

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

191


super.abril.com.br

O inimigo pode ser mas é muito

Lave as mãos, 192

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


revistagalileuglobo.com

invisível... real.

salve vidas. Para mais informações, visite: coronavirus.saude.gov.br

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

193


Conheça a história da Bar Jacket, uma das peças mais importantes da moda

MODA

194

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


O processo de confecção artesanal da bar jacket da Dior

www.revistamarieclaire.com

Assim como a bolsa Lady Dior, a Bar Jacket da Dior é um dos ícones que faz história há 73 anos. Apresentada pela primeira vez em fevereiro de 1947, a jaqueta estruturada faz parte do New Look que revolucionou a moda Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

195


www.revistamarieclaire.com

Gabriela Rost Fonte: revistamarieclaire.com Em 24/02/2020 Reinventar um ícone e talvez seja uma das tarefas mais desafiadoras que todos os estilis-tas que “herdam” a marca gênio da moda podem ter. Reinventar um ícone que escreveu as primeiras páginas da história da moda contemporânea é um desafio destinado a ser enfrentado apenas por um alguém capaz de igualar, evoluir, sem ofuscar seu precursor. Hoje essa herança é de Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da DIor, 73 anos após a estreia da Bar Jacket. Era 12 de fevereiro de 1947, quando um jovem Christian Dior apresentou sua primeira coleção de Alta Costura, chamada New Look, em uma Paris que há muito esperava uma revolução na moda após o fim da Segunda Guerra Mundial. Uma ode à precisão e construção da alta-costura, a peça segue e dá destaque ao corpo feminino, com uma cintura cônica, ombros macios e estruturados, um decote que per-mite que finalizasse um trabalho de simetria e corte de alfaiataria impecáveis. Filha de uma rotina lúdica vivida entre taças de champanhe e bistrôs em Paris, a história da ja-queta é a crônica virtuosa do nascimento da elegância e do estilo francês. Hoke a Bar Jacket em 2020, que comemora o marco de 73 anos dessa história, chega às mãos de Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da casa desde 2016, chega nas mãos dos artesãos que, com as pontas dos dedos, a tecem cuidadosamente a cada milímetro nos ateliês de couture da marca na Avenue Montaigne, em Paris. 196

A bar jacket da Dior completa 73 anos com Christian Dior

Feminina e feminista, ousada e austera, arquitetônica e, ao mesmo tempo, atemporal a Bar Jacket em 2020, reflete os pilares da moda engajada de Maria Grazia Chiuri, que a coroa como protagonista de sua coleção permanente de clássicos, batizada de 30 Mon-taigne. Estampada, em denim ou bordada, a jaqueta já ganhou diversas interpretações ao longo das coleções da estilista uma delas é o visual completamente novo com um padrão de camuflagem para a coleção de Resort 2020. a Bar Jacket continua demonstrando a herança de Monsieur Dior. O seu design exclusi-vo é uma verdadeira proeza técnica

de uma sequência meticulosa, começando pelo seu desenho, depois corte e montagem, que leva pelo menos 150 horas de trabalho. Mesmo após 73 anos, ela continua sendo um dos símbolos do visual atemporal da Dior e, ao mesmo tempo, oferece um toque novo em qualquer coleção. Em sua forma mais pura, encontrará na coleção permanente “30 Montaigne”, ou em jeans, como a versão outono-inverno 2019-2020. A Bar Jacket, que reflete o estilo moderno de um visionário como Christian Dior, existe há gerações e hoje reafirma seu status como um ícone imortal.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Modelo Ashley Graham cria coleção de vestidos de noiva com grade de tamanho ampla A linha que foi desenvolvida com a marca Pronovias, tem como objetivo alcançar noivas com diversos tamanhos de cintura que pretendem comprar vestidos prontos

Depois de lançar linhas inclusivas de biquínis e de lingeries, Ashley Graham decidiu atuar no mercado de noivas. Em parceria com a loja Pronovias, a modelo, empresária e ativista criou uma coleção de vestidos de noivas para diferentes tipos de corpos. Ao todo, são 15 modelos, incluindo opções rendadas e tomara-que-caia, e um terno, que é o favorito para Ashley. A grade começa no 34 e vai além do 64. A ideia surgiu a partir da própria experiência da modelo quando estava procurando por um vestido para o seu casamento com Justin Ervin, em 2010. Ela teve apenas dois meses para planejar a cerimônia, então sua única opção era comprar uma peça pronta. Ela não encontrou um vestido do seu tamanho, acabou escolhendo um menor e teve que costurar um tecido na parte de trás da peça.

“Eu realmente não consegui a opção que eu queria porque não tinha tempo nem luxo por causa do meu tamanho. E para ser completamente honesta: por causa do meu budget”, contou ao “WWD”. O preço também foi um ponto importante para Ashley: os vestidos terão preços entre $1.000 e $3.500. A campanha não conta apenas com modelos curvilíneas, mas com mulheres de diferentes tamanhos e raças. “Minha missão é inclusividade e diversidade sempre”, disse Ash-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

ley. “Para mim, é importante contar a minha história. Ao contá-la, espero que outras mulheres tenham coragem de contar a sua.” Ashley pensou em todos os detalhes dos vestidos – até mesmo mesmo na estrutura interna. Os modelos vêm com um shapewear e um sutiã embutido, para que noiva não precisa pensar nessas duas peças extras. www.vogue.globo.com

Gabriela Rost Fonte: vogue.globo.com Em 06/09/2020

197


Drik Barbosa e Lab Fatasma reforçam a liberdade da mulher

198

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


www.revistamarieclaire.com

Cantora Drik Barbosa assina coleção que reforça a liberdade da mulher com LAB Fantasma A cantora, compositora e rapper inclui mais um talento na lista ao lançar cinco peças da coleção “Drik Barbosa by LAB Fantasma” em que celebra o mês internacional da mulher e traz as mensagens positivas e músicas do novo álbum

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

199


www.revistamarieclaire.com

Gabriela Rost Fonte: revistamarieclaire.com Em 12/03/2020 A paulistana lança sua primeira coleção-cápsula que reforça a liberdade da mulher pelo hub de entretenimento LAB Fantasma, dos irmãos e artistas Emicida e Fióti. O lança-mento celebra o mês internacional da mulher, março, e traz as mensagens das músicas do álbum Drik Barbosa, lançado em outubro de 2019, para as cinco peças da coleção “Drik Barbosa by LAB Fantasma”. Em entrevista à Marie Claire, a artista afirma que a ideia é fortalecer a diversidade e liberdade das mulheres e se desprender de padrões, especialmente a mulher negra. Drik também acredita que por meio da moda ela pode mostrar sua identidade. Confira a conversa: MARIE CLAIRE: De onde veio a ideia inicial da coleção? DRIK BARBOSA: A moda também é um tipo de expressão. Falando de hip hop, a rou-pa fala muito também sobre o que a gente acredita culturalmente, por isso trazer para a moda o que eu acredito é outra maneira de mostrar a minha identidade. A LAB me chamou para esse desenvolvimento pois sempre quiseram uma coleção dedicada ao pú-blico feminino. Desenvolver essa coleção foi, então, uma grande realização. MC: Muitas mulheres do rap já esconderam ou escondem seus corpos com roupas que, às vezes, não as representam, por causa do machismo. Como é sua relação com o figurino dos palcos? 200

Coleção se destaca pela representatividade da mulher

DB: Eu passei por isso de me masculinizar na forma de me vestir por causa do que foi colocado na minha cabeça sobre se eu usar uma roupa mais marcada, ou mais apertada, era para chamar atenção dos homens. Esta é a maneira como mentes machistas pensa-vam e ainda pensam. Para me libertar disso, demorou um tempo. Foi conversando com outras mulheres, entendendo a minha autoestima e meu poder de escolha, que consegui me libertar disso. E foi pri-

mordial para eu me sentir confiante no palco e mais segura de quem eu sou e do que eu quero mostrar para as pessoas através da minha roupa. Toda vez que subo no palco maquiada, com o cabelo diferente e da forma que eu gosto, sem-pre digo que é uma forma de protesto contra essas barreiras colocadas para nós mulhe-res. Principalmente mulheres negras. MC: Esta foi à ideia que quis trazer para a coleção?

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Qual o conceito dela? DB: Hoje eu enxergo a moda como um tipo de expressão cultural, mas é muito louco isso porque passei a entender isso há poucos anos, já que isso não é algo que eu cresci acompanhando. Até por ser mulher negra, tem muitas opressões que a gente sabe que existem, principalmente ligada à estética e ao nosso corpo, então passei muito tempo me preocupando mais em não cair nos estereótipos, do que em como eu ia me expressar através de roupa e cabelo, Quando eu entendi isso houve uma libertação. Agora entendi o quanto é importante para mim como pessoa e artista que a minha roupa expressa as coisas, e tivemos isso em mente para a criação da coleção. Pensamos na cultura negra, em como as mulheres negras em sua diversidade podem se sentir confortável e à vontade utilizan-

do as peças que trazem identidade e cultura negra.

que eu acho que veio por meio da nossa comunicação.

MC: Você já tem envolvimento com moda? DB: Não diretamente. Sempre gostei de moda e ajudo a equipe na produção dos looks para dar a minha visão de como me expressar no palco. É muito simbólico e representa-tivo estar com a LAB porque eu já os acompanho desde o começo, desde as primeiras camisetas.

MC: Como você descreveria a coleção? DB: É uma coleção feminina, mas democrática. O camisetão pode ser utilizado por ho-mens, por exemplo. Trouxemos elementos dos anos 90 como um saudosismo dessa década, que foi muito importante para a moda streetwear.

MC. Como você se envolveu na criação da coleção? DB. Foi tudo muito tranquilo. Eu e a equipe da LAB sentamos e escolhemos a mensa-gem que queríamos transmitir nas peças, como abranger a ideia do disco. Desenvolve-mos peças atemporais, mas que representam coisas que eu acho importante. Houve uma sintonia grande na criação,

MC: A coleção traz algumas frases nas peças. Como foi a escolha delas? DB: Essas frases foram escolhidas porque estão no álbum ‘Drik Barbosa’, e representam exatamente o que eu quero que as pessoas sintam ao usar essas peças. No cropped está escrito “Quem Tem Joga”, e atrás “Com esse cabelo, com essa cor e com essa roupa meu amor”. Essa fra www.revistamarieclaire.com

A moda traz como objetivo unir as mulheres

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

201


se é muito especial e direta sobre autoestima, amor próprio, ser feliz da maneira como você é, e quero muito que as pessoas levem isso adiante utilizando as roupas, e se sintam felizes e lindas. A camiseta-vestido traz a frase da música “Grave”, que é “Me Respeita”, e já fala por si: exige respeito, pois é um direto nosso. E “Pretas Ricas, Pretas Vivas”, é especial para que mulheres negras se sintam representadas. É uma forma de manifesto a vidas negras, e a nossa autoestima que foi roubada, mas que a gente vem conquistando novamente cada vez mais, também das oportunidades que foram tiradas de nós, inclusive de ganhar dinheiro. Essa peça traz esse protesto e a potência que a mulher negra é e tem para oferecer para o mundo. MC: Escolher modelos diversas para a campanha já era uma ideia antes mesmo das peças

surgirem? DB: Sim, desde o primeiro momento eu já tinha certo que queria essa diversidade, in-clusive de tons de pele de mulheres negras, e diversas formas de cabelo, porque eu acre-dito muito que a mulher preta é livre para usar a roupa e o cabelo que ela quiser, e ser o que e como quiser ser. Esta é a mensagem que acredito, que o meu trabalho passa, e é a mensagem que eu quero propagar. MC: As peças são adaptáveis para todos os corpos, também foi uma decisão inicial? Qual a importância disso? DB: Foi pensado desde o início também, justamente porque não concordamos com este padrão único de corpo, que é fora da realidade e cruel. Quero que as mulheres se sintam confortáveis utilizando as peças. Mulheres de seios grandes e pequenos, quadris largos e finos, cinturas finas ou grossas, enfim, independen-

te do corpo, quero que todas consi-gam utilizar de maneira confortável. O top, cropped e o biker shorts estão disponíveis do PP ao XG, e a camiseta-vestido do PP ao 5G. Este é o início da parceria, é o primeiro passo voltado para o feminino, e o objetivo é incluirmos cada vez mais tamanhos que incluem todos os corpos. MC: O que você sente ao ver sua primeira coleção finalizada? DB: Sinto-me muito feliz e realizada com o resultado. As peças são versáteis, que consi-deram diferentes corpos, como tamanhos de seios e quadris. É uma coleção feita para as pessoas se sentirem à vontade de usar. Este é o primeiro passo pensando em moda pra mim, e estou muito feliz. Semana de moda de Milão: Gucci homenageia seus profissionais em desfile www.revistamarieclaire.com

Cantora Drik traz em suas múúsicas e sua coleção a liberdade feminina

202

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


FACHA

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

203


so iso é ci la du im al me nt pa ra po o nd nt rta e n em a te ia

O

Faça exercícios físicos regularmente

204

Arte sobre cartaz da www.tempolivre.pt

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


OLIMPÍADAS

Bach admite cancelamento de Olimpíadas caso pandemia não seja controlada até 2021 Presidente do Comitê Olímpico Internacional considera quarentena para atletas, mas evita condicionar realização dos Jogos de Tóquio a descoberta de vacina para a Covid-19 Imagem: www.atribunamt.com.br

Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, em entrevista no dia 24 de março de 2020, onde comunicou o adiamento das Olimpíadas para julho de 2021; é a primeira vez que isso ocorre na história.

Vicente Arantes e Liandra Curopos Fonte: www.globoesporte.globo. com Em 21/05/20 Presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach admitiu pela primeira vez que as Olimpíadas vão ter de ser canceladas caso a pandemia do novo coronavírus não esteja controlada até ano que vem. Em entrevista à “BBC” nesta quarta-feira, o alemão descartou adiar novamente os Jogos de Tóquio. Bach afirmou que o primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, não tem plano B para

a realização das Olimpíadas, programadas para 23 de julho a 8 de agosto de 2021. - É a última opção. Francamente, entendo isso porque você não pode empregar para sempre 3.000 ou 5.000 pessoas em um comitê organizador. Você não pode mudar todos os anos todo o calendário esportivo mundial de todas as principais federações. Você não pode ter os atletas em incerteza. Você não pode ter tanta sobreposição com os futuros Jogos Olímpicos, por isso entendo essa abordagem de nossos parceiros japoneses - disse Bach. Apesar de admitir um possível

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

cancelamento dos Jogos, Bach reforçou o compromisso do COI em realizar as Olimpíadas em julho de 2021. Compromisso reforçado pelo CEO do Comitê Organizador de Tóquio, Toshiro Muto, em entrevista coletiva nesta quinta-feira. Quarentena para atletas? Perguntado se estava confiante na realização dos Jogos de Tóquio em 2021, Thomas Bach afirmou que o COI está preparado para diferentes cenários. O alemão considerou até colocar em quarentena todos os envolvidos nas Olimpíadas, inclusive os 11 mil atletas. - Ao mesmo tempo, olhando os 205


cenários que isso pode exigir para a organização, no que diz respeito às medidas de saúde, elas talvez precisem de quarentena para os atletas, para parte dos atletas, para outros participantes. O que isso pode significar para a vida em uma Vila Olímpica e assim por diante? Todos esses cenários diferentes estão sendo considerados, e é por isso que estou dizendo que é uma tarefa gigantesca, porque há tantas opções diferentes que não é fácil resolvê-las agora. Quando tivermos uma visão clara de como será o mundo em 23 de julho de 2021, tomaremos as decisões apropriadas. Não existe um plano para isso, por isso precisamos reinventar a roda dia após dia. É muito desafiador e ao mesmo tempo fascinante - disse Bach. Portões fechados nos Jogos? Entre as opções cogitadas pelo Comitê Olímpico Internacional, está a de realizar os Jogos com portões fechados, sem a presença

de torcedores. Thomas Bach, porém, trata a hipótese apenas como especulação no momento. O Comitê Organizador acredita ser precoce discutir Olimpíadas sem torcedores. - Há pessoas no Japão que acreditam que os Jogos precisam ser realizados com portas fechadas. No nosso ponto de vista, temos mais de um ano até os Jogos. É muito cedo para ter essa discussão - disse o CEO Toshiro Muto. Vacina é essencial? Thomas Bach também evitou condicionar a realização dos Jogos a uma descoberta de vacina do novo coronavírus. - Estamos contando com os conselhos da Organização Mundial da Saúde. Estabelecemos um princípio: organizar esses Jogos em um ambiente seguro para todos os participantes. Ninguém sabe como será o mundo em um ano, em dois meses. Portanto, temos que confiar nos especialistas e, em seguida, tomar a decisão apropria-

da no momento apropriado, com base nos conselhos da OMS. Na última semana, o COI lançou um fundo de US$ 800 milhões (mais de R$ 4,7 bilhões) para cobrir o impacto financeiro da pandemia, especialmente pelo adiamento das Olimpíadas. Especialistas estimam que o custo por adiar os Jogos seja de cerca de US$ 3 bilhões (quase R$ 18 bilhões). Por isso, a palavra de ordem é cortar custos. Os japoneses indicaram que podem diminuir o revezamento da tocha e até cortar a cerimônia de encerramento das Olimpíadas e a abertura das Paralimpíadas para economizar dinheiro. - Se todos nós aprendemos alguma coisa durante esta crise, é olhar para o essencial e não tanto para as coisas boas de ter. Portanto, essa concentração no essencial deve ser refletida na organização desses Jogos... Não deve haver tabu – finalizou Thomas Bach. Imagem: www .ep01.epimg.net Imagem: Imagem: www.ep01.epimg.net www.ep01.epimg.net

Estádio Olímpico de Tóquio, inaugurado no fim de 2019, que será utilizado nas próximas Olimpíadas.

206

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Brasileiro receberá medalha olímpica com 20 anos de atraso Cláudio Roberto Sousa correu eliminatórias nas Olimpíadas de Sydney 2000 no 4x100m do atletismo, mas jamais recebeu a distinção; decisão do COI veio após pedido do COB Imagem: www.f.i.uol.com.br

Cláudio Souza com réplica da medalha de prata recebida em 2016 de ex-atletistas

Vicente Arantes e Liandra Curopos Fonte: www.globoesporte.globo.com Em 17/05/2020 Na noite de 30 de setembro, ele se acomodou entre atletas e treinadores e encarou a pista do estádio. Repassou as trocas de bastão, ponto forte da equipe nacional, e fez uma rápida releitura dos principais adversários. Estava seguro: o revezamento 4x100m brasileiro provaria seu valor no esporte do país. Cláudio Roberto Sousa, então com 27 anos, não estava escalado para correr naquela noite, mas observava e assimilava tudo da arquibancada. Como reserva do time nacional, havia disputado a eliminatória da prova no dia anterior. Naqueles minutos antes do tiro de largada, sua função era transmitir, da arquibancada, boas energias aos titulares Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino. Pontualmente às 20h05, no horário local, o árbitro deu a partida. Vicente largou com força, entregou o bastão entre os primeiros colocados a Edson, que acelerou na reta e, depois de 100m, passou o artefato a André, que irrompeu na segunda curva até chegar a Claudinei, que pegou o bastão em terceiro e imprimiu uma aceleração incrível até cruzar a linha de chegada. Rapidamente, os olhares de Cláudio se dirigiram ao telão do estádio.

Segundos de apreensão se passaram lentamente, como se fossem horas, até a confirmação. O Brasil, com o tempo de 37s90, era medalha de prata nas Olimpíadas de Sydney, atrás dos Estados Unidos (37s61) e logo à frente de Cuba (38s04). O Brasil de Vicente, de Edson, de André, de Claudinei. E de Cláudio. Mesmo sendo reserva e tendo corrido apenas a eliminatória da prova, Cláudio teria direito à medalha. Só não foi ao pódio naquele momento porque o protocolo restringe a cerimônia aos quatro atletas que correm a final. Naquela noite de 30 de setembro de 2000, um sábado, penúltimo dia das Olimpíadas, o quarteto titular brasileiro foi premiado, e a Cláudio foi dada a promessa de que sua medalha seria entregue mais tarde. E exatos 7.158 dias depois, Cláudio enfim soube que receberia sua medalha, após uma história incrível de falhas, reviravoltas e um final feliz com jeito de filme. Para entender o desenrolar deste enredo, é preciso voltar à noite de 30 de setembro de 2000. Quando o quarteto brasileiro subiu ao pódio para receber as medalhas, Cláudio foi informado de que receberia sua medalha “nos bastidores”, porém como a equipe partiria de volta à solo nacional no dia seguinte, autoridades da delegação lhe informaram de que a medalha seria enviada a ele já no Brasil. O velocista chegou ao país, participou de festejos em carro aberto e solenidades, ganhou reconhecimento. Foi incluído em um programa da Caixa Econômica Federal, empresa que patrocina o atletismo brasileiro, chamado “Heróis Olímpicos”. Seu nome passou, inclusive, a constar na relação de medalhistas nos sites oficiais do COI (Comitê Olímpico Internacional) e do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Apesar de tudo parecer correto, a medalha nunca foi entregue em suas mãos. Após meses da volta das Olimpíadas e sem receber informações, Cláudio procurou o COB, à época presidido por Carlos Arthur Nuzman. A resposta foi que a medalha não havia sido pega em Sydney e que havia indagado o COI, que por sua vez teria afirmado que a

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

207


responsabilidade de prover as medalhas era do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Sydney. De perfil discreto e recatado, pouco afeito a disputas, o velocista aceitou a guerra de versões e esperou pela medalha, que nunca veio. A vida seguiu e, ainda entre os melhores corredores do país, ele fez parte dos revezamentos 4x100m medalhista de prata no Mundial de Paris e de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, ambos em 2003. - Eu assisti àquela prova em Sydney do lado de fora, né? Eu tenho orgulho daquele time ter ganhado a medalha. E eu fiz parte daquele time. Eu corri naquele time - afirmou Cláudio, quase 20 anos depois. - Por que não subir todos ao pódio, inclusive os reservas? É assim no futebol, no basquete, no vôlei. Todo mundo sobe ao pódio e recebe sua medalha. Eu fiquei imaginando que a minha medalha iria vir com eles. Mas isso não aconteceu - complementou. Naquele Pan de 2003, já quase três anos depois das Olimpíadas

de Sydney, um dirigente do COB aproximou-se e entregou a Cláudio um broche destinado aos medalhistas olímpicos. Disse que era uma maneira de o COI reparar a injustiça. O velocista aceitou o prêmio com resignação. Quando era chamado para palestras, geralmente levava o pin olímpico e medalhas de outros campeonatos que disputou para mostrar no lugar da olímpica que não tinha. Cláudio ainda disputou os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, e se aposentou das pistas quatro anos depois, em 2008. Com o fim da carreira, Cláudio foi aos poucos abandonando a ideia de que se tornaria um medalhista olímpico de fato. Manteve o assunto restrito à família e poucos amigos com os quais tinha conexão no atletismo. A primeira reviravolta ocorreu em 2016. Comovidos com a injustiça, André Domingos e Arnaldo Oliveira (medalhistas de bronze no revezamento 4x100m nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996) produziram e deram ao piauiense uma réplica da medalha de prata

de Sydney, com o aval da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo). Na cerimônia em São Paulo na qual recebeu a láurea, Cláudio afirmou que estava “vivendo um sonho”. Radicado na cidade paulista de Jaú, onde trabalhava com um projeto social, o ex-velocista disse que, com aquela lembrança, ficava “tão feliz” que nem sabia o que falar. A segunda reviravolta veio três anos mais tarde, no final de 2019. O vice-presidente da atual gestão do COB, Marco Antônio La Porta, soube da história ao se encontrar com Cláudio em um evento em Teresina - para onde o medalhista se mudou em 2018. Ele levou o tema ao diretor de esporte do comitê olímpico, Jorge Bichara, que tomou a decisão de ressuscitar a história. O COB então entrou em contato com o COI para checar a possibilidade de se reavaliar o caso. Por quatro meses, os dois comitês trocaram ofícios e promoveram reuniões. Até que em 6 de maio deste ano, ou 7.158 dias depois do braImagem: www.conteudo.imguol.com.br

208

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


sileiro adquirir o direito de botar no peito uma medalha olímpica de prata, o COI comunicou o COB de que encaminhará a honraria até o fim do verão europeu - entre agosto e setembro, junto à um diploma de medalhista olímpico. - Aceitamos, portanto, seu pedido por uma nova medalha para o sr. Souza e, para este efeito, nós instruímos o Museu Olímpico a iniciar o processo de confecção da medalha. Devido à situação excepcional que envolve a Covid-19, nós só seremos capazes de enviar a medalha, o diploma de medalhista e o broche ao final do verão de 2020 e contamos com sua compreensão a respeito - disse o COI em ofício ao qual o GloboEsporte.com teve acesso. O Museu Olímpico do COI pode proceder de duas formas: fabricar medalhas novas a partir de moldes de Olimpíadas passadas ou então conceder alguma das que deixa em estoque. No caso de Cláudio, o mais provável é que seja enviada uma guardada. - Dentro do mundo olímpico, essa comunicação do Comitê Olímpico Internacional representa muito. Representa a certeza de que essa medalha vai ser entregue, que essa falha vai ser corrigida, que a justiça vai ser feita. E essa medalha que nunca chegou ao Brasil vai poder ser entregue – disse Bichara. Imagem: www.s2.glbimg.com

Cláudio Souza após uma corrida.

Imagem: www.4.bp.blogspot.com

Agora medalhista olímpico, Cláudio participou de vários eventos durante os últimos anos.

Aos 46 anos, Cláudio foi comunicado de que receberá sua honraria: - Eu só tenho a agradecer. Todo mundo fala que eu sou passivo em relação a isso, mas graças a Deus essa passividade faz com que pessoas falem por mim. A única condição imposta pelo COI é a de que a réplica dada ao piauiense em 2016 seja remetida à sede da entidade, na Suíça, para que não haja duplicidade. - O COI analisou o caso, aceitou os argumentos do COB, esclareceu algumas dúvidas e teve sensibilidade e senso de justiça para entender que uma falha precisava ser reparada. Foram atenciosos ao assunto e decidiram pela melhor solução para o atleta. Essa medalha vai fechar um capítulo bonito de nossa história olímpica que, de certa forma, estava incompleto - concluiu Bichara. Curiosamente, em um ano em que a Covid-19 paralisou o esporte e causou o adiamento das Olimpíadas de Tóquio, é bem provável que a única medalha a ser concedida pelo COI seja a de Cláudio, medalhista por direito. E, finalmente, de fato. - São vinte anos à espera dessa carta. Eu nunca deixei aparente [minha frustração], mas lá no meu íntimo eu sabia que isso poderia acontecer – afirmou o, a partir de então, medalhista olímpico.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

209


As cinco maiores hegemonias das Olimpíadas na atualidade Vamos listar as culturas supremas do nosso presente; aquelas provas olímpicas em que, só de bater o olho, já pensamos num vencedor, e só um dia muito perfeito do adversário – ou um péssimo dia para os favoritos – para que isso não ocorra. Vicente Arantes e Liandra Curopos Fonte: www.surtoolímpico.com.br Em: 23/05/20

Imagem: www.olimpiadatododia.com.br

Traremos cinco das maiores hegemonias da atualidade nos Jogos Olimpícos, e lembrando: nosso conceito de “hegemonia” considera uma larga sequência de ouros conquistados por um país em uma prova específica nas Olimpíadas, incluindo dobradinhas, ouros consecutivos, e uma história com muita tradição em diferentes continentes.

1 - China - Saltos ornamentais - 3m feminino (1988)

Imagem: www.conteudo.imguol.com.br

Os saltos ornamentais fazem parte do programa olímpico desde 1904, mas a China só fez sua primeiro aparição nos jogos em 1984. Até a época, os Estados Unidos dominavam as provas da modalidade. A China roubou a supremacia ianque e a prova de trampolim 3 metros feminina é a que mais evidencia o domínio asiático no esporte. O país conquistou todas medalhas de ouro desde Seul-1988. Até o Rio, em 2016, foram oito títulos olímpicos em sequência, e com dobradinha em sete, só não havendo em Barcelona-1992. A atual campeã é Shi Tingmao; He Zi foi prata em 2012 e em 2016. Gao Min (1988 e 1992), Fu Mingxia (1996 e 2000) e Guo Jingjing (2004 e 2008) foram bicampeãs. Wu Minxia é, talvez, o maior nome chinês dos saltos. Ela foi prata em 2004, bronze em 2008 e ouro em 2012 no individual. No sincronizado dos 3m, ela é atual tetracampeã. Abrindo o leque e analisando todas as provas do saltos desde 1984, podemos observar os grandes feitos da China. Foram disputadas 56 provas, sejam masculinas ou femininas, de 3m ou de 10m, sincronizadas ou individuais. Destas, a China só não subiu no pódio nos 3m individual feminino de Los Angeles-1984 e nos 3m sincronizado masculino de Atenas-2004 (40-19-10).

Wu Minxia, atleta dos saltos ornamentais chineses.

210

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


2 - Coreia do Sul - Tiro com arco - equipes femininas (1988) Mais um asiático na nossa lista. A Coreia do Sul venceu todas as disputas da prova por equipes feminina do tiro com arco da história das Olimpíadas. A prova fez sua estreia nas Olimpíadas na própria Coreia, em Seul-1988, e de lá pra cá foram oito Olimpíadas e oito ouros das coreanas. Em média, as provas por equipes possuem 12 países na disputa. As atuais campeãs são Chang Hye-jin, Choi Mi-sun e Kim Bo-bae, com destaque para a última, que também esteve presente no ouro de Londres-2012. A grande estrela sul-coreana, porém, foi Kim Soo-nyung, que foi três vezes campeã: em 1988, 1992 e 2000. A China foi a maior “freguesa” da Coreia, sendo vice em quatro das oito conquistas. Além da disputa coletiva, é possível escancarar a poderosa cultura sul-coreana do tiro com arco na prova individual. As mulheres conquistaram 8 ouros entre 1984 e 2016, só perdendo em 2008, quando a chinesa Zhang Juanjuan foi ouro, deixando a Coreia com prata e bronze. Atualmente, o torneio individual é composto por 64 arqueiras.

Imagem: www.abrilveja.files.wordpress.com

Kim Woojin, atleta da Coreia do Sul.

3 - Quênia - Atletismo - 3.000m com obstáculos (1984)

Imagem: www. conteudo.imguol.com.br

Asbel Kiprop, corredor queniano.

O Quênia possui uma forte cultura nas provas de meio-fundo e de fundo do atletismo e a disputa masculina dos 3.000 metros com obstáculos, em específico, vê um tabu enorme sem derrotas do país africano. O Quênia conquista a medalha de ouro na prova desde Los Angeles-1984. Foram nove disputas até a Rio2016 e nove títulos olímpicos. A sequência de ouros consecutivos poderia ter sido ainda maior, uma vez que Amos Biwott e Kipchoge Keino foram campeões, em 1968 e 1972, respectivamente, mas o Quênia boicotou às Olimpíadas de 1976 (após o rugby neo zelandês jogar na África do Sul, no apartheid) e de 1980 (boicote ocidental), não podendo defender suas conquistas. O atual campeão olímpico é Conselus Kipruto. De 1988 até 2012, houve dobradinha em todas as edições, seja de prata ou de bronze. A sequência de dobradinhas foi quebrada na Rio-2016, após Ezekiel Kimboi, que foi o terceiro colocado, ter sido desclassificado ao final da prova. Kimboi, é, aliás, o único queniano a ser ouro duas vezes na prova (2004 e 2012).

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

211


4- China - Tênis de mesa - individual feminino (1988)

Imagem: www.olimpiadatododia.com.br

Muito provavelmente você, fã das Olimpíadas, pensou no tênis de mesa chinês ao ler o título desta matéria. E ele, de fato, não poderia faltar nessa lista. O esporte passou a ser incluído no programa olímpico somente em 1988, uma Olimpíada após a China fazer sua primeira aparição. Hoje, a China é praticamente imbatível em qualquer prova de disputa do tênis de mesa, mas a hegemonia do feminino é a mais duradoura e merece ser exalta- Fan Zhendong, atleta chinês de ténis de mesa de da. Na disputa individual, o país subiu no lugar mais apenas 23 anos. alto do pódio nas oito Olimpíadas desde 1988. E detalhe: com dobradinha em todas as edições! O grande nome chinês é Zhang Yining, bicampeã em Atenas-2004 e Pequim-2008. Na Rio-2016, Ding Ning foi ouro, com Li Xiaoxia sendo prata. Ambas também estiveram na campanha do título por equipes, da qual o país é atual tricampeão. Mais um adendo: a única vez em que a China não foi ouro em uma disputa feminina foi no torneio de duplas de Seul-1988, quando ficou com a prata. Na história, são 16 competições e 15 ouros.

5 - Estados Unidos - Natação - 4x100m medley masculino (1984) No geral, os Estados Unidos são muito fortes na natação, o segundo esporte que mais dá medalha nos Jogos Olímpicos. O revezamento 4x100m medley masculino pode ser utilizado como o melhor exemplo do domínio norte-americano no esporte aquático. Os Estados Unidos possuem um aproveitamento absoluto na prova, acumulando 15 ouros em 15 participações olímpicas. No programa desde 1960, o revezamento só não viu os norte-americanos no lugar mais alto do pódio nos Jogos de Moscou-1980. E sabe por quê? Porque os Estados Unidos não participaram daquela edição, liderando o boicote dos países ocidentais à União Soviética. A Austrália, sob bandeira neutra, venceu a prova na ocasião. Foram cinco conquistas de 1960 até 1976. A maior sequência na prova é de “apenas” nove ouros consecutivos, de 1984 até 2016. Detalhe: o recorde mundial foi batido em todas as edições de 1960 até 2008. Em 2016, houve ainda a quebra do recorde olímpico, com 3m27s95. Michael Phelps é o maior nome da equipe americana, presente nos quatro últimos títulos da equipe. Na Rio-2016, o maior medalhista olímpico da história encerrou sua brilhante trajetória com chave de ouro, literalmente, uma vez que o 4x100m medley tradicionalmente é a última prova da natação a ser disputada nas Olimpíadas. Com ajuda de Phelps, o revezamento norte-americano dos 4x200m livre também conseguiu construir uma sequência de ouros consecutivas desde Atenas-2004, assim como os 200m medley (individual), em que a lenda conquistou o ouro nas quatro últimas edições olímpicas. As provas individuais de costas - estas sem Phelps - também são ótimas para os EUA: sequências de seis ouros nos 100m e nos 200m e invencibilidade desde 1996. 212

Imagem: www.upload.wikimedia.org

Michael Phelps, maior medalhista da história das Olimpíadas.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Os dez maiores esquadrões da história das Olimpíadas

imagem: www.tokyo2020.org.com

Arcos Olímpicoss em Tóquio

Dream Team do basquete masculino, seleção brasileira de vôlei em 2004, equipe feminina dos EUA no futebol em 2004 e a Índia no hóquei na grama são os principais destaques Liandra Curopos e Vicente Arantes Fonte: www.globoesporte.globo.com Em: 04/05/2020 • Dream Team - 1996

• As Mulheres do Caribe

Uma unanimidade. Assim era o time de basquete dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, o primeiro com a presença dos craques da NBA. Michael Jonhson, Larry Bird e Magic Jonhson eram os grandes nomes daquele time. Também tinha Karl Malone, Scottie Pippen, Charles Barkley e John Stockton. David Robinson, Patrick Ewing, Clyde Drexler, Christian Laettner e Chris Mullin completavam o elenco. Os americanos venceram os oito jogos, sempre anotando mais de cem pontos, inclusive contra o Brasil, ainda na primeira fase, 127 a 83. A decisão foi contra a Croácia, 117 a 85.

A seleção feminina de Cuba dominou o vôlei mundial na década de 1990, com direito ao tricampeonato olímpico em 1992/96/2000. A base foi a mesma nas três edições, mas há um consenso que o melhor momento delas foi nos Jogos de Atleta 1996, quando venceram as brasileiras na semifinal por 3 a 2, considerado um dos maiores jogos da história da modalidade. Mireya Ruíz, Regla Bell e Regla Torres eram os destaques daquela seleção de 1996, que também contava com Lilia Izquierdo e Idalmis Gato.

imagem: www.pinterest.com

imagem: www.globoesporte.globo.com

Seleção americana de 1992, conhecida como Dream Team

Confusão entre jogadoras do Brasil e Cuba na Olimpíada de 1996

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

213


• Brasil Atenas imagem: www.globoesporte.globo.com

Seleção masculina de vôlei comemorando o ouro em 2004, Atenas

A seleção brasileira masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Atenas 2004 com um time que é considerado um dos melhores, talvez o melhor, da história da do esporte. A união da experiência de Giovane e Maurício, com o talento de nomes que estavam no time desde o fim dos anos 1990, como Giba, Nalbert, Ricardinho, Dante, Anderson e Gustavo, além dos ainda jovens André Nascimento, André Heller, Rodrigão e Serginho. É claro que não se ganha uma Olimpíada antes do início, mas muitos jogadores deram entrevistas dizendo que tinham certeza daquela medalha de ouro. E assim foi feito. Ouro com 3 a 1 na Itália na decisão.

• Hungria 1952 Base da seleção que encantaria o mundo no vice-campeonato da Copa do Mundo de 1954, a equipe da Hungria conquistou o ouro nas Olimpíadas de 1952, em Helsinque, na Finlândia. Com Puskás sendo o grande destaque, anotando, inclusive, um dos gols na final contra a Iugoslávia. A vitória foi por 2 a 0. Na semifinal, 6 a 0 sobre a Suécia e, nas quartas, 7 a 1 com a Turquia. Na estreia, 3 a 0 contra a Itália Sándor Kocsis, outro grande nome da geração húngara, foi o artilheiro da Olimpíada com seis gols.

imagem: www.pinterest.com

Seleção masculina da HUngria no ano de 1952

214

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


• Hóquei na Índia A seleção masculina da Índia dominou o hóquei na grama olímpico por mais de 60 anos, com oito medalhas de ouro entre 1928 e 1980. Especialistas divergem muito sobre qual teria sido a melhor equipe, mas possivelmente foi a de 1936, em Berlin, na Alemanha. Era a última Olimpíada de Dhyan Chand, talvez o melhor jogador da história. Na primeira fase, 9 a 0 no Japão, 4 a 0 na Hungria e 7 a 0 nos Estados Unidos. Nas semis, 10 a 0 na França, e na decisão, 8 a 1 sobre os alemães. Esta decisão começou com os alemães vencendo por 1 a 0, mas Chand, jogando descalço, comandou a virada.

imagem: www.pt.wikipedia.org.com

Jogo de Hoquei protagonizado pela Índia em 1928

• Basquete EUA 2008 A seleção feminina de basquete conquistou as últimas seis medalhas de ouro em disputa. Talvez o mais forte dos times foi o de Pequim 2008, em que a seleção venceu os oito jogos, com uma média de 37 pontos de vantagem. Foi um time que juntou nomes de três gerações diferentes. Lisa Leslie, que conquistaria ali seu tetracampeonato, e Tina Thompson eram as mais experientes. Sue Bird e Diana Taurasi no auge de suas carreiras. E ainda a chegada de uma nova geração como Sylvia Fowles (cestinha e maior pegadora de rebote do time), Seimone Augustus e Candace Parker.

imagem: www.globoesporte.globo.com

Jogo entre Estados Unudos e Russia em 2088

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

215


• Polo Aquático Americano O domínio americano no polo aquático feminino na Rio 2016 foi gigantesco, com seis vitórias em seis jogos, sem sufoco algum. Uma junção de experiência, com preparo físico muito superior aos outros times, e, claro, uma técnica que não deixava dúvidas sobre a supremacia. 11 a 4 na Espanha, 12 a 4 na China e 11 a 6 na Hungria. Depois, no mata-mata, 13 a 3 no Brasil, 14 a 10 na Hungria e 12 a 5 na Itália. Maggie Steffens foi a artilheira, Madeline Musselmann se destacou bastante, Kiley Neushul fez uma final excepcional, mas a mais fora de série do time era a goleira Ashleigh Johnson.

imagem: www.globoesporte.globo.com

Seleção americana comemorando a vitória nas Olimpíadas de 2016

• Futebol EUA 2004 imagem: www.globoesporte.globo.com

Seleção feminina de futebol dos Estados Unidos de 2004

216

Difícil escolher a melhor equipe olímpica feminina do futebol dos Estados Unidos, que levou a medalha de ouro em quatro Olimpíadas. Mas o time de Atenas 2004, que venceu o Brasil na final decidida na prorrogação, contava com um mix de gerações: Mia Hamm, uma das melhores do mundo, e Kristine Lilly estavam na fase final da carreira. Enquanto Abby Wambach, autora do gol do título contra o Brasil, e Heather O’Reilly conquistavam seu primeiro título importante. A equipe, no papel, era muito boa, mas na Olimpíada teve dificuldades para vencer a Nigéria nas quartas de final. Passou pela Alemanha nas semis apenas na prorrogação, e foi campeã jogando pior que a seleção brasileira na decisão. Mas era aí que estava a força daquele time, crescia absurdos nos momentos decisivos.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


• Handebol da Dinamarca A Dinamarca dominou o handebol feminino no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000, com as medalhas de ouro nas Olimpíadas de Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004. Não há um consenso sobre qual destes times era melhor, mas provavelmente em 2000 a equipe era a mais forte. Aquele time tinha as remanescentes do inédito título de 1996 e também alguns nomes que estavam surgindo para brilhar nos anos seguintes. Em 2000 tinha Janne Kolling, maior artilheira da história do país, Camilla Andersen, eterna capitã, e Karin Mortensen, que não estava em 1996, mas já era uma grande estrela em 2000. Anette Hoffmann foi o maior nome da final, anotando 11 gols na vitória contra a Hungria por 31 a 27.

imagem: www.globoesporte.globo.com

Seleção feminina dinamarquesa comemorando o título do ano de 2004

• Beisebol Cubano de 1992 Na primeira aparição do beisebol em Jogos Olímpicos, em Barcelona 1992, o esquadrão cubano foi campeão com uma campanha invicta, nove jogos e nove vitórias. A final foi contra Taiwan, mas a semifinal foi mais marcante, pois o triunfo foi contra os Estados Unidos, 6 a 1. Foi o começo de uma geração que conquistou três medalhas seguidas (Ouro em 1992/96 e prata em 2000), mas ainda tinha nomes de destaque dos anos 1980 como Ermidelio Urrutia, Orlando “El Duque” Lourdes Gourriel e Jorge Luis. Por outro lado, Antonio Pacheco, que posteriormente viraria técnico da seleção, Luis Ulacia, que se manteria no time a década inteira, Omar Linares, um dos mais completos da história, e Rolando Arrojo faziam parte daquele time histórico.

imagem: www.uol.com.br

Seleção cubana de 2013, legado de um hitórico grupo dos anos 90

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

217


arthurzanetti O primeiro campeão olímpico da ginástica brasileira

Liandra Curopos e Vicente Arantes Fonte: www. arthurzanetti.com.br Em: 19/01/2019 Arthur Zanetti nasceu em São Caetano do Sul, no ABC paulista, em 16 de abril de 1990. Começou na ginástica artística aos 7 anos. “Queria jogar futebol, mas era muito ruim”, conta o ginasta. Ao observar 218

o menino, menor do que os outros alunos, mas ágil e com o tronco forte, o professor sugeriu aos pais que o levassem para fazer um teste para ginástica artística na SERC (Sociedade Esportiva Recreativa e Cultural) Santa Maria, em São Caetano do Sul (SP). Deu certo e, em agosto de 2012, em Londres, o Brasil ganhou seu primeiro campeão olímpico na ginástica artística.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


imagem: www.istoe.com.br

Arthur Zanetti conquita medalha de prata no Mundial de Ginástica de Doha

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

219


A primeira seleção brasileira A primeira convocação para a seleção brasileira veio em 2007, para o Mundial de Stuttgart, na Alemanha. Arthur não trouxe medalha, mas tornou-se presença constante na lista de convocados. Ainda em 2007, foi campeão pan-americano juvenil. Em 2009, em Londres, foi o primeiro ginasta brasileiro finalista nas argolas em um Mundial – terminou na quarta colocação. Antes, havia sido prata nas argolas na etapa de Stuttgart da Copa do Mundo. Com os 15.200 pontos alcançados no aparelho, só foi superado pelo chinês Yibing Chen (15.650). Subiu ao pódio das argolas em uma etapa da Copa do Mundo pela primeira vez na carreira, mas ficou frustrado: “Não teve medalha.” Em 2011, ganhou prata nas argolas e ouro por equipes nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México.

imagem: www. arthurzanetti.com.br

Equipe masculina de ginástica em 2007, no Brasil

2012, o primeiro ouro olímpico Arthur Zanetti chegou aos Jogos Olímpicos de Londres motivado pelas medalhas conquistadas nas argolas na temporada. Foi campeão do evento-teste, em janeiro, com 15.533 pontos. Em etapas da Copa do Mundo, levou prata em Cottbus (ALE), com 15.600, e ouro nas etapas de Osijek (CRO), com 15.875; Maribor (ESL), com 15.575, e Ghent (BEL), com 15.925. Também ficou com o ouro no Meeting Internacional de São Bernardo, com 15.825. As notas aumentaram em relação ao vice-campeonato mundial conquistado em outubro de 2011, em Tóquio (15.600). Em Londres, Arthur fez uma apresentação praticamente impecável. Alcançou os 15.900 pontos para entrar na história e emocionar o Brasil. Conquistou o ouro, superando o chinês Yibing Chen (15.800), campeão olímpico em Pequim/2008, que ficou com a prata em Londres, e o italiano Matteo Morandi (15.733), que levou o bronze. No Mundial de Tóquio, em 2011, não mostrou séries que levaria o atleta para a Olimpíada. E em sua primeira exibição nos Jogos de Londres, na fase classificatória, também não apresentou seus melhores exercícios. Deixou para revelar tudo na final, aumentando em 3 décimos a nota de partida, com a força psicológica necessária para fazer seu trabalho. O técnico Marcos Goto frisa que a conquista envolveu trabalho e planejamento. “Em 2012, ele disputou várias etapas da Copa do Mundo, em diversos países, e conquistou medalha em todas. Foi nessas competições que conseguimos analisar o nível da ginástica mundial, aprender, trazer conhecimentos e melhorar a cada dia.” Além do ouro olímpico em Londres e das medalhas nas etapas da Copa do Mundo, Arthur fechou o ano com mais uma prata, em Ostrava, na República Checa (15.825), e um ouro, na Copa Toyota, no Japão, em que repetiu a nota da Olimpíada: 15.900. A temporada histórica terminou com o Prêmio Brasil Olímpico de Melhor Atleta do Ano. Na festa anual do Comitê Olímpico Brasileiro, o trabalho de Marcos Goto também foi reconhecido e o treinador recebeu o prêmio de Melhor Técnico em Esportes Individuais. 220

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


2013, outro ouro inédito

imagem: www.foxsports.com.br

Em 2013, Arthur Zanetti estreou no novo ciclo olímpico pressionado pelo status de campeão nos Jogos de Londres. Na temporada, o principal desafio seria o Mundial de Antuérpia. O caminho até a competição na Bélgica foi construído com o ouro nas argolas em todas as competições que disputou. Conquistou o bicampeonato mundial universitário na Universíade de Kazã (RUS), com 15.875 pontos, repetindo o pódio de Shenzhen/2011 (CHN). Foi campeão nas etapas da Copa do Mundo de Doha, Catar, e de Anadia, Portugal. Nos Jogos Regionais foi campeão em São Caetano (15.700), e, pela sexta vez, no Campeonato Brasileiro. Enquanto se preparava para o Mundial, Arthur também treinava um novo elemento, de difícil execução e extrema força, para ser incluído em sua série. Em junho, na etapa da Copa do Mundo de Anadia (POR), apresentou a novidade, criada pelo técnico Marcos Goto, aos árbitros da Federação Internacional de Ginástica (FIG). Em 28 de setembro, a FIG atribuiu ao novo elemento valor F como nota e o elemento passou a integrar o Código de Pontuação. Na final das argolas em Antuérpia, em estratégia definida com o técnico Marcos Goto, Arthur optou por retirar o desgastante movimento de sua série e aumentar as chances de fazer uma apresentação “limpa” – cravou a saída e recebeu nota 15.800. Terceiro dos oito competidores a se apresentar, teve de conter a ansiedade até o fim, aguardando a nota dos adversários antes de poder comemorar mais um ouro inédito. O russo, Aleksandr Balandin, ficou com a medalha de prata (15.733) e o norte-americano, Brandon Wynn, com a de bronze (15.666). Arthur tornou-se campeão mundial aos 23 anos, o que, somado ao título olímpico, confirmava seu domínio nas argolas.

Arthur Zanetti conquista seu primeiro ouro olímpico nas Olimpíadas de Londres de 2012

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

221


2014, ano histórico para a ginástica brasileira

imagem: www.fotospublicas.com.br

Em 2014, o foco de Arthur Zanetti foi o 45º Mundial de Nanning, na China. Treinou solo e salto, além das argolas, com o objetivo de ajudar a seleção brasileira a conseguir a melhor colocação da história da ginástica artística masculina em um Mundial. O Brasil ficou em sexto (263.562), depois de já ter encerrado a fase de qualificação no bom sétimo lugar (348.100). Até então, a melhor classificação da equipe brasileira em um Mundial havia sido a 13ª posição de Tóquio/2011. Arthur ainda deixou o Mundial com prata nas argolas (com 15.733). Era sua terceira medalha ganha em Mundiais (somada com a prata de Tóquio/2011 e o ouro de Antuérpia/2013). Em casa, o chinês Yang Liu ficou com o ouro (15.933) e empatados com o bronze o russo Denis Abliazin e o chinês Hao You , com 15.700. Individualmente na temporada, Arthur Zanetti venceu nas argolas nos X Jogos Sul-Americanos de Santiago, Chile (15.900). No II Meeting de Ginástica Artística de Santos, São Paulo, levou ouro no aparelho, com a maior nota da carreira: 16.000. Outro ouro veio na etapa da Copa do Mundo de Anadia, em Portugal, com 15.700 (na qualificação, recebeu nota 15.800, ainda maior do que na final). Em agosto, ajudou o Brasil a se classificar para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, no Pan-Americano de Ginástica Artística de Mississauga (CAN). Também foi o melhor nas argolas (15.950) e levou bronze no solo com a melhor nota da carreira pelo atual código de pontuação (15.000). Com tudo isso, o atleta confirmou o seu favoritismo nas competições nacionais. Ficou com o ouro argolas no Troféu Brasil e na I Etapa Caixa de Ginástica Artística e Rítmica, em Bento Gonçalves (RS), com 15.800. No 58º Jogos Regionais de Osasco, São Paulo, brigou por pontos para São Caetano do Sul, vencendo as argolas com facilidade (15.650). A cidade foi vice-campeã do torneio por equipe com a ginástica masculina. Em agosto, foi campeão nas argolas no Campeonato Brasileiro e II Etapa Caixa (15.850) de Ginástica Artística, em Aracaju (SE). Terminou 2014 com o bicampeonato do Prêmio Brasil Olímpico como o Melhor Atleta do Ano. Foi indicado ao prêmio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) três vezes e ganhou duas (2012 e 2014).

Arthur Zanetti nas argolas competindo pelo 45º Mundial de Nanning, na China, em 2014

222

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


imagem: www.globoesporte.globo.com

Arthur Zanetti conquista segundo lugar no Canadá pelo Brasil por equipe, em 2015

2015, ano de conquistar ouro no Pan e a classificação olímpica do Brasil O Brasil nunca havia levado uma equipe masculina completa a uma Olimpíada. Arthur se dedicou também aos treinamentos de solo e salto para somar as melhores notas possíveis para a equipe. Após o sétimo lugar da qualificação e com a vaga olímpica assegurada pela primeira vez, o Brasil foi o oitavo colocado na final por equipes (259.577) em Glasgow. O Japão ficou com a medalha de ouro (270.818), seguido por Grã-Bretanha, com a prata (270.345), e a China, com o bronze (269.959). O Brasil teve o orgulho de se colocar no top 8 da ginástica mundial. “Estamos muito felizes porque estamos fazendo história para o nosso País e o esporte. Quero dar os parabéns aos atletas, a todos os integrantes da comissão técnica, aos fisios e médicos. Estamos muito orgulhosos uns dos outros. Todos poderão sentir o gosto de uma Olimpíada em casa”, disse Arthur. Arthur não foi a final individual das argolas em Glasgow, mas 2015 foi ano da conquista da tríplice coroa. O ginasta realizou o sonho de conquistar o ouro que ainda faltava na sua ‘coleção’ de medalhas, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. No Toronto Coliseum, Arthur fez uma apresentação com nota 15.725 para ficar com o título de campeão. Ainda deixou o Canadá com a medalha de prata conquistada pelo Brasil por equipe.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

223


2016, ano de ganhar medalha olímpica em casa

imagem: www.jovempan.com.br

Na segunda Olimpíada da carreira, veio a segunda medalha: Arthur Zanetti voltou ao pódio e, desta vez, em casa. O ginasta conquistou a medalha de prata no Rio, apoiado pela família e pela torcida que lotou a Arena Olímpica. “Foi mais difícil do que em Londres, mas ganhar a prata em casa é mais gostoso do que o ouro fora.” Arthur vibrou com a prata. “É maravilhoso, um resultado incrível que vai ficar na minha memória. Não tenho como descrever. Tenho que agradecer a todo mundo que me ajudou: família, amigos, patrocinadores, não posso esquecer de ninguém. Vocês fizeram parte dessa história. E dá um gostinho a mais para poder estar na próxima Olimpíada”, disse Arthur. O ano também foi marcado por uma emoção incrível para Arthur Zanetti. Ele participou do revezamento da tocha olímpica em São Caetano do Sul, cidade onde nasceu e treina. Ao longo dos 200 m de caminho com a tocha, recebeu palavras de carinho e apoio. “É muito gratificante levar esse símbolo na minha cidade. Conheci a ginástica aqui.”

Arthur Zanetti com sua primeira medalha olímpica em casa, em 2016

224

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


imagem: www.arthurzanetti.com

2017, ano de reiniciar o ciclo olímpico Arthur Zanetti começou a temporada retornando aos treinos, seis meses após cirurgia no ombro esquerdo, feita dias após o fim dos Jogos Olímpicos do Rio para corrigir um rompimento no tendão no manguito rotador. o ano de 2017 começou com uma mudança no Código de Pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG), mudanças que tornaram as notas menores em relação a temporada anterior. Voltou a competir em maio, com duas medalhas de ouro nas argolas e bons resultados com sua série de solo. O primeiro ouro nas argolas veio na etapa da Copa do Mundo de Koper (ESL), com a nota 14.850. Além de competir na prova que é sua especialidade, Arthur também disputou a final do solo – foi o 4º colocado. O campeão olímpico, mundial e pan-americano levou outro ouro nas argolas na etapa de Osijek (CRO). E voltou a ficar bem perto do pódio no solo, na quarta posição. Arthur Zanetti terminou o Mundial de Montreal, no Canadá, na sétima colocação – foi o quinto Mundial de sua carreira. O brasileiro, que é campeão olímpico e mundial nas argolas, melhorou a execução de sua série em comparação a fase classificatória, mas com a nota 14.900 não conseguiu ir ao pódio. Em 2017, Arthur Zanetti concluiu o seu bacharelado em Educação Física, pela Universidade de São Caetano do Sul (USCS).

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Artuhr Zanetti competindo no Mundial de Montreal, em 2017

225


Em 2018, Arthur volta ao pódio de um Mundial Arthur Zanetti começou a temporada de 2018 – a 12ª com a seleção brasileira – com um grande objetivo: no Mundial de Doha (Catar) ajudar a equipe do Brasil a trilhar o caminho de uma nova classificação olímpica e voltar ao pódio em sua especialidade, as argolas. Tais metas foram 100% concluídas! Arthur conquistou sua quarta medalha em Mundiais – foi prata nas argolas e liderou o Brasil ao 7º lugar na final por equipes, o que classificou o país para o Mundial de 2019, em Stuttgart (Alemanha), em que nove seleções vão garantir a vaga para Tóquio/2020. O ano de 2018 também foi importante para a vida pessoal de Arthur: em 16 de novembro, o ginasta entrou para o time dos casados, na união com Jéssica Coutinho. Arthur também foi agraciado com o título de Cidadão Emérito da cidade de São Caetano do Sul.

imagem:www.gazetaesportiva.com

Zanetti comemorando sua medalha de prata no Mundial de Doha, em 2018

226

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


ESPORTES imagem:www.Gazetaesportiva.com.br

O maior torneio de futebol do mundo Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

227


Reta final da Champions só com jogos de ida e em uma única cidade Segundo “Marca”, super-torneio evitaria viagens e permitiria Liga dos Campeões decidida em 11 dias torcedores.com

Livepool atual campeão da competição.

228

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


seria Istambul - e as autoridades turcas vêm mantendo o discurso público de ter certeza que a decisão ocorrerá no país. O jornal cita que o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, deseja dar prioridade à capital da Turquia. Entretanto, Lisboa e Munique, que surgiram como alternativas para uma final, também poderiam ser opções para toda a reta decisiva. A final da Liga dos Campeões 2019/20 estava originalmente marcada para o dia 30 de maio, no Estádio Ataturk, em Istambul. A pandemia do novo coronaví-

rus, entretanto, interrompeu a competição no meio das oitavas de final, com quatro confrontos a serem resolvidos. A Uefa decidiu dar prioridade para as ligas nacionais serem concluídas entre junho e julho, deixando seus torneios europeus para agosto. Já estão classificados para as quartas de final PSG, Atalanta, Atlético de Madrid e RB Leizpig. Restam ser decididos os duelos Manchester City x Real Madrid, Bayern de Munique x Chelsea, Juventus x Lyon e Barcelona x Leipzig. chuteirafc.cartacapital.com.br

Perto de decidir o futuro da Liga dos Campeões 2019/20, em reunião na próxima semana, a Uefa estaria inclinada a fazer todos os jogos restantes em apenas uma sede. A informação é do jornal “Marca”, que afirma que a possibilidade de fazer um super-torneio ganhou força entre os dirigentes do Comitê Executivo, que deve bater o martelo sobre o torneio em encontro marcado para a próxima quarta-feira. A intenção inicial da Uefa era realizar os jogos restantes da atual Champions em agosto, mantendo o formato original, com jogos de ida e volta nas quartas de final, semifinais e final. Isso faria com que a decisão pudesse ser disputada no fim daquele mês, em Istambul. Entretanto, o jornal frisa que os dirigentes consideraram que este plano poderia trazer muitos riscos para as equipes pelas quantidades de viagens. Desta forma, este formato - que agradava os detentores de direitos de transmissão - começou a perder força entre os dirigentes, e começou a ser contemplada a possibilidade de que cada eliminatória fosse realizada em apenas um jogo, em sede neutra. E, afirma o “Marca”, o comitê executivo pensa em ir além e fazer esta fórmula reduzida em apenas uma sede. Desta forma, se reduziriam os riscos envolvendo viagens dos jogadores e ainda viabilizaria que a Champions fosse resolvida em cerca de 11 dias - desafogando o tempo de descanso entre o fim da temporada 2019/20 e o início da 2020/21. A fase final poderia ser disputada de 12 a 23 de agosto, segundo o diário. Uma questão que ainda estaria em aberto seria a cidade escolhida para fazer esta super competição. O palco original da final 2019/20

Ultimos confrontos antes da quarentena

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

229


Thiago Silva descarta China e Oriente Médio, tem interesse em três clubes brasileiros, mas a tendência é a Europa

230

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


imagem:www.globoesporte.com

Para retornar ao Brasil, conta é de que receberia por ano o que ganhava por mês no Paris Saint-Germain Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

231


Thiago Silva volta neste domingo (14) à França. Serão sete dias de quarentena, para que possa retomar os treinos com o Paris Saint-Germain na outra segunda-feira (22). No meio desta semana, a Federação Francesa deve liberar os acréscimos de contrato e Thiago Silva deverá assinar o prolongamento até o final de agosto, para disputar a Liga dos Campeões. Se vingar o plano de as finais acontecerem só em Lisboa e resolver quartas-de-final e semifinais em partida única, o PSG pode estar a três jogos do sonho do título. Thiago Silva ainda pode ser o capitão a erguer a taça. E, então, partir. O estafe do jogador pediu que Leonardo se pronunciasse, para deixar claro que a ideia de não renovar o contrato ao final da Champions não é do zagueiro, mas do clube. No passado recente, Thiago Silva já recebeu sondagens da China e do Oriente Médio. Recusou as duas ideias, porque quer jogar a Copa do Mundo. Para chegar ao Qatar em boa forma física e técnica, precisa estar na elite do futebol.

go, mas a informação de quem trabalha com o zagueiro é de que existem quatro ofertas. Também três clubes brasileiros procuraram informações sobre Thiago. Mas a tendência é que fique na Europa.

Dwight Howard, dos Lakers, se diz contra a retomada da NBA e prioriza combate ao racismo

O Everton seria uma opção, porque o técnico Carlo Ancelotti foi quem o levou para o Milan, em 2009, e quem o dirigiu numa campanha de título francês pelo Paris Saint-Germain. Seria sua terceira experiência com o treinador três vezes campeão da Champions League (2003, 2007 e 2014). Mas o Everton ainda não fez nenhuma proposta. O técnico do Napoli, Gennaro Gattuso, declarou que gostaria de contar com Thiago Silva. Mas também não chegou essa proposta. Não se comenta quais são os clubes que já procuraram por Thia232

Dwight Howard, jogador do Los Angeles Lakers que é contra o retorno Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Veterano pivô segue linha de Kyrie Irving e ainda acrescenta que a busca por seu primeiro título da liga americana de basquete não é mais importante que a questão racial Imagem:www.yahoo.esporte.com

Seguindo o exemplo de Kyrie Irving, o pivô Dwight Howard, atualmente no Los Angeles Lakers, foi outro nome de peso da NBA a se pocisionar abertamente contra o retorno da NBA antes que os Estados Unidos vejam na prática alguma mudança na luta contra o racismo no país. Nas últimas semanas, a importante pauta ganhou as ruas com inúmeros protestos depois do assassinato de

Imagem:www.globoesporte.com

George Floyd, um ex-segurança negro que foi asfixiado por um policial branco em morte cujo vídeo ganhou o mundo. Paralisada desde março por conta da pandemia global de coronavírus, a liga americana de basquete vai ser retomada no dia 31 de julho, com 22 franquias duelando em apenas um local, o complexo esportivo da Disney, em Orlando, na Flórida. - Eu concordo com Kyrie. Basquete ou qualquer tipo de entretenimento não são necessários no momento e serão apenas uma distração. Claro que pode distrair os jogadores, mas temos recursos (financeiros) disponíveis, e a maioria de nossa comunidade não tem - disse Howard em nota enviada para a emissora americana CNN. Desde 2004 na NBA, presente em oito All-Star Games, eleito em cinco temporadas para o quinteto ideal da NBA e melhor jogador defensivo da liga em três edições, Dwight, de 34 anos, nunca esteve em uma franquia com tantas chances de ser campeã como agora nos Lakers, de LeBron James. Mas ele diz que a luta contra o racismo é mais importante neste momento: - Eu adoraria ganhar meu primeiro campeonato da NBA. Mas a unidade do meu povo seria um campeonato ainda maior. Isso é muito bonito demais para deixar passar. Quer melhor hora do que agora para nos concentrarmos em nossas famílias?

o da NBA. Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Kyrie Irving, outro jogodor a ir contra o retorno da liga norte-americana de basquete

233


Confira o cronograma atualizado da NBA

imagem:www.usatoday.com

Junho 21 de junho - Jogadores se apresentam às franquias 23 a 30 de junho - Início das testagens de coronavírus entre jogadores e comissões técnicas 30 de junho - Início da fase de treinamentos antes da volta das partidas Julho 7 de julho - Viagem dos times para Orlando, na Flórida 9 a 29 de julho - Período de treinos das equipes em Orlando antes da retomada dos jogos 30 de julho - Reinício da temporada regular 2019-2020 Agosto 14 de agosto - Fim da fase regular 15 e 16 de agosto - Repescagem para os playoffs 17 de agosto - Início dos playoffs 25 de agosto - Loteria do Draft da NBA 31 de agosto- Início das semifinais de Conferência Setembro 15 de setembro - Início das finais de Conferência 30 de setembro - Início das finais da NBA Outubro 13 de outubro - Jogo 7 da final da NBA (se necessário) 15 de outubro - Draft da NBA 18 de outubro - Início da free agency, o período de negociações livres Novembro 10 de novembro - Início da fase de treinamentos para a temporada 20202021 Dezembro 1 de dezembro- Início da temporada 2020-2021 234

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


ESPORTES - RIO

Clubes aprovam protocolo, e Ferj aguarda aval do governo para definir data de volta do Carioca Fluminense e Botafogo reforçam posição contrária à retomada dos jogos em junho enquanto não houver controle da pandemia. Entidade, porém, afirma que maioria decidirá sobre retorno

Imagem:www.wikipédia.org

Estádio jornaista Mário FIlho, Maracanã Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

235


O Campeonato Carioca, paralisado desde o dia 16 de março por conta da pandemia do novo coronavírus, ainda não tem data de retorno, mas definiu as regras para tal. Neste sábado, em reunião virtual do Conselho Arbitral da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), o protocolo Jogo Seguro foi aprovado pelos clubes da Série A. O plano agora é que este protocolo seja enviado na segunda-feira para aprovação do Governo do Estado para que então seja marcado, já na próxima semana, um novo arbitral para decidir a data do retorno da competição. Flamengo, Vasco e os clubes de menor investimento se posicionaram ao lado da Ferj para que os jogos sejam retomados. Botafogo

e Fluminense, por sua vez, reforçaram a posição contra a volta do campeonato enquanto a pandemia não estiver em uma situação considerada sob controle. Para os dois clubes, é preciso que o estado do Rio esteja com taxas semelhantes a dos países europeus quando estes voltaram com as atividades para haver a volta. Maioria x unanimidade para definição de volta causa divergência Consultada, a Ferj informou que a data para o Carioca voltar será decidida por maioria dos votos, sem necessidade de unanimidade. A entidade se baseia em um artigo do Regulamento Geral de Competições (RGC) que diz que “casos omissos ou conflitantes, a eles relacionados, caberão exclusivamente à Federação”. Flamengo e

Vasco concordam com esta interpretação. O Fluminense e o Botafogo, por sua vez, tomam como base o Estatuto da própria Ferj, que diz que o regulamento das competições “só poderá ser alterado pelo Conselho Arbitral por decisão unânime de seus integrantes”. No entendimento dos dois clubes, o caso não se configuraria como “omisso” por ser coberto pelo estatuto e argumentam que este está acima do RGC. Para a Ferj, não se trata de alteração de regulamento. Após as medidas referendadas pelas autoridades governamentais e sanitárias, a intenção da Ferj é que o Carioca seja retomado. Sem público e preferencialmente em três estádios: Maracanã, Nilton Santos e São Januário. Imagem:www.tupi.fm

Representantes da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ)

236

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Imagem:www.pinterest.com

Estádio São Januário Imagem:www.brasilturismo.com

Estádio Olímpico Nilton Santos, Engenhão Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

237


Arbitral por videoconferência A videoconferência iniciou por volta de 15h20 e terminou pouco antes das 19h (de Brasília). Chamados para apresentar o protocolo que desenvolveram, os médicos Márcio Tannure (Flamengo), Marcos Teixeira (Vasco) e Rômulo Capello (Bangu) repassaram item por item aos dirigentes de clubes. Partidas sem público, testagem em massa dos envolvidos e questões de logística das equipes foram os assuntos mais debatidos. Ficou decidido, por exemplo, que o teste negativo para Covid-19 será uma espécie de ingresso aos jogos. Todas as pessoas envolvidas na partida serão examinadas. Profissionais de imprensa, por exemplo, só poderão trabalhar caso não tenham sido contaminados. Além disso, as delegações de cada

time poderão ter, no máximo, 40 pessoas. Para o acesso ao vestiário, cada clube terá 32 passes. Serão permitidos oito jogadores no banco de reservas e cinco membros da comissão técnica. A chegada ao estádio terá de ocorrer obrigatoriamente 60 minutos antes da bola rolar. Tudo para diminuir a chance de aglomeração. Não haverá parada técnica nas partidas. Os jogos serão realizados preferencialmente no Maracanã, no Nilton Santos e em São Januário, todos na cidade do Rio. Há possibilidade de confrontos entre times de menor investimento ocorrerem nas praças locais - o entendimento foi de que não faria sentido deslocar essas equipes para a capital. Com uma ressalva: o estádio que receber o jogo precisa atender ao protocolo. Imagem:www.foxsport.com.br

Márcio Tannure, médio do time Club de Regatas do Flamengo.

238

Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, em rota de colisão com Rubens Lopes, presidente da Ferj, não participou e enviou um representante, o coordenador administrativo do clube Marcelo Penha, que tem bom trânsito na entidade. O clube somente reiterou a posição contrária à retomada neste momento. O presidente do Botafogo, Nelson Mufarrej, afirmou também ter manifestado a posição de que não é hora de se debater datas de jogos pois a curva da pandemia continua ascendente. Ambos os clubes aprovaram, com diversas ressalvas, o protocolo. A leitura é de que se trata apenas de uma ferramenta para quando for aprovado o retorno. O contexto para a tomada de decisão A decisão ocorre um dia após o governador do estado, Wilson Witzel, flexibilizar uma série de medidas restritivas adotas por conta da pandemia do novo coronavírus. Entre elas, a prática de esportes de alto rendimento. A sexta-feira também marcou o aumento do números da Covid-19 no Rio: são 6.473 mortes e 63.066 casos confirmados. Na segunda-feira, a prefeitura do Rio havia anunciado mudanças no isolamento social. Desta forma, jogos de futebol com 1/3 do público passariam a ser permitidos a partir de julho: Maracanã (capacidade reduzida a 22 mil pessoas), São Januário (7 mil) e Nilton Santos (14 mil). O retorno obedecerá a regras do protocolo Jogo Seguro, documento elaborado pelos médicos dos clubes em parceria com a Ferj. Na terça-feira, aliás, a Comissão Médica Provisória se reuniu para definir os últimos passos - o Fluminense foi o único ausente, afinal, ao lado do Botafogo se posi-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


cionava de forma contrária à volta imediata do Carioca. Quando o arbitral foi convocado? O arbitral havia sido convocado na última quarta-feira. Segundo o edital, os seguintes temas seriam debatidos: Protocolo Jogo Seguro (fase 2) para as partidas complementares do Campeonato Carioca. Assuntos pertinentes à conclusão do grupo Z. Outros assuntos pertinentes às partidas complementares do Campeonato Carioca passíveis de discussão por decisão preliminar favorável da maioria. Escolha dos indicados pelos clubes para a composição do TJD.

Imagem:www.poder360.com

Wilson Witzel, Governador do Estado do Rio de Janeiro.

www.uol.com.br

Jogadores do Club Botafogo, fazendo protesto contra a manutenção do Campeonato Carioca Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

239


Flamengo oficializa renovação, e Jorge Jesus mira Mundial: “Ficou atravessado na garganta” Técnico assina até junho de 2021, diz que abriu mão de parte financeira para ficar e reafirma objetivo principal: voltar à final do Mundial de Clubes para conquistar o título

240

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Imagem:www.noticias.yahoo.com

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

241


Agora é oficial: o Flamengo confirmou nesta sexta-feira a renovação do contrato do técnico Jorge Jesus até junho de 2021. Após acordo feito na terça, o Mister assinou o novo vínculo no Ninho do Urubu e foi anunciado pelo clube nas redes sociais. Em entrevista para a Fla TV, o treinador afirmou que abriu mão da parte financeira para ficar e voltou a falar de seu objetivo principal: chegar à final do Mundial de Clubes e conquistar o título. - As expectativas são sempre as melhores, em função daquilo que é a grandiosidade deste clube. Este clube trata de ser não só o maior melhor e maior do Brasil, mas também além das fronteiras. Nossa convicção é exatamente a mesma que tivemos no ano passado, e se possível, por a cereja no bolo, que ficou atravessado na garganta, que foi ser campeão do mundo. Vamos trabalhar para poder estar na final do Mundial de Clubes, que foi um dos objetivos que não conseguimos. Mas acreditamos que podemos estar lá. Para isso, como é óbvio, precisamos ganhar novamente a Libertadores - disse o Mister. Pelo ano de contrato, Jorge Jesus receberá cerca de 4 milhões de euros (R$ 23 milhões), fora as premiações. No primeiro ano de Flamengo, o português ficou com mais de R$ 15 milhões pelos títulos da Libertadores e do Brasileirão. As partes definiram ainda que não haverá congelamento do euro previsto em contrato, e os pagamentos seguirão a cotação do dia. No novo contrato há cláusulas que permitem a liberação mediante ofertas pré-determinados do futebol europeu. 242

- Eu neste momento, felizmente, posso escolher o que quiser para a minha carreira esportiva. Foi o que fiz ano passado e exatamente neste ano, continuar no Flamengo. Porque não pus à frente minha carreira financeira. Os meus contratos que eu tinha em Portugal não há comparações possíveis. Eu escolhi carreira esportiva. No primeiro ano, eu sabia o que ia acontecer porque sabia da qualidade do meu trabalho e dos jogadores do Flamengo. Agora, conheço melhor a estrutura, a paixão que os torcedores têm por mim. Se estou num lugar que me faz feliz, esse foi o fator número 1 da minha escolha. Você anda à procura de felicidade esportiva, e ela só acontece com resultados. Jorge Jesus completou um ano no Flamengo na última segunda-feira, com 51 jogos, 38 vitórias, nove empates e quatro derrotas. Sob o comando do português, a equipe marcou 118 gols e sofreu 45, sendo campeã da Libertadores, do Brasileirão, da Recopa e da Supercopa do Brasil. O Mister segue acompanhado de seis membros de sua comissão técnica particular. Confira outras declarações: Rodolfo Landim, presidente do Flamengo: - Como todos sabem, esse problema da Covid afetou extremamente os aspectos, não só financeiros, mas econômicos. A previsão de receita que o clube teve é muito menor do que aquela que a gente tinha no início do ano. Isso impactou tanto que a gente já passou por um processo de renegociação com os jogadores. Agradecer muito ao Jesus, que neste processo de negociação nos ajudou bastan-

te, abrindo mão de uma parte significativa do que ele vinha a receber e que vinha sendo combinado antes da Covid. Ele entendeu o que está acontecendo com o clube. Marcos Braz, vice-presidente de futebol: - Esta renovação contratual passa também pela assertiva do clube no ano passado, em contratar o Jorge Jesus e toda a sua comissão técnica. São pessoas maravilhosas, que trabalham muito no dia a dia. Evidente que o Jorge Jesus já era um técnico super campeão, veio aqui para o Brasil para mostrar seu trabalho com contundência. Estamos muito felizes. Quero reforçar aqui a posição do presidente, que diz que o Jorge também fez a parte dele, que pudéssemos chegar num denominador comum. O clube também fez esforço. Está todo mundo de parabéns. Bruno Spindel, diretor de futebol: - O planejamento, depois de um ano mágico de 2019, era a manter toda a estrutura. É uma felicidade enorme conseguir seguir este planejamento. Ele (Jesus) fez um esforço financeiro enorme, o Flamengo também. O que nos une é esta vontade de vencer a todo esforço. Por isso estamos tão felizes por ele permanecer, e por essa cultura estar implementada dentro do clube.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


E-SPORTS

Mulheres no eSports Não é segredo que o eSport ainda é um mercado dominado por homens. Mesmo com a possibilidade de times mistos, as jogadoras não encontram seu lugar nos grandes times, sendo cobradas diretamente sobre desempenho, performance e resultados. Concentradas no cenário feminino, onde possuem chances reais de competir e evoluir, elas contam com apoio financeiro de menor proporção. Como tornar o jogo mais favovel para as mulheres nos esportes eletrônicos? Para debater essa e outras questões, entrevistamos pros players, especialistas e profissionais brasileiros do mercado.

Por que elas precisam se provar tanto? Não é difícil se deparar com o senso comum (ainda que errôneo) de que homens possuem vantagem biológica nos eSports. Diferente dos esportes tradicionais - nos quais a aptidão física tem influência nos resultados -, os esportes eletrônicos dependem de reflexos, sinapses cerebrais e outras questões nas quais o gênero não interfere no desempenho. Uma pesquisa realizada pelas Universidade de Berkeley e Universidade do Estado de Michigan comprovou que indivíduos masculinos e femininos não apresetatam diferenças de per-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

formance em jogos eletrônicos. O estudo acompanhou cerca de 10 mil homens e mulheres nos MMOs EverQuest II e Chevalier’s Romance III, avaliando a velocidade necessária para se avançar de nível de classe. O resultado encontrado na pesquisa, em que as jogadoras “uparam” tão rápido quanto os jogadores, não apenas provou que o estereótipo de diferença entre gêneros não só é falso, como também desencoraja que mulheres comecem a jogar, indicando que o problema é puramente sociológico. Rafael Pereira, psicólogo que atuou na KaBuM eSports, chegou à mesma conclusão.

eSports.com

Emily Andrade e João Pedro Lemos Fonte: www.vs.com.br, em 11/05/18.

243


em sua pesquisa científica, realizada em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina. “Identificamos que, por questões sociais e até por conta do preconceito, mulheres não tinham oportunidades justas sequer de demonstrar sua performance real”, ele diz. “Fica o questionamento: como comparar o desempenho entre mulheres e homens, quando elas nem sequer têm as mesmas oportunidades que os homens nessa área?” Por que o número de pro players mulheres ainda é pequeno? “Primeiramente, pela falta de oportunidades”, responde Amanda “AMD” Abreu, jogadora de CS:GO da Bootkamp Gaming. “Eu sei que os campeonatos não são exclusivos para competidores masculinos, mas temos muitos problemas nesse cenário dito como ‘misto’. Muitas meninas sofrem não só assédio, como tam-

244

bém ofensas e intimidações. Não são todas que têm psicológico para lidar com isso.” Quando pensamos em cobrança voltada ao gênero, nem mesmo uma pro player consagrada como Kim “Geguri” Se-yeon está imune. A jogadora de Overwatch da Shanghai Dragons foi alvo de polêmica logo em seu primeiro torneio, em 2016, quando a comunidade se dividiu nas redes sociais entre aqueles que acreditavam na habilidade natural da sul-coreana e os que a acusaram de trapaça. Como resposta, a pro player promoveu uma transmissão fechada em estúdio e comprovou seu talento ao vivo, mostrando suas mãos no teclado. Mesmo assim, Geguri ainda é alvo de diversos questionamentos nada relacionados ao seu desempenho. Como jogadora da maior liga competitiva de Overwatch do mundo, ao invés de ter suas habilidades contestadas, ela ainda é cobrada a respeito de sua aparência, com inúmeros comentários no chat das transmissões mencionando seu peso ou corte de cabelo curto demais. Geguri chegou a se desculpar no Twitter sobre o assunto. “Quando fico estressada, eu começo a começo a comer compulsivamente e fico gorda por isso”, ela escreveu. “Peço perdão por ser feia. Na fase 3, eu vou trabalhar duro para mostrar o meu lado bom, pelo menos no jogo!” Enquanto isso, quantos jogadores homens que entram em cena para competir são questionados sobre suas aparências?

Como incentivar as mulheres? Várias são as respostas para essa questão. Enquanto alguns incentivam a mesclagem de times, outros acreditam no potencial do cenário feminino - proposta que, no Brasil, tem a Liga Feminino de CS:GO da GamerClub como grande exemplo. “Eu sou a favor do cenário feminino porque é uma introdução para as mulheres”, opina a pro player Amanda “AMD” Abreu. “Ali é um lugar que só tem mulheres, ou seja, pelo menos a gente não tem o desconforto do assédio e de ouvir que ‘esse não é seu lugar, vai lavar uma louça’.” Beatriz “Bea” Terra, jogadora da Xperience eSports, concorda com a representante da Bootkamp. Bea, que já jogou a Liga Feminina pela GDD eSports e SulKings Gaming, acredita que competições femininas são a melhor forma de preparar os times para os campeonatos principais: “É bom e importante nós termos um cenário só para as mulheres, porque isso vai fazer com que a gente evolua até conseguirmos chegar num ponto como os homens. Um dia vamos estar competindo o Major, e isso será algo normal”. Já o psicólogo Rafael Pereira não concorda com a divisão entre cenários e afirma que as jogadoras deveriam ter mais oportunidades de jogar contra times masculinos: “Sou contra. Mesmo que eu entenda o cenário feminino como uma possibilidade de ingressar mulheres em jogos competitivos, não vejo em nossa história um exemplo de um movimento de aproximação dos dois cenários.” “Por isso, entendo que manter competições exclusivamente femininas vai acabar fortalecendo essa segmentação e dificultando que mulheres tenham um espa-

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


ço equivalente ao masculino em jogos eletrônicos profissionais”, completa o psicólogo. Seja favorável ou não, o cenário feminino continua sendo o espaço em que jogadoras encontram apoio, mesmo que este ainda não seja suficiente para que as competidoras consigam se manter financeiramente, já que seus salários e premiações são inferiores aos de times de elite e de grandes competições.

TODAS PODEM JOGAR No último domingo (6), após vencer a edição de abril da Liga Feminina contra a Bootkamp, integrantes da equipe da Vivo Keyd publicaram comentários sobre Olga Rodrigues, afirmando que a jogadora é “irregular” no campeonato por ser transgênera. Os tuítes engrenaram uma disc ussão que tomou conta das redes sociais: afinal, mulheres trans podem competir em ligas femininas de eSports? “Qualquer pessoa que se identifique como mulher deve estar no cenário feminino”, comenta Amanda “AMD”. “Não importa se você é cis ou trans, o que define sua habilidade é o tamanho da sua dedicação. No CS, você é só um jogador, não importa o seu gênero.” Já “Bea” Terra pensa que Olga poderia ser a representação das

mulheres no tier 1 (as ligas profissionais), mas deve jogar onde se sentir melhor: “O que deixa as pessoas intrigadas é que ela saiu do topo, que é onde a gente está buscando chegar, para voltar para um cenário que é pequeno. Talvez isso seja um conforto para ela, jogar com outras mulheres, mas ela tinha vaga no [time] misto e poderia fazer o nome das mulheres [no tier 1].” “Eu não acho que a presença dela atrapalha a competição”, continua Bea. “Pelo contrário, acho que jogar contra ela ajuda a aumentar o nível de habilidade de outras mulheres. Porém, a gente quer conquistar o que ela já conquistou e ela abriu mão disso.” Questionado pelo Versus, Yuri “Fly” Uchiyama, sócio da Gamers Club, confirmou que Olga é uma jogadora regular da Liga: “Sim, a regra que permite a participação de mulheres trans na Liga Feminina já está em vigor e qualquer jogadora trans pode jogar. Ela [Olga] possui a medalha da liga feminina. Eu entendo que tem pessoas que discordam da regra, nem todas têm a mesma opinião, mas não há irregularidade. Olga pode participar, pois apresentou o documento com nome social e sexo, assim como todas as outras que estão disputando o campeonato.” Em 2013, o Supremo Tribunal Federal aprovou o direito de alteração de nome e gênero no registro civil. Dessa forma, do ponto de vista regulatório, uma pessoa que se declara mulher é considerada como tal.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Mudando o jogo “O que mais precisa é de uma conscientização de que mulheres têm, sim, os mesmos potenciais e capacidades”, diz o psicólogo Rafael Pereira, que acredita no estímulo de times mistos como a melhor solução. “É fundamental termos políticas de incentivo, principalmente financeiras, que declarem que equipes mistas recebam mais de seus investidores. Isso seria uma forma de aumentar o investimento geral e inserir mulheres nas equipes.” Mas o que fazer quanto à violência estrutural, que compromete e bloqueia o desempenho das jogadoras? “A primeira mudança deve ser na reeducação do cenário”, aponta Amanda “AMD”. “As pessoas precisam entender que esse também é o nosso lugar e as mulheres devem reconhecer que podem, sim, jogar.

245


Essas ideias precisam de mais apoio, de mais investimento.” “Existem poucas gamers que são trans, e dentre elas um número ainda menor compete”, diz Olga Rodrigues com exclusividade ao Versus. “Isso é por conta de um motivo parecido daquele das jogadoras cisgêneras, que é assédio e misoginia - completando com a transfobia, que sofrem desde o primeiro contato com o jogo. Quando essas violências estruturais diminuírem, ou pararem, aparecerão mais mulheres trans jogando e competindo.”

Fight like a girl A equipe CLG Red de CS:GO.

246

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Emily Andrade e João Pedro Lemos Fonte: www.theenemy.com.br / www.maisesports.com.br Data: 08/05/2019 - 12/010/2019 Foi inaugurado o Projeto AfroGames, espaço voltado para treinamento em desenvolvimento de games e eSports na região do Vigário Geral, no Rio de Janeiro. O projeto é a mais nova iniciativa do Grupo Cultural AfroReggae, surgindo de uma parceria entre o fundador José Junior com o empresário musical Ricardo Chantilly. “Os games são o novo Rock´n Roll e vão revolucionar as novas gerações dando oportunida-

de para qualquer um conquistar uma posição de destaque dentro deste novo mercado profissional, seja jogador ou trabalhando nos bastidores”, declarou Chantilly em comunicado à imprensa. O AfroGames também conta com o patrocínio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, e da empresa de telefonia Oi, que oferece a infraestrutura de conexão com internet por meio do serviço

Oi Fibra. A empresa HyperX, por sua vez, concedeu os acessórios e periféricos utilizados pelo espaço. Inicialmente, o projeto contará com 3 cursos especiais, com um total de 100 vagas: League of Legends (60 vagas); Programação de Jogos (20 vagas) e Produção Musical para Games (20 vagas). O Projeto AfroGames está localizado no Centro Cultural Waly Salomão, que reúne outras atividades do Grupo AfroReggae.

Estrutura Afrogames Imagem: Reproduçaõ Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

247


Estrutura Afrogames Imagem: Reprodução

Sala de Inglês Afrogames Imagem: Reprodução

248

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Fundador do AfroGames afirma:“Nosso objetivo é ser a maior organização do Brasil” O primeiro projeto de eSports em uma favela no mundo: essa é a frase de abertura do AfroGames, localizado na comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Iniciado em 7 de maio deste ano, os alunos foram presenteados com a ida à Arena Jeunesse para acompanhar a final do CBLoL, entre Flamengo e INTZ, onde os rubro-negros se consagraram campeões. Lá, o Mais Esports teve a oportunidade de conversar com o fundador do projeto, Ricardo Chantilly. Para ele, o balanço até agora tem sido muito maior que o esperado: “O impacto dentro da favela foi gigante. Uma das coisas que descobrimos é que alguns jovens gostam de futebol, outros de ballet, outros de vôlei,

mas todos gostam de computador. Aí a adesão foi em massa.” A adesão do projeto na comunidade foi tão positivo que a iniciativa já está buscando um segundo espaço, também no Rio: Uma segunda unidade, desta vez no morro do Cantagalo, e a construção de uma arena de games, também a primeira em favelas no mundo. Além de um projeto de inclusão social, o AfroGames tem um objetivo ousado e promete aparecer no cenário de LoL profissional em 2020. Para isso, explica Chantilly, a primeira turma será concluída em dezembro e os dez melhores serão contratados como jogadores profissionais (cinco titulares e cinco reservas) e disputarão o acesso ao Circuito Desafiante.

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

Ricardo aproveita, também, para contar os planos da AfroGames em fechar uma parceria com uma organização, cujo nome não foi revelado: “Estou fechando com uma organização profissional, de São Paulo, onde eles darão todo o suporte técnico para nós.” “Temos dois lados nesse projeto: Gerar lucro, gerar renda, faturamento e emprego, mas ao mesmo tempo, ele é social. Então, tendo dez jogadores de favela no primeiro ano, já sendo profissionalizados, isso é um exemplo que não temos nem ideia do impacto que isso vai mostrar naquela favela e em todas as outras, ou seja, é possível ser profissional de eSports.

Foto: Dario Costa/AfroGames

249


250

Os objetivos do trio são ousados, todos querem seguir carreira como jogadores profissional de “LoLzão”, como eles definiram: “Um dia também estaremos lá (No palco, na final do CBLoL), jogando contra o Flamengo ou qualquer outro time.” “Já me vejo no futuro, competindo com os melhores, fazendo parte do Flamengo”, eles contam empolgados. Eles terminam a entrevista dando um recado para os moradores de comunidade do Rio, do Brasil e do mundo: “Tem que correr atrás. Se correr atrás, sem ligar para o que os outros falam e acreditar em si mesmo, isso é possível. Essa oportunidade bateu na porta da nossa casa, agora não podemos deixá-la fugir”. “Eu digo que, na nossa comunidade, foi inesperado. Eu peço paciência para as pessoas, pois na nossa demorou, mas se aconteceu lá, pode acontecer em outros lugares. Pode demorar, mas chega. Deus tarda mas não falha”, declaram. Dando um ponto final na conversa, Maicon agradece o projeto pela iniciativa: “Eu quero pedir para que eles não desistam dos seus sonhos. Estamos gostando muito do projeto, só tenho a agradecer.” Por último, o Professor Renan

Costa. Ele dá aula de League of Lengends na AfroGames, e também tem perspectivas otimistas para o futuro, assim como seus alunos. “Estão todos bem empolgados, alguns até assistem a ligas estrangeiras para treinar o inglês. A perspectiva é, assim como no futebol, sair cada vez mais jogadores das favelas. Hoje eu vejo garotos que estão num nível baixo, mas têm um baita talento e nunca tiveram uma oportunidade de jogar e ter acesso ao computador. Hoje com acesso, eles estão evoluindo de uma forma tremenda.”

Ana Beatriz Imagem: Afrogames

Essa é a nossa mensagem”, conclui. Luis Gustavo, 21, Gustavo Henrique, 14 e Maicon, 17, são três alunos do AfroGames que estão no projeto desde o primeiro dia. A alegria e empolgação de estarem se inserindo nesse meio é nítida nos seus olhares e a maneira com que descrevem a sensação de terem esta oportunidade nas mãos: “Está sendo uma experiência, estamos aprendendo muito. Está sendo muito bom para o nosso aprendizado, quero que continue cada vez mais. O que aprendemos e queremos repassar para outras pessoas, não só nós”, afirmam Luis e Gustavo. Maicon engrossa o coro de seus colegas, falando que quer ajudar outros jovens a terem um objetivo: “: Vemos muitas pessoas a toa na comunidade, porque só de morarmos em uma, já não somos bem vistos. Aí vemos pessoas a toa e damos um palpite, perguntamos se quer fazer o curso e falamos o que estamos fazendo. Então, já que eu sei que está nos ajudando, nós queremos trazer mais pessoas para o projeto. Eu tenho um amigo, Daniel, ele tinha interesse mas não tinha aquela pessoa para apoiar, aí eu ofereci ajuda e ele entrou, isso me deu uma grande emoção.”

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1

251


FACHA BACHARELADO

ADMINISTRAÇÃO CINEMA DIREITO JORNALISMO PUBLICIDADE E PROPAGANDA RÁDIO, TV E INTERNET RELAÇÕES PUBLICAS TECNOLÓGICO

DESIGN GRÁFICO GESTÃO DESPORTIVA E DE LAZER MARKETING

2102-3222 www.facha.edu.br 252

Trabalho acadêmico válido como AV2 da turma C304C de Editoração Eletrônica da FACHA - 2020/1


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista InForme - C304C - Facha - 2020/1 by Gilvan Nascimento - Issuu