Skip to main content

Jornal_WM_Ginecologia_Junho2026b

Page 1


Publicações

www.justnews.pt

Cancro da vulva: quando a cirurgia não é a melhor opção

PÁg. 8

Women’s meDICIne

Maria geraLdina c astro

IA e inovação em Uroginecologia

PÁg. 6

Lúcia correia Margarida Martinho

Erro médico e regulamentação na prática clínica na era da IA

PÁg. 14

José Reis, secretário-geral da SPG, Carlos Veríssimo, presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da OM, e Fátima Faustino, presidente da SPG, na sessão de abertura.

A opInIão dE José mArtInEz dE olIvEIrA sobrE A IntErAção médICA E A IA:

“ o risco maior e previsível é, uma vez mais, o da redução do médico ao papel de mero executor de técnicas de saúde, com anulação da Arte e delimitação das Ciências m édicas.”

PÁg. 8

“A

mElhor postUrA é CombInAr InovAção Com prUdênCIA”

Fátima Faustino, presidente da spG, diz que a regra prática a seguir pelos ginecologistas é simples: “A IA deve ser apoio, nunca substituto do raciocínio clínico”. Aponta pelo menos dois riscos associados à sua utilização: a possível “dependência excessiva” da mesma e a eventual “erosão da relação médico-doente”. mas conclui: “A tecnologia encarrega-se dos dados, permitindo-nos mais conhecimento para resolvermos a situação clínica, mas também maior disponibilidade para nos centrarmos na paciente.”

A revista de referência da Ginecologia/ /Obstetrícia portuguesa.

A revista de referência da

A revista de referência da

A revista de referência da

PÁg. 4

o PaPeL atuaL da cirurgia no cancro do ovÁrio

Hugo Gaspar

responsável pela Ginecologia na Fundação Champalimaud. Ginecologia oncológica da

Os carcinomas do ovário, da trompa e do peritoneu são das neoplasias mais letais na mulher, sendo que 75% dos casos são diagnosticados em estádios avançados e a sobrevida para todos os estádios é de cerca de 50% aos 5 anos. A cirurgia tem um papel fundamental do tratamento do cancro do ovário. Nos estádios iniciais, a cirurgia inclui a histerectomia total, a anexec tomia bilateral e o estadiamento peri toneal e ganglionar. Em alguns casos é possível a preservação da fertilidade. Duas estratégias podem ser utilizadas, a cirurgia inicial com exame intraope ratório e estadiamento de acordo com os resultados, ou cirurgia em dois tem pos, de forma a ter um resultado his tológico definitivo que guie a cirurgia posterior.

A linfadenectomia deve ser pélvica e lombo-aórtica, de preferência até à veia renal esquerda. Alguns tipos histo lógicos, nomeadamente endometróide grau 1, mucinoso subtipo expansivo e seroso de baixo grau, não têm indicação para estadiamento ganglionar se não houver suspeita de envolvimento. Nos carcinomas endometrióides grau 2 e mucinosos subtipo infiltrativos a linfadenectomia pode ser considerada, mas não é obrigatória. Atualmente, não existe indicação para realizar apendicectomia de rotina se o apêndice for macroscopicamente normal.

a histologias mais quimiorresistentes (seroso de baixo grau, mucinoso e células claras) a cirurgia primária tem ainda mais importância e deve ser a opção preferencial. No que se refere aos carcinomas serosos de baixo grau parece haver vantagem na cirurgia mesmo que não completa desde que a doença residual seja inferior a 1 cm. A cirurgia de intervalo após quimiote-

pacientes sem condições para cirurgia ou se a citorredução completa não é considerada exequível ou que possa ter elevada morbilidade (exemplo: gastrectomia total, ressecções extensas de intestino delgado, pancreatectomia cefálica). No contexto de cirurgia de intervalo há cada vez mais evidência do benefício da realização de HIPEC (quimioterapia intraperitoneal hipertérmica).

cipais ensaios clínicos. A cirurgia deve ser realizada se a doença for ressecável completamente, caso contrário, não existe vantagem no prognóstico, acabando por ser deletéria para a doente. Em centros com experiência, a cirurgia minimamente invasiva pode ser utilizada em estádios iniciais e em casos selecionados, sobretudo de cirurgia de intervalo e na recidiva.

tes, a diferenciação técnica e uma estrutura hospitalar capacitada são essenciais para fornecer os melhores cuidados às doentes que sofrem desta patologia.

ontEm, sExtA-FEIrA Auditório 17h00 – 18h15

A cirurgia minimamente invasiva não está contraindicada e pode ser uma opção em casos selecionados e se realizada por equipas altamente treinadas. Deve ser evitada a rotura de lesão tumoral.

Nos estádios avançados o objetivo é a citorredução completa, ou seja, a remoção de toda a doença macroscopicamente visível intra-abdominal e extra-abdominal. A linfadenectomia apenas está indicada se houver suspeita da presença de doença nos exames pré-operatórios ou durante a cirurgia.

A seleção da estratégia de tratamento inicial é uma decisão de crucial importância. A citorredução completa é um fator de prognóstico determinante, seja ela obtida após cirurgia primária ou em cirurgia de intervalo. A decisão deve ter por base a carga tumoral, o estado nutricional e o performance status, as comorbilidades e as preferências da paciente. A laparoscopia pode ser uma ferramenta importante para avaliar a ressecabilidade.

A cirurgia primária é recomendada para pacientes aptos, com doença considerada potencialmente ressecável e com uma morbilidade aceitável. Em relação

a PersPetiva do ginecoLogista eM teMPo de ia

Fátima Faustino

Especialista em Ginecologia e obstetrícia, hospital lusíadas lisboa. presidente da sociedade portuguesa de Ginecologia

A expressão “inteligência artificial” data de 1956, tendo sido forjada e introduzida no domínio então nascente da computação pelos cientistas norte-americanos Marvin Minsky, John McCarthy, Nathaniel Rochester e Claude Shannon aquando da organização do Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, em New Hampshire, nos Estados Unidos da América. Ela reflete, de forma objetiva e clara, o estado da arte no desenvolvimento de sistemas que apresentam comportamento inte-

ligente, analisando e decidindo ações – com algum grau de autonomia – para atingir objetivos específicos.

Qual é a perspetiva do ginecologista na era da IA?

Importa analisar o que já existe, o que muda no dia a dia do clínico e quais são os principais limites e alertas.

Onde a IA já está na Ginecologia

Apoio ao diagnóstico em imagem (eco, RM, histeroscopia, colposcopia), com algoritmos que aumentam a acuidade, reduzem variabilidade e ajudam na decisão.

Identificação precoce de patologia oncológica (colo, endométrio, ovário, mama) e de outras doenças como endometriose e SOP, através de modelos preditivos e análise de grandes bases de dados. Sistemas de apoio à decisão clínica que integram dados clínicos, laboratoriais e de imagem para estratificar risco e personalizar seguimento e terapêutica. Medicina reprodutiva: seleção de embriões e avaliação de oócitos com análise automatizada de imagens (time-lapse, scoring morfocinético), personalização de protocolos de estimulação e previsões de sucesso da FIV. Automação administrativa: resumo de consultas, preenchimento de registos, triagem eletrónica e organização de fluxos, libertando tempo para a relação médico-doente.

O que muda na prática do ginecologista

Papel de “orquestrador de decisões”: o ginecologista passa a validar, interpretar e enquadrar as recomendações da IA em vez de apenas gerar a decisão sozinho, mantendo a responsabilidade clínica final.

Necessidade de literacia digital: compreender conceitos básicos de algoritmos, desempenho (sensibilidade, especificidade, AUC), limitações e overfitting torna-se parte da competência profissional.

Comunicação com a doente: explicar o que a ferramenta faz, o que não faz, como usa dados e como a decisão continua centrada na paciente e no médico, integrando IA na obtenção de consentimento informado.

Trabalho em equipas mais interdisciplinares (médicos, engenheiros, cientistas de dados, juristas), incluindo participação na conceção, validação e monitorização de sistemas clínicos de IA.

Riscos, ética e fronteiras

O primeiro alerta é o viés: se os dados de treino não representarem bem diferentes idades, etnias, fenótipos, contextos sociais e padrões de doença, a IA pode subdiagnosticar ou tratar pior certos grupos.

O segundo é a privacidade: sistemas de IA dependem de grandes volumes de dados clínicos, o que aumenta o risco de exposição, reutilização indevida e falhas de segurança.

O terceiro é a opacidade: muitos modelos funcionam como “caixas-negras”, dificultando explicar ao clínico e à doente por que motivo uma recomendação foi feita.

Um risco real é a dependência excessiva da tecnologia, levando o médico a aceitar a sugestão do algoritmo sem confirmar contexto clínico, exame objetivo e preferências da doente.

Outro risco é a erosão da relação médico-doente se a consulta passar a ser guiada por formulários, pontuações ou recomendações automáticas em vez de decisão partilhada.

Para o ginecologista, a regra prática é simples: a IA deve ser apoio, nunca substituto do raciocínio clínico.

Há ainda o risco médico-legal: quando um sistema erra, continua a ser necessário definir claramente quem responde – o fabricante, a instituição ou o

clínico que usou a ferramenta. Para o ginecologista, a regra prática é simples: a IA deve ser apoio, nunca substituto do raciocínio clínico. Antes de adotar uma ferramenta, convém perguntar: foi validada externamente, funciona na nossa população, tem auditoria de viés, explica as suas recomendações e está integrada em protocolos claros? Também é essencial informar a doente quando a IA participa no processo decisório e garantir consentimento, transparência e opção por revisão humana. Em Ginecologia, os benefícios são especialmente promissores na ecografia, na endometriose, na uroginecologia e na cirurgia robótica, mas estas áreas também exigem elevada cautela porque lidam com sintomas subjetivos, fertilidade, dor crónica e decisões com grande impacto na vida da mulher. Por isso, a melhor postura é combinar inovação com prudência: usar IA para ver melhor, decidir melhor e documentar melhor. A tecnologia encarrega-se dos dados, permitindo-nos mais conhecimento para resolvermos a situação clínica, mas também maior disponibilidade para nos centrarmos na paciente.

ontEm, sExtA-FEIrA Auditório 9h45 – 10h15

novidades no trataMento da Bexiga hiPerativa

Denise Bacalhau

continência urinária de urgência, na ausência de infeção urinária ou outra patologia identificável. Afeta cerca de 20% da população adulta, sendo mais frequente nas mulheres. Tem um impacto significativo na qualidade de vida, comprometendo o sono, o bem-estar emocional, as relações sociais e as atividades diárias.

Assist. hospitalar graduada de Ginecologia e obstetrícia, Uls de loures-odivelas A f isiopatologia da OAB é multifatorial e ainda não totalmente esclarecida. O tratamento segue uma abordagem escalonada.

A bexiga hiperativa (OAB) é definida pela International Continence Society como uma síndrome caracterizada por urgência urinária, geralmente associada a aumento da frequência miccional diurna e/ou noctúria, com ou sem in-

A fisiopatologia da OAB é multifatorial e ainda não totalmente esclarecida. O tratamento segue uma abordagem escalonada. A primeira linha inclui medidas comportamentais,

como alterações dietéticas, redução do consumo de cafeína, cessação tabágica e controlo da ingestão hídrica, bem como terapêuticas conservadoras, incluindo treino vesical, fisioterapia, biofeedback e eletroestimulação. A estimulação do nervo tibial constitui uma alternativa não farmacológica eficaz, com benefícios demonstrados até três anos.

A segunda linha terapêutica inclui duas classes farmacológicas: anticolinérgicos e agonistas β3-adrenérgicos. Os anticolinérgicos são eficazes, mas a sua utilização é frequentemente limitada por efeitos adversos como xerostomia, obstipação, visão turva e declínio cognitivo, particularmente com a oxibutinina e a tolterodina. Estes riscos são mais relevantes em idosos e em doentes com défice cognitivo prévio.

Os agonistas β3-adrenérgicos representam um avanço importante no tratamento da OAB. O mirabegron demonstrou reduzir significativamente a urgência, a frequência miccional, a incontinência urinária e a noctúria. O

principal efeito adverso é a hipertensão arterial. O vibegron, recentemente disponível em Portugal, apresenta administração única diária, não requer ajuste em grande parte dos doentes com insuficiência renal ou hepática e não está associado a aumentos significativos da pressão arterial, constituindo uma opção particularmente atrativa para idosos.

As terapêuticas de terceira linha destinam-se aos casos refratários. A injeção intravesical de toxina botulínica é eficaz, com duração de ação entre 6 e 14 meses, mas pode aumentar o resíduo pós-miccional e exigir cateterismo intermitente temporário. A neuromodulação sagrada apresenta eficácia semelhante, proporcionando redução sustentada da incontinência urinária de urgência. A cirurgia, incluindo cistoplastia de aumento ou derivação urinária, fica reservada para situações excecionais.

Encontram-se atualmente em investigação novas abordagens terapêuticas dirigidas a canais iónicos e enzimas envolvidos na contração do detrusor.

Entre estas destacam-se os moduladores dos canais de potássio (nicorandil), os bloqueadores dos canais de cálcio tipo L (nifedipina), os antagonistas dos canais TRPV4 (Transient Receptor Potential Vanilloid 4), os ativadores da adenilil ciclase (forskolin) e os inibidores da fosfodiesterase, como o tadalafil. Embora promissoras, estas terapêuticas permanecem em fases pré-clínicas ou clínicas iniciais.

Uma das perspetivas mais inovadoras consiste na fenotipagem da OAB, procurando identificar o mecanismo fisiopatológico predominante em cada doente para selecionar a terapêutica mais adequada. Esta abordagem personalizada poderá aumentar a eficácia do tratamento, melhorar a adesão terapêutica e reduzir os efeitos adversos.

hoJE, sábAdo Auditório 14h30 – 15h45

InFormAção

oBstiPação na MuLher: uMa condição frequente,

MuLtifatoriaL e B astante desvaLorizada

A obstipação crónica continua a ser uma das queixas gastrointestinais mais frequentes na prática clínica, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e assumindo particular relevância na saúde da mulher. Apesar da elevada prevalência e do impacto significativo no bem-estar físico e emocional, conti nua a ser uma condição frequentemente subvalorizada, atrasando o diagnóstico, a abordagem adequada e a melhoria da qualidade de vida das doentes. As mulheres apresentam uma preva lência de obstipação significativamente superior à dos homens, numa proporção aproximada de 3:1 ciada por múltiplos fatores hormonais, fisiológicos e comportamentais.

Ao longo das diferentes fases da vida feminina, incluindo gravidez -parto esta condição tende a assumir maior expressão clínica, podendo manifes tar-se através de dificuldade evacuati va persistente, sensação de evacuação incompleta, distensão abdominal, des conforto gastrointestinal e impacto na rotina diária.

Estudos indicam que, durante a gra videz diminuição da motilidade intestinal contribuem frequentemente para o aparecimento ou agravamento da obs tipação. Também no período pós-par to(3), esta condição continua a ter um impacto relevante, sendo muitas vezes associada a desconforto físico, dor e limitação funcional. Já nas mulheres pós-menopausa, a obstipação continua a ser frequentemente reportada, com impacto relevante no conforto e na qualidade de vida

Nas mulheres pós-menopausa, a obstipação continua a ser frequentemente reportada.

Apesar da sua elevada frequência, mui tas mulheres continuam a normalizar os sintomas ou a evitar falar sobre o tema, adiando a procura de aconselhamento junto dos profissionais de saúde. Neste contexto, a sensibilização para a obsti pação feminina e para a importância de uma abordagem terapêutica adequada assume um papel particularmente rele vante.

As recomendações europeias atuais identificam o macrogol como tera pêutica de primeira linha para o tra tamento da obstipação crónica macrogol 4000 atua através de um mecanismo osmótico, promovendo a retenção de água no lúmen intestinal, aumentando a hidratação das fezes e facilitando a evacuação sem provocar habituação

Além da eficácia terapêutica, fatores como tolerabilidade, palatabilidade, conveniência e adesão ao tratamen to assumem hoje uma importância crescente, sobretudo numa condição frequentemente recorrente e de evo lução prolongada. Formulações sem eletrólitos de sódio

opção particularmente relevante em populações específicas, incluindo grávidas, mulheres a amamentar e doentes com necessidade de restrição de sódio.

Neste enquadramento, Casenlax® disponibiliza uma abordagem basea-

da em macrogol 4000, associando eficácia comprovada, elevada tolerabilidade(7) e praticidade de utilização.

A nova solução oral pronta a tomar(6) surge como uma opção adaptada às necessidades do quotidiano, respondendo à crescente procura por solu-

ções simples, convenientes e facilmente integráveis na rotina diária das doentes.

Promover maior consciencialização para a obstipação feminina e para o impacto desta condição nas diferentes etapas da vida da mulher continua a

ser essencial para uma abordagem mais próxima, informada e centrada na qualidade de vida.

Nota: Referências fornecidas a pedido.

PT-CASLA-0052.26

ia e inovação eM uroginecoLogia

A medicina moderna atravessa uma transformação profunda impulsionada pela inteligência artificial (IA) e a Uroginecologia também acompanha esta revolução digital, com resultados promissores, mas ainda numa fase inicial. O volume sem precedentes de dados gerados por exames de imagem, sinais urodinâmicos e registos clínicos excede hoje a capacidade humana de análise exaustiva, tornando a IA uma parceira indis-

pensável para a precisão diagnóstica. Na conferência apresentada neste Congresso, exploramos como estas tecnologias estão a transitar do potencial científico para a aplicabilidade clínica real.

Onde estamos: diagnóstico e imagem

A aplicação mais desenvolvida da IA reside na imagiologia e na segmentação automática de estruturas complexas. Atualmente, softwares comerciais já permitem a medição automatizada das dimensões do hiato urogenital e a avaliação da integridade do músculo elevador do ânus e do esfíncter anal em ecografias 3D/4D e ressonância magnética. Estes sistemas reduzem drasticamente a variabilidade interobservador e o tempo de análise. No campo da urodinâmica, algoritmos avançados processam traçados em menos de 20 segundos, identificando padrões de hiperatividade do detrusor e filtrando artefactos de forma mais consistente do que a interpretação humana isolada.

Medicina de precisão e modelos preditivos

A verdadeira inovação manifesta-se na transição para uma medicina persona-

lizada através de modelos preditivos. Têm sido desenvolvidos algoritmos de Machine Learning que conseguem hoje estimar a probabilidade de sucesso de um sling da uretra média, prever o risco de incontinência de novo após cirurgia de prolapso e antecipar a resposta individual a fármacos anticolinérgicos. Esta capacidade de estratificação de risco vai permitir ao ginecologista selecionar o tipo de cirurgia ou tratamento mais indicado para cada mulher, otimizando resultados e minimizando complicações.

O futuro: monitorização remota e reabilitação

O potencial para o futuro expande-se para além do consultório. Estamos a entrar na era da ecografia funcional automatizada, dos diários miccionais digitais e dos dispositivos wearable que monitorizam a função vesical em tempo real. A IA aplicada à reabilitação do pavimento pélvico, através de biofeedback inteligente, promete aumentar o envolvimento das doentes e a eficácia das terapias conservadoras. Atualmente, não existem ainda sistemas de IA formalmente aprovados para uso na prática clínica de rotina na Urogineco-

logia. Encontram-se em fase de investigação e desenvolvimento, revelando uma eficácia e acuidade diagnóstica promissora.

Limitações e desafios éticos

Apesar do otimismo, a adoção segura exige prudência. A falta de validação externa multicêntrica e a natureza de “black-box” de muitos algoritmos, que dificulta a compreensão do raciocínio por trás de uma decisão, continuam a ser barreiras críticas. Além disso, a implementação deve respeitar rigorosos quadros regulatórios, como o EU AI

A mensagem central desta conferência é clara: a IA não veio substituir o médico, mas sim amplif icar o seu julgamento clínico e devolvê-lo ao que é essencial.

iMPacto da gravidez e da aMaMentação nas doenças

A gravidez e a amamentação são períodos em que a mama sofre profunda remodelação estrutural e funcional, com impacto direto no diagnóstico diferencial de patologia benigna e maligna. Desde o primeiro trimestre, o ambiente hormonal de estrogénios e progesterona induz crescimento da componente

da MaMa

ductal e lobular, com substituição do estroma fibroadiposo por parênquima glandular densamente vascularizado. Esta “nova mama” é mais volumosa, nodular e difícil de palpar, favorecendo que nódulos profundos passem despercebidos ou sejam desvalorizados como alterações próprias da gravidez. Após o parto, a queda da progesterona permite que prolactina e ocitocina entrem em ação: aumenta a produção de leite, instala-se ingurgitamento e a mama torna-se ainda mais tensa e irregular à palpação. Com o desmame, uma fase de involução com atrofia lobular prolonga a instabilidade morfológica durante vários meses. Em todas estas fases, a fronteira entre “fisiológico” e “patológico” torna-se menos óbvia, tanto ao exame físico como à imagiologia. Do ponto de vista imagiológico, a ecografia é o exame de primeira linha na grávida e na lactante, pela elevada sensibilidade para massas palpáveis e ausência de radiação. A mamografia, muitas vezes temida, é segura na gravidez quando realizada com proteção abdominal: a dose fetal típica é muito in-

ferior ao limiar teratogénico relevante. O seu papel é complementar, sobretudo para mapear a extensão de doença, identificar microcalcificações e orientar biópsias. A ressonância magnética deve ser reservada para situações de maior complexidade diagnóstica, dada a escassez de dados de segurança do gadolínio e o realce marcado do parênquima.

A biópsia percutânea permanece pedra angular do diagnóstico, mas na mama gravídica e lactante requer cuidados específicos: a hipervascularização aumenta o risco de hemorragia e a dilatação ductal favorece fístulas lácteas. Recomenda-se o uso de agulhas de menor calibre, suspensão temporária da amamentação na mama intervencionada e compressão prolongada com gelo.

Na prática diária, grande parte das queixas mamárias na grávida e na puérpera é benigna. Galactocelos, adenomas lactacionais e fibroadenomas pré-existentes que aumentam de volume refletem sobretudo a resposta hormonal e a estase láctea. Lesões com apresentação típica podem ser vigiadas, reservando a biópsia ecoguiada para casos sintomáticos ou atípicos. Fibroadenomas com enfarte isquémico podem adquirir sombra acústica posterior e mimetizar carcinoma, impondo biópsia.

O corrimento mamilar, em particular o serossanguinolento no terceiro trimestre, é outro motivo frequente de ansiedade. Uma proporção não negligenciável de grávidas e lactantes apresenta corrimento fisiológico associado à proliferação epitelial e vascular, mas a persistência, unilateralidade ou origem uniporo justificam investigação para excluir papiloma intraductal ou carcinoma.

Act de 2024, um regulamento europeu que estabelece o primeiro enquadramento legal abrangente no mundo para a inteligência artificial. Este classifica os sistemas de saúde como de alto risco, exigindo transparência, validação, supervisão, documentação rigorosa e proteção total da privacidade das doentes.

Conclusão

A mensagem central desta conferência é clara: a IA não veio substituir o médico, mas sim amplificar o seu julgamento clínico e devolvê-lo ao que é essencial. Ao automatizar tarefas repetitivas e processar dados complexos, a tecnologia permite-nos focar no que é unicamente humano: a empatia, a comunicação e o cuidado atento às necessidades do doente. O médico que dominar estas ferramentas estará mais bem equipado para oferecer uma medicina de excelência e verdadeiramente centrada na mulher.

hoJE, sábAdo Auditório 15h45 – 16h15

ciado à gravidez (PABC). Uma mastite que não melhora de forma clara após 72 horas de antibiótico adequado e drenagem eficaz deve ser considerada suspeita até prova em contrário. O grande desafio para o ginecologista/obstetra é reconhecer, no meio da fisiologia exuberante da gravidez e da amamentação, as situações em que é necessária investigação imagiológica e biópsia sem hesitações. Atrasos diagnósticos de vários meses continuam a ser um determinante major do mau prognóstico do PABC, aumentando o risco de metastização axilar em cerca de 0,9% a 1,8% por cada mês de demora. Ecografia precoce de massas persistentes, uso criterioso mas descomplexado da mamografia e um limiar baixo para biópsia e referenciação a centros de mama podem fazer a diferença entre um diagnóstico tardio e uma cura potencial.

Na prática diária, grande parte das queixas mamárias na grávida e na puérpera é benigna. ontEm, sExtA-FEIrA sala A 10h45 – 12h00

No extremo oposto do espectro, a mastite puerperal e o abcesso mamário são comuns e podem mascarar formas inflamatórias de cancro da mama asso-

Bárbara Gomes serviço de Ginecologia da Uls de Coimbra

c ancro da vuLva: quando a cirurgia não é a MeLhor oPção

Lúcia Correia subespecialista em Ginecologia oncológica, Ipo de lisboa. secretária da secção de Ginecologia oncológica da spG

O cancro da vulva é uma neoplasia rara. Em Portugal, é o quarto cancro ginecológico, com cerca de 200 novos casos diagnosticados anualmente. O carcinoma do pavimento celular é o tipo histológico mais frequente. Apesar de tradicionalmente associado a mulheres mais velhas, podemos con-

siderar duas vias de etiopatogénese: uma associada à infeção persistente por HPV (40% dos casos, mais frequente em mulheres mais jovens) e outra HPV independente, associada a dermatoses como o líquen escleroso (60% dos casos, mais frequente nas faixas etárias mais altas). Apesar de distintos na sua origem, o fluxograma de decisão terapêutica é comum.

O tratamento cirúrgico é historicamente o pilar do tratamento, mas o impacto físico e psíquico, a morbilidade associada a excisões extensas (por vezes, com necessidade de cirurgia exenterativa para excisão completa das lesões) forçaram uma mudança de paradigma.

A individualização terapêutica, focada na eficácia oncológica mas também na preservação da anatomia e da função e qualidade de vida, assume atualmente um papel central no tratamento do cancro da vulva. Hoje reconhece-se que a cirurgia nem sempre representa a melhor opção e o tratamento do cancro da vulva evoluiu para uma estratégia pluridisciplinar.

Nesta perspetiva, podemos considerar quatro grandes grupos:

1. Doença passível de tratamento cirúrgico, mas doente sem performan-

O tratamento do cancro da vulva evoluiu para uma estratégia pluridisciplinar.

ce status que permita a intervenção

Em Oncologia tratamos doentes e não doenças e, como disse Theodor Billroth (1883), “uma operação bonita que acaba na morte do doente não é uma cirurgia satisfatória”. Se da avaliação da doente resultar que os riscos cirúrgicos são inaceitáveis, outras opções terapêuticas devem ser ponderadas. 2. Doença localmente avançada ao diagnóstico

Nos tumores da vulva com invasão de estruturas adjacentes (cuja excisão implique uma cirurgia exenterativa e estomas para tratamento primário) ou metastização ganglionar de grande volume com acometimento cutâneo ou infiltração de estruturas adjacentes, a quimiorradioterapia estabeleceu-se como tratamento de eleição, alcançando taxas de sobrevivência global equiparáveis às da cirurgia (ultra)radical, com

uma morbilidade incomensuravelmente menor.

3. Doença metastática ao diagnóstico Em que a terapêutica sistémica ou de suporte paliativo serão a primeira opção.

4. Recidivas inoperáveis

O desafio é ainda mais complexo na recidiva. Sobretudo quando esta ocorre em área previamente irradiada. Para estas doentes, intervir cirurgicamente é frequentemente inviável, pelo que outras abordagens devem ser ponderadas, nomeadamente terapêutica sistémica, suporte paliativo ou eletroquimioterapia.

A terapêutica sistémica, que na vulva é vista como paliativa, tem assistido a alguns avanços com o advento da imunoterapia. Os inibidores do checkpoint PD-1/PD-L1 (como o pembrolizumab)

e os anticorpos conjugados têm demonstrado resultados promissores, abrindo portas a respostas mais duradouras em cenários previamente desprovidos de opções. Vários estudos prospetivos estão a decorrer neste campo.

A eletroquimioterapia é uma opção na doença locorregional, para o controlo sintomático de lesões vulvares dolorosas, exofíticas ou sangrantes. Através da aplicação de impulsos elétricos breves, a permeabilidade da membrana

a evoLução da interação Médica e a ia

Nesta sessão são abordadas diversas perspetivas.

1. A abrangência da interação A interação é essencial em toda a vertente relacional da prestação de cuidados de saúde e abrange, para além das próprias do acto médico, também as de índole administrativa.

A interação tem momentos diretos e indiretos, desde a procura do serviço ao agendamento da consulta, à comunicação de informação prévia, à prestação assistencial propriamente dita e ao acompanhamento posterior. Os passos prévios, frequentemente olvidados, condicionam, desde logo o que será o relacionamento do consulente com o médico. Podem ser facilitadores, quando a recetividade à entrada no circuito assistencial é acolhedora, ou obstaculizadores de empatia e promotores de conflitualidade, quando agreste.

A combinação da vertente administrativa com a médica propriamente dita é e será, cada vez mais, hibrida. Nesta

A combinação da vertente administrativa com a médica propriamente dita é e será, cada vez mais, híbrida.

interface é hoje realidade a existência de agentes virtuais e futuramente a de humanoides, mas não é defensável que não haja sempre recurso possível a humanos. Uma vertente útil é a comunicação preparatória. Necessariamente de fácil acessibilidade e realização, inclui poucas e simples perguntas, de campo aberto mas de conteúdo sintético, e facilitam o ato médico específico ao permitir antever, por exemplo, incompatibilidades medicamentosas ou a análise de exames complementares.

2. Os níveis de computação Convém ter claros os níveis de automatização e de autonomia computacional que definem os diferentes níveis: Automatização Simples => IA Básica (Tradicional) => IA Generativa => IA Agêntica => IA Geral (AGI) => Superinteligência (ASI)

Em todos e cada um destes patamares, para além da segurança informática e da cibersegurança, há que ponderar a existência de consequências não intencionais, impactos imprevistos da tecnologia, frequentemente imprevistos, eventualmente positivos, mas com mais frequência negativos e eventualmente graves.

3. O ato médico com apoio da IA Na evolução histórica do Saber Médico a (in)formação era transmitida de forma predominantemente oral, com a escrita em crescendo. O acesso era limitado aos profissionais, o que contrasta com o que agora existe, em que as fontes do conhecimento estão acessíveis a todos os intervenientes.

A entrevista médica no sentido original era unidirecional, isto é, ia consultar fonte que assumia o papel predominante (embora requerendo aceitação), mas volveu-se numa sessão de análise e decisão conjuntas e partilhadas.

O facto de se utilizarem, no âmbito da consulta, equipamentos digitais, mais frequentemente de imagem, mas não só, foi promovendo uma hipervalorização destes e uma desvalorização daquela no seu sentido clássico. A ecografia, por exemplo, constitui-se matéria de conflito medicolegal, apesar da sua relevância diagnóstica. Daí a busca tecnológica de melhoria de acuidade.

A facilidade de acesso e a rapidez que permitem aceder a informação e mesmo interpretação acarretam o chamado

“médico virtual”, a busca de ajuda informática ao procedimento clínico,

celular é temporariamente aumentada, permitindo uma captação superior de fármacos citotóxicos. Oferece controlo local dos sintomas com reduzida toxicidade sistémica. O seu uso para além do contexto paliativo também está a ser explorado.

Cuidados paliativos: quando as opções com intuito curativo ou de controlo da doença se esgotam, os cuidados paliativos precoces e integrados tornam-se o foco do plano terapêutico. O controlo sintomático rigoroso, o apoio psicológico e a intervenção especializada em feridas oncológicas são fundamentais.

Decidir “quando não operar” exige reconhecer e aceitar os limites da agressividade cirúrgica e integrar outras opções terapêuticas no momento certo, pensando não só na sobrevivência, mas também na qualidade de vida das doentes. Uma decisão individualizada, a ser tomada num contexto pluridisciplinar, em centros diferenciados.

ontEm, sExtA-FEIrA Auditório 17h00 – 18h15

mas que transformarão o ato médico num mero gesto administrativo.

4. Os cuidados de saúde autónomos Em paralelo ao espectro de consulentes, que hoje vai dos que de medicina nada sabem nem querem saber, e que buscam auxílio junto de quem lhes resolva os seus problemas, aos que tudo leram nas plataformas de saúde e querem clarificar as ideias que trazem já como assumidas, muitas vezes apresentadas em attitude de confronto, um novo fenómeno social emergiu: as “plataformas de doentes”, grupos de cidadãos, sem preparação técnica, mas que seguem opiniões baseadas na experiência individual de outros com enfermidade similar.

O risco maior e previsível é, uma vez mais, o da redução do médico ao papel de mero executor de técnicas de saúde, com anulação da Arte e delimitação das Ciências Médicas.

hoJE, sábAdo Auditório 11h15 – 11h45

José Martinez de Oliveira professor catedrático jubilado e emérito da Universidade da beira Interior (Covilhã)

InFormAção

usar a ia Para nos anteciParMos à doença

Miguel Coelho

Country manager da Procare Health Portugal

O recurso à inteligência artificial nos vários domínios da sociedade não é já o futuro, mas o “novo normal”. Este tema encabeça as inúmeras discussões nos mais diversos fóruns de discussão, como historicamente sempre ocorreu ao longo dos tempos, sempre que algo de novo e profundamente transformador aconteceu.

De forma desapaixonada, recordamos o impacto da descoberta do fogo nas civilizações, ou até mesmo a invenção da roda, sem deixar de mencionar o que as sucessivas Revoluções Industriais, desde o século XVIII, mudaram no sector produtivo, com a mecanização das máquinas a vapor, a que se seguiu tanta inovação, conduzindo à produção em série. “Temos um carro ao seu gosto, desde que seja preto”, diria alguém na produção automóvel.

Em cada momento, estas mudanças geraram adeptos, mas também fervorosos oponentes. Nessa altura, tal como hoje se entende o papel da IA, encontramos resistências, mas em cada dia que passa identificamos os benefícios que esta nova forma de gerir as sociedades está a condicionar o futuro.

Em cada momento, estas mudanças geraram adeptos, mas também fervorosos oponentes.

Numa semana em que se anuncia um membro de um governo que não é humano e se discute se tem cidadania ou personalidade jurídica, abre-se um espaço de discussão nesta Reunião da SPG sobre como poderemos utilizar a IA ao serviço da Saúde da Mulher, desde o diagnóstico ao tratamento. Pessoalmente, tenho uma visão mais apaixonada do tema quando defendo que o conceito de inteligência é apenas um único, que se manifesta de diversas formas. Tornei-me num utilizador diário de ferramentas de IA nos mais diversos contextos e cada vez encontro mais vantagens nesta nova forma de exteriorizar a inteligência. Não obstante utilizar o Excel no meu quotidiano, sei “dizer” a tabuada dos zero aos 12. Se me faz falta este conhecimento? Talvez não, mas ajuda. Se posso visitar uma biblioteca e consultar inúmeros compêndios para construir um trabalho? Claro que posso, mas não o faço. Tenho tudo à distância de um teclado, de forma sistematizada; apesar

de boas recordações de tempos passados na biblioteca de Cascais... Os tempos são outros! Em termos de diagnóstico, temos já bastos exemplos das vantagens de métricas que, em segundos, cruzam todas as variáveis que podem conduzir a um resultado mais rigoroso. Quanto a tratamento, sabemos que um bom diagnóstico conduz a terapêuticas mais

dirigidas e rigorosas. Em que medida a IA poderá dispensar ou substituir-se à Inteligência Humana será questionável se não optarmos pela opção de conjugar as duas.

Em termos profissionais, na Procare Health temos noção do impacto da IA na gestão de processos e projetos e temos um imersivo programa de Transformação Digital que, pela sua

relevância, é conduzido globalmente pelo CEO da empresa. Ao contrário de outras “revoluções”, esta transformação tem a particularidade de acontecer muito rapidamente. O que foi válido ontem poderá estar em transformação hoje mesmo. E esse será um dos maiores desafios: conseguir acompanhar o ritmo a que as coisas evoluem. Nas organizações como a nossa, em

que o foco é a saúde, a capacidade de fazer chegar a inovação a quem dela precisa torna-se um enorme desafio porque precisamos de nos antecipar à doença e focarmo-nos na sua prevenção.

Se existe um lado negro na IA? Certamente que sim, mas até a lua tem uma face “obscura”. Há que saber lidar com isso.

aBLação de MioMas Por radiofrequência via transvaginaL

Assist.

Os leiomiomas uterinos são uma patologia ginecológica benigna que afeta aproximadamente 25% das mulheres em idade reprodutiva, representando a neoplasia benigna mais comum do sistema reprodutor feminino. Frequentemente, provocam sintomatologia diversa, como hemorragia uterina, dor pélvica e infertilidade em mulheres jovens com desejo reprodutivo.

Embora os tratamentos cirúrgicos, como a histerectomia e a miomectomia, sejam eficazes na resolução da sintomatologia, a sua natureza invasiva promoveu o desenvolvimento de alternativas terapêuticas menos agressivas que permitam a preservação da fertilidade.

Entre estas, a ablação de miomas por radiofrequência surgiu nos últimos anos como uma opção eficaz e segura para mulheres com miomas sintomáticos que desejem preservar o útero, uma vez que reduz o volume dos miomas e melhora os sintomas associados.

A técnica funciona através da indução de calor controlado diretamente nas células miometriais, sem danificar os tecidos uterinos saudáveis circundantes, promovendo a redução do seu tamanho e favorecendo a eliminação natural do tecido degenerado pelo organismo.

Especificamente, a radiofrequência por via transvaginal ecoguiada é um procedimento minimamente invasivo, realizado em contexto de ambulatório, sem necessidade de internamento,

permitindo que as pacientes voltem às atividades normais no dia seguinte. Adicionalmente, estudos que avaliaram a sua segurança reprodutiva demonstraram que os desfechos obstétricos e perinatais em mulheres submetidas a esta técnica que depois engravidaram foram semelhantes aos da população em geral, tornando-a a técnica ideal para mulheres que queiram engravidar.

Em suma, esta abordagem está indicada em mulheres que desejem preservar o útero e a fertilidade, mulheres que não desejem ser submetidas a uma cirurgia invasiva, como a histerectomia/miomectomia ou em casos que apresentem miomas cujo tratamento possa ser tecnicamente desafiante por outras vias, como os miomas intramurais ou grandes miomas submucosos nos quais a histeroscopia convencional possa ter um papel limitado.

Percebe-se que esta técnica tenha vindo a expandir-se rapidamente por toda a Europa.

Atendendo a todas as vantagens descritas, percebe-se que esta técnica tenha vindo a expandir-se rapidamente por toda a Europa e que em Portugal já se encontre disponível em vários hospitais.

Convém reforçar que, apesar de representar uma alternativa às técnicas existentes, esta abordagem não as substitui, uma vez que nem todos os miomas apresentam indicação para este tipo de tratamento. Frequentemente, cada caso clínico pode exigir a combinação de duas ou mais técnicas terapêuticas para a sua resolução completa.

O mais importante é, assim, integrar esta técnica inovadora com as abordagens já existentes, de forma a proporcionar um tratamento cada vez mais eficaz e personalizado, tendo sempre em consideração as necessidades, expectativas e objetivos de cada mulher.

hoJE, sábAdo

Auditório 16h15 – 17h00

fezoLinetant o neurónio Kndy e a neuroBioLogia dos sintoMas vasoMotores

A menopausa é um processo natural marcado por alterações hormonais que podem provocar diversos sintomas físicos e emocionais. Entre os mais comuns estão os sintomas vasomotores, conhecidos como afrontamentos e suores noturnos, que afetam grande parte das mulheres nesta fase da vida.

Estudos indicam que cerca de 80% das mulheres experienciam sintomas vasomotores durante a transição da menopausa, sendo que aproximadamente 25% apresentam sintomas vasomotores (SVM) graves.

Estes sintomas resultam da diminuição dos níveis de estrogénio e da alteração da regulação da temperatura corporal, podendo comprometer significativamente o bem-estar, o sono e a qualidade de vida. Estudos indicam que cerca de 80% das mulheres experienciam sintomas vasomotores du-

rante a transição da menopausa, sendo que aproximadamente 25% apresentam sintomas vasomotores (SVM) graves.

Novas abordagens terapêuticas têm vindo a ganhar destaque, particularmente os tratamentos não hormonais.

A investigação científ ica identif icou o papel da neurokinina B (NKB) e do recetor NK3 na origem dos sintomas vasomotores.

Associadas aos SVM, muitas mulheres relatam palpitações, ansiedade, irritabilidade e dificuldades no sono.

A privação de descanso adequado contribui para fadiga, alterações de humor e redução da produtividade nas atividades diárias. Apesar de a terapêutica hormonal ser considerada um tratamento eficaz, nem todas as mulheres podem ou desejam utilizá-la, especialmente aquelas com contraindicações médicas ou receio de efeitos adversos.

Neste contexto, novas abordagens terapêuticas têm vindo a ganhar destaque, particularmente os tratamentos não hormonais. A investigação científica identificou o papel da neurokinina B (NKB) e do recetor NK3 na origem dos sintomas vasomotores.

Durante a menopausa, a redução de estrogénio provoca alterações na atividade neuronal, levando a uma maior estimulação dos neurónios KNDy e a episódios de SVM intensos. Assim, fezolinetant (antagonista do recetor NK3) surge como uma alternativa promissora, atuando diretamente nos mecanismos responsáveis pelos afrontamentos e contribuindo para melhorar a qualidade de vida das mulheres na menopausa.

Introdução e epidemiologia

Em Portugal, e de acordo com o último Censo de 2021, a população portuguesa é de 10.361.831, sendo que 52,4% são mulheres e destas 52,5% têm mais de 45 anos, estimando-se que cerca de 3 milhões de mulheres estão na perimenopausa/menopausa. A esperança média de vida da mulher portuguesa passou, em 62 anos, de 66,4 para 83,4 anos, pelo que se conclui que mais de 1/3 da vida é passada na menopausa, o que demonstra a importância desta fase da vida da mulher na sociedade portuguesa.

Sintomatologia

Embora seja um acontecimento fisiológico, a menopausa está associada a consequências que poderão ser sentidas ou não pela mulher e que exige por parte do médico uma resposta adequada. As consequências a curto/ /médio prazo são aquelas que mais preocupam e representam o principal motivo de consulta. Destas, fazem parte a sintomatologia vasomotora (calores, afrontamentos, fogachos) mas também as alterações do humor e do sono, as dificuldades de concentração, as dores osteoarticulares e as perturbações geniturinárias. Em relação à sintomatologia vasomotora, que poderemos afirmar ser a “imagem de marca” da menopausa, tem uma prevalência elevada de cerca de 70% e 40% das mulheres referem-na como incapacitante, condicionando o seu desempenho diário e mesmo o absentismo laboral, podendo prolongar-se em 50% durante mais de cinco anos após a menopausa.

Abordagem terapêutica

A abordagem terapêutica na menopausa deve ser instituída tão cedo

Fernanda Geraldes Ginecologista, Uls de Coimbra
Ana Rosa Costa Ginecologista, Uls de são João
Rita Polónia Valente
hospitalar, serviço de Ginecologia da Uls de são João. Ginecologia/obstetrícia da CUF trindade e ICUF porto

inetant na PrÁtica cLínica: da evidência à exPeriência

quanto possível na mulher sintomática. A terapêutica hormonal é o tratamento de primeira linha pela elevada eficácia no alívio dos sintomas vasomotores e no tratamento da síndrome geniturinária.

O fezolinetant, que atua no neurónio KNDy como antagonista dos recetores de neurocinina 3 (NK3), apresenta uma ef icácia na redução dos sintomas em mais de 60%.

No caso das mulheres que não podem ou não querem efetuar terapêutica hormonal deverá oferecer-se estratégias terapêuticas não hormonais eficazes e com um bom perfil de segurança. As opções disponíveis no mercado, como o extrato de pólen, os fitoestrogénios ou os antidepressivos, que também têm uma ação no centro termorregulador, embora não seletiva, demonstram baixa eficácia e níveis de segurança não totalmente conhecidos. As outras medidas não farmacológicas, como o yoga, a hipnose, o exercício físico, a acupuntura, a meditação ou o vestuário adequado, entre outras, poderão ser válidas em complemento e não de forma isolada.

A comunidade científica desejava um fármaco que viesse colmatar esta lacuna, o que veio a acontecer após o conhecimento exato da fisiopatologia dos sintomas vasomotores. O fezolinetant, que atua no neurónio KNDy como antagonista dos recetores de neurocinina 3 (NK3), apresenta uma eficácia na redução dos sintomas em mais de 60%, o que se revela uma opção não hormonal para tratar os sintomas vasomotores moderados e graves da menopausa, tendo sido aprovado pela FDA em maio de 2023 e pela EMA em dezembro de 2023.

Estudo de evidência científica

EFICÁCIA: Os estudos que estiveram na base desta aprovação são estudos randomizados com dupla ocultação, de fase 3  SKYLIGHT 1, 2 e 4, DAYLIGHT e HIGHLIGHT, este último em mulheres com cancro da mama hormono-dependente em terapêutica adjuvante. Verificou-se haver diminuição da frequência ao fim da primeira semana e na intensidade dos sintomas logo ao fim da quarta semana, prolongando-se esta redução ao

longo do tempo, até pelo menos às 52 semanas. Os scores dos domínios da avaliação da qualidade de vida melhoraram na semana 12, em comparação com placebo, bem como a qualidade do sono.

SEGURANÇA: A segurança foi estudada em 2203 mulheres e não foram relatadas reações adversas graves com

incidência superior a 1% em toda a população do estudo. A segurança hepática foi estudada, verificando-se elevação ligeira de ALT e/ou AST assintomáticas não acompanhadas por um aumento na bilirrubina. Os níveis das transaminases retornaram aos níveis pré-tratamento (ou próximos a estes) sem sequelas com a continuação da

dose e após a interrupção ou descontinuação da dose.

Estamos perante uma nova era no tratamento não hormonal dos sintomas vasomotores da menopausa, proporcionando às mulheres que apresentam contraindicação para a terapêutica hormonal, que não a desejam ou que cumpriram a THM recomendada e mantêm

SVM, uma abordagem com eficácia elevada e com os níveis de segurança devidamente estabelecidos.

hoJE, sábAdo sImpósIo AstEllAs Auditório 11h45 – 12h30

VEOZA é indicado para o tratamento de sintomas vasomotores (SVM) moderados a graves, associados à menopausa. 1

COMBATA o FOGO COM VEOZA

VEOZA é diretamente dirigido à fonte dos SVM—neurónios específicos no hipotálamo. 1

VEOZA é o primeiro e único antagonista seletivo do recetor da neurocinina 3 (NK3) que bloqueia a ligação da NKB aos neurónios KNDy para ajudar a reduzir os sinais de calor que desencadeiam os SVM. 1,2

KNDy: kisspeptina/neurocinina B/dinorfina, NKB: neurocinina B.

ESTE MEDICAMENTO ESTÁ SUJEITO A MONITORIZAÇÃO ADICIONAL. ISTO IRÁ PERMITIR A RÁPIDA IDENTIFICAÇÃO DE NOVA INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA. PEDE-SE AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE QUE NOTIFIQUEM QUAISQUER SUSPEITAS DE REAÇÕES ADVERSAS.

REFERÊNCIAS: 1. Resumo das Características do Medicamento VEOZA, na última versão aprovada (Disponível em www.infarmed.pt). 2. Depypere H, Lademacher C, Siddiqui E, Fraser GL. Fezolinetant in the treatment of vasomotor symptoms associated with menopause. Expert Opin Investig Drugs 2021;30(7):681-94.

Astellas, e o logótipo flying star são marcas registadas da Astellas Pharma Inc.

MAT-PT-VEO-2025-00044, MAI25 MAT-PT-VEO-2026-00039, JUN26

cirurgia oncoLógica redutora de risco: PersonaLizar Para Proteger

Durante décadas, a cirurgia redutora de risco em Ginecologia Oncológica foi orientada por um princípio relativamente simples: identificar uma mulher portadora de uma variante genética associada a elevado risco de cancro e intervir cirurgicamente antes do apa-

recimento da doença. Esta estratégia alterou de forma decisiva a história natural do cancro hereditário do ovário, particularmente nas portadoras de variantes patogénicas em BRCA1 e BRCA2, e continua a ser uma das intervenções preventivas mais eficazes na redução da mortalidade. Contudo, a crescente compreensão da biologia do cancro hereditário e das consequências da menopausa cirúrgica veio demonstrar que a decisão não pode ser baseada apenas na presença de uma mutação genética. O risco absoluto de cancro, a idade da mulher, a penetrância da variante identificada, a história familiar, os fatores modificadores de risco e o impacto biológico da intervenção devem fazer parte do processo de decisão.

A salpingo-ooforectomia bilateral redutora de risco continua a proporcionar benefícios inequívocos em sobrevivência. Estudos recentes, incluindo a análise de Hassan e colaboradores publicada no Lancet Oncology em 2025, reforçaram a magnitude deste benefício em portadoras BRCA1/2 com

O risco absoluto de cancro, a idade da mulher, a penetrância da variante identif icada, a história familiar, os fatores modif icadores de risco e o impacto biológico da intervenção devem fazer parte do processo de decisão.

história pessoal de cancro da mama. Contudo, hoje sabemos que não importa apenas a redução da mortalidade. Importa, também, compreender as consequências biológicas da intervenção e o seu impacto na saúde e na qualidade de vida das mulheres.

A menopausa cirúrgica não representa apenas uma consequência inevitável

▼ Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8 do RCM. Veoza, 45 mg, comprimidos revestidos por película. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Cada comprimido revestido por película contém 45 mg de fezolinetant. Lista completa de excipientes, ver secção 6.1. do RCM. FORMA FARMACÊUTICA: Comprimido revestido por película (comprimido). Comprimidos redondos, vermelho-claros (aproximadamente 7 mm de diâmetro × 3 mm de espessura), com o logótipo da empresa e “645” em relevo no mesmo lado. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS: Veoza é indicado para o tratamento de sintomas vasomotores (SVM) moderados a graves, associados à menopausa (ver secção 5.1 do RCM). POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO: Posologia: A dose recomendada é de 45 mg, uma vez por dia. O benefício do tratamento a longo prazo deve ser avaliado periodicamente, uma vez que a duração dos SVM pode variar de pessoa para pessoa. Dose em falta: Se uma dose de Veoza for esquecida ou não for tomada à hora habitual, a dose em falta deve ser tomada assim que possível, a não ser que faltem menos de 12 horas até à próxima dose agendada. Os indivíduos devem retomar o horário regular de toma do medicamento no dia seguinte. Idosos A segurança e eficácia de fezolinetant não foram estudadas em mulheres que iniciaram o tratamento com Veoza com mais de 65 anos de idade. Não é possível fornecer uma recomendação da dose para esta população. Compromisso hepático: Não é recomendada qualquer modificação da dose em indivíduos com compromisso hepático crónico de Classe A Child-Pugh (ligeiro) (ver secção 5.2 do RCM). A utilização de Veoza não é recomendada em indivíduos com compromisso hepático crónico de Classe B Child-Pugh (moderado) ou C (grave). Fezolinetant não foi estudado em indivíduos com compromisso hepático crónico de Classe C Child-Pugh (grave) (ver secção 5.2 do RCM). Compromissorenal:Não é recomendada qualquer modificação da dose em indivíduos com compromisso renal ligeiro (TFGe de 60 a menos de 90 ml/min/1,73 m2) ou moderado (TFGe de 30 a menos de 60 ml/min/1,73 m2) (ver secção 5.2 do RCM). A utilização de Veoza não é recomendada em indivíduos com compromisso renal grave (TFGe menor que 30 ml/min/1,73 m2). Fezolinetant não foi estudado em indivíduos com doença renal terminal (TFGe menor que 15 ml/min/1,73 m2) e a sua utilização não é recomendada nesta população (ver secção 5.2 do RCM). Populaçãopediátrica: Não existe utilização relevante de Veoza na população pediátrica para a indicação de SVM moderados a graves, associados à menopausa. Modo de administração: Veoza deve ser administrado por via oral, uma vez por dia, aproximadamente sempre à mesma hora, com ou sem alimentos e em conjunto com líquidos. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros e não devem ser partidos, esmagados, nem mastigados, devido à ausência de dados clínicos nessas condições. CONTRAINDICAÇÕES: Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1. do RCM. Utilização concomitante de inibidores moderados ou fortes do CYP1A2 (ver secção 4.5 do RCM). Gravidez conhecida ou suspeita de gravidez (ver secção 4.6 do RCM). ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO: Exame/consulta médica: Antes de iniciar ou retomar a administração de Veoza, deve ser realizado um diagnóstico cuidadoso e tem de ser obtida a história clínica completa (incluindo antecedentes familiares). Durante o tratamento, é necessário realizar avaliações periódicas de acordo com a prática clínica padrão. Doença hepática: A utilização de Veoza não é recomendada em indivíduos com compromisso hepático crónico de Classe B Child-Pugh (moderado) ou C (grave). Não foram incluídas mulheres com doença hepática ativa ou compromisso hepático crónico de Classe B Child-Pugh (moderado) ou C (grave) nos estudos da eficácia e segurança clínica com fezolinetant (ver secção 4.2 do RCM) e não é possível extrapolar esta informação de forma fiável. A farmacocinética de fezolinetant foi estudada em mulheres com compromisso hepático crónico de Classe A Child-Pugh (ligeiro) ou B (moderado) (ver secção 5.2 do RCM). Lesão hepática induzida por fármacos (DILI): Foi observado aumento dos níveis séricos de alanina aminotransferase (ALT) e de aspartato aminotransferase (AST) para, pelo menos, 3 vezes o limite superior do normal (ULN) em mulheres que foram tratadas com fezolinetant, incluindo casos graves com aumento de bilirrubina total e sintomas sugestivos de lesão hepática. As provas da função hepática (PFH) elevadas e sintomas sugestivos de lesão hepática foram em geral reversíveis com a descontinuação da terapêutica. As PFH têm de ser efetuadas antes do início do tratamento com fezolinetant. O tratamento não deve ser iniciado se ALT ou AST for ≥ 2 x ULN ou se a bilirrubina total estiver elevada (p. ex., ≥ 2 x ULN). Têm de ser efetuadas PFH mensais durante os primeiros três meses de tratamento, e após esse período, com base em avaliação clínica. Também têm de ser efetuadas PFH quando surgirem sintomas sugestivos de lesão hepática. O tratamento deve ser descontinuado nas seguintes situações: aumento de transaminase é ≥ 3 x ULN com bilirrubina total >2 x ULN OU sintomas de lesão hepática; aumento de transaminase é > 5 x ULN. A monitorização da função hepática deve ser mantida até normalização. Os doentes devem ser informados sobre os sinais e sintomas de lesão hepática e devem ser aconselhados a contactar o seu médico imediatamente logo que surgirem. Cancro da mama ou tumores malignos dependentes de estrogénio, conhecidos ou prévios: Não foram incluídas mulheres a receber tratamento oncológico (p. ex., quimioterapia, radioterapia, terapia anti-hormonal) para o cancro da mama ou outros tumores malignos dependentes de estrogénio, nos estudos clínicos. Consequentemente, a utilização de Veoza não é recomendada nesta população, uma vez que a segurança e a eficácia são desconhecidas. Não foram incluídas nos estudos clínicos mulheres que tiveram previamente cancro da mama ou outros tumores malignos dependentes de estrogénio e que já não estão a receber tratamento oncológico. A decisão de tratar estas mulheres com Veoza deve basear-se numa avaliação do benefício-risco específica para cada indivíduo. Utilização concomitante de terapia de substituição hormonal com estrogénios (excluindo preparações vaginais locais): A utilização concomitante de fezolinetant e terapia de substituição hormonal com estrogénios não foi estudada e, por este motivo, a utilização concomitante não é recomendada. Convulsões ou outras afeções convulsivas: Fezolinetant não foi estudado em mulheres com antecedentes de convulsões ou outras afeções convulsivas. Não ocorreram casos de convulsões ou afeções convulsivas durante os estudos clínicos. A decisão de tratar estas mulheres com Veoza deve basear-se numa avaliação do benefíciorisco específica para cada indivíduo. EFEITOS INDESEJÁVEIS: Resumo do perfil de segurança: As reações adversas mais frequentes com fezolinetant 45 mg foram diarreia (3,2%) e insónia (3,0%). Não foram notificadas reações adversas graves com uma incidência superior a 1% em toda a população do estudo. Foram notificadas quatro reações adversas graves com fezolinetant 45 mg. A reação adversa mais grave foi uma reação de adenocarcinoma do endométrio (0,1%). As reações adversas mais frequentes que levaram à descontinuação de fezolinetant 45 mg foram alanina aminotransferase (ALT) aumentada (0,3%) e insónia (0,2%). Lista tabelada de reações adversas: A segurança de fezolinetant foi estudada em 2203 mulheres com SVM associados à menopausa, as quais receberam fezolinetant, uma vez por dia, em estudos clínicos de fase 3. As reações adversas observadas durante os estudos clínicos e resultantes de notificação espontânea estão listadas abaixo por categoria de frequência em cada classe de sistemas de órgãos. As categorias de frequência estão definidas da seguinte forma: muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100, < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1000, < 1/100); raros (≥ 1/10 000, < 1/1000); muito raros (< 1/10 000); e desconhecida (a frequência não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis). Tabela 1. Reações adversas com fezolinetant 45 mg: Perturbações do foro psiquiátrico: Frequentes: Insónia; Doenças gastrointestinais: Frequentes: Diarreia, dor abdominal; Afeções hepatobiliares: Frequentes: Alanina aminotransferase (ALT) aumentada, Aspartato aminotransferase (AST) aumentada (ver Descrição de reações adversas selecionadas) Desconhecida: Lesão hepática induzida por fármacos (DILI) (ver Descrição de reações adversas selecionadas). Descrição de reações adversas selecionadas: ALT aumentada/AST aumentada/DILI Foram notificados casos graves com aumento de ALT e/ou AST (> 10 x ULN) com aumento concomitante de bilirrubina e/ou fosfatase alcalina (ALP) após a comercialização. Em alguns casos, provas da função hepática elevadas estiveram associadas a sinais e sintomas sugestivos de lesão hepática como fadiga, prurido, icterícia, urina escura, fezes claras, náuseas, vómito, apetite diminuído e/ou dor abdominal (ver secção 4.4 do RCM). Notificação de suspeitas de reações adversas: A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do INFARMED, I.P.: Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/ infarmed/submissaoram (preferencialmente) ou através dos seguintes contactos: Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. Data de revisão do RCM reduzido: 20/02/2026 (Baseado no RCM de 02/2026). Medicamento sujeito a receita médica. Medicamento não comparticipado. Para mais informações deverá contactar o representante local do Titular de Autorização de Introdução no Mercado. Astellas Farma, Lda. Sede Social: Lagoas Park, Edifício 3, Piso 0, 2740-266 Porto Salvo, Portugal. Contribuinte nº502540249, MAT-PT-VEO-2026-00010, FEV26

da cirurgia. Constitui uma condição endocrinológica sistémica associada a alterações vasomotoras, sexuais, ósseas, metabólicas e psicológicas. O estudo prospetivo WHAM demonstrou que mulheres submetidas a salpingo-ooforectomia bilateral antes da menopausa apresentam impacto significativo na qualidade de vida associada à menopausa, na sexualidade, no sono, no humor e na densidade mineral óssea, efeitos que apenas são parcialmente mitigados pela reposição hormonal.

rias consistentes na qualidade de vida menopáusica, na função sexual e nos sintomas vasomotores quando comparadas com a salpingo-ooforectomia bilateral imediata. Embora a segurança oncológica a longo prazo permaneça em avaliação, estes resultados abriram caminho a estratégias preventivas que procuram preservar a qualidade de vida sem comprometer a proteção oncológica.

Também a expansão dos painéis multigénicos veio revelar que nem todas as variantes genéticas conferem o mesmo risco. As recomendações recentes do American College of Medical Genetics and Genomics para BRIP1, RAD51C e RAD51D reforçam que estes genes não devem ser encarados como equivalentes a BRCA1/2. O risco individual depende não apenas do gene identificado, mas também do contexto familiar, dos fatores reprodutivos e de outros modificadores genéticos.

À medida que o conhecimento evolui, torna-se evidente que a prevenção do cancro hereditário deixou de ser exclusivamente uma questão de genética e passou a exigir uma avaliação integrada do risco individual, do benef ício esperado e das consequências da intervenção.

Por outro lado, os resultados do estudo HARMOny trouxeram uma perspetiva mais equilibrada sobre as consequências a longo prazo da menopausa cirúrgica. Após mais de duas décadas de seguimento, não foi observado agravamento significativo do risco cardiovascular, da função cognitiva objetiva ou da qualidade de vida global. As principais consequências persistentes concentraram-se sobretudo na esfera sexual, urogenital e óssea. Paralelamente, o desenvolvimento de estratégias alternativas, como a salpingectomia com ooforectomia diferida, veio questionar o modelo tradicional de prevenção cirúrgica. Os estudos TUBA e WISP demonstraram melho-

Os resultados do estudo HARMOny trouxeram uma perspetiva mais equilibrada sobre as consequências a longo prazo da menopausa cirúrgica. Após mais de duas décadas de seguimento, não foi observado agravamento signif icativo do risco cardiovascular, da função cognitiva objetiva ou da qualidade de vida global. As principais consequências persistentes concentraram-se sobretudo na esfera sexual, urogenital e óssea. ontEm, sExtA-FEIrA Auditório 17h00 – 18h15

À medida que o conhecimento evolui, torna-se evidente que a prevenção do cancro hereditário deixou de ser exclusivamente uma questão de genética e passou a exigir uma avaliação integrada do risco individual, do benefício esperado e das consequências da intervenção.

Na era da medicina personalizada, proteger já não significa tratar todas as mulheres da mesma forma. Significa oferecer a cada mulher a estratégia que melhor equilibra proteção oncológica, saúde e qualidade de vida

Marina Sousa Gomes
Assist. hospitalar de Ginecologia e obstetrícia, serviço de Ginecologia do Ipo-porto

o que hÁ de novo no trataMento das itu coMPLexas?

Novos conceitos e terminologia

As diretrizes europeias revistas e pu blicadas em março de 2026 ( Guidelines on Urological Infections introduzem uma mudança conceptual relevante: a descontinuação dos termos ITU “complicada” e “não complicada”.

Ao invés, a nova classificação distingue ITU localizada (cistite com sintomas típicos) de ITU sistémica (presença de sinais/sintomas de infeção sistémica).

ITU na gravidez

As ITU na gravidez acarretam um risco acrescido de pielonefrite aguda, poden do associar-se a complicações materno -fetais como lesão renal aguda, sépsis, parto pré-termo ou baixo peso ao nasci mento. Recomenda-se, assim, o rastreio sistemático da bacteriúria assintomática através de urocultura no 1.º trimestre. O tratamento das ITU na gravidez é par ticularmente desafiante, considerando a compatibilidade e o perfil de segurança dos antibióticos no período gestacional, bem como o aumento crescente de re sistências antimicrobianas. Os b-lactâ micos, as cefalosporinas, a fosfomicina, a nitrofurantoína e o TMP/SMX são considerados seguros na gravidez. Contrariamente ao TMP/SMX, as evidências mais recentes excluíram a associação entre nitrofurantoína e mal formações fetais, não existindo con traindicação à sua utilização nas fases iniciais da gravidez. No entanto, ambos devem ser evitados no final da gravidez pelo risco de complicações neonatais.

spp.), as associações Xiloglucan, hibiscus Bacteriúria assintomática e preciso, com evicção de antibioterapia sulopenem). Inevitavelmente, a IA assu-

ITU na menopausa

A SGUM e o hipoestrogenismo subja cente justificam a maior recorrência de ITU nesta fase da vida da mulher. Por conseguinte, é recomendado o uso de estrogénios vaginais para a prevenção de ITU recorrentes nesta faixa etária (evi dência forte, EAU Guidelines

ITU recorrentes e profilaxia

Define-se ITU recorrente como a existên cia de ³ 3 episódios de ITU por ano ou ³ 2 episódios de ITU nos últimos seis meses. A abordagem profilática deverá ser es calada, iniciando-se por modificações comportamentais, seguido de profilaxia não antibiótica e, por fim, antibioterapia profilática. As modificações comporta mentais – hidratação adequada (≥ 1,5 L/ /dia), cuidados de higiene, micção regular e pós-coital –, embora sejam de fácil pres crição e cumprimento, apresentam uma evidência científica limitada. Na profila xia não antibiótica, os estrogénios tópicos, a metenamina hipurato e, mais recente mente, os arandos vermelhos constituem uma recomendação forte na prevenção das ITU (EAU Guidelines Com evidência mais fraca figuram a D -manose, os probióticos (

hoJE, sábAdo Auditório 14h30 – 15h45

Dora Antunes

erro Médico e reguLaMentação na PrÁtica cLínica na era da ia

Margarida Martinho

Assist. graduada em Ginecologia, Uls de são João. Assist. convidada da FmUp vice-presidente da spG

A inteligência artificial (IA) tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na prática médica contemporânea, abrangendo diversas especialidades, entre as quais a Ginecologia e Obstetrícia. Ferramentas de apoio ao diagnóstico, sistemas de interpretação de exames, análise avançada de ima-

gem, algoritmos preditivos e plataformas automatizadas de gestão do registo clínico passaram a integrar, de forma progressiva, o quotidiano assistencial. Apesar de proporcionarem ganhos significativos em termos de eficiência, precisão e capacidade analítica, estas tecnologias introduzem simultaneamente novos desafios éticos, jurídicos e regulatórios, particularmente no domínio do erro médico.

Na área da Ginecologia/Obstetrícia, a aplicação da IA é já uma realidade em contextos como o rastreio do cancro do colo do útero e da mama, a avaliação ultrassonográfica, os protocolos de reprodução medicamente assistida e os modelos de previsão de risco obstétrico. Entre os principais benefícios destacam-se a maior rapidez na obtenção de diagnósticos, a padronização das decisões clínicas e a ampliação do acesso a cuidados especializados, sobretudo em regiões com escassez de profissionais. Contudo, importa sublinhar que estes sistemas não são infalíveis e estão sujeitos a limitações estruturais e técnicas.

As falhas da IA podem resultar de múltiplos fatores, incluindo bases de

dados incompletas, enviesamentos populacionais, treino inadequado dos algoritmos e limitações inerentes ao próprio modelo. Um exemplo particularmente relevante reside na menor representatividade de determinados grupos populacionais nos dados de treino, o que pode comprometer a precisão dos sistemas em mulheres negras, idosas ou com apresentações clínicas atípicas. Em contexto ginecológico, tais fragilidades podem traduzir-se em resultados falsos negativos, atrasos/erros no diagnóstico ou recomendações terapêuticas inadequadas, com potenciais consequências relevantes para a saúde das pacientes.

Neste cenário, coloca-se uma questão central: quem é responsável quando

Coloca-se uma questão central: quem é responsável quando ocorre um erro clínico associado ao uso

de IA?

ocorre um erro clínico associado ao uso de inteligência artificial? De acordo com a interpretação predominante nos atuais enquadramentos jurídicos, a IA é considerada uma ferramenta de apoio à decisão, não substituindo a autonomia nem a responsabilidade do médico. Assim, o ginecologista mantém-se como o agente responsável pela decisão final, devendo analisar criticamente as recomendações fornecidas pelo sistema. A adesão acrítica às sugestões algorítmicas –fenómeno conhecido como automation bias – pode, em determinadas circunstâncias, configurar negligência ou imperícia. No entanto, a crescente complexidade dos sistemas algorítmicos desafia os modelos tradicionais de responsabilidade civil e a avaliação da responsabilidade em contexto de IA exige novas competências periciais e adaptações nos sistemas jurídicos. Outro desafio relevante é a opacidade algorítmica (black box), que dificulta a compreensão dos processos decisórios da IA. A opacidade algorítmica compromete a realização de auditorias clínicas, dificulta a atividade pericial e levanta obstáculos ao adequado cum-

primento do dever de informação no contexto do consentimento informado. A regulação da IA na saúde encontra-se em desenvolvimento a nível global. Na União Europeia, destaca-se o Regulamento da Inteligência Artificial (AI Act), que classifica sistemas médicos como de alto risco e impõe requisitos rigorosos de segurança, transparência e supervisão humana.

Perante este contexto, tornam-se essenciais algumas boas práticas na utilização da IA em Ginecologia: a adoção de sistemas com validação científica robusta, a manutenção de uma supervisão clínica ativa, o registo detalhado do uso da tecnologia no processo clínico e a garantia da proteção dos dados sensíveis das pacientes. A inteligência artificial deve ser entendida como um instrumento de suporte à decisão, e não como substituto do raciocínio clínico, da experiência profissional e da relação médico-paciente.

ontEm, sExtA-FEIrA Auditório 10h45 – 12h00

ia e saúde sexuaL e reProdutiva na adoLescência: oPortunidades, desafios e iMPLicações cLínicas

Assist.

A inteligência artificial (IA) está a transformar rapidamente a forma como os adolescentes acedem, produzem e consomem informação. A área da saúde sexual e reprodutiva não é exceção. Para muitos jovens, a IA pode funcionar como a primeira porta de entrada

para esclarecer dúvidas sobre contraceção, infeções sexualmente transmissíveis, identidade de género, saúde reprodutiva ou gravidez.

A possibilidade de receber respostas imediatas, sem julgamento e com disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, pode ser particularmente útil para adolescentes que têm dificuldade em recorrer aos serviços de saúde ou em abordar temas mais difíceis com adultos.

Em cenários bem desenhados, estas ferramentas podem facilitar a literacia em saúde, melhorar o acesso à informação e até ajudar e promover o encaminhamento atempado de situações de risco. Chatbots, assistentes virtuais e sistemas conversacionais podem responder a dúvidas sobre contraceção, infeções sexualmente transmissíveis, menstruação, gravidez e acesso a cuidados, oferecendo disponibilidade contínua e linguagem adaptada. Ainda assim, o seu uso nesta faixa etária exige cuidados adicionais.

A maior parte das ferramentas de IA na área da Saúde está ainda longe de ter

A maior parte das ferramentas de IA na área da Saúde está ainda longe de ter validação clínica robusta.

validação clínica robusta. Em adolescentes, isto é particularmente relevante: saber responder a perguntas não é o mesmo que produzir informação clinicamente segura, atualizada e eticamente adequada. Há também o risco de respostas incorretas, incompletas ou excessivamente genéricas, podendo assim atrasar o acesso a cuidados de saúde adequados e personalizados. Do ponto de vista ético e de saúde pública, os principais desafios centram-se na privacidade, na proteção de dados e no possível viés algorítmico da IA. A informação relacionada com sexualidade, identidade de género, orientação sexual, gravidez ou violência sexual

exige garantias de confidencialidade e proteção de dados. Se estas ferramentas não forem bem regulamentadas, podem expor jovens a riscos de privacidade, recolha de dados sensíveis ou produzir enviesamentos que podem deixar de fora grupos minoritários e vulneráveis. A qualidade do algoritmo é, por isso, tão importante quanto a qualidade do conteúdo. Na prática clínica, a IA não deve ser vista como um inimigo do ginecologista ou como substituta da consulta, mas sim como um complemento. Ferramentas adequadamente concebidas podem apoiar educação para a saúde, facilitar triagens iniciais e ampliar o acesso à informação. Ainda assim, a decisão clínica, o aconselhamento e a abordagem individualizada são características, que para já, a IA não conseguirá substituir num médico. Na adolescência, os cuidados prestados em saúde sexual e reprodutiva continuam a depender de uma relação de confiança entre médico/profissional de saúde e jovem, algo que nenhum sistema automatizado consegue reproduzir.

O impacto da inteligência artificial nesta área é, portanto, ambivalente. Pode representar uma oportunidade para aproximar os adolescentes dos cuidados de saúde e tornar a informação mais acessível. Mas também pode potencializar desinformação, desigualdades e problemas de privacidade se for usada sem regulamentação específica.

Para o ginecologista, a prioridade deverá ser o desenvolvimento de uma postura crítica, conhecer as ferramentas disponíveis, avaliar a sua qualidade e defender modelos de utilização que sejam seguros, inclusivos e supervisionados. Como se costuma dizer, “Se não és mais forte, junta-te a eles”. A inteligência artificial é o futuro que já começou, cabe-nos a nós assegurar que esse futuro continua a ser humano, seguro e centrado no doente.

ontEm, sExtA-FEIrA sala A 10h45 – 12h00

Daniela David
hospitalar de Ginecologia e obstetrícia, Uls de loures-odivelas

Publicações

www.justnews.pt

Jornal

dos cuidados de saúde multidisciplinares

Nós somos multidisciplinares

A promover a partilha de boas práticas entre todas as unidades do sistema nacional de saúde

Jornal Oficia

ultidisciplin

Dossier Dossier

Dossier Dossier

Jornal Médico é agora também o Jornal Oficial das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, partilhado mensalmente com a comunidade de internos e especialistas de MGF que já participaram, até agora, no evento anual mais mobilizador e de maior notoriedade em Portugal na área dos Cuidados de Saúde Primários.

SOLUÇÕES ADEQUADAS A CADA NECESSIDADE

CANDIDÍASE VAGINAL

DESCONFORTO URINÁRIO

Fórmula inovadora com elevada dose de D-Manose

HIGIENE ÍNTIMA

Cuidado Diário e Calmante + até 12h de conforto

Alívio imediato do mau odor. Restaura o pH e microbiota vaginal VAGINOSE BACTERIANA Dispositivo

Fórmula única* + 4 estirpes microbianas + Vitamina B2 FLORA VAGINAL

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Jornal_WM_Ginecologia_Junho2026b by Just News - Issuu