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Gazeta da Zona Leste - 1988

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GAZETA DA ZONA LESTE

ilumina pontos históricos

Sergio Guizé se despede de “Êta Mundo Melhor”

Sérgio Guizé tem a chance rara de se despedir de um personagem pela segunda vez. Na reta finalíssima de “Êta Mundo Melhor”, o intérprete de Candinho encara essa nova etapa com maturidade e consciência de que o personagem se tornou um marco em sua carreira e na vida de tantas pessoas. Ao mesmo tempo em que vive esse momento de despedida, Guizé também vislumbra novos caminhos para o personagem no futuro. O ator acredita que Candinho ainda tem muito a oferecer, seja em novas histórias ou até em uma continuação daqui a alguns anos. > VEJA + PÁGINA 7

Atividade on-line e gratuita

Alguns dos principais cartões-postais da capital estão iluminados de roxo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A iniciativa da Prefeitura de São Paulo destaca monumentos emblemáticos da cidade com a cor que

Curso Básico de Libras, on-line e gratuito, prepara ouvintes para se comunicarem com a comunidade surda em São Paulo. Iniciativa da SEDPcD, por meio da Escola da Inclusão. > VEJA + PÁGINA 5

Quem teme o desejo feminino?

POR CILENE RESENDE

Há um desconforto persistente quando uma mulher escreve sobre desejo. Ele nasce da ruptura de papéis históricos: por séculos, o desejo feminino foi narrado e limitado por vozes masculinas. O primeiro ponto de tensão é o direito à subjetividade. A sociedade aceita a mulher como objeto do desejo, mas ainda reage quando ela se afirmar como sujeito desejante. Espera-se que sua sexualidade seja discreta, privada e mediada pelo olhar masculino. Ao escrever sobre o próprio prazer, ela rompe essa mediação e assume autoridade para sentir e narrar. Esse gesto provoca reações reveladoras. De um lado, surge o julgamento moral, muitas vezes vindo de outras mulheres socializadas na mesma lógica de contenção, que confundem escrita erótica com exposição ou vulgaridade. O texto deixa de ser lido como obra e passa a ser tratado como confissão; a autora vira personagem. De outro lado, parte dos homens erotiza a escritora, lendo sua escrita como convite pessoal. O texto deixa de ser literatura e vira sinalização de acesso, revelando a dificuldade em separar expressão e expressado. Há também uma dimensão profissional. Muitas escritoras relatam assédios disfarçados de oportunidades. Convites podem vir acompanhados de insinuações, atualizando antigas hierarquias. O campo cultural, que deveria ser espaço de liberdade, ainda reproduz estruturas de poder. A escrita sensual ameaça o controle narrativo sobre o corpo feminino. Ao descrever o prazer, a mulher cria uma nova estética do desejo e desafia padrões que limitaram sua sexualidade ao romance, à moral ou à reprodução. Escrever sobre desejo é um gesto de autonomia. Cada texto que afirma o direito de sentir e narrar amplia um território antes interditado. Mulheres desejam, pensam e nomeiam — e, quando isso é escrito e lido, vira voz.

Cilene Resende é advogada, empresária e escritora

Na juventude, o autoritarismo é ainda mais lamentável

Cresci em um ambiente patriarcal e autoritário, onde o corpo feminino era rigidamente controlado e a obediência parecia natural. Tornei-me coroinha, depois seminarista, até ingressar num mosteiro beneditino. Foi justamente no claustro que conheci a teologia da libertação, que me apresentou um evangelho comprometido com igualdade e contrário a qualquer forma de exploração. Essa descoberta transformou minha percepção da vida e, ao deixar a via religiosa, entrei na militância estudantil e, mais tarde, no movimento pela redemocratização. Por isso compreendo, ainda que com preocupação, jovens que hoje defendem o autoritarismo, e lhes desejo uma guinada semelhante à que a vida me proporcionou.

Sem espírito catequético, não tento convencer ninguém, nem mesmo nas redes. Mas o ofício de escritor exige conflitos, e a polarização atual inevitavelmente inspira meu novo livro, Manobras de retorno. A primeira narrativa se passa nos anos 1970 e acompanha uma guerrilheira que deseja transformar o mundo, mas já antecipa o debate sobre a pertinência da luta armada. Em seguida, um gru-

po de teatro universitário vê sua peça mutilada pela censura. O terceiro conto traz Caio Fernando Abreu em 1982, refletindo sobre os rumos da abertura política. São histórias protagonizadas por jovens que enfrentaram a ditadura e acreditavam que resistir era vital. Embora ficcionais, não prescindem da perspectiva histórica, que torna ainda mais inquietante ver parte da juventude atual defender ideias autoritárias.

A quarta trama ocorre anos atrás e apresenta um general que, às vésperas da aposentadoria, tenta reeditar a ditadura. Sua formação militar e nostalgia dão alguma lógica ao plano, mas a memória coletiva do desastre de 1964 a 1985 impede seu delírio. O último conto imagina a ressurreição de Louis-Ferdinand Céline no Brasil, escritor brilhante e contraditório, cuja visão autoritária beirava o insuportável até para os nazistas. Aqui, ele ataca direita e esquerda, mas revela o mesmo desvario político do general. Em síntese, os personagens variam ideologicamente, mas compartilham vulnerabilidade e contradição. A realidade ao redor confirma que ideias autoritárias, em qualquer época, são sempre atrozes e anacrônicas — e por isso é tão lamentável vê-las renascer entre jovens brasileiros.

Dau Bastos é professor de literatura brasileira e autor da obra Manobras de retorno

NEGÓCIOS DO ENTRETENIMENTO

O marco da profissão multimídia e a ascensão dos influenciadores

Sancionada em janeiro de 2026, a Lei nº 15.325 marca um avanço na forma como o Brasil passa a tratar o trabalho de quem cria conteúdo digital. Popularmente chamada de “lei dos influenciadores”, ela tem alcance mais amplo: reconhece juridicamente a atividade de multimídia, que envolve criação, produção, gestão e monetização de conteúdos nas plataformas digitais. A norma não cria uma nova profissão nem impõe barreiras de entrada. Seu objetivo é dar contornos jurídicos a uma atividade já consolidada e economicamente relevante. Ao fazer isso, ajuda a organizar um mercado que cresceu de forma acelerada e, muitas vezes, informal, exigindo maior profissionalização de quem atua de modo recorrente e comercial nas redes.

Um ponto central é definir o profissional de multimídia pelas atividades exercidas, e não por diplomas ou registros. A lei descreve funções ligadas à produção e circulação de conteúdos digitais de forma flexível, compatível com a constante transformação do setor. Também deixa claro que essas atribuições não substituem outras profissões, permitindo convivência entre diferentes áreas do ambiente digital. O

processo legislativo reforçou esse equilíbrio. Exigências que poderiam restringir a liberdade profissional foram retiradas, preservando o reconhecimento da atividade sem criar obstáculos artificiais em um mercado marcado por trajetórias diversas. Para influenciadores digitais, a relação com a lei é direta. Sempre que a atuação envolve criação de conteúdo, gestão de plataformas e exploração econômica da audiência, há aderência ao conceito de profissional multimídia. A lei não cria o influenciador, mas oferece um enquadramento jurídico mais claro para atividades que já têm impacto econômico e social. Os efeitos mais visíveis aparecem na formalização. Conteúdos patrocinados e parcerias comerciais passam a ser tratados como atividades econômicas regulares, com reflexos em contratos, tributação e organização financeira. A norma funciona como linha divisória entre criação eventual e atuação profissional. No conjunto, a Lei nº 15.325/2026 representa uma mudança de paradigma. Ao reconhecer juridicamente o trabalho digital e dar mais clareza às relações econômicas, fortalece o setor e aumenta a responsabilidade de quem monetiza audiência, contribuindo para um mercado mais maduro e previsível.

Bruno da Costa Fuentes é advogado e especialista em direito digital e empresarial

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 5 de março de 2006

EDIÇÃONº 991

IDOSOS - Começa a 10ª edição dos jogos regionais

Tiveram início, na última sexta-feira, dia 3, os Jogos Regionais dos Idosos (Jori). Mais do que uma disputa, o evento, promovido pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp), conta com a parceria da Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer e o apoio do Banco Nossa Caixa. O evento tem o objetivo de promover a reintegração das pessoas da terceira idade ao meio social, além de sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre esta

iniciativa. Estarão participando da abertura dos Joris cerca de 1.500 atletas, com idade mínima de 60 anos, vindos de 72 grupos de terceira idade, das regiões Norte, Sul, Leste e Oeste da cidade. Uma espécie de Olimpíada da Terceira Idade, as competições são realizadas em todo o Estado de São Paulo. No ano passado participaram mais de 12 mil atletas de mais de 400 municípios, cujas presidentes de Fundos Municipais desenvolvem atividades junto à terceira idade.

ÀS MULHERES

Monumentos emblemáticos serão iluminados

Iniciativa leva à cidade uma mensagem simbólica de justiça, dignidade e igualdade de gênero

Alguns dos principais cartões-postais da capital estão iluminados de roxo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A iniciativa da Prefeitura de São Paulo destaca monumentos emblemáticos da cidade com a cor que simboliza, mundialmente, a luta por justiça, dignidade e igualdade de gênero. Esta ação reforça o compromisso do município com a valorização das mulheres e amplia, nos espaços públicos, a mensagem de respeito e equidade que marca a data. DIREITOS, OPORTUNIDADES E RESPEITO

Até o dia 8, a partir das

18 horas, recebem a iluminação especial o Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura; a Ponte Estaiada (Ponte Octávio Frias de Oliveira) e a Estaiadinha (Complexo Orestes Quércia); o Viaduto do Chá; o Obelisco do Ibirapuera; a Biblioteca Mário de Andrade; o Edifício Martinelli; o Shopping Light; e o prédio da Secretaria Municipal de Esportes, em Moema. Mais do que um gesto estético, a ação marca uma data historicamente ligada à luta por direitos, oportunidades e respeito. O 8 de março convida à reflexão sobre os avanços conquistados pelas mulheres e os desafios que ainda persistem na construção de uma sociedade mais igualitária.

VALORIZAÇÃO DAS MULHERES

A diretora da Gerência de Iluminação Pública da SP Regula, Valéria Rossi, destacou o significado da iniciativa. “Iluminar a cidade durante essa semana é reafirmar o compromisso da Prefeitura de São Paulo com a valorização das mulheres, que constroem diariamente uma sociedade mais justa, inclusiva e humana.” Coordenada pela SP Regula, autarquia responsável pela gestão e fiscalização do contrato de concessão da Ilumina SP, a ação integra o calendário oficial da cidade e reforça o reconhecimento do papel das mulheres na vida social, econômica e cultural da capital.

Divulgação

Cobertura vacinal cresceu em 2025

O esquema vacinal consiste em dose única para crianças e adolescentes, com aplicação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs)

No Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV (papilomavírus humano), comemorado no último dia 4, o Governo de São Paulo divulga os avanços na vacinação contra o vírus entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. No público masculino, a cobertura passou de 47,35% em 2022 para 74,78% em 2025, segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Entre as meninas da mesma faixa etária, a cobertura também cresceu no período, passando de 81,85% em 2022 para 86,76% em 2025. Os dados indicam aumento progressivo da adesão à vacina no estado nos últimos anos.

Apesar do avanço, a meta preconizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é atingir 90% de cobertura vacinal. A Secretaria reforça a importância da adesão de pais e responsáveis para ampliar a proteção coletiva e reduzir a circulação do vírus.

A ampliação da cobertura está relacionada às estratégias adotadas pela SES, como intensificação da busca ativa, mobilização das unidades básicas, ações em parceria com municípios e campanhas de orientação sobre a importância da imunização na faixa etária recomendada.

O papilomavírus humano é responsável por diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe.

A ampliação da cobertura vacinal é fundamental para reduzir a circulação do vírus e prevenir doenças no futuro.

QUEM DEVE

SE VACINAR?

• 1 Meninas e meninos de 9 a 14 anos e, até o primeiro semestre de 2026, adolescentes de 15 a 19 anos;

• 2 Pessoas de 9 a 45 anos em condições clínicas especiais, como as que vivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos (imunossuprimidos);

• 3 Vítimas de abuso sexual;

• 4 Pessoas portadoras de papilomatose respiratória recorrente (PRR).

Divulgação

CURSO BÁSICO DE LIBRAS

Atividade on-line e gratuita

DA REDAÇÃO

ASecretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), por meio da Escola da Inclusão, abriu as inscrições para uma nova edição do Curso Básico de Libras, desde a última quarta-feira, dia 4. A carga horária total é de 40 horas, com aulas ministradas por professores surdos e transmitidas ao vivo pela plataforma on-line Zoom. É necessário o uso da câmera durante as atividades.

INFORMAÇÕES DE ACESSO

Ao todo, serão oferecidas 70 vagas em cada uma das nove turmas, com opção de aulas às segundas, quartas e sextas-feiras, às terças e quintas e aos

sábados. Para realizar a inscrição, os interessados podem preencher a ficha disponível no site da SEDPcD, enquanto durarem as vagas. As informações de acesso são enviadas pelo endereço de e-mail cadastrado e não é necessário preencher múltiplos formulários, já que não haverá sorteio.

CERTIFICADO DE CONCLUSÃO

Podem participar do curso pessoas com 18 anos ou mais. Para receber o certificado de conclusão, o aluno deverá ter, no mínimo, 75% de frequência e média final superior a 5,0 nas avaliações. O conteúdo abrange temas como identidade surda, regionalismos na libras, sistema de notação,

alfabeto manual, verbos, configurações de mão, entre outros.

INCLUSÃO E INTERAÇÃO

O objetivo da Secretaria é preparar ouvintes para se comunicarem em Libras, possibilitando mais inclusão e interação com as mais de 592 mil pessoas surdas que vivem no estado de São Paulo, segundo dados do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência. SERVIÇO INSCRIÇÕES

PARA O CURSO DE LIBRAS BÁSICO

Os formulários de inscrição estão abertos ao público desde o último dia 4 de março, no site da Secretaria.

Divulgação
As aulas on-line serão ministradas por professores surdos

Gal, o Musical celebra a vida e a obra de uma das maiores vozes da MPB

Depois do enorme sucesso dos musicais Silvio Santos Vem Aí e Ney Matogrosso - Homem com H, Marilia Toledo e Emilio Boechat repetem a parceria para homenagear a saudosa Gal Costa (1945-2022), uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira.

Walerie Gondim foi a atriz escolhida para viver a protagonista. Nascida em Manaus e radicada na Bahia, está diretamente ligada ao processo de seleção do elenco, que contou com audições realizadas em Salvador.

O espetáculo biográfico narra como a pequena Maria da Graça Costa Penna Burgos, nascida no dia 26 de setembro de 1945, em Salvador (BA), tornaria-se não apenas a “musa da Tropicália”, como dizia seu apelido, mas uma das figuras mais importantes desse movi-

mento da cultura popular brasileira.

Gal, o Musical conta passagens emblemáticas da vida de uma das maiores cantoras brasileiras, desde seu nascimento, suas conquistas como artista, seu encontro com os personagens da Tropicália, a relação dela com sua mãe, até a adoção do filho Gabriel. Toda sua história vem acompanhada de três personagens mitológicos que ajudam a compreender as profundas transformações que a artista atravessou ao longo da vida.

SERVIÇO

Temporada: até 10/05 - sextas, às 20h30; sábados, às 16h30 e 20h30; e domingos, às 15h30 e 19h30. Duração: 2h30 com intervalos. Local: 033 RooftopAv. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi. Ingressos a partir de R$ 50, (inteira popular) e R$ 200, (inteira plateia). Bilheteria virtual: Sympla.

Sergio Guizé se despede do lúdico Candinho, de “Êta Mundo Melhor”

Sérgio Guizé tem a chance rara de se despedir de um personagem pela segunda vez. Na reta finalíssima de “Êta Mundo Melhor”, o intérprete de Candinho encara essa nova etapa com maturidade e consciência de que o personagem se tornou um marco em sua carreira e na vida de tantas pessoas. Ao mesmo tempo em que vive esse momento de despedida, Guizé também vislumbra novos caminhos para o personagem no futuro. O ator acredita que Candinho ainda tem muito a oferecer, seja em novas histórias ou até em uma continuação daqui a alguns anos. “Eu acredito que ele ainda tenha muita lenha para queimar. É um personagem que pode participar de muitas histórias ainda”, aponta. Nos últimos capítulos da novela das seis, Candinho tem passado por inúmeras provações. Para tirar da cadeia a amada Dita, papel de Jeniffer Nascimento, o personagem se prepara para subir ao altar com a vilã Zulma, de Heloisa Périssé. “Foi uma novela muito emocionante. E até nas últimas semanas de gravação eu tenho me emocionado muito com as cenas”, valoriza.

P – Como você descreve essa volta ao personagem e o impacto que gerou ao longo dos últimos meses?

R – Foi emocionante e cheio de aventuras. Acompanhar o crescimento das crianças foi especial, como o Tom Zé, que fazia o Joaquim e nem falava direito e hoje já é um menino cheio de energia. Além disso, foi bonito ver o desenvolvimento artístico de todos os personagens, que cresceram junto com o projeto. Eu costumo dizer que estamos em um cruzeiro em alto-mar, todos trabalhando muito para dar conta das personagens. Candinho vive em um outro tempo, diferente do meu, e exige que eu esteja pronto para receber tudo, como se fosse uma bola batendo no peito em um jogo de futebol: preciso dominar e devolver.

P – Quais foram os maiores desafios para dar vida ao Candinho novamente?

R

– O grande desafio foi manter a energia positiva sempre lá em cima. Candinho demanda uma presença constante, física e espiritual. Eu precisava estar preparado para sustentar essa vibração otimista, mesmo em momentos pessoais difíceis. Foram 11 meses de

gravação e nesse período perdi amigos, mas me inspirei na filosofia do personagem: acreditar que tudo de ruim acontece para melhorar. Isso me ajudou a seguir com força e entregar o que ele pede. P – O início do projeto foi atravessado por uma série de mudanças, especialmente na escalação. Como você

enfrentou esse processo?

R – Passei por uma fase complicada e não me preparei direito. Houve mudanças no elenco, como a saída da Bianca Bin e a entrada da Jennifer, além da troca do Professor Pancrácio pelo Asdrúbal, vivido pelo Luis Miranda, que eu já admirava desde o teatro. No início fiquei

inseguro, mas depois percebi que juntos transformaríamos tudo em algo maravilhoso. Foi um processo de adaptação, mas que trouxe grandes encontros e fortaleceu a história.

P – O que mudou em você como ator ao revisitar Candinho agora, mais maduro?

R – Hoje encaro com mais cuidado. Em 2016, fiz muitos eventos e aproveitei de outra forma. Agora, me guardei para entregar o melhor, consciente de que o personagem ficará registrado. Likes e aplausos passam, mas o trabalho fica. Planejei cada detalhe para não comprometer a entrega. Evitei distrações, recusei shows, porque sabia que precisava estar inteiro. Candinho exige dedicação total e eu quis honrar isso com maturidade e responsabilidade.

P – O Candinho tornou-se um personagem bastante popular entre o público. Como você lida com esse reconhecimento e o fato de ser chamado mais pelo personagem do que pelo seu próprio nome?

R – No início, não estava preparado para a repercussão que teria o Candinho. Hoje, com 45 anos, vejo que é o personagem mais popular da minha vida. As pessoas me chamam de Candinho, Chiclete ou Gael, nunca pelo meu nome. Às vezes até de Selton (Mello), e me agradecem por ter feito “Ainda Estou Aqui” (risos). Esse personagem chega a lugares onde não há saneamento básico, mas a tevê está ligada. Ele comunica com crianças, gerações, classes sociais. É o personagem mais importante da minha vida até agora, porque atravessa fronteiras e fala com todos.

P – Como foi esse trabalho de redescoberta do Candinho ao longo de seu processo de composição?

R – Tive muitas referências. Além da memória da minha avó, que falava como ele, busquei referências no cinema: Mazzaropi, Chaplin, Buster Keaton. Também li Voltaire, que inspirou parte da história. E claro, minhas experiências no teatro e no circo. Tudo isso ajudou a construir essa mistura que é o Candinho. Minha avó acreditava em coisas como mula sem cabeça, e isso me conecta com a ingenuidade e a fé do personagem. Candinho é resultado dessa soma de memórias afetivas e referências artísticas.

Para Sérgio Guizé, o personagem Candinho chega ao fim de “Êta Mundo Melhor!” indo além do entretenimento

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