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Gazeta da Zona Leste - 1986

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GAZETA DA ZONA LESTE

ENTREVISTA

Uma experiência que unirá memória, patrimônio e ação social acontecerá, no próximo dia 28, na Mooca, a Caminhada Cultural –+ PÁGINA 5

Romulo Estrela se espelha no policial Paulinho, de ‘Três Graças’

Na pele do policial Paulinho de “Três Graças”, Romulo Estrela reconhece que o personagem ultrapassa os limites da dramaturgia e reverbera diretamente em sua vida pessoal. Ao interpretar um homem que se permite sentir, demonstrar afeto e respeitar o tempo do outro na novela das 21h da Globo, o ator admite que leva esses aprendizados para dentro de casa. > VEJA + PÁGINA 7

Sancionada

lei que reconhece o vínculo afetivo

O governador Tarcísio de Freitas sancionou, no último dia 10, a lei que autoriza que os animais de estimação, como cães e gatos, sejam enterrados em jazigos familiares em todo o estado de São Paulo. > VEJA + PÁGINA 3

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De onde vem o mal?

Casos recentes de violência extrema reacendem uma pergunta antiga: de onde vem o mal? A origem do mal é discutida por diversas áreas, mas continua sendo um enigma humano. Historicamente, há a tendência de entendê-lo como algo inerente ao ser humano e às relações sociais. Uma dificuldade inicial é defini-lo. O mal é inato ou adquirido? Nascemos bons e somos corrompidos ou já trazemos impulsos violentos que precisam ser contidos? Para Hobbes, o homem tende naturalmente à violência. Para Santo Agostinho, o mal é ausência do bem; Tomás de Aquino o vê como falha do ser. Nietzsche rompe com a moral cristã ao afirmar que bem e mal são construções históricas. Maquiavel trata o mal de forma pragmática, como instrumento político. Foucault mostra que crime e perversidade são categorias produzidas por discursos e instituições. Na sociedade atual, marcada pela polarização, a violência se banaliza e o outro é desumanizado. A psicanálise reconhece uma pulsão agressiva, mas aponta que cabe às mediações sociais transformá-la simbolicamente; quando falham, a violência emerge. O mais inquietante é admitir que o mal não está apenas no outro. Pessoas comuns podem cometê-lo movidas por medo, ideologia ou sobrevivência, como no Holocausto. Ao projetarmos o mal apenas nos “monstros”, evitamos reconhecer nossa própria sombra. Talvez a reflexão mais urgente seja admitir que o mal habita também o cotidiano, nos gestos e omissões. Só ao reconhecer essa dimensão humana é possível criar limites, fortalecer o pensamento crítico e impedir sua naturalização. Isso exige vigilância ética e autocrítica.

Souza é psicanalista e autor de “As Sombras do Eu - Psicopatologias da maldade”

MERCADO E CARREIRA

Tendências que vão transformar a educação on-line até 2030

Adigitalização acelerada e a globalização da força de trabalho estão forçando um novo salto evolutivo na educação online. Relatórios internacionais, como os publicados pela KPMG, apontam que até 2030 o ensino superior passará por transformações profundas, impulsionadas pelo avanço das tecnologias educacionais e por modelos pedagógicos mais flexíveis e centrados no estudante. A combinação entre inteligência artificial generativa, experiências imersivas e avaliação por competências está moldando um ecossistema de aprendizado mais acessível e alinhado às demandas reais do mercado. Além dessas forças centrais, outras tendências devem ganhar protagonismo. A microaprendizagem, com conteúdos curtos e objetivos, facilita o aprendizado contínuo e se adapta melhor às rotinas aceleradas dos estudantes. O avanço das tecnologias educacionais também deve tornar o ensino online mais sofisticado, com uso intensificado de dados, plataformas inteligentes e experiências personalizadas. Metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos e sala de aula invertida, aumentam o protagonismo do estudante. O mobile learning

amplia o acesso a qualquer hora e lugar, enquanto a gamificação evolui para estimular engajamento e retenção. Entre as tendências emergentes, ganham força as tecnologias de certificação digital, que tornam diplomas e microcredenciais mais seguros. Esses recursos fortalecem a autenticidade dos registros acadêmicos e ampliam a mobilidade educacional e profissional. Esse movimento acompanha uma mudança global na forma de validar competências. A tecnologia atual permite que agências reguladoras tenham maior controle sobre diplomas e certificados, algo já consolidado em países desenvolvidos para evitar instituições irregulares. Assim como ocorre na área de TI, em breve outros setores deverão adotar certificações profissionais reconhecidas por órgãos reguladores, equivalentes aos diplomas tradicionais. Esse conjunto de transformações aponta para um ambiente educacional mais flexível, personalizado e global, marcado por experiências imersivas, trajetórias adaptativas e novas formas de validar competências. O futuro da educação é global. O mercado já opera de forma internacional e, após a pandemia, o trabalho remoto eliminou barreiras que ainda existiam. Hoje, o profissional atua e concorre em escala global, e precisa estar preparado para isso.

Luiz Carlos Borges da Silveira Filho é presidente da American Global Tech University

ESTRATÉGIA EMPRESARIAL

Quando a criatividade alimenta a estratégia de negócio

POR YURI TRAFANE

Durante muito tempo, a criatividade foi associada a artistas – como Picasso, Van Gogh, Shakespeare, entre outros. No entanto, a história mostra que grandes cientistas e empresários também foram movidos pela imaginação. Albert Einstein rompeu padrões ao enxergar o universo por outra ótica. Steve Jobs revolucionou o modo como usamos tecnologia ao unir estética e usabilidade. Ambos mostraram que criatividade é mais do que arte: é a capacidade de pensar diferente para resolver problemas complexos. No ambiente corporativo, essa competência deixou de ser restrita a certas áreas e passou a ocupar um espaço central nas estratégias de negócio. Organizações criativas não são aquelas que apenas produzem ideias originais, mas as que aprendem continuamente, conectam pontos antes distantes e encontram novas respostas para velhos desafios. Ser criativo, hoje, é saber lançar mão do imprevisível para aproveitar oportunidades. Integrar criatividade à gestão exige mais do que motivação. É preciso construir contextos organizacionais que estimulem curiosidade, experimentação e liberdade responsável. Ambientes onde se possa propor soluções, testar

hipóteses e aprender com o erro seguro psicologicamente. Essa mudança cultural é profunda, pois significa trocar o controle pela flexibilidade e a rigidez pela adaptabilidade. O desafio das lideranças é equilibrar eficiência nas operações cotidianas e inovação. Modelos tradicionais de gestão foram criados para garantir previsibilidade, mas, no mundo atual, estabilidade e crescimento sustentado vêm da capacidade de lidar com o incerto. A criatividade, portanto, tornou-se um ativo estratégico. Ela orienta decisões, estimula a colaboração e amplia a agilidade organizacional diante das transformações tecnológicas, econômicas e sociais. Líderes criativos fazem perguntas poderosas, inspiram o pensamento crítico, promovem a escuta e valorizam a diversidade de ideias. Eles entendem que a inovação nasce do encontro entre perspectivas diferentes. A criatividade floresce quando há diálogo genuíno, confiança e propósito. Adotar a criatividade como estratégia também implica em rever métricas de sucesso. Além de produtividade e rentabilidade, é preciso observar indicadores de aprendizado, engajamento e inovação. A performance de longo prazo depende da capacidade das equipes de se reinventarem e manterem viva a energia criativa no cotidiano.

Yuri Trafane é empresário e consultor de empresas

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 19 de fevereiro de 2006

EDIÇÃONº 989

Pedestres reclamam e pedem passagem

Abril. Esta é a previsão para conclusão das Lobras no Largo da Concórdia, Brás, segundo informou o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, em entrevista a esta Gazeta. A intervenção teve início no dia 3 de janeiro deste ano, com a retirada dos ambulantes e o fechamento do local. Passados praticamente dois meses, muitos pedestres começaram a reclamar da falta de calçamento. “Temos como prioridade nesta primeira fase refazer toda a calçada, para que o tapume seja recuado. Para não prejudicar ninguém, fizemos

um avançado lateral para facilitar a passagem e deixá-la mais segura”, explicou o subprefeito. Entretanto, a reportagem flagrou muitos pedestres andando na rua, e não pela passagem. De acordo com Odloak, ainda, foram encontrados três níveis de pisos durante a sua retirada. “Isso foi uma surpresa para todos. Este contratempo pode até dificultar os trabalhos, mas nada que prejudique o andamento da obra”, concluiu. Depois de concluída a reforma, o local deverá ganhar novos postes de iluminação, árvores e flores: tipuana, abacateiro, pinheiro e pau-ferro.

Fabiana Nascimento

DOS ANIMAIS

Governo de SP sanciona nova lei

Ogovernador Tarcísio de Freitas sancionou, no último dia 10, a lei que autoriza que os animais de estimação, como cães e gatos, sejam enterrados em jazigos familiares em todo o estado de São Paulo.

A nova lei reconhece o vínculo afetivo entre tutores e animais de estimação.

O Projeto de Lei 56/2015, também conhecido como ‘Lei Bob Coveiro’, foi aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp), em dezembro de 2025.

Segundo o texto, o projeto foi inspirado no

caso de um cão que viveu por 10 anos em um cemitério em Taboão da Serra e, quando morreu, foi autorizado seu enterro junto de sua tutora.

De acordo com a nova lei, caberá aos serviços funerários de cada município estabelecer as regras para o sepultamento dos animais. As despesas serão de responsabilidade da família dona do jazigo ou da sepultura.

No caso de cemitérios particulares, a legislação permite a definição de regras próprias para o sepultamento de cães e gatos, desde que observadas as normas legais vigentes.

POLÍTICA DE PROTEÇÃO AOS

ANIMAIS

O Governo de São Paulo reforçou leis e novas políticas de proteção aos animais desde o início da gestão, em 2023. Entre as principais medidas estão a lei do Fim das Correntes, o Plano Estadual de Bem Estar Animal na Agricultura e a expansão da Rede de Hospitais Meu Pet. Em janeiro, o governo criou também uma lei que reconhece o “Vira-Lata Caramelo” como expressão de relevante interesse cultural de São Paulo. Na prática, a lei tem como objetivo combater o preconceito contra animais sem raça definida (SDR).

Divulgação
A nova lei reconhece o vínculo afetivo entre tutores e animais de estimação
CORRA POR MIM?
Benício, paciente do GRAACC

Artesanal Fashion Day

APrefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, abriu inscrições para os artesãos e manualistas credenciados no Mãos e Mentes Paulistanas que tenham interesse em participar do Artesanal Fashion Day, que acontecerá no próximo no dia 11 de abril, no MIS Experience. O evento, voltado à valorização do artesanato autoral aplicado à moda, terá direção artística de Peter Paiva, profissional com mais de 22 anos de atuação no setor artesanal e reunirá exposição, comercialização e desfile em uma celebração à produção criativa dos

empreendedores manuais. Serão selecionados 16 empreendedores manuais para expor e comercializar seus produtos artesanais autorais no estande do Mãos e Mentes Paulistanas, durante todo o evento. Além disso, poderão participar do desfile com a apresentação de até oito looks de peças autorais que serão distribuídos entre os expositores selecionados. O programa fornecerá o mobiliário para exposição dos produtos para comercialização e modelos para o desfile das peças selecionadas. A seleção será realizada por meio da curadoria de produtos do programa que levará em consideração três estilos alinhados à proposta do evento: Urbano (moda trabalho e corporativa), Ca-

sual Chic (peças e acessórios confortáveis, leves e estilosos para o lazer, passeios ao ar livre, encontros com amigos e eventos informais) e Glam (peças e acessórios voltados a festas, jantares elegantes e celebrações que pedem estilo, originalidade e destaque).

A curadoria observará critérios definidos em consonância com a proposta do evento, como: qualidade, técnica, segmento, acabamento, sustentabilidade, tendência, inovação e apresentação profissional. Serão contemplados os segmentos de vestuário, acessórios (bijuterias, semi-jóias, bolsas e correlatos) e calçados. As inscrições seguem até o dia 22 de fevereiro pelo site da Prefeitura.

Divulgação
Programa da Prefeitura de São Paulo levará seus artesãos e manualistas ao evento

MUSEU DA IMIGRAÇÃO

Experiência unirá memória, patrimônio e ação social

O trajeto convida o público a refletir sobre a vocação histórica de São Paulo para o acolhimento

Uma experiência que une memória, patrimônio e ação social acontecerá, no próximo dia 28, na Mooca. A Caminhada Cultural – Conexão Itália –São Paulo, promovida pelo Instituto Italiano di Cultura de São Paulo, em colaboração com a Litera Comunicação e a SPCultour, propõe um percurso entre o Museu da Imigração e o Arsenal da Esperança, duas instituições que compartilham o histórico complexo da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás.

VOCAÇÃO HISTÓRICA

O trajeto convida o público a refletir sobre a voca-

ção histórica de São Paulo para o acolhimento. Inaugurada no final do século XIX, a Hospedaria recebeu milhões de imigrantes e migrantes até 1978. Hoje, o mesmo edifício abriga o Museu da Imigração, que preserva e atualiza as narrativas sobre deslocamentos humanos, e o Arsenal da Esperança, instituição que acolhe diariamente cerca de 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social. A proposta da caminhada é criar uma conexão viva entre passado e presente, mostrando como o acolhimento permanece como prática social e valor constitutivo da cidade. A atividade também dialoga com a memória da

imigração italiana no Brasil, celebrada nacionalmente em 21 fevereiro. Os organizadores prometem mais que uma visita guiada, uma experiência que propõe um olhar sensível sobre o território, aproximando patrimônio cultural e realidades urbanas contemporâneas.

SERVIÇO

Caminhada Cultural Conexão Itália – São Paulo Museu da Imigração → Arsenal da Esperança, dia 28 de fevereiro, sábado, das 10 às 12h30. Encontro: Museu da Imigração – Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca, ingresso: R$ 50,00. Mais informações: https://iicsanpaolo.esteri.it/it/

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Casamento, crise e gargalhadas: sucesso da comédia

‘10 maneiras incríveis de destruir seu

casamento’

Acomédia teatral “10 maneiras incríveis de destruir seu casamento” estreia no dia 28 de fevereiro, no Teatro Fernando Torres, no Tatuapé, com sessões aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.

Com texto de Sérgio Abritta, o espetáculo é estruturado em esquetes ágeis e independentes que retratam, com humor ácido e identificação imediata, situações do casamento contemporâneo. Pequenos hábitos, conflitos cotidianos e crises conjugais ganham contornos cômicos, transformando dramas comuns em gargalhadas.

A montagem é estrelada por Ellen Rocche, Daniel Rocha, Thaisa Damous e Tom Prado, atores com sólida trajetória no teatro, na televisão e no cinema e que se destaca pela versatilidade em múltiplos personagens e pela relação direta com a plateia, potencializando o humor do texto

e garantindo ritmo e alto engajamento do início ao fim.

Popular, atual e provocadora, a peça convida o público a rir de si mesmo e das relações afetivas, em uma experiência divertida, dinâmica e altamente reconhecível - ideal para casados, solteiros e divorciados.

SERVIÇO

“10 maneiras incríveis de destruir seu casamento” - Estreia 28/02 – Curta temporada. Teatro Fernando Torres - Rua Padre Estevão Pernet, 588 – Tatuapé. Horários: sábados, às 20h; e domingos, às 19h. Duração 80 minutos - Classificação Etária: 14 anos. Ingressos: sábado: R$ 120 inteira / R$ 60,00 meia e domingo: R$ 110 inteira / R$ 55,00 meia. Ponto de Venda sem taxa de conveniência: bilheteria do Teatro (quarta a domingo das 14h às 19hs - Em dias com espetáculo, até o início do espetáculo. Ingressos on-line: Sympla.

ENTREVISTA Romulo Estrela se espelha no policial Paulinho, de ‘Três Graças’

Na pele do policial Paulinho de “Três Graças”, Romulo Estrela reconhece que o personagem ultrapassa os limites da dramaturgia e reverbera diretamente em sua vida pessoal. Ao interpretar um homem que se permite sentir, demonstrar afeto e respeitar o tempo do outro na novela das 21h da Globo, o ator admite que leva esses aprendizados para dentro de casa. Segundo ele, essa troca passa especialmente pela forma como o personagem lida com os sentimentos e com os limites dentro de uma relação. “Esse respeito que o Paulinho tem, essa tranquilidade para viver o aqui e o agora, é uma coisa que eu, Romulo, admiro muito no meu personagem, gosto de interpretar e faço esse exercício para a minha vida”, diz. Em um relacionamento amoroso há 15 anos, ele vê na trajetória do policial um lembrete constante de que vínculos afetivos exigem atenção contínua. “É uma coisa que o Paulinho me reacendeu: o jogo não está ganho, ele tem de ser jogado”, analisa.

Romulo sente que o espectador se interessa pelos dilemas de Paulinho – tanto na investigação do esquema criminoso que atravessa a trama quanto no relacionamento com Gerluce, vivida por Sophie Charlotte. “Eu sinto, de verdade, que o público está acompanhando a história”, observa. Entre os conflitos que mobilizam a audiência, um se destaca: a possibilidade de o policial ter de agir contra a própria companheira. Sobre esse impasse, o ator despista, mas reconhece o peso dramático da situação. “Olha, isso nem eu sei ainda. Mas eu acho que esse vai ser um momento difícil para os dois”, opina, a respeito de uma possível prisão da mocinha.

P – Como você se sente em relação à novela “Três Graças”, depois de passar cerca de dois anos longe do gênero e mais uma vez como um mocinho das 21h?

R

– A novela é bem escrita e tem personagens maravilhosos. Que bom que a audiência está acompanhando essa história que a gente está querendo contar. Acho que, depois de dois anos longe das novelas, voltar agora fazendo “Três Graças”, com esse personagem que me dá muitas possibilidades, é maravilhoso. E que bom que ele caiu no gosto do povo, que ele está servindo aí, de alguma maneira, como referência em alguns pontos importantes.

P

– Que pontos?

R

– Por exemplo, Paulinho é um cara que se vulnerabiliza, que é carinhoso e

não tem medo de amar. E que também não tem medo de ser amado. Eu aprendo muito com o Paulinho também.

P – Você falou que aprende com o Paulinho. Em que sentido, em termos práticos?

R – Eu acho que o Paulinho é um cara muito gentil, por exemplo. Ele não tem medo de expor o tamanho do sentimento dele. Foi arrebatado pelo que sente pela Gerluce e não escondeu isso. À medida que teve espaço para falar, sem que ele a sufocasse, ele falou. Conforme ela foi dando espaço, ele pôde demonstrar o tamanho desse amor. Eu acho

que esse respeito que o Paulinho tem, essa tranquilidade para viver o aqui e o agora, é uma coisa que eu, Romulo, admiro muito no meu personagem, gosto de interpretar isso e faço esse exercício para a minha vida.

P – De que forma?

R – Entendendo onde começam e onde terminam os meus limites, sobretudo no relacionamento. Sou casado há 15 anos, eu tenho a minha companheira de 15 anos já, temos filho juntos, mas, ainda hoje, isso é um ponto de atenção e acho que vai ser sempre. A gente muda com os anos, a gente se relaciona e, por mais que a gente viva há muito

tempo ao lado de uma pessoa, nós não somos as mesmas pessoas. Então, acho que essa atenção é uma coisa que o Paulinho me reacendeu. É falar que o jogo não está ganho, que tem de ser jogado.

P – E como tem sido o retorno do público em relação a esse trabalho?

R – Eu sinto, de verdade, que o público está acompanhando a história. Nas redes sociais, a gente tem um time trabalhando e fazendo com que o público não se perca nessa história. Até porque ela é complexa. Você vê essa personagem entrando em vários lugares, resolvendo várias questões, equilibrando vários pratinhos. Ele investiga esse roubo, questiona a Gerluce de um jeito diferente. Estou animado com as possibilidades. E acho que é isso que está fazendo com que o público fique atento, querendo assistir a essa história.

P – Existem traços do passado do Paulinho que ainda parecem escondidos...

R

– Tem um negócio muito legal em relação a um episódio do passado, mas eu já gravei essa cena, que é sobre o porquê de Paulinho ser esse cara que se dedica tanto quando encontra essa mulher, esse amor. Isso tem muito a ver com o passado dele. É uma coisa que a gente já falou: ele é um cara que já foi casado, mas deixou essa vida porque foi incompatível com o trabalho. Como ele é um cara extremamente ético e profissional, se dedicou a esse trabalho e pagou o preço por isso. P – Você gosta de ser um homem desejado? Falam muito de você nas redes sociais...

R – Uma coisa que me envaidece muito é quando meu trabalho alcança as pessoas e eu consigo, de alguma forma – e de verdade, sem qualquer demagogia – abrir um debate, abrir um diálogo. E quando a gente consegue fazer isso sem radicalismo também. Isso é que me envaidece muito. Em relação a receber carinho, receber um elogio ou qualquer coisa nesse sentido, eu acho que todo mundo se sente bem. Seja porque você é uma pessoa gentil, simpática, ou também por conta de algum sucesso estético. Claro que isso deixa a gente feliz. Mas não é o que rege a minha vida. Até porque, como ator, eu preciso estar disponível para o meu trabalho. Nem sempre eu acho que eu vou ser um cara que as pessoas vão olhar na tela e vão falar “que legal, que bonito, que bacana”.

Romulo Estrela é maranhense e completa 42 anos em março

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