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Gazeta da Zona Leste - 1982

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GAZETA DA ZONA LESTE

Sophie

Charlotte

vibra com complexidades da mocinha Gerluce

Atriz vive um momento inspirador em sua trajetória artística. Após “Renascer”, a atriz decidiu se dedicar a personagens capazes de traduzir a complexidade do Brasil. E foi nesse contexto que chegou a Gerluce, de “Três Graças”, uma mulher que enfrenta adversidades sem perder a alegria. > VEJA + PÁGINA 7

Em celebração aos 472 anos de São Paulo, comemorados amanhã, dia 25, as linhas Paulistar contarão com uma operação espe-

Dicas para garantir a saúde e segurança das crianças

Seja para quem está começando o ano em uma escola nova ou retomando a antiga, confira algumas dicas que podem fazer toda a diferença para que o aprendizado aconteça de forma saudável e segura. > VEJA + PÁGINA 4

editorialeditorial

Comunicar ainda é um ato humano

Vivemos um paradoxo: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, e nunca foi tão difícil produzir sentido. Entre automações, textos algorítmicos e narrativas moldadas para engajamento, surge a pergunta: o que acontece quando delegamos às máquinas não só a forma, mas a intenção do que comunicamos? O maior risco da IA não é substituir o humano, mas esvaziar o significado. Quando deixamos que sistemas decidam o que deve emocionar ou convencer, abrimos mão da responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Sem intenção consciente, a comunicação vira apenas engenharia de estímulos — eficiente, porém vazia — e onde falta intenção, sobra manipulação. Nesse cenário, comunicar exige mais do que dominar ferramentas: exige ética de design. Tecnologias realmente úteis devem ampliar a consciência, não anestesiá-la. Sistemas de voz, algoritmos narrativos ou qualquer solução relevante precisam integrar saberes diversos, da engenharia à psicologia. Ainda assim, há algo insubstituível: o humano ético. Sem essa consciência, avanços técnicos viram instrumentos de persuasão cega. A responsabilidade é dupla: com o público, que confia no que recebe, e com a humanidade, moldada silenciosamente pelas escolhas tecnológicas que fazemos.

A IA não é neutra; reflete valores e intenções de quem a cria. Para quem teme perder a própria voz, o primeiro passo é o silêncio: ouvir a si mesmo e ao outro. A IA replica estilos, mas não cria intenção — e intenção é o núcleo da voz. Criar e comunicar continuam sendo atos profundamente humanos. A tecnologia amplifica, mas só o humano decide o que merece ser dito.

POLÍTICA CLIMÁTICA

A solução para as cidades está na natureza

Até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas. A expansão das cidades tende a agravar os impactos da mudança do clima, sobretudo para quem vive em regiões vulneráveis, como encostas, margens de rios e zonas costeiras. Ondas de calor, falta de água, enchentes, perda de infraestrutura e aumento das desigualdades serão desafios crescentes.

Repensar o modelo de desenvolvimento é urgente. A urbanização desordenada, que ignora ecossistemas naturais, compromete a qualidade de vida e os serviços ambientais essenciais. Cidades impermeabilizadas, com poucas áreas verdes e insensíveis à degradação de manguezais, restingas e recifes enfrentam dificuldades crescentes diante dos extremos climáticos.

Nesse cenário, ganham força as Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que unem conservação, restauração ecológica e infraestrutura verde. Além de mais econômicas que obras tradicionais, representam uma oportunidade de transformar o desenvolvimento urbano no Brasil.

Recuperar áreas degradadas, ampliar arborização, restaurar nascentes, conectar parques e expandir áreas verdes em periferias significa

atuar em justiça climática, saúde, biodiversidade e segurança hídrica. As SBN também complementam a drenagem urbana com jardins de chuva, praças úmidas e até tratam efluentes com jardins filtrantes

A adaptação climática exige coordenação entre governos. Prefeituras têm papel central, pois cuidam de saneamento, drenagem, mobilidade, habitação e proteção social — áreas diretamente afetadas pelo clima. Ações locais são essenciais, mas só ganham escala com apoio técnico, financiamento climático e articulação nacional.

Bancos e agências de desenvolvimento são estratégicos ao financiar projetos urbanos com SBN, promovendo adaptação, equidade social e valorização de territórios vulneráveis. Parques urbanos, telhados verdes, hortas comunitárias e drenagem sustentável são infraestruturas do futuro.

Mesmo que o mundo ultrapasse temporariamente 1,5°C, ainda é possível evitar o colapso urbano e social — desde que haja ação imediata. Crises alimentares, deslocamentos e perda de biodiversidade já estão em curso e não podem justificar a inação.

Juliana Baladelli Ribeiro é bióloga e especialista em Soluções Baseadas na Natureza

CIDADANIA

Inclusão performática

Vamos imaginar uma cena comum: a copa moderna de uma empresa de ponta. O cheiro de café no ar, conversas sobre metas, pôsteres coloridos exaltando “diversidade” e selos de “great place to work” nas redes sociais. Tudo parece alinhado ao discurso da inclusão.

Mas a realidade por trás da fachada é outra. Processos seletivos que, sob a máscara da meritocracia, mantêm barreiras invisíveis. Rampas que não levam a lugar algum, softwares inacessíveis. Essa é a inclusão performática: a que finge mudança, mas não altera estruturas.

A Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência foi um avanço, mas, décadas depois, ainda é tratada como obrigação burocrática, um item a ser marcado no RH. Poucos a entendem como o que é: um mínimo de dignidade e uma porta para inovação.

A pergunta não é se as cotas são preenchidas, mas como. Contratar alguém para subutilizá-lo, apenas para evitar multas, revela uma sociedade que simula justiça, mas evita praticá-la.

O debate precisa ir além dos números. A barreira real não está na deficiência, e sim no capacitismo que molda empresas, escolas e cidades. É a cultura que

valoriza um único modelo de produtividade e ignora a riqueza de corpos e mentes diversas. Sob qualquer perspectiva — especialmente a econômica — exclusão é má estratégia. Ambientes diversos são mais criativos, resilientes e eficazes. Ignorar talentos por preconceito não é só antiético; é um erro de gestão.

Mas a questão vai além da utilidade. No centro está a dignidade: enxergar potência onde o preconceito vê falta. Entender que a experiência da pessoa com deficiência não é tragédia, mas perspectiva valiosa. Acessibilidade não é favor; é direito que viabiliza todos os outros.

Inclusão real não é checklist. É processo contínuo de escuta, adaptação e mudança cultural. Começa quando líderes removem barreiras que a própria organização criou, quando equipes aprendem novas formas de colaborar e quando pessoas com deficiência são contratadas, ouvidas, promovidas e reconhecidas em sua inteireza.

Precisamos ir além da planilha e abrir espaço para ideias diversas e talentos plenamente realizados. A verdadeira inclusão se mede na qualidade do encontro humano — é ali que um futuro mais justo começa a ser visto.

André Naves é defensor público federal

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 22 de janeiro de 2006 EDIÇÃONº 985

Pista de Bicicross será inaugurada no Belém

No próximo sábado, dia 28, às 11 horas, será inaugurada a Radical Leste, pista oficial de Bicicross que fica na Avenida Alcântara Machado esquina com Salim Farah Maluf e Rua Padre Adelino, na confluência dos bairros do Tatuapé, Mooca, Belém e Água Rasa. Os aficionados pelo esporte, que se deslocavam para outras cidades, agora podem contar com 10.500 m² de área verde e pista com extensão de 353 metros. A arquibancada é capaz de

comportar 400 pessoas. O projeto da pista teve a participação da Federação Paulista de Bicicross. Bicicross é um esporte radical praticado com bicicletas aro 20 e 24, cujos equipamentos de segurança obrigatórios são: joelheiras, cotoveleiras, calça e camisa compridas e capacete fechado. Trata-se de uma modalidade esportiva recente, cuja primeira participação em Olimpíadas ocorrerá em 2008.

Reclamações disparam no Brasil

Onúmero de queixas de consumidores sobre compras realizadas pela internet no Brasil continua em alta, segundo dados divulgados pelos órgãos de defesa do consumidor. Só no período da Black Friday de 2025, o Procon-SP contabilizou 3.064 interações com consumidores, das quais 2.979 reclamações formalizadas. Isso significa um aumento de quase 40% em relação ao ano anterior.

Entre os principais problemas relatados estão: não

entrega ou entrega com atraso (31,62%), pedidos cancelados pelo fornecedor (15,51%) e produto com defeito ou diferente do anunciado (11,75%).

Especialistas observam que o crescimento das queixas acompanha o aumento contínuo das compras on-line no País e o surgimento de frustrações relacionadas à experiência do usuário. Um estudo recente da E-Commerce Brasil mostrou que 77% dos brasileiros abandonam compras on-line devido à insatisfação com o site ou aplicativo, e muitos consumidores também relatam

preocupações com métodos de pagamento e segurança digital. O advogado Giordano Malucelli, especialista em direito do consumidor, destaca que a legislação brasileira prevê mecanismos de proteção ao comprador online. “O Código de Defesa do Consumidor estabelece que a oferta vincula o fornecedor; se o prazo de entrega não for cumprido ou a compra for cancelada unilateralmente e sem justa causa pelo fornecedor, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar produto equivalente ou rescindir o contrato com a restituição

integral do valor pago, além de eventuais perdas e danos”, afirma.

Malucelli lembra que nas compras eletrônicas o consumidor também tem o direito de arrependimento, aplicável às contratações realizadas fora do estabelecimento comercial, incluindo o comércio eletrônico, com possibilidade de desistir da compra em até sete dias a contar da assinatura ou do recebimento do produto ou serviço, o que ocorrer por último, com devolução integral dos valores pagos, sem necessidade de justificativa. “Registrar reclamações nos

Somente o Procon-SP registrou quase 3 mil queixas na última Black Friday; dados apontam crescimento do descontentamento com o e-commerce

canais oficiais e conservar comprovantes e mensagens é essencial para fortalecer

qualquer demanda administrativa ou judicial”, acrescenta o advogado.

Divulgação

Depois de um período de férias cheio de brincadeiras, viagens ou descanso, é hora de organizar o retorno à rotina escolar dos pequenos. O momento, aguardado ou temido por muitos deles, traz desafios que vão além da adaptação às novas matérias, amigos e professores.

Seja para quem está começando o ano em uma escola nova ou retomando a antiga, cuidados simples podem fazer toda a diferença para que o aprendizado aconteça de forma saudável e segura. Por isso, garantir que as crianças estejam protegidas contra doenças e outros riscos é uma preocupação que precisa estar no topo da lista de prioridades dos pais nesse início de ano.

“De maneira geral, a orientação atual é que a avaliação anual da criança seja realizada a partir dos 02 anos de idade pelo médico de família que a acompanha. Embora geralmente seja recomendado que essa avaliação ocorra próximo ao aniversário, ela também pode ser agendada antes do início do período letivo, caso essa data facilite a organização dos pais”, explica Raul Queiroz Mota de Sousa, médico de Família e Comunidade da UBS Jardim Valquíria. Recomenda-se sempre que possível, uma visita ao consultório médico, onde podem ser realizadas diferentes avaliações e solicitações de exames, caso necessário.

VACINAS EM DIA O especialista comenta que outro ponto importante é manter as vacinas

VOLTA AS AULAS Retorno à rotina escolar de forma saudável e segura

O uso inadequado da mochila também pode afetar a saúde. Por isso, o objeto deve ser adaptado para a realidade de cada criança

em dia. Ele ressalta que a vacinação ajuda a proteger as crianças de diferentes doenças e evita a contaminação coletiva.

“As vacinas são fundamentais para o controle de doenças, principalmente porque o adoecimento nos primeiros anos em que as crianças estão em ambiente escolar é mais comum. Isso ocorre devido ao contato intenso entre elas nas fases iniciais, quando começam a frequentar espaços mais aglomerados.”

Mas é essencial lembrar que o calendário vacinal varia conforme a idade e condições de saúde. Ele aponta as principais imunizações recomendadas, de acordo com o Ministério da Saúde. Confira.

AOS 4 ANOS

• Vacina DTP (2º reforço): previne difteria, tétano e coqueluche;

• Vacina Febre Amarela (reforço): protege contra a

febre amarela;

• Vacina Varicela (1ª dose): previne a catapora.

AOS 5 ANOS

• Vacina Febre Amarela (1ª dose): para crianças que não receberam as duas doses antes de completar 5 anos;

• Vacina Pneumocócica 23-valente (2ª dose): indicada para populações indígenas, protege contra infecção invasiva pelo pneumococo.

AOS 7 ANOS

• Vacina Difteria e Tétano (dT): reforço a cada dez anos, ou a cada cinco em caso de ferimentos graves, a fim de evitar difteria e tétano.

AOS 9 E 10 ANOS

• Vacina HPV (dose única): protege contra os tipos de Papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18.

ATENÇÃO

AOS SINAIS

Além disso, é necessário observar se a criança

apresenta alguma alteração comportamental que possa indicar distúrbios visuais, auditivos ou de desenvolvimento neuropsicomotor, pois esses podem comprometer o aprendizado. Nesses casos, é fundamental buscar ajuda especializada.

“Os pais devem estar atentos a queixas recorrentes de dor de cabeça ou desconforto nos olhos. Se a criança se aproxima demais dos objetos para enxergar, tem dificuldade em identificar itens distantes ou senta-se muito próximo da televisão ou de outras telas para ver melhor, pode ser um indicativo de distúrbio visual. Nessa situação, uma avaliação médica é essencial para evitar problemas futuros”, alerta o médico.

SONO

Fora isso, com o ritmo de férias, muitas crianças acabam perdendo a rotina

de sono. Logo, o médico explica que reforçar esse hábito e estabelecer um horário regular e adequado para que ela possa dormir, antes mesmo do início das aulas, pode ter um impacto significativo ao voltar para a rotina escolar.

A Associação Brasileira do Sono (ABS) recomenda horas de sono para crianças, incluindo cochilos. Confira.

• 4 a 12 meses: de 12 a 16 horas diárias;

• 1 a 2 anos: de 11 a 14 horas diárias;

• 3 a 5 anos: 10 a 13 horas diárias;

• 6 a 12 anos: 9 a 12 horas diárias.

HÁBITOS DE HIGIENE

Já em relação aos hábitos de higiene para os pequenos, as recomendações são as mesmas destinadas à toda população: lavar sempre as mãos, principalmente após entrar em con-

tato com secreções como coriza ou saliva, antes de se alimentar e após usar o banheiro.

“É preciso orientar a criança para evitar compartilhar objetos como talheres, copos, pirulitos ou garrafas de água. Justamente por não terem esses cuidados nos primeiros anos de ambiente escolar, elas tendem a apresentar mais quadros infecciosos.”

MOCHILA

O uso inadequado da mochila também pode afetar a saúde. Por isso, o objeto deve ser adaptado para a realidade de cada criança.

“Se a criança precisa percorrer longas distâncias, o ideal é uma mochila mais leve ou com rodinhas, para evitar o excesso de peso nas costas. As alças devem ser confortáveis e o tamanho proporcional ao tronco. Além disso, os objetos mais pesados devem ser colocados na parte de trás da mochila, mais próxima das costas, para facilitar o transporte e reduzir a sobrecarga”, propõe Raul.

ASPECTO

PSICOLÓGICO

Por último, mas não menos importante, o médico enfatiza que os pais precisam observar se a criança demonstra algum receio em retornar à escola e buscar proporcionar um espaço seguro para que ela possa expressar seus sentimentos.

“Procure entendê-la e oferecer apoio. Promover encontros com colegas de turma ainda durante as férias pode ser uma boa estratégia para manter os laços de amizade e facilitar a adaptação ao novo ano letivo”, finaliza.

Divulgação

DE SÃO PAULO

Guias bilíngues e programação especial

Amanhã, 25 de janeiro, em celebração aos 472 anos de São Paulo, as linhas Paulistar contarão com uma operação especial para receber moradores e turistas. Em uma parceria entre a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), a SPTrans e a Secretaria Municipal de Turismo, as três linhas ganharão o reforço de guias e recepcionistas bilíngues em pontos estratégicos, auxiliando o público a desbravar a história e a cultura da cidade a bordo dos coletivos.

A programação especial foca em três grandes

polos de interesse. Confira.

• 1 Terminal Pq. Dom Pedro II: Contará com 16 guias bilíngues e 4 recepcionistas;

• 2 Museu do Ipiranga (Rua Costa Aguiar): Terá à disposição 20 guias bilíngues e 5 recepcionistas para orientar os visitantes;

• 3 Terminal Metrô Ana Rosa: Ponto de conexão fundamental, receberá 20 guias bilíngues e 5 recepcionistas ao longo do dia.

Sucesso de público e aprovação, desde o seu lançamento em 28 de setembro, o programa Paulistar consolidou-se como uma iniciativa fixa e essencial para a mobilidade voltada ao lazer. O serviço é visto como um facilita-

dor para o acesso a pontos turísticos, garantindo uma opção segura e econômica para quem deseja conhecer São Paulo sem a necessidade de carro particular. Para o aniversário da cidade, além da presença dos guias, a SPTrans reforça que o benefício do Domingão Tarifa Zero estará em vigor, permitindo que todos os cidadãos utilizem os ônibus municipais gratuitamente para aproveitar a festa em toda a metrópole. O itinerário completo e os horários de partida das linhas Paulistar, que operam das 8 até as 19 horas, podem ser consultados no site oficial da SPTrans (www.sptrans.com.br/ paulistar).

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Parceria entre SMT, SPTrans e Secretaria de Turismo reforça o papel do transporte público no lazer e na cultura da capital

Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente

Oespetáculo “CHOQUE!

Procurando Sinais de Vida Inteligente” chega a São Paulo em 30 de janeiro de 2026, no Teatro FAAP. Com humor afiado e olhar crítico, em atuação solo de Danielle Winits dirigida por Gerald Thomas, a obra se estabelece como uma reflexão sobre as irracionais contradições humanas, o papel da mulher na sociedade e os dilemas da vida contemporânea. O título sugere uma busca extraterrestre, mas é, na verdade, uma metáfora para a busca de empatia, conexão e sentido no meio da confusão cotidiana da humanidade. Drama ou comédia? A resposta vai depender da visão de mundo de cada espectador.

Escrita pela norte-americana Jane Wagner, originalmente encenada em 1985, nos EUA, CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente –, consolidou-se na ocasião como um marco para o teatro, especialmente pelo modo como mescla humor, crítica social

Estruturada como um monólogo múltiplo, uma só atriz (Danielle Winits) interpreta algumas das personagens

e múltiplas vozes em uma única interpretação.

Estruturada como um monólogo múltiplo, uma só atriz (Danielle Winits) interpreta algumas das personagens da obra original sintetizados em uma única personagem e por meio desta voz constrói uma narrativa bem humorada questionando padrões sociais, a lógica capitalista, a superficialidade da cultura de massa e os limites das relações humanas, tudo isso por meio de observações sagazes e por vezes absurdas que provocam tanto o riso quanto a reflexão.

SERVIÇO

De 30 de janeiro até 29 de março de 2026. Quintas, sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 17h. Teatro FAAP – Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo

Ingressos: R$160,00 (inteira) e R$80,00 (meia entrada). Televendas: (11) 3662-7233 e (11) 3662-7234. Quartas a sábados, das 14h às 20h e domingos, das 14h às 17h.Duração: 70 min.

ENTREVISTA

Sophie Charlotte vibra com complexidades da mocinha Gerluce, de ‘Três Graças’

Sophie Charlotte vive um momento inspirador em sua trajetória artística. Após “Renascer”, a atriz decidiu se dedicar a personagens capazes de traduzir a complexidade do Brasil. E foi nesse contexto que chegou a Gerluce, de “Três Graças”, uma mulher que enfrenta adversidades sem perder a alegria. “Passei muito tempo tendo sorte com as oportunidades que surgiram e depois de ‘Renascer’ verbalizei que queria contar histórias como a da Gerluce. Fiquei fascinada e preocupada em como dar conta de uma pessoa que enfrenta coisas nada fáceis, mas mantém sua alegria. Quando a gente pensa no Brasil, a gente pensa nesse contraste e como consegue equilibrar coisas tão opostas”, ressalta.

Na trama das nove, Gerluce é uma mulher determinada e batalhadora, com forte senso de justiça. Mãe solo desde a adolescência, sustenta a filha, adolescente, e a mãe doente, assumindo as responsabilidades da casa e do bem-estar da família. Ao descobrir um esquema criminoso de falsificação de remédios que prejudica sua comunidade e afeta sua família, decide fazer justiça, travando uma luta do bem contra o mal. “É uma trama bem complexa, né? Fala sobre até onde vamos por quem a gente ama”, afirma.

P – Em “Três Graças”, você retorna ao horário nobre após ter participado de “Renascer”. Porém, agora ocupa o posto de protagonista. Como tem sido encarar essa rotina de trabalho?

R – Estou vivendo um período muito agitado, mas muito feliz. O trabalho já era intenso antes, agora ficou ainda mais. São três frentes acontecendo simultaneamente, muitas gravações, dias longos, mas existe uma satisfação enorme. A recepção de “Três Graças” tem sido especial, diferente de tudo que eu já vivi. Há um engajamento do público que vem de um lugar muito afetivo, e isso faz com que todo o esforço realmente valha a pena.

P – O que mais chamou a sua atenção no convite para protagonizar a produção das nove?

R – Quando li o texto, me emocionei de verdade. Entendi os porquês da personagem, as dores e também as alegrias dela. Vi ali uma mulher profundamente brasileira, com uma história muito reconhecível. A Gerluce tem uma verdade muito grande, uma humanidade que me

atravessou logo de cara, e isso foi decisivo para eu querer contar essa história.

P – Como você tem sentido a repercussão da personagem?

P – A força de uma família encabeçada por mulheres ocupa um lugar central na narrativa de “Três Graças”. Como isso se reflete na construção da Gerluce?

R – A família é o eixo emocional da personagem. Aquela casa das três mulheres – mãe, filha e avó – é um berço de afeto muito forte. Mesmo nas situações mais difíceis, elas se unem. Esse vínculo é essencial para a Gerluce e, acredito, profundamente reconhecível para o público. A família está no centro da história e também do debate que a novela propõe.

P – A Gerluce toma decisões moralmente complexas ao longo da trama. Como você lida, como atriz, com esses erros e contradições?

R – Acho fundamental que personagens errem. Mocinhas que só acertam não ensinam nada, porque a vida não é assim. A Gerluce é impulsiva, aprendeu a se virar sozinha e, em determinado momento, decide agir. Meu compromisso não é defender todos os atos dela, mas viver o que é real para ela naquele momento, com as informações e emoções que ela tem. O mais interessante é acompanhar as consequências dessas escolhas.

P – A novela aborda desigualdade social e injustiça em seu enredo. De que forma isso toca em suas sensibilidades?

R – Mexe muito comigo. “Três Graças” fala de questões sociais profundas através de pequenos gestos e situações cotidianas. Às vezes está num detalhe simples de cena, numa escolha que um personagem pode fazer e outro não. Isso diz muito sobre a nossa sociedade e sobre desigualdade, sem precisar explicar ou apontar o dedo. É uma abordagem muito inteligente. Essa novela traz muitos pontos de pensamento e isso tem sido enriquecedor para mim.

P – Por quê?

R – A resposta do público é sempre inesperada. A gente entrega tudo o que pode, mas nunca sabe exatamente por

A atriz confessa estar vivendo um período muito agitado, mas muito feliz onde vai tocar o coração das pessoas. O que me chamou atenção foi que a conexão começou pelas coisas mais simples: o corre do dia a dia, o jeito dela acordar atrasada, chegar no trabalho, voltar para casa. São pequenos gestos cotidianos que foram criando identificação e afeto.

R – Tem sido um grande aprendizado. A Gerluce não cabe em um único lugar: ela erra, se irrita, ama, briga, faz piada, sofre. Essa fluidez, essa possibilidade de não ser uma mocinha idealizada, mas uma pessoa de verdade, tem sido muito rica para mim. É intenso, desafiador e profundamente humano.

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