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2124: A Espiral do Caos.

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O ano é 2124, o mundo está dominado por um poder sombrio que se estende por todos os setores da sociedade. As questões ambientais, negligenciadas por décadas, culminaram em um planeta à beira do colapso. Os oceanos estão saturados de plástico, as florestas estão se tornando memórias distantes, e o ar, irrespirável em várias partes do globo. A humanidade luta pela sobrevivência, enquanto vastas áreas se tornam inabitáveis.

Nesse cenário caótico, o crime organizado não apenas emergiu das sombras, mas tornou-se a verdadeira força governante. Políticos, corporações e forças de segurança são marionetes nas mãos de cartéis poderosos que controlam desde o tráfico de drogas até a economia global. O crime organizado não apenas influencia a política; ele a molda. Cria seus próprios políticos, os elege, financia suas campanhas e os posiciona estrategicamente em cargos-chave do governo. Secretarias de segurança, tribunais de contas, ministério, todas essas esferas foram infiltradas permitindo que o crime expanda sua influência, lave seu dinheiro e consolide seu poder.

Trilhões de dólares são lavados anualmente, camuflados por megacorporações e investimentos em energia e tecnologia. A fronteira entre o legal e o ilegal desmoronou. Juízes, desembargadores e ministros de tribunais supremos servem aos interesses desses cartéis, garantindo que o sistema judicial seja outro instrumento de controle. Não é raro encontrar presidentes, em diferentes partes do mundo, com laços claros ao crime organizado. Governos inteiros são cúmplices, com líderes mundiais atuando como marionetes em um jogo global de poder e dinheiro.

O silêncio é a lei. A coação não é mais feita com ameaças visíveis, mas com o medo invisível de perder tudo. Aqueles que ousam falar ou resistir desaparecem sem deixar rastros, vítimas de uma rede complexa que faz lembrar a Stasi, a temida polícia secreta da Alemanha Oriental. O crime organizado agora tão penetrante quanto a Stasi, possui informações sobre a vida de quase todos. Eles monitoram, controlam e manipulam com precisão cirúrgica, garantindo que a população permaneça submissa, e que qualquer indício de resistência seja esmagado antes de se tornar uma ameaça real.

Nesse teatro vazio de política, os líderes eleitos são figuras simbólicas, seus discursos são farsas ensaiadas. Os verdadeiros governantes operam nas sombras, movendo as peças do tabuleiro mundial conforme seus interesses. A população assustada e desiludida, tenta sobreviver em um mundo onde o silêncio é o preço da vida, e a verdade é uma mercadoria perigosa.

No coração desse mundo distópico, o uso de drogas é tanto uma consequência quanto uma necessidade. Entre grandes estudiosos, há um consenso clínico de que as drogas, longe de serem apenas um vício, são utilizadas em busca de homeostase. Uma tentativa desesperada de encontrar equilíbrio para um organismo devastado por traumas profundos. Para aqueles que sobreviveram a eventos traumáticos, as drogas oferecem um alívio temporário da dor insuportável, um refúgio em meio ao caos interno. No entanto, essas mesmas pessoas continuam a ser julgadas como vagabundos, fracos e marginalizados, vistas pela sociedade como o problema, e não como vítimas de uma realidade implacável.

O mercado de drogas, por sua vez, é estável e próspero a longo prazo porque se retroalimenta. Criminosos, abusadores e perversos são arquitetos de traumas, fabricando dor e sofrimento, que empurram as vítimas para o consumo de substâncias que prometem aliviar o fardo. Esse ciclo vicioso cria um loop infinito: pessoas traumatizadas recorrem às drogas, muitas vezes perpetuando a mesma violência que sofreram. Assim, o mercado de drogas continua a prosperar, alimentado pelo próprio sistema que cria e sustenta a demanda. Enquanto isso, a sociedade se torna cada vez mais doente mentalmente, prisioneira de um ciclo de destruição que parece não ter fim.

No presente distópico em que o mundo se encontra em 2124 a medicina moderna tornou-se uma ferramenta nas mãos de grandes organizações criminosas. Transtornos ligados a abusos severos são tratados de maneira superficial, com tranquilizantes e medicações que suprimem memórias, colaborando diretamente com a impunidade do crime organizado. As vítimas ao invés de receberem suporte, são silenciadas quimicamente.

Clínicas, muitas vezes financiadas e controladas pelo próprio crime organizado, surgem como uma solução superficial, mas são na verdade instrumentos de manipulação. Nessas instituições, diagnósticos são forjados para desacreditar vítimas e fortalecer o controle das redes criminosas. A manipulação é tão profunda que até as famílias das vítimas são levadas a acreditar que seus entes queridos estão mentalmente doentes, quando na verdade, são prisioneiros de um sistema cruel que visa silenciar aqueles que sabem demais.

Poucos entendem essa dura realidade. Aqueles que o fazem ou estão envolvidos no esquema lucrando com a miséria alheia, ou estão sendo suprimidos, aniquilados antes que possam expor a verdade. Para os raros indivíduos de fora que conseguem vislumbrar o que realmente acontece, a sobrevivência é uma luta constante. Eles vivem à margem, sempre à espreita, cientes de que a paz é um luxo inalcançável. Mesmo isolados em bunkers reforçados e cercados por defesas, o conhecimento da verdade pesa como uma sentença, tornando impossível viver em paz. Nesse mundo, sobreviver já é uma vitória amarga, enquanto o caos e o controle absoluto imperam sobre todos.

Em 2124, o crime organizado penetra cada vez mais profundamente na sociedade, alcançando até o mundo da arte e da música. Artistas e músicos, patrocinados por organizações criminosas, se tornaram peças-chave em uma máquina de lavagem de dinheiro. Seus shows, agora mais do que apenas entretenimento, servem como frente para a movimentação de capitais ilícitos. As performances são meticulosamente orquestradas, com grandes festivais sendo palco para transações secretas e lavagem de dinheiro.

Entre os eventos mais notáveis estão os festivais de música trance, que se tornaram zonas livres de fiscalização e controle. Essas festas massivas atraem uma multidão que busca escapar da realidade, muitas vezes se entregando ao uso indiscriminado de drogas. O ambiente, desenhado para promover uma sensação de liberdade total, é na verdade um laboratório para a manipulação e controle. As drogas são fornecidas em abundância, e a

ausência de regulamentação permite que os participantes se entreguem a comportamentos insanos e autodestrutivos.

Esses eventos, embora aparentemente festas de celebração e escape, são na verdade centros de operações para o crime organizado. Por trás das luzes piscantes e das batidas pulsantes, são realizados acordos, transações e lavagem de dinheiro, perpetuando a influência do crime sobre a cultura e a sociedade. A arte, um espaço que poderia oferecer liberdade e expressão, tornou-se mais uma extensão do controle sombrio, onde a linha entre entretenimento e manipulação é cada vez mais tênue. Assim, o crime não só controla as esferas do poder e da economia, mas também molda a cultura, utilizando o palco e o som para camuflar suas operações e expandir sua rede de influência.

Em 2124, o crime organizado se torna uma força onipresente, estabelecendo um controle absoluto não apenas sobre a sociedade, mas também sobre as estruturas mais profundas e sinistras do poder. Entre os menores, regras rígidas e disciplina são impostas para manter a ordem e controlar seus exércitos. Esses grupos são meticulosamente organizados, com uma hierarquia que garante a eficiência e a lealdade, solidificando o domínio do crime sobre as camadas mais baixas da sociedade.

No entanto, nas esferas maiores, onde se lida com bilhões ou mais, o alcance do crime vai além da imaginação. Nesses níveis, a crueldade e a perversão alcançam proporções inimagináveis. A moralidade é uma convenção obsoleta, e a barbárie se torna a norma. Comportamentos impensáveis e inimagináveis, como comer a córnea de uma criança no café da manhã ou destruir um país de dentro para fora através da infiltração e manipulação da gestão, são executados com frieza calculada. Esses atos de vingança e terror não são apenas possíveis, mas fazem parte de um repertório de táticas para consolidar e expandir o poder.

A vingança, nesse mundo distorcido, alcança níveis absurdos. A morte é vista como uma condenação simples diante dos horrores que podem ser infligidos a alguém. O sofrimento é uma ferramenta de controle, e a capacidade de causar dor se torna um símbolo de poder. A ideia de que qualquer coisa é possível alimenta um ciclo de violência e retaliação sem fim, onde a vida humana é reduzida a um mero jogo de xadrez no tabuleiro da dominação global.

Neste cenário, a humanidade se vê consumida por um sistema que não apenas nega a dignidade e a ética, mas também transforma o sofrimento em uma moeda de poder. A crueldade e o abuso são sistematizados, e a própria existência se torna um campo de batalha onde o crime reina absoluto, moldando uma realidade onde o horror e a impunidade são as únicas certezas.

Nesse presente absurdo, o crime organizado revela-se como uma força oculta com uma história enraizada que ultrapassa milhares de anos, suas origens se entrelaçam com os próprios alicerces da civilização humana. Essa estrutura ancestral não só sobreviveu ao longo dos séculos, mas também evoluiu e se adaptou, aproveitando o conhecimento acumulado para manipular e dominar.

Em 2124 a psicologia evolutiva revela como a vingança, uma vez uma expressão primitiva de justiça, se transforma em um complexo jogo de poder e controle, refletindo a realidade opressiva de um mundo dominado pelo crime organizado. O império do crime, com sua influência sobre todas as esferas da sociedade, molda a forma como a vingança é concebida e executada, levando a uma adaptação criativa e perturbadora de uma necessidade humana antiga.

Em um cenário onde o crime organizado é a força dominante, a vingança se desdobra de maneiras inesperadas e elaboradas. O desejo de reparar injustiças e equilibrar as escalas da justiça, uma vez manifestado através de retaliações diretas e violentas, agora se transforma em estratégias mais sofisticadas e astutas. O crime organizado, com seu domínio absoluto, não apenas controla a economia e a política, mas também manipula as próprias noções de justiça e vingança.

No contexto desse regime opressivo e oculto, a vingança não se limita mais a atos de violência ou a processos legais formais. A criatividade na busca por retaliação adquire novas formas, adaptando-se ao ambiente de total controle e supervisão. Em um mundo onde cada ação é monitorada e cada movimento é calculado, a vingança torna-se um exercício de engenhosidade. Estratégias de retaliação incluem campanhas de difamação orquestradas, manipulação psicológica refinada, e sabotagem estratégica disfarçada de causalidade. O crime organizado, ao manter um controle absoluto sobre a informação e a comunicação, utiliza essas táticas para ajustar e reforçar seu domínio.

Nesse contexto, demonstra que cada indivíduo, marcado pela opressão e pelo trauma constante, desenvolve formas únicas e criativas de lidar com a necessidade de retaliação. A vingança, longe de ser uma resposta direta e visível, assume formas mais sutis e complexas.

A violência direta, embora ainda presente, é frequentemente substituída por ações que buscam minar e desestabilizar aqueles que lutam contra o crime de maneiras menos evidentes. Manipulações sofisticadas, enganações e estratégias psicológicas são usadas para atingir os alvos, muitas vezes sem deixar rastros visíveis. Nesse ambiente distópico, a vingança se adapta às condições do domínio absoluto, tornando-se uma ferramenta de resistência e subversão nas mãos daqueles que ainda buscam a justiça em um mundo onde o crime organizado detém o controle total.

Assim, a vingança no futuro distópico não é apenas uma resposta ao sofrimento, mas uma expressão de uma luta complexa e adaptativa contra um sistema opressor. A criatividade nas formas de retaliação reflete a profundidade do trauma e da opressão, evidenciando a contínua capacidade humana de resistir e buscar justiça, mesmo quando o mundo ao seu redor é moldado por forças sombrias e dominantes.

O mais surpreendente é a capacidade desse poder sombrio de prever e controlar o futuro. Não se trata apenas de uma vasta rede de informações, mas de uma compreensão profunda da

mente humana e de sua evolução. O crime organizado adota uma visão evolutiva, acreditando que indivíduos traumatizados desenvolvem múltiplas soluções para lidar com seus problemas e o ambiente externo. Essa perspectiva permite que o crime antecipe com precisão as reações e estratégias de seus futuros adversários. Para esses grupos, o jogo não é apenas sobre sobrevivência e dominação, mas sobre uma complexa lógica de manipulação e controle.

Em seu contexto, os recursos intelectuais são impressionantes. Estudos avançados e análises profundas sobre comportamento humano e psicologia são aplicados para entender e explorar as fraquezas e motivações das pessoas. O crime organizado utiliza esses conhecimentos para moldar eventos e criar cenários que favoreçam seu domínio, antecipando com precisão as respostas e estratégias de seus inimigos.

Enquanto a maioria das pessoas fica atônita diante dos aspectos mais banais do cotidiano, os estudiosos do crime trabalham em níveis de complexidade e sofisticação que parecem quase inimagináveis. Eles operam em um plano de lógica insano, onde cada ação é calculada e cada resultado é previsto com uma clareza assustadora. O crime, com sua vasta rede de controle e compreensão da psique humana, transforma o mundo, onde a evolução e a adaptação são as chaves para manter a supremacia e garantir a perpetuidade de seu domínio.

No cenário distópico, a magnitude dos recursos financeiros alocados para encobrir as esferas do crime pode fazer parecer que qualquer teoria sobre a profundidade e a sofisticação desse poder é fruto de um surto esquizofrênico. Diante de milhões s de dólares investidos em encobrir e manipular, as ideias mais complexas e perturbadoras podem ser vistas como produtos de distúrbios mentais ou teorias de conspiração. No entanto, o que muitos podem interpretar como delírios ou paranóia é na verdade, uma interpretação da realidade baseada em uma compreensão profunda do contexto histórico e das dinâmicas sociais.

O pensamento humano em essência, é uma construção derivada de uma série de fatores contextuais e biológicos. Ele é o resultado de uma interação complexa entre a experiência histórica e a biologia individual, funcionando como uma ferramenta de sobrevivência e adaptação. Pensar é, portanto, uma forma de processar e responder ao ambiente, e essa elaboração de ideias sobre o crime e sua infiltração profunda nas estruturas da sociedade pode ser vista como uma resposta lógica a um sistema altamente manipulado e complexo.

O que pode parecer uma visão extrema ou uma paranóia, na verdade é um reflexo das dinâmicas reais de poder e controle que moldam o mundo. É a conclusão de uma análise baseada em uma longa trajetória de observação em primeira pessoa, entendimento que me possibilitou sobreviver. Onde a realidade é frequentemente mais estranha e perturbadora do que se pode imaginar. Nesse contexto, o pensamento não é meramente uma atividade mental isolada, mas um produto da necessidade de compreender e sobreviver em um ambiente governado por forças ocultas e intrincadas. A capacidade de entender essas forças e suas implicações pode parecer um delírio, mas é, em muitos casos, uma tentativa de traduzir uma verdade desconcertante em termos que façam sentido diante de uma realidade opressiva e manipuladora.

Minha história moldou a forma como vejo o mundo, forçando-me a encarar realidades profundas e complexas que poucos podem entender. É um percurso sinuoso, marcado por experiências que se entrelaçam e me empurram para um espaço onde a percepção da verdade se torna distorcida e inquietante. O mais perturbador é que apesar de ter tido muitas pessoas próximas, não há ninguém no mundo que conheça a totalidade da minha jornada. Apenas fragmentos, uma coleção de peças soltas que, quando reunidas, revelam uma narrativa que poucos ousariam enfrentar.

Minha realidade é um labirinto de dor, uma teia intrincada que desafia qualquer tentativa de compreensão completa. Falar sobre o que vivi é um ato de grande risco, pois revela um mundo que se torna mais insuportável e perigoso quanto mais é exposto. A confiança, algo que uma vez considerei possível, evaporou, deixando-me em um deserto de isolamento. A verdade é que não há mais ninguém a quem eu possa confiar plenamente. O peso da minha história é uma sombra constante, e enfrentar a totalidade dela parece ser um desafio tão grande quanto o próprio vazio que sinto.

Minha narrativa não é apenas um reflexo da complexidade de minha existência, mas também um lembrete constante de que, mesmo cercado por muitos, a compreensão verdadeira é um luxo que não posso mais esperar. A solidão, imposta pelo próprio peso da verdade, torna-se um companheiro inevitável. E assim, eu sigo, carregando a totalidade de uma história que nunca pode ser completamente compartilhada, enquanto o mundo ao meu redor permanece incapaz de compreender ou, mais profundamente, de oferecer o conforto da confiança verdadeira.

Para concluir, quero destacar que minha visão do mundo é profundamente moldada pela minha história e pelas experiências que vivi. O que descrevo pode parecer mais estranho que a ficção, difícil de acreditar, mas é justamente por isso que acredito ser essencial descrever minha trajetória, para compreender a realidade que apresento. Só assim é possível entender a complexidade e a profundidade do que compartilho.

2. Pequenos Detalhes em Nosso Cotidiano Podem Mudar Drasticamente Nosso Futuro.

Nasci em uma família relativamente simples, com pais amáveis, mas marcados por uma rigidez ideológica que teve consequências profundas em minha vida. Meu pai era fumante, e eu sofria de uma alergia severa ao tabaco. Desde cedo, minha saúde foi comprometida pela constante exposição a um ambiente carregado de substâncias tóxicas.

A exposição crônica ao fumo está intimamente ligada a uma série de problemas de saúde. Estudos demonstram que o fumo passivo pode causar doenças respiratórias graves, como asma e bronquite crônica, e pode agravar condições pré-existentes (American Lung Association, 2022). A exposição constante a substâncias nocivas no ar pode também desencadear transtornos respiratórios que afetam o crescimento e o desenvolvimento, especialmente em crianças (World Health Organization, 2021).

Durante minha infância, passei muitos dias em hospitais, frequentando consultas médicas e usando aparelhos de respiração. A constante necessidade de respirar pela boca devido à dificuldade respiratória resultou em problemas dentários, como um alinhamento inadequado dos dentes, causado pela falta de posicionamento correto da língua no palato (Journal of Orthodontics and Craniofacial Research, 2019).

Foi somente quando li uma notícia em um jornal, onde um médico discutia os malefícios do fumo passivo, que compreendi a extensão do problema. A revelação foi um choque, mas o meu pai, inflexível em suas crenças, não estava disposto a considerar a mudança. Com a ajuda limitada e sem a possibilidade de um ambiente mais saudável, continuei a sofrer as consequências dessa exposição constante.

Buscando uma solução, tomei uma abordagem particular e racional: adquirir o máximo de conhecimento possível. Decidi enfrentar a situação através da lógica e da racionalidade. Investir em estudos intensivos para entender melhor a situação e explorar maneiras de superar os desafios impostos pela minha condição. Esta busca por conhecimento tornou-se um meio de resistência e enfrentamento, uma forma de tentar recuperar o controle sobre minha saúde e minha vida.

Buscando escapar da exposição constante ao tabaco que dominava minha infância, comecei a explorar atividades fora do meu contexto familiar restritivo. Envolvi-me no teatro, em esportes mesmo com pulmão fraco e comecei a participar ativamente de eventos políticos e reuniões sobre políticas públicas. Esta imersão me proporcionou uma saída para o ambiente tóxico em que vivia e uma maneira de ganhar credibilidade através do meu conhecimento e capacidade de raciocínio, habilidades que não eram valorizadas em minha família, cujo foco era apenas o dinheiro.

Minha família exigia que eu trabalhasse arduamente, muitas vezes em condições difíceis. As longas jornadas a pé e de bicicleta para estudar e realizar outras atividades eram extenuantes, agravadas por um pulmão já comprometido pela constante exposição ao fumo. Apesar das

dificuldades, eu mantinha um plano claro: estudar intensivamente para superar a adversidade e alcançar um futuro melhor.

Meu plano era buscar uma oportunidade no campo militar. O objetivo era ingressar em um curso de cadetes, o que me permitiria financiar meus estudos e viver em um ambiente livre do tabaco e suas consequências prejudiciais. A vida no quartel ofereceria a paz e a estabilidade necessárias para que eu pudesse finalmente prosperar nos campos que mais amava: filosofia e política.

Minha estratégia de longo prazo era transformar as adversidades que enfrentei em combustível para meu crescimento pessoal e acadêmico. O plano era utilizar a experiência militar como um trampolim para uma carreira acadêmica e de pesquisa, onde pudesse aprofundar meus conhecimentos e contribuir para o campo das políticas públicas. A resiliência e a dedicação que desenvolvi ao longo desse percurso foram fundamentais para moldar minha trajetória, ajudando-me a superar um passado marcado por desafios e a construir um futuro voltado para a academia e a influência positiva na sociedade.

Esse apetite voraz por conhecimento não era apenas uma forma de escapismo, mas uma estratégia deliberada para equipar-me com as ferramentas necessárias para transformar minha situação. Os livros se tornaram uma âncora de esperança e um meio para desenvolver habilidades e estratégias que poderiam ajudar-me a lidar com as dificuldades. A leitura incessante era, em muitos aspectos, uma forma de auto-aperfeiçoamento, uma maneira de fortalecer a mente e encontrar soluções para os problemas que pareciam insuperáveis.

Essa combinação de esportes, arte e estudo intenso não apenas me ajudou a enfrentar os desafios físicos e emocionais, mas também a construir uma base sólida para o futuro. A perseverança e a paixão com que busquei respostas e aprimoramento pessoal foram fundamentais para minha jornada, transformando o sofrimento em uma força motriz para a realização de meus objetivos e sonhos.

Essa dedicação ao aprendizado e à expressão artística culminou em minha participação em um grande congresso sobre políticas públicas nacionais. Subi ao púlpito da plenária com o objetivo de compartilhar minha visão e contribuir para discussões relevantes. No entanto, ao descer do palco, fui confrontado por uma sensação inquietante. Senti um olhar penetrante e um desejo perturbador que não conseguia entender completamente. Foi então que percebi o perigo iminente: havia me tornado a paixão de um estuprador sem escrúpulos, um poderoso articulador político em meu estado.

A revelação desse interesse insidioso trouxe consigo um medo profundo e uma sensação de vulnerabilidade que antes eu não havia conhecido. A experiência foi um choque brutal, pois o reconhecimento público e o sucesso profissional, que deveriam ser uma vitória, havia agora se transformado em uma ameaça iminente. A capacidade desse indivíduo de usar sua influência para manipular e explorar me deixou em uma situação de extremo perigo, adicionando uma camada ainda mais complexa e aterrorizante à minha jornada.

Ele compreendeu que eu era um alvo difícil: ético, íntegro e ainda muito jovem. Decidiu me estudar com cuidado e identificou uma fraqueza crucial em minha vida naquele momento: a necessidade de dinheiro. Tentou me corromper oferecendo somas consideráveis, buscando me comprar para seu próprio deleite, mas eu permanecia firme e incorruptível, sempre recusando suas propostas.

Não desistindo, ele escalou sua estratégia. Envolveu várias pessoas para me oferecer uma série de tentadoras propostas, todas recusadas de forma resoluta por mim. Diante da minha resistência contínua, ele decidiu que precisava elevar seu plano a um novo nível. Elaborou um contexto cuidadosamente planejado para me colocar em uma posição de vulnerabilidade.

Naquela época, apesar de meus recursos limitados, eu já era amigo de políticos influentes e desfrutava de um certo respeito. O ambiente ao meu redor era protegido por essa rede de conexões, tornando qualquer ação direta contra mim arriscada e perigosa. No entanto, a pulsão por satisfação de uma mente insana e perversa frequentemente supera qualquer precaução racional. A sua obsessão insaciável o levou a buscar maneiras de ultrapassar as barreiras que eu tinha levantado para me proteger.

E, sim, foi exatamente isso que aconteceu. O que se apresentou diante de mim foi, para todos os efeitos, a encarnação de um "cavalo arreado" uma oportunidade imperdível. Era exatamente o que eu desejava ideologicamente: a chance de trabalhar para uma campanha política, um partido em busca de retorno financeiro e de prestígio pessoal. Parecia uma solução perfeita para sair do meu contexto atual, um sonho que se alinhava com meus ideais e aspirações.

No entanto, o que inicialmente parecia uma oferta irresistível se revelaria um pesadelo. O que eu percebi como uma oportunidade de progresso e escape se transformou em uma armadilha cuidadosamente elaborada, um meio de manipulação e controle. A visão idealizada do futuro que eu havia abraçado começou a desmoronar, revelando uma realidade muito mais sombria e perigosa do que eu imaginava. Passei a ser vítima de abuso sexual, submetido a uma série de práticas horrendas que incluíam a administração de tranquilizantes misturados a alimentos e sucos. Esse método não apenas me deixou vulnerável fisicamente, mas também impactou profundamente minha saúde mental. As medicações que me foram administradas incluíam antipsicóticos, medicamentos frequentemente utilizados para tratar transtornos mentais graves. Estes medicamentos atuam diminuindo a dopamina , um neurotransmissor crucial para a regulação do humor e das emoções. A redução dos níveis de dopamina está associada a sintomas como depressão profunda e apatia (Muench, J., & Hamer, A. M., 2010).

O efeito colateral mais devastador foi a alteração em minha memória, levando a borrões cognitivos e uma sensação constante de confusão. Essa manipulação química com abuso alteraram o equilíbrio químico do meu cérebro desencadeando uma depressão profunda. A combinação desses fatores criou um ambiente de sofrimento e desesperança, aprofundando ainda mais o impacto psicológico e emocional da situação em que eu me encontrava.

Desenvolvi uma espécie de dislexia, um distúrbio cognitivo frequentemente relacionado ao comprometimento da capacidade de leitura e interpretação de textos, mas que, no meu caso, também afetou a memória e a criação de ideias. Estudar se tornou impossível, uma carreira acadêmica inimaginável. Segundo estudos científicos, o uso prolongado de tranquilizantes e antipsicóticos pode causar déficits cognitivos, prejudicando a memória de curto prazo e a função executiva. Estava sempre nervoso, e os químicos que me eram administrados tinham um efeito tão poderoso que parecia que meu cérebro estava sob constante névoa. Pesquisas indicam que o uso de medicamentos como antipsicóticos pode levar a uma redução da dopamina no cérebro, resultando em sintomas depressivos e dificuldades de concentração.

Senti que nunca mais sairia desse ciclo de sofrimento. A frustração tomou conta de mim, e quando tentei buscar ajuda, fui recebido com incompreensão. Meu pai, incapaz de lidar com minha situação, me expulsou de casa quando já não conseguia trabalhar. Ao tentar conversar com um amigo advogado, não obtive as respostas que precisava. Ele minimizava meus sentimentos, chamando-os de “coisas de adolescente” ou algo relacionado a ser inteligente.

Com o tempo, experimentei a supressão da memória, um efeito comum do uso prolongado de medicamentos psiquiátricos, que inibem a função dopaminérgica no cérebro. Essa supressão da dopamina pode ser vista como um mecanismo de autoproteção, uma forma do organismo evitar o sofrimento mental associado às lembranças traumáticas. No entanto, meu corpo ainda precisava de dopamina para funcionar, e isso me levou a buscar fontes alternativas e perigosas de prazer. Sexo, adrenalina, comportamentos de risco como alta velocidade, escalada e até violência passaram a dominar minha vida. Esses comportamentos podem ser vistos como tentativas desesperadas de compensar a falta de dopamina no cérebro, criando um ciclo de autodestruição.

Minha memória, fragmentada e confusa, alternava entre lapsos de clareza e períodos de esquecimento total. Isso não só aumentava minha depressão, mas também agravava minha sensação de impotência. Estudos demonstram que a memória fragmentada é uma resposta comum ao trauma, particularmente quando o trauma é exacerbado pelo uso de substâncias que afetam a química cerebral. À medida que minha consciência se fragmentava, fui dando lugar a estados mais primitivos de funcionamento mental, um movimento para a subconsciente e a pré-consciência, onde a racionalidade era substituída por impulsos.

Essa quebra na minha personalidade culminou em um comportamento suicida, em uma luta constante entre a necessidade de lembrar e o desejo de esquecer. Foi então que tomei minha primeira medida prática, drástica, mas que me possibilitou permanecer vivo.

3. O Destino é Consequência de Nossas Escolhas.

Diante do Caos que me foi imposto. Entendi que algo precisava ser feito. A justiça ou vingança, o desejo de processar meu abusador, investigar, buscar outras vítimas para fortalecer a causa e dar corpo à investigação tornaram-se prioridades. No entanto, com meu emocional devastado, não conseguia mais raciocinar claramente sobre política ou minha carreira. A vontade insuportável de morrer me perseguia, e comecei a me tornar ganancioso, uma consequência da lavagem cerebral que Pedro, meu abusador, tinha me imposto.

Ao investigar mais a fundo, descobri a extensão do horror: mais de 60 vítimas desse mesmo abusador só na minha cidade. Ele tinha uma espécie de blindagem jurídica, juízes, policiais, professores, médicos e políticos que o apoiavam, seja por dinheiro, seja por sua rede de influência. Ele entregava jovens dopados para agressores, protegendo-se através de uma teia de poder que parecia inquebrável.

Compreendi que fazer algo contra ele juridicamente seria impossível. Matar Pedro seria como cortar a cabeça de uma hidra; outras surgiriam em seu lugar. Então, parti para uma medida extrema. Mirei no mais alto, no coração do esquema: o dinheiro. Mirei no que movia todo o sistema que me destruiu e que continuava a destruir outras pessoas. E, inadvertidamente, acabei atingindo o homem mais poderoso do meu estado, o político mais processado do país. Minha vingança foi projetada de forma inconsciente, sem compreender completamente o tamanho da estrutura que eu estava desafiando. Todo esse processo mudou drasticamente minha trajetória, e minha forma de pensar o mundo e a vida. Me dispôs a realizar coisas que colocam a ética e imoralidade juntas. Comportamentos ganancioso e imorais que me colocaram próximo do meu alvo maior. Um alvo ético, mas confesso que minha mente se tornou rodeada de paradoxos morais.

Dois anos após o abuso com apenas 16, mergulhei em águas turvas, exatamente onde poderia ganhar informações e experiência para enfrentar meu alvo. A convite de opositores políticos, infiltrei-me em diversas campanhas, sendo treinado para isso como um soldado. Aprendi a lidar com armas, a dominar técnicas de luta e a enfrentar contextos de riscos, saltos, manobras com veículos e, acima de tudo, a manter a calma quase de forma psicopática em covis dos inimigos, lidando com os mais altos escalões do poder, fui me especializando, adquirindo novos contatos e explorando o submundo para chegar ao meu alvo.

Minha maior habilidade era ser muito jovem e pequenino, ninguém desconfiava de mim.

4. Você Está Exatamente Onde Deveria Estar.

Passando a ser habilidoso em navegar por esses ambientes. Cada passo que dava me aproximava mais do meu objetivo, e essa jornada exigia que eu fosse sempre além. Não era apenas um jogo de sobrevivência, mas também de estratégia. Mergulhei em situações insanas, investigando, rastreando, até mesmo montando em touros em rodeios para me aproximar de assassinos de aluguel ligados a narco-políticos.

Essas ações, aparentemente desconexas para pessoas próximas a mim, faziam parte de um plano maior. Eu sabia que, para desmantelar a rede de poder que me destruiu, precisava me infiltrar profundamente, conhecer os bastidores e usar cada oportunidade a meu favor. A adrenalina, a violência, e o perigo tornaram-se partes essenciais da minha vida, meu novo normal, enquanto caminhava em direção à justiça/vingança que tanto almejava.

Perfis de risco ligados a transtornos emocionais e motivações insanas geralmente levam a ações imprevisíveis e extremas. O que fiz foi, sem dúvida, insano, com consequências absurdas. No entanto sabia que algo precisava ser feito, e alguém precisava fazer, e independente do risco já possuía a mente devastada pelo desastre químico que meu abusador me impôs.

Só estou vivo porque meus anos de infiltrações me possibilitaram possuir provas contra outros membros do alto escalão ligados ao crime organizado. Gerando uma certa cautela para as ações dos meus inimigos. Criando uma retaliação sutil e brutal. A psicologia explica que indivíduos que sofrem traumas profundos e não encontram saídas saudáveis podem desenvolver motivações extremas, levando-os a ações de retaliação que desafiam a lógica. Meu caso foi um exemplo extremo disso. Minha busca por justiça e vingança transcende o razoável, guiada pela dor e pela frustração acumuladas. O trauma pode, de fato, impulsionar decisões drásticas, com consequências imprevisíveis para todos os envolvidos.

Ninguém ao meu redor entendia o que estava acontecendo. Eu sempre aparecia quebrado, machucado, e costumava culpar algum esporte de adrenalina. No entanto, a verdade era muito mais sombria. Pelo tamanho do trauma que carregava, eu não me importava conscientemente, mas comecei a tomar atitudes inconscientes que, de alguma forma, protegem minha vida. Quatro anos após o abuso, o acaso ou talvez um destino cuidadosamente construído me colocou de volta no caminho de Pedro, o homem que me estuprou, durante uma campanha política. A frase que eu sempre ouvia ecoava em minha mente: "Você está exatamente onde deveria estar." E naquele momento, com minha mente dilacerada e meu corpo desgastado, concentrei todas as minhas forças e consciência em coletar provas contra os maiores, aqueles que permitiam o estupro que ocorreu comigo. Decidi, então, trabalhar para Pedro, não por vingança imediata, mas por algo maior.

O desejo de Pedro por mim só aumentava, ele continuou a me drogar repetidamente, e eu, sob os efeitos das medicações, me via forçado a adotar atitudes escapistas. Mesmo tomando pequenas doses para disfarçar, o impacto no meu psicológico foi devastador. Permiti que o abuso continuasse, mas a cada dia, me tornava mais determinado em minha missão. Apesar de tudo, consegui coletar as provas necessárias. Não só isso, tornei-me testemunha em um processo que poderia incriminar um grande chefe do crime e deputado. O ponto de virada veio quando o comitê onde trabalhávamos foi assaltado. Um roubo que levou quantias absurdas em

dinheiro vivo, dinheiro oriundo do crime organizado. Foi um consenso entre nós ocultar essa informação. No entanto, a sombra da suspeita pairou sobre mim. Fui ameaçado, acusado de ser o mandante do assalto. Percebi que precisava agir de forma estratégica. Coloquei advogados e outros políticos no jogo, pessoas influentes que poderiam me proteger. Então, fiz o movimento decisivo, ameacei um amigo próximo desse político, revelando que possuía provas que poderiam destruir toda a operação criminosa. Mudaria completamente o quadro das eleições, e geraria um impacto estadual. Disse que essas provas estavam nas mãos de várias pessoas, garantindo que, se algo acontecesse à minha integridade física, elas viriam à tona. Com isso, criei um protocolo de segurança, uma blindagem que garantiria minha sobrevivência, mesmo que alguém tentasse me pegar, me parar. Essa infiltração se tornou meu escudo, uma garantia de que minha existência não seria apagada facilmente. Mas o dano psicológico foi intenso, e sob efeito de tranquilizantes bati minha moto e perdi o baço, dois ossos na mão, parte do fígado, quebrei tornozelo e tiveram que abrir todo meu abdômen.

5. A Justiça é a Vingança do Homem Moderno.

Quando criei meu protocolo de segurança, minha blindagem, voltei a focar no meu objetivo: derrubar o homem do crime mais poderoso no governo. Eu já havia o investigado a fundo e, assim como aconteceu com meu abusador, compreendi que uma ação judicial, mesmo com provas contundentes, não seria suficiente para prejudicá-lo. Ele não apenas tinha juízes e desembargadores em sua agenda, mas também contava com a lealdade de alguns que cometiam os mesmos crimes que ele, ou até piores, ligados ao abuso e à perversão.

Diante dessa realidade, percebi que, para derrubá-los, eu precisaria de uma força maior, de uma mão que pudesse realmente levá-los à prisão. Passei mais quatro anos envolvido na política, sacrificando-me e esperando o momento certo, o momento em que poderia destruir esse sistema e, finalmente, ter minha justiça/vingança.

Foi então que surgiu a informação crucial: esse chefe do crime na política seria candidato ao cargo de governador e assumiria o partido de seu opositor. Um homem com mais de 100 processos, mas que tinha o povo em suas mãos, imunidade parlamentar e uma blindagem judicial quase intransponível. Com essa informação, levei o caso à oposição e os incitei a investir todos os seus recursos em articulações judiciais, contratando os melhores advogados, e articulando com juízes influentes dispostos a agir contra a corrupção e atrocidades que esse governo poderia trazer. Minha estratégia era simples: Conversar com as pessoas certas, criar uma força oposta dentro da lei, uma aliança que deveria ser usada no momento exato, como um único disparo que resultaria em uma reação em cadeia.

Quando o momento chegou, o tiro foi certeiro. A prisão do político foi ordenada em pleno período eleitoral. Estratégia perfeita para desestruturar sua campanha.

Esse golpe foi seguido por uma corrida judicial intensa, que culminou em mais de 600 processos intermináveis, empurrando o político mais influente e perigoso do meu estado para o ostracismo e para prisão . Um homem que manipulava tanto a lei quanto o crime para beneficiar a si mesmo e aos seus aliados finalmente começava a sentir o peso das suas ações. Minha vingança estava concluída, justiça foi feita. Não me importava com a morte, e tinha segurança sobre minha blindagem, era hora de buscar o Pedro. Desconhecia o tamanho do mal que me assolaria.

6. O que Se Faz com Um Homem Que Não se Pode Matar ?

Quando a violência física não é uma opção viável, os inimigos mais implacáveis recorrem a táticas sutis, mas devastadoras, para destruir uma pessoa. E, no meu caso, o adversário conhecia cada fraqueza, cada sombra escondida na alma. Ele sabia que, mais do que qualquer golpe físico, o que me aterrorizava profundamente era a ideia de ser drogado novamente, de perder o controle sobre minha própria mente. A primeira arma que ele usou contra mim foi a desestabilização psicológica. Pequenas manipulações, imperceptíveis a princípio, mas que aos poucos corroíam minha sanidade. Comentários sutis, mudanças de comportamento nos que me cercavam, tudo para me fazer duvidar da realidade ao meu redor. Eu me via questionando até as coisas mais básicas, como se minha percepção estivesse constantemente distorcida. Esse jogo de distorção mental me isolou lentamente, tornando difícil confiar em qualquer um, até mesmo em mim mesmo.

Enquanto minha mente lutava para manter-se firme, ataques à minha reputação começaram a emergir. Boatos circulavam, minando a credibilidade que eu havia construído com tanto esforço. Aqueles que antes me respeitavam agora me olhavam com desconfiança, como se eu fosse apenas uma sombra do que um dia fui. Sabia que meu adversário estava por trás disso, plantando dúvidas e espalhando falsas verdades. Cada novo ataque à minha imagem pública era um golpe que me afastava das pessoas, que me deixava mais solitário e vulnerável.

O ataque econômico veio logo em seguida. Minhas finanças começaram a ser sabotadas de maneiras que eu nunca imaginaria. Oportunidades de trabalho evaporaram, contratos que pareciam certos eram subitamente cancelados, e dívidas que não eram minhas surgiam do nada. Eu me via lutando para manter minha sobrevivência básica, quanto mais tentar reverter a maré contra mim. Estava preso em uma armadilha que só apertava a cada tentativa de fuga.

A pressão social e política se tornou o próximo método de ataque. Redes de influência que antes me apoiavam agora me ignoravam ou, pior, trabalhavam ativamente contra mim. Investigações legais que não faziam sentido me assombravam, e a simples menção do meu nome em círculos sociais causava um silêncio desconfortável. Eu era um pária, alguém a ser evitado. Era como se um campo de força invisível me impedisse de chegar a qualquer posição de poder ou estabilidade.

Mas talvez o golpe mais doloroso tenha sido a manipulação indireta da minha família. Aquelas poucas pessoas em quem eu ainda confiava foram alvos fáceis. Sutilmente, eles foram influenciados a acreditar que eu estava errado, que meu comportamento era fruto de paranoia, que eu não era mais digno de confiança. Vi minha família se afastar de mim, não por desamor, mas por medo e dúvida. Eles tornaram-se peões em um jogo cruel, sem saber que estavam sendo usados para me destruir.

E então, havia o conhecimento que meu inimigo tinha do meu maior pesadelo. Eles sabiam o que me aterrorizava mais do que a própria morte; ser drogado, ter minha mente arrancada de mim com tranquilizantes e substâncias que apagassem minha consciência. Cada vez que eu me sentia mais vulnerável, surgia o medo de que ele pudesse usar essa tática contra mim novamente. Que, a qualquer momento, eu pudesse acordar em um lugar desconhecido, drogado, sem memórias do que acontecera. Era um terror constante, uma ameaça invisível que pairava sobre mim como uma sombra, pronta para me engolir.

Esse desgaste a longo prazo era a estratégia final. Cada um desses golpes, por si só, poderia ser superado. Mas juntos, eles criaram uma tempestade perfeita. Não havia um momento de paz, um segundo para respirar. O inimigo conhecia o âmago da minha alma e atacava com precisão cirúrgica. O tempo todo, a sensação de que eu estava à beira do colapso era quase insuportável. Eu era empurrado aos limites da resistência humana, física e mental.

E mesmo assim, no meio desse caos, havia uma pequena chama de determinação. Uma força que, embora enfraquecida, não se extinguiu. Eu sabia que não poderia vencê-lo diretamente, mas sobreviver era, por si só, uma forma de resistência. Provas, contatos, alianças discretas, tudo isso se tornou minha blindagem, minha maneira de garantir que, mesmo que me destruíssem, eu levaria algo com eles.

O que pode ser feito com alguém que não se pode matar ou agredir? Se o inimigo é inteligente o suficiente, ele tentará destruí-lo por dentro, atacando sua reputação, suas finanças, sua família, e até mesmo sua sanidade. Da mesma forma que me especializei em destruir eleições de dentro pra fora, fui sistematicamente destruído.

7. Um Tiro Sintético

Falando assim, de forma vaga, parece algo distante, é preciso explicar para que entendam, entendam o que muito dinheiro pode fazer para a destruição de alguém. Como drogar alguém que não precisava de médicos? Que não usava entorpecentes e sempre se mantinha alerta? Eu já havia tentado tomar medicações psiquiátricas, mas a reação era sempre negativa, minha história me tornava vulnerável a essas substâncias. Então, eu me agarrava à depressão pela força, sobrevivendo no fio da navalha, mantendo o controle enquanto trabalhava em ambientes estressantes e arriscados.

Foi então que surgiu o primeiro mau. Um "amigo", alguém em quem eu confiava por mais de dez anos, trouxe uma ideia aparentemente inofensiva. Ele sugeriu que eu buscasse uma vida mais tranquila, longe da política e da cultura institucional onde atuava. Me apresentou a um médico, um homem educado, gentil, que ofereceu uma oportunidade de trabalho melhor remunerado e menos estressante. Eu fui, acreditando que estava seguro, entorpecido pela confiança construída ao longo de anos.

Mas foi aí que cometi meu primeiro erro. O que eu não percebia era que estava sendo vítima de gaslighting, uma manipulação psicológica sutil e insidiosa. Esse "amigo" e o médico não estavam apenas oferecendo uma nova vida, estavam lentamente criando um cenário onde eu me tornaria vulnerável novamente. As pequenas insinuações, foram se acumulando, me fazendo duvidar das minhas próprias percepções e da minha capacidade de resistir. A confiança que depositava em meu amigo acabou se tornando minha armadilha. A mesma confiança que me levava a acreditar que tudo aquilo era para o meu bem, cegando-me para o fato de que, na verdade, estava sendo conduzido de volta ao meu pior pesadelo.

O médico amigo, que parecia tão cordial, ofereceu apoio, amizade e até assistência médica. Ele começou a me dar remédios, notando que eu tinha uma tosse persistente e passou a me fornecer corticoides, alegando que me ajudariam. Eu confiava nele, então segui seu conselho e usei os medicamentos por um longo período como recomendado. No entanto, algo começou a mudar, gradualmente, comecei a sentir uma leve euforia, junto com manias estranhas. Estava vivendo o prólogo de uma insanidade fabricada .

Ao mesmo tempo, o mundo ao meu redor parecia desmoronar. Meu irmão e minha irmã tiveram surtos, cada um por razões distintas. As coisas começaram a parecer coordenadas, como se alguém estivesse manipulando os eventos, fazendo e dizendo coisas para as pessoas próximas a mim com o objetivo de me isolar.

Vi-me dividido, precisando escolher entre minha relação e o cuidado com meus irmãos, que pareciam estar em uma situação ainda mais crítica. Foi uma decisão dolorosa, que me causou imenso sofrimento. Mais tarde, me arrependi profundamente. Tentamos reatar, mas algo estava errado, eu parecia à beira de um colapso mental. Naquele momento, não compreendia o impacto que os corticoides podem ter sobre a mente, mas sentia como se o destino, ou algo mais sinistro, estivesse conspirando para me derrubar.

Eu estava no auge do estresse, as emoções à flor da pele, oscilando entre uma tristeza profunda e um impulso incontrolável. Minha mente parecia cada vez mais fora de controle. Comecei a tomar decisões que não refletiam quem eu realmente era, desenvolvendo um comportamento narcisista, um impulso por trair, mesmo amando profundamente minha namorada. As pessoas ao meu redor começaram a me ver como alguém louco, como se soubessem de coisas que eu fazia ou havia feito. Então, meu amigo meu faleceu. Ele não era apenas um amigo, mas também um mentor, e mais importante, ele me respeitava. Eu sabia que criaria problemas indo ao velório, era inevitável, minha namorada sentiria ciúmes, já que eu também havia namorado a filha desse amigo. Mesmo assim, decidi ir. Era

uma questão de ética, eu devia isso a ele, à minha ex, e fui. Choramos muito, a dor era devastadora. Quando voltei para a cidade, minha namorada terminou comigo. Isso me destruiu completamente.

Em um ato de desespero e surto pelos corticóides peguei minha moto e saí em uma viagem de 500km, que deveria durar alguns dias, mas acabei viajando mais de 5000km desaparecido por mais de 40 dias. Durante esse período, viajei sem rumo, correndo insanamente, me testando até o limite. Quando finalmente voltei para casa, disse que não aguentava mais e precisava de ajuda, algo como uma internação. Esse mesmo médico que me receitou corticóides me apresentou a uma psiquiatra, que me internou imediatamente, sem sequer perguntar sobre as medicações que eu estava tomando.

Eu suportaria a pressão de um término de namoro e a perda de um amigo em circunstâncias normais, lidava desde cedo com situações extremas. Mas naquele momento não consegui. Anos mais tarde, descobri que o uso prolongado de corticóides, que eu estava tomando por recomendação médica, poderia alterar o eixo HPA e levar a surtos de mania, psicose. Percebi que estava no meio de um plano de ações sincronizadas, um ataque em várias frentes. Era como se tudo ao meu redor estivesse sendo destruído ao mesmo tempo que minha mente era corroída de dentro para fora, da mesma forma como eu costumava agir em campanhas políticas como agente infiltrado, destruindo de dentro para fora.

As medicações que tomei na clínica me levaram ao mesmo estado emocional do abuso. Tentei falar com a médica e ela me receitou doses mais fortes. Estava preso psicologicamente, enquanto minha família tinha fé que estava me ajudando. Quando saí da clínica escalei uma torre de transmissão, mais de 30 metros, o stress, e forte reação de luta ou fuga no meu organismo me proporcionou uma forte liberação de catecolaminas, me deixando num estado de paz. A ânsia pela morte naquele momento se tornou minha salvação.

Compreendi o que estava acontecendo, mas fingi não entender, mantendo um sorriso no rosto. Sim, um sorriso, porque apesar de tudo, ainda não haviam tirado minha capacidade de sorrir. Eu sabia que aquilo era apenas o começo e que outras investidas viriam. Também percebi que o protocolo de segurança que havia criado era válido, afinal, eu ainda estava vivo. Mas estava claro que fariam de tudo para me levar a tirar minha própria vida. Foi então que estabeleci o Protocolo 2.

8. Protocolo 2

Passei a buscar uma cura, algo que fosse realmente eficaz para o meu caso específico. Os remédios convencionais não funcionavam, pois eram quimicamente semelhantes às drogas que fui obrigado a tomar durante o abuso. Isso fazia com que meus sintomas se agravarem, desencadeando efeitos similares ao entorpecimento que eu experimentava naquela época, e

me forçando a reviver o trauma. Eu tentava explicar isso, mas parecia que nenhum profissional compreendia, aceitava. Entendi que o crime entendia o âmago da minha alma, e completamente o sistema que vivemos, um laudo errático intencionalmente que favorece outro laudo errático espontâneo.

E enquanto estudava comecei a investigar algo ainda maior: o envolvimento de um candidato a presidente com o crime organizado. Peguei tudo que tinha, fui para um estado que seria o centro das eleições presidenciais conhecendo pessoas que estavam conectadas a figuras poderosas. Alguns sabiam quem eu era e que não deveria estar ali, mas a maioria apenas apreciava minha gentileza e educação, o que me permitiu coletar informações valiosas. Sempre há alguém que sabe de algo, e com as perguntas certas, no momento certo, é possível obter o que se precisa.

Com o tempo, consegue provas de que o próximo presidente do país seria eleito pelo crime, para o crime. Era uma realidade assustadora, especialmente porque esse candidato tinha forte apoio militar e religioso. Gradualmente, entendi a construção desse personagem. Um homem criado para entorpecer as massas com um discurso ultra moralista e proibicionista, que conquistava uma população amedrontada. Enquanto isso, seu discurso ideológico extremo servia para encobrir ações que favoreciam o crime.

Foi então que realmente entendi o momento que estamos vivendo. E passou a ser uma realidade perturbadora. Entendi que chegamos em um ponto da humanidade onde a prioridade do poder paralelo é buscar as melhores formas de lavar seu dinheiro, e é uma proporção tão grande de valores que é necessário comprar um governo inteiro, e usar de licitações para mesclar o dinheiro sujo com limpo. Somente o governo trabalha com bilhões e trilhões, e esse é o patamar que o crime organizado está . E não é sobre colocar um candidato faccionado. É sobre comprar canais de mídia, incentivar tendências, buscar alternativas para criar novas plataformas de mídia para colocar sua opinião em setores que a regulamentação ainda é fraca como a internet. Criando discursos, infringindo leis,e disseminando informações em massa. Um aplicativo de mensagens criptografadas é sucesso no meu país, onde o crime não só se comunica, mas coloca suas mãos em diversos grupos da sociedade. A empresa com sede nos Estados Unidos não aceita sentenças para quebras de sigilo nem para casos absurdos como pedofilia, alegando proteção ao usuário e um liberdade torpe. A deep web, darky web perdeu forças, pois agora tudo é prático, rápido, pelo app na tela do telefone.

Um aplicativo feito pelo crime, para o crime, com múltiplas funções que favorecem diversas ilicitudes com potencial absurdo, e com mais de 70% da população com contato direto. Um vírus.

Fazendo uma comparação com a Stasi, que conseguiu penetrar em 70% da população da Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, o crime organizado adotou estratégias de infiltração sociais inimagináveis, eles alcançaram um patamar inigualável, aumentando drasticamente seu controle sobre a sociedade. Com recursos financeiros vastos e um silêncio cúmplice entre seus membros, penetraram em diversas esferas da sociedade, como o setor privado, serviços públicos, forças de segurança e até mesmo a mídia.

A tecnologia moderna, especialmente a internet e as redes sociais, oferece ferramentas poderosas para monitorar, manipular e influenciar a população. O crime organizado utiliza essas ferramentas para ampliar seu alcance, empregando táticas de desinformação, criando redes de informantes digitais, e usando dados pessoais para extorsão e chantagem. Além disso, as alianças entre diferentes facções e cartéis em diferentes estados e países permitem que essas organizações se fortaleçam mutuamente. Compartilhamento de inteligência, rotas de tráfico e até mesmo estratégias de infiltração tornam essas organizações ainda mais perigosas.

Criaram um estado paralelo, operando nas sombras, controlando vastas áreas da vida pública e privada, e garantindo que suas atividades ilícitas continuem intocáveis.

9. Pesadelo que me levou a Cura, e a Cura que levou ao Pesadelo.

Enquanto eu penetrava no crime organizado, descobri muito mais do que apenas informações políticas. Em vários contextos, até no campo medicinal, fui apresentado a verdades que mudariam minha visão do mundo e de mim mesmo. Foi assim que descobri o sistema endocanabinóide e o potencial curativo da cannabis para minha depressão. No início, parecia uma solução, um alívio necessário. A cannabis me ajudou a lidar com minhas dores físicas, com apenas 25 anos, eu já havia sofrido mais de 27 fraturas no corpo devido a acidentes e missões. Ela me tirou de uma depressão profunda e me deu a clareza mental para pensar em uma cura.

Mas, ao mesmo tempo em que buscava minha cura, começava a perceber algo estranho ao meu redor. Comentários insidiosos surgiam, insinuações de que eu estava usando estimulantes químicos, como cocaína. Era o cerco se fechando ao meu redor.

O poder de manipulação dessas pessoas era evidente. Eles influenciaram meu irmão, meus pais, amigos, advogados, moldando a narrativa de que eu estava afundado em vícios. Sim, eu usava maconha e nunca escondi isso de ninguém, mas não tinha outros vícios. Em ocasiões pontuais, experimentei ecstasy e outras substâncias, mas foram episódios isolados. No entanto, para aqueles ao meu redor, uma narrativa foi construída: de que tudo o que eu fazia era movido por drogas.

A realidade era outra: eu realmente gastei muito dinheiro, mas foi necessário para estar onde precisava estar. E, por mais que quisesse, não podia abrir o jogo para meus irmãos, não podia expor o que estava enfrentando, precisava protegê-los. Mas meus inimigos sabiam disso, e aos poucos, penetraram em todas as esferas da minha vida, na minha família, nos meus amigos, e até nas pessoas que um dia eu servi na política.

Eles conseguiram coagir uma das agências de inteligência com as quais trabalhei, e

começaram a estruturar um plano de longa data. A pessoa em quem eu mais confiava, era alguém cuja integridade eu jamais duvidaria, pois sabia que ele não era corrupto e não poderia ser pressionado judicialmente. No entanto, o crime encontrou um meio de penetrar na vida dele, o convencendo a expandir, assumir cargos, buscar honrarias. O dinheiro começou a fluir e ele passou a manobrar verbas para si, e para pagar apoios.

Um militar, bem preparado, acabou caindo nessa armadilha sem entender a dimensão completa do que estava enfrentando. Agora, eles têm em suas mãos a minha base, a pessoa que escolhi para estar ao meu lado na guerra.

O poder de manipulação dessas forças é assustador. Eles sabem como encontrar brechas em pessoas aparentemente inabaláveis, como plantar dúvidas, criar divisões, e usar essas falhas para seus próprios fins. Minha base, que antes era sólida, começou a ruir de dentro para fora. O homem que eu confiava começou a sucumbir às pressões do sistema. Ele não percebeu que estava sendo envolvido em um jogo muito maior, um jogo que ele não poderia ganhar.

A influência do crime organizado foi penetrando em todos os aspectos da minha vida, silenciosamente, mas de forma implacável. Eles sabiam que me isolar seria o primeiro passo para a minha destruição. Cada passo que eu dava, cada conquista que eu alcançava, era meticulosamente desconstruída por aqueles que tinham um único objetivo: me desestabilizar.

Eu sabia que não podia lutar contra isso sozinho, mas também sabia que não podia confiar em mais ninguém. A manipulação era profunda, os laços que antes pareciam inquebráveis foram corroídos. Eu percebi que, enquanto eu tentava curar meu corpo e minha mente, eles estavam preparando o terreno para minar tudo o que eu havia construído. O poder que eles tinham não era apenas físico ou financeiro, era psicológico. E, naquele momento, entendi que a batalha que eu estava enfrentando não era apenas externa, mas também interna.

Era como lutar contra uma sombra, algo que não podia ser tocado, mas que estava sempre presente. Eles não precisavam me atacar diretamente; bastava manipular aqueles ao meu redor, criar narrativas falsas, instigar desconfiança. E assim, enquanto eu tentava resistir, sabia que o próximo passo deles seria me forçar a um isolamento completo, onde a única opção seria me render à destruição que eles haviam planejado para mim. Então tomei o segundo tiro:

10. Um Amor Quimicamente Destruído.

O ano 2118. Eu acabara de retornar da missão mais insana da minha vida até aquele momento. Meu psicológico estava devastado, meu corpo exausto, e fui drogado até o ponto de surtar. Já vivia sob vigilância constante, e meu estado mental era um caos. Eu falava pouco, evitava me aprofundar em qualquer assunto, pois simplesmente estava esgotado. Pensamentos se entrelaçavam com memórias, que traziam mais pensamentos e desencadeavam mais memórias, tudo se tornava uma espiral de caos em minha mente.

Minha história de vida me puxava para a morte, como se cada lembrança fosse uma âncora. Foi então que conheci uma doutora em biologia. Ela trouxe um momento de paz em meio ao caos. No início, nossa relação era puramente física, quase como uma reação bioquímica, com um toque de cannabis. Eu era apenas um ficante fixo, mas dormíamos juntos, e eu a segurava como se fosse minha última noite, e como se ela fosse minha primeira mulher.

Mesmo sem discutir sobre nossas dores, eu podia sentir as marcas emocionais que ela carregava. Havia passado por processos intensos; sua austeridade, autoridade e distanciamento eram provas disso. Eu não discutia, apenas entendia a situação. No fundo, admirava essa mulher sábia que me trazia um raro alívio em meio ao inferno em que vivia.

Ela me fazia ouvir, e me dava prazer ouvi-la dissertar. Naquele momento, eu tentava parecer uma pessoa comum, falava de coisas simples, até me fazia de idiota. Ocultar a verdade já era uma necessidade de sobrevivência, e, embora sentisse sua bondade, sabia que não deveria arrastá-la para a espiral de caos que minha vida havia se tornado.

Com o tempo, à medida que me acalmava, comecei a assimilar informações, buscar soluções, aprender. Sabia que o inimigo voltaria, mas cada pedaço de conhecimento que essa mulher me dava me ajudava a trilhar caminhos que me mantém vivo até hoje. Por causa dela, me tornei vegetariano restrito. Nossas conversas me levaram a desenvolver insights sobre comportamento biológico, relacionar traumas a mudanças bioquímicas, entender melhor os mecanismos de luta ou fuga, e a liberação de hormônios diante de ambientes adversos.

Comecei a entender meu corpo e minha mente de uma forma que nunca tinha conseguido antes. E, ao fazer isso, percebi o que precisava ajustar para estar preparado para os absurdos que poderiam vir. A sombra que me perseguia estava cada vez mais pesada. Foi aí que decidi fazer uma mudança radical: voltar ao esporte e treinar como um louco para estar preparado, inclusive para correr duas maratonas sem parar se fosse necessário.

Inspirado por ela, comecei a estudar alimentação de forma mais profunda, e fui ajustando minha rotina. Entrei em um ritmo de treino insano, treinando várias vezes ao dia. Ela não entendia exatamente minha motivação, a razão de tanto esforço, e eu, cada vez mais obcecado, queria ultrapassar todos os meus limites. Treinei e fumei tanta maconha que provoquei uma reação intensa no meu sistema endocanabinoide, alcançando um estado de equilíbrio tão profundo que, pela primeira vez em mais de 14 anos, eu não sentia mais vontade de morrer. Finalmente, consegui me libertar de mais de uma década de depressão profunda.

Reconheço que o amor que sentia por essa doutora foi parte fundamental dessa recuperação. Apesar de nosso relacionamento parecer disfuncional, havia um grande amor, bastava eu encostar nela para qualquer pensamento negativo desaparecer. Ela era meu bem literalmente.

Um dia, olhei nos olhos dela e disse: "Você não precisa responder, nem se sentir pressionada, mas eu preciso dizer que amo você. E sempre vou dizer isso, não importa o que você me diga.

Sei que você tem seu tempo." Ela não entendeu completamente, mas naquele momento eu estava em paz. Estava distante de toda a insanidade que me rodeava e simplesmente aproveitando o momento, amando como se fosse minha última mulher.

O que mais amei nessa mulher, e que talvez tenha sido o que nos afastava, o amor pelo conhecimento. Ela, com todo seu conhecimento acadêmico, e eu, com meu conhecimento prático. Mas naquele momento, tive a paz necessária para encontrar minha cura, algo que nunca havia conseguido antes.

Quando finalmente declarei a amigos e familiares que havia curado minha depressão, que estava planejando voltar ao trabalho e refazer minha vida, veio o segundo tiro.

Me isolar era uma questão de lógica. Diminuía a chance de haver testemunhas, de surgirem contra provas, ou de permitir que alguém pudesse me ajudar. Mas o que se faz para destruir uma relação entre pessoas que se amam profundamente, que não se importam com o status quo, com convenções? Um amor que não precisa de rótulos, que se expressa na prática, no olhar intenso, no toque? A resposta é simples: atacar uma ideia, um preceito fundamental. E para isso é necessário conhecer profundamente pelo menos um dos indivíduos envolvidos.

Eles já me conheciam, sabiam exatamente quem eu era. Foram os únicos que conheceram toda a minha história. E foi assim que se aproximaram da minha mulher, dentro da Universidade. Investigaram tudo sobre nós, cada detalhe, e então investiram em uma reviravolta absurda, aterrorizante.

Não bastou a inteligência. Para nos separar, precisaram recorrer à perversão, ao que há de mais sombrio e manipulador.

Durante minhas corridas, cruzei com Pedro, o homem que me abusou diversas vezes no passado. Adotei uma postura de demência, fingindo que não me lembrava dele, mas era impossível esconder o desprezo e nojo do meu olhar. Naquele ponto, já possuía uma calma psicopática, mas sabia que algo estava por vir. Para proteger minha mulher, eu precisava entrar no jogo, fingir que não sabia o que estava acontecendo.

Logo depois que minha mulher viajou ao trabalho, surgiu um convite inesperado. Um ex-colega d teatro, Ronaldo me chamou para sair. Eu sabia que havia algo estranho, mas percebi que cair na armadilha sozinho era melhor do que arriscar a segurança dela. Aceitei o convite. Saímos para beber, e ele me ofereceu uma cerveja adulterada. Naquele período, já conseguia identificar o sabor de químicos alteradores da consciência. Meu corpo reagiu liberando uma alta carga de adrenalina, mas a alteração já estava em curso. Encontramos uma amiga em comum, Sarah , e eu já estava completamente fora de mim. Quando partimos, meu colega não me levou para casa como havia sido combinado. Embora estivesse suscetível, minha mente ainda pensava na minha mulher. Entendi que, não importava o que eu passasse, era melhor aquilo do que algo acontecer com ela. Chegando à casa dele, tomei uma cápsula de carvão e outros compostos para tentar desintoxicar e revigorar, mas já era tarde demais. Perdi a consciência.

Em flashes, vi Ronaldo nu diante de mim. Ouvi o som de outro carro chegando e senti o cheiro de Pedro, stress, ânsia e tesão, encoberto com um perfume forte. Ouvia vozes e sentia toques. Não entendi completamente naquele momento, mas estava sendo submetido a uma

sessão de hipnose acompanhada de abuso sexual. O objetivo deles não era mais me tratar apenas como um pedaço de carne; eles queriam alterar algo dentro da minha mente. Percebi que Pedro estava usando uma nova droga, e que passar por mim correndo estava analisando, tentando medir a dose para ir na profundidade do meu subconsciente alterado. A intenção era clara: implementar uma ideia que levaria meu relacionamento à ruína.

Eu tentei compartilhar essa história com um advogado, um amigo próximo. Contei apenas uma parte, na esperança de obter ajuda. No entanto, ele não fez nada. Não porque tivesse sido comprado, mas porque havia sido convencido de que eu era insano, perigoso, ou ambos. Ele acreditava que minhas histórias eram uma tentativa de manipulação, de buscar algum tipo de benefício pessoal. Nesse ponto, eu quase não tinha mais ninguém ao meu lado, e parecia não haver nada que pudesse ser feito.

Com o passar dos dias, comecei a perceber mudanças sutis em mim. O modo como eu olhava as pessoas mudou, assim como minha postura. Gradualmente, senti uma atração que nunca havia experimentado antes. Um desejo homossexual despertou em mim, algo que conflitava profundamente com o trauma do abuso que sofri. Foi nesse momento que percebi o quanto havia sido manipulado, drogado em todos os aspectos, e assim, o plano absurdo se concretizou.

Contei para minha namorada que não me identificava mais como heterossexual, que queria experimentar algo diferente. Estava no piloto automático, dominado por um impulso, quase em um surto maníaco. Ela não aceitou. Naquele instante, compreendi que esse mesmo desejo havia sido o catalisador para o fim de um relacionamento anterior dela. Um gatilho foi acionado em minha mente, entendi o que estava acontecendo, mas sabia que precisava continuar fingindo ignorância.

Voltei atrás, disse a ela que não queria mais experimentar coisas diferentes, que ficaríamos apenas nós dois, sem envolver mais ninguém. No entanto, a confiança já estava abalada, como se ela soubesse de algo que eu ainda não sabia. Ao mesmo tempo, ela caiu em uma depressão que me deixou mais preocupado, era hora de partir. Eles continuavam a se aproximar, relutei, mas precisei sucumbir ao plano onde surgiu um convite. Eu sabia que precisava aceitar, que precisava me entregar de vez à armadilha e abandonar a mulher que mais amei. Era a escolha certa a fazer, por mais dolorosa que fosse. Permanecer ao meu lado seria um desastre para ela, em todos os sentidos. Aceitei o convite, apenas um almoço com um amigo. Ambos sabíamos que ele era bissexual, e isso foi o ponto final para o nosso relacionamento. Ela tentou reatar comigo, mas fui impiedoso.

Embora estivesse sob efeito de drogas que desconhecia, precisei manter uma lógica fria sobre o que estava acontecendo. Era o plano deles, e eu jogava o jogo. Mas nada poderia aliviar a dor de lembrar dos olhos da mulher da minha vida cheios de lágrimas pela despedida. Eu a amava intensamente, o suficiente para suprimir até mesmo o desejo hipnótico que haviam plantado em mim.

Um ano antes havia terminado uma relação abruptamente após ser drogado em uma festa. Amargamente, compreendi que a vida que me foi apresentada desde a infância nunca foi sobre ser feliz. Era sobre sobreviver, e evitar que as pessoas que eu amava se machucassem por minha causa. No entanto, tragicamente, algumas delas se machucaram, é isso é algo que me corrói.

11. Retaliação: O Início.

Imagine que um pensamento é o resultado de uma experiência, uma combinação do que você sente e do que lhe dizem. Se as palavras certas forem ditas no momento certo, é possível modificar a ideia de alguém. Agora, imagine centenas de pessoas trabalhando para fazer com que a sociedade a seu redor veja você como insano, ganancioso, criminoso e perturbado. E que, ironicamente, os comportamentos que você adotou para se proteger acabaram reforçando essa percepção de insanidade. Esses comportamentos foram uma tentativa de preencher um vazio deixado por um desastre químico no seu cérebro, um desastre que foi meticulosamente planejado.

O que ocorreu foi um verdadeiro plano de vingança, um esquema que exigiu paciência, esforço e uma grande quantidade de pessoas e recursos. Naquele momento, não percebia, mas cada atitude tomada para me proteger e cada passo dado no submundo contribui para criar uma imagem de alguém que precisava ser detido. Só que a prisão seria pouco diante do "prejuízo" que causei, eles precisavam me conduzir ao meu pior pesadelo.

Foi então que compreendi que tudo e todos ao seu redor, até mesmo aqueles que me amavam, se tornaram armadilhas. Aqueles que me amavam poderiam, sem querer, conduzir ao meu destino mais temido.

Parti em uma última missão, ciente de que não havia um lugar seguro para onde fugir, mas acreditava que determinadas ações poderiam me oferecer uma chance. Continuei correndo e treinando , e após pouco mais de 50 dias de treino com altímetro elevado, conquistei minha primeira corrida de montanha. Durante esse período, também criei uma confusão estratégica para enganar meu inimigo, um adversário astuto e implacável que parecia sempre um passo à frente.

Sabia que a confusão mental seria iminente para mim, e às vezes, fingir demência poderia ser uma tática útil para escapar da situação. Naquele momento, minha família já me condenava pelo uso de cannabis, apesar de não entender nada sobre saúde. Apenas meu irmão permanecia ao meu lado, resistindo à pressão. Entreguei meu troféu ao meu tio diabético como uma demonstração dos resultados dos meus esforços e estudos. Era uma forma de mostrar que sabia o que estava fazendo e que, apesar das adversidades, minha saúde estava em bom estado.

12. Labirinto Infernal: O ciclo Inquebrável do Meu Maior Pesadelo.

Cheguei exatamente onde meu inimigo queria que eu estivesse: isolado da sociedade. Minha vida girava em torno do esporte e da maconha, sem preocupações com relações, trabalhos. Meu irmão estava preocupado comigo, como se eu fosse um doente. Minha família se afastou por causa do meu uso de cannabis. Era o ambiente perfeito para a conclusão da vingança contra mim.

Foi nesse momento que entendi minha condenação. Mais uma vez, fui exposto a químicos misturados na maconha que consumia, e comecei a desenvolver uma mania que descontava no esporte. Cheguei perto de recordes, levando meu corpo ao limite. Não tinha mais gordura corporal, e meu rosto magro era visto como não saudável pela sociedade obesa. Gozava de plena saúde, e ser um atleta extremo era uma questão de lógica. Meu corpo era a única coisa que me restava, minha única ferramenta para lutar.

Recebi uma intimação que talvez pudesse me trazer um pouco de paz, um processo no qual eu seria testemunha e que poderia mudar o quadro político da minha situação. Mas era arriscado demais. Optei pelo blefe. Confidenciou a uma amiga, afirmando que mudaria meu depoimento, o que me daria uma proporção política gigantesca. Essa amiga era uma amiga paga, alguém que recebia para estar próxima de mim. Eu era sua missão. Sabia que a informação de que eu mudaria meu depoimento chegaria onde precisava chegar. Fiz isso pensando numa negociação, numa trégua.

Mas o tiro saiu pela culatra. Ao invés de uma trégua, recebi uma droga ainda mais forte, sem saber. Com ela, entrei num surto semelhante a um surto psicótico. Minha última esperança seria meu irmão, alguém que eu discretamente preparei para lidar com esse momento. Sempre mostrei a ele que não se tratava de fazer o certo, o padrão, mas sim o que era necessário para proteger a família. Já havia deixado claro que medicações convencionais me levariam à ruína e compartilhei meus conhecimentos com ele.

Surtado sob o efeito de uma droga fortíssima que me deram misturada no haxixe, pedi a única coisa que precisava: tempo em um lugar tranquilo, calmo, para me desintoxicar. Ele escolheu seguir outros conselhos, mas não sabia exatamente de quem eram esses conselhos. Por ordem dele e de meus familiares, fui parar numa clínica psiquiátrica ligada ao crime organizado.

Além do turbilhão de medicações erradas e diagnósticos equivocados, havia fumo o tempo todo. A ideia era clara: me colocar diante dos meus dois piores traumas. Sofri abusos sexuais nessa clínica, e a tortura se intensificou. Fugi, tentei falar com um advogado, com meu irmão, mas era tarde. Todos estavam convencidos do "bem" que aquele ambiente poderia me fazer. A ideia de um "lugar de Deus" colaborou para isso.

Sofri calado por meses. Quando saí, fui obrigado a tomar uma medicação injetável de longo

prazo. Passei dias vivendo e revivendo o mesmo terror da infância, acompanhado das torturas que sofri na clínica. Meu pulmão enfraqueceu, e minha carreira de atleta se foi. Mas o pior é que naquele momento não havia mais ponto de retorno, que cada passo dado iria me levar à ruína, porque eles estariam onde eu estivesse. Nesse momento fiz uma escolha, me render a um destino traçado pelo mal. Não lutar, somente deixar acontecer.

13. A Última salvação, o Último homem, o fim da batalha, e o início da GUERRA.

Eu sempre soube que momentos de crise extrema poderiam chegar. Preparei-me mentalmente para isso, ou pelo menos achei que estava preparado. No entanto, nada, absolutamente nada, me preparou para o impacto devastador das medicações que me deram naquela clínica. Elas não apenas mexeram com minha memória, mas me lançaram em um estado de confusão mental que parecia interminável. Era como se tudo que eu havia aprendido, toda a minha estrutura de pensamento, tivesse sido desmontada peça por peça, deixando apenas fragmentos desconexos de quem eu um dia fui.

Quando saí da clínica, busquei alívio na única coisa que me restava: a maconha. Mas dessa vez, o efeito que antes me confortava estava ausente. Fui invadido por uma sensação ainda mais aterrorizante quando percebi que havia me tornado dependente de uma maconha adulterada, uma substância que estava me destruindo de dentro para fora. A abstinência foi brutal, como uma lâmina rasgando minha sanidade. A dor emocional se tornou insuportável, e mais uma vez, comecei a flertar com a morte. Era como se o peso do mundo estivesse sobre mim, me empurrando de volta para o abismo da depressão.

Meu irmão, a única pessoa que ainda estava ao meu lado, também começava a se afastar. Ele havia sido abalado pelos meus surtos, pelos altos e baixos incontroláveis, e eu podia sentir que, embora ainda tentasse me apoiar, a ideia de desistir de mim já começava a permear seus pensamentos. O pior de tudo é que eu sabia que essa influência externa não era coincidência; era parte de algo maior, uma manipulação insidiosa que se infiltrava em todos os aspectos da minha vida. Mesmo assim, ele sugeriu um tratamento com cogumelos, que eu sabia que poderia ter potencial. Também pedi uma fuga geográfica, uma chance de escapar dessa rede de destruição e encontrar um ambiente menos tóxico onde eu pudesse, talvez, começar a pensar com clareza novamente.

Escolhi o sítio de um amigo de uma ex-namorada. Naquele momento, eu já havia desistido de reagir da forma tradicional. Coloquei na cabeça a frase que meu irmão repetia: "O que for para acontecer, vai acontecer." Decidi me entregar a um destino projetado pelo mau, abraçar a fé como minha última âncora, acreditando que, independentemente do que viesse, eu seria salvo. Comecei a enxergar cada evento em minha vida, mesmo os mais sombrios, como uma bênção disfarçada, como testes que eu deveria superar. Até mesmo meus inimigos, aqueles que me destruíam lentamente, passei a abençoar. Transformei o medo em uma aceitação quase resignada, uma filosofia de vida que me permitia continuar existindo em meio ao caos.

Lembra do que falamos sobre o inimigo conhecer profundamente seus medos e traumas? Sabendo disso, ele pode moldar suas ações, interferir diretamente na maneira como você pensa, e até manipular a forma como você vê o mundo ao seu redor. Essa era a base da guerra psicológica que eu sabia que estava enfrentando. Eu costumava dizer à minha ex que, no fim, se não houvesse mais solução, eu me entregaria ao tratamento com ayahuasca. E, de fato, o destino me levou a esse caminho. Fui trabalhar em um sítio onde se faziam terapias com ayahuasca, através do amigo da minha ex. Aceitei aquilo como uma dádiva divina, mas mantive meus olhos abertos, em constante vigília. Sabia que o mal poderia se esconder em qualquer canto, mesmo sob o disfarce de ajuda espiritual. Eles me deram um quartinho úmido e simples, mas com uma cozinha ampla. Era um espaço modesto, mas suficiente para o que eu precisava naquele momento. Abracei as cinco horas diárias de trabalho propostas, sempre fazendo algo a mais, na modalidade de troca por moradia. No início, mantive-me reservado, observando mais do que falando. Aos poucos, percebi uma aproximação do dono do sítio e terapeuta. Ele parecia dar valor ao que eu dizia, frequentemente me consultando sobre saúde e alimentação. Mas algo não se encaixava, desconfiei de imediato. Alguém em uma posição social mais elevada, com uma formação superior, raramente dá voz a alguém como eu parecia naquele momento. Ainda assim, decidi deixar as coisas correrem. Minha decisão era clara: me entregar ao jogo, mas dentro das minhas condições. No quarto dia de trabalho, no final do expediente, ele começou a me empurrar mais tarefas. Quando mencionei que o tempo não seria suficiente, ele riu e disse: "Temos até o escurecer." Aquelas palavras carregavam uma leveza sinistra. Foi nesse momento que o encarei profundamente, fixando meus olhos nos dele. E foi ali, naquele olhar, que enxerguei a maldade pura, fria e calculada. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, jogando seu jogo psicológico, testando meus limites. Mas naquele instante, deixei claro que eu também sabia. Mostrei que estava ciente do que acontecia, que entendia o recado sutil por trás da máscara de benevolência.

Estava diante de um psicopata narcisista, um tipo perigoso, capaz de demonstrar empatia, controlar suas emoções. A guerra que se desenhava à minha frente seria insana, uma batalha mental que testaria cada fibra da minha sanidade. Ele não estava ali para me curar, mas para me puxar de volta à espiral de caos de onde eu tentava escapar. Estava exatamente onde eles queriam que eu estivesse, isolado, vulnerável, com apenas o apoio financeiro distante e a comunicação esporádica de meu irmão, o último que ainda poderia me ajudar.

Este não era apenas o fim de uma batalha; era o início de uma guerra psicológica tão intensa que poderia fazer até o mais cruel dos psicopatas recuar. Eu sabia que estava à beira de algo definitivo.

14. O Grande Erro.

A batalha psicológica que travei contra aquele narcisista empático foi intensa, uma guerra que

se desenrolava em várias frentes. Ele era astuto, sempre jogando com as palavras, construindo uma narrativa, tentava controlar minhas ações; minha mente, enquanto desferia sutis contra minha imagem perante às pessoas. Hora eu o dava razão, e em outros momentos batia de frente, o confrontava, tornando minhas ações imprevisíveis, até ele se sentir oprimido com meu conhecimento. Manipulações sutis, isolamentos calculados. Ele se certificava de que eu me afastasse das poucas conexões que ainda me restavam, como uma paixão que conheci naquele sítio. Cada sugestão parecia inocente, mas escondia uma intenção destrutiva.

Enquanto isso, seu parceiro, o químico, jogava em outra arena. Ele desenvolvia uma droga especialmente para mim, uma substância feita para me levar ao limite, para me empurrar para a beira do abismo da loucura. Era um ataque orquestrado, físico e psicológico. E enquanto isso, as pessoas ao nosso redor continuavam cegas, sem perceber a guerra silenciosa que acontecia diante de seus olhos.

O trabalho era exaustivo, horas além do combinado, e o pagamento era pouco. Ele até se apropriou dos meus próprios alimentos para servir aos seus clientes. Quando descobri, por meio dos meus estudos, os efeitos dos corticoides no cérebro, o terapeuta agiu rapidamente. Ele colocou um hacker disfarçado de voluntário para invadir meu computador, apagando minhas pesquisas, provas, e qualquer rastro que pudesse ameaçar o controle deles sobre mim.

Mas falar de pessoas assim é dar a eles o que mais desejam: notoriedade, eles se alimentam disso. O que eles não previram é que toda essa tortura psicológica só me tornou mais forte. Foram mais de seis meses nesse jogo macabro, até que percebi o plano final deles: internarme com a ajuda da amante do narcisista.

Foi aí que fugi. Essa experiência me ensinou a ser ainda mais frio, mais calculista. Desenvolvi novas técnicas para escapar, para lutar, para reagir. Entender o inimigo é a chave para vencêlo. Eles deveriam ter puxado o gatilho anos atrás, porque cada maldade que me fizeram só serviu para me forjar em algo mais forte.

Hoje, eu vejo que amor e sexo são fraquezas. Frio, fome, e sede são preferíveis à manipulação. A solidão, antes um fardo, agora é irrelevante. Quando finalmente deixei aquele lugar, coloquei um advogado no caso. Deixei pistas, fiz movimentos calculados. Sabia que a retaliação seria rápida, e que acabaria em outra batalha, mas isso não importava. Eu seguia o "plano", fingindo não entender o que havia acontecido. O erro deles foi não terem puxado o gatilho. Agora, cada ato de crueldade que cometeram apenas me tornou mais impenetrável.

15. Da Sobrevivência ao Cárcere Privado.

Nove anos se passaram, o crime começou a falhar em suas tentativas de me destruir. A cada investida, eles se reorganizavam, buscando novas estratégias, mas, de certa forma, o que se seguiu foi uma sucessão de fracassos. Cada golpe que desferiram acaba se voltando contra eles, não porque fossem ineficazes, mas porque eu me fortalecia a cada novo embate. Eles

tentavam me afundar, mas, ironicamente, eram eles que afundavam. Aquela força que antes parecia imbatível agora mostrava suas falhas, suas rachaduras. A estrutura que criaram para me derrubar começou a desmoronar sob o peso de seus próprios erros, e acredito que a soberba foi a causa principal disso.

Se o narcisista tivesse sido mais humilde, falado menos, e não me explorasse tanto, talvez fosse mais fácil me levar a um surto, me fazer cair. Mas não, o crime sempre quis me pisar, me sangrar, me trollar, como dizem. Mas não sou o tipo de pessoa que aceita isso. Quanto mais me empurram, mais eu empurro de volta.

Retornei à minha cidade natal, tentando um último contato com meu irmão. Mas ele estava desligado, como se alguém o estivesse manipulando para não parar e me ouvir. Conheci minha cunhada, e ela simplesmente tinha medo de olhar nos meus olhos. Entendi. Assim como meu cunhado estava com o crime, ela também estava.

Continuei sujeito ao plano deles. Mais uma vez, me deram maconha adulterada. Fumei e entrei em uma mania fortíssima, que parecia me desconectar da realidade. Estava num estado de sugestão total, como se qualquer pessoa pudesse me manipular. Acredito que algo análogo à burundanga. E então veio a droga final, 50 vezes mais forte que o crack, que o K9. Vi vermes psicodélicos como em uma tela de TV sem sintonia, desmaiei e fui capturado. Durante o transe, me sugeriram várias coisas, me ameaçaram, ameaçaram minha família, amigos. Usaram agulhas finíssimas para encobrir a situação.

No meio da loucura, perturbado pela droga e pelas ações deles, fui solto na rua. Tentei falar com a polícia, mas previ que seria internado novamente. Então, parti para o ato final: assumi que havia perdido a sanidade. Cortei a cidade enlouquecido, correndo, fingindo ter perdido meu cachorro. Para cada pessoa que parecia usuária ou do crime, eu dizia para não sair à noite, que a cidade seria atacada por uma facção rival, espalhando o medo.

Cheguei de madrugada em um bairro perigoso, onde todos estavam na atividade. Explanei que havia sido drogado por uma facção rival. Fui cercado por mais de 30 caras, todos tentando me intimidar. Fui educado, humilde, disse que estava indo na casa de uma amiga, e que o namorado dela era de uma facção rival. Ela foi autoritária com eles, resolveu tudo, e eles foram embora. Nesse momento, descobri que minha amiga de cinco anos estava na minha vida para o mal.

Fui internado em um episódio esquizofrênico, misturado com uma dose de realidade. Explanei diversas coisas que fiz na política, uma forma de mostrar que sabiam de mim, mas não de tudo. Em poucos dias, recuperei a consciência, mas estava em uma clínica do crime organizado. Queriam me manter lá por meses, mas minha família decidiu me tirar. Não queriam mais gastar dinheiro comigo; eu era um caso insolucionável.

Entendi o processo que se desenrolou ao longo de 10 anos. Eles gradualmente manipularam as pessoas ao meu redor, afastando-as de mim, contrataram um médico para me prescrever

medicações que culminaram em um surto psicótico, minaram meus relacionamentos e me empurraram ao limite, tentando me levar a concretizar o pensamento de suicídio que permeava minha mente.

Quando resisti, eles intensificaram os esforços. Apresentaram-me uma "cura" na forma da cannabis, apenas para conspiraram para que essa mesma "cura" me levasse ao manicômio/reabilitação, um local controlado por eles, gerido por ex-usuários faccionados. Fui condenado a uma prisão química, o ápice da tortura psicológica. As medicações que me forçaram a tomar me colocavam no mesmo estado de entorpecimento que vivi durante os abusos. E, como se não bastasse, fui novamente abusado dentro da clínica.

Ao sair, não podia compartilhar nada do que aconteceu com ninguém. Meu pai me ameaçava constantemente com nova internação, tratando-me como um louco. E me mantendo em cárcere privado, prisão domiciliar assim como o candidato a governo que conspirei para prisão. sinais de intimidação eram constantes: passavam em frente à minha casa de fuzil tentando me aterrorizar. E, para piorar, eu ainda estava sob o efeito da droga que haviam administrado, uma substância potente e de ação prolongada. Além disso, as medicações que fui obrigado a tomar começaram a destruir meu corpo: desequilíbrio do eixo HPA (hipotálamohipófise-adrenal), aumento da prolactina, ganho de peso, perda de controle urinário e o desgaste do meu físico.

O atendimento que meu pai conseguiu no sistema público foi um psicólogo que, após 10 minutos de conversa, o chamou e me diagnosticou com esquizofrenia, sem considerar qualquer evidência ou sintoma real. Eu estava cercado por todos os lados, isolado e sem apoio. Foi então que percebi que precisava agir, criar um plano para sair dessa situação antes que fosse tarde demais.

Ao longo desses nove anos, o custo para me manter sob controle foi alto. Contrataram pessoas para me investigar, para estarem ao meu lado, químicos para criar drogas feitas sob medida para mim, e me colocaram em lugares de trabalho escravo. Mas, de certa forma, todo esse processo só me fortaleceu. O crime falhava, e, ao me transformar em uma versão ainda mais resiliente de mim mesmo, eu continuava a sobreviver..

16. Em busca da Lucidez.

A substância administrada tinha uma potência extrema, aproximadamente cinquenta vezes mais intensa do que o crack. Seus efeitos foram severos e abrangentes. Essa droga induziu um surto grave. Meu nível de dopamina estava desregulado, resultando em euforia intensa e uma abstinência severa. Qualquer estímulo que liberasse dopamina, como admirar uma pessoa, fazia minhas pupilas se dilatarem, de maneira parecida com efeitos estimulantes.

A substância parece ter sobrecarregado os receptores de dopamina no meu cérebro, resultando em uma hipersensibilidade extrema. Estudos indicam que a desregulação da

dopamina pode levar a episódios maníacos e psicóticos. No meu caso, qualquer aumento de dopamina desencadeava surtos maníacos.

Entendi que levaria tempo para recuperar o equilíbrio. Decidi enfrentar a psicose com calma. Lembrei das palavras do meu irmão: "O que tiver que acontecer, vai acontecer." Mesmo com a desregulação química, desenvolvi estratégias para desintoxicar meu corpo. Suar para eliminar toxinas, mas qualquer exercício leve fazia minha dopamina subir a ponto de causar insônia por dias. E meu pai também havia me proibido de praticar qualquer esporte orientado pelos terapeutas da clínica.

Continuei em segredo, fingindo tomar as medicações prescritas enquanto treinava escondido, já que meu pai não queria que eu me exercitasse. Gradualmente, as reações extremas das minhas pupilas começaram a diminuir, indicando que era hora de planejar uma saída. Mas ainda precisava preparar uma estratégia cuidadosa.

17. A Insanidade ao meu favor.

Elaborei um blefe cuidadosamente. Dei a entender que estava entre a sanidade e a lucidez, como se estivesse começando a reconectar com a realidade, mas ainda confuso o suficiente para não perceber quem realmente estava por trás do que estava acontecendo comigo. Criei uma ameaça que poderia fazer com que se afastassem, ao menos por um tempo. Liguei para um deles, fingindo não entender que eram eles que estavam me manipulando. Durante a conversa, revelando diversas informações que sabia sobre a operação, mencionei hackers que estavam com provas para me proteger. Falei sobre uma mudança de protocolo que tornaria qualquer internação minha um risco para eles. Expliquei que, caso eu fosse internado novamente, as provas viriam à tona de múltiplas fontes.

Funcionou, eles sumiram por alguns dias. Durante esse tempo, me organizei, esperei o momento certo e fugi durante a noite. Fui para outro estado, disposto a fazer qualquer coisa para me capitalizar e, eventualmente, partir para um país distante de toda essa situação. Porém, logo que consegui um trabalho, as ameaças começaram a surgir novamente, de forma sutil, mas constante. Decidi partir com pouco mais de mil reais no bolso. Comecei a jornada a pé, caminhando e correndo mais de 1200 km, deixando pistas falsas pelo caminho, evitando áreas movimentadas e passando por zonas quase desertas, cruzando fronteiras e atravessando quatro países.

Tentei obter asilo político, mas sem sucesso. Consegui entrar na condição de refugiado, mas minhas condições eram precárias. Sem recursos, fui parar nas ruas, e em pouco mais de 20 dias, as ameaças voltaram, mais sutis, mas presentes. Decidi voltar ao meu país e abrir denúncias, mas nada que pudesse realmente me tirar dessa situação. As ameaças continuam, porém de maneira mais velada, o que dificulta qualquer ação contundente através da justiça. Estou preso em áreas centrais da cidade, sempre em alerta, sem confiar em ninguém, pois sei que esse tipo de coisa não se compartilha facilmente.

Agora, me sinto encurralado. Não sei mais para onde ir ou o que fazer. Entendi que minha condenação é essa: ser exposto continuamente à dureza do mundo até que eu não consiga mais suportar e sucumba ao desespero. Querem tirar tudo de mim, me empurrar ao limite, me forçar ao suicídio. O suicídio que antes permeava a minha mente com um transtorno devido ao meus traumas, passou a entrar no campo da racionalidade, como se fosse hoje a única saída. E estou muito cansado, preciso descansar.

A longa exposição ao trauma me moldou, de certa forma. Minha mente foi forjada para resistir. Mesmo com mais de 27 fraturas pelo corpo, lesões nos joelhos, quadris e ombros, sei que estou no mesmo nível de força e resistência que um soldado de elite. Um pastor estrangeiro me disse que só Jesus pode me salvar dos narco-políticos que combati. E mesmo sendo um homem da ciência, e traumatizado por ter sido abusado por um pastor, me ajoelhei a Cristo o que me trouxe alguma calma para enfrentar tudo isso. Em minhas orações, o que mais repito é que estou cansado, que preciso de descanso.

18. 2124

O ano é 2124. O mundo está dominado por um poder sombrio. As questões ambientais foram negligenciadas, deixando um planeta à beira do colapso. Os oceanos estão saturados de plástico, e o crime organizado se tornou a verdadeira força governante. Políticos, corporações e forças de segurança são apenas marionetes nas mãos de cartéis poderosos, que controlam até a economia global. O crime organizado não apenas influencia a política, ele a molda… 2124 parece um romance futurista distópico, mas é a minha História de vida de 1992 a 2024 no Brasil. A estratégia que elaborei culminou na prisão do ex-deputado José Geraldo Riva, durante sua candidatura ao Governo do Estado do Mato Grosso em 2014, sua prisão impediu um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Mesmo possuindo provas contra outros políticos do crime, sei que sofrerei retaliações até o fim da minha vida.

Minhas experiências moldaram completamente a forma como vejo o mundo, forçando-me a encarar realidades profundas e complexas que poucos podem entender. É um percurso

sinuoso, marcado por situações que se entrelaçam, empurrando-me para um espaço onde a percepção da verdade se torna distorcida e inquietante. O mais perturbador é que, apesar de ter tido muitas pessoas próximas, não há ninguém no mundo que conheça a totalidade da minha jornada.

Meu nome é Bruno Galdino Pinheiro, para minha família sou louco, esquizofrênico clássico. Para outros, sou um peão de rodeio, atleta extremo, morador de rua, produtor de grandes eventos, lobista, construtor, hippie mochileiro, motociclista insano, ultramaratonista, piloto de manobras, escalador montanhista, drogado, pesquisador, triatleta, vagabundo, agente de inteligência estratégica e vários outras faces. Tudo isso foi necessário para controlar o caos que me impuseram, encontrar a minha justiça e dominar a espiral de destruição à qual fui condenado pelo prejuízo que causei.

Esse texto é um relato apressado e sucinto da minha História, meu tempo parece cada vez mais curto, pouco acesso a tecnologia por estar em situação de rua, e uma série de dificuldades que me impedem de detalhar essa História. Desenvolvi estudos no campo da psicologia, psiquiatria, nutrição e epigenética, meu computador hackeado me impossibilitou de publicar esses estudos. Um conhecimento que se perderá. Eu fiz o que pude.

19. Epílogo do Destino.

Apesar de estar com fome, estressado, sem dormir direito há meses, todo machucado, e convivendo diariamente com pessoas que me ameaçam, a ideia de suicídio que me acompanhou por mais de 14 anos devido à depressão não me permeia mais pelo menos, não pelo aspecto emocional. Mas, por mais que eu lute, fuja e pense em soluções absurdas, parece que a única saída é me render ao plano inicial do crime: me matar. É como se, no fundo, estivesse predestinado, como se não importasse que caminhos eu tomasse, todos me levariam ao mesmo ato final; o suicídio. É uma sensação de estar preso a um destino inescapável, como se todo o esforço fosse apenas uma resistência inútil contra algo já determinado. A luta não é só contra as ameaças inevitabilidade desse desfecho. No fundo, sinto que estou lutando contra meu próprio destino, morrer pelas minhas próprias mãos

20. Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

A mesma estratégia que usei contra o ex-deputado José Geraldo Riva em 2014, no Estado do Mato Grosso, foi utilizada nas eleições presidenciais de 2018, culminando na prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. A única forma de vencer Lula era colocá-lo no cárcere. Apesar de a Operação Lava Jato ter algum fundamento jurídico, a prisão de Lula foi arbitrária.

Além da prisão, uma forte estrutura de disseminação de informações em massa impediu uma revolta popular e também a ascensão da oposição. Um sistema de marketing criado durante a ditadura e reproduzido no Mato Grosso, que foi aprimorado pelo crime organizado para essa função: o Comitê da Maldade online.

Durante a ditadura militar no Brasil, Augusto Boal, diretor de teatro, resolveu combater o regime ao seu modo. Em um país dominado pela censura, Boal treinava atores para assumirem papéis na sociedade, pessoas que usavam o argumento para plantar a semente contra o sistema imposto. Esses atores se infiltraram em sindicatos, órgãos públicos, bares, fábricas e, com uma técnica sutil, incitavam a sociedade contra o regime militar.

A mesma estratégia de Boal foi amplamente utilizada no Mato Grosso, de 2004 a 2014, para contribuir com a eleição de prefeitos, vereadores, deputados e governadores. A suposta autenticidade e veracidade defendidas pelos atores permitia um crescimento orgânico. Poucos atores podiam cobrir grandes centros urbanos por meio de suas performances disfarçadas em linhas de ônibus, aumentando a disseminação.

A suposta autenticidade gerava reações sinceras, diferentes de pesquisas convencionais, possibilitando retornar aos candidatos feedbacks precisos, que eram utilizados para direcionar melhor os discursos, propostas, focos de ação das equipes de marketing e até da jurídica. Eu estava lá, era um dos responsáveis por transformar esses feedbacks em dados quantitativos, aumentando a precisão.

Já havia processado dados para a Secretaria de Ciência e Tecnologia, além de ser um entusiasta político. Defendia que a internet iria dominar o setor em poucos anos e avaliava que o ponto de convergência seria entre 2015 e 2019, período em que os smartphones se tornaram um objeto popular, alcançando os maiores currais eleitorais.

Entendi que o mesmo princípio utilizado por Boal — colocar pessoas para disseminar

informações — poderia ser amplamente utilizado nas redes sociais e aplicativos de mensagem, de forma muito mais simples e com um alcance maior. A infiltração foi substituída por pessoas pagas para divulgar informações políticas em seu próprio meio social, por meio de grupos e redes de amigos, fomentando discussões pagas e disseminando informações falsas. A autenticidade era absurda devido à confiança dada à rede de amigos. Os feedbacks eram avaliados por grandes equipes, 24 horas por dia, possibilitando a construção e alimentação diária de discursos que atacavam no medo de uma população inteira, dissociando conceitos de ética, moralidade e justiça. O fato de Lula estar preso à época possibilitou essa ascensão. Todo esse processo, isolado, parece inofensivo, mas, junto com uma corrida jurídica que caracterizou Lula como corrupto, foi a maior estratégia de marketing eleitoral feita pelo crime organizado para eleger seu segundo presidente. Aplicativos de mensagem criptografados como WhatsApp e moedas online contribuíram para esse processo, encobrindo dados. Eu previ e enxerguei todo o processo acontecer em grande e em pequena escala.

Marielle Franco morreu por entender parte das informações que coletei desde 2008. É por isso que investiram tanto em minha insanidade, para que meu conhecimento se tornasse nulo. Só estou aqui porque meu inimigo teme minha morte, mas não sei até quando. Afinal, governos mudam, pessoas trocam de lugar, mas o ódio de meus inimigos ficará vivo por décadas. No fundo, não importa. Estou muito cansado e preciso descansar.

21. Acorrente melhor os Monstros que Criam.

Eu sou fruto do meu inimigo. Todos os traumas que sofri me levaram a lutar contra o crime a meu modo. Me tornei um homem incontrolável lutando contra uma força imparável. Tomem cuidado, porque os monstros que vocês criaram estão despertando. Minha história é apenas uma entre tantas, lutei por aquilo que é certo. O fato de não me importar com minha vida me fez ir longe para garantir que ninguém mais tenha que passar pelo que eu passei, infelizmente não obtive sucesso, eu sou apenas um, mas muitos como eu surgirão

22. Preciso de ajuda

Atualmente, estou passando por dificuldades. Além das ameaças veladas que me impedem de sair das zonas centrais, minha família e amigos se tornaram ameaças. Tenho medo de apresentar um currículo e que alguns dos meus ex-patrões comuniquem minha família, resultando em uma internação psiquiátrica forçada. Tenho tentado dormir em albergues, onde sou ameaçado de forma velada, e o fato de o crime organizado ser extremamente criativo me coloca em uma situação de vulnerabilidade. Vivo do Bolsa Família, preciso de tratamento médico para minhas lesões, de advogados, de um ambiente onde possa descansar efetivamente, alimentos e um kit de fuga de prontidão caso precise me deslocar rapidamente, quem puder me ajudar, essa é minha chave Pix: pinheirogaldino4@gmail.com Também é uma forma de se comunicar comigo.

23. Reflexo do Processo, o Ódio se tornou Amor

Não é insano dizer que amo meus inimigos e que estou aprendendo a odiar seus amigos e irmãos? especialmente considerando a complexidade de minhas circunstâncias. A linha tênue entre amor e ódio pode se tornar ainda mais embaçada quando se enfrenta traições e manipulações profundas. Minha reflexão é um retrato do conflito interno que emerge quando aqueles em quem confiamos se tornam cúmplices, mesmo que inconscientemente, de nossa dor.

Quando decidi entrar nesse caos em busca de justiça, sabia que perderia tudo. Com a consciência já prejudicado por um desastre químico, percebi que lutar incessantemente por dinheiro seria em vão. Então, depositei minha energia em amizade e confiança, acreditando que, ao servir, seria servido. Servi o mesmo homem em seus negócios e na política por anos por um valor muito menor. Servir aos meus irmãos até onde pude, ei meu cão de guarda para proteger meu irmão quando não pude mais cuidar dele. Assumi dívidas que ainda carrego para que minha irmã pudesse fazer ballet, acreditando que isso a ajudaria a desenvolver corpo, mente e laços sociais. Ao fazer isso, também servi aos meus pais. Acreditei que esses gestos fortaleceriam o vínculo familiar e garantiriam que estivessem comigo no final.

Entretanto, meu inimigo arquitetou meu isolamento de forma cirúrgica, tentando me fazer odiar aqueles que um dia foram meus amigos e irmãos. Vejo meus irmãos como enganados e perdidos. O tempo e o dinheiro que gastei com amigos e familiares fazem muita falta, especialmente agora que estou na rua. Mesmo assim, não consigo odiar meus amigos e irmãos; em vez disso, me odeio por ter errado na estratégia. Paradoxalmente, o fato de amar tudo o que admiro me faz amar meus inimigos pela inteligência e empenho que dedicaram à minha destruição. Agradeço a eles, pois a magnitude e a capacidade de meus inimigos, somadas à falta de escrúpulos, me fazem acreditar que não há quem possa me defender. Um país ao meu lado poderia ser destruído pela força do crime.

Esse fato me levou à consciência de que preciso de Deus, pois somente Sua força pode me proteger e salvar. Meus inimigos me presentearam com uma fé inabalável – o presente que, ironicamente, me mantém vivo.

Intoxicado por corticóides receitados pelo meu ex patrão, o médico Dr. Paulo Isau Sassaki Neto, entrei em um surto psicótico. Durante esse período, fui atendido pela Dra. Luísa Forti Stuchi, que havia sido recomendada por ele. No entanto, ela não me questionou sobre o uso de

24. Operação Cavalo de Turin

medicações. Fui então internado no Espaço Clif, no Rio de Janeiro, onde novamente não fui questionado sobre as medicações que estava utilizando.

Durante minha internação, conheci uma mulher que estava lá contra a sua vontade, por ordem de seu marido, um grande traficante. Ela me confidenciou que estava sendo mantida internada porque havia pedido o divórcio. Quando sugeri que ela fugisse para outro país, ela disse que escapar dele seria impossível.

Uma semana após sair do Clif, tentei me suicidar pulando de uma torre de sinal. A Dra. Luísa me receitou Haldol, uma medicação que me fez perder a capacidade de articular palavras. Ao perceber o impacto devastador, decidi parar com todas as medicações. Com o tempo, comecei a recuperar a memória e parte da minha consciência.

Continuei trabalhando para o Dr. Paulo e, aos poucos, percebi que estava envolvido em uma teia complexa. Em 2017, após ouvir rumores sobre a participação do crime organizado nas eleições presidenciais, decidi ir ao Rio de Janeiro para investigar o tamanho dessa influência.

Quando retornei a Cuiabá, no início de 2018, já havia me tornado uma pessoa desacreditada, graças à manipulação que o crime organizado havia realizado com minha família, amigos e contatos na política. Em 2021, uma "amiga" me vendeu haxixe adulterado, o que me levou a um novo surto. Acabei sendo internado na clínica Granjimmy, na Chapada dos Guimarães, onde sofri ampla negligência. Fui medicado por um terapeuta chamado Garça, que não tinha formação médica ou de enfermagem. Durante as consultas subsequentes, o médico responsável nem sequer me cumprimentava, apenas seguia o que o terapeuta sussurrava em seu ouvido. Lá sofri abuso sexual de outro terapeuta, Marcelo, também de outro chamado Alex. Posteriormente descobri a ligação do dono, Fernando, e de seus terapeutas com o crime organizado. Tentei falar com a minha família sobre isso, mas não obtive ajuda. Fiquei lá o suficiente para perder minha carreira de atleta e meu amor pela vida em si. A ideia era clara, me levar ao suicídio, a insanidade ou ambos.

Fui vítima de trabalho escravo no sítio Terra Zen em Viamão, propriedade do Gilberto Maris Junior. Um narcisista que mexia com meu psicológico, sobrecarregava minhas funções e fazia com as pessoas ao redor não percebessem. Johnson Beulk atuava me investigando, criando intimidade, enquanto preparava a droga que me levou ao surto em dezembro de 2023. Várias outros estão envolvidos, assim como minha amiga Maria, mas não luto contra perros, minha batalha sempre será com os grandes.

Apesar do desmantelamento psicológico, desastres químicos que me impuseram, drogas adulteradas especialmente para mim, manipulação da minha família e amigos, isolamento e pobreza que me impuseram. A operação que o crime organiza e executa desde 2015, e têm falhado miseravelmente até agora. Mas estou muito cansado, preciso descansar.

Ao abordar figuras públicas e profissionais em meu livro, é essencial entender as implicações legais envolvidas. As alegações de calúnia, difamação e injúria podem acarretar sérias consequências jurídicas.

A pena para calúnia pode variar de 6 meses a 2 anos de detenção. Para difamação, a pena é de 3 meses a 1 ano, e para injúria, de 1 a 6 meses, podendo chegar a 3 anos em casos de injúria qualificada. Se considerarmos o máximo de cada pena, a detenção total poderia somar cerca de 7 anos.

Além das penalidades criminais, posso enfrentar processos civis para compensação financeira por danos morais, o que pode resultar em indenizações substanciais. Caso alegue insanidade, e essa alegação seja confirmada, posso ser sujeito a medidas de segurança, como a internação em um hospital psiquiátrico, ao invés de uma pena de prisão, podendo essa internação durar indefinidamente.

Ir para a cadeia poderia significar ser intoxicado por medicações, e, caso minha insanidade seja declarada, ser internado e submetido às mesmas substâncias que foram usadas contra mim no passado, durante o abuso. Seria como reviver meu maior pesadelo, experimentando novamente a vulnerabilidade extrema, como se esse ciclo de sofrimento fosse inevitável.

Mesmo diante dessas possíveis penalidades, é imperativo que a verdade seja dita. A verdade é um pilar fundamental para a justiça e a integridade, independentemente dos altos custos pessoais envolvidos. Meu compromisso com a verdade é profundo e inabalável. Estou ciente de que revelar os fatos pode levar a uma série de desafios legais e pessoais.

Enfrentar a dureza da vida tem sido uma constante em minha jornada, com ameaças de coerção e manipulação buscando me levar ao limite e induzir ao suicídio. A prisão ou internação, em qualquer forma, seria apenas mais uma ação desse sistema para me silenciar e esmagar minha resistência.

Estou plenamente consciente das implicações legais e estou disposto a pagar o preço por revelar a verdade. A luta pela justiça e pela integridade é o que me move, mesmo diante das ameaças e das severas consequências que possam surgir.

25. Clube da Luta

Assim como Tyler Durden, um homem relativamente insano, criei uma estratégia insana, não para me proteger dos meus inimigos, mas para me proteger de mim mesmo. Entreguei diversas provas, ligadas a vários políticos, e a ordem foi clara: as provas só chegariam às autoridades em caso de morte por assassinato. Parece drástico, mas não poder ter acesso a

essas provas me previne de um sequestro ou algo do gênero, onde poderia ser torturado até entregar tudo. As pessoas a quem entreguei essas provas têm uma característica comum: disciplina e capacidade de executar ordens absurdas. A segurança nisso me ajudou durante muitos anos, mas impossibilitou que eu adquirisse provas para anexar em um processo contra outro ex-deputado, também peça-chave para lavagem de dinheiro do crime organizado no Mato Grosso. Felizmente, consegui restabelecer comunicação com dois detentores dessas provas, expliquei todo o processo de tortura psicológica que sofri e consegui alterar a ordem, com muita relutância. Surtos não esclarecidos, ou uma corrida judicial para me levar a uma clínica para me internar são agora o gatilho para as provas serem encaminhadas ao Ministério

Público Federal, e outros órgãos competentes. Mesmo assim, ainda tenho medo de ser internado por amigos e familiares.

26. A Eterna Busca Pela Razão

Vivemos em um paradoxo contínuo onde a linha entre a ficção e a realidade se dissolve diante dos nossos olhos. A tecnologia, que deveria nos aproximar da verdade, se torna o véu que nos separa dela. As telas, de celulares, TVs e computadores, não são apenas ferramentas de distração — são janelas para um mundo moldado, distorcido, onde a verdade é diluída e nossas percepções são anestesiadas.

Nosso próprio cérebro, um complexo órgão biológico, trabalha incessantemente para nos proteger da realidade crua. O mundo se tornou tão brutal, tão corrosivo, que nossas mentes escondem as verdades mais dolorosas para nos poupar do impacto emocional. A tecnologia intensifica isso, nos entregando realidades pré-fabricadas, confortáveis e facilmente consumíveis.

Mas será que estamos cientes de quão ínfima nossa percepção realmente é? O que vemos é apenas uma fração minúscula do que realmente acontece ao nosso redor. Envoltos em ilusões digitais, perdemos a capacidade de questionar o que é real e o que é ficção. O que resta da nossa capacidade de ver o mundo como ele realmente é? Será que, ao buscar refúgio nessas telas, não estamos nos tornando prisioneiros de uma realidade falsa, criada para nos manter entorpecidos e complacentes?

O entorpecimento de amigos, aliados e familiares muito bem construído por um trabalho intenso do crime organizado me levou ao ponto que estou hoje. Isolado na minha razão. A maior arma do crime contra mim foi entender que para minha família, a razão baseada em um ego grande e conhecimento científico pequeno, estaria acima da minha própria vida, do meu bem estar. E que por mais que eu estude, aplique eu nunca terei voz.

27 A Estratégia que Me Aproxima: Revelações para Blindagem e Defesa

Quanto mais as pessoas souberem quem sou e o que fiz, mais proteção terei contra ações de

terrorismo psicológico que possam surgir.

Em 2014, fui convidado pela assessora de Pedro Taques, Paolla Reis, para atuar como mobilizador da juventude do PSD. Naquele período, recebi a informação de que o PSD não seria de Taques, mas sim de José Geraldo Riva. Orientei Paolla a aconselhar Taques a recuar na troca de partido, alertando que o flerte com o PSD era uma armadilha da oposição. Argumentei que focar na mobilização da juventude seria inútil, considerando que se tratava de um curral eleitoral pequeno e de baixa influência. Disputar com Riva na mobilização seria inviável, já que ele tinha uma presença forte no interior e a capacidade de resolver problemas para seus eleitores era estratosférica, devido à sua conexão com o poder paralelo. A ética de Taques não conseguiria competir com o populismo de Riva.

Expliquei que a única maneira de conter Riva seria a prisão. Apesar de seu histórico de corrupção aceito pela população, Riva sabia gerenciar crises, mas a prisão se tornaria o símbolo que o caracterizaria como corrupto. Detalhei as blindagens jurídicas de Riva, sugerindo que fossem levados os processos corretos aos juízes e procuradores adequados. Recomendei que a prisão ocorresse durante o período eleitoral, pois não haveria tempo para gerenciar a crise, mesmo com os recursos a ampla gama de recursos disponíveis para Riva.

Paolla me deixou aguardando na sala de reuniões do gabinete de Taques,na avenida do CPA, enquanto foi à sala dele para discutir a questão do PSD e minha visão para a campanha. Ao retornar, parecia assustada. Embora a estratégia pudesse parecer arbitrária, estava bem fundamentada. Não posso afirmar que Taques e Paolla fizeram lobby para a prisão de Riva, pois não mantive contato depois de apresentar a estratégia. No entanto, os eventos aconteceram exatamente como planejei. Considero Taques e Paolla pessoas idôneas, Paolla inclusive inocente demais. Ela tinha consciência de que, se utilizassem minha estratégia contra Riva, estariam agindo dentro das margens da lei.

Não cobrei nada pela estratégia apresentada, uma vez que Riva era meu alvo ético. Nunca conheci pessoalmente Taques; minha intenção era permanecer nas sombras. Pedi apenas um favor a Paolla, informando que poderia precisar de algo no futuro. Sabia que, se alguém descobrisse que eu era o mentor da estratégia que resultou na prisão de Riva, a retaliação seria imensa.

Tentei contato com Paolla no início de 2018 e novamente no início de 2024, mas não obtive sucesso. A informação que recebi foi de que ela foi manipulada para não me ajudar, mas não considero uma fonte segura. Também tentei contato direto com Taques, mas sem sucesso. A corrida processual que ele vem enfrentando nos últimos anos, repleta de delações com fundamentações jurídicas fracas, parece ser uma vingança que Riva encontrou. Acredito que a falta de contato comigo seja uma forma de proteção, mas ainda busco apoio de ambos e de outras pessoas. Qualquer ajuda é bem-vinda.

Atualmente, um dos comparsas de Riva ocupa uma posição estratégica dentro do governo do estado do Mato Grosso, resultado de uma aproximação que custou milhões e requereu muita

paciência ao crime organizado. Quero ressaltar que o Governador Mauro Mendes é uma pessoa idônea, sem conhecimento do caráter desse indivíduo. Em 2008, durante sua primeira candidatura à prefeitura, infiltrei-me em sua campanha a mando da oposição. Durante essa infiltração, percebi que Mauro Mendes era um homem honesto, mas seu alto poder aquisitivo estava se tornando um caos em sua campanha, que apresentava desvios financeiros e alianças problemáticas.

Tornei-me um infiltrado ineficaz, pois não consegui levar informações relevantes à equipe que me contratou, por acreditar na idoneidade de Mauro. Anos depois, em 2012, elaborei uma estratégia para alavancar sua campanha à prefeitura. Mauro enfrentava dificuldades para se comunicar com a classe baixa, e identifiquei um vereador, Adilson Levante, que tinha forte contato com essa massa eleitoral e possuía mesmo perfil político. Propus que Mauro adotasse uma postura de espelhamento em relação a Adilson para ganhar apoio popular. Levei essa estratégia a José Antonio Rosa, um dos coordenadores de Mauro, que reconheceu a lógica da minha proposta.

Neste mesmo período, despertei a necessidade de Adilson em se aproximar da coligação, pois enfrentava questões jurídicas e rivais que compravam votos. Mostrei a ele que precisava se apoiar nas bases partidárias e no suporte jurídico da coligação. Apresentei a solução para ambos, sem que um soubesse da atuação do outro. Fiz isso por uma questão de ética, buscando reparação, já que a infiltração na campanha de Mauro em 2008 confrontou minha própria noção de moralidade. Mauro não tem ideia de que fui o autor dessa estratégia; talvez se lembre de mim de uma reunião política que promoveu no Colégio Presidente Médice.

A estratégia de compartilhar parte das minhas ações visa proteger esse figurão político do crime organizado. Ele é um ativo valioso para a organização e suas operações futuras. Se tornou minha blindagem após levar provas contra ele para o ex-senador e jornalista Antero Paes de Barros. Ameaçei que, se algo acontecesse comigo, essas provas viriam à tona. Depois de passar por todo esse processo de tortura psicológica, abri uma denúncia contra ele, mas decidi não entregar o backup que o hacker Katsuma Egoshi tentou roubar da minha nuvem. Prejudicar essa figura do estado romperia minha blindagem. Fiz várias cópias e espalhei a informação, reforçando minha proteção.

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