Quaisquer comentários ou dúvidas sobre este produto escreva para: produtos@geografica.com.br
DIRETORA EDITORIAL
Maria Fernanda Vigon
EDITOR GERAL E DE CONTEÚDO
Luiz Sayão
COORDENADORA E REVISORA TÉCNICA
Susie Lee
GERENTE EDITORIAL
Adriel Barbosa
DESIGNER DE CAPA
Rick Szuecz
DESIGNER DE PROJETO GRÁFICO
Rafael Alt
Rodrigo Massagardi
DIAGRAMADOR
Rafael Alt
REVISORES
Céliz Sayão
Carolina Lima
Marcelo Miranda
Nívea Silva
Giovanna Vido
Lúcia Fornachari
Bárbara Mari Bie
SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS
geograficaed geograficaeditora geoeditora
geograficaeditora
S274b Sayão, Luiz
Bíblia de Estudo – Rota 66 / Luiz Sayão. – Santo André : Geográfica, 2025.
Nova Versão Internacional 16x23cm ; 2016 p. ISBN 978-65-5655-540-9
1 Bíblia. 2. Estudo da Bíblia 3. Comentários I. Título
CDU 22.07
Catalogação na publicação: Leandro Augusto dos Santos Lima – CRB 10/1273
APRESENTAÇÃO
Esta é a Bíblia de estudo ROTA 66. Além de oferecer o texto completo das Escrituras Sagradas em uma versão contemporânea e compreensível, ela é enriquecida com centenas de notas informativas e estudos explicativos em uma abordagem única.
Os comentários e as explicações da Bíblia de estudo ROTA 66 são resultado de muitos anos de pesquisa e estudo do hebraísta e teólogo Luiz Sayão. Por muitos anos, esses estudos foram disponibilizados em áudio pela RTM Brasil e traduzidos para vários idiomas, tornando-se um projeto de alcance global. O objetivo de todo o trabalho foi tornar as Sagradas Escrituras conhecidas e apreciadas pelas pessoas do mundo atual. Como o próprio Luiz Sayão gosta de dizer: “A Bíblia é o registro do toque da eternidade dentro da finitude do tempo que mexe com a vida e o coração das pessoas. Esse toque, traduzido em palavras, permanece como referência para o indivíduo e para
a comunidade da fé, e serve de luz para a caminhada da civilização. Como revelação escrita de Deus aos seres humanos de todos os tempos, a Bíblia é clara em afirmar sua origem divina. As Escrituras são divinamente inspiradas e proveitosas para nos ensinar a verdade de Deus (veja 2Tm 3.16). Seu próprio testemunho é plenamente confiável, pois ela é a Palavra de Deus. São 66 livros, 39 no Antigo Testamento (AT), anteriores ao nascimento de Cristo, e 27 no Novo Testamento (NT), escritos depois da vinda de Cristo. Aliás, o Novo Testamento só faz sentido quando lemos e entendemos o Antigo Testamento. Nas Escrituras Sagradas, há uma revelação progressiva que culmina em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Resumir o propósito das Escrituras não é tarefa fácil diante de sua grandeza e riqueza, mas, de um modo geral, podemos dizer que a essência da mensagem bíblica é:
Ao contrário do que alguns imaginam, os diversos autores dos livros da Bíblia não foram usados pelo poder divino como uma máquina quando redigiram os textos sagrados. Não foram tomados por uma força espiritual que os controlou, deixando-os inconscientes! No entanto, apesar de estarem plenamente conscientes e de mostrarem seu estilo peculiar, eles foram usados por Deus para revelar a vontade divina para nós e não suas próprias ideias. A prova de que eles não escreveram suas opiniões particulares é que muitos dos autores bíblicos nem entendiam plenamente a profundidade daquilo que escreviam, como foi o caso das profecias (veja 2Pe 1.19-21). O Espírito de Deus supervisionou a sua própria Palavra, ainda que tenha usado instrumentos humanos.
Muitas pessoas têm dificuldade em compreender o valor da Bíblia pelo fato de algumas de suas histórias serem repletas de milagres extraordinários e relatos peculiares, especialmente no Antigo Testamento. Alguns perguntam, sinceramente: “Como Jonas pôde sobreviver no ventre de uma baleia? O mar Vermelho realmente se abriu? Como pôde alguém ressuscitar? É possível um homem fazer descer fogo dos céus?”. A maioria das pessoas, no entanto, acredita que Deus criou o mundo e o universo, e é muito mais difícil criar tudo o que existe a partir do nada do que fazer o mar Vermelho se abrir. Se o Deus que se revela na Bíblia é tão poderoso e amoroso, deve-se considerar que seus caminhos incluam situações extraordinárias tanto na ordem natural, como na história e na vida das pessoas.
A verdade é que entender a Bíblia não é uma tarefa simples. Estamos diante de um texto muito antigo, que foi escrito em hebraico, aramaico e grego, em um ambiente cultural, geográfico e histórico muito distinto do nosso. É necessário descobrir as pontes que nos permitem cruzar
essas distâncias para descobrir o sentido, os princípios e os detalhes do agir divino na história humana. isso nos permitirá “beber o mel” na fonte, desfrutar da sabedoria divina e aplicá-la em nossa vida nos dias de hoje.
Esse é o sentimento que nos inspira a publicar a Bíblia de estudo ROTA 66. Nela, o conteúdo bíblico é apresentado de forma que faça sentido para o leitor do nosso tempo. São explicações fundamentadas, contextualizadas e bem-humoradas, que não têm compromisso com um enfoque particularista. São estudos que se mostraram apreciados por cristãos e não cristãos, por religiosos e por aqueles sem religião.
Gratidão a todos que, por meio de seu trabalho e dedicação, tornaram possível este projeto tão especial, que envolveu a parceria valiosa entre a Editora Geográfica e a RTM Brasil. Agradecemos particularmente à Maria Fernanda Vigon, Valdir Pydd e André Castilho. Ao trabalho inicial de organização editorial de Robinson Malkomes. À equipe de diagramação da Geográfica. E à coordenação editorial da hebraísta Susie Lee.
A Bíblia de estudo ROTA 66 foi meticulosamente organizada em um projeto gráfico que organiza o seu conteúdo a partir de uma proposta didática que permite ao leitor compreender com maior clareza os ensinamentos e diretrizes da Palavra de Deus:
1. PONTO DE PARTIDA
PONTO
PARTIDA DE
O ponto de partida é essencial para qualquer jornada, e na Bíblia de estudo Rota 66 ele assume um papel ainda mais significativo. A introdução de cada livro das Escrituras é cuidadosamente elaborada para oferecer uma visão abrangente e contextual do texto bíblico. Cada introdução busca responder perguntas fundamentais, como: Quem foi o autor do livro? Qual era a intenção ao escrevê-lo? Quem eram os destinatários originais e em que contexto histórico essas palavras foram redigidas? Essas informações são a base para compreender a mensagem central e sua relevância tanto para o público original quanto para os leitores de hoje.
Entender o autor e o contexto de cada livro é como abrir uma janela para o passado, permitindo que o leitor enxergue as circunstâncias culturais,
x sociais e espirituais que moldaram o texto. Por exemplo, ao estudar os Salmos, é fundamental saber que muitos deles foram escritos por Davi em momentos de profunda crise pessoal e nacional, refletindo lutas internas e o relacionamento de israel com Deus.
No caso das cartas de Paulo, compreender as dificuldades enfrentadas pelas igrejas primitivas, como perseguições e disputas doutrinárias, oferece uma nova dimensão ao significado dos conselhos do apóstolo.
O Ponto de Partida não é apenas informativo, mas também inspirador. Ele convida o leitor a olhar além do texto e a explorar as grandes narrativas que entrelaçam a revelação divina com a história humana. Essa introdução serve como um alicerce sólido, garantindo que a leitura subsequente esteja firmemente ancorada em fatos históricos e princípios eternos.
Além disso, o conteúdo apresentado no Ponto de Partida é elaborado com uma linguagem clara e acessível, valorizando a experiência do leitor. Os aspectos teológicos e históricos são integrados de maneira harmoniosa, permitindo que tanto o leitor iniciante quanto o mais experiente se beneficiem. Essa abordagem torna o estudo das Escrituras uma aventura intelectual e espiritual, onde cada página traz novas descobertas e insights profundos.
Portanto, o Ponto de Partida é mais do que uma introdução; é uma ferramenta indispensável para que o leitor possa navegar pelo vasto universo bíblico com compreensão e clareza. Ele prepara o coração e a mente para mergulhar na Palavra de Deus, extraindo dela as verdades que transformam vidas e iluminam caminhos. Em resumo, este é o convite inicial para a viagem mais fascinante de sua vida: uma jornada pela revelação divina.
2. ABRINDO O NAVEGADOR
a ABRINDO O NAVEGADOR é uma seção que atua como um guia prático e inspirador para a leitura e compreensão dos textos bíblicos. Nela, cada capítulo é desvendado com explicações fundamentadas que conectam o conteúdo antigo à realidade contemporânea. O objetivo principal dessa abordagem é oferecer ao leitor uma visão ampla e clara dos temas abordados em cada livro das Escrituras. Assim como um navegador orienta em uma viagem, essa seção serve como um mapa espiritual, trazendo a essência dos textos sagrados de maneira acessível e relevante.
Cada tema é apresentado de forma criativa, buscando instigar a curiosidade e o desejo de aprender mais sobre a Palavra de Deus. As explicações não se limitam a um simples resumo; elas são construídas para despertar reflexões profundas, destacando a aplicação prática do texto bíblico na vida cotidiana.
Seja por meio de histórias marcantes, lições de vida ou insights teológicos, o leitor é levado a explorar os mistérios das Escrituras com entusiasmo.
Além disso, essa seção é elaborada com uma linguagem clara e envolvente, que visa acolher tanto os leitores iniciantes quanto aqueles que já possuem conhecimento avançado da Bíblia. Cada passagem é contextualizada historicamente e culturalmente, permitindo que o leitor compreenda as nuances do texto sagrado em seu cenário original. Essa perspectiva contextual é essencial para iluminar as mensagens principais e revelar as conexões entre os eventos narrados.
Ao “abrir o navegador”, o leitor encontra não apenas uma explicação do capítulo, mas um convite para mergulhar na profundidade do texto bíblico.
São insights que ajudam a decifrar a simbologia, as metáforas e as imagens ricas em significado presentes nas Escrituras. Assim, essa seção cumpre um papel educativo e espiritual, guiando o leitor por uma jornada de descoberta e transformação.
De maneira prática, também oferece um suporte visual e didático. Alguns tópicos trazem esquemas, tabelas ou destaques que facilitam a assimilação dos conteúdos. Dessa forma, o leitor não apenas entende o texto, mas é equipado para compartilhar e ensinar o que aprendeu com outros. Esse é o espírito da Bíblia de estudo Rota 66: fornecer ferramentas para que o aprendizado se torne uma experiência compartilhada e significativa.
Em resumo, é uma bússola para o leitor da Bíblia. É onde a inspiração divina encontra a clareza humana, e onde as verdades eternas são traduzidas em orientações práticas e edificantes. Ao seguir as explicações dessa seção, o leitor não apenas compreende o texto bíblico, mas também se conecta com sua mensagem de maneira profunda e transformadora.
3. RECALCULANDO A ROTA
a RECALCULANDO A ROTA: Ao ler o texto bíblico, surgem perguntas que afloram espontaneamente. O professor irá explicar aquela pergunta que não quer calar. Cada estudo traz cerca de quatro perguntas essenciais que são respondidas de maneira clara e concisa.
Essas perguntas têm como objetivo esclarecer dúvidas fundamentais sobre o texto sagrado e auxiliar o leitor a encontrar sentido nas Escrituras. Por exemplo, questões como “Por que Deus escolheu Abraão?” ou “Qual o significado da lei mosaica para os cristãos hoje?” são exploradas em profundidade. A intenção é oferecer respostas que conectem o contexto histórico e cultural da Bíblia com os desafios contemporâneos.
Além disso, o processo de recalcular a rota não se limita apenas a responder
perguntas teológicas complexas, mas também inclui reflexões práticas, como “Como aplicar os ensinamentos de Jesus no dia a dia?” ou “De que maneira a história de Davi pode inspirar líderes atuais?”. Cada estudo incentiva uma abordagem reflexiva e aplicável, permitindo que o leitor extraia lições valiosas para a vida moderna.
Os estudos também incorporam análises linguísticas e arqueológicas para enriquecer a compreensão do leitor. Por exemplo, ao explorar as palavras originais em hebraico ou grego, surgem nuances que muitas vezes não estão evidentes nas traduções comuns. Essas análises ajudam a lançar luz sobre passagens difíceis e a revelar a profundidade do texto bíblico.
Finalmente, ao recalcular a rota, o leitor é encorajado a fazer conexões entre os diferentes livros da Bíblia, entendendo como os temas se entrelaçam e apontam para a mensagem central das Escrituras: a redenção em Cristo. Este processo torna a leitura bíblica uma experiência transformadora, que vai além do simples entendimento intelectual para alcançar o coração e a alma do leitor.
4. FECHANDO A TRILHA
Nessa viagem fascinante, precisamos chegar ao desfecho. Muitos querem saber o que fazer com o que aprenderam do texto sagrado. A resposta está na conclusão, na lição final. Em frases sintéticas, poéticas e criativas, os estudos da Bíblia de estudo ROTA 66 trazem esse desfecho prático das lições da Palavra de Deus.
A cada etapa da nossa jornada através das Escrituras, somos convidados a refletir e internalizar as lições aprendidas. Fechando a trilha representa o momento em que a estrada percorrida nos leva ao cume, onde a paisagem ganha clareza e significado. É o ponto culminante, em que o aprendizado bíblico é consolidado e direcionado para a prática cotidiana. Muitos se perguntam: “O que devo fazer com este conhecimento? Como essa lição transforma minha vida?” A resposta está no desfecho das lições apresentadas de maneira prática, reflexiva e inspiradora.
Esta seção foi cuidadosamente elaborada para ser uma bússola espiritual, orientando o leitor a aplicar os ensinamentos em sua vida pessoal, relacional e espiritual. Em frases sintetizadas, profundas e criativas, os estudos oferecem conclusões que inspiram ação e reflexão. A intenção é que cada leitor possa sair da leitura com passos claros e objetivos que lhe permitam viver os princípios divinos em sua plenitude.
Fechando a trilha é mais que um encerramento; é um recomeço. Cada lição aponta para uma nova forma de pensar, sentir e agir. Os desfechos são construídos de maneira a unir a teologia à prática, transformando verdades bíblicas em ações do dia a dia. As mensagens são moldadas para serem acessíveis e universais, alcançando tanto o novo leitor quanto o estudioso mais experiente.
Além disso, as lições finais trazem um tom poético e envolvente, que toca o coração e desafia a mente. A ideia é que a Palavra de Deus não apenas informe, mas também transforme, movendo o leitor de um lugar de entendimento intelectual para uma experiência de fé viva e dinâmica. É a aplicação prática que torna a Palavra viva, eficaz e transformadora.
Por fim, Fechando a trilha atua como um convite para que cada leitor retorne ao texto bíblico com um olhar renovado e um coração disposto a crescer. Assim como um viajante que, ao alcançar o destino, planeja sua próxima jornada, o leitor é desafiado a continuar explorando as riquezas inesgotáveis das Escrituras. Afinal, o aprendizado nunca termina, e a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de vida, sabedoria e esperança.
5. PARADA OBRIGATÓRIA
PARADA OBRIGATÓRIA
Nessa jornada tão especial, alguns adendos são essenciais para enriquecer a experiência do leitor e aprofundar sua compreensão das Escrituras. A seção Parada Obrigatória apresenta informações fundamentais da geografia e da arqueologia bíblica, aspectos que situam os textos sagrados em seu contexto histórico-cultural e fortalecem a credibilidade dos relatos bíblicos. imagine-se caminhando pelas antigas ruas de Jerusalém, sentindo o calor do deserto da Judeia ou contemplando as águas do mar da Galileia. Por meio de fotos originais de locais bíblicos, mapas detalhados e descrições minuciosas, o leitor é transportado para a realidade concreta dos cenários descritos na Bíblia. Essa conexão visual e informativa torna-se uma ponte indispensável para compreender melhor a narrativa bíblica e visualizar os acontecimentos registrados.
Além das imagens, a seção traz explicações sobre descobertas arqueológicas relevantes. Papiros, fragmentos de textos antigos, utensílios e artefatos são apresentados com o propósito de mostrar que a Bíblia não é apenas um livro espiritual, mas também um documento enraizado na história. Esses achados revelam detalhes da vida cotidiana, das práticas culturais e religiosas e das estruturas políticas e sociais da época. Por exemplo, a descoberta dos manuscritos do Mar Morto ou dos restos do Templo de Salomão comprovam e enriquecem os relatos bíblicos, evidenciando sua precisão histórica.
Parada Obrigatória também oferece informações que ajudam a contextualizar práticas, símbolos e rituais descritos na Bíblia. Por que o templo era tão central na vida dos judeus? Qual a importância das festas como a Páscoa e o Pentecostes no Antigo e Novo Testamentos? Entender essas nuances ilumina o texto e amplia o significado espiritual para o leitor.
Essa seção é, portanto, um momento de pausa estratégica na viagem espiritual proposta pela Bíblia de estudo Rota 66. Aqui, o leitor pode contemplar a profundidade e a riqueza das Escrituras, percebendo como o divino se manifesta no mundo material e histórico. Cada foto, mapa ou explicação é um convite para aprofundar-se nos detalhes da Palavra de Deus, transformando a leitura em uma experiência mais rica, fundamentada e inesquecível.
Que essa “parada obrigatória” seja para você uma oportunidade de refletir sobre como o Deus eterno age no tempo e no espaço, revelando-se em meio às realidades da vida humana
6. PISANDO FUNDO
É hora de aprofundar o conhecimento bíblico e teológico. A seção Pisando Fundo da Bíblia de estudo Rota 66 é um convite para um aprofundamento mais robusto e detalhado das Escrituras Sagradas. Não se trata apenas de uma leitura rápida ou de uma abordagem superficial, mas de um verdadeiro mergulho nas riquezas bíblicas, explorando nuances, contextos e significados que muitas vezes passam despercebidos em uma análise mais casual. Aqui, os artigos elaborados pelo hebraísta e teólogo Luiz Sayão oferecem uma perspectiva mais ampla e fundamentada sobre temas variados da Bíblia. São textos que unem o rigor acadêmico à sensibilidade espiritual, proporcionando aos leitores um entendimento mais profundo de questões bíblicas e teológicas. Cada artigo é cuidadosamente escrito para ser ao
mesmo tempo acessível e enriquecedor, permitindo que tanto estudiosos quanto leitores comuns possam se beneficiar do conteúdo.
Os temas abordados em Pisando Fundo não apenas esclarecem passagens complexas, mas também lançam luz sobre questões fundamentais da fé cristã, como a inspiração divina das Escrituras, a historicidade dos relatos bíblicos e o significado espiritual dos milagres. Os leitores encontrarão respostas para perguntas difíceis, como: “Qual o papel da lei no Antigo Testamento?”, “O que significa a graça na teologia paulina?” e “Como os profetas do Antigo Testamento se conectam à mensagem de Cristo?”
Além disso, os artigos dessa seção ajudam a construir pontes entre o mundo antigo e o contexto atual, mostrando a relevância das Escrituras para os desafios contemporâneos. Eles abordam como os princípios bíblicos podem ser aplicados à vida moderna, oferecendo insights práticos e espirituais para o dia a dia.
Pisando Fundo também é uma oportunidade de explorar a beleza literária da Bíblia. Seja por meio de análises dos salmos poéticos, seja pela compreensão dos gêneros literários encontrados nas narrativas bíblicas, essa seção convida os leitores a apreciarem a Bíblia não apenas como um texto religioso, mas como uma obra de arte divina.
Cada artigo é uma chance de experimentar o poder transformador da Palavra de Deus em um nível mais profundo, permitindo que o leitor seja desafiado, edificado e inspirado. Como uma viagem fascinante, Pisando Fundo leva o leitor além da superfície, convidando-o a explorar as profundezas da verdade bíblica e a descobrir as riquezas que ela reserva para aqueles que ousam ir mais longe.
Nos artigos dessa seção, o equilíbrio é essencial: informações teológicas sólidas são apresentadas com sensibilidade, evitando jargões técnicos e promovendo um diálogo claro e direto com o leitor. O objetivo é tornar o conteúdo acessível a todos, independentemente de seu nível de conhecimento prévio.
Ao final de cada leitura, a certeza é de que o tempo investido em Pisando Fundo resultará em um maior entendimento da Palavra de Deus, um amor renovado pelas Escrituras e uma fé fortalecida. Afinal, a Bíblia é uma fonte inesgotável de sabedoria, e Pisando Fundo é a ferramenta ideal para aqueles que desejam ir além e experimentar uma jornada de aprendizado e transformação.
Nosso desejo é que a mensagem extraordinária e única das Escrituras Sagradas abençoe a vida de todos os leitores por meio da Bíblia de estudo ROTA 66, a viagem mais fascinante de sua vida.
OS EDITORES.
LUIZ SAYÃO é teólogo, linguista, hebraísta, tradutor da Bíblia, pastor da igreja Batista Nações Unidas, em São Paulo – SP. Mestre em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica pela USP, professor da área bíblica e teológica em diversos seminários e faculdades. De 2013 a 2017, foi diretor e professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Faculdade Batista do Rio de Janeiro) e da Faculdade Batista de São Paulo (2021-2023). Professor convidado do GordonConwell Theological Seminary e do Seminário Baptista de Lisboa.
É professor e conselheiro acadêmico da Faculdade Batista Pioneira. Trabalhou em traduções e versões bíblicas, como coordenador geral da Nova Versão internacional (2000) e foi criador e supervisor exegético da Bíblia Almeida Século 21, bem como em outros projetos como a Bíblia Brasileira de Estudos, Novo Testamento Trilíngue, Bíblia de Estudo Esperança e Antigo Testamento Poliglota. Desenvolveu o Comentário Bíblico em áudio Rota 66 com a RTM Brasil, traduzido em várias línguas. Autor de diversos livros. Recebeu o prêmio de personagem literária da Associação Brasileira de Editores Cristãos (ABEC), em 2003. É conhecido por sua participação acadêmica e devocional em diversos podcasts e programas de TV.
1
GÊNESIS
PONTO PARTIDA DE
Olivro de Gênesis abre as páginas sagradas da Bíblia. De modo fascinante e atraente, o primeiro livro das Escrituras fala das origens. Em Gênesis vemos a origem do universo, do ser humano, do pecado, da civilização, de Israel e da promessa de redenção da parte de Deus. As famosas histórias de Adão e Eva, do Dilúvio, da Torre de Babel e de José são alguns dos destaques da obra que abre o Pentateuco, reconhecido como obra mosaica pela tradição judaico-cristã.
O livro pode ser dividido em duas partes: a história primeva (capítulos 1–11) e a história patriarcal (capítulos 12–50). Na primeira parte de Gênesis vemos a criação, a queda do homem e o crescente abismo que surge entre o homem e Deus. Na segunda parte do livro, Deus entra em cena, dando início à história de salvação. Ele chama Abraão e passa a agir na linhagem do patriarca. Uma aliança é firmada entre o Criador e o primeiro hebreu. Terra, descendência e bênção estão garantidas pelo acordo divino.
Pela trama cheia de suspense em Gênesis, por vezes achamos que a promessa divina poderá fracassar, mas logo descobrimos que Deus mantém sua palavra. De Abraão surgirá a nação de Israel, escolhida por Deus para trazer o Messias ao mundo.
1O Princípio
No princípio Deus criou os céus e a terra. a
2 Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
3 Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz. 4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 5 Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.
6 Depois disse Deus: “Haja entre as águas um firmamento que separe águas de águas”. 7 Então Deus fez o firmamento e separou as águas que ficaram abaixo do firmamento das que ficaram por cima. E assim foi. 8 Ao firmamento, Deus chamou céu. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia.
9 E disse Deus: “Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça a parte seca”. E assim foi. 10 À parte seca Deus chamou terra, e chamou mares ao conjunto das águas. E Deus viu que ficou bom.
11 Então disse Deus: “Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies”. E assim foi. 12 A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as
a 1.1-3 Ou Quando Deus começou a criar os céus e a terra 2 sendo a terra ..., 3 disse Deus: ...
suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom. 13 Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o terceiro dia.
14 Disse Deus: “Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, 15 e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra”. E assim foi. 16 Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas. 17 Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, 18 governar o dia e a noite, e separar a luz das trevas. E Deus viu que ficou bom. 19 Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia.
20 Disse também Deus: “Encham-se as águas de seres vivos, e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”. 21 Assim Deus criou os grandes animais aquáticos e os demais seres vivos que povoam as águas, de acordo com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom. 22 Então Deus os abençoou, dizendo: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham as águas dos mares! E multipliquem-se as aves na terra”. 23 Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quinto dia.
24 E disse Deus: “Produza a terra seres vivos de acordo com as suas espécies: rebanhos domésticos, animais selvagens e os demais seres vivos da
A CRIAÇÃO DO MUNDO
GÊNESIS 1A
a ABRINDO O NAVEGADOR
O primeiro livro da Bíblia inicia afirmando que Deus criou os céus, a terra e tudo o que há. Descobrimos, na leitura da Palavra divina, que temos um único Deus, que não tem princípio nem fim. A Bíblia dispensa a necessidade de provar a existência de Deus, porque, segundo ela própria, Deus é percebido claramente por meio das coisas que foram criadas. Mas quem criou Deus? Deus não tem princípio nem fim. Ele é eterno, sempre existiu e não foi criado. Este é um dos atributos de Deus que está além da nossa compreensão. Além disso, Deus é único: não existe rivalidade possível com outras divindades. As Escrituras deixam claro que Deus é totalmente distinto de sua criação, quando diz que ele criou os céus e a terra. A palavra “Deus” no original hebraico, Elohim, é um substantivo que evoca pluralidade. De certa forma, o texto bíblico já está nos anunciando que, no futuro, haverá a revelação, no Novo Testamento, do Deus único como Pai, Filho e Espírito Santo. O verbo “criar”, no hebraico, é bara’. Esse verbo é usado única e exclusivamente em referência a Deus. Nunca, em toda a Bíblia, nenhum outro ser, nem outro ser humano, nem qualquer outra criatura pode criar coisa alguma como Deus cria. Só Deus pode bara’ (criar) a partir do nada e de si mesmo. Assim, Deus criou todo o universo, todos os elementos e todas as formas de vida. O texto afirma que, no ato da criação, o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas (v. 2). A palavra original transmite a ideia de algo semelhante a uma ave, que voa sobre os seus ovos para permitir que a vida desponte com toda a força. O Espírito de Deus está presente na criação do mundo. A frase que se repete no texto do capítulo 1 é “disse Deus”. Deus criou o mundo por intermédio da sua Palavra. E mais adiante nas Escrituras se estabelecerá a relação da Palavra divina com a própria pessoa do Senhor Jesus Cristo. A Bíblia informa que a criação se deu em seis dias. Mas será que são dias literais? O texto não se propõe a responder essa pergunta, mas segue uma perspectiva diferente, apresentando uma forma literária, poética. Vamos entender como a criação se organiza: a terra era sem forma e vazia; então, os três primeiros dias da criação foram destinados a dar forma à terra. A primeira ação de dar forma à terra foi a distinção entre a luz e as trevas – esse foi o primeiro dia. No segundo dia, é feita a separação das águas que estão em cima e as águas que estão embaixo. As águas de cima provavelmente são uma referência às nuvens, de onde vem a chuva, e as águas que estão embaixo são as águas dispostas nos mares, rios e lagos de todo o planeta. No terceiro dia, temos a separação dos continentes dos mares. No quarto dia surgem os luminares. É importante prestar atenção ao que a Bíblia diz sobre o surgimento do mundo e sobre Deus: no mundo antigo se adorava o Sol, a Lua e os astros de modo geral. Quando o texto afirma que Deus criou os luminares (v. 14), intencionalmente evita dizer que Deus criou o sol e a lua, pois essas palavras eram entendidas por outras culturas como “deus sol” e “deusa lua”. Para que ninguém pudesse dizer que Deus criou deuses menores, o texto afirma que ele criou apenas luminares, ou seja, grandes luzes. Com isso, a Palavra de Deus ensina que aquilo que as pessoas podem considerar divino não passa de obra da criação de Deus. O Sol e a Lua não podem ser objeto de adoração ou de qualquer atenção religiosa especial. Eles foram criados com uma finalidade predeterminada por Deus, para marcar estações, dias e anos. Deus criou o espaço e o tempo. A tradição hebraica sinaliza que a palavra “estações” pode também ser traduzida por “festas”, mostrando que o tempo pertence a Deus e, de certa forma, também deve ser dedicado a ele. Deus descansou no sétimo dia. Ele abençoou o sétimo dia e o santificou porque, nesse dia, Deus descansou de toda a obra da criação (2.3). Existe um princípio sabático na Bíblia, que nos lembra de que o tempo não nos pertence e devemos adorar o Senhor da criação, do tempo e do espaço. O princípio sabático é o reconhecimento da nossa posição de criatura, da nossa condição limitada, e por isso é que nos dedicamos à adoração especial ao Criador, que é Senhor do tempo e do espaço.
a RECALCULANDO A ROTA
A terra foi criada ou recriada?
A questão levantada por alguns estudiosos da Bíblia é se o versículo 1 é um título que enfatiza que Deus é o criador de todas as coisas, enquanto a partir do versículo 2 é relatada uma nova formação da Terra após algum tipo de catástrofe. Esses estudiosos acreditam que, se a Terra já estava sem forma e vazia, algo pode ter ocorrido entre a criação divina e o estado em que a Terra se encontrava. Alguns ainda sugerem que a queda dos anjos e a expulsão de Satanás tenham acontecido num espaço de tempo entre os versículos 1 e 2. Portanto, eles imaginam
que houve uma recriação da Terra, sugerindo que o universo e a terra são muito mais antigos do que se depreende de uma leitura superficial de Gênesis. A Terra teria, portanto, centenas de milhares de anos, enquanto a recriação seria algo mais recente. No entanto, essa sugestão, apesar de interessante, não é apresentada com clareza no texto bíblico, pois as Escrituras parecem estar se referindo a um processo normal de criação, e não de uma recriação. Até porque se a recriação fosse uma realidade, a Bíblia teria talvez mais sugestões em textos posteriores a respeito disso. Essa é uma questão que ainda permanece em aberto, mas parece fazer mais sentido a ideia de criação simples.
a FECHANDO A TRILHA
A realidade de Deus é inequívoca. Devemos viver em função da realidade da existência de Deus. Ele é o Criador e o ser humano deve ser seu adorador. E crer em tudo isso significa respeitar o ser humano e viver de acordo com o sentido dado pelo Deus da criação.
terra, cada um de acordo com a sua espécie”. E assim foi. 25 Deus fez os animais selvagens de acordo com as suas espécies, os rebanhos domésticos de acordo com as suas espécies, e os demais seres vivos da terra de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.
26 Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine elea sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terrab e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”.
27 Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulherc os criou.
28 Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
29 Disse Deus: “Eis que dou a vocês todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. 30 E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra d , a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão”. E assim foi.
31 E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã;
a 1.26 Hebraico: Dominem eles.
b 1.26 A Versão Siríaca diz sobre todos os animais selvagens da terra
c 1.27 Hebraico: macho e fêmea.
d 1.30 Ou os animais selvagens
esse foi o sexto dia.
2Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há.
2 No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. 3 Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.
A Origem da Humanidade
4 Esta é a história das origens e dos céus e da terra, no tempo em que foram criados: Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus, 5 ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo.
6 Todavia brotava água f da terra e irrigava toda a superfície do solo. 7 Então o Senhor Deus formou o homem g do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.
8 Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste, e ali colocou o homem que formara. 9 Então o Senhor Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim
e 2.4 Hebraico: história da descendência; a mesma expressão aparece em 5.1; 6.9; 10.1; 11.10, 27; 25.12, 19; 36.1, 9 e 37.2.
f 2.6 Ou brotavam fontes; ou ainda surgia uma neblina
g 2.7 Os termos homem e Adão (adam) assemelham-se à palavra terra (adamah) no hebraico.
TUDO FOI CRIADO POR DEUS
1B
a ABRINDO O NAVEGADOR
Deve-se considerar nesse texto a afirmação bíblica de que tudo foi criado por Deus, o que quer dizer que nada teve uma origem diferente. Tudo teve um princípio, o que significa que a matéria não é autoexistente; nem o mal, que não tem existência em si mesmo, nem pode ser a origem de nada. O mal é a corrupção ou a privação do bem, como uma doença que atinge um corpo: se o corpo desaparece, a doença não tem como existir por si só. E ainda, o texto mostra que o universo não é eterno. As criaturas e os seres humanos viverão na eternidade, mas são limitados, porque, mesmo que vivam eternamente, tiveram um começo; portanto, não são seres eternos, mas tiveram a imortalidade dada por Deus. Somente Deus é eterno, pois ele não tem começo nem fim e está acima do tempo e do espaço.
O processo da criação é marcado por muita ordem e harmonia. A própria ideia de enumerar os dias da criação e estabelecer a separação dos elementos, mostrando uma criação gradual, transmite a ideia de ordem. Assim, Deus revelou muito a respeito de si mesmo por meio do mundo que foi criado, o que quer dizer que não há possibilidade de existir uma única pessoa que não tenha em mente a ideia da existência de Deus, mesmo que seja para negá-la. É muito interessante que nos povos mais primitivos e nas culturas mais simples, nunca houve um só povo que, por exemplo, deixou de sepultar seus mortos, ou seja, que não tenha tido uma abordagem religiosa a respeito da vida, ou que não tivesse crido em alguma divindade. Isso se dá porque a ideia de Deus, bem como a da eternidade, está no próprio coração do homem, e isso ocorre em grande parte em razão do testemunho da própria criação a respeito de Deus. Portanto, quando se rejeita Deus ou se crê em muitos deuses que tenham criado muitas coisas diferentes, ou ainda, num universo independente de Deus, ou quando se confunde Deus com a própria criação, há um conflito de ideias com o ensinamento divino que aparece no primeiro capítulo de Gênesis. É verdade que a ciência comprova muita coisa e a ciência existe em função de uma visão bíblica, que Deus deu um universo compreensível e uma mente humana capaz de compreender esse mundo. No entanto, a ciência tem limites e a Bíblia tem a sua própria linguagem e propósito. A Bíblia não pretende descrever detalhes científicos e a ciência observa o que é realmente palpável, mas não pode ser confundida com uma ideologia filosófica por trás de uma proposta dita científica. Nem tudo que se apresenta como ciência é ciência de verdade. A verdadeira ciência não estará em conflito com uma avaliação correta, sensata e responsável da própria Bíblia. Muitos conflitos surgem da ignorância sobre o que é ciência ou o que diz a Bíblia. O ser humano criado por Deus não pode ser reduzido a um mero animal. Portanto, ideias evolucionistas materialistas não fazem sentido quando observamos a realidade da criação divina. O ser humano é a coroa da criação. Deus, após ter criado todas as coisas, deixou que o ápice da criação divina se realizasse no homem. No livro de Gênesis, não vamos só entender quem é Deus, mas também o que é a criação divina e, finalmente, entender quem é o ser humano. Não é possível saber para onde estamos indo e o que devemos fazer com a nossa vida se não entendermos Deus, o universo, e, principalmente, a nossa relação com Deus e com a criação.
a RECALCULANDO A ROTA
Qual seria a idade do Universo e da Terra?
O texto bíblico não tem intenção de dar os detalhes sobre a idade do universo e da Terra. Não é possível fazer uma estimativa de forma segura, porque é provável que haja uma distância de tempo muito grande entre a criação do universo e a criação de Adão. Além disso, nas genealogias apresentadas existem muitos saltos genealógicos. Portanto, a idade do universo é uma incógnita, mas com respeito à idade do aparecimento do homem, de modo geral, os cálculos mais amplos fazem com que o texto bíblico esteja de acordo com a ideia básica que temos do tempo de aparecimento da civilização, que está próximo aos 10.000 e 15.000 anos.
O princípio da criação não confronta a teoria da evolução?
A teoria da evolução surgiu no contexto do pensamento naturalista de Charles Darwin. A teoria, de fato, não aparece na Bíblia, já que ela sugeriu que todo o universo pôde surgir exclusivamente de causas naturais, propondo o desenvolvimento das espécies a partir de um elemento menos complexo para um mais complexo, até chegar a toda
a diversidade de criaturas que existem. A própria teoria da evolução primeira encontrou resistência, e muitos desafios bioquímicos. Para muitos a teoria está em reavaliação. Não é possível explicar o mundo independentemente do Criador.
a FECHANDO A TRILHA
Ser cristão implica viver com responsabilidade, examinando as propostas apresentadas sobre a origem do mundo e do universo. Seja um observador coerente e adore a Deus com o seu coração e também com a sua mente.
estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10 No Éden nascia um rio que irrigava o jardim, e depois se dividia em quatro. 11 O nome do primeiro é Pisom. Ele percorre toda a terra de Havilá, onde existe ouro. 12 O ouro daquela terra é excelente; lá também existem o bdélio e a pedra de ônix. 13 O segundo, que percorre toda a terra de Cuxe, é o Giom. 14 O terceiro, que corre pelo lado leste da Assíria, é o Tigre. E o quarto rio é o Eufrates.
15 O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. 16 E o Senhor Deus ordenou ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, 17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.
18 Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. 19 Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. 20 Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem a alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.
21 Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas b, fechando o lugar com carne. 22 Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele.
a 2.20 Ou Adão
b 2.21 Ou parte de um dos lados do homem; também no versículo 22.
23 Disse então o homem: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homemc foi tirada”.
24 Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
25 O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha.
3O
Relato da Queda
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”
2 Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, 3 mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ”.
4 Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! 5 Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus d , serão conhecedores do bem e do mal”.
6 Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu e também. 7 Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.
8 Ouvindo o homem e sua mulher os passosf do
c 2.23 Os termos homem (ish) e mulher (ishah) formam um jogo de palavras no hebraico.
d 3.5 Ou deuses
e 3.6 Ou comeu e estava com ela f 3.8 Ou a voz; também no versículo 10.
A ORIGEM DO SER HUMANO
a ABRINDO O NAVEGADOR
Ao lermos o capítulo 2, podemos dizer que, de certa forma, há dois relatos complementares sobre a criação. Um relato é mais amplo, enquanto o outro é mais específico e detalhado. Os dois relatos são apresentados com propósitos distintos. O texto da criação do homem é significativo, porque nos revela quem somos. Em primeiro lugar, o ser humano é criatura e jamais pode ser equiparado a Deus. É fundamental que ele se coloque na posição de criatura, reconhecendo suas limitações para viver a vida de maneira equilibrada e ajustada. O segundo elemento é que o homem é frágil. O fato de a Bíblia insistir que ele foi criado do pó da terra tem o propósito de mostrar a sua finitude e limitação. O homem compartilha do universo criado, do ambiente natural a sua volta, e possui limitações muito definitivas. O Salmo 8 nos lembra disso. Por isso, todo orgulho e arrogância do ser humano são tolice. A língua hebraica tem até uma palavra especial para designar o homem como um ser frágil: ele é um ’enosh, contraponto ao Deus Todo-poderoso. Por outro lado, a lição mais significativa da criação do homem é o fato de ele ser feito à imagem e semelhança de Deus, o que determina claramente a sua natureza: ele possui dignidade especial. Isso significa que o ser humano é qualitativamente distinto dos outros seres da criação. Não pode ser equiparado a um animal. É surpreendente que hoje em dia, em muitos países, a vida humana tenha menos valor do que a vida de determinados animais. É claro que todos os animais devem ser considerados e respeitados. Não se deve diminuir a importância da ecologia. É muito diferente comer uma boa picanha de praticar canibalismo – comer outro ser humano. Matar uma pessoa é um crime contra Deus, como se vê em Gênesis 9.6, pois quem derramar o sangue do homem será cobrado, porque a imagem de Deus está nele, e essa imagem determina quem nós somos: o ser humano possui inteligência e moralidade, criatividade, espiritualidade, sensibilidade estética, consciência de si mesmo, que o distingue dos demais seres.
O ser humano também não foi criado de modo isolado, mas Deus criou o homem e a mulher; portanto, somos essencialmente comunitários. A ideia bíblica é que um esteja diante do outro e se encaixem perfeitamente. Deus tira a mulher da costela do homem para enfatizar o companheirismo, o inter-relacionamento dos dois. Na Bíblia não há lugar para machismo nem para feminismo. A criação do ser humano é tão especial e dá valor à família, estabelecendo seu perfil verdadeiramente social. O texto afirma que o homem deve dominar sobre todos os animais (1.26). Deus colocou o homem no Jardim do Éden e disse que ele podia comer livremente de qualquer fruto do jardim, menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois no dia em que dele comesse, morreria. Desde o início, o homem foi criado como um ser livre e com capacidade moral. A existência do mal se torna possível pelo fato de as criaturas de Deus, em razão de sua liberdade, poderem dizer não a Deus. O mal surge do uso indevido da liberdade humana e não é uma criação de Deus. O ser humano mostra o seu domínio sobre o universo também através da linguagem, semelhante a Deus, que cria o mundo falando. Deus colocou todos os animais diante de Adão, e ele, em pleno uso desse dom especial, deu nome a todos eles. O Criador ordenou ao homem se multiplicar e encher a Terra. E homem e mulher devem se unir numa só carne. Essas duas ordens divinas foram dadas antes do relato da queda do homem, comprovando que a sexualidade não é a fonte do pecado. a RECALCULANDO
A ROTA
Adão e Eva realmente existiram ou são apenas uma ilustração?
No texto do Novo Testamento, o próprio Jesus considera a história de Adão e Eva uma realidade (Lc 11.51). O apóstolo Paulo, na carta aos Romanos (Rm 5.12), afirma que, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, da mesma forma a redenção e a salvação veio por meio de um só homem, que era o próprio Jesus Cristo. Então, toda a comunidade da fé do Antigo e do Novo Testamento não considera Adão e Eva como meras ilustrações.
a FECHANDO A TRILHA
Deus criou o ser humano a sua imagem e semelhança. Isso deve nos trazer humildade e consciência de criatura limitada, mas também a responsabilidade de ser imagem de Deus, o que significa respeito a si mesmo, ao ser humano, à família e a toda criação.
OS DIAS DA CRIAÇÃO
No início de Gênesis, a Bíblia nos informa que a criação se deu em seis dias. O capítulo um detalha cada dia, a tarde e a manhã, e termina com o descanso divino no sétimo dia, no Shabat. Curiosamente, a mesma palavra dia, yom, é usada em Gênesis 2.4 para se referir a todo o tempo da criação: “Esta é a história das origens dos céus e da terra, no tempo em que foram criados: Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus […]”.
Nosso mundo moderno, tão acostumado a medir tudo de modo matemático, se volta para a leitura aritmética do texto. Mas cabe a pergunta: será que esses dias eram dias literais? Seriam dias de 24 horas? Seriam dias de outro tipo de contagem? Se a luz surge no dia um, por que Sol e Lua aparecem no dia 4? Gênesis não está se propondo a responder à pergunta dos dias literais. De fato, a questão está aberta para sugestões.
Muitas vezes imaginamos a criação como processo encerrado. De fato, em certo sentido ela tem seu desfecho em Gênesis. Mas a criação tem processo dinâmico, até porque prossegue se renovando com seu potencial criativo através da história. Todos os dias seres são criados por Deus no mundo. Por isso, o processo criativo tem também sua relação de continuidade. Diante disso, alguns estudiosos têm sugerido que os dias da criação poderiam ser dias de revelação. Deus poderia ter mostrado em seis etapas a criação a Moisés. Nesse caso, não seriam seis dias de execução, mas de apresentação da obra divina, já que Moisés não contemplou a criação no início. Outra ideia interessante é a dos dias de proclamação. Seriam dias do “falar divino”. Ele disse “haja luz” e a partir daí a luz passa a existir. A proclamação marcaria o início criativo, mas não a totalidade de tudo que veio a existir.
Apesar das sugestões interessantes, parece que faz mais sentido entender que Gênesis traz enfoque distinto das exigências modernas. É bem possível que os seis dias devam ser entendidos principalmente a partir de sua forma literária, até porque fica claro que o texto tem elemento poético nítido, já que apresenta a tarde antes da manhã, sem priorizar a intenção cronológica.
ESTRUTURA DE GÊNESIS
1.1–2.4
I. Narrativa da Criação: Gênesis 1.1–2.4
A. Afirmação Teológica inicial: Gênesis 1.1-2
B. Dar Forma e Preencher: Gênesis 1.3-25
Dar Forma (Tohu) Preencher (Bohu)
Dia 1 Luz/Trevas (3-5)
Dia 2 Céus/Águas (6-8)
Dia 3 Mares/Terra (9-13)
Dia 4 Sol/Lua/Estrelas (14-19)
Dia 5 Aves/Peixes (20-23)
Dia 6 Animais/Homem (24-28)
Mas como é que a criação se organiza? O texto nos diz que a Terra era sem forma e vazia e que os três primeiros dias da criação são destinados a preencher a forma que não existia anteriormente. Então, no primeiro dia, por exemplo, a primeira forma que aparece descrita na Terra é a distinção entre luz e trevas: Deus fez a separação entre luz e trevas, e então veio o dia de número um. No segundo dia, a próxima forma que se estabelece é a separação das águas: águas que estão em cima e águas que estão embaixo; as águas de cima são uma provável referência às nuvens de onde vem a chuva, e as águas de baixo são as águas dos mares, rios e lagos de todo o planeta. Este é segundo dia. No terceiro dia vemos a separação da terra, propriamente a terra seca, os continentes dos mares e das águas embaixo. Fecha-se então o estabelecimento da forma que não havia. Quando chegamos ao verso 14, o texto vai se voltar para o fato de que a Terra era vazia. E agora começa o preenchimento dessa forma que acabou de ser criada. E o que foi criado no dia primeiro? Foi a luz que se separou das trevas; como é que será preenchida de luz essa forma? O dia quatro responde: com Sol, Lua e estrelas, ou melhor, com os luminares e as estrelas. No dia dois houve separação de águas e águas; por isso, no dia cinco, dia paralelo do dia dois, vemos a menção das aves, que voam perto das nuvens, as águas de cima, as criaturas marinhas ou aquáticas, e os peixes que vivem nas águas de baixo. E finalmente no dia seis vemos os mares separados da terra. No dia terceiro surgiu a terra, já bem “acarpetada” de plantas e todo o universo verde; paralelamente no dia seis, os animais e o homem enchem a Terra; portanto a Terra, que não tinha forma, ganhou forma nos três primeiros dias, e o que estava vazio ganhou preenchimento nos últimos três dias, do dia quarto ao sexto. Vemos assim que Gênesis está pensando no enfoque próprio para mostrar o significado da criação em face de um ambiente politeísta do antigo Oriente Próximo. O texto não procura responder questões do mundo moderno. No final da narrativa, Deus afirma sua frase de plena aprovação, dizendo que tudo ficou bom. E ficou muito bom na criação do ser humano. E a palavra “bom” significa não só bom, mas também belo, bonito. Há um elemento estético na criação divina. É importante dar atenção à criação que o texto nos apresenta. Gênesis mostra que as ideias sobre o surgimento do mundo ou sobre Deus, distintas da Bíblia, são inadequadas. Por exemplo: no mundo antigo se adorava o sol, a lua e os astros de modo geral; por isso, quando o verso 14 nos diz: “Deus criou os luminares” o autor evita falar que Deus criou o sol e a lua. E por que? Porque as palavras sol e lua eram entendidas como deus Sol e deusa Lua, então para que ninguém viesse a entender que Deus estava criando deuses menores, a Palavra divina diz que ele criou apenas luminares, ou seja, grandes luzes. Com isso, Gênesis nos ensina que tudo aquilo que muitos consideram divino não passa de uma obra da criação: o sol e a lua não eram deuses e não poderiam receber adoração. Eles foram criados com uma finalidade pré-determinada por Deus: marcar dias, estações e anos. Afinal, Deus, o Senhor da Criação, é o Senhor do Tempo. Deus que existe fora do tempo, criou o tempo e o espaço, e é o Senhor do tempo; por isso, a tradição hebraica sinaliza que a palavra “estações” pode também ser traduzida por “festas”, mostrando que as festas dedicadas a Deus tinham origem na criação do tempo. Portanto, o tempo que pertence a Deus, deve ser também dedicado a ele. Esta é a razão por que, completando a avaliação dos dias da criação, vamos descobrir que Deus descansa no sétimo dia, no Shabat. No início do capítulo 2, verso 3, vemos que Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele o Criador descansou de toda a sua obra. Isso nos mostra o valor do tempo sagrado, o princípio sabático. Em resumo, Gênesis 1–2 nos ensina que:
• Tudo foi criado por Deus, nada teve outra origem ou foi criado pelo mal.
• Tudo teve princípio. A matéria não é autoexistente.
• A obra de Deus é marcada por ordem e harmonia.
• A criação possui extrema beleza.
• Deus criou tudo a partir do nada por meio da sua palavra.
• O universo criado mostra a glória e o poder de Deus.
• O homem foi criado por Deus e é a coroa da criação.
A ORIGEM DO PECADO
a ABRINDO O NAVEGADOR
O homem e a mulher foram tentados pela serpente. Deus havia ordenado que não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Esse fruto significava o conhecimento total e absoluto. A proibição que aparece no texto está relacionada com a proibição do homem querer ser como Deus. A serpente, que é reconhecidamente a figura do mal, Satanás, traz essa tentação a Adão e Eva. Se Deus é onisciente e todo-poderoso, por que permitiu isso? Porque Deus criou o ser humano com plena liberdade, com condição de escolher a Deus ou opor-se a ele. Deus, na sua infinita sabedoria, permitiu que o homem passasse por uma situação de tentação, que foi externa ao homem: veio de Satanás. E assim como o homem foi levado a cair, existe agora a chance de ele ser levado a sair da queda, pois sozinho, talvez, ele nunca mais sairia da situação de pecado. De certa forma, a tentação permitida pode ser vista como um elemento de misericórdia divina, pois Deus permitiu ao homem cair, e certamente estende a mão para tirá-lo desta queda. Vamos observar a dinâmica da tentação. Logo no primeiro versículo surge a distorção da Palavra de Deus, que não é transmitida na sua inteireza e com fidelidade. A serpente faz um acréscimo, dizendo que Deus os proibira de comer do fruto de todas as árvores do jardim. O erro de Eva foi dar atenção ao mal, pois aceita dialogar com a serpente. Nesse processo de enfraquecimento pessoal, Eva também altera a Palavra de Deus ao acrescentar a frase: “nem toquem nele”. Aí, a serpente encontra espaço para prosseguir no seu intento maligno e afirma claramente que Deus mentira. A serpente mostra negação absoluta da Palavra divina e em seguida, questiona a bondade de Deus. Finalmente, Eva rompe com a Palavra divina, passando a prestar atenção somente em seus próprios sentidos, no “ver” em vez de “ouvir” Deus, pois se concentra na atração do fruto. Ela não só come do fruto, mas imediatamente o dá a Adão. Quando caem no pecado, eles observam que as coisas não ocorrem como a serpente dissera, pois não obtêm imediato conhecimento pleno e não chegam a ser deuses, como foi plantado no coração de ambos. Ao enfrentarem essa dificuldade após a tentação, eles não buscam a Deus. Espera-se que eles reconheçam que agora têm um problema e voltem atrás, buscando a ajuda do Senhor, mas isso não acontece. Ao cair em tentação, o próximo passo em direção ao abismo é a autossuficiência. Eles buscam resolver o problema por conta própria. Eles se sentem num conflito intenso em razão da própria nudez e tentam cobrir-se por si mesmos, independentemente de Deus. O pecado que teve origem no primeiro homem passou para toda a espécie humana. Essa é a verdade apresentada nas Escrituras, colocando o Cristianismo bíblico numa posição diferenciada. A grande maioria das várias perspectivas sugere que o ser humano não é mau em si mesmo. Mas, a partir desse texto, a Bíblia nos ensina que todos nós temos o “pecado original”. Por sermos descendentes de Adão, que rompeu sua relação com Deus, o pecado entrou no mundo e passou a todos os homens, como está descrito na carta aos Romanos. O homem não apenas peca, mas tenta livrar-se do problema do pecado sozinho, independente de Deus. É surpreendente como eles dão um jeito de se cobrir com folhas de figueira, que certamente não são o tipo de cobertura mais confiável que existe; com qualquer vento e mudança de situação essas folhas se vão. E o homem não pensa em como resolver o seu próprio problema de maneira absoluta; ele simplesmente deixa as consequências para depois. E nós percebemos que esta natureza radicalmente maligna presente no ser humano é comprovada na nossa experiência do dia a dia. Uma criança pequena aprende a fazer o mal com bastante rapidez, mas ensiná-la a fazer o bem é custoso e demorado. A tendência natural do homem é aprender com facilidade o que não é bom e ter dificuldade em aprender o que é positivo e construtivo. Diferentemente de outros enfoques, o Cristianismo entende que somos pecadores desde o nascimento, em razão do pecado do primeiro homem. Devido à radicalidade do mal, é absolutamente necessária a intervenção de Deus em favor do homem, provendo-lhe perdão do pecado e salvação.
a RECALCULANDO A ROTA
Que fruto é o da árvore do conhecimento do bem e do mal?
Não há nenhuma indicação no texto de um fruto específico. Historicamente, o fruto sugerido foi a maçã, porque, na Grécia Antiga, era um fruto ligado à Afrodite, deusa grega do amor. O pecado de Adão e Eva tornou-se relacionado à sexualidade, o que trouxe a ideia da maçã. Mas isso não possui base no texto bíblico, pois Deus disse que o homem deveria
crescer e multiplicar-se; então o pecado dos primeiros pais não está relacionado com a sexualidade e, portanto, o fruto não representa isso. A interpretação correta e adequada desse fruto sugere que o “conhecimento do bem e do mal” é uma expressão hebraica que significa “conhecimento total”, já que transmite a ideia “de uma ponta a outra”. Então, Adão e Eva caíram na tentação de que poderiam ser como Deus. Assim, não importa saber qual é a árvore específica, mas que o fruto comido representa a desobediência e o interesse do ser humano em ser igual a Deus. Esse é o grande pecado.
Onde Adão estava enquanto Eva era tentada pela serpente? Adão fora colocado como o guardião de todo o jardim, e ele não só não aparece junto com Eva, como deu tempo para a serpente conversar detalhadamente com ela. Alguns intérpretes sugerem que há um estranho silêncio de Adão. Qual é o problema? Ele não só abdica da sua posição de responsável pelo jardim, mas também demonstra que não estava vivendo em relação de parceria com a sua mulher. Eva estava sozinha e se vê obrigada a assumir uma responsabilidade acima do previsto. Existe uma passividade de Adão e um distanciamento de Eva em relação a ele. A ideia do relacionamento era de parceria, e o maior responsável pela transmissão da Palavra divina era Adão, pois ele recebeu primeiramente a instrução de Deus. A Palavra de Deus precisa ser considerada seriamente, caso contrário, os resultados podem ser muito tristes.
a FECHANDO A TRILHA
Todos somos sujeitos à tentação. Por isso, diante dessa situação, devemos nos voltar para Deus, considerar sua Palavra, reconhecer nossa fraqueza e ter cuidado com a tentação.
Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. 9 Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”
10 E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
11 E Deus perguntou: “Quem disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual o proibi de comer?”
12 Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
13 O Senhor Deus perguntou então à mulher: “Que foi que você fez?” Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”.
14 Então o Senhor Deus declarou à serpente: “Uma vez que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida. 15 Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente a dela; este ferirá a sua
a 3.15 Ou a descendência. Hebraico: semente.
cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.
16 À mulher, ele declarou: “Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele b a dominará”.
17 E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual ordenei a você que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. 18 Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. 19 Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará”.
20 Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade. 21 O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.
22 Então disse o Senhor Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e
b 3.16 Ou será contra o seu marido, mas ele; ou ainda a impelirá ao seu marido, e ele
O PECADO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
a ABRINDO O NAVEGADOR
Adão e Eva pecam contra Deus, desobedecendo à ordem divina, e trazem sobre si muitos problemas e consequências. Eles se escondem da presença de Deus, quando o S enhor os procura, perguntando onde eles estão. Adão confessa o seu medo, dizendo que se escondera de Deus porque estava nu. Mas o processo se torna mais complicado quando ele responsabiliza Deus e sua mulher, com palavras duras: “Foi a mulher que me deste por companheira”. E, por sua vez, a mulher imediatamente culpa a serpente pelo seu próprio pecado. Vemos a clara tentativa de fuga da realidade. A grande consequência do pecado do homem é a sua queda em relação a Deus, é a queda teológica. É triste como o homem tem rompida a relação profunda de comunhão com seu Criador. A partir de então, o homem e a mulher passaram a sofrer nas várias dimensões da vida humana, por causa desse rompimento. Quando lemos com atenção as consequências do pecado, percebemos que a queda teve uma amplitude muito maior do que imaginamos.
O resultado da queda atinge a realidade física que se estende por toda a humanidade: tanto a mulher como o homem passam a ter maior sofrimento físico, e o mundo se encontra numa situação diferente do seu estado original. Também existe uma dimensão psicológica na queda, pois, após terem cometido o pecado, o homem e a mulher se envergonham, e sua atitude é esconder-se de Deus. Por isso, o ser humano passa a ter problema consigo mesmo, o que causa as dificuldades pessoais decorrentes do distanciamento de Deus. Outra dimensão atingida é a sociológica: quando eles culpam outros pelo seu pecado, há um rompimento com o próximo, tornando as relações interpessoais bastante difíceis. E, por fim, há o aspecto ecológico, pois o mundo criado era extraordinário, mas a terra foi amaldiçoada, rompendo a relação amistosa com o ser humano. Mas, em tudo isso, é maravilhoso ver como Deus toma a iniciativa de buscar o homem e lhe dá a oportunidade de assumir e confessar o seu erro. Ele não condena de imediato. E aqui, a história da redenção começa a ser revelada. Deus fez para eles roupas de pele de animal para substituir as precárias vestes de folhas de figo que usaram para se cobrir. As roupas de pele sugerem que Deus teria matado um animal para vestir o homem, trazendo redenção. E o mais surpreendente é que o Senhor diz que haveria inimizade entre a descendência da serpente e o descendente da mulher. Esse texto é prenúncio do futuro evangelho, quando veremos a vitória absoluta do Messias, trazendo a solução definitiva do pecado humano. Jesus Cristo é o descendente da mulher que feriu a cabeça da serpente, trazendo redenção eterna a todo aquele que nele crê. No final, eles são expulsos do Jardim do Éden. Quando lemos o que Deus diz: “o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal”, isso deve ser entendido corretamente. Na verdade, é uma ironia, pois foi dito para o homem que ele teria o conhecimento absoluto, mas quando ele comeu do fruto, seus olhos foram abertos, e a única coisa que eles descobriram é que estavam nus e não haviam adquirido o conhecimento absoluto. Diante desta situação de pecado, autonomia, e distanciamento de Deus, ele é impedido de comer do fruto da árvore da vida, e ter a vida eterna independente de Deus. Portanto, o texto diz que esta bênção foi tirada do homem. E, é claro, o Éden não pode ser descoberto por meios geográficos, pois está numa dimensão fora da capacidade humana; e mesmo que o Éden tivesse localização geográfica, é como se Deus o tivesse transportado para uma dimensão não acessível ao ser humano, desde que ele perdeu seu estado original.
a RECALCULANDO A ROTA
Se Adão e Eva obteriam a vida eterna por intermédio da árvore da vida, isso significa que eles já eram mortais? Não podemos ser dogmáticos sobre esse assunto porque a questão está em aberto; contudo, vale a pena destacar que, quando Deus falou a Adão que, se ele comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão haveria de morrer, no texto não há nenhum sinal de estranhamento em relação a essa questão. Assim, é bem possível que já existisse a morte mesmo no Éden. Isso é possível porque o ser humano não é imortal como Deus, ou seja, ele não é imortal a partir da sua própria essência, pois o Novo Testamento diz que só Deus possui imortalidade (1Tm 6.16). Então, é possível que houvesse algum tipo de morte que talvez fosse diferente, um tipo de passamento no qual o homem seria
realmente promovido para outra dimensão. Portanto, a morte talvez fosse conhecida de uma forma diferente do que nós conhecemos hoje. E, quando surge o problema do pecado, a morte passa a possuir um significado mais teológico, pois a ideia de morte está relacionada com a ruptura, com a separação profunda, tanto é que o texto diz que Adão haveria de morrer quando comesse do fruto proibido, mas sua morte não está descrita no texto. De qualquer modo, a partir daquele momento teve início o processo de ruptura profunda, tanto da natureza espiritual, quanto da física, que tomou conta da nova realidade de Adão. Então, naquela hora Adão rompeu com Deus, ele realmente teve a morte espiritual com todas as consequências decorrentes desse ato.
a FECHANDO A TRILHA
A dimensão da queda nos mostra que o evangelho, na sua plenitude, é pleno, e atinge todas as áreas da nossa vida; isso já é realidade e deve tomar espaço na nossa vida agora. Mas, a plenitude absoluta da realidade de reparo do pecado e das consequências do pecado, claramente se verá na vida eterna.
viva para sempre”. 23 Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. 24 Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.
4Caim
Mata Abel
Adão teve relações com Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: “Com o auxílio do Senhor tive um filho homem”. 2 Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele. Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
3 Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. 4 Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, 5 mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
6 O Senhor disse a Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? 7 Se você fizer o bem, não será aceito? Mas, se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.
8 Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. a Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
9 Então o Senhor perguntou a Caim: “Onde está seu irmão Abel?” Respondeu ele: “Não sei; sou eu
a 4.8 Conforme o
o responsável por meu irmão?”
10 Disse o Senhor: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
11 Agora amaldiçoado é você pela terra b, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão. 12 Quando você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Você será um fugitivo errante pelo mundo”.
13 Disse Caim ao Senhor: “Meu castigo é maior do que posso suportar. 14 Hoje me expulsas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará”.
15 Mas o Senhor lhe respondeu: “Não será assimc; se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança”. E o Senhor colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.
16 Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Noded , a leste do Éden.
Os Descendentes de Caim
17 Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque. 18 A Enoque nasceu Irade, Irade gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a Lameque. 19 Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada; a outra, Zilá. 20 Ada deu à luz Jabal,
b 4.11 Ou amaldiçoado é você e expulso da terra; ou ainda amaldiçoado é você mais do que a terra
c 4.15 Conforme a Septuaginta, a Vulgata e a Versão Siríaca.
d 4.16 Node significa peregrinação.
A
a ABRINDO O NAVEGADOR
Após serem expulsos do Éden, Adão e Eva geram seus primeiros filhos, Caim e Abel, e acontece o primeiro homicídio da história humana. À primeira vista, parece um simples conflito fraternal, mas a lição que aprendemos aqui é mais profunda. O nascimento de Caim parece trazer uma ideia de “esperança”, conforme o significado do seu nome, em hebraico. Em seguida nasce seu irmão, com o nome de Abel, que significa “neblina”, algo passageiro. E vamos observar que o primeiro assassinato da história começa num culto dedicado a Deus. Isso mostra que a mera relação religiosa não é garantia de verdadeira espiritualidade. Por que Deus aceitou a oferta de Abel, mas não aceitou a de Caim? Abel é aceito por Deus porque ele faz o esforço de demonstrar verdadeira gratidão, trazendo o melhor do melhor para Deus, ou seja, ele traz a melhor carne, do melhor rebanho. Abel considera Deus alguém muito especial; por isso, o Criador não poderia receber uma coisa qualquer. O presente não poderia ser algo corriqueiro e comum. Por outro lado, Caim simplesmente traz ao Senhor do fruto da terra, o que mostra que para ele Deus não merece qualquer atenção especial. Caim não revela uma relação de gratidão para com Deus, e esse é o início do seu problema espiritual. Aí está a diferença entre a religião verdadeira e a falsa. A religião verdadeira se fundamenta na gratidão a tudo o que Deus tem nos dado, e é uma relação de reconhecimento; ela começa com o próprio Deus e gera uma postura adequada do ser humano de retorno a Deus. Caim apresenta um segundo elemento que marca sua queda: quando Deus rejeita a sua oferta, que não era nada especial, Caim fica enfurecido e o seu rosto se transforma, ficando ele abalado emocionalmente. Gente que, geralmente, tem grande variação emocional é dirigida pela ira, toma atitudes radicais, absurdas e impensadas, e muitas vezes tem problemas espirituais. Isso é claramente perceptível em Caim, que só se aprofunda no seu problema de natureza emocional e no processo de decadência espiritual. Assim, ele chega a um nível de queda profundo, agora, na dimensão sociológica: assassina seu próprio irmão.
Então Caim foge de Deus, recusando-se a assumir qualquer responsabilidade por seu irmão, e como resultado disso, Deus diz que ele é amaldiçoado pela terra, isto é, ele não teria mais a relação que tinha com a terra antes. Enfim, a queda atinge dimensões ecológicas: o mundo criado.
Ao ceder ao pecado e à ingratidão para com Deus, Caim entra numa decadência, fazendo com que ele perca tudo que mais desejava: como agricultor, sua vida dependia da relação com a terra; quando coloca a terra acima de Deus, ele perde a sua relação com a terra, tornando-se um fugitivo errante pelo mundo. E quando chega à queda total, que é o distanciamento de Deus, ele perde tudo, mas ainda assim, Deus continua buscando Caim com a sua graça até o fim. Na primeira vez que Caim se distancia de Deus, o Senhor vai atrás dele e diz: “Por que você está furioso?” Deus oferece ajuda: “Cuidado, o pecado está ameaçando”; mas todas as vezes Caim rejeita a graça de Deus. Mesmo quando Caim mata seu irmão, em vez de castigá-lo de imediato, Deus diz: “O que você fez?”, buscando chama-lo à consciência da sua situação. Caim reage negativamente e diz que ele está sofrendo mais do que merecia. Esse é o sentimento de quem vive longe de Deus. E, por fim, Deus coloca um sinal em Caim para que ele não sofra o pleno resultado de seus erros, um sinal de proteção e graça. Assim, este capítulo mostra como o homem se distancia de Deus e como os grandes problemas começam com pequenas coisas. E revela, principalmente, como Deus, na sua bondade e misericórdia, persegue incansavelmente o homem mau e fraco, para fazê-lo retornar à sua presença por meio da grande e maravilhosa graça divina.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que Deus rejeitou a oferta de Caim? O foco não está no tipo de sacrifício, mas em Abel e sua fé. O livro de Levítico traz, entre as ofertas que devem ser apresentadas a Deus, a oferta de cereal: de trigo e de grãos. Deus rejeitou a oferta de Caim em razão da atitude expressa no sacrifício, pois a oferta deve ser um ato de gratidão.
A oferta estava mais relacionada a um culto do que a um sacrifício para remissão de pecados? Sim, nesse texto não está envolvida a ideia de remissão de pecados, mas um culto de gratidão a Deus.
Deus não deveria aplicar um castigo mais rigoroso para Caim?
Deus aplica a sua justiça, mas também a sua misericórdia, a sua graça e o seu amor. Em razão do nosso pensamento antropocêntrico, segundo o qual o ser humano está no centro de tudo, entendemos que o homicídio é o grau mais elevado do pecado. Mas, o problema primeiro e mais profundo do homem é de natureza espiritual na sua relação com Deus. Então, o assassinato é um resultado, uma decorrência desse problema maior que existe no coração humano. Assim como Deus teve misericórdia de Caim, Deus tem misericórdia de toda a humanidade.
Qual foi o sinal colocado em Caim?
Infelizmente, grupos religiosos do passado, inclusive ditos grupos cristãos, praticaram formalmente o racismo. Esses grupos religiosos justificavam sua atitude racista com base em supostos apoios bíblicos, e um desses apoios seria esse texto do livro de Gênesis. Eles afirmavam que o sinal colocado por Deus em Caim seria sua pele tornar-se escura e, portanto, todas as pessoas de pele escura seriam descendentes de Caim. Isso não faz sentido com base no próprio texto bíblico, pois a descendência de Caim foi aniquilada no dilúvio. Não há nenhuma indicação no texto de que sinal foi aquele. Mas o texto deixa claro que foi um sinal de graça e de proteção, para que Caim não fosse morto.
a FECHANDO A TRILHA
A grande lição é que a queda total começa na falta de gratidão. Preste atenção e coloque Deus sempre na primeira divisão da sua mente e do seu coração. E veja como a graça de Deus se renova a cada dia e situação.
que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 21 O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá também deu à luz um filho, chamado Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro a . Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.
23 Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. 24 Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete”.
O Nascimento de Sete
25 Novamente Adão teve relações com sua mulher, e ela deu à luz outro filho, a quem chamou Sete, dizendo: “Deus me concedeu um filho no lugar de Abel, visto que Caim o matou”. 26 Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar b o nome do Senhor
5A
Descendência de Adão
Este é o registro da descendência de Adão: Quando Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; 2 homem e mulher os criou. Quando foram criados, ele os abençoou e os chamou Homemc
3 Aos 130 anos, Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem; e deu-lhe o nome de Sete. 4 Depois que gerou Sete, Adão viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas. 5 Viveu ao todo 930 anos e morreu.
6 Aos 105 anos, Sete gerou d Enos. 7 Depois que gerou Enos, Sete viveu 807 anos e gerou outros filhos e filhas. 8 Viveu ao todo 912 anos e morreu.
9 Aos 90 anos, Enos gerou Cainã. 10 Depois que gerou Cainã, Enos viveu 815 anos e gerou outros filhos e filhas. 11 Viveu ao todo 905 anos e morreu.
12 Aos 70 anos, Cainã gerou Maalaleel. 13 Depois que gerou Maalaleel, Cainã viveu 840 anos e gerou outros filhos e filhas. 14 Viveu ao todo 910 anos e morreu.
15 Aos 65 anos, Maalaleel gerou Jarede. 16 Depois que gerou Jarede, Maalaleel viveu 830 anos e gerou
c 5.2 Hebraico: Adam.
d 5.6 Gerar pode ter o sentido de ser ancestral; também nos versículos 7-26.
O PROGRESSO
a ABRINDO O NAVEGADOR
Caim tem um filho chamado Enoque e funda uma cidade à qual dá o nome de seu filho. Essa atitude revela uma postura de autonomia e de distanciamento ainda maior de Deus. Na linhagem de Caim, encontra-se Lameque, na sétima geração, que tem a ideia de plenitude. Lameque toma duas mulheres, Ada e Zilá, e este é primeiro registro bíblico da prática de bigamia, o que mostra o início da fragilização da relação monogâmica, instituída por Deus. Os três filhos de Lameque – Jabal, Jubal e Tubalcaim – desenvolvem respectivamente a pecuária, a música e a fabricação de ferramentas de metal. Surge o desenvolvimento do ser humano, o progresso fatal, em que a capacidade de realizar grandes feitos está marcada pelo pecado e pelo distanciamento em relação a Deus. Lameque mata um homem e um menino, e não só faz isso, como comemora o seu feito. Lameque fez da violência um motivo de comemoração. Ainda, ele é um péssimo teólogo: é capaz de mudar o sentido original da graça de Deus em seu próprio favor. Com isso, a autonomia humana, o afastamento e a rejeição de Deus da linhagem de Caim têm um progresso assustador, chegando ao clímax aqui. Isso nos mostra que um problema não resolvido e sem administração da graça divina, torna-se um problema mais sério para as gerações seguintes. Mas, apesar dessa cidade assustadora e desse progresso perigoso, Deus continua trabalhando, sem que o homem perceba. Adão teve outro filho, chamado Sete, que foi dado por Deus no lugar de Abel. E a linhagem de Sete é abençoada. O texto afirma que, na geração de Sete, começa-se a invocar o nome do Senhor , o que, no sentido original, também pode significar “começa-se a proclamar o nome do Senhor ”, mostrando que pelo seu poder e pela sua graça, Deus está criando uma geração que se opõe à civilização de Caim, numa relação de dependência de Deus.
a RECALCULANDO A ROTA
Com quem Caim se casou?
O texto bíblico não informa quem foi a esposa de Caim. A dúvida existente é que, se não havia mais ninguém no mundo, como é que Caim encontrou sua noiva? Essa é uma questão complexa, pois não temos uma resposta absoluta. O texto não faz questão de dar uma resposta fácil a essa questão, contudo existem algumas pistas que nos ajudam a entendê-la. Adão e Eva tiveram muitos outros filhos e filhas (5.4). O relato de Gênesis não está organizado cronologicamente; então, ainda que não seja possível saber quando Caim casou, pode ser que ele tenha se casado com uma de suas parentes, como uma sobrinha. Essa é a melhor possibilidade de explicação que encontramos apenas com as informações que temos no livro de Gênesis.
O progresso humano é pecado?
Muitas vezes foi apresentada a sugestão de que o conhecimento e o progresso humanos estão essencialmente relacionados com o mal. Contudo isso não faz sentido, porque a razão pela qual a linhagem de Caim progrediu está relacionada com a capacidade e inteligência dada por Deus. O desenvolvimento humano é resultado de sermos imagem e semelhança de Deus. O problema não está no progresso, mas no contexto onde ele se desenvolve, pois o progresso de Caim foi marcado pela autonomia e separação de Deus. É possível haver desenvolvimento de maneira saudável, com submissão a Deus.
É errado apreciar a música e a arte criada pelo mundo?
A questão da arte se tornou mais complicada do que a questão do progresso humano, pois grande parte dos religiosos tem certo medo da arte. O problema da arte sempre foi a sua relação com a idolatria. Contudo, o próprio Deus escolheu artistas para construírem o tabernáculo (Êx 31), e a música e a poesia do livro de Salmos são uma arte de inspiração divina. Portanto, novamente, o problema não está na arte em si, mas na pecaminosidade e na autonomia do ser humano.
Por que Deus aceitou a bigamia de Lameque?
No Antigo Testamento, a poligamia e a bigamia se tornaram um elemento cultural. Deus nunca propôs ou aceitou a
poligamia, mas a tolerou até que viesse a manifestação plena da verdade, em Jesus Cristo. A poligamia não é uma alternativa na fé bíblica, pois o seu nascimento foi marcado pela maldade e pecado. Deus a tolerou ao longo da história. O texto do Novo Testamento reitera que o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher (Ef 5.31).
a FECHANDO A TRILHA
Precisamos retomar a relação de causa e efeito. Pensemos no preço de todas as atitudes e decisões, pois pode ser muito caro. Mas, lembremos que Deus não dorme; continua ativo e no controle do universo.
outros filhos e filhas. 17 Viveu ao todo 895 anos e morreu.
18 Aos 162 anos, Jarede gerou Enoque. 19 Depois que gerou Enoque, Jarede viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas. 20 Viveu ao todo 962 anos e morreu.
21 Aos 65 anos, Enoque gerou Matusalém. 22 Depois que gerou Matusalém, Enoque andou com Deus 300 anos e gerou outros filhos e filhas. 23 Viveu ao todo 365 anos. 24 Enoque andou com Deus; e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado.
25 Aos 187 anos, Matusalém gerou Lameque. 26 Depois que gerou Lameque, Matusalém viveu 782 anos e gerou outros filhos e filhas. 27 Viveu ao todo 969 anos e morreu.
28 Aos 182 anos, Lameque gerou um filho. 29 Deu-lhe o nome de Noé e disse: “Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou”.
30 Depois que Noé nasceu, Lameque viveu 595 anos e gerou outros filhos e filhas. 31 Viveu ao todo 777 anos e morreu.
32 Aos 500 anos, Noé tinha gerado Sem, Cam e Jafé.
Corrupção da Humanidade
Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas, 2 os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas, e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. 3 Então disse o Senhor: “Por causa da perversidade do homem a , meu Espírito b não contenderá com ele c para sempre; ele só viverá cento e vinte anos”.
a 6.3 Ou Por ser o homem mortal
b 6.3 Ou o espírito que lhe dei
c 6.3 Ou não permanecerá nele
4 Naqueles dias, havia nefilins d na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.
5 O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. 6 Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração. 7 Disse o Senhor: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os animais, grandes e pequenos, e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito”.
8 A Noé, porém, o Senhor mostrou benevolência.
A Arca de Noé
9 Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus. 10 Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11 Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência. 12 Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta, 13 Deus disse a Noé: “Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei com a terra. 14 Você, porém, fará uma arca de madeira de ciprestee; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora. 15 Faça-a com cento e trinta e cinco metros de comprimento, vinte e dois metros e meio de largura e treze metros e meio de altura f
d 6.4 Possivelmente gigantes ou homens poderosos. Veja também Nm 13.33.
e 6.14 Ou de cipreste e de juncos f 6.15 Hebraico: 300 côvados de comprimento, 50 côvados de largura e 30 côvados de altura. O côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros.
a ABRINDO O NAVEGADOR
Este capítulo apresenta a genealogia da descendência de Adão através de seu filho, Sete. O texto chama a atenção pelo fato de apresentar uma espécie de fórmula, que se repete em quase todos os versículos. Mas qual é o valor disso? Muita gente pula as genealogias ao ler a Bíblia, por não conhecer o valor delas. Estes textos estão na Bíblia, pois eles dão grande valor à história. Nós estamos acostumados a uma cultura existencialista, que valoriza intensamente a experiência individual e emocional, e assim, perdemos a referência da história. Mas a Bíblia diz: o que se fez é verdade. As pessoas existiram, e têm nome; elas foram trabalhadas por Deus. Ele as disciplinou, delas cuidou e as orientou; essa experiência está fundamentada na história. Por isso o texto bíblico faz questão de fazer esta conexão, mostrando que a história é uma realidade. Também é importante destacar que as pesquisas bíblicas mais profundas nos mostram que essa genealogia é uma seleção: há dez nomes de Adão a Noé, pois dez é um número importante em Gênesis. Então, quando o texto diz que alguém gerou outra pessoa, a palavra “gerou” significa que ele foi o ancestral, mas não especifica qual o grau de parentesco, ou seja, a pessoa pode ter sido o avô ou o tataravô, porque o texto não lista todas as pessoas pertencentes à genealogia. Era costume no antigo Oriente Próximo existirem tabelas genealógicas com esse tipo de tratamento. Com isso, levantamos a importante questão: será que é possível calcular com exatidão a idade do homem sobre a Terra, com base nas genealogias? Outro fato que chama a atenção é que os homens possuíam vida longa; um grande número de pessoas ultrapassou os 800 anos de idade e alguns chegaram a até mais de 900 anos. O texto bíblico retoma a importância de que o ser humano (’adam, em hebraico) foi criado à imagem e semelhança de Deus, e diz: “homem e mulher os criou”. O importante nesse texto é que a imagem de Deus está presente tanto no homem como na mulher, o que vai muito além do que se pensava no antigo Oriente Próximo, especialmente nas civilizações semitas. Outra observação interessante é que Enoque é o sétimo da genealogia de Adão por meio de Sete, da mesma forma que Lameque é o sétimo da genealogia de Caim. O texto bíblico destaca Enoque, mostrando como ele andou com Deus e teve uma comunhão tão extraordinária, que fez com que Deus o levasse para si numa espécie de arrebatamento, sem experimentar a morte. Isso nos mostra que a conclusão de uma genealogia marcada pela dependência de Deus é extraordinariamente abençoada pelo Criador, em oposição ao que aconteceu a Lameque. Na linhagem de Enoque, surge Noé. O nome Noé significa “consolo” ou “conforto”, pois ele traria alívio do trabalho e dos sofrimentos causados pela terra que o Senhor amaldiçoou. Essa é uma promessa e um sinal de esperança quanto ao que o futuro reservava, porque Deus certamente mantém a sua bondade e a sua graça para com todos aqueles que o buscam e estão em aliança com ele.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que o texto apresenta tantos nomes?
O propósito da genealogia é revelar o que aconteceu na história, pois Deus não é um Deus de generalidades, de abstrações, já que ele se importa com pessoas, que têm nomes. Elas viveram e têm referências históricas. Como dizia o estudioso Oscar Cullmann: “Deus se revela na história”. Encontramos muitas listas importantes e históricas ao longo do texto bíblico. A questão fundamental é revelar que Deus, que é transcendente e está acima da nossa realidade, interferiu de fato na história e agiu especificamente na vida de muitos personagens bíblicos.
A genealogia dá consistência histórica ao relato?
A genealogia dá consistência histórica ao relato, pois é como um álbum de fotografias, com nomes e sua contextualização. Esse álbum de fotografias, especificamente, traça a história da redenção e da salvação do homem. O vínculo final das genealogias é com o texto do Novo Testamento, porque nelas é mostrada a origem do pecado do homem e como Deus preparou a sua redenção através da história, culminando na pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo.
Como era possível viver por tanto tempo naquela época? O texto faz referência a um mundo muito antigo. Apesar de o número de anos poder ter outra interpretação, vemos que os homens daquela época viviam por mais tempo do que passaram a viver após o dilúvio. A ideia é que a qualidade de vida diminui, pois eles viviam num mundo muito diferente do nosso, que possuía condições físicas e biológicas que favoreceriam a longevidade. Um dos propósitos do livro de Gênesis é destacar essa fragilização da vida humana por causa do pecado e do distanciamento de Deus.
Enoque viveu por 365 anos, enquanto outros viveram 900. Esses são números simbólicos ou códigos para que entendamos alguma coisa além do que está expresso no texto?
Alguns observam que uma grande parte das pessoas listadas nessa genealogia morre em idade cujo número é múltiplo de 5, inclusive Enoque; por isso alguns acreditam que haja aqui um suposto código que ainda não foi decifrado. Mas isso pode ser mera especulação.
O que significa Enoque ter sido arrebatado? Ele não deveria morrer também?
A Palavra de Deus afirma que a morte passou a todos os homens e que aos homens está ordenado morrer uma só vez (Hb 9.27), mas Enoque saiu dessa expectativa normal; ele foi uma exceção, semelhante ao profeta Elias. Muitos que estudam o final dos tempos sugerem que talvez Enoque e Elias venham a reaparecer no cenário final, para finalmente morrerem. Não sabemos para onde Enoque foi, sabemos apenas que ele foi para a presença de Deus.
É possível destacar o contraste da genealogia de Sete em relação à de Caim?
O texto apresenta as duas genealogias. A genealogia de Caim é marcada pelo distanciamento de Deus, maldição, castigo e sofrimento. A descendência de Caim não vai sobreviver ao Dilúvio. Por outro lado, a genealogia de Sete é marcada pela ação de Deus e pela dependência divina. A descendência de Sete é muito mais abençoada e marcada pelo projeto de esperança no futuro, pelo qual Deus iria agir através da história. A descendência de Caim teve visibilidade e aparentemente mais poder; porém, rompeu com Deus. A descendência de Sete é marcada pela aliança com Deus. O texto bíblico afirma que a relação com Deus é fundamental. Nesse contraste, a geração de Caim desaparece, enquanto a geração de Sete permanece. Da mesma forma, as grandes e poderosas nações do passado como a Babilônia, o Egito e a Assíria, desapareceram, enquanto o povo de Israel foi preservado com o seu testemunho e propósito através da história.
a FECHANDO A TRILHA
Deus é o Senhor da história e isso deve nos consolar e confortar. Mesmo que haja confusão no mundo, Deus está no controle e tudo acontecerá conforme a sua história redentora e triunfal. Você pode confiar.
16
Faça-lhe um teto com um vão de quarenta e cinco centímetros a entre o teto e o corpo da arca. Coloque uma porta lateral na arca e faça um andar superior, um médio e um inferior.
17 “Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá. 18 Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 19 Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos,
a 6.16 Ou Faça-lhe uma abertura para a luz no topo, de 45 centímetros,
macho e fêmea, para conservá-los vivos com você.
20 De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos. 21 E armazene todo tipo de alimento, para que você e eles tenham mantimento”.
22 Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado.
Então o Senhor disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração. 2 Leve com você
a ABRINDO O NAVEGADOR
Este capítulo mostra como a distância entre Deus e o homem se torna ainda maior: a inclinação do coração do homem era sempre e somente para o mal. Por causa da perversidade do homem, Deus estabelece um período máximo de cento e vinte anos para a permanência do homem na Terra, até a vinda do Dilúvio. A partir daí, encontramos a doutrina mais importante da Bíblia: a absoluta necessidade de redenção do homem, pecador por natureza, totalmente depravado de coração e longe de Deus. Por causa da sua justiça, Deus não pode permitir que as coisas permaneçam assim, e estabelece o julgamento que atingirá toda humanidade e criação de suas mãos. Pois o pecado não se restringe à individualidade, mas o homem é o representante de Deus, como um zelador de condomínio. Uma vez que o seu problema é sério, atinge todos aqueles que estão debaixo da sua administração; portanto, o pecado humano contamina toda a Terra e, consequentemente, todos os animais vão sofrer com o resultado do seu pecado. Apenas Noé é considerado justo e íntegro dentre o povo de sua época, porque ele andava com Deus. Ele ordena a Noé a construção de uma arca de madeira de proporções muito grandes em relação às embarcações da época. Noé não tem nenhum apoio social; certamente é ridicularizado pelos amigos e por toda a gente da época. Ele está sozinho contra todos. Então, Deus mostra a sua bondade e benevolência para com ele e sua família, porque ele insiste em ser justo, mesmo quando todos são absolutamente corruptos.
O Deus justo não pode aceitar a perversidade e imoralidade crescente que se espalha entre os homens. Mas, pela sua imensa bondade, Deus também proporciona livramento e salvação, por meio da arca, para preservar a futura humanidade e toda a criação. Noé obedece a Deus, construindo a arca, levando os animais e armazenando alimento para eles e para sua família, exatamente como Deus ordenou. E assim, Deus provê a salvação.
a RECALCULANDO A ROTA
Quem eram os filhos de Deus e as filhas dos homens (v. 2)?
O texto fala desses filhos de Deus, que se unem às filhas dos homens e produzem uma geração perversa. Alguns estudiosos acreditam que os filhos de Deus são a descendência de Sem que se uniu à descendência de Caim, e houve uma mistura dos que serviam a Deus com os que não serviam, trazendo decadência e corrupção moral completa. Essa não parece ser a melhor ideia. Outros acreditam que os filhos de Deus seriam anjos. Contudo, surge a dúvida sobre como os anjos se uniriam às mulheres e possuiriam filhos, o que é muito difícil (Mt 22.30). Outra possibilidade é que os filhos de Deus podem ser uma referência a homens poderosos ou reis. Esses homens poderosos (sentido possível no hebraico), por causa da sua riqueza e do seu poder, criaram os primeiros haréns, pervertendo a união do homem com sua mulher, que Deus havia instituído na criação de Adão e Eva. Houve uma espécie de instituição da poligamia, que parece ser uma interpretação bastante razoável.
Quem eram os nefilins (v. 4)?
A palavra nefilim, no original hebraico, significa, literalmente, “caídos”. Posteriormente, a tradição passou a usá-la com o sentido de “gigantes”. A dúvida que surge é se esses gigantes são fisicamente gigantes ou são gigantes no sentido de “pessoas muito poderosas”. É mais provável que o sentido aplicado à palavra nesse texto esteja relacionado ao significado possível no hebraico, que dá a ideia contextual de poderosos homens pecadores e perversos.
Podemos fazer associação desses gigantes com o grande Golias?
Não podemos fazer essa associação, pois são relatos totalmente independentes e distantes na história.
Quanto tempo o Dilúvio demorou para chegar?
O texto afirma que o homem não viveria além de 120 anos. Ao ler esse texto, muitos acreditam que esse passaria a ser o tempo de vida individual do ser humano, ou seja, que, a partir daquele momento, os homens deixariam de viver até 800 ou 900 anos e passariam a viver no máximo por 120 anos. Na verdade, a ideia correta é que o ser humano ficaria
na Terra por mais cento e vinte anos após aquela palavra de Deus, até que o Dilúvio chegasse. O texto faz referência à paciência de Deus, que concedeu esse tempo àquela geração para ouvir a mensagem de Noé, se arrepender e crer na palavra que lhe estava sendo dirigida. O texto não faz referência à duração da vida do homem, mas ao tempo que o Dilúvio demoraria para chegar.
Deus realmente se arrependeu de ter criado o homem?
Deus não se arrepende no sentido absoluto do termo. O texto bíblico usa a linguagem humana para explicar as atitudes divinas. Então, Deus não é surpreendido pelo pecado humano. A ideia de Deus se arrepender significa que Deus ficou profundamente triste e alterou o curso da história da perspectiva humana. Deus é transcendente; portanto, quando usa a nossa linguagem, está se limitando em nosso favor. Por isso, quando Deus quer expressar a profundidade do seu sentimento, utiliza uma linguagem forte para que o homem entenda a expressão.
a FECHANDO A TRILHA
A Palavra de Deus deve ser levada a sério, pois o grande problema humano começou na falta de atenção e na ingratidão. Se Deus disse e é verdade, devemos seguir seus princípios, sem depender do que diz a sociedade. Seja firme e fiel como Noé e Deus irá abençoar você.
sete casais de cada espécie de animal puro, macho e fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, macho e fêmea, 3 e leve também sete casais de aves de cada espécie, macho e fêmea, a fim de preservá-los em toda a terra. 4 Daqui a sete dias farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”.
5 E Noé fez tudo como o Senhor lhe tinha ordenado.
O Dilúvio
6 Noé tinha seiscentos anos de idade quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra. 7 Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.
8 Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão 9 vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé. 10 E, depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
11 No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram. 12 E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
13 Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres
de seus três filhos, entraram na arca. 14 Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam. 15 Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca. 16 Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta.
17 Quarenta dias durou o Dilúvio, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra. 18 As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas. 19 As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu. 20 As águas subiram até quase sete metros a acima das montanhas. 21 Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade. 22 Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu. 23 Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens como os animais grandes, os animais
a 7.20 Hebraico: 15 côvados. O côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros.
OS GIGANTES DA BÍBLIA
ABíblia é um livro de gigantes. Não apenas de gigantes da fé, mas gigantes literais. O Antigo Testamento fala de gigantes na história de Israel. Em Números 13.32,33 vemos a menção dos descendentes de Enaque (Nm 13.32,33). Eram tão altos que os israelitas se viam como gafanhotos perto deles. Esses enaquins são citados em outros textos (Dt 1.28; 2.10,11;21; Js 11.21,22; 14.12-15). No início de Deuteronômio, há referência a outros povos gigantes de Canaã, encontrados na região de Amom e Moabe: “Antigamente os emins habitavam nessa terra; eram um povo forte e numeroso, alto como os enaquins. Como os enaquins, eles também eram considerados refains, mas os moabitas os chamavam emins. Também em Seir antigamente habitavam os horeus. Mas os descendentes de Esaú os expulsaram e os exterminaram e se estabeleceram no seu lugar, tal como Israel fez com a terra que o Senhor lhe deu. […] Essa região também era considerada terra dos refains, que ali habitaram no passado. Os amonitas os chamavam zanzumins. Eram fortes, numerosos e altos como os enaquins. O Senhor os exterminou, e os amonitas os expulsaram e se estabeleceram em seu lugar. O Senhor fez o mesmo em favor dos descendentes de Esaú que vivem em Seir, quando exterminou os horeus diante deles. Os descendentes de Esaú os expulsaram e se estabeleceram em seu lugar até hoje. Foi o que também aconteceu aos aveus, que viviam em povoados próximos de Gaza; os caftoritas, vindos de Caftor, os destruíram e se estabeleceram em seu lugar (Dt 2.10-12; 20-23).” Merecem menção os refains, termo traduzido por gigantes (não pode ser confundido com “as sombras dos mortos” [Is 26.14, e.g.], citados em Deuteronômio 3.13, Josué 12.4 e 13.12. Ogue, rei de Basã, é descrito como um sobrevivente dos refains; sua cama era de ferro e media 4 metros de comprimento por 1,8 metros de largura (Dt 3.11). Por várias vezes o texto bíblico menciona o vale de Refaim (Js 15.8; 18.16; 2Sm 5.18,22; 2Sm 23.13; 1Cr 11.15, 14.9; Is 17.5), possivelmente associado a este povo de alta estatura. Textos relativos à época da monarquia também citam gigantes. O mais conhecido caso é o do filisteu Golias, o célebre adversário de Davi:
“Um guerreiro chamado Golias, que era de Gate, veio do acampamento filisteu. Tinha dois metros e noventa centímetros de altura. Ele usava um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava sessenta quilos; nas pernas usava caneleiras de bronze e tinha um dardo de bronze pendurado nas costas. A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele (1Sm 17.4-7).”
A descrição dos gigantes não é motivo de alvoroço. Além de ser comum pessoas com dois metros de altura, há muitos gigantes contemporâneos. O mais recente é o ucraniano Leonid Stadnik, com 2,53 metros. Em 1940, nos EUA, morreu Robert Pershing Wadlow, com 2,72 metros de altura. As descrições bíblicas fazem sentido. O maior problema é a origem dos gigantes. A discussão faz referência ao conhecido texto de Gênesis 6.1-4: “Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas, e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. Então disse o Senhor: ‘Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; ele só viverá cento e vinte anos’. Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.”
A discussão decorre da palavra nefilins, traduzida por gigantes. A tradição vem da Septuaginta, que assim traduziu o termo para o grego. Mas, a tradução não é precisa. Nefilins é literalmente “caídos”, embora a palavra em Números 13.33 tenha o sentido de gigantes. No entanto, parece improvável que o mesmo texto bíblico que afirma que a Terra foi destruída pelo Dilúvio, que inclui os nefilins, sugira que os gigantes de Canaã tenham relação com os nefilins de Gênesis 6. Esse texto que aponta a causa do Dilúvio não deve ser associado aos outros. Mas quem eram os nefilins? Gênesis indica que eles surgiram do intercurso entre “os filhos de Deus” e “as filhas dos homens”. A discussão ocorre em torno dos “filhos de Deus”. A primeira sugestão entende que é uma referência à linhagem de Sete, em oposição à de Caim. A ideia é que os justos (filhos de Deus – Sete) se casaram com mulheres más (filhas dos
homens – Caim), misturando a semente santa, trazendo decadência para o mundo antigo, provocando a ira divina, o Dilúvio. É improvável que Gênesis, que tanto menciona Caim, precisasse de uma linguagem tão hermética para se referir a ele. Além disso, é estranho imaginar que só houvesse moças bonitas entre as filhas de Caim. A hipótese é cada vez mais abandonada.
Outra sugestão afirma que os “filhos de Deus” eram anjos. Afirma-se que a expressão significa “anjos”, no Antigo Testamento. Sem dúvida, tanto beney ’elohim como beney ’el indicam principalmente anjos. Isso pode ser verificado em Jó 1.6; 2.1 e 38.7. Mas, em Salmo 29.1 e 89.6, há controvérsias se a expressão significa anjos. A ideia da expressão hebraica é “filhos fortes ou poderosos”, o que pode se referir a anjos ou a pessoas de poder. Todavia, Judas 1.6,7 parece corroborar a ideia: “E, quanto aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia. De modo semelhante a esses, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo.”
Parece que os anjos pecaram de maneira semelhante a Sodoma e Gomorra. Portanto, pensa-se que os anjos teriam copulado com as mulheres e acabaram gerando uma raça de gigantes, o que causou o Dilúvio. Os problemas da sugestão são “gigantescos”:
1. Anjos não possuem capacidade de intercurso. Eles não se casam e não procriam (Mt 22.30).
2. Cada espécie da criação tem seus limites genéticos. Casamento e procriação de espécies distintas é muita imaginação (Gn 1.21-25).
3. Em nenhum lugar Gênesis se refere a uma raça híbrida como causa do Dilúvio. Fala-se em perversidade, corrupção e violência de humanos (Gn 6.5;11-13).
4. Como entender o difícil texto de Gênesis 6? A terceira possibilidade é que “os filhos de Deus” se refira a “homens poderosos”. Isso está de acordo com a linhagem dos descendentes “heróis do passado, homens famosos” (v. 4). Estes “poderosos” teriam coabitado com as mulheres e gerado os “famosos”. Em que isso é extraordinário? Onde está a causa do Dilúvio? A resposta está no plural “filhas dos homens”. A questão aqui é poligamia! Quer dizer que surgiram os primeiros haréns da história. Essa decadência moral teria trazido o Dilúvio. Isso parece estar de acordo com a lógica do “aprofundamento da queda em Gênesis”. Deus cria um casal, Adão e Eva, no começo; a civilização decadente de Caim dá início à bigamia com Lameque, o violento (Gn 4.19-22), e na ocasião do Dilúvio a decadência foi total, com grandes haréns e muita violência e corrupção. Todavia, resta uma pergunta. Como fica o texto de Judas 6,7? O texto não apoia a hipótese dos anjos? Judas não diz explicitamente que anjos praticaram um ato sexual. O texto apenas fala “de modo semelhante a eles”, que pode significar “pecar com rebeldia”. Até porque, no versículo 5, o texto menciona o povo de Israel no deserto, que pecou por incredulidade. Assim, é mais razoável entender que os “gigantes” de Gênesis 6 eram homens poderosos, que formaram os primeiros haréns da história e tiveram filhos que ficaram famosos na antiguidade.
pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca. 24 E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.
8O
Fim do Dilúvio
Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar.
2 As fontes das profundezas e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou. 3 As águas foram baixando pouco a pouco sobre a terra. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas tinham diminuído, 4 e, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ararate. 5 As águas continuaram a baixar até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os topos das montanhas.
6 Passados quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca. 7 Esperando que a terra já tivesse
O MAIOR TSUNAMI DA HISTÓRIA
a ABRINDO O NAVEGADOR
No dia em que Noé completa 600 anos, um mês e 17 dias de vida, as fontes das profundezas e as comportas do céu se abrem, dando início à grande catástrofe que atinge a Terra, destruindo a humanidade e a vida animal. Esse grande Dilúvio é causado por duas fontes distintas: águas de cima, as chuvas, e águas dos grandes reservatórios subterrâneos que são abertos, trazendo uma inundação sem precedentes. São quarenta dias de chuvas incessantes. As águas prevalecem sobre a terra por 150 dias após as chuvas; portanto, são cinco meses sem chuva, embora as águas continuem aumentando e cobrindo a superfície da Terra. Aproximadamente sete meses e meio após o início do Dilúvio, as águas diminuíram e, no primeiro dia do décimo mês, começam a despontar os primeiros montes. Finalmente, no início do ano 601 da vida de Noé, secam-se as águas na Terra, mas somente no dia 27 do segundo mês é que o solo está completamente seco. Portanto, o Dilúvio dura mais de um ano. Deus cumpre sua palavra de julgamento, que demorou cento e vinte anos para chegar e atinge toda a Terra. Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida pereceu, apenas Noé e as pessoas e animais que estavam com ele na arca sobreviveram. O texto informa que as águas subiram até sete metros acima das montanhas. Quando as águas baixam, no sétimo mês, a arca pousa nas montanhas do Ararate, mas somente no final do segundo mês do ano 601 da vida de Noé, com o solo completamente seco, ele, sua família e todos os animais saem da arca. E a primeira coisa que Noé faz é cultuar ao Senhor, construindo um altar, onde ofereceu holocausto, mostrando sua gratidão a Deus. O Senhor se agrada da manifestação de gratidão de Noé e promete a si mesmo nunca mais destruir os seres vivos como fez no Dilúvio, por causa do seu grande amor. A verdade é que Deus se ira e traz juízo, mas a sua bondade e misericórdia não têm fim.
a RECALCULANDO A ROTA
A história de Noé não é similar às narrativas de outras civilizações?
Sabemos que, principalmente na Mesopotâmia, havia narrativas muito semelhantes às histórias bíblicas. Mas não é somente nas regiões próximas ao Crescente Fértil que se encontram narrativas sobre o Dilúvio; há mais de duzentas histórias do Dilúvio espalhadas por vários lugares do mundo. Cada grupo narra a história a partir de sua perspectiva. E o que as histórias dos outros povos comprovam é que o Dilúvio realmente ocorreu. Na Bíblia, encontramos a versão de acordo com a fé do povo de Israel, com o enfoque no Deus que se revela e salva a humanidade com a sua bondade.
Sendo Deus tão bom e amoroso, por que permitiu o Dilúvio?
Deus não somente permitiu como também enviou o Dilúvio. O que está em vista no texto é a realidade de que Deus não pode compactuar com o pecado. O nível de maldade e pecaminosidade do homem chegou a tal ponto que Deus teve de intervir, de modo que, se Deus não interviesse, não restaria nenhum fiel sobre a Terra. O julgamento de Deus no Dilúvio é também a manifestação de sua misericórdia, porque, em caso contrário, havia o risco de o próprio Noé e sua família serem absolutamente dominados por aquela geração perversa, pois eles poderiam ter matado Noé ou o forçado a se envolver com o mal.
O Dilúvio atingiu o mundo todo ou se concentrou na região onde Noé vivia?
Sabemos que o Dilúvio na região da Mesopotâmia foi comprovado pela arqueologia. Mas a pergunta é: até onde foi? Muitos acreditam que o Dilúvio foi universal porque a Bíblia afirma que foram muitos dias de chuva e que as águas subiram e cobriram quase sete metros acima das altas montanhas. Entretanto, há argumentos contra essa universalidade do Dilúvio. Realmente, é uma questão difícil, mas a maioria dos estudiosos acredita que o Dilúvio cobriu uma grande área, mas talvez não tenha sido de proporção global, como crê a maioria das pessoas.
a FECHANDO A TRILHA
O juízo também é expressão da misericórdia divina. Deus, na sua bondade, diante de tanta tristeza, pecado e maldade, mesmo trazendo o julgamento necessário sobre a Terra, resolve preservar o ser humano, renovando sua misericórdia. Que essa bondade paute a nossa fé e esperança.
PARADA OBRIGATÓRIA
O Dilúvio e as narrativas da Mesopotâmia
Desde o século 19, a arqueologia revelou que relatos similares ao Dilúvio de Gênesis foram encontrados no Mito Sumério de Eridu, o Épico Acadiano de Atrahasis e a Epopeia de Gilgamés, também em acadiano. As narrativas contêm detalhes semelhantes ao relato bíblico do Dilúvio. O Épico de Atrahasis fala que os homens se multiplicaram na Terra e se tornaram barulhentos; por isso o Dilúvio vem destruir a humanidade. Atrahasis é avisado e recebe ordens para construir um barco. Ele o constrói e o enche de alimento, animais e pássaros. No final Atrahasis se salva e oferece sacrifício aos deuses.
A Epopeia de Gilgamés afirma que ele foi avisado do Dilúvio por Utnapishtim, que, como Noé, é salvo das águas. No relato, ele diz que o deus criador Ea o avisou do Dilúvio e ordenou-lhe construir um barco, para onde levou a família, os bens e todas as criaturas vivas. O relato afirma que a tempestade durou até o sétimo dia, e a terra seca apareceu no décimo segundo dia, quando o barco repousou no monte Nisir. Os relatos tão parecidos indicam que houve uma inundação gigante, pelo menos na região. Mas os mais críticos sugerem que os hebreus teriam copiado o Dilúvio dessas narrativas, possivelmente mais antigas. Muitos desconsideram a relação entre as culturas semíticas ocidentais antigas e o fato de que os primeiros hebreus vieram da Mesopotâmia (Abraão) e conheciam a história do Dilúvio. Todos conheciam a história primeira. A diferença está na interpretação teológica do fato. Sumérios e acadianos o relatam a partir de suas crenças, os hebreus a partir da fé no Deus de Israel, com seu perfil ético e teológico único.
aparecido, Noé soltou um corvo, mas este ficou dando voltas. 8 Depois soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra. 9 Mas a pomba não encontrou lugar onde pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca, a Noé. Ele estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e a trouxe de volta para dentro da arca. 10 Noé esperou mais sete dias e soltou novamente a pomba. 11 Quando voltou ao entardecer, a pomba trouxe em seu bico uma folha nova de oliveira. Noé então ficou sabendo que as águas tinham diminuído sobre a terra. 12 Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas dessa vez ela não voltou.
13 No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca. 14 No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca.
15 Então Deus disse a Noé: 16 “Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles. 17 Faça que saiam também todos os animais que estão com você: as aves, os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão. Faça-os sair para que se espalhem pela terra, sejam férteis e se multipliquem”.
18 Então Noé saiu da arca com sua mulher e seus filhos e as mulheres deles, 19 e com todos os grandes animais e os pequenos que se movem rente ao chão e todas as aves. Tudo o que se move sobre a terra saiu da arca, uma espécie após outra.
20 Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto a , queimando-os sobre o altar. 21 O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é
a 8.20 Isto é, sacrifício totalmente queimado.
Epopeia de Gilgamés.
inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos a como fiz desta vez.
22 “Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão”.
9A
Aliança de Deus com Noé
Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra. 2 Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos. 3 Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como dei a vocês os vegetais, agora dou todas as coisas.
4 “Mas não comam carne com sangue, que é vida.
5 A todo aquele que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.
6 “Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado.
7 “Mas vocês sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela b ”.
8 Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele: 9 “Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descendentes, 10 e com todo ser vivo que está com vocês: as aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra. 11 Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
12 E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: 13 o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra. 14 Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris, 15 então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies c . Nunca mais as águas se
a 8.21 Ou toda a raça humana
b 9.7 Possivelmente e a dominem
c 9.15 Hebraico: de toda carne; também no versículo 16.
tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida d . 16 Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.
17 Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.
Os Filhos de Noé
18 Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã. 19 Esses foram os três filhos de Noé; a partir deles toda a terra foi povoada.
20 Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha. 21 Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda. 22 Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora. 23 Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no.
24 Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito,
25 disse: “Maldito seja Canaã! Escravo de escravos será para os seus irmãos”. 26 Disse ainda: “Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem! E seja Canaã seu escravo. 27 Amplie Deus o território de Jafé; habite ele nas tendas de Sem, e seja Canaã seu escravo”.
28 Depois do Dilúvio Noé viveu trezentos e cinquenta anos. 29 Viveu ao todo novecentos e cinquenta anos e morreu.
10A Origem dos Povos
Este é o registro da descendência de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé. Os filhos deles nasceram depois do Dilúvio.
Os Jafetitas
2 Estes foram os filhos e de Jafé: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás. 3 Estes foram os filhos de Gômer: Asquenaz, Rifate e Togarma. 4 Estes foram os filhos de Javã: Elisá, Társis,
d 9.15 Hebraico: toda carne; também no versículo 17.
e 10.2 Filhos pode significar descendentes ou sucessores ou nações; também nos versículos 3, 4, 6, 7, 20-23 e 29.
ESPERANÇA PARA UMA NOVA HUMANIDADE
a ABRINDO O NAVEGADOR
Agora, a Terra precisa ser povoada novamente. A Noé é dada uma ordem semelhante à que foi dada ao próprio Adão (9.1,7). E o texto bíblico traz uma ideia de que a Terra antes e depois do Dilúvio sofre muitas alterações, e nem Noé tem consciência de tudo. A vida das pessoas muda: elas passam a viver menos do que viviam anteriormente; há uma nova atitude com relação à dieta humana: Deus permite que se alimentem de carne, mas também há uma proibição, provavelmente por causa da questão da violência. A ordem de Deus é não comer carne com sangue, porque o sangue é a vida, no pensamento hebraico. Na realidade, essa é uma ordem muito clara que Deus dá ao homem proibindo o homicídio e a matança animal, pois a violência foi uma das principais razões porque Deus destruíra a Terra por meio do Dilúvio. Para abençoar Noé e sua família, Deus estabelece a sua aliança com Noé. Nessa aliança, Deus deixa claro que nunca mais haverá outro Dilúvio. Na região dos povos semitas da antiguidade surgem dois tipos de aliança. A aliança condicional, na qual as duas partes têm de cumprir o seu papel para que a aliança seja validada, e a aliança incondicional, na qual aquele que propõe a aliança estabelece claramente que tudo o que é proposto acontecerá, independente de qualquer circunstância. Portanto, Deus estabelece uma aliança incondicional com Noé, ou seja, Deus manterá a sua promessa de que a Terra não mais será destruída por meio de Dilúvio. E, para selar a aliança, o Senhor coloca o arco-íris no céu, que renova a sua misericórdia e bondade.
Na nova Terra, Noé planta uma vinha, bebe do vinho até se embriagar. Totalmente embriagado, Noé fica nu dentro de sua tenda e, ao ver isso, seu filho Cam vai contar a seus irmãos. Por causa disso, Cam recebe uma maldição que atinge a sua descendência. É importante entender que o que Cam faz não tem conotação sexual, como alguns sugerem. Mas a atitude de Cam é de profundo desrespeito e falta de consideração pelo pai. O propósito desses capítulos é mostrar o povoamento da Terra a partir dos descendentes de Noé. Os jafetitas, camitas e semitas, povos daquela região do Oriente Médio, do norte da África e do sul da Europa, aparecem representados com vários nomes que se relacionam àquelas localidades. Em meio à lista genealógica apresentada no capítulo 10, merece destaque o nome de Ninrode, pertencente à genealogia de Cuxe, ligado a Cam. Ninrode é o primeiro homem poderoso da Terra, grande caçador, muito valente e que dá origem aos grandes impérios da região da Babilônia e da Assíria. Contudo, a civilização de Ninrode, alicerçada no poder humano, não vai permanecer, o que mostra que aqueles que se afastam de Deus não subsistem. A linhagem que permanece é a de Sem, que dá prosseguimento à promessa de redenção divina.
a RECALCULANDO A ROTA
Comer alimentos com sangue é pecado?
Deus ordena a Noé não comer carne com sangue, ordem que é repetida na Lei de Moisés. O símbolo máximo da vida na visão hebraica do Antigo Testamento era o sangue. A questão para nós, nos dias de hoje, é observar como esse assunto é tratado no Novo Testamento. Muitos cristãos, por conta da sua consciência, não comem a carne com o sangue, nem qualquer alimento que contenha sangue animal. Contudo, a questão de comer sangue no Novo Testamento não tem a mesma conotação dada no Antigo Testamento. Nos capítulos 15 e 20 do livro de Atos é repetida a proibição, mas provavelmente visando a questão da convivência entre judeus e gentios na mesma comunidade. Jesus afirma que o alimento não traz contaminação (Mt 15.11). Então não é mais uma proibição, embora se deva respeitar as pessoas que a seguem. A decisão de se ingerir alimentos com sangue deve ser baseada na consciência e no relacionamento com o próximo (1Co 8.13; Rm 14).
O que Cam fez para receber maldição?
No livro de Levítico existe uma expressão hebraica traduzida em diversas versões da Bíblia como “descobrir a nudez” (Lv 18.6), que possui o significado de relacionamento sexual. Mas, nesse texto do livro de Gênesis, a expressão hebraica é outra, e não possui nenhuma relação com sexualidade. A questão está na perspectiva cultural. Na antiguidade, no contexto hebraico, ver a nudez sem prover auxílio era algo grave, e muito mais sério quando relacionado a uma pessoa
que merece respeito especial, como o pai da família. A atitude de Cam de ter visto a nudez de seu pai e ter contado para os seus irmãos revela profundo desrespeito à figura do pai.
Como ficou a situação de Cam em relação à região em que ele iria habitar? Ele foi amaldiçoado, e aparentemente a posição geográfica de sua terra era a África. Cam possui alguma relação com a situação do continente africano ao longo da história?
Essa pergunta é muito importante porque a má interpretação do texto bíblico pode dar origem a grandes desastres sociais e históricos. Durante muitos anos, algumas nações praticaram a escravidão e trouxeram grandes problemas para o continente africano, baseando-se na maldição de Cam. Muitas pessoas acreditam que, uma vez que Cam deu origem aos habitantes de todo o continente africano, os povos de lá são amaldiçoados e sofrem em razão disso. Mas isso é um erro grave, porque o texto bíblico não tem nenhuma relação com os povos da África subsaariana, pois os camitas habitaram o norte da África. Além disso, a maldição caiu especificamente sobre Canaã, filho de Cam, que deu origem aos cananitas. A maldição que caiu sobre Canaã é de que ele seria conquistado pelos seus irmãos (9.25). O texto antecipa que os cananitas seriam conquistados e dominados pelos israelitas, que são semitas. Não há nenhuma relação com os povos negros e com o continente africano.
O que significa a nova ordem de Deus de crescer e multiplicar?
A ênfase estava em povoar a Terra. Gerar filhos e constituir família é ordem divina e responsabilidade do ser humano. Não gerar filhos faz a população diminuir e a sociedade entrar em crise. Por outro lado, não é ideia bíblica que devamos ter quantos filhos for possível, independentemente da situação. O apóstolo Paulo até sugere que, em determinados contextos, é bom que certas pessoas não se casem (1Co 7). Deve-se adotar uma atitude equilibrada em relação a esse assunto. É importante que a sociedade cristã tenha família e filhos, e que esses filhos sejam devidamente planejados, de acordo com as reais possibilidades, pois, tanto o extremo de ter filhos irresponsavelmente quanto de não querer constituir família e ter filhos, terão o seu peso na sociedade como um todo.
Por que o homicídio foi novamente citado (9.6)?
A vida provém de Deus, é sagrada e deve ser respeitada, especialmente a vida humana, pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Matar um ser humano é muito diferente de matar um animal. Hoje, existem preocupações ecológicas importantes e justificáveis, mas alguns perderam a referência correta. Em alguns lugares é visto com mais seriedade cometer certos crimes contra plantas do que matar uma pessoa, o que é algo que deveria nos preocupar bastante, pois denota que a sociedade perdeu a sua ordem de valores e prioridades. O ser humano nunca poderá ser assassinado sem que haja consequências.
Como texto do capítulo 10 menciona “línguas” e “nações” (v. 31, 32), se a divisão de línguas só ocorreu no evento narrado no capítulo 11?
O livro de Gênesis está organizado de maneira didática, com o interesse de ressaltar as grandes lições para a vida, pois isso é mais importante. Do ponto de vista cronológico, os capítulos 10 e 11 estão invertidos. O texto do capítulo 10 já anuncia que houve uma divisão de povos e de seus respectivos idiomas, embora essa divisão só seja descrita no texto do capítulo 11. É importante entender que o livro foi escrito de uma perspectiva diferente da nossa.
a FECHANDO A TRILHA
Como é difícil viver a nossa vida sem perspectiva. Mas a única, definitiva e realmente confiável é a esperança em Deus, pois ele é a fonte de toda esperança.
Quitim e Rodanim a 5 Deles procedem os povos marítimos, os quais se separaram em seu território, conforme a sua língua, cada um segundo os clãs de suas nações.
Os Camitas
6 Estes foram os filhos de Cam: Cuxe, Mizraimb , Pute e Canaã. 7 Estes foram os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá. Estes foram os filhos de Raamá: Sabá e Dedã.
8 Cuxe gerou c também Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra. 9 Ele foi o mais valente dos caçadores d , e por isso se diz: “Valente como Ninrode”. 10 No início o seu reino abrangia Babel, Ereque, Acade e Calné e, na terra de Sinearf . 11 Dessa terra ele partiu para a Assíria, onde fundou Nínive, Reobote-Irg, Calá 12 e Resém, que fica entre Nínive e Calá, a grande cidade.
13 Mizraim gerou os luditas, os anamitas, os leabitas, os naftuítas, 14 os patrusitas, os casluítas, dos quais se originaram os filisteus, e os caftoritas.
15 Canaã gerou Sidom, seu filho mais velho, e Hete h , 16 como também os jebuseus, os amorreus, os girgaseus, 17 os heveus, os arqueus, os sineus, 18 os arvadeus, os zemareus e os hamateus. Posteriormente, os clãs cananeus se espalharam. 19 As fronteiras de Canaã estendiam-se desde Sidom, iam até Gerar, e chegavam a Gaza e, de lá, prosseguiam até Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, chegando até Lasa.
20 São esses os descendentes de Cam, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
Os Semitas
21 Sem, irmão mais velho de Jaféi, também gerou filhos. Sem foi o antepassado de todos os filhos de Héber.
a 10.4 Alguns manuscritos dizem Dodanim
b 10.6 Isto é, Egito; também no versículo 13.
c 10.8 Gerar pode ter o sentido de ser ancestral ou predecessor; também nos versículos 13, 15, 24 e 26.
d 10.9 Hebraico: valente caçador diante do Senhor.
e 10.10 Ou e todos eles
f 10.10 Isto é, Babilônia.
g 10.11 Ou Nínive com as praças da cidade
h 10.15 Ou os sidônios, os primeiros, e os hititas
i 10.21 Ou Sem, cujo irmão mais velho era Jafé
22 Estes foram os filhos de Sem: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã. 23 Estes foram os filhos de Arã: Uz, Hul, Géter e Meseque j . 24 Arfaxade gerou Salá k, e este gerou Héber. 25 A Héber nasceram dois filhos: um deles se chamou Pelegue, porque em sua época a terra foi dividida; seu irmão chamou-se Joctã.
26 Joctã gerou Almodá, Salefe, Hazarmavé, Jerá, 27 Adorão, Uzal, Dicla, 28 Obal, Abimael, Sabá, 29 Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.
30 A região onde viviam estendia-se de Messa até Sefar, nas colinas ao leste.
31 São esses os descendentes de Sem, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
32 São esses os clãs dos filhos de Noé, distribuídos em suas nações, conforme a história da sua descendência. A partir deles, os povos se dispersaram pela terra, depois do Dilúvio.
11A
Torre de Babel
No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.
2 Saindo os homens dol Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram.
3 Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. 4 Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”.
5 O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. 6 E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. 7 Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”.
8 Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. 9 Por isso foi chamada Babel m, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.
j 10.23 Alguns manuscritos dizem Más
k 10.24 A Septuaginta diz gerou Cainã, e Cainã gerou Salá.
l 11.2 Ou para o Oriente
m 11.9 Isto é, Babilônia.
A QUEDA DA TORRE: O DESASTRE DE GÊNESIS 11
a ABRINDO O NAVEGADOR
A torre de Babel provavelmente era um tipo de “zigurate”, uma espécie de templo antigo, comum na Mesopotâmia, com muitos degraus que levavam ao ponto mais alto, onde se podia observar as estrelas. O texto ressalta a arrogância do ser humano, na tentativa de construir uma cidade (com uma torre) para lhe trazer fama e alcançar o céu. É estranho para nós que eles pensassem que alcançariam o céu desse modo, mas aqueles povos antigos acreditavam que o céu estava aproximadamente a poucos quilômetros de altura; por isso, achavam que não seria difícil invadir o espaço celestial. Nesse contexto, há uma unidade linguística e uma unidade para fazer o incorreto e o mal, com a intenção de fugir da punição de Deus. O homem já perdera o Jardim do Éden; Caim perdera a sua relação de proximidade com Deus; também vimos a terrível punição sobre a Terra com o Dilúvio; e, agora, ao construírem a torre, os homens querem edificar uma cidade para seus nomes se tornarem famosos e não serem espalhados pela face da Terra, em deliberada desobediência a Deus. E isso significa a rejeição ao domínio e senhorio de Deus sobre a Terra, pois querem construir um reino da autonomia e autossuficiência humana, fazendo-o chegar ao limite mais absurdo de invadir o lugar de Deus, para destroná-lo. Afinal, a ordem de Deus para os homens era: “espalhem-se e povoem a Terra”. Então, Deus intervém de modo especial, impedindo que eles alcancem seu mau intento.
A intervenção de Deus permite que se estabeleçam no mundo grupos distintos, impedindo uma união mundial, pois essa união independente de Deus certamente será para fazer o mal. Então, o Senhor confunde a língua dos homens. É interessante perceber que essa confusão da língua dos homens está em direta oposição ao Pentecoste. No capítulo 2 do livro de Atos, o Espírito Santo desce sobre a Igreja de Cristo. Enquanto o movimento na torre de Babel é de subida, ou seja, de sair da terra para alcançar o céu, no Pentecoste o movimento é de descida, do céu para a terra. Enquanto na torre de Babel, o movimento parte unicamente do homem, na sua autonomia e independência de Deus, no Pentecoste, o movimento é do Espírito Santo de Deus em direção ao homem. No capítulo 11 de Gênesis, a unidade é desfeita por causa do pecado, transformando-se em fragmentação e gerando uma variedade de grupos linguísticos e étnicos. Já no Pentecoste, toda a diversidade de línguas é anulada, quando os discípulos de Jesus falam em línguas desconhecidas que são interpretadas, transformando a diversidade em união. Isso significa que a unidade humana independente de Deus é maldição e destruição; mas a diversidade humana, quando atingida pela Palavra de Jesus e pelo Espírito de Deus, passa a ter uma unidade extraordinária, que traz a ação do Reino de Deus na terra, através da Igreja. O texto bíblico prossegue apresentando a genealogia de Sem, filho de Noé, até Abrão. Nesse período, os homens já começam a viver menos. Enquanto os homens tentam construir um reino humano independente de Deus, o Senhor constrói a história da redenção humana: Abrão será o patriarca Abraão, por meio de quem Deus vai agir de modo especial e extraordinário para conduzir a história de redenção, que se inicia no Antigo Testamento e se concretiza na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
a RECALCULANDO A ROTA
Existe alguma ruína ou sinal que comprova que existiu tal torre?
Na verdade, ninguém nunca encontrou a torre de Babel propriamente dita, mas temos sinais claros de que nas civilizações antigas, como o Egito, a Assíria e especialmente as da Mesopotâmia, existia uma espécie de torre parecida com uma pirâmide egípcia, que era uma construção que se elevava ao céu por meio de degraus, chamadas zigurates. Os sumérios e os babilônios davam muito valor aos astros, acreditando na influência deles sobre a vida na Terra. Portanto, usavam essas torres para praticar uma mistura de astrologia com astronomia, ao observar os planetas e as estrelas, e também ao fazerem interpretações religiosas desses corpos celestes. Então, não há dúvidas de que esses zigurates são o mesmo tipo de torre, como a de Babel. Portanto, já temos paralelos muito bem definidos pela arqueologia.
Qual era a língua que os homens falavam naquela época?
Não sabemos como foi o processo de mudança das línguas, nem quanto tempo isso demorou. Nem temos ideia de qual era a língua que os homens utilizavam naquela época. Mas, retrocedendo no tempo, sabemos que a quantidade
de línguas faladas diminui. As línguas faladas hoje naquela região são derivadas do “protossemítico”, assim como na Europa temos o “indo-europeu”. Mas a língua falada naquela época não é definida no texto bíblico nem em outro lugar.
Abraão, o grande patriarca, é da Babilônia?
Abrão, que posteriormente passa a ter o nome de Abraão, foi chamado por Deus para sair de Ur dos caldeus, região do primeiro império babilônico, na Mesopotâmia. Os caldeus formaram, mais tarde, o segundo império babilônico, chefiados por Nabopolassar, pai e antecessor de Nabucodonosor. E hoje é a região do Iraque.
a FECHANDO A TRILHA
Os planos traçados de modo independente de Deus certamente não terão bom resultado e consequência. Por isso, é importante dependermos de Deus, pois ele é quem conduz toda a História.
A Descendência de Sem
10 Este é o registro da descendência de Sem: Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou a Arfaxade. 11 E depois de ter gerado Arfaxade, Sem viveu 500 anos e gerou outros filhos e filhas.
12 Aos 35 anos, Arfaxade gerou Salá. 13 Depois que gerou Salá, Arfaxade viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.b
14 Aos 30 anos, Salá gerou Héber. 15 Depois que gerou Héber, Salá viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.
16 Aos 34 anos, Héber gerou Pelegue. 17 Depois que gerou Pelegue, Héber viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas.
18 Aos 30 anos, Pelegue gerou Reú. 19 Depois que gerou Reú, Pelegue viveu 209 anos e gerou outros filhos e filhas.
20 Aos 32 anos, Reú gerou Serugue. 21 Depois que gerou Serugue, Reú viveu 207 anos e gerou outros filhos e filhas.
22 Aos 30 anos, Serugue gerou Naor. 23 Depois que gerou Naor, Serugue viveu 200 anos e gerou outros filhos e filhas.
24 Aos 29 anos, Naor gerou Terá. 25 Depois que gerou Terá, Naor viveu 119 anos e gerou outros filhos e filhas.
a 11.10 Gerar pode ter o sentido de ser ancestral ou predecessor; também nos versículos 11-25.
b 11.12,13 A Septuaginta diz Aos 35 anos, Arfaxade gerou Cainã. 13Depois que gerou Cainã, Arfaxade viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas, e então morreu. Aos 130 anos, Cainã gerou Salá. Depois que gerou Salá, Cainã viveu 330 anos e gerou outros filhos e filhas. Veja Gn 10.24 e Lc 3.35,36.
26 Aos 70 anos, Terá havia gerado Abrão, Naor e Harã.
27 Esta é a história da família de Terá: Terá gerou Abrão, Naor e Harã. E Harã gerou Ló. 28 Harã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai. 29 Tanto Abrão como Naor casaram-se. O nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca; esta era filha de Harã, pai de Milca e de Iscá. 30 Ora, Sarai era estéril; não tinha filhos.
31 Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, mulher de seu filho Abrão, e juntos partiram de Ur dos caldeus para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.
32 Terá viveu 205 anos e morreu em Harã.
12O
Chamado de Abrão
Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
2 “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. 3 Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.
4 Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. 5 Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chegaram.
6 Abrão atravessou a terra até o lugar do carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época, os cananeus habitavam essa terra.
a ABRINDO O NAVEGADOR
Até o capítulo 11, o livro de Gênesis trata da história inicial da humanidade. A partir deste capítulo, o texto narra o plano de redenção de Deus na história humana. Deus convida Abrão a fazer uma viagem, mas Abrão não sabe para onde. Imagine Abrão, aos 75 anos, levando sua família, seus bens e seus servos numa rota sem mapa. O interessante é que Deus chama Abrão para essa aventura, mas estabelece uma aliança muito especial com ele, prometendo terra, descendência e bênção. Então, Deus ordena, e Abrão vai. Mas, ao chegar à terra prometida, ele enfrenta uma grande fome. Abrão confiou em Deus e deixou tudo para trás e, de repente, a estabilidade que ele tinha na Mesopotâmia começa a correr grande risco. A ameaça ao cumprimento da palavra de Deus começa a se estabelecer. Então, ele vai para o Egito, porque a fome era rigorosa. Como Sarai, esposa de Abrão, é muito bonita, ele tem receio de os egípcios o matarem para tomar sua mulher; por isso, ele pede para Sarai mentir. No Egito, quase perde a sua esposa para o faraó, mas o S enhor impede isso, atingindo toda a corte com graves doenças.
Deus prometeu a Abrão lhe dar descendência e diz que todos os povos da Terra seriam abençoados por meio dele. Mas como é possível ser um grande povo sem ter filhos? A promessa é ameaçada novamente: primeiro, a fome, e agora há o risco de não haver descendente, caso sua esposa fosse tomada como mulher pelo faraó.
Mas Deus interfere, mostrando que não importam os problemas e as ameaças que surgem, ele fará com que sua palavra se cumpra. Nem sempre essa palavra se cumpre imediatamente. Nem sempre está de acordo com as expectativas humanas. É impressionante ver que o plano de Deus é muito maior: ele não tinha em vista apenas Abrão, mas um grande povo, que é Israel; e o nome de Abrão, ou Abraão, se torna famoso, pois ele é o pai dos cristãos, o pai da fé, o pai das tradições judaica e islâmica, e, mais do que isso, por meio de Abraão todos os povos da Terra são abençoados. Pela graça, Deus transforma um pagão idólatra da Mesopotâmia num grande homem de fé, para que, de sua linhagem, surja o Messias, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
a RECALCULANDO A ROTA
Não pareceu loucura Abrão sair da sua terra com todas suas riquezas alegando ter ouvido um chamado? Isso se aplica hoje?
Abrão tinha plena convicção de que Deus o havia chamado. Não há detalhes no texto bíblico sobre quais foram os meios utilizados, se Deus falou com ele em seu coração ou foi em voz plenamente audível. Mas Abrão possuía fé absoluta no Deus que o chamou, e vemos o S enhor agindo durante todo o processo, conduzindo a situação. Mas hoje, temos que tomar cuidado para não sermos irresponsáveis, fugindo de dificuldades, dizendo que foi Deus que mandou. Deus age de modo único na vida de cada um. Não podemos tomar a história de Abrão como regra para todos.
Se Deus chamou Abrão, por que ele enfrentou tantas dificuldades?
O caminho de Deus não se mostra sempre de maneira suave. Também no texto do Novo Testamento vemos, por exemplo, Paulo, chamado por Deus, enfrentando muitos problemas. Isso nos mostra que o direcionamento de Deus na vida de seus servos pode ser marcado por lutas e dificuldades também. É importante entendermos isso, pois temos a tendência de avaliar Deus por produtividade, como se tudo que é de Deus tenha que dar certo do nosso ponto de vista.
Abrão, o pai da fé, mentiu no Egito?
Mais adiante no texto, vemos que Abrão diz que Sarai tem parentesco com ele (Gn 20.12). No entanto, ele mentiu, passando uma impressão incorreta para o faraó, dando a entender que Sarai não era sua mulher, e, portanto, faraó e os homens da corte agiram inocentemente, acreditando que Sarai era uma mulher solteira, mas eles foram impedidos por Deus de tocá-la. Abrão agiu de modo incorreto. E muita gente fica confusa com isso. O nosso raciocínio está errado. Deus não abençoou Abrão por causa da mentira, mas apesar da mentira. Mentir continua sendo errado, mas pela sua graça, Deus nos abençoa mesmo sendo nós frágeis e pecadores.
a FECHANDO A TRILHA
Não deposite sua fé em coisas passageiras, mas faça como Abraão, que depositou sua fé e esperança plenamente em Deus, foi abençoado e tornou-se bênção para as nações.
7 O Senhor apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido. 8 Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor. 9 Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.
Abrão no Egito
10 Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.
11 Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita. 12 Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva. 13 Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”.
14 Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.
15 Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.
16 Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.
17 Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão. 18 Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher? 19 Por que disse que era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá!”
20 A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse com sua mulher e com tudo o que possuía.
Desavença entre Abrão e Ló
Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e Ló foi com ele. 2 Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.
3 Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente 4 e onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.
5 Ló, que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas. 6 E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los. 7 Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló. Nessa época os cananeus e os ferezeus habitavam aquela terra.
8 Então Abrão disse a Ló: “Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos! 9 Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda”.
10 Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra. 11 Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao leste. Assim os dois se separaram: 12 Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale. 13 Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor.
A Promessa de Deus a Abrão
14 Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: “De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: 15 toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre. 16 Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência. 17 Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.
PARADA OBRIGATÓRIA
Zigurates
Os zigurates eram uma espécie de pirâmide escalonada, que foram inicialmente construídos pelos sumérios a partir da metade do 4º milênio a.C. Eram construções feitas de tijolos cozidos que se elevavam e possuíam rampas e escadarias. No alto dessa pirâmide, com seus degraus, estava um templo onde os sacerdotes faziam seus rituais e oferendas aos deuses. Os zigurates também foram edificados por acadianos, eblitas, babilônios e assírios. A ideia é que eram templos que permitiam algum tipo de acesso aos céus. A tradição religiosa mesopotâmica também se preocupava com o papel dos astros e sua influência mística na vida da Terra. Havia, portanto, uma mescla de astrologia e astronomia, o que permitia interpretações religiosas dos corpos celestes. Um majestoso zigurate foi encontrando em Ur, cidade de onde procede Abrão (Gn 11.27-31). Muitos estudiosos, em função das descobertas arqueológicas, entendem corretamente que o relato da Torre de Babel em Gênesis 11 evoca o cenário de um zigurate, já que os antigos imaginavam alcançar os céus nessas pirâmides-torres. É muito possível também que o conhecido sonho da escada de Jacó (Gn 28) tenha em vista um enfoque semelhante.
18 Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.
14Abrão
Socorre Ló
Naquela época, Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, 2 foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar. 3 Todos esses últimos juntaram suas tropas no vale de Sidim, onde fica o mar Salgado a . 4 Doze anos estiveram sujeitos a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.
5 No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que a ele tinham-se aliado derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã, os emins em Savé-Quiriataim 6 e os horeus desde os montes de Seir até El-Parã, próximo ao deserto. 7 Depois, voltaram e foram para En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e dos amorreus que viviam em Hazazom-Tamar.
8 Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá, que é Zoar, marcharam e tomaram posição de combate no vale de Sidim 9 contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Arioque, rei de Elasar. Eram quatro reis contra cinco. 10 Ora, o vale de Sidim era cheio de poços de betume e, quando os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram, alguns dos seus homens caíram nos poços e o restante escapou para os montes. 11 Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram. 12 Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.
13 Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu, que vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu. Manre e os seus irmãos b Escol e Aner eram aliados de Abrão.
14 Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até Dã. 15 Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os
b 14.13 Ou parentes; ou ainda aliados
Zigurate de Ur (Eridu, Iraque). Cerca de 2000 a.C.
BRIGA DE FAMÍLIA: ISSO É QUE É PROBLEMA!
a ABRINDO O NAVEGADOR
Abrão saiu do Egito e foi para a região sul de Canaã, no deserto do Neguebe, com sua mulher e tudo que possuía. Abrão prosperou, mas nunca esqueceu sua relação com Deus. Depois de edificar um altar ali, ele invoca o nome do S enhor . Abrão e Ló possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los; então surge um conflito entre eles. Uma briga dessas poderia significar o fim de tudo, mas a palavra divina vai continuar a sustentar sua promessa. Abrão faz uma proposta a Ló, permitindo que ele escolha primeiro onde ficar. E Ló toma sua decisão com base naquilo que vê, nos atrativos da terra que se apresentam diante dos seus olhos e vai viver na região de Sodoma, onde os homens eram extremamente perversos. Mas Abrão baseia-se na fé, na palavra divina. A promessa de Deus está viva; as ameaças externas e internas não fazem com que os planos de Deus sejam frustrados na vida do patriarca Abrão.
a RECALCULANDO A ROTA
O que havia de errado na atitude de Ló em ter tomado uma decisão com base no que viu?
Tomar decisões com base no que vemos significa que agimos de acordo com nossa vontade e força própria, de modo independente de Deus. Ló agiu de acordo com seu desejo, sem consultar o S enhor . Em nenhum momento, Ló levantou um altar para adorar a Deus, diferentemente de Abrão. As decisões tomadas de acordo com a direção do S enhor resultarão em bênção, enquanto decisões tomadas à revelia de Deus podem trazer graves consequências. Não podemos basear nossa vida naquilo que vemos, pois, quando dirigimos a vida a partir do brilho que os olhos recebem, perdemos o foco, à semelhança de Ló. É um drama que vivemos hoje, numa civilização do olhar superficial, onde a aparência na mídia é mais importante que o seu conteúdo ou o seu real valor.
Se aparentemente Ló conhecia o Senhor e o chamado de Abrão, por que foi morar próximo a Sodoma? Ló optou em ir para Sodoma, dando preferência a viver num ambiente hostil ao Senhor, pois a sua prioridade não era se aprofundar no conhecimento do Deus de Abrão. O texto do capítulo 19 informa que Ló se encontrava numa posição importante, na porta da cidade, ou seja, ele prosperou e cresceu financeiramente em Sodoma. Em contrapartida, Ló e sua família sofreram grande prejuízo espiritual, negociando valores eternos e espirituais por valores puramente transitórios e humanos.
Por que Deus às vezes demora em abençoar?
Porque a lógica de Deus não é como a nossa. Deus sabe que a grande bênção é a mudança do nosso modo de pensar, dos nossos valores, das nossas perspectivas e da nossa dependência dele. Deus demora intencionalmente, porque o seu plano para nós não é tanto de mudar as circunstâncias, mas de mudar a nós mesmos.
Em meio às dificuldades e problemas mencionados no texto, Satanás ou a serpente não foram citados. Por quê? O principal agente na história não é Satanás, mas Deus. O Diabo é apenas uma criatura, um anjo caído e só pode agir dentro dos parâmetros estabelecidos por Deus. Além disso, grande parte dos problemas e dificuldades enfrentados pelo homem são resultados de suas próprias ações. Por isso, o Diabo não é citado na maioria dos textos bíblicos.
Quais os limites da terra prometida a Abrão?
De acordo com o texto, esses limites se estendem desde o mar Mediterrâneo até o rio Eufrates. Os estudiosos sugerem que isso está próximo ao limite máximo que a nação de Israel alcançou no reinado de Davi. Se pensarmos em Israel como a nação que, ainda hoje, é alvo das promessas de Deus, dentro do contexto do Cristianismo, é possível que essa terra venha a ser da nação de Israel no futuro. Mas se há aqui uma dificuldade hermenêutica, cabe a Deus agir e realizar isso adequadamente. A Igreja deve orar por Israel e pelas nações árabes, pois Deus certamente quer atingir tanto um quanto o outro com o evangelho de Cristo.
a FECHANDO A TRILHA
Não fique desanimado diante dos problemas e conflitos, pois Deus, em sua soberania, permite tudo para nosso amadurecimento e própria bênção.
derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao nortea de Damasco. 16 Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, com as mulheres e o restante dos prisioneiros.
Melquisedeque
Abençoa Abrão
17 Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.
18 Então Melquisedeque, rei de Salémb e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho 19 e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criadorc dos céus e da terra. 20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.
21 O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.
22 Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao Senhor, o Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro 23 que não aceitarei nada do que pertence a você, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci Abrão’. 24 Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.
15A Aliança de Deus com Abrão
Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!”
2 Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?”
a 14.15 Hebraico: à esquerda.
b 14.18 Isto é, Jerusalém.
c 14.19 Ou Dono; também no versículo 22.
3 E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!”
4 Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”. 5 Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”.
6 Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.
7 Disse-lhe ainda: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para dar a você esta terra como herança”.
8 Perguntou-lhe Abrão: “Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela?”
9 Respondeu-lhe o Senhor: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”.
10 Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou. 11 Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.
12 Ao pôr do sol, Abrão foi tomado de sono profundo, e eis que vieram sobre ele trevas densas e apavorantes. 13 Então o Senhor lhe disse: “Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos.
14 Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens. 15 Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice. 16 Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa”.
17 Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais. 18 Naquele dia, o Senhor fez a seguinte aliança com Abrão: “Aos seus descendentes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufrates:
DOIS ENCONTROS EMOCIONANTES
a ABRINDO O NAVEGADOR
Há uma guerra de quatro reis contra cinco, e entre estes últimos se encontra o rei de Sodoma. Essa guerra traz sérias dificuldades a Sodoma e seus aliados, que são derrotados e têm todos seus bens saqueados. E Ló também é levado como prisioneiro com todos seus bens. O que significa isso? A expectativa de Ló é frustrada: ele esperava sucesso, pois fez a escolha pela perspectiva humana, pela beleza da paisagem. E apesar de ter dado prioridade de escolha a Ló, Abrão está tranquilo, pois sua vida é dirigida pela palavra e promessa divina. Ele ouve que seu sobrinho foi levado prisioneiro. Então, convoca 318 homens e sai em perseguição aos inimigos até Dã, resgatando Ló, os demais prisioneiros e todos os bens saqueados.
Quando volta dessa vitória, acontece algo surpreendente: Abrão tem um encontro repentino com Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que o abençoa. Esse fato surge de maneira inesperada no texto, sugerindo que o encontro foi igualmente inesperado. Melquisedeque é uma pessoa diferente e surpreendente, que não tem definição clara de onde veio, mas sabemos que ele conhece muito sobre Deus e Abrão aceita sua bênção. Vale a pena lembrar o fato de que se trata de um contexto em que só Abrão conhece a Deus, pois Deus apareceu a Abrão no ambiente idólatra na Mesopotâmia, chamando-o para a obra da redenção histórica. E Melquisedeque provavelmente é um sacerdote da região de Canaã. Então, como ele conhece a Deus? Deus se revela muito além do que podemos imaginar. Deus se revela e comprova seu poder na natureza (Rm 1.19, 20) e no ser humano (Cl 1.15). Deus está presente na história humana, na cultura (At 17). Melquisedeque é citado novamente no capítulo 7 na carta aos Hebreus, onde se afirma que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e não segundo a linhagem de Arão, como é esperado. O texto mostra que quem se dirige por princípios meramente humanos encontra frustração, mas aquele que permanece esperando na palavra divina será abençoado pelo Deus Todo-poderoso.
a RECALCULANDO A ROTA
Sempre houve guerras no mundo?
Apesar de muitos acharem que as guerras no mundo estão relacionadas com fatores externos, podemos ver as disputas até em obras como O Senhor das Moscas, em que um grupo de meninos perdidos numa ilha deserta acabam em guerra entre eles, sem nenhuma influência externa, seja tecnológica seja social, pois as guerras têm relação direta com o pecado humano. Desde os estágios iniciais da humanidade, houve guerras e disputas pelas mais variadas razões, pois o problema está no pecado que permeia os diversos aspectos do ser humano.
Abrão reúne 318 valentes (v. 14). Por que esse número? Ele tem algum significado?
Existe uma tendência de se desenvolver uma numerologia mística evangélica, ou religiosa, em torno do texto bíblico. Os números da Bíblia têm função literária em alguns contextos; quer dizer que podem ter um significado específico, como o “7” em Apocalipse e o “10” em Gênesis têm o sentido de completude, enquanto em outros textos, são simplesmente uma referência histórica. Abrão simplesmente fez a contagem dos seus homens e chegou a 318 homens preparados para a guerra. O problema é que algumas pessoas vão além do que o texto diz, acreditando que o número em si pode de alguma forma dar sorte ou trazer bênção. Esse conceito vai de encontro a tudo o que a Bíblia diz a respeito da dependência de Deus.
Quem era Melquisedeque? Como podemos entendê-lo? Ele era salvo?
Provavelmente Melquisedeque é do contexto cananeu. Alguns ali sabiam que existia um Deus acima dos outros deuses, por isso fala-se do Deus Altíssimo. Devemos lembrar que todos são descendentes de Noé, e têm na história da cultura a ideia de um Deus verdadeiro, que foi se perdendo aos poucos. Mas, se ele era salvo ou não, isso permanece um mistério não respondido, pois não sabemos exatamente até onde ele conhecia a Deus. É importante destacar que o texto quer mostrar que Deus é conhecido além do que podemos imaginar. Melquisedeque, mesmo não sendo do povo da aliança, conhece a Deus, e como ele, muitos povos sabem sobre Deus, e quando ouvem o evangelho, têm em sua cultura
uma ponte com a mensagem do evangelho, pelo testemunho de Deus deixado na cultura através da história. Mas essas pessoas precisam ouvir sobre Cristo, porque sem Cristo ninguém pode ter a salvação.
a FECHANDO A TRILHA
Lembre-se: faça as escolhas conforme os princípios de Deus, sem confiar em seus olhos, e será abençoado. E a própria natureza, por meio das coisas que foram criadas, dá testemunho de Deus. Então, compartilhe o evangelho de Cristo, sem medo.
19 a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus, 20 dos hititas, dos ferezeus, dos refains, 21 dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus”.
16O Nascimento de Ismael
Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar, 2 disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai. 3 Quando isso aconteceu, já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, lhe entregou sua serva egípcia Hagar.
PARADA OBRIGATÓRIA
4 Ele possuiu Hagar, e ela engravidou. Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora. 5 Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
6 Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.
7 O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur, 8 e perguntou-lhe: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai?” Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.
Porta Cananita
Também conhecida como Porta de Abraão, localizada nas ruínas de Tel Dan, ao norte de Israel. Descoberta em 1979, essa porta da época do bronze, é do período cananita, tendo sido parte da cidade de Dã, por volta do século 18 a.C. Essas portas eram fundamentais para as cidades antigas para garantir a segurança dos seus habitantes. No caso de Tel Dan, trata-se da porta de cidade mais antiga do mundo já encontrada, feita de tijolos de barro. Essa porta era composta de três arcos, edificados justapostos muito antes dos “arcos romanos”, que muito depois seguiram o mesmo estilo. A relação da porta da cidade com Abraão é decorrente da descrição de Gênesis 14.14 que afirma que o conhecido patriarca “perseguiu os inimigos até Dã”, na ocasião da libertação de seu sobrinho Ló. Pela avaliação cronológica e pelo relato bíblico, Abraão conheceu essa cidade, com essa porta incrivelmente preservada até hoje. A cidade de Dã recebe outros nomes na ocasião da conquista e estabelecimento dos israelitas em Canaã. Foi chamada Lesém (Js 19.47) e de Laís (Jz 18.29).
Porta Cananita
O DEUS QUE GARANTE: O CONTRATO FOI ASSINADO
a ABRINDO O NAVEGADOR
O tempo está passando, e Abrão não tem perspectiva muito clara de como Deus cumprirá a promessa de dar-lhe descendência, pois, até este momento, ele ainda não gerou um filho. Mas o Senhor fala a Abrão numa visão, dizendo a ele que não tenha medo, pois ele está inseguro. Abrão expressa sua dúvida e angústia pelo fato de o Senhor ainda não lhe ter dado um filho. A dúvida no coração humano começa a abrir espaço para que o homem faça a promessa divina se cumprir por meio da própria força, que neste caso seria por meio do seu servo Eliézer. Mas o Senhor responde que este não seria o caminho do cumprimento da promessa, mas sim o filho gerado pelo próprio Abrão.
O versículo 6 deste capítulo é considerado um dos mais importantes textos do Antigo Testamento citados no Novo Testamento (Rm 4.3): “Abrão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça”. Nesse texto, destaca-se o princípio da fé, pois Abrão coloca toda a sua esperança e expectativa na palavra do Senhor . Deus pede a Abrão que traga alguns animais para o sacrifício. Em hebraico, a expressão utilizada para se fazer uma aliança é literalmente “cortar a aliança”. Quando alguém fazia uma aliança no Antigo Testamento, esta possuía o valor de um contrato entre as duas partes, e, por isso, para que esse contrato fosse firmado entre as duas partes, cortava-se o animal ao meio. O texto apresenta a aliança entre Deus e Abrão, como resposta de Deus ao questionamento feito por Abrão. Após atender ao ordenado pelo Senhor, Abrão é tomado de um sono profundo, e Deus se faz presente aqui de um modo estranho, por meio de um fogareiro esfumaçado, como uma tocha acesa, que passa por entre os pedaços dos animais. Isto quer dizer que apenas o Senhor passa por entre os animais cortados, o que significa que a aliança é incondicional, pois o próprio Deus garante plenamente o cumprimento do que prometeu. Mas que modo estranho de Deus fechar o contrato! Trevas densas e apavorantes vêm sobre Abrão. Percebemos aqui que as trevas são o contexto da manifestação extraordinária da presença de Deus. Deus é grandioso, poderoso e completamente transcendente, o que produz o temor no coração humano, uma reverência profunda e um sentimento de fragilidade diante da grandiosidade do Deus Todo-poderoso. Mas esse mesmo Deus se manifesta e diz a Abrão que está no controle da história, e faz questão de mostrar a garantia de cumprimento de sua promessa. Que extraordinário!
Conforme o texto, a aliança envolve a extensão de terra desde o ribeiro do Egito até o rio Eufrates. Essa dimensão da terra é alcançada nos dias dos reinados de Davi e Salomão. O Senhor que faz a promessa, garante o seu pleno cumprimento.
a RECALCULANDO A ROTA
Abrão é chamado “o hebreu”. De onde vem esse termo?
A arqueologia e os estudos mais recentes mostram que, naquela época, muitos saíram da região da Mesopotâmia em direção à região de Canaã. Abrão é alguém especialmente enviado por Deus. O termo “hebreu”, em hebraico, é ‘ivri, relacionado ao nome “Héber” (10.21), e o seu radical está relacionado com a palavra ‘avar, que é um verbo que significa “passar”, “atravessar”. O termo “hebreu” significa “aquele que atravessou o rio”, ou seja, atravessou o rio Eufrates. É semelhante a dizer “o imigrante”, pois Abrão era conhecido em função da sua jornada, de quem saiu da Mesopotâmia e chegou à terra de Canaã. Esse nome, posteriormente, foi usado para se referir aos descendentes de Abrão, os hebreus.
Que fé é essa de Abraão, que tem medo, dúvidas e passa por conflitos?
Precisamos ter a compreensão certa sobre a fé, que tantas vezes nasce da dúvida. Quem crê sem crise ou conflito pode ter uma crença rasa ou nunca creu de verdade. No Novo Testamento, vemos o caso de Tomé, que duvida, mas não sofre repreensão de Jesus (Jo 20). O questionamento e dúvida são parte do desenvolvimento da fé.
O que significa “porque a maldade […] ainda não atingiu a medida completa” (v. 16)?
Duas coisas importantes são consideradas aqui. A primeira é o controle soberano de Deus na história, e a segunda é a justiça divina, pois, quando a maldade passa de certo ponto, torna-se inaceitável. O texto afirma que Deus castigará a nação à qual os descendentes de Abrão servirão como escravos (v. 14); portanto, Deus está no controle de tudo. Quando o pecado chegava a um ponto que ameaçava a sobrevivência da humanidade, Deus intervinha poderosamente com
sua justiça. Quando o povo de Israel conquistou os amorreus, Deus utilizou o exército de Israel como julgamento sobre aqueles povos, porque sua maldade havia chegado a um ponto máximo. Assim como Deus fez uso do Dilúvio e de fogo sobre Sodoma e Gomorra, também usou as batalhas para que a maldade não chegasse a um ponto insuportável. Na verdade, ao exercer seu juízo, Deus manifesta sua misericórdia para a preservação da humanidade.
No livro de Gênesis é bom vermos o Deus da misericórdia, da força, dos milagres. Mas qual a importância de sabermos que Deus é terrível, que ele assusta?
Deus é terrível e provoca no coração humano uma experiência muito importante: o temor. Esse temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Essa relação nos leva a entender quem é Deus, qual é o nosso lugar. Isso, por consequência, nos leva a ter o devido cuidado perante a vida, com princípios sadios e benéficos. Então, esse temor espiritual é a condição para que o ser humano desenvolva uma espiritualidade sadia importante para o coração e se relacione com Deus de modo adequado.
a FECHANDO A TRILHA
Desenvolva o temor do Senhor no coração, para que conduza sua vida de modo adequado e seja de fato abençoado.
9 Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Volte à sua senhora e sujeite-se a ela”. 10 Disse mais o Anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.
11 Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: “Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento.
12 Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidadea contra todos os seus irmãos”.
13 Este foi o nome que ela deu ao Senhor, que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê?” 14 Por isso o poço, que fica entre Cades e Berede, foi chamado Beer-Laai-Roib .
15 Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael. 16 Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.
17A Circuncisão: O Sinal da Aliança
Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus todo-poderosoc ; ande segundo a minha vontade e seja íntegro. 2 Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.
a 16.12 Ou defronte de todos
b 16.14 Isto é, poço daquele que vive e me vê.
c 17.1 Hebraico: El-Shaddai.
3 Abrão prostrou-se com o rosto em terra, e Deus lhe disse: 4 “De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações. 5 Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraãod , porque eu o constituí pai de muitas nações. 6 Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis. 7 Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes. 8 Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.
9 “De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes. 10 Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne. 11 Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês. 12 Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês. 13 Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua. 14 Qualquer
O ATALHO QUE NÃO LEVA AO LUGAR CERTO
a ABRINDO O NAVEGADOR
Sarai ainda não tem filhos e decide resolver a situação, oferecendo sua serva egípcia, Hagar, a Abrão, para que tivesse descendência por meio dela. É uma tentativa humana de encontrar um atalho para “ajudar” Deus fazer as coisas funcionarem. Afinal, já faz quase 11 anos que Deus fez a promessa e Abrão já está com 86 anos. Na língua hebraica, há palavras diferentes para se referir a “serva” e a “escrava”; a palavra utilizada nesse texto significa que Hagar era serva de Sarai, e não de Abrão.
Embora a proposta de Sarai nos pareça estranha, deve-se considerar o contexto cultural da época. A lei da época prescrevia que a mulher estéril deveria oferecer sua serva ao marido, para que ele tivesse descendentes. A atitude de Sarai, porém, demonstra falta de fé na promessa de Deus. E Abrão cede ao pedido de Sarai. Mas, quando Hagar se vê grávida, passa a desprezar sua senhora, porque ela se sente mais mulher do que Sarai, já que engravidar era tão importante naquela época. E a partir daí os problemas só se agravam. E quando Sarai queixa-se a Abrão, ele simplesmente diz que a responsabilidade é toda dela. Então Sarai maltrata tanto Hagar que ela foge. Deus deveria ter ficado indignado com a falta de fé e punir os responsáveis por toda essa confusão, mas não é isso que ele faz. Não há recriminação, nem uma só palavra de condenação. Há uma espécie de silêncio no texto, e vemos a manifestação da bondade e misericórdia de Deus. Ele busca Hagar e lhe diz que retorne à sua senhora e se sujeite a ela, e ainda promete multiplicar tanto seus descendentes que não se poderá contar. E Ismael, filho de Hagar, veio a ser o pai de todos os povos árabes que habitam na região do Oriente Médio. O Senhor diz a Hagar que os descendentes de Ismael viverão em hostilidade contra todos os seus irmãos, fato que tem sido observado ao longo da história, inclusive em relação aos descendentes de Abrão, por meio de Isaque. A manifestação especial de Deus leva Hagar a reconhecer que Deus é o Deus que vê. Mesmo que Sarai tenha tentado pegar um atalho para os caminhos divinos, comprova-se que esse atalho não leva ao lugar certo e Deus está no controle de tudo.
a RECALCULANDO A ROTA
A história de Hagar é estranha para o pensamento de hoje. Por que Sarai pediu a Abrão que tivesse um filho com Hagar, sua serva?
O código de leis da época prescrevia que a mulher estéril deveria oferecer sua serva ao marido para que ele tivesse descendentes por meio dela. Essa atitude era considerada um ajuste na sociedade, para que o nome de uma família ou de um clã não se perdesse por falta de descendentes. Sarai era estéril e por isso entregou sua serva ao marido para que ela pudesse ter filhos em seu lugar. O texto apenas narra a conduta de Sarai baseada nos costumes da época, mas não está afirmando que esta é uma atitude aprovada ou ordenada por Deus. A atitude de Sarai foi um sinal de incredulidade e de infidelidade, e os resultados foram desastrosos; trouxe conflito no núcleo familiar e sofrimento a Abrão.
Há quem diga que os árabes não são tão abençoados quanto os judeus. Isso é verdade?
Sendo o criador dos céus e da terra, Deus não tem nenhuma nacionalidade e está acima das nações. Vimos no capítulo 11 de Gênesis que as nações surgiram da confusão humana na torre de Babel. Quando Deus escolheu Abrão e formou o povo de Israel, foi com o propósito de cumprir a sua promessa que tinha a finalidade de abençoar todos os povos da Terra e de trazer a redenção. Geralmente, os árabes estão associados aos mulçumanos, o que não é verdade, pois sabemos que somente 15% dos mulçumanos são árabes e que nem todos os árabes são mulçumanos. Por causa dos problemas do Oriente Médio, muitas pessoas imaginam que os árabes são um povo que está em guerra contra Deus, contra a Bíblia e contra todo o mundo. Deus não aprova nenhum tipo de racismo ou de favorecimento injusto de qualquer etnia, mas ama os árabes, e a prova é esse texto, no qual Deus abençoou Hagar e disse que Ismael foi dado por Deus. Portanto, nós não podemos ter nenhuma atitude preconceituosa e problemática contra o povo árabe. Já vimos que o racismo contra os negros não tem nenhum fundamento bíblico e agora também estamos vendo que o preconceito e a rejeição aos árabes, como se eles tivessem alguma associação com o mal, não tem fundamento nas Escrituras. Deus
ama todos os povos e o evangelho de Cristo se estende a todos.
Por que Deus fez Abrão esperar tanto tempo pelo cumprimento da promessa? As promessas de Deus trazem direção, mas se cumprem no tempo de Deus. Abrão caminhou com base nas promessas de Deus. Ao longo do tempo de espera, o Senhor reforçava as promessas, para que a fé de Abrão não desfalecesse. O texto bíblico não é claro quanto ao motivo da demora no cumprimento das promessas, mas Abrão foi totalmente movido por elas. E enquanto Abrão esperava, Deus desenvolvia nele o caráter aprovado e a fé.
a FECHANDO A TRILHA
O “jeitinho” e atalho humanos causam muita confusão e sofrimento. Mas a misericórdia de Deus é tão extraordinária que perdoa nossas falhas e reconstrói a nossa história.
do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.
15 Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara a 16 Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos”.
17 Abraão prostrou-se com o rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar um filho? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?” 18 E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro!b ”
19 Então Deus respondeu: “Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque c . Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes. 20 E, no caso de Ismael, levarei em conta o seu pedido. Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo. 21 Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara dará a você no ano que vem, por esta época”. 22 Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.
23 Naquele mesmo dia, Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe
a 17.15 Sara significa princesa
b 17.18 Hebraico: Que Ismael viva na tua presença!
c 17.19 Isaque significa ele riu.
ordenara. 24 Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado, 25 e seu filho Ismael tinha treze; 26 Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia. 27 E com Abraão foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.
18Deus
Promete um Filho a Abraão
O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.
2 Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até o chão.
3 Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada. 4 Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore. 5 Vou trazer a vocês também o que comer, para que recuperem as forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo”. “Está bem; faça como está dizendo”, responderam.
6 Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas d da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.
7 Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo. 8 Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu.
d 18.6 Hebraico: 3 seás. O seá era uma medida de capacidade para secos. As estimativas variam entre 7 e 14 litros.
O FECHAMENTO DO CONTRATO
GÊNESIS 17 E 18A
a ABRINDO O NAVEGADOR
Abrão já está com 99 anos de idade. Quando Deus fez a promessa, ele estava com 75 anos. Passaram-se então 24 anos desde a promessa divina. O texto bíblico diz que o Senhor se apresenta novamente diante de Abrão, trazendo um complemento da aliança já estabelecida. O texto traz agora as expressões “de minha parte” e “de sua parte”. Diferente do que é apresentado no capítulo 15, aqui a aliança é bilateral, isto é, tem duas partes, conforme o modelo de contrato que se fazia no Antigo Oriente Próximo. Então, há um compromisso condicional, no qual Abrão e os seus descendentes devem se consagrar e ter lealdade a Deus para que essa aliança tenha o efeito pleno. O Senhor prometeu a Abrão que ele dará origem a muitos povos, e, para concretizar a aliança, o seu nome é mudado para Abraão, porque ele passa a ser chamado de pai de muitas nações. Abraão se tornará muito fértil, prolífero, dará origem a várias nações, e essa aliança se estenderá a seus descendentes. Mas a ordem divina para fechamento deste contrato é que todos do sexo masculino da casa de Abraão deverão ser circuncidados com oito dias de vida, como sinal da aliança. Sarai também tem seu nome mudado e passa a chamar-se Sara. É impressionante que depois de tudo isso, Abraão ainda questiona a Deus, perguntando se ainda será possível que eles tenham um filho em idade tão avançada e pede ao Senhor que permita que Ismael seja seu herdeiro. Será que Deus está atrasado? Como a fé humana é frágil! Deus reitera a aliança do filho de Sara, confirmando a data para dali a um ano. Abraão então circuncida todos os meninos, jovens do sexo masculino e homens que pertenciam à sua comunidade patriarcal. No capítulo 18, o Senhor volta a se apresentar a Abraão, ratificando a promessa. Apesar de toda dúvida decorrente da fragilidade humana, Deus mantém sua palavra e ratifica sua aliança. Em sua graça, poder e soberania, Deus leva adiante o seu propósito, para que sua vontade se estabeleça na vida dos patriarcas e na vida do povo de Deus.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que Deus instituiu a circuncisão?
A circuncisão era conhecida naquele contexto, pois alguns outros povos praticavam um ritual semelhante. Essa prática surgiu porque as culturas antigas, de um modo geral, davam muito valor ao que fosse relacionado com a vida e com a morte. Como o nascimento – o surgimento da vida – ocorre por meio do envolvimento sexual, havia a ideia de que, no órgão de procriação masculino, está um centro de vida. A circuncisão é, então, uma consagração e sempre teve essa conotação religiosa dentro do contexto cultural de Israel.
Os três homens que visitaram Abraão eram a Trindade?
A Trindade é uma realidade, mas não é apresentada de forma clara no Antigo Testamento. Não se pode afirmar que o texto apresenta a Trindade aqui, pois isso implicaria diversas questões teológicas; a interpretação mais provável é que, entre eles, estava o Senhor, o que chamamos de teofania, acompanhado de dois anjos. Muitos estudiosos sugerem que essa aparição divina de maneira mais concreta era Jesus Cristo, uma cristofania. Deus abençoa Abraão e Sara apesar de sua incredulidade?
A verdade é que não existe um ser humano que tenha uma fé perfeita; logo, toda fé é fragilizada. Isso possui um valor muito grande, porque imaginamos que só poderemos servir a Deus quando formos dignos, mas nem Abraão e Sara tinham como despir-se de sua humanidade. Eles eram frágeis e tiveram medo, porque a promessa que receberam ia além do entendimento humano. A dúvida natural não merece elogios, mas faz parte do processo do crescimento espiritual, pois a verdadeira fé nasce de um relacionamento com Deus, passa por crises, busca de respostas e comunhão em oração.
a FECHANDO A TRILHA
Não fique triste por se ver frágil e errado. Deus sabe que você é fraco. Mas ele é grandioso e misericordioso. Então, apresente a Deus suas fraquezas e peça perdão, restabeleça a comunhão com o Senhor e volte o coração na direção das Escrituras.
JUSTIÇA E MISERICÓRDIA
a ABRINDO O NAVEGADOR
Deus faz questão de avisar Abraão que as cidades de Sodoma e Gomorra estão prestes a ser destruídas. É interessante observar a comunhão especial que Abraão tem com Deus. Não é possível que o ser humano viva de modo adequado sem uma relação aprofundada com o seu Criador. Mais uma vez, ele está diante da presença divina de modo extraordinário e conversa, intercedendo em favor dessas cidades. Deus sabe de todas as coisas que acontecem no mundo e na nossa vida, porque ele é onisciente; e também, é justo; portanto, é preciso se lembrar do raciocínio bíblico que a maldade humana só pode ir até onde Deus permite, pois há um limite para a paciência e tolerância divinas. E Sodoma e Gomorra atingiram um nível gravíssimo de pecado. Abraão aproxima-se do S enhor e pede misericórdia pelos possíveis justos daquelas cidades. A atitude de Abraão de apresentar a Deus a sua opinião e tentar interferir na ação divina é algo que nos impressiona e nos faz questionar se o S enhor permite tal atitude. Deus é transcendente, grandioso e poderoso, mas também é absolutamente amoroso e ouve a palavra daquele que está em aliança com ele. Abraão fala com Deus, mas o faz com temor, reverência e respeito, e de modo nenhum o afronta. Ele baseia o seu questionamento na própria justiça divina. A atitude de Abraão revela que ele sabe quem é Deus: justo e bondoso. Abraão pergunta ao S enhor se ele destruiria as cidades se encontrasse nelas justos. E Deus não se ira contra Abraão, pois ele permite o questionamento, a reflexão, a análise e a avaliação das coisas. Deus aceita as propostas que Abraão apresenta e responde a cada uma delas. Mas a maldade tomou conta de Sodoma e Gomorra, de modo que não há mais justos habitando nas cidades, senão Ló e seus familiares. O texto do Novo Testamento afirma que, apesar da sua fragilidade, Ló sente duramente a injustiça e a maldade que há em Sodoma (2Pe 2.7).
O S enhor é justo e manifesta a sua misericórdia no coração de Abraão, que cresceu e se desenvolveu com Deus. Essa misericórdia provoca a oração e a intercessão. Abraão intercede com um sentimento que vem de Deus em favor daquelas cidades que estão perdidas no pecado. A intercessão e a oração são absolutamente misteriosas para a mente humana. Quando pensamos em orar, surgem muitas dúvidas, porque o ato de orar muitas vezes não faz sentido para nós. Se Deus é onisciente e onipotente, por que precisamos informá-lo de alguma coisa? Por que deveríamos pedir algo para quem já conhece todas as coisas e sabe como conduzi-las? Naturalmente, Deus poderia dispensar o ser humano da prática da oração. Mas há no coração de Deus a intenção de que sejamos canais da manifestação da bênção divina. A oração e a intercessão têm o poder especial de produzir grandes bênçãos em nossa vida e, ao mesmo tempo, Deus muda as circunstâncias, agindo na história pela intermediação dos seus servos. A oração é um mistério surpreendente: é um dos maiores sinais de espiritualidade e dependência de Deus. Na medida em que uma pessoa ora de verdade, ela desenvolve um relacionamento de qualidade com Deus. Vemos na vida de Abraão e de outras pessoas na Bíblia, que desenvolveram uma fé especial, o fato de que eles cresceram e se modificaram, tornaram-se íntimos de Deus, amigos do S enhor e passaram a possuir o coração de Deus através da prática da oração e da intercessão. Mais do que mudar as circunstâncias, o grande benefício da oração é mudar a nós mesmos, para que nos tornemos mais parecidos com o nosso Deus.
a RECALCULANDO A ROTA
Assim como Deus revelou seu plano a Abraão (v. 17), ele não pode nos contar os seus mistérios também hoje? Muita gente possui o desejo de tomar conhecimento da parte de Deus sobre eventos futuros e também ter proximidade da divindade, acreditando que, se tiver algum conhecimento privilegiado vindo do próprio Deus, estará numa situação diferenciada dos demais. Por que queremos ter informações especiais a respeito do futuro ou de algum mistério? O texto de Deuteronômio 29.29 afirma que as coisas reveladas são para nós e as que estão ocultas são do conhecimento exclusivo de Deus. A razão do nosso desejo de conhecer o futuro está relacionada com o desejo de independência de Deus e de domínio do futuro. De fato, queremos ser como Deus. Mas o conhecimento e o domínio do futuro pertencem ao Senhor . Em certos momentos, por razões relacionadas ao seu plano de redenção da humanidade, o Senhor trouxe revelações a seus servos com determinadas finalidades.
Segundo Ezequiel 16.49, o pecado social de Sodoma foi a exploração e opressão dos pobres. Essa foi a causa da destruição das duas cidades ou havia algo mais?
O pecado de Sodoma foi a distorção do relacionamento entre as pessoas. Tanto em Ezequiel capítulo 16 como na discussão do assunto na tradição judaica, Sodoma é acusada de discriminação contra os pobres, falta de hospitalidade, violência, injustiça e comportamento sexual desequilibrado e anormal. São atitudes de quem se desligou da justiça que vem de Deus, e isso ameaça todas as relações humanas, tornando-as destruidoras e perigosas. Na tradição judaica existem diversas narrativas que dizem respeito à injustiça de Sodoma e Gomorra. Além da prática da injustiça, os homens de Sodoma eram sexualmente violentos e não seguiam o padrão monogâmico preconizado no começo do livro de Gênesis.
Por que houve interesse da parte de Abraão em tentar salvar alguém da cidade, mesmo sabendo que era uma cidade perversa?
Abraão queria o bem-estar de Ló, seu sobrinho, pois, apesar dos problemas que houve entre eles, Abraão se empenhou em reunir os seus melhores guerreiros e foi libertar Ló quando ele foi feito prisioneiro. Quando Deus anuncia o juízo, Abraão questiona se Deus não estaria castigando o justo junto com o ímpio. O Senhor, porém, enxerga o quadro completo da história da humanidade. Às vezes questionamos o Senhor, sem entender por que ele permite que certas coisas aconteçam, mas Deus vê o que não sabemos. Para Abraão ainda havia, no mínimo, 50 justos na cidade, mas Deus sabia que só havia um. Deus tem a perspectiva completa da realidade.
a FECHANDO A TRILHA
Não se relacione com Deus superficialmente, mas coloque todas as ansiedades diante de Deus e apresente a ele os questionamentos, pois esse é o caminho para se viver espiritualmente saudável.
Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.
9 “Onde está Sara, sua mulher?”, perguntaram. “Ali na tenda”, respondeu ele.
10 Então disse o Senhor a: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele. 11 Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos. 12 Por isso riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor b já idoso, ainda terei esse prazer?”
13 Mas o Senhor disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa?’ 14 Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.
15 Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”. Mas ele disse: “Não negue, você riu”.
Abraão Intercede por Sodoma
16 Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se. 17 Então o Senhor disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?
18 Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas. 19 Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe prometeu”.
20 Disse-lhe, pois, o Senhor: “As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave 21 que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”.
22 Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor.c
23 Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio? 24 E se houver cinquenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não
c 18.22 Os massoretas indicam que a ordem original do texto era o Senhor, porém, permaneceu diante de Abraão.
pouparás o lugar por amor aos cinquenta justos que nele estão? 25 Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz a de toda a terra?”
26 Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinquenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.
27 Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza. 28 Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinquenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?” Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.
29 “E se encontrares apenas quarenta?”, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.
30 Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.
31 Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.
32 Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.
33 Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.
19A
Destruição de Sodoma e Gomorra Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e Ló estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se com o rosto em terra 2 e disse: “Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho”. “Não, passaremos a noite na praça”, responderam.
3 Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem a 18.25 Ou
fermento, e eles comeram.
4 Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.
5 Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”.
6 Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si 7 e lhes disse: “Não, meus amigos! Não façam essa perversidade! 8 Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.
9 “Saia da frente!”, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta. 10 Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta. 11 Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.
12 Os dois homens perguntaram a Ló: “Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui, 13 porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade”.
14 Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade!” Mas pensaram que ele estava brincando.
15 Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada”.
16 Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.
17 Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para
O FOGO ESTÁ CAINDO, O JULGAMENTO DE DEUS CHEGOU
a ABRINDO O NAVEGADOR
Deus traz o grande julgamento sobre Sodoma e Gomorra. Dois anjos chegam a Sodoma ao anoitecer e encontram Ló sentado à porta da cidade. Isso nos revela que Ló prosperou e se encontra em posição relevante, pois, na antiguidade, a porta da cidade era o lugar onde ficavam os magistrados e pessoas importantes. Ló recebe os visitantes, reconhecendo que eram da parte do Senhor, e os convida para passarem a noite em sua casa, pois conhece o ambiente hostil da cidade. Pela falta dos princípios de Deus naquela sociedade, Sodoma atingiu um nível de violência e promiscuidade tão elevado, que, antes de Ló e os visitantes se deitarem, os homens da cidade, jovens e velhos, insistem para que os visitantes saiam para ter relações sexuais com eles. É como se exigissem a oportunidade de estuprá-los com toda violência e maldade. Apavorado, com o coração prejudicado pela convivência com essa cidade perversa, Ló tenta impedir a violência contra os visitantes, oferecendo suas próprias filhas, ainda virgens, para eles fazerem o que quiserem. É um absurdo! A hora do julgamento chegou. Os dois homens advertem Ló sobre o juízo que está prestes a cair e insistem para que ele tome a sua família e saia imediatamente daquele lugar. Mas a família de Ló não está certa se deve abandonar a cidade com todos seus bens, pois Sodoma é uma cidade muito atraente em vários aspectos. O apego aos bens materiais impede Ló de reconhecer a degradação espiritual em que ele e sua família se encontram; tendo se amoldado aos hábitos e valores daquela cidade, não enxergam a seriedade do juízo iminente. Diante da hesitação de Ló, os homens tomam pelas mãos Ló, sua mulher e as duas filhas e os tiram de lá. Isso mostra o perigo da fraqueza e da frieza espiritual, pois o coração fica dividido e acaba valorizando mais o que é deste mundo passageiro do que as coisas de Deus, que são realmente importantes. E a ordem dos visitantes celestiais é que Ló e sua família não olhem para trás. Mas essa prisão, essa relação problemática com o que é passageiro, é mostrada pela mulher de Ló, que durante a fuga, olha para trás, sendo transformada numa coluna de sal. O texto mostra que o Senhor se lembrou de Abraão, levou a sério a oração dele e tirou Ló do meio da destruição. Mas a falta de referencial de Deus não para por aí. O capítulo termina com uma história complicada, em que as filhas de Ló embriagam o pai e se envolvem com ele num relacionamento incestuoso, gerando dois filhos, que dão origem aos povos amonita e moabita, povos que se tornarão inimigos dos descendentes de Abraão, o povo da aliança. Isso mostra como abrir mão dos princípios de Deus traz consequências terríveis no futuro.
a RECALCULANDO A ROTA
Como Ló conseguiu perceber que aqueles visitantes eram anjos?
Os anjos são citados em grande parte do texto bíblico. Na carta aos Hebreus eles são chamados de espíritos enviados para servir aqueles que herdarão a salvação (Hb 1.14). São seres enviados por Deus para operar determinadas tarefas. Muitos imaginam os anjos como criaturas etéreas, mas a maior parte das descrições de anjos na Bíblia os apresenta como seres que possuem um corpo, pois muitas vezes não são distinguidos dos homens. Mas o texto em Gênesis 19 não deixa claro como Ló reconheceu imediatamente que se tratava de anjos, enquanto os outros moradores da cidade os confundiram com homens.
Por que Ló oferece as suas duas filhas aos homens da cidade (v. 8)?
Primeiramente, há o aspecto do contexto cultural da época. Em segundo lugar, Ló estava desesperado, sem saber o que fazer, e julgou mais grave a violência contra os visitantes celestiais do que contra suas próprias filhas. A outra possibilidade é que Ló e sua família estavam com seus valores morais amoldados de tal forma aos costumes e hábitos daquela cidade, que a atitude de Ló não lhes pareceu tão chocante. O perigo em se acostumar com a perversidade é elevá-la ao nível da normalidade.
O que foi a chuva de enxofre que caiu sobre Sodoma e Gomorra?
O texto não deixa claro o que realmente aconteceu. Deus pode ter usado uma chuva de meteoritos, por exemplo. Pode ter sido um acontecimento natural ou não. O fato é que as cidades foram incendiadas. A região em que se localizavam Sodoma e Gomorra é onde se encontra hoje o mar Morto, uma das regiões mais inóspitas do planeta, onde a
concentração de sal e enxofre é muito elevada. As condições de vida nesse local são complicadas e não existe natureza viva; houve uma destruição muito antiga, e ainda permanece como marca nítida do juízo divino.
Por que os genros de Ló pensaram que ele estava brincando?
Quando uma sociedade, embora moralmente decadente, traz conforto material, o anúncio de sua destruição provoca estranheza, e a reação comum é de zombaria. Isso mostra que a pessoa tem os seus valores comprometidos, pois está afastada do relacionamento adequado com Deus.
a FECHANDO A TRILHA
Deus é justo e executa juízo contra o pecado. Por isso, não deixe seu coração ser dominado pela maldade e injustiça, mas esteja debaixo da graça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo.
as montanhas, ou você será morto!”
18 Ló, porém, lhes disse: “Não, meu senhor! 19 Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei. 20 Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.
21 “Está bem”, respondeu ele. “Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala. 22 Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoara .
23 Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra. 24 Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. 25 Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação. 26 Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.
27 Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor. 28 E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.
29 Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.
Os Descendentes de Ló
30 Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou
a 19.22 Zoar significa pequena.
a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.
31 Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.
32 Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem”.
33 Naquela noite, deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
34 No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”. 35 Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
36 Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai. 37 A mais velha teve um filho e deu-lhe o nome de Moabe b; este é o pai dos moabitas de hoje. 38 A mais nova também teve um filho e deu-lhe o nome de Ben-Amic ; este é o pai dos amonitas de hoje.
20Abraão em Gerar
Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar. 2 Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimeleque, rei
b 19.37 Moabe assemelha-se à expressão hebraica que significa do pai.
c 19.38 Ben-Ami significa filho do meu povo.
A ÚLTIMA AMEAÇA E A CHEGADA DA PROMESSA
20 E 21
a ABRINDO O NAVEGADOR
Abraão parte para o sul de Canaã e vai morar por certo tempo em Gerar, terra dos filisteus. Mais uma vez ele disse que Sara é sua irmã, e Abimeleque, rei de Gerar, a toma para si. Em clima de suspense, o livro de Gênesis traz novamente a pergunta: será que a promessa divina realmente vai se cumprir? Se Sara se tornasse mulher de Abimeleque, toda promessa de filhos, terra e bênção a Abrãao não poderia se tornar realidade. Mas Deus vem na hora certa e repreende Abimeleque. Abraão é chamado de profeta. Esta é a primeira vez que essa palavra surge no texto bíblico. A palavra “profeta” aqui significa “intercessor”. Abraão, então, intercede por ele. Deus disse que Abraão será bênção para as nações; ele abençoará aqueles que o abençoarem e amaldiçoará aqueles que o amaldiçoarem. Abraão já aparece no texto como alguém que intercede em favor das nações, como no caso de Sodoma. Sua presença representa, às vezes, ou o juízo divino que está por vir ou a consolação divina. A punição sobre Abimeleque foi afastada e ele foi abençoado. É muito possível que Abimeleque não seja um nome, mas um título, assim como faraó, segundo muitos estudiosos. Finalmente o Senhor faz a Sara o que lhe prometeu. Sara engravida e dá à luz Isaque. Abraão obedece à ordem divina, em fidelidade à aliança firmada com Deus, e circuncida Isaque aos oito dias de vida.
Abraão está com 100 anos de idade quando Isaque nasce; depois de muitas provas, tantos riscos e tanto suspense, finalmente, Deus mostra a sua bondade e cumpre a sua palavra, 25 anos depois da promessa. Isso acontece para que fique bem claro que tudo foi feito unicamente por Deus e não pela força humana. Ismael, filho de Hagar, vive na mesma casa, e Sara o vê rindo do irmão. Sara fica indignada. Abraão sofre com tudo isso, mas são os resultados das escolhas que não foram bem pensadas, além do agir independente de Deus. E no meio de tanta confusão causada pela falta de fé, Deus mostra sua bondade de modo surpreendente, fazendo do filho da escrava também um povo, pois ele é filho de Abraão. Hagar fica vagando pelo deserto, que é um lugar que causa medo. Não se imagina encontrar Deus ali, e a água acaba. E quando ela se afasta do menino para não vê-lo morrer e começa a chorar, a graça de Deus é tão surpreendente que numa das maiores experiências espirituais da Bíblia, a manifestação do próprio Deus, o anjo de Deus fala do céu com Hagar, uma simples escrava, depois de uma situação de desobediência e incredulidade, no lugar menos sagrado possível. Assim, Hagar e seu filho são salvos pela bondade de Deus.
O texto se encerra mostrando mais uma vez Deus abençoando um povo por meio de Abraão, quando ele firma um acordo com Abimeleque após uma polêmica por causa de um poço. Abimeleque reconhece que Deus está com Abraão em tudo que ele faz. Abraão cumpre mais uma vez a palavra divina, sendo bênção para as nações.
a RECALCULANDO A ROTA
O que Abraão fez pode ser chamado de mentira?
Abraão justifica-se diante de Abimeleque, dizendo que, de fato, Sara é sua irmã por parte de pai. Mas Abimeleque foi enganado pela omissão de Abraão. O próprio Deus afirma que Abimeleque foi inocente no que fez (20.6). É importante destacar que o texto está narrando um episódio, e não estabelecendo uma norma. Não se pode entender que a mentira é uma questão de interpretação. A mentira está relacionada à intenção de provocar engano. Quando há a intenção de induzir alguém a pensar algo diferente da verdade, ocorre a mentira. Abraão mentiu, pois levou Abimeleque ao engano. Isso mostra mais uma vez a fragilidade humana de Abraão; mas, como homem que andava com Deus, ele confessou o seu erro e foi tratado pela graça de Deus. E o Senhor prosseguiu o cumprimento do seu plano por meio dele. Mas a mentira não é aceita por Deus (Ef 4.25).
Devemos estranhar o fato de o Senhor ter aparecido em sonho a Abimeleque, um pagão? Deus é o Senhor de toda terra e de todos os povos. Ele usa quem quer e como quer. Abraão representa a bênção de Deus para as nações, e o Senhor intervém no episódio em questão em favor de Abimeleque e em favor do próprio Abraão, pois a situação que a mentira de Abraão criara comprometia o prosseguimento da promessa, se Sara se tornasse esposa de
Abimeleque. Além disso, o Senhor prometera um povo proveniente da semente de Abraão. Deus intervém na história usando quem ele quer. Deus vai muito além das nossas limitadas fronteiras.
O deserto é a casa do Diabo? De onde vem essa lenda?
Os antigos viviam em certos contextos em que, quanto mais se afastavam de casa, corriam maior risco de enfrentar grandes perigos. Então o deserto é um lugar desconhecido, terrível e assustador, assim como o mar. Ainda, para eles, o deserto está associado aos demônios, por uma questão cultural e religiosa daquele tempo.
a FECHANDO A TRILHA
Não deixe de lado a sua esperança porque algo não acontece no tempo que você acha que deve acontecer.
Mantenha firme a sua fé, porque se Deus prometeu, ele é fiel para cumprir.
de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.
3 Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada”.
4 Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: “Senhor, destruirias um povo inocente? 5 Não foi ele que me disse: ‘Ela é minha irmã’? E ela também não disse: ‘Ele é meu irmão’? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas”.
6 Então Deus lhe respondeu no sonho: “Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la. 7 Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta e orará em seu favor, para que você não morra. Mas, se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão”.
8 Na manhã seguinte, Abimeleque convocou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo. 9 Depois Abimeleque chamou Abraão e disse: “O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém!” 10 E perguntou Abimeleque a Abraão: “O que te levou a fazer isso?”
11 Abraão respondeu: “Eu disse a mim mesmo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher. 12 Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher. 13 E, quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Assim você me provará sua lealdade: em qualquer lugar
aonde formos, diga que sou seu irmão”.
14 Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher. 15 E disse Abimeleque: “Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quiseres”.
16 A Sara ele disse: “Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofensa feita a você a diante de todos os seus; assim todos saberão que você é inocente”.
17 A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos, 18 porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.
21O Nascimento de Isaque
O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera. 2 Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
3 Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera. 4 Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado. 5 Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6 E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
7 E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”
a 20.16 Hebraico: para que lhe seja um véu para os olhos.
PARADA OBRIGATÓRIA
Foto aérea de Tel-Beer-Sheva (biblicalarchaeology.org)
Berseba
Berseba é historicamente reconhecida como o limite sul do Israel bíblico em parte de sua história (Jz 20.1; 1Sm 3.20; 2Sm 3.10; 1Rs 4.25; 1Cr 21.2). A expressão que marca essa delimitação é “de Dã a Berseba”. Como a cidade está diante do deserto do Neguebe, compreende-se a razão de ser dessa afirmação. Atualmente, as ruínas arqueológicas da antiga cidade podem ser visitadas no Tel-Berseba, que está cerca de dez quilômetros da Berseba atual. A cidade, cujo nome significa “poço do juramento ou dos sete”, tem destaque nas narrativas da vida de Abraão (Gn 21.14, 31-33; 22.19) e de Isaque (Gn 26.23, 33), em seus encontros conturbados com o líder filisteu denominado “Abimeleque”, mas também aparece na história de Jacó (Gn 28.10; 46.1,5).
No parque arqueológico foram encontrados objetos do período calcolítico, e as indicações são que a antiga cidade foi habitada do século 12 ao 7 a.C. As escavações revelaram um templo da Idade do Ferro, um provável santuário de fronteira da época da monarquia israelita, embora os objetos de culto confirmem influência pagã, principalmente egípcia. Vale lembrar que Amós (5.5; 8.14) critica o culto idólatra na cidade. Além disso, uma bacia com a palavra hebraica “santidade” está entre os achados. E talvez o achado mais significativo foi o altar de holocaustos, com suas pontas de pedras bem trabalhadas (Êx 29.12), semelhante aos encontrados em Megido e Dã. A peça original está no Museu de Israel, em Jerusalém.
Abraão Expulsa Hagar e Ismael
8 O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa. 9 Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de a Isaque, 10 e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
11 Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu. 12 Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada. 13 Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente”.
14 Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho
e ficou vagando pelo deserto de Berseba b .
15 Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto 16 e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorarc .
17 Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou. 18 Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.
19 Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
20 Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro. 21 Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma
b 21.14 Berseba pode significar poço dos sete ou poço do juramento; também em 21.31-33; 22.19; 26.23, 33 e 28.10.
c 21.16 A Septuaginta diz e o menino começou a chorar.
mulher da terra do Egito.
O Acordo entre Abraão e Abimeleque
22 Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes. 23 Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.
24 Respondeu Abraão: “Eu juro!”
25 Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força. 26 Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
27 Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
28 Abraão separou sete ovelhas do rebanho, 29 pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?”
30 Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
31 Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
32 Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus. 33 Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno. 34 E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.
22Deus Prova Abraão Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui”.
2 Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto a num dos montes que lhe indicarei”.
3 Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus
a 22.2 Isto é, sacrifício totalmente queimado; também nos versículos 3, 6-8 e 13.
servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. 4 No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe. 5 Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorar, voltaremos”.
6 Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E, caminhando os dois juntos, 7 Isaque disse a seu pai, Abraão: “Meu pai!” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”
8 Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos.
9 Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. 10 Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. 11 Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
12 “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”
13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho.
14 Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor Proverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”.
15 Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão 16 e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o Senhor, “que, por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, 17 esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos 18 e, por meio dela, todos os povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”.
19 Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.
UMA EXPERIÊNCIA DE MATAR
a ABRINDO O NAVEGADOR
Depois de toda a expectativa quanto ao cumprimento da promessa divina, os dois primeiros versículos nos deixam perplexos, pois mal terminamos de comemorar o nascimento do filho da promessa e Deus pede a Abraão para sacrificar seu único filho, Isaque. E Abraão simplesmente obedece, seguindo a ordem de Deus. Ele vai ao monte Moriá para oferecer o sacrifício solicitado. A palavra divina mostra que Deus está muito além de nossa compreensão. Abraão obedece à palavra de Deus, que é o seu único guia, a sua única certeza e segurança, mas certamente ele estranhou. Em nenhum outro lugar na Bíblia Deus pede sacrifícios humanos. No entanto, é possível entender a reação aparentemente passiva de Abraão, pois esse tipo de sacrifício era comum nas culturas antigas. Sua reação também nos mostra que Abraão confia em Deus e possui plena consciência de quem é o Deus que está falando com ele. O Novo Testamento afirma que Abraão possuía tamanha fé que acreditava que, se preciso, como autor da vida, Deus poderia ressuscitar Isaque para cumprir sua promessa (Hb 11.19).
A lição que surge do texto é a absoluta obediência, por meio da fé, à palavra divina, mesmo quando ela aparenta ser incompreensível e inaceitável para a perspectiva humana. Apesar do pedido incompreensível, Deus mantém sua bondade e coerência, impedindo que Abraão venha a sacrificar o próprio filho; tal pedido é um teste de fé para Abraão. O texto mostra que Deus não aceita sacrifícios humanos. Abraão levanta os olhos e vê um carneiro preso num arbusto e o toma para oferecer como sacrifício em lugar de seu filho. Pela primeira vez na Bíblia, surge o importante conceito da substituição como propiciação pelo pecado: o sacrifício de holocausto. Outro conceito muito significativo é que Deus promete e cumpre suas promessas e, portanto, ele é o Deus que provê e está no controle, e sustenta todas as coisas. Em razão da obediência de Abraão, Deus promete abençoá-lo, tornar numerosos seus descendentes e, por meio deles, abençoar todos os povos da terra. A confiança de Abraão em Deus não se manifesta apenas por meio de palavras e conceitos abstratos, mas por meio da prática. Abraão prova que crê completamente em Deus e na sua palavra.
a RECALCULANDO A ROTA
Podemos agir de forma impulsiva e dizer que foi Deus quem mandou?
Muitas pessoas têm praticado verdadeiros desatinos, supostamente baseados no exemplo de Abraão. Do ponto de vista bíblico, Deus detinha o direito de solicitar que Isaque fosse entregue em sacrifício, porque Deus é o doador da vida. No texto fica claro que é Deus quem solicita o sacrifício como prova de fé para Abraão. Mas a narrativa do sacrifício não é, de forma alguma, um texto normativo. Esse fato ocorreu no início da história da redenção, quando Deus chama Abraão como indivíduo único no meio de pessoas que haviam perdido o relacionamento com Deus, pois o Senhor tem um propósito muito definido na história da revelação. Quanto aos que tomam decisões particulares de modo inconsequente, já tendo princípios e orientações na Bíblia, não podem atribuir responsabilidade divina às escolhas que fazem. Deus não age contrariamente à sua própria palavra.
Deus não conhecia a fé de Abraão (v. 12)? Era necessário prová-la?
Deus é supremo, transcendente, e existe muito além das dimensões do tempo e espaço. No texto bíblico é possível contemplar o agir de Deus em seu relacionamento com os seres humanos. Ao se revelar ao homem, Deus respeita a limitação humana. Então, ele precisa de um modo concreto para que o homem venha a entendê-lo. Deus expressa sua maneira de agir utilizando-se de modo e linguagem que sejam compreensíveis ao homem, o que explica a prova de fé solicitada a Abraão. Isso não quer dizer que Deus foi surpreendido pela fé de Abraão. Deus só queria mostrar isso concretamente a ele.
Quantas alianças foram firmadas com Abraão e quais seus significados?
A aliança firmada com Abraão divide-se em duas partes. O foco da aliança é de que Deus daria a Abraão bênção, terra e descendência. A aliança descrita no capítulo 15 é do tipo de aliança de concessão real de terras e é uma aliança incondicional. Já a aliança descrita no capítulo 17 é do tipo suserania e vassalagem e tem a característica de ser condicional, em
que Deus promete que seria o Deus de Abraão se Abraão e seus descendentes fossem fiéis a ele. Então, há uma aliança única com dois desdobramentos; essa aliança se conecta mais tarde à aliança davídica até chegar ao Novo Testamento, com o cumprimento máximo de todas as alianças: a nova aliança com Jesus Cristo, o Messias prometido.
O texto cita, no versículo 16, um único filho. E os demais (v. 16)? É importante entender que o texto bíblico foca na história da promessa, na história da redenção, na aliança de Deus com Abraão. E nesse contexto, só há um filho da promessa, que é o único verdadeiro herdeiro pelo qual as bênçãos iriam ocorrer. A palavra “único” usada nesse texto tem uma relação direta com Jesus, o filho único de Deus, por meio do qual a promessa da redenção se concretiza em sua plenitude.
a FECHANDO A TRILHA
Num momento de crise de autoridade, lembre-se: Deus é a autoridade suprema, e a obediência a ele deve ser plena.
Os Filhos de Naor
20 Passado algum tempo, disseram a Abraão que Milca dera filhos a seu irmão Naor: 21 Uz, o mais velho, Buz, seu irmão, Quemuel, pai de Arã,
22 Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel, 23 pai de Rebeca. Estes foram os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão. 24 E sua concubina, chamada Reumá, teve os seguintes filhos: Tebá, Gaã, Taás e Maaca.
23A
Morte de Sara
Sara viveu cento e vinte e sete anos 2 e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.
3 Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas: 4 “Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.
5 Responderam os hititas a Abraão: 6 “Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus a em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.
7 Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas, 8 e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar, 9 a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na
a 23.6 Ou príncipe poderoso; ou ainda príncipe dos deuses
divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.
10 Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade: 11 “Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.
12 Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra 13 e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.
14 Efrom respondeu a Abraão: 15 “Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.
16 Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.
17 Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido 18 a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade. 19 Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã. 20 Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.
A TRISTEZA DO LUTO E A ALEGRIA DO CASAMENTO
a ABRINDO O NAVEGADOR
Nesses capítulos, observa-se uma transição na narrativa – a promessa feita a um homem passa a cumprir-se através de sua descendência. Mesmo com a idade avançada de Abraão e de Sara, Deus cumpriu sua promessa e deu-lhes Isaque. Mas a promessa de Deus irá transcorrer ao longo da descendência de Abraão, revelando o controle de Deus por toda a história. Sara morre quando Abraão ainda peregrina pela terra de Canaã. E ele procura dar a Sara um sepultamento com toda honra. O sepultamento tem grande significado para o povo hebreu; o corpo humano tem muito valor, além da esperança da ressurreição. Por isso, sepultam respeitosamente os seus mortos. Após o período de luto pelo falecimento de Sara, Abraão fica preocupado com a continuidade da promessa de Deus através da vida de Isaque. Por isso, ele pede a seu servo Eliézer que faça um juramento de não buscar esposa para Isaque dentre as filhas dos cananeus, em razão do aspecto moral e principalmente religioso do povo de Canaã.
O texto mostra a preocupação de Eliézer em atender à solicitação de seu senhor. Eliézer ora a Deus e pede que ele coroe com êxito a sua jornada. Em sua oração, ele pede ao Senhor um sinal que indique a moça que deve ser a esposa para Isaque. A jovem mostrou ser a resposta do Deus que conduz o destino das nações e também age na vida particular de cada ser humano. Então, o texto diz que fez de Rebeca sua mulher e a amou; e foi consolado pela morte de sua mãe.
Depois da tristeza do luto, veio a alegria do casamento. E assim, Deus mostra sua soberania no controle da história, fazendo sua promessa seguir adiante, atravessando as gerações futuras.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que buscar uma esposa tão longe?
As sociedades antigas tinham preocupação quanto à autopreservação; por isso existia crítica à união com alguém que pertencesse a outro povo de cultura e costumes diferentes. O aspecto é religioso. Não há discussão racial, mas sim relacionada à fé em deuses diferentes dos cultuados por um povo. Nesse caso, o casamento misto geralmente não poderia ser aceito, pois quando uma pessoa se unia à outra que possuía fé totalmente contrária à perspectiva de Deus, a tendência era de muitos conflitos e o afastamento do povo do seu próprio Deus. Portanto, além de não querer firmar vínculo com o povo cananeu, Abraão segue o conceito social do casamento dentro de um círculo mais próximo à família.
Qual o significado de colocar a mão debaixo da coxa para fazer um juramento (24.2)?
Essa forma de juramento envolve uma questão cultural. A mão era colocada sob a coxa, próxima ao órgão da procriação, provavelmente porque a promessa de Deus está relacionada com a continuidade da descendência de Abraão por meio de Isaque.
Labão parece reconhecer a providência divina (24.50). Como isso é possível para alguém que parece estar longe das promessas e do conhecimento do Deus único?
Não há informações no texto de quando Labão ouviu falar do Senhor, mas é muito provável que quando saiu do meio do seu povo, Abraão informou a todos de que o Senhor havia aparecido a ele. O povo de Abraão, assim como muitos povos daquela época, era politeísta. No capítulo 31 de Gênesis, descreve-se um acordo firmado entre Labão e Jacó, em que Labão fez um juramento dizendo que o Deus de Abraão e o deus de Naor os ajudassem no cumprimento de tal acordo. Isso nos mostra que Labão não reconhece o Senhor como Deus único e verdadeiro, mas sim como mais um deus que tem força e poder para ajudá-los.
Como era o casamento naquela época? É normal o curto período de tempo de relacionamento que Isaque e Rebeca tiveram antes de casar?
No tempo das sociedades patriarcais do Oriente Médio, as pessoas se casavam mais cedo, sem possuírem relacionamento aprofundado. A forma como se deu o casamento de Isaque e Rebeca também é uma questão cultural, própria
daquela sociedade naquele tempo. Além disso, o texto não tem o propósito de descrever detalhes do relacionamento, mas de mostrar como isso se encaixa na história da redenção e qual o seu papel no plano de Deus através da história.
O servo de Abraão ora pedindo orientação e logo em seguida pede um sinal (24.12-14). Oração e sinais podem andar juntos?
O texto não diz que essa é uma prática exigida por Deus. Também não há indicação de que foi considerada errada, pois Deus respondeu à oração do servo Eliézer com o sinal pedido. Contudo, não se pode substituir o que conhecemos da verdade da Palavra de Deus e dos seus princípios por sinais, pois existe o perigo da tentativa de manipular a Deus, o que resulta em frustração. Há o risco de pedir e observar sinais de modo errado e, com isso, tomar decisões equivocadas.
a FECHANDO A TRILHA
Em vez de ficar ansioso e apavorado, lembre-se que o Deus de Abraão está vivo e controla a história. Então, dedique-se à oração e Deus vai abençoar o seu coração.
24Uma Esposa para Isaque Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor em tudo o abençoara. 2 Disse ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: “Ponha a mão debaixo da minha coxa 3 e jure pelo Senhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo, 4 mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque”.
5 O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”
6 “Cuidado!”, disse Abraão, “Não deixe o meu filho voltar para lá.
7 “O Senhor, o Deus dos céus, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me prometeu sob juramento que à minha descendência daria esta terra, enviará o seu anjo adiante de você para que de lá traga uma mulher para meu filho. 8 Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá.” 9 Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.
10 O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor. Partiu para a Mesopotâmia a , em direção à cidade onde Naor tinha morado. 11 Ao cair da tarde,
a 24.10 Hebraico: Arã Naaraim.
quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.
12 Então orou: “Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão. 13 Como vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água. 14 Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber, e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolheste para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com o meu senhor”.
15 Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro. 16 A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.
17 O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
18 “Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.
19 Depois que lhe deu de beber, disse: “Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los”. 20 Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos. 21 Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o Senhor tinha ou não coroado de êxito a sua missão.
22 Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis
gramas a e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas b , 23 e perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite”.
24 “Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela; 25 e acrescentou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.
26 Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor, 27 dizendo: “Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor. Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor”.
28 A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe. 29 Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem, 30 pois tinha visto o pendente e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.
31 E disse: “Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.
32 Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés. 33 Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”. Disse Labão: “Então fale”.
34 E ele disse: “Sou servo de Abraão. 35 O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos. 36 Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui. 37 E meu senhor fez-me jurar, dizendo: ‘Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo, 38 mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho’.
39 “Então perguntei a meu senhor: E se a mulher não quiser me acompanhar?
a 24.22 Hebraico: 1
b 24.22 Hebraico: 10 siclos. Um siclo equivalia a 12 gramas.
40 “Ele respondeu: ‘O Senhor, a quem tenho servido, enviará seu anjo com você e coroará de êxito a sua missão, para que você traga para meu filho uma mulher do meu próprio clã, da família de meu pai. 41 Quando chegar aos meus parentes, você estará livre do juramento se eles se recusarem a entregá-la a você. Só então você estará livre do juramento’.
42 “Hoje, quando cheguei à fonte, eu disse: Ó Senhor, Deus do meu senhor Abraão, se assim desejares, dá êxito à missão de que fui incumbido. 43 Aqui estou em pé diante desta fonte; se uma moça vier tirar água e eu lhe disser: Por favor, dê-me de beber um pouco de seu cântaro, 44 e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que o Senhor escolheu para o filho do meu senhor.
45 “Antes de terminar de orar em meu coração, surgiu Rebeca, com o cântaro ao ombro. Dirigiu-se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Por favor, dê-me de beber.
46 “Ela se apressou a tirar o cântaro do ombro e disse: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’. Eu bebi, e ela deu de beber também aos camelos.
47 “Depois lhe perguntei: De quem você é filha? “Ela me respondeu: ‘De Betuel, filho de Naor e Milca’. “Então coloquei o pendente em seu nariz e as pulseiras em seus braços, 48 e curvei-me em adoração ao Senhor. Bendisse ao Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para buscar para o filho dele a neta do irmão do meu senhor. 49 Agora, se quiserem mostrar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me também, para que eu decida o que fazer”.
O Casamento de Isaque e Rebeca
50 Labão e Betuel responderam: “Isso vem do Senhor; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra. 51 Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor”.
52 Quando o servo de Abraão ouviu o que disseram, curvou-se até o chão diante do Senhor. 53 Então o servo deu joias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe. 54 Depois ele e os homens que o
acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite. Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
55 Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então vocêa poderá partir”.
56 Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.
57 Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”. 58 Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?” “Sim, quero”, respondeu ela.
59 Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam. 60 E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos”.
61 Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
62 Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roib, pois habitava no Neguebe. 63 Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos. 64 Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo 65 e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?” “É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
66 Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito. 67 Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe, Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.
25A
Morte de Abraão
Abraão casou-se com outra mulher, chamada Quetura. 2 Ela lhe deu os seguintes filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá. 3 Jocsã gerou Sabá e Dedã; os descendentes de Dedã foram os assuritas, os letusitas e os leumitas. 4 Os filhos de Midiã foram Efá, Éfer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram descendentes de Quetura. 5 Abraão deixou tudo o que tinha para Isaque.
a 24.55 Ou ela
b 24.62 Isto é, poço daquele que vive e me vê; também em 25.11.
6 Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para longe de Isaque, para a terra do oriente.
7 Abraão viveu cento e setenta e cinco anos. 8 Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados. 9 Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita, 10 campo que Abraão comprara dos hititas. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados. 11 Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.
Os Filhos de Ismael
12 Este é o registro da descendência de Ismael, o filho de Abraão que Hagar, a serva egípcia de Sara, deu a ele.
13 São estes os nomes dos filhos de Ismael, alistados por ordem de nascimento: Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, Quedar, Adbeel, Mibsão, 14 Misma, Dumá, Massá, 15 Hadade, Temá, Jetur, Nafis e Quedemá. 16 Foram esses os doze filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos; os seus povoados e acampamentos receberam os seus nomes. 17 Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Morreu e foi reunido aos seus antepassados. 18 Seus descendentes se estabeleceram na região que vai de Havilá a Sur, próximo à fronteira com o Egito, na direção de quem vai para Assur. E viveram em hostilidade c contra todos os seus irmãos.
Esaú e Jacó
19 Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou Isaque, 20 o qual aos quarenta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã d , e irmã de Labão, também arameu.
21 Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O Senhor respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou. 22 Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse:
c 25.18 Ou defronte de todos
d 25.20 Provavelmente na região noroeste da Mesopotâmia; também em 28.2 e 5-7.
CLASSIFICADOS E DESCLASSIFICADOS: OS CRITÉRIOS DE DEUS
a ABRINDO O NAVEGADOR
Após a morte de Sara, Abraão casa-se com Quetura. Abraão morre aos 175 anos de idade e é sepultado na caverna de Macpela, mesmo lugar onde Sara foi sepultada. O propósito deste capítulo é fazer separação entre os descendentes de Abraão que não fazem parte da promessa e aqueles descendentes considerados herdeiros da promessa. Os filhos de Quetura e os filhos de Ismael não fazem parte da linhagem da promessa divina. Os herdeiros da promessa são da descendência de Isaque. É interessante observar a lógica do livro de Gênesis: os filhos que não fazem parte da promessa se multiplicam com velocidade tremenda, enquanto as mulheres que fazem parte da promessa, Sara e Rebeca, são estéreis. Isso mostra que por mais ricos e poderosos que sejam, os patriarcas não são capazes de garantir a sua história nem a sua descendência; tudo é feito pela intervenção absoluta de Deus. O texto apresenta o critério de Deus, diferente do humano, para a escolha de seu povo nesse processo histórico.
Podemos observar que Deus age de forma inesperada para surpreender o homem. Esaú é o filho que todos esperam na sociedade da época e é o filho preferido de Isaque, que possui grandes expectativas em relação a ele. Jacó nasceu como segundo, perdendo a oportunidade de ser herdeiro oficial, além de não ter as qualidades de seu irmão mais velho. Para a sociedade, Jacó não tem muita esperança; e para piorar, seu nome significa “aquele que agarra o calcanhar ou que age traiçoeiramente”. Apesar de toda essa expectativa humana sobre Esaú, ele despreza seu direito de primogenitura. O direito de filho mais velho tinha significado espiritual importante; mesmo assim Esaú prefere garantir o sustento material e imediato às bênçãos familiares e espirituais. Mas Jacó, apesar de não corresponder às expectativas humanas, enxerga a importância e o valor das realidades espirituais. E Jacó, aquele em que não se pode confiar por causa da sua história, da sua fragilidade e do seu caráter, é o escolhido de Deus. Mais uma vez, Deus age por meio de quem a gente menos espera. Bendito seja o Deus de Israel, que age com a sua soberania e sabedoria absolutamente insondáveis.
a RECALCULANDO A ROTA
Como pode Deus selecionar um povo exclusivo para si? Podemos dizer que Deus é parcial?
Deus abençoa a todas as pessoas. Ele faz cair a chuva sobre bons e maus. Quando Deus faz sua promessa a Abraão, a finalidade é que todos os povos da Terra sejam abençoados. Deus seleciona um povo não por seus méritos, mas com uma função e uma finalidade. Então, a escolha de uma pessoa por Deus não significa que ele desvalorize as outras. O propósito final da escolha desse povo não está no povo em si, mas ele é escolhido para ser instrumento nas mãos de Deus para abençoar a todos.
Existe divisão na família de Isaque em razão da preferência em relação aos filhos (v. 27, 28)?
O texto mostra que Jacó auxiliava a mãe com a criação dos animais da família, enquanto Esaú era o caçador. É possível notar que existia, sim, uma proximidade maior dos pais com cada um dos filhos. Isso é importante para destacar que Deus faz a sua obra na vida de pessoas comuns e que Deus constrói a história, apesar das fragilidades humanas.
Qual a importância da primogenitura, trocada por um prato de comida? Era costume na antiguidade que o filho mais velho fosse o herdeiro espiritual e oficial da família. Ele tinha direito ao dobro da herança e era considerado o sucessor oficial do pai. O texto bíblico mostra que, mesmo tendo tudo isso por direito, o coração de Esaú desprezou esse direito e o trocou por um simples prato de lentilha. Com essa atitude, Esaú revelou o que estava em seu coração. Isso mostra que as coisas importantes começam por prestar atenção nas coisas pequenas, e não em coisas grandiosas e extraordinárias.
Por que é dado destaque à cor vermelha nesse texto?
O livro de Gênesis possui um foco muito didático e enfático, com um jogo de palavras que tem a finalidade literária de destacar certos aspectos do texto para que a história não seja esquecida com facilidade. Então, há um jogo de palavras
que envolve o termo Edom, que significa “ruivo”, e Esaú. Os edomitas são os descendentes de Esaú, que se tornaram adversários constantes de Israel ao longo da história.
a FECHANDO A TRILHA
O mais importante é o que tem valor eterno. Por isso, dirija-se pelo que Deus diz, e não por aquilo que os homens pensam ter valor.
“Por que está me acontecendo isso?” Foi então consultar o Senhor.
23 Disse-lhe o Senhor: “Duas nações estão em seu ventre; já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo”.
24 Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre. 25 O primeiro a sair era ruivo a , e todo o seu corpo era como um manto de pelos; por isso lhe deram o nome de Esaúb 26 Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacóc . Tinha Isaque sessenta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.
27 Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanhod e vivia nas tendas.
28 Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.
29 Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo,
30 e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!” Por isso também foi chamado Edome .
31 Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
32 Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”
33 Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.
a 25.25 Ou moreno
b 25.25 Esaú pode significar peludo, cabeludo
c 25.26 Jacó significa ele agarra o calcanhar ou ele age traiçoeiramente; também em 27.36.
d 25.27 Hebraico: era homem pacato
e 25.30 Edom significa vermelho.
34 Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.
26Isaque em Gerar
Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus. 2 O Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar. 3 Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai, Abraão. 4 Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados, 5 porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”. 6 Assim Isaque ficou em Gerar.
7 Quando os homens do lugar lhe perguntaram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mulher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.
8 Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher. 9 Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã?” Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.
10 Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se
JÁ VI ESTE FILME ANTES!
a ABRINDO O NAVEGADOR
Observamos aqui que os mesmos dilemas, dificuldades e bênçãos presentes na vida de Abraão também aparecem na vida de Isaque. É interessante que parece uma repetição. Assim como Abraão tinha um papel em relação às nações ao seu redor, o Senhor também tinha propósitos com Isaque em outras terras. Deus faz questão de levar Isaque a Gerar, terra dos filisteus, onde ele e Rebeca permanecem por um período de tempo. Isaque trabalha na terra, desenvolvendo a lavoura, e prospera, até o momento que surgem problemas entre ele e os filisteus, semelhantes aos que ocorreram entre os pastores de Abraão e de Ló. Com isso, Isaque reabre os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, que os filisteus fecharam após a sua morte. Então, surgem os conflitos. Diante das dificuldades que Isaque está enfrentando e do perigo de que a promessa não prossiga para as próximas gerações, Deus intervém, dizendo a Isaque que não tema, pois o Senhor está com ele. Deus se manifesta no momento da crise, da inconstância e da fragilidade humana. Depois disso, Abimeleque, rei dos filisteus, e Isaque firmam um acordo, e assim, a paz se instala entre eles. Os mesmos desafios e problemas enfrentados por Abraão se repetem na vida de Isaque, o que revela que o mesmo Deus controla a história para levar adiante a promessa de redenção através do novo patriarca. O texto finaliza afirmando que, ao contrário de Isaque, que se casou com uma mulher pertencente ao seu próprio clã, Esaú escolhe Judite e Basemate por esposas, ambas hititas. O texto afirma que ambas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que a história de Isaque repete quase literalmente a história de Abraão?
O texto repete os temas porque o livro de Gênesis é didático e tem a intenção de reforçar as ideias, para que elas não sejam esquecidas.
Apesar de ser um dos patriarcas, Isaque é uma figura que marca a transição de Abraão para Jacó; o foco da narrativa é que Deus age por meio de quem menos se espera para escrever a história da redenção.
Novamente surge o nome Abimeleque. Por quê?
Estudos mais recentes sugerem que Abimeleque provavelmente não era um nome pessoal, mas sim um título. O seu significado em hebraico é “meu pai, meu rei”. Apesar das similaridades das ações tomadas pelo Abimeleque do tempo de Isaque, há diferenças importantes e significativas em relação ao Abimeleque do tempo de Abraão, que devem ser consideradas.
Qual a importância dos poços citados nesse capítulo?
A questão da importância do poço é essencial para se compreender diversos outros trechos da Bíblia. Aquela região da Terra Prometida é muito seca e árida, e um poço de água é algo essencial. Normalmente os poços eram grandes o suficiente para suprir uma pequena cidade. Por isso a grande disputa pela água dos poços, pois era uma questão de sobrevivência.
Esaú toma duas mulheres por esposas, que trazem amargura para Isaque e Rebeca (v. 34). Que significado tem esse fato?
Nesse fato, nos é revelado mais um aspecto do caráter de Esaú e quais eram suas formas de agir. Até então, a narrativa apresentou casamentos monogâmicos. Abraão e Isaque possuíram cada um uma única esposa. Já Esaú escolheu casar-se com duas mulheres de outro povo, que possuíam perspectivas religiosas diferentes, contrárias a Deus, mostrando-nos que Esaú não tinha nenhum tipo de preocupação espiritual. Fato comprovado posteriormente na carta aos Hebreus, quando é dito que Deus rejeita o pedido de arrependimento de Esaú por ele ser profano e por possuir uma maneira equivocada de proceder em relação às suas escolhas ao longo da vida, que não eram baseadas nos padrões de Deus (Hb 12.16,17).
a FECHANDO A TRILHA
Pela sua sabedoria e graça, Deus permite problemas e lutas em nossa vida, com o propósito de nos abençoar.
deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.
11 E Abimeleque advertiu todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá!”
12 Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou. 13 O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo. 14 Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam. 15 Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
16 Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.
17 Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu. 18 Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai, Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
19 Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água. 20 Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele. 21 Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna. 22 Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
23 Dali Isaque foi para Berseba. 24 Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai, Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão”.
25 Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
O Acordo entre Isaque e Abimeleque
26 Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos. 27 Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”
28 Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo: 29 Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o Senhor te tem abençoado”.
30 Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam. 31 Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.
32 Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado e disseram: “Achamos água!” 33 Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.
34 Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.
35 Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.
27Isaque
Abençoa Jacó
Tendo Isaque envelhecido, seus olhos ficaram tão fracos que ele já não podia enxergar. Certo dia chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: “Meu filho!” Ele respondeu: “Estou aqui”.
2 Disse-lhe Isaque: “Já estou velho e não sei o dia da minha morte. 3 Pegue agora suas armas, o arco e a aljava, e vá ao campo caçar alguma coisa para mim. 4 Prepare-me aquela comida saborosa que tanto aprecio e traga-me, para que eu a coma e o abençoe antes de morrer”.
5 Ora, Rebeca estava ouvindo o que Isaque dizia a seu filho Esaú. Quando Esaú saiu ao campo para caçar, 6 Rebeca disse a seu filho Jacó: “Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú: 7 ‘Traga-me alguma caça e
IRMÃO CONTRA IRMÃO: UMA HISTÓRIA CABELUDA
a ABRINDO O NAVEGADOR
A partir deste capítulo vemos a história de Jacó, que já inicia com o roubo da bênção de primogenitura de Esaú. Com a estratégia elaborada por Rebeca, Jacó faz-se passar por Esaú, enganando seu pai, Isaque, para receber sua bênção. E, depois de muita dúvida do pai, finalmente a bênção é pronunciada. Quando essa história toda é descoberta, Esaú fica enfurecido, pois a bênção da primogenitura já foi dada ao enganador. Ameaçado de morte pelo irmão, Jacó foge da casa de seu pai para uma terra distante. Por esse texto, vemos que a importância da bênção da primogenitura é semelhante a firmar um contrato. Nessa sociedade antiga, uma bênção formal dada pelo pai é algo irrevogável. Também vemos aqui que a família de Jacó é repleta de problemas e bem dividida. A expectativa era que Deus agisse por meio de Esaú, que possuía o direito da primogenitura, mas ele rejeitou esse direito por não dar importância ao bem espiritual, trocando sua bênção por um prato de lentilhas. E agora, mesmo com erros e a completa falta de expectativas, Jacó buscou a bênção que realmente importava, e ainda veremos que, no final, Deus realmente o abençoa muito. Deus não abençoa as pessoas por seus méritos, pois nem Jacó, nem Esaú mereciam a bênção. A grande verdade é que Deus abençoa e usa as pessoas, apesar de suas falhas.
a RECALCULANDO A ROTA
Por que a família do patriarca Isaque tinha tantos problemas?
O fato de uma pessoa ter uma aliança com Deus não quer dizer que ela esteja colocando em prática os princípios divinos em sua vida. Possuir algum princípio religioso ou até mesmo ter fé no coração não garante uma vida correta diante de Deus. É preciso conhecer os princípios de Deus e realmente vivê-los. Na verdade, o problema da preferência é uma questão não trabalhada do egoísmo humano.
Conforme observado na família de Isaque, preferência familiar é normal? É comum, do ponto de vista da ocorrência, porém é a causa de muitos problemas, que podem ser observados na própria Bíblia. O problema da preferência na família é, na verdade, é uma questão não trabalhada do egoísmo humano. Nós gostamos mais de um filho do que de outro porque ele é muito parecido conosco. Se nós não considerarmos que somos pecadores, frágeis e agirmos sem estabelecer regras justas de tratamento, sem pensar, isso trará dificuldades sérias dentro da família.
Deus pode nos abençoar apesar de nossos erros?
Devemos compreender o texto bíblico por meio da perspectiva correta. A verdade é que ninguém é merecedor das bênçãos de Deus. E ele intervém em situações de caos, fragilidade e pecado para nos socorrer. Ele nunca irá abençoar a mentira de alguém. Deus nos abençoa por causa de sua graça e não por nosso mérito. Então, Deus nos abençoa apesar de nossas falhas.
Bênção e maldição: é possível rogar pragas?
É importante entender que a bênção é uma formalidade daquela sociedade, equivalente a um contrato. Vale destacar que é importante tomar cuidado com o que se diz, apesar de a palavra em si não ter poder de construir uma realidade, mas é a confirmação de um desejo; ao ser expressa oficialmente, adquire o status de formalidade e de realidade jurídica. Naquela sociedade, o patriarca era considerado representante de Deus. Nesse texto, isso ocorre literalmente, uma vez que eles foram escolhidos pelo próprio Deus. Por isso a bênção da primogenitura era considerada uma transferência de direito. O texto não ensina que qualquer bênção ou maldição podem ser passadas sem nenhum propósito.
a FECHANDO A TRILHA
Com tantos problemas, muitas vezes, queremos desistir de tudo por achar que não tem jeito. Mas, apesar de todas as coisas, Deus é gracioso e ainda nos abençoa muito.
prepare-me aquela comida saborosa, para que eu a coma e o abençoe na presença do Senhor antes de morrer’. 8 Agora, meu filho, ouça bem e faça o que lhe ordeno: 9 Vá ao rebanho e traga-me dois cabritos escolhidos, para que eu prepare uma comida saborosa para seu pai, como ele aprecia. 10 Leve-a então a seu pai, para que ele a coma e o abençoe antes de morrer”.
11 Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: “Mas o meu irmão Esaú é homem peludo, e eu tenho a pele lisa. 12 E se meu pai me apalpar? Vai parecer que estou tentando enganá-lo, fazendo-o de tolo e, em vez de bênção, trarei sobre mim maldição”.
13 Disse-lhe sua mãe: “Caia sobre mim a maldição, meu filho. Faça apenas o que eu digo: Vá e traga-os para mim”.
14 Então ele foi, apanhou-os e os trouxe à sua mãe, que preparou uma comida saborosa, como seu pai apreciava. 15 Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, roupas que tinha em casa, e colocou-as em Jacó, seu filho mais novo.
16 Depois cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos, 17 e por fim entregou a Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito.
18 Ele se dirigiu ao pai e disse: “Meu pai”. Respondeu ele: “Sim, meu filho. Quem é você?”
19 Jacó disse a seu pai: “Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz como o senhor me disse. Agora, assente-se e coma do que cacei para que me abençoe”.
20 Isaque perguntou ao filho: “Como encontrou a caça tão depressa, meu filho?” Ele respondeu: “O Senhor, o seu Deus, a colocou no meu caminho”.
21 Então Isaque disse a Jacó: “Chegue mais perto, meu filho, para que eu possa apalpá-lo e saber se você é realmente meu filho Esaú”.
22 Jacó aproximou-se do seu pai, Isaque, que o apalpou e disse: “A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú”. 23 Não o reconheceu, pois seus braços estavam peludos como os de Esaú, seu irmão; e o abençoou.
24 Isaque perguntou-lhe outra vez: “Você é mesmo meu filho Esaú?” E ele respondeu: “Sou”.
25 Então lhe disse: “Meu filho, traga-me da sua caça para que eu coma e o abençoe”. Jacó a trouxe, e seu pai comeu; também trouxe vinho, e ele bebeu. 26 Então Isaque, seu pai, lhe disse: “Venha cá, meu filho, dê-me um beijo”.
27 Ele se aproximou e o beijou. Quando sentiu o cheiro de suas roupas, Isaque o abençoou, dizendo: “Ah, o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o Senhor abençoou. 28 Que Deus lhe conceda do céu o orvalho e da terra a riqueza, com muito cereal e muito vinho. 29 Que as nações o sirvam e os povos se curvem diante de você. Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. Malditos sejam os que o amaldiçoarem e benditos sejam os que o abençoarem”.
30 Quando Isaque acabou de abençoar Jacó, mal tendo ele saído da presença do pai, seu irmão, Esaú, chegou da caçada. 31 Ele também preparou uma comida saborosa e a trouxe a seu pai. E lhe disse: “Meu pai, levante-se e coma da minha caça, para que o senhor me dê sua bênção”.
32 Perguntou-lhe seu pai, Isaque: “Quem é você?” Ele respondeu: “Sou Esaú, seu filho mais velho”.
33 Profundamente abalado, Isaque começou a tremer muito e disse: “Quem então apanhou a caça e a trouxe para mim? Acabei de comê-la antes de você entrar e a ele abençoei; e abençoado ele será!”
34 Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, implorou ao pai: “Abençoe também a mim, meu pai!”
35 Mas ele respondeu: “Seu irmão chegou astutamente e recebeu a bênção que pertencia a você”.
36 E disse Esaú: “Não é com razão que o seu nome é Jacó? Já é a segunda vez que ele me engana! Primeiro tomou o meu direito de filho mais velho, e agora recebeu a minha bênção!” Então perguntou ao pai: “O senhor não reservou nenhuma bênção para mim?”
37 Isaque respondeu a Esaú: “Eu o constituí senhor sobre você, e a todos os seus parentes tornei servos dele; a ele supri de cereal e de vinho. Que é que eu poderia fazer por você, meu filho?”
38 Esaú pediu ao pai: “Meu pai, o senhor tem apenas uma bênção? Abençoe-me também, meu pai!” Então chorou Esaú em alta voz.
39 Isaque, seu pai, respondeu-lhe: “Sua habitação será longe das terras férteis, distante do orvalho que desce do alto céu. 40 Você viverá por sua espada e servirá a seu irmão. Mas, quando você não suportar mais, arrancará do pescoço o jugo”.
A ESCADA DE EMERGÊNCIA
a ABRINDO O NAVEGADOR
Como vimos até aqui, Deus está cumprindo rigorosamente a promessa feita a Abraão, quando estabeleceu aliança com ele. Essa promessa tem atravessado as gerações até chegar à vida de Jacó. Apesar das falhas humanas e das diversas ameaças, nada ou ninguém pode interromper a ação divina e a história de salvação de Deus na redenção do ser humano. O conflito familiar na casa de Jacó fica difícil, e após a ameaça de morte de Esaú, Jacó tem que fugir de casa, apoiado por sua mãe. Ela o aconselha a ir para a casa de seu irmão, Labão. O texto descreve o desgosto de Rebeca por causa das esposas de seu filho Esaú, e por isso, além de proteger o filho, ela o envia à casa de Labão para que ele se case com alguém do seu próprio clã. Mas, que situação difícil para um menino que vivia tranquilamente na casa de seus pais, protegido pela mãe e beneficiado pelas boas condições que seu pai lhe provia. Jacó era inexperiente. Quando foge de casa, ele perde o contato com seus pais, a proteção e o afeto da mãe. Agora, precisa pegar um caminho perigoso para bem longe. Com isso, Jacó entra em grande conflito. Despreparado, com problemas familiares e dificuldades de caráter, Jacó enfrentará uma viagem que vai mudar a sua vida. É interessante ver como Deus trabalha com aqueles que estão sob sua aliança. Em meio à crise, quando toda a força e autossuficiência não podem mais sustentar, é a hora que Deus fala. Durante sua viagem, num sonho bem diferente, num encontro com Deus, Jacó vê confirmadas todas as bênçãos para sua vida. Com isso, Jacó reconhece que Deus está com ele. Se Deus falasse com Jacó em qualquer outro momento da vida dele, talvez ele não tivesse ouvido ou aprendido nada. Mas, finalmente, numa experiência espiritual verdadeira, Jacó agora entende a realidade de Deus e é mudado. Ele dá um passo especial na vida, que transforma sua própria pessoa. Toda vez que temos uma experiência verdadeira com Deus, sentimos o desejo de compromisso e de envolvimento pessoal com ele. Por fim, Jacó decide consagrar-se a Deus, afirmando que, de tudo quanto ele receber, certamente dará o dízimo.
a RECALCULANDO A ROTA
A fuga de Jacó está relacionada à ameaça contra sua vida, ou à amargura de Rebeca com os casamentos de Esaú?
As duas situações foram consideradas para a fuga de Jacó. Não há dúvida de que o medo da ameaça de morte afetou Jacó, o que pode ser considerado o motivo maior de sua fuga. Ao mesmo tempo, o texto apresenta mais de um fato que demonstra a amargura e desaprovação de Isaque e Rebeca em relação aos casamentos de seu filho Esaú (26.34; 27.46). Deus usou as dificuldades na vida de Jacó e o levou a encontrar sua esposa no seu próprio clã e dar prosseguimento na promessa.
Qual é o significado da escada que aparece no sonho de Jacó?
Essa escada tem a ver com um “zigurate”, que era uma espécie de pirâmide mesopotâmica, em que os homens subiam para estar mais perto das estrelas e ter contato com os deuses. Eles praticavam a astronomia e a astrologia. A ideia dos antigos era que o zigurate fazia uma intermediação entre o céu e a terra. O fato de Deus estar na escada é de que Deus estava se apresentando a Jacó e oferecendo para ser seu verdadeiro Deus. Para Jacó, o sonho foi sua primeira experiência divina.
Por que Jacó apresenta algumas condições para continuar sua jornada?
A aliança de Deus com Abraão tinha um aspecto de incondicionalidade. Em sua imaturidade espiritual, Jacó exige certas condições em sua promessa. A proposta dele é imediatista e material. Essa atitude demonstra que já existe fé, mas ainda é pequena.
Que descendência é essa a que o texto se refere (v. 14)?
O versículo 14 retoma o capítulo 12 de Gênesis, quando Deus afirma que todos os povos da terra serão abençoados por meio de Abraão. A eleição de Abraão e de Jacó não tem fim neles mesmos, mas na bênção que eles irão representar. Ao longo da história de salvação que Deus estava construindo, a bênção iria culminar no representante final, que é o
próprio Senhor Jesus Cristo, no qual se cumpre a promessa.
É possível Deus falar por meio de sonhos ainda nos dias de hoje?
O texto bíblico apresenta algumas ocasiões quando Deus fala por meio de sonhos, porém não é regra em toda a Bíblia. Devemos entender que Deus pode falar por meio de sonhos, principalmente quando estão relacionados às obras divinas e não a situações meramente individualistas. Não é sábio imaginar que cada sonho tem um significado especial. Mas é prudente receber confirmação de Deus de outra forma para tomar qualquer atitude baseada em sonhos.
a FECHANDO A TRILHA
As crises não são motivos de desespero, mas lembre-se que Deus está lhe dando uma grande oportunidade para que o conheça de modo profundo.
A Fuga de Jacó
41 Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera. E disse a si mesmo: “Os dias de luto pela morte de meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó”.
42 Quando contaram a Rebeca o que seu filho Esaú dissera, ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Esaú está se consolando com a ideia de matá-lo. 43 Ouça, pois, o que lhe digo, meu filho: Fuja imediatamente para a casa de meu irmão Labão, em Harã. 44 Fique com ele algum tempo, até que passe o furor de seu irmão. 45 Quando seu irmão não estiver mais irado contra você e esquecer o que você lhe fez, mandarei buscá-lo. Por que perderia eu vocês dois num só dia?”
46 Então Rebeca disse a Isaque: “Estou desgostosa da vida, por causa destas mulheres hititas. Se Jacó escolher esposa entre as mulheres desta terra, entre mulheres hititas como estas, perderei a razão de viver”. 28
Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bênção a e lhe ordenou: “Não se case com mulher cananeia. 2 Vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe. 3 Que o Deus todo-poderoso b o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descendentes, para que você se torne uma comunidade de povos. 4 Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro,
a 28.1 Ou saudou-o
b 28.3 Hebraico: El-Shaddai.
a terra dada por Deus a Abraão”. 5 Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6 Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para escolher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananeia. 7 Também soube que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã. 8 Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulheres cananeias, 9 foi à casa de Ismael e tomou a Maalate, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.
O Sonho de Jacó em Betel
10 Jacó partiu de Berseba e foi para Harã. 11 Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se. 12 E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. 13 Ao lado dele c estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado. 14 Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência. 15 Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei
c 28.13 Ou Acima dela
NOIVO NERVOSO, SOGRO PERIGOSO
a ABRINDO O NAVEGADOR
Após sua primeira grande experiência com Deus e uma longa jornada, finalmente Jacó chega à Mesopotâmia. Ele se aproxima da terra de seu tio Labão, e quando se encontra com Raquel pela primeira vez, chora bem alto. É um choro de alegria pela bênção de Deus, depois de tanto sofrimento, crise e da longa e perigosa viagem. Jacó faz um acordo com Labão, e como está apaixonado por Raquel, combina trabalhar por sete anos para se casar com ela. Mas as coisas não caminham como o acordado. Após o período, Jacó é enganado pelo próprio tio e fica muito furioso. É importante lembrar que Jacó possuía problemas familiares e uma dificuldade de caráter, inclusive seu nome significa “enganador”. Se Jacó sabia muito como enganar os outros, o tio fez pós-graduação! Além de providenciar a crise da viagem, onde Jacó teve sua primeira experiência espiritual, Deus também providencia a entrada do tio Labão na vida de Jacó para tratar o seu caráter. E assim, foram 14 anos para se casar com a sua amada. Deus finalmente abençoa Jacó: ele encontra os seus parentes, o seu clã, casa-se dentro do próprio contexto familiar e a promessa de Deus prossegue adiante.
Após tantos anos de sofrimento, Deus fez Jacó crescer pessoalmente, levando-o ao ponto aonde Deus queria que ele chegasse. Depois de grande luta, a família de Jacó começa a ser abençoada, mas os problemas ainda não acabaram. Raquel é a esposa amada, mas é estéril e não pode dar filhos a Jacó; por outro lado, Lia é a esposa desprezada, mas é fértil e já gerou quatro filhos ao marido. E a história se repete.
a RECALCULANDO A ROTA
Como Jacó conseguiu remover a tampa do poço, uma vez que eram necessários vários homens para executar o serviço (v.10)?
Jacó não era aventureiro como o irmão, mas ele cuidava de ovelhas, tirava leite do rebanho. Ele era apenas mais pacato, não necessariamente sem força. Jacó, provavelmente, devia ser forte e acostumado com o trabalho pesado, uma vez que, depois, ainda trabalhou por muitos anos para seu tio Labão.
Por que no encontro entre Jacó e Raquel não existe uma oração expressa, como houve no encontro entre o servo de Abraão e Rebeca?
A questão envolvida no livro de Gênesis é que casar e ter filhos, tarefa simples e comum, parece ser uma tarefa difícil para os patriarcas bíblicos. Eles só conseguem realizar essa tarefa por meio da intervenção e da bênção de Deus. Aqui nesse texto, não existe uma oração explícita, muito provavelmente porque Deus já tinha dado o sonho a Jacó, no qual ele prometeu dar-lhe descendência. Em muitas ocasiões no texto bíblico, Deus aparece de maneira velada, mas não há dúvidas de que ali existe a ação divina.
Como Jacó não percebe que não estava com Raquel, em seu casamento? É importante entender que, quando lemos a Bíblia, estamos lidando com um texto muito antigo. Não havia naquela época iluminação como hoje, e normalmente, a noiva estava completamente vestida e com véu na cabeça, de modo que não era possível vê-la plenamente. Com isso, todas as condições para uma percepção alterada da realidade estavam presentes. Portanto, só quando amanhece, Jacó percebe que estava com Lia em vez de Raquel.
O que significa a expressão “sangue do meu sangue” (v. 14)? E quanto a Lia, como eram os olhos dela; por que cada versão traz uma tradução diferente?
No hebraico, a expressão é literalmente “meu osso e minha carne”, que significa relação próxima, de parentesco. No caso de Lia, é um pouco mais complicado, porque literalmente a palavra hebraica significa “olhos tenros, fracos”. E há divergências entre os estudiosos. Há quem pense que ela não enxergava bem, mas o sentido não é esse. É possível que os olhos dela fossem sem brilho, mas é mais provável que os olhos de Lia fossem meigos, enquanto Raquel era uma moça bonita por completo.
Sendo Raquel estéril, e Lia, fértil, como ficou a relação de Raquel e Jacó? Deus constrói a história por meio do seu poder e soberania e frustra as expectativas humanas. A intervenção de Deus na história se dá diretamente por meio do filho de Raquel. Porém, sendo Lia a esposa desprezada, Deus se compadece dela e a abençoa com filhos como Levi e Judá, que tiveram papéis muito importantes na história da redenção.
a FECHANDO A TRILHA
Cuidado! Não seja apressado. Espere pelo tempo de Deus que não é o nosso tempo. Ele sabe o que está fazendo na sua vida.
de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.
16 Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!”
17 Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.
18 Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.
19 E deu o nome de Betel a àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
20 Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa, 21 e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus. 22 E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário b de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.
29Jacó
Encontra-se com Raquel
Então Jacó seguiu viagem e chegou à Mesopotâmia c . 2 Certo dia, olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra. 3 Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois recolocavam a pedra em seu lugar, sobre o poço.
4 Jacó perguntou aos pastores: “Meus amigos, de onde são vocês?” “Somos de Harã”, responderam.
a 28.19 Betel significa casa de Deus
b 28.22 Hebraico: será a casa
c 29.1 Hebraico: à terra dos filhos do oriente.
5 “Vocês conhecem Labão, neto de Naor?”, perguntou-lhes Jacó. Eles responderam: “Sim, nós o conhecemos”.
6 Então Jacó perguntou: “Ele vai bem?” “Sim, vai bem”, disseram eles, “e ali vem sua filha Raquel com as ovelhas.”
7 Disse ele: “Olhem, o sol ainda vai alto e não é hora de recolher os rebanhos. Deem de beber às ovelhas e levem-nas de volta ao pasto”.
8 Mas eles responderam: “Não podemos, enquanto os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas”.
9 Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora. 10 Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de seu tio Labão. 11 Depois Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto. 12 Então contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. E ela foi correndo contar tudo a seu pai.
13 Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, seu sobrinho, correu ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Depois, levou-o para casa, e Jacó contou-lhe tudo o que havia ocorrido. 14 Então Labão lhe disse: “Você é sangue do meu sangue d ”.
O Casamento de Jacó
Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão, 15 quando este lhe disse: “Só por ser meu parente você vai trabalhar de graça? Diga-me qual deve ser o seu salário”.
d 29.14 Hebraico: meu osso e minha carne.
16 Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel. 17 Lia tinha olhos meigos a , mas Raquel era bonita e atraente.
18 Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: “Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova”.
19 Labão respondeu: “Será melhor dá-la a você do que a algum outro homem. Fique aqui comigo”.
20 Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.
21 Então disse Jacó a Labão: “Entregue-me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar-me com ela”.
22 Então Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa. 23 Mas, quando a noite chegou, deu sua filha Lia a Jacó, e Jacó deitou-se com ela. 24 Labão também entregou sua serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.
25 Quando chegou a manhã, lá estava Lia. Então Jacó disse a Labão: “Que foi que você me fez? Eu não trabalhei por Raquel? Por que você me enganou?”
26 Labão respondeu: “Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha. 27 Deixe passar esta semana de núpcias e daremos a você também a mais nova, em troca de mais sete anos de trabalho”.
28 Jacó concordou. Passou aquela semana de núpcias com Lia, e Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher. 29 Labão deu a Raquel sua serva Bila, para que ficasse a serviço dela. 30 Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. E trabalhou para Labão outros sete anos.
Os Filhos de Jacó
31 Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, concedeu-lhe filhos; Raquel, porém, era estéril.
32 Lia engravidou, deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Rúben, pois dizia: “O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará”.
33 Lia engravidou de novo e, quando deu à luz outro filho, disse: “Porque o Senhor ouviu que sou desprezada, deu-me também este”. Pelo que o chamou Simeão.
a 29.17 Ou sem brilho
34 De novo engravidou e, quando deu à luz mais um filho, disse: “Agora, finalmente, meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei três filhos”. Por isso deu-lhe o nome de Levi.
35 Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais outro filho, disse: “Desta vez louvarei o Senhor”. Assim deu-lhe o nome de Judá. Então parou de ter filhos.
30Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã. Por isso disse a Jacó: “Dê-me filhos ou morrerei!”
2 Jacó ficou irritado e disse: “Por acaso estou no lugar de Deus, que a impediu de ter filhos?”
3 Então ela respondeu: “Aqui está Bila, minha serva. Deite-se com ela, para que tenha filhos em meu lugar b e por meio dela eu também possa formar família”.
4 Por isso ela deu a Jacó sua serva Bila por mulher. Ele deitou-se com ela, 5 Bila engravidou e deu-lhe um filho. 6 Então Raquel disse: “Deus me fez justiça, ouviu o meu clamor e deu-me um filho”. Por isso deu-lhe o nome de Dã.
7 Bila, serva de Raquel, engravidou novamente e deu a Jacó o segundo filho. 8 Então disse Raquel: “Tive grande luta com minha irmã e venci”. Pelo que o chamou Naftali.
9 Quando Lia viu que tinha parado de ter filhos, tomou sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher.
10 Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho. 11 Então disse Lia: “Que grande sorte!”c Por isso o chamou Gade.
12 Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó mais um filho.
13 Então Lia exclamou: “Como sou feliz! As mulheres dirão que sou feliz”. Por isso lhe deu o nome de Aser.
14 Durante a colheita do trigo, Rúben saiu ao campo, encontrou algumas mandrágoras d e as trouxe a Lia, sua mãe. Então Raquel disse a Lia: “Dê-me algumas mandrágoras do seu filho”.
15 Mas ela respondeu: “Não lhe foi suficiente tomar de mim o marido? Vai tomar também as mandrágoras que o meu filho trouxe?” Então disse Raquel:
b 30.3 Hebraico: nos meus joelhos
c 30.11 Ou "Uma tropa está vindo!"
d 30.14 Isto é, plantas tidas por afrodisíacas e capazes de favorecer a fertilidade feminina.
“Jacó se deitará com você esta noite, em troca das mandrágoras trazidas pelo seu filho”.
16 Quando Jacó chegou do campo naquela tarde, Lia saiu ao seu encontro e lhe disse: “Hoje você me possuirá, pois eu comprei esse direito com as mandrágoras do meu filho”. E naquela noite ele se deitou com ela.
17 Deus ouviu Lia, e ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho. 18 Disse Lia: “Deus me recompensou por ter dado a minha serva ao meu marido”. Por isso deu-lhe o nome de Issacar.
19 Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto filho. 20 Disse Lia: “Deus presenteou-me com uma dádiva preciosa. Agora meu marido me tratará melhora; afinal já lhe dei seis filhos”. Por isso deu-lhe o nome de Zebulom.
21 Algum tempo depois, ela deu à luz uma menina a quem chamou Diná.
22 Então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou fértil. 23 Ela engravidou, deu à luz um filho e disse: “Deus tirou de mim a minha humilhação”. 24 Deu-lhe o nome de José e disse: “Que o Senhor me acrescente ainda outro filho”.
A Riqueza de Jacó
25 Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: “Deixe-me voltar para a minha terra natal.
26 Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você”.
27 Mas Labão lhe disse: “Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o Senhor me abençoou por sua causa”. 28 E acrescentou: “Diga o seu salário, e eu lhe pagarei”.
29 Jacó lhe respondeu: “Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados. 30 O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família?”
31 Então Labão perguntou: “Que você quer que eu lhe dê?” “Não me dê coisa alguma”, respondeu Jacó. “Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte: 32 hoje passarei
por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário. 33 E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário. Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados.”
34 E disse Labão: “De acordo. Seja como você disse”. 35 Naquele mesmo dia, Labão separou todos os bodes que tinham listras b ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas e todos os cordeiros pretos e os pôs aos cuidados de seus filhos. 36 Afastou-se então de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Labão.
37 Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos. 38 Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e 39 se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados. 40 Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão. 41 Toda vez que as fêmeas mais fortes estavam no cio, Jacó colocava os galhos nos bebedouros, em frente dos animais, para que se acasalassem perto dos galhos; 42 mas, se os animais eram fracos, não os colocava ali. Desse modo, os animais fracos ficavam para Labão e os mais fortes para Jacó. 43 Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos.
31Jacó Foge de Labão Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão estavam dizendo: “Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai”. 2 E Jacó percebeu que a atitude
“JACÓ INVESTIMENTOS”: PROSPERIDADE GARANTIDA
a ABRINDO O NAVEGADOR
Jacó passou por muitos problemas em sua vida pessoal, o que fez com que ele aprendesse e crescesse. A partir desse capítulo, Jacó começa a colher os frutos de seu trabalho. Até agora, vimos os patriarcas passarem por muitos problemas para que a promessa divina venha a ser cumprida. Mas, finalmente, na terceira geração, os filhos são muitos. Jacó tem 12 filhos e uma filha. Com isso, vemos claramente a bênção de Deus se manifestando na linhagem dos patriarcas. Os filhos são vistos como sinal de bênção divina e de prosperidade especial. E, novamente, vemos que o patriarca tem filhos por meio das concubinas de suas esposas. Só depois de tantos filhos de Lia e das concubinas, Deus se compadece de Raquel que é estéril, e lhe dá um filho, José. Mais tarde, Raquel dá à luz o seu último filho, Benjamim, e então se completa a descendência de Jacó. Jacó não apenas prospera em sua família, mas também em seu trabalho. Jacó pede a Labão para o deixar voltar à sua terra natal, e eles firmam um acordo, mas Labão elabora uma estratégia para tirar vantagem de Jacó. Quando vemos esse jogo de tirar vantagem, à primeira vista, achamos que Jacó foi esperto e agiu de forma a se beneficiar. Contudo, descobrimos mais adiante que Deus abençoa Jacó por sua bondade, mantendo a promessa feita no capítulo 28. Novamente vemos que Jacó, mesmo com todos os seus problemas de caráter e dificuldades pessoais profundas, finalmente alcança a bênção de Deus por meio de uma grande família e da prosperidade que lhe foi garantida. Não pelos seus investimentos, nem por sua prática, mas porque a palavra de Deus é garantia absoluta. Deus prometeu e cumpriu sua promessa e, a partir de então, a linhagem patriarcal se encontra abençoada.
a RECALCULANDO A ROTA
Mandrágoras eram consideradas afrodisíacas na época? Como entender esse texto?
Em praticamente todas as culturas existem atribuições afrodisíacas e de fertilidade a determinadas plantas. As mandrágoras eram consideradas plantas que auxiliavam na fertilidade. Contudo, o que está em vista no texto é a atitude humana de tentar alcançar os objetivos e desejos por meio da própria força, e, em contraste, o poder de Deus de realizar as coisas, conforme a sua vontade.
Qual a importância de Raquel na promessa de grande descendência dada a Abraão?
José, filho de Raquel, teve uma relevância especial no livro de Gênesis, porque dele vão surgir duas tribos: Manassés e Efraim. Com isso, Raquel é destacada e tem importância fundamental na história. Além disso, os filhos que Jacó teve com a sua concubina, Bila, também tiveram importância para formar as 12 tribos de Israel, fato que só ocorreu por causa da intervenção de Raquel em seu anseio de gerar filhos para Jacó, quando deu o primeiro sinal de independência em relação a Deus.
Jacó fez uma simpatia para que seu rebanho gerasse filhotes listrados?
Jacó propôs um acordo a Labão, no qual ele teoricamente teria desvantagem, pois a probabilidade de, por exemplo, nascerem ovelhas inteiramente brancas, era muito maior. Com isso, vemos que Jacó acreditava na superstição que ele praticou para que os filhotes do rebanho nascessem malhados. Jacó de fato foi abençoado, mas foi por meio da ação de Deus e não por causa do seu ato supersticioso. Isso demonstra que Jacó ainda estava em processo de crescimento e aprendizagem.
Como Labão teve uma revelação por meio de adivinhação (v. 27)?
Não é possível saber se Labão estava dizendo a verdade quando afirma que, por meio de adivinhação, descobriu que o Senhor o havia abençoado por causa de Jacó. Mas não há dúvidas de que Labão praticava a adivinhação, pois ele era da região da Mesopotâmia, um lugar pagão. E o povo daquela região possuía práticas envolvidas com a religião local. Mais adiante, observaremos que Labão realmente pratica adivinhação e que faz um juramento invocando o nome de outro deus.
a FECHANDO A TRILHA
Não confie na sua capacidade, nem em artimanhas. Não confie em sorte ou azar, pois a bênção e a prosperidade só são possíveis por meio do bom Deus.
de Labão para com ele já não era a mesma de antes.
3 E o Senhor disse a Jacó: “Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você”.
4 Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus rebanhos, 5 e lhes disse: “Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo. 6 Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho, 7 mas ele tem me feito de tolo, mudando o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse. 8 Se ele dizia: ‘As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e, se ele dizia: ‘As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com listras. 9 Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.
10 “Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fecundavam o rebanho tinham listras, eram salpicados e malhados. 11 O Anjo de Deus me disse no sonho: ‘Jacó!’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui!’ 12 Então ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpicados e malhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez. 13 Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra natal’ ”.
14 Raquel e Lia disseram a Jacó: “Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai? 15 Não nos trata ele como estrangeiras? Não apenas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós! 16 Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe ordenou”.
17 Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos, 18 e conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia
acumulado em Padã-Arã a , para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai, Isaque.
19 Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.
20 Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada. 21 Ele fugiu com tudo o que tinha e, atravessando o Eufrates b, foi para os montes de Gileade.
Labão Persegue Jacó
22 Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido. 23 Tomando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade. 24 Então, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu: “Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças”.
25 Labão alcançou Jacó, que estava acampado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também. 26 Ele perguntou a Jacó: “Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra. 27 Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som dos tamborins e das harpas. 28 Você nem sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensato.
29 Tenho poder para prejudicá-los; mas, na noite passada, o Deus do pai de vocês me advertiu: ‘Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças’. 30 Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses?”
31 Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força. 32 Quanto aos seus deuses, quem for encontrado
a 31.18 Provavelmente na região noroeste da Mesopotâmia; também em 33.18, 35.9 e 26.
b 31.21 Hebraico: o Rio.
JACÓ EM ROTA DE FUGA
a ABRINDO O NAVEGADOR
Jacó enfrenta muitas dificuldades. A finalidade dessa situação apresentada no texto bíblico está relacionada diretamente à realidade de que Deus está cumprindo a promessa inicialmente feita a Abraão, apesar das lutas e dificuldades. Além disso, o texto mostra como Deus trabalhou no caráter e na vida do patriarca Jacó. A prosperidade de Jacó começa a incomodar o seu tio Labão e os seus primos. Jacó trabalhou cerca de 20 anos na casa de Labão, onde prosperou e casou-se com duas de suas filhas. E agora começa a surgir o ciúme e a inveja da prosperidade de Jacó, tornando muito difícil a convivência entre eles. Diante dessa situação, Jacó conversa com suas esposas e explica o que está realmente acontecendo. Jacó diz a elas que está sendo direcionado pelo próprio Deus e que sua prosperidade não vem do acaso, pois essa bênção está totalmente relacionada com o que ele recebeu de Deus no encontro em Betel e a continuidade da aliança.
Então, a família decide fugir, sem dizer nada. Quando Labão descobre, fica indignado e os persegue, e em momento oportuno, Deus aparece em sonho para dizer a Labão para não ameaçar Jacó. Deus está no controle de tudo. Quando Labão alcança Jacó, depois de alguma conversa, pergunta sobre os ídolos do clã roubados. Na antiguidade, na região da Mesopotâmia, acreditava-se que esses deuses eram protetores do clã maior e que a prosperidade e o bem-estar estavam relacionados a esses ídolos. Por isso, Raquel os roubou, achando que, de alguma forma, ela seria beneficiada. Labão não encontra os ídolos, e Jacó apresenta muitas reclamações a seu tio Labão, dizendo que, se Deus não estivesse com ele, certamente Labão o teria despedido de mãos vazias. Depois dessa conversa, eles entram em acordo. Mais uma vez, graças a Deus, tudo termina bem. E Deus continua a cumprir a sua promessa, levando Jacó de volta à terra que será definitivamente entregue à sua geração.
a RECALCULANDO A ROTA
Prosperidade sempre traz inveja?
Infelizmente, a resposta a essa pergunta é sim. No texto, é possível observar que, enquanto estava apenas servindo como empregado na casa de seu tio, Jacó estava numa situação tranquila em relação a seus parentes. Essa situação mudou drasticamente à medida em que ele passou a prosperar. Dificilmente alguém passa por uma situação de prosperidade e crescimento sem provocar ciúmes e inveja em pessoas que, muitas vezes, podem estar em dificuldades na própria vida. Isso serve para comprovar novamente a fragilidade da natureza humana.
Nesse capítulo, Jacó finalmente entende que é Deus quem o está abençoando?
De fato, Jacó reconhece que foi Deus quem falou com ele em sonho, que o fez prosperar e o abençoou. É importante ressaltar que o texto não põe o foco no reconhecimento de Jacó, mas enfatiza com bastante clareza que Deus está no controle da situação, pois Deus não fala em sonho somente com Jacó, mas também com Labão. Jacó, de fato, toma a decisão de voltar à terra natal, mas, ao mesmo tempo, é verdade que Deus está no controle da situação, guiando-o. Até o reconhecimento de Labão de que foi Deus que falou com ele é obra divina.
Sendo idólatra, Labão pode fazer uma aliança usando o nome de Deus (v. 53)?
É preciso entender corretamente qual é a situação no tempo dos patriarcas. Deus é verdadeiro e está acima de toda fragilidade humana e de qualquer aspecto cultural de uma sociedade. Sendo Labão politeísta, era comum que, na realização de um acordo, se fizesse juramento em nome dos deuses das partes em acordo. Contudo, Deus não deixa de abençoar Labão, pois sabe que ele vem de uma situação de ignorância e limitação. Mas de nenhuma forma a idolatria é justificável.
Por que Raquel rouba os ídolos de Labão? Ela não conhecia verdadeiramente o Senhor? Isso demonstra que, quando as pessoas conhecem a Deus, elas ainda precisam de crescimento espiritual para realmente entender e introjetar em sua vida os princípios e práticas de acordo com a vontade de Deus. Raquel foi criada na casa de Labão e tinha a mesma cultura dele. Os ídolos que Raquel roubou garantiriam a sorte e a prosperidade da família,
segundo acreditava o clã de seu pai. O fato de ela ter levado o ídolo mostra sua fragilidade e revela sua esperança de receber alguma sorte por causa disso.
a FECHANDO A TRILHA
Não desista da justiça e saiba que Deus vê todo seu sofrimento, sua dor e a injustiça que você sofre. Ele é o juiz perfeito.
com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta”. Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.
33 Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel. 34 Raquel tinha colocado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.
35 Raquel disse ao pai: “Não se irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o fluxo das mulheres”. Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.
36 Jacó ficou irado e queixou-se a Labão: “Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente? 37 Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus parentes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.
38 “Vinte anos estive com você. Suas ovelhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho. 39 Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mesmo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite. 40 O calor me consumia de dia, e o frio de noite, e o sono fugia dos meus olhos. 41 Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Trabalhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus rebanhos, e dez vezes você alterou o meu salário. 42 Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão”.
O Acordo entre Labão e Jacó
43 Labão respondeu a Jacó: “As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os rebanhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram? 44 Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho entre nós dois”.
45 Então Jacó tomou uma pedra e a colocou em pé como coluna. 46 E disse aos seus parentes: “Juntem algumas pedras”. Eles apanharam pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras. 47 Labão o chamou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede a .
48 Labão disse: “Este monte de pedras é uma testemunha entre mim e você, no dia de hoje”. Por isso foi chamado Galeede. 49 Foi também chamado Mispá b , porque ele declarou: “Que o Senhor nos vigie, a mim e a você, quando estivermos separados um do outro. 50 Se você maltratar minhas filhas ou menosprezá-las, tomando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é testemunha entre mim e você”.
51 Disse ainda Labão a Jacó: “Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você. 52 São testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para prejudicar-me. 53 Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue c entre nós”. Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai, Isaque.
54 Ofereceu um sacrifício no monte e chamou os parentes que lá estavam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.
a 31.47 Tanto Jegar-Saaduta (aramaico) como Galeede (hebraico) significam monte de pedras do testemunho
b 31.49 Mispá significa torre de vigia
c 31.53 Conforme a Septuaginta e o Pentateuco Samaritano. O Texto Massorético permite que o versículo seja entendido no plural.
55 Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois voltou para a sua terra.
32Jacó Prepara-se para o Encontro com Esaú Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele. 2 Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim a .
3 Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.
4 E lhes ordenou: “Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: Assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora. 5 Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem”.
6 Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: “Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens”.
7 Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois e os camelos, 8 pois assim pensou: “Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá escapar”.
9 Então Jacó orou: “Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar’; 10 não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas. 11 Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças. 12 Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus descendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’ ”.
13 Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú: 14 duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, 15 trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos. 16 Designou cada rebanho sob o cuidado de um servo e disse-lhes: “Vão
à minha frente e mantenham certa distância entre um rebanho e outro”.
17 Ao que ia à frente deu a seguinte instrução: “Quando meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: ‘A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente?’, 18 você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós”.
19 Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os rebanhos: “Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontrarem. 20 E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós”. Porque pensava: “Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quando eu o vir, talvez me receba”. 21 Assim os presentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampamento.
Jacó Luta com Deus
22 Naquela noite, Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.
23 Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía. 24 E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. 25 Quando o homem viu que não poderia dominar Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de forma que a deslocou enquanto lutavam. 26 Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
27 O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” “Jacó b ”, respondeu ele.
28 Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israelc , porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
29 Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”. Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.
30 Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
b 32.27 Jacó significa ele agarra o calcanhar ou ele age traiçoeiramente; também em 35.10.
c 32.28 Israel significa ele luta com Deus; também em 35.10.
A LUTA CONTINUA, MAS É COM DEUS
a ABRINDO O NAVEGADOR
Jacó está se aproximando da terra de Canaã, voltando pela primeira vez depois de ter saído dali. A sua mente está repleta de preocupações, pois Jacó está retornando ao local onde seu irmão Esaú está. Como será o encontro? Como será que ele vai reagir? Será que ele ainda me odeia? Após tantas conquistas e prosperidade, Jacó corre o risco de perder tudo, por conta de coisas mal resolvidas do passado. Durante sua jornada, Jacó reconhece que o exército de Deus está ali. Mas, para Jacó, a preocupação maior é com o suposto exército de Esaú, que possa vir a surpreendê-lo a qualquer momento. Por isso, Jacó usa de artimanhas humanas, visando amenizar a ira de seu irmão Esaú. Mesmo tendo sido tão abençoado por Deus, que trabalhou muito em seu caráter, ainda há coisas do passado que marcam fortemente seu coração e sua vida. E, apesar de todo seu medo e preocupação, o encontro com seu irmão Esaú foi uma grande surpresa, pois Esaú correu ao seu encontro, o abraçou e o beijou, e eles choraram, fazendo as pazes. Todavia, o mais impressionante não é o encontro dos irmãos, mas o que acontece entre os capítulos 32 e 33. Ainda na viagem, Jacó fica sozinho, e um homem vem e se põe a lutar com ele até o amanhecer. Durante a luta, Jacó é ferido na articulação da coxa, e não permite que o homem o deixe até ele o abençoar. E ao fim, o homem muda o seu nome para Israel, pois lutou com Deus e com homens e venceu. Jacó sempre confiou plenamente na sua própria força e poder. É um homem experimentado, guerreiro, capaz de muitas façanhas e cheio de prosperidade. Um patriarca bem-sucedido que quer garantir a sua subsistência e a de sua família por meio de seu próprio poder e força. Então, no auge de uma crise, Deus lhe propicia uma experiência espiritual. Jacó inicia a luta com um homem estranho, confiando em sua própria força. Mas durante a luta, Jacó percebe que aquele não é um homem qualquer, mas sim um ser celestial. Jacó descobre que o que importa não é a sua força ou prosperidade, mas sim a bênção do homem celestial. Por isso, ele deixa tudo de lado e pede a bênção. Ao amanhecer, vemos um novo Jacó. Ele está mancando por causa de sua coxa machucada, mas espiritualmente ele é vitorioso, pois venceu o conflito consigo mesmo, com seu irmão Esaú, com a confiança no poder do homem e entendeu que a bênção provém somente do próprio Deus.
a RECALCULANDO A ROTA
Os atos do passado nos perseguem?
A grande verdade é que nós somos o resultado daquilo que fomos e fizemos. Por isso, quem nunca resolve o seu passado não pode dar passos para o futuro. O texto bíblico nos mostra que, quando trabalhou numa nova fase da vida de Jacó, Deus permitiu que os problemas do passado voltassem à tona. Isso se aplica à nossa vida também, pois a Palavra de Deus nos promete, em Cristo Jesus, perdão completo e salvação. Precisamos resolver nossos problemas pendentes antes de trilhar novos caminhos.
Como Jacó foi poupado da ira de seu irmão? Foi por conta de sua própria estratégia ou em razão da providência divina?
De fato, Jacó fez tudo o que era possível do ponto de vista humano: cálculos matemáticos, reorganização da família e envio de presentes. Contudo, toda a crise enfrentada por Jacó estava em sua própria mente. Havia muitos anos desde que Esaú ficou irado por causa da usurpação de Jacó, mas o fato é que Jacó ainda possuía esse problema em seu coração. Sem dúvidas, as atitudes de Jacó foram sábias, mas, com certeza, o Senhor, que já o havia abençoado grandemente, também estava no controle dessa situação.
Durante a luta entre Jacó e o homem que lhe apareceu, por que Jacó perguntou o nome desse homem?
Jacó estava no auge de sua prosperidade e, com isso, tinha a ilusão de que tudo dependia dele mesmo. Confiando em sua própria força para defender sua prosperidade e esperando encontrar o exército de seu irmão Esaú a qualquer momento, muito provavelmente achou que aquele homem era um espião guerreiro do exército de Esaú, e, assim, decidiu resolver a situação ao seu próprio modo. Ao ser ferido na coxa, Jacó foi humilhado por Deus, pois percebeu que a força humana não significa nada comparada à glória de Deus. Com isso, Jacó indagou sobre a identidade do homem que o
feriu, oferecendo-lhe condições de aproximar-se dele. Deus mostrou a Jacó que o problema não era o seu próprio nome, mas sim o nome de Jacó, e, assim, Deus lhe deu um novo nome, marca de sua transformação.
Por que é dada tanta ênfase à ferida da coxa de Jacó, a ponto de o povo judeu não comer o músculo ligado à articulação do quadril até hoje?
Os estudiosos relacionam esse músculo ao nervo ciático. Esse é o único mandamento ou tradição alimentícia judaica que não está na Lei de Moisés. A razão desse mandamento não está no alimento em si, mas sim na recordação concreta, um memorial para lembrar a vitória espiritual de Jacó em relação à luta que ele teve com Deus.
a FECHANDO A TRILHA
Pense bem: qual é a atenção que você dá a seus problemas reais? Deus quer dar a você uma experiência espiritual profunda para que as questões mais sérias da vida sejam de fato resolvidas em Deus.
31 Ao nascer do sol, atravessou Peniel, mancando por causa da coxa. 32 Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.
33O
Encontro de Esaú e Jacó
Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas. 2 Colocou as servas e os seus filhos à frente; Lia e seus filhos, depois; e Raquel com José, por último. 3 Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
4 Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.
5 Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes?” Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.
6 Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram. 7 Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.
8 Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho?” “Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.
9 Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.
10 Mas Jacó insistiu: “Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além
disso, tu me recebeste tão bem! 11 Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito”. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.
12 Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.
13 Jacó, porém, lhe disse: “Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá. 14 Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir”.
15 Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”. Jacó perguntou: “Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!”
16 Naquele dia, Esaú voltou para Seir. 17 Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.
18 Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à a cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade. 19 Por cem peças de prata b comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento. 20 Ali
a 33.18 Ou chegou a Salém, uma cidade de Siquém,
b 33.19 Hebraico: 100 quesitas. Uma quesita era uma unidade monetária de peso e valor desconhecidos.
Esta obra foi impressa no Brasil e conta com a qualidade de impressão e acabamento Geográfica Editora.