DESIGUALDADES E PRIMEIRA INFÂNCIA
Desigualdades sociais no domínio psicológico da insegurança alimentar entre mães do Sul do Brasil durante a pandemia do Covid-19
Thais Martins da Silva Pelotas, Rio Grande do Sul
• Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
1
Introdução Insegurança alimentar grave no Brasil entre famílias com crianças menores de 10 anos
18,1%
No Brasil, 6 em cada 10 famílias não conseguem
Esse aumento ressalta a importância de se abordar questões
acesso pleno à alimentação e, de 2020 a 2022, a
relacionadas à
situação de fome dobrou nas famílias com
alimentação e as
crianças menores de 10 anos1
consequências
9,4%
emocionais geradas pela falta de acesso seguro à alimentação, especialmente no
A insegurança alimentar 2020
pode afetar o desenvolvimento da
2022
contexto da pandemia
Fonte: Rede PENSSAN, 2022
criança e a saúde mental materna
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)2, insegurança alimentar é a falta de
Essa condição pode gerar uma exposição
acesso físico, econômico e social a
maior ao estresse tóxico, elevar o número
alimentos de forma a satisfazer as
de hospitalizações da criança e atrasar
necessidades de cada pessoa. O
seu crescimento3, além de gerar efeitos
sofrimento psicológico causado por essa
indiretos da saúde mental materna4,5
falta (isso é, preocupar-se com a comida), pode ser considerado um dos primeiros indicadores de insegurança alimentar
Nas mães, a preocupação e incerteza quanto à obtenção de alimentos suficientes pode levar a: O objetivo desta pesquisa Uma resposta ao estresse,
foi investigar a relação entre
levando a um quadro de
as desigualdades sociais
ansiedade e depressão6,7
(escolaridade materna, renda familiar e mudança de renda na
Sentimentos de impotência e
pandemia) e o medo de não ter
culpa associados à saúde mental
comida suficiente (domínio
materna já comprometida8,9,10
psicológico da insegurança alimentar) durante 2
a pandemia
Método da pesquisa Estudo
Esta pesquisa foi aprovada pelo
longitudinal
Comitê de Ética da Universidade
de base
Federal do Rio Grande, CAAE: 15724819.6.0000.5324.
populacional
Em 2019, todos os 2.051 partos hospitalares ocorridos no município do Rio Grande
Entre maio/julho (onda I) e
(RS) foram identificados e as
julho/dezembro de 2020 (onda II), as mães participantes do
mães e seus bebês incluídos
estudo foram contactadas por
em um estudo com o objetivo
telefone, WhatsApp ou redes
de monitorar a saúde
sociais. Os dados coletados
materno-infantil ao longo
abordaram:
do tempo Renda familiar e variação de renda
Prevalência
durante a
de insegurança
Foram
pandemia
alimentar por meio do autorrelato materno
incluídas no
da preocupação com
estudo 1.297
a falta de alimentos
mães
suficientes em casa
Número de
Escolaridade
pessoas que
materna
moram no domicílio
3
A prevalência de insegurança alimentar foi de:
Resultados da pesquisa
42,8%
44,7%
maio a
julho a
julho de
dezembro
2020
de 2020
(onda I)
(onda II)
Uma menor escolaridade materna, redução na renda familiar durante a pandemia e o número de pessoas que moram na casa impactaram a prevalência de insegurança alimentar
Número de
Renda
pessoas em casa
53,9% (onda 1) e 59,1% (onda 2) das
53,6% (onda 1) e 52,4% (onda 2) das
mães que tiveram
mães que moravam
redução da renda
com 3 ou 4 pessoas
durante a pandemia
referiram insegurança
reportaram insegurança
alimentar
Escolaridade
alimentar
55,6% (onda 1) e 60,7% (onda 2) das mães com ensino fundamental relataram insegurança alimentar 4 Recomendações para a gestão pública GESTÃO FEDERAL
GESTÃO ESTADUAL E MUNICIPAL
Fortalecer políticas de combate à pobreza, como programas de transferência de renda
Recomendações baseadas em evidências:
Identificar precocemente subgrupos populacionais mais vulneráveis (incluindo famílias com menos recursos econômicos, renda diminuída durante a pandemia, menor escolaridade e com 3 moradores ou mais por domicílio), permitindo uma reflexão sobre potenciais estratégias para mitigar a insegurança alimentar
Ações para combater a insegurança alimentar na primeira infância
Estender ou implementar novos programas assistenciais, com fornecimento direto de alimentos para famílias necessitadas e acesso ampliado a alimentos saudáveis, acessíveis e seguros
5 Créditos
SOBRE A PESQUISADORA
SOBRE A PESQUISA
Thais Martins da Silva
Desigualdades sociais no domínio psicológico da insegurança alimentar entre mães do Sul do Brasil durante a pandemia do Covid-19
Pesquisadora no Grupo de Pesquisa e Inovação em Saúde (GPIS)/Centro de pesquisa em desenvolvimento humano e violência (DOVE), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), RS, Brasil
Co-autores Marina Xavier Carpena; Cauane Blumenberg; Rafaela Costa Martins; Kamyla M. Olazo; Bianca Del-Ponte; Luana P. Marmitt; Rodrigo Meucci; Juraci A. Cesar; Angela C. B. Trude; Christian Loret de Mola Financiadores Esta pesquisa foi financiada em parte pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPQ), número 433426/2018-7, e pela Secretaria de Saúde do Município do Rio Grande (RS).
6 Referências
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O conteúdo deste estudo é de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões das organizações que são membros do Núcleo Ciência Pela Infância.