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Mães que recebem orientações em visitas domiciliares sobre como brincar e se comunicar com seus bebê

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AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PRIMEIRA INFÂNCIA

Mães que recebem orientações em visitas domiciliares sobre como brincar e se comunicar com seus bebês fortalecem o desenvolvimento dos filhos

Patrícia Alvarenga Salvador, Bahia

• Universidade Federal da Bahia (UFBA)

1

Dificuldade de esperar por algo ou pela atenção de alguém

Introdução A interação da criança com seus cuidadores, em

Timidez e retraimento

Agressividade

especial nos primeiros anos de vida, é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, Possíveis consequências de atrasos no desenvolvimento da atenção e da fala nas crianças

afetivo e social dela1,2,3, repercutindo não

Problemas de aprendizagem escolar

só na infância, mas também ao longo da vida adulta4,5

Dificuldade de lidar com a raiva, o medo e a tristeza

Dificuldade de se concentrar em tarefas

Problemas de ansiedade Dificuldade de seguir regras e cooperar

Esta pesquisa avaliou os efeitos de um treinamento para ajudar mães de baixa renda e escolaridade a reagirem sensivelmente aos sinais

Intitulado de Programa de Responsividade Materna (PRM), o treinamento consiste em 8 visitas domiciliares, cada uma com duração de 1 hora, ocorridas entre o 3º e o 10º mês do bebê. Nelas, facilitadores indicam como mães podem ajudar no desenvolvimento da criança com brincadeiras e conversas

comunicativos dos seus bebês (vocalizações, sorrisos, choro, olhar, gestos) e, assim, melhorar o desenvolvimento da atenção e da fala das crianças

Mães de

2

primeira

Ensaio clínico randomizado

Método da pesquisa

viagem

piloto com a participação de 44 duplas (mãe e bebê)

A pesquisa foi aprovada pelo Sistema CEP/CONEP por meio

cadastradas nas Unidades Básicas

Idade da mãe

de Saúde em comunidades

entre 19 e 40 anos

da Plataforma Brasil e seguiu as normas e diretrizes da

no momento do

de baixa renda de Salvador

Resolução 466/12, que regulamenta as pesquisas

recrutamento

que se adequavam aos

que envolvem seres humanos

seguintes critérios:

Bebê nascido com 37 semanas ou mais sem

Todas as 44

doenças

duplas foram

crônicas

avaliadas em três fases do bebê: 3 meses, 11 meses e 18 meses

O objetivo foi relacionar a O desenvolvimento

capacidade das mães para

foi avaliado utilizando

reagir de forma sensível

a Escala de

aos sinais comunicativos

Desenvolvimento do Comportamento da

dos bebês ao

Criança (EDCC) aos

desenvolvimento

3 e aos 11 meses

apresentado por eles

Grupo intervenção

Grupo controle

Metade das duplas foi sorteada de forma aleatória e recebeu visitas do Programa de Responsividade Materna

A outra metade das duplas não recebeu qualquer visita do Programa de Responsividade Materna

Roteiro de cada visita:

1. Filmagem da

interação mãe-bebê: Mãe e bebê são filmados por 5 minutos enquanto interagem com brinquedos a partir de propostas da pessoa responsável pela facilitação. As propostas variam de acordo com a idade da criança e do objetivo de cada sessão

3

2. Análise da

5.

4.

3. Orientações:

interação mãe-bebê: A pessoa facilitadora se ausenta por 15 minutos para examinar a interação filmada

Durante 20 minutos, a pessoa facilitadora exibe o vídeo à mãe, reforçando ações responsivas e interações positivas dela com o bebê, explicando seu impacto no desenvolvimento da criança. Ela também sinaliza comportamentos não responsivos e indica alternativas à mãe

Fechamento: Nos 10 minutos finais da sessão, os progressos da mãe são destacados e ela é encorajada a seguir exercitando as habilidades aprendidas

Modelação: Nos 5 minutos seguintes, a pessoa facilitadora interage com o bebê e mostra à mãe estratégias responsivas de aproximação e interação. A mãe é estimulada a participar e exercitar o aprendizado

O programa apoiou o desenvolvimento da atenção e da comunicação dos bebês, com efeitos mantidos por 8 meses após a última visita

Resultados da pesquisa

Comportamento materno e desenvolvimento da comunicação da criança6,7,8 pontuação no grupo intervenção

pontuação no grupo controle

3. Comportamento materno intrusivo

2. Fazer perguntas ao bebê enquanto brinca com ele

1. Interpretação do comportamento do bebê pela mãe

13.86

7.09

2.18

7.50

3.22

0.63

As mães do grupo intervenção interpretaram o comportamento de seus bebês de 11 meses com mais frequência do que as mães do grupo controle

As mães do grupo intervenção fizeram mais perguntas aos bebês de 11 meses do que as mães do grupo controle

As mães do grupo intervenção agiam intrusivamente com menos frequência com seus bebês de 11 meses quando comparadas às mães do grupo controle

Vocalizações das crianças aos 11 e 18 meses 11 7,9

8,6

5,1

11 meses

18 meses

Aos 11 e aos 18 meses, as crianças do grupo intervenção apresentaram mais vocalizações durante a interação com a mãe do que as crianças do grupo controle

4

Recomendações para a gestão pública

Recomendações baseadas em evidências: Ações para o aprimoramento da relação das crianças e seus cuidadores

Programas de apoio à parentalidade ofertados por meio de visitas domiciliares podem fortalecer práticas para que cuidadores tenham mais condições de promover o desenvolvimento da atenção e da fala da criança no primeiro ano de vida9,10,11,12

Treinamentos com instruções e sessões de comentários direcionados às mães são mais eficazes do que programas baseados em cartilhas ou materiais de divulgação escritos9,10,11,12

Programas voltados ao desenvolvimento da responsividade de cuidadores devem possuir manual completo, pessoal treinado e supervisão regular9,12

5

Créditos

SOBRE A PESQUISADORA

SOBRE A PESQUISA

Patrícia Alvarenga

Mães que recebem orientações em visitas domiciliares sobre como brincar e se comunicar com seus bebês fortalecem o desenvolvimento dos filhos

Professora Titular do Instituto de Psicologia e Docente Permanente do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Co-autores As informações publicadas neste material foram adaptadas de dois artigos e um livro referenciados na seção abaixo e com autoria compartilhada entre os seguintes pesquisadores: Roger Bakeman (Universidade do Estado da Geórgia), Maria Ángeles Cerezo (Universidade de Valência), Yana Kuchirko (Brooklyn College), Euclides José de Mendonça Filho (Universidade McGill), Cesar Augusto Piccinini (Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS), Catherine S. Tamis-LeMonda (Universidade de Nova York), Elizabeth Wiese (Universidade de Utrecht). Financiadores Este trabalho foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/Brasil, Código Financeiro 001) [bolsa número 305514/2012-1]; e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/Brasil) [nºs 307263/2015 e 307391/2018-3].

6

Referências 1. Fraley, R. C. Roisman, G. I., & Haltigan, J. D. (2012). The legacy of early experiences

7. Alvarenga, P., Kuchirko, Y., Cerezo, M. A., Mendonça-Filho, E. J., Bakeman, R., &

in development: formalizing alternative models of how early experiences are

Tamis-LeMonda, C. S. (2021). An intervention focused on maternal sensitivity

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2. Landry, S. H., Smith, K. E., & Swank, P. R. (2006). Responsive parenting: Establishing early foundations for social, communication, and independent

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3. Landry, S. H., Smith, K. E., Swank, P. R., Guttentag, C. (2008). A responsive

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6. Alvarenga, P. Cerezo, M. A., Wiese, E., & Piccinini, C. A. (2020). Effects of a short

https://doi.org/10.1007/s10826-019-01399-4 Acesso em: 28 mar 2023.

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O conteúdo deste estudo é de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões das organizações que são membros do Núcleo Ciência Pela Infância.


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