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Gazeta da Zona Leste - 1981

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GAZETA DA ZONA LESTE

A população da capital e o público que visitar São Paulo no mês de janeiro encontrarão 19 feiras de artesanato do Mãos e Mentes

Giovanna Lancellotti se despede da intensa Kami, de ‘Dona de Mim’

Ao longo de quase um ano de gravações, a atriz se deparou com os desafios de uma obra aberta, marcada por surpresas e pela imprevisibilidade que também espelha a vida real. “Precisei me concentrar para não chorar quando me dei conta que estava acabando”, afirma. > VEJA + PÁGINA 7

Formação gratuita em desenvolvimento de jogos eletrônicos

Até o próximo dia 27 de janeiro, a Prefeitura de São Paulo aceita inscrições para o processo seletivo do curso GameDev, formação gratuita em desenvolvimento de jogos eletrônicos. São 120 vagas divididas em 6 turmas de 20 alunos cada. > VEJA + PÁGINA 5

editorialeditorial

O início, o fim e o meio do jeitinho brasileiro

POR MARCO BRITO MIONI

Você já deve ter se perguntado quando e onde surgiu o jeitinho brasileiro. Na verdade, isso nem importa mais. O fato é que o bendito jeitinho se enraizou em nossa comunidade, faz parte da sociedade brasileira e domina tanto em seu aspecto positivo de deixar a vida nos levar, resolvendo coisas no último minuto, como também em seu aspecto negativo, aproximando-se da incompetência em não fazer as coisas com perfeição e no tempo certo. Consta nos registros históricos que tudo começou com o descobrimento do Brasil, que foi resultado de um “jeitinho” de Pedro Álvares Cabral que, tentando ir para a Índia mais rápido, sem enfrentar as tormentas do Cabo da Boa Esperança, simplesmente resolveu dar a volta ao mundo indo pelo oceano Atlântico tentando chegar ao Oriente. Esse certamente foi o início do jeitinho na nossa história. Por outro lado, um dos últimos jeitinhos brasileiros que temos conhecimento foi a tentativa de usurpação do poder com a aplicação de um golpe de Estado no ano de 2022. O problema de tudo isso não está no início nem no fim, mas sim no meio. Quinhentos e vinte e cinco anos de história e temos um jeitinho para cada ano e cada setor da sociedade, um jeito para a política, outro para o futebol. E o que dizer do carnaval? Esse já não tem jeito mesmo, vai nos trancos e barrancos, mas vai! Ainda temos a religião, que não se discute, a cultura popular e a saúde pública, porque, afinal, de médico e louco todo mundo tem um pouco.

história do País

COMPORTAMENTO

As delícias da picuinha

Vamos falar a verdade: quem nunca suspirou quando o Sr. Darcy anda até Elizabeth com o sol da manhã atrás dele e confessa seu amor com o rabinho entre as pernas? O enemies to lovers, ou “de inimigos a amantes”, não é uma trope nova, como os fãs de Orgulho e Preconceito (1813) sabem.

Há séculos nos deliciamos com o mocinho rico que não sabe se comunicar e acaba pisando no calo da mocinha que não leva desaforo. Farpas voam até virarem fagulhas e, inevitavelmente, alguém precisa dar o braço a torcer.

Esse “amor e ódio” está enraizado na cultura pop. Em E o Vento Levou (1939), Scarlett e Rhett vivem se provocando; no divertidíssimo Abaixo o Amor (2003), os personagens de Renée Zellweger e Ewan McGregor tentam passar a perna um no outro, assim como em 10 Coisas que Odeio em Você (1999). Vermelho, Branco e Sangue Azul (2019) conquistou tanta gente que virou filme.

E não posso deixar de citar meus favoritos: os animes. Em Diários de uma Apotecaria (2023), Jinshi enfurece a pragmática Maomao, que só quer trabalhar, fazer seus venenos e não morrer no palácio. Já Kaguya-sama: Love is War (2019) é outra pérola onde egos enormes transformam romance em

batalha.

Tudo isso para dizer que, apesar da viralização atual, o plot não é recente.

Mas por que, na era das maratonas, ele se tornou tão dominante? A resposta está menos no romance e mais na arquitetura da tensão narrativa. Casais felizes não geram conflito; sem conflito, não há história.

O enemies to lovers resolve isso entregando tensão máxima. Ao colocar protagonistas em lados opostos — rivalidade profissional, guerras de clãs ou puro preconceito — cria-se um campo magnético imediato. O espectador escolhe um lado e fica preso.

Ódio e amor são sentimentos intensos. Diferente do amor à primeira vista, o ódio exige convivência. Para brigar, os personagens precisam interagir.

Essas trocas cheias de subtexto e tensão sexual não resolvida criam ganchos poderosos. A promessa de que a barreira vai cair nos mantém vidrados.

O sucesso técnico, porém, está no “conflito de valores”. Para que o inimigo vire amante, o protagonista precisa rever crenças, admitir erros e se vulnerabilizar.

Isso gera amadurecimento e identificação. Afinal, quem nunca engoliu o orgulho?

Vivy Corral é formada em Cinema pela FAAP e autora do livro “O amor come espaguete”

A ética no judiciário e a lição da ‘Mulher de César’

Ocenário jurídico brasileiro vive um momento delicado que exige diferenciar o que é legal do que é ético. Episódios recentes, como o uso de voos privados por ministros com advogados de causas que julgam ou a contratação de parentes de magistrados por altos valores, acendem um alerta sobre a moralidade das cortes.

Para nós advogados, fica claro: “nem tudo o que é lícito é necessariamente honesto”. A legitimidade da Justiça não vem apenas de seguir a lei friamente, mas da confiança da sociedade de que o juiz é imune a influências e amizades.

Vale lembrar a histórica lição de Roma: “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. César divorciou-se não por provas de traição, mas porque sua esposa deveria estar acima de qualquer suspeita. Hoje, a regra vale para magistrados: a imparcialidade deve ser visível para todos, dentro e fora do processo. Se a conduta pessoal gera dúvida, a autoridade da decisão enfraquece.

Para o advogado, essa ética é vital para a previsibilidade jurídica. A falta de limites claros sobre conflitos de interesse cria

dois problemas graves:

1. Insegurança Jurídica: É difícil orientar o cliente quando paira a dúvida se o resultado depende da lei ou de acessos privilegiados.

2. Quebra da Igualdade: A percepção de que alguns têm “entrada facilitada” nos tribunais destrói a ideia de justiça igual para todos.

Este texto não é um ataque, mas um alerta democrático. Como alertou o ex-ministro Celso de Mello, a credibilidade de cortes como o STF depende de regras rígidas que impeçam a aparência de favorecimento. Defender transparência radical e códigos de conduta firmes não fere a independência do juiz; pelo contrário, protege a magistratura de desconfianças e garante que suas decisões sejam respeitadas.

Para que o Estado de Direito seja forte, a Justiça precisa agir de forma que ninguém tenha motivos para duvidar de sua integridade.

Thiago Massicano, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, sócio-presidente da Massicano Advogados e presidente reeleito da OAB Subseção Tatuapé. Acompanhe outras informações sobre o Direito Empresarial e do Consumidor no site www.massicano.adv. br, que é atualizado semanalmente.

gazeta há 20 anos O QUE ERA NOTÍCIA EM 15 de janeiro de 2006

EDIÇÃONº 984

Alckmin institui comitê de combate à pirataria

Ogovernador Geraldo Alckmin assinou na sexta-feira, dia 13, decreto que institui o Comitê Inter secretarial de Combate à Pirataria. Formado por oito Secretarias de Estado e presidido pelo governador, o Comitê tem o objetivo de estudar e propor medidas de combate a crimes contra a propriedade imaterial, ou seja, violação aos direitos autorais.

As Secretarias envolvidas são: Casa Civil; Justiça e Defesa da Cidadania; Segurança Públi-

ca; Fazenda; Emprego e Relações do Trabalho; Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico; Cultura; e Procuradoria Geral do Estado (PGE). “Essa é uma questão de Estado e tem que ser entendida como a participação de todos os níveis de Governo, os setores empresarial e produtivo e a sociedade civil. Estamos hoje instituindo aqui uma grande força-tarefa para que possamos avançar mais nesse trabalho”, destacou o governador.

Marco Brito Mioni é autor do livro
“Os amadores do Brasil”, que une sua paixão pela literatura com seu amor pela
DIREITO

FEIRAS DE ARTESANATO

Valorização do artesanato e do turismo

Apopulação da capital e o público que visitar São Paulo no mês de janeiro encontrarão 19 feiras de artesanato do Mãos e Mentes Paulistanas espalhadas por todas as regiões da cidade, apresentando os trabalhos manuais de dezenas de empreendedores manuais credenciados no programa.

A ação, criada pela Prefeitura de São Paulo por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, tem o intuito de fomentar e apoiar o setor artesanal no município com credenciamento, qualificação e acesso a oportunidades de comercialização para esses profissionais.

As feiras são realizadas

em praças, parques e centros comerciais espalhados por todo o território paulistano, valorizando assim não só o setor artesanal como, também, a cidade e o turismo, trazendo novas oportunidades de relacionamento entre as pessoas e a ocupação do espaço público.

Na Zona Leste, os interessados podem encontrar as ações do Mãos e Mentes Paulistanas no Parque do Carmo, Mercado Municipal da Penha, Mercado Municipal de São Miguel Paulista e Mercado Municipal de Vila Formosa.

SERVIÇO NA ZONA LESTE

Feira de Artesanato Mercado Municipal da Penha. Dias 24 e 31 de janeiro, das 10 às 19 horas. Mercado Municipal da Penha, Ave-

nida Gabriela Mistral, 160, Penha de França.

Feira de Artesanato Mercado Municipal de São Miguel Paulista. De 19 a 23, 26 a 30 de janeiro, das 10 às 17 horas. Mercado Municipal de São Miguel Paulista, Avenida Marechal Tito, 567, Cidade Nitro Operária. Feira de Artesanato Mercado Municipal de Vila Formosa. Dias 16 e 17, 23 e 24, 30 e 31 de janeiro, das 10 às 19 horas. Mercado Municipal de Vila Formosa, Praça das Canárias, s/nº, Vila Formosa.

Feira de Artesanato Parque do Carmo. Dias 18 e 25 de janeiro, das 10 às 17 horas. Parque do Carmo, Avenida Afonso de Sampaio e Souza, 951, Itaquera.

Ações do Mãos e Mentes Paulistanas trazem trabalhos feitos à mão por artesãos e manualistas
Divulgação

São Paulo adere ao padrão nacional de nota fiscal de serviços

Solução desenvolvida pelo Serpro padroniza mais de cinco mil modelos de documentos praticados em todo o país

DA REDAÇÃO

Omunicípio de São Paulo aderiu ao padrão nacional de nota fiscal para a prestação de serviços. A Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e), solução desenvolvida pelo Serpro e fruto de um trabalho colaborativo com os municípios capitaneado pela Receita Federal do Brasil, tem como objetivo substituir as inúmeras regras municipais por um sistema único, ágil e seguro.

Emitida e armazenada eletronicamente no Ambiente Nacional de Dados (ADN), a NFS-e já processa uma média de 30 milhões de documentos por mês. Outras capitais, como

Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, já estavam integradas à plataforma. Com a entrada do município de São Paulo no sistema, desde o último dia 22 de dezembro, houve um acréscimo de cerca de 2,5 milhões de documentos processados por dia útil.

A NFS-e nacional tem foco na padronização, promovendo a melhoria da qualidade das informações, a racionalização de custos e o aumento da eficiência. A iniciativa também contribui para elevar a competitividade das empresas brasileiras ao reduzir o chamado custo Brasil, especialmente por meio da simplificação das obrigações acessórias, da dispen-

sa da emissão e guarda de documentos em papel e da redução da burocracia. Unificação e transparência. Para as empresas, a padronização elimina a necessidade de operar dezenas de portais distintos das prefeituras. Com um layout único, os softwares de gestão empresarial (ERPs) passam a se comunicar com apenas um modelo de arquivo (XML), reduzindo erros de emissão e custos de desenvolvimento. Já para o governo, o modelo viabiliza um emissor nacional único (inclusive por aplicativo), facilitando o dia a dia de microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos prestadores de serviços.

Divulgação

DESENVOLVIMENTO DE GAMES

Prefeitura abre inscrições para curso gratuito

Até o próximo dia 27 de janeiro, a Prefeitura de São Paulo

aceita inscrições para o processo seletivo do curso GameDev, formação gratuita em desenvolvimento de jogos eletrônicos. São 120 vagas divididas em 6 turmas de 20 alunos cada. O curso é voltado a interessados em iniciar carreira como game developers e podem participar da seleção pessoas com 16 anos ou mais, com Ensino Médio completo ou em curso e que residam na cidade de São Paulo.

ESCOLAS PÚBLICAS

Metade das vagas é destinada a estudantes e

egressos de escolas públicas ou bolsistas integrais de instituições privadas e a outra metade para ampla concorrência.

As inscrições devem ser realizadas pelo site da ADE SAMPA. A prova teórica online será no dia 31 de janeiro e terá questões de lógica, raciocínio lógico-matemático, interpretação de texto, noções básicas de matemática aplicada e informática.

ECOSSISTEMA DE GAMES E TECNOLOGIA

As aulas iniciam dia 2 de março no Hub Sampa Games, espaço público localizado no Centro de São Paulo (Rua Líbero Badaró, 425), que oferece

estrutura e equipamentos modernos e facilita conexões com o ecossistema de games e tecnologia. O curso tem duração de 12 meses e carga horária total de 180 horas com módulos de Pré-produção I e II, Game Art, Game Art 3D, Engine e Projeto Final.

“Com este programa queremos oferecer oportunidades de qualificação para novos talentos atuarem na indústria de jogos, em linha com o compromisso do poder público de ampliar o acesso à formação gratuita em games e consolidar São Paulo como um dos principais polos de inovação do País”, destaca Renan Vieira, presidente da ADE SAMPA.

São 120 vagas divididas em 6 turmas; aulas iniciam em março no formato presencial no centro de São Paulo
Divulgação

A Comédia ‘A Manhã Seguinte’ chega a São Paulo

Ese o amor começasse depois do primeiro “bom dia”? Sucesso em mais de 10 países, “A Manhã Seguinte” ganha montagem inédita no Brasil e chega a São Paulo para temporada no Teatro VillaLobos, no Shopping Villa Lobos, até 1º de março, com sessões sextas e sábados, às 20 horas, e domingos, às 18 horas. Do aclamado dramaturgo inglês Peter Quilter, “A Manhã Seguinte” é uma comédia leve, inteligente e cheia de reviravoltas sobre encontros inesperados, famílias nada convencionais e o desafio de lidar com sentimentos quando ninguém diz exatamente o que está sentindo. O elenco conta com Carol Castro, Bruno Fagundes, Gustavo Mendes e Angela Rebello. A direção é de Thereza Falcão e Bel Kutner.

A história apresenta um quarteto irresistível: um rapaz tímido, uma jovem decidida, uma mãe sem papas na língua e um irmão com humor afiado e zero limites. Juntos, eles transfor-

mam qualquer manhã em um verdadeiro espetáculo.

Na trama, Kátia (Carol Castro) e Tomás (Bruno Fagundes) se conhecem por acaso e, na manhã seguinte, acordam no mesmo quarto... cercados de incertezas. A situação já seria embaraçosa o suficiente, mas tudo ganha novos contornos com a chegada inesperada da mãe de Kátia (Angela Rebello), que não mede palavras, cheia de opiniões e sem qualquer filtro. E, para completar, Márcio (Gustavo Mendes), o irmão de Kátia, aparece com seu jeito inesperado, especialista em roubar a cena e bagunçar ainda mais o que já estava fora do controle. É uma história sobre afetos, tropeços e a beleza do improviso. Porque, às vezes, a vida só começa mesmo... na manhã seguinte. Ingressos: de R$ 21 a R$ 150 Vendas pela internet: https://bileto.sympla.com.br/event/112709/d/346847

A comédia tem no elenco: Gustavo Mendes, Carol Castro, Bruno Fagundes e Angela Rebello

Giovanna Lancellotti se despede da intensa Kami, de ‘Dona de Mim’

Giovanna Lancellotti viveu em “Dona de Mim” uma das experiências mais intensas de sua trajetória. Ao longo de quase um ano de gravações, a atriz se deparou com os desafios de uma obra aberta, marcada por surpresas e pela imprevisibilidade que também espelha a vida real. “Precisei me concentrar para não chorar quando me dei conta que estava acabando”, afirma. Ela destaca o processo de construção da complexa Kami, que exigiu entrega emocional e trouxe aprendizados profundos. Para a atriz, o percurso foi marcado por dor e superação, mas também por um vínculo crescente com a personagem, tornando o trabalho difícil e, ao mesmo tempo, inesquecível. “Fazer novela sempre traz essa surpresa de ser uma obra aberta, em que muitas vezes não estamos preparados para o que vem. E a vida é assim também: ninguém se prepara de verdade para um grande trauma ou para uma grande alegria. Foi algo que me pegou de surpresa. Viver essa trajetória com a personagem foi muito especial, fui me apegando a ela aos poucos. Não foi fácil, mas foi muito marcante”, aponta. Giovanna, que se despediu da trama de “Dona de Mim”, encarou uma trama dolorosa no horário das sete. Kami, uma personagem solar e alegre, vê sua vida mudar completamente ao passar por um episódio de violência sexual. “Foi uma trama que mexeu com todo o elenco. As pessoas ficaram espantadas com essa temática dentro de uma novela das 19h. Mas isso tem de ser mostrado no horário das 19h ou das 18h. Mulheres passam por isso todos os dias”, afirma.

P

– Depois de sete anos longe das novelas, qual o balanço que você faz “Dona de Mim” nessa reta final?

R – Foi um misto de medo e entusiasmo. Eu vinha de projetos mais curtos e tinha receio de voltar para a rotina de uma novela, que é longa e exige muito. Mas encontrei

uma equipe parceira e respeitosa, o que tornou tudo leve e prazeroso. Foi uma das experiências mais felizes da minha carreira. No início, fiquei receosa com a resistência da personagem diante do público.

Giovanna Lancellotti admite ter ficado surpresa com o desfecho de sua personagem do com o ex dela. Fiquei me perguntando se seria assim até o fim. Você começa a se questionar como ator. Aos poucos, o público foi se apegando, defendendo, e no final ela se tornou muito querida. Essa transformação foi gratificante.

P – Como assim?

R – No começo, muitos a chamavam de talarica, a acusavam de querer roubar o namorado da amiga. Mas as coisas não foram bem assim. Ela avisou à amiga que estava sain -

P – Você chegou a afirmar que a Kami foi a personagem mais difícil que interpretou. O que torna esse papel tão desafiador em comparação aos anteriores?

R – A complexidade emocional. A Kami passa por uma situação de violência que é o maior medo de qualquer mulher. Isso exige um mergulho profundo, porque não é apenas uma trama de ficção: é uma realidade que muitas enfrentam. Eu precisava trazer a maior verdade possível.

P – E como foi gravar essas sequências do estupro?

R – Foram diárias longas, com 28 cenas muito angustiantes. Quando cheguei em casa, meu corpo reagiu como se tivesse vivido aquilo de verdade: eu vomitei, estava em choque. É difícil o corpo entender que é uma interpretação. Foi um dos momentos mais duros da minha carreira.

P – Por quê?

R – Tive apenas três semanas para me preparar. Foi intenso. Passei esse período assistindo a filmes e documentários, conversando com amigas que viveram situações semelhantes, buscando referências e apoio da direção e dos colegas de cena. Foi pouco tempo, mas suficiente para me colocar em um lugar de dor e responsabilidade.

P – De que forma esse trabalho ultrapassou a ficção e se conectou com a realidade?

R – Nós saímos da bolha do audiovisual. Fomos a programas como “Fantástico” e “Conversa com Bial” para falar sobre o tema. É importante discutir o aumento do feminicídio e mostrar que isso acontece à luz do dia, como na trama. Foi um trabalho social além da dramaturgia.

P – Que reflexões pessoais esse papel trouxe para você como mulher e como atriz?

R – Me fez pensar sobre como estamos sempre vulneráveis, independentemente de idade ou classe social. Também reforçou a importância de dar voz a essas histórias e tocar o coração de quem passa por isso. Foi dolorido, mas necessário.

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