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Guia do Ensino Profissional 2026

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2026/2027

GUIA DO ENSINO PROFISSIONAL

Tudo o que precisas para ingressar no Ensino Profissional


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O ensino profissional já não é “plano B”. O que dizem os números em Portugal

Guia do Ensino Profissional Edição 2026/2027 Telefone 218 854 730 E-mail geral@forum.pt DIREÇÃO Gonçalo Gil goncalo.gil@forum.pt DESIGN Miguel Rocha miguel.rocha@forum.pt FOTOGRAFIA ChatGPT, Magnific REDAÇÃO Fábio Rodrigues - Editor fabio.rodrigues@forum.pt PUBLICIDADE Félix Edgar felix.edgar@forum.pt COMUNICAÇÃO&DISTRIBUIÇÃO Vítor Silva vitor.silva@forum.pt

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Gerência Rui Marques Gonçalo Gil Félix Pinéu

Em Portugal, dados recentes mostram não só um crescimento das vias profissionalizantes, como também uma mudança na forma como é encarada pelos vários agentes envolvidos e por políticas públicas aplicadas. Sabe tudo aqui.

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Rumo ao nível 4! Tudo sobre dupla certificação

Os cursos de dupla certificação são uma forma de garantires uma formação prática e adequada ao mercado de trabalho enquanto avanças com os teus estudos. Sabe tudo aqui!

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O que significa “entrada rápida no mercado”?

Devido à maior ligação ao mercado de trabalho, os cursos profissionalizantes oferecem várias vantagens no momento de transição para o mundo do emprego. Conhece aqui todas as mais-valias.

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Conhece a via de acesso ao superior para alunos do Profissional Sabias que os estudantes do Ensino Profissional têm uma via de acesso ao Ensino Superior alternativa ao Concurso Nacional de Acesso? Sabe tudo aqui.

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O que é uma PAP?

Num curso profissional, como em todos os cursos, tens de mostrar o sabes. Contudo, num curso profissional a prova não envolve apenas canetas ou folhas de exame. Antes, terás de executar, do início ao fim, um projeto pessoal: da criação da ideia até à defesa perante um júri. Bem-vindo ao mundo da PAP (Prova de Aptidão Profissional).

Tudo sobre o momento da Formação em Contexto de Trabalho

A Formação em Contexto de Trabalho (FCT), vulgarmente reconhecida como o período de estágio, constitui um momento central do Ensino Profissional em Portugal. Este momento não se resume a uma experiência prática isolada, mas sim a uma componente de formação obrigatória e estruturante, cujas normas estão detalhadas na Portaria n.º 235-A/2018.

As soft skills que o Ensino Profissional desenvolve e que as empresas valorizam

Os números falam por si: os jovens que passam pelo ensino profissional entram mais rápido no mercado de trabalho, ficam mais tempo empregados e chegam às empresas com competências que nenhum software consegue substituir. Parte desta explicação está nas competências transversais ou soft skills desenvolvidas, que são complementares ao saber técnico adquirido.

Proximidade entre escolas e empresas no Ensino Profissional

Em Portugal, 74% dos alunos do Ensino Profissional passam por uma empresa antes de terminar o curso. Na Europa, quase 90% das empresas abrem as portas a jovens em formação. Os números contam uma história de aproximação crescente entre empresas e instituições que ministram cursos profissionalizantes. Sabe tudo aqui. ed. 2026/2027 | guia do ensino profissional | desde 2010 | 3


O ensino profissional já não é “plano B”. O que dizem os números em Portugal Em Portugal, dados recentes mostram não só um crescimento das vias profissionalizantes, como também uma mudança na forma como é encarada pelos vários agentes envolvidos e por políticas públicas aplicadas. Sabe tudo aqui.

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No ano letivo de 2023/2024, cerca de 58.528 novos alunos ingressaram em cursos profissionais, segundo dados divulgados pelo PESSOAS 2030. Em paralelo, estavam em funcionamento cerca de 4.157 turmas em escolas de todo o país, abrangendo áreas muito diversas, desde indústria e tecnologia até serviços, comércio, transportes, agricultura, turismo e ambiente. Esta abrangência evidencia uma oferta formativa mais ajustada às necessidades reais da economia e dos diferentes territórios. «[...] dados recentes mostram não só um crescimento desta via, como também uma mudança na forma como é encarada pelos vários agentes envolvidos e por políticas públicas aplicadas» Um dos elementos mais relevantes para compreender esta evolução é o modelo de dupla certificação. O ensino profissional permite concluir o ensino secundário (12.º ano) e obter simultaneamente uma qualificação profissional reconhecida na União Europeia. Na prática, isto significa que os alunos saem com competências técnicas específicas e maior facilidade de entrada no mercado de trabalho, sem que isso impeça a continuação de estudos no ensino superior ou em formações pós-secundárias. Esta flexibilidade tem sido determinante para aumentar a atratividade da via profissional. A evolução não se explica apenas pela procura dos alunos, mas também por mudanças estruturais na política educativa. A diversificação da oferta no ensino secundário e o alargamento

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da escolaridade obrigatória até aos 18 anos contribuíram para reduzir o insucesso e o abandono escolar, colocando Portugal com indicadores próximos ou comparáveis aos da média da União Europeia. Neste contexto, o ensino profissional passou a ser integrado como parte central do sistema educativo, e não como uma alternativa secundária. Outro fator relevante é a forma como os cursos são planeados. A sua criação resulta de um processo de articulação entre agrupamentos escolares, autarquias, comunidades intermunicipais e o Ministério da Educação, procurando ajustar a oferta às necessidades económicas e sociais de cada região. Por fim, o enquadramento financeiro europeu também tem tido um papel decisivo. No período de programação 2021-2030, o programa PESSOAS 2030 apoia a via de dupla certificação nas regiões Norte, Centro e Alentejo, no âmbito da prioridade “Mais e melhor qualificação inicial para crescer”. O objetivo passa por apoiar cerca de 414 mil jovens até 2030, com uma meta de, pelo menos, 65% de empregabilidade ou prosseguimento de estudos após a conclusão da formação. Em conjunto, estes fatores explicam a mudança de perceção em curso: o ensino profissional deixou de ser encarado como um percurso alternativo de menor valor e passou a ser entendido como uma via estruturada, com forte ligação ao mercado de trabalho, mas também com continuidade académica garantida.

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números O Ensino Profissional em

40%

Ao longo das últimas duas décadas, o ensino profissional em Portugal deixou de ser uma alternativa marginal para se afirmar como um pilar essencial do sistema educativo. A viragem deu-se em 2006 e os resultados são concretos. A percentagem de alunos do secundário em cursos profissionais passou de 28% em 2000 para cerca de 40% em 2023.

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70%

De acordo com dados da DGEEC (DireçãoGeral de Estatísticas da Educação e Ciência), a taxa de conclusão dos cursos profissionais no tempo esperado aumentou progressivamente, desde os 53% em 2014/15 até aos 71% em 2021/22, tendo diminuído ligeiramente 1 ponto percentual para os 70% em 2022/23 — representando globalmente um acréscimo de 17 pontos percentuais.


75%

A taxa de empregabilidade dos alunos portugueses nos seis meses seguintes à conclusão de um curso profissional ronda os 75%. Além disso, no campo do empreendedorismo, os dados são promissores: a criação de empresas, sobretudo sociedades, aumentou nas áreas ligadas aos cursos, entre três e cinco anos após a conclusão.

1,5 mil milhões No plano do financiamento, o principal programa temático do FSE+ — PESSOAS 2030 — inclui uma dotação de cerca de 1,5 mil milhões de euros para operações de formação profissional, com uma meta de 366 000 participantes até 2029. Esta será uma verba fundamental para responder aos desafios da transição digital, da escassez de mãode-obra e da coesão territorial.

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Rumo ao nível 4! Tudo sobre dupla certificação

Os cursos de dupla certificação são uma forma de garantires uma formação prática e adequada ao mercado de trabalho enquanto avanças com os teus estudos. Sabe tudo aqui!

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O que são cursos de O que é o Quadro dupla certificação? Nacional de Os cursos de dupla certificação Qualificações garantem ao estudante permitem (QNQ)? garantir, simultaneamente, a conclusão do ensino secundário e a preparação para uma profissão. Estes são cursos que oferecem uma qualificação de nível 4 do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ), tornando claro que o diplomado possui uma formação profissional em determinada área. Por essa razão, a implementação do QNQ permitiu distinguir as opções profissionalizantes da conclusão de um curso de científico-humanísticos (nível 3). No total, há quatro tipos de cursos que podem garantir esta dupla certificação. No nível 4 enquadramse ainda cursos do ensino secundário vocacionados para o prosseguimento de estudos e que incluem um estágio profissional de pelo menos seis meses.

Introduzido há 10 anos, o Quadro Nacional de Qualificações veio apresentar uma correspondência entre a conclusão de uma formação e a sua respetiva qualificação. Esta ligação teve por referência o Quadro Europeu de Qualificações, de forma a que todos os empregadores europeus possam saber qual o grau de qualificação de determinado curso. O QNQ divide-se em 8 níveis, que vão da conclusão do Ensino Básico à obtenção do grau de Doutor. Em cada um destes níveis, há um conjunto de conhecimentos, aptidões e atitudes que lhe estão associados. Desta forma, torna-se claro para todos o que aprendeste na tua formação e que utilidade têm as tuas aprendizagens.

E o prosseguimento de estudos?

O ano letivo 2020/2021 marca a abertura de uma nova via de acesso ao ensino superior para diplomados de vias profissionalizantes. Este concurso especial de ingresso destina-se aos titulares de cursos de dupla certificação. Desta forma, os diplomados de cursos do nível 4 (bem como do ensino artístico especializado na área da música) podem contar com uma forma de acesso alternativa ao Concurso Nacional de Acesso. O novo concurso tem um contingente de vagas próprio e leva em conta critérios como classificação final do curso, classificação nas provas finais (PAP, PAF ou PAA) e a classificação numa prova de avaliação de conhecimentos e competências.

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Quais as opções de dupla

certificação? Caso pretendas ingressar no ensino profissional, há várias opções adequadas a diferentes perfis. Descobre tudo aqui.

#1

Cursos Profissionais

Os cursos profissionais podem ser lecionados em escolas profissionais (públicas ou privadas), bem como em escolas secundárias da rede pública. Para entrar, os estudantes necessitam de ter concluído o 9.º ano de escolaridade, sendo que o currículo se divide, ao longo de três anos letivos, em formação sociocultural, técnica e científica. Os cursos são organizados por módulos, de forma a permitir maior flexibilidade na aprendizagem dos alunos.

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#2

Cursos de Aprendizagem

Uma das principais diferenças dos cursos de aprendizagem para os cursos profissionais está no local onde são ministrados – nos centros de formação profissional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Por outro lado, o critério de entrada implica uma idade inferior a 25 anos, sendo que os cursos terão uma duração de 3700 horas. Os formandos recebem subsídio de refeição e transporte, bem como uma bolsa de profissionalização.


#3

Cursos Artísticos Especializados

Os cursos do ensino artístico especializado funcionam em estabelecimentos de ensino público, particular e cooperativo e focam-se nas áreas das artes visuais, dança, música e audiovisuais. São indicados para estudantes que procuram uma forma de desenvolver as suas aptidões ou talentos artísticos. O foco está na preparação para exercer a profissão, mas também para o prosseguimento de estudos a nível superior. Os cursos na área da Música são os únicos que não conferem dupla certificação.

#4

Cursos de Educação e Formação

Os Cursos de Educação e Formação – conhecidos como CEF – abrangem vários várias tipologias e certificações escolares, sendo que alguns (níveis 5, 6 e 7) permitem obter uma dupla certificação. Lecionados em escolas públicas e privadas, bem como centros de formação profissional do IEFP e outras entidades formadoras acreditadas, estes cursos destinam-se aos estudantes com idade igual ou superior a 15 anos.

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O que é uma PAP?

Num curso profissional, como em todos os cursos, tens de mostrar o sabes. Contudo, num curso profissional a prova não envolve apenas canetas ou folhas de exame. Antes, terás de executar, do início ao fim, um projeto pessoal: da criação da ideia até à defesa perante um júri. Bem-vindo ao mundo da PAP (Prova de Aptidão Profissional).

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De acordo com a legislação que regula estas provas, a tua PAP pode ser física (por exemplo, um novo gadget) ou conceptual (o desenvolvimento de uma empresa, por exemplo). De igual forma, o teu trabalho deve ser consolidado numa “intervenção ou numa atuação, consoante a natureza dos cursos”. Durante este processo, não estarás sozinho. Vais poder contar, ao longo do ano letivo, com o apoio e colaboração dos professores das áreas técnicas do curso. Segundo a legislação, durante a elaboração da PAP, os professores “orientam o aluno na escolha do projeto a desenvolver”, decidem se está em condições de ser apresentado ao júri e ainda auxiliam na preparação da apresentação. De igual forma, a PAP pode ser feita em equipa, desde que seja visível o contributo individual de cada

elemento. A avaliação leva em conta critérios como a concretização do projeto, a aprendizagem relevante para a inserção profissional e a qualidade e interesse da apresentação, bem como do produto para a área ou para o setor económico em causa. Existem diferenças na nomenclatura destas provas finais, de acordo com o curso de dupla certificação em que estão inseridas. Num curso do Ensino Artístico Especializado, falamos de uma PAA (Prova de Aptidão Artística). Já num Curso de Aprendizagem, os alunos fazem uma PAF (Prova de Aptidão Final). Contudo, os princípios que as norteiam são os mesmos: a avaliação da capacidade do aluno, num momento prático e perante um júri, bem como a conceção e desenvolvimento de um projeto integrado que envolva as várias competências e aprendizagens adquiridas.

As diferenças entre PAP, PAF e PAA No caso da Prova de Aptidão Final (PAF), realizada no âmbito de um Curso de Aprendizagem, apenas poderá ser feita se o formando obtiver uma classificação igual ou superior a 10 valores, no final do 3.º período de formação. Também aqui, conforme explica o IEFP, a tónica está na realização de um conjunto de atividades práticas, perante um júri constituído para o efeito. A Prova de Aptidão Artística (PAA), por sua vez, marca o final de um percurso numa formação do Ensino Artístico Especializado e consiste num projeto, desenvolvido ao longo do último ano, centrado em temas e problemas desenvolvidos durante a formação. Mais uma vez, este projeto pode ser desenvolvido em equipa, desde que seja visível e avaliável a contribuição individual de cada membro.

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Estágios no Ensino Profissional

Tudo sobre o momento da Formação em Contexto de Trabalho

A Formação em Contexto de Trabalho (FCT), vulgarmente reconhecida como o período de estágio, constitui um momento central do Ensino Profissional em Portugal. Este momento não se resume a uma experiência prática isolada, mas sim a uma componente de formação obrigatória e estruturante, cujas normas estão detalhadas na Portaria n.º 235-A/2018.

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O diploma legal define a organização e o funcionamento dos cursos profissionais, estabelecendo que a aprendizagem deve ocorrer em articulação direta com o mundo laboral, permitindo que o aluno desenvolva competências que o ensino meramente teórico não consegue suprir.

Ligação à PAP

Além da vertente técnica, o estágio é o palco principal para o desenvolvimento da Prova de Aptidão Profissional, prevista no Decreto-Lei n.º 92/2014. É comum que os desafios encontrados no dia a dia da empresa sirvam de base para o projeto final de curso, conferindo-lhe uma dimensão de aplicabilidade prática que é altamente valorizada pelos júris de avaliação. A relevância desta componente é também reforçada pelas diretrizes da ANQEP, a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, que zela para que os planos de estágio estejam alinhados com o Catálogo Nacional de Qualificações. Através desta regulação, garante-se que as tarefas desempenhadas pelo aluno na entidade de acolhimento contribuem efetivamente para o seu perfil de desempenho à saída do curso, elevando a qualidade do técnico intermédio no mercado.

Três elementos em articulação

Este processo de qualidade é monitorizado também pelo quadro de referência EQAVET, que assegura o cumprimento de indicadores de sucesso, como a taxa de conclusão e a satisfação tanto das empresas como dos jovens estagiários. O estágio resulta da articulação de três elementos: o aluno, o monitor de estágio (da empresa) e o orientador da FCT (da escola). Do ponto de vista da empregabilidade, o estágio tem como objetivo funcionar como um mecanismo de transição suave e eficaz. Dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho indicam que este contacto entre o formando e a empresa reduz drasticamente o desfasamento de competências. Ao contrário de outras vias de ensino, o aluno profissional contacta com tecnologias e metodologias de trabalho atualizadas em tempo real. Este momento acaba também por ser essencial para a vitalidade do tecido económico, permitindo que as empresas identifiquem talentos precocemente e que os jovens construam uma rede de contactos profissionais sólida.

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Cursos profissionalizantes e empregabilidade

O que significa “entrada rápida no mercado”?

Devido à maior ligação ao mercado de trabalho, os cursos profissionalizantes oferecem várias vantagens no momento de transição para o mundo do emprego. Conhece aqui todas as mais-valias.

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De acordo com o Monitor de Educação e Formação 2023, publicado pela Comissão Europeia, Portugal é um dos Estados-membros com melhor taxa de empregabilidade nos cursos de Educação e Formação Profissional (EFP): 83% dos recém-diplomados entre os 20 e os 34 anos conseguiram emprego num período de um a três anos após a conclusão da formação, valor acima da média da UE, que ficou em 79,7%.

Este é um número relevante, pois significa que, em termos comparativos europeus, o sistema português de formação profissional apresenta uma ligação relativamente eficaz entre qualificação e mercado de trabalho, sendo interessante perceber o que está por detrás deste resultado.

«Portugal é um dos Estados-membros com melhor taxa de empregabilidade nos cursos de Educação e Formação Profissional (EFP)»

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A condição: área, região e trajetória

A empregabilidade não é uniforme. Depende essencialmente de três fatores: área de formação, localização geográfica e continuidade da qualificação. Ignorar qualquer um deles leva a conclusões precipitadas. A análise sobre escassez de mão de obra em Portugal, publicada pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho em 2024, indica que o país apresenta situações de escassez de mão de obra qualitativa, circunscrita a algumas atividades e profissões, nomeadamente as associadas à transição digital e tecnológica. Setores como a eletrónica, a informática, a mecânica, a restauração e os cuidados de saúde registam procura constante por técnicos intermédios, perfil precisamente formado pelas vias profissionais. A propensão ao desemprego entre os recém-diplomados também varia consoante a região: em 2024, decresceu em quase todo o território de Portugal Continental, com a Grande Lisboa e a Península de Setúbal a apresentarem os menores riscos de desemprego, abaixo dos 2%. Isto significa que o mesmo curso pode ter resultados de empregabilidade muito diferentes consoante o mercado local onde o jovem procura trabalho. O terceiro fator, a continuidade da qualificação. A dupla certificação permite que os formandos obtenham simultaneamente um diploma de ensino secundário e uma certificação profissional, o que não só aumenta a sua empregabilidade imediata, como incentiva a continuidade dos estudos e a formação ao longo da vida, promovendo a adaptabilidade num mercado de trabalho em constante evolução.

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O papel do Catálogo Nacional de Qualificações

Um elemento estrutural é o mecanismo que mantém a oferta formativa alinhada com o tecido produtivo. Entre março de 2023 e janeiro de 2024, foram desenvolvidos 48 referenciais de competências no âmbito da atualização do Catálogo Nacional de Qualificações, ao nível das Indústrias do Têxtil, Vestuário, Calçado e Couro, abrangendo qualificações de vários níveis e orientados por princípios como o alinhamento com as necessidades setoriais identificadas por diagnóstico e a incorporação transversal de sustentabilidade, digitalização e competências comportamentais. A ANQEP divulgou ainda, em 2025, uma nova metodologia para a atualização e definição das qualificações do Catálogo, alinhada com orientações europeias, com o objetivo de garantir a transparência e o reconhecimento internacional das qualificações portuguesas.

O que o ensino profissional faz e não faz

O ensino profissional não garante emprego, o que faz, e aqui reside o seu valor específico, é reduzir a distância entre formação e trabalho, através de uma estrutura curricular mais orientada para competências práticas e de uma componente de formação em contexto real de trabalho. Os cursos de aprendizagem, por exemplo, visam reforçar os níveis de qualificação com vista à melhoria da empregabilidade, potenciada por uma forte componente de formação realizada em contexto de empresa. Esta ligação direta ao tecido empresarial é um dos traços distintivos do modelo profissional face às vias de ensino geral. O programa PESSOAS 2030 estabeleceu como meta atingir uma taxa de empregabilidade ou prosseguimento de estudos de 65%, seis meses após a conclusão da formação em cursos profissionais e cursos de aprendizagem. Esta meta, ainda uma aspiração e não uma garantia, revela que a própria política pública reconhece que o sistema não opera com resultados automáticos. Opera com probabilidades. E essas probabilidades são, em média, favoráveis desde que a escolha seja informada.

Nota de enquadramento: os dados de empregabilidade aqui citados referem-se a estudantes de EFP entre os 20 e os 34 anos, no período de um a três anos após a formação, horizonte temporal que é importante ter em conta ao interpretar a expressão “entrada rápida no mercado”.

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Conhece a via de acesso ao superior para alunos do Profissional

Sabias que os estudantes do Ensino Profissional têm uma via de acesso ao Ensino Superior alternativa ao Concurso Nacional de Acesso? Sabe tudo aqui.

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Criar uma nova via de acesso específica para estudantes do Ensino Profissional era já uma promessa antiga. No dia 2 de abril de 2020, através da publicação do Decreto-Lei 11/2020, essa forma de acesso passou a ser uma realidade. Graças a este mecanismo, é agora oferecida aos estudantes do Ensino Profissional uma via alternativa ao Concurso Nacional de Acesso. Desta forma, destaca a Direção-Geral do Ensino Superior, no seu site, é possível reduzir “as desigualdades que ainda persistem relativamente a estes estudantes no momento de ingressarem no ensino superior”. A questão de base que explica esta ideia de desigualdade é antiga. Durante anos, os diplomados das vias profissionalizantes interessados em aceder ao Ensino Superior tinham, na grande maioria das vezes, apenas uma forma de acesso: a realização de exames nacionais do Concurso Nacional de Acesso (que continua a ser uma opção à disposição de todos os interessados). Como consequência, muitas vezes, os diplomados realizavam exames a disciplinas a que não tinham tido aulas, sendo esta condicionante apontada, por essa razão, como um factor de desigualdade no acesso ao prosseguimento de estudos.

Em 2018, por exemplo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) destacou a importância da adaptação do sistema de acesso ao Ensino Superior à diversidade de estudantes provenientes do ensino secundário, independentemente da concluíram a via científico-humanística, um curso profissionalizantes ou um cursos artístico especializado. No ano letivo passado, ao abrigo deste novo concurso, foram abertas 2370 vagas no ensino superior em licenciaturas e mestrados integrados. São as instituições de ensino superior que, anualmente, publicam no seu site o número de vagas destinadas a este regime especial. Este concurso especial tem “caráter voluntário”, ou seja, compete às instituições de ensino superior fixar as vagas que pretendem afetar ao mesmo, dentro dos limites fixados pela tutela. A opção fica disponível para todas as instituições de ensino superior, universitárias e politécnicas, que assim passam a poder disponibilizar uma nova de via ingresso nas licenciaturas e mestrados integrados.

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Como funciona?

A candidatura às vagas de licenciatura e mestrado integrado incluídas neste concurso está dependente de condições fixadas pelas próprias instituições de ensino superior. Contudo, o processo de avaliação e seleção dos estudantes tem de incluir, obrigatoriamente, três elementos: a classificação obtida no final do curso (no mínimo 50%), a classificação na sua prova final, como PAP, PAF ou PAA, por exemplo (no mínimo 20%) e a classificação obtida em provas teóricas ou práticas de avaliação de conhecimentos (no mínimo 30%). Para aceder a este concurso, os candidatos necessitam de ter classificações iguais ou superiores a 95 pontos (escala de 0 a 200) em cada um dos elementos referidos. Desta forma, para além de contemplar o trabalho realizado durante o curso, esta forma de acesso ao ensino superior prevê a realização de exames específicos nas instituições de ensino superior. No ano letivo passado, foi criada uma solução adicional – a constituição de três consórcios regionais (Norte, Centro, Sul e Ilhas). Desta forma, os candidatos realizam provas regionais, ou seja, fazem um exame na instituição de ensino superior mais próxima da sua área de residência. Essa prova permite depois efetuar uma candidatura a todas e as universidades e institutos politécnicos da região que abram vagas para este novo concurso. Desta forma, em 2020, cada estudante pode fazer apenas um exame de acesso que será aplicável na candidatura a várias instituições de ensino superior. No total, foram elaboradas 14 provas pelos consórcios regionais (em 14 áreas científicas diferentes que correspondem à organização da oferta formativa de Ensino Superior). No total, dos 1876 alunos que realizaram estas provas, cerca de 60% (1096) obtiveram a necessária classificação mínima (9,5) que lhes permitiu participar no concurso. A candidatura é feita a nível nacional, através da página da DGES e através de um pedido de senha. Num portal específico criado pela DGES, podes conhecer todos os resultados de 2020, consultando a lista de ordenação final e condições de acesso. No ano letivo passado, cerca de 1000 estudantes foram colocados no ensino superior no âmbito deste concurso. Para 2020/2021, a informação deixada pela DGES é que as vagas disponíveis serão conhecidas em breve. 24 | guia guia do ensino profissional | desde 2010 | ed. 2026/2027

Quem pode candidatar-se?

Podem candidatar-se ao concurso especial de acesso ao Ensino Superior para Diplomados de Vias Profissionalizantes os titulares de cursos profissionais, de aprendizagem, de educação e formação, artísticos especializados e da rede escolar do Turismo de Portugal, entre outros. Nos casos de formações de outros países, podem candidatar-se os titulares de cursos de EstadosMembro da União Europeia que sejam legalmente equivalentes ao ensino secundário português e de dupla certificação (nível 4), bem como outros cursos não portugueses de nível 4, nas situações em que os candidatos em causa tenham nacionalidade portuguesa.


As soft skills que o Ensino Profissional desenvolve e que as empresas valorizam Os números falam por si: os jovens que passam pelo ensino profissional entram mais rápido no mercado de trabalho, ficam mais tempo empregados e chegam às empresas com competências que nenhum software consegue substituir. Parte desta explicação está nas competências transversais ou soft skills desenvolvidas, que são complementares ao saber técnico adquirido. ed. 2026/2027 | guia do ensino profissional | desde 2010 | 25


É redutor considerar que um curso profissional consiste apenas em aprender uma técnica, dominar uma máquina, executar um procedimento. Esta visão ignora uma das dimensões deste tipo de formação: a construção de um conjunto de competências humanas e relacionais que os empregadores valorizam cada vez mais e que, são cada vez mais difíceis de encontrar no mercado de trabalho. Falamos das chamadas soft skills, que são competências transversais, comportamentais e emocionais que

determinam a forma como cada pessoa trabalha, comunica, resolve problemas e se relaciona com os outros. E a verdade é que o ensino profissional, pela sua natureza prática, colaborativa e orientada para o mundo real, é um terreno fértil para o seu desenvolvimento.

Em Portugal, a taxa de emprego dos jovens entre os 20 e os 34 anos que concluíram uma formação de caráter

vocacional, através de um curso de dupla certificação, foi de 83% em 2022. Este é um valor superior ao dos jovens que concluíram uma formação de caráter geral, que se ficou pelos 73,6%, segundo dados do relatório Estado da Educação 2022. E este padrão repete-se na média europeia, onde as mesmas taxas são de 79,6% e 66,4%, respetivamente. De igual forma, um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgado em

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Trabalho em equipa e colaboração

Nos cursos profissionais, trabalhar em grupo não é exceção, é a norma. Projetos interdisciplinares, trabalhos práticos partilhados, apresentações conjuntas: os alunos aprendem, muitas vezes da forma mais difícil, que colaborar implica ceder, ouvir, distribuir tarefas, gerir conflitos e responsabilizar-se coletivamente pelo resultado. Esta experiência repetida ao longo de três anos cria jovens que chegam ao mercado de trabalho com uma maturidade relacional acima da média. Sabem o que significa depender de outros e ter a responsabilidade perante as necessidades alheias.

Os números que sustentam a escolha

Comunicação

As apresentações de projetos são momentos centrais e habituais nos cursos profissionalizantes. Ações como falar em público, defender uma ideia perante professores e colegas, responder a perguntas sem preparação prévia são formas de desenvolver competências que muitos adultos nunca desenvolveram verdadeiramente. A componente de elaboração da Prova de Aptidão Profissional (PAP), por exemplo, que implica redigir um relatório, preparar uma apresentação e defendê-la perante um júri, é talvez o exercício mais completo de comunicação que um jovem pode ter antes de entrar no mundo profissional. Ensina a organizar o pensamento, a sintetizar informação e a comunicá-la de forma clara e convincente.

Responsabilidade e autonomia

Ao contrário de outros tipos de ensino, onde o ritmo é muitas vezes determinado pelo professor e os alunos têm um papel mais passivo, o ensino profissional exige uma gestão ativa do próprio percurso. Os projetos têm prazos e as falhas têm consequências reais. A avaliação é contínua e, em muitos casos, depende de entregas que o aluno tem de gerir por iniciativa própria. Este ambiente forma jovens mais responsáveis e autónomos, capazes de gerir o seu tempo, de antecipar problemas e de agir sem esperar que alguém lhes diga exatamente o que fazer a cada momento.

O que são as soft skills? O conceito nasceu no meio empresarial por oposição às hard skills, que são as competências técnicas como saber programar, operar um equipamento ou

redigir um relatório contabilístico. Nesse sentido, as soft skills são mais difíceis de medir, mas não menos importantes. Incluem, por exemplo, a capacidade de

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comunicar com clareza, trabalhar em equipa, gerir o tempo, lidar com a pressão, tomar iniciativa, adaptar-se à mudança e resolver conflitos de forma construtiva.


2025, reforça esta tendência: 72% dos alunos que concluem o ensino profissional conseguem emprego no prazo de um a dois anos, uma taxa significativamente superior aos 56% registados no ensino geral. O mesmo estudo destaca ainda que a redução do abandono escolar precoce em Portugal (de 39% em 2000 para 8% em 2023) está em grande parte associada à expansão dos cursos profissionais. A experiência em contexto de

trabalho, um dos pilares do ensino profissional, tem um impacto direto e mensurável: em 2023, um finalista do ensino profissional com Formação em Contexto de Trabalho (FCT) tinha uma taxa de emprego de 84,8%, face a 71,5% para quem não tinha passado por essa experiência, de acordo com dados citados pelo Monitor da Educação e da Formação da Comissão Europeia. Os países com modelos mais consolidados de aprendizagem em contexto real de

trabalho — como a Alemanha (94,1% dos diplomados com experiência em empresa) e a Áustria (91,2%) — registam taxas de emprego de 92,7% e 89,2%, respetivamente.A metodologia usada nos cursos profissionais (baseada em projetos, trabalhos em grupo, simulações de situações reais e apresentações perante a turma é, em si mesma, uma escola de soft skills). Damos-te a conhecer aqui algumas das mais relevantes.

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O relatório Future of Jobs 2025 do Fórum Económico Mundial, que recolheu dados de mais de mil empresas a nível global, projeta que 39%

das competências exigidas no mercado de trabalho vão mudar até 2030. E embora as competências tecnológicas cresçam em importância, as

humanas, como pensamento analítico, resiliência, criatividade e adaptabilidade, continuam no topo das prioridades dos empregadores.

Resolução de problemas e pensamento crítico

A natureza prática do ensino profissional coloca os alunos regularmente perante situações que não têm uma solução preparada, sendo necessário pensar, experimentar, falhar e tentar de novo. Um aluno de cozinha que prepara um prato com um ingrediente em falta, um aluno de eletricidade que diagnostica uma avaria num circuito desconhecido, um aluno de gestão que simula uma negociação comercial: todos estão a desenvolver a capacidade de resolver problemas em tempo real.

Adaptabilidade e resiliência

O estágio em contexto de trabalho é, para muitos jovens, o primeiro contacto real com o mundo profissional. Esta experiência permite encontrar novas situações, adaptar-se, manter a calma, sempre enquanto se mantém o bom desempenho. Estas são competências fundamentais que se adquirem na prática. O Future of Jobs Report 2025 identifica a resiliência, a flexibilidade e a agilidade como as soft skills com maior crescimento de procura pelos empregadores. Num mundo onde, segundo o mesmo relatório, 22% dos empregos atuais serão transformados até 2030, a capacidade de se adaptar será muito relevante.

Iniciativa e espírito empreendedor

Muitos cursos profissionais integram módulos específicos de empreendedorismo, planeamento de negócios e simulação empresarial. Mas mesmo fora desses módulos formais, a cultura do ensino profissional tende a valorizar a iniciativa e os estudantes que consigam propor soluções, melhorar processos, antecipar necessidades. O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o impacto dos cursos profissionais em Portugal registou também efeitos positivos na criação de empresas por parte de ex-alunos, sugerindo que esta via de ensino contribui de forma concreta para o espírito empreendedor dos jovens.

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A proximidade entre escolas e empresas no Ensino Profissional

Em Portugal, 74% dos alunos do Ensino Profissional passam por uma empresa antes de terminar o curso. Na Europa, quase 90% das empresas abrem as portas a jovens em formação. Os números contam uma história de aproximação crescente entre empresas e instituições que ministram cursos profissionalizantes. Sabe tudo aqui.

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No modelo do Ensino Profissional, a escola e a empresa não são mundos separados, mas partes de um mesmo percurso. Esta proximidade não é acidental e está inscrita nos currículos, nos protocolos, nas horas de formação e, cada vez mais, nos próprios espaços físicos das escolas. E os dados mostram que faz toda a diferença. O ensino profissional em Portugal tem, desde a sua origem, a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) como um dos seus pilares centrais. Regulamentada atualmente pela Portaria n.º 235-A/2018, a FCT define-se como o conjunto de atividades profissionais desenvolvidas sob coordenação e acompanhamento da escola, visando a aquisição de competências técnicas, relacionais e organizacionais relevantes para o perfil de cada curso. Não se trata de um estágio opcional ou de uma experiência de enriquecimento curricular. A FCT é componente obrigatória do curso, está integrada no plano de estudos e representa um número significativo de horas de formação, geralmente entre 420 e 840 horas, dependendo do curso. As empresas que recebem alunos em FCT formalizam um protocolo com a escola e designam um tutor interno, responsável por acompanhar o aluno e garantir o cumprimento do plano de formação acordado. Este modelo cria uma relação estruturada entre escola e empresa, não um encontro pontual, mas uma parceria continuada, com responsabilidades definidas de parte a parte.

Os números da proximidade

Os dados mais recentes confirmam que esta relação é, em Portugal, mais intensa do que na maioria dos países europeus. Segundo o Education and Training Monitor 2024 da Comissão Europeia, 74,1% dos estudantes recém-diplomados do ensino profissional em Portugal participaram em experiências de aprendizagem em contexto de trabalho, um valor que supera a média europeia em quase 10 pontos percentuais. A média da UE situa-se nos 64,5%, que corresponde já à meta estabelecida para 2025, entretanto alcançada. Do lado das empresas europeias, o envolvimento é igualmente expressivo: 89,8% das empresas da União Europeia oferecem oportunidades de aprendizagem em contexto de trabalho, de acordo com dados da Comissão Europeia citados pela Escola Virtual, com o objetivo declarado de formar técnicos de acordo com as suas necessidades específicas. Em Portugal, no ano letivo 2022/2023, estavam inscritos 111.798 alunos em cursos profissionais no ensino secundário, segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Isto significa que, a cada ano, dezenas de milhares de empresas portuguesas acolhem estagiários do ensino profissional num fluxo contínuo que alimenta o mercado de trabalho com jovens que já conhecem o funcionamento real de uma organização antes de receber o diploma.

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O impacto direto na empregabilidade

Na Europa, os países onde a ligação escola-empresa é mais forte são também aqueles com melhores taxas de empregabilidade entre diplomados do ensino profissional. A Alemanha, com 94,1% dos diplomados com experiência em contexto empresarial, regista uma taxa de emprego de 92,7%. A Áustria, com 91,2% dos alunos a passar por empresas, atinge 89,2% de empregabilidade. Portugal, com os seus 74,1%, apresenta uma taxa de emprego de 76,7%, acima da média de países como Espanha, Itália ou Croácia e com margem para crescer à medida que a ligação ao tecido empresarial se aprofunda. Globalmente, a taxa de emprego dos recém-diplomados do ensino profissional na UE ronda os 81% — a mais elevada desde 2014, segundo o Education and Training Monitor 2024.

Mais do que estágios

A proximidade entre escola e empresa no ensino profissional vai além do período de estágio. Em muitos casos, as empresas participam ativamente na definição dos currículos, na atualização de equipamentos e na formação de professores. Em Portugal, esta dimensão ganhou novo impulso com a criação dos Centros Tecnológicos Especializados (CTE), financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). De acordo com o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, foram criados mais de 400 destes centros em todo o território nacional em áreas como Digital, Industrial, Informática e Energias Renováveis. Estas estruturas apoiam o alinhamento direto entre a oferta formativa e as necessidades do tecido produtivo, bem como as exigências da transição climática e digital.

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O que ganham as empresas?

Para as empresas, acolher alunos em FCT é, antes de mais, uma oportunidade de identificar talento antes de qualquer concorrente. Como evidenciado em vários protocolos de FCT publicados por escolas profissionais portuguesas, as empresas parceiras usam explicitamente o período de estágio para referenciar alunos com potencial para futuras oportunidades de emprego. A FCT funciona, neste sentido, como um processo de recrutamento prolongado e de baixo custo: o empregador tem meses para observar o aluno em contexto real, sem os riscos associados a uma contratação imediata. Além disso, os alunos em FCT chegam com formação técnica atualizada e com energia para aprender. Esta é uma combinação que pode ser genuinamente útil para empresas que não têm recursos para programas formais de recrutamento de jovens.

O professor que veio da indústria

Outra dimensão da proximidade escola-empresa que merece atenção é a dos próprios docentes. Nos cursos profissionais, é comum que os formadores das componentes técnicas tenham experiência profissional no setor. Um professor de cozinha que trabalhou em restaurantes, um formador de eletricidade que passou anos no terreno, uma docente de marketing digital que geriu campanhas reais. Esta característica é uma das formas mais eficazes de garantir que o ensino não se desliga da realidade. Esta ligação é, aliás, reconhecida pela Comissão Europeia como um fator crítico de qualidade no ensino profissional. O Education and Training Monitor 2024 dedica atenção específica à importância de manter os formadores de EFP atualizados face às evoluções tecnológicas dos seus setores, algo que só é possível se a relação entre escola e empresa for viva e contínua, não apenas formalizada em papel.


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