DESDE 1970 TRANSPORTANDO INFORMAÇÃO | DEZ/25-JAN/26 | EDIÇÃO
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ANO DIFÍCIL NA ESTRADA
Distribuição gratuita para motoristas de caminhão
NOS E M , A RANÇ ESGASTE U G E S N I IS D A M , DA S CARGA NÇA RENOVA R RA E ESPE 2026 MELHO M PARA U
SEGURANÇA
Fadiga e privação de sono elevam o risco para quem vive a rotina da estrada
PISO MÍNIMO DE FRETE Tecnologia da ANTT transforma fiscalização e acelera multas do frete
INTERNACIONAL
Escassez nos EUA e bons salários atraem motoristas brasileiros para o país
EVOLUÇÃO NO TRANSPORTE MUDANÇAS E DESAFIOS ocarreteiro.com.br MARCAM SETOR 1
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Paradinha? Só para o café!
Conheça os filtros para BIODIESEL com tripla filtragem da MANN-FILTER Os novos filtros WK 1060/40 e WK 1060/20 da MANN-FILTER trazem a exclusiva tecnologia de tripla filtragem, criada para suportar as exigências do biodiesel. Com três camadas de filtragem, eles retêm diferentes níveis de impurezas e filtram 99% da água, oferecendo máxima eficiência na proteção do equipamento. Testes em mais de 1 milhão de quilômetros nas maiores frotas do Brasil comprovam sua durabilidade e alto desempenho.
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EDITORIAL
ANO DESAFIADOR DANIELA GIOPATO Editora
O
ano de 2025 ficou marcado por intensos desafios para os caminhoneiros brasileiros. Em conversas com motoristas de diferentes regiões, um ponto em comum se repetiu, o frete defasado. A combinação entre baixa oferta de cargas, custos operacionais cada vez mais altos e a dificuldade de manter a manutenção dos caminhões em dia fez com que o ano não fosse tão positivo para grande parte da categoria. Como reação à crise do frete, algumas medidas começaram a surgir. A mais comentada foi a implantação da fiscalização eletrônica do cumprimento do valor mínimo de frete. Embora o novo sistema tenha aumentado de forma expressiva o número de infrações registradas, também trouxe insegurança e dúvidas para os transportadores autônomos, que muitas vezes se veem desamparados diante da falta de informação e da burocracia crescente. Ainda assim, mesmo em meio às dificuldades, muitos motoristas mantêm a esperança de um 2026 mais promissor, com maiores oportunidades e a expectativa de que o setor finalmente reconheça o valor da categoria. Valorizar o caminhoneiro e garantir condições mínimas de trabalho não é apenas uma necessidade econômica, mas uma urgência social e essencial para evitar o abandono da profissão. A rotina exaustiva desses trabalhadores acende um alerta importante. O cansaço constante compromete a segurança nas estradas e expõe motoristas e outros usuários da estrada a riscos que poderiam ser evitados com melhores políticas públicas, infraestrutura adequada e jornadas mais justas. Além disso, todos esses desafios tornam o setor menos atrativo para os jovens. Como destacou recentemente um especialista do transporte, é preciso recuperar o “glamour” da profissão, resgatar o orgulho de estar no volante e tornar o segmento mais moderno, seguro e convidativo. O Brasil depende do transporte rodoviário, e o transporte depende dos caminhoneiros. Ou damos a esses profissionais as condições que merecem, ou continuaremos assistindo à perda de força de um setor essencial para movimentar o País. ocarreteiro.com.br
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SUMÁRIO
12 ESTRADA BALANÇO
Desafios, insegurança e desgastes marcaram 2025, mas esperança segue em 2026
24 FISCALIZAÇÃO FRETE
Novo sistema da ANTT amplia multas e muda o cenário do piso mínimo 4
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18 TRANSPORTE
Comportamento do mercado muda, a tecnologia avança e o setor encara cada vez mais desafios e complexidades
REVISTA
DESDE 1970 TRANSPORTANDO INFORMAÇÃO
/OC ARRETEIRO /OC ARRETEIRO /REVISTAOCARRETEIRO
DIRETOR Edson Pereira Coelho REDAÇÃO | redacao@ggmidia.com.br Publisher: João Geraldo (MTB 16.954) Editora: Daniela Giopato (MTB 39.656)
30 IMPRESSÕES
ARTE | arte@ggmidia.com.br Editor de Arte: Pedro Hiraoka DIGITAL Alexis Coelho Eduardo Arpassy
Novo Accelo 1417 reforça ergonomia, praticidade e desempenho para rotas mistas e entregas urbanas
COMERCIAL | comercial@ggmidia.com.br Diretora: Nilcéia Rocha Erika Nardozza Coleta
34 SEGURANÇA
ADMINISTRAÇÂO Ed Wilson Furlan
Falta de sono, rotina pesada e saúde fragilizada tornam a sonolência um risco cada vez maior nas estradas
40 INTERNACIONAL
Escassez de motoristas nos EUA e salários atrativos impulsionam brasileiros a buscar carreira nas rodovias americanas
DISTRIBUIÇÃO GG Editora de Publicações Técnicas Ltda. Juliana Vieira Magno Coelho VENDAS | www.ggmidia.com.br contato@ggmidia.com.br (11) 91442-4482 (11) 97362-0875 Exemplar avulso: RS 15,00 ED. Nº 572 • DEZ/2025 - JAN/2026
Publicação de GG Editora de Publicações Técnicas Ltda. - Rua Palacete das Águias, 395 - Vila Alexandria - CEP 04635-021-SP - Tel.: (11) 91442-4482 revista@ocarreteiro.com.br www.ocarreteiro.com.br
46 JAC CAMINHÕES
Montadora aposta em rede sólida, crédito acessível e linha completa de rígidos para ganhar espaço no mercado
SEÇÕES
6 Notícias | 50 Na mão certa
A Revista O Carreteiro é dirigida a motoristas de caminhão, empresários donos de transportadoras, frotistas, chefes de oficinas e demais profissionais ligados ao transporte rodoviário de carga. A publicação é distribuída em cooperação com postos de serviços rodoviários “ROD” (Rede Oficial de Distribuidores da Revista O Carreteiro). É proibida a reprodução total ou parcial de matérias sem prévia autorização. Matérias e artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Revista O Carreteiro. Impressão e Acabamento: Lar Anália Franco (Grafilar Centro Pofissionalizante Gráfica e Editora). Distribuição gratuita nos postos de rodovia cadas‑ trados no ROD.
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TRAXON HYBRID A ZF avançou na redução de emissões ao testar, em operação real, a transmissão híbrida TraXon 2 Hybrid. Avaliada por transportadoras europeias e pela BGL, a solução confirmou menor emissão de CO₂ sem comprometer autonomia. O sistema plug-in permite que os caminhões usem a infraestrutura de abastecimento já existente, ponto importante para operações de longa distância. A TraXon 2 Hybrid combina motor a combustão com motor elétrico instalado entre a embreagem e a transmissão, permitindo rodar em modo 100% elétrico em trechos urbanos e manobras. O motor elétrico também auxilia o motor a diesel em demandas maiores, reduzindo esforço e consumo. O sistema recupera energia nas frenagens, ampliando o ganho de eficiência. Os testes indicaram impacto direto no TCO e maior eficiência operacional. Para
Christian Feldhaus, VP de Transmissões & Híbridos da ZF, a solução é pragmática para longas distâncias, equilibrando redução de CO₂ e viabilidade econômica. A BGL destaca que a tecnologia funciona como ponte até a ampliação da infraestrutura elétrica. Simulações com o software VECTO estimam redução de até 47% nas emissões em longas distâncias e até 73% no transporte de distribuição, com recargas consistentes. Os resultados atendem às metas climáticas de 2030 e podem reduzir custos com pedágios e impostos ambientais. Derivada da TraXon 2, a versão híbrida recebeu motor elétrico de 190 kW (600 a 800 V) e pode ser combinada a motores a diesel, e-fuels, HVO, GNV/GLP ou hidrogênio, ampliando a flexibilidade para fabricantes e frotas em transição energética.
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ALTA NO CONSÓRCIO Entre janeiro e outubro, o Consórcio Maggi VWCO comercializou mais de 2.500 cotas, avanço 30% superior ao mesmo período de 2024. O ticket médio ultrapassou R$ 620 mil, reforçando a confiança dos transportadores na modalidade. Com esse resultado, segundo a VWCO, o programa se consolida como o maior consórcio do País entre os vinculados a fabricantes no segmento de caminhões, incluindo versões elétricas. De acordo com a ABAC, o setor de veículos pesados movimentou R$ 17,57 bilhões nos dez primeiros meses de 2025, alta de 16,9% sobre o ano passado. Em um ambiente de inflação elevada e crédito restrito, o consórcio surge como alternativa estratégica para aquisição e renovação de frota. Ricardo Alouche, vice-presidente da VWCO, afirma que a
modalidade tem sido essencial para manter o ritmo de vendas, oferecendo parcelas menores e diversas formas de contemplação. Em outubro, o programa registrou a contemplação de 100 cotas em uma única assembleia, acelerando entregas por meio de lances e grupos com alta saúde financeira. Entre os créditos mais contratados, destaca-se o valor de R$ 500 mil, ideal para a compra dos principais modelos Volkswagen. A demanda por caminhões leves segue forte. O Delivery 11.180 permanece como o modelo mais entregue pelo consórcio, impulsionado pelo crescimento das operações urbanas. Entre janeiro e outubro, mais de 5 mil unidades do modelo foram emplacadas no País, considerando todas as modalidades de venda. ocarreteiro.com.br
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PLANOS DE MANUTENÇÃO DAF A DAF Caminhões Brasil promoveu uma reestruturação completa nos planos de manutenção DAF Multisuporte, oferecendo novas modalidades de contratação e mais flexibilidade para atender diferentes perfis de operação. Segundo a montadora, as mudanças podem gerar até 40% de economia em alguns modelos e contratos, além de ampliar a previsibilidade dos custos e melhorar o TCO do transportador. De acordo com Isabella Santos, gerente de Serviços ao Cliente, a revisão foi construída com base em análises detalhadas das operações dos clientes. Os planos seguem com preço fixo por quilômetro, permitindo controle financeiro e contribuindo para maior disponibilidade do veículo e valorização na revenda. A grande novidade é o DAF Multisuporte
Dinâmico, primeiro plano modular da marca no Brasil. Indicado para caminhões com mais de dois anos de uso ou acima de 200 mil km, permite ao cliente escolher os serviços desejados, como trocas de óleo de motor, transmissão ou bateria. A personalização é inédita em operações PACCAR no mundo e atende também quem adquiriu veículos seminovos. Nesse modelo, são utilizadas peças TRP, da PACCAR Parts, com garantia nacional de um ano. Com o lançamento, o portfólio passa a reunir cinco opções: Dinâmico, Óleos e Filtros, Preventivo, Pleno e Ultra este último com pagamento flexível, gestor dedicado e prioridade na rede. Segundo Isabella, os planos reforçam previsibilidade e segurança operacional para autônomos, pequenos frotistas e grandes operações.
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SEGURO CAMINHÃO O Bradesco Seguros está divulgando seu plano de cobertura voltado ao transporte rodoviário de cargas, reforçando a importância de proteger quem vive nas estradas em um país onde mais de 60% das mercadorias circulam pelo modal rodoviário. Desenvolvido por especialistas familiarizados com a rotina dos caminhoneiros, o produto oferece proteção completa para veículo e motorista. O pacote inclui coberturas contra colisão, incêndio, roubo e furto, além de proteção para operação de basculamento sem custo adicional. Também garante indenização por danos materiais e corporais a terceiros, seguro em garantia única, assistências personalizadas e acesso a uma ampla rede de oficinas credenciadas. Segundo Saint’ Clair Lima, diretor da Bradesco Seguros, a proposta atende às principais necessidades do segmento. “O Bradesco Seguro Caminhão é completo. Traz coberturas essenciais para o veículo
e assistências voltadas ao motorista, como despesas médicas e hospitalares e assistência residencial gratuita”, afirma. O seguro pode ser parcelado em até 10 vezes sem juros. O transportador ainda pode contratar coberturas adicionais, como proteção total para vidros, acidentes pessoais de passageiros, despesas médicas, assistência funeral, cobertura para carroceria, extensão de RCF para rebocados, danos morais, despesas extraordinárias e indenização pelo valor de novo por até 180 dias. A iniciativa reforça a atuação da Bradesco Auto/RE, especializada em seguros automotivos e patrimoniais. De janeiro a setembro de 2025, a empresa registrou R$ 5,1 bilhões em prêmios no segmento de automóveis e R$ 825 milhões em residenciais, mantendo participação de 11,2% e 16,8% nesses mercados, respectivamente. ocarreteiro.com.br
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ASSISTENTE VELOE LEO A Veloe apresentou o Leo, seu primeiro assistente inteligente integrado ao portal Minha Frota. A solução, desenvolvida com tecnologia da Microsoft, marca um avanço na digitalização do atendimento e na melhoria da experiência do usuário. Com suporte automatizado 24 horas por dia, o Leo utiliza IA generativa para entender perguntas em linguagem natural e responder de forma rápida e contextualizada, ajudando o cliente em tarefas rotineiras e reduzindo o tempo gasto com dúvidas simples. Segundo a empresa, cerca de 30% dos chamados atuais tratam de questões funcionais do portal, o que sobrecarrega as equipes. Com o novo assistente, a Veloe espera diminuir significativamente esse volume e tornar o atendimento mais leve, eficiente e acessível. Alexandre Fontes, superintendente de Operações e
Tecnologia, afirma que o Leo já cobre mais de mil perguntas frequentes e oferece uma jornada mais prática ao usuário. Além de melhorar a interação com o cliente, o assistente também atuará em processos internos, apoiando equipes técnicas na identificação de erros, sugestão de soluções e até no auxílio à codificação, acelerando rotinas de Product Owners, desenvolvedores e analistas. O lançamento reforça o posicionamento da Veloe como empresa orientada à tecnologia e inovação na mobilidade e gestão de frotas. A Veloe Go, solução focada na gestão de abastecimento para grandes e médios operadores, microtransportadores e autônomos, conquistou recentemente o prêmio de melhor solução em Gestão de Abastecimento de Combustível no Rio Grande do Sul.
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BORGWARNER 50 ANOS
A BorgWarner celebra 50 anos no Brasil com previsão de encerrar 2025 com alta de 25% no faturamento. Para a diretora-geral Melissa Mattedi, o momento é positivo apesar do cenário econômico desafiador. A demanda por turbos para veículos leves cresceu, enquanto houve retração na linha pesada, mas o portfólio diversificado ajudou a empresa a atravessar a instabilidade com mais segurança. A companhia mantém postura cautelosa diante das incertezas globais, como guerras, tarifas e oscilações de setores como o agronegócio, que afetam diretamente o mercado de caminhões. Hoje, na fábrica de Itatiba/SP, 68% da produção é dedicada a veículos leves e 32% aos pesados — uma inversão do início das operações, antes da entrada da Stellantis em 2015. Para 2026, a expectativa é de estabilidade, acompanhando o ritmo mais lento do setor. A executiva avalia que o governo deverá adotar medidas para manter o mercado aquecido em ano pré-eleitoral. Mattedi destaca o potencial de expansão
do turbo no país: atualmente, 51% dos veículos novos usam turbocompressor, ante 70% na Europa, e a chegada de híbridos asiáticos deve impulsionar esse índice. A diretora adianta que a empresa terá uma novidade para o segmento pesado até o fim de 2025, relacionada a uma nova montadora — hoje, a BorgWarner não atende DAF nem Foton. O foco das montadoras na região tem sido a descarbonização, o que mantém o turbo como componente estratégico por melhorar eficiência energética e reduzir emissões, inclusive em motores menores e híbridos. Além dos turbos, o portfólio inclui sistemas eletrônicos para gestão térmica de baterias e embreagens viscosas para ônibus e caminhões. A divisão local de TTD já identifica ao menos seis linhas com potencial de produção nacional. Com estrutura preparada e espaço para expansão, a empresa vê o Brasil como plataforma ideal, faltando apenas a validação de novos projetos pelas montadoras. ocarreteiro.com.br
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ESTRADA
O ANO DA RESISTÊN Baixa oferta de carga, custos altos, riscos nas rodovias e pressão de rastreamento marcaram o ano dos motoristas, que pedem mais respeito e infraestrutura
DANIELA GIOPATO
O
ano de 2025 deixou marcas profundas em quem vive diariamente da estrada. Com a economia instável, a oferta de cargas caiu, os valores do frete ficaram ainda mais defasados e a rentabilidade diminuiu, trazendo insegurança e insatisfação para motoristas autônomos e empregados. Além do impacto no bolso, o cenário revelou uma rotina cada vez mais desgastante, marcada por longas esperas, pressões de monitoramento, falta de in-
fraestrutura e o aumento da sensação de vulnerabilidade nas rodovias. Ainda assim, a esperança por um 2026 melhor continua sendo o combustível emocional de quem segue conduzindo o País sobre rodas. Para o autônomo Luis Antonio Nunes Lopes, 57 anos e 40 de estrada, de Areia /PB, 2025 foi um dos anos mais difíceis da carreira. Segundo ele, o principal problema continua sendo o frete de retorno. Muitos motoristas aceitam car-
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regar sem a garantia de voltar com carga, o que compromete a rentabilidade. “O frete de São Paulo para o Nordeste é de aproximadamente R$ 20 mil, mas a volta sai pela metade. Muitos acabam pegando assim mesmo para não rodar vazio. O preço defasado e a pouca oferta de frete atrapalharam muito o nosso dia a dia. Sem falar na demora para receber o saldo”, explica. Luis afirma que, a cada ano, as dificuldades aumentam e só permanece na
Fotos SHUTTERSTOCK e ARQUIVO PESSOAL
STÊNCIA
profissão quem realmente está preparado para os desafios do setor. Com a instabilidade econômica, a movimentação de carga diminui, afetando diretamente quem trabalha por conta própria. “Eu transporto frutas e é visível a queda no comércio em todas as regiões do País. O transporte de carga definitivamente não é para amadores”, reforça Para Francisco Luiz Nascimento Júnior, 49 anos e duas décadas de profissão, de Jaboatão dos Guararapes/PE, ocarreteiro.com.br
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ESTRADA
Para Luis Antonio, um dos grandes problemas é o frete de retorno. Muitos motoristas aceitam carregar com preço baixo para não voltar vazio
2025 foi, no geral, um ano positivo. Ainda assim, alguns entraves continuam pesando no dia a dia da categoria. “A segurança nos pontos de apoio e nas rodovias precisa melhorar, assim como os salários e a infraestrutura. As estradas estão cada vez mais perigosas”, afirma. Empregado de frota, Francisco destaca que tem a vantagem de trabalhar com caminhões novos, o que contribui para uma rotina mais tranquila e segura. “Apesar de todas as dificuldades do transporte, os caminhões são um ponto positivo. Estão cada vez mais confortáveis e equipados com tecnologias que
A falta de seguança nos pontos de apoio e infraestrutura defasada nas rodovias ainda são desafios enfrentados pelos caminhoneiros, acredita Francisco Luiz
fazem toda a diferença no dia a dia”, comenta. Para o caminhoneiro Marco Antonio Vrech, de 33 anos e sete anos de experiência no transporte, o ano de 2025 foi uma virada marcante na vida profissional e pessoal. Embora seja proprietário de caminhão desde 2018, foi somente nesse último ciclo que ele se dedicou integralmente à profissão e realizou o sonho de infância de viver na estrada. Ele define o período como inesquecível, repleto de trabalho intenso, aprendizado e a confirmação de que nasceu para ser caminhoneiro.
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Marco Antonio explica que em 2025 focou na profissão, porém ressaltou algumas dificuldades como preço do diesel e tempo perdido em filas de carregamento
Marco relembra que 2025 foi um ano de amadurecimento, no qual consolidou sua rotina na estrada, reforçou a resiliência diante das adversidades e fortaleceu a conexão com outros motoristas. Também foi um período de evolução na gestão operacional. Porém, ressalta muitos desafios ao longo do ano. “As condições precárias de muitas rodovias, a preocupação constante com a segurança pessoal e da carga e os custos operacionais em alta são alguns fatores que dificultaram o dia a dia. Além disso, o aumento no preço do diesel, os pedágios mais caros e o valor das peças de reposição apertaram a margem de lucro. Outro ponto crítico é o tempo perdido em filas de carregamento e descarregamento, que afeta diretamente sua produtividade e seu descanso”, explico. Com a chegada de 2026, Marco reforça sua esperança de que o cenário melhore e ofereça mais segurança e dignidade aos motoristas. Ele espera avanços na infraestrutura, com mais investimentos na recuperação de trechos críticos e maior presença de patrulhamento nas estradas, além da criação de pontos de parada realmente seguros para o descanso noturno. Também torce por processos mais ágeis nas operações logísticas, com respeito à Lei do Caminhoneiro, redução dos longos períodos de espera e uma tabela de preço de frete mais justa. “Espero que a categoria seja mais valorizada, com incentivo ao uso de tecnologias que facilitem a navegação e a comunicação,
além de mais reconhecimento por parte da sociedade e dos clientes. Que seja um ano mais próspero, seguro e respeitoso para todos que vivem da estrada”, concluiu. Para o caminhoneiro Edegar Alves da Silva, 2025 foi um ano de grande desgaste emocional e muitos desafios no transporte rodoviário. Com 16 anos de estrada, ele afirma que a maior dificuldade do período não foi o frete, nem a economia, mas sim o monitoramento e o rastreamento, que se tornaram, segundo ele, uma fonte constante de estresse. Edegar lembra que enfrentou um problema sério com o agendamento de descarga, que acabou sendo remarcado para quinze dias depois. Ele recebeu o pagamento da estadia conforme combinado com a empresa, em um acorocarreteiro.com.br
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ESTRADA Edegar Alves enfrentou alguns problemas com o monitoamento e rastreamento do caminhão além do agendamento incorreto para descarga
do amigável, mas o caminhão ficou parado todo esse tempo. A espera aconteceu em um estacionamento fechado e seguro, porém, mesmo assim, o rastreador não parava de emitir alertas e mensagens automáticas, inclusive durante a madrugada. “Você está dormindo, e o teclado fica apitando sem parar. A gente avisa que está aguardando, mas o sistema continua cobrando previsão de reinício da viagem. Isso vai minando a paciência e gerando um estresse tremendo”, explica. O motorista afirma que não é contra o rastreamento, ao contrário, reconhece sua importância para a segurança. A indignação dele é com a falta de sensibilidade das equipes de monitoramento, que, mesmo vendo que o caminhão es-
tá parado e informado sobre a espera na descarga, continuam enviando mensagens e cobranças automáticas. Edegar também critica as condições de alguns clientes, citando descargas feitas no sol quente, sem estrutura, com exigências exageradas até para ir ao banheiro. Para ele, falta respeito básico com o profissional. “A gente chega e já começa a cobrança. Mas estrutura mesmo, conforto mínimo, quase nada”, diz. Outro ponto que o marcou em 2025 foi o aumento das esperas para carregamento e descarregamento. Segundo ele, dependendo da carga, especialmente no algodão, os agendamentos chegam a atrasar mais de 10 ou 15 dias. E o motorista, afirma, se sente de mãos atadas. “Se você briga por seus direitos, por sindicato ou pela estadia, você não carrega mais em lugar nenhum. É assim que funciona. Então a gente acaba engolindo muita coisa.” Apesar das dificuldades, Edegar mostra esperança para 2026. Ele se define como um homem de fé e acredita em dias melhores. “Eu espero que seja um ano produtivo, com mais respeito pelo motorista. Que cada um faça sua parte. O Brasil é abençoado por Deus, o transporte está no sangue. A gente fala que vai parar, mas não para. Está na veia. Espero mesmo é mais compromisso das empresas com o motorista. Somos a linha de frente. Se começar pela gente, tudo melhora. Quero um ano com saúde, trabalho e mais verdade no transporte”, concluiu.
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TRANSPORTE
O transporte rodoviário brasileiro entra em um ciclo decisivo, marcado por tecnologia, conectividade, gestão, novas exigências e a necessidade urgente de valorizar e oferecer condições dignas para o motorista DANIELA GIOPATO
O
transporte rodoviário brasileiro vive uma travessia histórica. A indústria avança em tecnologia, o mercado muda de comportamento, os motoristas enfrentam novas exigências e a sociedade cobra eficiência, sustentabilidade e segurança. Em meio a essa revolução silenciosa, poucas vozes conseguem enxergar o panorama completo com tanta clareza quanto Roberto Leoncini, executivo que marcou sua trajetória em gigantes como Scania e Mercedes-Benz, sempre ligado à área de vendas, pós-vendas, serviços e relacionamento com o cliente. Atualmente, Leoncini atua como con-
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Para Roberto Leoncini, o mercado de caminhões está mais complexo
selheiro consultivo da Mercedes-Benz e do Grupo Águia Branca, além de mentor de executivos e sucessores de transportadoras. Seu olhar ajuda a compreender por que o setor mudou tanto nos últimos 20 anos e por que os próximos 10 serão decisivos. Leoncini observa que o transporte brasileiro atravessa um período de redefinição de prioridades, depois de uma década marcada por altos e baixos nas vendas, juros elevados e mudanças tecnológicas profundas. Para ele, o mercado vive um novo grau de complexidade. “O mercado de caminhões é cíclico, mas agora está diferente. Há uma com-
binação de fatores como envelhecimento da frota, crédito restrito, falta de motoristas e sucessão mal resolvida, que exigem uma nova forma de pensar o negócio”, afirma. Ao mesmo tempo, reforça que o transporte segue sendo um setor vital e resiliente, mas que demanda atitudes mais coordenadas entre empresas, governo e indústria. “O transporte é o espelho da economia. Quando ele se move, o País anda. Mas, para continuar avançando, precisamos de governança, eficiência e coragem para enfrentar os problemas estruturais, opina.” Leoncini resume de forma direta que o setor entrou numa era em que não basta ter caminhão é preciso ter gestão. O veículo deixou de ser o fim e passou a ser o meio. “O mercado ficou mais complexo. Antes a conversa era torque, preço. Hoje falamos de disponibilidade, custo operacional, telemetria, conectividade, ciclo de vida do produto. É outro patamar de exigência”, diz. Segundo ele, essa mudança não partiu apenas das montadoras, mas também da evolução dos transportadores e embarcadoocarreteiro.com.br
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TRANSPORTE
res, que se tornaram mais profissionais e orientados por dados. A idade da frota surge como um dos maiores pontos de atenção nesse novo cenário. Muitos operadores estão esticando demais a vida útil dos veículos, o que afeta produtividade, segurança e imagem. Para Leoncini, falta uma política pública consistente de renovação e, mais do que isso, falta coordenação entre indústria, governo e transportadores para destravar o tema. “O problema é mais profundo do que parece. Não se trata apenas de ampliar crédito, porque o caminhoneiro autônomo com um veículo de 25 anos, muitas vezes sem comprovação formal de renda ou garantias, não consegue acessar financiamento para um caminhão novo. É preciso criar um modelo estruturado de transição, que envolva programas de recompra, destinação de veículos ineficientes e oportunidades reais de reemprego para quem depende deles”, disse. Países como a Alemanha já avançaram nesse caminho, enquanto o Brasil
segue adiando a discussão e tratando a renovação como um problema social, e não como uma política de produtividade. Leoncini acredita que a falta de fiscalização técnica e ambiental efetiva agrava o quadro. “Não há como falar em segurança ou eficiência com caminhões de três décadas circulando sem inspeção, gerando custos invisíveis em acidentes, poluição e perda de competitividade”. Outro tema que ganha força na visão do executivo é o papel dos seminovos na dinâmica do transporte brasileiro. Ele destaca que o segmento deixou de ser apenas uma alternativa mais barata e se tornou uma peça fundamental na renovação da frota. Os programas estruturados de recompra e certificação permitem que caminhões usados ganhem segunda vida com garantia, inspeção técnica e transparência algo essencial para quem não tem acesso ao veículo zero quilômetro. Leoncini reforça que, sem um mercado forte de seminovos, a renovação da frota fica travada, e o ciclo econômico do
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transporte perde eficiência. “O seminovo é o elo que permite o giro. Sem ele, o mercado para, disse” Paralelamente, o papel do motorista passou por uma das transformações mais significativas do setor. Ele deixou de ser apenas o condutor para se tornar um operador técnico, capaz de interpretar dados, utilizar sistemas embarcados, trabalhar com telemetria e extrair o máximo da eficiência do veículo. “Nenhum sistema entrega resultado sem gente qualificada. O motorista é parte central da eficiência da frota. Treinamento hoje não é diferencial é obrigação”, afirma Leoncini. O desafio, porém, é que esse aumento de exigência vem acompanhado de uma dificuldade crescente para atrair novos profissionais. A nova geração é mais conectada, tem outras referências e busca melhores condições de trabalho. Para Leoncini, o setor precisa recuperar o “glamour” da profissão para reduzir o déficit de motoristas, oferecendo perspectiva, segurança e qualidade de vida.
Mas o avanço tecnológico contrasta com uma realidade estrutural que continua atrasada. Leoncini reforça que o Brasil ainda discute produtividade sem resolver o básico. A infraestrutura não é adequada, as estradas oferecem riscos e faltam pontos de parada dignos e suficientes. “Não existe eficiência se o motorista não consegue descansar. Não existe segurança se ele precisa improvisar um local para dormir. E não existe respeito à profissão quando falta um ambiente minimamente adequado para o trabalhador fazer seu percurso”, comenta. Para ele, essa discrepância entre tecnologia de ponta e infraestrutura deficiente cria uma barreira constante no dia a dia de quem vive da estrada. Outro ponto importante é a evolução do relacionamento entre montadoras, clientes e concessionários, que migrou de uma lógica comercial para uma lógica de parceria. “Hoje falamos muito mais de solução do que de produto. O cliente compra um caminhão, mas o que ele ocarreteiro.com.br
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quer mesmo é disponibilidade. Quer saber que o veículo não vai parar, que terá manutenção adequada, que existe suporte remoto, conectividade, diagnóstico antecipado. Isso muda a forma de trabalhar.” Com a conectividade, a manutenção tornou-se preditiva, a logística ficou mais planejada e os custos mais transparentes. Leoncini também observa mudanças relevantes na mentalidade dos transportadores. A cultura do improviso vem dando lugar à gestão profissional, ao controle rigoroso de indicadores, à manutenção programada e à análise contínua de performance e consumo. “A competitividade aumentou. Quem não melhora fica para trás. O mercado não perdoa mais decisões mal planejadas”, destaca. Olhando para o futuro, Leoncini acredita que não haverá uma solução única de energia. Diesel, biometano, elétrico e hidrogênio vão coexistir por muito tempo. “O Brasil é um país continental. O que funciona para uma rota não serve para
outra. Não estamos diante de uma substituição; estamos diante de uma expansão de possibilidades.” Para ele, o desafio será equilibrar produtividade, sustentabilidade e responsabilidade social. Por fim, Leoncini reforça que a evolução do transporte não depende apenas das montadoras. “Transportador, motorista, entidades de classe, governo, concessionárias, todo mundo tem um papel. A cadeia inteira precisa avançar.” Ele sintetiza sua visão com um pensamento direto, o transporte está mudando porque não há outra escolha. O mundo mudou, o mercado mudou e as demandas são outras. “O futuro já começou. E o Brasil só vai avançar de verdade quando conseguir unir o que já tem de melhor com o que ainda precisa construir. Assim, entre desafios antigos e soluções cada vez mais modernas, a nova era do transporte segue em movimento, conectada, exigente e, acima de tudo, construída por pessoas que continuam carregando o país todos os dias, conlcui.”
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A FABET SP ESTÁ FAZENDO MUITA GENTE DIRIGIR MELHOR O CAMINHÃO, OS NEGÓCIOS E A PRÓPRIA VIDA A Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte) é uma instituição especializada em Programas de Treinamento & Desenvolvimento para o setor de transporte e áreas afins. Disponibiliza uma estrutura física com alojamentos, refeitório, quadro docente especializado e multidisciplinar, metodologia humanizada, baseada nos pressupostos andragógicos, com aulas práticas em laboratórios e em veículos modernos, além de um setor de egressos que encaminha para o mercado de trabalho.
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FRETE
Nova fiscalização eletrônica da ANTT provoca avalanche de multas, altera oferta de cargas e acende alerta entre caminhoneiros e transportadoras
PISO M ÍN
DANIELA GIOPATO
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piso mínimo do frete, instituído em 2018 após a grande greve dos caminhoneiros, sempre enfrentou resistência no setor. Além de ser alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona sua constitucionalidade, a norma nunca foi plenamente cumprida. Por anos, embarcadores e transportadoras argumentaram que, devido ao processo judicial, não haveria obrigatoriedade prática, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) se limitava a fiscalizar apenas presencialmente um trabalho com pouca efetividade. Recentemente, o piso mínimo do frete voltou ao centro das discussões no Transporte Rodoviário de Cargas e desta vez com números que mostram o tamanho da virada. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) intensificou a aplicação de multas por descumprimento do valor mínimo de frete. E o resultado chamou a atenção, afinal entre janeiro e outubro, foram mais de 37,5 mil autuações, quase nove vezes as 4,3 mil registradas em todo de 2024. A mudança está diretamente ligada à implementação, iniciada em outubro, de um novo sistema de fiscalização on-line da tabela de frete. A partir da Nota Técnica nº 2025.001, a ANTT incluiu novas
validações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), tornando mais precisos os cruzamentos entre as informações declaradas pelas transportadoras e os valores previstos na Política Nacional de Pisos Mínimos do TRC (PNPM-TRC). Com isso, irregularidades passaram a ser identificadas automaticamente. Segundo Alan Medeiros, assessor parlamentar e relações Institucionais da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), a virada começou em fevereiro, quando sindicatos de base de Santos, outras entidades de São Paulo e a Fetrabens se uniram pa-
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M ÍNIMO NA MIRA
ra levar três pautas principais ao governo: aposentadoria especial, revisão das 11 horas de descanso e, principalmente, fiscalização do piso mínimo. Após reuniões com Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência e Ministério dos Transportes, a ANTT se comprometeu a modernizar o processo fiscalizatório. E cumpriu. A partir de abril, a Agência iniciou o cruzamento eletrônico dos dados do MDF-e com a metodologia de cálculo do piso mínimo. “No início, era literalmente um analista sentado diante de uma enxurrada diária de informações. Mesmo assim, o número de autuações aumentou. A verdadeira mu-
dança, porém, veio em outubro, quando a ANTT ativou uma fiscalização 100% automática. Sem intervenção humana, o sistema identifica tipo de carga, quilometragem, número de eixos e valor informado no documento. Em segundos, cruza com o piso mínimo e dispara autuações quando há descumprimento. A consequência foi imediata uma avalanche de multas e uma convulsão no setor. Segundo Medeiros, houve transportadoras que simplesmente pararam de carregar, e relatos de “rachas internos” entre embarcadores e empresas. Grandes players, passaram a recomendar a contratação exclusiva de ocarreteiro.com.br
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caminhões de nove eixos. "A explicação é simples, esses veículos transportam mais carga, têm maior produtividade e, apesar do custo maior, compensam quando o piso mínimo passa a ser rigidamente aplicado”, afirmou. Mas esse movimento gerou um efeito colateral pesado. Os caminhões LS, comuns no granel e no transporte geral, começaram a perder espaço. Vários motoristas relataram que, a partir de outubro, deixaram de ser chamados para cargas que antes eram rotineiras. Para a CNTA, trata-se de uma estratégia dos embarcadores para pressionar o setor e criar uma percepção de que o piso mínimo é inviável, além de aumentar a pressão política sobre o STF. O cenário é agravado pelo momento de entressafra, quando há menos carga e mais disputa por frete. Do lado dos autônomos, o impacto é direto. Pela primeira vez, mesmo quem
gostaria de aceitar valores abaixo do piso mínimo não consegue mais, já que o sistema eletrônico impede o registro de fretes fora da tabela sem risco alto de multa. Assim o caminhoneiro fica entre não carregar e não poder negociar. Diante do desequilíbrio causado pela priorização dos nove eixos e das distorções no cálculo atual do piso, a CNTA e a Fetrabens participaram de audiência pública da ANTT que revisa a metodologia todos os anos. Desta vez, porém, as contribuições estão especialmente robustas. As entidades propõem que a ANTT adote uma nova metodologia segmentada em três categorias de veículos: leves, médios e pesados. A ideia é corrigir distorções que, hoje, tratam caminhões completamente distintos como se tivessem as mesmas características operacionais. “Um dos exemplos citados é a velocidade média usada no cálculo. Atu-
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Para Silvio Kasnodzei, do Setcepar, o novo sistema de fiscalização ampliou a desigualdade almente, a ANTT utiliza 55 km/h para todos os veículos, do VUC ao bitren. Mas estudos da Fetrabens mostram que conjuntos mais pesados operam, na prática, em torno de 34 km/h. A diferença influencia diretamente o valor do piso mínimo. Outro ponto é o impacto das restrições de tráfego em feriados e horários de pico, que afetam especialmente veículos grandes e alteram o tempo total da viagem e, portanto, os custos”, explicou Alan. Para as entidades, ajustar esses parâmetros corrigiria distorções sem necessariamente aumentar o custo geral do frete, mas permitiria que caminhões LS voltassem a ser contratados de forma competitiva. Em outras palavras devolveria equilíbrio ao mercado. A expectativa é que, apesar da turbulência no momento de entressafra, a situação se normalize quando a safra ganhar ritmo a partir de janeiro e fevereiro
do próximo ano. “Com maior demanda e menos disponibilidade de veículos, os embarcadores, pressionados pelo volume, tendem a contratar todos os tipos de caminhões, do LS ao nove eixos. Até lá, no entanto, o cenário continua de incertezas, especialmente para quem depende exclusivamente do frete diário para manter a renda”, concluiu. Para Silvio Kasnodzei, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), o novo sistema de validação do MDF-e trouxe impactos distintos para o setor e, em muitos aspectos, ampliou desigualdades já conhecidas no TRC. Ele afirma que as empresas que sempre operaram dentro das regras agora enfrentam mais obrigações para evitar multas, enquanto quem atuava de forma irregular continua encontrando brechas para driblar a fiscalização. “A ANTT só enxerga quem emite os documentos fiscais. Quem já operava fora das normas muitas vezes simplesmente não emite, ficando fora do radar”, explica. Segundo ele, as operações mais atingidas pelas autuações são justamente as ocarreteiro.com.br
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Caminhões LS começaram a perder espaço para os de nove eixos com a ficalização automática do frete
mais complexas e dinâmicas, que a lógica atual da tabela não consegue interpretar corretamente. Entre os exemplos estão o transporte fracionado compartilhado, operações de milk run, cargas do segmento cegonheiro e embarques de commodities em regiões onde a oferta de veículos supera a oferta de carga. Em muitos desses casos, o sistema considera que o frete está abaixo do piso mínimo mesmo quando a metodologia da operação comprova o contrário. O aumento das multas também tem provocado mudanças no comportamento das empresas. Transportadoras comprometidas com a legalidade tentam renegociar tarifas ou até deixam de atender determinados clientes. Em contrapartida, quem historicamente descumpre as normas acaba ganhando espaço, oferecendo fretes abaixo da tabela para embarcadores que resistem a se ajustar. Kasnodzei aponta que a fiscali-
zação, no formato atual, raramente alcança o embarcador, o que cria uma assimetria competitiva. “Quem faz tudo certo opera com custos maiores; quem opera errado segue competitivo e, muitas vezes, impune”, afirma. A burocracia, segundo ele, aumentou pouco para empresas que já mantinham rotinas formais, mas se tornou ainda mais distante da realidade de operadores informais. Isso cria barreiras especialmente para pequenas e médias transportadoras, que têm menor poder de negociação e se veem entre parar a operação para cumprir a regra ou recorrer à informalidade para não serem multadas. Em um cenário de economia desaquecida, Kasnodzei acredita que a busca pela informalidade se intensifica como questão de sobrevivência. Ele também cita falhas recorrentes do sistema que geram autuações indevidas. Em operações com tarifa fixa so-
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Alan Medeiros, da CNTA, explica que é preciso adotar uma nova metodologia segmentada nas categorias de veículos leves, médio e pesados
mada a parcelas variáveis, o sistema interpreta os valores variáveis como se fossem o frete total, ignorando a composição mensal. No transporte fracionado, quando cargas pequenas são consolidadas em veículos maiores para otimizar rotas, o sistema entende que a operação está irregular. No milk run, cada documento emitido pode ser lido como uma carga isolada, gerando múltiplas infrações que não correspondem à lógica real da operação. Na visão do Setcepar, a raiz do problema está no próprio desenho da tabela de pisos mínimos, construída a partir do tipo de veículo e não da natureza da carga. Uma revisão que considere a dinâmica real das operações seria essencial para reduzir conflitos, inconsistências e barreiras ao cumprimento da lei. Ainda que o impacto financeiro das autuações varie muito entre as empresas, Kasnodzei entende que o efeito no “custo Brasil” e
no preço ao consumidor final é inevitável. “Em setores que seguirem a regulamentação de forma rígida, pode haver retração de demanda; nos demais, a informalidade tende a absorver o choque”, disse. A ANTT afirmou que está em andamento a Audiência Pública nº 08/2025, aberta para receber contribuições e sugestões de aprimoramento da norma que regulamenta o piso mínimo do frete. A Agência reforça que a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas foi instituída pela Lei nº 13.703/2018 e regulamentada pela Resolução nº 5.867/2020, com o propósito de assegurar que os valores pagos pelo frete remunerado cubram, no mínimo, os custos operacionais da atividade de transporte. De acordo com a nota enviada, a política busca garantir condições sustentáveis de remuneração para todas as categorias de transportadores. A CNTA reconhece a angústia do momento, mas reforça que o piso mínimo é um direito conquistado em 2018 para garantir remuneração justa. “Não é uma tabela nova, não é invenção da ANTT. É uma lei de sete anos e existe para proteger o autônomo”, destaca Alan. ocarreteiro.com.br
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Mercedes-Benz renova seu VUC mais popular e entrega um caminhão leve na manobrabilidade, mas com força e capacidade de médio para o trabalho pesado ANDREA RAMOS
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novo Mercedes-Benz Accelo 1417 chega ao mercado cumprindo uma missão clara de manter o tamanho compacto que facilita a circulação urbana e, ao mesmo tempo, oferecer capacidade real para quem precisa
carregar peso e enfrentar rotas mistas. A cabine continua com o acesso baixo que beneficia motoristas que passam o dia no sobe e desce das entregas, enquanto a ergonomia e a visibilidade seguem como pontos fortes. Mesmo sem mudanças estruturais no interior, o espaço interno se mantém funcional e eficiente, com comandos acessíveis, ar-condicionado, vidros e travas elétricas, além de um bom nível de isolamento acústico, importante para reduzir o desgaste que acompanha o trânsito pesado. Compacto por fora e funcional por dentro, o Accelo 1417 6x2 entrega o suficiente para jornadas longas em áreas urbanas. A alavanca do câmbio automatizado posicionada na coluna libera espaço e deixa o ambiente interno mais
A bordo a Mercedes-Benz manteve o mesmo acabamento da linha Accelo tradicional ocarreteiro.com.br
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Novo desenho do Accelo remete aos clássicos da marca e o novo elétrico eActros e o Actros L
limpo, o que facilita tanto movimentos rápidos quanto longas horas ao volante. Para quem atua em operações de distribuição, abastecimento de varejo ou entregas fracionadas, esse arranjo ergonômico contribui diretamente para manter o ritmo de trabalho. A força do modelo vem do motor OM 924 LA, o mesmo utilizado no Atego 1719. Com 4,8 litros, 163 cv e 62,2 mkgf de torque, o conjunto oferece sobra de potência para um caminhão que trabalha com 14 toneladas de PBT. O acerto na calibração eletrônica tornou o motor mais eficiente e as respostas mais suaves, garantindo até 3% de economia em relação ao 1316. Na prática, esse ganho se traduz em impacto positivo no custo operacional. No teste da reportagem da revista O
Carreteiro, o câmbio automatizado Powershift de seis marchas se mostrou um dos pontos altos do conjunto, realizando trocas precisas e arranque consistente em pontos de aclive ou em cruzamentos apertados. Para suportar a tonelada extra de PBT, a Mercedes-Benz reforçou o chassi, o eixo dianteiro e as molas da suspensão. As novas molas têm 12% mais resistência e o eixo dianteiro agora suporta até 3,6 toneladas. A direção também foi recalibrada para manter o mesmo esforço no volante, mesmo com a capacidade aumentada. Esses ajustes garantiram ao 1417 estabilidade em curvas, firmeza no asfalto irregular e comportamento previsível quando carregado. Outro destaque do modelo é a variedade de distância entre os eixos. A versão de 3.150 mm atende operações 100% urbanas que dependem das dimensões de VUC; já o entre-eixos de 3.900 mm proporciona equilíbrio para rotas que mesclam cidade e rodovia; por fim, o entre-eixos de 4.600 mm, avaliado pela reportagem, é ideal para volumes maiores e percursos de até 200 km com entregas urbanas ao final. Com a carroceria adequada, o caminhão opera com carga útil entre 8.500 e 9.000 kg, posicionando-se exatamente entre os médios do mercado.
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O caminhão chega com mais capacidade de carga útil e reforços estruturais
No design, o Accelo recebeu faróis full LED, DRL e repetidores laterais, aumentando a segurança e a visibilidade do motorista em qualquer condição. A nova grade preta, inspirada nos clássicos Mercedes-Benz, deu personalidade ao conjunto e reforçou o visual moderno sem abandonar a identidade da marca. A equipe rodou 70 km com o Accelo 1417 em trânsito urbano intenso e um trecho curto de rodovia. O caminhão mostrou agilidade típica de modelo leve, apesar da configuração 6x2, e a direção leve facilitou balizas e manobras apertadas. A suavidade do automatizado garantiu condução confortável, enquanto o EcoRoll entrou em ação rapidamente em declives leves, colaborando para a economia de combustível. O freio auxiliar Top Brake demons-
trou segurança, segurando o caminhão com firmeza em descidas mais longas sem ruídos ou sinais de aquecimento. Ao final do percurso, o consumo registrado foi de 4,7 km/l, número positivo considerando o peso de 13,7 t de PBT na avaliação e as condições de tráfego. Com mais força, visual renovado, chassi reforçado e um nível de economia que pesa no bolso, o novo Mercedes-Benz Accelo 1417 preenche com eficiência o vazio entre os caminhões leves e os médios. Ele se mantém ágil para trabalhar dentro da cidade, mas ganhou fôlego e robustez suficientes para carregar mais e enfrentar rotas mistas. É um caminhão que facilita a vida do motorista e atende às demandas reais de quem precisa de potência, estabilidade e economia no dia a dia. ocarreteiro.com.br
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CANSAÇO AUMENTA RISCO NA ESTRADA Fotos DIVULGAÇÃO
A sonolência excessiva tem se tornado uma ameaça silenciosa entre caminhoneiros brasileiros. Rotinas desgastantes, noites mal dormidas e problemas de saúde se somam e colocam vidas em perigo na estrada DANIELA GIOPATO
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ocê costuma sentir muito sono ao longo do dia? Ou desperta já cansado, como se não tivesse descansado nada? Esses podem ser sinais importantes de sonolência excessiva um problema que afeta diretamente o caminhoneiro. Segundo o Instituto do Sono, esse quadro é caracterizado pela dificuldade de se manter desperto e pela vontade intensa de dormir em momentos inadequados, ocorrendo quase dia-
riamente por, no mínimo, três meses. As consequências vão além da simples fadiga e incluem com frequência irritabilidade, lapsos de atenção, falhas de memória, dificuldade de tomada de decisão e lentidão. A privação de sono aumenta as chances de hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, transtornos mentais como depressão e ansiedade, além do uso abusivo de substâncias. A privação crônica de sono é uma das principais causas de sonolência. Profis-
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sões com jornadas irregulares, como a de um caminhoneiro, tornam quase impossível manter uma rotina de higiene do sono. Além de rodar à noite para cumprir prazos apertados, a maioria não encontra locais seguros e adequados para dormir as oito horas recomendadas. Também há quem sofra com insônia ou tenha um padrão de sono fragmentado acordando diversas vezes durante a noite o que reduz drasticamente a sensação de descanso.
Outro ponto importante a ser levado em consideração é o estilo de vida. Sedentarismo, tabagismo e excesso de peso são fatores que aumentam a fadiga. Um estudo da Penn State College of Medicine mostrou que o aumento da gordura corporal está ligado à maior produção de citocinas, substâncias inflamatórias que podem provocar cansaço extremo. A obesidade, bastante comum entre motoristas profissionais, é um alerta adicional. Além disso, o uso de álcoocarreteiro.com.br
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ol, drogas e anfetaminas (como o rebite) pode até mascarar o cansaço por algum tempo, mas aumenta ainda mais a sonolência posteriormente. Algumas condições de saúde, como depressão, ansiedade, obesidade e hi-
potireoidismo, também elevam a necessidade de dormir durante o dia. Por isso, o caminhoneiro precisa estar atento a sinais e procurar avaliação médica quando perceber mudanças no seu padrão de sono. Um dos distúrbios mais comuns quando o assunto é cansaço é a apneia obstrutiva do sono, caracterizada por pausas respiratórias, roncos intensos e engasgos durante a madrugada. Por interromper repetidamente os estágios do sono, a pessoa acorda cansada e tende a sentir forte sonolência durante o dia. Quando o sono não é restaurador, o corpo dá sinais como fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, necessidade de cochilos, ansiedade e até sintomas depressivos. Assim, se a pessoa
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Para Alysson Coimbra, da Ammetra, é preciso oferecer melhores condições de trabalho acorda cansada e precisa dormir mais nas folgas, provavelmente tem uma dívida de sono. Nesses casos, a recomendação é buscar ajuda profissional. Dormir menos que o necessário tem impactos imediatos e a longo prazo. O ideal para adultos é entre sete e nove horas por noite, todos os dias. Bocejar continuamente, ter dificuldade para levantar ou ter ‘piscadas longas’ são alertas claros de que algo está errado. A privação constante aumenta o risco de doenças graves e prejudica a capacidade de direção. A sonolência está por trás de 30% das mortes e 20% dos acidentes no Brasil, segundo a Associação Brasileira do Sono. Especialistas destacam que o sono se instala de forma silenciosa. As-
sim, como dirigir é automático para muitos motoristas, eles não percebem que estão sonolentos e insistem em permanecer na direção aumentando o risco de acidente. Ele também ressalta que distúrbios como apneia fragmentam o sono e geram fadiga intensa. Os horários com maior risco de acidentes são entre 12h40 e 14h e entre 22h e 6h. O período mais crítico fica entre 3h30 e 5h30 da manhã. Estratégias improvisadas como beber café, abrir a janela ou lavar o rosto ajudam por poucos minutos e, não evitam, microssonos de até cinco segundos, suficientes para provocar tragédias envolvendo caminhões. Nos EUA, estudos apontam que dormir entre seis e sete horas aumenta em ocarreteiro.com.br
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Rotina dos caminhoneiros não permite um sono regular colocando a segurança em risco 30% o risco de acidentes. Com menos de quatro horas de sono, o risco pode ser mais de dez vezes maior. A rotina do caminhoneiro, longe de casa por até 20 dias, dormindo na cabine sob risco de assaltos, é desgastante física e emocionalmente. “Durante a madrugada acontecem coisas inimagináveis nos pontos de parada. Essa insegurança aumenta o estresse, que pode evoluir para depressão e ansiedade”, afirma Alysson Coimbra, diretor científico da Ammetra. Para ele, além da fiscalização, é preciso melhorar a infraestrutura e as condições de trabalho para reduzir comportamentos inseguros. Segundo Coimbra, a solidão e o isolamento fazem com que muitos motoristas enfrentem lembran-
ças dolorosas, preocupações financeiras e pressões pessoais sem apoio emocional. Isso favorece o uso de substâncias como forma de alívio temporário, o que agrava ainda mais o problema. Outro ponto importante é estar atento para algumas medicações pois muitos remédios têm efeitos colaterais que atrapalham a direção. Alterações na dose ou no horário de uso podem ser suficientes para interferir no estado de alerta. “É essencial que o motorista conheça os efeitos adversos de cada remédio que toma. Analgésicos opioides, relaxantes musculares, benzodiazepínicos, hipnóticos, antidepressivos tricíclicos, antihistamínicos de primeira geração entre outroas podem prejudicar atenção, reflexos e coordenação”, aconselhou.
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MEDICAMENTOS QUE PODEM COMPROMETER A SEGURANÇA 1. Opioides (analgésicos fortes) — morfi na, codeína, oxicodona: causam sedação, lentidão de reflexos e redução da aten ção. 2. Relaxantes musculares — carisoprodol, ciclobenzaprina: provocam sonolência, raciocínio mais lento e dificuldade de concentração. 3. Ansiolíticos e sedativos (benzodiazepí nicos) — diazepam, lorazepam, clonaze pam: associados a sedação significativa, comprometimento motor e memória. 4. Hipnóticos do grupo “Z” — zolpidem, zopiclona: podem causar lapsos de atenção, sonolência residual e automa tismos ao despertar. 5. Antidepressivos tricíclicos — amitripti lina, nortriptilina: em doses elevadas, tendem a provocar sonolência e compro metimento cognitivo. 6. Alguns ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) — fluoxetina, sertralina: geralmente melhor tolerados,
mas podem causar sedação em algumas pessoas. 7. Antihistamínicos de 1ª geração — dife nidramina, clorfeniramina: muito seda tivos; aumentam risco ao volante. 8. Antihistamínicos de 2ª geração — lora tadina, cetirizina: menor efeito sedativo, mas podem afetar alguns indivíduos. 9. Anticonvulsivantes — fenobarbital, fenitoína: costumam provocar sonolência e lentidão de raciocínio. 10. Antiparkinsonianos — levodopa (em alguns casos; efeitos variam): podem causar flutuações motoras e sonolência. 11. Psicoestimulantes e anfetaminas — anfetaminas, metilfenidato: apesar de me lhorarem atenção em curto prazo, podem aumentar impulsividade e trazer efeitos adversos que afetam a condução. 12. Alguns analgésicos combinados e remédios para alergia/ressaca — combi nação de substâncias pode potencializar a sedação; sempre verificar a bula.
Observação importante: os efeitos variam conforme dose, associação com outras drogas, tolerância individual e condições de saúde. Nunca ajuste ou interrompa medicação sem orientação médica. Se o medicamento compromete a atenção ou o desempenho nas tarefas diárias, converse com o profissional para revisar a posologia, horário de administração ou alternativas menos sedativas. ocarreteiro.com.br
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Déficit de caminhoneiros, vistos específicos e salários atrativos impulsionam o interesse de motoristas brasileiros em buscar carreira nos Estados Unidos, que também enfrenta problemas de mão de obra 40
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rabalhar como caminhoneiro nos Estados Unidos voltou a ser um sonho possível para muitos motoristas brasileiros. O mercado americano vive uma das maiores escassezes de profissionais da história, com um déficit estimado em mais de 60 mil caminho-
neiros. A situação é tão séria que empresas pressionam o governo a flexibilizar regras e acelerar a emissão de vistos para estrangeiros. Hoje, mais da metade dos motoristas que circulam pelas estradas americanas é formada por imigrantes, principalmente da América Central, ocarreteiro.com.br
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Ásia e América do Sul. Ao mesmo tempo, várias transportadoras menores estão encerrando as atividades por não conseguirem contratar mão de obra, um cenário raro para a economia dos EUA. Entre os fatores que contribuíram para essa falta de profissionais estão o impacto da pandemia, que fechou escolas de formação, e o rigoroso sistema americano de testes de drogas e álcool, que elimina candidatos. Também pesa o desinteresse de novos trabalhadores americanos pela profissão, já que o trabalho exige longos períodos fora de casa algo que, para muitos caminhoneiros brasileiros, já faz parte da rotina. Diante disso, o momento se tornou extremamente favorável para quem pensa em tentar carreira nas rodovias norte-americanas. Mas transformar esse sonho em realida-
de exige planejamento e, principalmente, entrar no país legalmente. O primeiro passo é obter uma autorização de trabalho. Muitos motoristas seguem o caminho do visto EB-3, que exige um patrocinador nos Estados Unidos, geralmente uma transportadora disposta a comprovar ao governo que não encontrou candidatos locais aptos. Em muitos casos, a própria empresa arca com parte dos custos do processo. Outra possibilidade é o visto EB2 NIW, que não exige oferta de trabalho, mas requer comprovação de experiência sólida, certificações, cartas de recomendação e um plano que demonstre que a atuação do profissional trará benefício ao país. Nesse caso, o motorista já recebe o Green Card. Com o visto aprovado, o próximo
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passo é obter a Commercial Driver’s License (CDL), a carteira de habilitação para conduzir veículos pesados nos Estados Unidos. O processo, segundo especialistas, é mais simples do que no Brasil e pode ser concluído em cerca de 15 dias, após testes teóricos e práticos. Porém, é importante lembrar que o caminhoneiro precisará ter pelo menos um nível básico de inglês, já que parte da formação e das entrevistas exigem compreensão do idioma. Os custos variam muito de acordo com o estado e com o tamanho da família do candidato, mas é possível estimar valores. O processo de visto pode custar entre 15 e 20 mil dólares. A CDL custa, em média, 75 dólares, mas alguns estados, como a Flórida, cobram entre 1.500 e 8 mil dólares pelo processo de forma-
ção e certificação. Além disso, cursos específicos podem chegar a 2.500 dólares. Vale destacar que esses valores são apenas estimativas. Por outro lado, o retorno costuma ser rápido: segundo a Associação de Empreendedores (AEIG), em até quatro meses de trabalho o motorista já consegue recuperar o investimento inicial. Quem pretende ser autônomo precisa considerar ainda o valor de compra de um caminhão, que segue padrões semelhantes aos do Brasil, mas com juros menores. É importante que o motorista compreenda também que a adaptação cultural faz parte do processo. Embora o inglês avançado não seja obrigatório, um conhecimento mínimo é essencial. Também é recomendável pesquisar sobre leis de trânsito, regras trabalhistas e diocarreteiro.com.br
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DICAS PARA QUEM PENSA EM SE AVENTURAR • Estude inglês desde já — mesmo o básico já ajuda muito. • Pesquise a cultura local, leis trabalhistas e diferenças no transporte. • Nunca tente entrar sem visto adequado: a CNH brasileira só vale para turismo. • Converse com caminhoneiros que já passaram pelo processo — a experiência real ajuda a evitar erros caros.
• Planeje os custos da família — quanto mais pessoas no processo, maior o investimento.
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reitos civis nos EUA para evitar problemas legais. Outro erro comum é tentar conseguir emprego enviando currículos para transportadoras americanas sem ter autorização de trabalho. A maioria das empresas simplesmente ignora ou deleta essas mensagens. O caminho mais seguro é contar com uma empresa patrocinadora ou uma consultoria especializada para organizar documentos e orientar todas as etapas do processo. O Green Card pode ser obtido tanto por meio do EB-3, que exige um empregador disposto a patrocinar o motorista, quanto pelo EB-2 NIW, destinado a quem comprova experiência e relevância profissional. Nos dois casos, depois da aprovação o caminhoneiro deve se-
guir todas as exigências federais e estaduais, incluindo a retirada da CDL e os testes obrigatórios. Buscar informações com outros brasileiros que já passaram pela experiência pode ajudar a evitar erros e entender melhor as diferenças entre o transporte americano e o brasileiro. No fim, a decisão de tentar carreira nos Estados Unidos depende do perfil de cada motorista. O processo exige investimento, paciência e disposição para recomeçar em um novo país, mas oferece salários mais altos, infraestrutura moderna e grande demanda por profissionais. Para quem está preparado, o sonho de dirigir pelas estradas americanas pode, sim, se transformar em uma oportunidade real e bem-sucedida.
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MERCADO
JAC MIRA CONFIANÇA E SUPORTE AO CLIENTE Fotos DIVULGAÇÃO
Montadora aposta em rede experiente, soluções de crédito e linha completa de rígidos para ganhar relevância em um mercado tradicional e competitivo DANIELA GIOPATO
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JAC Caminhões prepara sua chegada ao mercado brasileiro apostando em uma estratégia que combina produto, serviços financeiros, rede estruturada e um plano agressivo de expansão territorial. Para o diretor comercial Adriano Chiarini, o transportador brasileiro busca atendimento de excelência e acesso financeiro para manter a frota atualizada e disponível. Assim, além de apresentar sua linha de modelos rígidos a diesel de 7 a 25 toneladas, importados e 100% montados da China, a marca decidiu iniciar sua operação oferecendo estrutura completa de pós vendas e financiamento, consórcio e soluções de rental.
Chiarini explica que a empresa já trabalha com bancos comerciais como Bradesco e Santander, além de fundos de investimento interessados em atuar no crédito para aquisição de caminhões. “Para o cliente final, haverá CDC tradicional, com negociações em andamento para taxas diferenciadas voltadas sobretudo ao motorista autônomo , hoje um dos perfis com maior dificuldade de aprovação”, destacou. Além do financiamento, a JAC vai oferecer o consórcio, em parceria com a APC, administradora sediada em Itu e com forte atuação em caminhões e máquinas pesadas. Segundo Adriano, a escolha se deu pela criatividade e flexibilidade em oferecer planos fora do padrão do mercado. Outra aposta importante é
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o rental, que será lançado oficialmente em janeiro. A estratégia é permitir que clientes de todos os portes testem os caminhões e utilizem o veículo já implementado, pronto para trabalhar, sem a necessidade de aquisição imediata. O serviço também servirá como porta de entrada para apresentar os produtos em um mercado que Adriano define como tradicional, conservador e altamente competitivo. As parcerias com implementadores para carrocerias já estão sendo desenhadas, mas ainda não reveladas. Em relação a estrutura de pós vendas os planos são ousados. A empresa pretende encerrar 2026 com 30 concessionárias e atingir 60 unidades até 2027,
sempre com grupos que já atuam nos setores de caminhões, máquinas agrícolas ou automóveis. São esses grupos, inclusive, que começam a formar a espinha dorsal da operação, já definidos em regiões estratégicas como São Paulo, Nordeste e Norte do País. Segundo Adriano Chiarini, diretor comercial, a opção por redes experientes vai muito além de presença física. Ele explica que o transportador escolhe o caminhão, mas confia sobretudo na rede que vai atendê-lo ao longo da vida útil do veículo. Por isso, a JAC prioriza grupos consolidados, capazes de garantir atendimento uniforme e suporte técnico mesmo para o cliente que cruza o País em operações de longas distâncias. Essa preocupação com a rede é tão cenocarreteiro.com.br
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tral que a empresa já deixou claro que não lançará sua linha extrapesada enquanto a estrutura nacional não estiver completamente pronta, já que esse perfil de cliente exige assistência imediata em qualquer região onde opere. Essa expansão acelerada da rede também está conectada ao plano de longo prazo da JAC no Brasil. Trata-se da construção de uma fábrica de caminhões no País. “O projeto já fazia parte da operação desde o início e agora avança para a etapa final de estudos de localização, enquanto a empresa aguarda definições políticas e tributárias do período pós-eleitoral, fatores considerados decisivos para investimentos industriais dessa magnitude”, explicou. No campo dos produtos, a JAC decidiu iniciar a operação brasileira com o segmento que representa metade das vendas nacionais: os caminhões rígidos
de 7 a 25 toneladas. A marca traz ao Brasil quatro modelos específicos para as condições locais, levando em conta topografia irregular, excesso de carga, longas distâncias, biodiesel B15 e estradas com manutenção variável. Todos chegam equipados com motores Cummins e transmissões Eaton, Fast Gear ou ZF, compondo um conjunto mecânico já familiar ao transportador brasileiro. O modelo de entrada, N 9.170, é voltado a operações urbanas e serviços públicos. Ele utiliza o motor Cummins ISF 3.8, com 170 cv e 61 mkgf, combinado à transmissão manual Eaton de seis marchas. Com PBT técnico de 9.700 kg, o caminhão traz entre-eixos adequado para baús e carrocerias metálicas voltadas à distribuição. Logo acima, o N 13.210 expande a capacidade para 12.500 kg de PBT técni-
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co e utiliza o motor Cummins B4.5 com 210 cv e 77,5 mkgf, associado à transmissão automatizada Fast Gear de oito marchas. O modelo reforça sua vocação urbana e intermunicipal ao trazer câmeras 360°, controle eletrônico de estabilidade e freio motor, oferecendo um pacote de segurança voltado a operações de distribuição mais intensas. Na faixa rodoviária, o A 18.290 chega equipado com o motor Cummins D6.7, que gera 290 cv e 112 mkgf, aliado à transmissão ZF automatizada de nove marchas. A cabine com teto médio, suspensão pneumática e basculamento elétrico direciona o modelo para rotas de média distância, cargas gerais, graneleiros, refrigerados e até operações severas fora de estrada. Fechando a linha, o A 25.290 repete o conjunto mecânico, mas traz configuração 6x2 e PBT técnico de 25 tonela-
das, com PBT combinado de 35 toneladas. O terceiro eixo, instalado no Brasil, amplia a capacidade e facilita a manutenção regional. O modelo atende operações de bebidas, grandes volumes, distribuição regional e rotas que exigem maior capacidade de carga útil. Mesmo chegando em um momento de retração econômica, juros altos e incertezas no setor, a JAC acredita que iniciar sua operação em um ciclo desafiador faz parte de uma estratégia de longo prazo de estruturar a rede, consolidar serviços e preparar o terreno para crescer quando o mercado voltar a acelerar. “A meta é ousada, atingir 5% de participação de mercado em cinco anos e se apoiar principalmente na capilaridade planejada, na experiência dos grupos escolhidos e no conjunto robusto de serviços que acompanhará cada veículo vendido”, finalizou. ocarreteiro.com.br
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Infância e adolescência em prioridade absoluta
om o Brasil sediando a COP 30, a discussão sobre uma transição mais justa vem se intensificando. Nesse cenário, é fundamental que a segurança e o amparo de crianças e adolescentes sejam considerados com absoluta prioridade. Eventos climáticos extremos, como inundações e longos períodos de estiagem, elevam a vulnerabilidade à violência sexual e a outras violações de direitos. A necessidade de urgência da proteção de crianças e adolescentes também é evidenciada pelo grave cenário de violência no país, conforme dados recentes. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelou o índice histórico mais elevado de estupros em 2024, atingindo 87.545 vítimas. Desse total, 67. 204 são crianças e adolescentes menores de 14 anos. Todos os dias, a dignidade de inúmeras crianças e adolescentes é brutalmente atacada, resultando em sequelas emocionais e físicas. Nós, adultos, temos a responsabilidade de fomentar estratégias de prevenção e enfrentamento deste tipo de crime, especialmente em um contexto de maior vulnerabilidade com os impactos das mudanças climáticas.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que a proteção integral é um dever compartilhado entre a família, a sociedade e o Estado. Portanto, não podemos fechar os olhos. Essa vulnerabilidade que vemos nos números nacionais e que piora com desastres climáticos não é apenas uma estatística distante. Ela tem um endereço e acontece todos os dias, nas cidades e, inclusive, ao longo das nossas rodovias. Os motoristas, que vivem na estrada, são testemunhas diárias de como essa realidade é dura nos pontos de parada, postos de combustível e áreas de descanso. É nesses locais que o 'dever de proteger' se torna uma ação prática e urgente. Cada organização e cada colaborador possui uma função essencial na transformação dessa realidade. O setor de transporte, vital para a economia e com extensa presença geográfica, se estabeleceu como um aliado fundamental da causa. Carreteiros e Carreteiras que ainda não aderiram ao Programa Na Mão Certa, convidamos vocês a se unirem a este movimento pela proteção de uma infância e adolescência livres de violência.
Para saber mais, acesse: CHILDHOOD BRASIL – www.childhood.org.br PROGRAMA NA MÃO CERTA – www.namaocerta.org.br 50
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