Skip to main content

Relatório técnico Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1 - GSED - OPAS

Page 1


Escalas Mundiais de Desenvolvimento

na Primeira Infância

(GSED) v. 1.0

Relatório técnico

Escalas

Relatório técnico

Washington, D.C., 2026

Versão oficial em português da obra original em inglês Global Scales for Early Development v1.0 Technical report © Organização Mundial da Saúde, 2023 WHO/MSD/GSED package v1.0/2023.1

Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0. Relatório técnico OPAS/HSS/HL/25-0003.1

© Organização Pan-Americana da Saúde, 2026. Alguns direitos reservados. Esta obra está disponível nos termos da licença (CC BY-NC-SA 3.0 IGO).

Escalas mundiais de medição do desenvolvimento na primeira infância Conjunto de materiais complementares do GSED

Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Relatório técnico – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário curto (relato do cuidador) – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário curto (relato do cuidador). Guia de itens – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário curto (relato do cuidador). Manual do usuário – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário longo (aplicado diretamente) – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário longo (aplicado diretamente). Guia de itens – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Formulário longo (aplicado diretamente). Manual do usuário – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Guia de pontuação – Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1.0 Guia de adaptação e tradução.

Algumas perguntas e descrições dos instrumentos de avaliação GSED foram reproduzidas ou adaptadas dos seguintes instrumentos ou avaliações: Ages and Stages Questionnaires, terceira edição (ASQ-3); Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil (Bayley); Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil, segunda edição (Bayley II); Instrumentos sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância Relatado por Cuidadores (CREDI); Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver (TTDD); Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver, segunda edição (TTDD II); Developmental Milestones Checklist (DMC); Developmental Milestones Checklist II (DMC II); Dutch Development Instrument (DDI); Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths (GMDS); Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths –versão sul-africana (GMDS-SA); Kilifi Developmental Inventory (KDI); Malawi Developmental Assessment Tool (MDAT); Lista de Sintomas Pediátricos (PPSC); Saving Brains Early Childhood Development Scale (SBECD); Stanford-Binet Intelligence Scales, quinta edição (SBIS-5); Teste de Desenvolvimento Psicomotor (TEPSI); e Escalas de Comportamento Adaptativo Víneland (Vineland) (consulte a Bibliografia para obter mais detalhes).

Imagens: © OMS

Design e diagramação: büro svenja

Anexo 1. Conjunto de dados sobre o desenvolvimento na primeira infância usado

Agradecimentos

Visão e conceitualização

A versão 1.0 do pacote de Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância (GSED, na sigla em inglês) foi elaborada sob a orientação geral e a conceitualização de Tarun Dua e Dévora Kestel, do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Coordenação do projeto

O desenvolvimento do pacote GSED foi coordenado por Vanessa Cavallera, da Unidade de Saúde Cerebral do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da OMS.

Elaboração do relatório técnico

Compõem a equipe de redação (em ordem alfabética): Salahuddin Ahmed (Fundação de Pesquisa Projahnmo, Bangladesh), Romuald Kouadio E Anago (Innovations for Poverty Action [IPA], Costa do Marfim), Abdullah H Baqui (Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos da América [EUA]), Maureen Black (RTI International e Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, EUA), Alexandra Brentani (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil), Kieran Bromley (Universidade Keele, Reino Unido), Stef van Buuren (Organização de Pesquisa Científica Aplicada dos Países Baixos [TNO] e Universidade de Utrecht, Países Baixos), Vanessa Cavallera (sede da OMS, Suíça), Symone Detmar (TNO, Países Baixos), Tarun Dua (sede da OMS, Suíça), Arup Dutta (Center for Public Health Kinetics, República Unida da Tanzânia), Iris Eekhout (TNO, Países Baixos), Melissa Gladstone (Universidade de Liverpool, Reino Unido), Katelyn Hepworth (Universidade de Nebraska, EUA), Andreas Holzinger (IPA, Costa do Marfim), Magdalena Janus (Universidade McMaster, Canadá), Fyezah Jehan (Universidade Aga Khan [AKU], Paquistão), Fan Jiang (Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, China), Patricia Kariger (consultora independente, EUA), Raghbir Kaur (sede da OMS, Suíça), Rasheda Khanam (Universidade

Johns Hopkins, EUA), Gillian Lancaster (Universidade de Keele, Reino Unido), Dana McCoy (Escola de Pós-Graduação em Educação de Harvard, EUA), Gareth McCray (Universidade de Keele, Reino Unido), Imran Nisar (AKU, Paquistão), Ambreen Nizar (AKU, Paquistão), Mariana Pacifico Mercadante (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil), Michelle Pérez Maillard (sede da OMS, Suíça), Abbie Raikes (Centro Médico da Universidade de Nebraska, EUA), Arunangshu Dutta Roy (Projahnmo Research Foundation, Bangladesh), Marta Rubio-Codina (Banco Interamericano de Desenvolvimento, EUA), Sunil Sazawal (Center for Public Health Kinetics, República Unida da Tanzânia), Yvonne Schönbeck (TNO, Países Baixos), Jonathan Seiden (Escola de Pós-Graduação em Educação, EUA), Fahmida Tofail (Centro Internacional de Pesquisa em Doenças Diarreicas, Bangladesh), Marcus Waldman (Centro Médico da Universidade de Nebraska, EUA), Ann M Weber (Universidade de Nevada, EUA), Yunting Zhang (Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, China), Arsène Zongo (IPA, Costa do Marfim).

Contribuições e revisão técnica

A elaboração contou com contribuições valiosas de funcionários da sede, dos escritórios regionais e das representações da OMS nos países, bem como de numerosos especialistas e encarregados de programas internacionais. Essas contribuições técnicas e os dados fornecidos foram fundamentais para desenvolver o pacote GSED. Contribuíram (em ordem alfabética): Amina Abubakar (AKU, Quênia), Fahad Aftab (Center for Public Health Kinetics, República Unida da Tanzânia), Claudia Regina Lindgren Alves (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil), Omar Ali Ali (Representação da OMS na República Unida da Tanzânia), Elisa Altafim (Universidade de São Paulo, Brasil), Maria Caridad Araujo (Banco Interamericano de Desenvolvimento, EUA), Orazio Attanasio (Institute for Fiscal Studies, Reino Unido), Farzana Begum (AKU, Paquistão), Florence Baingana (Escritório Regional da OMS para a África, Congo), Molly Biel

(sede da OMS, Suíça), Geoffrey Bisoborwa (Escritório Regional da OMS para a África, Congo), Andrea Bruni (Escritório Regional da OMS para o Sudeste Asiático, Índia), Betzabe Butron Riveros (Escritório Regional da OMS para as Américas, EUA), Claudia Cappa (Fundo das Nações Unidas para a Infância [UNICEF], EUA), Andreana Castellanos (Afinidata, Guatemala), Susan M Chang (Universidade das Índias Ocidentais, Jamaica), Alexandra Chen (Universidade Harvard, EUA), Anne Marie Chomat (Universidade McGill, Canadá), Marie-Helene Cloutier (Banco Mundial, EUA), Bernadette Daelmans (sede da OMS, Suíça), Sandra Dao (Representação da OMS em Costa do Marfim), Teshome Desta Woldehanna (Representação da OMS no Quênia), Erinna Dia (UNICEF, EUA), Bernice M Doove (Universidade de Maastricht, Países Baixos), Dan Fang (Representação da OMS na China), Wafaie Fawzi (Universidade Harvard, EUA), Lia CH Fernald (Universidade da Califórnia, EUA), Emanuela Galasso (Banco Mundial, EUA), Sally M GranthamMcGregor (professora emérita de Saúde Infantil Internacional na University College London, Reino Unido), Shuchita Gupta (Escritório Regional da OMS para o Sudeste Asiático, Índia), Cristina Gutierrez de Piñeres (United Way, Colômbia), Jena Derakhshani Hamadani (Centro Internacional de Pesquisa sobre Doenças Diarreicas, Bangladesh), Charlotte Hanlon (Universidade de Adis Abeba, Etiópia), Natalia Henao (Fundação Gênesis, Colômbia), Alaka Holla (Banco Mundial, EUA), Sidra Inayat (AKU, Paquistão), Matias Irarrazaval (Escritório Regional da OMS para as Américas, EUA), Nemes Joseph Iriya (Representação da OMS na República Unida da Tanzânia), Charles Newton (Instituto de Pesquisa Médica do Quênia, Quênia), Ledia Lazeri (Escritório Regional da OMS para a Europa, Dinamarca), Zhao Li (Escritório Regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Filipinas), Pamela Jervis (Universidade do Chile, Chile), Codie Kane (Universidade Temple, EUA), Simone M. Karam (Universidade Federal do Rio Grande, Brasil), Janet Kayita (Escritório Regional da OMS para a África, Congo), Jamila Khalfan (Public Health LaboratoryIdC, República Unida da Tanzânia), Neema Kileo (Representação da OMS na República Unida da Tanzânia), Betsy Lozoff (Universidade de Michigan,

EUA), Diego Luna (Banco Mundial, EUA), Raquel Dulce Maguele (Representação da OMS em Moçambique), Limbika Agatha Maliwichi (Universidade do Malawi, Malawi), Sheila Manji (sede da OMS, Suíça), Susanne Martin Herz (Universidade da Califórnia em São Francisco, EUA), Jeffrey Measelle (Universidade de Oregon, EUA), Girmay Medhin (Instituto Aklilu Lemma de Patobiologia, Etiópia), Patricia Medrano (Universidade do Chile, Chile), Junaid Mehmood (AKU, Paquistão), Rajesh Mehta (Consultor da OMS, Índia), Ana M. B. Menezes (Universidade Federal de Pelotas, Brasil), Assumpta Muriithi (Escritório Regional da OMS para a África, Congo), Néllia Mutisse (Representação da OMS em Moçambique), Alphoncina Nanai (Representação da OMS na República Unida da Tanzânia), Renato Oliveira e Souza (Escritório Regional da OMS para as Américas, EUA), Nicole Petrowski (UNICEF, EUA), Lauren Pisani (Save the Children, Reino Unido), Helen Pitchik (Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA), Chemba Raghavan (UNICEF, EUA), Muneera Rasheed (AKU, Paquistão), Lisy Ratsifandrihamanana (Centre MédicoEducatif, Madagascar), Sarah Reynolds (Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA), Linda Richter (Universidade de Witwatersrand, África do Sul), Peter C. Rockers (Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Boston, EUA), Marta Rubio-Codina (Banco Interamericano de Desenvolvimento, EUA), Norbert Schady (Banco Mundial, Washington), Khalid Saeed (Escritório Regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, Egito), Makeba Shiroya (Representação da OMS no Quênia), Kathleen Louise Strong (sede da OMS, Suíça), Christopher R. Sudfeld (Universidade Harvard, EUA), Edwin Exaud Swai (Representação da OMS, República Unida da Tanzânia), Safila Telatela (Representação da OMS na República Unida da Tanzânia), Daisy Trovada (Representação da OMS em Moçambique), Martin Vandendyck (Escritório Regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Filipinas), Paul H. Verkerk (TNO, Países Baixos), Susan P. Walker (Instituto Caribenho de Pesquisa em Saúde, Jamaica), Christine Wong (Universidade de Hong Kong, China), Dorianne Wright (Universidade de Saúde e Ciências de Oregon, EUA) e Aisha K. Yousafzai (Universidade Harvard, EUA).

Programação de tecnologia da informação

Agradecemos a Universal Doctors (Jordi Serrano Pons, Fernando Vaquero, Jeannine Lemaire e Montse Garcia) pela conceitualização e o apoio inicial em tecnologia da informação para a criação do aplicativo GSED. Também agradecemos ao Center for Public Health Kinetics (Arup Dutta, Vishi Saxena, Waseem Ali, Poonam Rathore) pelo aprimoramento do desenvolvimento conceitual e pela operacionalização do aplicativo GSED, bem como pelo gerenciamento de dados ao longo de toda a implementação do projeto.

Apoio financeiro

Este trabalho contou com o apoio financeiro de (em ordem alfabética): Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Bernard van Leer, Fundação Bill e Melinda Gates, Fundação do Fundo de Investimento para Crianças, Fundação Jacobs e Fundação Rei Balduíno dos Estados Unidos da América.

Siglas e abreviaturas

2PL Logística de dois parâmetros (sigla em inglês)

A/I escore Z de altura para idade

AKU Universida de Aga Khan

ASQ Ages and Stages Questionnaires [questionário sobre idades e fases]

Bayley-III Escalas Bayley de desenvolvimento do bebê e da criança pequena, terceira edição

BRS Brief Resilience Scale [escala breve de avaliação da resiliência]

CPAS Childhood Psychosocial Adversity Scale [escala de adversidade psicossocial na infância]

CREDI Instrumentos sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância Relatado por Cuidadores (sigla em inglês)

D/I escore Z de desenvolvimento para idade

DDI Dutch Development Instrument [instrumento holandês para avaliação do desenvolvimento]

DHS Pesquisas sobre Demografia e Saúde (sigla em inglês)

DP Desvio-padrão

DPI Desenvolvimento na primeira infância

ECDI2030 Índice de Desenvolvimento na Primeira Infância 2030 (sigla em inglês)

EDC Captura eletrônica de dados (sigla em inglês)

EPE Erro padrão de estimativa

Escore D Escore de desenvolvimento

FCI Family Care Indicator [indicador de cuidado familiar]

FSS Family Support Scale [escala de apoio familiar]

GMDS Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths (sigla em inglês)

GSED Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância (sigla em inglês)

GSED-CB formato combinado (sigla em inglês)

GSED-HF formulário domiciliar (sigla em inglês)

GSED-LF formulário longo (sigla em inglês)

GSED-PF formulário psicossocial (sigla em inglês)

GSED-SF formulário curto (sigla em inglês)

HOME Home Observation Measurement of the Environment [avaliação do ambiente familiar por observação domiciliar]

IC intervalo de confiança

IPA Innovations for Poverty Action

IYCD Indicadores de desenvolvimento de bebês e crianças pequenas da OMS (sigla em inglês)

ODK Open Data Kit

ODS Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

OMS Organização Mundial da Saúde

P/I escore Z de peso para idade

PHQ9 Questionário de saúde do paciente 9 (sigla em inglês)

PRIDI Programa Regional de Indicadores de Desenvolvimento Infantil (sigla em inglês)

TNO Organização de Pesquisa Científica Aplicada dos Países Baixos (sigla em inglês)

O pacote GSED v1.0 contém instrumentos de avaliação de acesso aberto que oferecem um método padronizado para avaliar o desenvolvimento infantil até os 36 meses de idade em diferentes culturas e contextos.”

© OMS / Alasdair Bell

Resumo executivo

Este Relatório Técnico documenta o desenvolvimento e a validação das Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância (GSED). O pacote GSED v1.0 contém instrumentos de avaliação de acesso aberto que oferecem um método padronizado para avaliar o desenvolvimento infantil até os 36 meses de idade em diferentes culturas e contextos. Foi elaborado para oferecer à comunidade global parâmetros populacionais de medição do desenvolvimento na primeira infância que possam ser comparados entre diferentes países. Não é necessário pagar nenhuma taxa ou royalties para utilizá-lo, e ele foi desenvolvido e testado para ser linguisticamente e culturalmente neutro, de modo que não deve ser necessária adaptação aos contextos locais. No entanto, caso algum item ou parte não pareça adequado, os avaliadores devem seguir os passos indicados neste guia. Ao contrário do crescimento, medido com base em variações de peso (em gramas) e altura (em centímetros), não havia até agora uma escala padronizada para avaliar o desenvolvimento das crianças na primeira infância. O GSED utiliza uma métrica inovadora, o escore de desenvolvimento (escore D), uma escala com propriedades de intervalo, para medir o desenvolvimento infantil.

O pacote contém os instrumentos de avaliação GSED v1.0 e materiais complementares que facilitam sua implementação e utilização. Os instrumentos de avaliação GSED têm como objetivo coletar dados populacionais sobre o desenvolvimento na primeira infância e foram concebidos para serem usados principalmente em pesquisas e avaliações programáticas. São eles:

Formulário curto (GSED-SF): instrumento de avaliação que usa informações relatadas pelo cuidador.

Formulário longo (GSED-LF): composto de itens aplicados diretamente à criança por um avaliador capacitado.

As evidências atuais indicam que as propriedades psicométricas do GSED-SF e do GSED-LF são comparáveis. A escolha de utilizar um ou outro, ou os dois juntos, para medir o desenvolvimento infantil deve ser determinada pelos seguintes critérios: i) o objetivo da avaliação ou a pergunta de pesquisa específica (por exemplo, tipo de intervenção); ii) a modalidade preferencial de aplicação (relato do cuidador versus aplicação direta); e iii) a capacidade e o conhecimento técnico da equipe. Pode-se utilizar um formato combinado (GSED-CB), que junta o GSED-SF e o GSED-LF, para aumentar a precisão da medição. Mais evidências quanto à sensibilidade a possíveis mudanças após intervenções e ao aumento da precisão com o uso do GSED-CB estão sendo avaliadas e serão disponibilizadas em breve.

Os instrumentos de avaliação GSED também incluem:1

Formulário domiciliar (GSED-HF): instrumento de avaliação baseado em informações relatadas pelo cuidador e concebido para ser incorporado a inquéritos nacionais de larga escala de monitoramento do desenvolvimento infantil.

Formulário psicossocial (GSED-PF): instrumento de avaliação que utiliza informações relatadas pelo cuidador sobre os comportamentos psicossociais da criança.

Os instrumentos de avaliação GSED foram desenvolvidos por meio de uma abordagem empírico-conceitual integrada. A abordagem empírica incluiu a modelagem estatística de um conjunto de dados com 100 153 observações. A abordagem conceitual envolveu especialistas no assunto para a identificação de itens de desenvolvimento infantil conceitualmente relevantes e viáveis em nível mundial para crianças com menos de 36 meses de idade.

Um método rigoroso e padronizado foi utilizado para avaliar as propriedades psicométricas dos novos instrumentos de avaliação GSED em sete países. Foi adotado um delineamento transversal prospectivo com acompanhamento longitudinal ao longo de seis meses, e a amostra de crianças foi estratificada por idade e sexo.

Este pacote provisório (v1.0) baseia-se em dados de validação provenientes de três países: Bangladesh, Paquistão e República Unida da Tanzânia. Os resultados demonstram que a confiabilidade e a validade do escore D para medir o desenvolvimento infantil de crianças com menos de 36 meses de idade em nível populacional são estatisticamente significantes. Especificamente, tanto a validade convergente, avaliada por meio de medidas contextuais que provavelmente estão associadas ao desenvolvimento infantil (por exemplo, nível socioeconômico e exposição a adversidades), quanto a validade concorrente, determinada com relação às Escalas Bayley de Desenvolvimento do Bebê e da Criança Pequena (Bayley-III), foram estatisticamente significantes. Análises adicionais demonstraram que os instrumentos de avaliação GSED são culturalmente neutros, apresentam boa validade de conteúdo e são de fácil implementação em larga escala. Estão previstas revisões do pacote quando os dados de quatro países adicionais estiverem disponíveis: Brasil, China, Costa do Marfim e Países Baixos.

1 Esses formulários não fazem parte deste Relatório Técnico detalhado por estarem passando por testes adicionais, mas podem ser disponibilizados mediante solicitação.

1. Introdução

Os caminhos que conduzem à saúde e ao bem-estar na vida adulta têm início na infância e são frequentemente avaliados por meio do crescimento e do desenvolvimento infantil. Ambos são produtos do mapa genético específico de cada criança e são influenciados por fatores ambientais que agem desde antes do nascimento (1). Nos primeiros anos de vida, especialmente nos primeiros 1000 dias (desde a concepção até os 24 meses de idade), as crianças são altamente sensíveis às condições ambientais devido ao rápido desenvolvimento cerebral que ocorre nesse período. O monitoramento do desenvolvimento infantil nessa etapa é fundamental para acompanhar o progresso em direção às metas das políticas mundiais e nacionais voltadas para crianças, além de oferecer uma referência essencial para planejar e avaliar serviços que apoiem um desenvolvimento saudável. No entanto, até agora não havia instrumentos de avaliação universais concebidos para quantificar o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida em nível populacional (2). Sem esses instrumentos de avaliação, os países não conseguem monitorar o progresso das crianças nem determinar a melhor forma de alocar recursos a fim de oferecer o apoio necessário para que as crianças alcancem seu potencial de desenvolvimento.

Os indicadores de déficit de crescimento e pobreza extrema têm sido eficazes para identificar a proporção de crianças em risco de não alcançar seu potencial de desenvolvimento (3) e contribuíram para avanços nas políticas e programas mundiais voltados para crianças pequenas (4). No entanto, esses indicadores têm uma capacidade preditiva limitada (5) e baixa sensibilidade e, por isso, não são adequados para medir mudanças em resposta a intervenções ou condições ambientais. Tradicionalmente, os países têm utilizado o crescimento físico como indicador substituto, com base

na constatação de que o comprometimento crônico do crescimento linear (ou seja, déficit de crescimento: altura para idade < 2 desvios-padrão [DPs] abaixo dos padrões de crescimento da OMS) está associado a menos anos de escolaridade na idade adulta, índices econômicos mais baixos e maior probabilidade de viver na pobreza (6,7). A redução da proporção de crianças com déficit de crescimento é frequentemente utilizada como meta nacional e mundial, servindo também, em muitos casos, como indicador de melhoria nos desfechos de desenvolvimento.

A necessidade urgente de um sistema abrangente de medição e apresentação de dados sobre o desenvolvimento infantil foi reforçada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Especificamente, o ODS 4 (educação) busca assegurar uma educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida. O ODS 4 inclui um indicador específico para a primeira infância, 4.2.1, que requer a medição da proporção de crianças menores de 5 anos que estão com desenvolvimento adequado da saúde, aprendizado e bem-estar psicossocial, por sexo (8). O estudo multicêntrico de referência sobre o crescimento da OMS demonstrou que, em condições ideais, o crescimento inicial das crianças (até os 2 anos de idade) é comparável entre os diferentes países (9). Esses achados serviram de base para os padrões mundiais de crescimento adotados por 125 países. Da mesma forma, evidências recentes sugerem que diversos domínios do desenvolvimento infantil apresentam características universais entre países nos primeiros 2 ou 3 anos de vida (10, 11). Além disso, ao contrário do crescimento, medido universalmente por mudanças no peso das crianças (em gramas) e na altura (em centímetros), não existe uma unidade (ou métrica) para medir o desenvolvimento infantil.

Para solucionar a ausência de uma medida ou métrica populacional e programática de desenvolvimento na primeira infância (DPI), a OMS reuniu uma equipe interdisciplinar multinacional para desenvolver o GSED. Esses instrumentos de avaliação do DPI, voltados para crianças de até 36 meses de idade, oferecem uma métrica de desenvolvimento (o escore D) aplicável tanto em nível populacional quanto programático, além de um sistema para interpretação dos escores.

Este Relatório Técnico resume o processo de criação do GSED e dos instrumentos de avaliação relacionados e descreve a metodologia de validação e as propriedades psicométricas em três países (Bangladesh, Paquistão e República Unida da Tanzânia). Dados provenientes de mais países (Brasil, China, Costa do Marfim e Países Baixos, atualmente em fase de coleta) permitirão avaliar a validade mais ampla em nível mundial e servirão de base para possíveis revisões dos instrumentos de avaliação. O relatório conclui com a descrição do lançamento da versão 1.0 do pacote, dos próximos passos para o GSED e do processo de disseminação e feedback contínuo, de forma a viabilizar o uso do GSED para monitorar o progresso em direção às metas mundiais e subsidiar programas e políticas voltados para a promoção da saúde e do desenvolvimento de crianças pequenas em todo o mundo.

O monitoramento do desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida é fundamental para acompanhar o progresso em direção às metas das políticas mundiais e nacionais voltadas para crianças, além de oferecer uma referência essencial para planejar e avaliar serviços que apoiem um desenvolvimento saudável.”

2. GSED: visão geral

O GSED é um pacote de acesso aberto desenvolvido especificamente para oferecer um método padronizado de mensuração do desenvolvimento de crianças de até 36 meses de idade em nível populacional no mundo todo. O GSED cumpre esse objetivo ao incorporar todos os domínios do DPI por meio de uma escala comum de medição traduzida em um escore único, o escore D, que representa o desenvolvimento holístico. Esta seção do relatório fornece uma visão geral sobre o escore D e os instrumentos de avaliação GSED.

O escore D

O escore D é uma unidade de medição com uma escala de intervalo que expressa o desenvolvimento infantil por meio de um único valor numérico (12, 13) Assim como a altura (em centímetros) e o peso (em quilogramas) aumentam com o crescimento da criança, o desenvolvimento (medido em unidades do escore D) também progride com a idade conforme a criança adquire novas habilidades. O escore D é calculado a partir de respostas do tipo “sim ou não” em um conjunto de itens de desenvolvimento

adequados à idade (por exemplo, “A criança consegue empilhar dois blocos?” ou “A criança usa frases de duas palavras?”). Conceitualmente, o escore D da criança situa-se em um continuum de desenvolvimento que começa com as habilidades e comportamentos simples que a criança é capaz de realizar e avança por todo o repertório da criança até chegar às habilidades e comportamentos que ainda não foram alcançados (Figura 1).

FIGURA 1. ESCORE D E D/I

O escore D é calculado como a média da distribuição a posteriori, condicionada às respostas, à dificuldade dos itens e à idade da criança. O escore D também pode ser transformado no escore Z de desenvolvimento para idade (D/I). O D/I é independente da idade e é escalonado de modo que, em cada faixa etária, a distribuição dos escores siga uma distribuição normal, com média 0 e

variância 1. Por ser ajustado segundo o aumento natural do escore D com a idade, o D/I facilita a comparação entre amostras de diferentes idades ou países. Da mesma forma como os escores z de altura para idade (A/I) e de peso para idade (P/I), o D/I é calculado em relação a uma população de referência.

Os instrumentos de avaliação GSED

Os instrumentos de avaliação GSED-SF e GSED-LF foram criados em resposta à necessidade de uma medida populacional do DPI até os 36 meses de idade. Os critérios para os instrumentos é que fossem confiáveis, válidos em âmbito mundial e fáceis de aplicar em condições de campo, exigissem capacitação mínima, fossem de fácil interpretação e tivessem acesso aberto. Os instrumentos de avaliação GSED capturam o construto subjacente do desenvolvimento infantil, que inclui os domínios motor, linguístico, cognitivo e socioemocional. Os instrumentos de avaliação compreendem o GSED-SF, respondido pelo cuidador, e um formulário aplicado diretamente à criança, o GSED-LF. Dependendo dos requisitos do esforço de medição (por exemplo, pesquisa, avaliação programática, etc.), cada formulário (SF ou LF) pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com o outro (para obter uma avaliação mais abrangente e precisa do desenvolvimento infantil).

Os instrumentos de avaliação GSED destinam-se ao uso em nível populacional e programático. Embora os dados sejam coletados individualmente, os resultados não estão validados para interpretação em relação a

uma criança específica. Os instrumentos de avaliação GSED ainda não foram testados no contexto do uso clínico e, portanto, não devem ser utilizados de forma individual para rastreamento de atrasos ou deficiências no desenvolvimento de uma criança nem para diagnóstico.

Dada a necessidade de um escore de fácil interpretação e as evidências de que, nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento é integrado, sobreposto e interconectado entre diferentes áreas (14, 15), não são fornecidos escores parciais por domínio de desenvolvimento. Em vez disso, o escore agregado compreende a essência de cada domínio em cada momento. O uso pretendido inclui a avaliação do impacto das intervenções aplicadas a grupos e a comparação de grupos de crianças (por exemplo, para fins de monitoramento ou pesquisa). Os instrumentos de avaliação GSED podem ser administrados por meio do aplicativo GSED em um tablet ou em versão impressa. O processo de desenvolvimento e validação dos instrumentos GSED, assim como a descrição detalhada de cada um, são apresentados nas Seções 3 e 4 deste relatório.

O GSED incorpora todos os domínios do DPI por meio de uma escala comum de medição do desenvolvimento holístico.

O escore D é uma unidade de medição com uma escala de intervalo que expressa o desenvolvimento infantil por meio de um único valor numérico.”

Dois formulários adicionais para relatos de cuidadores estão sendo desenvolvidos e testados. O GSED-HF está sendo proposto para uso em esforços de coleta de dados em larga escala, inclusive em inquéritos domiciliares multitemáticos já existentes, como as Pesquisas de Indicadores Múltiplos por Conglomerados (MICS) e as Pesquisas sobre Demografia e Saúde (DHS). O GSED-PF tem como objetivo captar habilidades e comportamentos psicossociais ou padrões de

desenvolvimento não normativos que possam indicar possíveis desafios em termos da saúde mental das crianças. Os itens do GSED-PF não são ordenados por idade e, portanto, seus resultados não são pontuados na escala do escore D. O processo de criação e validação do GSED-HF e do GSED-PF em diferentes contextos culturais está em andamento e faz parte dos próximos projetos (a Seção 6 e os Quadros 4 e 5 apresentam uma visão geral).

3. Elaboração dos instrumentos GSED-SF e GSED-LF v1.0

Esta seção descreve o processo de elaboração dos instrumentos de avaliação GSED-SF e GSED-LF, desde sua conceituação até os protótipos para validação, passando pela análise estatística e a obtenção de consenso dos especialistas (16) . A elaboração do GSED seguiu um rigoroso processo metodológico que exigiu uma abordagem em várias etapas, conforme resumido na Figura 2

FIGURA 2. FLUXOGRAMA DE CRIAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO GSED

Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3

Estrutura conceitual

Harmonização dos conjuntos de dados existentes Criação do banco de itens (807 itens de desenvolvimento pertinentes a crianças de 0 a < 36 meses)

Equivalência dos itens

Modelagem estatística (2PL e Rasch)

Viabilidade dos itens

Seleção preliminar de itens

Criação do formulário

GSED-SF

Classificação dos itens por domínio

Criação de aplicativo com o pacote Shiny do R

Criação do formulário

GSED-LF

Estrutura conceitual: perfil-alvo do produto

Um quadro conceitual foi desenvolvido por um grupo de especialistas e pesquisadores internacionais em DPI e medição (13, 17-18). Partiu-se do consenso de que o DPI se refere a várias habilidades e comportamentos que surgem sequencialmente no início da vida e são influenciados por interações gene-ambiente que ocorrem entre a concepção e os 3 anos de idade (19, 20). Portanto, a primeira etapa do processo de desenvolvimento dos instrumentos de avaliação GSED concentrou-se na identificação das propriedades-alvo e das características de implementação que o pacote de instrumentos precisava alcançar. O resultado desse processo foi a lista do perfil-alvo do produto com as características mínimas e ideais almejadas.

Harmonização dos conjuntos de dados existentes sobre desenvolvimento infantil

Após a elaboração do perfil-alvo do produto, uma extensa coleção de conjuntos de dados sobre DPI foi reunida em um banco de itens. O conjunto de dados em comum incluía informações provenientes de 18 instrumentos, 51 coortes e 32 países (dos quais 30 eram de baixa ou média renda), totalizando 66 075 crianças, 100 153 observações (combinações de criança e idade) e 4 314 146 escores (ver mais detalhes no Anexo 1). O número total de itens foi 2221. Dezesseis estudos incluíram dados longitudinais. A maioria dos instrumentos coletou escores dicotômicos (“sim” ou “não”), mas alguns utilizaram categorias adicionais, como “às vezes” ou “ainda não”. Em consulta com os especialistas, essas respostas foram recodificadas em escores binários (0 ou 1).

Criação dos instrumentos de avaliação GSED-SF e GSED-LF

Etapa 3.1 Equivalência dos itens

O componente de equivalência dos itens foi concebido de forma a medir o grau de relação entre pares de itens de diferentes instrumentos no banco de itens do GSED que avaliam habilidades e comportamentos idênticos ou muito semelhantes, ainda que descritos de formas ligeiramente diferentes. Especialistas em desenvolvimento infantil agruparam itens semelhantes de diferentes instrumentos em aglomerados ou grupos equivalentes. Um subconjunto desses grupos foi utilizado para conectar todos os instrumentos a um fator latente compartilhado (o construto desenvolvimento infantil). Além disso, esses aglomerados ajudaram a vincular os instrumentos e evitar duplicações nas medidas finais (ver a matriz de coleta de dados na Figura 3).

Etapa 1.
Etapa 2.
Etapa 3.

FIGURA 3. MATRIZ DE COLETA DE DADOS E CRITÉRIOS PARA O EXERCÍCIO DE EQUIVALÊNCIA

Estas perguntas permanecem fixas

Escolha o grau de equivalência através do menu suspenso

Obs.: por padrão, os itens são marcados como não equivalentes

Use a faixa etária e os domínios para uma navegação mais rápida

Dica: use a tecla “Page Down” para ver rapidamente os itens cujo grau de equivalência precisa ser escolhido

Etapa 3.2 Modelagem estatística

Não coloque nada nas células vermelhas

O modelo de Rasch (21) foi utilizado para colocar as crianças e os itens na mesma escala. Rasch desenvolveu um método para mapear e escalonar as respostas em diferentes testes de desempenho escolar sobrepostos aplicados a diferentes turmas. Esse método utiliza um parâmetro para quantificar a capacidade da criança em determinada idade e outro para quantificar a dificuldade de cada item do teste. Rasch colocou ambos os parâmetros na mesma escala e demonstrou que essa escala segue o princípio de comparação invariante. Sucintamente, o princípio estabelece que a comparação entre dois indivíduos ou entre o mesmo indivíduo em dois momentos diferentes deve ser independente do teste aplicado. O modelo de Rasch tem exercido grande influência na pesquisa educacional e vem sendo progressivamente adotado nas áreas da saúde, agricultura e pesquisa de mercado. A abordagem aplicada aos dados de desenvolvimento infantil é bastante semelhante à aplicação do modelo de Rasch no campo da educação, o que a torna uma escolha natural (22)

Os parâmetros de dificuldade foram estimados para um subconjunto de 818 itens que se ajustavam ao modelo de Rasch, conforme avaliado por valores internos (infit) e externos (outift)2, utilizando 17 grupos equivalentes3 que ancoravam todos os instrumentos à escala do escore D. Os escores obtidos a partir do modelo de Rasch foram comparados aos escores de um modelo logístico de dois parâmetros (2PL) mais abrangente, que incorpora um parâmetro adicional de discriminação por item. Foram observadas correlações extremamente fortes entre os escores dos dois modelos (r = 0,97); por esse motivo, optou-se pelo modelo de Rasch, mais parcimonioso que o modelo 2PL.4

Etapa 3.3 Viabilidade dos itens

O componente de viabilidade dos itens foi concebido de forma a reunir dados de avaliações de especialistas sobre a adequação de cada item para documentar o desenvolvimento em diferentes contextos geográficos, culturais e linguísticos. Os dados foram utilizados para identificar e excluir itens presentes no banco de itens que fossem considerados inadequados aos diversos contextos em que os instrumentos GSED seriam aplicados (ver o exemplo de pesquisa de viabilidade reproduzido na Figura 4).

FIGURA 4. INFORMAÇÕES DA PESQUISA DE VIABILIDADE

2 Infit e outfit são estatísticas de “adequação”. No contexto do modelo de Rasch, elas refletem o grau de precisão ou previsibilidade com que os dados se ajustam ao modelo.

3 Por “equivalentes” entende-se que os grupos de itens tinham uma dificuldade constante (τ) em todos os instrumentos, segundo uma análise de semelhança dos itens baseada em evidências. Os grupos equivalentes permitiam que os diferentes instrumentos utilizados para diferentes crianças estivessem na mesma escala.

4 O debate da AERA 1992 entre Hambleton e Wright apresenta uma discussão mais aprofundada sobre a escolha do modelo (https://www.rasch.org/rmt/rmt61a.htm e https://www.rasch.org/rmt/rmt62d.htm).

GSED-SF
GSED-LF

Etapa 3.4 Classificação dos itens por domínio

A classificação por domínio foi concebida para oferecer uma avaliação de especialistas sobre quais domínios do desenvolvimento, exatamente, são medidos por cada item. A taxonomia dos domínios foi adaptada do projeto Instrumentos sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância Relatado por Cuidadores (CREDI, na sigla em inglês) (23). A Tabela 1 apresenta a taxonomia dos domínios.

TABELA 1. TAXONOMIA DOS DOMÍNIOS DO DESENVOLVIMENTO

Domínio primário Subdomínio

Motor

Linguístico

Cognitivo

Socioemocional

• Motricidade ampla

• Motricidade fina

• Recepção

• Expressão

• Resolução de problemas/raciocínio

• Função executiva (por exemplo, atenção, memória, inibição)

• Conhecimentos pré-acadêmicos (por exemplo, letras, números, cores)

• Autorregulação emocional e comportamental (por exemplo, controlar emoções e comportamentos)

• Conhecimento sobre emoções (por exemplo, reconhecer emoções)

• Competência social (por exemplo, relacionar-se bem com os outros)

• Desafios e problemas comportamentais: internalização (por exemplo, isolar-se)

• Desafios e problemas comportamentais: externalização (por exemplo, bater, chutar, morder)

Adaptativo

• Habilidades para a vida (por exemplo, usar o banheiro, vestir-se)

Etapa 3.5 Seleção preliminar de itens

Como princípio orientador e para evitar sobrecarregar os respondentes, foram elaborados dois formulários distintos — um preenchido totalmente com informações relatadas pelo cuidador e outro aplicado diretamente — que podem ser combinados para fins de avaliação, conforme a meta pretendida. Além disso, para cada um dos formulários, decidiu-se que seria preferível testar um número maior de itens durante o processo de validação, a fim de permitir uma seleção mais embasada após testes de campo em diversos contextos e uma comparação entre as modalidades de aplicação (relatada pelo cuidador ou aplicada diretamente) quanto à sua capacidade de captar com maior precisão determinadas habilidades e comportamentos (para subsidiar a seleção final de itens para o formulário CB adicional, evitando redundâncias).

Etapa 3.6 Criação de aplicativo com o pacote Shiny do programa R para visualização de informações

Todos os itens foram organizados inicialmente em planilhas e, posteriormente, combinados aos dados psicométricos disponíveis para cada item, obtidos a partir dos conjuntos de dados existentes, juntamente com suas dificuldades estimadas (τ). Essas informações foram integradas em um painel interativo desenvolvido usando o pacote Shiny do programa R (24) de forma a permitir visualizações interativas. Shiny é um pacote do R que permite a criação de aplicativos interativos que executam código do R no back end, por exemplo, aplicativos independentes em uma página da web com gráficos interativos ou painéis dinâmicos. O painel interativo facilitou a seleção final dos itens pelos especialistas, pois oferecia avaliações em tempo real sobre a cobertura de domínios, estatísticas de confiabilidade e desempenho da medição por faixa etária para qualquer item selecionado.

Etapa 3.7 Seleção de itens para cada instrumento de avaliação

A criação dos instrumentos de avaliação GSED para validação compreendeu quatro etapas, todas processadas no painel interativo do aplicativo Shiny no R: i) seleção de um único item de um grupo de itens equivalentes para medir determinado comportamento (que consistia na escolha do item com melhor desempenho em todos os países e a formulação do enunciado da forma mais simples e culturalmente neutra possível); ii) alocação dos itens ao formulário GSED-SF ou GSED-LF (com possível adaptação de itens relatados pelo cuidador para aplicação direta e vice-versa, conforme necessário); iii) avaliação da idade e cobertura de domínios da lista de itens selecionados para cada instrumento; e iv) avaliação das propriedades psicométricas do instrumento com base nos dados disponíveis e simulações. Os especialistas repetiram o processo de seleção e avaliação de itens até identificar um conjunto final adequado para compor cada formulário.

Os itens do GSED-SF foram ordenados por nível de dificuldade, com base nos dados disponíveis sobre cada item, refletindo as habilidades emergentes das crianças. A ordem foi ligeiramente revisada pelos especialistas para assegurar que fosse consistente com as teorias de desenvolvimento infantil. Os itens do GSED-LF foram organizados primeiro em três sequências, a fim de facilitar o processo de aplicação direta dos itens à criança, e em seguida ordenados de acordo com o mesmo processo descrito para o GSED-SF. Cada sequência utiliza materiais específicos para facilitar a aplicação. A sequência A inclui itens relacionados à atividade física e ao movimento, a sequência B utiliza imagens em tablets e a sequência C utiliza materiais do kit do GSED-LF (ver adiante).

Foram selecionados, em caráter preliminar, 139 itens para o GSED-SF (com as seguintes opções de resposta do cuidador: “sim”, “não” e “não sei”) e 155 itens para o GSED-LF, observados incidentalmente, solicitados pelo avaliador ou ambos (opções de resposta binárias: habilidade observada ou não observada). Na aplicação de ambos os formulários, são utilizadas regras de “início” e “parada” com base na idade e no desempenho da criança.

Etapa 3.8 Finalização dos instrumentos de avaliação GSED-SF e GSED-LF

Após a finalização dos itens e das ordens de aplicação para cada formulário, os especialistas revisaram o material para identificar onde poderiam ser incluídos recursos auditivos ou visuais para facilitar a capacitação, a compreensão dos cuidadores (no caso do GSED-SF) e a aplicação dos itens pelos avaliadores (no caso do GSED-LF). Todos os arquivos de mídia foram produzidos de forma a representar corretamente a habilidade ou comportamento descrito em cada item e para assegurar ao máximo a neutralidade cultural. Por fim, os itens do GSED-LF foram analisados para identificar quais deles requeriam o uso de materiais físicos durante a aplicação (por exemplo, empilhar blocos, reagir a um chocalho, desenhar em papel). Foi elaborada uma descrição detalhada dos materiais necessários para compor o kit do GSED-LF (incluindo itens como cronômetro, pequenos blocos quadrados de 2 cm, colher, prato, copo, lápis de cera ou lápis, etc.), seguindo o princípio de que o kit deve ser montado localmente e a baixo custo. Para os itens do GSED-LF que exigiam que as crianças observassem imagens, foram feitos esforços para incluir desenhos e imagens que pudessem ser mostrados em um tablet. O objetivo era reduzir a necessidade de materiais e impressões adicionais e simplificar e padronizar o processo de aplicação. Os instrumentos de avaliação GSED foram testados e revisados durante as fases de capacitação e viabilidade do estudo de validação (ver a Seção 4).

Desenvolvimento do aplicativo GSED

Foi desenvolvido um sistema de captura eletrônica de dados para facilitar a aplicação dos instrumentos de avaliação GSED — que exigem regras de “início” e “parada” baseadas na idade e no desempenho —, reduzir erros na entrada de dados e padronizar a coleta. Esse sistema utiliza o Open Data Kit (ODK), um software gratuito e de código aberto amplamente utilizado para coletar, gerenciar e usar dados em ambientes com recursos limitados. O aplicativo ODK Collect (Figura 5), um aplicativo de coleta de dados baseado em Android, foi personalizado para criar uma interface em grade e fácil de usar para aplicar o GSED-LF. O aplicativo GSED foi programado para determinar automaticamente a pergunta inicial com base na idade, assim como todos os critérios de “início” e as regras de “parada” necessários. No caso do GSED-LF, o aplicativo permitiu que os avaliadores pontuassem os itens durante a observação direta do desempenho da criança, oferecendo ao mesmo tempo instruções de aplicação. Os instrumentos de avaliação GSED foram criados utilizando XLSForms e posteriormente convertidos para ODK XForm. Para a finalidade específica de coleta de dados nos centros de validação (ver a Seção 4), além dos instrumentos de avaliação GSED, todos os demais instrumentos de coleta do estudo foram elaborados e incorporados no mesmo aplicativo. Utilizou-se ODK Aggregator com uma base de dados MySQL como plataforma de agregação. Além disso, foi desenvolvida uma ferramenta independente exclusivamente para gerenciamento e monitoramento de dados, que permitiu à equipe do estudo gerenciar, monitorar e gerar arquivos de saída analisáveis de forma padronizada e eficiente.

Etapa 4.

FIGURA 5. APLICATIVO GSED

regras de aplicação em relação ao esperado; e na facilidade de uso dos arquivos de mídia (GSED-SF) e das instruções de aplicação integradas (GSED-LF). O aplicativo GSED foi revisado e testado durante a fase de viabilidade do estudo de validação (ver a Seção 4).

4. Validação do GSED

Esta seção descreve a metodologia utilizada para validar os instrumentos de avaliação GSED. O estudo de validação do GSED, planejado para ser conduzido em sete países com diferenças geográficas, linguísticas, culturais e de renda, foi implementado em duas rodadas (uma vez que o financiamento foi recebido em duas etapas): A primeira rodada incluiu Bangladesh, Paquistão e República Unida da Tanzânia (validação concluída e resultados informados neste relatório técnico); na segunda rodada, participaram Brasil, China, Costa do Marfim e Países Baixos (coleta de dados para validação em andamento). Os dados provenientes dos países incluídos na segunda rodada permitirão generalizar ainda mais os resultados para uso em nível mundial. A Figura 6 mostra os parceiros de validação do GSED em cada país.

O estudo utilizou um protocolo rigorosamente padronizado em todos os países, com uma abordagem mista de métodos qualitativos e quantitativos que combinava abordagens transversais e longitudinais a fim de avaliar as propriedades psicométricas dos formulários GSED-SF e longo GSEDLF: confiabilidade (entre avaliadores e teste-reteste), validade concorrente, validade convergente, validade preditiva de curto prazo aos seis meses e sensibilidade (25). O estudo recebeu a aprovação do Comitê de Ética da OMS (protocolo de validação do GSED código 004583, 20 de abril de 2020) e dos comitês de ética em cada centro de estudo.

O trabalho incluiu uma fase de preparação e viabilidade e a fase principal de coleta de dados de validação. A metodologia de ambas as fases é descrita a seguir. Os resultados apresentados neste relatório limitam-se aos países da primeira rodada, nos quais a coleta de dados já foi concluída.

Além do esforço principal de validação, alguns grupos de pesquisa externos se dispuseram a gerar mais dados de validação do GSED por meio da inclusão do pacote GSED como desfechos secundários em estudos em andamento (ver Quadro 1).

FIGURA 6. CENTROS DE ESTUDO E PARCEIROS DO ESTUDO DE VALIDAÇÃO DO GSED

País

Primeira rodada [concluída]

Segunda rodada [em andamento]

Bangladesh

Instituição parceira

Fundação de Pesquisa Projahnmo, Daca, Bangladesh

Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins, EUA

Paquistão AKU, Karachi, Paquistão

República Unida da Tanzânia

Center for Public Health Kinetics Global, Zanzibar, República Unida da Tanzânia

Laboratório de Saúde Pública Ivo de Carneri Pemba, Zanzibar, República Unida da Tanzânia

Brasil Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

China Centro Médico Nacional Infantil/Centro Médico Infantil de Xangai, Xangai, China

Costa do Marfim Innovations for Poverty Action, Abidjã, Costa do Marfim

Países Baixos

Organização Holandesa para a Pesquisa Científica (NWO), Sylviusweg, Leiden, Países Baixos

QUADRO 1. TESTAGEM DO GSED POR MEIO DE ESTUDOS EM ANDAMENTO

A inclusão do GSED em estudos externos é uma forma de testar os instrumentos de avaliação GSED (GSED-SF, GSED-LF e/ou GSED-PF) em centros com projetos de pesquisa em andamento ou recém-iniciados, com o objetivo de gerar dados adicionais de validação e viabilidade do GSED que não são contemplados pelos esforços principais de validação da OMS. Essa abordagem oferece a oportunidade de aproveitar recursos existentes por meio de parcerias com grupos de pesquisa externos, permitindo o acesso a uma gama mais ampla de países e populações e ampliando a diversidade de pontos de entrada e contextos para a aplicação do GSED. Especificamente, esse trabalho tem como objetivo gerar dados adicionais de validação e viabilidade do GSED relacionados a:

i. pertinência em âmbito mundial (maior capacidade de generalização);

ii. sensibilidade à mudança (avaliação programática);

iii. convergência de marcadores biológicos;

iv. validade preditiva;

v. viabilidade da integração a pesquisas em andamento;

vi. capacidade de explorar as trajetórias de desenvolvimento.

Dependendo do desenho e da população do estudo original, os dados adicionais gerados contribuem para um ou mais dos objetivos acima. Com a inclusão do GSED em protocolos de pesquisa externos, espera-se reunir dados adicionais sobre o uso do GSED para fins específicos em diferentes contextos, o que deve favorecer sua adoção em escala mundial.

Fase de preparação e viabilidade

A fase de preparação e viabilidade incluiu a tradução e a adaptação local dos instrumentos do estudo, a definição e a redação de procedimentos operacionais padrão, o recrutamento e a capacitação de equipes locais e testes dos processos de implementação para assegurar sua viabilidade. Esta seção descreve as atividades realizadas, assim como os resultados obtidos e as decisões tomadas quanto à validação principal.

Tradução e adaptação

Os instrumentos de avaliação GSED seguiram um processo rigoroso de tradução, adaptação e padronização a fim de capturar nuances linguísticas e culturais sem perder o foco conceitual essencial dos itens e formulários. Em resumo, cada instrumento de avaliação GSED foi traduzido para os idiomas locais (bengali, no Bangladesh; urdu e sindi, no Paquistão; e suaíli, na República Unida da Tanzânia) por dois tradutores independentes qualificados. Essas traduções foram revisadas pela equipe local do estudo a fim de alcançar um consenso sobre a versão final. A tradução consensual para o idioma local foi então

retrotraduzida para o inglês por outros dois tradutores independentes. Essa retrotradução foi compartilhada com a equipe da OMS, que conduziu um processo iterativo de revisões com a equipe local até a aprovação final. Durante a fase de preparação e viabilidade, as traduções aprovadas foram testadas (ver adiante) para que as modificações finais, se necessárias, pudessem ser realizadas antes do início da coleta de dados. Esse processo levou à adaptação dos instrumentos de avaliação GSED para incluir nuances culturais de idioma e contexto; alguns itens foram revisados com pequenas alterações de redação em cada país.

Capacitação

Foi realizado um curso presencial conjunto de capacitação de instrutores para as equipes do estudo. A capacitação abrangeu os processos de implementação e todos os formulários de coleta de dados. Foram realizadas oficinas sobre princípios do desenvolvimento infantil, revisão detalhada dos processos de aplicação e revisão dos instrumentos de avaliação item por item. Houve sessões práticas com demonstrações ao vivo, encenações e práticas em duplas e com cuidadores e crianças. Os participantes da capacitação foram certificados como instrutores sêniores locais e tornaram-se responsáveis pela formação dos avaliadores de campo em seus respectivos países. Para a formação dos avaliadores locais, foi elaborado um programa estruturado com duração de duas semanas, desenvolvido pelos instrutores sêniores locais em consulta com a equipe da OMS, incluindo sessões teóricas em sala de aula e atividades práticas. Para a coleta de dados, os avaliadores de campo concluíram um processo de certificação que exigia um nível mínimo de 90% de concordância nas pontuações dos formulários entre o avaliador e o instrutor sênior local durante a aplicação dos instrumentos de avaliação GSED.

Viabilidade dos processos de implementação

Foram coletados dados de no mínimo 32 crianças por país, estratificadas por faixa etária e sexo, com o objetivo de testar a viabilidade e a aceitabilidade da aplicação dos instrumentos do estudo e finalizar os processos de implementação (como cronogramas das visitas, incluindo o tempo necessário, e uso de tablets).

A amostra permitiu testar adequadamente todos os procedimentos de implementação em aspectos

como os processos de testagem da confiabilidade, verificações de completude da coleta de dados e detecção de itens dos instrumentos — tanto do GSED quanto instrumentos contextuais — com um grande número de respostas faltantes ou inválidas em qualquer um dos países. Algumas das principais constatações da fase preparatória e de viabilidade são apresentadas a seguir.

Cronogramas das visitas. Os dados foram coletados em duas visitas (em Bangladesh, foi testada a opção de uma ou duas visitas). A amostra foi dividida em subgrupos para testar a viabilidade de diferentes cronogramas de visitas, considerando a ordem de aplicação dos instrumentos do estudo e os distintos contextos das visitas. A primeira visita foi realizada em domicílio, com o objetivo de testar o GSED-SF no ambiente em que deve ser usado no futuro (ou seja, em inquéritos domiciliares) e de aplicar os instrumentos do estudo (ver Anexo 2) destinados a captar o ambiente cotidiano da criança em seu lar. No Paquistão e na República Unida da Tanzânia, a segunda visita foi realizada em um ambulatório ou clínica móvel para facilitar os testes antropométricos e padronizar o ambiente para a validação concorrente (junto com a Bayley-III). Em Bangladesh, a segunda visita foi feita em domicílio devido a questões de transporte e tempo de deslocamento entre os centros. Este processo funcionou bem e foi adotado para a etapa de validação. O modelo de duas visitas também foi confirmado em todos os países, inclusive em Bangladesh, devido ao tempo necessário para a aplicação. O ajuste fino da ordem de aplicação dos instrumentos do estudo levou em consideração a necessidade de otimizar o nível necessário de privacidade para alguns deles.

Testagem da confiabilidade. Foram conduzidos dois processos para testagem da confiabilidade em uma subamostra de, no mínimo, 16 crianças por país, com o objetivo de avaliar a viabilidade de se realizar múltiplas aplicações dos instrumentos do estudo dentro de prazos fixos. Primeiro, para o GSED-LF, foi testada uma abordagem de gravação da avaliação em vídeo (Bangladesh: N=15; Paquistão: N=12), na qual os vídeos foram assistidos e pontuados de forma independente por outros avaliadores e pelos instrutores sêniores do estudo, e uma abordagem de codificação simultânea por outro avaliador (N=8 por país). No caso da gravação de áudio do GSED-SF (e GSED-PF) (Bangladesh e

Paquistão, N=16), a aplicação foi realizada e pontuada de forma independente por outros avaliadores da equipe do estudo. Em Pemba (República Unida da Tanzânia), a testagem da confiabilidade foi realizada por meio de codificação ao vivo da administração do teste por outro avaliador (GSED-SF: N=22; GSED-LF: N=23). Foram detectadas várias limitações nas gravações de áudio e vídeo. Como a câmera foi posicionada em um local fixo para as gravações em vídeo, era difícil registrar o componente motor do GSED-LF de uma forma consistente e codificá-lo adequadamente. Além disso, alguns centros enfrentaram dificuldades para obter iluminação suficiente durante as gravações de forma a permitir a codificação posterior. O método de gravação de áudio utilizado para o GSED-SF apresentou desafios relacionados à qualidade das gravações de voz. A abordagem presencial, com um avaliador independente codificando as observações simultaneamente enquanto outro aplicava os instrumentos de avaliação GSED, foi considerada viável e de maior qualidade para a avaliação da confiabilidade entre avaliadores, sendo, portanto, implementada em todos os centros durante a fase de validação.

Controle de qualidade. Em cada centro, 10% das visitas agendadas de cada avaliador foram selecionadas aleatoriamente para uma visita de controle de qualidade realizada pelo instrutor sênior ou pelo supervisor local. Durante essas visitas, o instrutor sênior ou supervisor local preenchia uma lista de verificação da aplicação dos testes, conferindo a idade da criança e da mãe, a data de nascimento, a existência de consentimento, o estabelecimento de um bom relacionamento e a exatidão na aplicação dos instrumentos do estudo. Nessa fase de testes, pelo menos 10% do total de visitas em cada centro também foi gravado em vídeo. A estratégia de aplicação direta para controle de qualidade foi considerada viável e mais confiável que a avaliação por vídeo devido às dificuldades já descritas com as gravações.

Dados qualitativos: entrevistas pós-aplicação. Durante a fase de viabilidade, foram realizadas entrevistas pós-aplicação com os cuidadores para compreender sua experiência no processo de consentimento, a aceitabilidade da aplicação do GSED, os cronogramas de visitas (N=63) e a aceitabilidade dos itens, materiais, instruções e procedimentos do GSED-LF (N=72). Os avaliadores registraram as respostas e quaisquer

comentários narrativos dos cuidadores em formulários impressos, que posteriormente foram traduzidos para o inglês. A partir dessas entrevistas pós-aplicação, verificou-se que a maioria (> 90%) dos respondentes considerou aceitáveis os diversos aspectos do processo de implementação (por exemplo, o grau de conforto com os itens e o local e momento em que foram convidados a respondê-los). No entanto, 14% dos entrevistados afirmaram que a visita foi muito longa. Previa-se que a duração total da entrevista iria diminuir à medida que os avaliadores se familiarizassem com os instrumentos do estudo; entretanto, a capacitação foi reforçada com foco na prática supervisionada, a fim de garantir que os coletadores de dados se sentissem seguros na aplicação dos instrumentos do estudo e fossem eficientes. Além disso, enfatizou-se a importância de esclarecer melhor, na fase de consentimento, o tempo necessário para a participação no estudo e realizar a coleta de dados em duas visitas separadas em todos os centros. Foram levantadas algumas preocupações por parte de cuidadores e avaliadores em relação à sensibilidade de determinadas perguntas (ver as medidas incluídas no estudo no Anexo 2). Para resolver esse problema, assegurou-se uma privacidade adequada durante as conversas com os cuidadores (por exemplo, agendando visitas em uma unidade de saúde, fora do domicílio ou em horários nos quais fosse possível encontrar um ambiente reservado no domicílio). Nas entrevistas pós-aplicação do GSED-LF, alguns pais e mães relataram que as crianças de sua comunidade não tinham familiaridade com as habilidades avaliadas (28%) e os materiais utilizados (43%). Com base nas análises quantitativas preliminares, os itens em questão (envolvendo o uso de blocos, tabuleiros de formas ou tabuleiros de pinos, por exemplo) apresentaram bom desempenho e foram mantidos sem alterações significativas. Além disso, 15% dos entrevistados fizeram comentários específicos positivos sobre suas experiências com o GSED-LF, mencionando, por exemplo, que aprenderam mais sobre o que as crianças eram capazes de fazer e destacando a necessidade de maior conscientização e educação sobre o DPI.

Dados qualitativos: discussões em grupos focais. Ao final da fase de viabilidade, foram realizadas discussões em grupos focais virtuais estruturados com avaliadores, supervisores e coordenadores do estudo em cada país (N=42). O objetivo foi obter feedback

das equipes de campo locais sobre os processos de implementação (processo de consentimento, facilidade de aplicação dos instrumentos do estudo, cronogramas de visitas, uso do aplicativo GSED, necessidades de capacitação e a compreensão dos itens por avaliadores e cuidadores) e sobre a adequação cultural dos itens do GSED-SF e do GSED-LF e dos materiais do kit do GSED-LF. Os grupos focais foram gravados em áudio, transcritos e traduzidos por funcionários locais com formação especializada em métodos qualitativos. Esses dados foram analisados no Dedoose (26). Foram criados códigos para os itens incluídos nos grupos focais, que foram aplicados às respostas dos participantes. Identificaram-se temas para a análise de síntese. No geral, os resultados indicaram que as experiências dos avaliadores com a aplicação dos instrumentos do estudo foram positivas. As principais preocupações relatadas, em consonância com as experiências compartilhadas pelos cuidadores nas entrevistas pósaplicação, diziam respeito à necessidade de garantir a privacidade durante a aplicação de instrumentos que abordavam itens sensíveis (como depressão do cuidador ou exposição à violência, ver o Anexo 2). Os grupos focais também suscitaram mudanças na forma de introduzir o GSED-SF (por exemplo, incluindo mais informações sobre o fato de que, por definição, o processo de validação dos instrumentos pode fazer

Fase de validação

População do estudo

A população do estudo incluiu crianças com idades entre 2 semanas e 41 meses (inclusive) que moravam nas áreas do estudo. Foram incluídas crianças de até 41 meses para assegurar que os parâmetros de medição pudessem ser estimados com precisão adequada aos 36 meses. Os critérios de inclusão foram: idade da criança; disponibilidade do cuidador principal (a pessoa mais familiarizada com a criança e que passa mais tempo com ela) para participar do estudo; e o fato de a família se comunicar com a criança em um dos idiomas para os quais o GSED tinha sido traduzido. Crianças com idade gestacional ou peso ao nascer desconhecidos foram excluídas do estudo.

com que alguns itens pareçam repetitivos para os respondentes) e sugestões para otimizar a aplicação do GSED-LF (como oferecer às crianças alguns materiais, como os blocos, para que se familiarizem com os objetos antes da aplicação). Os grupos focais também ajudaram as equipes a desenvolver estratégias para lidar com os desafios de implementação durante a aplicação do GSED-LF, como manter as crianças engajadas, minimizar distrações, etc.

Com base nas entrevistas pós-aplicação e nos grupos focais, juntamente com o feedback obtido durante o processo de tradução, foram identificados 13 itens do GSED-LF que eram difíceis de aplicar ou entender. Esses itens foram adaptados para facilitar a aplicação ou reformulados para melhorar a facilidade de tradução e/ou a clareza das instruções de aplicação. Por exemplo, no item do GSED-LF para avaliar a compreensão da criança dos conceitos de “mais” e “menos”, inicialmente se pedia à criança que indicasse qual de dois copos continha mais água. Esse item foi considerado difícil de entender e realizar para as crianças, pois algumas tentavam brincar com a água ou bebê-la. O item foi adaptado, e passou-se a pedir à criança que indicasse qual de duas pilhas de blocos tinha mais blocos (no lugar dos copos com água).

Uma subamostra de crianças, doravante denominada “amostra de referência”, foi utilizada para estimar escores de referência preliminares. Foram aplicados critérios de exclusão adicionais a essa subamostra para excluir crianças com baixo peso ao nascer (< 2500 g); crianças nascidas pré ou pós-termo (idade gestacional < 37 ou ≥ 42 semanas completas); crianças desnutridas (escore Z de peso para idade, altura para idade ou peso para altura < –2 DP com base nos padrões de crescimento infantil da OMS) no dia da avaliação do desenvolvimento; crianças com anomalia congênita grave conhecida, história de asfixia ao nascer ou sepse neonatal que tenha exigido internação, deficiência ou transtorno do neurodesenvolvimento conhecido ou outro problema crônico de saúde; ou crianças cujo cuidador principal tivesse escolaridade inferior ao ensino médio.

Tamanho da amostra e esquema de amostragem

O tamanho amostral previsto por centro foi de 1248 crianças (totalizando 3744 nos três países). Em cada centro, as crianças foram selecionadas a partir de uma lista de díades de cuidadores e crianças potencialmente elegíveis que residiam nas áreas de estudo definidas. Apenas uma criança por cuidador ou por domicílio com múltiplas famílias foi selecionada, e o cuidador principal dessa criança foi contatado para obtenção de consentimento e inclusão no estudo. No caso de crianças que estivessem com um problema agudo de saúde no dia da avaliação, remarcou-se a avaliação após sete dias. Recusas em participar e desistências foram registradas e substituídas. Após a obtenção do consentimento, as crianças foram distribuídas conforme o sexo e a idade usando o esquema de amostragem apresentado na Figura 7. Foram estabelecidas cotas maiores para as faixas etárias mais jovens, nas quais as taxas de desenvolvimento são mais acentuadas. Da amostra

total de 1248 crianças por centro, 154 foram aleatoriamente alocadas para a testagem da confiabilidade entre avaliadores (N=99) ou teste-reteste (N=55); 166, para testes de validade concorrente, com uma ordem balanceada de aplicação do GSED e da Bayley-III (N=83 com o GSED aplicado primeiro e vice-versa); e 504, para uma reavaliação seis meses mais tarde a fim de confirmar a validade preditiva.

Dentro da subamostra de validade preditiva, as crianças foram divididas em grupos que também receberam o formulário GSED adaptativo para determinar se o teste adaptativo é uma opção viável e válida para medir o desenvolvimento na primeira infância dentro do GSED (ver o Quadro 2 para mais detalhes) ou o instrumento do Índice de desenvolvimento na primeira infância 2030 (ECDI2030) do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para subsidiar a harmonização da medição do desenvolvimento infantil até os 5 anos em nível populacional (ver o Quadro 3 para mais detalhes).

7. ESQUEMA DE AMOSTRAGEM DOS INSTRUMENTOS GSED EM CADA PAÍS

Amostra total n = 1248

Confiabilidade

N = 154 (140 + 10% por perda de seguimento – PARAR no 140)

Entre avaliadores

N = 99 (90)1

Teste-reteste

N = 55 (50)1

Concorrente

N = 166 (150 + 10% por perda de seguimento – PARAR no 150)1

Concorrente 1

N = 83 (75)1

Validade preditiva (N = 504)2

Amostra adaptativa (N = 432 + 72 novos)3

ECDI (N = 230)4

Concorrente 2

N = 83 (75)1

[1] O número entre parênteses é o número coletado e o número fora dos parênteses é o número randomizado para compensar perda de seguimento.

[2] Dois participantes adicionais foram incluídos na análise da validade preditiva para que houvesse o mesmo número em cada grupo experimental.

[3] 72 novas crianças com idades entre 2 semanas e 6 meses foram adicionadas à amostra adaptativa para assegurar a cobertura das idades mais baixas.

[4] O ECDI foi realizado apenas em 230 crianças de 24 meses ou mais no momento da coleta dos dados de validade preditiva.

FIGURA

QUADRO 2. TESTE GSED ADAPTATIVO

Testes adaptativos computadorizados são amplamente utilizados na área de educação. Eles adaptam a ordem de aplicação para cada participante com base nas respostas do participante às perguntas anteriores. O teste GSED adaptativo seleciona um primeiro item (ou seja, o item inicial) com base em uma estimativa externa da proficiência da criança (com base na idade, por exemplo). Após registrar a resposta a esse item, o algoritmo subjacente calcula o escore D e determina se o resultado é preciso o suficiente para atender ao critério de “parada”. Se o critério não for atendido, o algoritmo seleciona o próximo item para que seja o mais informativo com base em todas as respostas anteriores, e assim sucessivamente. O processo termina assim que o critério de “parada” predefinido for satisfeito. A Figura 8 ilustra o algoritmo. O teste adaptativo é um método moderno, flexível e personalizado para quantificar o escore D de cada criança. Até o momento, fora as evidências sobre a eficiência desses testes em estudos de simulação (27, 28) ou em contextos clínicos (27), há poucas pesquisas publicadas e experiências documentadas que utilizem testes adaptativos para medir o desenvolvimento infantil. A abordagem de testagem adaptativa para o GSED-SF e o GSED-LF foi avaliada no estudo de validação do GSED, e os resultados estão em fase de análise.

Resposta

Item inicial

Próximo item

Avaliar a regra de parada: — erro padrão mínimo da medida — máximo de itens

Calcular o escore D

Escore D final

FIGURA 8. ALGORITMO DE TESTES ADAPTATIVOS COMPUTADORIZADOS PARA O ESCORE D

QUADRO 3. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE O GSED E O ECDI2030

Avaliações de resultados de desenvolvimento na primeira infância de âmbito populacional permitem que os países monitorem seu progresso em relação aos ODS, além de gerar dados úteis para promoção da causa e formulação de políticas públicas. Um dos dados mais relevantes para o desenvolvimento na primeira infância é o indicador 4.2.1 dos ODS (proporção de crianças com 24 a 59 meses com bom desenvolvimento em saúde, aprendizado e bem-estar psicossocial). O ECDI2030 do UNICEF é reconhecido como uma medida viável para avaliar o progresso em direção a essa meta. No entanto, pesquisas indicam que os primeiros 1000 dias de vida representam uma importante janela de oportunidade para construir uma base sólida para o desenvolvimento futuro. Continua em aberto, portanto, a questão de como acompanhar de forma harmoniosa e significativa o desenvolvimento de crianças desde o nascimento até os 2 anos de idade, quando as iniquidades em saúde e educação começam a surgir. Estabelecer a exequibilidade de vincular o monitoramento populacional nos primeiros 24 meses de vida ao das crianças mais velhas e de aprimorar a capacidade de produção de dados nessa área (por exemplo, fornecendo métricas que permitam comparar o impacto de programas e políticas ao longo dos cinco primeiros anos de vida) é claramente fundamental para avançar na agenda de bem-estar infantil e equidade para além de 2030. Considerando-se a necessidade premente de abordar a atual carência de medição do desenvolvimento infantil em menores de 2 anos, a OMS e o UNICEF promoveram um diálogo sobre formas de alinhar o GSED e o ECDI2030, de modo a permitir que governos e parceiros planejem a continuidade da mensuração do desenvolvimento na primeira infância na faixa etária de 0 a 59 meses de uma forma interpretável e psicometricamente válida.

Para explorar esse objetivo, tendo em conta a complementaridade, o alcance e o formato dos dois instrumentos e aproveitando os esforços de validação em andamento, a OMS coletou dados de 628 crianças de 24 a 41 meses de idade em três países, com a aplicação na íntegra tanto do GSED-SF quanto do ECDI2030 à mesma criança. O objetivo específico desse trabalho foi investigar como os escores dos dois instrumentos estão vinculados e se relacionam entre si, de modo a estabelecer a continuidade na medição do desenvolvimento infantil desde o nascimento. Os resultados serão publicados separadamente.

Instrumentos de avaliação do estudo

Os instrumentos de avaliação GSED-SF, GSED-LF (e GSED-PF), bem como as medidas de crescimento infantil (antropometria) e as informações sobre nutrição, saúde, ambiente e contexto (como o ambiente familiar e doméstico), avaliadas por meio do Home Observation Measurement of the Environment (HOME) ou do Family Care Indicator (FCI), da Childhood Psychosocial Adversity Scale (CPAS), do questionário de saúde do paciente 9 (PHQ9, na sigla em inglês), da Brief Resilience Scale (BRS) e da Family Support Scale (FSS) (ver Anexo 3), foram aplicados a todas as crianças para examinar a validade convergente e discriminante e identificar uma subamostra de crianças com restrições mínimas ao desenvolvimento, a fim de criar escores de referência preliminares. A seleção dos instrumentos baseou-se em determinantes biológicos e sociais do desenvolvimento conhecidos (29), na validade comprovada dos instrumentos contextuais em pelo menos um país de renda baixa ou média e na eficiência

em termos da coleta de dados. Embora não exista um padrão-ouro universal que possa ser recomendado para o teste de validade concorrente, a Bayley-III avalia um construto semelhante ao do GSED e já havia sido utilizado anteriormente pelas equipes dos países. Portanto, a Bayley-III foi aplicado na subamostra de validade concorrente, e o ECDI2030 (ver Quadro 3) foi aplicado em um subgrupo da subamostra utilizada para a validade preditiva com o objetivo de subsidiar a harmonização das medições além dos 3 anos de idade.

Programação das visitas e controle de qualidade

A coleta de dados foi programada para ser realizada em uma a três visitas, dependendo do centro do estudo e da subamostra. A primeira aplicação do GSED-SF foi realizada em domicílio, a fim de testá-lo no ambiente em que deve ser usado no futuro (por exemplo, em inquéritos domiciliares), e antes da aplicação do GSED-LF, para não

influenciar as respostas dos cuidadores. O GSED-LF e a Bayley-III foram aplicados em um ambiente controlado (por exemplo, uma unidade de saúde ou área residencial tranquila), de modo a atender aos protocolos exigidos para o teste de validade concorrente. Para assegurar uma alta qualidade, 10% de todas as visitas do estudo foram observadas presencialmente pelos supervisores do estudo, abrangendo todas as faixas etárias das crianças e todos os avaliadores certificados. Os supervisores tinham pelo menos cinco anos de experiência em pesquisa comunitária ou formação acadêmica em áreas relacionadas ao desenvolvimento na primeira infância (por exemplo, magistério, enfermagem ou psicologia). Os supervisores preencheram de forma independente os questionários aplicados pelo avaliador e completaram uma lista de verificação da fidelidade para fornecer feedback aos avaliadores. Os supervisores analisavam quinzenalmente os achados da garantia de qualidade junto com a OMS. O aplicativo GSED, utilizado para a coleta de dados, fornecia verificações automáticas da amplitude e da consistência dos dados. Os gerentes de dados analisavam e resolviam problemas diariamente, em consulta com a equipe local e/ou a equipe da OMS.

Gerenciamento de dados

Conforme descrito anteriormente, para otimizar a facilidade de aplicação dos instrumentos de avaliação GSED e minimizar erros na entrada de dados, foi desenvolvido o aplicativo GSED, que também aumentou a padronização da coleta de dados entre os diferentes centros de estudo. Além dos instrumentos de avaliação GSED, todos os demais instrumentos do estudo foram desenvolvidos e incorporados no mesmo aplicativo. Utilizou-se ODK Aggregator com uma base de dados MySQL como plataforma de agregação. Por fim, foi desenvolvido um módulo independente de gerenciamento e monitoramento de dados, que permitiu à equipe do estudo gerenciar, monitorar e gerar arquivos de saída analisáveis de forma eficiente. O módulo de gerenciamento de dados permitiu que os gerentes de dados verificassem o status de conclusão dos formulários, dados faltantes sinalizados, o status do cronograma de visitas e os horários disponíveis para agendamento, o andamento da coleta de dados por faixa etária e sexo e o status de finalização dos formulários dos participantes

no estudo. Os dados do módulo eram analisados semanalmente pelas equipes dos países e pela OMS para monitorar o andamento do estudo.

Houve um teste preliminar do protótipo do aplicativo GSED no Google Play, com duas rodadas de feedback das equipes de campo, de especialistas no assunto e das equipes de estatística. Os principais comentários recebidos concentraram-se na interface visual, cores e fontes; na quantidade de perguntas por tela; no funcionamento das regras de aplicação em relação ao esperado; e na facilidade de uso dos arquivos de mídia (GSED-SF) e das instruções de aplicação integradas (GSED-LF). O aplicativo GSED foi revisado e testado em campo durante a fase de viabilidade do estudo de validação, a fim de avaliar a facilidade e a exatidão na coleta e transferência dos dados. Após a fase de viabilidade, a versão revisada do aplicativo GSED foi lançada e testada quanto às seguintes características: posicionamento dos arquivos de mídia e das perguntas na tela para aumentar a agilidade no uso do aplicativo; inclusão de uma janela pop-up para informar ao avaliador a idade da criança a ser avaliada; e adição de um alerta pop-up perguntando se todas as perguntas correspondentes à faixa etária da criança foram respondidas conforme as regras antes de salvar os formulários.

Depois de coletados, os dados foram armazenados em servidores locais protegidos por senha com autenticação de usuários. Os dados anonimizados foram transferidos de forma segura para o repositório central de dados da OMS por cada centro. As transferências foram semanais durante o primeiro mês de coleta de dados e, depois, quinzenais. Os dados semanais coletados no primeiro mês foram analisados para verificação da consistência com o dicionário de dados, detecção de dados faltantes, formatação dos dados e identificação de possíveis problemas (dados faltantes ou que não fizessem sentido). As equipes mantiveram registros detalhados relacionados aos procedimentos de reagendamento e às visitas incompletas. Essas questões foram analisadas semanalmente para resolução de dúvidas com a equipe da OMS. O conjunto final de dados foi transmitido por cada país ao repositório da OMS para análise.

5. Propriedades psicométricas do GSED

Esta seção aborda diversos aspectos do desempenho psicométrico do GSED nos três países da primeira rodada (Bangladesh, Paquistão e República Unida da Tanzânia). As análises apresentadas nesta seção, com exceção da análise de confiabilidade, foram realizadas com base na versão combinada, ou seja, utilizando conjuntamente os dados do GSED-SF e do GSED-LF. Isso reflete o fato de que o foco principal está na validação da escala que origina os instrumentos, e não nos instrumentos individuais. No entanto, para demonstrar as poucas diferenças entre as propriedades psicométricas do GSED-LF, do GSED-SF e do GSED-CB, as análises de validade concorrente, convergente e preditiva de curto prazo dos três formulários são apresentadas no anexo 3.

No total, foram coletados dados sobre 4452 crianças nos três países. Alguns países coletaram mais dados do que a amostra especificada para: i) cumprir a cota mínima da amostra de referência; e ii) assegurar que cada faixa etária fosse amostrada no nível especificado. Foram analisados dados de 4349 crianças, selecionadas aleatoriamente para as várias subamostras de confiabilidade e validade. A Tabela 2 mostra os números coletados para cada um dos centros, por instrumento. Os dados de 41 crianças

foram excluídos da análise com base nas observações fornecidas pelos países, que indicavam que esses dados eram inválidos por diferentes motivos (por exemplo, registros duplicados, desistência do estudo, etc.).

Além disso, 62 participantes foram excluídos por não possuírem dados do GSED-LF nem do GSED-SF na linha de base, devido à aplicação incompleta da bateria de testes.

TABELA 2. NÚMERO DE CRIANÇAS POR INSTRUMENTO DO ESTUDO E PAÍS

Subamostra do GSED-SF

Subamostra do GSED-LF

Subamostra do GSED-SF para confiabilidade entre avaliadores

Subamostra do GSED-LF para confiabilidade entre avaliadores

Subamostra de

(Bayley-III)

A Tabela 3 apresenta as características demográficas da amostra. A idade média das crianças foi maior no Paquistão do que nos outros países, pois um número maior de crianças mais velhas foi recrutado para garantir uma amostra suficiente na subamostra de validade preditiva, após desafios enfrentados para

fazer o seguimento aos seis meses. O grande tamanho amostral comparado a estudos semelhantes e a aplicação padronizada dos instrumentos em múltiplos países reforçam as inferências de validade e a robustez dos resultados do estudo.

TABELA 3. CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS POR PAÍS

PHQ9: N (%)*

materna: N (%)

* Para obter mais informações sobre as definições dessas categorias, consulte https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11556941/.

Confiabilidade interna

A precisão do GSED-CB em qualquer faixa etária é maior do que a das versões individuais que o compõem, devido ao maior número de itens.

A Figura 9 apresenta o erro padrão de estimativa (EPE) (30) dos escores D obtidos com o GSED-CB (GSED-SF e GSED-LF combinados) segundo o modelo de Rasch. Como o número de itens pertinentes a cada seção da escala varia, a precisão das estimativas pode oscilar em diferentes pontos ao longo dessa escala. O eixo y apresenta o EPE, o eixo x inferior mostra a escala do escore D e o eixo x superior indica o escore D médio em diferentes idades das crianças, expressas em meses. Os escores D médios para cada faixa etária apresentam uma relação não linear com a idade, refletindo a diminuição do ritmo de desenvolvimento à medida que as crianças crescem.

FIGURA 9. ERRO PADRÃO DE ESTIMATIVA POR INSTRUMENTO GSED

FIGURA 10. GRÁFICO DE PSEUDOCONFIABILIDADE POR INSTRUMENTO GSED

A Figura 10 ilustra a pseudoconfiabilidade [confiabilidade = 1 − (1/informação do teste) (31)] ao longo da escala do escore D. Esse valor, em qualquer ponto da escala, pode ser interpretado da mesma forma que as medidas tradicionais de confiabilidade interna (por exemplo, Kuder-Richardson 20 ou alfa de Cronbach), que indicam a consistência dos escores

entre os itens. A confiabilidade interna do GSED-LF está acima de 0,8 em quase toda a extensão da escala, a do GSED-SF está acima de 0,8 e a do GSED-CB está acima de 0,9 em praticamente toda a escala. Uma confiabilidade mais baixa em um ponto da escala indica uma densidade mais baixa de itens em um determinado ponto.

Confiabilidade externa

Todas as métricas de confiabilidade apresentaram resultados excelentes na escala do escore D. A confiabilidade externa mede até que ponto um instrumento produz o mesmo escore em aplicações teoricamente idênticas. A confiabilidade entre avaliadores refere-se ao grau de concordância entre diferentes avaliadores, enquanto a confiabilidade teste-reteste mede o grau de concordância para o mesmo avaliador em dois momentos distintos.

A confiabilidade é expressa neste documento (Tabela 4) como coeficiente de correlação intraclasse, onde 0 indica ausência de confiabilidade e 1 indica confiabilidade perfeita. Os valores de referência habituais sugerem que 0 a 0,2 indica baixa confiabilidade; 0,2 a 0,4 indica confiabilidade razoável; 0,4 a 0,6 indica confiabilidade moderada; e valores > 0,8 indicam alta confiabilidade (32)

TABELA 4. CORRELAÇÃO INTRACLASSE DA CONFIABILIDADE DO ESCORE D DO GSED (INTERVALOS DE CONFIANÇA

[IC s ] DE 95%)

GSED-CB 0,99 (0,99-1,00) n = 95 0,98 (0,97-0,99) n = 99

(0,98-0,99) n = 95

(0,98-0,99) n = 289

Confiabilidade entre avaliadores

Teste-reteste

GSED-SF 0,99 (0,99-0,99) n = 95

(0,96-0,98) n = 100

(0,99-0,99) n = 96

(0,98-0,99) n = 291

GSED-LF 0,99 (0,98-0,99) n = 95 0,98 (0,96-0,98) n = 99 0,97 (0,95-0,99) n = 95 0,98 (0,97-0,99) n = 289

GSED-CB 1,00 (0,98-1,00) n = 48 0,99 (0,98-0,99) n = 59 0,99 (0,99-1,00) n = 52 0,99 (0,99-1,00) n = 159

GSED-SF 0,99 (0,99-1,00) n = 48 0,99 (0,98-1,00) n = 59 0,99 (0,99-1,00) n = 52 0,99 (0,99-1,00) n = 159

GSED-LF 0,99 (0,97-1,00) n = 48 0,98 (0,96-0,99) n = 59 0,99 (0,98-1,00) n = 52 0,99 (0,98-0,99) n = 159

O valor de 0 indica ausência de confiabilidade e 1 indica confiabilidade perfeita.”
Escala do escore D
Bangladesh Paquistão República Unida da Tanzânia

Validade concorrente

A validade concorrente, um tipo de validade de critério, quantifica a correlação de um determinado instrumento com outro instrumento de avaliação do mesmo construto (possivelmente um padrão-ouro) que é aplicado simultaneamente. Neste caso, o critério de avaliação é a escala Bayley-III, uma medida amplamente utilizada que frequentemente serve de referência (33–35). Para avaliar a correlação entre os escores brutos da Bayley-III e o D/I do GSED na mesma escala, um modelo de teoria de resposta ao item de dois parâmetros (2PL) foi aplicado às respostas dos itens da Bayley-III, e um modelo aditivo generalizado para localização, escala e forma (GAMLSS) (36) foi utilizado para remover o efeito da idade, em conformidade com a metodologia empregada na construção do D/I do GSED. Foram estabelecidos valores de referência normais da amostra para garantir

que os ajustes pela idade fossem, tanto quanto possível, pertinentes à amostra em questão.

Os escores Z ajustados pela idade foram gerados apenas para o escore total, uma vez que os domínios individuais não continham um número suficiente de itens para permitir uma padronização robusta por idade.

A Tabela 5 apresenta as correlações de Pearson entre os domínios individuais da Bayley-III e os escores totais, usando os escores D do GSED. O escore D do GSED apresenta correlações > 0,90 com os domínios da Bayley-III na maioria dos domínios e países. As correlações foram mais altas para os itens cognitivos e motores do que para os itens de comunicação, embora a correlação do escore total tenha sido muito elevada (0,98).

TABELA 5. VALIDADE CONCORRENTE DO GSED EM RELAÇÃO AO BAYLEY-III E AOS DOMÍNIOS DO BAYLEY-III, POR PAÍS E GERAL: COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO (IC 95%)

Escore D do GSED

Escala do escore D

Domínio da Bayley-III

(N = 159)

(N = 158)

(N = 161)

(N = 478)

Cognição 0,98 (0,97-0,98) 0,95 (0,93-0,96) 0,97 (0,96-0,98) 0,97 (0,96-0,97)

Comunicação receptiva 0,91 (0,88-0,93) 0,88 (0,84-0,91) 0,91 (0,88-0,94) 0,90 (0,88-0,92)

Comunicação expressiva 0,94 (0,92-0,96) 0,87 (0,83-0,90) 0,89 (0,85-0,92) 0,90 (0,88-0,91)

Motricidade fina 0,97 (0,96-0,98) 0,97 (0,95-0,97) 0,97 (0,95-0,97) 0,97 (0,96-0,97)

Motricidade ampla 0,98 (0,97-0,98) 0,97 (0,97-0,98) 0,98 (0,97-0,98) 0,98 (0,97-0,98)

Escore total na Bayley-III 0,99 (0,98-0,99) 0,97 (0,96-0,98) 0,98 (0,98-0,99) 0,98 (0,98-0,98)

Escala D/I

Escore Z total da Bayley-III ajustado pela idade* 0,55 (0,44-0,65) 0,26 (0,11-0,41) 0,56 (0,44-0,66) 0,53 (0,47-0,6)

* Os escores do D/I não foram gerados em nível de domínio, pois não havia dados suficientes para que isso fosse feito de forma robusta.

Validade convergente

A validade convergente avalia o grau de correlação entre um instrumento e outras variáveis com as quais se espera que haja correlação. A Tabela 6 apresenta uma seleção de variáveis que, em princípio, deveriam estar correlacionadas com o escore Z de D/I do GSED, com base nas evidências da literatura. A tabela contém os coeficientes de correlação de Pearson com intervalos de confiança de 95%, salvo indicação em contrário. Algumas variáveis eram ordinais e exigiram o uso do coeficiente de correlação de Spearman.

Para algumas das variáveis compostas por múltiplos itens com uma grande quantidade de dados faltantes, foi aplicado um modelo unidimensional de teoria de resposta ao item 2PL para extrair escores resumidos, sob o pressuposto de que os dados estão ausentes aleatoriamente. O modelo 2PL também pode ser mais apropriado e exato para o índice de riqueza

das Pesquisas sobre Demografia e Saúde com base nos escores internos gerados, em vez de depender dos quintis publicados, que foram definidos segundo pesos estabelecidos há alguns anos. Não se gerou um escore total (ou seja, combinando todos os países) para o índice de riqueza nem para a escolaridade materna, já que os itens e categorias não eram comparáveis entre os diferentes países. Para os escores totais, todos os instrumentos de avaliação apresentaram resultados estatisticamente significantes em relação a zero nas direções hipotetizadas, usando um nível de significância de 5%. No entanto, em nível de país, alguns instrumentos de avaliação não apresentaram diferenças estatisticamente significantes em relação a zero nas direções esperadas. A Tabela 6 compara os resultados do GSED-SF e do GSED-LF (aplicados no formato combinado) com as variáveis contextuais convergentes.

TABELA 6. VALIDADE CONVERGENTE COM O D/I DO GSED: COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO DE PEARSON (IC 95%)

Nível socioeconômico: índice de riqueza das Pesquisas sobre Demografia e Saúde*** 0,10 (0,05-0,16) 0,14 (0,09-0,19) 0,15 (0,10-0,20) N/A

Antropometria: A/I 0,21 (0,16-0,26) 0,18 (0,13-0,23) 0,21 (0,16-0,26) 0,19 (0,16-0,22)

Antropometria: P/I 0,21 (0,16-0,26) 0,17 (0,12-0,22) 0,17 (0,12-0,23) 0,23 (0,20-0,26)

Peso ao nascer 0,16 (0,10-0,21) 0,03 (–0,02-0,08) 0,20 (0,14-0,25) 0,04 (0,01-0,07)

Idade gestacional

(0,05-0,16)

(0,11-0,21)

(0,15-0,26)

(0,14-0,20)

Escolaridade materna*, *** 0,14 (0,08-0,19) 0,21 (0,16-0,26) 0,06 (0,01-0,11) N/A

Categoria do PHQ9* –0,05 (–0,10-0,01) –0,04 (–0,08-0,02)

(0,02-0,08)

(0,16-0,26) 0,23 (0,20-0,26)

** –0,05 (–0,1-0,01) –0,05 (–0,10-0,01) –0,01 (– 0,06-0,04) –0,07 (–0,1-–0,04) FSS** 0,11 (0,06-0,16) 0,07 (0,02-0,12) 0,03 (–0,02-0,09) 0,22 (0,19-0,25) BRS* –0,1 (–0,15-–0,05) –0,09 (–0,14-–0,04) –0,01 (–0,06-0,04) –0,09 (–0,12-–0,06)

* Correlação de Spearman: escolaridade materna [sem escolaridade, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior], PHQ9 [depressão mínima, leve, moderada, moderada-grave, grave].

** Escala criada por meio de um modelo de teoria de resposta ao item unidimensional de dois parâmetros.

*** Para essas variáveis, não se considerou apropriado usar uma escala transnacional.

Validade para grupos conhecidos

Para avaliar se os escores do GSED estavam associados a fatores conhecidos que influenciam o desenvolvimento, utilizou-se uma série de modelos de regressão logística, corrigidos pelas diferenças de prevalência entre países, com o objetivo de prever a probabilidade de uma criança apresentar um valor de D/I abaixo da média com base no seu pertencimento a um dos grupos apresentados na Tabela 7. Nenhum dos intervalos de confiança para as razões de chances inclui zero, o que indica significância estatística ao nível de 5%. Crianças com déficit de crescimento ou baixo peso (A/I ou P/I < -2 DP em relação

à média), com baixo peso ao nascer ou prematuras têm aproximadamente o dobro de probabilidade de apresentar escores Z de D/I abaixo da média. Crianças prematuras e crianças cujas mães utilizaram tabaco durante a gestação têm probabilidades 1,77 e 1,34 vezes maiores, respectivamente, de apresentar escores Z de D/I abaixo da média. Crianças cujas mães fizeram uso de suplementos durante a gestação têm uma probabilidade 25% menor de apresentarem escores Z de D/I abaixo da média.

TABELA 7. RAZÕES DE CHANCES DA VALIDADE PARA GRUPOS CONHECIDOS (IC 95%)

Grupo conhecido Razão de chances

Déficit de crescimento: A/I 2,12 (1,83-2,46)

Insuficiência ponderal: P/I 2,15 (1,81-2,54)

Baixo peso ao nascer (< 2500 g) 2,24 (1,73-2,90)

Prematuridade (< 38 semanas de gestação) 1,77 (1,51-2,08)

Uso de suplementos maternos durante a gravidez 0,75 (0,66-0,86)

Uso de tabaco pela mãe durante a gravidez 1,34 (1,05-1,70)

Validade preditiva de curto prazo

A validade preditiva de curto prazo foi avaliada por meio da correlação entre o instrumento de avaliação GSED aplicado na linha de base e o mesmo instrumento aplicado seis meses depois (± duas semanas). No geral,

a correlação entre os escores Z de D/I do GSED em um intervalo de seis meses foi de 0,59, com valores semelhantes entre os diferentes países (ver Tabela 8).

TABELA 8. VALIDADE PREDITIVA: COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO (IC 95%)

Bangladesh Paquistão República Unida da Tanzânia

D/I do GSED na linha de base comparado ao D/I do GSED aos 6 meses

(0,48-0,61)

(0,51-0,63)

(0,50-0,63)

Total

(0,56-0,63)

6. Pacote GSED v1.0

Esta seção descreve todos os componentes do pacote GSED v1.0. O pacote foi testado em três países e atendeu aos critérios estabelecidos de validade concorrente, convergente e preditiva de curto prazo e confiabilidade. Há mais testes em andamento em outros quatro países para ampliar as verificações de validade (ver Seção 7).

O pacote foi desenvolvido para oferecer à comunidade mundial um instrumento de avaliação do desenvolvimento na primeira infância para aplicação em nível populacional, de acesso aberto e comparável entre diferentes países. Não há taxas nem royalties associados ao seu uso, e o pacote foi elaborado e testado para ser linguisticamente e culturalmente neutro. Estão incluídos: i) os instrumentos GSED-SF e GSED-LF, tanto em versão impressa quanto em aplicativo; ii) guias dos itens incluídos nos instrumentos; iii) manuais de aplicação dos instrumentos; iv) um guia de adaptação e tradução; e v) um guia de pontuação.

Os formulários GSED-SF e GSED-LF v1.0

O GSED-SF é uma entrevista respondida pelos cuidadores. Já o GSED-LF é composto por itens aplicados diretamente à criança (por exemplo, emitir sons, fixar o olhar e acompanhar um objeto, sentar e levantar-se ou identificar objetos apresentados em uma imagem em um tablet). Ambos possuem regras de aplicação (de “início” e “parada”) baseadas na idade da criança e nas respostas aos itens. A Tabela 9 resume os principais aspectos do GSED-SF e do GSED-LF. Ambos os formulários estão disponíveis em vários idiomas, e mais traduções serão disponibilizadas.

O GSED-SF inclui arquivos de mídia utilizados como recursos de apoio para facilitar a compreensão dos itens pelos cuidadores, como imagens e pequenas animações que ilustram as ações e habilidades mencionadas (por exemplo, andar, chutar uma bola), além de arquivos de áudio que permitem ao cuidador ouvir os sons relacionados às perguntas (por exemplo, risadinhas ou balbucios).

O GSED-LF é organizado em três sequências que agrupam tarefas que tendem a ser observadas

simultaneamente, com o objetivo de otimizar e facilitar a aplicação do instrumento. A aplicação do GSED-LF depende, em parte, de materiais de baixo custo organizados em um kit, que deve ser montado localmente pelos usuários de acordo com as orientações detalhadas contidas no Manual do usuário.

Os instrumentos de avaliação GSED devem ser aplicados por meio do aplicativo GSED em um dispositivo inteligente contendo as regras de aplicação integradas e uma interface fácil de usar para coletar dados tanto por meio de relatos de cuidadores quanto por aplicação direta dos itens (por meio de uma interface em grade com instruções para o avaliador). O aplicativo GSED é compatível com qualquer dispositivo móvel que utilize o sistema operacional Android e pode ser baixado na Google Play Store. As versões XLSForm e XForm (xml) dos instrumentos de avaliação GSED-SF e GSED-LF, juntamente com os arquivos de mídia correspondentes, podem ser carregadas e configuradas em qualquer servidor agregador (como ODK Aggregate, ODK Central, Kobo, entre outros) para a coleta de dados por meio do aplicativo GSED.

Se necessário, pode-se utilizar uma versão impressa dos instrumentos de avaliação GSED, desde que as regras de aplicação sejam rigorosamente seguidas e os avaliadores tenham acesso aos materiais complementares específicos de cada instrumento. Como alternativa, os formulários podem ser impressos. No caso do GSED-LF, o kit deve ser complementado com a impressão dos componentes que estão integrados ao aplicativo GSED (ou seja, imagens e livretos). A autoaplicação e a aplicação remota

(por exemplo, por telefone) do GSED-SF estão sendo testadas. Para maximizar a qualidade dos dados gerados, no momento recomenda-se aplicar os instrumentos GSED-SF e GSED-LF presencialmente, utilizando o aplicativo GSED.

Os instrumentos GSED-HF (Quadro 4) e GSED-PF (Quadro 5) ainda não foram totalmente testados, mas podem ser disponibilizados mediante solicitação.

TABELA 9. DESCRIÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO GSED

GSED-SF

Esforços de coleta e monitoramento de dados em grande escala

Objetivo principal

GSED-LF

Pesquisa e avaliação de programas

Interpretação dos escores

Pesquisa e avaliação de programas

Nível populacional

NÃO deve ser utilizado para interpretação em nível individual

Idade-alvo < 36 meses

Formato Entrevista com o cuidador Aplicação direta

Itens agrupados em três sequências para facilitar a aplicação do formulário

Estrutura do formulário Perguntas ordenadas ao cuidador

Cada sequência é organizada em uma grade (os itens não precisam ser pontuados em ordem sequencial)

Número total de itens 139 155

Número médio de itens aplicados por criança/cuidador*

Opções de resposta

30-50

Respostas binárias (sim/não) + opção “não sei” (apenas quando absolutamente necessário)

45-60 (15-20 por sequência)

Resposta binária (sim/não)

Apenas os itens observados podem ser pontuados como “sim”

Regras de aplicação

Tempo necessário para aplicar o instrumento*

Modalidade de aplicação

Regra de “início” com base na idade da criança e regra de “parada” com base nas habilidades relatadas

Regra de “retrocesso” para permitir que o instrumento seja aplicado a crianças com todos os níveis de habilidade e desenvolvimento

Não se deve pular nenhum item para completar o formulário

minutos

Materiais necessários para aplicar o instrumento

Regras de “início” e “parada” com base na idade da criança e no desempenho

“Delimitadores” para permitir que o instrumento seja aplicado a crianças com todos os níveis de habilidade e desenvolvimento

É preciso aplicar todas as sequências para completar o formulário

Aplicativo GSED (recomendado)

Versão impressa (também disponível)

Aplicativo GSED: tablet ou dispositivo similar

Aplicação em papel: formulário impresso em papel com um tablet ou dispositivo similar para instruções audiovisuais (também pode ser impresso)

minutos

Kit do GSED-LF

Aplicativo GSED: tablet ou dispositivo similar

Aplicação em papel: formulário impresso e manual de instruções

*Planeja-se reduzir o tempo de aplicação e a extensão dos instrumentos de avaliação GSED após as revisões planejadas, que serão realizadas quando os dados dos países da segunda rodada estiverem disponíveis (ver a Seção 7). O mesmo será feito quando a versão adaptativa estiver disponível.

São necessários cursos de capacitação específicos para aprender a aplicar os instrumentos de avaliação e capacitar outras pessoas na sua aplicação. Esses cursos estão disponíveis em inglês, presencialmente ou via Zoom, mediante solicitação. A duração sugerida da capacitação é de sete a dez dias (para ambos os instrumentos); no entanto, as sessões de capacitação podem ser adaptadas conforme a experiência dos participantes com instrumentos relacionados ao desenvolvimento infantil e quando o GSED-SF ou o GSED-LF forem utilizados isoladamente.

Além disso, está sendo desenvolvida uma série de cursos on-line que cada participante poderá fazer no próprio ritmo. Os cursos de capacitação incluem materiais de apoio, como o Manual de capacitação do GSED (disponível para os participantes), que apresenta orientações para padronizar a aplicação a fim de garantir que todos os avaliadores utilizem sempre os mesmos procedimentos. As pessoas responsáveis pela aplicação do GSED devem estar totalmente familiarizadas com as diretrizes e segui-las escrupulosamente.

QUADRO 4. FORMULÁRIO DOMICILIAR DO GSED

[PARA TESTES ADICIONAIS]

O GSED-HF é um instrumento de coleta de dados relatados pelo cuidador em nível populacional que foi desenvolvido para ser integrado a inquéritos domiciliares multitemáticos, com o objetivo de monitorar o desenvolvimento infantil em âmbito mundial. O instrumento mede a proporção de crianças de até 24 meses que apresentam desenvolvimento adequado para a idade. O GSED-HF utiliza a mesma métrica, o escore D, que o GSED-SF e o GSED-LF. O GSED-HF avalia a conquista, pelas crianças mais novas, de marcos importantes do desenvolvimento infantil. É composto por 55 itens organizados por cinco faixas etárias (0 a < 3 meses; 3 a < 6 meses; 6 a < 12 meses; 12 a < 18 meses; 18 a <24 meses). De acordo com a idade da criança, os cuidadores principais respondem a um conjunto de 20 perguntas — adaptadas à faixa etária, mas com certa sobreposição entre faixas — sobre o comportamento, as habilidades e os conhecimentos de seus filhos. O total de 55 perguntas e sua alocação a faixas etárias específicas resultam de um rigoroso processo metodológico usado para identificar os conjuntos de itens mais curtos e informativos para capturar o desenvolvimento infantil. As perguntas foram selecionadas intencionalmente para refletir a crescente complexidade das habilidades que as crianças adquirem com o tempo. Portanto, algumas perguntas podem parecer muito fáceis ou muito difíceis para algumas crianças. O GSED-HF vem acompanhado de um pacote de ferramentas de implementação. O instrumento foi desenvolvido especificamente para ser utilizado em inquéritos que também coletam uma ampla gama de dados adicionais sobre outros membros da família e cujo foco pode não ser necessariamente o DPI. O GSED-HF permite a inclusão de um componente de DPI para crianças menores de 24 meses em pesquisas multitemáticas, com carga mínima adicional de aplicação. Quando utilizado em pesquisas elaboradas e implementadas adequadamente, permite a geração de dados comparáveis entre países. O GSED-HF será testado em inquéritos domiciliares multitemáticos antes de ser aprovado para uso expandido.

QUADRO 5. FORMULÁRIO PSICOSSOCIAL DO GSED

[PARA TESTES ADICIONAIS]

Compreender o surgimento de desafios precoces de saúde mental, incluindo transtornos do sono, da alimentação e da regulação emocional, é um componente importante do monitoramento do desenvolvimento de crianças pequenas. Como o GSED foi concebido para acompanhar o desenvolvimento normativo, e não o surgimento de desafios de saúde mental, foi criado um formulário adicional para inclusão no pacote, o GSED-PF, voltado especificamente para o bem-estar mental e comportamental de crianças pequenas. Com base em itens de instrumentos já existentes sobre regulação emocional e problemas de comportamento, foi selecionado um conjunto inicial de 49 itens para avaliar dificuldades relacionadas a alimentação, sono, comportamentos internalizantes e externalizantes e competência social. Em Bangladesh, Paquistão e República Unida da Tanzânia, foram coletados dados qualitativos por meio de entrevistas pós-aplicação e testes cognitivos de uma amostra de 16 díades de cuidadores e crianças. As informações qualitativas foram utilizadas para avaliar a relevância cultural dos instrumentos de avaliação GSED, a compreensão dos itens pelos cuidadores e o feedback sobre os processos de implementação do estudo. Em um centro adicional, nos Estados Unidos da América, foi realizada testagem cognitiva em espanhol e inglês para subsidiar a seleção final dos itens. Nos três países da primeira rodada, o GSED-PF foi aplicado juntamente com o GSED-SF e o GSED-LF. Nos EUA, o formulário foi aplicado on-line juntamente com o GSED-SF a uma amostra de aproximadamente 1000 pais e mães, como parte de um estudo em andamento (Marcus Waldman e colegas, Universidade de Nebraska, observações não publicadas, 2023).

Pontuação

Após a aplicação do GSED-LF, do GSED-SF ou de ambos a uma ou mais crianças, o próximo passo é calcular o escore D e o D/I de cada criança. Essa é a etapa de pontuação. A presente seção fornece instruções sobre como calcular os escores. Há dois métodos:

1. Calculadora on-line. O aplicativo on-line Shiny (https://tnochildhealthstatistics.shinyapps.io/ dcalculator/) é uma opção prática para usuários que não tenham familiaridade com o R. O aplicativo inclui documentação e instruções on-line.

2. Pacote dscore do R (https://CRAN.R-project.org/ package=dscore). Uma opção flexível que reúne todas as ferramentas necessárias para calcular o escore D. É uma excelente opção para usuários que têm familiaridade com o R e para os que desejam incorporar o cálculo do escore D no seu fluxo de trabalho.

As revisões planejadas dos instrumentos de avaliação GSED em 2024 não afetarão a interpretação dos escores D calculados com base em versões anteriores. O esquema de pontuação das versões anteriores dos instrumentos GSED continuará disponível. Embora os procedimentos possam mudar em versões futuras, eles continuarão a gerar escores na mesma escala padronizada de escore D, mantendo, portanto, a comparabilidade dos resultados.

Instruções detalhadas sobre como calcular o escore D e o D/I utilizando os métodos mencionados acima podem ser encontradas no Guia de pontuação GSED.

Como o desenvolvimento evolui naturalmente com a idade, pode ser difícil comparar escores D de crianças em faixas etárias diferentes. Para ajudar a resolver esse problema, o pacote também calcula escores Z preliminares de D/I. Esses escores de D/I são calculados tendo como referência crianças da mesma faixa etária a partir dos dados da primeira rodada do GSED, obtidos tanto pelo GSED-SF quanto pelo GSED-LF, em Bangladesh, Paquistão e República Unida da

Tanzânia, a fim de estimar as distribuições dos escores condicionadas à idade. Com base nesse grupo de referência, os escores D provenientes de novos dados podem ser convertidos em escores Z padronizados (com média igual a 0 e desvio padrão igual a 1) para todas as idades.

Embora essas normas preliminares sejam úteis para ajustar os escores e remover o efeito da idade, os escores Z de D/I obtidos com a população de referência atual não devem ser considerados representativos de nenhuma população específica nem têm nenhum valor especial indicativo da normalidade. Eles são calculados a partir de uma amostra de conveniência não representativa. A principal utilidade desses escores de referência preliminares é fornecer estimativas da estabilidade do GSED e do escore D ao longo do tempo sem inflar artificialmente correlações decorrentes da forte associação entre os escores D e a idade. Além disso, podem ser utilizados para fornecer uma estimativa aproximada da associação entre os escores D e outros instrumentos concorrentes e preditivos.

Atualmente, o D/I não é uma base apropriada para determinar se o desenvolvimento das crianças está ou não dentro do esperado. Um estudo de normas e padrões será conduzido pela OMS (ver Seção 7) com o objetivo de gerar uma estimativa mais precisa de como os escores D variam com a idade em uma população restrita de crianças sem grandes limitações ao seu desenvolvimento. Essa versão atualizada do D/I será o foco do trabalho em andamento para gerar normas e padrões e fornecerá uma justificativa mais robusta para a definição dos pontos de corte.

Outros componentes do pacote GSED v1.0

O pacote GSED contém os instrumentos de avaliação GSED e materiais complementares para facilitar sua implementação e utilização. Uma descrição detalhada de cada item está disponível nos guias de itens do GSED-SF e GSED-LF. Os guias podem ser utilizados como recurso nos processos de tradução (para assegurar que o texto traduzido reflete o propósito original das perguntas), adaptação (para assegurar que as instruções sejam adequadas ao contexto) e capacitação (para assegurar que os avaliadores recebam orientações claras sobre como aplicar e pontuar os itens). Os guias de itens incluem instruções sobre como aplicar, avaliar e pontuar cada item. Especificamente, o Guia de itens do GSED-SF esclarece com mais detalhes o propósito de cada item, ao passo que o Guia de itens do GSED-LF apresenta orientações sobre os métodos e materiais a serem utilizados, indica se o item deve ser aplicado por observação, escuta, demonstração, etc., e se é necessário usar algum instrumento específico do kit do GSED-LF.

Cada instrumento de avaliação GSED é acompanhado por um manual do usuário que ajuda os avaliadores a entender e usar os instrumentos. Os avaliadores devem passar por capacitação e certificação para aplicar os instrumentos de avaliação GSED, com a ajuda dos manuais e guias de itens. Os manuais são divididos em quatro seções principais: a) descrição do instrumento; b) aplicação do instrumento; c) o que fazer e o que não fazer durante a aplicação; e d) como resolver eventuais situações difíceis durante a aplicação dos instrumentos.

Para gerar dados comparáveis de alta qualidade, os instrumentos de avaliação GSED devem ser usados em sua totalidade (ou seja, não se deve excluir nem acrescentar nenhum item), sem modificações no enunciado e na ordem dos itens nem nas opções de resposta. Somente as opções específicas de adaptação indicadas são aceitáveis, além das melhores práticas de tradução. Se necessário, as orientações contidas no Guia de adaptação e tradução devem ser seguidas.

7. Próximos passos

O propósito do pacote GSED é proporcionar um meio viável e confiável de coletar dados populacionais sobre o desenvolvimento na primeira infância que possam ser usados para monitorar o progresso e as mudanças introduzidas nas políticas, bem como para avaliar programas e intervenções. Os dados provenientes do GSED serão úteis para formuladores de políticas e governos na definição de prioridades de financiamento. As organizações internacionais poderão utilizá-los para fazer comparações entre países e analisar tendências. Espera-se que os instrumentos de avaliação GSED ofereçam aos países uma indicação de como as crianças mais novas estão se desenvolvendo e servir de incentivo para investir e promover o desenvolvimento saudável.

Este relatório técnico apresenta uma visão geral da metodologia de criação e validação do GSED com os resultados obtidos em três países. Os instrumentos de avaliação GSED mostraram-se válidos e confiáveis para a avaliação do desenvolvimento infantil até os 36 meses em nível populacional. Há esforços em andamento para ampliar as evidências de validade e confiabilidade em âmbito mundial (nos países da segunda rodada e por meio da inclusão do GSED em estudos externos).

A análise relacionada ao trabalho realizado para o teste de campo da abordagem adaptativa, bem como a descrição das propriedades psicométricas do GSED-PF em diferentes culturas e contextos e as conexões entre o GSED-SF e o ECDI2030, será finalizada e divulgada assim que estiver disponível. Os resultados dos testes dos instrumentos de avaliação GSED no contexto de avaliações programáticas e do uso do GSED-HF em inquéritos domiciliares multitemáticos também devem ser disponibilizados em breve.

Além disso, o projeto GSED foi ampliado, no âmbito da iniciativa GSED 2.0, para responder a novas perguntas de pesquisa. Em primeiro lugar, serão geradas evidências de validação adicionais para: i) validade preditiva até os 5 anos de idade, por meio do acompanhamento das coortes dos países da primeira rodada; e ii) avaliação da associação entre os instrumentos de avaliação GSED e biomarcadores (inclusive exames de imagem do cérebro). Em segundo lugar, será criada uma distribuição mundial normatizada por idade dos escores GSED até

os 36 meses, com base em uma metodologia rigorosa, abrangendo crianças criadas com restrições mínimas ao desenvolvimento. Embora o pacote atual de escore D calcule o D/I em relação a três referências possíveis (com base nos dados de validação dos países da primeira rodada), essas referências são consideradas provisórias. Os dados de validação dos países da segunda rodada substituirão essas referências, utilizando informações provenientes dos sete países participantes. No entanto, uma revisão final será realizada quando houver dados da amostra normativa disponíveis (no âmbito do GSED 2.0). Esses valores normais serão então utilizados como referências para estabelecer padrões de desenvolvimento adequado e inadequado, incluindo um ajuste exploratório para bebês prematuros moderados a tardios. Em terceiro lugar, tanto o trabalho conceitual quanto o trabalho de campo abordarão a adaptação do GSED para a identificação, em nível individual, de crianças em risco de comprometimento do neurodesenvolvimento.

Por fim, a abordagem do escore D pode ser utilizada para harmonizar as medições entre idades e instrumentos. Os escores provenientes de múltiplos instrumentos podem ser convertidos em escores D e, assim, comparados aos escores obtidos usando instrumentos diferentes. Trabalhos futuros avaliarão a extensão do escore D para instrumentos aplicáveis a crianças com mais de 36 meses de idade. A ampliação do limite etário do escore D proporcionará melhores

orientações aos usuários sobre o acompanhamento do desenvolvimento infantil ao longo do tempo.

Assim como outros instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil, o GSED continuará a evoluir à medida que se amplie o conhecimento sobre as capacidades e os processos de aprendizagem que ocorrem nos primeiros anos de vida, bem como sobre as influências ambientais no desenvolvimento inicial das crianças. Espera-se também que inovações técnicas (por exemplo, testes

adaptativos) venham a facilitar as medições futuras. Em consonância com os ODS, busca-se promover a equidade por meio do desenvolvimento de instrumentos de avaliação que forneçam dados para que os líderes governamentais e os encarregados do planejamento de programas implementem estratégias que permitam a todas as crianças alcançar seu pleno potencial de desenvolvimento.

© OMS / Christopher Black

Referências

1. Clark H, Coll-Seck AM, Banerjee A, Peterson S, Dalglish SL, Ameratunga S et al. A future for the world’s children? A WHO–UNICEF–Lancet Commission. Lancet. 2020;395(10224):605-58.

2. Daelmans B, Darmstadt GL, Lombardi J, Black MM, Britto PR, Lye S et al. Early childhood development: the foundation of sustainable development. Lancet. 2017;389(10064):9–11.

3. Lu C, Black MM, Richter LM. Risk of poor development in young children in low-income and middle-income countries: an estimation and analysis at the global, regional, and country level. Lancet Global Health. 2016;4:e916-e22.

4. Black MM, Walker SP, Fernald LCH, Anderson CT, DiGirolamo A, Lu C et al. Early child development coming of age: science through the life-course. Lancet. 2017;389(10064):77-90. doi:10.1016/S0140-6736(16)31389-7.

5. Rubio-Codina M, Grantham-McGregor S. Predictive validity in middle childhood of short tests of early childhood development used in large scale studies compared to the Bayley-III, the Family Care Indicators, height-for-age, and stunting: a longitudinal study in Bogota, Colombia. PLOS ONE. 2020;15(4): e0231317.

6. Hoddinott J, Behrman JR, Maluccio JA, Melgar P, Quisumbing AR, Ramirez-Zea M et al. Adult consequences of growth failure in early childhood. Am J Clin Nutr. 2013;98(5):1170-8. doi:10.3945/ajcn.113.064584.

7. Fink G, Peet E, Danaei G, Andrews K, McCoy DC, Sudfeld CR et al. Schooling and wage income losses due to early-childhood growth faltering in developing countries: national, regional, and global estimates. Am J Clin Nutr. 2016;104(1):104-12.

8. Nações Unidas. Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (Educação de Qualidade) [On-line] (https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/4).

9. OMS Multicentre Growth Reference Study Group, de Onis M. WHO Child Growth Standards based on length/height, weight and age. Acta Paediatrica. 2006;95(S450):7685.

10. Ertem IO, Krishnamurthy V, Mulaudzi MC, Sguassero Y, Balta H, Gulumser O et al. Similarities and differences in child development from birth to age 3 years by sex and across four countries: a cross-sectional, observational study. Lancet Glob Health. 2018;6(3):e279-e91.

11. Fernandes M, Villar J, Stein A, Staines Urias E, Garza C, Victora CG et al. INTERGROWTH-21st Project international INTER-NDA standards for child development at 2 years of age: an international prospective population-based study. BMJ Open. 2020;10(6):e035258. doi:10.1136/ bmjopen-2019-035258.

12. Jacobusse G, van Buuren S, Verkerk PH. An interval scale for development of children aged 0–2 years. Stat Med. 2006;25(13):2272–83.

13. Weber AM, Rubio-Codina M, Walker SP, van Buuren S, Eekhout I, Grantham-McGregor SM et al. The D-score: a metric for interpreting the early development of infants and toddlers across global settings. BMJ Glob Health. 2019;4(6):e001724.

14. Ayoub CC, Fischer KW. Developmental pathways and intersections among domains of development. In: McCartney K, Phillips D (eds.). Blackwell handbook of early childhood development. Massachusetts: Blackwell Publishing; 2006:62-81.

15. Fischer KW, Bidell TR. Dynamic development of action and thought. In: Lerner RM, Damon W (eds.). Handbook of child psychology: theoretical models of human development. Nova York: John Wiley & Sons Inc.; 2006:313-99.

16. McCray G, McCoy D, Kariger P, Janus M, Black MM, Chang-Lopez S et al. The creation of the Global Scales for Early Development (GSED) for children aged 0-3 years: combining subject matter expert judgements with big data. BMJ Global Health. 2023;8:e009827.

17. McCoy DC, Waldman M, CREDI Field Team, Fink F. Measuring early childhood development at a global scale: evidence from the Caregiver-Reported Early Development Instruments. Early Childhood Research Quarterly. 2018;45:58–68.

18. Gladstone M, Lancaster G, McCray G, Cavallera V, Alves CRL, Maliwichi L et al. Validation of the Infant and Young Child Development (IYCD) indicators in three countries: Brazil, Malawi and Pakistan. Int. J. Environ. Res. Public Health. 2021;18(11):6117.

19. Aylward GP. Brain, environment, and development: a synthesis and a conceptual model. In: Aylward GP (ed.). Bayley 4 clinical use and interpretation. Londres: Academic Press; 2020:1-19.

20. Gesell AL, Halverson HM, Amatruda C. The first five years of life; a guide to the study of the pre-school child. Nova York: Harper & Brothers; 1940.

21. Rasch G. Probabilistic models for some intelligence and attainment tests. Chicago: The University of Chicago Press; 1980.

22. Van Buuren S, Eekhout I. Child development with the D-score: turning milestones into measurement [version 1]. Gates Open Res. 2021;5:81 (https://doi.org/10.12688/gatesopenres.13222.1).

23. Chang W, Cheng J, Allaire JJ, Sievert C, Schloerke B, Xie Y et al. shiny: web application framework for R. R package version 1.7.1. 2021; (https://CRAN.R-project.org/package=shiny).

24. Cavallera V, Lancaster G, Gladstone M, Black MM, McCray G, Nizar A et al. Protocol for validation of the Global Scales for Early Development (GSED) for children under 3 years of age in seven countries. BMJ Open 2023;13:e06256227.

25. Salmona M, Lieber E, Kaczynski D. Qualitative and mixed methods data analysis using Dedoose: A practical approach for research across the social sciences. Thousand Oaks: Sage Publications; 2019.

26. Huang CY, Tung LC, Chou YT, Wu HM, Chen KL, Hsieh CL. Development of a computerized adaptive testing of children’s gross motor skills. Archives of Physical Medicine & Rehabilitation. 2018;99:512-20.

27. Jacobusse G, van Buuren S. Computerized adaptive testing for measuring development of young children. Statistics in Medicine. 2007;26(13):2629–38 (https://stefvanbuuren.name/publication/2007-01-01_jacobusse2007/).

28. Walker SP, Wachs TD, Gardner JM, Lozoff B, Wasserman GA, Pollitt E et al. Child development: risk factors for adverse outcomes in developing countries. Lancet. 2007;369(9556):145-57.

29. De Ayala RJ. The theory and practice of item response theory. Nova York: Guilford Publications; 2013.

30. Thissen D. Reliability and measurement precision. In: Wainer H (ed.). Computerized adaptive testing: a primer (2nd ed.). Nova Jersey: Lawrence Erlbaum Associates Publishers; 2000:159-84.

31. Landis R, Koch G. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977;33:159–74.

32. Fernald Lia CH, Prado E, Kariger P, Raikes A. A toolkit for measuring early childhood development in low and middle-income countries. Washington, D.C.: Banco Mundial; 2017.

33. Lennon EM, Gardner JM, Karmel BZ, Flory MJ. Bayley Scales of Infant Development. In: Haith MM, Benson JB. Encyclopedia of infant and early childhood development. Massachusetts: Academic Press; 2008:145-56.

34. Armstrong KH, Agazzi HC. The Bayley-III cognitive scale. In: Weiss LG, Oakland T, Aylward GP (eds.). Practical resources for the mental health professional, Bayley-III clinical use and interpretation. Massachusetts: Academic Press; 2010:29-45.

35. Stasinopoulos DM, Rigby RA. Generalized additive models for location scale and shape (GAMLSS) in R. Journal of Statistical Software. 2008;23:1-46.

36. Sudfeld CR, McCoy DC, Fink G, Muhihi A, Bellinger DC, Masanji H et al. Malnutrition and its determinants are associated with suboptimal cognitive, communication, and motor development in Tanzanian children. J Nutr. 2015;145(12):2705-14.

Bibliografia

Ages and Stages Questionnaires, terceira edição (ASQ-3)

Squires J, Bricker D. Ages and Stages Questionnaires (ASQ): a parentcompleted child monitoring system, third edition. Baltimore (MD): Brooks Publishing Company; 2009.

Developmental Milestones Checklist (DMC)

Abubakar A, Holding P, van de Vijver FJ, Bomu G, Van Baar A. Developmental monitoring using caregiver reports in a resourcelimited setting: the case of Kilifi, Kenya. Acta Paediatr. 2010;99(2): 291–7. doi.org/10.1111/j.1651-2227.2009.01561.x.

Developmental Milestones Checklist II (DMC II)

Prado EL, Abubakar AA, Abbeddou S, Jimenez EY, Somé JW, Ouédraogo JB. Extending the Developmental Milestones Checklist for use in a different context in sub-Saharan Africa. Acta Paediatr. 2014;103(4):447–54. doi: 10.1111/apa.12540.

Dutch Development Instrument (DDI)

Laurent de Angulo MS, Brouwers-de JEA, Bijlsma-Schlösser JFM, Bulk-Bunschoten AMW, Pauwels JH, Steinbuch-Linstra I. Ontwikkelingsonderzoek in de Jeugdgezondheidszorg. Het Van Wiechenonderzoek. De Baecke-FassaertMotoriektest. Assen: Van Gorcum; 2008.

Escalas Bayley de desenvolvimento do bebê e da criança pequena (Bayley)

Bayley N. Bayley Scales of Infant Development. San Antonio (TX): The Psychological Corporation; 1969.

Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil, segunda edição (Bayley-II)

Bayley N. Bayley Scales of Infant Development, second edition. San Antonio (TX): The Psychological Corporation; 1993.

Escalas de Comportamento Adaptativo Víneland (Vineland)

Sparrow SS, Cicchetti DV. The Vineland Adaptive Behavior Scales. In: Newmark CS (ed.). Major psychological assessment instruments, Vol. 2. Boston (MD): Allyn & Bacon; 1989:199–231.

Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths (GMDS)

Huntley M. Griffiths Mental Development Scales from birth to 2 years – manual. Oxford: Association for Research in Infant & Child Development; 1996. doi.org/10.1037/t03301-000.

Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths – versão da África do Sul (GMDS-SA)

Luiz DM, Kotras N, Barnard A, Knoesen N. Technical manual of the Griffiths Mental Development Scales – Extended Revised (GMDS-ER). Amersham: Association for Research in Infant & Child Development; 2004.

Instrumentos sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância Relatado por Cuidadores (CREDI)

McCoy DC, Waldman M, CREDI Field Team, Fink G. Measuring early childhood development at a global scale: evidence from the Caregiver-Reported Early Development Instruments. Early Child Res Q. 2018;45(4):58–68. doi.org/10.1016/j.ecresq.2018.05.002.

Kilifi Developmental Inventory (KDI)

Abubakar A, Holding P, van Baar A, Newton CR, van de Vijver FJR. Monitoring psychomotor development in a resource-limited setting: an evaluation of the Kilifi Developmental Inventory. Ann Trop Paediatr. 2008;28(3):217–26. doi.org/10.1179%2F146532808X335679.

Lista de Sintomas Pediátricos (PPSC)

Sheldrick RC, Henson BS, Merchant S, Neger EN, Murphy JM, Perrin EC. The Preschool Pediatric Symptom Checklist (PPSC): development and initial validation of a new social/emotional screening instrument. Acad Pediatr. 2012;12(5):456–67. doi: 10.1016/j.acap.2012.06.008.

Malawi Developmental Assessment Tool (MDAT)

Gladstone M, Lancaster GA, Umar E, Nyirenda M, Kayira E, Van Den Broek NR et al. The Malawi Developmental Assessment Tool (MDAT): the creation, validation, and reliability of a tool to assess child development in rural African settings. PLoS Med. 2010;7:e1000273. doi:10.1371/journal.pmed.1000273.

Saving Brains Early Childhood Development Scale (SBECD)

McCoy DC, Sudfeld CR, Bellinger DC, Muhihi A, Ashery G, Weary TE et al. Development and validation of an early childhood development scale for use in low-resourced settings. Popul Health Metr. 2017;15(1):3. doi: 10.1186/s12963-017-0122-8.

Stanford-Binet Intelligence Scales, quinta edição (SBIS-5)

Roid GH. Stanford-Binet Intelligence Scales, fifth edition. Itasca (IL): Riverside Publishing; 2003.

Teste de Desenvolvimento Psicomotor (TEPSI)

Haeussler IM, Marchant T. Elaboración y estandarización del Test de Desarrollo Psicomotor 2-5 años TEPSI [Development and standardization of the Psychomotor Development Test 2-5 years]. Rev Educ. 1989.

Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver (TTDD)

Frankenburg WK. The Denver Developmental Screening Test. J Pediatr. 1967;71(2):181–91. doi:10.1016/S0022-3476(67)80070-2.

Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver, segunda edição (TTDD II)

Frankenburg WK, Dodds J, Archer P, Shapiro H, Bresnick B. The Denver II: a major revision and restandardization of the Denver Developmental Screening Test. Pediatrics. 1992;89(1):91–7. PMID: 1370185.

Anexo 1. Conjunto de dados sobre o desenvolvimento na primeira infância usado na criação dos instrumentos de avaliação GSED

A Tabela A.1.1 apresenta as coortes que contribuíram com informações para o conjunto de dados utilizado na criação do GSED, detalhando o número de visitas por país, a faixa etária e os instrumentos aplicados.

TABELA A.1.1. COORTES QUE

País Coorte1

África do Sul

Bayley-I, Escalas de Comportamento Adaptativo Vineland, GMDS

Ages and Stages Questionnaires (ASQ)-3, Bayley-III

Brasil

Camboja

Battelle Developmental Inventory e Screener-2

Indicadores de desenvolvimento de bebês e crianças pequenas (IYCD) da OMS

Teste de Desenvolvimento Psicomotor China

Colômbia

Colômbia GCDG-COL-LT42M

Colômbia GCDG-COL-LT45M

Bayley-III, Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver-II, ASQ-3

País Coorte1

Costa

Índia

Líbano

Países Baixos GCDG-NLD-2

Países Baixos GCDG-NLD-SMOCC

Paquistão

Paquistão

Programa Regional de Indicadores de Desenvolvimento Infantil (PRIDI)

Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths (GMDS)

Teste de Stanford-Binet

País Coorte1

Quênia

Quênia

República Democrática

Laos

República Unida da Tanzânia

República Unida da Tanzânia

Zâmbia

Zâmbia

1 O nome da coorte é uma codificação interna que representa o grupo original, o país e o número.

Número de crianças (N)

Instrumentos

Kilifi Developmental Inventory

Tabela de marcos do desenvolvimento

Anexo 2. Instrumentos empregados no estudo de validação do GSED

A Tabela A.2.1 descreve os instrumentos de estudo, além do GSED, que foram coletados para os processos de validação. Esses instrumentos registram o crescimento e a nutrição das crianças, além de oferecer informações sobre saúde, meio ambiente e contexto.

TABELA A.2.1. INSTRUMENTOS DE ESTUDO UTILIZADOS NOS PROCESSOS DE VALIDAÇÃO

Construto

• Elegibilidade (critérios de exclusão)

• Informações demográficas

• Informações sobre problemas agudos de saúde da criança

Saúde infantil e nível socioeconômico domiciliar

Antropometria

• Parto e afecções perinatais

• Aleitamento materno

• História de saúde da criança

• Nível socioeconômico da família*

• Educação dos cuidadores

• Saúde/doença crônica materna

• Exposição à COVID-19

• Peso no momento da avaliação

• Comprimento do bebê/altura da criança no momento da avaliação

• Circunferência do braço da criança no momento da avaliação

• Perímetro cefálico da criança no momento da avaliação

• Ambiente domiciliar (apenas HOME)

• Brincadeiras/estimulação/interações entre a criança e outros membros da família em casa (HOME e FCI)

Elegibilidade e formulário contextual (desenvolvido especificamente para o estudo)

Entrevista com o cuidador 35

Ambiente familiar e domiciliar

Saúde e bem-estar do cuidador

Desenvolvimento infantil

• Negligência e abuso infantil

• Exposição à violência ou a conflitos

• Resiliência da família

• Apoio social da família

• Sintomas depressivos do cuidador

Formulário de antropometria Avaliação da criança 15

HOME ou FCI

HOME: relato do cuidador e observação FCI: relato do cuidador

HOME: 45

FCI: 15

CPAS† Relato do cuidador 15

BRS† Relato do cuidador 1

FSS† Relato do cuidador 5

PHQ9 Relato do cuidador 5

• Desenvolvimento infantil global (0 a 41 meses) Bayley-III o GMDS‡ Avaliação direta da criança 45 - 60

• Desenvolvimento infantil global (24 a 41 meses)

ECDI2030§ Relato do cuidador 10

* As informações sobre nível socioeconômico deste formulário são provenientes do índice padrão de bens múltiplos das Pesquisas sobre Demografia e Saúde (DHS); no entanto, alguns centros adaptaram os itens para melhor se adequarem aos seus contextos.

† Esses instrumentos de avaliação foram ligeiramente adaptados para efeitos do estudo.

‡ Em uma subamostra (N=150).

§ Em uma subamostra (todas as crianças de 24 a 41 meses dentro das subamostras de validade preditiva de três países).

Anexo 3. Resultados de validade por instrumento de avaliação GSED

As tabelas deste anexo apresentam os resultados de validade e confiabilidade de cada instrumento de avaliação GSED individualmente, bem como da escala como um todo (ou seja, GSED-CB).

TABELA A.3.1. VALIDADE CONCORRENTE (COM BAYLEY-III)

Instrumento do GSED

Cognitivo

GSED-SF Cognitivo

GSED-CB Comunicação receptiva

GSED-SF Comunicação receptiva

GSED-LF Comunicação receptiva

GSED-CB Comunicação expressiva

GSED-SF Comunicação expressiva

GSED-LF Comunicação expressiva

GSED-CB Motricidade fina

GSED-SF Motricidade fina

GSED-LF Motricidade fina

GSED-CB Motricidade ampla

GSED-SF Motricidade

GSED-LF Motricidade ampla

GSED-CB Escore total na Bayley-III

(0,88;0,93)

(0,87;0,93)

(0,88;0,93)

(0,92;0,96)

(0,91;0,95)

(0,92;0,96)

(0,95;0,97)

(0,82;0,90)

(0,84;0,91)

(0,82;0,90)

(0,81;0,89)

(0,83;0,90)

(0,94;0,97)

(0,86;0,92)

(0,89;0,94)

(0,85;0,92)

(0,82;0,90)

(0,87;0,93)

(0,95;0,97)

(0,87;0,91)

(0,88;0,92)

(0,88;0,91)

(0,86;0,90)

(0,88;0,92)

(0,96;0,97)

(0,95;0,96)

Escala D/I

Escore

Escala do escore D
Domínio da Bayley-III
República Unida da Tanzânia
Combinado

TABELA A.3.2. VALIDADE CONVERGENTE

Escala do escore D

Instrumento do GSED Domínio da Bayley-III

GSED-CB

GSED-SF

GSED-LF

Nível socioeconômico: índice de riqueza da DHS**

Nível socioeconômico: índice de riqueza da DHS**

Nível socioeconômico: índice de riqueza da DHS**

GSED-CB Antropometria: A/I

GSED-SF Antropometria: A/I

GSED-LF Antropometria: A/I

GSED-CB Antropometria: P/I

GSED-SF Antropometria: P/I

GSED-LF Antropometria: P/I

GSED-CB Peso ao nascer

GSED-LF Peso ao nascer

GSED-CB Idade gestacional

GSED-SF Idade gestacional

GSED-LF Idade gestacional

GSED-CB Escolaridade materna*

GSED-SF Escolaridade materna*

GSED-LF Escolaridade materna*

(0,05;0,16)

(0,02;0,12)

(0,02;0,13)

(0,16;0,26)

(0,09;0,19)

(0,61;0,16)

(0,08;0,17)

(0,13;0,23)

(0,10;0,20) N/A

(0,05;0,15) N/A

(0,09;0,19) N/A

(0,16;0,26)

(0,12;0,22)

(0,12;0,23)

(0,00;0,11)

(0,07;0,18)

(0,08;0,19)

(0,07;0,18)

(0,41;0,15)

(0,08;0,17)

(0,07;0,17)

(0,16;0,26)

(0,14;0,23)

(0,10;0,20)

GSED-CB Categoria do PHQ9 –0,05 (–0,10;0,01) –0,04 (–0,08;0,02)

GSED-SF Categoria do PHQ9 –0,05 (–0,10;0,01) –0,01 (–0,06;0,04)

GSED-LF Categoria do PHQ9

(0,09;0,19)

(0,09;0,15)

(0,13;0,19)

(0,01;0,11) N/A

(0,00;0,10) N/A

(–0,01;0,10) N/A

(–0,03;0,07)

(0,02;0,08)

Escala do escore D

Instrumento do GSED

da Bayley-III

GSED-CB BRS** –0,1 (–0,15; –0,05) –0,09 (–0,14; –0,04)

GSED-SF BRS** –0,03 (–0,08;0,02) –0,05 (–0,1; –0,01)

GSED-LF BRS** –0,11 (–0,16; –0,06) –0,1 (–0,15; –0,06)

(–0,06;0,04) –0,09 (–0,12;0,06)

(–0,06;0,05) –0,04 (–0,07; –0,01)

(–0,04;0,06) –0,10 (–0,13; –0,07)

GSED-CB CPAS** –0,05 (–0,1;0,01) –0,05 (–0,10;0,01) –0,01 (–0,06;0,04) –0,07 (–0,1;–0,04)

GSED-SF CPAS** –0,03 (–0,08;0,02) –0,05 (–0,10;0,00) –0,01 (–0,06;0,04) –0,05 (–0,08; –0,02)

GSED-LF CPAS** –0,05 (–0,11;0,00) –0,03 (–0,07;0,02) 0,00 (–0,05;0,06) –0,06 (–0,09; –0,03)

* Correlação de Spearman: educação materna (sem escolaridade, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior), PHQ9 (sem depressão, depressão leve, moderada, moderada-grave, grave).

** Escala criada por meio de um modelo de teoria de resposta ao item unidimensional de dois parâmetros.

*** Para essas variáveis, não se considerou apropriado usar uma escala transnacional.

TABELA A.3.3. VALIDADE PREDITIVA DE CURTO PRAZO (AOS 6 MESES)

Escala do escore D

D/I do GSED-CB na linha de base comparado ao D/I do GSED aos 6 meses 0,55 (0,48;0,61)

D/I do GSED-SF na linha de base comparado ao D/I do GSED aos 6 meses

D/I do GSED-LF na linha de base comparado ao D/I do GSED aos 6 meses

(0,46;0,59)

(0,51;0,63)

(0,50;0,63)

(0,56;0,63)

(0,50;0,62)

(0,52;0,64)

(0,53;0,60)

(0,30;0,46)

(0,35;0,50)

(0,30;0,46)

(0,43;0,52)

Bangladesh Paquistão República Unida da Tanzânia Combinado

Este Relatório técnico faz parte do pacote de materiais das Escalas Mundiais de Medição do Desenvolvimento na Primeira Infância (GSED, na sigla em inglês), versão 1.0. O GSED é um conjunto de instrumentos de acesso aberto que constitui um método padronizado para medir o desenvolvimento infantil até os 36 meses de idade em diferentes culturas e contextos. Foi elaborado para oferecer à comunidade global instrumentos de medição populacionais do desenvolvimento na primeira infância que possam ser comparáveis entre países. Não é necessário pagar qualquer taxa ou royalties para usar estas escalas, que foram projetadas e testadas para serem linguisticamente e culturalmente neutras, de modo que não deveria ser necessário adaptá-las aos contextos locais.

Este relatório documenta detalhadamente o processo de desenvolvimento, validação e propriedades psicométricas das medidas GSED. Descreve o uso de abordagens conceituais e estatísticas rigorosas, como a criação da pontuação de desenvolvimento (D-score), uma métrica que permite quantificar o desenvolvimento como um valor único comparável entre populações. O relatório inclui, ainda, informações sobre a validação em diversos países, o desenho dos formulários para cuidadores e para aplicação direta, a criação de um aplicativo digital para facilitar sua implementação e as próximas etapas para ampliar seu uso e validação em nível mundial. Trata-se de uma ferramenta fundamental para monitorar o desenvolvimento infantil precoce e orientar políticas e programas baseados em evidências em todo o mundo.

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Relatório técnico Escalas Mundiais de Desenvolvimento na Primeira Infância v1 - GSED - OPAS by Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal - Issuu