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Moita Macedo - O Artista Colector

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MOITA MACEDO

O Artista Colector

02. Sei de uma terra perdida
Acrílico sb papel em tela | 61 x 87 cm | 1970

Moita Macedo, o artista Colector

Nas biografias de Moita Macedo (1930-1983) é comum aparecer como destaque o facto de o pintor ter sido autodidacta. A esta categoria biográfica deve acrescentar o ter sido um colector, pois que o autodidactismo do poeta-pintor passou de ser uma contingência inicial para ser um propósito. Um colector, pois! Aquele que colecta, reúne, compila, junta e depois organiza, o que implica qualidades, como disponibilidade de movimentos, olhar atento, perspicácia, método e atitude experimental, a que possibilita a composição, seja ela na poesia, nos arranjos florais ou de frutas. Moita Macedo, foi isso, como artista plástico e disso fez um manifesto poético. Colectava gestos, memórias, géneros artísticos, materiais, frases, nuvens neo-realistas, sonhos surrealistas, explosões abstractas.

Aquilo que pode ser uma multiplicidade de representações, é, pois um conjunto vasto e diverso de múltiplos objectos de arte, reunidos na mesma cena com presenças temporais e são a habilidade poética e o talento criativo do artista que muito labutando produzem uma obra historicamente diferenciada.

Nesta exposição há uma multiplicidade de energias conforme as composições resultantes dessa colecta permanente e permito-me destacar que essa energia pictural se manifesta de várias formas. Há as cores dominantes, o negro e o vermelho, compostas ou isoladas, mas sempre numa tensão explosiva contagiante (Várias pinturas sem título, alguns Cristos, a série Tauromaquia). Há o abstraccionismo, ainda que numa escala que é o quadro de pequenas dimensões (várias obras sem título com destaque para Cavalgando fora do passado) é pungente, transmitindo uma ferocidade, uma libertação de emoções, sem destinatário específico, mas sem contemplações. E neste

abstraccionismo reflecte-se aquilo que resulta de uma performatividade do gesto. O pincel ou a mão apenas prolongam a fisicalidade e a corporalidade que vem de todo o corpo em “acting’.

Há aquilo que é vestígio, resto, memória esparsa em pintura ou desenho, e tenho para mim que são peças diarísticas com emoções sem filtro, directas, na tela ou no papel, arremessos ao mundo, ora brutais, ora místicas, ora espirituais, como são as dezenas de obras dedicadas à representação de Cristo.

E estas e outras peças, mormente as de pequeno tamanho, que são novamente séries de pequenas pinturas ou desenhos a carvão, lápis e tinta-da-china que, na verdade podem ser chamadas portáteis, pois que os seus caracteres de fragmentos exercem o duplo fascínio de poderem ser pinturas e desenhos de companhia e simultaneamente com um efeito sedutor (Incerta cidade, 1972; Mulher cubista, n.d.; Nagasaki, 1970; Fuga do labirinto, n.d.; Alguns Cristos). E ainda relativamente a estes desenhos minimais mas que expressam uma energia não ocidental, permito-me intuir que pode haver neles uma memória algo orientalista da passagem do pintor-poeta pela Índia. Vejamos como nas peças o traço é de rompante, leve, mas determinado, fugaz, mas forte, de linhas soltas ou de traços em pente, de riscos finos ou traços a escaparem das margens, ondulados ou rectilíneos, não deixam de nos atingir com a sua fisicalidade, a mesma que permitiu ao pintor os gestos para encontrar a sua arte.

03. Mulher cubista
Técnica mista sb papel em tela | 43 x 31 cm | nd
António Pinto Ribeiro Primavera de 2026

04. Sem título

Técnica mista sb papel | 19 x 19,5 cm | 1985

05. Cristo

sb platex | 59 x 48 cm | nd

06. Sem título (Dia de Bruxas) Acrílico sb papel em tela | 40 x 59 cm | nd

Óleo sb platex | 46 x 53 cm | 1983

Acrílico
07. Caravela

Moita Macedo (1930-1983)

José Albano Pontes Santos Moita Morais de Macedo nasceu a 17 de outubro de 1930, em Benfica do Ribatejo. Desde cedo revelou interesse pelo desenho e pela expressão artística, influenciado pelas paisagens do Ribatejo e do mar. Entre 1954 e 1957 cumpriu serviço militar voluntário na Índia Portuguesa, onde trabalhou com artesãos locais em barro e marfim e realizou trabalhos de restauro.

Em 1959 iniciou atividade profissional na Siderurgia Nacional, experiência que influenciaria posteriormente o uso do ferro e do aço na sua obra. Em 1963 conheceu Almada Negreiros na Cooperativa Gravura, onde estudou técnicas de gravura durante dois anos, realizando experiências de gravura riscada sobre vidro. Nesse mesmo ano foi premiado nos II Jogos Florais do Trabalho por trabalhos de gravação em marfim. Em 1965, o encontro com Artur Bual marcou a aproximação à tendência informalista da sua pintura.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980 desenvolveu intensa atividade artística e cultural, dirigindo as Galerias Futura e Opinião, ilustrando capas de livros e escrevendo textos de apresentação e crítica para diversos catálogos de arte. Paralelamente dedicou-se também à poesia, publicando em 1983 o livro Cantares de Amigo. Faleceu em Lisboa, a 18 de maio de 1983.

Exposições Individuais (seleção) 1971 - Galeria Panorama; 1973 - Galeria Futura, Galeria Opinião; 1974 - Junta de Turismo da Costa do Sol (Estoril), Junta de Turismo da Costa da Caparica, Biblioteca Municipal de Sesimbra, Galeria Futura, Galeria Arte Nova; 1977 - Galeria Gioconda, Galeria Iberlivro; 1978 - Codilivro (Lisboa); 1980 - Galeria Peninsular, Codilivro (Lisboa); 1981 - Codilivro (Lisboa), Câmara Municipal de Vila Real de Santo António; 1982 - Coral Luísa Todi (Setúbal), Biblioteca Municipal de Sesimbra; 1991 - Galeria Diário de Notícias (Lisboa); 1993 - Galeria de São Bento (Lisboa); 1996Clube dos Empresários (Lisboa); 2001 - Enes Arte Contemporânea, Museu de Eletricidade da Madeira (Funchal); 2002 - Padrão dos Descobrimentos (Lisboa), Centro Cultural da Nazaré; 2003 - Galeria S. Mamede (Lisboa); 2004 - Galeria Artedoze; 2005 - Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal), Galeria S. Mamede (Lisboa); 2006 - Cordeiros Galeria (Porto); 2007 - Câmara Municipal de Almeirim; 2008 - Câmara Municipal da Amadora, Fundação Alentejo – Terra Mãe (Évora); 2009 - Palácio Rocha Conde de Óbidos (Lisboa); 2013 - Sociedade de Geografia de Lisboa; 2014 - Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Elvas; 2015 - Palácio Vila Flor (Guimarães); 2017 - Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo - MEIAC (Badajoz), Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (Lisboa), Palácio da Bolsa (Porto); 2020 - Fundação D. Luís I, Centro Cultural de Cascais; 2021 - Sé de Lisboa, Sala do Tesouro; 2023 - Galeria Municipal Vieira da Silva (Loures); 2024 - Câmara Municipal de Barcelos, Reitoria da Universidade de Lisboa; 2025 - MU.SA - Museu das Artes de Sintra, Palácio Anjos - Centro de Arte

www.saomamede.com galeria@saomamede.com

Maio - Junho 2026 R. Miguel Bombarda, 624 4050-379 Porto

Politécnica,

Capa: 01. Memografismo II Técnica mista sb aglomerado de madeira | 19 x 24 cm | 1980
09. Sem título
Acrílico sb aglomerado de madeira | 60 x 84cm | nd

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