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Gazeta da Zona Leste - 1995

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GAZETA DA ZONA LESTE

SOLIDARIEDADE

Inaugurada a arte urbana Acolhida na Mooca

Inaugurada na última terça-feira, 21, na plataforma da estação ferroviária da Maria-Fumaça, na Mooca, a arte urbana Acolhida, assinada pelo artista italiano Edoardo Ettorre. Tal feito integra as comemorações dos 30 anos do Arsenal da Esperança. > VEJA + PÁGINA 5

gazetavirtual.com.br

Apresentador celebra longevidade do ‘Que História É Essa, Porchat?’

Mesmo depois de tantos relatos colecionados no “Que História é Essa, Porchat?” – programa que já soma mais de 200 episódios, mais de mil histórias contadas e mais de 10 mil pessoas na plateia ao longo de sete anos – há uma lembrança que insiste em permanecer como um marco na trajetória de Fábio Porchat: sua participação no “Programa do Jô”. > VEJA + PÁGINA 7

Prefeitura promove evento de adoção de felinos

A Secretaria Municipal da Saúde realiza amanhã, 25 de abril, o evento “Especial Gatinhos”, com foco na adoção responsável de gatos adultos e filhotes. A ação acontece das 9 às 17 horas, reunindo felinos que aguardam por um novo lar. > VEJA + PÁGINA 4

OPINIÃO

Ser competente não basta

POR RONALDO LOYOLA

No teatro das organizações, há um personagem recorrente: o especialista invisível. Profissionais brilhantes, técnicos impecáveis, mas que permanecem estagnados por ignorarem a dimensão teatral do trabalho. O mundo corporativo é um palco sem ensaio, e quem acredita que “o bom trabalho fala por si” esquece que conteúdo é só metade da cena; a outra metade é percepção. Quem não é visto não é lembrado — e não é promovido. Sem iluminação, até o maior talento fica nas sombras. Em ambientes guiados por confiança e leitura subjetiva, quem evita ocupar espaço é excluído do roteiro da ascensão. Cada reunião, apresentação ou conversa de corredor é uma cena onde credibilidade é testada. Se a voz falha, o olhar se esconde ou a postura transmite insegurança, a técnica perde força. É nesse ponto que surge a Inteligência Cênica: a habilidade de ler contextos, ajustar comportamentos e comunicar com intenção. Não se trata de fingir, mas de expressar a própria verdade com clareza. O ator ajusta a forma; o impostor disfarça o conteúdo. Essa competência envolve quatro dimensões: Leitura de Contexto, Comunicação Estratégica, Presença Cênica e Ética. E torna-se ainda mais crucial na era da Inteligência Artificial, onde máquinas não decodificam silêncios, tensões ou dinâmicas de poder. Desenvolver Inteligência Cênica não diminui mérito — amplifica. Transforma competência em visibilidade com propósito. O sucesso pertence a quem assume o protagonismo da própria trajetória. A maior falha não é errar o texto, mas permitir que o talento se torne irrelevante por falta de coragem de entrar em cena.

Pacto masculino: o silêncio que sustenta a violência

POR ALINE TEIXEIRA

Ochamado “pacto masculino” é um conceito que ajuda a explicar um comportamento social ainda muito presente: a tendência de homens protegerem, justificarem ou se omitirem diante de atitudes problemáticas de outros homens, especialmente quando essas atitudes envolvem mulheres.

Não é um acordo explícito, mas um padrão cultural. Ele se manifesta em situações cotidianas, muitas vezes naturalizadas, como comentários machistas tratados como piada, atitudes desrespeitosas relativizadas ou até mesmo a ausência de reação diante de comportamentos abusivos.

Na prática, o pacto masculino se sustenta na omissão. Isso significa que a violência contra a mulher não se mantém apenas por quem a pratica, mas também por um ambiente que, direta ou indiretamente, permite que ela aconteça. O silêncio, nesse contexto, deixa de ser neutralidade e passa a funcionar como validação.

Esse padrão tem impactos profundos, pois dificulta que mulheres reconheçam situações de violência, enfraquece redes de apoio e contribui para a normalização de comportamentos que não deveriam ser aceitos em nenhuma circunstância.

Por isso, enfrentar o pacto masculino não é apenas sobre condenar casos extremos mas é também sobre interromper padrões. Isso exige mudanças de comportamento, responsabilização e, principalmente, disposição para se posicionar, inclusive em situações cotidianas, onde o silêncio costuma parecer mais confortável.

A violência contra a mulher não é um problema individual, é estrutural e estruturas não se mantêm sozinhas. Romper com isso não é simples, mas é necessário. Porque enquanto o desconforto de se posicionar for menor do que o impacto da violência, nada muda.

Acredito que enfrentar a violência contra a mulher também passa por responsabilizar o silêncio, porque quando alguém se cala diante do erro, deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte do problema.

Aline Teixeira é médica veterinária, bióloga, terapeuta integrativa e, atualmente, está em fase final da graduação em Psicologia. Se especializou em áreas como Neurociência Clínica, Psicologia Sexual e diversas técnicas terapêuticas, incluindo Hipnose Clínica, Programação Neurolinguística e Terapia Holística. É suplente Deputada Estadual, pré-candidata e filha do presidente da Câmara Municipal. Redes sociais: @alineteixeira.oficial

SAÚDE PÚBLICA

Saneamento nas eleições 2026

Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado. No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).

Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no país não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo país. A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população: em 2024, o Brasil registrou mais de 350 mil internações hospitalares por doenças

relacionadas à falta de saneamento.

Ou seja, é de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto. Desde que o Marco Legal do Saneamento passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto, até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.

Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna. Portanto, neste ano de eleições, caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas. Vote com consciência. Este é o momento!

Elzio Mistrelo é engenheiro e coordenador do Boletim do Saneamento

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 30 de ABRIL de 2006

EDIÇÃONº 999

Moradores reclamam do atraso nas obras da Avenida Calim Eid

Segundo Geprocav, as obras não foram retomadas porque algumas pendências jurídicas quanto às desapropriações de alguns imóveis ainda não haviam sido solucionadas. Em reunião idealizada pelo ex-secretário de Participação e Parceria, vereador Gilberto Natalini, realizada na Sociedade Amigos de Vila Granada, no dia 13 de janeiro deste ano, que contou ainda com as presenças do ex-secretário de Coordenação

das Subprefeituras, deputado federal Walter Feldman, do subprefeito da Penha, José Araújo Costa e do assessor da Siurb - Secretaria de Infra-Estrutura Urbana, Giovani Palermo, que ali representa o secretário Antonio Arnaldo, ficou estabelecido que as obras de prolongamento da avenida Calim Eid (Marginal Franquinho), que é uma continuação da avenida Governador Carvalho Pinto (Tiquatira), seriam retomadas em março.

Redação: Antonia Cristina Romano
Revisão: Fabiana Nascimento
Mauro Tadeu Silva
Ronaldo Loyola é executivo

Câmara na Rua realiza edição neste sábado

AZona Leste de São Paulo recebe amanhã, dia 25, mais uma edição do projeto Câmara na Rua. A atividade será realizada no CEU Rei Pelé, no Jardim Santa Maria, a partir das 9 horas. Criada pela Câmara Municipal de São Paulo, a iniciativa leva vereadores e equipes técnicas para diferentes regiões da cidade com o objetivo de ouvir moradores e recolher demandas diretamente nos territórios.

Durante o evento, a população poderá participar da Tribuna Popular, espaço destinado a manifestações abertas feitas diretamente aos parlamentares. Tam-

CRESCIMENTO

bém será montada uma área com estandes informativos sobre o funcionamento do Legislativo e os serviços oferecidos pela Casa.

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ

A edição deste sábado foi precedida por uma atividade preparatória realizada no próprio território. No último dia 18, moradores do Jardim Santa Maria participaram da 2ª Oficina de Participação Cidadã, promovida pela Escola do Parlamento no mesmo local do evento. A ação reuniu participantes para orientar, de forma prática, como organizar propostas e encaminhar demandas ao poder público, além de apresentar os mecanismos

de atuação do Legislativo municipal. As contribuições levantadas devem subsidiar o diálogo com os vereadores durante o Câmara na Rua.

O Câmara na Rua tem percorrido bairros da capital desde o ano passado, com edições mensais realizadas sempre aos sábados. A proposta é descentralizar as atividades do Legislativo e ampliar o acesso da população aos canais de participação.

SERVIÇO

Câmara na Rua

Data: 25 de abril (sábado)

Horário: a partir das 9h

Local: CEU Rei Pelé

Endereço: Rua Camapu, 20 – Jardim Santa Maria Evento gratuito

Sicredi inaugura agência em Itaquera

Com a abertura do espaço, cooperativa consolida a estratégia de expansão

Josy Macedo, gerente da agência de Itaquera, recebe a chave simbólica de Jaime Basso, ladeados por outros diretores do Sicredi e representantes de entidades do bairro

Na última quarta-feira, dia 22, o Sicredi ampliou a sua presença em São Paulo com a inauguração de uma agência no centro de Itaquera, localizada na Rua Gregório Ramalho, 12.

O presidente da cooperativa, Jaime Basso, situa a chegada a Itaquera dentro de uma estratégia mais ampla. “Começamos em São Paulo em 2016, pela Avenida Paulista, Rebouças, Faria Lima, Berrini. Essas regiões nos deram visibilidade e credibilidade. Agora, fazemos o movimento que mais faz sentido para quem é cooperativista: chegar aos lugares onde o

sistema financeiro tradicional deixou de estar, e onde a nossa presença pode virar desenvolvimento local. Muitas vezes, o que o associado mais precisa nem é crédito, é orientação. Ter gente para sentar-se ao lado dele, olho no olho, é um dos nossos diferenciais. Aqui tem alma, e é por isso que seguimos abrindo agências.”

A agência soma-se às recentes aberturas em Parelheiros, Penha, Liberdade, Socorro, Butantã, São Miguel Paulista, Vila Guilherme, Casa Verde, Vila Leopoldina, Vila Prudente, Tucuruvi, Jabaquara, Centro Histórico, Pirituba e São Mateus.

Divulgação
O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Ricardo Teixeira é o idealizador do Câmara na Rua
DA REDAÇÃO

GATOS ADULTOS E FILHOTES

‘Especial Gatinhos’ com foco na adoção responsável

Cerca de 100 gatos, entre adultos e filhotes, estarão disponíveis para adoção responsável na Cosap

ASecretaria Municipal da Saúde realiza amanhã, 25 de abril, o evento “Especial Gatinhos”, com foco na adoção responsável de gatos adultos e filhotes. A ação acontece das 9 às 17 horas, na rua Santa Eulália, 86, em Santana, reunindo felinos que aguardam por um novo lar. “A adoção responsável é um gesto que transforma a vida dos animais e também das famílias. Eventos como esse ampliam essa conexão, dando visibilidade aos felinos. Esse é um dia especial para nossos gatos, mas quem vier também poderá conhecer nossos cães e aprender sobre guarda responsável”, destaca Analy. A Cosap vai além

da adoção de cães e gatos. Ela funciona como um centro público de referência em bem-estar animal na cidade. Atualmente, a unidade mantém 298 animais sob cuidados disponíveis para adoção, sendo 96 gatos e 202 cães.

ADOÇÃO

Para adotar um animal, o munícipe precisa apresentar Registro Geral (RG), Cadastro de Pessoa Física (CPF), comprovante de residência (dos últimos três meses) e pagar uma taxa pública no valor de R$ 35,80. Os interessados devem levar ainda uma caixa de transporte para garantir a segurança no deslocamento do gato adotado. Para adoção de cães, é necessário levar coleira e guia.

COSAP

A Coordenadoria de Saú-

de e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap), instituída no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio do Decreto 57.857 de 5 de setembro de 2017, tem como missão estabelecer políticas públicas consistentes voltadas à saúde, assistência e proteção dos animais domésticos na cidade de São Paulo. Dentre suas principais atribuições estão o controle reprodutivo pela esterilização cirúrgica de cães e gatos, a identificação e registro de animais, a adoção e a promoção do conceito da guarda responsável em todo município.

SERVIÇO

• Data: 25/04

• Horário: 9 às 17 horas

• Local: Cosap – Rua Santa Eulália, 86, Santana

Divulgação

Inauguração da arte urbana Acolhida

Mais do que uma intervenção artística, a arte urbana Acolhida é uma mensagem de solidariedade. Inaugurada na última terça-feira, 21, na plataforma da estação ferroviária da Maria-Fumaça, na Mooca, a arte de 26m de largura X 8m de altura é assinada pelo artista italiano Edoardo Ettorre e integra as comemorações dos 30 anos do Arsenal da Esperança.

“’Acolhida’ é um convite para que milhares de pessoas conheçam o Arsenal da Esperança e se somem a esse trabalho de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou o padre italiano Simone Bernardi, diretor da instituição, durante a cerimônia de inauguração.

MUSEU DA IMIGRAÇÃO

Instalada em um muro localizado na plataforma da estação ferroviária, atrás do Arsenal, a obra pode ser vista a partir do Museu da Imigração e deve impactar cerca de 400 mil passageiros por dia que utilizam a Linha 10–Turquesa da CPTM, no trecho entre as estações Brás e Juventus–Mooca (segundo dados do Estadão Mobilidade, 2025), além de moradores da região. A obra pode ser apreciada em um plano melhor pela rua Palmorino Mônaco, altura do número 834.

Durante a cerimônia, Ettorre destacou a experiência de imersão no cotidiano da instituição: “Foi uma vivência inesquecível acompanhar o dia a dia do Arsenal da Esperança. Sou muito grato aos acolhidos que

participaram como voluntários e contribuíram para a realização deste trabalho. Espero que todos se conectem com a obra, feita com muito envolvimento.” O artista produziu a pintura em sete dias, com a ajuda de seis acolhidos e ficou hospedado nesse período na instituição.

RESPONSABILIDADE COLETIVA

A curadora Giulia Lavinia Lupo, da She Wolf by Giulia, define ‘Acolhida’ como um gesto simbólico de empatia e responsabilidade coletiva. “Esperamos que todos que a vejam sintam-se convidados a estender a mão a quem precisa. Esse projeto nasceu de uma conversa iniciada em 2023 com padre Simone, amadureceu em 2025 e só se tornou possível graças a uma união de esforços”, afirma. “Tudo o que fizermos pelo Arsenal ainda será pouco diante da grandeza do trabalho realizado aqui.”

Reconhecido como o maior centro de acolhida da cidade de São Paulo, o Arsenal da Esperança atende diariamente cerca de 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social. A instituição desenvolve ações educativas, culturais e de capacitação profissional voltadas à geração de renda e à reconstrução de trajetórias, promovendo dignidade e novas oportunidades de vida. Ao longo de sua história, já acolheu cerca de 80 mil homens e recebeu diversos reconhecimentos, entre eles a Salva de Prata, maior honraria da Câmara Municipal de São Paulo (concedida 4.12.2024).

“Este ano celebramos os inúmeros gestos de acolhimento e as oportunidades geradas ao longo de três décadas, que impactaram diretamente milhares de vidas”, ressalta o padre Simone Bernardi. “Quem conhece o Arsenal costuma se surpreender com sua dimensão e com tudo o que é oferecido aqui.”

CARGA SIMBÓLICA

Para Lillo Guarneri, diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, parceiro na realização da obra, a intervenção amplia a visibilidade da instituição: “Essa obra contribui para que o Arsenal da Esperança seja ainda mais conhecido. Há também uma forte carga simbólica no local, já que o mural está no mesmo muro por onde muitos imigrantes chegavam à cidade de trem.”

Estiveram presentes na cerimônia também a vice-cônsul da Itália em São Paulo Marianna Haddad; a diretora do Museu da Imigração Alessandra Almeida; o deputado da República Italiana Paulo Fiorilo e o deputado estadual Paulo Fiorilo.

O descerramento da placa comemorativa do mural aconteceu no Salão Vida Fraterna e depois convidados e o público que se inscreveu para a cerimônia, foram conduzidos até a plataforma para conhecer o mural gigante e fazer fotos, inclusive com o artista Ettorre com sua obra. O evento foi encerrado com alguns convidados que puderam andar de Maria-Fumaça e conhecer a Estação Ferroviária que fez parte da história da imigração.

Divulgação
Obra do italiano Edoardo Ettorre integra as comemorações dos 30 anos do Arsenal da Esperança

‘Clô, pra sempre’, em curta temporada

Vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator de 2022 pelo monólogo “Simplesmente Clô”, Eduardo Martini retorna ao icônico personagem em “Clô, pra sempre”, espetáculo que revisita a vida e a obra do estilista e apresentador de televisão Clodovil Hernandes (1937–2009). O texto é assinado por Raphael Gama e a direção é de Viviane Alfano. A curta temporada tem início em 7 de maio, no Teatro Mooca. Os ingressos estão disponíveis no site e na bilheteria do teatro.

Figura tão admirada quanto controversa, Clodovil é retratado em toda a sua complexidade. “O Clodovil era tão amado quanto odiado pelas pessoas, não tinha meio-termo. E nós não fugimos de nada disso. A ideia é mostrar essa persona tão rica e contraditória sem jamais defender ou julgar. Ele não gostaria disso”, afirma Martini, que con-

No monólogo, Clodovil expõe pensamentos e episódios marcantes de sua trajetória

viveu com o estilista e nutria, há anos, o desejo de homenageá-lo nos palcos.

No monólogo, Clodovil expõe pensamentos e episódios marcantes de sua trajetória, revelando as origens de suas inspirações criativas e revisitando mais de 40 anos de vida pública. Moda, televisão, amizades, família, seu único amor e a experiência como deputado federal se entrelaçam ao relato íntimo de uma infância e adolescência difíceis, marcadas pela solidão. Sem filtros, o personagem compartilha lembranças duras e explica os motivos que o levaram a ser uma criança introspectiva e sem amigos.

Serviço

Temporada: de 7 a 28 de maio, quintas-feiras, às 20h. de 3 a 17 de junho, quarta-feira, às 20h. Ingressos: sympla.com.br.

Teatro Mooca - Mooca Plaza Shopping, R. Cap. Pacheco e Chaves, 313 - Vila Prudente.

ENTREVISTA

Apresentador celebra longevidade do ‘Que História É Essa, Porchat?’

Mesmo depois de tantos relatos colecionados no “Que História é Essa, Porchat?” – programa que já soma mais de 200 episódios, mais de mil histórias contadas e mais de 10 mil pessoas na plateia ao longo de sete anos – há uma lembrança que insiste em permanecer como um marco na trajetória de Fábio Porchat: sua participação no “Programa do Jô”. Entre tantas narrativas que passaram por sua carreira, o encontro com Jô Soares se tornou uma espécie de referência constante. “Eu sempre penso na minha ida ao ‘Programa do Jô, quando eu era estudante de Administração, porque foi lá que tudo se abriu na minha cabeça e se eu tenho hoje um talk show, é por causa do Jô Soares”, valoriza.

A nova fase do “Que História Essa, Porchat?” chega embalada pela conexão já estabelecida com o público. Na temporada anterior, exibida de março a dezembro, o programa alcançou cerca de 13 milhões de pessoas no GNT e consolidou-se como o título mais assistido em horas no consumo simulcast (transmissão simultânea) e vídeo on demand (VOD) do canal, além de líder da categoria de variedades em VOD no Globoplay neste mesmo período. Já na Globo, os episódios foram acompanhados por mais de 55 milhões de pessoas, registrando média superior a 10 milhões de telespectadores por exibição. “É muito bom ver que o programa, depois de sete temporadas, continua forte não só pelo olhar do público, mas nos números. É muito gratificante saber que ele continua líder de audiência e visto por tanta gente”, celebra.

P – Ao longo das temporadas, você ouviu centenas de histórias inusitadas. Qual relato mais fez você repensar o poder da narrativa no cotidiano das pessoas?

R

– Nessa oitava temporada teve uma história muito boa de uma menina que sobreviveu ao tsunami lá na Tailândia. E foi uma história muito bem contada, muito séria, sem humor, e a plateia ficou muda, ouvindo o relato da moça. E acho que faz a gente pensar bastante sobre a vida, né? Sobre como tudo pode acontecer em um segundo e a gente nem se dá conta das coisas que estão acontecendo.

P – O programa nasceu quase como uma extensão da sua curiosidade natural, tornando-se um dos seus projetos de maior sucesso. Após o “Que História

sabe que programa é aquele, se ele vai funcionar, se ele vai dar certo, se as pessoas vão gostar, se as pessoas querem ouvir história. E depois, hoje na oitava temporada, já temos certeza de que funcionou, que deu certo. As pessoas adoram o programa, vêm falar comigo na rua. Então, hoje eu tenho uma tranquilidade de saber que já é um formato que funciona.

P – O programa está bastante consolidado na grade do GNT. Você sente alguma necessidade de reinventar o projeto a cada nova temporada?

R – Eu acho que não, o formato já está consolidado, ele já funciona. Quanto mais complicar, pior. Temos de facilitar. Às vezes, dentro do programa, a gente vai entendendo. Essa temporada, por exemplo, teremos mais pessoas contando histórias em dupla, e vejo isso como uma possibilidade legal de contar. Mas, de um modo geral, conseguimos criar um ambiente televisivo em que as pessoas esquecem que estão na tevê, e isso é muito raro.

P – Sua carreira começou muito ligada ao stand-up. Como o Fabio Porchat de hoje dialoga com aquele jovem comediante que subia ao palco pela primeira vez no “Programa do Jô”?

R – Eu sinto que aquele que começou é um Fábio Porchat um pouco mais afobado, um pouco mais ansioso, claro, um pouco mais jovem e, portanto, querendo mostrar serviço. E sinto que o Fábio de hoje tem um pouquinho mais de calma. Mas eu adoro aquele Fábio de antigamente também. Eu só sou o Fábio de hoje porque aquele Fábio de antigamente fez tudo aquilo que ele fez.

é Essa, Porchat?”, você sente que algo mudou na sua visão como artista?

A entrada de Fábio Porchat na televisão se deu em 2006, quando foi chamado por Maurício Sherman para escrever no “Zorra Total” para não selecionar relatos mais dramáticos?

R – Eu não sei se mudou alguma coisa, mas eu sei que reforçou a minha ideia de que todo mundo é interessante de alguma forma. Todo mundo tem uma história para contar. Era uma coisa que eu tinha certeza quando eu comecei o programa e que a cada temporada se reafirma. Então, nesse sentido, o meu interesse pelas histórias das pessoas é sempre o mais profundo. Tento estar concentrado ali, olhando para aquela pessoa, porque aquela história que aquela pessoa viveu é interessante.

P – O programa conta majoritariamente com história leves e divertidas. Há alguma preocupação ou cuidado

R – A gente seleciona histórias de todos os tipos. Claro que o programa é leve, divertido, então a gente sempre vai para um caminho um pouco mais das histórias engraçadas, mas tivemos histórias já difíceis, histórias duras, histórias assustadoras. De um modo geral, a gente não vai muito para histórias de relatos pessoais, de superação de vida, não é essa muito a história que a gente busca no programa.

P – O que mudou na sua forma de conduzir entrevistas desde a primeira temporada até agora?

R – Agora eu tenho mais segurança. Quando o programa estreia, a gente não

P – Você é conhecido por tocar projetos simultâneos. Com o avançar dos anos, você tem conseguido colocar o pé no freio no ritmo profissional?

R – Continuo na minha maluquice de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Hoje, eu estou com o “Porta dos Fundos” gravando, escrevendo, fazendo o programa. Estou em cartaz com a minha peça (“Histórias do Porchat”) rodando o Brasil. Atualmente em cartaz em São Paulo, mas também fazendo várias cidades. Vai chegar aí o “Central da Copa”, que eu vou fazer com o Tadeu Schmidt. Vou para Portugal no meio do ano para gravar um programa lá para a RTP portuguesa. Então, eu estou sempre com vários projetos na manga, já pensando numa nova ideia. Tem um podcast vindo aí que eu gosto muito. Eu não consigo parar!

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