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Stefanie Pullin - Geografias da Memória

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STEFANIE PULLIN

Geografias da Memória


04. Sem título 111 x 152 cm | Técnica mista sb tela | 2026


Geografias da Memória Existe um momento, no caminhar, em que a paisagem deixa de ser o que se contempla de fora para se tornar a própria substância do olhar. É dessa vertigem serena que nasce o trabalho de Stefanie Pullin. As suas pinturas não procuram representar a floresta; respiram com ela, acolhendo o seu pulsar secreto e o seu ritmo orgânico. Expor estas obras é abrir fendas, desenhar coordenadas invisíveis no espaço. A prática de Stefanie recusa a distância da documentação fria para dar lugar a uma cartografia interior, onde memória, percepção e corpo se entrelaçam. Tudo brota de uma escuta atenta: do gesto de caminhar, de um olhar suspenso, de uma lembrança que regressa à pele. Cada tela revela uma sedimentação lenta, onde o lugar vivido se funde com a imagem guardada no silêncio, recompondo a paisagem através de uma matéria pictórica densa que une o mundo exterior e o abismo de dentro. A viagem de Stefanie não é um percurso horizontal, mas um mergulho vertical na matéria e no tempo. A sobreposição das camadas de tinta mimetiza a própria tectónica da terra, deixando adivinhar a vida secreta que ali germina. Florestas, rochas e sistemas radiculares emergem não como motivos decorativos, mas como corpos vivos. Longe de qualquer tom pedagógico ou moralista, há apenas um gesto profundo de afeto e pertença. Nelas habita a geografia íntima da artista: a vegetação ardente da sua Guatemala natal e a luz acolhedora das florestas de Portugal, onde hoje cria e vive. A natureza torna-se ventre, origem e ciclo contínuo. A pintura de Pullin inscreve-se assim numa ética do cuidado, onde a criação artística e a gestação partilham o mesmo tempo suspenso. Como a própria artista reflete: «As minhas pinturas exploram a floresta como um lugar simultaneamente físico e interior. As árvores vivem um paradoxo simples: mantêm-se profundamente enraizadas na terra enquanto crescem em direção ao céu. Sinto que somos assim: buscamos o chão, mas ansiamos por algo maior.» Afastando-se da solidão contemporânea, a pintura evoca os arquétipos que Carl Jung tão bem reconheceu na natureza. Surge também a consciência do território enquanto tempo acumulado: cada tela guarda os passos e gestos daqueles que habitaram estes lugares antes de nós, abrigando também a promessa dos que virão. Nada aqui é inerte; tudo guarda o eco vivo da Terra. Olhar estas obras exige abrandar a respiração e habitar o mistério. Sem discursos nem imposições, Stefanie Pullin sussurra-nos que nunca estivemos separados do mundo natural: somos a mesma matéria, a mesma luz e a mesma memória que a pintura vai, devagar, fazendo nascer. Federica Elena

08. Sem título 156 x 75 cm | Técnica mista sb tela | 2026


09. Sem título 125 x 200 cm | Técnica mista sb tela | 2026


Stefanie Pullin (n. 1991) Nascida na Guatemala, numa família de herança europeia e centro-americana, Stefanie muda-se para Lisboa no ano 2010, onde começa a estudar pintura na Ar.Co, e posteriormente na Faculdade de Belas Artes, onde desenvolve as bases do seu trabalho visual. Continua os estudos, conjuntamente com o seu trabalho, em Paris durante meses, para regressar e conclui-los em 2015. Atualmente vive e trabalha em Lisboa. Exposições Individuais: “Inferno Verde/Paraíso Perdido”, Galeria São Mamede, Lisboa (2023); “Undefining Formations”, Lisboa (2021); “Twisted Roots”; “Permanências Ilusórias”, Fundação Portugal Telecom, Lisboa (2017); Museu Geológico de Lisboa (2016). Exposições Coletiva: “Finalistas Concurso”, Museu Tapeçarias de Portalegre, Portalegre (2025); “Pintura Sem Limites”, Brotéria, Lisboa (2023); “Elemental Origins”, BOA LAB, Lisboa (2019); “10/40”, Kubik Gallery, Porto (2018); “Locus 19 Collective”, Lisboa (2018); “Semaine de L’Amérique Latine”, UNESCO, Paris (2017); “MOSTRA’17”, Patricia Pires de Lima Art Projects, Lisboa (2017); “Arte en Mayo”, Fundación Rozas Botrán, Guatemala (2016); “Exposição de Finalistas”, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa (2016); “Periplos / Arte Portugués de Hoy”, CAC Málaga, Málaga (2016); “MOSTRA’15”, Patricia Pires de Lima Art Projects, Lisboa (2015). Residências Artísticas: Residência CDAP, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa (2017). Formação Académica: Curso de Fotografia em Projecto, Atelier de Lisboa, Lisboa (2023–2024); Pós-graduação em Curadoria de Arte, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa (2016– 2017); Licenciatura em Belas Artes / Pintura, Universidade

03. Sem título 197 x 136 cm | Técnica mista sb tela | 2026

de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, Lisboa (2011–2015); Programa de Intercâmbio Erasmus, Université VincennesSaint-Denis (Paris VIII), Paris (2013–2014); Curso Profissional de Pintura e História da Arte, Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação, Lisboa (2010–2011). TEXTO

Federica Elena

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FOTOGRAFIA E GRAFISMO

Galeria São Mamede

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IMPRESSÃO

Gráfica Vilar do Pinheiro

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TIRAGEM

300 Exemplares


02. Sem título 150 x 240 cm | Técnica mista sb tela | 2026

www.saomamede.com galeria@saomamede.com Setembro - Outubro 2026

Capa: 01. Sem título 199 x 297 cm | Técnica mista sb tela | 2026

R. Miguel Bombarda, 624 4050-379 Porto Tel/Fax +351 226 099 589 M +351 934 388 500

R. Escola Politécnica, 167 1250-101 Lisboa Tel +351 213 973 255 Fax +351 213 952 385


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