GAZETA DA ZONA LESTE
nº 1.991
DESDE 1978
SÃO PAULO, 27 DE MARÇO DE 2026
SMART SAMPA
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ENTREVISTA
Com mais de 40 mil câmeras estrategicamente espalhadas por ruas, avenidas e equipamentos públicos, o Smart Sampa vem sendo determinante em ocorrências envolvendo tráfico de drogas, roubo, furto, agressão e vandalismo. > VEJA + PÁGINA 5




Duda Santos vibra com a representatividade em
A atriz, que cresceu desejando personagens capazes de refletir a beleza e a complexidade da cultura negra, agora se vê diante de uma responsabilidade histórica: interpretar uma princesa africana em horário nobre. Para ela, não se trata apenas de um papel, mas de um gesto político, afetivo e um mergulho na ancestralidade e na representatividade que faltaram por tanto tempo na teledramaturgia brasileira. > VEJA + PÁGINA 7
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A Prefeitura de São Paulo realiza o Dia D de Vacinação contra a Influenza e inicia a estratégia de imunização contra o vírus amanhã, sábado, dia 28, nas 481 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade, que estarão abertas, das 8 às 17 horas. > VEJA + PÁGINA 3


POR DANIEL C. LUZ
Vivemos em uma cultura que valoriza o acúmulo, não apenas de objetos, mas também de conquistas, certezas e tentativas de controlar o futuro. A ideia de “segurar firme” aquilo que conquistamos costuma ser vista como sinal de força, persistência e segurança. No entanto, muitas vezes é justamente esse impulso de manter tudo sob controle que acaba nos aprisionando. Imagine a cena: você está diante de uma oportunidade incrível, poderia transformar sua carreira ou sua vida pessoal. Mas, para agarrá-la, seria necessário soltar o que está segurando agora. O problema é que nossas mãos já estão ocupadas demais com certezas antigas e hábitos confortáveis. O resultado, muitas vezes, é a estagnação. Nem sempre aquilo que nos prende vem de fora. Em muitos casos, trata-se de algo que escolhemos continuar carregando. Pode ser um cargo que já não faz sentido, uma relação que se mantém mais por hábito do que por afeto ou até uma ideia rígida sobre quem deveríamos ser. Parte disso vem de um medo silencioso: o de que, ao soltar, percamos também uma parte da nossa identidade ou da segurança construída ao longo do tempo. Por isso, abrir mão nem sempre significa perder. Ao liberar espaço para o novo, abrimos caminho para experiências, escolhas e versões de nós mesmos que talvez não fossem possíveis antes. Em diferentes momentos da vida, avançar exige exatamente esse gesto de abertura. Crescer implica deixar versões antigas de nós mesmos para trás. Assumir novos caminhos pede a revisão de certezas. Talvez a sabedoria esteja justamente em aprender a caminhar com as mãos abertas. Não apenas para receber, mas também para soltar quando necessário.
Daniel C. Luz é engenheiro e palestrante

POR ALINE TEIXEIRA
Durante muito tempo, quando falávamos em violência contra a mulher, a imagem que vinha à mente era a da agressão física. Mas a realidade mudou e hoje, uma parte significativa dessa violência acontece no ambiente digital.
A internet, que deveria ser um espaço de conexão, informação e liberdade, também se tornou um território de exposição, ataques e silenciamento de mulheres. Comentários agressivos, ameaças, perseguições virtuais, vazamento de imagens íntimas e campanhas de difamação fazem parte de uma dinâmica que atinge milhares de mulheres todos os dias.
E existe um recorte importante: essa violência não é aleatória. Mulheres são desproporcionalmente mais atacadas, especialmente quando ocupam espaços de visibilidade, opinião ou poder. Quanto mais uma mulher se posiciona, maior tende a ser a tentativa de deslegitimar sua fala por meio da violência.
O impacto disso vai muito além da tela. A violência digital gera medo, ansiedade, insegurança e, em muitos casos, leva ao afastamento de espaços profissionais e sociais. É uma forma de controle e silenciamento que limita a presença feminina, inclusive no debate público.
Outro ponto que precisa ser enfrentado é a naturalização desse comportamento. Quantas vezes comen-
tários ofensivos são tratados como “opinião”? Quantas vezes a exposição indevida da intimidade de uma mulher é compartilhada como entretenimento? Esse tipo de postura não apenas perpetua a violência, como também protege quem a pratica.
Além disso, ainda existe uma dificuldade real de responsabilização. Muitas vítimas enfrentam obstáculos para denunciar, seja pela falta de informação, seja pela sensação de impunidade. Embora existam leis que tratam desse tipo de crime, a aplicação ainda é um desafio.
Falar sobre violência digital é entender que o ambiente online não está separado da vida real. O que acontece nas redes tem consequências concretas, profundas e duradouras.
Combater esse tipo de violência exige ação em diferentes frentes: educação digital, responsabilização dos agressores, atuação das plataformas e, principalmente, mudança cultural. Não é apenas sobre tecnologia, é sobre comportamento.
Porque garantir segurança para as mulheres também passa por garantir que elas possam existir, se expressar e ocupar espaços, inclusive digitais.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra mulheres também significa reconhecer e combater as novas formas de agressão que tentam silenciar suas vozes todos os dias. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
Aline Teixeira é médica veterinária, bióloga, terapeuta integrativa e está concluindo a graduação em Psicologia



OBrasil ocupa o 5º lugar no mundo em casos de violência contra a mulher. Dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, em 2025, o país registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia — uma a cada seis horas. Números alarmantes que exigem reflexão e ações efetivas. Algumas medidas já existem, como a Lei Maria da Penha, o Ministério da Mulher, delegacias especializadas e organizações de apoio. Ainda assim, os resultados são lentos diante de um contexto histórico e social profundamente marcado pela desigualdade de gênero. Desde a Grécia e Roma antigas, a mulher foi tratada como figura secundária, mesmo em sociedades consideradas berço da filosofia, da ciência e da política. No Brasil, apenas nos anos 1930 as mulheres conquistaram o direito ao voto. Décadas depois, ingressaram gradualmente no mercado de trabalho, muitas vezes restritas ao magistério, enquanto o papel doméstico seguia como obrigação quase exclusiva. Mesmo hoje, apesar dos avanços, ainda persiste uma mentalidade que naturaliza a sobrecarga feminina, impondo jornadas duplas ou triplas e tolerando relações abusivas.
A violência também se manifesta no controle, no ciúme excessivo e na tentativa de limitar o direito feminino de estudar, trabalhar e empreender. Durante três anos, atuei como assistente social voluntária no projeto Justiceiras, do Instituto Justiça de Saia, criado na pandemia, período em que os casos de agressão doméstica se intensificaram. Mesmo após esse período, a demanda por apoio segue elevada, sobrecarregando os serviços públicos.
Em resposta, mulheres se organizam, fortalecem redes de apoio e ocupam espaços de expressão. Na literatura, grupos de escritoras têm ampliado vozes e narrativas femininas, seguindo o legado de autoras como Jane Austen, Clarice Lispector, Virginia Woolf e Cecília Meireles. Faço parte do coletivo Escreva Garota, que reúne milhares de mulheres em livros, feiras literárias e festivais, como o RME (Rede de Mulheres Empreendedoras), fortalecendo o protagonismo feminino. Há uma cultura a ser transformada, e a literatura é ferramenta poderosa nesse processo. Somada à educação para a igualdade, ela pode ajudar a construir relações mais justas, livres de violência e baseadas no respeito.
Karin Földes é nNeuropsicopedagoga e escritora de “Rimas do Aleatório”
gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 26 de março de 2006
EDIÇÃONº 994
ACompanhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a monitorar o trânsito nas proximidades da Estação Corinthians/Itaquera ontem, dia 25, em razão da liberação de novas vias de acesso e do túnel sob a linha da CPTM, pela Secretaria de Infra-Estrutura Urbana (Siurb). O túnel fará a ligação entre as avenidas Dr. Luis Ayres (Av. Radial Leste) e José Pinheiro Borges (Nova Radial) e, com ele, a Prefeitura pretende aumentar a acessibilidade aos distritos de Itaquera e
Guaianases. Tem 200 metros de extensão, uma pista por sentido com 10,5 m de largura e três faixas de tráfego em ambos os sentidos. ALTERAÇÕES
A Rua Manoel Ribas passará a ter sentido único de direção no trecho entre a Avenida José Pinheiro Borges para Rua Paulo Frontim. A Rua Joapitanga passará a ter sentido único de direção no trecho entre a Avenida José Pinheiro Borges e acesso ao Conjunto Habitacional Cingapura Goiti.





DA REDAÇÃO
APrefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), realiza o Dia D de Vacinação contra a Influenza e inicia a estratégia de imunização contra o vírus amanhã, sábado, dia 28, nas 481 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade, que estarão abertas, das 8 às 17 horas, realizando, inclusive, o Avança Saúde – Mulher. A vacina tem como objetivo reduzir complicações, internações e a mortalidade decorrentes de infecções pelo vírus da influenza. Neste primeiro momento, o imunizante será
oferecido aos públicos prioritários, sendo: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e pessoas com 60 anos ou mais. Também podem se vacinar: povos indígenas; quilombolas; pessoas em situação de rua; pessoas com deficiência permanente; pessoas com doenças crônicas; trabalhadores da saúde e da educação (do ensino básico ao superior); profissionais das forças de segurança, salvamento e CET; profissionais das Forças Armadas; caminhoneiros; trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros, urbano e de longo curso; trabalhadores portuários;

trabalhadores dos Correios; população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional; além de adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas.
A partir da próxima segunda-feira, dia 30, a vacinação contra a influenza estará disponível nas UBSs de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas, e, aos sábados e feriados, nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs Integradas da capital, no mesmo horário. A população pode encontrar o serviço mais próximo por meio da plataforma Busca Saúde: https://buscasaude. prefeitura.sp.gov.br/







O aumento da demanda no comércio, na logística e na indústria deve impulsionar a abertura de vagas e criar oportunidades para quem busca ingressar ou retornar ao mercado de trabalho



DA REDAÇÃO
OInstituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), estima que a Páscoa de 2026 deve gerar cerca de 75 mil vagas temporárias em todo o estado de São Paulo. O movimento, impulsionado pelo aumento da demanda no comércio, na logística e na indústria, deve abrir novas oportunidades para trabalhadores que buscam ingressar ou retornar ao mercado de trabalho.
Com menos de um mês para a data, muitas empresas ainda estão em processo de contratação, o que representa uma oportunidade para quem busca uma renda extra.

De acordo com o economista do IEGV/ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, cerca de 20% das vagas temporárias devem se transformar em empregos permanentes, especialmente no setor varejista.
MERCADO DE TRABALHO
“Em todo o estado de São Paulo, estimamos a abertura de cerca de 75 mil vagas temporárias, o que representa uma importante oportunidade para quem busca uma colocação no mercado de trabalho. No ano passado, também registramos número semelhante, e a expectativa é de que ele se repita em 2026. Essas vagas não se restringem apenas ao comércio, mas também envolvem setores como logística, indús-
tria, fábricas de chocolate e distribuição, que ampliam suas contratações para atender ao aumento da demanda”, afirma Ruiz de Gamboa.
O economista também destaca que o crescimento das vendas nesta Páscoa tende a ser mais moderado.
“O aumento nas vendas neste ano deve ser mais limitado, em razão do elevado endividamento das famílias, das taxas de juros ainda altas e do aumento no preço do chocolate, influenciado pela alta do cacau. Esses fatores ajudam a explicar a estabilidade no número de contratações temporárias”, completa.




Sistema inteligente da Prefeitura já capturou 2.915 foragidos identificados pelas câmeras do maior programa de videomonitoramento da América Latina


DA REDAÇÃO
Com mais de 40 mil câmeras estrategicamente espalhadas por ruas, avenidas e equipamentos públicos, o maior sistema de videomonitoramento da América Latina vem sendo determinante em ocorrências envolvendo tráfico de drogas, roubo, furto, agressão e vandalismo. O resultado já é concreto: 4.010 pessoas presas em flagrante com o apoio direto da inteligência do sistema. Além disso, desde sua implementação, 2.915 foragidos foram capturados após identificação pelo Smart Sampa. Todas as detenções foram realizadas sem que houvesse necessidade de utilização de armas de fogo.
Mais que uma estatística, esses números representam uma mudança concreta na dinâmica da segurança urbana da cidade após a implantação do Smart Sampa. O resultado expressivo reflete a combinação entre tecnologia e presença operacional nas ruas.
“O Smart Sampa se consolidou como ferramenta estratégica no combate à criminalidade. A tecnologia, aliada à atuação da nossa GCM, está transformando a forma de fazer segurança pública na cidade de São Paulo”, afirmou o secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando.
Reconhecido por outras capitais como um dos principais instrumentos de apoio à atuação policial na cidade de
São Paulo, o programa consolida um novo modelo de resposta rápida e integrada no enfrentamento à criminalidade. Com 40 mil câmeras distribuídas estrategicamente por toda a capital – sendo 20 mil próprias e outras 20 mil integradas da iniciativa privada – o programa tem sido decisivo no enfrentamento de crimes como tráfico de drogas, roubo, furto, vandalismo e agressões, inclusive em casos de violência contra a mulher.
Outro serviço de extrema importância realizado pelo Smart Sampa é a localização de pessoas desaparecidas. Até o momento, 185 pessoas foram identificadas e encontradas pela Guarda Civil Metropolitana.

Escrita de modo inovador, a história é contada de trás para frente e acompanha um triângulo amoroso. No elenco, estão Luiza Curvo, Leonardo Brício, Diego Machado e Miranda Diamant (participação especial)
Escrita em 1978 é considerada um dos pilares da dramaturgia do autor britânico Harold Pinter, vencedor do prêmio Nobel de Literatura, Betrayal (Traição) ganha uma montagem brasileira encenada pela premiada diretora Lavínia Pannunzio. O espetáculo tem sua temporada de estreia no Teatro Uol, de 3 de abril a 31 de maio, com sessões de sexta a domingo, às 20h.
No elenco, estão Luiza Curvo, Leonardo Brício, Diego Machado e Miranda Diamant (participação especial).
Narrada de trás para frente, a

trama acompanha a história de Emma, Robert e Jerry, cujos destinos se cruzam em um triângulo amoroso que põe à prova as fronteiras entre intimidade, amizade e lealdade. O texto expõe segredos e contradições, convidando o espectador a se debruçar sobre os silêncios e ambiguidades que permeiam as relações humanas. Os três atores permanecem presentes em cena durante toda a peça, criando um “jogo de presenças” constante, em diálogos humanos e atemporais.
SERVIÇO
Teatro Uol - Shopping Pátio Higienópolis - Avenida Higienópolis, 618, Piso Terraço, Higienópolis, São Paulo
Venda online em https://teatrouol.showare.com.br/Default. aspx?EventId=263
Instagram: @betrayal.teatro

Duda Santos tem visto sonhos virarem realidade ao longo do trabalho em “A Nobreza do Amor”, da Globo. A atriz, que cresceu desejando personagens capazes de refletir a beleza e a complexidade da cultura negra, agora se vê diante de uma responsabilidade histórica: interpretar uma princesa africana em horário nobre. Para ela, não se trata apenas de um papel, mas de um gesto político, afetivo e um mergulho na ancestralidade e na representatividade que faltaram por tanto tempo na teledramaturgia brasileira. “Estou profundamente honrada e emocionada com a oportunidade de dar vida a essa personagem. Interpretar uma princesa africana em horário nobre, em uma novela que valoriza nossa ancestralidade e abre espaço para discutir questões essenciais, como identidade e representatividade, é uma responsabilidade imensa, um grande privilégio. Cresci sonhando com personagens que refletissem a força, a beleza e a complexidade da nossa cultura”, aponta. Na história das seis, Duda vive Alika, a Princesa e futura Rainha de Batanga. Ela foge para o Brasil e se dedica à missão de retomar Batanga e conduzi-la a tempos de paz e prosperidade. Refugia-se com a mãe na casa de seu tio José/Zambi, papel de Bukassa Kabengele, na cidade de Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte, e assume a identidade de Lúcia dos Santos. Lá, conhece Tonho, de Ronald Sotto, um jovem trabalhador de engenho com forte senso de justiça. “Essa produção é um sonho coletivo e muito esperado por todos nós. Estou muito feliz de poder contar uma história como essa. Muito obrigada a todas as minhas ancestrais que deixaram esse caminho florir para que eu pudesse contar essa história hoje. Cresci esperando esse momento chegar e estou muito feliz de poder ser um pedacinho disso”, valoriza.
P – Pouco menos de um ano após o fim de “Garota do Momento”, você retorna ao ar como protagonista de “A Nobreza do Amor”. O que esse trabalho provocou em você para voltar à tevê tão rápido?
R – Foi o papel que mais me fez questionar minha existência. Interpretar uma princesa em um reino construído para ela me botou para pensar sobre

O reconhecimento do público tem sido uma das experiências mais marcantes para Duda Santos
como seria um mundo feito para mim, para eu reinar. É cruel perceber o que o racismo deixou para gente, e esse trabalho me obrigou a refletir sobre isso diariamente.
P – Como foi seu processo de construção para viver a Princesa Alika?
R – Assisti a “Pantera Negra” e a “Mulher Rei. Eles foram fundamentais. São exercícios diários para não apeque-
nar nossos sentimentos. Quando vejo essas narrativas, penso em como seria viver em um mundo que reconhece nossa potência. Isso me fortalece como atriz e como mulher preta.
P – Alika, sua personagem, é uma princesa que não conhece o racismo até vivê-lo. Como foi construir essa perspectiva?
R – Alika não é alienada, mas ela não teve contato com o racismo até experimentar isso na vida. Esse choque é muito bonito de trabalhar, porque mostra a inocência de quem cresce em um espaço protegido e, de repente, se depara com a realidade.
P – A trama traz debates sobre representatividade em diversos pontos do texto. Como tem sido mergulhar nessas discussões na tevê aberta?
R – Acho que essa novela é muito potente nesse lugar. É a primeira vez que falamos e vemos uma África nobre, bonita, rica, fabulosa na televisão. Isso já teria resolvido muitos dos nossos problemas se tivesse acontecido antes. Representatividade é essencial: só podemos acreditar que somos algo quando vemos isso acontecendo.
P – Como assim?
R – Tem sido um presente reviver minha cultura e refletir sobre o mundo a partir dela. Eu quero colocar na mente das pessoas a África que nos pertence, que é linda e nobre. Esse resgate é coletivo e muito importante.
P – Após “Renascer”, você tem emendado uma série de protagonistas no vídeo. De que forma você analisa esse momento atual na carreira?
R – Estou muito feliz por ter feito papéis e contado histórias que acredito muito. Quando olho para minha trajetória, eu só tinha sonho, não tinha nada. Hoje, poder compartilhar meu trabalho e perceber que confiam em mim é uma felicidade enorme. Contar histórias que acredito é o maior presente que um ator pode receber. Essa novela, por exemplo, é a realização de um sonho.
P – Por quê?
R – Meu sonho sempre foi ser princesa, e agora eu vivo isso. Mas não é só meu sonho, é um sonho coletivo. Essa novela é feita com muito amor e dedicação, e eu espero que o público sinta isso. É uma realização que vai além de mim.








