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Gazeta da Zona Leste - 1987

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GAZETA DA ZONA LESTE

Com o objetivo de atender uma das principais demandas da causa animal na cidade, o primeiro hospital veterinário da rede municipal da capital passou a funcionar 24 horas, o Hospital Veterinário Municipal Leste “Cão Orelha”. > VEJA + PÁGINA 3

Antonio Calloni se diz seduzido pelo errante Walmir, de ‘Coração Acelerado’

Muito mais que visibilidade ou apelo popular, Antonio Calloni sempre negociou suas participações na tevê de acordo com as possibilidades dramáticas de seus personagens. E foi exatamente as nuances do bronco Walmir que o fizeram ingressar em “Coração Acelerado”. > VEJA + PÁGINA 7

O novo presidente da SPTuris

Marcelo Vieira Salles é o novo presidente da São Paulo Turismo S/A. Ele foi convidado pelo prefeito Ricardo Nunes para assumir o cargo na noite da última quarta-feira, dia 25. > VEJA + PÁGINA 4

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Qual o limite do amor?

POR GERALDO TRINDADE

Oamor não tem limites, pois, se houver limites, não é amor. Ele pode até ser condicionado, para que possa ser exercido em sua plenitude. Este amor sem limites existe em corações maternos, paternos e em muitos lares, mas pode ser cultivado em qualquer lugar onde se deseja a paz. Porém, em muitos lares, onde um pseudoamor é usado para camuflar sentimentos menos nobres ou nada nobres, tais como paixão, dependência psicológica, ou outros interesses quaisquer, ele pode trazer desilusão e sofrimento. E, como a mulher sempre teve mais tendência a acreditar no amor, historicamente é a que mais sofre com esses relacionamentos.

Além disso, de modo geral, o cenário sempre foi favorável ao homem, porém isso está mudando, porque a mulher tem lutado muito para equilibrar a situação. No entanto, elas têm pagado um preço alto: o mercado de trabalho sempre lhe exige mais qualificação, e, no trabalho em si, muitas enfrentam a dor de ter que ausentar-se dos filhos no momento em que eles precisam de seu colo e de sua proteção. Trabalhos exaustivos, ambientes desconfortáveis, dupla jornada de trabalho e tantos outros obstáculos põem à prova toda a resiliência delas. Mas, para muitas, nenhum obstáculo é tão cruel quanto à covardia de quem lhe prometeu amor e ofereceu o contrário. Como é difícil acreditar que o amor não tem limites vendo diariamente que o oposto também não tem. Apesar disso, tanta luta não tem sido em vão. Os números mostram que milhares de relacionamentos têm terminado em divórcio, sem drama, nem tragédia, e a maioria acontece por iniciativa de mulheres.

Geraldo Trindade é autor do livro “O amor existe? Depende”

MERCADO DE TRABALHO

Entre incertezas globais e o ano decisivo de 2026

POR FRED TORRËS

Nos últimos meses, quem acompanha o mercado de trabalho, especialmente nas posições de liderança, percebe uma tensão no ar. Não é pessimismo, mas a sensação de “entressafra”: o mundo muda rápido enquanto economias buscam equilíbrio entre crescimento e previsibilidade. De um lado, conflitos geopolíticos e reposicionamento de potências; de outro, o Brasil se aproxima de um ciclo eleitoral que testará a confiança dos investidores.

O ambiente macroeconômico parece habituado a uma “instabilidade funcional”. Tensões comerciais entre Estados Unidos e China pressionam cadeias produtivas e elevam custos, levando multinacionais a rever estratégias e reorganizar lideranças. O executivo global deixou de ser apenas estrategista: hoje precisa atuar como gestor de risco geopolítico, intérprete de tendências digitais e líder de cultura.

A transformação tecnológica segue acelerando mudanças. Inteligência artificial e automação alteram o perfil das lideranças: o C-level de 2025 precisa dominar tecnologia tanto quanto gestão. Já gestores intermediários enfrentam estruturas mais enxutas e maior cobrança por entregas rápidas. Nos

EUA e na Europa, o fenômeno é chamado de “great flattening”: menos camadas, mais autonomia — e menos espaço para quem opera na lógica da supervisão tradicional.

O Brasil chega a 2025 em relativo equilíbrio, mas com desaceleração. Após bom desempenho em 2024, o crescimento projetado pela OCDE gira em torno de 2%. O desafio é manter investimento produtivo e controlar o endividamento sem travar a economia. As eleições de 2026 adicionam incerteza, levando empresas a adiar decisões e alongar processos de contratação, sobretudo em posições de topo.

Ainda assim, setores como infraestrutura, energia renovável, agronegócio e tecnologia seguem contratando. Entre C-levels e gestores médios, cresce a necessidade de navegar em contextos ambíguos e traduzir tecnologia em resultado. Ganha força o modelo de “C-level as a Service”, com executivos atuando por projeto. Já a média gerência precisa provar seu valor em ambientes que exigem autonomia, dados e integração tecnológica.

O mercado não vive colapso, mas tampouco estabilidade plena. Há movimento — e, em movimento, quem se antecipa avança. Para líderes, repertório global e fluência digital; para gestores, atualização constante.

INOVAÇÃO

Uma revolução educacional: a tecnologia como estratégia de negócio

Se há poucos anos a previsão de que a educação seria um dos setores mais transformados pela tecnologia soava ousada, hoje ela se confirma em ritmo acelerado. O levantamento Startup Landscape: EdTech 2024, da Liga Ventures, mostra que o Brasil conta com 423 startups de tecnologia educacional ativas, com forte presença em educação corporativa, capacitação profissional, formação tecnológica e conteúdos digitais. Já o EdTech Report 2025, da Distrito, indica que o país concentra mais de 47% das mais de 1.300 EdTechs da América Latina, consolidando sua liderança regional.

Essa evolução demonstra que a integração entre educação e tecnologia deixou de ser diferencial competitivo para se tornar requisito básico. Não basta equipar salas de aula ou garantir acesso à internet: o desafio é usar esses recursos para ampliar o alcance, personalizar a aprendizagem, engajar estudantes e reduzir desigualdades.

Para isso, instituições e empresas precisam alinhar suas estratégias a uma visão de longo prazo que una inovação e impacto social. A conexão entre startups e organi-

zações consolidadas vem atraindo investidores e impulsionando soluções que repensam metodologias de ensino e modelos de gestão.

A Liga Ventures aponta que 13% das EdTechs brasileiras já utilizam inteligência artificial em tutores virtuais, personalização de conteúdos e avaliações adaptativas. Os modelos de negócio variam entre venda direta, assinaturas e marketplaces, com presença no ensino básico e superior. A questão central, porém, é garantir que a inovação esteja a serviço de uma educação mais acessível e de qualidade. Hoje, diversas iniciativas mostram como a tecnologia pode transformar a aprendizagem e a gestão escolar. Plataformas adaptativas criam trilhas personalizadas; soluções de avaliação oferecem relatórios detalhados; superapps centralizam comunicação e tarefas administrativas; e tecnologias específicas desenvolvem competências como leitura, escrita e produção de conteúdo.

O momento é decisivo: a revolução educacional está em curso e seu sucesso dependerá do equilíbrio entre tecnologia, propósito e qualidade. Conduzida de forma ética e consciente, essa transformação pode gerar impactos positivos que ultrapassem os muros das instituições e alcancem toda a sociedade.

Maurício Zanforlin é CEO do Grupo Marista

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 26 de fevereiro de 2006

EDIÇÃONº 990

Caminhão com jatos de tinta é a nova arma contra pichação

São Paulo deverá contar, dentro de aproximadamente um mês, com 36 caminhões equipados com compressores adaptados para cobrir com jatos de tinta as pichações que enfeiam a cidade. O equipamento foi testado em um muro na Rua Cavour, na Vila Prudente, no último dia 20, e aprovado pelo prefeito José Serra. “A poluição visual é o problema de mais difícil solução em São Paulo, porque constitui uma anarquia. E não se trata apenas das pichações,

mas também dos outdoors ilegais”, disse o prefeito. A equipe de fiscalização aproveitou para colar uma tira sobre o outdoor, localizada na esquina da Rua Ibitirama com Avenida Professor Inácio de Anhaia Melo, de uma faculdade, identificando-o como irregular. O método posto em prática é mais barato e mais rápido que a pintura manual. Enquanto um homem pinta manualmente 50 m² ao dia, o caminhão, com o compressor, é capaz de pintar 18 m² em apenas um minuto.

Fred Torrës é sócio sênior do Grupo Hub

Hospital Veterinário passa a funcionar 24 horas

Com o objetivo de atender uma das principais demandas da causa animal na cidade de São Paulo, o primeiro hospital veterinário da rede municipal da capital passou a funcionar 24 horas. A unidade agora se chama Hospital Veterinário Municipal Leste “Cão Orelha”, em homenagem ao cachorro que protagonizou um caso de grande comoção nacional no início deste ano. O equipamento ampliou o atendimento para urgências e emergências entre 17 e 7 horas, garantindo assistência contínua aos pets da população.

Durante o período diur-

no, permanecem disponíveis consultas, exames, cirurgias e internações mediante agendamento ou triagem. “Conseguimos colocar na cidade um atendimento amplo para todos os animais domésticos em uma política pública real e verdadeira do cuidado e bem-estar deles e espero que isso sirva de exemplo para outras cidades”, destacou Nunes, ressaltando que a Zona Leste deve ganhar mais uma unidade veterinária na Avenida Nordestina.

ATENDIMENTO GRATUITO

São Paulo é referência nacional quando o assunto é hospital veterinário público. O serviço, pioneiro no Brasil, está presente

nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste da capital e é destinado aos moradores da cidade de São Paulo de baixa renda, inscritos em programas sociais. O acesso ocorre conforme disponibilidade de vagas, com prioridade para casos graves, seguindo critérios médicos-veterinários e sociais. Em 2025, as unidades municipais realizaram 245.292 atendimentos a cães e gatos, número que reforça a importância da política pública para a população mais vulnerável.

A unidade fica Avenida Salim Farah Maluf, esquina com R. Ulisses Cruz, lado par – Tatuapé.

Benício
Divulgação
A unidade fica Avenida Salim Farah Maluf, esquina com R. Ulisses Cruz, lado par –Tatuapé

Tatuapeense Marcelo Salles é o novo presidente da SPTuris

Ex-comandante geral da Polícia Militar foi convidado pelo prefeito Ricardo Nunes

Marcelo Vieira Salles é o novo presidente da São Paulo Turismo S/A. Ele foi convidado pelo prefeito Ricardo Nunes para assumir o cargo na noite da última quarta-feira, dia 25. Desde o início do ano passado ele estava no comando da Subprefeitura da Sé, cargo que já tinha ocupado antes de assumir o mandato como vereador na Câmara Municipal de São Paulo.

HOMEM DE CONFIANÇA

Salles goza de prestígio e da confiança de Nunes. Ele foi chamado depois da dispensa de Gustavo Garcia Pires da empresa e da exoneração do secretário-adjunto de

Turismo da cidade, Rodolfo Marinho. Ricardo Nunes informou que tomou a decisão após análise de documentos apresentados pela Controladoria-Geral do Município que coloca suspeita em contratos irregulares com a empresa MM Quarter e um rombo de mais de R$ 300 milhões.

Ele é morador do Tatuapé e na carreira militar chegou a ocupar o cargo de comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo nas gestões dos governadores Márcio França e João Dória Júnior. Também foi comandante do policiamento da Zona Oeste da capital (CPA-M/5), comandante do Regimento de Polícia Montada “9 de julho”, chefe de gabinete da Casa

Militar e coordenador-adjunto estadual de Defesa Civil. ESTANCAMENTO À nossa reportagem, Salles disse que sabe que terá uma batalha dura pela frente e que entre seus primeiros passos terá de moralizar e cortar custos para sanear a companhia. “Não existe a necessidade de tanto luxo e ostentação. A sociedade não aguenta tanto desperdício do dinheiro público”, afirmou. A SPTuris realiza cerca de 5.000 eventos por ano, entre eles, carnaval, viradas, reveillon e Fórmula 1. É a empresa oficial de turismo da cidade de São Paulo, focada em promover a capital como polo de negócios, cultura e entretenimento na América Latina.

Divulgação
Marcelo Vieira Salles é o novo presidente da São Paulo Turismo S/A.

Programação voltada a empreendedoras

Atividades estão espalhadas por várias regiões da cidade com temas sobre tecnologia, beleza, negócios e gastronomia

Oficinas, cursos e encontros de networking. As unidades de trabalho compartilhado e colaborativo Teia, da Ade Sampa, agência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), estão com inscrições abertas para atividades voltadas aos empreendedores paulistanos em março. A iniciativa ocorre em todas as regiões da capital paulista com foco em carreira e negócios. Quem busca as unidades do Teia encontra não só a programação gratuita ao longo do mês. A rede, que conta com várias unidades, também oferece infraestrutura

completa para o desenvolvimento de projetos. Espaço de trabalho, internet, salas de reunião, ambiente de convivência e equipamentos como projetores e computadores são exemplos dos serviços disponibilizados aos pequenos empreendedores e autônomos de diversos bairros da cidade.

“São inúmeros os temas de todas as atividades voltadas aos empreendedores durante este mês da mulher.

E a Prefeitura de São Paulo segue fomentando atividades sobre assuntos estratégicos para o crescimento da carreira e dos negócios periféricos da cidade”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart.

ATIVIDADES

O Teia Itaquera promove uma série de encontros presenciais para mulheres empreendedoras neste mês de março. O foco é o desenvolvimento dos empreendimentos, a colaboração entre mulheres e a promoção de conexões estratégicas. Podem participar pequenos negócios nas áreas de alimentação, artesanato e beleza. As unidades dos Teias Centro, Cidade Tiradentes e São Miguel, Taipas também contam com diversas palestras, encontros de networking e cursos disponíveis com inscrições próximas às datas do evento. Para se inscrever nas atividades, acesse o site da Prefeitura.

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Histórias do Porchat de volta aos palcos de São Paulo

Fábio Porchat está de volta a São Paulo com seu espetáculo de stand-up “Histórias do Porchat”, trazendo consigo pelo quarto ano consecutivo um repertório de narrativas que prometem arrancar risadas incontroláveis da plateia. O espetáculo já visitou 33 cidades brasileiras, 6 países ao redor do mundo e em 2026 não será diferente.

Ao longo de suas inúmeras viagens, Fábio acumulou experiências únicas, desde encontros com gorilas em safáris africanos até situações hilárias como uma massagem quase erótica na Índia e uma improvável dor de barriga no Nepal. Essas vivências se transformam em combustível para uma apresentação cheia de humor e descontração.

O espetáculo já teve 364 sessões realizadas e foi assistido por mais de 310 mil pessoas

NÚMEROS

IMPRESSIONANTES

O espetáculo já teve 364 sessões realizadas e foi assistido por mais de 310 mil pessoas e percorreu uma extensa lista de cidades, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, e outras tantas, levando alegria por todo o país. Internacionalmente, já foi apresentado em países como Angola, Espanha, França, Irlanda, Portugal e Suíça; SERVIÇO

Histórias do Porchat - de 13 a 29 de março de 2026. Sexta 21h, Sábado 20h e Domingo 19h. Teatro J. Safra - 627 lugares - Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - Telefone: (11) 3611 3042. Duração: 80 minutos. Recomendação: 14 anos. Ingressos: entre R$ 40 e R$ 140. Bilheteria: de quarta a domingo das 14h às 21h. Bilheteria digital: eventin.

ENTREVISTA

Antonio Calloni se diz seduzido pelo errante Walmir, de ‘Coração Acelerado’

Muito mais que visibilidade ou apelo popular, Antonio Calloni sempre negociou suas participações na tevê de acordo com as possibilidades dramáticas de seus personagens. E foi exatamente as nuances do bronco Walmir que o fizeram ingressar em “Coração Acelerado”. “Ao mesmo tempo que o Walmir tem um coração grande, capaz de pegar um bebê que achou no rio e criar como se fosse filho, ele também tem suas fraquezas ao ser altamente manipulável e viciado em jogo. É um papel cheio de contrastes, do jeito que eu gosto”, defende.

Paulistano radicado no Rio de Janeiro desde os anos 1990, Calloni chega aos 64 anos de idade com a calma de quem já viveu de tudo um pouco na tevê, desde sua estreia, em “Anos Dourados”, de 1986. Com breve passagem pela Manchete e SBT, foi na Globo que ele teve a oportunidade de construir uma carreira marcada por personagens de destaques em produções como “Era Uma Vez…”, “Terra Nostra”, “O Clone” e “Caminho das Índias”. Depois de tantos coadjuvantes de luxo, o posto de protagonista – na verdade, antagonista – só aconteceu na densa minissérie “Assédio”, de 2018, onde Calloni deu vida a Roger Abdelmassih, famoso e requisitado médico especializado em reprodução humana que abusava sexualmente de suas pacientes enquanto elas estavam sedadas. “Acho que o personagem chegou no momento que tinha de ser e foi um papel extremamente difícil. Sinceramente, me orgulho de nunca ter dependido de fazer um papel principal para ganhar prestígio e dinheiro. Me considero um privilegiado por pegar personagens paralelos e conseguir me destacar com eles”, destaca.

P - Apesar de marcar presença em diversas reprises, seu último papel inédito em novelas foi no remake de “Renascer”, de 2024. Como encara esse retorno em “Coração Acelerado”?

R – Eu estava filmando um longa para o Globoplay quando fiquei sabendo dessa novela das sete. Carlos Araújo é um diretor muito presente na minha carreira e me falou desse projeto há quase dois anos. Achei a proposta muito ousada, com uma forte pegada popular e me encantei com o personagem de cara. Então, é um retorno muito empolgante. O Walmir é um tipo de anti-herói que me interessa muito.

P – Por quê?

R – É um personagem simples, de origem humilde, bem bronco mesmo, que acaba encontrando um bebê às margens de um rio e o criando como filho. Essa criança se torna um artista de sucesso e essa mudança no status financeiro acaba bagunçando o laço entre pai e filho. Não entendo o Walmir como um sujeito interesseiro, mas ele gosta do conforto gerado pelo sucesso do filho.

P – O Walmir é viciado em jogos,

um assunto que está na ordem do dia por conta do sucesso dos aplicativos de apostas. Como foi sua pesquisa sobre o tema?

R – O assunto está tão exposto que nem precisei buscar muito para mergulhar nesse tema. É nítido o sofrimento que qualquer tipo de vício gera na vida das pessoas. É fácil encontrar histórias de endividamento e de pessoas desesperadas com o rumo de suas vidas. Walmir acaba se escorando na grana do filho para sair das enrascadas

que ele mesmo cria. Só que essa condição acaba sendo usada pelo meu personagem para manipular o filho, João Raul (Filipe Bragança).

P – Você já tinha alguma proximidade com a música sertaneja antes de “Coração Acelerado”?

R – Muito pouco, conhecia mais os clássicos que todo mundo canta. Na novela, o estilo funciona como um personagem. Então, passei a escutar mais. São letras simples, diretas, falando de amor, sentimentos, conquistas, derrotas. Um mosaico muito rico e brasileiro.

P – Você tem interpretado tipos mais complexos nos últimos anos, especialmente antagonistas. É um movimento que você buscou?

R – Acho que a experiência e a maturidade me levaram a outros tipos de papéis. Minha carreira teve diversas fases ao longo dos anos. Já fui chamado para fazer um monte de comédia, depois surgiram muitos trabalhos de época e também os vilões e anti-heróis. Cada “sim” ou “não” que eu digo para um trabalho gera uma consequência. Vai do próprio ator ir definindo seus próximos passos.

P – Em algum momento você chegou a sentir uma tentativa de limitá-lo ao mesmo tipo de papel?

R – Sim. E foi quando comecei a selecionar melhor os trabalhos. Acho um barato fazer tipos diferentes, mas a única coisa que faço é procurar bons personagens. Nunca tive preocupação com o tamanho do papel, mas sim com a qualidade deles. Porém, faço questão de mostrar o meu trabalho. Já recusei alguns papéis por sentir que não iria contribuir para a trama. Não adianta trabalhar sem gostar, sem sentir prazer.

P – Sua trajetória na Globo é marcada por trabalhos em diferentes núcleos da emissora. Para você, qual a importância de variar e experimentar outros grupos de trabalho?

R – Acho fundamental. Inclusive, a própria Globo tem a preocupação de não deixar formar muitas panelinhas. É claro que, por afinidade, alguns atores, diretores e autores acabam trabalhando juntos frequentemente. Não sou contra isso. Afinal, é bom estar ao lado de quem se gosta e admira. Mas tentar misturar núcleos e fomentar outros ambientes de trabalho é essencial para criar outros produtos e resultados.

Antonio Calloni confessa que dá muitos pitacos em tudo o que se refere aos seus personagens

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