GAZETA DA ZONA LESTE

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A Secretaria de Obras e Infraestrutura da cidade de São Paulo apresentou na última segunda-feira, dia 6, o projeto do BRT Aricanduva, um sistema de mobilidade urbana moderno que funciona como um “metrô de superfície”. > VEJA + PÁGINA 4 e 5







Lázaro Ramos encara seu primeiro vilão televisivo
Lázaro Ramos sempre foi reconhecido pelo sorriso fácil e pela energia carismática que transmite em cena e fora dela. Um sujeito alegre, que costuma levar leveza para os papéis e para o público, agora se vê diante de um desafio diferente: dar vida a um personagem carrancudo, ambicioso e manipulador. Essa mudança de registro tem exigido bastante do ator em cena para dar vida ao vilão Jendal, de “A Nobreza do Amor”. > VEJA + PÁGINA 7
DIVULGAÇÃO

MÃOS E MENTES
A Prefeitura de São Paulo prorrogou até o dia 22 de abril as inscrições para a 3ª edição do Concurso Mãos e Mentes – Identidade Paulistana de Artesanato. A iniciativa é voltada a artesãos e manualistas credenciados no Mãos e Mentes Paulistanas. > VEJA + PÁGINA 3

editorialeditorial

POR JAMES MCSILL
Vivemos um paradoxo: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, e nunca foi tão difícil produzir sentido. Entre automações, textos algorítmicos e narrativas moldadas para engajamento, surge a pergunta: o que acontece quando delegamos às máquinas não só a forma, mas a intenção do que comunicamos?
O maior risco da IA não é substituir o humano, mas esvaziar o significado. Quando deixamos que sistemas decidam o que deve emocionar ou convencer, abrimos mão da responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Sem intenção consciente, a comunicação vira apenas engenharia de estímulos — eficiente, porém vazia — e onde falta intenção, sobra manipulação. Nesse cenário, comunicar exige mais do que dominar ferramentas: exige ética de design. Tecnologias realmente úteis devem ampliar a consciência, não anestesiá-la. Sistemas de voz, algoritmos narrativos ou qualquer solução relevante precisam integrar saberes diversos, da engenharia à psicologia. Ainda assim, há algo insubstituível: o humano ético. Sem essa consciência, avanços técnicos viram instrumentos de persuasão cega. A responsabilidade é dupla: com o público, que confia no que recebe, e com a humanidade, moldada silenciosamente pelas escolhas tecnológicas que fazemos. A IA não é neutra; reflete valores e intenções de quem a cria. Para quem teme perder a própria voz, o primeiro passo é o silêncio: ouvir a si mesmo e ao outro. A IA replica estilos, mas não cria intenção — e intenção é o núcleo da voz. Criar e comunicar continuam sendo atos profundamente humanos. A tecnologia amplifica, mas só o humano decide o que merece ser dito.
Artificial”

POR ANTONIO RINALDI
Aacupuntura é uma ciência que nasceu na China há aproximadamente 5.000 anos e consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo. Esses pontos são chamados de “Acupontos” ou pontos energéticos. A acupuntura é uma técnica milenar que trabalha o corpo no seu aspecto energético equilibrando a função energética dos órgãos e por modulação neuronal estimulando substâncias dentro do cérebro para melhorar a dor, inflamação, alergias, alterações endócrinas, sistema imunológico e a regeneração tecidual, assim como a prevenção de doenças. A acupuntura é uma técnica minimamente invasiva, onde são colocadas agulhas finas na pele e o organismo reconhece aquele estimulo e envia o mesmo ao cérebro e então ocorrerá a liberação de substâncias através dos neurotransmissores.
Substâncias como endorfinas, serotoninas, dopaminas, opiáceos endógenos, cortisol endógeno e muitas outras para que haja uma resposta imediata sobre qualquer agressão ou processo patológico que venha acometer o organismo. O que a acupuntura trata? Do-
enças da região cervical e membros superiores: ombro congelado, mialgias, cervicalgia, rigidez no pescoço, artrose cervical e do ombro, tendinites do ombro, síndrome do túnel do carpo. Doenças da região lombar e membros inferiores: lombalgias agudas e crônicas, ciatalgia (dor ciática), artrose de joelho e quadril, fascite plantar e esporão de calcâneo, e dor pós-cirúrgica. Dores agudas e crônicas: fibromialgia, artrite reumatoide, dor devido ao herpes zoster, dor de cabeça, dor da ATM (articulação temporomandibular).
Sistema geniturinário: irregularidades menstruais, TPM, cistites, endometriose, menopausa e seus sintomas, ejaculação precoce, disfunção erétil, dor pélvica. Náuseas e disfunções do sistema gastrointestinal: gastrite, má digestão e problemas do fígado, síndrome do cólon irritável, náusea devido a quimioterapia, prisão de ventre, diarreia. Alergias e aparelho respiratório: rinite, bronquite e sinusite. Dermatologia: coceiras, acne vulgar, alopecia, psoríase e alergias cutâneas.
Consultórios: Rua: Serra de Botucatu, 113, Tatuapé; Rua: Voluntários da Pátria, 654, Sala 317, Santana. Contato: Whatsapp: (11) 97372-3325 / www.rinaldinaturopata.com / dr.rinaldinaturopat



Vivemos em uma sociedade intrinsecamente conectada, onde a atividade digital gera um rastro contínuo de dados pessoais. Essa “moeda” informacional, embora vital para a economia moderna, exige uma salvaguarda jurídica robusta, especialmente no que tange ao Direito à Privacidade e à Intimidade. Este artigo visa desmistificar a proteção de dados em um ambiente marcado pela emergência de novos ilícitos, como o cyberbullying, e práticas corporativas opacas. A linguagem do Direito, historicamente complexa e repleta de tecnicismos e arcaísmos, muitas vezes dificulta a compreensão do cidadão comum. Contudo, a clareza é imperativa para que o titular dos dados possa exercer plenamente sua cidadania. É neste contexto que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) atua como um marco regulatório essencial no Brasil. A LGPD não apenas estabelece as regras para a coleta, tratamento e armazenamento dos dados pessoais por empresas (controladores e operadores), mas também reforça o princípio constitucional da autodeterminação informativa. Essa legislação é crucial para combater práticas discriminatórias e potencialmente abusivas no cotidiano digital,
há
Ccomo o geopricing (diferenciação de preço com base na localização do usuário) e o geoblocking (bloqueio de acesso a serviços em determinadas regiões), que utilizam dados de localização sem o devido consentimento ou transparência. Um dos fenômenos mais perniciosos no ambiente digital é o Cyberbullying (ou bullying virtual), definido como qualquer forma de violência praticada por meio da internet ou de dispositivos eletrônicos. Esta modalidade de agressão representa uma grave violação do Direito à Imagem, Intimidade e Privacidade da vítima.
A LGPD se revela uma ferramenta essencial no combate ao cyberbullying, pois ao exigir rastreabilidade de conteúdos ilícitos e padrões rigorosos de segurança das plataformas, facilita a identificação e responsabilização dos agressores. Mais do que uma questão econômica, a proteção de dados é um mecanismo democrático que garante ao cidadão o controle sobre sua própria narrativa e sua segurança no espaço digital, coibindo o uso da tecnologia para fins danosos à dignidade humana.
Thiago Massicano, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, sócio-presidente da Massicano Advogados e presidente reeleito da OAB Subseção Tatuapé. Acompanhe outras informações sobre o Direito Empresarial e do Consumidor no site www.massicano.adv. br, que é atualizado semanalmente.
O QUE ERA NOTÍCIA EM 16 de ABRIL de 2006
EDIÇÃONº 997
amelôs vendedores de CDs piratas trabalham livremente na Rua Flores do Piauí. A despreocupação é tão grande que são mais de quatro barracas na mesma via. Umas comercializam DVDs e outras CDs de jogos e músicas. Um deles disse estar há três meses em São Paulo e, desde então, trabalha no local. Segundo ele também, depois do dia 15 do mês o comércio enfraquece um pouco, porém a região dá bons lucros. Mesmo ao trabalhar com produtos diferentes, outros também deixam de pagar impostos. Como é o caso de Hélio Junior, mo-
rador do bairro e vendedor de bolsas. De acordo com ele, a relação com a Subprefeitura é muito boa. “Estou aqui há nove anos e não me cobram nada por isto”. O mais interessante é o fato de o prédio da Prefeitura ficar a cerca de 200 metros de lá, na Rua Américo Salvador Novelli. EVOLUÇÃO
O ambulante acredita na evolução do bairro com a chegada do shopping na estação Itaquera do Metrô. “Quando tiver a oportunidade vou tentar obter um espaço. Não agüento mais trabalhar na rua, é muito desgastante”, define o comerciante.


Iniciativa vai selecionar até 20 artesãos e distribuir R$ 100 mil em premiações
DA REDAÇÃO
APrefeitura de São Paulo prorrogou até o dia 22 de abril as inscrições para a 3ª edição do Concurso Mãos e Mentes – Identidade Paulistana de Artesanato.
A iniciativa é voltada a artesãos e manualistas credenciados no Mãos e Mentes Paulistanas, programa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, e vai premiar até 20 participantes com um total de R$100 mil.
O concurso tem como proposta valorizar a criatividade, a diversidade cultural e a excelência do artesanato produzido na capital, convidando os participantes a desenvolverem uma peça autoral
que represente a identidade paulistana a partir de seu próprio olhar, técnica e linguagem. Cada selecionado poderá receber até R$5 mil para a produção das peças vencedoras, que passarão a integrar ações institucionais da Prefeitura, como eventos oficiais, visitas técnicas e intercâmbios com autoridades nacionais e internacionais.
COMO PARTICIPAR
Para se inscrever, é necessário estar credenciado no Mãos e Mentes Paulistanas, ter concluído as etapas de qualificação exigidas e possuir CNPJ ativo.
Cada participante deve submeter uma peça autoral, de caráter utilitário ou decorativo, que dialogue com a identidade da cidade por meio do design, da
criatividade e da valorização cultural.
O edital prioriza propostas com práticas sustentáveis, qualidade de acabamento e conexão com o território paulistano. O valor final do produto não pode ultrapassar R$200, incluindo todos os custos.
O processo seletivo será realizado em fases, com análise técnica e curadoria especializada, considerando critérios como identidade, inovação, design e execução.
Os participantes selecionados seguirão para uma etapa de mentoria, com orientação técnica para aprimoramento das peças, antes da avaliação final. Ao todo, até 20 artesãos serão premiados.
Novo espaço reforça o compromisso da cooperativa em estar perto das pessoas e fomentar o desenvolvimento local
OSicredi inaugurou mais uma agência em São Paulo, dessa vez no bairro da Penha, e demonstrou o seu compromisso de estar presente onde as pessoas vivem, produzem e fazem a economia acontecer. O novo espaço foi pensado para fortalecer o vínculo com os associados da região e oferecer um atendimento próximo, humano e cooperativo.
O gerente geral da nova agência, César Carvalho, celebrou o início das atividades e destacou o papel da equipe em fortalecer o modelo cooperativo na região. “Queremos
apoiar, evoluir junto e fazer a diferença na vida das pessoas.”
O presidente da cooperativa, Jaime Basso, ressaltou a importância da expansão na capital paulista.
“Temos o compromisso de sermos uma alternativa ao sistema financeiro tradicional. Com interesse genuíno pelas localidades onde atuamos, queremos gerar renda com um atendimento acolhedor e eficiente. É uma grande satisfação entregar esse espaço e contribuir para uma sociedade mais próspera.”
A agência está localizada na Avenida Amador Bueno da Veiga, 1097.

DA REDAÇÃO
Secretaria de Obras e Infraestrutura da cidade de São Paulo apresentou na última segunda-feira, dia 6, o projeto do BRT Aricanduva. O evento aconteceu no teatro do CEU Aricanduva e foi conduzido pelo secretário da Siurb, Marcos Monteiro, e pelos subprefeitos da Penha, Katia Falcão; do Aricanduva, Rafael Meira; de Itaquera, Rafael Limonta; e de São Mateus, Ozziel Souza, além de técnicos da SPObras, da Siurb e da SPTrans. O encontro também contou com a participação de munícipes, representantes da sociedade civil organizada e integrantes do poder público.
O BRT (Bus Rapid Transit ou Transporte Rápido por Ônibus) é um sistema de mobilidade urbana moderno que funciona como um “metrô de superfície”. Caracteriza-se por corredores exclusivos, veículos articulados
de alta capacidade, embarque em nível nas estações e pagamento antecipado, visando rapidez, conforto e eficiência em comparação ao ônibus convencional.
Com 13,6 quilômetros de extensão, o BRT Aricanduva, cujas obras devem começar no próximo mês de maio, terá início na intersecção da Avenida Radial Leste com a Avenida Aricanduva, seguirá acompanhando o traçado do Rio Aricanduva e, posteriormente, da Avenida Ragueb Chohfi, até a região do Terminal São Mateus da EMTU, nas proximidades da Praça Felisberto Fernandes da Silva. Segundo a Prefeitura, o empreendimento beneficiará diretamente cerca de 290 mil passageiros por dia e aproximadamente 1 milhão de pessoas de forma indireta.
O investimento total será de 121 milhões de dólares ou 648 milhões


de reais. A construção foi dividida em quatro lotes, vencidos pelos consórcios DPE Aricanduva (lotes 1 e 2), FAK Aricanduva (lote 3) e SHA Mobilidade Aricanduva (lote 4). Os recursos para financiamento da obra e desapropriações foram obtidos com o Banco Mundial. O novo corredor contará com pistas no canteiro central em concreto, faixas de ultrapassagem nas paradas, asfalto nas demais faixas, além de ciclovia e passeios acessíveis.
INTEGRAÇÃO E MODERNIDADE
O BRT Aricanduva fará conexão com a Linha 3–Vermelha do Metrô, as Linhas 11–Coral e 12–Safira da
CPTM, a futura extensão da Linha 2–Verde do Metrô, a Linha 15–Prata do Monotrilho, além dos corredores de ônibus Radial Leste e Itaquera. Serão implantadas 46 estações de embarque e desembarque (23 em cada sentido), com espaçamento médio de 600 metros. As estações serão fechadas, possibilitando a cobrança de tarifa fora do ônibus, e contarão com portas automáticas, banheiros, sistema de combate a incêndio, rotas de fuga e acesso à internet via Wi-Fi. As plataformas terão acessibilidade plena, com piso tátil, rampas e embarque em nível, além da implantação de Salas de Apoio Operacional em cada estação.
SISTEMA INTELIGENTE
O projeto prevê a implantação de um avançado Sistema Inteligente de Transporte (ITS), com monitoramento contínuo de todo o corredor. A tecnologia permitirá a supervisão em tempo real da operação dos ônibus e do tráfego, garantindo mais eficiência e redução do tempo de espera dos passageiros. Entre os recursos previstos estão a bilhetagem desembarcada, informa-
ções em tempo real aos usuários sobre horários e eventuais ocorrências, portas de plataforma automatizadas compatíveis com diferentes tipos de ônibus, além de sistemas de sonorização e avisos visuais.
O sistema de CFTV com vídeos analíticos reforçará a segurança nas estações, auxiliando na prevenção de crimes e no combate ao assédio, especialmente contra mulheres. A geração de



dados estatísticos em tempo real também vai apoiar a tomada de decisões e o aprimoramento contínuo do serviço.
CICLOVIA E PAISAGISMO
As estações contarão com placas solares, promovendo economia energética. O corredor terá ainda sinalização semafórica inteligente, interligada por fibra ótica ao Centro de Controle Operacional do Corredor.
O projeto inclui a implantação de

ciclovia e passeio acessível ao longo de todo o trajeto, em ambos os lados do Rio Aricanduva, além de tratamento paisagístico e urbanístico. Para reforçar a segurança dos ciclistas, serão instalados totens com botões de emergência, câmeras e comunicação direta com as estações e a central de controle. Mais informações sobre o BRT Aricanduva podem ser obtidas no site www.brtaricanduva.com.br






Obairro da Mooca está com o cenário artístico mais uma vez vibrante desde a inauguração da galeria “O Jardim” há quase dois anos. Idealizado pela empresária cultural e fotógrafa Malu Mesquita, o espaço é dedicado à arte e à cultura e proporciona aos apaixonados pela cultura e pelo e universo fotográfico, momentos de interação e reflexão, por meio de fotografias que despertam o imaginário coletivo. Neste sábado, dia 11 de abril, a convite da galeria, será apresentada uma exposição inédita assinada por 4 fotógrafos: Alex Reipert, João França, Malu Mesquita e Sandra Carrilo, moradores do bairro da Mooca. A mostra reúne aproximadamente 30 fotografias com temas variados. A curadoria é de Renato Negrão e o projeto expográfico de Ayman Alabadleh. Ao longo dos últimos anos, O





Jardim se tornou referência cultural na Mooca, abrigando lançamentos de livros, exposições de artes visuais, e a interação entre diferentes expressões artísticas, além de espaço para cursos e desenvolvimento de projetos culturais. O Jardim surge com a intenção de tornar-se um espaço de resistência, inspiração e fomento à cultura, apoiando artistas e promovendo experiências únicas aos visitantes.
No dia 11 de abril, você é nosso convidado especial para brindar e conhecer mais uma arte na Mooca. Venha celebrar a criatividade com a gente!
Local: Galeria “O Jardim” por Malu Mesquita. Exposição: Fotógrafos da Mooca. Curadoria: Renato Negrão. Abertura e encerramento: 11 de abril até 23 de maio. Horário: Das 15h às 20h. Endereço: “O Jardim” - Rua Ilansa.


Lázaro Ramos sempre foi reconhecido pelo sorriso fácil e pela energia carismática que transmite em cena e fora dela. Um sujeito alegre, que costuma levar leveza para os papéis e para o público, agora se vê diante de um desafio diferente: dar vida a um personagem carrancudo, ambicioso e manipulador. Essa mudança de registro tem exigido bastante do ator em cena para dar vida ao vilão Jendal, de “A Nobreza do Amor”. “É um lugar que não estou acostumado a estar. Geralmente, o sorriso de Lazinho está sempre presente. Mas isso tem sido um exercício cênico maravilhoso”, aponta.
Em “A Nobreza do Amor”, Jendal se declara rei de Batanga após um golpe. Obcecado por Alika, papel de Duda Santos, obriga a princesa a se casar com ele depois de ameaçar matar o casal real. Quando a princesa foge do reino sem consumar o casamento, Jendal oferece uma recompensa milionária por sua cabeça. “Nunca foi um sonho da minha vida fazer vilão. Meu sonho era fazer herói. Quando Elisio me convidou para o projeto, quis muito fazer. Está sendo uma descoberta e um prazer falar coisas absurdas e maldades, além de acompanhar esse universo que vem sendo contado”, explica.
P – Você coleciona uma série de heróis e mocinhos em sua trajetória na tevê. O que mudou dentro de você ao aceitar viver um vilão pela primeira vez?
R – Mudou a percepção de que o vilão também é um território fértil para descobertas. Eu nunca tinha transitado por esse lugar, principalmente na televisão, e percebi que há um prazer em falar absurdos, em explorar maldades, porque isso também revela muito sobre o ser humano. É como se eu estivesse começando de novo na profissão.
P – Ainda que tenha uma série de atitudes cruéis, o Jendal carrega toques de humor. Como você dosa esse tom cômico com as vilanias?
R – Ele é patético porque se leva muito a sério e isso gera humor in -

voluntário. Mas ao mesmo tempo, é um homem ambicioso, manipulador e vaidoso. Esse contraste é o que dá vida ao personagem: rir dele, mas também temer o que ele pode fazer.
P – Você já comentou que não defende o personagem. Como é possível interpretar alguém sem justificar suas ações?
R – Eu não defendo porque ele comete atos condenáveis. O que eu faço é tentar entender suas motivações. A história do mundo está cheia de jendais, pessoas que, ao terem poder nas mãos, se tornam tiranos. Eu busco esse espelho histórico para dar verdade ao personagem.
P – Você chegou a se inspirar em figuras reais para dar vida ao Jendal?
R – Ele dialoga diretamente com muitas realidades. A novela é divertida, mas também é um espelho. Ela nos faz refletir sobre o que fazemos quando temos poder nas mãos.
P – Como foi seu trabalho de construção para essa novela?
R – Tenho encarado essa novela muito pela ótica do teatro. Acho que isso traz profundidade. No teatro, cada detalhe é pensado, e eu levo isso para a novela. Não é apenas sobre decorar falas, mas sobre construir camadas, entender intenções, dar densidade. Isso torna o trabalho mais difícil, mas também mais prazeroso. E essa novela tem um texto muito gostoso para se debruçar.
P – Por quê?
R – O texto é incrível. Eu queria estar nessa novela pela beleza da história, pela importância de inaugurar uma estética nova, pela presença da primeira princesa negra. Eu me encantei pela fábula antes de saber quem eu seria dentro dela.
P – O figurino parece ter sido uma chave para você compreender Jendal. O que a roupa revelou que o texto ainda não tinha mostrado?
R – Quando coloquei aquelas joias grandes e pesadas, entendi o lugar que ele queria ocupar no mundo. O figurino me deu a dimensão da vaidade dele, da necessidade de ostentar poder. É como se cada peça fosse um símbolo da sua ambição.





