INFÂNCIAS PLURAIS DO BRASIL
Espaços educativos sem racismo são indispensáveis para o desenvolvimento integral das crianças
Míghian Danae Ferreira Nunes São Francisco do Conde, Bahia
• Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab - BA)
Ser criança negra no Brasil
1
ocorre na adversidade do
55,2%
Introdução
racismo. Ele é uma das variáveis componentes das Experiências Adversas na Infância, que
da população brasileira
desencadeiam estresse tóxico e
com até 6 anos1 é de
podem afetar o desenvolvimento
crianças negras
integral da criança durante a gestação e nos primeiros anos de vida2,3,4
Este estudo buscou compreender a experiência de crianças negras nos espaços educativos e quais estratégias elas utilizam para enfrentar situações nas
O racismo sugere às crianças
quais se espelha o modelo adulto de
brancas que elas pertencem
organização da sociedade, que
a um grupo superior,
tem o racismo e o preconceito
mensagem que em nada
de classe e gênero como
colabora para a construção
práticas comuns
de um projeto de nação inclusivo e democrático
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Método da pesquisa O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Educação
A pesquisa envolveu 14 crianças, todas negras, com idades entre 4 e 5 anos, e ocorreu de março a dezembro de 2015 em uma turma de educação infantil na Escola Municipal Malê Debalê, em Itapuã, Salvador (BA)
da Universidade de São Paulo (Protocolo 038/2013)
Estudo observacional das relações humanas em espaços sociais a partir da perspectiva da etnografia com crianças 5 6 7 8 9
Os referenciais teóricos levaram em consideração estudos sobre gênero10,11, raça12,13, idade, geração14 e corpo15
A escolha da escola observou o vínculo da instituição com o bloco afro Malê Debalê e sua relação direta com o pertencimento local e racial negro
Pergunta-chave do estudo:
Como as crianças negras constroem cultura a partir de suas experiências no mundo?
Em espaços institucionais onde o racismo interpessoal é
3
menos violento, as
Resultados da pesquisa
Relatar situações de sofrimento ou violência
crianças negras
Dar opiniões
conseguem16
Colaborar com outras crianças
Expressar pensamentos
A partir da escuta de crianças negras, foram levantadas estratégias para garantir participação social delas nos espaços educativos
1. Elaboração de roteiros de trabalho com espaço para criações coletivas com e para elas
2. Criação de assembleia
3. Construção de relações
das crianças com poder
mais horizontais entre adultos e
decisório sobre atividades
crianças, como estar à altura da
na escola, como o horário de
criança ao falar com ela, manter
acesso ao parque ou a nova
contato visual e esperar que ela
cor das paredes da sala
termine suas frases
Refletir sobre a
A participação das crianças
experiência das crianças
colabora para a implementação de uma
negras significa valorizar a
educação inclusiva, voltada
diversidade humana e
para as relações raciais, uma dimensão
No momento em que
fundamental para a vida
as políticas públicas para
social num país multirracial
a educação tornarem as
como o Brasil
instituições públicas
oferecer elementos para conseguirmos problematizar como o racismo impacta seu desenvolvimento pleno
atraentes às crianças, veremos a inclusão delas como cidadãs em nossa sociedade 4
Recomendações para a gestão pública Elaborar práticas educacionais menos verticais e mais compartilhadas, tornando o espaço educativo mais atrativo às crianças
Desenvolver mecanismos de escuta de crianças negras no processo de construção de políticas públicas de forma a garantir sua inclusão
Recomendações baseadas em evidências:
Estimular a participação delas nos espaços de decisão, como assembleias escolares e audiências públicas nas esferas legislativas em âmbito municipal, estadual e federal
Estratégias para valorizar a diversidade étnica na relação com crianças negras
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Créditos
SOBRE O PESQUISADOR
SOBRE A PESQUISA
Míghian Danae Ferreira Nunes
Espaços educativos sem racismo são indispensáveis para o desenvolvimento integral das crianças
Professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Campus dos Malês, São Francisco do Conde (Unilab - BA)
Financiadores O presente trabalho foi realizado com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Agradecimentos Agradeço às crianças partícipes da pesquisa.
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Referências
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O conteúdo deste estudo é de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões das organizações que são membros do Núcleo Ciência Pela Infância.