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Resenha MULHERES e os mistérios da segunda metade da vida

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Mulheres e o Mistério da Segunda Metade da Vida – Ingrid Riedel Resenha de Sonia Maria Bufarah Tommasi1 “Este livro é dedicado à mulher, que em sua beleza, dignidade e poder criativo, com sua capacidade de abrir mão e vencer de novo, com sua nova atitude relaxada em relação à vida, pela qual as jovens, às vezes, a invejam.” (Ingrid Riedel2)

Por meio de uma escrita envolvente e sensível, Ingrid Riedel instiga a curiosidade, especialmente do público feminino, ao provocar reflexões profundas sobre dimensões físicas, sociais, emocionais e psíquicas da existência. Logo nas primeiras páginas de Mulheres e o Mistério da Segunda Metade da Vida, a autora conduz a leitora a uma reflexão instigante sobre o que, de fato, significa a chamada “segunda metade da vida”, e em que medida ela se diferencia da primeira. A menopausa surge como um marco simbólico e concreto dessa travessia, delineando uma fronteira entre dois tempos de existência. Nesse processo, a finitude deixa de ser uma ideia distante e passa a se apresentar com maior nitidez, enquanto o corpo feminino atravessa transformações profundas. Riedel compreende a menopausa como um fenômeno biopsicossocial multidimensional, capaz de desencadear mudanças intensas, vividas simultaneamente como perda e libertação. Há, nesse momento, uma tensão entre ruptura e abertura: assusta, mas também emancipa. O tempo ganha novos contornos, torna-se mais precioso, mais consciente, e os valores se reorganizam, permitindo um novo olhar sobre si mesma e sobre a própria trajetória. Na balança simbólica da metade da vida, somos convidadas a revisitar os caminhos percorridos: reconhecer o que floresceu, elaborar o que não se concretizou e abrir espaço para aquilo que ainda pode nascer. Mais do que projetar o futuro, emerge uma pergunta essencial: quem sou eu após essa jornada? Diante dessa bagagem, surge também o desafio de ressignificá-la. Nesse movimento, podese entrar em contato com um vazio interior que, longe de representar ausência, revela-se como um espaço fértil de transformação. É a partir dele que muitas mulheres iniciam uma

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Sonia Maria Bufarah Tommasi, Psicóloga. Arteterapeuta. Musicoterapeuta. Mestre em psicologia da saúde. Especialista em psicologia analítica. Doutora em ciências da religião. Autora de livros de Psicologia Analítica, Arteterapia e Ética.

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Ingrid Riedel (9, Jan. 1935, Schweinfurt, Alemanhã) psicoterapeuta, analista junguiana em Konstanz, estudou Teologia Evangélica e Literatura/Germanística na Universidade de Erlangen-Nürnberg. Em seguida, aprofundouse em Psicologia Analítica no C.G. Jung-Institut Zürich. Autora das obras “A mulher sábia: O arquétipo da sábia anciã em contos de fadas, nos sonhos e na história da religião” e “A Descoberta Do Mundo Interior”.


Mulheres e o Mistério da Segunda Metade da Vida – Ingrid Riedel busca mais profunda por sentido, voltando-se para a espiritualidade e fortalecendo a conexão consigo mesmas. Como propõe a autora, trata-se de um processo de reconciliar-se consigo mesma, um verdadeiro “casamento interior”. Riedel convida a compreender os sintomas da menopausa como símbolos expressos pelo corpo, sinais que orientam o caminho para uma nova fase da vida e para a construção de uma nova identidade. A mulher amadurecida, que emerge nesse período, desenvolve uma visão de mundo mais ampla, com menor apego ao material e maior enraizamento em si mesma, sem perder seu centro nos relacionamentos afetivos. A introspecção e a intuição se aprofundam, conduzindo ao encontro com o mundo interior e despertando o interesse por conhecimentos mais profundos e caminhos alternativos de cuidado. Há, nesse processo, um convite ao desapego de papéis antigos e à reconexão com a própria essência. O corpo deixa de ser visto apenas sob a ótica da perda e passa a ser reconhecido como um mensageiro sábio, que pede escuta, pausa e transformação. É um tempo de recolhimento fértil, no qual os silêncios se tornam reveladores e as escolhas passam a refletir, com mais autenticidade, aquilo que faz sentido para a alma. Surge, então, uma presença mais consciente, firme e serena, uma mulher que já não busca provar algo ao mundo, mas viver com verdade, propósito e inteireza. Os sonhos e mitos apresentados ao longo da obra ampliam essa jornada, revelando que não estamos sós, mas pertencemos a um coletivo feminino que atravessa experiências semelhantes. Reconhecer a finitude e elaborar os lutos pelas perdas físicas, emocionais e profissionais não configura um fim, mas um processo de renascimento, um convite para permitir que aflorem a sabedoria, a paciência e a harmonia cultivadas ao longo da vida. Nesse sentido, o mito de Inanna simboliza de forma profunda essa travessia: a descida ao submundo, o encontro com a própria sombra, representada por Ereshkigal, e a possibilidade de retorno transformado. É ao integrar luz e escuridão que a mulher se torna plena, inteira. Com essa poderosa imagem simbólica, Ingrid Riedel encerra a jornada proposta em sua obra, deixando ao leitor um convite sensível e transformador: É na travessia pela própria escuridão que a mulher reencontra sua luz mais inteira e verdadeira. A coragem de descer às próprias profundezas revela uma força transformadora, e este livro é o convite para essa travessia.


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Resenha MULHERES e os mistérios da segunda metade da vida by FranciscoPriscoNeto - Issuu