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ORSIES
EM REVISTA
#4 · Setembro · 2024
Jornadas ORSIES 2024 No passado dia 18 de Abril, nas instalações do ISCSP tiveram lugar as Jornadas ORSIES, dedicadas à reflexão em torno dos temas emergentes de responsabilidade social e sustentabilidade. O dia iniciou-se com uma mesa redonda inspiradora, com a presença professoras Ana Esgaio (ISCSP), Fernanda Rollo (Universidade de Lisboa) e Helena Gonçalves (Católica Business School do Porto). As oradoras partilharam com os participantes a sua visão sobre os novos desafios da responsabilidade social.
ditação e que contribuam para o desenvolvimento de competências, não apenas académicas mas, igualmente, cívicas. Outro dos temas que ganhou, nos últimos tempos, especial acuidade é a Governação. Helena Gonçalves desafiou-nos a pensar nas IES como organizações complexas que devem integrar a Responsabilidade Social e a Sustentabilidade no seu modelo de governo e encontrar uma estrutura de funcionamento que garanta o respeito pelo enquadramento normativo, cada vez mais exigente e que promova uma cultura ética e a transparência.
Ana Esgaio falou-nos da importância de acrescentar uma perspetiva de sustentabilidade e de alinhar os conteúdos do Livro Verde com as mais recentes tendências de ESG e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Sublinhou a relevância do documento construído pelo ORSIES, mas que a evolução sofrida nos últimos anos exige uma atualização concetual e uma reflexão sobre a relevância da dimensão ambiental e o papel determinante das IES neste domínio. Questionada sobre a importância da dimensão cultural para as IES e como este tema pode enquadrar-se na Responsabilidade Social, Fernanda Rollo foi assertiva na defesa de uma perspetiva transversal que garanta a presença da cultura em todas as dimensões da vida académica, no campus e na relação com a comunidade envolvente. Foi clara a necessidade de refletir sobre a relação entre cultura e ciência e investir em práticas promotoras da diversidade, de preservação da identidade e do património. A abordagem da cultura como elemento estruturante da Responsabilidade Social exige planeamento de práticas culturais consistentes e suscetíveis de acre-
Este grande chapéu da ética organizacional, requisito incontornável para a implementação de um dos pilares centrais do ESG – a governação desdobra-se em várias frentes, todas elas complexas e desafiantes. A palestrante referiu a acuidade de tópicos como a igualdade de género, a conciliação trabalho/família, a prevenção do assédio e da corrupção, assuntos que cada vez mais determinam uma tomada de posição sólida por parte das IES. E deu particular destaque à mais recente preocupação em matéria de gestão organizacional no domínio da ética, a criação de um sistema de whistleblowing e de prevenção da retaliação no contexto do ensino superior, de modo a que as IES sejam territórios éticos e límpidos, em que os processos sejam escrutináveis e escrutinados, sem receio de consequências. Estas intervenções, profundas e muito pertinentes, foram o ponto de saída para a continuação de um pensamento crítico e construtivo, desenvolvido em quatro grupos de trabalho durante o resto das jornadas e cujas ricas conclusões darão origem nos próximos tempos à construção de publicações temáticas elaboradas colaborativamente. Paula Guimarães
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