Pesquisa com pessoas atingidas por desastres ambientais | CUFA/RS Estatística responsável: Fernanda Kelly R. Silva Coordenação Geral: Roberto Orestes Machado Torres Junior Coleta: Os dados dessa pesquisa foram coletados nos municípios de Montenegro, Lajeado e Eldorado do Sul. Foram entrevistadas 89 familias atingidas pelas enchentes em 2026. Mais de dois anos após as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o estado volta a enfrentar episódios recorrentes de chuvas intensas, cheias e alagamentos. Embora o período emergencial tenha passado, para milhares de famílias a reconstrução ainda não terminou. Em muitos territórios, os impactos materiais, sociais, econômicos e emocionais permanecem presentes, enquanto novos eventos climáticos expõem novamente comunidades que ainda não conseguiram recuperar plenamente suas condições de vida. Nesse contexto, compreender como vivem hoje as pessoas atingidas tornou-se fundamental para orientar ações de prevenção, fortalecer a capacidade de resposta das comunidades e subsidiar políticas públicas mais eficazes. Mais do que medir perdas, esta pesquisa busca compreender como a recorrência dos desastres climáticos tem alterado a vida das famílias, sua percepção de segurança, sua capacidade de recuperação e os desafios enfrentados para reconstruir suas trajetórias. Realizada pela CUFA Rio Grande do Sul, a pesquisa ouviu familias dos municípios de Montenegro, Lajeado e Eldorado do Sul, territórios historicamente impactados pelas enchentes. Os resultados revelam uma realidade preocupante: muitas famílias permanecem expostas aos mesmos riscos, convivem com perdas ainda não superadas e enfrentam dificuldades para reconstruir suas vidas, evidenciando que a emergência climática deixou de ser um evento pontual para se tornar uma condição permanente em diversos territórios gaúchos. Os dados apresentados neste relatório reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre adaptação climática, resiliência comunitária e proteção social. Ao dar voz às pessoas diretamente afetadas, o estudo contribui para compreender os desafios da reconstrução e aponta caminhos para que comunidades, organizações da sociedade civil e poder público possam construir respostas mais efetivas diante de uma realidade em que os eventos climáticos extremos tendem a ser cada vez mais frequentes.